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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DA REGIÃO DE JOINVILLE- FURJ

UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE – UNIVILLE


Departamento de Psicologia
Disciplina Psicologia Social e Comunitária

DATA: Avaliação de Psicologia Social e Comunitária


1º Bimestre 2018
Nome:

Parte I
A psicologia Social é uma área da Psicologia. Seu objeto de estudo , não tem sido consensual: para
alguns é o estudo do comportamento em interação social e para outros é a dimensão subjetiva dos
fenômenos sociais. O campo da Psicologia Social é muito vasto e abrangente. Concentramos o início
dos estudos nos apontamentos históricos e nos fundamentos históricos e epistemológicos da
Psicologia Social e nos objetos de estudo da Psicologia Social , ou seja, na definição, histórico,
princípios, conceitos e categorias principais. Segundo LANE(2006), nosso modo de agir é determinado
pelo grupo social ao qual pertencemos. Como, nesta conveniência, definimos nossa identidade e
peculiaridades? A Psicologia Social, área da Psicologia que estuda o comportamento de indivíduos
enquanto seres socialmente influenciados, mostra como se forma nossa concepção de mundo, sua
vinculação à linguagem que aprendemos e aos valores que assimilamos. Discutindo o desenvolvimento da
consciência social na escola e no trabalho, (...) nos faz compreender o que transforma os indivíduo em
agentes da história de sua sociedade (LANE, Silvia. O que é Psicologia Social?. São Paulo:
Brasiliense,2006 (on-line ou Index 28406).
Questões relacionadas aos fundamentos históricos e epistemológicos da Psicologia Social e objetos de
estudo → BOCK (2012:); Almeida (2012); LANE (1997); BERNADES (2009); FERREIRA (2010); ROSE
(2008); SILVA (2004):

1- Explique a importante relação indivíduo-sociedade e como a Psicologia Social como ciência tem
se constituído levando em conta os fundamentos históricos e epistemológicos (visões na
Psicologia Social). BOCK, 2012, cap. 12, p. 176-177-178)
A relação indivíduo sociedade é o tema geral da Psicologia Social, uma área da Psicologia. Seu
objetivo, para alguns, é o estudo do comportamento em interação social e para outros é a dimensão
subjetiva dos fenômenos sociais. A preocupação em comum entre as duas tendências é a relação que os
indivíduos mantêm com o coletivo no qual estão inseridos.
A partir da crise do capitalismo durante o século 19, passou a ser necessário entender o
comportamento dos sujeitos quando eles se encontravam em multidões. O processo de migração do final
do século 19 e início do século 20 intensificou o problema da comunicação entre os povos e daí surgiu o
interesse em sistema Psicologia para esses agrupamentos sociais.
Surgiu com George Tarde a psicologia das massas que produziu conhecimento sobre os estados
afetivos não racionais do comportamento coletivo. Mas foi em 1908 que McDougall e Ross utilizaram o
termo Psicologia Social para se referirem ao estudo de fenômenos presentes na relação entre indivíduo e
sociedade.
O pragmatismo americano no século 20 desenvolve a psicologia social deslocando a das massas e
trazendo a para o pequeno grupo e relações interpessoais. A sociedade determinava o comportamento
dos indivíduos com sua força coerciva ou o indivíduo possuía força e características que, recebendo
influência da sociedade, a organizava de forma própria, autodeterminando seu comportamento em
sociedade.

2- Segundo Bock(2012), a Psicologia Social foi se desenvolvendo sem qualquer crítica à dicotomia,
acolhendo duas visões, uma sociológica e outra psicológica. Para a autora a divisão era inevitável,
pois ao não criticar e superar a dicotomia restava escolher qual dos dois âmbitos era a influência
mais forte sobre o ser humano. Revise o mapa conceitual que você elaborou em grupo e estude os
pontos centrais das visões, história, autores, conceitos, objeto de estudo, estudos realizados
(BOCK, 2012, p. 178-182).
A Psicologia se fundamentou por uma base dicotômica: de uma lado a subjetividade e de outro a
objetividade como coisas separadas. Assim, indivíduo e sociedade ficaram separados nas construções
teóricas da Psicologia. No primeiro bloco, são estudadas as manifestações comportamentais suscitadas
pela interação de uma pessoa com outras ou pela mera expectativa de interação. A interação social, a
interdependência entre os indivíduos, o comportamento dos indivíduos a partir de um lugar social, o
encontro social são os objetos investigados por essas teorias. Os principais conceitos são: percepção
social, comunicação, atitudes, mudança de atitudes, papéis sociais, representação do eu, grupos sociais,
socialização.
O segundo bloco é formado por teorias que criticam a dicotomia presente nas teorias do primeiro
bloco. Seu pensamento toma o indivíduo e a sociedade como âmbitos de um mesmo processo, em que
ambos se constituem mutuamente. Não há humano, não fosse a vida coletiva, em sociedade. A sociedade
é o espaço criado a partir das relações entre os “sócios” (indivíduos em sociedade) que produzem a vida
e a si mesmos.
A visão sociológica
A visão sociológica afirma o domínio da exterioridade sobre o indivíduo. A psicologia social é
influenciada por essa visão, especialmente por Durkheim. Por sociedade entende-se o conjunto de
posições sociais. Todos os comportamentos manifestos são chamados de papéis desempenhados pela
PS; os quais podem ou não estar de acordo com a prescrição social. O desempenha de papéis é
necessário para manter a sociedade em funcionamento e realizando as tarefas necessárias a
sobrevivência de todos.
Nesse contexto, Goffman dá forma e nome ao chamado controle social à maneira como a
sociedade pressiona os indivíduos a atuarem de acordo com as regras e as expectativas sociais. A
subjetividade e o cmpt dos indivíduos estão submetidos à exterioridade de forma mecânica. O autor,
assim, naturaliza a pressão social e a tarefa de controlar as impressões.
A visão psicológica
Dialogando com a visão acima citada, a TCC acreditou (sec XX) ser necessário fortalecer o
indivíduo na relação com a sociedade e afirmou que a pressão social, os papéis e as expectativas não
terão nenhuma influência sobre os indivíduos se eles não as perceberem. Nesse sentido, destaca-se a
cognição, a qual é a organização estruturada e significativa que o sujeito faz a partir de suas percepções e
das influências que recebe do meio. A interação social e o encontro social são os objetos investigados por
essa perspectiva.

3- A Psicologia Social, nos anos 1970, iniciou críticas à sua própria inserção na sociedade e às
suas contribuições e compromissos. “Estava aliada a interesses das elites e produzia
conhecimentos que ajudavam a aumentar o lucro das empresas, mais do que conhecimentos que
pudessem ajudar a melhorar as condições de vida da maioria das populações, principalmente em
países do Terceiro Mundo” (BOCK, 2012, p.183). Destaque algumas críticas importantes que foram
feitas às teorias de visão psicológica e visão sociológica:
- Psicologia baseada apenas em métodos descritivos ou seja daquilo que observavam e factual.
- O seu desenvolvimento era voltado aos objetivos da sociedade norte-americana pós-guerra com
conhecimentos alinhados são instrumentos que possibilitasse a intervenção na realidade.
- A psicologia social tinha noção estreita do social apenas como a relação entre pessoas e não como
um conjunto de produções humanas.
- É uma psicologia apoiada na dicotomia onde você para o indivíduo e sociedade como se eu
pudesse existir sem o outro.

4- Segundo a posição da Psicologia Sócio Histórica* na Psicologia Social não há divisão entre
comportamento em situação de interação ou não. E o que interessa é acompanhar o movimento
dos humanos: suas transformações e mudanças que provocam no mundo. Cite descreva as
categorias de análise dessa perspectiva: (BOCK, 2012, p.186-189)
- Atividade: unidade básica fundamental; meio pelo qual o ser humano se apropria do mundo;
propicia a transição daquilo que está fora do ser humano para dentro dele. Prática humana → base do
conhecimento e pensamento do ser humano.
- Consciência: expressa a forma como o ser humano se relaciona com o mundo. Não se limita
apenas ao saber lógico; inclui saber das emoções e sentimentos. A consciência é produto das
relações sociais que os seres humanos estabelecem. Estuda-se por suas mediações → representação
social (conjunto de ideias que articula os significados sociais).
- Identidade: denominação dada às representações (ideias e sentimentos) que o indivíduo
desenvolve a respeito de si próprio, a partir de suas vivências. É a síntese pessoal sobre o si
mesmo.
- Sentidos e significados: sentido é um agregado de fatos psicológicos que estão registrados pelo
sujeito, arquivados, carregado de afeto; emerge na consciência. O sentido marca a passagem da
psique natural para a psique histórico-social. Significados são mais duradouros e objetivos,
consensuados no coletivo, possibilitados pelos sentidos ao mesmo tempo que fazem parte dos
sentidos. São sentidos coletivos.
5- O que são fenômenos sociais? Demonstre através de exemplos. (BOCK, 2012, p. 189-190)
São fenômenos que ocorrem em nossa sociedade e analisados a partir da existência coletiva. A
psicologia social estuda de forma a buscar os aspectos psicológicos que acompanham, permitem e
constituem esses fenômenos. Podem ser considerados como fenômenos sociais a violência, preconceito,
relações de gênero, exclusão, desigualdade social, movimentos sociais, expressão da cultura, movimentos
de juventude, comunicação, relações comunitárias, processos políticos são analisados a partir da
existência coletiva. No caso da desigualdade, por exemplo, a psicologia social irá estudar a busca de
visibilidade e inteligibilidade dos aspectos psicológicos que acompanham, permitem e constituem essa
desigualdade.

6- Em que consiste atividade profissional do Psicólogo na área da Psicologia Social? (BOCK, 2012,
p. 190-191)
A psicologia social comunitária foi se configurando como uma possibilidade de atuação dos
psicólogos e hoje tem reconhecimento e espaço em todo o país. A psicologia social vai além da prática da
psicologia comunitária. Ela é reconhecida como uma especialidade da profissão r inclui entre suas práticas
a análise e a intervenção em instituições e grupos sociais, em todos os âmbitos de atuação dos
psicólogos.
A atuação do psicólogo comunitário se fundamenta na compreensão da dimensão subjetiva dos
fenômenos sociais e coletivos, sob diferentes enfoques teóricos e metodológicos, com o objetivo de
problematizar e propor ações no âmbito social. Ele desenvolve atividades em diferentes espaços
institucionais e comunitários: na saúde, educação, trabalho, lazer, meio ambiente, comunicação social,
justiça, segurança e assistência social.

7- A partir da intuição de Farr sobre a diferença conceitual entre psicologias sociais sociológicas e
psicológicas estabeleça os pontos de comparações entre as diversas perspectivas em Psicologia
social e suas implicações políticas, metodológicas e práticas de suas respectivas posições.
(psicologias sociais associadas ao behaviorismo, a Psicologia comparativa e ao cognitivismo, em
solo norte-americano; as influências da Psicologia cognitivista em solo brasileiro - neutralidade do
investigador e às noções de adaptabilidade e produtividade; após a crise dessa perspectiva,
observa-se a influência da teoria das representações sociais e da teoria crítica em relação à
Psicologia Sócio Histórica; Psicologia social relacionada ao problema das instituições).
Como consequência da perspectiva sociológica da PS firmada no Brasil, observamos hoje um
quadro bastante influenciado pela teoria crítica, pela representação social e pelas teorias das instituições,
que caracterizam algumas diferenças e semelhanças na área.
A Psicologia social teve sua emergência em solo norte-americano no século XX. Ela passou a ser
compreendida como o estudo das interações humanas e debruçou-se sobre os problemas relativos às
atitudes e aos valores. Nos EUA, pretendia-se estudar o funcionamento do grupo como dispositivo de
produtividade, seguindo as demandas do capitalismo. Entretanto, nos anos 70, problematizou-se que os
modelos teóricos estadunidenses não condiziam com a realidade dos povos de seus países. No Brasil, tal
abalo desencadeou uma crise de paradigmas que acabou por firmar na Psicologia social do país a
perspectiva sociológica, que primava pelo compromisso com a população e com suas respectivas
mazelas. Nesse momento, a psicologia social subdivide-se em formas sociológicas e psicológicas. Durante
a segunda guerra, a perspectiva hegemônica passou a ser a psicológica devido à individualização do
social, implementada tanto pelo behaviorismo (entre as duas guerras) quanto pelo cognitivismo no período
que se sucedeu à Segunda Guerra Mundial.
Antes da instalação da perspectiva individualista em solo norte-americano, vemos o surgimento de
uma psicologia social comparativa, baseada em uma perspectiva evolucionista. Esse trabalho revela uma
perspectiva sociológica da Psicologia social por se fundamentar em uma analítica histórica dos fenômenos
filogenéticos e na história social, em uma forma de considerar o social com metodologia multidisciplinar de
análise dos fatos e fenômenos sociais. A vitória do behaviorismo contra o funcionalismo e a Psicologia
comparada marcou a derrota da perspectiva histórica na análise do comportamento, dando lugar a uma
perspectiva a-histórica que se fundamentava na busca de leis que regem as interações sociais.
A psicologia social foi vista como ciência comportamental e experimental. A PS não seria uma
Geisteswissenschaft (ciência do espírito), mas uma Naturwissenschaft (ciência natural). A PS seria vista
como uma vontade de verdade que busca as naturezas, as essências depuradas do homem por meio de
experimentos que retiram a sua história.
Wundt, o fundador da psicologia, afirmou veementemente a impossibilidade de se estudar os
processos psíquicos superiores por meio do experimento. No entanto, podemos ver, ao longo da história
da Psicologia, críticas diretas a essa ideia.
A PS psicológica afirma que a psicologia do indivíduo explica a psicologia da sociedade. Isso se
dava pelas preocupações sublinhadas socialmente pela ascensão do nazismo, como o exame do papel da
obediência à autoridade, do poder social, do conformismo e da agressão (análise de atitudes). Seus
principais aspectos são: 1) o individualismo – preocupação em formular leis psicológicas relativas ao
indivíduo em suas relações sociais, 2) o experimentalismo, 3) a microteorização, 4) o etnocentrismo –
generalização teórica de experimentos norte-americanos para a aplicação em outras culturas, 5) o
cognitivismo – devido à prevalência dessa concepção em relação ao behaviorismo e à psicanálise e 6) o
a-historicismo – devido à busca de formulação teórica de leis generalizáveis para o comportamento do
indivíduo em sociedade, em que se essencializa o indivíduo e sua relação com a sociedade retirando seu
componente histórico criador.
Dentre algumas das principais teorias formuladas pela Psicologia social norte-americana, estão: a
dissonância cognitiva e a de comparação social de Festinger, o princípio do equilíbrio e a teoria da
atribuição da causalidade de Heider, a teoria da direção à simetria de Newcomb e a teoria da reatância
psicológica de Brehm, dentre outras.
→ Psicologia social norte-americana abandonou as noções europeias de massa e de coletivo para usar o
grupo.
→ Adaptação e produtividade são os objetivos dessa ciência que naturaliza o social.
→ Importância da imigração dos pensadores gestaltitas devido ascensão de Hitler para surgimento de uma
psicologia social cognitivista. Da migração forçada, surgiu confronto entre behaviorismo e gestaltismo: o primeiro
baseado no positivismo e análise do comportamento, e o segundo fundamentado em uma perspectiva fenomenológica
e no exame da percepção. Ambas as teorias individualizaram o social.
→ O problema das relações sociais com ideologias: 1) as RS e a ideologia diferem se pensarmos que as RS
são dinâmicas, relacionadas com a transformação, e a ideologia é estática; 2) as RS e a ideologia (simbólica a serviço
da dominação) se assemelham, pois ambas são formas simbólicas.
A psicologia social, em si, possui duas perspectivas:
1) psicológica: individualização do social, influência do behaviorismo e cognitivismo.
2) sociológica: história analítica dos fenômenos e da história social, considerando o social como
metodologia para análise dos fatos e fenômenos sociais.
Importância dos estudos sobre grupo: visto como dispositivo de melhor produtividade que terá seu
avanço nas duas perspectivas psicológicas.
Allport: Psicologia social com ciência comportamental e experimental que compreende a relação
entre o indivíduo e sociedade, devendo se valer de formas analíticas provindas das ciências da natureza.
Focos de estudo e conceitos importantes
- Análise das interações sociais: construção teórica de leis sobre o comportamento ou percepção
dos indivíduos na sociedade, afirmando que a psicologia do indivíduo explica a psicologia da
sociedade.
- Atitudes: um dos focos principais da psicologia social norte-americana.
- Principais aspectos da psicologia social norte-americana: individualismo, experimentalismo,
microteorização, etnocentrismo, cognitivismo e a-historicismo.
- Teoria das representações sociais: análise do conjunto de saberes que circulam na sociedade;
recuperada nos estudos latino-americanos.
- Representações individuais: objeto da psicologia, segundo Durkheim, representando as
vicissitudes do indivíduo.
- Representações coletivas: objeto da sociologia, sendo produtos representacionais de uma cultura,
religião, mito, etc.
- Representações sociais: semelhantes às representações coletivas, mas com um caráter dinâmico
e de transformação. Elas surgem em um movimento de familiarização do desconhecido; o indivíduo
realiza movimento no intuito de tornar o estranho familiar.
- Ancoragem e objetivação: fazem parte do movimento onde o indivíduo torna o estranho familiar.
Ancoragem é encaixar o desconhecido em categorias pré-existente (o que sei sobre isso?), sendo
sinônimo de classificação e denominação. Objetivação é realizar a construção de imagens
naturalizadas para que tomem o lugar do desconhecido e, assim, o explique.
No Brasil: dois momentos especiais antes da ABRAPSO são fundamentais: cursos de psicologia social
ministrados e livros lançados na década de 30-40. A forma sociológica teve influências marcantes da teoria das
representações sociais, teoria crítica e da práxis marxista. Silvia Lane → figura fundamental. Enquanto Psicologia
social cognitiva se baseava em uma perspectiva naturalizante e dicotômica, a psicologia social brasileira (sócio-
histórica) se fundamentava no método do materialismo dialético. O foco de estudo recai sobre as realidades concretas
do homem, cujo conceito-chave seria o conceito de relação. O homem é histórico e suas relações o constroem; é
produto e produtor da história. A relação entre homem e mundo se dá pela mediação simbólica da linguagem; vê o
homem como ser histórico e aposta no trabalho com grupos por meio de métodos como pesquisa-ação e pesquisa-
participação.

9- Através do balanço do estado atual da Psicologia Social, no plano nacional e internacional feito
por Ferreira (2010) e das principais tendências que marcaram a evolução da Psicologia Social na
América do Norte. Apresente as características atuais mais relevantes da Psicologia Social na
América do Norte, na Europa e na América Latina e os desafios futuros que se colocam à produção
nacional na área de Psicologia Social, especialmente no que diz respeito a seu impacto no cenário
acadêmico internacional. (FERREIRA, 2010) FERREIRA, Maria Cristina. A Psicologia Social
contemporânea: principais tendências e perspectivas nacionais e internacionais. Psic.: Teor. e
Pesq.,  Brasília ,  v. 26, n. spe, p. 51-64,    2010 .
Histórico na América do Norte
Fundação oficial demarcada pelos livros Uma Introdução à psicologia social (McDougall) e o livro
Psicologia social: uma resenha e um livro texto (Ross). Ross era sociólogo e McDougall era psicólogo.
Assim, as obras se situaram em âmbitos diferentes, ocasionando a ruptura em Psicologia Social
Psicológica e Psicologia Sociológica.
Influência de Allport: define os contornos da Psicologia Social Psicológica como uma disciplina
objetiva, de base experimental e focada no indivíduo.
Anos 20 e 30: estudo das atitudes (desenvolvimento de diferentes técnicas destinadas a mensurar
tal como um fenômeno mental), influência social interpessoal e dinâmica de grupos (influência de Sheriff e
Kurt Lewin e o gestaltismo). Lewin e seus colegas dedicaram-se à análise da influência dos estilos de
liderança e do clima grupal sobre o comportamento dos membros do grupo. Estilos de liderança →
democrático, laissez-faire, autocrático.
Após Segunda Guerra Mundial: dois principais temas marcaram → atitudes (tendo um papel
fundamental no campo da Psicologia Social Psicológica, constituindo-se um conceito central) e percepção
de pessoa (uma das áreas centrais da Psicologia Social Psicológica, alinhando-se ao argumento de que
os indivíduos associam as ações das pessoas a motivos e disposições internas).
O cognitivismo se consolida como perspectiva dominante na Psicologia Social Psicológica a partir
dos ano 80. Cognição social tem como objetivo básico compreender os processos cognitivos que se
encontram subjacentes ao pensamento social.
Crise da Psicologia Social: Psicologia Social Psicológica como ciência natural e empírica,
desconsidera o papel que as estruturas sociais e os sistemas culturais exercem sobre o indivíduo. Daí
surge a crise: excessiva individualização da Psicologia Social Psicológica e dos movimentos sociais (anos
70), uso de uma linguagem científica cada vez mais neutra e afastada dos problemas reais,
desenvolvendo modelos e teorias que não eram capazes de contribuir para a explicação da nova realidade
social.
Tópicos centrais:
- cognição social: integra uma série de micro-teorias que explicam os modos pelos quais as pessoas
pensam sobre si mesmas e sobre as coisas, formam impressões e explicam comportamentos e
eventos. Apoia-se no modelo de processo de informação (atenção e percepção, memória e
julgamento como etapas). Dedica-se a estudar o conteúdo das representações mentais e os
mecanismos que se encontram subjacentes ao processamento da informação social.
- atitudes: associadas às crenças, valores e opiniões, envolvendo avaliações de objetos sociais.
Avaliações gerais e duradouras que variam de um extremo positivo e um negativo. Sua formação
ocorre de forma não consciente, por meio de aprendizagem condicionada ou exposição a um
estímulo. Mudança de atitudes costuma ocorrer conscientemente.
- processos grupais: foco na maneira, qualidades, características e ações dos membros individuais,
quando na presença de um grupo. Pouca atenção foi dada durante algum tempo, mas hoje
percebe-se que o grupo é uma unidade autônoma, e não uma soma de indivíduos.
Neurociência social → surge pelo interesse de investigar as possíveis associações entre cognição
social e funções cerebrais, para compreender o papel desempenhado pelas estruturas neurais no
processamento da informação social. Afirma que determinados mecanismos cerebrais são responsáveis
pelo raciocínio social. Dedica-se à análise das bases neurobiológicas da cognição social. Auxílio da
ressonância magnética funcional.
Psicologia social evolucionista → origem na teoria da evolução de Darwin; processos similares à
evolução genética operam na transmissão da cultura. Algumas variantes culturais são mais prováveis de
serem aprendidas e lembradas, principalmente transmitidas por modelos mais proeminentes. Transmissão
da cultura se dá por meio de processos de imitação e aprendizagem social, onde ocorre seleção natural de
valores.
Na Europa
Estudos mais frequentes englobam:
- identidade social: teoria da identidade social → enfatiza a dimensão social do comportamento individual
e grupal, postulando que o homem é moldado pela sociedade e cultura. Apoia-se em três postulados
básicos: 1. autoconceito deriva da identificação e pertencimento grupal, 2. pessoas são motivadas
a manter autoestima positiva, 3. pessoas estabelecem identidade social positiva mediante
comparação favorável de seu grupo grupo com outros grupos sociais. Teoria da autocategorização
→ extensão da teoria da identidade social, foco são os fatores que levam os indivíduos a realizarem
determinadas categorizações, bem como suas consequências para o comportamento coletivo. São categorias
socialmente construídas que se mostram mais ou menos salientes, em função das características da situação
social.
- representações sociais: conjunto de conceitos, imagens e explicações que se originam do senso
comum, no contexto das interações e comunicações interpessoais. Apoia-se nos processos de
ancoragem e objetivação. Teoria do núcleo central → toda representação social organiza-se em torno de
um núcleo central (elemento essencial da representação, mais rígido, ancorado na memória coletiva do grupo,
normativos) e de elementos periféricos (móveis e flexíveis, protege a estabilidade do núcleo central,
funcionais).
Na América Latina
Principal tarefa do psicólogo social deve ser a conscientização de pessoas e grupos, como forma
de levá-los a desenvolver um saber crítico sobre si e sobre sua realidade; devem contribuir para a
construção de identidade pessoais, coletivas e históricas. Psicologia social deve questionar modos de
produção de conhecimento e prática da Psicologia e perseguir a transformação social e relevância social
da pesquisa e intervenção sobre os problemas sociais. Temáticas diversas: estereótipos, autoimagens,
identidade sociais, relações de gênero, violência doméstico, entre outros.

10- Sobre a forma de contar a história da Psicologia Social no Brasil e Ocidente e as implicações
para ciência: revisite os critérios constituídos para os relatos históricos apontados por Bernardes
(2009). Como se colocam algumas questões: a perspectiva determinista-linear de história
(positivismo) X o simbólico, que se define pelos sentidos e significados que se conferem às coisas
e aos fenômenos, transformam a relação com o tempo e a história (p.19-20). Ver também adiante
Bernades (2009,p. 24-29)
A forma como se conta a história influencia o que e como ela será contada. Perspectiva
determinista-linear fica em xeque: o passado (determinante), presente (que determina) e futuro apresenta,
quando nessa linearidade, obscurecimentos no desenvolvimento da questão. Fatos presentes
ressignificam o passado e vice-versa. Abala-se a estrutura linear e existe, assim, um ponto importante: o
simbólico, que é definido pelos sentidos e significados que damos às coisas e a tudo que ocorre.

12- LANE(1997) escreveu sobre os avanços da Psicologia Social na América Latina e sobre a crise
teórica e metodológica da Psicologia Social, e também política (na América Latina). Descreva a
crise e os avanços. LANE,Silvia T. M. Avanços da psicologia social na América Latina. In: S.T.M.
Lane e B.B. Sawaia(Orgs.). Novas Veredas em Psicologia social (pp67´81). São Paulo:
Brasiliense/EDUC, 1997.
Na década de 50 a psicologia social era entendida como um ramo da psico que auxiliaria na
resolução dos grandes problemas da humanidade. Entretanto, durante as ditaduras que houve na América
Latina durante as décadas de 60/70, ela pareceu apenas subsidiar a opressão, a manipulação política, a
manutenção do status quo.A crise teórica da psicologia social consistia em entender os aspectos
particulares e universais de cada cultura.
Conceitos
- Psicologia da linguagem: a linguagem teria um papel fundamental no desenvolvimento dos indivíduos e
na inserção em grupos sociais. As escalas de diferenciais semânticos captavam os significados afetivos e
pareciam um bom começo para pesquisar a linguagem. Após estudos, descreveu-se significados que
grupos atribuiam a diferentes aspectos sociais. Vigotski deu um grande impulso ao demonstrar a mediação
fundamental que a linguagem exerce na construção do psiquismo humano, em especial, da csa.
A análise gráfica do discurso nos permite detectar os núcleos de pensamento que geraram o discurso sem
esfacelá-lo, temas ou categorias, mantendo a originalidade empírica. O pensamento, ao contrário da
linguagem, caminha do geral para o particular; enquanto a linguagem parte do particular para chegar a
descrição do todo.
- Identidade social: considera o indivíduo como um todo na sua relação com os outros. Buscava-se um
conceito de identidade que visse o homem como transformador e autor da história social.
- Processo grupal: estudos sempre reproduziram a ideologia embutida nos papéis sociais, principalmente o
de líder. Nesse caso, vem-se observando o porquê da negação do poder como algo pejorativo e o fato dos
líderes não se dão conta de sua presença efetiva. A dinâmica de grupo propunha técnicas que fizessem o
grupo atingir um estado ótimo e assim permanecesse; tal fato não foi constatado nas observações
sistemáticas de grupos que nos levou a denominar toda esta área do saber de processo grupal. Propunha-
se, nesse campo, estudar o processo grupal em bases materialistas-históricas e dialeticamente (sujeito
multideterminado).
Variável independente: localizam o indivíduo no contexto histórico e social que o produziu (sexo, idade,
educação, profissão, etc.) e as expectativas sobre elas,
Teoria e prática: na década de 80, a psicologia social buscava encontrar formas de atuação para gerar transformações
significativas para as populações desfavorecidas da América Latina → prática transformadora. Para isso, a psicologia
comunitária enfatizava as questões práticas e de compromisso político com grandes parcelas da população oprimida.
Ela quem deu a base de atuação transformadora para a PS. Um empecilho foi a ausência de publicações teóricas a
respeito das bases psicossociais de nossas atuações.
A pessoas se unem em grupo e resolvem ser sujeitos de sua história, e ao encontrarem a
assessoria qualificada conseguem avançar em direção a relações sociais essencialmente democráticas,
nos seus direitos e deveres, que caracterizam uma comunidade.
Psicologia política: surgiu na década de 80 e caracterizava o estudo daqueles cmpts cujas direções visam
uma ordem social e produzir nelas um impacto. Procura demarcar quais as determinações da alienação -
falta de controle das grandes maiorias populares sobre sua existência e destino. Ocorre, em grande parte,
pela pesquisa participante que ocorre com limites entre pesquisa, militância e compromisso político.
A pesquisa participante nos permite acompanhar durante um certo tempo o processo de vida social
de um grupo e, dentro dele, entendermos as atividades e consciências individuais que se desenvolvem
num contexto histórico mais amplo.
A práxis da psicologia social: o psiquismo humano se constitui na materialidade histórica de cada
sociedade, de cada cultura - assim não há homens regidos por leis universais. A ciência psicológica é,
devido ao seu objeto de estudo, relativa: se o ser humano se constitui em função de sua história social e
cultural, o saber sobre ele será também necessariamente particular, sem, no entanto, deixar de se
estruturar em categorias universais como são atividade, consciência e identidade (ou personalidade).
Essas 3 categorias estão interrelacionadas, umas determinando as outras, através da mediação da
linguagem e do pensamento, o que implica o outro (grupo social, ideologia vinculada e produzida pelas
instituições e o trabalho produtivo socialmente organizado).
Todo discurso que diz respeito a representação do mundo do sujeito e das ações e operações que
ele realiza devem ser analisados no contexto social ao qual ele pertence. A individualidade, assim, se
constitui nas relações com os outros, levando a permanência de certas características que identificam a
pessoa, ao longo de sua história. As emoções, ao lado da linguagem e pensamento, encontra-se no nível
do indivíduo, mediando. Uma outra mediação significativa, em nível social, mostra a importância do grupo
para a troca e reflexão de experiências e vivências (movimento de csas).
A psicologia social, a partir de uma análise dialética (unidade dos contrários), afirma que a
subjetividade se objetiva nas ações do homem sobre o seu meio, assim como esse meio e o que o
constitui objetivamente se tornam subjetivos no psiquismo humano. A dialética tbm ajuda a superar a
contradição entre teoria e prática, pois a comprovação da teoria se dá mediante a transformação da
realidade pela prática dela decorrente.
Uma das vertentes de pesquisa da PS estuda os indivíduos no seu cotidiano e capta o processo no
momento em que está ocorrendo. As técnicas de observação e a observação participante dão subsídio ao
registro dessas pesquisas.
Avanços: a PS questiona se a identidade, formada no conjunto das relações sociais e num processo dinâmico →
personalidade?
Com relação ao trabalho e saúde mental, indica-se que a alienação social produzida pelo trabalho
traz na sua outra face a alienação mental, ou seja, o sofrimento psicológico. O trabalho criativo cria o
homem, o trabalho repetitivo, rotineiro, sem sentido pessoal, o destrói psicologicamente. Nessa direção,
seria importante analisar os efeitos da ideologia dominante que trata o trabalho como um mal necessário,
como obrigação que dignifica o homem, e o lazer como não fazer nada.
Quanto às emoções, destaca-se que temos um maior número de palavras para nos referirmos às
emoções negativas do que às positivas. Wallon afirma que ao mesmo tempo que as emoções paralisam
nossa ações, elas desencadeiam atividades mentais que levam a ações em direção ao restabelecimento
de um equilíbrio homeostático. Tudo indica que não podemos pensar a consciência sem pensar o
inconsciente; e se a linguagem e o pensamento constituem a primeira, as emoções formam o segundo.
A psicologia social tem papel teórico-prático fundamental, levando seus profissionais a atuar junto a
indivíduos e grupos, promovendo o desenvolvimento da consciência social e dos valores morais em
direção a uma ética que negue o individualismo e busque valores universais de igualdade e de
crescimento qualitativo do ser humano.