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FACULDADE ALFREDO NASSER INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA

ARTES VISUAIS: A CRIANÇA, O DESENHO E A EXPRESSIVIDADE INFANTIL
Esmerinda D’ Aparecida Neves

APARECIDA DE GOIÂNIA 2010

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ESMERINDA D’ APARECIDA NEVES

ARTES VISUAIS: A CRIANÇA O DESENHO A EXPRESSIVIDADE INFANTIL

Artigo de Conclusão do Curso de Pedagogia, apresentado ao Instituto Superior de Educação da Faculdade Alfredo Nasser, sob orientação da prof.(a) Ms. Milna Martins Arantes, como parte do requisito para a conclusão do curso de Pedagogia.

APARECIDA DE GOIÂNIA 2010

3 FOLHA DE AVALIAÇÃO ARTES VISUAIS: A CRIANÇA O DESENHO A EXPRESSIVIDADE INFANTIL Aparecida de Goiânia. Ms. ______ de dezembro de 2010. EXAMINADORES Profª. Milna Martins Arantes – Nota: ________ / 70 Orientadora: Primeiro Examinador: _________________________ – Nota: ________ / 70 Segundo Examinador: _________________________ – Nota: ________ / 70 Média Parcial – Avaliação da Produção do Trabalho: ________ / 70 .

pois assim conseguirá oferecer diversas obras/conteúdos para os alunos e não somente pedir para que eles copiem o que já está pronto. em especial as artes visuais. Tendo em vista que o professor deve despertar o interesse das crianças sobre as aulas de artes visuais desde a primeira fase. respaldado em autores que historicamente vem contribuindo para o ensino de arte no país. uma vez que a maneira como a criança brinca ou desenha reflete na sua forma de pensar e sentir. sobre sua prática e técnicas. Desenho. portanto. Criança. Palavras-chave: Arte visual. pintura e arquitetura). deixando claro que o mesmo deve transformar o conteúdo em brinquedo. É importante destacar que o trabalho educacional com Artes Visuais não visa formar artistas. aprendendo a representá-lo. Milna Martins Arantes. Apresentar qual contribuição que ela tem dado à escola na formação da criança e no seu desenvolvimento. Ensino. mas ampliar a capacidade criativa dos alunos e possibilitar que eles conheçam a linguagem artística e tenham um olhar sensível para o mundo. valorizando a expressão e a criação da criança. reafirmar a importância da arte e das artes visuais na sala de aula como prática educativa significativa no desenvolvimento das crianças. sob orientação da Profª: Ms. _______________________ ¹ Aluna do 8º período do curso Pedagogia da Faculdade Alfredo Nasser. como parte dos requisitos para a conclusão desse curso. pois através da arte as crianças conseguem expressar seu sentimento e suas habilidades pelo desenho. . Para tanto. Aprendizagem. INTRODUÇÃO Este artigo tem como finalidade mostrar o quanto a Arte Visual é importante para a criança. Pretende-se. este artigo é sistematizado a partir de um estudo de cunho bibliográfico. uma vez que o brinquedo estimula a capacidade da criança de aprender e faz com que ela tenha apreciação artística e interesse pela leitura dos diversos tipos de artes (escultura.4 ARTES VISUAIS: A CRIANÇA O DESENHO A EXPRESSIVIDADE INFANTIL Esmerinda D’ Aparecida Neves ¹ Resumo: O objetivo desse artigo é fazer com que os educadores da educação infantil repensem sobre as concepções e metodologias a respeito do ensino da Arte. Mostrar que para ensinar arte visual o professor deve ter uma formação apropriada (faculdade e cursos na área de artes).

Hernandez (2007). sendo incapaz de mudá-la. a uma teoria de educação escolar. Este trabalho está organizado da seguinte forma: na primeira parte a “História da Arte”. passase agora discutir duas vertentes e seus desdobramentos para o ensino de arte na escola. logo após “O ensino das artes visuais . posteriormente a Arte nas Leis Diretrizes e Bases.Pensando o Currículo”. De acordo com Fusari e Ferraz (2001). uma vez que o professor reconhece sua atuação verá a necessidade de melhorar e. que “manda” na educação escolar a qual é considerada reprodutora dessa sociedade. O objetivo deste artigo é propor novas formas de ver a Arte Visual na educação infantil. Segundo estas autoras. na qual a arte pode ou não contribuir nas transformações sociais. Neste sentido. a Lei de Diretrizes e Bases – de 1961 nº 5. verificar pesquisas existentes da época e através da tecnologia transmitir as obras existentes para os alunos. através de suas práticas. o professor de arte deve conhecer e compreender melhor a forma de ensinar as linguagens artísticas. O ensino das Artes: perspectivas históricas e configuração legal Ensinar Arte é selecionar produções artísticas e seus autores. arte não é uma matéria que deve ser considerada de pouco significado e para mudar essas concepções cabe aos professores de arte ensinar melhor essa linguagem. seguido pela “Cultura Visual Perspectiva Conceitual” e “Arte visual”. portanto. em especial na educação infantil. “O desenho Infantil”. “A criança e as imagens”.692/71 e a lei nº 9394/96 – serão também de extrema importância para a pesquisa. de construir sua história diante da arte. culturais. Percebe-se que ambas precisam ser consideradas e compreendidas. “A expressividade infantil”. sendo muito influente e capaz de mudar por si só as práticas sociais. entre outros. “O jogo e a brincadeira nas aulas de Arte” concluindo no último tópico “Linguagens visuais nas Aulas de Arte com Crianças”. isto é. Já para outros educadores é a sociedade. A . para alguns educadores a educação é pensada de forma idealista. Nas considerações finais reafirma-se a importância da arte e das artes visuais no contexto educacional. As práticas educativas desenvolvidas em sala estão ligadas a uma pedagogia. pois tais posicionamentos serão assumidos para atingir uma posição mais realista e/ou progressista.5 Para o desenvolvimento deste artigo será trabalhado alguns autores (as) como: Fusari e Ferraz (2001). conseqüentemente.

No caso das aulas de arte. a tendência idealista liberal (Pedagogia Tradicional. Conforme Fusari e Ferraz (2001). porque ela não se preocupa em formar sujeito que pensa e tenha criatividade no seu trabalho. De acordo com a disciplina de arte-educação. o aluno ouve e aprende e não é favorável ao sujeito que aprende um papel ativo na construção dessa aprendizagem. pessoas que questionam. Nessa pedagogia é valorizado o conteúdo livresco e a quantidade. O professor fala. ela “forma” alunos que “reproduzam” conhecimentos. trabalha-se a coordenação motora da criança. pensar. Segundo Fusari e Ferraz (2001. representação e cópias de objetos e. 27). o aluno não pode por si só escolher o que quer desenhar ou de que cor pintar. discute-se que o modelo proposto pelo educador seria fixado pela repetição em busca sempre do seu aprimoramento. assim. através de “cópias” do ambiente. A Pedagogia Tradicional A pedagogia tradicional é uma proposta de educação centrada no professor e a sua metodologia tem como princípio a transmissão dos conhecimentos através da aula do professor. enfatiza a repetição de exercícios com exigências de memorização. ou através de produções mais idealista que é como gostariam que fosse.6 saber. ou seja. a visão da educação tradicional acredita no limite do pensar da criança e seu desenvolvimento da capacidade de assimilar informações e principalmente as funções da consciência de perceber. isto é. por vezes. propõe-se a construção geométrica de cada desenho feito para ilustrar a aula e estes exercícios devem ser continuados até que tenham criado o hábito de arte. freqüentemente expositiva. As produções artísticas que se assemelham com as coisas ou com os seres de seu mundo buscam uma estética mais realista. a escola não tem se preocupado com a formação crítica. numa seqüência predeterminada e fixa. sempre tem que ter a influência ou a “ordem” de um adulto e/ou professor (esta perspectiva encaixa no pensamento reprodutivista de ensino). está presente desde o século XIX nas aulas de arte das escolas brasileiras a tendência tradicional. “quando predominava uma teoria estética mimética. p. mais ligada às cópias do “natural” e com a apresentação de “modelos” para os alunos imitarem”. . que é aceita como vinda de fora para dentro. como na recordação da aula anterior ou da aula do momento e. assim. pode-se dizer que a escola tradicional limita o pensamento da criança enquanto deveria facilitar a criação do conhecimento do aluno. pedagogia Nova e pedagogia Tecnicista) e a tendência realista progressista. o desenho do natural e observação. sentir.

e eles recebiam também orientações para realizar trabalhos em equipes. onde a criatividade individual somava-se com a do grupo. Pedagogia Nova A Pedagogia Nova é a interação entre professor-aluno. que posteriormente transformavam-se em conteúdo de ensino. a aula de arte na escola tradicional é executada através de exercícios propostos em sala. na sua metodologia. Nessa pedagogia o professor é visto como o instrutor ou técnico. o interesse e as iniciativas individuais do aluno. no qual seriam fixados pela repetição. Com isso o professor deve ter sempre em seu planejamento atividades que valoriza aquilo que está sendo trabalhado e não desvincular atividades que não tenha relação com o assunto. O trabalho de Arte era desenvolvido através do interesse dos alunos na observação da comunidade. . Essa pedagogia foi desenvolvida nas escolas brasileiras entre 1960 e 1970. “Já de início o Escola-novismo contrapõe-se à educação tradicional. é preciso que haja experiências cognitivas e que ocorra de maneira ativa. os professores de Arte que aderiram à concepção da Pedagogia Nova no Brasil começaram a trabalhar diferentes métodos e atividades que motivassem os interesses individuais dos alunos. Pedagogia Tecnicista De acordo com Fusari e Ferraz (2001). a Pedagogia Nova teve início no final do século XIX na Europa e nos Estados Unidos.7 Do ponto de vista do professor. Mas para alcançar tais objetivos. p. levando em consideração a motivação. e o Brasil teve seus reflexos por volta de 1930. onde o professor é auxiliar das experiências. Conforme Fusari e Ferraz (2001. portanto a educação escolar é muito importante para colocar os estudantes no seu ambiente social. . os educadores que apóiam essa concepção passam a acreditar que as pessoas poderiam ter um convívio mais agradável na sociedade. Assim. buscando sempre o seu aprimoramento juntamente com o trabalho da coordenação da criança. progressiva. Dessa forma. avançando um novo passo em direção ao ideal de assumir a organização de uma sociedade mais democrática”. a pedagogia tecnicista aparece no exato momento em que a educação é considerada insuficiente no preparo dos profissionais. 31).

essa nova tendência de pensar a educação visava um aumento de eficiência da escola. conforme estas autoras têm por objetivo a rápida profissionalização da mão de obra a partir do treinamento do aluno. No ensino da arte. A educação escolar deve assumir o ensino do conhecimento acumulado e em produção pela humanidade. que possui uma trajetória histórica e contribui de forma significativa . textos programados ou livros didáticos. Assim. 41). Portanto: A valorização do processo de industrialização e do desenvolvimento econômico explicita-se pelo empenho em incorporar-se o moderno. Isto implica em que o trabalho pedagógico propicie uma crítica ao social.8 De início. 2001. deve assim a responsabilidade de dar ao educando o instrumental necessário para que ele exerça uma cidadania consciente. p. p. Tendência Progressista Desde os anos 1960 muitos educadores estavam preocupados com a educação escolar. no currículo. pois esses recursos ajudam o professor a ampliar e modificar a forma atual de ensinoaprendizado.46). A tendência tecnicista parte do princípio de que a melhor forma de adaptar o indivíduo à sociedade capitalista é fazer com que ele receba certas informações a partir do eixo estímulo-resposta. à qual deverá apresentar uma resposta adequada. vinculada às propostas educacionais apresentadas pela pedagogia libertadora de Paulo Freire teoria crítica dos conteúdos. 2001. crítica e participante. buscava-se uma proposta pedagógica que conscientize a sociedade para uma democracia popular. ou seja. FERRAZ. discutia-se a melhoria do ensino nas práticas sociais. no sentido de transformá-lo (FUSARI. tendo como objetivo a preparação de indivíduos mais competentes e produtivos conforme a exigência do mercado de trabalho. tem-se um grupo de educadores vinculados ao movimento pela Arte. o tecnológico. Através dessa discussão. as quais enfatizam a importância da qualidade de ensino aprendizagem.: os recursos audiovisuais) chamam mais a atenção dos alunos. Essa tendência. FERRAZ. O professor passa a ser considerado como um “técnico” responsável por um competente planejamento dos cursos escolares (FUSARI. uma vez que o uso dessas tecnologias (ex. isto é.Educação em busca da construção do ensino da arte que valorize a arte como objeto de conhecimento próprio. as autoras deixam claro que é válido o uso da tecnologia nas aulas de artes. o aluno recebe a informação. As aulas passam a se organizar através de recursos audiovisuais.

Ela conseguiu: [. 2007. p. em nível da migração interna do aluno que. e nessa situação de troca de ramos o aluno não perderia mais os anos antes cursados. ao término de qualquer ramo do ensino médio. a Lei nº 4. imaginação. a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. por que: Primeiro. embora impermeável a debates e à participação da sociedade civil”. criatividade. mas por ser a arte uma linguagem. teve.. Conforme este essa não pode ser propriamente considerada uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação. sem ter de recomeçar como se nada houvera antes (p. deixando de lado o ensino superior. Tratava do ensino de forma esquartejada.. “[.. não só por possibilitar a expressão. também: “um processo gestatório lento. . era substituída pela mera “razão técnica”. a Lei nº 5. porém com um caráter meramente tecnicista. que ficou treze anos no Congresso. entre outros. Ainda segundo Carneiro (2007. energia vivificadora de uma LDB. 24). poderia. a segunda Lei de Diretrizes e Bases. uma vez que focava somente os ordenamentos organizacionais da préescola e do 1º e 2º graus. independentemente do tipo do curso que o aluno tivesse feito anteriormente. Estes aspectos nunca podem ser sufocados pelos elementos da organização do ensino. que historicamente está sob a égide da classe dominante. a partir de então. 25). lhe faltava um sentindo de inteireza. estabeleceu nova estrutura para os currículos do ensino primário e médio. migrar de um ramo para outro de ensino. p. Por outro lado.692/71. 25). o acesso ao nível superior mediante o vestibular.] teve uma gestação lassa e penosa”. Leis Diretrizes e Bases De acordo com Carneiro (2007. também. com inegáveis prejuízos para os aspectos de essencialidade do “processo educativo”. Depois. p. denominada a Lei da Reforma do Ensino de 1º e 2º graus. É visto que essa Lei foi promulgada dando continuidade à anterior. sob pena de se oferecer uma subeducação (CARNEIRO. essa Lei trouxe grande inovação para os alunos.024 de 20 de dezembro de 1961. pois permitia. Assim.] flexibilizar a estrutura do ensino. a substância educativa. possibilitando o acesso ao ensino superior. a flexibilidade se dava.. Essa Lei.9 para o desenvolvimento humano. 26). através do mecanismo de aproveitamento de estudos. um conhecimento e produção humana que precisa ser apropriada e (re) significada no cotidiano das práticas educativas de forma a democratizar este saber.

Para Hernandez (2007.10 Para tanto. Vivem e trabalham em um mundo visualmente complexo. 40). cinema é tão essencial como comunicar-se com palavras. De acordo com Iavelberg (2003). muitos arte-educadores passam a trabalhar a partir de três formas de aprendizagem significativa em arte: “fazer artístico do aluno. Cultura Visual: aproximações conceituais A cultura visual para Hernandez (2007) é um campo de estudos que fundamenta seus aspectos entre a teoria de estudos que trabalha com a abordagem da cultura e apresenta uma reflexão sobre a produção visual. p. Ao utilizar a expressão cultura visual para sugerir outro rumo para a educação das artes visuais este autor defende que estão vivendo um novo regime de visualidade. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (art. contudo. Os professores de desenho. 24) “Se não ensina aos estudantes a linguagem do som e das imagens. Uma consequência em relação a diferentes práticas educativas é que nos faz propor a necessidade de ajudar crianças a irem mais além da tradicional obsessão por ensinar a ver e a promover experiências artísticas. “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. 115) A LDB 5692/71: Introduz a educação artística no currículo escolar do ensino fundamental e médio. Segundo Iavelberg (2003. música. canto coral e artes aplicadas passaram a trabalhar com essas práticas como “atividades artísticas. o autor deixa claro que essa reforma de 1971 não pode ser considerada totalmente “positiva” na educação. p. uma vez que ela não visava o ensino superior. música.394/96 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional significou um grande avanço para a área. a arte passa a ser considerada obrigatória na educação básica. Em um mundo dominado por dispositivos visuais e tecnologias da . a apreciação do aluno (dos próprios trabalhos. dava seqüência ao ensino tecnicismo. portanto devem ser complexos na hora de utilizar todas as formas de comunicação. 118). a lei 9. p. dos de colegas e dos de artistas) e a reflexão sobre a arte como objeto sociocultural e histórico” (p. Conforme Souza e Silva (2002. trabalhos manuais. não apenas as palavras escritas. 26 § 2º). pois. não deveriam ser eles considerados analfabetos da mesma maneira como se saíssem da universidade sem saber ler ou escrever?” Por isso é importante aceitar o fato de que aprender como se comunicar com gráficos.

tanto em termos dos objetos de investigação como de seus processos metodológicos. De acordo com Rogoff (1998 apud Hernandez. na imagem gerada por computador nos filmes e nas exposições de vídeos nos museus. a fotografia de moda. a cultura visual nos apresenta uma proposta em que obras de arte e imagens ganham uma dimensão cultural. etc. nossa finalidade educativa dever ser a de facilitar experiências reflexivas críticas. nestas instituições seja possível aprender práticas vinculadas a um novo alfabetismo visual (p. Assim. de acordo com este autor. estudos culturais e feministas). Nessa mesma linha de raciocínio. da imagem na vida e na cultura tão diversificada da contemporaneidade. o cinema e o vídeo. de maneira que. 45) O aparecimento da cultura visual como um campo de investigação transdisciplinar e transmetodológico não significa outra coisa senão uma oportunidade de repensar. a visão tem muito mais influência em nossa capacidade de opinião do que o que ouvimos ou lemos. lingüística e crítica literária. a visualização e a reflexão crítica. Por isso: Não nos soa estranho que hoje se fale com preocupação do aumento de “analfabetos visuais” e que surjam vozes clamando pela reestruturação da Escola. Freedman (2000 apud Hernandez. estudos dos meios. A crescente penetração dessas formas de cultura visual e da liberdade com que estas formas cruzam os limites tradicionais pode ser apreciado na utilização das belas artes nos anúncios publicitários. 2007). . a partir de outro ângulo. por diferentes campos de conhecimento (história da arte. a visão desperta a subjetividade. 2007. Este campo inclui as belas artes. desde os anos 1960. Contudo. a cultura é a forma de viver e a cultura visual dá forma ao nosso mundo. Opõe-se ao elitismo das Belas Artes como uma linha divisória das práticas com imagens no contexto escolar.] A cultura visual está em expansão da mesma maneira que o campo das artes visuais. a televisão..11 representação. a cultura visual reflete mudanças sofridas. 2007. e destaca três objetivos que podem proporcionar os fundamentos de um enfoque social no trabalho com a cultura visual: o desenvolvimento de idéias. p. dos museus e das universidades. a fim de entender o papel da arte. alguns dos problemas mais espinhosos deste momento cultural. a esfera virtual. ao mesmo tempo em que é nossa forma de olhar o mundo. a publicidade. ou seja. Para Walker e Champlin (2002 apud Hernandez. Para ele. 29).. 51) diz que: [. p.

E por isso.12 Ainda de acordo com este autor. discursivo). 2007. exclusiva. Em uma perspectiva narrativa. pois o que se vêem é sempre a imagem traduzida pelos termos da própria (existência). a imediatez. digo experiência. o autor fala que para a educação das artes incorporar contribuições nos estudos da cultura visual. interesse da comunidade de pesquisadores em educação das artes visuais sobre temas que versam sobre as relações entre cultura visual e a educação (HERNANDEZ. 44). 2009). . Hernandez (2000) adiciona a expressão compreensão crítica à abordagem da cultura visual. a desconstrução. Para ele a cultura visual é importante não só como estudo. p. mas sim construtores na medida em que a aproximação não é passiva nem dependente. a análise crítica do discurso). o autor afirma que nenhuma narrativa suscita por uma imagem é definitiva. toda leitura é influenciada pela experiência de vida do leitor. Freire (1983) já sustentava que a leitura do mundo precede a leitura da palavra. a sedução da forma é o que faz com que a cultura visual seja tão poderosa. o sentimento e o conhecimento com a aprendizagem. ou seja. experiências de vida diária. Segundo Hernandez (2007). No sentido de semiose cultural. A educação das artes visuais pode incorporar as contribuições dos estudos da cultura visual no sentido da revisão de seus fundamentos. de como as emoções do leitor afetam e são afetadas pela leitura das imagens. E propõe uma leitura que alcança as emoções do leitor. este campo de estudo apresenta-se móvel. 2007. Nessa perspectiva. mas sim interativa e adaptado com as experiências que cada sujeito vive diariamente. 44). pois a cada dia se incorporam novos aspectos relacionados tanto às representações quanto aos artefatos visuais. a forma é essencial para a cultura visual. da relação com a forma. é preciso que haja uma série de propostas e ele cita algumas: “propostas metodológicas (a intertextualidade. estruturalista. Para o autor o significado de “crítica” é avaliação e juízo que resultam de diferentes modelos de análise (semiótico. não há receptores nem leitores. Portanto. (HERNANDEZ. e nesse caso. de forma que todos possam se beneficiar do seu estudo. mas também em termos de negócios. Essa abordagem a partir da experiência do leitor é proposta também por Manguel (2001 apud Cava. intertextual. para ele é mais conveniente utilizar os termos representações e artefatos visuais em vez de imagens. p. de suas finalidades e das práticas pedagógicas de modo que possa responder às mudanças nas representações visuais e nas experiências de subjetivização das sociedades no cotidiano. nos aproximamos da cultura visual.

o cinema. encontram-se nuances visuais das inter-relações existentes entre os dois espaços: o da massa espacial e o definido pela área externa e ambiência” (FUSARI e FERRAZ. p. p. escultura. isto é. a publicidade. “[. quando observamos objetos. quando a organização espacial resulta na integração simultânea entre duas dimensões (altura e largura) está diante da superfície. poderemos compreendê-las nas suas inserções culturais. a holografia. Contudo. a computação. Fusari e Ferraz (2001. pelas suas características de visualidade”. até os últimos avanços tecnológicos. sob o ângulo da visão uma vez que cada uma dessas modalidades artísticas revelam-se diferentemente no âmbito visual. a superfície é um elemento plástico que se articula como plano. do pensar. pintura. O conceito que temos de espaço está relacionado à nossa ambiência visual. 2001.] não existe nenhuma dimensão de visualidade que não tenha suas raízes no mundo cultural. o texto. a eletrografia. consequentemente.] neste processo.] estamos considerando também outras modalidades de arte como a fotografia. pessoas.. pinturas. deve pensar em aulas que possibilite nos modos de observar. enfim. Para tanto. a dança. o vídeo. os quadrinhos. Ainda de acordo com estas autoras (2001.. Desde os primeiros registros visuais do homem pré-histórico. “[. todas se compõem de expressões e representações da vida.. 77). as artes gráficas..] Logo. 2001.. 83). cria e inventa formas que entendem-se melhor as manifestações artísticas visuais e.. “[. diz que: “[. área ou .. p. ou seja.. do construir em artes visuais deve-se estudar os elementos de visualidade e algumas das modalidades compositivas que estão presentes na maioria das formas. o professor deve levar em consideração o contato que os alunos têm com o universo de visualidade do mundo contemporâneo. mas. expressar e comunicar das crianças. p. 82) Pensar nessa intermediação de fazer do cotidiano. a televisão. gravura.13 Arte visual A arte visual é tradicionalmente estudada pelos desenhos. 84). são feito segundo mobilizações de experiências visuais já decodificadas. a expressão visual vem se ampliando no domínio das linguagens artísticas e através do próprio imaginário cultural” (FUSARI E FERRAZ. Ainda de acordo com as autoras o homem faz.

1996. a fim de compreender o contexto que o circunda e relacionarse com ele. Assim. luz e sombras próprias. é através dela que o indivíduo interpreta. ritmos. repouso”. enfim. apud CAVA. na natureza. comunicar-se. 67) entendem que a arte acontece em formas particulares de manifestações de atividade criativa dos seres humanos ao interagirem com o mundo em que vivem “estas manifestações possibilitam que o homem transcenda as limitações das ocorrências do dia a dia. busca formas de expressão. comunicar. entre outros. onde se apresentam em várias situações indicadas por movimentos (reais ou aparentes) direções. estes autores entendem a arte como produto de embate entre o homem e o mundo. textura. o artista. É necessário vivenciar atividades práticas. as obras dos grandes mestres da história da arte previamente admirados pelos alunos ou passíveis de serem admirados por eles. o homem toma consciência de seu universo. tensões. ou seja. Conforme Cava (2009). Outro aspecto a ser considerado é a possibilidade das áreas delimitadas possuírem cor. pensar visualmente. levando-o a descobrir novas maneiras de ver tudo o que o circunda”. Dessa maneira verifica-se que é possível perceber a presença de elementos visuais na arte. dar sentido a algo. p. Vigotsky (2003 apud CAVA. 66) “o homem. 67) afirma que “o artista é um indivíduo insatisfeito com o mundo à sua volta e pela sensação de impotência em intervir na realidade acaba por transformar suas angústias em arte”. no cotidiano. suas limitações. O ensino das artes visuais Pensando o Currículo De acordo com Cava (2009. através de sua obra. nas quais se possa lidar diretamente com a linguagem visual para saber expressar. 2009. 2009. extrapolando muito os limites do deleite com o belo. certamente constitui uma atitude muito mais “tranqüila” do que se aventurar a olhar para as produções mais recentes. que exigem do espectador uma postura muito mais participativa. cuja organização pode criar efeitos de maior ou menor movimento. procura superar sua individualidade. Ao compartilhar com essa mesma perspectiva Ferraz e Fusari e Argan (1993. em sala de aula. tensão. desde o período mais tenro de sua vida. pois: . p. Estudar. revela e interpreta componentes desta sociedade.14 pelas linhas de seus limites. Deste modo. contrastes. através do processo perceptível que é à base do professor de conhecimento e recriação do mundo. procura um mundo repleto de significação”. p. descobre e recria sua realidade.

a formação de currículos e programas deixa de ser responsabilidade apenas dos supervisores. p. Portanto. segundo os avanços teóricos e práticos dos temas e das questões a ele conectados” (IAVELBERG. Isto é. Ao fazer arte. na qual a visão de educação e o papel da escola são constantemente reorientados. 2003. Os professores devem participar do processo direta ou indiretamente e. 37) “a divisão por ciclos torna mais elástico aquilo que se espera de cada série. em um segundo momento. históricos escolares e culturas de origem. cabe ao professor o papel de . p. um grupo privilegiado que se sobrepõe a grande massa de espectadores impossibilitada de compreender essa tendência artística (BARBOSA. A diversidade. ao apreciar e ao refletir sobre a arte. coordenadores e técnicos da secretaria. mas podemos analisá-los separadamente para melhor compreender sua natureza”. resultante de ritmos pessoais. a arte contemporânea não deve ser descuidada e cabe ao professor de arte familiarizar-se com a história da arte e com a arte contemporânea. Portanto. o currículo deve estar sempre em transformação uma vez que os professores e as escolas estão sempre sendo orientados e “atualizados” conforme os avanços teóricos. 1992. o aluno pode assimilar conteúdos que correspondem a esse objetivo. podem-se relacionar conteúdos de vários tipos a diferentes ações de aprendizagem dos estudantes. saberes de diferentes naturezas são organizados para estruturar as experiências de aprendizagem dos estudantes. Ainda de acordo com Iavelberg (2003) “os currículos passam a priorizar a questão da diversidade nas estratégias individuais que os alunos constroem para aprender e para contemplar conteúdos no âmbito da tipologia dos conteúdos” (p. Segundo Iavelberg (2003. não será um fator de limitação”. Na década de 1990. Vale ressaltar que a cada objetivo. p. e isso será possível a partir do momento que freqüentarem exposições e acompanharem as publicações sobre o assunto. “O currículo precisa ser concebido como um projeto em permanente transformação. 35). para este autor (2003. 26) “os conteúdos são capacidades e respondem ao que se quer ensinar. pois cabe ao educador a tarefa de auxiliar o aluno a produzir uma leitura crítica das obras com as quais irá interagir. são interrelacionados. p. e as orientações didáticas passam a considerar os métodos de aprendizagem desses saberes pelos estudantes. como (parcerias permo) parceristas permanentes e reformuladores do documento local.15 Se continuar a ser negligenciada pela escola. Portanto. Pois. 184). 25). a arte contemporânea permanecerá acessível a apenas um número restrito de pessoas.

tocar. e isto se dá quando: “elas são orientadas para observar. 56) um dos compromissos do professor é. Portanto: A criança se exprime naturalmente tanto do ponto de vista verbal. compreender o processo de conhecimento da arte pela criança significa mergulhar em seu mundo expressivo. perceber. Assim. traduzida em signos e símbolos. dança e canta o faz com vivacidade e muita emoção (p. por isso é preciso saber por que e como ela o faz. essa linguagem ou comunicação que ela exercita com parceiros visíveis ou invisíveis. Através desse trabalho podem-se enriquecer suas experiências de conhecimento artístico e estético. A expressividade infantil Do ponto de vista de Ferraz e Fusari (1993). desde bem pequenas as crianças vão desenvolvendo uma linguagem própria. Conforme Ferraz e Fusari (1993. Assim a expressão infantil é. a mobilização para o exterior de manifestações interiorizadas que formam um repertório constituído de elementos cognitivos e afetivos. 55).16). ouvir. quando ela desenha. sentimentos e percepções vivenciadas intensamente.16 promotor da aprendizagem. Para a criança. Ao acompanhar o desenvolvimento expressivo da criança. Esta acumulação de impressões sobre o que a rodeia e que vai constituir-se com base sobre a qual se organizam suas habilidades perceptivas e expressivas (PILLAR. a natureza e os objetos a sua volta. 1988. Nessa mesma linha de raciocínio Pillar diz que: Em seu trabalho. percebe-se que ele resulta das elaborações de sensações. através do planejamento de suas ações e da articulação entre a construção do projeto educativo-institucional e a do projeto curricular. . perceptivo e intelectual e resulta do exercício do conhecimento da realidade. enfim perceber as coisas. imaginar. Por isso. acontece junto com seu desenvolvimento afetivo. representar fazem parte do universo infantil e acompanham o ser humano por toda vida”. fantasiar. p. como plástico ou corporal e sempre está motivada pelo desejo da descoberta e por suas fantasias. vir. a criança constrói noções a partir das vinculações que estabelece com o que foi percebido nas suas experiências sensoriais e motrizes. Sentir. p. adequar o seu trabalho para o desenvolvimento das expressões e percepções infantis.

bem como a conhecer suas principais funções. pois. intuitivos e o contato mais profundo com as formas e uma observação que procura envolver todos os ângulos visuais possíveis. p. é importante explicar o processo imaginativo das crianças. chama a atenção para a sua infinita possibilidade de poder “criar novos graus de combinações. tanto para a criação como para qualquer atividade infantil”. Assim. a imagem. Por isso Ferraz e Fusari (1993. com suas formas e significados”. Morozova (1982) fala que: “a percepção cognitiva tem uma grande importância. Vygotsky (1990.. onde muito das vezes são as imagens mais brilhantes.. o processo imaginativo adquire autonomia e diversos graus de complexidade e . Mas. Mas. pois através desta observação as crianças conseguem desenvolver suas percepções pessoais. Vygotsky (1987) fala: “na precocidade da “percepção de objetos reais”. do professor. dos pais. nem sempre o que se vê tem correspondência exata com o real. seus aspectos formais ou qualidades estéticas. sozinha.17). investigando os objetos e fenômenos tanto com a visão como também com os demais sentidos. 1993) trazem grandes contribuições para o aprofundamento dessas idéias. durante as criações as crianças vão aprendendo a perceber os fenômenos a sua volta. No campo da visualidade o essencial é o desenvolvimento da visão. o som e a cena.17 No que se referem aos aspectos perceptivos da criança.. que faz conhecer as principais qualidades das coisas e a discriminá-las.” Com isto. ao falar da imaginação. sua utilidade. Compete ao professor ajudar a criança a perceber também outras qualidades formais e a ver o conjunto dos elementos que compõem o objeto. é visto a importância de trabalhar com as crianças a observação e a análise usando-se o aspecto físico. ela nem sempre consegue atingir as diferenciações.] e assim sucessivamente.] combinando depois imagens de fantasia [. para que isso ocorra. é necessária a colaboração do outro. Em ambos os casos. mais coloridas. idéias e conceitos. as obras de Vygotsky (1987) e Morozova (1982) (apud Ferraz e Fusari. sua atenção é dirigida às características não-essenciais e sim as mais destacadas das imagens. mais estranhas. muitas vezes. p. Elas aprendem a nomear esses fenômenos. com isso destacam alguns pontos: O primeiro aspecto é entender que a atividade imaginativa é uma atividade criadora por excelência.. principalmente para ampliar as suas leituras do mundo. a imaginação se constitui de novas imagens. 59) dizem que: O ideal é que se trabalhe a observação e a analise utilizando os aspectos físicos. ou seja. mesclando primeiramente elementos reais [. Para as autoras.

segundo Piaget (1975).18 quanto maior a variedade de experiências. “Como o grafismo infantil é uma das formas de expressividade da criança. o que a torna singular. 9). Os nomes dados as etapas do desenvolvimento gráfico infantil será baseado em Piaget (1975). o desenho é totalmente involuntário. onde a criança adora encher folhas com desenhos (muita gente. De maneira geral. a criança ainda não opera mentalmente sobre os objetos. maior a possibilidade para a atividade criadora e imaginativa. o gesto o movimento do braço). O terceiro ponto é considerar o resultado do processo imaginativo. predomina-se a ação nas reações com o objeto. nesse período. ao mesmo tempo em que desenvolvem suas potencialidades estéticas. e é também constituída de novas elaborações. entendemos ser relevante para a práxis do educador conhecer as etapas do desenvolvimento gráfico infantil”. o que só conseguirá fazer a partir de aproximadamente sete anos e de acordo com este autor. A forma de uma criança conhecer o objeto passa por significativas transformações em sua evolução no processo de adaptação ao meio a que se dá por seguidos movimentos de equilibração. Portanto. período pré-operacional. Experienciando ludicamente a observação e o contato com as formas de diversos materiais artísticos as crianças se expressam. é visto que evolução do desenho compartilha o processo . é o período sensório motor. porém proporciona prazer (som do giz deslizando no papel. muitos teóricos se dedicaram a entender essas marcas fascinantes feitas por elas. Nesta fase surge o caráter semiótico. que se estende até os dezoitos meses aproximadamente. entre as quais as afetivas e as sociais. carros. isto é. do símbolo. O desenho Infantil Segundo Cava (2009. o fazer e a apreciação em cada uma das linguagens artísticas devem estar ligados às atividades lúdicas. O segundo aspecto é reconhecer que a produção imaginativa tem relação com a realidade. os motivos que as levam mudarem seus rabiscos. da representação. os movimentos são desordenados. Inicialmente. essa é a fase dos porquês. as crianças têm necessidade de desenhar e desde o final do século XIX. animais). p. para as crianças pequenas. Na fase seguinte.

esses códigos visuais são importantes para as pessoas se conduzirem para diversos locais com independência. Pillar (1996.] ao desenhar. Embora focalize diferentes aspectos do desenho. ao liberar conteúdos de sua memória. pois. afirmando que a linguagem verbal é a base da linguagem gráfica constituída pelo desenho. p. pois “[. Para esta autora. representando o que sabe de um objeto. a saber. E. Contudo.] permitiu que se coletassem dados sobre a natureza e função do desenho durante o processo de apropriação dessa linguagem”. salienta o poder da interpretação da imagem visual.. eles aproximam-se em relação à importância do desenho no processo de desenvolvimento da criança e a característica de que a criança desenha o que a interessa.. a observação do real se depara com a imaginação e o desejo de significar. Coll (2000 apud CAVA. as concepções dos dois autores. o desenho é estímulo para exploração do universo imaginário.19 de desenvolvimento. sempre incentivando para posteriormente a própria criança contar a história do seu desenho. a criança experimenta de modo criativo a sua expressão sem a intervenção do adulto e cabe ao professor observar. comenta a experiência de “certo grau de abstração” na atitude da criança que desenha. Ao comparar diferentes procedimentos de desenhar.51) afirma que “[. “[. simultaneamente. o desenho espontâneo propicia conhecer o universo simbólico da criança e é importante. Nessa mesma linha de raciocínio Vygotsky (1991). O desenho propicia oportunidade de que o mundo interior se confronte com o exterior.] está aprimorando esse sistema de representação gráfica”. Para tanto. acompanhar e estimular o desenvolvimento gráfico de seus alunos.. isto é. Também pesquisando o papel do desenho na construção de conhecimento.. e a autora ressalta ainda. relacionar estímulos e representar podem favorecer a formação de conceitos. a autora ressalta a importância do desenho espontâneo para a compreensão das idéias das crianças pesquisadas. a criança está inter-relacionando seu conhecimento objetivo e seu conhecimento imaginativo”... . Portanto. selecionar. passando por etapas que caracterizam a maneira da criança se situar no mundo. Piaget (1975) focaliza o sujeito do ponto de vista epistêmico e Vygotsky (1991) contempla o ponto de vista social. que o desenhar envolve diferentes operações mentais. reconhece o papel da fala nesse processo. 2009).

A autora refere-se ao caráter de metalinguagem que é a linguagem de formas de espaço.” E essa linguagem que se constitui o “referencial ulterior” da linguagem verbal. como também pela sua condição de linguagem. envolve até mesmo a posição espacial que permite a adequada visibilidade. pois: “[. evitar que “[. [. das fantasias e de sentimentos. do outro.. do brinquedo e da brincadeira para a criança.] fornecendo as imagens para nossa imaginação. possibilita a ampliação da compreensão e da valorização do desenho espontâneo infantil e deixa claro a importância da atividade de desenhar para a elaboração conceitual dos objetos e eventos pelas crianças.] do desenho-certeza se passe a certeza de não saber desenhar”. assim.. forma de compreensão do desenho da criança. Assim. o espaço se torna mediador entre a experiência e a expressão. Para tanto. 51) quando analisa as implicações relativas à escolarização. com muita importância.] é preciso recorrer a imagens do espaço a fim de tomar conhecimento de algo e comunicá-lo a outros”. 173174) destaca seu caráter de linguagem universal.] as formas de espaço constituem tanto o meio como o modo de nossa compreensão... p. a seriedade da coisa feita com cuidado. Outro ponto é que a prática artística é vivenciada pelas crianças pequenas como uma “atividade lúdica. Ostrower (1995. acentua a necessidade do respeito ao desenho infantil não apenas pelo espaço de liberdade de expressão que constitui. da imaginação. Propõe-se. De um lado há a amenidade do divertir-se. motivo pelo qual a autora comenta que qualquer que seja a língua. pois é sustentada por vivências comuns a todos os seres humanos. O jogo e a Brincadeira nas aulas de Arte Conforme Ferraz e Fusari (1993). sobre a representação espacial presente no desenho. pelo caráter que a envolve. em particular a pré-escola. Ela ressalta a importância da escola. O brincar nas aulas de arte pode ser uma maneira prazerosa e até ajuda as crianças a compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural e estético.. p. As atividades lúdicas são também indispensáveis à criança para apreensão dos conhecimentos artísticos e estéticos uma vez que possibilitam o exercício e o desenvolvimento da percepção..20 Moreira (1984.. tem sido mais do que discutida a relevância e o significado do jogo. evitando interpretações precipitadas. a observação atenta que. “[. onde “o fazer” se identifica ..

Assim. [. na qual a imaginação. possui regras.] é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. Vygotsky (1991) afirma que o desenvolvimento da criança ocorre ao longo da vida e segundo este autor a criança usa as interações sociais como formas de acesso a informações e por isso aprendem que a brincadeira. o brinquedo contém todas as tendências do desenvolvimento de forma condensada. pois os processos de simbolização e de representação a levam ao pensamento abstrato. mesmo sendo livre e não estruturada. p. pois: A ação de brincar é muito importante na infância porque “cria uma zona de desenvolvimento proximal da criança”. chama-se a atenção dos professores que forem lidar com a arte junto às crianças. “quanto mais intensa e variável for a brincadeira e o jogo. 84). 117). Essa é uma atividade social. a criança aprende a regular seu comportamento pelas reações. No brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade (VYGOTSKY. Por isso. pois precisam conhecer um pouco mais sobre a função e o desenvolvimento dos jogos e brincadeiras na vida infantil e principalmente.. Vygotsky (1989. assim. brincar na infância é o meio pelo qual a criança organiza suas experiências. dependendo das motivações e tendências internas.21 com “o brincar”. Portanto a brincadeira. quer elas pareçam agradáveis ou não. saber interligá-los nas aulas escolares. 109) afirma que: É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. mais elementos oferecem para o desenvolvimento mental e emocional infantil”. em que a criança recria a realidade usando sistemas simbólicos. Ainda de acordo Ferraz e Fusari (1993. descobre e recria os seus sentimentos e pensamentos a respeito do mundo. p. com contexto cultural e social. o imaginar com a experiência da linguagem ou da representação” (FERRAZ e FUSARI. Quando brinca. uma grande fonte de desenvolvimento. mostrando-se mais e em maior grandeza. e não dos incentivos fornecidos pelos objetos externos. p.. 1993. p. É uma atividade humana criadora. 1989. das coisas e das pessoas com as quais convive. a fantasia e a . sendo ele mesmo. a criança modifica os hábitos e comportamentos usuais. Para o autor todo tipo de brincadeira está embutido de regras. Para este autor o brincar é essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança. o jogo são atividades específicas da infância. 85). Contudo. ao invés de numa esfera visual externa.

e esse conhecimento serve de modelo de referencial para a sua própria conduta. Mas. de expressão e de ação pelas crianças. uma grande influência no desenvolvimento da personalidade. de acordo com o autor. poderem reformular sem punição seu planejamento e suas novas ações. não podemos perder de vista sua característica primordial e fundamental que é a de dar o lugar da criança de sujeito. mesmo que simbolicamente. conhecimentos. reelaborando sentimentos. A brincadeira exerce. exercício de funções e papéis para os quais a criança ainda não está apta. nas diferentes esferas humanas. manifestarem indagações. A criança. comunicativas. quando brinca. A atividade lúdica exerce grande influência na formação dos processos psíquicos voluntários. para que o brincar seja mais eficaz na sua função de desenvolvimento subjetivo e objetivo da criança. pois. E que a criatividade aflore. O jogo é uma maneira de as crianças interagirem entre si. As situações de brincadeira exigem uma maior concentração. tornando-as mais sensíveis. A atividade lúdica é uma forma de expressão e apropriação do mundo das relações. A arte e o jogo são concebidos. ao praticá-la. formularem estratégias e. 97). demonstra e assume comportamento mais desenvolvido do que aquele que tem na vida real. atua. ao brincar. o conhecimento e o contato com objetos reais e com aqueles criados para atender aos seus desejos de experimentação. das atividades e dos papéis dos adultos. a criança passa a conhecer as condutas. significados e atitudes. a criança. a concentração e a atenção. promovendo as qualidades indispensáveis para o estabelecimento das interações atuais e futuras com seus semelhantes. crianças e adultos. vivenciarem situações. como recursos pedagógicos que colaboram no desenvolvimento das capacidades humanas das crianças. Segundo Vygotsky (1991. pois a criança necessita desenvolver. inclusive na tentativa de se fazer sujeito mediante as circunstâncias atuais. ou seja. assim como de novas formas de construir reações sociais com outros sujeitos. a modernidade tem interferido nesta função criativa do brincar uma vez que as crianças têm optado por jogos tecnológicos e mecanizados. permitir que ela possa criar e recriar situações e normas exercendo sua individualidade e se desenvolvendo com isso. . por intermédio dessas atividades.22 realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação. porém. possibilitam imitações de comportamentos mais avançados com as semelhanças. imaginativas e mais atentas a tudo que as cerca. ao verificarem seus erros e acertos. As atividades lúdicas oportunizam situações de atuação coletiva. os papéis sociais e as interações dos adultos. p.

atividade principal no período pré-escolar. entre outras. caracteriza-se pelo predomínio da imaginação sobre a regra. Quanto mais a criança amplia os conhecimentos da realidade. A brincadeira também contribui de maneira significativa para o desenvolvimento da linguagem. no final do período pré-escolar. Os argumentos vivenciados e os conteúdos dessa atividade são retirados das diversas atividades humanas. Isto implica definir também os procedimentos e técnicas pedagógicas a serem utilizados nas atividades de ver apreciativamente e expressar prazerosa e ludicamente as formas visivas. do lazer. Linguagens visuais nas Aulas de Arte com Crianças Se pretender trabalhar as linguagens visuais na escolarização artística infantil. as crianças são instigadas a expressar suas vontades e suas intenções de forma compreensível. evolui para o predomínio da regra sobre a imaginação.23 As atividades lúdicas retratam a variada realidade que cerca as crianças. mais ricos e variados são os argumentos e os conteúdos usados nas brincadeiras. transformando-se em jogo de regras. As necessidades de comunicação e de se fazer compreender impulsionam o exercício. Nas situações lúdicas. dos objetos e dos fatos relevantes da época em que vivem. A brincadeira. é preciso caracterizar quais conceitos são essenciais para integrá-los aos já conhecidos pelas crianças. do trabalho. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebe-se um distanciamento entre o desejo do professor de ensinar Arte e o interesse do aluno em aprender. fundamentais nesse estágio de desenvolvimento infantil. das relações interpessoais. Transforma-se num espaço fértil para a aprendizagem e desenvolvimento de outras capacidades. pois requer da criança um determinado nível de desenvolvimento de comunicação verbal. por esse motivo é de suma importância que professores do ensino infantil dêem maior ênfase nas Artes Visuais e preocupem de verdade com o aprendizado das . o aperfeiçoamento e o desenvolvimento coerente da linguagem.

24 crianças. descobre e recria seus sentimentos e pensamentos a respeito do mundo. Portanto. especially the visual arts. Drawing. pois cada uma aprende no seu limite e no seu tempo. The aim is thus to reaffirm the importance of art and visual arts in the classroom as a significant practice in educational development of children. conclui-se que o papel dos educadores é de valorizar cada vez mais o ensino de Arte e mostrar o quanto as Artes Visuais é importante para a criança. das fantasias e de sentimentos. Ela pode ser considerada uma expressão do universo cognitivo e afetivo de cada um. Contudo. pois há muitos professores que interpretam e ensinam a Arte como cópia/mera reprodução impedindo assim a criança de pensar e desenvolver a sua habilidade diante do desenho. principalmente nas fases iniciais. Keywords: Visual Arts. da imaginação. E as brincadeiras na infância é o meio pelo qual a criança organiza suas experiências. pois cada pessoa vê uma mesma coisa de maneira diferente e reconstrói usando formas. linguagens e elementos diversos. this article is a systematic study of bibliographical nature. Child. pois o brincar nas aulas de arte pode ser uma maneira prazerosa de a criança experimentar novas situações e ajudá-la a compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural. A arte pode ser uma reelaboração da realidade. since the way a child plays or draws reflects in their way of thinking and feeling. cuidando da condição de liberdade de expressão e sustentação da manifestação. ritmos. Education. Para que os educadores não cometam mais erros tradicionalistas. mas ainda precisa melhorar. Sabe-se que muita coisa mudou em relação à Arte Visual. . uma vez que possibilitam o exercício e o desenvolvimento da percepção. emphasizing the creation and expression of the child. pois revelam o que sentem e pensam. Learning. Abstract: The aim of this article was to make the children educators to rethink the conceptions and methodologies concerning the teaching of art. a atuação do educador é fundamental no apoio ao processo. Portanto. em hipótese alguma os trabalhos infantis devem ser comparados com os de nenhuma outra criança. supported by authors who historically has contributed to arts education in the country. about his practice and techniques. e ajuda a ampliar suas leituras de mundo. como tem ocorrido por muito tempo. Vale ressaltar ainda que as atividades lúdicas são indispensáveis à criança para apreensão dos conhecimentos artísticos e estéticos. ajuda a trabalhar a coordenação motora. A arte visual contribui na construção do conhecimento sensível da criança.

Teoria e prática da educação artística. de Rezende. Maria F. HERNANDEZ. 2007. Metodologia do ensino de arte. A. CARNEIRO. A. Ana Mãe. 1984.25 REFERÊNCIAS BARBOSA. 2003. A construção do olhar. FUSARI. São Paulo. 2007. 1993. Rio de Janeiro: Paz e Terra. São Paulo: Perspectiva. 1983. Maria Heloísa Corrêa de Toledo. 1986. . FREIRE. Fernando. HERNANDEZ. São Paulo: Cortez. OSTROWER. A. FREIRE. Laura Célia Sant’Ana Cabral. Paulo. A. 14 ed. Porto Alegre: Artmed. 3 ed. Moaci Alves. F. O espaço do desenho: a educação do educador. São Paulo: Pearson Prentice Hall. Paulo. FERRAZ. 1975. Porto Alegre: Editora Mediação. Maria Heloísa C. São Paulo: Loyola. Rosa. 2 ed. 178. Catadores da Cultura visual: proposta para uma nova narrativa educacional. Rio de Janeiro: Paz e Terra. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva artigo a artigo. de Toledo. Rio de Janeiro: Vozes. Ensino das artes: pedagogia. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de professores. IAVELBERG. São Paulo: Cortez. Cultura Visual. 2009. 1995. In NOVAES. FERRAZ. Arte na Educação Escolar. MOREIRA. Porto Alegre: Artmed.) O olhar. Ação cultural para a liberdade. (Org. mudança educativa e projeto de trabalho. 2001. de Rezende. Fernando. Cultrix. _______Arte educação no Brasil. 2000. Pedagogia do oprimido. FUSARI. CAVA. Maria F. São Paulo: companhia das Letras.

4ª ed.26 PILLAR. VYGOTSKY. 1989. 2002. 1988. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes. Fazendo Artes na Alfabetização. D. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. A. S. SOUZA. D. São Paulo: Martins Fontes. 1991. VYGOTSKY. L. Porto Alegre: Artes Medicas. 1996. PILLAR. P. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. A. Euripedes Brito da. L. Porto Alegre: Kuarup. Desenho e construção de conhecimento na criança. P. . Paulo Nathanael Pereira de. Como entender a LDB. SILVA. S.

mas que com certeza está muito feliz por mais essa conquista em minha vida) e aos meus filhos Paulo Henrique e Kárita Thais. .27 Dedico este trabalho aos meus amados pais Sebastião e Isabel (mãe que já partiu para o mundo espiritual.

. a qual teve muita paciência e atenção e que em momento algum mediu esforços para ajudar-me. Aos professores que dividiram seus conhecimentos e experiências durante o curso e em especial a minha orientadora Milna Martins Arantes. Aos meus filhos pela compreensão.28 AGRADECIMENTO Muito obrigada a Deus por mais esta conquista em minha vida. apoio e carinho que tiveram. As colegas de sala que sempre me ajudaram quando precisei.