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FACULDADE ALFREDO NASSER INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA

ARTES VISUAIS: A CRIANÇA, O DESENHO E A EXPRESSIVIDADE INFANTIL
Esmerinda D’ Aparecida Neves

APARECIDA DE GOIÂNIA 2010

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ESMERINDA D’ APARECIDA NEVES

ARTES VISUAIS: A CRIANÇA O DESENHO A EXPRESSIVIDADE INFANTIL

Artigo de Conclusão do Curso de Pedagogia, apresentado ao Instituto Superior de Educação da Faculdade Alfredo Nasser, sob orientação da prof.(a) Ms. Milna Martins Arantes, como parte do requisito para a conclusão do curso de Pedagogia.

APARECIDA DE GOIÂNIA 2010

Milna Martins Arantes – Nota: ________ / 70 Orientadora: Primeiro Examinador: _________________________ – Nota: ________ / 70 Segundo Examinador: _________________________ – Nota: ________ / 70 Média Parcial – Avaliação da Produção do Trabalho: ________ / 70 .3 FOLHA DE AVALIAÇÃO ARTES VISUAIS: A CRIANÇA O DESENHO A EXPRESSIVIDADE INFANTIL Aparecida de Goiânia. Ms. ______ de dezembro de 2010. EXAMINADORES Profª.

Desenho. Aprendizagem. aprendendo a representá-lo. Ensino. respaldado em autores que historicamente vem contribuindo para o ensino de arte no país. valorizando a expressão e a criação da criança. uma vez que o brinquedo estimula a capacidade da criança de aprender e faz com que ela tenha apreciação artística e interesse pela leitura dos diversos tipos de artes (escultura. Pretende-se. pois através da arte as crianças conseguem expressar seu sentimento e suas habilidades pelo desenho. este artigo é sistematizado a partir de um estudo de cunho bibliográfico. uma vez que a maneira como a criança brinca ou desenha reflete na sua forma de pensar e sentir. pintura e arquitetura). É importante destacar que o trabalho educacional com Artes Visuais não visa formar artistas. em especial as artes visuais. _______________________ ¹ Aluna do 8º período do curso Pedagogia da Faculdade Alfredo Nasser. Palavras-chave: Arte visual.4 ARTES VISUAIS: A CRIANÇA O DESENHO A EXPRESSIVIDADE INFANTIL Esmerinda D’ Aparecida Neves ¹ Resumo: O objetivo desse artigo é fazer com que os educadores da educação infantil repensem sobre as concepções e metodologias a respeito do ensino da Arte. deixando claro que o mesmo deve transformar o conteúdo em brinquedo. reafirmar a importância da arte e das artes visuais na sala de aula como prática educativa significativa no desenvolvimento das crianças. Criança. Milna Martins Arantes. Para tanto. pois assim conseguirá oferecer diversas obras/conteúdos para os alunos e não somente pedir para que eles copiem o que já está pronto. portanto. . Tendo em vista que o professor deve despertar o interesse das crianças sobre as aulas de artes visuais desde a primeira fase. como parte dos requisitos para a conclusão desse curso. Mostrar que para ensinar arte visual o professor deve ter uma formação apropriada (faculdade e cursos na área de artes). sobre sua prática e técnicas. INTRODUÇÃO Este artigo tem como finalidade mostrar o quanto a Arte Visual é importante para a criança. mas ampliar a capacidade criativa dos alunos e possibilitar que eles conheçam a linguagem artística e tenham um olhar sensível para o mundo. sob orientação da Profª: Ms. Apresentar qual contribuição que ela tem dado à escola na formação da criança e no seu desenvolvimento.

seguido pela “Cultura Visual Perspectiva Conceitual” e “Arte visual”. arte não é uma matéria que deve ser considerada de pouco significado e para mudar essas concepções cabe aos professores de arte ensinar melhor essa linguagem. Segundo estas autoras. “O jogo e a brincadeira nas aulas de Arte” concluindo no último tópico “Linguagens visuais nas Aulas de Arte com Crianças”. em especial na educação infantil. a Lei de Diretrizes e Bases – de 1961 nº 5. conseqüentemente. portanto. Hernandez (2007). uma vez que o professor reconhece sua atuação verá a necessidade de melhorar e. Neste sentido. culturais. para alguns educadores a educação é pensada de forma idealista. posteriormente a Arte nas Leis Diretrizes e Bases. passase agora discutir duas vertentes e seus desdobramentos para o ensino de arte na escola. sendo incapaz de mudá-la. pois tais posicionamentos serão assumidos para atingir uma posição mais realista e/ou progressista. entre outros. Nas considerações finais reafirma-se a importância da arte e das artes visuais no contexto educacional. “O desenho Infantil”. a uma teoria de educação escolar. através de suas práticas. O objetivo deste artigo é propor novas formas de ver a Arte Visual na educação infantil.692/71 e a lei nº 9394/96 – serão também de extrema importância para a pesquisa. de construir sua história diante da arte. O ensino das Artes: perspectivas históricas e configuração legal Ensinar Arte é selecionar produções artísticas e seus autores. verificar pesquisas existentes da época e através da tecnologia transmitir as obras existentes para os alunos. De acordo com Fusari e Ferraz (2001). na qual a arte pode ou não contribuir nas transformações sociais. Já para outros educadores é a sociedade. “A expressividade infantil”.Pensando o Currículo”. “A criança e as imagens”.5 Para o desenvolvimento deste artigo será trabalhado alguns autores (as) como: Fusari e Ferraz (2001). Percebe-se que ambas precisam ser consideradas e compreendidas. isto é. o professor de arte deve conhecer e compreender melhor a forma de ensinar as linguagens artísticas. sendo muito influente e capaz de mudar por si só as práticas sociais. que “manda” na educação escolar a qual é considerada reprodutora dessa sociedade. Este trabalho está organizado da seguinte forma: na primeira parte a “História da Arte”. As práticas educativas desenvolvidas em sala estão ligadas a uma pedagogia. logo após “O ensino das artes visuais . A .

trabalha-se a coordenação motora da criança. discute-se que o modelo proposto pelo educador seria fixado pela repetição em busca sempre do seu aprimoramento. freqüentemente expositiva. porque ela não se preocupa em formar sujeito que pensa e tenha criatividade no seu trabalho. ou através de produções mais idealista que é como gostariam que fosse. 27). ela “forma” alunos que “reproduzam” conhecimentos.6 saber. No caso das aulas de arte. por vezes. pode-se dizer que a escola tradicional limita o pensamento da criança enquanto deveria facilitar a criação do conhecimento do aluno. A Pedagogia Tradicional A pedagogia tradicional é uma proposta de educação centrada no professor e a sua metodologia tem como princípio a transmissão dos conhecimentos através da aula do professor. sentir. a escola não tem se preocupado com a formação crítica. que é aceita como vinda de fora para dentro. pedagogia Nova e pedagogia Tecnicista) e a tendência realista progressista. enfatiza a repetição de exercícios com exigências de memorização. mais ligada às cópias do “natural” e com a apresentação de “modelos” para os alunos imitarem”. através de “cópias” do ambiente. isto é. numa seqüência predeterminada e fixa. p. o aluno ouve e aprende e não é favorável ao sujeito que aprende um papel ativo na construção dessa aprendizagem. Nessa pedagogia é valorizado o conteúdo livresco e a quantidade. propõe-se a construção geométrica de cada desenho feito para ilustrar a aula e estes exercícios devem ser continuados até que tenham criado o hábito de arte. O professor fala. As produções artísticas que se assemelham com as coisas ou com os seres de seu mundo buscam uma estética mais realista. Segundo Fusari e Ferraz (2001. representação e cópias de objetos e. o aluno não pode por si só escolher o que quer desenhar ou de que cor pintar. De acordo com a disciplina de arte-educação. . ou seja. está presente desde o século XIX nas aulas de arte das escolas brasileiras a tendência tradicional. Conforme Fusari e Ferraz (2001). a visão da educação tradicional acredita no limite do pensar da criança e seu desenvolvimento da capacidade de assimilar informações e principalmente as funções da consciência de perceber. a tendência idealista liberal (Pedagogia Tradicional. pessoas que questionam. assim. sempre tem que ter a influência ou a “ordem” de um adulto e/ou professor (esta perspectiva encaixa no pensamento reprodutivista de ensino). “quando predominava uma teoria estética mimética. como na recordação da aula anterior ou da aula do momento e. pensar. assim. o desenho do natural e observação.

Pedagogia Nova A Pedagogia Nova é a interação entre professor-aluno. . Com isso o professor deve ter sempre em seu planejamento atividades que valoriza aquilo que está sendo trabalhado e não desvincular atividades que não tenha relação com o assunto. onde o professor é auxiliar das experiências. a Pedagogia Nova teve início no final do século XIX na Europa e nos Estados Unidos. no qual seriam fixados pela repetição. o interesse e as iniciativas individuais do aluno. Dessa forma. portanto a educação escolar é muito importante para colocar os estudantes no seu ambiente social.7 Do ponto de vista do professor. buscando sempre o seu aprimoramento juntamente com o trabalho da coordenação da criança. Conforme Fusari e Ferraz (2001. Nessa pedagogia o professor é visto como o instrutor ou técnico. 31). avançando um novo passo em direção ao ideal de assumir a organização de uma sociedade mais democrática”. levando em consideração a motivação. Assim. Essa pedagogia foi desenvolvida nas escolas brasileiras entre 1960 e 1970. “Já de início o Escola-novismo contrapõe-se à educação tradicional. . na sua metodologia. a aula de arte na escola tradicional é executada através de exercícios propostos em sala. e eles recebiam também orientações para realizar trabalhos em equipes. progressiva. O trabalho de Arte era desenvolvido através do interesse dos alunos na observação da comunidade. os professores de Arte que aderiram à concepção da Pedagogia Nova no Brasil começaram a trabalhar diferentes métodos e atividades que motivassem os interesses individuais dos alunos. Mas para alcançar tais objetivos. os educadores que apóiam essa concepção passam a acreditar que as pessoas poderiam ter um convívio mais agradável na sociedade. a pedagogia tecnicista aparece no exato momento em que a educação é considerada insuficiente no preparo dos profissionais. que posteriormente transformavam-se em conteúdo de ensino. e o Brasil teve seus reflexos por volta de 1930. Pedagogia Tecnicista De acordo com Fusari e Ferraz (2001). é preciso que haja experiências cognitivas e que ocorra de maneira ativa. onde a criatividade individual somava-se com a do grupo. p.

8 De início. vinculada às propostas educacionais apresentadas pela pedagogia libertadora de Paulo Freire teoria crítica dos conteúdos. deve assim a responsabilidade de dar ao educando o instrumental necessário para que ele exerça uma cidadania consciente. p. tem-se um grupo de educadores vinculados ao movimento pela Arte. FERRAZ. Portanto: A valorização do processo de industrialização e do desenvolvimento econômico explicita-se pelo empenho em incorporar-se o moderno. Tendência Progressista Desde os anos 1960 muitos educadores estavam preocupados com a educação escolar. que possui uma trajetória histórica e contribui de forma significativa . pois esses recursos ajudam o professor a ampliar e modificar a forma atual de ensinoaprendizado. Assim. FERRAZ. A tendência tecnicista parte do princípio de que a melhor forma de adaptar o indivíduo à sociedade capitalista é fazer com que ele receba certas informações a partir do eixo estímulo-resposta. discutia-se a melhoria do ensino nas práticas sociais. No ensino da arte. 2001. ou seja. o aluno recebe a informação. as quais enfatizam a importância da qualidade de ensino aprendizagem. no sentido de transformá-lo (FUSARI. Essa tendência. as autoras deixam claro que é válido o uso da tecnologia nas aulas de artes.Educação em busca da construção do ensino da arte que valorize a arte como objeto de conhecimento próprio. uma vez que o uso dessas tecnologias (ex. à qual deverá apresentar uma resposta adequada. As aulas passam a se organizar através de recursos audiovisuais. p. isto é. essa nova tendência de pensar a educação visava um aumento de eficiência da escola. buscava-se uma proposta pedagógica que conscientize a sociedade para uma democracia popular. 2001. Através dessa discussão. crítica e participante. textos programados ou livros didáticos. tendo como objetivo a preparação de indivíduos mais competentes e produtivos conforme a exigência do mercado de trabalho. conforme estas autoras têm por objetivo a rápida profissionalização da mão de obra a partir do treinamento do aluno. A educação escolar deve assumir o ensino do conhecimento acumulado e em produção pela humanidade.: os recursos audiovisuais) chamam mais a atenção dos alunos. o tecnológico. O professor passa a ser considerado como um “técnico” responsável por um competente planejamento dos cursos escolares (FUSARI.46). Isto implica em que o trabalho pedagógico propicie uma crítica ao social. 41). no currículo.

. É visto que essa Lei foi promulgada dando continuidade à anterior. deixando de lado o ensino superior. também: “um processo gestatório lento. possibilitando o acesso ao ensino superior. a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. sob pena de se oferecer uma subeducação (CARNEIRO. “[. denominada a Lei da Reforma do Ensino de 1º e 2º graus. com inegáveis prejuízos para os aspectos de essencialidade do “processo educativo”. Estes aspectos nunca podem ser sufocados pelos elementos da organização do ensino. a Lei nº 5. estabeleceu nova estrutura para os currículos do ensino primário e médio.. 24). sem ter de recomeçar como se nada houvera antes (p.. embora impermeável a debates e à participação da sociedade civil”. . em nível da migração interna do aluno que. era substituída pela mera “razão técnica”.692/71. migrar de um ramo para outro de ensino. p. p. Ela conseguiu: [. mas por ser a arte uma linguagem.] teve uma gestação lassa e penosa”.9 para o desenvolvimento humano. 25). p. pois permitia. a partir de então. uma vez que focava somente os ordenamentos organizacionais da préescola e do 1º e 2º graus. também. ao término de qualquer ramo do ensino médio.024 de 20 de dezembro de 1961. independentemente do tipo do curso que o aluno tivesse feito anteriormente. a substância educativa. através do mecanismo de aproveitamento de estudos.. poderia. 2007. teve. Conforme este essa não pode ser propriamente considerada uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação. a flexibilidade se dava. Por outro lado. o acesso ao nível superior mediante o vestibular. e nessa situação de troca de ramos o aluno não perderia mais os anos antes cursados. Tratava do ensino de forma esquartejada. não só por possibilitar a expressão. entre outros. um conhecimento e produção humana que precisa ser apropriada e (re) significada no cotidiano das práticas educativas de forma a democratizar este saber. Ainda segundo Carneiro (2007. a Lei nº 4. por que: Primeiro. essa Lei trouxe grande inovação para os alunos. 25). Depois. criatividade. que historicamente está sob a égide da classe dominante. energia vivificadora de uma LDB. porém com um caráter meramente tecnicista. a segunda Lei de Diretrizes e Bases. que ficou treze anos no Congresso. lhe faltava um sentindo de inteireza. imaginação. Leis Diretrizes e Bases De acordo com Carneiro (2007.] flexibilizar a estrutura do ensino. Essa Lei. Assim. 26).

394/96 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional significou um grande avanço para a área. Para Hernandez (2007. 40). canto coral e artes aplicadas passaram a trabalhar com essas práticas como “atividades artísticas. música. De acordo com Iavelberg (2003). Conforme Souza e Silva (2002. muitos arte-educadores passam a trabalhar a partir de três formas de aprendizagem significativa em arte: “fazer artístico do aluno. Em um mundo dominado por dispositivos visuais e tecnologias da . 24) “Se não ensina aos estudantes a linguagem do som e das imagens. não apenas as palavras escritas. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (art. 115) A LDB 5692/71: Introduz a educação artística no currículo escolar do ensino fundamental e médio. 118).10 Para tanto. pois. música. Uma consequência em relação a diferentes práticas educativas é que nos faz propor a necessidade de ajudar crianças a irem mais além da tradicional obsessão por ensinar a ver e a promover experiências artísticas. a lei 9. Vivem e trabalham em um mundo visualmente complexo. p. Cultura Visual: aproximações conceituais A cultura visual para Hernandez (2007) é um campo de estudos que fundamenta seus aspectos entre a teoria de estudos que trabalha com a abordagem da cultura e apresenta uma reflexão sobre a produção visual. “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica. dos de colegas e dos de artistas) e a reflexão sobre a arte como objeto sociocultural e histórico” (p. Os professores de desenho. p. Ao utilizar a expressão cultura visual para sugerir outro rumo para a educação das artes visuais este autor defende que estão vivendo um novo regime de visualidade. a apreciação do aluno (dos próprios trabalhos. p. não deveriam ser eles considerados analfabetos da mesma maneira como se saíssem da universidade sem saber ler ou escrever?” Por isso é importante aceitar o fato de que aprender como se comunicar com gráficos. uma vez que ela não visava o ensino superior. Segundo Iavelberg (2003. cinema é tão essencial como comunicar-se com palavras. o autor deixa claro que essa reforma de 1971 não pode ser considerada totalmente “positiva” na educação. portanto devem ser complexos na hora de utilizar todas as formas de comunicação. dava seqüência ao ensino tecnicismo. contudo. a arte passa a ser considerada obrigatória na educação básica. 26 § 2º). trabalhos manuais.

a visão tem muito mais influência em nossa capacidade de opinião do que o que ouvimos ou lemos. 45) O aparecimento da cultura visual como um campo de investigação transdisciplinar e transmetodológico não significa outra coisa senão uma oportunidade de repensar. de maneira que. Este campo inclui as belas artes. etc. a visualização e a reflexão crítica. dos museus e das universidades. a publicidade. ou seja. por diferentes campos de conhecimento (história da arte. a cultura é a forma de viver e a cultura visual dá forma ao nosso mundo. Por isso: Não nos soa estranho que hoje se fale com preocupação do aumento de “analfabetos visuais” e que surjam vozes clamando pela reestruturação da Escola. A crescente penetração dessas formas de cultura visual e da liberdade com que estas formas cruzam os limites tradicionais pode ser apreciado na utilização das belas artes nos anúncios publicitários.. Para Walker e Champlin (2002 apud Hernandez. 2007. 2007. a esfera virtual. o cinema e o vídeo. desde os anos 1960. a visão desperta a subjetividade.. 2007).11 representação. Nessa mesma linha de raciocínio. p. Contudo. tanto em termos dos objetos de investigação como de seus processos metodológicos. 51) diz que: [. Assim. nestas instituições seja possível aprender práticas vinculadas a um novo alfabetismo visual (p. a cultura visual nos apresenta uma proposta em que obras de arte e imagens ganham uma dimensão cultural. estudos culturais e feministas). lingüística e crítica literária. na imagem gerada por computador nos filmes e nas exposições de vídeos nos museus.] A cultura visual está em expansão da mesma maneira que o campo das artes visuais. Freedman (2000 apud Hernandez. ao mesmo tempo em que é nossa forma de olhar o mundo. estudos dos meios. De acordo com Rogoff (1998 apud Hernandez. p. a televisão. 29). alguns dos problemas mais espinhosos deste momento cultural. de acordo com este autor. a fotografia de moda. a cultura visual reflete mudanças sofridas. . da imagem na vida e na cultura tão diversificada da contemporaneidade. Opõe-se ao elitismo das Belas Artes como uma linha divisória das práticas com imagens no contexto escolar. nossa finalidade educativa dever ser a de facilitar experiências reflexivas críticas. Para ele. a fim de entender o papel da arte. a partir de outro ângulo. e destaca três objetivos que podem proporcionar os fundamentos de um enfoque social no trabalho com a cultura visual: o desenvolvimento de idéias.

mas sim construtores na medida em que a aproximação não é passiva nem dependente. a forma é essencial para a cultura visual. Freire (1983) já sustentava que a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Nessa perspectiva. o autor fala que para a educação das artes incorporar contribuições nos estudos da cultura visual. Portanto. 44). a desconstrução. pois a cada dia se incorporam novos aspectos relacionados tanto às representações quanto aos artefatos visuais. estruturalista. exclusiva. nos aproximamos da cultura visual. a análise crítica do discurso). a imediatez. de como as emoções do leitor afetam e são afetadas pela leitura das imagens. p. Hernandez (2000) adiciona a expressão compreensão crítica à abordagem da cultura visual. a sedução da forma é o que faz com que a cultura visual seja tão poderosa. não há receptores nem leitores. intertextual. 2009). interesse da comunidade de pesquisadores em educação das artes visuais sobre temas que versam sobre as relações entre cultura visual e a educação (HERNANDEZ. digo experiência. . mas sim interativa e adaptado com as experiências que cada sujeito vive diariamente. Segundo Hernandez (2007). discursivo). 44). 2007. Para ele a cultura visual é importante não só como estudo. (HERNANDEZ. p. experiências de vida diária. A educação das artes visuais pode incorporar as contribuições dos estudos da cultura visual no sentido da revisão de seus fundamentos. pois o que se vêem é sempre a imagem traduzida pelos termos da própria (existência). mas também em termos de negócios. E propõe uma leitura que alcança as emoções do leitor. No sentido de semiose cultural. 2007. e nesse caso. de forma que todos possam se beneficiar do seu estudo. este campo de estudo apresenta-se móvel. Para o autor o significado de “crítica” é avaliação e juízo que resultam de diferentes modelos de análise (semiótico. Em uma perspectiva narrativa. é preciso que haja uma série de propostas e ele cita algumas: “propostas metodológicas (a intertextualidade.12 Ainda de acordo com este autor. da relação com a forma. para ele é mais conveniente utilizar os termos representações e artefatos visuais em vez de imagens. Essa abordagem a partir da experiência do leitor é proposta também por Manguel (2001 apud Cava. o autor afirma que nenhuma narrativa suscita por uma imagem é definitiva. ou seja. o sentimento e o conhecimento com a aprendizagem. E por isso. de suas finalidades e das práticas pedagógicas de modo que possa responder às mudanças nas representações visuais e nas experiências de subjetivização das sociedades no cotidiano. toda leitura é influenciada pela experiência de vida do leitor.

sob o ângulo da visão uma vez que cada uma dessas modalidades artísticas revelam-se diferentemente no âmbito visual. p. 2001. isto é. a computação. até os últimos avanços tecnológicos. “[. Contudo. a publicidade. são feito segundo mobilizações de experiências visuais já decodificadas.. a superfície é um elemento plástico que se articula como plano.. 77). a eletrografia. encontram-se nuances visuais das inter-relações existentes entre os dois espaços: o da massa espacial e o definido pela área externa e ambiência” (FUSARI e FERRAZ. a televisão. ou seja. p. todas se compõem de expressões e representações da vida. enfim. pintura. O conceito que temos de espaço está relacionado à nossa ambiência visual.. “[.. p. escultura. mas.. expressar e comunicar das crianças. gravura.] estamos considerando também outras modalidades de arte como a fotografia. o professor deve levar em consideração o contato que os alunos têm com o universo de visualidade do mundo contemporâneo. consequentemente.. cria e inventa formas que entendem-se melhor as manifestações artísticas visuais e. a dança. Fusari e Ferraz (2001.. o texto. quando a organização espacial resulta na integração simultânea entre duas dimensões (altura e largura) está diante da superfície. do pensar. Desde os primeiros registros visuais do homem pré-histórico. o vídeo. pessoas. deve pensar em aulas que possibilite nos modos de observar. do construir em artes visuais deve-se estudar os elementos de visualidade e algumas das modalidades compositivas que estão presentes na maioria das formas. 82) Pensar nessa intermediação de fazer do cotidiano. “[.] não existe nenhuma dimensão de visualidade que não tenha suas raízes no mundo cultural. pinturas. Ainda de acordo com as autoras o homem faz. as artes gráficas. 83). Ainda de acordo com estas autoras (2001. p. quando observamos objetos. 2001. diz que: “[. os quadrinhos. o cinema. área ou .] Logo. pelas suas características de visualidade”. a expressão visual vem se ampliando no domínio das linguagens artísticas e através do próprio imaginário cultural” (FUSARI E FERRAZ.. a holografia.13 Arte visual A arte visual é tradicionalmente estudada pelos desenhos.] neste processo. 84). Para tanto. poderemos compreendê-las nas suas inserções culturais.

1996. 66) “o homem. que exigem do espectador uma postura muito mais participativa.14 pelas linhas de seus limites. revela e interpreta componentes desta sociedade. nas quais se possa lidar diretamente com a linguagem visual para saber expressar. Estudar. o homem toma consciência de seu universo. p. textura. ritmos. o artista. luz e sombras próprias. comunicar-se. pois: . p. ou seja. cuja organização pode criar efeitos de maior ou menor movimento. levando-o a descobrir novas maneiras de ver tudo o que o circunda”. é através dela que o indivíduo interpreta. tensões. entre outros. Outro aspecto a ser considerado é a possibilidade das áreas delimitadas possuírem cor. 2009. apud CAVA. É necessário vivenciar atividades práticas. na natureza. estes autores entendem a arte como produto de embate entre o homem e o mundo. através do processo perceptível que é à base do professor de conhecimento e recriação do mundo. 67) entendem que a arte acontece em formas particulares de manifestações de atividade criativa dos seres humanos ao interagirem com o mundo em que vivem “estas manifestações possibilitam que o homem transcenda as limitações das ocorrências do dia a dia. no cotidiano. O ensino das artes visuais Pensando o Currículo De acordo com Cava (2009. suas limitações. onde se apresentam em várias situações indicadas por movimentos (reais ou aparentes) direções. Dessa maneira verifica-se que é possível perceber a presença de elementos visuais na arte. certamente constitui uma atitude muito mais “tranqüila” do que se aventurar a olhar para as produções mais recentes. em sala de aula. Vigotsky (2003 apud CAVA. as obras dos grandes mestres da história da arte previamente admirados pelos alunos ou passíveis de serem admirados por eles. repouso”. procura um mundo repleto de significação”. dar sentido a algo. Assim. 67) afirma que “o artista é um indivíduo insatisfeito com o mundo à sua volta e pela sensação de impotência em intervir na realidade acaba por transformar suas angústias em arte”. comunicar. Deste modo. Conforme Cava (2009). através de sua obra. enfim. desde o período mais tenro de sua vida. procura superar sua individualidade. busca formas de expressão. pensar visualmente. extrapolando muito os limites do deleite com o belo. tensão. Ao compartilhar com essa mesma perspectiva Ferraz e Fusari e Argan (1993. contrastes. a fim de compreender o contexto que o circunda e relacionarse com ele. 2009. p. descobre e recria sua realidade.

25). e isso será possível a partir do momento que freqüentarem exposições e acompanharem as publicações sobre o assunto. A diversidade. “O currículo precisa ser concebido como um projeto em permanente transformação. p. cabe ao professor o papel de . o currículo deve estar sempre em transformação uma vez que os professores e as escolas estão sempre sendo orientados e “atualizados” conforme os avanços teóricos. Ainda de acordo com Iavelberg (2003) “os currículos passam a priorizar a questão da diversidade nas estratégias individuais que os alunos constroem para aprender e para contemplar conteúdos no âmbito da tipologia dos conteúdos” (p. são interrelacionados. 26) “os conteúdos são capacidades e respondem ao que se quer ensinar. em um segundo momento. a arte contemporânea não deve ser descuidada e cabe ao professor de arte familiarizar-se com a história da arte e com a arte contemporânea. Portanto. saberes de diferentes naturezas são organizados para estruturar as experiências de aprendizagem dos estudantes. Portanto. a arte contemporânea permanecerá acessível a apenas um número restrito de pessoas. e as orientações didáticas passam a considerar os métodos de aprendizagem desses saberes pelos estudantes. 37) “a divisão por ciclos torna mais elástico aquilo que se espera de cada série. Pois. a formação de currículos e programas deixa de ser responsabilidade apenas dos supervisores. não será um fator de limitação”. p. na qual a visão de educação e o papel da escola são constantemente reorientados. Segundo Iavelberg (2003. um grupo privilegiado que se sobrepõe a grande massa de espectadores impossibilitada de compreender essa tendência artística (BARBOSA. p. o aluno pode assimilar conteúdos que correspondem a esse objetivo. Isto é. mas podemos analisá-los separadamente para melhor compreender sua natureza”. resultante de ritmos pessoais. 184). segundo os avanços teóricos e práticos dos temas e das questões a ele conectados” (IAVELBERG. como (parcerias permo) parceristas permanentes e reformuladores do documento local. p. Ao fazer arte. coordenadores e técnicos da secretaria. pois cabe ao educador a tarefa de auxiliar o aluno a produzir uma leitura crítica das obras com as quais irá interagir.15 Se continuar a ser negligenciada pela escola. ao apreciar e ao refletir sobre a arte. podem-se relacionar conteúdos de vários tipos a diferentes ações de aprendizagem dos estudantes. para este autor (2003. 2003. históricos escolares e culturas de origem. Na década de 1990. Os professores devem participar do processo direta ou indiretamente e. Vale ressaltar que a cada objetivo. 35). 1992. Portanto.

Ao acompanhar o desenvolvimento expressivo da criança. por isso é preciso saber por que e como ela o faz. vir. percebe-se que ele resulta das elaborações de sensações. enfim perceber as coisas. tocar. a natureza e os objetos a sua volta. perceber. representar fazem parte do universo infantil e acompanham o ser humano por toda vida”. Por isso. Assim a expressão infantil é. 1988. traduzida em signos e símbolos. como plástico ou corporal e sempre está motivada pelo desejo da descoberta e por suas fantasias. Assim. Para a criança. 55). p. Conforme Ferraz e Fusari (1993. desde bem pequenas as crianças vão desenvolvendo uma linguagem própria. fantasiar. essa linguagem ou comunicação que ela exercita com parceiros visíveis ou invisíveis. a mobilização para o exterior de manifestações interiorizadas que formam um repertório constituído de elementos cognitivos e afetivos. A expressividade infantil Do ponto de vista de Ferraz e Fusari (1993). Esta acumulação de impressões sobre o que a rodeia e que vai constituir-se com base sobre a qual se organizam suas habilidades perceptivas e expressivas (PILLAR. Nessa mesma linha de raciocínio Pillar diz que: Em seu trabalho. Sentir.16 promotor da aprendizagem. quando ela desenha. Através desse trabalho podem-se enriquecer suas experiências de conhecimento artístico e estético. imaginar. Portanto: A criança se exprime naturalmente tanto do ponto de vista verbal. através do planejamento de suas ações e da articulação entre a construção do projeto educativo-institucional e a do projeto curricular. p. e isto se dá quando: “elas são orientadas para observar. . 56) um dos compromissos do professor é. adequar o seu trabalho para o desenvolvimento das expressões e percepções infantis.16). dança e canta o faz com vivacidade e muita emoção (p. sentimentos e percepções vivenciadas intensamente. perceptivo e intelectual e resulta do exercício do conhecimento da realidade. a criança constrói noções a partir das vinculações que estabelece com o que foi percebido nas suas experiências sensoriais e motrizes. ouvir. acontece junto com seu desenvolvimento afetivo. compreender o processo de conhecimento da arte pela criança significa mergulhar em seu mundo expressivo.

. com suas formas e significados”. investigando os objetos e fenômenos tanto com a visão como também com os demais sentidos. pois. idéias e conceitos. Elas aprendem a nomear esses fenômenos. dos pais.” Com isto. 59) dizem que: O ideal é que se trabalhe a observação e a analise utilizando os aspectos físicos.] e assim sucessivamente. nem sempre o que se vê tem correspondência exata com o real. a imaginação se constitui de novas imagens. ou seja. 1993) trazem grandes contribuições para o aprofundamento dessas idéias. durante as criações as crianças vão aprendendo a perceber os fenômenos a sua volta. Vygotsky (1987) fala: “na precocidade da “percepção de objetos reais”. ao falar da imaginação. intuitivos e o contato mais profundo com as formas e uma observação que procura envolver todos os ângulos visuais possíveis. mais estranhas. com isso destacam alguns pontos: O primeiro aspecto é entender que a atividade imaginativa é uma atividade criadora por excelência. Vygotsky (1990. Em ambos os casos. onde muito das vezes são as imagens mais brilhantes.17 No que se referem aos aspectos perceptivos da criança. Morozova (1982) fala que: “a percepção cognitiva tem uma grande importância. p. é visto a importância de trabalhar com as crianças a observação e a análise usando-se o aspecto físico. sua atenção é dirigida às características não-essenciais e sim as mais destacadas das imagens. principalmente para ampliar as suas leituras do mundo. as obras de Vygotsky (1987) e Morozova (1982) (apud Ferraz e Fusari. pois através desta observação as crianças conseguem desenvolver suas percepções pessoais. chama a atenção para a sua infinita possibilidade de poder “criar novos graus de combinações.. p.. Assim.] combinando depois imagens de fantasia [. sozinha. mais coloridas. que faz conhecer as principais qualidades das coisas e a discriminá-las.17). seus aspectos formais ou qualidades estéticas. Mas. o som e a cena. o processo imaginativo adquire autonomia e diversos graus de complexidade e . Compete ao professor ajudar a criança a perceber também outras qualidades formais e a ver o conjunto dos elementos que compõem o objeto. tanto para a criação como para qualquer atividade infantil”. Por isso Ferraz e Fusari (1993.. a imagem. mesclando primeiramente elementos reais [. ela nem sempre consegue atingir as diferenciações. No campo da visualidade o essencial é o desenvolvimento da visão. Para as autoras. é importante explicar o processo imaginativo das crianças. muitas vezes. do professor. para que isso ocorra. Mas. bem como a conhecer suas principais funções. é necessária a colaboração do outro. sua utilidade.

9). O terceiro ponto é considerar o resultado do processo imaginativo. as crianças têm necessidade de desenhar e desde o final do século XIX. é o período sensório motor. animais). do símbolo. os motivos que as levam mudarem seus rabiscos. Os nomes dados as etapas do desenvolvimento gráfico infantil será baseado em Piaget (1975). o desenho é totalmente involuntário. muitos teóricos se dedicaram a entender essas marcas fascinantes feitas por elas. o gesto o movimento do braço). p. Na fase seguinte.18 quanto maior a variedade de experiências. para as crianças pequenas. da representação. que se estende até os dezoitos meses aproximadamente. a criança ainda não opera mentalmente sobre os objetos. é visto que evolução do desenho compartilha o processo . essa é a fase dos porquês. segundo Piaget (1975). onde a criança adora encher folhas com desenhos (muita gente. entendemos ser relevante para a práxis do educador conhecer as etapas do desenvolvimento gráfico infantil”. O segundo aspecto é reconhecer que a produção imaginativa tem relação com a realidade. e é também constituída de novas elaborações. período pré-operacional. maior a possibilidade para a atividade criadora e imaginativa. o que só conseguirá fazer a partir de aproximadamente sete anos e de acordo com este autor. ao mesmo tempo em que desenvolvem suas potencialidades estéticas. isto é. nesse período. Experienciando ludicamente a observação e o contato com as formas de diversos materiais artísticos as crianças se expressam. predomina-se a ação nas reações com o objeto. “Como o grafismo infantil é uma das formas de expressividade da criança. porém proporciona prazer (som do giz deslizando no papel. Inicialmente. A forma de uma criança conhecer o objeto passa por significativas transformações em sua evolução no processo de adaptação ao meio a que se dá por seguidos movimentos de equilibração. De maneira geral. o que a torna singular. Nesta fase surge o caráter semiótico. os movimentos são desordenados. O desenho Infantil Segundo Cava (2009. o fazer e a apreciação em cada uma das linguagens artísticas devem estar ligados às atividades lúdicas. entre as quais as afetivas e as sociais. carros. Portanto.

. Para tanto. ao liberar conteúdos de sua memória. Piaget (1975) focaliza o sujeito do ponto de vista epistêmico e Vygotsky (1991) contempla o ponto de vista social. Nessa mesma linha de raciocínio Vygotsky (1991). acompanhar e estimular o desenvolvimento gráfico de seus alunos. passando por etapas que caracterizam a maneira da criança se situar no mundo. Coll (2000 apud CAVA. afirmando que a linguagem verbal é a base da linguagem gráfica constituída pelo desenho.. a observação do real se depara com a imaginação e o desejo de significar. que o desenhar envolve diferentes operações mentais.] está aprimorando esse sistema de representação gráfica”. Embora focalize diferentes aspectos do desenho. esses códigos visuais são importantes para as pessoas se conduzirem para diversos locais com independência. .] permitiu que se coletassem dados sobre a natureza e função do desenho durante o processo de apropriação dessa linguagem”. sempre incentivando para posteriormente a própria criança contar a história do seu desenho. Portanto.51) afirma que “[. “[. e a autora ressalta ainda. relacionar estímulos e representar podem favorecer a formação de conceitos. Para esta autora. salienta o poder da interpretação da imagem visual. simultaneamente. pois “[. o desenho espontâneo propicia conhecer o universo simbólico da criança e é importante.. Também pesquisando o papel do desenho na construção de conhecimento. comenta a experiência de “certo grau de abstração” na atitude da criança que desenha.19 de desenvolvimento. Ao comparar diferentes procedimentos de desenhar. E. selecionar. a saber. a autora ressalta a importância do desenho espontâneo para a compreensão das idéias das crianças pesquisadas. pois. eles aproximam-se em relação à importância do desenho no processo de desenvolvimento da criança e a característica de que a criança desenha o que a interessa. a criança experimenta de modo criativo a sua expressão sem a intervenção do adulto e cabe ao professor observar. representando o que sabe de um objeto. 2009). isto é.] ao desenhar. Contudo. reconhece o papel da fala nesse processo. Pillar (1996.. as concepções dos dois autores.. a criança está inter-relacionando seu conhecimento objetivo e seu conhecimento imaginativo”. o desenho é estímulo para exploração do universo imaginário. O desenho propicia oportunidade de que o mundo interior se confronte com o exterior. p..

pelo caráter que a envolve.. das fantasias e de sentimentos.] do desenho-certeza se passe a certeza de não saber desenhar”. a observação atenta que. Para tanto. a seriedade da coisa feita com cuidado.. As atividades lúdicas são também indispensáveis à criança para apreensão dos conhecimentos artísticos e estéticos uma vez que possibilitam o exercício e o desenvolvimento da percepção. O brincar nas aulas de arte pode ser uma maneira prazerosa e até ajuda as crianças a compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural e estético. da imaginação. com muita importância.. possibilita a ampliação da compreensão e da valorização do desenho espontâneo infantil e deixa claro a importância da atividade de desenhar para a elaboração conceitual dos objetos e eventos pelas crianças. forma de compreensão do desenho da criança. onde “o fazer” se identifica . “[. 173174) destaca seu caráter de linguagem universal. o espaço se torna mediador entre a experiência e a expressão.] as formas de espaço constituem tanto o meio como o modo de nossa compreensão.20 Moreira (1984. acentua a necessidade do respeito ao desenho infantil não apenas pelo espaço de liberdade de expressão que constitui. envolve até mesmo a posição espacial que permite a adequada visibilidade. como também pela sua condição de linguagem.. O jogo e a Brincadeira nas aulas de Arte Conforme Ferraz e Fusari (1993)... Ostrower (1995.. evitando interpretações precipitadas. assim. pois: “[. Ela ressalta a importância da escola. Assim. motivo pelo qual a autora comenta que qualquer que seja a língua. [.” E essa linguagem que se constitui o “referencial ulterior” da linguagem verbal. evitar que “[. p. A autora refere-se ao caráter de metalinguagem que é a linguagem de formas de espaço. em particular a pré-escola.] fornecendo as imagens para nossa imaginação. 51) quando analisa as implicações relativas à escolarização. pois é sustentada por vivências comuns a todos os seres humanos. Propõe-se. do outro. do brinquedo e da brincadeira para a criança. De um lado há a amenidade do divertir-se.] é preciso recorrer a imagens do espaço a fim de tomar conhecimento de algo e comunicá-lo a outros”. p. tem sido mais do que discutida a relevância e o significado do jogo. sobre a representação espacial presente no desenho.. Outro ponto é que a prática artística é vivenciada pelas crianças pequenas como uma “atividade lúdica.

uma grande fonte de desenvolvimento. assim. p. pois: A ação de brincar é muito importante na infância porque “cria uma zona de desenvolvimento proximal da criança”. Ainda de acordo Ferraz e Fusari (1993. No brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade (VYGOTSKY. “quanto mais intensa e variável for a brincadeira e o jogo. [. dependendo das motivações e tendências internas. brincar na infância é o meio pelo qual a criança organiza suas experiências. e não dos incentivos fornecidos pelos objetos externos. ao invés de numa esfera visual externa. a fantasia e a . mostrando-se mais e em maior grandeza. sendo ele mesmo. o imaginar com a experiência da linguagem ou da representação” (FERRAZ e FUSARI. Vygotsky (1989. p.. Para o autor todo tipo de brincadeira está embutido de regras. chama-se a atenção dos professores que forem lidar com a arte junto às crianças. descobre e recria os seus sentimentos e pensamentos a respeito do mundo. mesmo sendo livre e não estruturada. Portanto a brincadeira.21 com “o brincar”. Vygotsky (1991) afirma que o desenvolvimento da criança ocorre ao longo da vida e segundo este autor a criança usa as interações sociais como formas de acesso a informações e por isso aprendem que a brincadeira. 1993. 1989. Assim. p. Contudo. das coisas e das pessoas com as quais convive. É uma atividade humana criadora. quer elas pareçam agradáveis ou não. pois precisam conhecer um pouco mais sobre a função e o desenvolvimento dos jogos e brincadeiras na vida infantil e principalmente. 117). Quando brinca. a criança modifica os hábitos e comportamentos usuais. p. mais elementos oferecem para o desenvolvimento mental e emocional infantil”. a criança aprende a regular seu comportamento pelas reações. Por isso. na qual a imaginação.] é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. saber interligá-los nas aulas escolares. com contexto cultural e social. o jogo são atividades específicas da infância. 109) afirma que: É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. o brinquedo contém todas as tendências do desenvolvimento de forma condensada. Essa é uma atividade social. 84). em que a criança recria a realidade usando sistemas simbólicos. Para este autor o brincar é essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança. 85). pois os processos de simbolização e de representação a levam ao pensamento abstrato. possui regras..

nas diferentes esferas humanas. pois a criança necessita desenvolver. A atividade lúdica exerce grande influência na formação dos processos psíquicos voluntários. inclusive na tentativa de se fazer sujeito mediante as circunstâncias atuais. poderem reformular sem punição seu planejamento e suas novas ações. crianças e adultos. atua. para que o brincar seja mais eficaz na sua função de desenvolvimento subjetivo e objetivo da criança. ao verificarem seus erros e acertos. os papéis sociais e as interações dos adultos. A arte e o jogo são concebidos. e esse conhecimento serve de modelo de referencial para a sua própria conduta. conhecimentos. quando brinca. formularem estratégias e. por intermédio dessas atividades. assim como de novas formas de construir reações sociais com outros sujeitos. ao praticá-la. promovendo as qualidades indispensáveis para o estabelecimento das interações atuais e futuras com seus semelhantes. reelaborando sentimentos. significados e atitudes. ao brincar. não podemos perder de vista sua característica primordial e fundamental que é a de dar o lugar da criança de sujeito. A atividade lúdica é uma forma de expressão e apropriação do mundo das relações. a modernidade tem interferido nesta função criativa do brincar uma vez que as crianças têm optado por jogos tecnológicos e mecanizados. a criança passa a conhecer as condutas. Mas.22 realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação. . exercício de funções e papéis para os quais a criança ainda não está apta. p. demonstra e assume comportamento mais desenvolvido do que aquele que tem na vida real. E que a criatividade aflore. A brincadeira exerce. das atividades e dos papéis dos adultos. uma grande influência no desenvolvimento da personalidade. permitir que ela possa criar e recriar situações e normas exercendo sua individualidade e se desenvolvendo com isso. de expressão e de ação pelas crianças. tornando-as mais sensíveis. porém. de acordo com o autor. As atividades lúdicas oportunizam situações de atuação coletiva. mesmo que simbolicamente. ou seja. O jogo é uma maneira de as crianças interagirem entre si. pois. a concentração e a atenção. vivenciarem situações. Segundo Vygotsky (1991. As situações de brincadeira exigem uma maior concentração. A criança. possibilitam imitações de comportamentos mais avançados com as semelhanças. 97). manifestarem indagações. imaginativas e mais atentas a tudo que as cerca. comunicativas. a criança. como recursos pedagógicos que colaboram no desenvolvimento das capacidades humanas das crianças. o conhecimento e o contato com objetos reais e com aqueles criados para atender aos seus desejos de experimentação.

fundamentais nesse estágio de desenvolvimento infantil. Quanto mais a criança amplia os conhecimentos da realidade. evolui para o predomínio da regra sobre a imaginação. entre outras. das relações interpessoais. pois requer da criança um determinado nível de desenvolvimento de comunicação verbal. o aperfeiçoamento e o desenvolvimento coerente da linguagem. Os argumentos vivenciados e os conteúdos dessa atividade são retirados das diversas atividades humanas. caracteriza-se pelo predomínio da imaginação sobre a regra. Isto implica definir também os procedimentos e técnicas pedagógicas a serem utilizados nas atividades de ver apreciativamente e expressar prazerosa e ludicamente as formas visivas. por esse motivo é de suma importância que professores do ensino infantil dêem maior ênfase nas Artes Visuais e preocupem de verdade com o aprendizado das . Transforma-se num espaço fértil para a aprendizagem e desenvolvimento de outras capacidades. transformando-se em jogo de regras.23 As atividades lúdicas retratam a variada realidade que cerca as crianças. Linguagens visuais nas Aulas de Arte com Crianças Se pretender trabalhar as linguagens visuais na escolarização artística infantil. A brincadeira. As necessidades de comunicação e de se fazer compreender impulsionam o exercício. Nas situações lúdicas. no final do período pré-escolar. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebe-se um distanciamento entre o desejo do professor de ensinar Arte e o interesse do aluno em aprender. mais ricos e variados são os argumentos e os conteúdos usados nas brincadeiras. A brincadeira também contribui de maneira significativa para o desenvolvimento da linguagem. do trabalho. é preciso caracterizar quais conceitos são essenciais para integrá-los aos já conhecidos pelas crianças. atividade principal no período pré-escolar. do lazer. dos objetos e dos fatos relevantes da época em que vivem. as crianças são instigadas a expressar suas vontades e suas intenções de forma compreensível.

uma vez que possibilitam o exercício e o desenvolvimento da percepção. Contudo. pois o brincar nas aulas de arte pode ser uma maneira prazerosa de a criança experimentar novas situações e ajudá-la a compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural. das fantasias e de sentimentos. this article is a systematic study of bibliographical nature. ajuda a trabalhar a coordenação motora. linguagens e elementos diversos. Abstract: The aim of this article was to make the children educators to rethink the conceptions and methodologies concerning the teaching of art. E as brincadeiras na infância é o meio pelo qual a criança organiza suas experiências. ritmos. como tem ocorrido por muito tempo. em hipótese alguma os trabalhos infantis devem ser comparados com os de nenhuma outra criança.24 crianças. conclui-se que o papel dos educadores é de valorizar cada vez mais o ensino de Arte e mostrar o quanto as Artes Visuais é importante para a criança. Portanto. da imaginação. supported by authors who historically has contributed to arts education in the country. emphasizing the creation and expression of the child. since the way a child plays or draws reflects in their way of thinking and feeling. A arte visual contribui na construção do conhecimento sensível da criança. Para que os educadores não cometam mais erros tradicionalistas. about his practice and techniques. principalmente nas fases iniciais. Portanto. Ela pode ser considerada uma expressão do universo cognitivo e afetivo de cada um. descobre e recria seus sentimentos e pensamentos a respeito do mundo. Sabe-se que muita coisa mudou em relação à Arte Visual. especially the visual arts. pois cada uma aprende no seu limite e no seu tempo. cuidando da condição de liberdade de expressão e sustentação da manifestação. Vale ressaltar ainda que as atividades lúdicas são indispensáveis à criança para apreensão dos conhecimentos artísticos e estéticos. Child. e ajuda a ampliar suas leituras de mundo. pois cada pessoa vê uma mesma coisa de maneira diferente e reconstrói usando formas. A arte pode ser uma reelaboração da realidade. pois há muitos professores que interpretam e ensinam a Arte como cópia/mera reprodução impedindo assim a criança de pensar e desenvolver a sua habilidade diante do desenho. . Education. Learning. mas ainda precisa melhorar. pois revelam o que sentem e pensam. a atuação do educador é fundamental no apoio ao processo. Keywords: Visual Arts. The aim is thus to reaffirm the importance of art and visual arts in the classroom as a significant practice in educational development of children. Drawing.

Laura Célia Sant’Ana Cabral. 2003. A. MOREIRA. Fernando. 1993. 1995. FUSARI. Maria F. FUSARI. _______Arte educação no Brasil. São Paulo: Perspectiva. 2 ed. Teoria e prática da educação artística. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva artigo a artigo. São Paulo: Pearson Prentice Hall. São Paulo: Loyola. Metodologia do ensino de arte. São Paulo. IAVELBERG. Maria Heloísa C. CAVA. A construção do olhar. 2007. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Ensino das artes: pedagogia. (Org. Fernando. HERNANDEZ. Porto Alegre: Artmed. F. 178. 1986. Porto Alegre: Artmed. FREIRE. A. Cultrix. FERRAZ. HERNANDEZ. Paulo. 1975. Arte na Educação Escolar. São Paulo: companhia das Letras. de Toledo. In NOVAES.) O olhar. Maria F. 14 ed. Catadores da Cultura visual: proposta para uma nova narrativa educacional. Ação cultural para a liberdade. 2007. A. Cultura Visual. São Paulo: Cortez. Pedagogia do oprimido. mudança educativa e projeto de trabalho. A. 2000. 3 ed. 2009. Moaci Alves. FREIRE. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de professores. 1984. OSTROWER. 2001. São Paulo: Cortez. O espaço do desenho: a educação do educador. . 1983. de Rezende. FERRAZ. de Rezende. Ana Mãe. Rio de Janeiro: Vozes. CARNEIRO.25 REFERÊNCIAS BARBOSA. Maria Heloísa Corrêa de Toledo. Rosa. Paulo. Porto Alegre: Editora Mediação. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

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. mas que com certeza está muito feliz por mais essa conquista em minha vida) e aos meus filhos Paulo Henrique e Kárita Thais.27 Dedico este trabalho aos meus amados pais Sebastião e Isabel (mãe que já partiu para o mundo espiritual.

28 AGRADECIMENTO Muito obrigada a Deus por mais esta conquista em minha vida. apoio e carinho que tiveram. Aos professores que dividiram seus conhecimentos e experiências durante o curso e em especial a minha orientadora Milna Martins Arantes. a qual teve muita paciência e atenção e que em momento algum mediu esforços para ajudar-me. Aos meus filhos pela compreensão. As colegas de sala que sempre me ajudaram quando precisei. .

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