O que é Ludicidade?

O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo". Se se achasse confinado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. A evolução semântica da palavra "lúdico", entretanto, não parou apenas nas suas origens e acompanhou as pesquisas de Psicomotricidade. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo. Passando a necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente. O lúdico faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana. Caracterizando-se por ser espontâneo funcional e satisfatório. Sendo funcional: ele não deve ser confundido com o mero repetitivo, com a monotonia do comportamento cíclico, aparentemente sem alvo ou objetivo. Nem desperdiça movimento: ele visa produzir o máximo, com o mínimo de dispêndio de energia. Segundo Luckesi são aquelas atividades que propiciam uma experiência de plenitude, em que nos envolvemos por inteiro, estando flexíveis e saudáveis. Para Santin, são ações vividas e sentidas, não definíveis por palavras, mas compreendidas pela fruição, povoadas pela fantasia, pela imaginação e pelos sonhos que se articulam como teias urdidas com materiais simbólicos. Assim elas não são encontradas nos prazeres estereotipados, no que é dado pronto, pois, estes não possuem a marca da singularidade do sujeito que as vivencia. Na atividade lúdica, o que importa não é apenas o produto da atividade, o que dela resulta, mas a própria ação, o momento vivido. Possibilita a quem a vivencia, momentos de encontro consigo e com o outro, momentos de fantasia e de realidade, de ressignificação e percepção, momentos de autoconhecimento e conhecimento do outro, de cuidar de si e olhar para o outro, momentos de vida. Uma aula com características lúdicas não precisa ter jogos ou brinquedos. O que traz ludicidade para a sala de aula é muito mais uma "atitude" lúdica do educador e dos educandos. Assumir essa postura implica sensibilidade, envolvimento, uma mudança interna, e não apenas externa, implica não somente uma mudança cognitiva, mas, principalmente, uma mudança afetiva. A ludicidade exige uma predisposição interna, o que não se adquire apenas com a aquisição de conceitos, de conhecimentos, embora estes sejam muito importantes. Uma fundamentação teórica consistente dá o suporte necessário ao professor para o entendimento dos porquês de seu trabalho. Trata-se de ir um pouco mais longe ou, talvez melhor dizendo, um pouco mais fundo. Trata-se de formar novas atitudes, daí a necessidade de que os professores estejam envolvidos com o processo de formação de seus educandos. Isso não é tão fácil, pois, implica romper com um modelo, com um padrão já instituído, já internalizado. A escola tradicional, centrada na transmissão de conteúdos, não comporta um modelo lúdico. Por isso é tão freqüente ouvirmos falas que apóiam e enaltecem a importância do lúdico estar presente na sala de aula, e queixas dos futuros educadores, como também daqueles que já se encontram exercendo o magistério, de que se fala da importância da ludicidade, se discutem conceitos de ludicidade, mas não se vivenciam atividades lúdicas. Fala-se, mas não se faz. De fato não é tão simples uma transformação mais radical pelas próprias experiências que o professor tem ao longo de sua formação acadêmica. Como bem observa Tânia Fortuna, em uma sala de aula ludicamente inspirada, convivese com a aleatoriedade, com o imponderável; o professor renuncia à centralização, à

onisciência e ao controle onipotente e reconhece a importância de que o aluno tenha uma postura ativa nas situações de ensino, sendo sujeito de sua aprendizagem; a espontaneidade e a criatividade são constantemente estimuladas. Podemos observar que essas atitudes, de um modo geral, não são, de fato, estimuladas na escola. Para Jucimara: "as atividades lúdicas permitem que o indivíduo vivencie sua inteireza e sua autonomia em um tempo-espaço próprio, particular. Esse momento de inteireza e encontro consigo gera possibilidades de autoconhecimento e de maior consciência de si". São lúdicas as atividades que propiciem a vivência plena do aqui-agora, integrando a ação, o pensamento e o sentimento. Tais atividades podem ser uma brincadeira, um jogo ou qualquer outra atividade que possibilite instaurar um estado de inteireza: uma dinâmica de integração grupal ou de sensibilização, um trabalho de recorte e colagem, uma das muitas expressões dos jogos dramáticos, exercícios de relaxamento e respiração, uma ciranda, movimentos expressivos, atividades rítmicas, entre outras tantas possibilidades. Mais importante, porém, do que o tipo de atividade é a forma como é orientada e como é experienciada, e o porquê de estar sendo realizada. Enquanto educadores damos ênfase às metodologias que se alicerçam no "brincar", no facilitar as coisas do aprender através do jogo, da brincadeira, da fantasia, do encantamento. A arte-magia do ensinar-aprender (Rojas, 1998), permite que o outro construa por meio da alegria e do prazer de querer fazer. O jogo e a brincadeira estão presentes em todos as fases da vida dos seres humanos, tornando especial a sua existência. De alguma forma o lúdico se faz presente e acrescenta um ingrediente indispensável no relacionamento entre as pessoas, possibilitando que a criatividade aflore. Por meio da brincadeira a criança envolve-se no jogo e sente a necessidade de partilhar com o outro. Ainda que em postura de adversário, a parceria é um estabelecimento de relação. Esta relação expõe as potencialidades dos participantes, afeta as emoções e põe à prova as aptidões testando limites. Brincando e jogando a criança terá oportunidade de desenvolver capacidades indispensáveis a sua futura atuação profissional, tais como atenção, afetividade, o hábito de permanecer concentrado e outras habilidades perceptuais psicomotoras. Brincando a criança torna-se operativa. Observamos que quando existe representação de uma determinada situação (especialmente se houver verbalizado) a imaginação é desafiada pela busca de solução para problemas criados pela vivência dos papéis assumidos. As situações imaginárias estimulam a inteligência e desenvolvem a criatividade. O ato de criar permite uma Pedagogia do Afeto na escola. Permite um ato de amor, de afetividade cujo território é o dos sentimentos, das paixões, das emoções, por onde transitam medos, sofrimentos, interesses e alegrias. Uma relação educativa que pressupõem o conhecimento de sentimentos próprios e alheios que requerem do educador a disponibilidade corporal e o envolvimento afetivo, como também, cognitivo de todo o processo de criatividade que envolve o sujeito-ser-criança. A afetividade é estimulada por meio da vivência, a qual o educador estabelece um vínculo de afeto com o educando. A criança necessita de estabilidade emocional para se envolver com a aprendizagem. O afeto pode ser uma maneira eficaz de se chegar perto do sujeito e a ludicidade, em parceria, um caminho estimulador e enriquecedor para se atingir uma totalidade no processo do aprender. Percebemos em Machado (1966) o ressaltar do jogo como não sendo qualquer tipo de interação, mas sim, uma atividade que tem como traço fundamental os papéis sociais e as ações destes derivadas em estreita ligação funcional com as motivações e o aspecto propriamente técnico-operativo da atividade. Dessa forma destaca o papel fundamental

sociedade. a percepção e aprendizagem. Negrine( 1994) sugere três pilares que sustentariam uma boa formação profissional. Este tipo de formação é inexistente nos currículos oficiais dos cursos de formação do educador. prepara para um estado interior fértil. Quanto mais o adulto vivenciar sua ludicidade. Tal formação permite ao educador saber de suas possibilidades e limitações. Percebemos com isso que se o professor tiver conhecimento e prazer. A formação do sujeito não é um quebra-cabeça com recortes definidos. atribuindo-lhe um espaço importante no desenvolvimento das estruturas psicológicas. A formação lúdica interdisciplinar se assenta em propostas que valorizam a criatividade. a esta última preferimos chamá-la de formação lúdica interdisciplinar. sendo a concepção de desenvolvimento abordada não como processo interno da criança. Ao sentir que as vivências lúdicas podem resgatar a sensibilidade. social e cultural. fazendo-nos sentir bem ou mal com esta ou aquela maneira de trabalhar na sala de aula. enquanto atitude de abertura às práticas inovadoras. a linguagem. Machado (1966) salienta. que no nosso entendimento. tendo no jogo sua fonte dinamizadora. que a interação social implica transformação e contatos com instrumentos físicos e/ou simbólicos mediadores do processo de ação. típicos do ser humano. A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. Nesse sentido. expressão e construção do conhecimento. . currículo. homem. Entender o papel do jogo nessa relação afetiva-emocional e também de aprendizagem requer que percebamos estudos de caráter psicológico. possibilitando diversos encaixes. proporcionando aos futuros educadores vivências lúdicas. Ser parceiro é sê-lo por inteiro. Atividades interdisciplinares que permitem a troca e a parceria. o cultivo da sensibilidade. conteúdo. algumas experiências têm-nos mostrado sua validade e não são poucos os educadores que têm afirmado ser a ludicidade a alavanca da educação para o terceiro milênio. depende da concepção que cada profissional tem sobre a criança. entretanto. o desenvolvimento pessoal. comunicação. como a memória. Nóvoa (1991) afirma que o sucesso ou insucesso de certas experiências marcam a nossa postura pedagógica. Esta concepção reconhece o papel do jogo para formação do sujeito. a nutrição da alma. colabora para uma boa saúde mental. De acordo com Vygtsky (1984) é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. Neste contexto as peças do quebra-cabeça se diferenciam.das relações humanas que envolvem os jogos infantis. Elegendo a aprendizagem como processo principal do desenvolvimento humano enfocamos Vygotsky (1984) que afirma: a zona de desenvolvimento proximal é o encontro do individual com o social. a prática e a pessoal. experiências corporais que se utilizam da ação do pensamento e da linguagem. mais probabilidade existirá de que os professores/aprendizes se utilizem desse "modelo" na sua sala de aula. maior será a chance deste profissional trabalhar com a criança de forma prazerosa. desbloquear resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança. facilita os processos de socialização. com a qual concordamos: a formação teórica. tanto pela vivência de uma situação imaginária. quanto pela capacidade de subordinação às regras. como mecanismos mais complexos. Segundo o autor a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real. educação. até então adormecida. o conhecimento é construído pelas relações interpessoais e as trocas recíprocas que se estabelecem durante toda a vida formativa do indivíduo. a atenção. mas como resultante da sua inserção em atividades socialmente compartilhadas com outros. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem. a busca da afetividade. escola.

O homem da ciência e da técnica perdeu a felicidade e a alegria de viver. a paz. sentir e viver. . a beleza e o prazer das coisas estão dentro de nós. Que as aulas sejam vivas e num ambiente de inter-relação e convivência (Masseto. Segundo Snyders (1988) o despertar para o valor dos conteúdos das temáticas trabalhadas é que fazem com que o sujeito aprendiz tenha prazer em aprender. 1994). despertem no sujeito-aprendiz o gosto e a curiosidade pelo conhecimento. o professor/aprendiz faz brotar o inesperado. 1995). saber de suas possibilidades. É isso que procuramos fazer em nossa prática pedagógica. A intersubjetividade se mostre por meio do afeto e da alegria de poder liberar o que cada sujeito (professor) trás consigo mesmo e quanto pode contribuir com o outro. o professor e a escola dão/respeitam a possibilidade de que outra coisa aconteça. que a matemática substitui a arte e que o humano dá lugar ao técnico (Santin. através de atividades dinâmicas e desafiadoras. à parte de responsabilidade no desenvolvimento. Poder vivenciar o processo do aprender colocando-se no lugar da criança. para a construção do ser humano autônomo e criativo. Kishimoto. 'a sua ação. isto é. permitindo que a criatividade e a imaginação aflorem através da interdisciplinaridade enquanto atitude. Como tão bem afirma Tânia Fortuna: Brincar na sala de aula é uma aposta. Sala de aula é um lugar de brincar se o professor consegue conciliar os objetivos pedagógicos com os desejos do aluno. Mesmo procurando fazer sua parte. 1994). desbloquear resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança. 1990). A afetividade como sustentáculo significativo e fundamental de uma pedagogia que se alicerça na arte-magia interdisciplinar do ensinar-aprender (Rojas. Conteúdos estes despertados pelo prazer de querer saber e conhecer. permitindo o construir alicerçado no afeto. no poder fazer. Tudo se decide no processo de reflexão que o professor leva a cabo sobre sua própria ação (Nóvoa. 1992). 1997. dando ênfase à formação lúdica: ensinar e sensibilizar o professor-aprendiz para que. com sabedoria.ao perceber-se vivo e pulsante. a fé. Devemos despertálos para. o novo e deixa cair por terra que a lógica da racionalidade extingue o calor das paixões. A formação lúdica possibilita ao educador conhecer-se como pessoa. Para isso é necessário encontrar equilíbrio sempre móvel entre o cumprimento de suas funções pedagógicas e contribuir para o desenvolvimento da subjetividade. Curiosidade que segundo Freire (1997) é natural e cabe ao educador torná-la epistemológica. Por entender e concordar com o autor percebemos que se o professor não aprende com prazer não poderá ensinar com prazer. Credita ao aluno. podermos exteriorizá-los na nossa vida diária. perdeu a fertilidade da fantasia e da imaginação guiadas pelo impulso lúdico (Santin. A alegria. 1999). 1998). do jovem e do adulto (Santos. Que a sala de aula seja um ambiente em que o autoritarismo seja trocado pela livre expressão da atitude interdisciplinar (Fazenda. perdeu a capacidade de brincar.

uma maior conscientização no sentido de desmistificar o papel do “brincar”. somos sempre levados a adquirir competências novas. Independentemente de época. que não é apenas um mero passatempo. cultura e classe social. de ambos os sexos. A utilização de brincadeiras e jogos no processo pedagógico faz despertar o gosto pela vida e leva as crianças a enfrentarem os desafios que lhe surgirem.Aprender Brincando: O Lúdico na Aprendizagem Autora: Juliana Tavares Maurício RESUMO O presente estudo teve como objetivo analisar a relação do ludico como facilitador da aprendizagem na sala de aula. que foram aplicados em 26 professores que lecionam da 1ª a 4ª série. A ludicidade é assunto que tem conquistado espaço no panorama nacional. por ser o brinquedo a essência da infância e seu uso permitirem um trabalho pedagógico que possibilita a produção do conhecimento. Esta pesquisa irá mostrar o quanto o “lúdico” pode ser um instrumento indispensável na aprendizagem. Para alcançarmos tais objetivos e conseguirmos as informações e dados necessários. de encantamento. com o objetivo de coletar dados a respeito da importância do lúdico como facilitador da aprendizagem. saber se os professores atuantes têm conhecimento de alguns conceitos. em escolas particulares e públicas.1% dos professores responderam que é possível reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar. os brinquedos e as brincadeiras podem ser importantes para o desenvolvimento e para a aprendizagem das crianças. sendo dois do sexo masculino e vinte e quatro do sexo feminino. principalmente na educação infantil. como o “lúdico” e a “brinquedoteca” e muitas outras questões sobre a relação do brincar com a aprendizagem e o desenvolvimento da criança. de alegria. INTRODUÇÃO Este trabalho visa relatar os dados obtidos através da realização de uma pesquisa sobre o tema Aprender brincando: o lúdico na aprendizagem. foi utilizado um questionario semi-estruturado. Foi possível mostrar o quanto o “lúdico” pode ser um instrumento indispensável na aprendizagem. tornar evidente que os professores e futuros professores devem e precisam tomar consciência disso. de sonhos onde a realidade e o faz-de-conta se confundem. no desenvolvimento e na vida das crianças. como o “lúdico” . que foi realizada com vinte e seis professores. De acordo com os dados obtidos. saber se os professores atuantes têm conhecimento de alguns conceitos. Identificamos que 76. pois elas vivem em um mundo de fantasia. os jogos. constatamos que o lúdico exerce um papel importante na aprendizagem das crianças. mas sim objeto de grande valia na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças. tornar evidente que os professores e futuros professores devem e precisam tomar consciência disso. fazendo o brincar se transformar em pecado. porém observamos a necessidade tanto nas escolas públicas quanto provadas. onde 96. no desenvolvimento e na vida das crianças. da aprendizagem e do desenvolvimento. Nas sociedades de mudanças aceleradas em que vivemos. pois é o individuo a unidade básica de mudança. A partir do exposto concluiu que a maioria dos professores “obtém” certo conhecimento sobre o tema. apesar de a história de antigas civilizações mostrar o contrário. mostraremos a importância do “lúdico” e como ele. os jogos e brinquedos fazem parte da vida da criança.92% dos professores possuem conhecimentos acerca do tema. A partir disso.

a criança desenvolvem a linguagem. e discorrer sobre a importância do lúdico no processo de ensino-aprendizagem. no desenvolvimento da motricidade fina e ampla. vamos tornar evidente a importância do “lúdico” e como ele. desde pequenas. 1. seja ele de qualquer idade. A partir disso. As crianças ficam mais motivadas para usar a inteligência. auxilia no processo ensino-aprendizagem. Nesse sentido o lúdico pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento do ser humano. a socialização. Agindo sobre os objetos. a obtenção e organização de dados e a aplicação dos fatos e dos princípios a novas situações que. pessoal e cultural. da brincadeira e do brinquedo. que o lúdico não é a única alternativa para a melhoria no intercambio ensino-aprendizagem. o pensamento. a iniciativa e a auto-estima.e a “brinquedoteca” e muitas outras questões sobre a relação do brincar com a aprendizagem e o desenvolvimento da criança. A escolha do tema justifica-se pelo fato de que os resultados da educação. pois ele favorece o desenvolvimento físico. apesar de todos os seus projetos. pois querem jogar bem. preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo melhor. Através do jogo o . as faculdades intelectuais. desenvolvendo a noção de casualidade. a coordenação muscular. a iniciativa individual. à lógica. mas também no desenvolvimento social. acontecem quando jogamos. Vale ressaltar. mas é uma ponte que auxilia na melhoria dos resultados por parte dos educadores interessados em promover mudanças. diferenciar o jogo. Através deles. Através dele se processa a construção de conhecimento. quando vivenciamos conflitos numa competição. corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. O jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos. I APRENDER BRINCANDO: O LÚDICO NA APRENDIZAGEM Neste trabalho iremos explanar algumas definições importantes acerca do jogo no processo de aprendizagem. etc. expressão e construção do pensamento. (CAMPOS) Segundo PIAGET (1967)citado por . as crianças. estruturam seu espaço e seu tempo. esforçam-se para superar obstáculos tanto cognitivos como emocionais. favorecendo o advento e o progresso da palavra. continuam insatisfatórios. ao contrário. facilitando no processo de socialização. quando obedecemos a regras. finalmente. percebendo-se a necessidade de mudanças no âmbito educacional. porém. isto é. comunicação. afetivo e moral”. auxiliando não só na aprendizagem. o levantamento de hipóteses. O jogo. a interpretação. os brinquedos e as brincadeiras podem ser importantes para o desenvolvimento e para a aprendizagem das crianças. Estimula o crescimento e o desenvolvimento. como a imaginação. tanto no desenvolvimento psicomotor. mostrando sua importância. bem como no desenvolvimento de habilidades do pensamento. a tomada de decisão. por sua vez.1 O jogo no processo de aprendizagem O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde física. cognitivo. os jogos. chegando à representação e. nas suas diversas formas. emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempo. “o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia. principalmente nos períodos sensório-motor e préoperatório. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. a criatividade.

É somente sendo criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI. isto é. diminuindo o sentimento de impotência da criança. brincadeira e jogo Em todos os tempos. cultural e técnica. 1996) Diferindo do jogo. 1994) O brinquedo contém sempre uma referência ao tempo de infância do adulto com representações vinculadas pela memória e imaginações. testar hipóteses. A importância da inserção e utilização dos brinquedos. proporcionam o desenvolvimento da linguagem. pois conota a criança e tem uma dimensão material. os brinquedos evocam as mais sublimes lembranças. A qualidade de oportunidade que estão sendo oferecidas à criança através de brincadeiras e de brinquedos garante que suas potencialidades e sua afetividade se harmonizem. Brincando. Além de estimular a curiosidade.indivíduo pode brincar naturalmente. o educando encontra apoio para superar suas dificuldades de aprendizagem. pois a criança necessita brincar. O vocábulo “brinquedo” não pode ser reduzido à pluralidade de sentidos do jogo. preenche necessidades. Para Vygotsky (1994) citado por OLIVEIRA. 2004). do pensamento e da concentração e da atenção. para todos os povos. (CAMPOS) 1. a ausência de um sistema de regras que organizam sua utilização. Suaviza o impacto provocado pelo tamanho e pela força dos adultos. O brinquedo é a oportunidade de desenvolvimento. . inventa. (KISHIMOTO. (VELASCO. ROAZZI (2003). DIAS. com um incrível poder de encantar crianças e adultos. Brincando a criança se diverte. Os professores precisam estar cientes de que a brincadeira é necessária e que traz enormes contribuições para o desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar. São objetos mágicos. que vão passando de geração a geração. mas também como elementos bastantes enriquecedores para promover a aprendizagem. planejamento e seriedade e que envolve comportamentos espontâneos e geradores de prazer. O brinquedo traduz o real para a realidade infantil. constrói seu conhecimento e aprende a conviver com seus amiguinhos.2 Brinquedo. São exatamente estas necessidades que fazem a criança avançar em seu desenvolvimento. a autoconfiança e a autonomia. utilizando suas potencialidades de maneira integral. que não implica em compromissos. sua inteligência e sua sensibilidade estão sendo desenvolvidas. Enquanto objeto. jogar. descobre. faz exercícios. Brinquedos não devem ser explorados só para lazer. O jogo é mais importante das atividades da infância. a criança experimenta. criar e inventar para manter seu equilíbrio com o mundo. aprende e confere habilidades. ou seja. O brinquedo na verdade. melhorando o seu relacionamento com o mundo. A brincadeira é alguma forma de divertimento típico da infância. jogos e brincadeiras na prática pedagógica é uma realidade que se impõe ao professor. é sempre suporte de brincadeira. como muitos pensam. Através dos jogos e brincadeiras. explorar toda a sua espontaneidade criativa. o brinquedo supõe uma relação intima com a criança e uma indeterminação quanto ao uso. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua criatividade. entendendo-se estas necessidades como motivos que impelem a criança à ação. o prazer não pode ser considerado a característica definidora do brinquedo. Brincando. uma atividade natural da criança.

como ainda nas que exigem regras (BERTOLDO. a imitação e a regra. No segundo caso. integrador.A brincadeira transmitida à criança através de seus próprios familiares. O jogo é. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. (ALMEIDA) . 1. ou seja. de uma geração a outra. o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar. a brincadeira gira em torno da espontaneidade e da imaginação. naquelas de faz-de-conta. 2003). uma estrutura seqüencial que especifica sua modalidade. tem o poder de transformar uma realidade difícil. Segundo VYGOTSKY. os jogos assumem significações distintas. O lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. Através do jogo a criança: libera e canaliza suas energias. pelas regras e objetos que o caracterizam. um sistema de regras e um objeto. o que é fundamental para despertar o interesse da criança. é uma grande fonte de prazer. 1994). Para a criança. ao mergulhar na ação lúdica. tanto nas tradicionais. um sistema de regras permite identificar. esta executando as regras do jogo e. ao mesmo tempo. por excelência. de formas rigidamente estruturadas. de forma expressiva. ou pode ser aprendida pela criança de forma espontânea (MALUF. ela ajuda no desenvolvimento das crianças. O jogo pode ser visto como: resultado de um sistema lingüístico que funciona dentro de um contexto social. 1996).2003). em qualquer jogo. quando alguém joga. dependendo do lugar e da época. No primeiro caso. Elas estão presentes em todos os tipos de brincadeiras infantis. um espaço para correr ou um risco no chão (VELASCO. Pode-se dizer que é o lúdico em ação. Tais estruturas seqüenciais de regras permitem diferenciar cada jogo. o jogo assume a imagem. Para surgir basta uma bola. diferenciando significados atribuídos por culturas diferentes. propicia condições de liberação da fantasia. o sentido que cada sociedade lhe atribui. Os três aspectos citados permitem uma primeira compreensão do jogo. a brincadeira possui três características: a imaginação. Esta atividade é um dos meios propícios à construção do conhecimento. É a ação que a criança desempenha ao concretizar as regras de jogo. Dessa forma brinquedo e brincadeira relacionam-se diretamente com a criança e não se confundem com o jogo (KISHMOTO. RUSCHEL). desenvolvendo uma atividade lúdica. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo. construindo interiormente o seu mundo. ao movimento espontâneo. Enquanto fato social. há sempre um caráter de novidade. ao brincar. O terceiro sentido refere-se ao jogo enquanto objeto. Se se achasse confinado a sua origem.3 A importância do lúdico na aprendizagem O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. o sentido do jogo depende da linguagem de cada contexto social. promovendo processos de socialização e descoberta do mundo (MALUF. e à medida em que joga ela vai conhecendo melhor. Não depende de regras. É este aspecto que nos mostra porque. A brincadeira não é um mero passatempo.

pois o ser humano apresenta uma tendência lúdica. também. devido a sua capacidade de absorver o indivíduo de forma intensa e total.O Lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana. com as pessoas e com os objetos. Ele é considerado prazeroso. porque acima de tudo ela não é lúdica. Em virtude desta atmosfera de prazer dentro da qual se desenrola. O lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo. satisfazem uma necessidade interior. estabelece relações lógicas. bem como relacioná-la as demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos metodológicos compatíveis a essa prática. porque é ele que permite simular situações”. estimulando o pensamento. integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. a ludicidade é uma atividade que tem valor educacional intrínseco. o que é mais importante. mas também requerem um esforço voluntário. as atividades lúdicas são excitantes. integra percepções. ela tem sido utilizada como recurso pedagógico. vai se socializando. do brincar. e neste sentido. RUSCHEL) A ludicidade. Através da atividade lúdica e do jogo. Assim. tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço que merece atenção dos pais e educadores. faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e. (BERTOLDO. e que é possível brincar com a imaginação. Para VITAL DIDONET “é uma verdade que o brinquedo é apenas um suporte do jogo. pois é o espaço para expressão mais genuína do ser. não é prazerosa. A criança e mesmo o jovem opõe uma resistência à escola e ao ensino. que sem o brinquedo é muito mais difícil realizar a atividade lúdica. Portanto. De acordo com Nunes. Sendo uma atividade física e mental. mas além desse valor. a criança forma conceitos. o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico. . a ludicidade é portadora de um interesse intrínseco. várias são as razões que levam os educadores a recorrer às atividades lúdicas e a utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem: • As atividades lúdicas correspondem a um impulso natural da criança. Segundo Teixeira 1995 (apud NUNES). (NEVES) Segundo PIAGET. é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com o mundo. • O lúdico apresenta dois elementos que o caracterizam: o prazer e o esforço espontâneo. na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. É este aspecto de envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional. seleciona idéias. precisa do jogo como forma de equilibração com o mundo (BARROS). criando um clima de entusiasmo. • As situações lúdicas mobilizam esquemas mentais. que lhe é inerente. Mas é verdade. A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará a criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas. capaz de gerar um estado de vibração e euforia. a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais. canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução de seu objetivo. Ela precisa brincar para crescer.

Os dados foram elaborados através do programa Microsoft Word. o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões. com idade variando entre 19 e 52 anos. e se os mesmos acreditam no significado do aprender brincando. o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de provocar aprendizagem significativa.2 Instrumento Para alcançarmos os objetivos da pesquisa. brinquedo ou brincadeira. . estimular a construção de novo conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória. contemplando aspectos como a importância do lúdico. 2.3 Local da Pesquisa A pesquisa foi realizada em três escolas públicas e três escolas particulares da cidade de João Pessoa.69% responderam que o lúdico está relacionado com o diferenciamento entre cores e formas e 3. contendo quatro questões subjetivas e cinco questões objetivas. 2. e 9 professores de escolas públicas do município de João Pessoa.1 População e Amostra A pesquisa foi realizada com a participação 26 professores que lecionam da 1ª a 4ª série. 17 professores de escolas particulares. Pode-se observar que dos 26 entrevistados 76. e a aplicação de questionários semiestruturados. de três escolas particulares e três escolas públicas.53% das respostas foram consideradas não significativas de acordo com os autores aqui citados a respeito do que seria o lúdico. pois precisamos obter embasamento teórico a fim de nos aprofundarmos sobre o tema escolhido. Para que assim possamos obter a opinião.92% responderam que o lúdico está relacionado com o jogo. e conseguirmos as informações e dados necessários. será indispensável à utilização de alguns procedimentos. 7.84% relacionaram o lúdico com a criatividade e a imaginação. Neste brincar estão incluídos os jogos. onde foram entrevistados. contendo questões objetivas e subjetivas. ou seja. que são a consulta bibliográfica. o que os professores utilizam em sala de aula. Onde obtivemos os dados abaixo citados: Utilizando como conceito de lúdico como sendo: “A palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar. III ANALISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Utilizamos como instrumento de pesquisa um questionário. e averiguar o nível de conhecimento sobre o assunto abordado. de ambos os sexos. para a obtenção dos dados. (NUNES) II MATERIAL E METODOS 2. dos professores atuantes no campo de trabalho relacionado à educação infantil.Em geral. brinca e que se diverte”. 11. brinquedos e divertimento e é relativa também à conduta daquele que joga.

8% dos professores responderam que seus alunos brincam muito na escola.4% respondeu que a Brinquedoteca é um espaço onde a criança brinca. 88.8% das pessoas não soube responder. 84.8% responderam que as crianças brincam pouco na escola.7% disse ser importante. escolhemos aleatoriamente três respostas significativas para comparar com as definições dos autores escolhidos: “ A brincadeira é uma atividade que deve fazer parte do cotidiano da criança para que ela possa ter um desenvolvimento motor e social sadio”. 3.4% dos entrevistados responderam que Sim. responderam que a brincadeira tem grau importantíssimo na aprendizagem da criança. 30. quebra-cabeça e jogos de memória. 61. 3. e 11. como sendo “A brincadeira é alguma forma de divertimento típico da infância. foi possível observar que 88.8% responderam que estaria voltado para a preparação dos professores e 3. 1999).6% citaram artes.5% dos entrevistados responderam que Sim e 11. Das vinte e seis pessoas.8% brincam muitíssimo e 3.5% dos entrevistados. 3.9% Educação física e 23. dos entrevistados 96. planejamento e seriedade. 30. Para categorizar as respostas utilizamos como base o conceito citado acima. jogos matemáticos. IV CONSIDERAÇÕES FINAIS A Pesquisa realizada sobre “Aprender Brincando: o lúdico na aprendizagem” foi de grande importância.5% responderam que não devem estar presente.7% disseram que eles brincam às vezes.9% responderam que às vezes é possível reuni-los. 80.8% responderam que brincam muito pouco.” De acordo com os autores estudados a Brinquedoteca “É o espaço criado com o objetivo de proporcionar estímulos para que a criança possa brincar livremente” (SANTOS. enriquecendo nossa vida acadêmica e nosso futuro profissional. enquanto que 3. uma atividade natural da criança. dama.De acordo com as respostas obtidas. Porém. 34.1% responderam que seria possível reunir em uma mesma situação o brincar e o educar. Dos vinte e seis entrevistados 92. que não implica em compromissos. “Uma forma de levar as crianças a desopilarem e de desenvolver a sua capacidade mental e corporal. isto é. que incluem massinha de modelar. Tendo em vista que o termo brincadeira é muito amplo e dá margem a várias definições. Em relação se o jogo deveria estar presente nas fases do desenvolvimento da criança. Em grau de importância. ábaco. Utilizamos como conceito de brincadeira para melhor relacionar as respostas. 7. 26.6% responderam que as brincadeiras mais freqüentes na escola são os jogos educativos. não foi possível categorizar as definições. Por ultimo.7% disseram amarelinha.8% responderam que é muito importante a brincadeira e 7. . De acordo com as respostas obtidas.07% citaram Música.6% disserem que Não existe espaço. “ Brincar é aprender a se relacionar com os colegas e a descobrir o mundo à sua volta”. e que ajuda no desenvolvimento e na socialização” (VELASCO e KISHMOTO). dominó. que existe um espaço determinado para a utilização de brincadeiras.

T.1 [cited 29 March 2006]. Acesso no dia 16 de fevereiro de 2006. OLIVEIRA. O lúdico e suas implicações nas estratégias de regulação das emoções em crianças hospitalizadas.php?script=sci_arttext&pid=S010279722003000100003&lng=en&nrm=iso>. Acesso no dia 20 de fevereiro de 2006. Sâmela Soraya Gomes de.br/artigos/artigo. 6. Antonio Carlos dos. Disponível em: http://www. no. SANTOS.cdof. 1994. DIAS. O lúdico nas interfaces das relações educativas.br/ludicoint. Ludicidade como instrumento pedagógico.centrorefeducacional. onde 96.br/recrea22. MALUF. V REFERÊNCIAS ALMEIDA.1% dos professores responderam que é possível reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar. A importância do jogo no processo de aprendizagem.br/opiniao/opiniao.16. Jogo. Crit. A partir do exposto pudemos concluir que a maioria dos professores “obtém” certo conhecimento sobre o tema. Acesso no dia 16 de fevereiro de 2006. Verificamos. Antonio. 2003. Psicol.htm. NEVES. BERTOLDO. São Paulo: CORTEZ. Maria da Graça B. A importância das brincadeiras na evolução dos processos de desenvolvimento humano.pro. Jogos e atividades lúdicas na alfabetização. principalmente. Ana Raphaella Shemany. Disponível em: http://www.asp?entrID=39.1-13. p. 2004. e ROAZZI.M.br/scielo. 2003. Maria Célia Rabello Malta. uma maior conscientização no sentido de desmistificar o papel do “brincar”.psicopedagogia. KISHIMOTO.htm.com. a educação infantil deveria considerar o lúdico como parceiro e utiliza-lo amplamente para atuar no desenvolvimento e na aprendizagem da criança. Disponível em: http://www.scielo.br/gepeis/jogo. Disponível em: http://www. Acesso no dia 21 de fevereiro de 2006.htm. além disso.De acordo com os dados obtidos a partir da visão dos entrevistados.4% dos entrevistados afirmaram a existência de um espaço determinado para a utilização de brincadeiras na escola. B. Jogo. . ed. Ângela Cristina Munhoz. Brinquedo e Brincadeira . Acesso no dia 22 de fevereiro de 2006. Maria Andrea de Moura.psicopedagogia. vol. Anne. Disponível em: <http://www.br/entrevistas/entrevista. Acesso no dia 19 de fevereiro de 2006. Disponível em: http://www. Brinquedo. Acesso no dia 20 de fevereiro de 2006.com. constatamos que o lúdico exerce um papel importante na aprendizagem das crianças. que não é apenas um mero passatempo.Uma Revisão Conceitual.com. RUSCHEL. identificamos que 76. CAMPOS.92% dos professores possuem uma percepção adequada em relação ao lúdico de acordo com os autores pesquisados.ufsm.psicopedagogia. Rio de Janeiro: Sprint. TEZANI. NUNES.htm. que 88. Janice Vida.asp?entrID=621. mas sim um objeto de grande valia na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças. Reflex. E por fim.asp?entrID=132. ISSN 0102-7972. porém observamos ainda que é necessário tanto nas escolas públicas quanto provadas. Disponível em: http://www. O lúdico na aquisição da segunda língua. Lisandra Olinda Roberto.linguaestrangeira. O jogo e os processos de aprendizagem e desenvolvimento: aspectos cognitivos e afetivos.com. Disponível em: http://www.com. Sendo assim a escola e. Thaís Cristina Rodrigues. [online]. 1998.br/artigos_papers/ludico_linguas. Brincadeira e a Educação.

Cacilda Gonçalves. Brincar: o despertar psicomotor.VELASCO. 1996 . Rio de Janeiro: Sprint Editora.

A linguagem é fator decisivo na estrutura do pensamento. Não elaborou uma teoria do jogo mas desenvolveu uma concepção da infância observando o comportamento lúdico infantil. e. Esta fase é considerada como base do desenvolvimento cognitivo infantil refletindo na constituição futura do ser humano. Priorizou o caráter construtivo. independente até mesmo do funcionamento da inteligência. O conhecimento é construído a partir de interações com os outros e com o meio social e cultural. o jogo era visto como próprio da infância e do universo da criança. para Vygotsky a criança ao brincar criava uma situação imaginária onde existiam. Piaget usava a terminologia jogo e Vygotsky brinquedo para conceituar a ação de brincar. PIAGET E VYGOTSKY Jean Piaget ( Suíça. As crianças quando ainda não desenvolveram a fala se comunicam através de gestos e emoções. regras nas brincadeiras. Desenvolveu a teoria histórico e cultural dando ênfase aos processos de trocas. pelo simples fato de que a partir do momento em que existe uma situação imaginária esta tem regras de comportamento que são representadas na brincadeira. são pontos de referência quando o assunto é a ludicidade. sempre. Foram contemporâneos mas não se conheceram. . Ao crescerem. deixando de utilizar o imaginário. Para Piaget. passam a utilizar a linguagem verbal e racionalizar as ações. Destacaram o período da formação da criança até os seis anos. as construções realizadas pelo ser humano. 1896-1934). é ferramenta básica para a construção de conhecimentos.O LÚDICO POR EDUCADORES. 1896-1980) e Lev Vygotsky ( Rússia. Humanista.

ou seja. hoje.Com base na teoria de Vygotsky pesquisadores-educadores discutem. recriar. Num futuro não muito distante o ser humano não fará mais as funções braçais restando para ele a função de criar. . interpretar e reinterpretar. como é o universo do pensamento e do imaginário que passou a ter muita importância na área educacional. usar muito a ludicidade.

O objetivo do mesmo é correlacionar o lúdico. Piaget entende que o desenvolvimento intelectual age do mesmo modo que o desenvolvimento biológico (WADSWORTH. aos 22 anos de idade. Esse breve estudo é considerado o início de sua brilhante carreira científica. Piaget foi um menino prodígio. trabalhava gratuitamente no Museu de História Natural. Assim. conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Jean Piaget.► Jean Piaget Este trabalho abordará a vida de Jean Piaget. sendo um agente facilitador para que esta estabeleça vínculos sociais com os seus semelhantes. publicou seu primeiro trabalho sobre sua observação de um pardal albino. Sua Vida Jean Piaget nasceu no dia 9 de agosto de 1896. na Suíça. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia. a atividade intelectual não pode ser separada do funcionamento "total" do organismo. em Neuchâtel. Freqüentou a Universidade de Neuchâtel. suas obras. fator fundamental ao desenvolvimento das aptidões físicas e mentais da criança. Aos 11 anos de idade. 1996). partiu da idéia que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente. onde estudou Biologia e Filosofia. A escolha deste tema surgiu da necessidade de abordarmos o assunto "jogos e brincadeiras infantis" não apenas como simples entretenimento. Para Piaget. Passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. com recursos capazes de contribuir para o desenvolvimento das funções cognitivas da criança. era professor universitário de Literatura medieval. . algumas curiosidades. Seu pai. Aos sábados. a brincadeira de infância. para explicar o desenvolvimento intelectual.A lógica na educação infantil. um calvinista convicto. Interessou-se por História Natural ainda em sua infância. Teorias de Piaget Jean Piaget (1896-1980) foi um renomado psicólogo e filósofo suíço. sempre procurando manter um equilíbrio. mas como atividades que possibilitam a aprendizagem de várias habilidades. Ele recebeu seu doutorado em Biologia em 1918. alem do tema: Jogos e brincadeiras .

com métodos informais de psicologia: entrevistas. Registros revelam que ele foi o único suíço a ser convidado para lecionar na Universidade de Sorbonne (Paris. Piaget escreveu mais de 75 livros e centenas de trabalhos científicos. Enquanto prosseguia com suas pesquisas e publicações de trabalhos. onde trabalhou como psicólogo experimental.que é um estudo formal e sistemático . mudou-se para a França.Após formar-se. conversas e análises de pacientes. baseadas em estudos e observações de seus filhos que ele realizou ao lado de sua esposa. O ano de 1919 foi um marco em sua vida. Essas experiências influenciaram-no em seu trabalho. Piaget notou que crianças francesas da mesma faixa etária cometiam erros semelhantes nesses testes e concluiu que o pensamento lógico se desenvolve gradualmente. Formulou sua teoria de que o conhecimento evolui progressivamente por meio de estruturas de raciocínio que substituem umas às outras através de estágios. Em 1921. com quem teve três filhas: Jacqueline (1925). Lá ele iniciou o maior trabalho de sua vida. Ele passou a combinar a psicologia experimental . Isto significa . foi para Zurich. casou-se com Valentine Châtenay. a teoria cognitiva e o que veio a ser chamado de epistemologia genética. Até a data de seu falecimento fundou e dirigiu o Centro Internacional para Epistemologia Genética. França). em 17 de setembro de 1980. Quando iniciou seus estudos experimentais sobre a mente humana e começou a pesquisar também sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas. Ao longo de sua brilhante carreira. onde permaneceu de 1952 a 1963. voltou à Suíça e tornou-se diretor de estudos no Instituto J. Lucienne (1927) e Laurent (1931). Lá ele freqüentou aulas lecionadas por Jung e trabalhou como psiquiatra em uma clínica. Em 1919. Em 1923. J. podemos entender melhor a natureza do conhecimento humano. um famoso psicólogo infantil que desenvolveu testes de inteligência padronizados para crianças. Suas pesquisas sobre a psicologia do desenvolvimento e a epistemologia genética tinham o objetivo de entender como o conhecimento evolui. ações e processos de raciocínio delas. Seu conhecimento de Biologia levou-o a enxergar o desenvolvimento cognitivo de uma criança como sendo uma evolução gradativa. Sua Obra Piaget desenvolveu diversos campos de estudos científicos: a psicologia do desenvolvimento. ao observar crianças brincando e registrar meticulosamente as palavras. Rousseau da Universidade de Genebra. Piaget lecionou em diversas universidades européias. onde foi convidado a trabalhar no laboratório de Alfred Binet. As teorias de Piaget foram. Piaget morreu em Genebra. A essência de seu trabalho ensina que ao observarmos cuidadosamente a maneira com que o conhecimento se desenvolve nas crianças. em grande parte.

Em seu trabalho. Esses quatro estágios são: sensóriomotor. acontecimento. Cada estágio é um período onde o pensamento e comportamento infantil é caracterizado por uma forma específica de conhecimento e raciocínio. uma assimilação e o equilíbrio é então alcançado. Em outras palavras.. operatório concreto e operatório formal. ela tenta fazer uma acomodação e após. uma vez que a criança não consegue assimilar o estímulo. identifica os quatro estágios de evolução mental de uma criança.) a um esquema ou estrutura do sujeito.. visto que se pode ter duas alternativas: . são as estruturas mentais ou cognitivas pelas quais os indivíduos intelectualmente organizam o meio. é o processo pelo qual o indivíduo cognitivamente capta o ambiente e o organiza possibilitando. São estruturas que se modificam com o desenvolvimento mental e que se tornam cada vez mais refinadas na medida em que a criança torna-se mais apta a generalizar os estímulos.que a lógica e formas de pensar de uma criança são completamente diferentes da lógica dos adultos. os esquemas cognitivos do adulto são derivados dos esquemas sensório-motores da criança e os processos responsáveis por essas mudanças nas estruturas cognitivas são assimilação e acomodação.. em construção de esquemas ou de conhecimento. ou seja. resultam em assimilação ou acomodação e assimilação dessas ações e. Na assimilação o indivíduo usa as estruturas que já possui. A acomodação pode ser de duas formas. Por este motivo. provocando o desequilíbrio. Assimilação É o processo cognitivo de colocar (classificar) novos eventos em esquemas existentes. Construção do conhecimento A construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou mentais sobre objetos que. Acomodação É a modificação de um esquema ou de uma estrutura em função das particularidades do objeto a ser assimilado. É a incorporação de elementos do meio externo (objeto. Os esquemas são análogos às fichas deste arquivo. a ampliação de seus esquemas. Em outras palavras. pré-operatório. Esquema Autores sugerem que imaginemos um arquivo de dados na nossa cabeça. assim. assim.

e não consegue se colocar. Aprimorando esses esquemas. no lugar do outro. a acomodação não é determinada pelo objeto e sim pela atividade do sujeito sobre esse. ou modificar um já existente de modo que o estímulo possa ser incluído. principalmente. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. abstratamente. pegá-lo e levá-lo a boca. centrada em si mesma. a criança tenta novamente encaixar o estímulo no esquema e aí ocorre a assimilação.Criar um novo esquema no qual se possa encaixar o novo estímulo. sem representação ou pensamento. Após ter havido a acomodação. O contato com o meio é direto e imediato. Estágios Sensório motor (0 a 2 anos) A partir de reflexos neurológicos básicos. para tentar assimilá-lo. A criança deste estágio: É egocêntrica. A inteligência é prática. Pré-operatório (2 a 7 anos) Também chamado de estágio da Inteligência Simbólica. O balanço entre assimilação e acomodação é chamado de adaptação. é capaz de ver um objeto. o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. Equilibração É o processo da passagem de uma situação de menor equilíbrio para uma de maior equilíbrio. "como se". pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio anterior (sensóriomotor). Já pode agir por simulação. "vê" o que está diante de si. Por isso. . Exemplos: O bebê “pega” o que está em sua mão. Caracteriza-se. Possui percepção global sem discriminar detalhes. Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos "por quês"). Uma fonte de desequilíbrio ocorre quando se espera que uma situação ocorra de determinada maneira e esta não acontece. "mama" o que é posto em sua boca.

por ter apreciado seus efeitos. para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. casualidade. mas é capaz de pensar em todas as relações possíveis logicamente buscando soluções a partir de hipóteses e não apenas pela observação da realidade.Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos. Exemplos: Despeja-se a água de dois copos em outros.. De início tem-se o jogo de exercício que é aquele em que a criança repete uma determinada situação por puro prazer. ordem. mas ainda depende do mundo concreto para chegar à abstração. Não relaciona as situações. a galinha enche o papo". espaço.. . as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. velocidade. já sendo capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Jogos e Brincadeiras A lógica na educação infantil Piaget (1998) acredita que os jogos são essenciais na vida da criança. Não se limita a uma representação imediata.. Exemplos: Mostram-se para a criança. Operatório Formal (12 anos em diante) A representação agora permite a abstração total. de formatos diferentes. anulando a transformação observada (reversibilidade). Isso desenvolve a capacidade de representar uma ação no sentido inverso de uma anterior. Operatório Concreto (7 – 11 anos) A criança desenvolve noções de tempo. A criança nega que a quantidade de massa continue igual. duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha.. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de "refazer" a ação. pois as formas são diferentes. a criança trabalha com a lógica da idéia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos. A criança não se limita mais a representação imediata nem somente às relações previamente existentes. Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provérbio como "de grão em grão. Em outras palavras.

você deve levar a coisa a sério. Segundo Piaget (1976): “.. Você deve evitar fazer qualquer tipo de sugestão. podem ser modificadas. mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual”. mas agora eu me esqueci como se joga. Vamos analisar uma entrevista feita por Piaget com crianças sobre o jogo “Bola de gude”. Você me ensinará as regras e eu jogarei com você. assim revelando uma atividade cognitiva egocêntrica. possa dizer claramente qual é a regra.24). As regras são percebidas como fixas e o respeito por elas é unilateral. Em período posterior surgem os jogos de regras. e se as coisas não ficarem muito claras você começará uma nova partida. a criança não apresenta nenhuma compreensão de regras. No estágio de compreensão de regras.. Para Piaget. Eu gostaria de jogar novamente. Cooperação e Codificação de Regras.”..Em torno dos 2-3 e 5-6 anos (fase Pré-operatória) nota-se a ocorrência dos jogos simbólicos. A presença de regras se torna um fator importantíssimo para a existência do jogo. a cada erro. Há uma compreensão quase que plena nas regras do jogo e o objetivo passa a ser a vitória. você deve me mostrar como jogar. Com os jogos de regras podemos analisar por traz das respostas. informações sobre seus conhecimentos e conceitos. Mas notamos também que algumas crianças insistem em jogar sozinhas. Naturalmente. mas também de executar a representação. essa fase se dá dos 2 aos 5 anos. Egocêntrico. O prazer da criança parece advir grandemente do controle motor e muscular. Egocêntrico: Em geral. a criança adquire a consciência da existência de regras e começa a querer jogar com outras crianças – vemos nesse ponto os primeiros traços de socialização. p. “Aqui estão algumas bolas de gude. . Cooperação: Normalmente a cooperação acontece em torno dos 7 a 8 anos.. Quando eu era pequeno eu costumava jogar bastante. mas nunca ignoradas. os jogos não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energias das crianças. que satisfazem a necessidade da criança de não somente relembrar o mentalmente o acontecido. O experimentador fala mais ou menos isso. sem tentar vencer. Motor: Nível apresentado nos primeiros anos de vida e que normalmente se estende até o estágio pré-operacional. o jogo constituiu-se em expressão e condição para o desenvolvimento infantil. que são transmitidos socialmente de criança para criança e por conseqüência vão aumentando de importância de acordo com o progresso de seu desenvolvimento social. Codificação das Regras: Por volta dos 11 a 12 anos. Vamos jogar juntos. já que as crianças quando jogam assimilam e podem transformar a realidade. a maioria das crianças passa a entender que as regras são ou podem ser feitas pelo grupo. e não há atividade social nesse nível. Esses níveis de conhecimento podem ser classificados como: Motor.(Piaget.. e são paralelos ao desenvolvimento cognitivo da criança.. Tudo o que precisa é parecer completamente ignorante (sobre o jogo de bola de gude) e até mesmo cometer alguns erros propositais de modo que a criança. 1965.

a brincadeira. permanecem exteriores à inteligência infantil.O jogo é. Já Vygotsky (1998). sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo. sob a orientação de um adulto. começa a falar. lembrando que ele afirma que a aquisição do conhecimento se dá através das zonas de desenvolvimento: a real e a proximal. 1977: 67). determinado através da resolução de um problema. Piaget (1998) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança sendo por isso. elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais e que. “O brinquedo cria uma Zona de Desenvolvimento Proximal na criança”.(Piaget 1976. só é atingida. 1977. diferentemente de Piaget. já a proximal. Nesta fase. considera que o desenvolvimento ocorre ao longo da vida e que as funções psicológicas superiores são construídas ao longo dela. o ambiente a alcança por meio do adulto e pode-se dizer que a fase estende-se até em . A zona de desenvolvimento real é a do conhecimento já adquirido. Segundo ele. jogando. é uma atividade específica da infância. por exemplo.. quer elas pareçam agradáveis ou não. que são correspondentes. A brincadeira cria para as crianças uma zona de desenvolvimento proximal que não é outra coisa senão à distância entre o nível atual de desenvolvimento. ou de um companheiro mais capaz”. Enquanto Vygotsky fala do faz-de-conta. 58). os métodos ativos de educação das crianças exigem a todos que se forneça às crianças um material conveniente. uma assimilação da real à atividade própria. através dos outros e não como o resultado de um engajamento individual na solução de problemas. aquisições que no futuro tornar-se-ão seu nível básico de ação real e moralidade (Vygotsky. determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema. p. Piaget fala do jogo simbólico. Desta maneira. (Oliveira. é o que a pessoa traz consigo. representado pela mãe. citado por Lins (1999). o jogo. 1998)”. a criança usa as interações sociais como formas privilegiadas de acesso a informações: aprendem a regra do jogo. e o nível de desenvolvimento potencial. andar e movimentar-se em volta das coisas. e pode-se dizer. a fim de que. Por isso. citado por Wajskop (1999:35): “. fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. aprende a regular seu comportamento pelas reações. sem isso. que já tenham adquirido esse conhecimento. classifica o brincar em algumas fases: durante a primeira fase a criança começa a se distanciar de seu primeiro meio social. indispensável à prática educativa (Aguiar. de início. Na visão sócio-histórica de Vygotsky. em que a criança recria a realidade usando sistemas simbólicos. com contexto cultural e social.160). Ele não estabelece fases para explicar o desenvolvimento como Piaget e para ele o sujeito não é ativo nem passivo: é interativo. segundo Oliveira (1997). com o auxílio de outras pessoas mais “capazes”. portanto. “As maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo. Para Vygotsky. Essa é uma atividade social. Vygotsky..

As brincadeiras que são oferecidas à criança devem estar de acordo com a zona de desenvolvimento em que ela se encontra. Entendemos. é fundamental que os professores tenham conhecimento do saber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sócio-cultural. pois é ele quem cria os espaços. e não por incentivos fornecidos por objetos externos”. A terceira fase é marcada pelas convenções que surgem de regras e convenções a elas associadas. A desvalorização do movimento natural e espontâneo da criança em favor do conhecimento estruturado e formalizado ignora as dimensões educativas da brincadeira e do jogo como forma rica e poderosa de estimular a atividade construtiva da criança. O jogo. disponibiliza materiais.torno dos sete anos. Vygotsky (1989: 109). a criança copia os modelos dos adultos. participa das brincadeiras. NEGRINE (1994. ao invés de agir numa esfera visual externa. de maneira muito forte. em estudos realizados sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil. construam/adquiram conhecimentos e se tornem autônomas e . compreendido sob a ótica do brinquedo e da criatividade. para formular sua proposta pedagógica. na medida em que os professores compreenderem melhor toda sua capacidade potencial de contribuir para com o desenvolvimento da criança. Porém essa perspectiva não é tão fácil de ser adotada na prática. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. faz a mediação da construção do conhecimento. (Pourtois. 20). Segundo esse autor. desta forma. pode-se perceber a importância do professor conhecer a teoria de Vygotsky. grande parte delas através da atividade lúdica". A noção de “zona proximal de desenvolvimento” interliga-se. afirma que "quando a criança chega à escola. 199: 109). deverá encontrar maior espaço para ser entendido como educação. possibilitando às manifestações corporais encontrarem significado pela ludicidade presente na relação que as crianças mantêm com o mundo. A segunda fase é caracterizada pela imitação. No processo da educação infantil o papel do professor é de suma importância. É urgente e necessário que o professor procure ampliar cada vez mais as vivências da criança com o ambiente físico. que o professor deverá contemplar a brincadeira como princípio norteador das atividades didático-pedagógicas. brincadeiras e com outras crianças. portanto. ainda afirma que: “é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. a partir dos princípios aqui expostos. Podemos nos perguntar: como colocar em prática uma proposta de educação infantil em que as crianças desenvolvam. com brinquedos. dependendo das motivações e tendências internas. à sensibilidade do professor em relação às necessidades e capacidades da criança e à sua aptidão para utilizar as contingências do meio a fim de dar-lhe a possibilidade de passar do que sabe fazer para o que não sabe. traz consigo toda uma préhistória. ou seja. construída a partir de suas vivências.

19). Casou-se com uma de suas assistentes. Escreveu cerca de 70 livros e 300 artigos sobre Psicologia. Piaget forneceu uma percepção sobre as crianças que serve como base de muitas linhas educacionais atuais. Fazendo uma comparação relativa com os pensamentos e a linha de trabalho de Vygotsky. em Neuchâtel. um artigo sobre um pardal branco. além do físico e o mental. o simbólico é exercitado. 1996 p. efetivamente participar da sua concepção. Grande parte desse conhecimento é adquirida através das zonas do conhecimento onde os jogos e brincadeiras infantis têm sua principal influencia. Arthur Piaget. Ele modificou a teoria pedagógica tradicional que. De fato. até então. se reconstruírem enquanto cidadãos e atuarem enquanto sujeitos da produção de conhecimento.. Cada vez que ensinamos algo a uma criança estamos impedindo que ela descubra por si mesma. Esta descoberta levou-o a recomendar aos adultos que adotassem uma abordagem educacional diferente ao lidar com crianças. afirmava que a mente de uma criança é vazia. E para que possam. esperando ser preenchida por conhecimento. para que uma criança entenda. a socialização se faz presente. para repensarem sua prática. permanecerá com ela. Curiosidades sobre Piaget O pai de Piaget." ( Jean Piaget) Conclusão Em seus estudos sobre crianças. mais do que “implantar” currículos ou “aplicar” propostas à realidade da creche/pré-escola em que atuam. Aos 22 anos. (Kramer apud MEC/SEF/COEDI. Pedagogia e Filosofia. era professor de literatura. Observando seus filhos.. suas contribuições para as áreas da Psicologia e Pedagogia são imensuráveis. as crianças são as próprias construtoras ativas do conhecimento. “. já era doutor em Biologia.cooperativas? Como os professores favorecerão a construção de conhecimentos se não forem desafiados a construírem os seus? O caminho que parece possível implica pensar a formação permanente dos profissionais que nela atuam. Na visão de Piaget. . desvendou muitos dos enigmas da inteligência infantil. Piaget com apenas 10 anos publicou. "Os professores podem guiá-las proporcionando-lhes os materiais apropriados mais o essencial é que. deve reinventar. Jean Piaget descobriu que elas não raciocinam como os adultos. construção e consolidação”. Valentine Châtenay. constantemente criando e testando suas teorias sobre o mundo. Por outro lado. deve construir ela mesma. aquilo que permitimos que descubra por si mesma. é preciso que os profissionais de educação infantil tenham acesso ao conhecimento produzido na área da educação infantil e da cultura em geral. onde as noções de regras são criadas.

Por uma política de formação do profissional de Educação Infantil. São Paulo.. Currículo de Educação Infantil e a Formação dos Profissionais de Creche e Pré-escola: questões teóricas e polêmicas. p. Zilma de Moraes Ramos de (org). O brincar na educação infantil. BORBA CAMPOS. de Piaget. Pioneira. Brasília-DF.ed. 1999. J. Referências bibliográficas KRAMER. In: MEC/SEF/COEDI. Vygotsky e Piaget não se conheceram pessoalmente. .92. Márcia. In: XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA OMEP. Loyola. de 1996.htm.ufrgs. Barry J. A psicologia da criança. São Paulo: Martins Fontes. Maria Judith Sucupira da Costa. de 1923. 2000. O direito de brincar: desenvolvimento cognitivo e a imaginação da criança na perspectiva de Vygotsky.Nº 95 – fev. cap. Piaget. n. L. São Paulo: Cortez. São Paulo. 62-69. 1995. 1994a LINS. Gisela. 1994. PIAGET. p. Educação infantil: muitos olhares.br/~marcia/piaget. IV. Anais do XIII Congresso Brasileiro de Educação Infantil da OMEP. WAJSKOP. Sonia. Aprendizagem e desenvolvimento infantil. Revista Nova Escola . 41-47. 1999. fev. 4. A educação pós-moderna. 1998. Jean Piaget. WADSWORTH. Paraíba. Inteligência e Afetividade da Criança na Teoria de Piaget. POURTOIS & DESMET. Disponível em: http://penta. OLIVEIRA. Josiane. NEGRINE. 1997. Acesso em 25 Maio de 2004. Ed Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. LOPES. Airton.Vygotsky prefaciou a tradução russa de A Linguagem e o Pensamento da Criança. Porto Alegre: Prodil. A formação social da mente. 1989.ano XI . Caderno de Pesquisa. VYGOTSKY.

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