Você está na página 1de 38

UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA

FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL

ISIS ANDRADE BAPTISTA 140617


LARISSA DA CRUZ CALIXTO 150288
NAYANA CRISTINA SANTOS DE JESUS 149717

Patologia Cerâmica

Santos – SP
Maio/2017
UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA
FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL

ISIS ANDRADE BAPTISTA 140617


LARISSA DA CRUZ CALIXTO 150288
NAYANA CRISTINA SANTOS DE JESUS 149717

Patologia Cerâmica

Trabalho apresentado para obtenção de nota parcial do 1º


semestre na disciplina de Princípios à engenharia civil da
Faculdade de Engenharia da Universidade Santa Cecília,
ministrada pelo Professor Eduardo.

Santos – SP
Maio/2017
Resumo

Esse trabalho foi baseado em um artigo da revista Techné, o qual aborda


patologias cerâmicas. O artigo nos mostra porque ocorrem os desplacamentos e
trincas em edificações revestidas com cerâmicas e quais as recomendações dos
especialistas para evitar problemas. Esse artigo nos motivou a fazer pesquisas
baseadas em patologias cerâmicas, as quais serão abordadas nesse trabalho.

Palavras-chave: patologia; deslocamento cerâmico; cerâmica; revestimento.


Lista de figuras

Figura 1– Exemplo de deslocamento ou destacamento .............................................. 4


Figura 2 – Exemplo de fungo ou alga no rejuntamento ............................................... 5
Figura 3 – Exemplo de deslocamento do porcelanato – ruptura do emboço .............. 6
Figura 4 – Exemplo de Falha no selante da junta de movimentação .......................... 7
Figura 5 – Exemplo de Gretamento ............................................................................ 8
Figura 6 – Exemplo de fissura da base de alvenaria surge no porcelanato ................ 9
Figura 7 – Exemplo de eflorescência de rejuntamento – fissura de interface ........... 10

Lista de Tabelas

Tabela 1 – Junta mínima de assentamento .............................................................. 12


Tabela 2 – Capacidade de absorção de água em relação a porosidade do material 12
Sumário

Introdução ................................................................................................................... 1

Fundamentação Teórica ............................................................................................. 2

1. Revestimento Cerâmico........................................................................................ 3

2. Patologias dos Revestimentos Cerâmicos............................................................ 4

2.1 Descolamento ou destacamento .................................................................... 4

2.2 Fungo e alga no rejuntamento ....................................................................... 5

2.3 Descolamento do porcelanato – ruptura do emboço ...................................... 5

2.4 Falha no selante da junta de movimentação .................................................. 6

2.5 Gretamento .................................................................................................... 7

2.6 Fissura da base de alvenaria surge no porcelanato ....................................... 8

2.7 Eflorescência de rejuntamento – fissura de interface ..................................... 9

3. Como evitar as patologias .................................................................................. 11

4. Como recuperar o revestimento cerâmico solto ................................................. 13

Conclusão ................................................................................................................. 15

Referencia bibliográfica ............................................................................................. 16

Anexo – Artigo Revista Techné: “Patologias Cerâmicas” .......................................... 18


1

Introdução

Os revestimentos cerâmicos podem desenvolver deficiências com o tempo, a


principal patologia que os atinge é o destacamento das placas, é considerada uma
patologia crítica, ainda mais quando se trata de revestimento em fachadas pois
aumenta o risco da ocorrência de acidentes e desvaloriza o empreendimento.

Na maior parte dos casos, o destacamento ocorre por falhas no assentamento


das placas cerâmicas, pelo preenchimento incompleto do verso das placas e também
pelo tempo em aberto excedido da argamassa. Podem ocorrer também devido à
movimentação do edifício, expansão das placas, ou erro na especificação ou mistura
da argamassa. As causas podem ocorrer de maneira isolada ou conjunta.

Esse destacamento pode ocorrer em pisos e paredes internas, o que faz com que
os revestimentos deixem de cumprir todas as suas funções de proteção e estética.
2

Fundamentação Teórica

Segundo Gisele Cichinelli, “Entre as principais patologias associadas às


cerâmicas em fachadas estão o destacamento das placas e as infiltrações nas
paredes internas dos imóveis, que normalmente ocorrem através das juntas de
dilatação, além do gretamento do material cerâmico”.

Segundo também, Vanderley John, professor do departamento de engenharia de


construção civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, “Se o construtor
quiser se proteger dos problemas de descolamentos, deverá especificar corretamente
a argamassa e controlar a aplicação do produto”. "Entretanto, mesmo quem acerta
na argamassa colante pode ter problema com o emboço", completa Medeiros.
3

1. Revestimento Cerâmico

O revestimento cerâmico dispõe de diversas funções, entre elas estão a proteção


dos elementos de vedação de edifícios – auxiliando no isolamento térmico e acústico,
na estanqueidade à agua e aos gases e na segurança contra o fogo –, a regularização
das superfícies e o acabamento final de pisos e paredes.

No entanto, há diversos fatores que tornam comum a ocorrência de patologias


como problemas de projeto, qualidade de materiais e de mão de obra empregados,
entre outros fatores. Essas patologias ocorrem inclusive em obras recém-entregues.

Empresas construtoras podem trabalhar para que essas patologias sejam


prevenidas, diminuindo o trabalho de manutenção e aumentando a satisfação dos
usuários dessas edificações.

A vida útil de um revestimento cerâmico deve atingir, no mínimo, metade da vida


útil da edificação. Porém, as situações mais comuns de descolamento costumam
ocorrer por volta de cinco anos após a conclusão da obra e, em geral, decorrem da
perda de aderência devido ao fenômeno de fadiga. Isso ocorre, pois revestimentos
cerâmicos também desenvolvem deficiências com o decorrer do tempo.

A principal patologia que os atinge é o destacamento das placas, no que se


referem na maioria dos casos as placas cerâmicas assentadas em paredes internas
de empreendimentos em construção ou já entregues o revestimento cerâmico estufa
e as placas se soltam da parede se descolando e caindo precocemente.

Trata-se de uma patologia critica tanto pelo risco de acidentes aos transeuntes
quanto pela desvalorização do empreendimento e pelo comprometimento das funções
de proteção e estanqueidade do edifício. As causas não param por aí, patologias de
revestimentos cerâmicos como o destacamento podem ocorrer devido à
movimentação excessiva do edifício; à expansão das placas cerâmicas; ao erro na
especificação de argamassa colante ou na sua mistura, com uso de água em excesso.

Segundo especialistas, os problemas existem, mas são situações específicas,


mais comuns para determinados tipos de placas cerâmicas e situações de uso.
4

2. Patologias dos Revestimentos Cerâmicos

2.1 Descolamento ou destacamento

São caracterizados pela perda de aderência das placas do substrato sendo a


menor rigidez da argamassa de rejuntamento e compatibilidade do emboço de
substrato, ou da movimentação higroscópica exige compensação na resistência de
aderência da argamassa colante. Mau espalhamento da argamassa colante, quando
as tensões surgidas no revestimento cerâmico ultrapassam a capacidade de
aderência das ligações entre a placa cerâmica e argamassa colante e/ ou emboco,
sem que seja cumprida a técnica de dupla colagem, contribui diretamente para o
problema. Na ausência desses cuidados, mesmo com presença de juntas de
movimentação, a manifestação costuma ocorrer.

A falta de um projeto que especificasse corretamente os materiais, técnicas e


controle de execução provocou o descolamento de placa esmaltada e prensada.
Combinação de placa com absorção superior a 6%, aderência e tempo em aberto
insuficiente, provocou manifestação de queda generalizada.

Figura 1– Exemplo de deslocamento ou destacamento


5

2.2 Fungo e alga no rejuntamento

Presença de fungos e algas que se proliferaram na argamassa de rejunte. O


desenvolvimento de fungos em revestimentos internos ou de fachadas causa
alteração estética de tetos e paredes, formando manchas escuras indesejáveis em
tonalidades preta, marrom e verde, ou ocasionalmente, manchas claras
esbranquiçadas ou amareladas. Normalmente causados pelo uso de argamassa de
rejunte com porosidade elevada e sem adição de agentes resistentes a esses micro-
organismos, são provocadas por infiltração de água e frequentemente estão
associados aos descolamentos e desagregação dos revestimentos. Em pouco tempo,
a fachada, mesmo se bem-executada, pode ficar com a estética comprometida,
necessitando de manutenção periódica.

Figura 2 – Exemplo de fungo ou alga no rejuntamento

2.3 Descolamento do porcelanato – ruptura do emboço


6

Descolamento do porcelanato causado pela ruptura do emboço que apresentava


resistência mecânica insuficiente e falhas na aplicação. Tipologias diferentes de
placas (prensadas, extrudadas, esmaltadas ou não, formatos grandes e pequenos e
com diferentes graus de movimentação higroscópica) exigem não somente
argamassas colantes e de rejuntamento diferentes como também de emboços de
substrato apropriados.

Figura 3 – Exemplo de deslocamento do porcelanato – ruptura do emboço

2.4 Falha no selante da junta de movimentação

Falha no tratamento da junta de movimentação com selante pode implicar


ocorrência de futura infiltração, sinal de seção transversal não retangular, ausência de
limitador de profundidade (tarugo de espuma de polietileno) e falta de cuidado na
limpeza da abertura. Este problema, apesar de afetar diretamente as argamassas de
preenchimento das juntas de assentamentos (rejuntes) e de movimentação,
compromete o desempenho dos revestimentos cerâmicos como um todo, já que estes
componentes são responsáveis pela estanqueidade do revestimento cerâmico e pela
capacidade de absorver deformações. Os sinais de que está ocorrendo uma
7

deterioração das juntas são: perda de estanqueidade da junta e envelhecimento do


material de preenchimento. A perda da estanqueidade pode iniciar-se logo após a sua
execução, através de procedimentos de limpeza inadequados. Para evitar o problema,
é recomendável o frisamento do emboço fresco e o corte prévio das placas.

Figura 4 – Exemplo de Falha no selante da junta de movimentação

2.5 Gretamento
8

O gretamento constitui-se de uma serie de abertura inferiores a 1mm e que


ocorrem na superfície esmaltada das placas, dando a ela uma aparência de teia de
aranha. A expansão por umidade pode ser responsável pelo gretamento das placas
cerâmicas para revestimento, quando provoca aumento nas dimensões da sua base,
forçando a dilatação do esmalte, material que e menos flexível. Sem absorver a
variação de tamanho da placa cerâmica provocada pela expansão por umidade, a
camada esmaltada sofre tensões progressivas de tração, originando as fissuras
capilar características.

Figura 5 – Exemplo de Gretamento

2.6 Fissura da base de alvenaria surge no porcelanato

Ausência de reforço no emboço permitiu migração da fissura entre alvenaria e


pilar para a camada externa, onde foi aplicado o porcelanato. Aparecem por causa
da perda de integridade da superfície da placa cerâmica, que pode ficar limitada a
um defeito estético ( no caso de gretamento), ou pode evoluir para um destacamento
(no caso de trincas). As trincas são rupturas no corpo da placa cerâmica provocadas
por esforços mecânicos (ex.: tração axial, compressão axial ou excêntrica, flexão,
9

cisalhamento ou torção), que causam a separação das placassem partes, com


aberturas superiores a 1mm. As fissuras são rompimentos nas placas cerâmicas
com aberturas inferiores a 1mm e que não causam a ruptura total das placas.
Variações de temperatura também podem provocar o aparecimento de fissuras nos
revestimentos, devidas as movimentações diferenciais que ocorrem entre esses e as
bases. O uso de telas metálicas especiais, membranas antifissura e juntas
posicionadas corretamente poderia evitar o problema.

Figura 6 – Exemplo de fissura da base de alvenaria surge no porcelanato

2.7 Eflorescência de rejuntamento – fissura de interface


Boa parte dos casos de surgimento de eflorescência acontece devido à
passagem da água por fissuras na interface entre rejunte e bordas da placa. Esse
fenômeno se caracteriza pelo aparecimento de formações salinas sobre algumas
superfícies, podendo ter caráter pulverulento ou ter forma de crostas duras e
insolúveis em água. O fenômeno resulta da dissolução dos sais presentes na
argamassa, ou nos componentes cerâmicos ou provenientes de contaminações
externas e seu posterior transporte pela água através dos materiais poros. Se
durante esse transporte a concentração dos sais na solução aumentar (por perda de
agua ou aumento da quantidade de sais), eles poderão entrar em processo de
10

cristalização e dar origem ao fenômeno. Aderência à borda e capacidade de


deformação são propriedades que devem ser exigidas da argamassa.

Figura 7 – Exemplo de eflorescência de rejuntamento – fissura de interface


11

3. Como evitar as patologias

Um dos erros mais comuns é a generalização do uso de argamassas em situações


distintas. A escolha do sistema mais adequado deve ser baseada na indicação do
local de utilização e o desempenho desejado para a argamassa colante. E deve-se
lembrar de que cada cerâmica exige uma técnica de execução e uma argamassa
colante flexível adequada.

Recomenda-se sempre optar pela argamassa industrializada à aquelas que são


feitas no canteiro de obra. Essas feitas no próprio canteiro tendem a conter
divergências na formulação da argamassa, geralmente levando a grandes problemas
na edificação.

De acordo com a NBR 14081, a classificação dos tipos de argamassa colante varia
de acordo com o tempo em aberto, a resistência de aderência à tração e o
deslizamento, estando vinculada à indicação do local de utilização e ao desempenho
desejado.

Para revestimento interior, por exemplo, a argamassa mais indicada é a do tipo


AC-I, enquanto que a do tipo AC-II é utilizada para revestimento interior e exterior.
Para situações de assentamento em fachadas que estejam significativamente
submetidas à insolação direta, o tipo mais indicado é a argamassa "E".

Deve-se lembrar, também, que o assentamento das placas cerâmicas só


deverá ocorrer após um período mínimo de 14 dias de cura do emboço e/ou da
argamassa de regularização ou do contrapiso. A base deverá estar curada, limpa,
isenta de poeira, óleo, tinta ou outro material que possa impedir a aderência da
argamassa colante.

Deve-se evitar que uma película se forme na argamassa colante. Isso ocorre
quando não se respeita o tempo aberto da argamassa colante ou ao utilizá-la 2
horas após a adição de água.
12

Outro erro comum é não respeitar a junta de assentamento. De acordo com a


norma ABNT: NBR 8214, em paredes internas, a largura das juntas depende da
dimensão da placa cerâmica, considerando os seguintes valores mínimos:

Tabela 1 – Junta mínima de assentamento

A capacidade de absorção da água deve estar relacionada com a porosidade


do material. De acordo com o Inmetro, considerando a capacidade de absorção de
água, as placas cerâmicas são classificadas em:

Tabela 2 – Capacidade de absorção de água em relação a porosidade do material

Ao indicar a compra de um revestimento cerâmico, verifique na embalagem


para qual ambiente ele é o mais indicado. Para pisos de banheiro, por exemplo,
indique a compra de um revestimento com menor capacidade de absorção de água.
13

4. Como recuperar o revestimento cerâmico solto

Deve-se remover o revestimento cerâmico comprometido, conforme o diagnóstico


realizado, e reassentá-lo, observando-se os seguintes procedimentos:

 Limpar bem a superfície, removendo-se sujeiras, pulverulências, eflorescências,


substâncias gordurosas, bolor, etc. Para isso, dependendo da extensão da
parede, pode-se utilizar broxa, escova de fio de aço, escovação seguida de
lavagem com mangueira ou água pressurizada. Se houver bolor deve-se fazer a
lavagem com água sanitária na proporção indicada pelo fabricante, seguida de
enxágue com água limpa;

 Verificar o estado do emboço onde será reassentada a cerâmica, fazendo-se o


teste do bate-choco. Se forem identificadas áreas com som cavo, remover o
emboço nesses locais; caso seja em área de piso realizar o mesmo teste no
contrapiso, com um bastão de madeira;

 Reexecutar o emboço, ou contrapiso, onde necessário, conforme os


procedimentos já vistos nos artigos sobre o pedreiro;

 Nas áreas onde o emboço ou contrapiso estiver aderido, verificar o estado da sua
superfície, friccionando-a com uma escova de fio de aço. Caso esteja ocorrendo
desagregação, escovar e remover a camada desagregada até encontrar material
firme e coeso;

 A regularização do emboço ou contrapiso nos locais onde sua superfície foi


parcialmente removida deve ser feita com argamassa colante (a mesma usada
para assentamento da cerâmica). A espessura dessa camada de regularização
não deve exceder a 10 mm. Caso a espessura seja maior deve-se fazer o
enchimento com as técnicas de execução do emboço e do contrapiso já vistas;
14

 Se houver necessidade de execução de juntas de movimentação (caso de


fachadas) estas devem ser executadas conforme orientações específicas,
previstas em projeto de recuperação; se houver necessidade de tratamento de
trincas de alvenaria, executá-las conforme os procedimentos já vistos no item
anterior; fazer o reassentamento das placas cerâmicas, conforme os
procedimentos vistos no ladrilheiro.
15

Conclusão

Portanto, sabe-se que existem vários tipos de patologias que tem relação com o
descolamento cerâmico, mas as mesmas podem ser evitadas a partir de medidas
preventivas como verificar todas as especificações das placas, qual o tipo de ambiente
que elas se adequam, qual a melhor argamassa para assentar essa placa, e uma
mão-de-obra qualificada.

O conjunto dessas faz com que a vida útil desses revestimentos seja prolongada
e que eles cumpram todos os seus papéis no empreendimento da melhor maneira,
além de evitar o retrabalho ou a insatisfação do cliente já que a maioria dessas
patologias só é identificada depois que a obra acaba e que o empreendimento já foi
entregue.
16

Referencia bibliográfica

_____. AECWeb. Destacamento das placas é a principal patologia dos


revestimentos cerâmicos. Disponível em
<https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/destacamento-das-placas-e-a-principal-
patologia-dos-revestimentos-ceramicos_13650_10_0>. Acesso em 1 de Maio de
2017.

_____. ConstruFacilRJ. Cerâmica Soltando: Diagnóstico, Causas e


Recuperação. Disponível em <https://construfacilrj.com.br/ceramica-soltando-como-
consertar/>. Acesso em 1 de Maio de 2017.

_____. Mãos à obra. Perguntas e respostas. Disponível em


<http://maosaobra.org.br/perguntas_respostas/por-que-o-revestimento-ceramico-
descola/>. Acesso em 1 de Maio de 2017.

_____. Téchne. Revestimento Firme. Disponível em


<http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/113/artigo286067-1.aspx>. Acesso em 29
de Abril de 2017.

BARBOSA, Nathalia. Construtoras de todo o Brasil se mobilizam para encontrar


saídas para o descolamento cerâmico. Disponível em
<http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/234/artigo372636-1.aspx>. Acesso em 29
de Abril de 2017.

CICHINELLI, Gisele. Patologias Cerâmicas. Disponível em


<http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/116/artigo287385-1.aspx>. Acesso em 29
de Abril de 2017.

GERALDO, Jefferson; SILVA, Adriano; OLIVEIRA, Joabi; LOPES, Francisco.


Patologias e tratamento de fachadas. Disponível em
<https://pt.slideshare.net/joabi/artigo-patologias-e-tratamento-de-fachadas-
finalizado>. Acesso em 1de Maio de 2017.
17

RHODE, Alexandra. Manifestações Patológicas em revestimentos cerâmicos:


análise da frequência de ocorrência em áreas internas de edifícios em uso em
Porto Alegre. Disponível em
<https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/34383/000789547.pdf?sequence
=1>. Acesso em 1 de Maio de 2017.

SANTIN, Eder. A placa caiu. Disponível em <http://techne.pini.com.br/engenharia-


civil/234/a-placa-caiu-372616-1.aspx>. Acesso em 1 de Maio de 2017.
18

Anexo – Artigo Revista Techné: “Patologias Cerâmicas”

Patologias cerâmicas
Por que ocorrem os desplacamentos e trincas em edificações revestidas com
cerâmicas e quais as recomendações dos especialistas para evitar problemas

Gisele Cichinelli

Edição 116 - Novembro/2006

Cartão de visita de um empreendimento, a


fachada responde também pela proteção e
durabilidade da edificação. Por isso, as
patologias associadas às fachadas são
certamente um dos problemas mais temidos
pelos construtores. Principalmente quando, no
caso do revestimento cerâmico ou de qualquer
revestimento aderido, põe em risco a vida de
pessoas.

Embora as vantagens do produto sejam inegáveis - as cerâmicas apresentam


grande durabilidade e menor necessidade de manutenção quando comparadas a
outras soluções - ultimamente a ocorrência de casos de descolamentos de placas
tornou-se alvo de discussões no setor.

Segundo consultores, de fato, os problemas existem, mas não podem ser


considerados generalizados. São situações específicas, mais comuns para
determinados tipos de placas cerâmicas e situações de uso. "Nesses casos, como a
incidência de problemas é elevada, pode-se concluir que cerâmica em fachada é
sempre perigosa. Isso não é verdade", esclarece Jonas Silvestre Medeiros, diretor
técnico da Inovatec Consultores Associados.

Cerâmica extrudada
19

Tradição e integração
estética à arquitetura
regional foram os
principais apelos para
que o empreendedor do
Shopping Iguatemi
Florianópolis, localizado
numa região nobre da
capital catarinense,
apostasse na cerâmica
extrudada no
revestimento de
fachada. Para garantir o sucesso da empreitada - ao
todo serão usados aproximadamente 15 mil m2 de
cerâmica extrudada -, o projeto adotou diferentes
materiais e técnicas de reforço e prevenção de fissuras,
entre eles, as telas metálicas eletrossoldadas zincadas a
fogo com fitas de PVC e as membranas de não tecidos
de poliéster com resina acrílica, ainda pouco conhecidas
no Brasil.

"Trata-se de uma situação crítica de utilização devido à


necessidade de rapidez de execução, deformabilidade
da estrutura, com grandes vãos pré-moldados e uso de
placas não esmaltadas de 6% de absorção", explica
Jonas Medeiros, da Inovatec Consultores e autor do
projeto. As placas também foram assentadas usando
argamassa monocomponente com capacidade de
aderência de cerca de 1,0 MPa nas condições da obra e
argamassa de rejuntamento especial para juntas largas
com tonalidade desenvolvida especialmente para evitar
alteração no padrão estético da cerâmica (Veja nas
páginas 46 e 47 os projetos do shopping).

Para garantir o desempenho dessa fachada, o projeto


previu o uso da membrana de não tecido de poliéster e
resina utilizada na proteção das juntas de movimentação
verticais.

Ele lembra que o uso de cerâmica em fachadas, tal como acontece no Brasil, não
encontra paralelo em nenhuma outra parte do mundo. "Mesmo diante de cenário
20

carente de conhecimento técnico, existem milhares de edifícios com desempenho


bem acima do razoável e situações de uso com baixa incidência de problemas",
defende.

Dicas

Os revestimentos cerâmicos destinados para uso em fachadas devem ser


apropriados a essa finalidade. Utilize apenas produtos declarados especificamente
para uso em fachadas. Os produtos para fachada devem ter:
baixa expansão por umidade
não desbotar com a ação da luz do sol
ter superfície de fácil limpeza

Apesar dos edifícios altos em Recife, o uso particular da técnica úmido sobre- úmido
em Fortaleza, o uso bem-sucedido de placas de pequeno formato e pastilhas em
várias capitais como Porto Alegre e Florianópolis comprovarem essa tese, são os
casos de desempenho problemático que vêm preocupando os construtores.

Segundo as normas internacionais, a vida útil de um revestimento cerâmico deve


atingir, no mínimo, metade da vida útil da edificação. Porém, as situações mais
comuns de descolamento costumam ocorrer por volta de cinco anos após a
conclusão da obra e, em geral, decorrem da perda de aderência devido ao
fenômeno de fadiga. "A ocorrência cíclica das solicitações, somadas às perdas
naturais de aderência dos materiais de fixação, em situações de
subdimensionamento do sistema, caracterizam as falhas que costumam resultar em
problemas de quedas", explica Medeiros.

Fator expansão por umidade

Segundo o Comitê de Estudos de EPU (Expansão por


Umidade) da Anfacer/CCB (Centro Cerâmico do Brasil),
dentro do sistema de revestimento, considerado como
base (chapisco, emboço, argamassa adesiva e as
placas), estas últimas representam a parte que
efetivamente apresenta maiores problemas de
deslocamentos e/ou quedas. Em relação ao conjunto,
segundo o comitê, as placas são os componentes mais
estáveis e com menor número de variáveis a serem
controladas. Se a placa cerâmica sofrer uma expansão
por umidade (EPU) de 0,6 mm/m (limite recomendado
na NBR 13818/1997), normalmente 20 a 30% dessa
expansão ocorrerá na primeira semana de saída do
21

forno. O aumento restante, se existir, ocorrerá


paulatinamente ao longo de 40 meses ou mais. Em
contrapartida, choques térmicos na fachada possuem a
mesma ordem de grandeza da EPU teórica e ocorrem,
rapidamente, dezenas de vezes em apenas um mês,
contribuindo sensivelmente para a fadiga do conjunto.
Além disso, a umidade que teoricamente causa a EPU
provoca também a dilatação higroscópica do emboço, só
que este valor está próximo de 1 mm/m e pode ser
cíclico e rápido em casos de secagem/umedecimento.
Inúmeros trabalhos internacionais a respeito de EPU,
inclusive do CSIRO (Commonwealth Scientific and
Industrial Research Organisation), um dos mais
respeitados institutos de pesquisa em cerâmica no
mundo, concluem claramente que a EPU é uma
incógnita mundial e sua determinação é muito
influenciada pela agressividade do próprio ensaio. O
comitê salienta, ainda, em seus trabalhos que
afirmações categóricas de EPU como único agente
causador de destacamento são completamente
descabidas, unilaterais e desprovidas de embasamento
técnico.

Mauricio Bianchi, diretor da BKO Engenharia e


membro do comitê de tecnologia do SindusCon-
SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do
Estado de São Paulo), lembra que, embora o
revestimento cerâmico seja um sistema composto
por várias soluções envolvidas, um dos pontos
críticos da especificação é que as conseqüências
dos problemas de patologias geralmente são
creditados aos próprios construtores.
"Contratamos empresas especializadas em
execução de fachadas cerâmicas homologadas Embora não haja dados
pelos fabricantes, adquirimos a argamassa colante concretos, há fortes indícios de
indicada para a aplicação em fachada e em cinco que as estruturas mais esbeltas
ou dez anos os problemas aparecem. Como e deformáveis têm exigido mais
provar quem errou?", questiona. dos revestimentos aderidos.

Para Medeiros, a responsabilidade recai sobre o


construtor porque é ele quem, geralmente, comanda o processo de especificação,
22

seleção, compra e aplicação dos materiais. "Ele não compra uma solução de
revestimento na forma de um sistema, com garantias contratuais e
responsabilidades inclusas para o produto aplicado", afirma.

Patologias

Descolamento de placas extrudadas


Descolamento de placas cerâmicas extrudadas não
esmaltadas. Movimentação higroscópica exige
compensação na resistência de aderência da
argamassa colante, menor rigidez da argamassa de
rejuntamento e compatibilidade do emboço de
substrato. Mau espalhamento da argamassa
colante, sem que seja cumprida a técnica de dupla
colagem, contribui diretamente para o problema. Na
ausência desses cuidados, mesmo com presença de juntas de movimentação, a
manifestação costuma ocorrer

Fungo e alga no
rejuntamento
Presença de fungos
e algas que se
proliferaram na
argamassa de
rejunte, causados
pelo uso de
argamassa de
rejunte com
porosidade elevada e
sem adição de
agentes resistentes a
esses
microorganismos.
Em pouco tempo, a
fachada, mesmo se
bem-executada,
pode ficar com a
estética
comprometida,
necessitando de
manutenção
periódica
23

Falha no selante da junta de movimentação


Falha no tratamento da junta de movimentação com
selante pode implicar ocorrência de futura
infiltração, sinal de seção transversal não
retangular, ausência de limitador de profundidade
(tarugo de espuma de polietileno) e falta de cuidado
na limpeza da abertura. Para evitar o problema, é
recomendável o frisamento do emboço fresco e o
corte prévio das placas

Descolamento de placa cerâmica


A falta de um projeto que especificasse corretamente os
materiais, técnicas e controle de execução provocou o
descolamento de placa esmaltada e prensada.
Combinação de placa com absorção superior a 6%,
aderência e tempo em aberto insuficientes, provocou
manifestação de queda generalizada

Fissura da base de
alvenaria surge no
porcelanato
Ausência de reforço no
emboço permitiu
migração da fissura entre
alvenaria e pilar para a
camada externa, onde foi
aplicado o porcelanato. O
uso de telas metálicas
especiais, membranas
antifissura e juntas
posicionadas
corretamente poderia
evitar o problema.
24

Descolamento do porcelanato - ruptura do emboço


Descolamento do porcelanato causado pela ruptura
do emboço que apresentava resistência mecânica
insuficiente e falhas na aplicação. Tipologias
diferentes de placas (prensadas, extrudadas,
esmaltadas ou não, formatos grandes e pequenos e
com diferentes graus de movimentação
higroscópica) exigem não somente argamassas
colantes e de rejuntamento diferentes como
também de emboços de substrato apropriados.

Eflorescência de
rejuntamento -
fissura de interface
Boa parte dos casos
de surgimento de
eflorescência
acontece devido à
passagem da água
por fissuras na
interface entre
rejunte e bordas da
placa. Aderência à
borda e capacidade
de deformação são
propriedades que
devem ser exigidas
da argamassa.

Estruturas mais deformáveis

Entre as principais patologias associadas às cerâmicas em fachadas estão o


destacamento das placas e as infiltrações nas paredes internas dos imóveis, que
normalmente ocorrem através das juntas de dilatação, além do gretamento do
material cerâmico. "Se o construtor quiser se proteger dos problemas de
descolamentos, deverá especificar corretamente a argamassa e controlar a
aplicação do produto", salienta Vanderley John, professor do departamento de
engenharia de construção civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
"Entretanto, mesmo quem acerta na argamassa colante pode ter problema com o
emboço”, completa Medeiros.

Vale ressaltar que cada cerâmica exige uma técnica de execução e uma argamassa
colante flexível - embora a flexibilidade não seja contemplada na norma nacional -
25

adequada. Em geral, o ideal é a especificação de uma argamassa colante flexível,


capaz de dissipar as deformações diferenciais que poderão ocorrer entre a camada
de acabamento e a base.

Embora não haja dados concretos e estudos científicos, nos últimos anos
verificaram-se fortes indícios que mostram que a execução de estruturas mais
esbeltas e deformáveis, de um modo geral, tem influenciado no aumento das
solicitações impostas aos revestimentos aderidos.

Tal fenômeno ocorre porque edifícios altos são mais suscetíveis ao encurtamento e
sofrem maiores deformações devido ao efeito do vento. Sem contar que as
condições de trabalho nos andaimes suspensos também são mais severas,
dificultando, dessa forma, o controle da execução.

Aliado a esses fatores, o uso de placas maiores também tem exigido técnicas e
materiais compatíveis com essa nova realidade da construção. "Frente a essas
condições, o conhecimento empírico do passado já não serve mais", ressalta
Fernando Henrique Sabbatini, consultor e professor na área de tecnologia da
construção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Por tratar-se de uma camada de acabamento, o conjunto rejunte e placa pode não
resistir aos elevados esforços da base, que podem ser de magnitude muito
superiores ao que ela é capaz de suportar. Antes de especificar a cerâmica na
fachada, portanto, é imprescindível que sejam devidamente consideradas as
deformações globais do edifício como o encurtamento devido à fluência e à retração
da estrutura de concreto e os deslocamentos de cada elemento em particular.
Situações de balanços de lajes e vigas, grandes vãos, vigas submetidas à torção e
fortes efeitos de dilatação térmica nas coberturas merecem atenção especial para o
posicionamento de reforços e juntas e a correta especificação dos materiais de
fixação.

Projetos de revestimento do Shopping Iguatemi Florianópolis


26

Estudo de modulação vertical


entre juntas horizontais.

Junta horizontal de
movimentação acompanha
o fundo da viga. O shopping
não tem janelas como os
prédios convencionais.
Com janelas, a junta se
afasta um pouco do fundo
para alinhar-se com as
aberturas.
27

Detalhe da junta vertical de movimentação que secciona o


revestimento. Notar a presença na membrana de não
tecido de poliéster e resina.

Detalhe da posição das juntas de movimentação e uso de


tela metálica eletrossoldada, zincada a fogo, com fita de
PVC para prevenir fissuras.
28

Elevações das fachadas mostrando posicionamento de juntas e


reforços. Imagens mostram diferentes tipos de telas e juntas adotadas.

Projeto: etapa fundamental


29

Para Carlos Borges, diretor técnico da construtora Tarjab, a especificação da


cerâmica em fachadas envolve desde a escolha correta dos materiais até a forma de
execução - como, por exemplo, a aplicação com projeção ou de forma manual da
argamassa de emboço -, a sequência de execução, o tempo de pega do material,
entre outros detalhes construtivos. Um projeto adequado, que preveja as diferentes
juntas de assentamento e de movimentação, as características da estrutura e dos
materiais a serem usados, complementado por uma execução criteriosa, portanto,
são indispensáveis para evitar problemas de destacamento e outras patologias
inerentes à má aplicação da cerâmica.

No entanto, a compatibilização de todos os componentes do sistema de


revestimento de fachada, tais como chapisco, emboço, telas de reforço, argamassa
colante e de rejunte, materiais de juntas e a própria cerâmica em condições reais,
sobre estruturas mais ou menos deformáveis e alvenarias convencionais é, segundo
especialistas, o ponto mais crítico de qualquer projeto.

Embora uma grande diversidade de placas possa ser aplicada em fachadas, cada
tipo requer critérios de aplicação e cuidados particulares, sobretudo placas com
áreas acima de 400 cm2, como os porcelanatos, por exemplo, e as pastilhas de
porcelana, que não se aplicam à normalização nacional de execução de
revestimentos com placas cerâmicas em fachadas. Placas esmaltadas com índice
de absorção superior a 3% devem ser usadas com critério, pois possuem maior
potencial de movimentação higroscópica. "Esta movimentação é cíclica, se sobrepõe
à movimentação térmica e normalmente exige maior resistência para suportar as
perdas por fadiga ao longo do tempo. No caso de placas esmaltadas, o fenômeno
passa a ser mais crítico quando as placas sofrem gretamento os rejuntamentos e as
juntas perdem estanqueidade", adverte Medeiros.

A paginação adotada pelo arquiteto também deve ser compatível com o projeto do
revestimento. Embora qualquer tamanho de placa seja suscetível ao problema de
destacamento, quanto menor a peça, mais confortável a situação de uso em função
da maior quantidade de juntas existentes para dissipar as tensões internas do
revestimento. Por outro lado, quanto maiores às placas cerâmicas, maiores os
esforços de cisalhamento induzidos na interface de aderência e maiores serão os
riscos de destacamento, em virtude da diminuição da quantidade de juntas de
assentamento.

Absorção de água

Segundo a norma mais respeitada de projeto e execução do mundo, a britânica, o


ideal é que a cerâmica usada em fachadas não ultrapasse o índice de 3% de
absorção de água. Embora não haja recomendação clara na norma brasileira para
30

fachadas, o Centro Cerâmico do Brasil aconselha o uso de placas que obedeçam a


limites de absorções de água inferiores a 6%, e inferiores a 3% em regiões sujeitas à
neve. Adicionalmente, também é recomendada a resistência ao gretamento,
expansão por umidade (EPU) conforme NBR 13818/1997 (Anexo J) EPU ≤ 0,6
mm/m e classe de limpalibilidade 4 ou 5. "O especificador deverá estabelecer os
limites de acordo com a situação, uma vez que nem a norma de placa cerâmica,
nem a de execução estabelecem esses parâmetros específicos aos usos", lembra
Medeiros.

De acordo com o Comitê de Estudos de EPU da Anfacer/CCB, o correto


assentamento da cerâmica envolve o esmagamento dos cordões de argamassa,
muito mais fácil de executar em placas pequenas, pois qualquer batida com um cabo
do martelo é suficiente para completar essa etapa do processo. Para placas de
porcelanato de tamanho 45 x 45 cm, por exemplo, pequenas batidas com o cabo do
martelo servem apenas para proporcionar alinhamento das juntas e são inúteis no
quesito de esmagamento dos cordões. Nesses casos, a dupla colagem - que
consiste, basicamente, na aplicação da argamassa colante no emboço e no verso
das peças - é obrigatória.

Apesar de ser recomendada pelas normas americanas e europeias para a fixação


de cerâmicas com tamanhos superiores a 900 cm2, Vanderley John ressalta que tal
técnica é a única suficientemente segura para executar assentamentos em
fachadas.

No entanto, a aplicação correta da técnica deve contemplar o treinamento da mão-


de-obra, a queda de produtividade e o maior consumo de argamassa. Obviamente,
os custos serão maiores, mas como lembra Sabbatini, os prejuízos causados pelo
destacamento das placas são, pelo menos, duas vezes maiores.

Projetos

Aspecto da
fachada de obra
em São Paulo
100% revestida
com
porcelanato.
Detalhe da
modulação:
placas maiores
foram
colocadas entre
as juntas de
31

movimentação
horizontais e
verticais

Fachada
ventilada com
porcelanato
utilizada na
Europa é
solução segura
mas exige
especificação
no projeto,
compatibilização
com esquadrias
e tem custo
mais elevado
que as soluções
convencionais

Fachada
de edifício
em
Fortaleza
demonstra
o forte
apelo
estético do
porcelanato
32

Ensaio de
desempenho
de
revestimento
em
porcelanato
avalia a
contribuição
da aderência,
flexibilidade e
espessura de
juntas de
colocação na
ruptura à
flexão. No
detalhe,
esmagamento
da argamassa
do rejunte à
compressão
33

Edifício construído há sete anos


Fachada com porcelanato em
em Natal aponta viabilidade do
Recife. É possível obter
emprego do porcelanato
desempenho aliado à estética
aderido

Norma de projeto

A falta de normas que contemplem requisitos de projeto é uma das maiores queixas
dos especialistas. Segundo Sabbatini é muito comum que os construtores e
especificadores recorram à norma de produto, imaginando que elas tenham a
consistência técnica que teria uma norma de projeto.

A única norma - a NBR 13755/96 - Revestimento de Paredes Externas com Placas


Cerâmicas e com Utilização de Argamassa Colante - Procedimento, estabelece os
requisitos para a execução, fiscalização e recebimento de revestimento de paredes
externas com placas cerâmicas assentadas com argamassas colantes específicas
para fachadas.

Mesmo assim, esta norma se aplica a revestimentos constituídos por placas


cerâmicas com as dimensões máximas: área superficial: = 400 cm2 e espessura
total = 15 mm.

Na prática, qualquer dimensão de placas cerâmicas tem sido utilizada em fachadas,


desde que o projeto da obra leve em conta o tipo ou características do revestimento.
Isso significa que grande parte dos assentamentos executados no Brasil não possui
norma base. Especialistas também se queixam que é raro encontrar em obra
engenheiros que conheçam a NBR 13755.