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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 1.401.699 - RS (2013/0294707-3)


RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
PROCURADOR : PROCURADORIA-GERAL FEDERAL - PGF - PR000000F
RECORRIDO : ANTÔNIO CARLOS HOHLFELDT
ADVOGADOS : DECIO SCARAVAGLIONI - RS022910
ISABEL CRISTINA TRAPP FERREIRA E OUTRO(S) -
RS022998

DECISÃO
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL.
APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CÔMPUTO DE
TEMPO ESPECIAL DE JORNALISTA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO
TEMPUS REGIT ACTUM CONSAGRADO NA JURISPRUDÊNCIA
DESTA CORTE. APLICAÇÃO DO ART. 190 DO DECRETO
3.048/1999. RECURSO ESPECIAL DO INSS A QUE SE NEGA
PROVIMENTO.

1. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo INSTITUTO


NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, com base na alínea a do art. 105,
III da Carta Magna, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4a.
Região, assim ementado:

PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES.


CONVERSÃO DO TEMPO DE SERVIÇO LABORADO COMO
JORNALISTA QUANDO DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 3.529/59.
POSSIBILIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INCORPORAÇÃO DE
DIREITO AO PATRIMÔNIO JURÍDICO DO SEGURADO.

O segurado que comprova o exercício da atividade típica de


jornalista tem direito adquirido a converter o tempo de serviço regulado
pela legislação anterior à MP 1.523/96, ou seja, enquanto vigente a Lei
nº 3.529/59.

2. Nas razões do seu Apelo Especial, o INSS pugna pela


reforma do acórdão proferido pelo Tribunal Regional, ao fundamento de que
incorreu em violação aos arts. 1o. da Lei 3.529/59, 37, 38 e 40 do Decreto
77.077/76, 35 e 37 do Decreto 89.312/84 e 57, 58 e 148 da Lei 8.213/91.
Argumenta que a índole especial da aposentadoria do jornalista profissional
para fins de obtenção desse benefício, reside, nos termo da legislação de

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regência, unicamente no tempo de serviço reduzido em 5 anos e não nas
condições especiais relativas à atividade profissional, o que decisivamente a
afasta dos requisitos essenciais da aposentadoria especial prevista no regime
geral de previdência.

3. É o relatório. Decido.

4. Cuida-se de ação na qual se busca a revisão de


benefício de aposentadoria por tempo de contribuição mediante a conversão
em tempo de serviço comum os períodos em que o Segurado exerceu a
atividade de jornalista profissional (1.12.1968 a 31.12.1969, 1.6.1972 a
28.7.1974, 1.8.1974 a 28.5.1975).

5. Nos termos da Lei 3.529/1959, os jornalistas profissionais


que trabalhassem em empresas jornalísticas, quando completassem trinta
anos de serviço, tinham direito à aposentadoria integral. Contudo, a Medida
Provisória 1.523/1996, convertida na Lei 9.528/1997, extinguiu as
aposentadorias especiais do jornalista profissional, do jogador profissional de
futebol, da telefonista e do juiz classista temporário.

6. Em hipóteses como a dos autos, esta Corte tem


consolidado a orientação de que deve-se reconhecer ao obreiro o direito
adquirido à conversão do tempo de serviço regulado pela legislação anterior à
Medida Provisória 1.523/1996, direito que se incorporou ao patrimônio jurídico
do trabalhador segurado, vez que o tempo de serviço é regido pela legislação
em vigor à época em que prestado, incorporando-se ao patrimônio jurídico do
segurado, em atenção ao princípio tempus regit actum .

7. Corroborando tais conclusões, os seguintes julgados:

PREVIDENCIÁRIO. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE


JURISPRUDÊNCIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO.
CONVERSÃO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL EM COMUM.
MÉDICO. VÍNCULO DE EMPREGO E AUTÔNOMO. COMPROVAÇÃO
NA FORMA DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR À ÉPOCA DO EXERCÍCIO
DA ATIVIDADE. ENQUADRAMENTO DAS CATEGORIAS

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PROFISSIONAIS. PRESUNÇÃO LEGAL DE EXPOSIÇÃO A AGENTES
NOCIVOS À SAÚDE ATÉ O ADVENTO DA LEI 9.032/95. INCIDENTE
PROVIDO EM PARTE.

1. Ação previdenciária na qual o requerente postula o


reconhecimento da especialidade das atividades desempenhadas na
função de médico (empregado e autônomo), com a consequente
conversão do tempo de serviço especial em comum a fim de obter
Certidão de Tempo de Contribuição para averbar no órgão público a
que está atualmente vinculado.

2. A controvérsia cinge-se à exigência, ou não, de


comprovação da efetiva exposição aos agentes nocivos pelo médico
autônomo enquadrado no item 2.1.3 dos anexos dos Decretos
53.831/64 e 83.080/79, no período de 1º/3/73 a 30/11/97. 3. Em
observância ao princípio tempus regit actum, se o trabalhador laborou
em condições especiais quando a lei em vigor o permitia, faz jus ao
cômputo do tempo de serviço de forma mais vantajosa.

4. O acórdão da TNU está em dissonância com a


jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o direito
ao cômputo do tempo de serviço especial exercido antes da Lei
9.032/95, com base na presunção legal de exposição aos agentes
nocivos à saúde pelo mero enquadramento das categorias profissionais
previstas nos Decretos 53.831/64 e 83.080/79, como no caso do
médico.

5. A partir da Lei 9.032/95, o reconhecimento do direito à


conversão do tempo de serviço especial se dá mediante a
demonstração da exposição aos agentes prejudiciais à saúde por meio
de formulários estabelecidos pela autarquia até o advento do Decreto
2.172/97, que passou a exigir laudo técnico das condições ambientais
do trabalho.

6. Incidente de uniformização provido em parte (Pet 9.194/PR,


Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 3.6.2014).

² ² ²

PREVIDENCIÁRIO. TERMO INICIAL DOS EFEITOS


FINANCEIROS. DIREITO JÁ INCORPORADO AO PATRIMÔNIO.
SÚMULA 83. VIOLAÇÃO DO ART. 55, § 3º, DA LEI 8.213/1991.
REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. SENTENÇA TRABALHISTA.

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INÍCIO DE PROVA MATERIAL.

1. Na hipótese em exame, o Tribunal de origem consignou que


o "termo inicial dos efeitos financeiros deve retroagir à data da
concessão do benefício, tendo em vista que o deferimento de verbas
trabalhistas representa o reconhecimento tardio de um direito já
incorporado ao patrimônio jurídico do segurado".

2. O acórdão recorrido alinha-se ao posicionamento do


Superior Tribunal de Justiça, de que tem o segurado direito à revisão de
seu benefício de aposentadoria desde o requerimento administrativo,
pouco importando se, naquela ocasião, o feito foi instruído
adequadamente. No entanto, é relevante o fato de, àquela época, já ter
incorporado ao seu patrimônio jurídico o direito ao cômputo a maior do
tempo de serviço, nos temos em que fora comprovado posteriormente
em juízo. Súmula 83/STJ.

3. O decisum vergastado tem por fundamento elementos de


prova constantes de processo trabalhista, consignando o Tribunal de
origem que o "vínculo é inconteste" e que "o provimento final de mérito
proferido pela Justiça do Trabalho deve ser considerado na revisão da
renda mensal inicial do benefício concedido aos autores". Súmula
7/STJ.

4. A discrepância entre julgados deve ser comprovada,


cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam
ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude
fática e jurídica entre eles.

5. Agravo Regimental não provido (AgRg no REsp.


1.427.277/PR, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 15.4.2014).

² ² ²

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE


SERVIÇO. CONVERSÃO DE TEMPO ESPECIAL EM COMUM.
POSSIBILIDADE. LEI 8.213/91, ART. 57, §§ 3º E 5º.

O segurado que presta serviço em condições especiais, nos


termos da legislação então vigente, e que teria direito por isso à
aposentadoria especial, faz jus ao cômputo do tempo nos moldes
previstos à época em que realizada a atividade. Isso se verifica à
medida em que se trabalha. Assim, eventual alteração no regime
ocorrida posteriormente, mesmo que não mais reconheça aquela
atividade como especial, não retira do trabalhador o direito à contagem

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do tempo de serviço na forma anterior, porque já inserida em seu
patrimônio jurídico. É permitida a conversão de tempo de serviço
prestado sob condições especiais em comum, para fins de concessão
de aposentadoria.

Recurso desprovido (REsp. 425.660/SC, Rel. Min. FELIX


FISCHER, DJe 5.8.2002).

8. Ante o exposto, nega-se provimento ao Recurso Especial


do INSS.

9. Publique-se.

10. Intimações necessárias.

Brasília (DF), 25 de setembro de 2017.

NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO


MINISTRO RELATOR

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