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2ºTESTE - DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO – 1º SEMESTRE

FONTES DE DIREITO INTERNACIONAL

O Costume
● É tudo menos formal; não resulta da expressão formal de uma vontade; resulta de
comportamentos que vão sendo adotados ao longo de um certo período de tempo.

Em que consiste?
É constituído por 2 elementos:
→ elemento material ou objetivo (também designado consuetudo) – consiste nos
comportamentos que são adotados pelos sujeitos de DI durante um certo tempo, mais ou
menos alargado. Mas esses comportamentos têm de ser adotados de forma constante e
uniforme.
→ elemento psicológico – interiorização de obrigatoriedade.

● Atualmente exige-se um tempo cada vez mais breve para se formar um costume.
● Há regras de cortesia internacional que não são normas de costume, são apenas usos, falta-
lhes o segundo elemento do costume, elemento psicológico (interiorização de
1
obrigatoriedade).
● O Costume têm uma grande importância no Direito Internacional são escassos os
mecanismos de criação autoritária do Direito. Já no plano interno o costume perde
importância como fonte de Direito.
● Ao lado dos costumes tradicionais existem hoje os costumes instantâneos ou selvagens.
Normalmente aparece o elemento objetivo e depois o subjetivo, no costume instantâneo é
ao contrário.
Porquê isto? Porque o costume tradicional se forma muito lentamente, e às vezes é necessário
que seja mais célere e eficaz, formando-se quase instantaneamente.
● No costume selvagem há uma desvalorização da prática.
● Um estado pode escapar à vinculação de uma norma costumeira se durante o processo da
sua formação se opuser ao seu conteúdo, dizemos que o estado adquire o estatuto de
objetor persistente (a não ser que se trate de uma norma imperativa – de jus congens).

Problema do costume? O problema é que há uma certa incerteza que rodeia esta fonte.
Suscita pois, um problema de prova. Os tribunais internacionais têm um papel importante na
verificação das normas costumeiras.

Tipos de costume:
→ Costume local (vincula 2 estados);
→ regional (vincula os estados de uma mesma região do globo);
→ geral (vincula toda a comunidade internacional).
Costume local - Para se formar um costume local é necessário que ambos os Estados tenham
adotado os precedentes (comportamentos idênticos ao longo do tempo) e que os dois tenham
interiorizado da convicção de obrigatoriedade.
Costume regional - Se falarmos de costume regional também se exige que seja assim.
Costume geral - Relativamente ao costume geral, não se exige que todos os Estados da
Comunidade Internacional adotem condutas idênticas. Exige-se que os comportamentos sejam
adotados pelos estados particularmente interessados no conteúdo da norma.

Outras Fontes Formais de Direito Internacional

1- Artigo 38.º do Estatuto Internacional do Tribunal de Justiça: convenções internacionais;

2 -Princípios gerais de Direito (3ª fonte formal)

Trata-se de uma fonte direta e autónoma de Direito Internacional. Não se confundem com
nenhuma das outras.
Haviam autores que defendiam que estes só podiam ser utilizados se uma convenção 2
internacional autorizasse o recurso aos mesmos (esta ideia é de afastar).

Para que é que servem os princípios gerais de direito? Servem para colmatar/ suprir as
lacunas do direito convencional e do direito costumeiro. Ou seja, são uma fonte supletiva de
Direito Internacional, porque só se pode ocorrer aos mesmos em terceiro lugar. Isto não
significa que são menos importantes do que as convenções ou do que os costumes, trata-se de
um problema de ordem e não de importância.

Que princípios são esses? De onde é que eles vêm?


Há 3 teses diferentes na doutrina:
→ Há autores que dizem que são princípios de direito interno, outros defendem que são
princípios de direito internacional, e há ainda quem defenda os dois (que são princípios de
Direito Interno e Internacional).

Devemos concluir que são princípios de Direito Interno (consagrados na generalidade dos
sistemas jurídicos internos) mas que, se utilizam também no plano internacional.
● E porque é que concluímos isso? Porque é isso que nos revelam os trabalhos preparatórios
do Estatuto do tribunal internacional; em segundo lugar é uma questão de lógica.
● Não são princípios de Direito Internacional, porque esses são extraídos das convenções
internacionais e do costume.
● Exemplos de princípios gerais de Direito:
- São princípios que existem praticamente em todos os sistemas;
- Princípio da boa fé; da proibição do abuso de Direito; Princípio do enriquecimento sem causa;
- Princípio dos Direitos adquiridos;
- Princípio da reparação integral do prejuízo;
- Princípio do ónus da prova;
- Princípio da igualdade das partes;
- Princípio do contraditório; etc.

Quais são os requisitos para que possam ser utilizados no plano internacional?
São dois:
→ têm de ser gerais (não podem ser princípios só do sistema A, B ou C);
→ têm de ter características intrínsecas que os tornem adequados a serem utilizados no plano
internacional – têm de ser transponíveis no plano internacional.

Então como é que se explica que alguns autores digam que também podem ser princípios de
Direito Internacional?
Pode acontecer que perante casos idênticos o Tribunal Internacional de Justiça vai utilizando
sempre os mesmos princípios gerais de direito, a certa altura forma-se um costume
internacional. Logo acontece que por vezes são absorvidos esses princípios por via costumeira.
Mas se acontece são costume e não princípios gerais de Direito.
É por isso que há certos autores que defendem que se trata de uma fonte transitória.

3-Atos jurídicos unilaterais (não está no artigo 38.º)


3
São fontes formais, também.
● Ato jurídico unilateral:

O que é um ato?
Em Direito distinguem-se factos involuntários e voluntários. Facto involuntário é algo que
acontece em virtude de uma causa e que pode ou não produzir efeitos jurídicos. Um facto
voluntário é um ato, porque resulta da vontade de alguém, não é um acontecimento causal.
Em Direito o ato põe-se ao facto involuntário.
Ato Jurídico o que é?
Ato jurídico é o que produz efeitos de Direito (jurídicos), significa que cria direitos ou
obrigações, para o próprio autor do ato ou para terceiros.
O que quer dizer unilateral?
Emana de um só sujeito; é adotado por um só sujeito. Para se tornar perfeito não necessita do
concurso de vontade de outrem.

Para que um ato jurídico unilateral seja fonte de Direito Internacional, é preciso que tenha
algumas características:
1ª imputabilidade (é preciso que esse ato seja imputável ao sujeito que o emitiu – Estado; um
ato é imputável a um Estado quando tiver sido adotado por um órgão do Estado);
2ª oponível a terceiros (o ato é oponível a terceiros quando está em conformidade com o
Direito Internacional);
3ª requisito da publicidade (o ato adotado tem de ser devidamente publicitado; não pode
haver duvidas quanto à manifestação de vontade do Estado).
4ª autonomia (tem de produzir efeitos por si próprio; não pode estar dependente da
conformidade de esse ato com outra fonte de Direito Internacional, nomeadamente ter
ligação com uma convenção internacional).

Exemplos de atos unilaterais do Estado:


reconhecimento; protesto; notificação; promessa e renuncia.
→ Reconhecimento é um ato através do qual um Estado aceita os efeitos jurídicos de uma
situação em cuja criação não participou por intender que ela está de acordo/ em
conformidade com o Direito Internacional; (exemplo: reconhecimento de um novo Estado)
→ Protesto é um ato pelo qual um estado manifesta a sua discordância perante determinada
situação/ato por intender que essa situação está a violar o Direito Internacional; serve ainda
para rejeitar os efeitos jurídicos que dela possam decorrer).
→ Notificação é um ato que serve para que um Estado leve ao conhecimento de um terceiro
(Estado; organização internacional) um facto/situação ou documento.
→ Promessa é o ato pela qual o Estado se compromete a adotar certo comportamento mais
tarde, no futuro; e se não o adotar incorrerá em responsabilidade Internacional – significará a
prática de um ato ilícito.
→ Renuncia é um ato unilateral pelo meio do qual um Estado abdica/prescinde de um direito
de que era titular – é uma espécie de autolimitação de soberania.

Exemplos de atos unilaterais das organizações internacionais:


São designados resoluções. Estas podem ser de 3 tipos diferentes: Decisões; recomendações 4
ou pareceres.
→ Decisões são atos pelo meio dos quais ela impõe um comportamento ao destinatário ou aos
destinatários; tem força jurídica obrigatória; é vinculativo.
→ Recomendações a organização limita-se a propor a sua adoção/ certo comportamento; não
o impõe; não é vinculativo; utiliza-se, muitas vezes, a designação de soft law. Não tem valor
normativo mas tem valor jurídico.
→ Pareces é uma mera pronuncia/opinião da Organização Internacional acerca de um assunto
que lhe é suscitado (é levado ao seu conhecimento).

Fontes auxiliares do Direito Internacional

Além das fontes formais, o Estatuto do tribunal faz referência a duas fontes auxiliares:

→ Jurisprudência (decisões/sentenças de Tribunais Internacionais)


→ Doutrina (opiniões emitidas pelos autores de Direito internacional
Servem para ajudar a determinar o conteúdo das normas jurídicas existentes ou para certificar
a existência de certas normas; não criam direitos; ajudam apenas a determinar o seu
conteúdo.
Relações entre Direito Internacional e Direito Interno

O Direito Internacional ocupa uma posição superior, inferior ou paritária em relação às normas
internas?
Se tivermos uma contradição como é que se resolve? Quais são as consequências?

Soluções teóricas:
Há 2 conceções diferentes na doutrina para este problema.
● Dualismo
● Monismo
- Os dualistas dizem que há duas ordens jurídicas completamente diferentes (internacional e
interna) e encaram-nas como mundos completamente separados, duas realidades distintas.
Isto porque esses autores defendem que a origem do Direito Internacional é diferente do
Direito Interno, tal como os sujeitos e a estrutura. Para os dualistas as normas jurídicas
internacionais só são incorporadas no plano interno se forem transformadas em normas
internas.
- Os monistas, sabendo embora que há 2 ordens jurídicas, partem de uma ideia de unidade
essencial do mundo jurídico. Têm variantes: monismo de direito interno e monismo de direito
Internacional (é a mais seguida). Aceitam a vigência das normas internacionais no plano
interno de forma automática.

Soluções jurídico-positivas /práticas:


5
Em abstrato há 3 sistemas possíveis de receção do Direito Internacional na ordem jurídica
interna:
● receção automática
● transformação
● receção semiplena
- A receção automática significa que o legislador constituinte não coloca quaisquer obstáculos
à vigência interna das normas internacionais. As normas internacionais inserem-se direta e
automaticamente no plano interno, sem perderem a sua qualidade de normas jurídicas
internacionais.
Esta técnica tem subjacente pressupostos monistas.
- A técnica da transformação significa que uma norma de Direito Internacional só produz
efeitos internamente depois que o legislador interno a converta em norma interna através de
um ato da sua competência. A norma internacional perde essa qualidade. O que significa que a
transformação assenta em pressupostos dualistas.
- A receção semiplena é uma técnica mista/ hibrida porque esta conjuga as outras duas.
Em que termos conjuga? Há determinadas normas jurídicas internacionais que são recebidas
automaticamente no plano interno enquanto outras normas internacionais diferentes (com
outro conteúdo) só adquirem relevância no plano interno depois de transformadas em normas
internas. Para um determinado tipo de Direito Internacional vigora a receção automática, para
outro tipo valerá a técnica da transformação.
Como é que este problema está resolvido em Portugal?
Temos de consultar a nossa Constituição.
O artigo 7º anuncia os princípios pelos quais se rege o Estado Português em matéria de
relações internacionais. Mas este artigo não nos diz como é que o Direito Internacional é
recebido no plano interno, isso está previsto no artigo 8º da Constituição.
Ao aludir ao artigo 8º o legislador poderia aludir a 3 critérios (de Direito Internacional):
→ critério da eficácia subjetiva das normas;
→ critério da fonte.
Mas houve uma mistura dos dois, o que resulta na dificuldade de interpretação da norma.
Ao aludirmos ao primeiro (critérios da eficácia subjetiva das normas) identificaríamos o Direito
Internacional geral e Direito Internacional particular.
Se utilizássemos o critérios da fontes identificaríamos o Direito Internacional dos costumes e o
Direito Internacional das Convenções internacionais e dos atos jurídicos unilaterais.

Na norma número 1 do artigo 8º fala-se do critério da eficácia subjetiva das normas e na


norma número 2 do critério da fonte.
O legislador teve aqui em mente três categorias de Direito Internacional:
→ Direito Internacional geral ou comum (normas e princípios de Direito Internacional que
vinculam todos os sujeitos de Direito Internacional);
→ Direito Internacional particular;
→ Direito da União Europeia (que também é direito Internacional particular mas com
características especificas.
Artigo 8º nº1
Trata da receção automática. 6
Artigo 8º nº2
Trata da receção automática condicionada.

Condições de eficácia da convenção no plano interno:


1º a convenção tem de ser aprovada;
2º se for um tratado solene tem de ser ratifica pelo presidente da república;
3º publicada no diária da república.

Artigo 8º nº3
A norma número 3 foi acrescentada para permitir a inserção em Portugal das normas
emanadas da União Europeia. Trata-se aqui da técnica da receção automática.

O que significa uma norma ter efeito direto?


Significa que os indivíduos poderão prevalecer imediatamente dos direitos conferidos por uma
norma internacional invocando-os junto dos tribunal, perante o próprio estado (efeito direto
vertical) ou perante outros particulares (efeito direto horizontal). Pode ter efeito direto e não
ter aplicabilidade direta (significa que se dirige imediatamente aos indivíduos).
As normas emanadas da União Europeia têm receção automática em Portugal, consagrada
na norma nº3 do artigo 8º.

Conclusão:
Para os vários tipos de Direito Internacional em Portugal vigora sempre a técnica da receção
automática, embora condicionada para o Direito Internacional Particular, o que demonstra
que há uma grande abertura do Estado Português face às relações Internacionais. Evidencia-se
também que a CRP no que toca ao relacionamento entre Ordem Jurídica Interna e Ordem
Jurídica Internacional assenta em pressupostos monistas.

Relação Hierárquica que o D.I. ocupa relativamente às Fontes de Dtº


Português

Recebido o Direito Internacional em Portugal qual é a posição hierárquica que ocupa


relativamente às varias fontes de Direito Português?
Este problema não está resolvido expressamente na constituição. A constituição é omissa a
esse respeito.
Resolvemos este problema através da interpretação conveniente dos preceitos
constitucionais, através do apoio da doutrina e da jurisprudência (em particular do tribunal
jurisdicional).

→ Direito Internacional geral ou comum (artigo 8º nº1 da CRP)


● Relativamente à legislação ordinária, toda a doutrina considera que o Direito Internacional
geral ou comum prevalece sobre a legislação ordinária.
● O mesmo se passa relativamente à Constituição. As normas de Direito Internacional geral ou
comum não podem ser contrariadas pelo legislador constituinte.
● O Direito internacional tem um valor supralegal e supra constitucional (está acima de 7
ambas).

→ Direito Internacional particular (Convenções internacionais) (artigo 8 nº2 CRP)


● Enquanto vigorarem no plano internacional não deixam de vigorar internamente. Isto só se
consegue se tiverem um valor supralegal relativamente à legislação ordinária (as convenções
Internacionais têm de estar acima das leis e dos decretos-lei – legislação ordinária). Ver o
artigo 119.º da Constituição.
● Relativamente à Constituição as convenções internacional estão sujeitos à fiscalização da
constitucionalidade. Ver o artigo 277º e 278º da Constituição. Significa isto que têm de estar
em conformidade com a constituição. Têm valor infraconstitucional.

→ Direito da União Europeia (artigo 8 nº3 e 4 CRP)


Divide-se em direito comunitário originário (é o Direito que conta dos tratados que instituíram
as comunidades europeia e daqueles outros que os modificaram ao longo do tempo) e
derivado (Direito que emana das instituições da União Europeia, um exemplo disso são
regulamentos, diretivas e decisões).
● Relativamente à legislação ordinária, é evidente que o Direito da União Europeia prevalece
sobre porque a União Europeia é uma organização internacional supranacional, os Estados-
MENBROS quando aderem à União Europeia abdicam de parcelas do seu poder, havendo
especiais deveres de lealdade.
● Quais são as relações entre o Direito da União Europeia e a própria Constituição
Portuguesa? A revisão Constitucional que acrescenta o número 4 ao artigo 8º:
«4. As disposições dos tratados que regem a União Europeia e as normas emanadas das suas
instituições, no exercício das respetivas competências, são aplicáveis na ordem interna, nos
termos definidos pelo direito da União, com respeito pelos princípios fundamentais do Estado
de direito democrático.»
Trata esta norma de Direito Comunitário originários e derivado. As normas da União Europeia
têm de prevalecer sobre todo o Direito Interno (mesmo sobre o constitucional). A própria
Constituição Portuguesa remete para a Teoria do Primado. Assume-se aqui a prevalência do
Direito da Eu sobre a própria constituição desde que não sejam postos em causa princípios
estruturantes do Estado de Direito Democrático. Se for posto em causa, o tribunal da União
Europeia pode emitir um juízo de inconstitucionalidade.

Fazendo uma pirâmide hierárquica de normas temos:


1º Direito Internacional geral ou comum
2º Direito da União Europeia
3º Constituição
4º Direito Internacional particular (Convenções Internacionais)
5º Leis e decretos-lei
6º regulamentos

Se houver uma contradição normativa entre uma norma jurídica Interna e uma norma
jurídica internacional como é que isso se resolve? Qual é a consequência disso?
Se uma norma interna contrariar uma norma internacional esta não se torna invalida mas sim
ineficaz (não pode ser aplicada). 8
Há, pois, uma preferência aplicativa da norma internacional e desaplica-se a norma interna
que esteja discrepante com essa.

Sujeitos de direito internacional

→ O Estado;
→ Organizações Internacionais;

Estado
O Estado á luz das comunidades internacionais corresponde à organização politica jurídica de
uma determinada comunidade. É uma pessoa coletiva, este é composto por vários elementos:
POPULAÇÃO; TERRITÓRIO ; GOVERNO; SOBERANIA.

- População: o estado é uma coletividade de pessoas, não existe estado sem população, há
estados com população pouco numerosa, microestados, e há com uma população muitíssimo
elevada em números numéricos. Por população de um estado, entende-se por ser constituída
por todos aqueles indivíduos que estão ligados a um estado através de um vínculo jurídico que
é o vínculo da nacionalidade. Esse vinculo tem que ter uma ligação estável, efetiva e genuína
com a pessoa. É a população que é o elemento constitutivo, não é o povo nem a nação.

- Território: não há estado sem território, porque a população é sedentária, está estabelecida
dentro das fronteiras de certo território. O território pode ser em pequenas ou grandes
dimensões. É indispensável que o governo controle uma parcela significativa do território.
Deste faz parte o território terrestre, o domínio fluvial, o domínio marítimo, domínio lacustre e
o domínio aéreo. O domínio terrestre pode ser limitado por fronteiras naturais ou territoriais.
Há certas zonas marítimas que o estado exerce poder de soberania (poderes inerentes ao
estado, como se fosse direito de propriedade) e zonas que só exerce jurisdição (poderes não
inerentes ao estado, são poderes muito mais limitados, são poderes funcionais, são atribuídos
em função de certos objetivos apenas). A plataforma continental é só o solo e subsolo
marítimo até uma extensão de 200 milhas.

- Governo: quando falarmos em governo, pensamos no poder executivo, mas não se pensa
nele em exclusivo. Para haver estado é preciso que esse governo seja efetivo (quando no plano
interno é capaz de assegura a ordem e a segurança e no plano externo é capaz de garantir o
comprimento dos compromissos do estado).

- Soberania: começou por ser entendida em termos absolutos nas monarquias absolutas. Hoje
é um conceito relativo, esta significa que um estado pode exercer no seu território as suas
competências de forma plena e exclusiva.

Responsabilidade Internacional do Estado por atos Ilícitos


Em geral qualquer ramo de direito se faz a distinção entre normas primárias e secundárias:
● Normas primárias: impõe certos deveres de conduta aos destinatários
● Normas secundárias: são as que estabelecem certas consequências jurídicas para a violação
de normas primarias.
9
As normas de responsabilidade internacional estabelecem consequências jurídicas para a
violação de normas primárias.

Pressupostos da responsabilidade internacional do estado?


São 4:
1. Prática de um ato ilícito: violar uma norma, uma obrigação internacional a que esse estado
tivesse vinculado
2. Nexo de imputação: é preciso que o ato ilícito seja imputável ao estado, seja atribuível ao
estado. É imputável quando tenha sido praticado por alguém que atuou em nome do estado.
3. É preciso que o ato ilícito cause danos a terceiros.
4. Nexo de causalidade: é preciso demonstrar que os danos ocorridos for consequência da
conduta do estado , é preciso provar essa ligação.

Reunidos estes 4 pressupostos dizemos que o estado incorre em responsabilidade


internacional.
Consequências: surge uma relação jurídica nova entre o estado que praticou o ato ilícito e o
estado vitima. Qual o conteúdo? O estado vitima tem o direito subjetivo de exigir ao estado
autor do ato ilícito a reparação dos danos que lhe foram causados, e o estado autor do ato
ilícito tem a obrigação de proceder à reparação desses danos. O estado autor tem como
deveres acessórios cessar a prática do ato ilícito e prestar ao estado vitima garantias de não
repetição desse ato ilícito.
Reparação de Danos:
Há 3 modalidades de reparação de danos:

→ Indemnizar o estado vitima: colocando-o na situação onde estaria se o ato ilícito não se
tivesse dado. Restituição da situação hipotética. A reparação deverá ser na integra. (restitucio
in integrum)
→ Pagamento da tal indemnização em termos monetários: para o compensar dos danos que
sofreu, e essa quantia deve abranger os danos emergentes e os lucros cessantes.
→ Para os danos morais: a modalidade é a satisfação, que consiste num pedido oficial de
desculpas, uma manifestação pública de que se penitencia por isso, sancionar internamente
sanções disciplinares aos funcionários que em concreto realizaram o ato ilícito.

Se se verificar uma qualquer causa de exclusão da ilicitude não há responsabilidade


internacional, mesmo que estejam presentes os 4 pressupostos.

Causas possíveis da exclusão de ilicitude, fatores ou circunstancias que dizem que


estamos perante causas de exclusão de ilicitude:
1- Consentimento
2- Legitima Defesa
3- Contra medidas
4- Força maior
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5- Perigo Extremo
6- Estado de Necessidade

Causas de exclusão da ilicitude internacional são situações em que é afastada a ilicitude de um


comportamento de um Estado. Em virtude de determinadas circunstâncias não se dá a
ilicitude.

1. Consentimento enquanto causa de exclusão da ilicitude.


O consentimento é um acórdão entre o estado autor do ato ilícito e o estado vitima através do
qual este ultimo estado autoriza a pratica desse ato/ autoriza esse comportamento. Se o
estado vitima autoriza a pratica do ato, afasta-se a respetiva ilicitude.
Só que para isto acontecer é preciso que estejam reunidas certas condições:
→ o consentimento do estado vitima seja prestado de forma regular (sem vícios), como
acontece com as convenções internacionais.
→ Tem de ser um consentimento claro e inequívoco (não pode deixar duvidas quanto ao seu
sentido/alcance).
→ Não pode ser presumido.
→ Só é válido dentro dos limites temporais e substantivos (de conteúdo) em que o estado
vitima o tenha delimitado.
→ É irrelevante, ou seja, não produz efeitos, o consentimento prestado para a prática de um
ato que consista na violação dos jus cogens (norma imperativa de Direito Internacional).
Dentro destes pressuposto, cumpridos que estejam, então o consentimento pode excluir a
ilicitude de um Estado.
2. Legitima defesa
Figura consagrada na carta das nações unidas (artigo 51.º).
Há um principio de proibição do recurso à força mas os estados podem utilizar a força em
legitima defesa (se tiverem sofrido um ataque armado).
A legitima defesa funciona como causa de exclusão da ilicitude, se se tratar de um uso da força
para responder a um ataque armado prévio, o recuso à força deixa de ser ilícito.
A legitima defesa obedece a certos requisitos: o fundamental é o requisito da
proporcionalidade (a resposta tem de ser proporcional ao ataque – por exemplo, não é
possível responder a um bombardeamento com uma bomba atómica).
Trata-se de uma causa de exclusão da responsabilidade.

3. Contra medidas
São reações admitidas pelo direito internacional aos atos ilícitos.
Quando um estado pratica a um ato ilícito isso pode dar asas a reações centralizadas (reações
de organizações ) ou descentralizadas (adotadas pelos estados individualmente considerados –
contra medidas).
As contramedidas podem ser de dois tipos:
- retorsões: são atos inamistosos , hostis, mas lícitos. Ex: declaração de uma pessoa como
persona non grata.
- represálias: são atos inamistosos mas ilícitos. Só que essa ilicitude vai, depois, ser afastada.
Ex: incumprimento de uma convenção internacional – é um ato ilícito, no entanto essa ilicitude
poderá ser afastada se essa medida for uma resposta a um ato ilícito anterior e porventura
mais grave. 11
Como se distingue então a represália da legitima defesa? A represália tem de ser pacífica. A
legitima defesa implica a utilização da força.

4. Força maior
Designa situações em que há um agente do estado que fica impossibilitado de cumprir o
Direito Internacional numa situação concreta (que o vinculava). Trata-se de algo inoxerável.
Isto acontece em virtude de um acontecimento imprevisto ou de uma força irresistível, que
impedem que o agente estadual cumpra as suas obrigações internacionais. Estamos a falar de,
sobretudo, catástrofes naturais.
Carater involuntário é o que caracteriza a força maior, não resta nenhuma alternativa.
Para que a força maior possa excluir a ilicitude é preciso que esse estado não tenha sido
negligente, ou seja, não tenha contribuído para aquela situação de força maior.

5. Perigo extremo
Tem a ver com casos em que há um agente do estado que viola uma obrigação internacional
por ser essa a única forma que ele encontra de salvar a sua própria vida e a vida de pessoas
que estão ao seu cuidado/ sob a sua responsabilidade.
Como se distingue o perigo extremo da força maior ? No perigo extremo o agente do estado,
pelo menos do ponto de vista teórico, tem uma opção. Pode optar entre cumprir o Direito
Internacional ou violá-lo. Só que esta opção realmente não chega a verificar-se, porque
cumprir o Direito Internacional significará a sua morte e das restantes pessoas. Exemplos: um
navio em alto mar a viajar próximo da costa de um estado e esse navio é arrastado para o
porto de um estado estrangeiro, entrando no mesmo sem pedir autorização às autoridades
locais – situação de força maior. Um avião que se depara com uma situação de falta de
combustível e o piloto decide aterrar num aeroporto de um estado próximo sem pedir
autorização para tal – situação de perigo extremo.
O perigo extremo só exclui a ilicitude se o interesse protegido for mais valioso ao interesse
sacrificado.
Submarino atómico no qual se dá uma explosão e o comandante dirige-se a um porto
estrangeiro correndo o risco de explosão – aqui o interesse sacrificado é maior do que o
interesse protegido.

6. Estado de necessidade.
É um caso em que há uma ameaça que paira sobre um Estado, um perigo eminente, que pode
por em causa a sobrevivência do próprio estado, a sua subsistência como entidade soberana.
Esse estado, para afastar o perigo, viola o Direito Internacional.
Nesta situação também existe uma opção, o Estado pode optar por cumprir ou violar o Direito
Internacional, mas a violação do Direito Internacional é a única forma de afastar a ameaça.
Como se distingue o perigo extremo do estado de necessidade?
No perigo extremo está em causa a vida de um agente do estado e de algumas pessoas à sua
responsabilidade, no estado de necessidade está em jogo o próprio Estado.
Para que o estado de necessidade funcione como causa de exclusão da ilicitude é necessário
cumprir alguns requisitos: é necessário que o interesse protegido seja superior/mais valioso ao
interesse sacrificado – não pode por em causa a sobrevivência de outro estado; a atuação do
estado deve ser a única forma possível de afastar o perigo; não pode violar uma norma
imperativa de direito internacional aquando da atuação em estado de necessidade; se num
tratado prévio o estado em causa tenha excluído a possibilidade de futuramente invocar o
estado de necessidade. 12
As situações em que o estado invoca esta figura são raras, acontece por exemplo em situações
de divida, mas o estado que invoca estado de necessidade não pode ter contribuído para essa
mesma divida.

Organização internacionais

Organização das nações unidas - ONU

É uma associação de Estados criada por tratado, que se designa por tratado/ carta/ pacto
constitutivo. Têm órgãos próprios, com carater permanente, que representam a organização e
exprimem a sua vontade, portanto são sujeitos de Direito Internacional. Ter personalidade
jurídica internacional significa que são centros autónomos de imputação de direitos e
obrigações. Exprimem uma vontade distinta da dos Estados Membros.
Dentro das organizações internacionais, a mais importante é a Organização das Nações Unidas.

Foi criada no pós segunda guerra mundial. O objetivo principal é a manutenção da paz e da
segurança internacional. A carta das nações unidas institui um sistema de segurança coletiva
para alcançar esse objetivo. Um ataque a um dos membros das nações unidas é visto como um
ataque a todos os outros.
Órgãos principais e as suas competências:

1→ secretariado das nações unidas;


2→ conselho de segurança;
3→ assembleia geral;
4→ conselho económico e social;
5→ conselho de tutela;
6→ tribunal internacional de justiça.

Secretariado das Nações Unidas


● Presidido por António Guterres.
● Órgão de caráter administrativo. Tem ainda competências muito relevantes no plano politico
e diplomático e no que toca à solução pacifica de conflitos internacionais.

Conselho de segurança 13
● É um órgão que tem uma composição mais restrita.
● Tem 15 membros, 5 são permanentes (E.U, Rússia, China, França e Reino Unido) e 10 não
permanentes, ou seja rotativos, eleitos por um período de 2 anos.
● Tem competências sobre tudo em matéria de manutenção da paz e da segurança
internacional.

● Como é que o conselho de segurança delibera? Por maioria qualificada de 9 votos. Tem 15
membros e delibera por maioria de 9 votos. Mas, pode deliberar sobre questões materiais ou
de fundo ou sobre questões processuais ou procedimentais. As questões materiais ou de
fundo são as mais importantes. Então:
- se o conselho de segurança for deliberar por uma questão processual são necessários os tais
9 votos, quaisquer que sejam (membros permanentes ou não permanentes).
- se o conselho de segurança for apreciar uma questão material ou de fundo nos 9 votos têm
de estar incluídos os votos dos 5 membros permanentes, se um deles votar contra a
deliberação já não é adotada. Nas questões materiais os membros permanentes têm o
chamado direito de veto.
● O direito de veto significa o poder de paralisar uma tomada de decisão, impedir que uma
deliberação do conselho seja adotada.

● Por vezes, há duvidas quanto à natureza da questão que o conselho de segurança vai
apreciar: não se sabe se é uma questão material ou procedimental. Se isso acontecer o que é
que o concelho tem de fazer?
Em 1º lugar, têm de qualificar a questão como material ou procedimental. Essa qualificação é
feita através de uma votação prévia. Acontece que o ato de qualificar uma questão é em si
mesmo considerado questão material, portanto os membros permanentes podem exercer
direito de veto.
Poderia acontecer sistematicamente que as questões duvidosas fossem consideradas
processuais, porque os membros permanentes são menos dos que os não permanentes. Por
isso os membros podem exercer o seu direito de veto, podem vetar a qualificação da questão
como questão processual – por isso a questão é considerada material, podendo haver
novamente direito de veto para impedir que haja deliberação do conselho – sistema do duplo
veto.
O sistema do duplo veto só entra em jogo quando há duvidas da natureza da questão.

Assembleia geral
● Órgão do qual são membros todos os estados que fazem parte da ONU (193).
● É o órgão plenário da ONU.
● Como tem elevado número de membros funciona em coronário e permissões.
● É o único órgão das nações unidas que têm uma competência genérica (pode discutir
qualquer assunto). No âmbito dessa competência pode adotar recomendações aos Estados
membros. Depois tem certas competências especificas, pode adotar decisões obrigatórias.
● Delibera por maioria simples, mas, em questões mais importantes delibera por maioria
qualificada de 2/3.

Conselho económico e social


● Tem 54 membros. 14
● Serve para superentender na superação internacional em vários domínios. Ou seja, é o
órgão encarregado de promover a cooperação Internacional nos mais variados domínios.

Conselho de tutela
● Ainda existe no papel mas já esgotou a sua missão.
● Destinava-se a superintender na administração de territórios sob tutela.
● Atualmente já não existem territórios sob tutela internacional.
● Eram territórios administrados por um estado e essa administração era fiscalizada pelo
conselho de tutela.
● É um órgão que vai desaparecer.

Tribunal Internacional da Justiça


● Órgão judicial das Nações Unidas.
● Tem a sua sede na Holanda.
● É um tribunal composto por 15 juízes, que são recrutados de varias partes do globo para que
o tribunal seja suficientemente representativo.
● É um tribunal que julga apenas conflitos entre Estados.
● Tem uma particularidade, a sua competência não é obrigatória relativamente aos Estados
como é obrigatória a competência dos tribunais internos relativamente aos cidadãos. O seu
funcionamento baseia-se no principio do consentimento/ da consensualidade dos Estados. Os
estados só submetem os seus conflitos à apreciação do mesmo se para isso derem o seu
consentimento. Esse consentimento pode ser dado antes e independentemente da ocorrência
do conflito ou depois da ocorrência do mesmo. Temos, pois, varias forma de aceitação da
jurisdição do tribunal já depois de o conflito ter ocorrido e temos formas de aceitação antes
e independentemente do conflito ocorrer.

Se o conflito já surgiu há duas maneiras: acordo especial e forum prorrogatum.


→ Acordo especial – acordo entre os estados que estão em conflito através do qual decidem
levá-lo à apreciação do tribunal para que este possa julgar o conflito e proferir uma sentença
(aceitação expressa).
→ Forum prorrogatum – é uma forma tacita de aceitação da competência do tribunal por
parte do estado de mandato.
Por exemplo um conflito entre A e B, não chegam a acordo para levar o conflito a tribunal. A
intenta a ação contenciosa no tribunal internacional de justiça contra o Estado B. O Estado B
(de mandato) comparece voluntariamente no tribunal internacional de justiça. O tribunal
internacional de justiça vai concluir que B aceitou tacitamente a sua competência.

Se não existir nenhum conflito as possibilidades que o estados têm de aceitar a jurisdição de
um tribunal são: conclusão de uma convenção internacional; subscrição de uma cláusula
facultativa de jurisdição obrigatória.
→ conclusão de uma convenção internacional entre 2 ou mais estados na qual estipulam que
se no futuro vier a existir conflitos entre eles, esses conflitos serão levados a tribunal;
→ subscrição da cláusula facultativa de jurisdição obrigatória (essa cláusula é o artigo 36º nº2
do estatuto do tribunal internacional de justiça. Acontece
● Quando um estrado adere ao estatuto do tribunal internacional de justiça fica vinculado a 15
todas as cláusulas menos a uma, que é facultativa (art 36nº2), essa cláusula prevê a jurisdição
obrigatória do tribunal int de justiça para conflitos futuros. Qualquer estado pode a todo o
momento subscrever essa cláusula, ou seja, vincular-se a essa cláusula – isso é feito através de
uma notificação enviada ao secretario geral das nações unidas.
Se se vincular a essa causa o tribunal internacional de justiça passará a julgar os seus conflitos
futuros. Trata-se de uma subscrição unilateral.
Índice
Fontes de Direito Internacional Público ...................................................................................... 1
O Costume ................................................................................................................................. 1
Fontes Formais .......................................................................................................................... 2
Estatuto do Tribunal de Justiça ............................................................................................. 2
Convenção Internacional ...................................................................................................... 2
Princípios Gerais de Direito ................................................................................................... 2
Atos Jurídicos Unilaterais ...................................................................................................... 3
Fontes Auxiliares de Direito Internacional ................................................................................ 4
Relações entre Direito Internacional e Direito Interno ............................................................... 5
Dualismo.................................................................................................................................... 5
Monismo ................................................................................................................................... 5
Receção do Direito Internacional na Ordem Jurídica................................................................ 5
Em Portugal ............................................................................................................................... 6
Condições de Eficácia da Convenção no Plano Interno ............................................................ 6
Relações Hierárquica que o D.I ocupa relativamente às Fontes de Dtº PT ................................ 7
Direito Internacional Geral ou Comum ..................................................................................... 7
Direito Internacional Particular ................................................................................................. 7
Direito da União Europeia ......................................................................................................... 7
16
Sujeitos de Direito Internacional ................................................................................................. 8
O Estado .................................................................................................................................... 8
Organizações Internacionais ................................................................................................... 12
Responsabilidade Internacional por atos Ilícitos ........................................................................ 9
Pressupostos da Resp. Int. do Estado e Consequências .............................................................. 9
Reparação de Danos .................................................................................................................. 10
Causas de exclusão de ilicitude .................................................................................................. 10
Organizações Internacionais ...................................................................................................... 12
ONU ......................................................................................................................................... 12
Órgãos Principais e suas competências ................................................................................ 13-15

- Levar a carta das nações unidas, Convenção de Viena e Constituição.