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03/01/2019 Classificação dos Impostos no Direito Tributário

jusbrasil.com.br
3 de Janeiro de 2019

Classificação dos Impostos no Direito Tributário

CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS NO DIREITO TRIBUTÁRIO

AUTOR: Flávio Matos Petroli

Resumo: O presente trabalho versa sobre a classificação do


imposto, onde procuraremos fazer uma análise clara e concisa a
respeito do tema, objetivando demonstrar o conceito,
características, classificação doutrinaria e legislativa. Para tanto
abordaremos a temática a partir de uma pesquisa Doutrinaria,
Jurisprudencial e legislativa.

Sumario: 1. Conceito de imposto; 2. Características dos


impostos; 3. Classificação dos Impostos; 4. Quanto à base
econômica de incidência e a classificação imposta pelo CTN.

1. CONCEITO

Para explicar o conceito de imposto Cláudio Carneiro ensina “A disciplina


normativa dos impostos encontra amparo geral no art. 145, I, da
Constituição da República e no art. 16 do CTN, que assim dispõe: Art. 16.
Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação
independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao
contribuinte. Assim, podemos dizer que o imposto é um tributo, por
excelência, de finalidade meramente fiscal22, ou seja, de cunho meramente
arrecadatório. É uma espécie tributária cujo fato gerador não está
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vinculado a nenhuma atividade estatal diretamente relacionada com o
contribuinte. Serve principalmente para cumprir as despesas genéricas,
podendo, excepcionalmente, ser usado para uma destinação específica”.[1]

No entender de Paulo Barros Carvalho“(...). Podemos definir imposto como


o tributo que tem por hipótese de incidência (confirmada pela base de
cálculo) um fato alheio a qualquer atuação do Poder Público”.[2]

Já no entendimento de Zelmo Denari “O imposto, portanto, é a prestação


pecuniária imposta, legalmente, pelo Estado, e que independe de qualquer
atuação relacionada com o obrigado”.[3]

2. CARACTERÍSTICAS DOS IMPOSTOS

Cláudio Carneiro demonstra que que além dos requisitos genéricos do art.
3º do CTN, os impostos apresentam algumas características importantes,
quais sejam:

a) “ Os fatos geradores dos impostos são, em regra, constitucionalmente


previstos. Embora o fato gerador do imposto venha previsto na lei, também
é nominado na norma constitucional que outorga a competência tributária.
Destaque-se que, por questões obvias, no exercício da competência
residual, a Constituição não denominou o seu fato típico.

b) A existência do elemento causal. Como os impostos não são vincula- dos


a uma atuação específica do Estado, a lei prevê̂ o fato gerador em razão de
uma atividade, uma situação do contribuinte, sendo que essa situação deve,
segundo a lei, ser geradora de riquezas.

c) Elemento finalístico: O produto da arrecadação dos impostos é destinado


às funções gerais e indivisíveis do Estado, ou seja, às despesas públicas. Por
isso, se diz que a finalidade do imposto é a utilização prevista nos
orçamentos e nos documentos que trazem planejamento orçamentário
(PPA, LDO, LOA). Já́ vimos no capítulo que trata do Direito Financeiro
que a receita obtida com a arrecadação dos impostos não pode ser
vinculada a órgão, fundo ou despesa, conforme o art. 167, inciso IV, da CF
(Princípio da não vinculação da receita dos impostos ou da não afetação”.
[4]
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3. CLASSIFICAÇÃO DOS IMPOSTOS

Dentre as principais classificações dos impostos, podemos destacar as


seguintes:

Impostos Diretos e Indiretos

Segundo entendimento de Claudio Carneiro, os impostos diretos seriam “


Quanto à forma de percepção, os impostos classificados como diretos são
aqueles cuja causa de nascimento, ou seja, cujo fato gerador incide sobre o
contribuinte de direito (pessoa que realizou a hipótese de incidência,
descrita na lei, e por isso tem a obrigação legal de recolher o tributo aos
cofres públicos), que não tem a possibilidade de transferir o encargo fiscal a
quem quer que seja. Ele é ao mesmo tempo contribuinte de fato e de
direito. Exemplo: IPVA”.[5]

Na definição de Zelmo Denari “Imposto direto é o que recai, direta e


definitivamente, sobre o contribuinte, que suporta a carga tributária sem
possibilidade de transferir o encargo financeiro. Exemplifica-se com os
impostos que gravam a renda (IR) ou o patrimônio do contribuinte
(imposto predial, territorial urbano e rural).

Para Claudio Carneiro. “Imposto direto é o que recai, direta e


definitivamente, sobre o contribuinte, que suporta a carga tributária sem
possibilidade de transferir o encargo financeiro. Exemplifica-se com os
impostos que gravam a renda (IR) ou o patrimônio do contribuinte
(imposto predial, territorial urbano e rural) ”.[6]

Já os impostos indiretos, para Cláudio Carneiro seriam “Já́ os impostos


indiretos são aqueles em que o contribuinte de direito é diferente do
contribuinte de fato. São aqueles que incidem sobre o contribuinte de
direito que, por sua vez, transfere o encargo fiscal a uma pessoa alheia à
relação jurídica tributá- ria, usualmente chamada de contribuinte de fato.
Exemplos: ICMS e IPI”.[7]

Zelmo Denari “Por outro lado, imposto indireto é o que recai sobre o
contribuinte que se liberta do sacrifício, transferindo a terceiros o imposto
pago, pelo fenômeno da repercussão ou translação. Na prática, designa-se
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por contribuinte de direito aquele que recolhe o imposto e contribuinte de
fato aquele que, afinal, suporta efetivamente o gravame”.[8]

Sobre os impostos indiretos Cláudio Carneiro destaca o fenômeno da


repercussão tributária, que assim é definida pelo autor: “O fenômeno da
repercussão ou translação na verdade é o repasse do encargo financeiro do
tributo para quem estiver na etapa subsequente da cadeia econômica. Com
isso, o repasse pode ou não gerar um “efeito cascata”.[9]

Como efeitos da repercussão tributária Cláudio Carneiro destaca “Podemos


dizer que a repercussão apresenta dois efeitos: a) provoca uma injustiça
fiscal, já́ que incide de forma pesada no consumo; b) o surgimento do
contribuinte de fato, na forma do art. 166 do CTN.[10]

Para Eduardo de Moraes Sabbag, a repercussão tributária ocorre “(...)


quando o contribuinte de direito realiza o fato gerador, entretanto, quem
faz o pagamento do imposto de forma indireta é o contribuinte de fato.
Sendo assim, a repercussão tributária nada mais é do que a transferência
do encargo ao contribuinte de fato, não assumido o ônus pelo realizador do
fato gerador, ou seja, o pelo contribuinte de direito”.[11]

Sobre a diferenciação entre contribuintes de fato e contribuintes de direito


dentro da repercussão tributária, destacamos o seguinte acórdão:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ICMS. FORNECIMENTO DE


ENERGIA ELÉTRICA. DEMANDA RESERVADA DE POTÊNCIA.
LEGITIMIDADE ATIVA. CONSUMIDOR FINAL. HOTEL
(CONTRIBUINTE DE DIREITO). HÓSPEDES (CONTRIBUINTES DE
FATO). REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 166,
DO CTN. APLICAÇÃO.

1. O sujeito passivo da obrigação tributária é o consumidor final da energia


elétrica, que assume, simultaneamente, a condição de contribuinte de fato e
de contribuinte de direito, figurando, a concessionária de serviço público,
como mera responsável pela retenção e recolhimento do ICMS, ato material
de "fazer" imposto pelo Estado (Precedentes do REsp 1.044.042/RS">
REsp 1.044.042/RS">STJ: REsp 1.044.042/RS, Rel. Ministro Castro Meira,

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Segunda Turma, julgado em 06.08.2009, DJe 31.08.2009; e AgRg no Ag
933.678/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em
13.11.2007, DJ 29.11.2007).

É importante destacar que existe uma discussão a respeito da interpretação


de quem seria o contribuinte de fato, entre Doutrina e Jurisprudência.
Cláudio Carneiro afirma “Discute-se então, quem é o contribuinte de fato.
Para a doutrina é o consumidor final, já́ que é ele quem suporta, de fato, o
encargo fiscal. Para a jurisprudência é a primeira pessoa que se submeteu
ao desgaste da repercussão, pouco importando se houve ou não
repercussões posteriores”.[12]

Outra consequência da repercussão tributária é a possibilidade de se


permitir através do regime da não cumulatividade a compensação
financeira do imposto pago em operações anteriores.

Na visão de Zelmo Denari “O fenômeno econômico da repercussão – como


critério distintivo entre o imposto direto e indireto – tem sido considerado
insuficiente, em determinados setores doutrinários. (...). O argumento mais
utilizado é o do perecimento da mercadoria nas mãos do contribuinte de
direito pela ação do tempo ou por força maior. Assim, o comerciante que
perdesse toda a mercadoria, em decorrência de inundação ou incêndio, não
teria possibilidade de transferir aos consumidores a carga tributária,
incorporada ao preço do produto no ato da aquisição”.[13]

Sobre a não cumulatividade Cláudio Carneiro ensina “O sistema da não


cumulatividade tem por objetivo desonerar o consumidor, que é o
contribuinte de fato”.[14]

A respeito do regime de não cumulatividade destacamos o seguinte


acórdão:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.


CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. IMPORTAÇÃO DE BEM PARA
USO PRÓPRIO POR NÃO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE DE
INCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. AGRAVO
IMPROVIDO.

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I – A exigência de IPI na importação de bem para uso próprio por pessoa
não contribuinte do tributo implica violação ao princípio da não
cumulatividade.

II – Agravo regimental improvido.

Pessoal ou real

Na definição de Cláudio Carneiro, “Essas modalidades são classificadas


quanto ao objeto de incidência. Assim temos o imposto pessoal que incide
sobre a pessoa do contribuinte, em função de suas características pessoais,
ou seja, é o imposto cujo fato gerador incide sobre uma pessoa, enfatizando
as circunstâncias subjetivas (do contri- buinte) que a cercam. Exemplo:
imposto de renda de pessoa física. Já́ o real é o imposto que, incidindo
sobre o contribuinte, enfatiza a situação de um bem ou coisa. Exemplo:
IPTU28”.[15]

Para Anis Kfouri o “Quanto à classificação, os impostos também podem ser


reais ou pessoais, sendo considerado reais “aqueles cujo aspecto material
da hipótese de incidência limita-se a descrever um fato, ou estado do fato,
independentemente do as- pecto pessoal, ou seja, indiferente ao eventual
sujeito passivo e suas qualidades” enquanto os impostos pessoais são
“aqueles cujo aspecto material da hipótese de incidência leva em
consideração certas qualidades, juridicamente qualificadas, dos possíveis
sujeitos passivos”.[16]

Segundo Zelmo Denari “O imposto pessoal é instituído levando em conta a


situação pessoal do contri- buinte, além da matéria tributável. O exemplo
mais típico é o do IR. De índole subjetiva, leva em consideração os dados
pessoais do contribuinte, para atingi-lo mais ou menos intensamente, de
acordo com a capacidade contributiva. O imposto real, por sua vez, é
instituído levando em conta a matéria tributável, sem consideração à
condição pessoal do contribuinte. De índole objetiva, abstrai a capacidade
contributiva do contribuinte. Como exemplos temos o imposto territorial,
rural e o imposto predial”.[17]

Progressivos, regressivos, fixos e proporcionais

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Cláudio Carneiro ensina “Nesse sentido, serão progressivos os impostos
que se caracterizam pelo aumento da alíquota numa proporção direta ao
aumento da base de cálculo, como, por exemplo, o Imposto de Renda e o
IPTU progressivo em razão do valor do imóvel (art. 156, § 1o, I da
CRFB/88)– a chamada progressividade fiscal”.[18]

No entendimento de Eduardo Sabbag “A progressividade traduz-se em


técnica de incidência de alíquotas variadas, cujo aumento se dá́ na medida
em que se majora a base de cálculo do gravame (MACHADO, 2008, p. 298-
300). O critério da progressividade diz com o aspecto quantitativo,
desdobrando-se em duas modalidades: a progressividade fiscal e a
progressividade extrafiscal. A primeira alia-se ao brocardo “quanto mais se
ganha, mais se paga”, caracterizando-se pela finalidade meramente
arrecadatória, que permite onerar mais gravosamente a riqueza tributável
maior e contemplar o grau de “riqueza presumível do contribuinte”
(BECKER, 1972, p. 454-456). A segunda, por sua vez, filia-se à modulação
de condutas, no bojo do interesse regulatório. Temos 3 (três) tipos de
impostos progressivos: o IR, o IPTU e o ITR”.[19]

Zelmo Denari afirma “Ressalte-se, contudo, que a proporção da alíquota


pode aumentar gradativamente, em correspondência com o aumento da
base de cálculo. Fala-se, então, em impostos progressivos, como o imposto
sobre a renda, cuja alíquota aumenta de acordo com os rendimentos do
contribuinte, numa escala progressiva”.[20]

Em relação a regressiva Claudio Carneiro “Existe também a modalidade,


pouco conhecida, porque é pouco aplicada, chamada de regressiva. Nesse
caso, diminui-se a alíquota na medida em que aumenta a base de cálculo,
ou seja, quando a sua onerosidade relativa cresce na razão inversa do
crescimento da renda do contribuinte. Temos como exemplo o IR sobre
operações em renda fixa”.[21]

Cláudio Carneiro “Temos como proporcionais, ou também chamado de


variáveis, aqueles tributos cuja alíquota permanece fixa e a base de cálculo
é que varia, ou seja, paga-se mais ou menos pela variação da base de
cálculo. É, por exemplo, a regra geral do IPTU, no qual a base de cálculo é
considerada o valor venal do imóvel”.[22]

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No entendimento de José Jayme Macêdo Oliveira “Proporcional é o
imposto cuja alíquota é invariável e aplica-se sobre uma base de cálculo
variável. Assim, o multiplicador (que é a alíquota), em regra representado
por uma fração (%), é uniforme, e o multiplicando (que é a base de cálculo)
cresce ou reduz, é maior ou menor”.[23]

Zelmo Denari nos lembra “Sem obstância, em nosso sistema tributário, a


quase totalidade dos impostos são proporcionais, isto é, instituídos com
base em alíquota incidente sobre o valor do objeto tributado, ou seja, sobre
a base de cálculo”.[24]

Claudio Carneiro tem o seguinte entendimento “Por fim, os fixos são os


impostos em que tanto a base de cálculo quanto a alíquota vêm descritas na
própria lei, com valores fixos. Aparece via de regra nas taxas, mas nos
impostos há pouquíssimos casos, como, por exemplo, o Imposto sobre
serviço dos profissionais liberais. Há quem sustente que os impostos fixos
são os que não tem alíquota, cujo montante independe da dimensão
econômica do fato gerador. Entendemos que essa modalidade viola- ria o
princípio da capacidade contributiva porque não se apura efetivamente a
riqueza a ser tributada, mas tão somente se estipula um valor”.[25]

Para Zelmo Denari “Nos impostos fixos, não há alíquota (no sentido de
percentual) e, por conseguinte, base de cálculo. O quantum a pagar
encontra-se prefixado em lei, em geral, estimado pelo valor do salário
mínimo. Embora frequentes as taxas fixas, os impostos dessa natureza são
cada vez mais raros, e só́ logramos encontrar fixidez do quantum a pagar
na casuística do imposto sobre serviços. Em diversos municípios paulistas,
os profissionais liberais estão incluídos entre os contribuintes que recolhem
imposto sobre serviços sob a forma de salário mínimo mensal”.[26]

Ordinário e extraordinário

Cláudio Carneiro ensina “Os impostos classificados como ordinários são


aqueles cuja previsão é corretamente encontrada na Lei, e, por isso,
constituem receitas permanentes do Estado. Significa dizer que são
recolhidos e arrecadados regularmente, constituindo a receita ordinária. Os
impostos ordinários são aqueles previstos na Constituição em seus arts.
153, 155 e 156. Já́ os impostos extraordinários, como o próprio nome diz, é
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cobrado em situações excepcionais e, portanto, tem caráter transitório33,
temporário, instituído para suprir excepcional necessidade de recursos,
compondo assim a receita extraordinária. É o caso do imposto previsto no
art. 154, II, utilizado em caso de guerra”.[27]

Paulo de Barros Carvalho define impostos extraordinários, como sendo os


impostos “que a União poderá́ instituir, na iminência ou no caso de guerra
externa, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais
serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação”.[28]

Principal e adicional

Na visão de Claudio Carneiro “O imposto principal é aquele que não


depende de qualquer outro tributo para que seja cobrado. Já́ o imposto
adicional tem como base de cálculo o principal. O adicional de imposto de
renda sobre pessoa jurídica é um falso adicional, porque incide sobre a
mesma base de cálculo do IR”.[29]

José Jayme Macêdo Oliveira define o imposto adicional da seguinte forma


“Em duas situações, materializa-se o imposto adicional: quando seu fato
gerador é o pagamento de outro (principal) pelo mesmo contribuinte,
sendo ambos da competência de uma só́ pessoa política; ou quando tenha
ele fato gerador igual ao de outro imposto (principal), devidos ambos pelo
mesmo sujeito passivo à mesma pessoa jurídica de direito público,
aplicando-se a um as normas legais do outro”.[30]

Monofásico e plurifásico

Cláudio Carneiro segue e seguinte entendimento sobre esses conceitos “O


monofásico é o imposto que incide uma única vez, como, por exemplo, o
IOF. Já́ o plurifásico, também chamado de multifásico, grava as várias
fases da cadeia produtiva (econômica); por isso, em cada fase, haverá́
incidência do tributo, como é o caso do IPI e a regra geral do ICMS. Vale
destacar que a Constituição, em seu art. 155, § 2o, XII, h, prevê̂,
excepcionalmente, a incidência monofásica do ICMS para combustíveis e
lubrificantes”.[31]

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Para Cláudio Carneiro “Esta classificação diz respeito à técnica de aplicação
dos tributos plurifásicos. Impostos cumulativos incidem em várias fases da
circulação do bem, sem se computar ou sem se deduzir o valor que já́
incidiu nas fases anteriores. Era o que acontecia com a CPMF, o chamado
“efeito cascata”. Os impostos não cumulativos são os que incidem apenas
sobre o valor agregado, ou seja, o tributo acaba incidindo sobre todo o valor
acumulado do bem, descontando- -se, porém, o valor que já́ foi pago nas
etapas anteriores (IPI35, ICMS e, em alguns casos, PIS e COFINS)”.[32]

4. QUANTO À BASE ECONÔMICA DE INCIDÊNCIA E A


CLASSIFICAÇÃO IMPOSTA PELO CTN.

Cláudio Carneiro ensina “Esta classificação foi adotada pelo Código


Tributário Nacional. É, contudo, criticada pela doutrina, que não admite ou
pelo menos mitiga a classificação do Código. Parece-nos que a Constituição
também faz, em alguns momentos, referência a essa classificação,
sobretudo quando se refere a algumas imunidades, em especial o contido
no art. 150, VI, que cita expressamente os impostos sobre patrimônio,
renda e serviços, como, por exemplo, a imunidade recíproca. Assim temos,
segundo o CTN:

a) Impostos sobre o Comércio Exterior: Imposto de Importação e


Exportação;

b) Impostos sobre a Renda: Imposto de Renda;

c) Impostos sobre o Patrimônio: ITR, IPTU, IPVA, ITBI, ITD, IGF;

d) Imposto sobre Produção e Circulação: IOF, ICMS, IPI; e Imposto sobre


Serviços: ISSQN e os serviços do ICMS”.[33]

No entendimento de Eduardo Sabbag, “O Código Tributário Nacional


divide os impostos, terminologicamente, em quatro grupos. Trata-se de rol
classificatório, previsto entre os arts. 19 a 73 do CTN, que desfruta de pouco
prestígio na doutrina e no próprio STF. Note-o:

1) Impostos sobre o comércio exterior: II e IE;

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2) Impostos sobre o patrimônio e a renda: IR, ITR, IPVA, IPTU, ITBI,
ITCMD, ISGF;

3) Impostos sobre a produção e a circulação: ICMS, IPI, IOF e ISS;

4) Impostos especiais: IEG”.[34]

REFERÊNCIAS:

[1] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 269

[2] CARVALHO, Paulo Barros. Curso de direito tributário, 27ª edição.


Saraiva, 10/2015. VitalSource Bookshelf Online. P.59

[3] DENARI, Zelmo. Curso de direito tributário, 9ª edição. Atlas,


06/2008. VitalSource Bookshelf Online. P. 72

[4] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª edição.


Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 270

[5] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª edição.


Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 273

[6] DENARI, Zelmo. Curso de direito tributário, 9ª edição. Atlas,


06/2008. VitalSource Bookshelf Online. P. 78

[7] Carneiro, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª edição.


Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 273

[8] DENARI, Zelmo. Curso de direito tributário, 9ª edição. Atlas,


06/2008. VitalSource Bookshelf Online. P. 78

[9] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª edição.


Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 273
https://flavioff.jusbrasil.com.br/artigos/400353194/classificacao-dos-impostos-no-direito-tributario 11/14
03/01/2019 Classificação dos Impostos no Direito Tributário
[10] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª
edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 273

[11] SABBAG, Eduardo de Moraes. Direito Tributário - Elementos do


Direito. 8ª ed. São Paulo: Premier Máxima, p. 46.

[12] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 274

[13] DENARI, Zelmo. Curso de direito tributário, 9ª edição. Atlas,


06/2008. VitalSource Bookshelf Online. P. 79

[14] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 274

[15] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 275

[16] KFOURI J, Anis. Curso de Direito Tributário, 2ª Edição. Saraiva,


07/2012. VitalSource Bookshelf Online. P. 94

[17] DENARI, Zelmo. Curso de direito tributário, 9ª edição. Atlas,


06/2008. VitalSource Bookshelf Online. P. 83

[18] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 277

[19] SABBAG, Eduardo. Col. Saberes do direito - Vol. 42 - Direito tributário


I, 1ª Edição. Saraiva, 04/2012. VitalSource Bookshelf Online. P.78

[20] DENARI, Zelmo. Curso de direito tributário, 9ª edição. Atlas,


06/2008. VitalSource Bookshelf Online. P. 84

[21] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 277

https://flavioff.jusbrasil.com.br/artigos/400353194/classificacao-dos-impostos-no-direito-tributario 12/14
03/01/2019 Classificação dos Impostos no Direito Tributário
[22] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª
edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 277

[23] OLIVEIRA, José Jayme Macêdo. Código Tributário Nacional,


Comentários, Doutrina, Jurisprudência, 5ª edição. Saraiva, 11/2009.
VitalSource Bookshelf Online. P. 187

[24] DENARI, Zelmo. Curso de direito tributário, 9ª edição. Atlas,


06/2008. VitalSource Bookshelf Online. P. 84

[25] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 277

[26] Denari, Zelmo. Curso de direito tributário, 9ª edição. Atlas, 06/2008.


VitalSource Bookshelf Online.

[27] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 278

[28] CARVALHO, Paulo Barros. Curso de direito tributário, 27ª edição.


Saraiva, 10/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 61

[29] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 278

[30] OLIVEIRA, José Jayme Macêdo. Código Tributário Nacional,


Comentários, Doutrina, Jurisprudência, 5ª edição. Saraiva, 11/2009.
VitalSource Bookshelf Online. P. 188

[31] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 278

[32] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 278

[33] CARNEIRO, Claudio. Curso de direito tributário e financeiro, 6ª


edição. Saraiva, 12/2015. VitalSource Bookshelf Online. P. 280
https://flavioff.jusbrasil.com.br/artigos/400353194/classificacao-dos-impostos-no-direito-tributario 13/14
03/01/2019 Classificação dos Impostos no Direito Tributário
[34] SABBAG, Eduardo. Col. Saberes do direito - Vol. 42 - Direito tributário
I, 1ª Edição. Saraiva, 04/2012. P. 78 a 79

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