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Luís Oliveira João

A Formação Contínua dos Gestores Escolares na Cidade de Quelimane: o Papel da


Universidade Pedagógica, Delegação de Quelimane: Caso do Curso de Administração
e Gestão da Educação
Licenciatura em Administração e Gestão da Educação com Habilitações em
Desenvolvimento Comunitário

Universidade Pedagógica
Quelimane
2019
Luís Oliveira João
1

A Formação Contínua dos Gestores Escolares na Cidade de Quelimane: o Papel da


Universidade Pedagógica, Delegação de Quelimane: Caso do Curso de Administração
e Gestão da Educação

Curso de Administração e Gestão da Educação

Monografia Científica a ser


apresentada ao Departamento de
Ciências de Educação e Psicologia,
como requisito para obtenção do Grau
Académico de Licenciatura em
Administração e Gestão da Educação
com Habilitações em Desenvolvimento
Comunitário.
Supervisor: Professor Dr. Alberto Bive
Domingos

Universidade Pedagógica
Quelimane
2019

Índice
Lista de Símbolos e Abreviaturas................................................................................................iv
2

Declaração......................................................................................................................................v
Dedicatória....................................................................................................................................vi
Agradecimentos...........................................................................................................................vii
Resumo........................................................................................................................................viii
Abstract.........................................................................................................................................ix
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO.................................................................................................10
1.1.Tema:.......................................................................................................................................12
1.2.Delimitação do Tema:............................................................................................................12
1.3.Problematização e Problema................................................................................................12
1.4.Justificativa............................................................................................................................14
1.5.Objectivos...............................................................................................................................15
1.5.1.Objectivo Geral...................................................................................................................15
1.5.2.Objectivos Específicos........................................................................................................15
1.6.Questões de Pesquisa:............................................................................................................15
1.7.Metodologia de Pesquisa.......................................................................................................16
1.7.1.Tipo de Pesquisa..................................................................................................................16
1.7.1.1.Pesquisa Quanto à Abordagem.......................................................................................16
1.8.Métodos Científicos...............................................................................................................16
1.8.1.Método indutivo..................................................................................................................16
1.9.População/Universo e Amostra.............................................................................................17
1.9.1.População/Universo............................................................................................................17
1.9.2.Selecção da Amostra...........................................................................................................17
1.9.3.Instrumentos de Colecta de Dados....................................................................................17
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................18
2.1.Conceitos Básicos...................................................................................................................18
2.1.1.Etimologia do Conceito de Formação...............................................................................18
2.1.2. Formação Contínua...........................................................................................................19
2.1.3.Formação de Professores em Moçambique......................................................................21
2.2. Etimologia e Conceito de Gestão.........................................................................................22
2.2.1.Gestor...................................................................................................................................23
2.3.Universidade (Breve Historial).............................................................................................24
2.4.Conceito de Universidade......................................................................................................26
2.5.Historial da Universidade Pedagógica.................................................................................27
2.6.Faculdade de Ciências da Educação e Psicologia...............................................................31
3

2.6.1.Curso de Administração e Gestão da Educação..............................................................31


2.6.2.Duração do Curso de AGE.................................................................................................32
2.6.3.Objectivos Gerais do curso de AGE..................................................................................32
2.7.As Funções da Universidade.................................................................................................32
2.8.Historial da Universidade Pedagógica – Delegação De Quelimane..................................34
2.9.O Papel da Universidade Pedagógica de Quelimane..........................................................36
CAPÍTULO III – APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS.......38
3.1.Apresentação da Instituição em Estudo...............................................................................39
3.2.Breve Descrição da Universidade Pedagógica Delegação de Quelimane..........................39
3.3. Apresentação de dados Obtidos a Partir da Entrevista....................................................40
3.3.1. Extracto da Entrevista Dirigida ao Director do Curso de Administração e Gestão
Escolar..........................................................................................................................................40
3.4. Análise e Apresentação dos Resultados da Pesquisa..........................................................42
3.4.1.Práticas e Desafios da Universidade Pedagógica na formação contínua dos gestores
escolares........................................................................................................................................42
3.4.2.O Papel da Universidade Pedagógica na Formação Contínua dos Gestores Escolares43
3.4.3.Distinção de Políticas de Formação contínua de gestores escolares na Universidade
Pedagógica actualmente..............................................................................................................43
Conclusão......................................................................................................................................44
Sugestões.......................................................................................................................................46
Bibliografia...................................................................................................................................47
Apêndices......................................................................................................................................50

iv

Lista de Símbolos e Abreviaturas


4

AGE – Administração e Gestão da Educação


CTA – Corpo Técnico Administrativo
DCAGE – Director do Curso de Administração e Gestão da Educação
FCLCA - Ciências da Educação e Psicologia
FCLCA - Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes
FCNM - Ciências Naturais e Matemática;
FCS – Faculdade de Ciências Sociais
FEFD – Faculdade de Educação Física e Desportos (FEFD)
MINEDH – Ministério de Educação e Desenvolvimento Humano
SDEJT – Serviços Distritais Juventude e tecnologia
UP – Universidade Pedagógica
UPQ – Universidade Pedagógica, Delegação de Quelimane

v
5

Declaração

Declaro por minha honra que esta Monografia científica é resultado da minha investigação
pessoal e da orientação do meu supervisor, o seu conteúdo é original e todas as fontes
consultadas estão devidamente mencionadas no texto e na bibliografia final.

Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para
obtenção de qualquer grau académico.

_______________________________________________

/ Luís Oliveira João /

Quelimane, Fevereiro de 2019


vi
6

Dedicatória

Este trabalho dedico aos meus pais, pelo


seu carinho, dedicação e acima de tudo a
educação e o apoio incondicional que me
concederam sempre que possível.
.
vii7

Agradecimentos

Os meus calorosos agradecimentos vão para a Universidade Pedagógica, Delegação de


Quelimane, por me ter proporcionado esta grande oportunidade de formação académica de
nível superior, em especial agradeço ao director do curso Dr. Nelson Patia e o meu supervisor
o Professor Doutor Bive Domingos, e os demais docentes.

Em seguida agradeço, a Deus, pela protecção, pela oportunidade de viver com saúde, reunindo
forças, para que eu pudesse enfrentar todos os obstáculos nesta caminhada que foi concluída
com muita satisfação e alegria.

Aos meus pais e toda família por me acompanharem durante todos estes meses e pela torcida
que fizeram pelo sucesso desse estudo.

Agradeço também, a todos aqueles que directa ou indirectamente deram o seu contributo para
que esta Monografia Científica fosse efectivamente um facto real e possível. Não será possível
enumerá-los de forma individualizada, contudo, menção particular endereço ao Cristino.

Sem mais, agradeço aos colegas do curso de licenciatura, por todas as suas contribuições e
pelos momentos maravilhosos que passamos juntos.
Viii 8

Resumo

A presente pesquisa pretende contribuir para este debate, reflectindo sobre o papel da Universidade
pedagógica, Delegação de Quelimane, especificamente o curso de Administração e Gestão da
Educação. Em qualquer campo de actuação, a gestão é actividade preponderante cuja existência
articula-se a uma actividade de muita responsabilidade. Trata-se de uma abordagem que sempre
provocou grandes debates nas diversas camadas sociais, e especialmente, nos sistemas de ensino e
instituições formadoras. Assim, com vista a responder a seguinte questão: Qual é o Papel da
Universidade Pedagógica na Formação Contínua de Gestores Escolares na Cidade de Quelimane,
sobretudo no curso de Administração e Gestão da Educação? usou-se o método de abordagem
qualitativa, e pesquisa descritiva quanto aos objectivos, sobretudo com recurso a uma entrevista
dirigida apenas ao director do curso de Administração e Gestão da Educação da Universidade
Pedagógica, Delegação de Quelimane. Entretanto, chegou-se a conclusão a partir do método indutivo,
que o papel da universidade pedagógica de Quelimane, peculiarmente o curso de Administração e
gestão da Educação é de formar técnicos, docentes, gestões sobretudo nas diferentes áreas do
conhecimento, profissionais, técnicos e cientistas com alto grau de qualificação, especialmente voltados
à gestão da educação em Moçambique. Esta conclusão permite afirmar que o objectivo geral foi
alcançado, embora não tenha respondido a todos os objectivos específicos, visto que o terceiro
objectivo especifico visava distinguir políticas de formação contínua de gestores escolares na
Universidade Pedagógica actualmente, algo que não foi possível saber na integra, uma vez que não há
uma formação contínua como um curso.
Palavra-chave: Administração, Gestão Escolar, Formação contínua.
ix
9

Abstract

The present research intends to contribute to this debate, reflecting on the role of the Pedagogical
University, Quelimane Delegation, specifically the Administration and Management of Education
course. In any field of activity, management is a preponderant activity whose existence is linked to a
highly responsible activity. It is an approach that has always provoked great debate in the various social
strata, and especially in education systems and training institutions. Thus, in order to answer the
following question: What is the role of the Pedagogical University in the Continuing Education of
School Managers in the City of Quelimane, especially in the Administration and Management of
Education? the method of qualitative approach and a descriptive research on the objectives were used,
especially with an interview directed only to the director of the Administration and Management of
Education course at the Pedagogical University, Quelimane Delegation. However, it was concluded
from the inductive method, that the role of Quelimane's pedagogical university, peculiarly the course of
Administration and management of Education, is to train technicians, teachers, management, especially
in the different areas of knowledge, professionals, technicians and scientists with a high degree of
qualification, especially focused on the management of education in Mozambique. This conclusion
makes it possible to state that the general objective was achieved, although it did not meet all the
specific objectives, since the third specific objective was to distinguish policies of continuous training
of school administrators at the Pedagogical University at present, since there is no continuous training
as a course.

Keyword: Administration, School management, Continuing education.


10

CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO
Falar de Formação de Professores e Gestores Escolares é abordar uma questão que sempre
provocou grandes debates nas diversas camadas sociais, e especialmente, nos sistemas de
ensino e instituições formadoras. É incontestável que a tão almejada qualidade de ensino
possui relação directa com a qualidade da formação recebida pelos futuros professores e
gestores das escolas das redes públicas e privada de ensino. É nesta perspectiva que as
universidades e os institutos de formação de profissionais de educação desempenham um papel
preponderante na sociedade.
Portanto, o interesse pela gestão no campo educacional tem sido crescente nos últimos anos,
reflectindo-se tanto no incremento do número de publicações a respeito do tema, quanto na
oferta de cursos das mais diversas matizes orientadas para a formação daqueles que, de uma
forma ou de outra, estão estreitamente ligados à direcção de escolas.

Porém, o conceito de Gestão Escolar, relativamente recente, é de extrema importância para que
se tenha uma escola que atenda às actuais exigências da vida social: formar cidadãos e
oferecer, ainda, a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e
facilitadoras da inserção social.

Todavia, a presente pesquisa pretende contribuir para este debate, reflectindo sobre o papel da
Universidade pedagógica, Delegação de Quelimane, especificamente o curso de
Administração e Gestão da Educação. Em qualquer campo de actuação, a gestão é actividade
preponderante cuja existência articula-se a uma actividade de muita responsabilidade. No caso
dos sistemas educativos, reporta-se sempre a iniciativas voltadas para o ensinar e o aprender
em espaços escolares. Compreender suas faces e interfaces é uma forma de situar a escola em
relação a limites, possibilidades e desafios que lhe são postos. Neste sentido, a Universidade
Pedagógica, delegação de Quelimane por possuir o Curso de administração e gestão da
Educação, acrescenta mais um papel preponderante, além do seu papel geral de formar
indivíduos capazes de resolver os diversos problemas da vida na sociedade, assim contribuindo
para o desenvolvimento do país.

No entanto, desde a introdução do curso de Administração e Gestão da Educação a


Universidade pedagógica tem vindo a formar de forma contínua, gestores escolares. No que
diz respeito à estruturação do presente trabalho, importa referir que está apresentado em dois
capítulos partes, das quais:
11

Capítulo I diz respeito à contextualização da pesquisa, onde temos a apresentação do tema e


sua delimitação, justificativa, a problematização, os objectivos e a respectiva metodologia.

No Capítulo II encontramos a fundamentação, onde temos certos conceitos relacionados à


formação contínua dos gestores escolares na cidade de Quelimane, bem como o papel das
universidades, em particular da Universidade Pedagógica de Quelimane.

Finalmente no capítulo III encontramos a apresentação, análise e interpretação de dados, onde


estão plasmadas todas as conclusões e sugestões da pesquisa.
12

1.1.Tema:
 A Formação Contínua dos Gestores Escolares na Cidade de Quelimane

1.2.Delimitação do Tema:
 A Formação Contínua dos Gestores Escolares na Cidade de Quelimane: o Papel da
Universidade Pedagógica, Curso de Administração e Gestão Escolar, na Delegação
de Quelimane
1.3.Problematização e Problema
Vários estudos indicam que a formação docente deve ser pensada como um aprendizado
profissional ao longo da vida, envolvendo profissionalmente os docentes, pois, ao se conhecer
melhor e compreender o seu trabalho possibilita a descoberta de caminhos eficazes para
alcançar o ensino de qualidade e reverter numa aprendizagem significativa para os alunos,
conforme (Luck, 2009:45). A presença do professor representa o elo entre a escola e a
sociedade, destacando-se assim, a importância do papel deste profissional como propulsor para
responder a procura de novas concepções de educação.

Portanto, a falta de preparo dos professores é apontada em vários documentos como uma das
causas que mais contribui para o insucesso escolar dos alunos. Assim, não existirá ensino de
qualidade, reforma educativa e inovação pedagógica, sem antes melhorar a formação de
professores. Aspectos esses que se fazem sentir em Moçambique através da Política Nacional
de Educação – Resolução nº 8/95, de 22 de Agosto, que estabelece alguns princípios básicos
em que se deve basear a formação, quer inicial e/ou em serviço dos professores. E neste caso
de gestores destaca-se a necessidade de trazer para dentro das instituições de ensino o conceito
de educação ao longo da vida que vise criar uma mudança de atitude dos profissionais da
educação, na sua actuação.

Aliás, já dissemos que a qualidade da educação está intimamente ligada à qualidade de


formação dos professores e do seu desenvolvimento profissional ao longo da carreira. É nesta
perspectiva que a formação continuada dos professores deve fazer parte integrante do sistema
de ensino e não pode reduzir-se a cursos periódicos de reciclagem ou participação em eventos
promovidos pela Direcção Distrital de Educação. A formação dos professores é um processo
contínuo, começando com a formação inicial e se estendendo ao longo da vida profissional,
como base essencial para a promoção de mudança educativa visando a eficácia e qualidade de
ensino aprendizagem buscando-se ir além da formação continuada dos professores, acredita-se
também que a melhoria da qualidade da educação compreende e envolve a competência
profissional dos directores escolares e sua capacidade de organizar, orientar e liderar as acções
13

e processos promovidos na escola; processos esses voltados para a promoção da aprendizagem,


formação dos alunos e desenvolvimento de competências profissionais dos gestores que lhes
permitam assumir de forma efectiva o acervo de responsabilidades inerentes às suas funções,
(Luck, 2009:78).

Entretanto, tanto os professores como os gestores escolares devem receber uma formação,
apoio institucional e um acompanhamento adequado para construir novas competências que
serão pertinentes nos ciclos de aprendizagem.

Este cenário é importante uma vez que com a formação contínua em Moçambique vários
profissionais da educação, como professores por exemplo, ficam parados no tempo,
continuando com aquelas metodologias e conhecimentos antigos que precisam ser
actualizados, uma vez que o tempo passa e as coisas mudam. Por isso a necessidade dos
próprios gestores, neste caso os directores seriam devidamente acompanhados com formações
continuadas, para cada vez mais obterem conhecimentos necessários com vista a melhorar a
sua forma de gestão da educação. Nesse contexto, a formação profissional deve ser contínua,
seus saberes e aptidões, sua capacidade de discernir e agir, contemplando a reflexão sobre os
valores de educação, vivência interdisciplinar, trabalho em equipe, pesquisa e construção de
competências devem ser actualizadas, de acordo com a época ou o tempo em que estamos.
Porém, estas diversas situações têm acontecido em instituições de ensino, sobretudo na cidade
de Quelimane acontecem num momento em que existe uma Universidade Pedagógica, uma
instituição vocacionada para a formação de profissionais e/ou gestores da educação,
especialmente com um curso especializado para tal, curso de Administração e Gestão da
Educação.

Com a formação contínua é possível reconhecer que a qualidade da educação baseia-se nas
competências dos seus profissionais e que, consequentemente, oferecem aos seus alunos e à
sociedade em geral experiências educacionais formativas, capazes de promover o
desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes, factores esses necessários para
enfrentar os desafios vivenciados em um mundo globalizado, tecnológico, orientado por um
acervo cada vez maior e complexo de informações e pela procura de qualidade em todas as
áreas de actuação, como afirma (Luck, 2009:89). No entanto, diante das evidências acima e
outras situações que se fazem sentir nas escolas moçambicanas, sobretudo algures da cidade de
Quelimane, levantou-se a seguinte questão de pesquisa:
14

 Qual é o Papel da Universidade Pedagógica na Formação Contínua de Gestores


Escolares na Cidade de Quelimane, sobretudo no curso de Administração e Gestão
da Educação?

1.4.Justificativa
Parte-se do pressuposto de que a gestão escolar engloba as incumbências que as unidades
escolares possuem como elaborar e executar a proposta pedagógica, administrar o pessoal e os
recursos materiais e financeiros. Ela é responsável, através de seu gestor, por garantir a
organização e desenvolvimento da gestão da escola, materializando planos e projectos
elaborados pela mesma. Neste sentido, o gestor escolar é o responsável pela instituição escolar,
pelas acções e pelos profissionais da mesma.
Nesta senda, não nos podemos esquecer de que a qualidade da educação é de interesse tanto da
equipe escolar como dos pais por isso faz-se necessário uma relação mais próxima entre a
escola e as famílias. Quando o gestor e sua equipe pergunta, regista e divulga as necessidades e
aspirações da comunidade escolar existe uma maior possibilidade de se atingir o principal
objectivo da educação: formar cidadãos não apenas com conteúdos teóricos, mas também
críticos e com capacidade de fazer escolhas conscientes. E pela observância de incompetências
por parte da gestão da educação, bem como a falta de gestores formados. Onde os profissionais
não demonstram o seu trabalho como educadores, surge em mim um interesse em investigar
esta área.

Primeiro, por tratar-se de um tema de interesse social, e que afecta directamente a sociedade,
pois a formação contínua de profissionais de educação pode contribuir para a qualidade de
ensino em Moçambique, visto que tem-se avançado que há fraca qualidade na educação
moçambicana. É cenário surge por vários factores, desde a formação dos próprios profissionais
de educação, o interesse dos próprios alunos, o desenho curricular, bem como os programas de
ensino.

De seguida, pretendo fazer um estudo nesta área para servir de uma reflexão e um guião na
formação de gestores escolares, visto que eu como estudante do curso de licenciatura em
administração e gestão da educação não me conformo em ouvir debates sobre a fraca
qualidade de ensino em Moçambique, enquanto a Universidade Pedagógica, sobretudo a
delegação de Quelimane possui um curso vocacionado na formação de gestores da educação,
refiro-me ao curso de AGE.
15

1.5.Objectivos
1.5.1.Objectivo Geral
 Analisar o papel da UPQ, sobretudo o curso de AGE na formação contínua dos gestores
escolares, para dar espaço de reflexão salientando a importância da UP e sua práticas
no desenvolvimento de educação para todos, por um lado e por outro para o
desenvolvimento da ciência.
1.5.2.Objectivos Específicos
 Apresentar as práticas e os desafios da Universidade Pedagógica na formação contínua
dos gestores escolares;
 Identificar o Papel da Universidade Pedagógica na formação contínua dos gestores
escolares;
 Distinguir políticas de formação contínua de gestores escolares na Universidade
Pedagógica actualmente.

1.6.Questões de Pesquisa:
 Quais são as políticas de formação contínua de gestores escolares na Universidade
Pedagógica, na actualidade?
 Que Práticas e Desafios tem a Universidade Pedagógica na Formação contínua dos
Gestores Escolares, frente aos novos desafios do século XXI?
 Que Requisitos a Universidade Pedagógica Recomenda aos Gestores escolares,
durante a sua formação?

1.7.Metodologia de Pesquisa
16

1.7.1.Tipo de Pesquisa
1.7.1.1.Pesquisa Quanto à Abordagem
No concernente à abordagem, optou-se pela pesquisa qualitativa que segundo RICHARDSON
(1989:109):

o estudo de abordagem qualitativa, descreve a complexidade de um


determinado problema, analisa interacção de certas variáveis, procura
compreender e classificar os processos dinâmicos vividos por grupos
sociais e possibilita em grande medida o entendimento das
particularidades do comportamento dos indivíduos dentro de um
regulado.”

Parte-se do pressuposto de que a pesquisa qualitativa considera que há uma relação dinâmica
entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objectivo e a
subjectividade do sujeito que não pode ser traduzido em números.
No entanto, esta abordagem foi usada no âmbito da interpretação dos fenómenos e a atribuição
de significados dos dados que foram recolhidos no campo de estudo. Assim, depois da colecta
de dados através da entrevista, fez-se uma interpretação e atribuição de significados aos dados
colectados, com vista a atingir o objectivo do estudo, sobretudo a responder as questões de
pesquisa sem a interferência do pesquisador. A abordagem qualitativa por outro lado, foi usada
também na obtenção da conclusão do trabalho a partir de casos particulares para
generalizações, pois a pesquisa qualitativa usa o método indutivo.

1.7.1.2.Pesquisa Quanto aos Objectivos

No que respeita aos seus objectivos trata-se de uma pesquisa descritiva. Visto que com esta
pesquisa pretendia-se a partir das técnicas padronizadas de colecta de dados, como
questionário e entrevista fazer a colecta de informações inerente ao tema em estudo.

1.8.Métodos Científicos
1.8.1.Método indutivo
Para elaboração deste trabalho, usou-se o método indutivo, que segundo GIL (1999) apud
SILVA (2004: 26), no raciocínio indutivo a generalização deriva de observações de casos da
realidade concreta. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações.

Neste método, o conhecimento foi baseado na experiência que se teve lá no âmbito da


pesquisa, não levando, no entanto, em conta princípios pré-estabelecidos. O que significa que,
17

a generalização vai derivar de observações de casos da realidade concreta na Universidade


Pedagógica, Delegação de Quelimane.

Este método, facilitou a vivenciar casos e/ou situações concretas na Universidade Pedagógica,
Delegação de Quelimane, a fim colher informações necessárias e tratá-las a partir do raciocínio
indutivo. Ou seja, a partir de casos particulares, chegar á conclusões gerais.

1.9.População/Universo e Amostra
1.9.1.População/Universo
Falar de universo é referir-se da totalidade de indivíduos que possuem as mesmas
características definidas para um determinado estudo. Entretanto, constituirá a população ou
universo da presente pesquisa, os docentes do Departamento de Ciências de Educação e
Psicologia.

1.9.2.Selecção da Amostra
Falou-se com apenas o director do curso. Será escolhido de forma intencional com vista a
conseguir melhores resultados, isto é, trata-se de amostras intencionais, cuja selecção será
baseada no conhecimento sobre a população e o propósito do estudo.

1.9.3.Instrumentos de Colecta de Dados


 Entrevista

No âmbito da colecta de dados usou-se a Entrevista padronizada ou estruturada, na qual


existiu rigidez de roteiro. Ou seja, não se explorou mais amplamente algumas questões, apenas
as que estarão plasmadas no guião de entrevista, e que têm a ver com a pesquisa.

Escolheu-se entrevista pois esta técnica permitirá a observação da conduta dos entrevistados, a
flexibilidade das respectivas respostas, a possibilidade de abertura, interacção e o contacto
directo entre o entrevistador e os entrevistados. Pois as técnicas de entrevistas também têm a
vantagem de reduzir os aspectos negativos tais como: a incapacidade do entrevistado para
responder adequadamente como resultado de falta de percepção devido aos vocábulos usados.

Nesta perspectiva, usou-se apenas um guião de entrevista dirigido ao Director do Curso, com
vista a tornar o processo eficiente e eficaz. (Vide o anexo)
18

CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


Neste capítulo serão apresentadas as contribuições teóricas de certos autores sobre o tema em
questão.
2.1.Conceitos Básicos
2.1.1.Etimologia do Conceito de Formação
Na Grécia clássica a idéia de formação do indivíduo estava contida no conceito de Paidéia, que
se configurava na formação de um elevado tipo de Homem de acordo com sua verdadeira
forma, seu autêntico ser: “a mais alta obra de arte que seu anelo se propôs foi a criação do
Homem vivo, os gregos viram pela primeira vez que a educação tem que ser também um
processo de construção consciente” (Jaeger, 1989:9). Ainda Severino (2006:621) afirma que “o
ideal da Paidéia reaparece mais tarde na história, sempre que abandonamos a ideia de um
mero adestramento com fins determinados e passamos a reflectir sobre a essência do processo
educativo, concepção presente também no conceito iluminista de Bildung.”
De acordo com o dicionário Aurélio (Ferreira, 1986:800), formação pode significar, entre
outras coisas, “acto, efeito ou modo de formar; constituição, carácter; maneira por que se
constituiu uma mentalidade, um carácter ou um conhecimento profissional”, dessa maneira,
formado é aquele que “recebeu forma, foi modelado” ou que “concluiu formatura numa
faculdade ou em estabelecimento de nível médio ou outros níveis”. Para Severino (2006:621):
formação é um processo de dever humano, mediante o qual o indivíduo
natural advém um ser cultural, uma pessoa – é bom lembrar que o
sentido dessa categoria envolve um complexo conjunto de dimensões
que o verbo formar tenta expressar: constituir, compor, ordenar, fundar,
criar, instruir-se, colocar-se ao lado de, desenvolver-se, dar-se um ser. É
relevante observar que seu sentido mais rico é aquele do verbo reflexivo,
como que indicando que é uma acção cujo agente só pode ser o próprio
sujeito. Nessa linha, afasta-se de alguns de seus cognatos, por
incompletude, como informar, reformar e repudia outros por total
incompatibilidade, como conformar, deformar.

Muito embora os dados aqui discutidos digam respeito à dimensão profissional, consideramos
adequadas essas reflexões mais amplas sobre o conceito, uma vez que em Moçambique,
actualmente, utilizamos mais a expressão “formação de professores”, que as constituídas por
outros substantivos como educação, treinamento, etc.
A busca de superação da instrumentalização da formação, especialmente no caso dos
professores, tem gerado uma literatura crítica que busca situá-la em contextos concretos, não
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apenas como aquisição de destrezas, mas também como constituição do sujeito, de tal maneira
que “o conceito de formação é tomado não só como uma actividade de aprendizagem situada
em tempos e espaços específicos, mas também como acção vital de construção de si próprio”
(Moita, 2000:114).
Assim, por vezes interpretada como socialização, por outras, como construção da
personalidade autónoma, a formação plena é por nós entendida como síntese superadora desses
pólos, buscando a constituição daquele que, como indivíduo, participa conscientemente da
construção do mundo em conjunto com os demais. Estas distintas compreensões embasam
diferentes tradições com relação à formação de professores (Carr & Kemmis, 1988), no
entanto, duras críticas têm sido formuladas aos modelos formativos, que se constituem apenas
como processos de socialização, os quais deveriam ser excedidos por outros que levassem em
conta a capacidade crítica, reflexiva, criadora e transformadora dos professores (Contreras,
2002:78).
2.1.2. Formação Contínua
Quando se refere à formação contínua são enfatizados os seguintes aspectos do profissional: a
formação, a profissão, a avaliação e as competências que cabem ao profissional.
O educador que está sempre em busca de uma formação contínua, bem como a evolução de
suas competências tende a ampliar o seu campo de trabalho.
Neste sentido, formar-se na perspectiva de Assmann (1998:35), é um processo de toda a vida;
enquanto seres humanos, temos a possibilidade de aprender e, portanto, nos humanizamos
permanentemente, mediante as relações e interacções que acontecem nos diversos ambientes
culturais nos quais temos relações. Deste modo, aprender é mais do que receber ou obter
informações e conhecê-las ou compreendê-las é tornar o aprendizado parte do ser, implicando
desenvolver-se com ele. Formar-se é um processo de aprendizagem que se realiza
desenvolvendo-se individual e colectivamente dentro da cultura, incorporando-a, criando e
recriando-a.
Assim, a complexidade de factores que permeiam a questão da formação continuada é bastante
abrangente e está ligada ao desenvolvimento da escola, do ensino, do currículo e da profissão
docente. Para além da aprendizagem da matéria a ser dada em sala de aula, a formação de
professores traz consigo aspectos relevantes que constituem o ser professor.
Nesta perspectiva Di Giorgi (2010:15), afirma que a formação contínua pode ser definida
como “um processo constante do aprender a profissão de professor, não como mero resultado
de uma aquisição acumulativa de informação, mas como um trabalho de selecção, organização
e interpretação da informação”.
20

Como diz Assmann (1998:35-36), “vida é, essencialmente, aprender... e estar vivo é um


sinônimo de estar agindo como aprendente.”
Dentro dessa perspectiva, a formação contínua, entendida como parte do desenvolvimento
profissional que acontece ao longo da actuação docente, pode possibilitar um novo sentido à
prática pedagógica, contextualizar novas circunstâncias e ressignificar a actuação do professor.
Trazer novas questões da prática e buscar compreendê-las sob o enfoque da teoria e na própria
prática permite articular novos saberes na construção da docência, dialogando com os
envolvidos no processo que envolve a formação (Feldmann, 2009:34).
A formação contínua assim entendida como perspectiva de mudança das práticas no âmbito
dos docentes e da escola possibilita a experimentação do novo, do diferente a partir das
experiências profissionais que ocorrem neste espaço e tempo orientando um processo
constante de mudança e intervenção na realidade em que se insere e predomina esta formação.
Ela contribui de forma significativa para o desenvolvimento do conhecimento profissional do
professor, cujo objetivo entre outros, é facilitar as capacidades reflexivas sobre a própria
prática docente elevando-a a uma consciência coletiva.
A partir dessa perspectiva, a formação contínua conquista espaço privilegiado por permitir a
aproximação entre os processos de mudança que se deseja fomentar no contexto da escola e a
reflexão intencional sobre as consequências destas mudanças.
Considerando como aspecto importante da formação continuada, a mudança segundo
Hargreaves (2002) diz-nos que ela é um processo que envolve aprendizado, planejamento e
reflexão. Envolve valores, propósitos e conceitos associados ao que está sendo modificado.
Há dessa forma, a necessidade de se fazer parte constituinte dessas mudanças e as elaborando
dentro de um contexto mais amplo de reflexão. Desta forma:

Os professores não alteram e não devem alterar suas práticas apenas porque
uma directriz lhes é apresentada, e eles se sentem forçados a cumpri-las. Eles
não podem evocar novas práticas a partir de nada ou transpô-las de imediato do
livro didático para a sala de aula. Os profissionais necessitam de chances para
experimentar a observação, a modelagem, o treinamento, a instrução
individual, a prática e o feedback, a fim de que tenham a possibilidade de
desenvolver novas habilidades e de torná-las uma parte integrante de suas
rotinas de sala de aula. (Hargreaves, 2002:114).

Ainda este autor realça que “Uma inovação bem-sucedida implica mais do que aperfeiçoar
habilidades técnicas. Ela também estimula a capacidade de compreensão dos professores em
relação às mudanças que estão enfrentando”.
21

Portanto, um projeto de formação necessita contemplar os significados e às interpretações que


os docentes atribuem à mudança e de como ela os afeta e os confronta em suas crenças e
práticas.
É importante ressaltar que a prática a qual nos referimos, embora seja um termo polissêmico,
está ligada diretamente a ação orientada e dotada de sentido em que o sujeito possui uma
função imprescindível como agente numa estrutura social.

2.1.3.Formação de Professores em Moçambique


A responsabilidade pela administração dos serviços de educação e a gestão dos recursos
humanos, materiais e financeiros é cada vez mais descentralizada até ao nível das escolas e das
instituições com crescente autoridade financeira e poder de decisão, (MINED, 2012:14).
O ministério de educação é o responsável pela elaboração das políticas nacionais e pelo seu
acompanhamento e minoritário assegurando a coerência contínua com as grandes prioridades e
os objectivos do Governo.
No entanto, de acordo com o artigo 33 da Agenda do Professor, a formação de professores para
os ensinos geral, técnico-profissional, especial e vocacional realiza-se em instituições
especializadas e visa:
 Assegurar a formação integral dos docentes capacitando os jovens e adultos;
 Conferir no professor uma sólida formação científica, psicopedagógica e metodológica;
 Permitir ao professor uma elevação constante do seu nível de formação científica,
técnica e psicopedagógica, (MINEDH, 2007:33-34).
Porém, no estudos realizados sobre a formação de professores e a sua articulação com a escola
(…) é apontada com maior frequência a desvinculação entre a teoria e a prática, obstáculo na
concretização de uma prática pedagógica, vista não como repetidora de modelos e padrões
cristalizados, mas como uma prática que traga em si a possibilidade de uma acção dialógica e
emancipadora de mundo e das pessoas, (Feldmann, 2009:75).
Assim, as recentes investigações nacionais e internacionais sobre a formação de professores
apontam a necessidade de se tornar prática pedagógica como fonte de estudo e construção de
conhecimento sobre os problemas educacionais, ao mesmo tempo que se evidencia a
inadequação do modelo racionalista-instrumentalista em dar respostas às dificuldades e
angústias vividas pelos professores no quotidiano escolar, embora seja paradigmas presentes
nas nossas escolas.
22

Contudo, o processo de formação de professores caminha junto com a produção da escola em


construção por meio de acções colectivas, desde a gestão, as práticas curriculares e as
condições concretas de trabalho vivenciadas.
Ainda Feldmann (2009:78), o ofício docente tem sido compreendido, muitas vezes, apenas por
sua dimensão técnica, esquecendo-se que o professor não pode ser entendido a margem de sua
condição humana. Para ele, o professor não se pode discutir a acção do professor na escola
apenas pelo seu carácter instrumentar, desconsiderando-se a importância da sua identidade
pessoal e profissional no processo educativo.

2.2. Etimologia e Conceito de Gestão


O termo gestão deriva do latim gestione e significa gerir, gerência, administração. Administrar
é planejar, organizar, dirigir e controlar recursos, visando atingir determinado objectivo. Gerir
é fazer as coisas acontecerem e conduzir a organização para seus objectivos. Portanto, gestão é
o ato de conduzir para a obtenção dos resultados desejados, (Oliveira et al, 2002:136).
Administração e gestão não são sinónimos, porém são processos complementares pois
processos de gestão bem-sucedidos estão intimamente ligados a bons procedimentos de
administração. A administração constitui um conceito e conjunto de acções fundamentais para
o bom funcionamento de organizações, por estabelecer as condições estruturais básicas para o
seu funcionamento. Daí ser incorporada pela gestão em seu escopo, como gestão
administrativa.
A partir das ideias acima, pode-se perceber que o termo gestão relaciona-se com
administração, ou seja, administrar uma organização conduzindo-a para a concretização de
objectivos. Segundo Maximiano (2007), administrar “é um trabalho em que as pessoas buscam
realizar seus objectivos próprios ou de terceiros com a finalidade de alcançar as metas
traçadas.” Dessas metas fazem parte as decisões que formam a base do ato de administrar e
que são as mais necessárias. Na mesma linha de pensamento, (Maximiano, 2007:79), o
planeamento, a organização, a liderança, a execução e o controle são consideradas decisões e
funções, sem as quais o ato de administrar estaria incompleto. A administração é uma das
formas de gestão, pois define metas e quais recursos serão necessários para alcançá-las
envolvendo e organizando os colaboradores para o alcance destas metas, além de a realização
das actividades corrigindo-as quando necessário.

Conforme Daft (2010:112), administração “é o atingimento das metas organizacionais de


modo eficiente e eficaz por meio do planeamento, organização, liderança e controle dos
23

recursos organizacionais.” Gestão é o acto de gerir, ou seja, realizar acções que conduzam à
realização dos objectivos e metas propostas.

Já Luck (2007:109-110), afirma que “a administração geralmente está ligada a processos


burocráticos e a gestão relaciona-se com uma proximidade maior entre líderes e liderados, uma
maior cooperação nas decisões e resultados, porém administração e gestão devem caminhar
juntas, complementando-as mutuamente.”

2.2.1.Gestor
O gestor é o indivíduo que exerce, dentro da instituição, a liderança no desenvolvimento e
controle das actividades, coordenando os demais funcionários para atingir os objectivos
propostos, (Lerner, 2002:40). Além de ser responsável pela organização do ambiente de
trabalho, o gestor também precisa ser o agente de mudança, ou seja, motivar a equipe para o
desenvolvimento da capacidade de renovação de cada um. O gestor precisa estar atento às
necessidades da instituição assim como às necessidades de seus colaboradores, fazendo desta
forma adequações sempre que necessário, devido à mudança constante das necessidades e
aspirações da realidade.
Questões sociais, económicas, tecnológicas, políticas e governamentais podem provocar
mudanças rápidas nos gestores, tanto no ambiente interno como externo, que influenciarão as
habilidades e necessidades organizacionais. Tudo pode ficar obsoleto em pouco tempo, o que
justifica também o retreinamento de funcionários (Lerner, 2002:42). Deste modo, o
planeamento e a organização das acções que ocorrem na instituição é de responsabilidade do
gestor.
De acordo com (Lerner, 2002:56), planejar adequadamente é essencial para melhores
resultados em qualquer actividade. No planeamento o gestor fixa as metas a serem alcançadas
e quais acções serão necessárias. Durante a realização destas acções precisa manter a sinergia
entre toda a equipe, sendo este um factor fundamental para o alcance dos objectivos propostos.

Planeamento é a mais básica de todas as funções gerenciais, e a habilidade com que esta
função está sendo desempenhada determina o sucesso de todas as operações. Planeamento
pode ser definido como processo de reflexão que precede a acção e é dirigido para a tomada de
decisão agora com vistas no futuro, (catelli, 2002:43)

Por isso, o gestor deve ser um líder que acredita no potencial da equipe incentivando o espírito
de cooperatividade. Ele não é um chefe que apenas manda para ser obedecido e sim aquele que
propõe desafios encorajando a inovação e a participação de todos.
24

Enfim, de acordo com Davi & Newstrom (1992), liderança é o processo de encorajar os outros
a trabalharem entusiasticamente na direcção dos objectivos. É o factor humano que ajuda um
grupo identificar para onde ele está indo e assim motivar-se em direcção aos objectivos. Ainda
de acordo com Davis & Newstrom (1992:45), líder participativo é aquele que informa seus
liderados sobre as condições do trabalho que os fazem sentir-se encorajados a expressar as
próprias ideias. Através de uma liderança participativa, o gestor permite que todos se envolvam
no processo e se sintam verdadeiramente motivados na busca do alcance das metas propostas
pelo grupo.

2.3.Universidade (Breve Historial)


Em uma definição mais abrangente, a escola de escribas sumérios Eduba, criada por
volta 3500 a.C, é citada por muitos autores como a primeira universidade, (Trindade, 2009:56).
Entretanto ensinava apenas a escrita cuneiforme suméria e matemática, mas foi um local de
extrema importância para o desenvolvimento da escrita.
Porém em uma visão mais próxima do conceito moderno, a Academia, fundada em 387
a.C. pelo filósofo grego Platão no bosque de Academos próximo a Atenas, é defendida por
muitos como a primeira universidade.
Nela os estudantes aprendiam filosofia, matemática e ginástica. Embora próxima do conceito
moderno, não constituía realmente uma universidade, pois cada pensador fundava uma escola
de pensamento para difundir seus conhecimentos, não para debatê-los, (Trindade, 2009:60).
Em uma visão global, a primeira universidade a seguir o conceito moderno surgiu na Ásia,
durante o século V, e foi conhecida como a universidade de Nalanda, em Bihar, Índia.
Nela viveu o filósofo budista Nagarjuna. Durante sua existência chegou a contar com mais de
10.000 estudantes e 1.500 professores. O currículo dessa universidade era extenso e envolvia
áreas como teologia, filosofia, matemática, astronomia, alquimia e anatomia. Seus filósofos
budistas promoviam debates filosóficos envolvendo diversos temas, (Trindade, 2009:60).
Em 1193, a universidade de Nalanda foi saqueada por invasores muçulmanos. Quando o
tradutor tibetano Chag Lotsawa visitou-a em 1235 encontrou-a em parte destruída mas ainda
funcionando com um pequeno número de monges. A destruição de Nalanda assim como de
templos e monastérios no norte da Índia, onde havia centros de estudos, é considerado por
vários historiadores como a causa do súbito desaparecimento do antigo pensamento científico
indiano, (Unesco, 2015:56). Em 670 d.C. foi fundada na Tunísia a mesquita de Cairuão e nela
iniciou-se o desenvolvimento da primeira universidade árabe onde se ensinava o idioma
25

árabe, teologia, história islâmica, jurisprudência maliquita, matemática, astronomia, medicina e


botânica.
Porém poucas décadas mais tarde a mesquita de Cairuão foi destruída e o seu centro
universitário foi reconstruído na cidade de Montfleury em 737 d.C. onde foi então fundada
a universidade Ez-Zitouna que funciona até hoje e é considera por muitos árabes como a
primeira universidade, (Unesco, 2015:60). Esta declara que oficialmente a UNESCO declarou
a universidade de Karueein (ou Al Quarawiyyia) fundada em Fez, em Marrocos, no ano
de 859 d.C. como a primeira universidade do mundo seguindo a definição moderna, (Unesco,
2015:67).
Em 970 d.C. foi fundada no Cairo, no Egito, a universidade de Al-Azhar que é então
oficialmente considerada a segunda universidade mais antiga do mundo na definição moderna.
O currículo de Al-Azhar envolvia matérias como teologia, história islâmica, jurisprudência
maliquita, gramática árabe, matemática, lógica, retórica e astronomia. Apenas em 1961 foram
incluídos cursos envolvendo administração, economia, farmácia, medicina, engenharia e
agricultura. Em 1065 em Bagdá, capital do Iraque, é a universidade Al-Nizamiyya que possuía
em seu currículo matérias como teologia, jurisprudência maliquita, gramática e literatura
árabe e aritmética, (Herbermann, 1993:706).
As universidades públicas são tuteladas pelos governos nacionais ou locais, cuja interferência
na administração interna de cada universidade pode ser maior ou menor, conforme o país, a
região ou o próprio estatuto da instituição, (Lulat, 2005:68). Nalguns casos, as universidades
são tuteladas diretamente pelo departamento governamental de educação ou ensino superior,
mas noutros estados essa tutela pode ser delegada numa entidade independente, normalmente
de natureza colegial. Este autor afirmar que:
os órgãos de tutela governamental são normalmente sempre
responsáveis pela alocação de fundos públicos às universidades,
pela acreditação das instituições e dos seus cursos superiores e
pelo regime de graus conferidos. Para além da componente
financeira, dependendo do grau de autonomia atribuído às
universidades, os órgãos de tutela poderão ter interferência no
sistema de acesso, na criação, alteração ou extinção de cursos
superiores, na organização interna das instituições, nos seus
planos estratégicos universitários e no regime do pessoal docente.
Contudo, uma grande parte das universidades públicas dispõe de
uma alargada autonomia financeira, pedagógica e científica,
(Lulat, 2005:69).
26

Na mesma perspectiva, Herbermann, (1993:709) afirma que as universidades privadas são


financiadas principalmente por fundos privados, o que lhes dá maior independência em relação
às políticas pública de ensino superior. As fontes de financiamento principal são normalmente
as propinas pagas pelos seus alunos, mas também podem receber financiamento através de
dádivas por filantropia, de pagamento de serviços prestados a entidades externas e mesmo de
contribuições públicas.

2.4.Conceito de Universidade
Universidade é uma Instituição de ensino superior que compreende um conjunto de faculdades
ou escolas para a especialização profissional e científica, e tem por função precípua garantir a
conservação e o progresso nos diversos ramos do conhecimento, pelo ensino e pela pesquisa,
(Dicionário Electrónico Aurélio).
Na perspectiva de Lulat, (2005:69) as universidades têm uma organização interna baseada em
unidades orgânicas de ensino e de investigação, onde se incluem faculdades, escolas,
institutos, colégios e departamentos. Essas unidades dispõem de maior ou menor autonomia
dentro da universidade, conforme a organização da mesma. No caso em que as suas unidades
dispõem de uma grande autonomia, uma universidade pode constituir uma mera federação de
escolas ou faculdades, agrupadas para efeitos meramente administrativos, eventualmente
partilhando alguns recursos comuns. Muitas universidades deste tipo tiveram origem no
agrupamento administrativo de escolas mais antigas, as quais, mesmo integradas numa
instituição maior, mantiveram a sua identidade e parte da sua autonomia.

Santos (2004:41), ao tratar da universidade no século XXI, destaca a necessária luta para que
esta reconquiste sua legitimidade, isto é, legalidade e autonomia. Este diz que é importante
articular os interesses dos grupos sociais com os interesses científicos, sobretudo o diálogo na
formação de professores com parceria com a universidade.

Em relação à ecologia de saberes importa neste momento a contribuição do autor acerca da


promoção de diálogos entre o saber científico ou humanístico, que
a universidade produz, e saberes leigos, populares, tradicionais [...] (Santos, 2004:56) um
processo em que há uma nova “convivência activa de saberes no pressuposto que todos ele,
incluindo o saber científico, se podem enriquecer nesse diálogo.” (Santos, 2004:57).
Tratando da vinculação universidade e escola e do compromisso nesta relação, o autor destaca
que deve haver uma integração efetiva entre a formação profissional e a prática de ensino e “a
“ colaboração entre pesquisadores universitários e professores das escolas públicas na
27

produção e difusão do saber pedagógico, mediante reconhecimento e estímulo da pesquisa‐


ação” (Santos, 2004:63).
Ainda em relação aos desafios da universidade na relação com a sociedade, Fernandes (2011)
afirma que as exigências de qualificação docente cresceram, implicando que a universidade
melhore a formação de professores para actuação na escola básica:

Os desafios impostos pela sociedade contemporânea à


universidade, juntamente com sua responsabilidade com a educação es
colar composta pela Educação Básica, formada pela
Educação Infantil, pelo Ensino Fundamental e Médio, exigem
respostas complexas, criativas e eficientes, (Fernandes, 2011:297).

Diante desse cenário, a interlocução Universidade e Escola requer como diretrizes promotoras
do diálogo entre os saberes do campo da formação e campo profissional, diante de um
panorama em que, conforme Nóvoa (2011:47) a “educação vive um tempo de grandes
perplexidades e que há excesso de discursos, redundantes e repetitivos, que se traduz numa
pobreza de práticas”; a valorização dos sujeitos concebida como uma perspectiva crítica sobre
a escola e a sociedade e com o ensino voltado para a transformação social (Shor & Freire,
2008:25) formação construída na relação dialógica entre os sujeitos e instituições,
a partir do pressuposto que “o diálogo é o momento em que os humanos se encontram para
refletir sobre sua realidade tal como a fazem e refazem ” (Shor & Freire, 2008:122), ou seja,
uma formação libertadora para a construção de uma sociedade libertadora.
Nessa concepção, a formação é compreendida como um processo ao longo da vida profissional
e trata dos desafios que surgem nas diferentes fases da vida: está relacionada com
desenvolvimento profissional, um processo que implica na superação da “Justaposição entre
formação inicial e continuada” (Marcelo, 1992:55).
Formação que nesse sentido é fundamentada nas necessidades concretas, na
problematização e na reflexão crítica sobre a quotidianidade e no fortalecimento institucional.
É compreendida, assim, como acto político, intencional, visto que “não se pode pretender
formar um homem sem um prévio conceito ideal de homem.” (Pinto, 2010:37), voltada ao
trabalho coletivo e à emancipação dos sujeitos num processo de indissociabilidade da análise
e do estabelecimento de relações entre as perspectivas macro e microcontextuais.

2.5.Historial da Universidade Pedagógica


28

A Universidade Pedagógica (UP) é uma instituição pública de ensino superior, mantida pelo
governo de Moçambique. Como universidade, foi a primeira e é a única pública totalmente
vocacionada para a formação de professores no país, (PORTAL UP apud Lopes, 2007:28). Este
realça que a UP tem a sua sede e campus principal em Maputo e delegações em todas
províncias do país.
A Universidade Pedagógica (UP) foi fundada em 1985 como Instituto Superior Pedagógico
(ISP), por diploma ministerial no 73/85, de 4 de Dezembro, como uma instituição vocacionada
para a formação de professores para todos os níveis do Sistema Nacional de Educação (SNE) e
de quadros da educação, (PORTAL UP apud Lopes, 2007:29).
A criação do ISP em 1985 resultou de uma visão estratégica assente na necessidade de melhor
coordenar a formação de quadros para o sector da educação.
Lopes (2007:20), afirma que aquando da sua criação, a instituição começou a funcionar em
instalações da então Escola Preparatória General Joaquim José Machado. Estas instalações,
com cerca de quinze salas e poucos gabinetes de trabalho, foram concebidas para uma escola
secundária de então e não, propriamente, para uma universidade. Mas, o rápido crescimento da
UP ditou a procura de novos espaços.
O ISP, em 1986, começou com apenas três Faculdades, nomeadamente: a Faculdade de
Matemática e Física, a oferecer a Licenciatura em Ensino de Matemática e Física; a Faculdade
de História e Geografia, a disponibilizar, igualmente, um único Curso, a Licenciatura em
Ensino de História e Geografia; e, a Faculdade de Pedagogia e Psicologia, responsável pela
Licenciatura nessas duas áreas.
Em 1987, entra em funcionamento Faculdade de Línguas com, apenas, a Licenciatura em
Ensino de Português e só mais tarde introduziu outras duas Licenciaturas, em Ensino de Inglês
e em Ensino de Francês. Os Cursos de Línguas sempre tiveram um carácter monovalente,
contrariamente às restantes. Actualmente, esta Faculdade passou a designar-se Faculdade de
Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes, (https://www.up.ac.mz/universidade/breve-
historial-da-up, acesso em 20.08.2018).
Um ano mais tarde, em 1988, é criada a Faculdade de Química e Biologia, oferecendo uma
Licenciatura bivalente que integrava as duas áreas científicas.
A expansão geográfica da instituição começa a ser consumada a partir de 1989 com a entrada
em funcionamento da Delegação da Beira, ocupando as instalações da então Escola Comercial
Patrice Lumumba. O ISP torna-se, então, na primeira instituição universitária a funcionar para
além da capital do país.
29

Em 1991, as Faculdades até então criadas mudam de nome, como forma de: i. alargarem o
espectro da sua actividade, possibilitando a integração de Cursos em novas áreas científicas e
ii. Responder com a integração de novas áreas/cursos às necessidades de formação de
professores para outras especialidades e de profissionais para outras áreas.
(https://www.up.ac.mz/universidade, acesso em 20.09.2018). Assim, a Faculdade de História e
Geografia passa a designar-se por Faculdade de Ciências Sociais, nome que mantém até ao
momento; a Faculdade de Pedagogia e Psicologia passa a denominar-se Faculdade de Ciências
Pedagógicas sendo actualmente designada por Faculdade de Ciências da Educação e
Psicologia; as Faculdades de Matemática e Física e de Química e Biologia fundiram-se
passando a denominar-se até ao momento Faculdade de Ciências Naturais e Matemática. Esta
última Faculdade passa a funcionar no campus de Lhanguene que comportava, na altura, cerca
de duas dezenas de salas de aulas, gabinetes e um internato para cerca de 150 estudantes.
Segundo o PORTAL DA UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA, acesso em 20/09/2018, em 1993,
entra em funcionamento a Faculdade de Ciências de Educação Física e Desporto, oferecendo,
na altura, uma única Licenciatura em Educação Física. Actualmente, esta Faculdade designase
por Faculdade de Educação Física e Desporto.
A segunda Delegação da UP a entrar em funcionamento foi a de Nampula, em 1995, que
começa a funcionar num pequeno edifício com cinco salas, incluindo alguns gabinetes. Mercê
da sua rápida expansão e da procura de vagas no ensino superior de que a região norte do país
se ressentia, apidamente foi necessário encontrar-se mais espaços, para se acomodar os
estudantes e os cursos. Em 1999, a UP consegue as instalações do ex-Instituto Médio
Pedagógico, actual campus de Napipine.
Ainda de acordo com o PORTAL DA UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA, acesso em
20/09/2018, em 1995, dez anos após a abertura da instituição, o ISP passa a Universidade
Pedagógica com a aprovação dos Estatutos, ao abrigo do Decreto 13/95, de 25 de Abril. A
transformação do Instituto em Universidade Pedagógica em 1995 correspondeu a uma segunda
fase de redefinição de estratégias, de como realizar a sua missão de formação de técnicos para
a educação e áreas afins. Nos finais dos anos 90 a UP define o seu futuro em termos de visão,
objectivos estratégicos para garantir um ambiente de formação superior consentâneo com o
ambiente dessa fase, caracterizado por uma reorganização do sistema de ensino superior no
país, incluindo a criação de um Ministério de tutela.
Em 2001, é criada a Delegação da UP em Quelimane, que instalou os seus serviços
administrativos num apartamento tipo 4, no centro da capital provincial. As aulas realizavam-
30

se em salas e outros espaços cedidos pelo Instituto Médio Pedagógico (IMP),


(https://www.up.ac.mz/universidade, acesso em 20.09.2018).
Em 2005 são criadas duas delegações, em Gaza e em Niassa. Aquando da sua criação, a UP-
Niassa recebeu da Direcção Provincial de Educação e Cultura um apartamento tipo 2 que
funcionou como sede da Delegação, enquanto as aulas eram dadas em salas alugadas no
Instituto de Formação e Administração Pública (IFAPA), (https://www.up.ac.mz/universidade,
acesso em 20.09.2018). A UP- Delegação de Gaza instalou a sua sede na Escola Secundária
Joaquim Chissano, enquanto decorriam as obras de construção das primeiras salas de aulas em
Venhene, com o apoio da Unidade de Desenvolvimento de Educação Básica – Laboratório
(UDEBA Lab).
Em 2007 é criada a Delegação da UP em Massinga, tendo ocupado as instalações da então
Escola Primária 29 de Abril, que logo a seguir foram transformadas no que é hoje o campus.
Em 2008 foram criadas, simultaneamente, duas delegações, a UP- Delegação de Manica e a
delegação de Montepuez. Essas delegações estão ainda a funcionar em instalações provisórias.
Para além destas Delegações, são criadas duas escolas superiores, a Escola Superior Técnica e
a Escola Superior de Contabilidade e Gestão, responsáveis por oferecerem Cursos na área
técnicoprofissional, (PORTAL DA UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA, acesso em
20/09/2018).
A partir de 2009, a UP já se encontra representada em todas as províncias moçambicanas com
a recente instalação da Delegação da UP na cidade de Tete.
Actualmente, a UP encontra-se estruturada em cinco Faculdades: Ciências da Educação e
Psicologia (FACEP); Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes (FCLCA); Ciências
Naturais e Matemática (FCNM); Ciências Sociais (FCS) e Educação Física e Desportos
(FEFD). Para além das Faculdades existem, também, duas Escolas Superiores: Técnica
(ESTEC) e de Contabilidade e Gestão (ESCOG), (https://www.up.ac.mz/universidade, acesso
em 20.09.2018).
Estas unidades orgânicas oferecem não só Cursos de formação de professores, que alimentam
as necessidades do sistema educativo, mas também, Cursos noutras áreas, para a formação de
outros profissionais. Os Cursos são ministrados em diferentes modalidades (presencial, semi-
presencial e à distância) e em diferentes regimes (regular e pós-laboral).
Para além das Faculdades, existem as Delegações da UP, em todas as províncias
moçambicanas, o que permite que os estudantes se mantenham, com maior facilidade, nas suas
zonas de residência, o que fez diminuir, significativamente, os fluxos migratórios realizados
em busca de uma oportunidade para frequentar o ensino superior.
31

Na mesma ordem de ideias, Lopes (2007:29) a estrutura orgânica da UP é composta por


faculdades e escolas superiores, sendo estas:
 Faculdade de Linguagem, Comunicação e Arte
 Faculdade de Ciências Sociais
 Faculdade de Ciências da Educação e Psicologia
 Faculdade de Educação Física e Desporto
 Faculdade de Ciências Naturais e Matemática
 Faculdade de Ciências de Saúde
 Escola Superior Técnica
 Escola Superior de Contabilidade e Gestão

2.6.Faculdade de Ciências da Educação e Psicologia


2.6.1.Curso de Administração e Gestão da Educação
O curso de Licenciatura em Gestão e Administração da Educação rege-se pela Lei nº 27/2009,
de 29 de Setembro, sobre o Ensino Superior, publicada no Boletim da República I Série,
Número 38; pelos Estatutos da Universidade e pelo Regulamento em vigor na Faculdade de
Educação e Comunicação, (https://www.up.ac.mz/universidade, acesso em 20.09.2018).
De acordo com o site acima, o curso visa formar profissionais na área da Educação habilitados
a actuar em diversos domínios da Educação, de forma a darem o seu contributo na formação de
quadros de qualidade, que possam dar resposta aos desafios da Educação actual.
O curso foi concebido de forma a satisfazer as necessidades formativas e de apoio aos diversos
intervenientes, na gestão pedagógica e administrativa dos estabelecimentos de Educação e
Ensino, antes e durante o desempenho das suas funções, (https://www.up.ac.mz/universidade,
acesso em 20.09.2018).
O gestor educacional comprometido com os valores da gestão democrática, lidera processos de
Administração Escolar que pressupõem o envolvimento dos actores escolares e da
comunidade, utilizando metodologias participativas.
O curso foi reestruturado de forma a dotar os estudantes de ferramentas que os possibilitem
inserir-se no mercado de trabalho, por via do ensino da Filosofia, dada a escassez de
profissionais qualificados nesta área, (https://www.up.ac.mz/universidade, acesso em
20.09.2018). Assim, o curso visa formar profissionais em Gestão e Administração Educacional
capazes, também, de dar aulas na área das Ciências Sociais, com destaque para a Filosofia.
A adequação do curso procurou ter em conta a actualização dos currículos mais recentes das
universidades, a nível nacional e internacional.
32

2.6.2.Duração do Curso de AGE


A Duração do curso de licenciatura em Administração e Gestão da Educação é de 4 anos
correspondentes a 240 creditos-bolonha. Inclui-se nestes 4 anos uma área complementar
“minor” equivalente a 25% dos creditos. Ao “major” atribui-se os restantes 75%,
(https://www.up.ac.mz/universidade, acesso em 20.09.2018).

2.6.3.Objectivos Gerais do curso de AGE


Segundo o site da UP, (https://www.up.ac.mz/universidade, acesso em 20.09.2018), o curso de
Licenciatura em Administração e Gestão da Educação, com Habilitação em Educação e
Desenvolvimento Comunitário e Psicologia das Organizações tem os seguintes objectivos
gerais:
 Formar técnicos de Educação e professores com nível superior do MEC, DPEC,
SDEJT a diferentes níveis;
 Dotar de conhecimentos científicos teóricos e práticos profundos relacionados com a
Administração e Gestão da Educação;
 Formar técnicos e quadros de educação que possam trabalhar na administração, gestão,
liderança das instituições de ensino a nível secundário e médio.
 Formar técnicos de Educação com conhecimentos científicos teóricos e práticos
relacionados com a educação e desenvolvimento comunitário e Psicologia das
Organizações;
 Criar e gerir programas de desenvolvimento comunitário no âmbito da educação e
 Fazer um acompanhamento e avaliação das organizações de educação.

2.7.As Funções da Universidade


A democratização do acesso compreende uma das mais importantes medidas em termos de
cumprimento de função social da educação superior. Na atualidade, a maior parte das vagas
das instituições de educação superior, sobretudo as de caráter público e de cursos mais
concorridos, ainda permanecem em mãos de camadas sociais mais ricas da sociedade.
Schmitz (1984) sustenta que a formação da educação superior, pautada em ensino, pesquisa e
extensão, deve também promover a unidade nacional, procurando desenvolver, por meio da
pesquisa científica, soluções para problemas que afetam a nação.
Com base nessa finalidade, ela poderá também ajudar os cidadãos a descobrir, conservar e
desenvolver as características próprias do povo e das suas instituições. Despertando o gosto
33

pela cultura nacional, promovendo um serviço cultural e moral elevado a todos os integrantes
da sociedade civil a que pertence. Ademais disso, ao respeitar as características regionais e
locais, pode a instituição de educação superior promover a integração entre as pessoas, regiões
e grupos humanos e étnicos, no sentido de colaborarem mutuamente sem, contudo, destruírem
as características próprias de cada uma, mas procurando valorizá-los e aperfeiçoá-los. A
instituição de educação superior pode contribuir para unir, sem absorver ou dominar (Schmitz,
1984:89).
Outrossim, contribui para a formação da solidariedade, acostumando e ensinando as pessoas a
respeitarem a personalidade dos outros, para eles mesmos sejam respeitados.
Dias Sobrinho (2000) pontua que o próprio processo de avaliação da educação superior
pressupõe a compreensão das funções essenciais da instituição universitária. Entre essas
funções, merece destaque a mais universalmente reconhecida delas, uma vez que se encontra
estreitamente relacionada com a formação humana e com o desenvolvimento da sociedade,
qual seja, a da construção de conhecimento. Esta grandeza não deve, contudo, obscurecer a
relevância da extensão, que também pode consistir na pesquisa aplicada.
É amplamente admitido que nem todas as instituições de educação superior sejam competentes
o suficiente para o desenvolvimento rigoroso, amplo e sistemático de certo tipo de alta
pesquisa tecnológica e, de um modo original, aquilo que um pouco vagamente é denominado
de produção do conhecimento (Dias Sobrinho, 2000:30).
Todavia, ainda que não sejam reconhecidas no seleto mundo da pesquisa da circulação
internacional e embora ainda não possuam as condições objetivas para a realização da
denominada alta ciência, instituições emergentes e com forte vínculo com sua região podem,
no entanto, desenvolver investigações com qualidade e relevância social de natureza diversa.
Nesse sentido, podem ser identificadas duas dimensões distintas que comumente se combinam,
que levam a pensar nas pesquisas de problemas inerentes a uma região determinada ou uma
dada comunidade, que é destinatária concreta preferencial de uma certa instituição de educação
superior. Trata-se, nessa situação, não apenas do tipo de pesquisa que é realizado como
construção de conhecimentos com forte sentido de pertinência, mas, também, de reconstrução
de saberes oficiais e vulgares, como tarefa fundamental do processo de ensino e de
aprendizagem.
Ainda no entender de Dias Sobrinho (2000:50), “a atividade educativa deve criar as
possibilidades de novas formas de compreensão da realidade e de renovadas formas de
interação com as pessoas e o mundo”. O ensino de conhecimento em uma instituição de
educação estende-se para além da simples capacidade de aplicação e do mero treinamento. Diz
34

respeito ao compromisso social dessa instituição, sua função pública, independentemente de


seu tamanho ou dependência administrativa.

2.8.Historial da Universidade Pedagógica – Delegação De Quelimane


A UPQ foi criada a 27 de Setembro de 2001, ao abrigo do disposto no artigo 9°, conjugado
com o n° 2 dos Estatutos da Universidade Pedagógica, (https://www.up.ac.mz/universidade,
acesso em 20.09.2018). A 1 de Junho de 2002 foi criada a Comissão Instaladora, para a qual
foi nomeado o Prof. Doutor Manuel José de Morais como Chefe. Desta Comissão faziam parte
as Direcções Provinciais de Educação, Plano e Finanças e Apoio e Controlo por parte do
Governo da Província da Zambézia, chefiada pelo Dr. Lemos Filipe Aranica, que ao mesmo
tempo desempenhava a função de Coordenador. Do lado da UP faziam parte os Directores das
Faculdades de Línguas, Ciências Sociais e Ciências Naturais e Matemática, e o Director da
Administração e Finanças, (http://www.upquelimane.up.ac.mz/).
As actividades académicas tiveram início a 15 de Março de 2003, aquando da realização da
Cerimónia Oficial de Abertura da Delegação, com um plano de estudo em regime modular,
seguindo as normas da Revisão Curricular (Novo Currículo), cumprindo-se com o novo
Calendário Académico – 2003 (Fevereiro à Dezembro). Este evento contou com a presença de
S. Excia o Governador da Província da Zambézia, na altura Lucas Chomera, e, o então
Magnífico Reitor da UP, Prof. Doutor Carlos Machili, PORTAL DA UNIVERSIDADE
PEDAGÓGICA, acesso em 20/09/2018.
A Delegação começou com 99 (noventa e nove) estudantes, assistidos por 10 (dez) docentes e
5 (cinco) funcionários do Corpo Técnico-Administrativo (CTA). As actividades começaram
nas salas de aulas cedidas pela Escola Secundária e Pré-Universitária 25 de Setembro e ex-
Instituto de Magistério Primário (IMAP), com 3 cursos, nomeadamente Curso de Bacharelato
em Ensino de Português, Curso de Bacharelato em Ensino de Matemática e Curso de
Bacharelato em Ensino de História.
A 15 de Agosto de 2003, o Prof. Doutor Manuel José de Morais foi nomeado para o cargo de
Director da UPQ, sendo, na mesma data, nomeado para Director Adjunto Pedagógico o dr.
Cândido Jasse Canda. No mesmo ano efectuou-se a reabilitação e construção das instalações
do Campus Universitário de Coalane, que culminou com a inauguração feita por sua
Excelência Joaquim Alberto Chissano, então Presidente da República de Moçambique,
(https://www.up.ac.mz/universidade, acesso em 20.09.2018).
A 09 de Janeiro de 2006 foi nomeado o Prof. Doutor Francisco Emílio Candrinho para o cargo
de Director-Adjunto Pedagógico da UPQ, cargo que exerceu até à data do seu desaparecimento
35

físico a 26 de Novembro de 2008. No mesmo ano (2006), a 15 de Agosto, foi nomeado o Dr.
João Carlos Mendes Lima (MA) para o cargo de Director-Adjunto para a área Administrativa.
Após o desaparecimento físico do Director-Adjunto Pedagógico, as suas actividades passaram
a ser asseguradas pela dra. Stella da Graça Pinto Novo Zeca, que veio a ser nomeada para o
cargo a 26 de Março de 2009.
Ao longo dos anos há um crescimento significativo do número de estudantes na UPQ. Um
segundo elemento a se ter em conta no gráfico é a questão do género. Neste contexto, do ano
2003-2006 a proporção entre homens e mulheres é de cerca de 1 homem para 3 mulheres (1:3).
Todavia, de 2007-2010 o cenário tem vindo a mudar onde a proporção é de aproximadamente
1:2. O que significa que as mulheres têm vindo a aderir mais a UP.
O número de cursos, Corpo Docente e Técnico-Administrativo (CTA), ilustra um crescimento
ao longo dos anos. No que se refere aos cursos, de 2003 - 2012 a UPQ introduziu 21 cursos,
demonstrando uma grande evolução. A evolução do Corpo Docente foi também muito
significativa, tendo de 2003 - 2011 um incremento de 118 docentes, PORTAL DA
UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA, acesso em 20/09/2018. Do total de 130 Docentes, 23
foram mulheres e 107 homens. Destes, 1 Doutorado (o Director), 11 Mestrados dos quais uma
mulher e 108 licenciados. Dos 130, 12 estavam a tempo parcial e 54 docentes a frequentar os
cursos de mestrado. Já ao nível do CTA, houve um incremento de 78 funcionários até o ano de
2012.
Segundo o site (https://www.up.ac.mz/universidade, acesso em 20.09.2018), a UPQ teve a sua
primeira graduação no ano de 2006. Há uma considerável evolução de graduados de 2006 -
2011, que se pode relacionar com o aumento do número de estudantes. No que se refere ao
género, há que salientar a evolução do número de mulheres graduadas de 2007 - 2010.
O PORTAL DA UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA, acesso em 20/09/2018, afirma que a UPQ
funciona com duas áreas, nomeadamente a Pedagógica e a Administrativa. Na área Pedagógica
podem-se destacar os seguintes Departamentos:
 Departamento de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes, com os cursos de
Português e Inglês;
 Departamento de Ciências Naturais e Matemática, com os cursos de Matemática,
Química, Biologia e Estatística e Gestão de Informação;
 Departamento de Ciências Sociais, com os cursos de História, Geografia, Filosofia,
História Política e Gestão Pública, Gestão Ambiental para o Desenvolvimento
Comunitário e Filosofia de Desenvolvimento Institucional;
36

 Departamento de Ciências de Educação e Psicologia, com os cursos de Psicologia


Educacional, Psicologia Social e das Organizações, Ensino Básico e Administração e
Gestão Escolar;
 Departamento de Escolas Técnicas: Escola Superior Técnica, com os cursos de
Informática, Engenharia Informática e Agro-Pecuária; e Escola Superior de
Contabilidade e Gestão, com os cursos de Contabilidade e Auditoria, Gestão de Empresas
e Gestão de Recursos Humanos;
 Departamento de Educação Aberta e à Distância, com o curso de Inglês;
 Departamento de Registo Académico; e
 Departamento de Serviços Sociais.

2.9.O Papel da Universidade Pedagógica de Quelimane


Na perspectiva de Lopes (2007:29) a Universidade Pedagógica, de uma forma geral, para
melhorar a qualidade de ensino, assim como pesquisa e de extensão, iniciou em 2008 cursos de
Pós-Graduação, em cursos de mestrado, qua abarcam diferentes área do saber e que procuram
adaptar-se ao mercado do trabalho, principalmente na área da educação/ensino.
Na mesma linha de abordagem, a universidade, especialmente a pedagógica de Quelimane
existe para produzir conhecimento, gerar pensamento crítico, organizar e articular os saberes,
formar cidadãos, profissionais e lideranças intelectuais. O desempenho dessas nobres e
decisivas funções, porém, não é algo que se resolva no plano abstrato, (http://www.up.ac.mz)
acessado em 22 de junho de 2018. Este site acrescenta ainda que do mesmo modo que as
demais instituições, a universidade está sempre historicamente determinada. Pode funcionar
bem ou mal, cumprir com maior ou menor efetividade suas atribuições, ser mais ou menos
admirada e respeitada. Ela não é perfeita nem inquestionável. Não está acima da sociedade
nem desconectada dela.
Na perspectiva de Pimenta (2002:34), a educação actualmente, é o retrato e a reprodução da
sociedade e, ao mesmo tempo se projeta a sociedade que se deseja. A Universidade Pedagógica
não é um ensino descontextualizado, mas busca os anseios da sociedade, visando responder
aos questionamentos mais pertinentes, às dúvidas que mais surge às necessidades de trabalho
que necessitam ser sanadas. É nesse sentido que se observa a projeção para o futuro, partindo
deste princípio de pergunta e resposta. O ensino superior enxerga a importância e a urgência de
se buscar a actualização, de olhar para os académicos como futuros profissionais actuantes na
sociedade.
37

Por sua vez MINED (Guião do Professor, 2017:33), no artigo21 são objectivos do ensino
superior os seguintes:
 Formar nas diferentes áreas do conhecimento, profissionais, técnicos e cientistas com
alto grau de qualificação;
 Incentivar a investigação científica e tecnológica como meio de formação dos
estudantes, de solução dos problemas com relevância para a sociedade e de apoio ao
desenvolvimento do país;
 Assegurar a ligação ao trabalho em todos os sectores e ramos de actividade económica
e social, como meio de formação técnica e profissional dos estudantes;
 Difundir actividades de extensão, principalmente através de difusão de intercâmbio o
conhecimento técnico-científico;
 Realizar acções de actualização dos profissionais graduados pelo ensino superior;
 Formar os docentes e cientistas necessários ao funcionamento e desenvolvimento do
ensino e da investigação.
Ainda para Pimenta (2002:97) a Universidade Pedagógica constitui um processo de busca, de
construção científica e de crítica ao conhecimento produzido, ou seja, sua relevância para a
sociedade.
“à universidade cabe tratar o conhecimento/ ciência,
transformando-o em saber escolar, fazendo com que a síntese
apresentada nas disciplinas em ação interdisciplinar seja
traduzida ao nível de apreensão dos alunos e efetivada em
praticas pedagógicas que garantam a aprendizagem. Para isso,
impõe-se uma mudança nas formas de organização de seus
currículos... (Pimenta, 2002:97)
Pimenta explicita que em sala de aula, o aprender e o ensinar caminham lado a lado, mediante
o conhecimento o professor e o estudante são elementos primordiais, no entanto se faz
necessário que ambos tenham consciência de que todo ato de ensinar na sala de aula ocorre o
aprender para que tenha valido a pena aquele momento.
Genghini (2006:47) argumenta a posição do ensino à luz da possibilidade do desenvolvimento
de Moçambique, e sendo, mais precisamente o Ensino Superior o responsável por este
fenômeno, pois não é capaz de gerar e ao mesmo tempo aprimorar a qualificação profissional e
tecnológica. É neste sector educacional que se encontram as possibilidades de mudança nos
níveis básicos da educação, uma vez que as formações dos educadores actuantes naquele nível
perpassam pelas universidades, sobretudo a Universidade Pedagógica de Quelimane.
38

É esperada do Ensino Superior uma formação de profissionais mais qualificados, no entanto


estes devem ser flexíveis, ou seja, capazes de se adaptarem às novas tendências
mercadológicas.
Esta autora Genghini (2006:56) considera quatro factores que interferem significativamente no
rendimento escolar a luz das dificuldades de aprendizagem. O primeiro se faz importante no
âmbito pessoal, ao passo que a carência de serviços de apoio ao estudante universitário,
deixando-o vulnerável às pressões inerentes ao Ensino Superior, o que os deixam
incapacitados de vencer as dificuldades encontradas. No segundo momento as instituições são
encaradas como contribuintes para o agravamento deste quadro, já que muitas vezes, as aulas
recaem em uma rotina, gerando desmotivação parte do corpo discente.

CAPÍTULO III – APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS


39

Tal como se fez referência nas metodologias, além da pesquisa bibliográfica que se fez para a
fundamentação teórica, a colecta de dados foi feita por meio de entrevista ao director do curso,
com vista a obter informações que respondem aos objectivos e questões deste estudo. Houve
uma supervisão de toda informação colectada, para que não se colectassem dados errados, ou
desnecessários para a pesquisa realizada, e os mesmos dados colectados foram observados.
Após a colecta de dado, fez-se necessário a análise dos mesmos. Quanto à análise de dados
usou-se categorias analíticas, que derivaram da fundamentação teórica, isto é, de teorias que já
foram previamente aceites e que impeçam, o mínimo possível, julgamentos, opiniões do senso
comum, preconceitos. No entanto, a fundamentação teórica permitiu ao pesquisador traçar um
paralelo entre os resultados obtidos empiricamente e as teorias já existentes.

3.1.Apresentação da Instituição em Estudo

3.2.Breve Descrição da Universidade Pedagógica Delegação de Quelimane

Criada em 1985, como Instituto Superior Pedagógico (ISP) e transformada em 1995 em


Universidade Pedagógica, a UP é uma instituição pública de ensino superior vocacionada para
formação de professores e quadros da educação.

Ao abrigo do seu novo estatuto, aprovado em Outubro de 2010 pelo Conselho de Ministros, a
UP não só actua no domínio da educação, como também na formação de quadros para outras
áreas de conhecimento, procurando sempre dotar os seus estudantes de licenciatura, mestrado e
doutoramento, de conhecimentos e ferramentas úteis para a sua integração plena e duradoira
no mercado de emprego nacional, regional e global.

A UP distingue-se pelo seu dinamismo, desenvolvimento, glocalidade e pelo carácter inovador


dos seus curricula cujos princípios básicos são a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e
a extensão, oferecendo uma formação flexível que permite a cada estudante compor o seu
próprio currículo.

Em 2015, aos 30 anos de existência, a UP é a maior instituição de ensino superior em


Moçambique, com cerca de 52.000 estudantes, distribuídos pela sua sede em Maputo e pelas
suas 10 delegações nas províncias. Ela tem 7 Faculdades e 2 Escolas Superiores que oferecem
um vasto leque de cursos nas áreas das ciências da educação, psicologia, ciências naturais e
matemáticas, ciências da linguagem, comunicação e artes, ciências sociais e filosóficas,
ciências económicas, jurídicas e de gestão, ciências da saúde, ciências da terra e ambiente,
desporto e tecnologias
40

O PORTAL DA UNIVERSIDADE PEDAGÓGICA, acesso em 20/09/2018, afirma que a UPQ


funciona com duas áreas, nomeadamente a Pedagógica e a Administrativa.
Assim, para a presente pesquisa trabalhou-se apenas com a área pedagógica, sobretudo com o
Departamento de Ciências de Educação e Psicologia, com os cursos de Psicologia
Educacional, Psicologia Social e das Organizações, Ensino Básico e Administração e Gestão
Escolar.

3.3. Apresentação de dados Obtidos a Partir da Entrevista


Nesta secção se apresentam os dados obtidos através da entrevista feita a amostra. Para
salvaguardar a identidade do respondente usar-se-á, um código DCAGE.

3.3.1. Extracto da Entrevista Dirigida ao Director do Curso de Administração e Gestão


Escolar
1.Fale do curso de administração e gestão da educação.
Nesta questão, o entrevistado deixou claro que o Curso de Administração e Gestão de
Educação, não é uma formação contínua, é um curso de formação inicial. Forma técnicos de
Educação, voltados a gestão da educação. Ele acrescentou ainda que inicialmente o curso de
Administração e Gestão da Educação foi introduzido em 2010. E sofreu algumas mudanças
com a revisão curricular em 2014. Os estudantes de 2010 de 2010 os últimos que entrarem em
2014, tinham como “minor” psicologia das organizações e habilitações em desenvolvimento
comunitário.
Na mesma senda deixou ficar que com a revisão curricular em 2014, os que entraram em 2015
passaram a ter “minor” em supervisão educacional e de comportamento educacional.
Na mesma sequência introduziu-se em 2015, o curso á distância em ensino Básico, optou-se
em ensino básico por haver demanda que tem a ver com professores e técnicos.

2.Para além da formação Inicial, tem havido formação em exercício?


Para esta questão, o DCAGE respondeu nos seguintes moldes: “O curso de Administração e
Gestão da Educação tem a formação inicial e outros estudantes entram com a formação
anterior.”

3.Para além da formação Inicial, tem havido formação em exercício?


41

Já nesta questão o entrevistado afirmou que o curso é de formação inicial, apesar de vierem
estudantes com outras formações contínuas, tem professores e outros indivíduos de outras
áreas.

4. Que perspectivas de formação de gestores escolares a Universidade Pedagógica de


Quelimane, sobretudo o curso de Administração e Gestão da Educação privilegia?
No que tange às perspectivas de formação de gestores, o entrevistado disse que a perspectiva é
de formar esses indivíduos. A universidade com o exterior tem algumas parcerias com outras
organizações. Para a formação contínua. EX: (USAID) com o projecto “APAL” – Aprender a
ler.

5. Que desafios no que diz respeito à formação contínua de gestores escolares, o Curso de
Administração e Gestão da educação encontra?
Nesta pergunta o entrevistado respondeu da seguinte maneira: “os desafios são para garantir a
formação contínua; o enquadramento destes Gestores no Ministério da Educação na sua
contratação para diferentes áreas: pedagógica, Administrativa e Financeira.
Para que ocorra essa contratação é necessário a intervenção do próprio Ministério da
Educação. Está fora do controlo da Universidade Pedagógica. “

6.O que é que o curso de administração e gestão da educação, tem feito para a formação de
gestores?
Quanto à formação de gestores, o entrevistado deixou claro que o curso de Administração e
Gestão da Educação te4m sempre que possível mobilizar diferentes candidatos em que acabam
garantir que o corpo docente esteja preparado para fazer face ao curso.
O curso procura colocar docentes preparados para a área. Garante o profissionalismo dos
futuros graduados.

7. Existem práticas de formação contínua de professores na Universidade Pedagógica? Em


que curso existem essas práticas?
No que tange às práticas de formação, o entrevistado disse que em relação ao curso de
Administração e Gestação ao nível interno não existe a formação contínua. Mas com parceria
com outras instituições desenvolve a formação contínua.

8. Gostaria de dar alguma contribuição em relação à formação? Faça favor.


42

Atinente à contribuição em relação à formação o DCAGE durante a entrevista deixou claro


que pessoalmente tem alguma ideia perspectiva, em relação a parceria com outras instituições.
No plano anual de 2019, a perspectiva era de fazer pesquisa ao nível da escola para colher
pontos sensíveis para capacitação de professores.
No contexto participativo, poderia desenvolver no Gurué apesar dos gestores locais estarem a
desenvolver a actividade ao nível da escola.

3.4. Análise e Apresentação dos Resultados da Pesquisa


3.4.1.Práticas e Desafios da Universidade Pedagógica na formação contínua dos gestores
escolares
Nesta secção pretende-se responder o primeiro objectivo especifico onde se pretendia
apresentar as práticas e os desafios da Universidade Pedagógica na formação contínua dos
gestores escolares.
Assim, com base na entrevista anteriormente apresentada conseguiu-se perceber que alguns
dos desafios da UPQ na formação contínua dos gestores escolares é (1) garantir a formação
contínua; e (2) o enquadramento destes Gestores no Ministério da Educação na sua contratação
para diferentes áreas: pedagógica, Administrativa e Financeira. E no entanto, para que ocorra
essa contratação é necessário a intervenção e/ou a colaboração do próprio Ministério da
Educação, pois logo que os graduados terminam os seus cursos na universidade, já não é da
responsabilidade da Universidade Pedagógica a contratação deste no Ministério do aparelho do
estado, sobretudo no Ministério da Educação.
A Universidade cabe apenas a formação do indivíduo em diferentes aspectos, não a sua
contratação, tal como PIMENTA (2002:97) adianta que a Universidade Pedagógica constitui
um processo de busca, de construção científica e de crítica ao conhecimento produzido, ou
seja, sua relevância para a sociedade.
“à universidade cabe tratar o conhecimento/ ciência,
transformando-o em saber escolar, fazendo com que a síntese
apresentada nas disciplinas em ação interdisciplinar seja
traduzida ao nível de apreensão dos alunos e efetivada em
praticas pedagógicas que garantam a aprendizagem. Para isso,
impõe-se uma mudança nas formas de organização de seus
currículos... (PIMENTA, 2002:97)
Ainda PIMENTA explicita que em sala de aula, o aprender e o ensinar caminham lado a lado,
mediante o conhecimento o professor e o estudante são elementos primordiais, no entanto se
faz necessário que ambos tenham consciência de que todo ato de ensinar na sala de aula ocorre
o aprender para que tenha valido a pena aquele momento.
43

3.4.2.O Papel da Universidade Pedagógica na Formação Contínua dos Gestores Escolares


Nesta secção pretende-se responder o segundo objectivo especifico onde se pretendia
identificar o papel da Universidade Pedagógica na formação contínua dos gestores escolares.
Referente ao papel da Universidade Pedagógica na formação contínua ficou claro a partir da
entrevista que a Universidade Pedagógica tem o papel de formar técnicos, docentes, gestões
sobretudo nas diferentes áreas do conhecimento, profissionais, técnicos e cientistas com alto
grau de qualificação, especialmente voltados à gestão da educação, em geral. E em particular,
tem o papel de formar técnicos e quadros de educação que possam trabalhar na administração,
gestão, liderança das instituições de ensino a nível secundário e médio.
Na mesma senda foi possível perceber que a UPQ, em particular no curso de Administração e
Gestão da Educação introduzido em 2010, sofreu algumas mudanças com a revisão curricular
em 2014.
É nesta perspectiva que PIMENTA (2002:34), afirma que “a educação actualmente, é o retrato
e a reprodução da sociedade e, ao mesmo tempo se projecta a sociedade que se deseja.” A
Universidade Pedagógica não é um ensino descontextualizado, mas busca os anseios da
sociedade, visando responder aos questionamentos mais pertinentes, às dúvidas que mais surge
às necessidades de trabalho que necessitam ser sanadas.
Nesse sentido observa-se que a projecção para o futuro, partindo deste princípio de pergunta e
resposta. O ensino superior enxerga a importância e a urgência de se buscar a actualização, de
olhar para os académicos como futuros profissionais actuantes na sociedade.

3.4.3.Distinção de Políticas de Formação contínua de gestores escolares na Universidade


Pedagógica actualmente
Na presente secção pretende-se responder o terceiro objectivo específico. No entanto, importa
frisar que este objectivo não foi alcançado na totalidade visto que a questão sobre as políticas
de formação contínua não foi respondida, uma vez que o entrevistado disse que o curso de
AGE não é necessariamente uma formação contínua, mas sim uma formação inicial, embora
existam estudantes que esteja a dar continuidade de uma formação anteriormente tida,
conforme o seguinte depoimento:
o Curso de Administração e Gestão de Educação, não é uma formação
contínua, é um curso de formação inicial. Forma técnicos de
Educação, voltados a gestão da educação. Ele acrescentou ainda que
inicialmente o curso de Administração e Gestão da Educação foi
introduzido em 2010. E sofreu algumas mudanças com a revisão
curricular em 2014. Os estudantes de 2010 de 2010 os últimos que
44

entrarem em 2014, tinham como “minor” psicologia das organizações


e habilitações em desenvolvimento comunitário, (DCAGE, 2019).

Porém, diante do mesmo cenário ficou claro que há perspectivas sobre o assunto em apreço,
como é o caso de fazer parceria com outras instituições. Por outro lado, no plano anual de
2019, há perspectivas de se fazer pesquisa ao nível da escola para colher pontos sensíveis para
capacitação de professores. Já no contexto participativo, poderia desenvolver no Gurué apesar
dos gestores locais estarem a desenvolver a actividade ao nível da escola.

Conclusão
45

A pesquisa visava abordar uma questão que sempre provocou grandes debates nas diversas
camadas sociais, e especialmente, nos sistemas de ensino e instituições formadoras. No
entanto, com a pesquisa pode se concluir que o papel da universidade pedagógica de
Quelimane, peculiarmente o curso de Administração e gestão da Educação é de formar
técnicos, docentes, gestões sobretudo nas diferentes áreas do conhecimento, profissionais,
técnicos e cientistas com alto grau de qualificação, especialmente voltados à gestão da
educação em Moçambique.
Além deste papel acima referenciado, em consonância com o Ministério de Educação e
Desenvolvimento Humano, e de forma sucinta a Universidade Pedagógica, e especialmente o
curso de Administração e Gestão da educação tem o papel de: (1) Incentivar a investigação
científica e tecnológica como meio de formação dos estudantes, de solução dos problemas com
relevância para a sociedade e de apoio ao desenvolvimento do país; (2) Formar técnicos de
Educação e professores com nível superior do MEC, DPEC, SDEJT a diferentes níveis; (3)
Dotar de conhecimentos científicos teóricos e práticos profundos relacionados com a
Administração e Gestão da Educação; (4) Formar técnicos de Educação com conhecimentos
científicos teóricos e práticos relacionados com a educação e desenvolvimento comunitário e
Psicologia das Organizações.
Neste sentido, a Universidade Pedagógica, delegação de Quelimane por possuir o Curso de
administração e gestão da Educação, acrescenta mais um papel preponderante, além do seu
papel geral de formar indivíduos capazes de resolver os diversos problemas da vida na
sociedade, assim contribuindo para o desenvolvimento do país. Por outro lado, o papel de
formar profissionais de educação em geral, ela tem o papel de formar gestores escolares
qualificados através do curso de AGE em parceria com o seu departamento. Assim, com os
argumentos acima conseguiu-se responder a questão principal da pesquisa na qual pretendia-se
saber “Qual é o Papel da Universidade Pedagógica na Formação Contínua de Gestores
Escolares na Cidade de Quelimane, sobretudo no curso de Administração e Gestão da
Educação?”
Atinente à primeira questão de partida que consistia em procurar saber sobre as políticas de
formação contínua de gestores escolares na Universidade Pedagógica, na actualidade. Não
foi possivel responder de forma directa visto que no desenrolar da entrevista deixou-se ficar
que o curso de Administração e Gestão da Educação por si só não uma formação contínua, em
um curso de formação inicial. Porém, há estudantes que ingressam no curso para continuar
com a sua formação anterior.
46

No que tange à segunda questão de pesquisa que consistia em saber “Que Práticas e Desafios
tem a Universidade Pedagógica na Formação contínua dos Gestores Escolares, frente aos
novos desafios do século XXI?” foi possível perceber que os desafios da Universidade
Pedagógica na formação contínua dos gestores escolares frente aos desafios do século XXI são
de: (1) garantir a formação contínua; e (2) o enquadramento destes Gestores no Ministério da
Educação na sua contratação para diferentes áreas: pedagógica, Administrativa e Financeira.
Porém, para que ocorra essa contratação é necessário a intervenção e/ou a colaboração do
próprio Ministério da Educação, pois logo que os graduados terminam os seus cursos na
universidade, já não é da responsabilidade da Universidade Pedagógica a contratação deste no
Ministério do aparelho do estado, sobretudo no Ministério da Educação.
Quanto á terceira e a última questão de pesquisa onde se pretendia saber “Que Requisitos a
Universidade Pedagógica Recomenda aos Gestores escolares, durante a sua formação?”
também não foi possível responder, visto que deixou-se claro durante a entrevista que o curso
de Administração e gestão da educação não é uma formação contínua, mas sim inicial.
No que diz respeito aos objectivos, pode-se afirmar que o objectivo geral foi alcançado,
embora não tenha respondido a todos os objectivos específicos, visto que o terceiro objectivo
especifico visava distinguir políticas de formação contínua de gestores escolares na
Universidade Pedagógica actualmente, algo que não foi possível saber na integra, uma vez
que não há uma formação contínua como um curso, mas sim certos estudantes é que decidem
continuar as suas formações anteriores sem necessariamente a exigência da Universidade ou
do curso.

Sugestões
47

A formação contínua de professores e funcionários é uma preocupação central do gestor


escolar, muito devido à sua complexidade. Ela envolve vários factores, como recursos
financeiros, a definição de prioridades e um saber organizá-la para torná-la essencial na vida
do educador e da escola. A formação contínua permite que o educador agregue conhecimento
capaz de gerar transformações e impacto nos contextos profissional e escolar. Assim, diante da
importância que a formação contínua oferece na sociedade, sugere-se o seguinte:

À Universidade Pedagógica
 Com vista a melhorar a qualidade de ensino que tanto se fala na actualidade, que a
Universidade Pedagógica procure implementar um programa de formação contínua com
políticas e tudo traçado, a partir de um levantamento prévio das diversas dificuldades dos
funcionários no seio da sociedade, além das formações mistas e iniciais já existentes.

Às escolas:
 Que ofereçam um espaço aos seus funcionários para uma formação contínua, também
que se discuta novas formas de acolher novas gerações de estudantes com diferentes
estilos de aprendizagem.

Bibliografia
48

ALVES-M., Alda J; GEWANDSZNAJDER, F. O Método nas Ciências Naturais e Sociais:


Pesquisa Quantitativa e Qualitativa. Pioneira. São Paulo. 1999.
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50

Apêndices

Guião de Entrevista
51

A Formação Contínua dos Gestores Escolares na Cidade de Quelimane: o Papel da


Universidade Pedagógica, Delegação de Quelimane: Caso do Curso de Administração e Gestão
da Educação

O presente guião de entrevista destina-se à colecta de dados inerentes à Formação Contínua de


Gestores Escolares, sobretudo o Papel da Universidade Pedagógica.
Garante-se o uso destas informações fornecidas apenas para fins académicos, e manter-se-á tudo em
anonimato para manter a ética.

O curso de Administração e Gestão da Educação visa formar quadros qualificados da


educação, sobretudo que saibam gerir as escolas.
1. Fale docurso de administração e gestão da educação.
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2. Para além da formação Inicial, tem havido formação em exercício?
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3. Que perspectivas de formação de gestores escolares a Universidade Pedagógica de


Quelimane, sobretudo o curso de Administração e Gestão da Educação privilegia?
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4. Que orientações o curso de Administração e Gestão da Educação dá para a actuação dos
gestores no campo?
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_________________________________________________________________________
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52

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5. Que desafios no que diz respeito à formação contínua de gestores escolares, o Curso de
Administração e Gestão da educaçao encontra?
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6. O que é que o curso de administração e gestão da educação, tem feito para a formação de
gestores?
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7. Existem práticas de formação contínua de professores na Universidade Pedagógica? Em
que curso existem essas práticas?
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8. Gostaria de saber sobre a formação de gestores em exercícios pelo curso de Administração
e Gestão da educação.
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9. Em que consiste a formação de gestores pelo curso de Administração e gestão da
educação?
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53

10. Gostaria de dar alguma contribuição em relação à formação? Faça favor.


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Obrigado pela Colaboração!