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Universidade Federal da Paraíba

Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes


Departamento de Língua Portuguesa e Linguística
Disciplina: Estágio Supervisionado II Período: 2019.1
Prof. Dr. José Wellisten Abreu de Souza

Plano de aula

Identificação
Grupo: Ana Cláudia Silva dos Santos, Lívia Maria Gonzaga Ribeiro e Rafaela de Souza
Viana
Público-alvo: 3º ano do Ensino Médio regular
Data da ministração da microaula: 05 de setembro de 2019

Tema
A partir do tema A importância da acessibilidade na nossa sociedade, pretende-se
trabalhar a interpretação textual e a análise linguística (o uso de elementos de coesão)
com base na leitura do texto Acessibilidade é muito mais que rebaixar calçadas. O
vídeo Acessibilidade na escola será trabalhado como elemento que entrelaçará o texto
lido no primeiro momento da aula com a proposta de produção textual, uma carta de
reclamação.

Objetivos

Objetivos gerais
● Adquirir conhecimentos com a finalidade de construir uma carta de reclamação.

Objetivos específicos
● Aprimorar a compreensão leitora e a interpretação textual;
● reconhecer os usos de conectores do discurso;
● Correlacionar fatos do texto, escrito e visual, com fatos do cotidiano;
● Argumentar/opinar sobre o tema, relacionando-o com os materiais oferecidos em
classe;
● Confeccionar uma carta de reclamação;
Objetivo a ser adquirido durante o desenvolvimento da sequência didática:
● Desenvolver a habilidade de correção e refacção do próprio texto.

Metodologia
1º momento: iniciar a aula com a leitura do texto Acessibilidade é muito mais que
rebaixar calçadas, de Lilian Carla (confrontar anexo); realizar a leitura individual;
perguntar se existem dúvidas com relação a algum vocabulário; instar a que os alunos
falem sobre o que leram e que compartilhem suas opiniões sobre o tema; o professor
deve indagar e propor reflexões a partir de parágrafos do texto, questionar se os alunos
concordam ou discordam do ponto de vista da autora.
2º momento: o professor, com base no texto trabalhado, deve abordar os elementos
de coesão, utilizando como exemplo um conectivo do texto; após o professor citar mais
alguns exemplos oralmente, ele deverá solicitar que a turma se divida em 4 grupos,
cada grupo deverá encontrar o(s) conectivo(s) no(s) parágrafo(s) indicados pelo
professor e com base no contexto de uso do texto, cada grupo deverá explicar a função
textual de cada conectivo encontrado.
3º momento: exibir o vídeo (ou o áudio do vídeo) Acessibilidade nas escolas, promover
uma discussão e relacioná-la com o texto do primeiro momento. Fazer um debate sobre
o vídeo, comparar as realidades entre as regiões, já que o vídeo expõe a realidade de
uma escola pública da região Sul e vivemos na região Nordeste. Com base nas
informações adquiridas com a leitura do texto e com o vídeo Acessibilidade na escola,
solicitar que os alunos se dividam em 4 grupos, cada grupo deverá elaborar uma lista
com propostas para tornar a sua escola um local acessível a todas as pessoas. Após
a confecção da lista, cada grupo deverá apresentar suas propostas, justificando-as.
4º momento: Após a apresentação das propostas, o professor deverá explicar que
cada grupo irá escrever uma carta de reclamação à Secretaria de Educação do Estado
da Paraíba. Essa carta visará solicitar melhorias na estrutura escolar que promovam a
acessibilidade dos alunos dentro da escola, de maneira particular, de uma colega de
classe com deficiência visual. As propostas de cada grupo deverão ser abordadas no
texto da carta. Antes dos alunos começarem a primeira produção escrita, o professor
irá retomar a estrutura do gênero carta, já trabalhada em aulas anteriores. Após a
primeira confecção do texto, o professor os recolherá e os entregará a grupos
diferentes. Dessa forma, todos os grupos trabalharão os aspectos constitutivos do
gênero carta de reclamação, de maneira interativa, podendo cada grupo oferecer
sugestões de ideias e/ou de correções para melhorar a estrutura dos textos produzidos
por seus colegas. Ao final da aula, após cada grupo ler e conversar sobre as propostas
dos colegas, serão feitas as apresentações das sugestões, o processo de confecção
do texto continuará na aula seguinte.

Recursos
Marcador de quadro, quadro, material impresso, computador, Datashow.

Avaliação
Avaliação contínua: participação dos alunos durante a aula e durante o processo de
confecção da carta de reclamação.

Referências

Acessibilidade nas escolas. Disponível em:


https://www.youtube.com/watch?v=VB4slvp62ts. Acesso em 30 ago. 2019.

BRASIL. Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCNEM). Brasília: Ministério


da Educação, Secretaria de Educação Básica, volume 1, 2006.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: Ministério da Educação,


2017.

CARLA, Lilian. Acessibilidade é muito mais do que rebaixar calçadas. Disponível em:
https://www.recantodasletras.com.br/artigos/1932014. Acesso em 30 ago. 2019.
Anexo

Acessibilidade é muito mais do que rebaixar calçadas

Lilian Carla

19/11/2009

Através da evolução dos tempos, o nascimento de uma pessoa com


necessidades especiais ou com algum tipo de deficiência, foi visto de maneiras
totalmente diferentes.
Nas civilizações antigas, não era suportado o “fardo” de sustentar e criar uma
criança com deficiência, cabendo, em certas culturas, aos pais ou aos líderes do grupo,
se “desfazerem” dessa criança, atirando-a, normalmente, em algum precipício. Como
ocorria na civilização espartana, em que sendo a cultura voltada para a formação de
guerreiros, não havia espaço para pessoas “imperfeitas”.
Com a evolução da cultura e o agravamento das leis, essas crianças deixaram
de ser privadas de suas vidas, no entanto, em nada melhorou a sua situação, eis que
agora, apesar de vivas, continuavam deixadas em abismos não físicos, mas enfrentando
abismos como o da solidão, da rejeição, da indiferença e do desafeto, tanto por parte
de sua família, como pela comunidade.
Muitas vezes, eram exploradas, vendidas para algum malfeitor que, expondo a
deficiência e a fragilidade da criança, a transformava em pequenos monstros, capazes
de garantir sua rentabilidade e o divertimento daqueles que se consideravam normais.
Quem não viu, ouviu, ou leu algo desse gênero em sua vida? Bobos da corte,
monstros demoníacos; até mesmo as clássicas obras “O Fantasma da Ópera” e “O
Corcunda de Notre Dame”, demonstram casos como esses. Agora, será que devemos
passar o resto de nossas vidas acreditando que essas atrocidades são apenas frutos
de uma mente obstinada a criar uma estória fantasiosa e com isso garantir seus lucros
exorbitantes? Por mais que nos doa, a realidade não é um mar de rosas.
No decorrer dos tempos a ciência e a medicina evoluíram, e com ela a
mentalidade e a percepção dos homens também, pois dessa forma essas crianças
passaram a ter um pouco mais de dignidade e respeito.
Deploravelmente em muitos lares as crianças ainda sofrem com a discriminação,
contudo, vêm aumentando gradativamente os casos em que os deficientes deixaram de
ser os monstros e os diabólicos e passaram a ser os “especiais” e, com isso,
conseguiram o mínimo de apoio, carinho e atenção necessários para a aceitação e
superação de suas limitações.
A família, a escola e a sociedade passaram a entender melhor o imortal
pensamento de Aristóteles: “Tratar os iguais igualmente e os desiguais, desigualmente,
na medida de sua desigualdade”.
E uma das formas de expressar esse entendimento é garantindo às pessoas
com deficiência, o cumprimento de seus direitos de acessibilidade, em todas as suas
formas, objetivando a inclusão da pessoa com deficiência à sociedade, para, assim,
dentro de sua desigualdade, se sentir igual aos seus desiguais.

Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/artigos/1932014.