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FACULDADE CAMPOS ELISEOS

FCE
CURSO DE GESTÃO ESCOLAR
POLO DE REGISTRO / SP

GESTÃO DEMOCRÁTICA:
O PAPEL DOS DOCENTES E DA COMUNIDADE

ISABEL CRISTINA MARTINS

REGISTRO / SP

2017
2

ISABEL CRISTINA MARTINS

GESTÃO DEMOCRÁTICA:
O PAPEL DOS DOCENTES E DA COMUNIDADE

Trabalho de Conclusão de Curso,


apresentado ao Curso de GESTÃO
ESCOLAR da FACULDADE CAMPOS
ELÍSEOS- FCE, como requisito para a
obtenção do título de Especialista em
Gestão Escolar, sob a orientação do
Professor.

REGISTRO / SP

2017
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SUMÁRIO

Resumo .......................................................................................................................4

Abstract .......................................................................................................................5

Introdução ....................................................................................................................6

A Gestão Escolar .........................................................................................................9

Os Docentes e a Gestão Escolar Democrática..........................................................12

A Comunidade e a Gestão Escolar Democrática.......................................................14

Conclusão ..................................................................................................................17

Referências Bibliográficas .........................................................................................18


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GESTÃO DEMOCRÁTICA:
O PAPEL DOS DOCENTES E DA COMUNIDADE

ISABEL CRISTINA MARTINS

RESUMO
Este trabalho por meio de uma pesquisa bibliográfica procura apresentar e interagir
na gestão democrática escolar com a participação da comunidade e dos
educadores, visando o aprofundamento nesta discussão e no conhecimento a
respeito do assunto, visto este ser um assunto que não deve ser reconhecido
apenas pela burocracia inerente, mas também pela sua ação participativa e
organizacional do sistema educacional. Como a sociedade vem sofrendo mudanças
constantes e cada vez mais aceleradas o sistema educacional não deve manter-se
alheio a essas mudanças, onde a gestão escolar participativa poderá se tornar o
fator e a ferramenta correta na busca do sistema escolar de qualidade, atendendo os
anseios de todos os envolvidos na busca de um ensino de qualidade, onde o papel
da comunidade, dos educadores e dos gestores, entre outros, é o de um sistema
participativo e democrático, com autonomia.

PALAVRAS-CHAVE: Comunidade, Educadores, Escola, Gestão Democrática.


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ABSTRACT
This paper a bibliographical research to present and interact in democratic school
management with the participation of the community and educators, aiming to
deepen this discussion and knowledge about the subject, since this is a subject that
should not be recognized only By the inherent bureaucracy, but also by its
participatory and organizational action of the educational system. As society has
been undergoing constant and accelerating changes, the educational system must
not remain oblivious to these changes, where participatory school management can
become the factor and the correct tool in the quest for a quality school system,
meeting the expectations Of all those involved in the search for quality education,
where the role of the community, educators and managers, among others, is that of a
participatory and democratic system, with autonomy.

KEYWORDS: Community, Educators, School, Democratic Management.


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INTRODUÇÃO
Com a instituição de leis legitimando a gestão democrática no sistema
educacional brasileiro pode-se ter uma maior possibilidade da melhoria na qualidade
do ensino e, portanto, no processo de gestão educacional e que com a aprovação
deste princípio atendeu o anseio da constante luta por esta democratização, a qual
era parte principal de busca dos movimentos sociais e por que não dos educadores
em geral. Para Gadotti: “de que adiantaria uma Lei de Gestão Democrática do
Ensino Público que concede autonomia pedagógica, administrativa e financeira às
escolas, se o gestor, professores, alunos, e demais atores do processo
desconhecem o significado político da autonomia” (GADOTTI, 2001). É com esse
pressuposto que buscamos compreender esta ação pedagógica voltada à
participação dos educadores e da comunidade na gestão escolar, não que a
participação de outros setores neste processo seja menos relevante, através do
reconhecimento de que o sistema educacional é na sua essência um ato de
conscientização e de conhecimento e que leva os gestores aos desafios do
enfrentamento às mudanças em benefício das comunidades e da sociedade em
geral, possibilitando assim a compreensão dos desafios e das ações que envolvem
o processo democrático no sistema educacional e que para Paro: “Não pode haver
democracia plena sem pessoas democráticas para exercê-las” (PARO, 2006).
Portanto, sob a configuração desta premissa é que este trabalho busca melhor
entendimento na implantação do processo de participação da comunidade e dos
educadores na gestão democrática escolar.
Também, este estudo bibliográfico teve como objetivo central analisar o
processo de participação dos educadores e da comunidade na gestão democrática
escolar, e como objetivos específicos realizar análise dos conceitos teóricos dos
estudo sobre a gestão democrática escolar, buscar uma reflexão sobre as teorias
respectivas da participação dos educadores nessa gestão, bem como a da
comunidade respectiva e ainda, procurar entender como se dará esta participação
neste processo democrático escolar.
Portanto, tivemos como base para este estudo a fundamentação bibliográfica
através da análise das discussões e de estudos relacionados a gestão democrática
escolar e a participação dos educadores e das comunidades respectivas, onde
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podemos avaliar que na formação do cidadão a escola tem uma participação


fundamental para que este possa ser o verdadeiro protagonista de sua história, onde
para tanto precise ser crítico, construtivo e criativo e que tenhamos uma organização
do processo ensino-aprendizagem com vistas a possibilidade dos educandos terem
acesso ao ensino de qualidade, onde nesta busca de aprimoramentos aliada às
dificuldades existentes nos estabelecimentos de ensino possa ser efetivamente
trabalhada uma gestão participativa junto aos educadores e a comunidade local
neste processo de administração e também que se torne uma coisa realmente
efetiva.
Visto ser a participação um fator inerente a natureza social humana a inibição
desta característica pode ser um bloqueio desta participação social e que isto só
poderá se desenvolver totalmente com a facilitação da participação de todos e que
fatalmente pode atingir os objetivos com a participação de comunidade, bem como
dos educadores, como no entender de Bodernave sobre a participação: “... estão a
favor dela tanto os setores progressistas que desejam uma democracia mais
autêntica, como os setores tradicionalmente não muito favoráveis aos avanços das
forças populares” (BODERNAVE, 1994, p. 12).
Bem como a participação da comunidade local também a dos educadores é
de suma importância na democratização da gestão escolar e de suas políticas
públicas para formalização do contexto da ampliação dos espaços participativos e
que por meio desses esforços culminou com a incorporação do artigo 206 na
Constituição da República Federativa do Brasil- CF de 1988, que teve como seu
princípio a gestão democrática educacional, que posteriormente foi ratificado pela lei
de Diretrizes e Bases da Educação- Lei nº 9493/1996 e que por sua vez no artigo 14
estabeleceu que o sistema de ensino definirá as normas de gestão do ensino público
na educação básica de acordo com suas peculiaridades e conforme os princípios:
l – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico
da escola: e
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou
equivalentes.
Portanto, embora devamos considerar que em um processo de gestão
democrática escolar deve-se ter a participação de todos os envolvidos procuramos
apresentar o trabalho voltado para a participação dos educadores e das
comunidades locais e apresentá-lo com a estrutura de: resumo, que da uma ideia
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geral do estudo realizado; abstract, que é a tradução do resumo para a língua


inglesa; a introdução, que dá uma ideia da apresentação do trabalho; a
fundamentação teórica, que é a base de pesquisa realizada; as considerações finais,
que mostra a avaliação do nosso entendimento do estudo realizado; e por fim, as
referências bibliográficas, onde descrevemos o material teórico utilizado na pesquisa
deste estudo.
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A GESTÃO ESCOLAR
Com bases no estudo realizado podemos dizer que a gestão escolar é o ato
de se administrar a organização escolar na busca e no alcance de seus objetivos na
qualidade escolar, tendo por fim atingir as metas planejadas, através de
planejamento, de organização, de liderança, da execução e do controle das ações
traçadas, onde o administrar torna-se uma forma de gestão definido suas metas e os
recursos necessários na realização das atividades afins e responsabilizando-se por
suas correções caso haja necessidade para tal. Na realização do processo de
gestão escolar, para Monlevade tem cinco princípios básicos na implementação do
processo democrático escolar:

1. Gestão Democrática supõe ruptura com práticas autoritárias, hierárquicas


e clientelistas. Por isto, a eleição de diretores, embora não constitua a
essência da gestão democrática, tem sido o sinal histórico para distinguir o
“tempo autoritário” do “tempo democrático”.
2. Gestão Democrática é participação dos atores em decisões e na
avaliação. Talvez o ideal fosse fazer da assembleia geral escolar o órgão
máximo deliberativo. Mas, no dia-a-dia, temos que construir um Conselho
Escolar competente e viável, onde todos os segmentos estejam presentes e
operantes, gerando e acumulando um novo e influente poder, o poder
escolar.
3. Gestão Democrática supõe representação legítima dos segmentos. A
direção, embora eleita, representa o Estado. Os pais representam,
autenticamente, os pais e as mães, superando aquela ambiguidade das
Associações de Pais e Mestres. Professores e funcionários representam
seus pares na escola, levando as posições de suas entidades de
trabalhadores da educação. E os alunos? A representatividade dos alunos
deve somar a sua condição de “educandos”, enturmados na base da escola,
liderados por “representantes de classe”, a prática de uma organização
política mais ampla, em grêmios livres e associações municipais e
estaduais, nem sectárias, nem partidarizadas.
4. A Gestão Democrática da escola se baliza pelo Projeto Político-
Pedagógico da Escola. São os objetivos e metas da escola, referenciada a
sociedade do conhecimento, que unem o Conselho, que presidem as
eleições, que direcionam as decisões e as práticas de seus atores.
5. Gestão Democrática da escola se articula com administração democrática
do sistema de ensino. (MONLEVADE, 2005, pag. 29).

Na gestão escolar podemos também destacar algumas etapas essenciais no


alcance dos objetivos finais do sistema educacional, como o planejamento, a
liderança, a organização e a avaliação, onde no planejamento é realizada a
formulação dos objetivos, dos planos de apoio, das tomadas de decisões, da
utilização de técnicas quantitativas, da antecipação de possíveis mudanças do
ambiente e da formulação das estratégias necessárias; na liderança se prevê a
necessidade de cargos, criação de ambiente favorável e agradável, a integração dos
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objetivos individuais e os da organização, criação de sistema de informações


integradas e também um sistema motivacional na avaliação de desempenhos; na
organização se dá a formulação das atribuições das tarefas necessárias, podendo
se estabelecer as relações de autoridades e se delinear claramente as
responsabilidades de cada um; e, a avaliação, onde se deve instituir os dispositivos
de recebimento das informações determinados em pontos estratégicos e também se
poderá ter a medição dos desempenhos comparando padrões e com a consequente
correção dos prováveis desvios.
Portanto, podemos então colocar que a gestão escolar atuante na educação
pode realizar o planejamento, a organização, a liderança, a orientação, a mediação,
a coordenação, o monitoramento e a avaliação no processo educativo com vistas à
melhoria da qualidade educacional de seus participantes, sendo visível a presença
da gestão em todos os setores empresariais, tanto públicos quanto privados,
tornando-se assim de fundamental importância no sistema educacional englobando
todas e quaisquer incumbências das unidades educacionais na execução e na
elaboração das propostas pedagógicas, bem como no administrar dos recursos
materiais, financeiros e de pessoal.
Devemos também avaliar que essa gestão escolar não está para a
substituição da administração escolar, mas sim para atuar em sua complementação
até mesmo de aspectos não contemplados até então. Tanto que para Luck:

O conceito de gestão educacional, portanto, pressupõe um entendimento


diferente da realidade, dos elementos envolvidos em uma ação e das
próprias pessoas em seu contexto, abrange uma série de concepções,
tendo como foco a interatividade social, não considerada pelo conceito de
administração, e, portanto, superando-a. (LUCK, 2007, p. 55).

Como determina a Lei 9.394/96 a gestão escolar obrigatoriamente tem que ter
o modelo participativo e democrático, como característica principal no sistema de
gestão, necessitando ter o aspecto global, ou seja, ter a participação de toda a
comunidade local, tendo como base a coletividade, como dito pela Secretaria da
Educação Básica do Ministério da Educação, no Programa dos Conselhos
Escolares: A gestão democrática implica a efetivação de novos processos de
organização e gestão baseados em uma dinâmica que favoreça os processos
coletivos e participativos de decisão. (BRASIL. 2004, p. 15).
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E ainda, como cita Catani:

A gestão da educação acontece e se desenvolve em todos os âmbitos da


escola, inclusive e fundamentalmente, na sala de aula, onde se objetiva o
projeto político pedagógico não só como desenvolvimento do planejado,
mas como fonte privilegiada de novos subsídios para novas tomadas de
decisões para o estabelecimento de novas políticas. (CATANI et AL, 2009,
p. 309).
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OS DOCENTES E A GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA


Em uma gestão democrática que tem como uma das principais características
a participação de todos envolvidos nesse processo não podemos deixar com menos
importância a participação dos educadores, envolvidos diretamente no convívio com
os educandos, que recebe maior ênfase na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional- Lei nº 9493/1996 em seu artigo 14 onde estabelece a participação dos
profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e que
com esta base legal foram assegurados os progressivos graus de gestão financeira
e de autonomia pedagógica e administrativa, culminando assim em uma concepção
democrática e participativa no processo de gestão, onde o fator preponderante é a
participação de todos na tomada de decisões. Para Demo: A gestão democrática
recebe ênfase explícita no artigo 14, de acordo com os princípios- “Participação dos
profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou
equivalentes”. (DEMO, 1997, pag. 63).
Visto que as políticas públicas têm as propostas participativas e criativas
nesse processo de democratização, onde se possa superar as maneiras
conservadoras de gestão escolar se faz a necessidade de promoção de esforços do
educadores no estímulo das instancias e das práticas coletivas onde se possibilite o
conhecer, o saber e o intervir na vida escolar o que poderá influenciar diretamente
na gestão democrática, bem como, na melhoria da qualidade do ensino praticado,
podendo assim proporcionar uma melhor compreensão deste processo participativo
e de seu funcionamento obtendo assim um conhecimento mais aprofundado desse
novo sistema e podendo haver uma intensificação das relações e do convívio
escolar que certamente poderá se constituir na autonomia participativa e na prática
formativa de seus participantes.
Neste processo de participação direta os educadores tendem a ter a
percepção de que devam assumir uma nova postura frente aos desafios propostos a
esta democratização e com vistas a tendência de reconstrução de seu novo papel e
de ter uma contribuição mais ativa no processo educacional, onde se evidencia a
suma importância de busca de se atingir os objetivos coletivos desta tomada de
decisões coerentes com este objetivos no alcance da melhoria da qualidade do
ensino-aprendizagem e que envolve as mais diversas áreas de conhecimento e que
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são ligadas diretamente a estes profissionais de ensino e que por si só pode ser
sistemática e consciente.
Quando salientamos que o educador além de ter um comprometimento com
suas responsabilidades em administrar um ensino de significação aos seus
educandos ele também estará contribuindo na formação de um ser democrático,
evidenciando que suas responsabilidades não são limitadas apenas à sala de aula
mas sim, estão ligadas diretamente às experiências de vida e às exigências sociais
destes educandos. Com este comprometimento necessário a sua participação
efetiva no processo de democratização e gestão o educador torna-se peça
fundamental da escola neste processo de formação democrática dos cidadãos
tornando-os condutores e livres para direcionarem suas vidas, através de uma
gestão democrática e participativa, através da participação com novas
responsabilidades e nova postura frente às estas prováveis mudanças.
Dentro desta perspectiva os educadores necessitam do entendimento de que
têm um papel participativo e em sociedade com outros membros do contexto
democrático em um sistema organizacional e de gestão onde se é necessário a
elaboração e a determinação de práticas comuns na relação aluno-professor onde
não se pode ter condutas diferenciadas no controle disciplinar e que nesta direção
Libâneo et al dizem que:”[...] o exercício do professor compreende, ao menos, três
atribuições: a docência, a atuação na organização e na gestão da escola e a
produção de conhecimento pedagógico”, (LIBÂNEO et al., 2007, pag. 310). Sob esta
visão os educadores deverão então, se prepararem adequadamente
profissionalmente com conhecimento integral dos conteúdos a serem aplicados com
autonomia e ainda, ter conhecimento pleno no desenvolver pontos de vistas
pedagógicos assumindo assim os diversos desafios intelectuais, por que não,
emocionais bem diferenciados das características de seu aprendizado, passando a
ter um conhecimento adequado ao novo modelo de gestão e organização.
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A COMUNIDADE E A GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA


Tanto para teóricos ou para profissionais das diversificadas áreas cada vez
mais torna-se imprescindível a participação das comunidades em todos os setores
da sociedade e na área da educação não se faz diferente, sendo uma fator de ação
participativa da gestão democrática. Para Bordenave: “ ... estão a favor dela tanto os
setores progressistas que desejam uma democracia mais autêntica, como os
setores tradicionalmente não muito favoráveis aos avanços das forças populares”
(BORDENAVE, 1994, pag. 12), complementando ainda: “ ... a razão, evidentemente,
é que a participação oferece vantagens para ambos. Ela pode se implantar tanto
com objetivos de liberação e igualdade como para a manutenção de uma situação
de controle de muitos por alguns” (Idem, pag. 12).
Podendo ser considerado como uma facilitação a participação da comunidade
no sistema democrático escolar também é amparada pela LDBEN em seu artigo 14,
que prevê: “Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do
ensino público na educação básica, de acordo com suas peculiaridades e conforme
os seguintes princípios: [...], “2. participação das comunidades escolar e local em
conselhos escolares ou equivalentes”.
Através desta participação direta a comunidade pode interagir com o sistema
educacional na construção escolar necessária e que esteja dentro dos objetivos
gerais da educação no alcance dos interesses e desses objetivos gerais da
sociedade, e ainda, tendo uma participação direta na provável melhoria da qualidade
do ensino, contribuindo assim na formação geral desse ser humano, diferenciando
do sistema anterior com suas premissas já definidas por um poder central e com
entendimento de uns poucos que nem sempre atendiam o esperado do sistema
educacional, sendo uma coisa pragmática e pré-estabelecida, sem a participação
dos principais interessados no resultado e objetivos propostos e que nem sempre
produziam um sistema de ensino-aprendizagem de qualidade.
Com a participação da comunidade nesse processo de gestão facilita a
divisão de responsabilidades e torna o planejamento com melhores chances de se
atingir o objetivo maior que é a melhoria da qualidade do ensino, visto às dificuldade
do sistema tradicional e a necessidade de se aprimorar esse sistema escolar fez-se
necessária a abertura de participação da comunidade na administração geral
ativamente, e que para Abranches:
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“Os órgão colegiados têm possibilitado a implementação de novas formas


de gestão por meio de um modelo de administração coletiva, em que todos
participam dos processos decisórios e do acompanhamento, execução e
avaliação das ações nas unidades escolares, envolvendo as questões
administrativas, financeiras e pedagógicas”. (ABRANCHES, 2003, pag. 54).

Portanto, nesse contexto torna-se evidenciado que a participação da


comunidade na gestão escolar é de suma importância, visto a escola ter o reflexo
dos diversos acontecimentos fora de seu ambiente natural e que dessa maneira não
tem como as instituições de ensino ficarem afastadas das comunidades a que elas
pertencem e que têm uma relação direta entre os alunos e os filhos destas
comunidades, aliado aos acontecimentos do passado e do sistema aplicado onde a
escola era autônoma na organização e na aplicação do planejamento centralizado e
que se tornou inviabilizado atualmente onde se deve ter uma gestão organizacional
descentralizada e participativa, por todos os seus envolvidos nesse meio social
específico e que indica a influência direta dos fatores externos no dia-a-dia escolar.
Visto ser a participação uma das características principais da gestão
democrática então a interação da comunidade com o sistema escolar poderá ter
influência positiva na divisão das decisões e das responsabilidades advindas deste
processo democrático através da participação na organização, no planejamento e na
tomada de decisões, tendo envolvimento direto nessas ações sejam elas
pedagógicas ou administrativas, e que segundo Paro:

Se, todavia, concebemos a comunidade – para cujos interesses a educação


escolar deve voltar-se – como real substrato de um processo de
democratização das relações na escola, parece-me absurda a proposição
de uma gestão democrática que não suponha a comunidade como a sua
parte integrante. (PARO, 2000, pag. 15).

Ainda, não há como avaliar a participação da comunidade no processo


democrático escolar sem aliar à família, que é a parte integrante da comunidade e
de igual importância, e que através do envolvimento familiar estará se envolvendo a
comunidade de uma maneira geral e que este trabalho conjunto com certeza é uma
das estratégias mais eficazes na organização e participação comunitária e que pode
ser reconhecida como o elo de ligação comunidade-escola. Conforme Ferreira:

A família, que é uma construção social e sofre a influência dos valores e


padrões de sua época, atualmente passa também por grandes
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transformações, que vão desde os novos arranjos familiares, delineando


famílias monoparentais, homoafetivas, reconstituídas por novas uniões e
coabitações dos filhos, frutos das diversas uniões, até mudanças nos papéis
familiares. Essas mudanças são formas contemporâneas de exercício da
maternidade e da paternidade, cujos papéis já não são preestabelecidos
como cuidadores e provedores, respectivamente. Ambos, pai e mãe, podem
ocupar funções diversas. (FERREIRA, 2012, pag. 17).
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CONCLUSÃO
Com bases no estudo realizado nesta pesquisa podemos considerar que a
gestão democrática no sistema educacional se dará com a efetivação da
participação de todos os envolvidos na comunidade escolar, sejam eles os pais, os
alunos, os educadores, os gestores, os grêmios estudantis ou os conselhos
escolares, que não devem medir esforços na luta para alcançar os objetivos de
melhoria da qualidade do ensino, através de um processo participativo e organizado,
onde não prevaleça a vontade centralizada ou apenas a do dirigente, que mesmo
enfrentando os desafios advindos das mudanças propostas no contexto da gestão
educacional possa garantir um atrativo na participação da comunidade local, bem
como a dos pais e das famílias, em função de um processo democrático.
Pudemos nesse estudo concluir que relacionado à gestão democrática
escolar, que pressupõe a participação de todos envolvidos no sistema, a
participação dos educadores e da comunidade respectiva é de suma importância no
processo organizacional e administrativo, dividindo responsabilidades e tendo
participação direta na busca do alcance dos objetivos almejados da gestão escolar,
que em suma é a busca da melhoria da qualidade do ensino prestado e o
envolvimento direto, tanto dos educadores quanto da comunidade local. Nesse
contexto podemos avaliar que para a comunidade bem como para o educador, a
participação nesse processo de gestão escolar tem um significado de aprendizagem
política, podendo opinar, fiscalizar e podendo participar do cumprimento de
decisões, significando ainda, a mudança de visão da direção escolar e não sendo
necessário se esperar pelas decisões prontas a serem seguidas e se tendo uma
nova situação no desenvolver participativo, onde é visível a importância desta
participação dos educadores e da comunidade local.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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