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Matheus Carvalho Pacheco

Turma Sábado
Módulo II
Seminário V

QUESTÕES

1. Compor a(s) regra(s)-matriz(es) de incidência do imposto sobre a renda pessoa física.

Resposta: Conforme a teoria da regra matriz de incidência tributária, segue a composição da


regra matriz de incidência do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física – IRPF. Veja-se:
Antecedente:
Critério Material – auferir renda.
Critério Espacial – no território brasileiro.
Critério Temporal – durante o ano-calendário.
Consequente:
Critério Pessoal – sujeito ativo é a Fazenda Nacional; sujeito passivo é o contribuinte ou o
responsável tributário.
Critério Quantitativo – base de cálculo é a renda auferida no ano-calendário, sendo a alíquota
progressiva, variando entre 7,5% e 27,5%.

2. Defina “renda”, “rendimento” e “ganho”. Qual a relação/diferença entre eles? Que são
“proventos de qualquer natureza”? Com fulcro nessas definições, identifique a base de
cálculo do IRPF e posicione-se, de forma fundamentada: tal como definida na legislação
infraconstitucional, a base de cálculo do imposto representa, efetivamente, a “renda”?
Confronte a afirmação doutrinária de que o “fato gerador” do imposto sobre a renda é
“complexivo” com a(s) Regra(s)-Matriz(es) do IRPF e responda:

Resposta: De acordo com o artigo 43 do Código Tributário Nacional, pode-se entender por
renda “o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos”, ou seja, renda é o
acréscimo patrimonial do contribuinte, inclusive, conforme o entendimento de Hugo de Brito
Machado1. Por outro lado, no que tange ao conceito de rendimento, pode-se dizer que é o valor
adicionado aos valores recebidos pelo contribuinte de determinada fonte pagadora. Em outras
palavras, considera-se rendimento aumento dos referidos valores. Por fim, ganho de capital,
por sua vez, são os resultados obtidos pelo contribuinte na realização de certa operação
financeira.

Noutro ponto, em relação aos proventos de qualquer natureza, entende-os como uma
peculiaridade do rendimento, conforme sabiamente explica Misabel Derzi. Veja-se:

“Provento é a forma específica de rendimento tributável, tecnicamente compreendida


como o que é fruto não da realização imediata e simultânea de um patrimônio, mas sim,
do acréscimo patrimonial resultante de uma atividade que já cessou mas que ainda produz
rendimentos.”

1
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 40ª Edição, 2019.

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(BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. Atualizado por DERZI, Misabel


Abreu Machado. 11. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999. Pág. 291)

Nos termos do artigo 44 do CTN a base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou
presumido da renda ou dos proventos tributáveis. Entende-se que a base de cálculo do imposto
deve configurar efetivamente um acréscimo para a pessoa física e lucro para a pessoa jurídica.

Contudo, para que a base de cálculo deste imposto fosse considerada efetivamente a renda do
contribuinte, seria necessário que renda líquida tributada fosse o resultado total das rendas,
rendimentos, ganhos e/ou proventos percebidos menos as deduções e custos necessários à
produção dos rendimentos e à manutenção da fonte pagadora e da sua família, respeitando o
mínimo vital. Entretanto, a base de cálculo real do imposto considera como renda líquida o total
das rendas, rendimentos e/ou proventos menos as deduções admitidas expressamente em lei2.

No que tange ao fato gerador do Imposto de Renda, este pode ser considerado como complexivo
ou instantâneo, nos termos da doutrina de Amílcar de Araújo Falcão3, sendo bastante criticado
pelo doutrinador Paulo de Carvalho4, no sentido de que “se o chamado fato gerador complexivo
aflora no mundo jurídico, propagando seus efeitos apenas em determinado instante, é força
convir que, anteriormente àquele momento, não há que falar-se em obrigação tributária”.

(a) como compatibilizar a ideia do “fato gerador complexivo” do imposto sobre a renda
com o critério temporal da(s) sua(s) RMIT? e com a(s) base(s) de cálculo?

Resposta: De acordo com Mary Elbe Queiroz5 “o fato gerador dos tributos é
composto por um conjunto de vários elementos expressamente descritos em abstrato nas
normas. Entretanto, só quando estiverem presentes todos esses elementos, imprescindíveis e
suficientes para caracterizarem a ocorrência do fato gerador, é que se poderá dar o mesmo
por realizado e apto a produzir os efeitos que lhe são intrínsecos”. Dessa forma, entende-se
que, apenas ao fim do lapso temporal periódico e anual positivado em lei, pode-se caracterizar
a existência do fato gerador, esta somente analisada quando já estejam presentes no mundo
factual todos os elementos que compõe a hipótese abstrata. O mesmo em relação à sua base de
cálculo, quando se puder confrontar todas as receitas e despesas.6

2
QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 145.
3
FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. Rio de Janeiro: Forense, 1944. Pág. 71-72.
4
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 13 ed. São Paulo: Saraiva, 2000, Pág. 178 e, desse
mesmo autor, Teoria da Norma Tributária, 3ª ed. São Paulo: Max Limonad, 1998. Pág. 137-138.
5
QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 111.
6
QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 112.

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(b) em que instante deve ser apurado o imposto sobre a renda das pessoas físicas? Como
definir o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o IRPF, considerando
(i) o imposto anual; (ii) a antecipação na fonte; (iii) o imposto exclusivo na fonte; (iv) o
imposto sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos.

Resposta: Primeiramente, ainda nos ditames de Mary Elbe Queiroz7, “somente no término de
cada período e na data determina da lei, é que se terá condição de apurar se houve a
incidência, ou não, da imposição tributária e se nasceu, ou não, a respectiva obrigação”.

No que tange ao prazo decadencial dos impostos (artigo 150, §4º e 173, I, do CTN), tem-se que
a sua forma contábil depende da forma de lançamento tributária. Para os casos de impostos com
lançamento por declaração aplica-se o disposto do artigo 173, I do Código Tributário Nacional,
in verbis:

Código Tributário Nacional - CTN


“Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após
5 (cinco) anos, contados:
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido
efetuado;”

Por outro lado, no que diz respeito aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplica-
se o disposto no artigo 150 do CTN. Veja-se

Código Tributário Nacional - CTN


“Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação
atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da
autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando
conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.
(...)
§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência
do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado,
considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se
comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”

Quanto à natureza jurídica do lançamento do Imposto de Renda, conforme entendimento


sumulado do CARF, “imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste
anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no art.
150, §4º do Código Tributário Nacional” (Súmula CARF nº 123).

Nesse sentido, o prazo decadencial para que a Fazenda Pública exerça seu direito de revisar ou
constituir crédito da tributação do imposto de renda sobre ganho de capital é de cinco anos,

7
QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 113.

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caso haja pagamento, ainda que parcial, sendo que o início do prazo é a data da ocorrência do
fato gerador.

3. Diferençar os conceitos de aquisição da disponibilidade jurídica e aquisição de


disponibilidade econômica. Verbas indenizatórias podem ser consideradas “renda”. Por
quê? Analise criticamente os anexos I, II e III.

Resposta: Primeiramente, salienta-se que para fins de identificação do Imposto de Renda,


aquisição possui o sentido de adquirir, ser proprietário ou estar em posse, já disponibilidade é
a situação que possibilita o titular dar destinação livre e imediata à renda ou provento percebido,
de acordo com o que preceitua a doutrinadora Mary Elbe Queiroz8.

Neste sentido a disponibilidade econômica é a percepção efetiva da renda ou provento, e a


aquisição se dá pelo fato material, independentemente da legalidade ou não da obtenção. Já
a disponibilidade jurídica diz respeito à aquisição de um título jurídico que confere direito de
percepção de um valor definido, um ingresso legal no patrimônio.

Por fim, em relação às verbas indenizatórias, deve-se se ter em mente, em primeiro momento,
que o salário e as remunerações em geral têm como pressuposto o caráter contraprestativo, isto
é, remuneração pelo trabalho que acresce o patrimônio do trabalhador, sendo, por isso, base de
cálculo para incidência do Imposto de Renda.

Por outro lado, as verbas indenizatórias são parcelas que visam tão somente indenizar o
empregado ou trabalhador por algum dano sofrido, configurando-se mera recomposição
patrimonial e não havendo, portanto, nessa hipótese, percepção de renda ou acréscimo
patrimonial. E exatamente por não constituírem retribuição do trabalho, mas simples
indenização pelo dano sofrido é que não devem se sujeitar à incidência de contribuição
previdenciária e Imposto de Renda. Nesse sentido segue a jurisprudência:

“TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO.


NÃO INCIDÊNCIA. CUSTAS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA
MÍNIMA DO INSS. CONDENAÇÃO DA AUTORA.
1. Decisão do Supremo Tribunal Federal em medida cautelar na ADIN 1659-6 quanto à
não incidência de contribuição previdenciária sobre aviso prévio indenizado não afasta o
interesse processual da parte autora.
2. Não incide contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de aviso prévio,
por não comportarem natureza salarial, mas terem nítida feição indenizatória.

8
QUEIROZ, Mary Elbe. O Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – Tributação das Pessoas
Físicas. Curso de Especialização em Direito Tributário – Estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros
Carvalho. Coordenação: Prof. Eurico Marcos Diniz de Santi. Rio de Janeiro: Forense, 2005.

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3. Tendo o INSS sucumbido de parte mínima do pedido, correta a condenação da parte


autora no ônus da sucumbência.
4. Apelação da sociedade, apelação do INSS e remessa oficial a que se nega provimento.”
(destaque nosso)
(BRASIL. Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Apelação Cível n.º 1997.38.00.061675-
1/MG – Oitava Turma – Rel. Des. Federal Maria do Carmo Cardoso, Rel. Convocado Juiz
Federal Mark Yshida – j. 13.03.09 – DJ 27.03.09)

“PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO


PREVIDENCIÁRIA. SAT. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE
VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AUXÍLIO-DOENÇA. QUINZE PRIMEIROS DIAS
DE AFASTAMENTO. AUXÍLIO-ACIDENTE. SALÁRIO-MATERNIDADE. ADICIONAIS
DE HORA-EXTRA, TRABALHO NOTURNO, INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE.
PRECEDENTES.
1. Recursos especiais interpostos pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e por
Cremer S/A e outro, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª
Região, segundo o qual:
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE REMUNERAÇÃO. PRESCRIÇÃO. LC.
Nº118/2005. NATUREZA DA VERBA. SALARIAL. INCIDÊNCIA. SALÁRIO-
MATERNIDADE. AUXÍLIO-DOENÇA. AUXÍLIO-ACIDENTE. AVISO-PRÉVIO
INDENIZADO. ADICIONAIS NOTURNO. INSALUBRIDADE. PERICULOSIDADE.
NATUREZA INDENIZATÓRIA AUXÍLIO-DOENÇA NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE
AFASTAMENTO. AVISO-PRÉVIO INDENIZADO, AUXÍLIO-CRECHE. ABONO DE
FÉRIAS. TERÇO DE FÉRIAS INDENIZADAS.
O disposto no artigo 3º da LC nº 118/2005 se aplica tão-somente às ações ajuizadas a
partir de 09 de junho de 2005, já que não pode ser considerado interpretativo, mas, ao
contrário, vai de encontro à construção jurisprudencial pacífica sobre o tema da
prescrição havida até a publicação desse normativo. As verbas de natureza salarial pagas
ao empregado a título de auxílio-doença, salário-maternidade, adicionais noturno, de
insalubridade, de periculosidade e horas-extras estão sujeitas à incidência de contribuição
previdenciária. Já os valores pagos relativos ao auxílio- acidente, ao aviso-prévio
indenizado, ao auxílio-creche, ao abono de férias e ao terço de férias indenizadas não se
sujeitam à incidência da exação, tendo em conta o seu caráter indenizatório.
(...)
IV. Acerca da incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas discutidas no
recurso especial das empresas recorrentes, destaco a linha de pensar deste Superior
Tribunal de Justiça:
a) AUXÍLIO-DOENÇA (NOS PRIMEIROS QUINZE (15) DIAS DE AFASTAMENTO
DO EMPREGADO):
- A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido de que não incide a
contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pelo empregador ao empregado,
durante os primeiros dias do auxílio-doença, uma vez que tal verba não tem natureza
salarial. (REsp 768.255/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 16/05/2006).
- O empregado afastado por motivo de doença, não presta serviço e, por isso, não recebe
salário, mas, apenas uma verba de caráter previdenciário de seu empregador, durante os

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primeiros 15 (quinze) dias. A descaracterização da natureza salarial da citada verba


afasta a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes.
(REsp 762.491/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 07/11/2005).
- A diferença paga pelo empregador, nos casos de auxílio-doença, não tem natureza
remuneratória. Não incide, portanto, contribuição previdenciária. (REsp 951.623/PR,
Desta Relatoria, DJ de 11/09/2007) (...)” (destaque nosso)
(BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial n.º 973436/SC – Primeira Turma
– Rel. Min. José Delgado – DJU 25.02.08)

4. O art. 42 da Lei 9.430/96 criou uma nova hipótese de incidência para o imposto de
renda? Essa hipótese de incidência baseia-se em uma presunção ou em uma ficção? O
direito tributário admite o uso de presunções e de ficções para tanto? (Vide anexo IV).

Resposta: Entende-se, nesse caso, que o artigo 42, da Lei n.º 9.430/1996 não criou uma nova
hipótese de incidência para o Imposto de Renda, mas, tão somente, instituiu uma forma de
apuração de renda auferida pelo contribuinte, uma vez que aqueles valores que ingressaram em
suas contas bancárias representam auferimento de renda.

Ademais, a própria Lei, de modo a evitar a inferência de que a tributação se basearia em uma
mera presunção ou ficção da ocorrência da hipótese de incidência estabelece que, para que
ocorra, o contribuinte será previamente intimado a justificar o ingresso em questão, havendo
de ser respeitado o devido processo legal para tal imposição.

Por fim, ressalta-se que não é estranho ao direito tributário o uso de presunções ou ficções para
delimitação da base de cálculo, como ocorre, por exemplo, no caso de IRPJ sobre o lucro
presumido, entretanto, como esclarecido acima, o uso de tais mecanismos não se caracteriza
como tal.

5. A atual tabela progressiva do imposto sobre a renda da pessoa física prevê alíquotas de
7,5%, 15%, 22,50% e 27,5%. Tal previsão observa o princípio da progressividade? Qual
é o efeito da chamada “parcela a deduzir”? Pode a lei restringir as deduções, da base de
cálculo do IRPF (vide art. 4º da Lei 9.250/95)? Há parâmetros constitucionais ou legais
para a fixação dos abatimentos e deduções possíveis e seus respectivos limites? Quais?

Resposta: Primeiramente, importante identificar a premissa de que a tabela progressiva do


Imposto de Renda não consegue atender à progressividade. Isso por que, pessoas com
capacidades contributivas muito diferentes ficam sob a mesma alíquota. Todos aqueles com
rendimento acima de R$4.664,68 são igualados, pagando uma alíquota de 27,5%. Ou seja, tanto
quem ganha R$4.664,68 quanto quem ganha R$100.000,00 paga a mesma alíquota.

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Nessa toada, conforme preceitua Mary Elbe Queiroz9, “não se justifica o argumento de que,
proporcionalmente, o valor que cada um assume é diferente, pois, apesar de numericamente
maior, o peso proporcional do IR torna-se menor em relação aos que ganham mais”.

E, além do desrespeito à progressividade em si, pode se dizer que a sistemática da tabela do


Imposto de Renda fere também o princípio da capacidade contributiva, pois ao longo dos anos,
nos quais houve atualização monetária sobre o salário mínimo, os valores mínimos para fins de
incidência do Imposto não foram atualizados, o que gera muitas vezes uma tributação desigual.
E isso, porque acaba-se tributando cada vez mais contribuintes que tem menos renda e que
anteriormente eram abrangidos pela faixa de isenção, mas que com as atualizações anuais
passaram a ser tributados. E o mesmo ocorre considerando a hipótese de restrição às deduções
da base de cálculo do Imposto de Renda.

6. Existe identidade entre o IR fonte e o IR anual ou trata-se de impostos autônomos (isto


é, há apenas uma ou mais de uma regra-matriz de incidência tributária)? Seria a retenção
na fonte mero objeto de dever instrumental? Justifique a resposta. (Vide anexos V, VI,
VII).

Resposta: Existe identidade entre o IR Fonte e o IR Anual, pois compõem um único tributo,
havendo diferença apenas quanto ao regime de apuração e recolhimento. Ademais, a Regra
Matriz de Incidência Tributária é a mesma para os dois impostos.

Todavia, nos casos de Retenção na Fonte, existem duas relações jurídicas, uma entre fisco e
contribuinte, onde este deve o imposto em virtude da renda auferida, e a segunda entre
substituto e fisco, de ordem administrativa, na qual por conveniência foi definido que o
substituto deve recolher o imposto devido pelo contribuinte. Neste sentido entende-se que a
retenção na fonte é um dever instrumental, pois o substituto atua como um órgão arrecadador
não compondo a relação jurídica, consoante explica Heleno Taveira Torres:

“Agente de retenção é o sujeito que fica “no lugar” do contribuinte, pagando o tributo em
nome deste, porque assim dispôs a lei, mesmo sem guardar qualquer relação pessoal ou
material com o fato jurídico tributário. Trata-se de um “intermediário” legalmente
interposto para os fins de arrecadação tributária, suportando uma obrigação tributária
acessória, meramente de natureza formal, relativamente à entrega do dinheiro ao Estado,
como um fazer algo no interesse da arrecadação e da fiscalização.
(...)
Tal substituição consiste apenas em uma singular estrutura de arrecadação do tributo
(relação de dever instrumental), pela substituição do sujeito passivo real (previsto na
legislação relativa ao tributo devido como sendo um contribuinte do mesmo) por um outro

9
QUEIROZ, Mary Elbe. Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Pág. 372.

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sujeito passivo, apenas para os fins de arrecadação, haja vista sua particular situação em
relação ao fato gerador do tributo.”

7. Analise os efeitos jurídicos inerentes ao contribuinte e à fonte pagadora em


cada um dos casos abaixo arrolados.

Recolhimento –
Retenção – Declaração do rendimento na
Fonte pagadora
Fonte Declaração de Ajuste Anual –
(Pessoa
pagadora DAA, entregue pela pessoa física
Jurídica)

(Pessoa (empregado ou prestador de


Jurídica) serviços) em 30 de abril
Caso 1 Retém Recolhe Declara rendimento e retenção
Não declara rendimento nem
Caso 2 Retém Recolhe
retenção
Caso 3 Retém Não recolhe Declara rendimento e retenção
Não declara rendimento nem
Caso 4 Retém Não recolhe
retenção
Caso 5 Não retém Recolhe Declara rendimento e retenção
Não declara rendimento nem
Caso 6 Não retém Recolhe
retenção
Caso 7 Não retém Não recolhe Declara rendimento e retenção
Não declara rendimento nem
Caso 8 Não retém Não recolhe
retenção

Resposta: Segue abaixo a resposta da questão.

- Caso 1: Não houve irregularidade tanto para a fonte quanto para o contribuinte.
- Caso 2: O contribuinte sofrerá a imposição de multa pela ausência de declaração
(descumprimento de dever instrumental/obrigação acessória).
- Caso 3: A empresa será multada por descumprimento do dever de recolher e juros sobre valor
não repassado. Poderá ainda, sofrer processo por crime contra a ordem tributária.
- Caso 4: Será aplicada multa de mora e multa por descumprimento de dever instrumental à
empresa, além de sujeição desta às penalidades resultantes da prática de crimes contra a ordem
tributária. Ao contribuinte, em razão do descumprimento do dever instrumental de apresentar
declaração, será imposta multa.
- Caso 5: A empresa sofrerá multa em razão do descumprimento do dever de reter.
- Caso 6: Ambos sofrerão a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória.
- Caso 7: À empresa sofrerá multa por descumprimento de dever instrumental. O contribuinte
deverá recolher o tributo devido no ajuste anual.
- Caso 8: A empresa será multada por descumprimento de dever instrumental somado à multa
de mora e pagamento do IR.

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8. Há a incidência de IR fonte ou do IR anual sobre Stock Options? Pressupondo a


possibilidade de que venham a ser tributados, como definir a sua base de cálculo? Em
outros termos, a base de cálculo do IR recairia sobre o preço da aquisição das ações, o
preço do mercado ou sobre o preço em que elas são vendidas? Analise os anexos VIII e
IX, expressando sua concordância ou não, de forma justificada.

Resposta: As “Stock Options” são remunerações baseadas em ações. A empresa, passado um


certo período de tempo, fornece ao funcionário a opção de adquirir ações da empresa a um valor
pré-determinado. O funcionário, dessa forma, adquire o direito a comprar as ações no futuro,
mas não é obrigado a comprá-las de fato e não precisa pagar qualquer valor caso não as compre,
podendo comprar as ações a um preço abaixo do mercado e, após algum tempo estabelecido
pela empresa, as ações podem ser vendidas.

Destarte, percebe-se possível o enquadramento das “Stock Options” como de natureza salarial
ou de investimento. E isso, porque a operacionalização de giro comercial destas “ações”
ocasiona em acréscimo patrimonial para quem compra abaixo do preço de mercado e
posteriormente as vende por um preço mais elevado.

De toda forma, destaca-se que no Brasil, não há legislação específica sobre o tema, o que causa
certa insegurança jurídica. Todavia, existem discussões doutrinárias sobre a questão, cujo
posicionamento majoritário é no sentido de que a natureza jurídica do plano de “Stock Options”
é de contrato mercantil, desvinculado do contrato de trabalho.

Contudo, conforme já mencionado, ainda existe um cenário de insegurança jurídica, e é nesses


termos que explicam os doutrinadores Dimas S. Tafelli e Talita Fernanda Titz Santana10, in
verbis:

“(...) a posição da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos


Fiscais (Carf), em sentindo contrário, em sessão de março de 2018, manteve
a autuação lavrada em face de instituição bancária, que exige contribuição
previdência sobre valores de fevereiro, março, abril, junho, setembro e
dezembro de 2009, incidentes sobre as remunerações pagas a alguns
diretores por meio da outorga de opções de compra de ações (Proc. nº
16327.721357/2012-24, Acórdão 9202-006.628). A decisão, por voto de
qualidade – desempate do presidente – concluiu que a emissão da opção de
compra de ações transmutava-se em remuneração desde 1996, após análise
de documentos enviados pelo banco à Security Exchange (SEC).
Por outro lado, em dezembro de 2018, o próprio Carf entendeu que no
contexto de operação de mercado de oferta pública de ações, as vantagens

10
https://www.ibet.com.br/tributacao-de-stock-options/, acesso em 04/10/2019.

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diferenciadas colocadas à disposição dos funcionários de outra instituição


para aquisição de valores mobiliários não possuem caráter remuneratório,
mas sim a natureza de ganho eventual e, portanto, não sujeitas à incidência
de contribuições previdenciárias. (Proc. nº 10166.728875/201444, Acórdão
2202-004.844)”

O artigo 7º, incisos I e II, da Lei 7.713/88 prevê que estão sujeitos à retenção na fonte os
rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas ou
os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação
exclusiva na fonte. Nesse sentido, considerando-se que é defensável a natureza salarial nos
“Stock Options”, entende-se, a princípio, devida a retenção do Imposto de Renda na fonte -
IRRF. Todavia, conforme será melhor abordado adiante, só há acréscimo patrimonial real no
momento em que a ação é vendida. Nesse sentido, considerando-se que seu rendimento não
tem vínculo com a relação laboral, defensável que deve ser pago pelo Imposto de Renda Anual,
não sendo devida, portanto, a retenção na fonte.

Em que pese a base de cálculo, Thiago Taborda Simões11 ensina que, apesar de defensável o
cálculo de imposto de renda a partir da diferença entre o valor pago e o valor de mercado ativo
no momento do exercício, essa hipótese é inviável, uma vez que “enquanto essas ações não
são vendidas, seus valores não devem ser atualizados pelo valor de mercado, cabendo ao
contribuinte apenas repetir o valor pago nas declarações de exercícios posteriores”.

Nos anexos VIII e IV vemos Acórdãos do CARF com o entendimento de que “Stock Options”
tem natureza salarial, remuneratória, base de cálculo de contribuições previdenciárias e que o
Imposto de Renda deve ser retido na fonte. Ocorre que, adotado esse entendimento, o Imposto
de Renda será sempre pago sobre um rendimento presumido e não real. E de acordo com Thiago
Taborda Simões:

“A empresa disponibiliza ações para serem compradas por beneficiários do


plano por ela lançado. Os beneficiários, em momento oportuno, exercem seu
direito e adquirem as ações disponibilizadas por preço pré-definido, ficando
a venda dessas ações condicionada à observância de um prazo de carência.
No momento em que o beneficiário exerce seu direito, as ações – ainda que
indisponíveis para venda – passam a constituir o patrimônio desse que se
torna o acionista da Companhia. Não há o que reter”.

11
TEXTO STOCK OPTIONS Pág. 135

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