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Introdução

Psicologia é uma ciência?

Não há uma determinação em responder tal questão, mas, o que nos motiva
colher dados a respeito da pergunta é tão somente, a partir das aulas de História da
Psicologia, que obtivemos no curso de psicologia da Universidade de Vassouras,
desvendar algumas questões que possam nortear nosso percurso no aprendizado
dessa disciplina.
Assim, como fosse uma iniciação, podemos dizer que ao estudar história da
psicologia, muitas questões ficam a pulular em nossa mente de estudante curioso e
menos atento e mais questionador.
Tais questões são elas a nos mover em uma direção contrária a admitir
psicologia como uma ciência, vez em que a ideia de ciência ainda nos contamina
como uma prática repetitiva e carregada de objetividade.
Tal objetividade, de algum modo, não se vê na psicologia, uma vez que ela
não se organiza de forma a formular leis universais que deem conta de forma
integral do comportamento humano.
Em meu primeiro contato com o curso de psicologia da Faculdade de
Vassouras no Estado do Rio de Janeiro, mesmo já graduado em outra disciplina, e
após um bom tempo longe do ambiente acadêmico, senti-me, a princípio o calouro
mais animado e suspeito por tal animação.
Digo suspeito por conservar em mim, o forte desejo de há muito guardado em
meu coração de estudar psicologia. Assim, tal sentimento me tomou de assalto e, o
estresse natural que nos impulsiona a nossas realizações me tomou por completo.
Lembro que minha primeira aula foi de história da psicologia e, minha
professora, aparentemente, assim eu presumi uma catedrática das antigas,
certamente, historiadora da melhor estirpe.
Por isso, dedico a primeira parte de nosso escrito a ela, por sua dedicação e
comprometimento em nos mostrar um pouco da história da psicologia a partir do
livro “História da Psicologia Moderna” de Schultz& Schultz.
O estudo se inicia quando nossa professora procura nos mostrar a
importância de se estudar a História da Psicologia, dizendo que o conhecimento
histórico organiza o contexto em que as diversas escolas psicológicas transitaram a

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estabelecer um significado ao que parece ser um caos, colocando o passado em
perspectiva para explicar o presente.
Parece-nos que passado e presente são a chave a nos conduzir entender que
a distinção da psicologia das suas raízes filosóficas não se relaciona tanto com os
tipos de perguntas sobre a natureza humana, mas, com os métodos para responder
tais perguntas.
São as abordagens e técnicas empregadas que distinguem a antiga filosofia
da psicologia moderna e marcam o surgimento da psicologia como uma área de
estudo própria, fundamentalmente científica.
Certo estou de que nesse momento devo abrir um adendo para explicar a
mim, de certo modo, o que ainda me faço questionar sobre a cientificidade da
psicologia nos moldes do que a ciência pode se exprimir objetivamente, ou mesmo,
subjetivamente.
Ainda me indagando, vejo que o episódio último para a transformação da
psicologia em ciência, de certa forma, prima por um acontecimento mais significativo
para transformá-la, que foi a criação do primeiro laboratório de psicologia na
universidade de Leipzig, na Alemanha, por Wilhelm Wundt 1, em 1879.
Acredito que não somente este fato contido em um laboratório desencadeou a
cientificidade da psicologia, mas também, as Influências sob as quais a psicologia se
desenvolveu, e que não se deu apenas sob influências internas, mas sofreu
influências externas que deram forma à sua natureza e direção.
As ideias predominantemente da ciência e cultura da época, o Zeitgeist 2, o
que se pode chamar de clima intelectual da época, além das forças sociais,
econômicas e políticas existentes.
Com o azimute determinado, as possibilidades pareciam se descortinar em
muitas vertentes teóricas para explicar o desenvolvimento da ciência psicológica.
Pode-se dizer que as teorias Personalista e Naturalista, ambas, corroboraram
para uma ciência psicológica, ou seja, para o desenvolvimento histórico da
psicologia científica.
Na visão personalista, o progresso e as mudanças na história científica são
correlatos às ideias de um único indivíduo. Já na concepção naturalista, o progresso
1
Wilhelm Maximilian Wundt (Neckarau, 16 de agosto de 1832 — Großbothen, 31 de agosto de 1920) foi um médico, filósofo e
psicólogo alemão. É considerado um dos fundadores da psicologia experimental junto com Ernst Heinrich Weber (1795-1878) e
Gustav Theodor Fechner (1801-1889).
2
Termo alemão que significa 'espírito do tempo'; o espírito de uma época; o nível cultural, o sentimento, o pensamento, a
atmosfera (fig.) ou tudo aquilo que caracteriza um dado período. (Dicionário AULETE digital)

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e as mudanças na história científica são atribuídos ao Zeitgeist, fato que torna a
cultura receptiva a algumas ideias, mas não a outras.
Não sei se é óbvio admitir tais fatos que possivelmente venham a
contextualizar a história da psicologia, mas, ainda em mim, de certa forma, fico
preso a questões que não são claras para minha compreensão, e por isso vou mais
adiante.
Penso que o Zeitgeist é mais do que um conceito romântico usado pelos
alemães, creio que as questões sociais advindas de uma ideia de espírito da época,
ou mesmo aspectos intelectuais, tudo isso, relaciona-se a um pretensiosismo
cultural.
Não quero dizer que existia uma arrogância ou mesmo prepotência entre os
iniciados a busca da cientificidade da psicologia, mas, de certo modo, uma corrida
para alcançar tal objetivo, e nem sempre as corridas intelectuais são tão intelectuais.
Nesse universo multifacetado, quando a aprovação das ambições sociais,
disso dependia a ciência, pode-se dizer que tal ciência apregoava, tão somente, um
homem contextualizado em uma verdade biopolítica unicamente.
Nesse meu percurso de ir adiante, pensei em minhas aulas, e procurei
compor, com os conhecimentos de que nos foi organizado, a ideia de uma
construção ideológico-filosófica a respeito de como se organizou a história da
psicologia como ciência.
Tal arranjo nos parece mais didático e puramente institucionalizado do que
objetivamente direcionado a uma prática de pensar criticamente se a psicologia é
realmente uma ciência.
Então, vou descrever os fatos estudados, para em seguida, procurar pensar
na questão do curso, que foi de certa forma, organizar os fatos, e nos apresentar a
psicologia efetivamente como uma ciência.
Ainda não contesto o que aprendi, mas, muita duvida pairam em minha
mente, e por isso vou seguir algumas intuições, para depois, falarmos nesse assunto
que me toma, e me traz questões inacabadas.
Assim, vamos aos fatos do processo institucionalizado de conhecimentos que
nos conduz a estabelecer a psicologia como uma ciência. Lembrando que são
minhas questões, e próprias de um estudante, leigo e principiante.
No início de nossos estudos, percebemos que os filósofos foram precursores
do interesse pela mente humana, e esse fascínio despertou questões que se

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puseram no transcorrer dos séculos a dominar as muitas teorias filosóficas
nascentes.
É pensando nesse processo histórico que, evidentemente, acendeu o estopim
do desenvolvimento humano a busca de respostas, e que tais respostas se davam
por conta, não mais axiomática, nem mesmo dogmáticas, mas, a busca do
esclarecimento pelo esclarecimento.
Era o desejo de saber. Todo desejo que se pronunciava do ensejo natural de
questionar o mundo ao qual o ser está inserido; sim, o desejo de saber que se
confunde com a humanidade do homem, ou mesmo, o que o tornou humano. Não se
sabe quando mas, em um dado momento se manifestou e, mão mais parou.
Essa curiosidade natural que nos impulsiona ao saber como e por quê. Não
aquilo que nos instrumentaliza para atuar sobre a natureza, mas, o simples prazer
de conhecer, esse dom natural que é tão velho quanto à humanidade. Não sei ao
certo se posso falar em dom natural, sem defini-lo, mas, o que importa é o ensejo
natural a busca do conhecimento.
Esse ímpeto que nos moveu e move no transcurso da história, é o mesmo
que sinto para escrever estas palavras, em uma forma talvez, reproduzir e
contextualizar sob uma ótica própria que me direciona, cujo prazer de me responder,
define a mim, e me impulsiona falar do inicio filosófico da psicologia.
Assim, antes de dar aza as minhas elucubrações, é certo falar um pouco dos
que, ao questionar o mundo, questionaram a si próprios, e ao fazê-lo, deixaram as
pistas que nos intriga e nos faz ir adiante à busca de novas respostas que possam
saciar nossa pretensa intenção de tudo saber.
Por isso, posso dar azo, a mim, e iniciar meu intento, que é mostrar um pouco
dos que preconizaram o surgimento das ideias iniciais a psicologia que
inegavelmente já havia em nosso natural desejo de saber.
Vou à Pré História, e me parece positivo saber o que se conta antes mesmo
da história se tornar história. É que alguns são adeptos da ideia de que a história se
deu por conta da escrita, e nos faz acreditar que somente a partir da criação da
escrita foi possível fazer história.
Não sei se é conveniente pensar somente assim, mas, creio que podemos ir
adiante e, perceber, que outros, acreditam que a história pode ser remontada a partir
de fragmentos das escritas rupestres, ferramentas e utensílios deixados nos muitos
sítios arqueológicos.

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Ao pensar nessa ideia da história antes da história, descubro que a pré-
história pode ser dividida em dois períodos distintos, mas, com informações
importantes que me direcionaram a uma visão singular e empolgante para mim.
Descobri os períodos Paleolítico (até 10.000 a.C.), e o período Neolítico
(10.000 – 4.000 a.C.), e sei que são informações discutíveis, mas, o que nos importa
no momento é entender que tais períodos deixaram marcas arqueológicas
inegáveis, a partir delas podemos relatar algumas considerações importantes.
Saber do período Paleolítico, que segundo alguns, ele pode ser caracterizado
pelo uso da pedra lascada, na construção de utensílios manipulável pelo ser
humano. Já o período Neolítico, caracterizou-se pelo uso da pedra polida, e mesmo,
a transformação do ambiente para atender as necessidades de sobrevivência, como
a produção de alimentos e utensílios mais elaborados.
Ora, é a partir desse conhecimento, e dos artefatos deixados pelos nossos
ancestrais, que de certa forma podemos falar da capacidade de desenvolvimento
cognitivo e mesmo, as fases cognitivas que se encontravam os humanos em seus
primórdios.
Acredito que poderíamos pensar em uma psicologia paleontológica, ou
mesmo a psicopaleontologia, e nela desenvolver estudos a respeito das fases
cognitivas dos indivíduos que antecederam, e mesmo, os posteriores ao advento da
escrita.
De forma simples, pode-se pensar em Piaget (1896 – 1980), e a partir do
pensamento de Steven Mithen (1960 -?), perceber que há muito a se pensar do
homem da pré-história, quando se considera a produção de seus artefatos e sua
capacidade cognitiva para produzi-los.
Como se observa, há mais na história da psicologia do que se possa
imaginar, e quando se imagina, existe muito que se pensar quando desprovido do
preciosismo científico e, de seu enquadramento social.
Bem, não vou ficar ruminando questões que no momento não nos interessa,
vamos adiante, e perceber que após a criação da escrita, a história de tudo o que se
possa imaginar, ou do variado conhecimento que se pode produzir ganhou mundo a
fora.
O ser humano passou a perceber os variados contextos em que a história se
desenrolava, e pode se confrontar com uma variedade de formas diferentes de
abordar um fato, ou mesmo, as muitas formas diferentes de observa-lo.

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A maneira como observar um fato, de certa forma, pode-se dizer, está
atrelada ao ponto de vista de seu observador e, não raro, guarda estrita relação com
o poder que tal conhecimento pode desencadear.
Sabendo que tal poder vai nortear a vida humana, vamos considerá-lo, mas
não vamos especular sobre ele, e imaginar que esta a tudo atrelado, só não vai
fazer parte de nossas discussões adiante. Assim espero.
Dito isso, podemos falar um pouco dos filósofos e das ideias que deles
emanaram os profícuos pensamentos que originaram as questões sobre a mente
humana e sua relação com meio social e a si mesmo. A subjetividade.
Por isso, tivemos a curiosidade de buscar a simples informação que nos
mostrasse, em princípio, a origem da terminologia “psicologia”. E assim encontramos
no século XVI, sugerido pelo filósofo escolástico alemão, Rudolfo Goclénio 3, em
1590, quando este cunhou o termo psicologia.
Mesmo não tendo se dedicado aos assuntos da alma humana, Rudolfo vai
contribuir para o campo da “Ontologia”, mas, deixa-nos a ideia de psicologia, que é
falar da perfeição do homem, de sua alma, e de sua origem.
Assim, ao falar de alma, que nos remete a Aristóteles (séc.IVa.C.) e a origem
etimológica da palavra psicologia; (psiché – alma e logos – razão) o que nos remete
a noção de alma, e os estudos aristotélicos “Acerca da Alma”. Podemos pensar na
razão da alma, ou mesmo, na alma e sua razão.
É justamente esta alma vestida do homem a 6estuda-la mediante a
especulação, a intuição e a generalização, que a psicologia vai se desvincular de
suas raízes da filosofia, e para ganhar status de ciência, vai se associar às ciências
físicas e biológicas, mantendo a prerrogativa científica de objetividade, rigor e
controle. – Isso é uma especulação, devo lembrar!
Ao falar em lembrar, temos que um fato histórico vai marcar a psicologia
como ciência, que é a fundação do primeiro laboratório de Psicologia experimental
no ano de 1879 na Universidade de Leipzig na Alemanha.

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Rudolph Göckel der Ältere, latinizado como Rudolf Goclenius, em português Rodolfo Goclenio
(1547 - 1628) foi um filósofo escolástico alemão, lógica, metafísica e ética na Universidade de
Marburg. Que viveu de 1 de março de 1547 a 8 de junho de 1628. Sua maior contribuição a ciência foi
a invenção do termo " psicologia "em 1590. Gockel fundamentou ampla contribuições significativas
para o campo da ontologia. Ele estudou as ideias de Aristóteles , tais como: Tanto a introdução
de ontologia e metafísica. Várias das ideias de Gockel foram publicados e seguidas
por filósofos posteriores.(https://pt.wikipedia.org/wiki/Rudolph_G%C3%B6ckel_der_%C3%84ltere)
em:03/12/2019.

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Wundt ao criar a psicologia experimental, objetivou conhecer os elementos
mais simples da consciência, sejam as sensações, e para isso, adotou o método de
introspeção controlada, que tinha por princípio; observadores treinados a descrever
as suas experiências conscientes acerca do tamanho, intensidade e duração de
vários estímulos físicos.
Após Wundt, e mesmo contemporâneos a ele, muito houve a contribuir para a
psicologia como ciência. Assim, de permeio ao desenvolvimento social, e mesmo
aos fatos marcantes das transformações sociocultural e econômicas que marcaram
o mundo moderno, as escolas de pensamento surgiram para transformar a
psicologia nascente.
Dentre as escolas de pensamento que povoaram nosso universo científico,
vamos destacar algumas, que são: o Estruturalismo; o Funcionalismo; o
Associacionismo; o Behaviorismo; a Gestalt, e a Psicanálise.
Tais escolas guardam relação significativa com as concepções filosóficas que
as originou, assim, é justo falarmos um pouco dessas escolas sob a perspectiva
filosófica, considerando o dicionário de filosofia da Oxford.
Assim, o Estruturalismo, pode-se dizer, é um movimento intelectual sediado
na França que atingiu seu apogeu na década de 1960. Ele é caracterizado pela
crença de que os fenômenos da vida humana não são inteligíveis, e somente se
considerados em suas inter-relações.

Dessas, vamos iniciar falando das três mais importantes, que no final do
século XIX, foram elas que impulsionaram a construção da Psicologia como ciência.
A primeira foi o Estruturalismo, que teve como principal expoente o seguidor
de Wundt; o psicólogo britânico Edward Bradford Titchener (1867 – 1927), que
pretendia analisar a consciência nas suas partes constituintes para assim determinar
sua estrutura.
O Funcionalismo de William James (1820 – 1903), filósofo e psicólogo
americano, e o primeiro intelectual a oferecer curso de psicologia nos Estados
Unidos, procurou investigar a utilidade, ou mesmo, a função dos processos mentais
para o organismo nas suas permanentes tentativas de se adaptar ao meio ambiente.

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Podemos dizer que ele objetivava estudar a consciência, utilizando-se para
isso da observação introspectiva, e de técnicas para obtenção de dados, como a
pesquisa fisiológica, testes mentais, questionários e descrição objetiva do
comportamento.
Também temos o Associacionismo, preconizado por Edward Lee Thorndike
( 1874 – 1949 ), psicólogo americano, e discípulo de William James, que elaborou
uma teoria objetiva e mecanicista da aprendizagem, na qual, centraliza-se no
comportamento manifesto. Ele se destaca também na pesquisa do desenvolvimento
da psicologia animal.
Assim, pode-se dizer que Thorndike objetivava estudar o comportamento
aprendido, e sua metodologia consistia em estabelecer conexões e ou associações
entre situações e respostas. Ele estabeleceu o principio da “Lei do Efeito” que
sugere que ao recompensar um comportamento ele tende a se repetir.
Outro importante personagem foi Ivan Petrovich Pavlov (1849 – 1936),
fisiologista e médico russo, ele criou a teoria do “Reflexo Condicionado”; um reflexo
natural, a partir de um estímulo, pode continuar a ocorres mesmo substituindo o
estímulo original. Ou seja, pode-se condicionar tal reflexo a partir da substituição do
estímulo original.
Essas escolas, muito contribuíram para o século XIX, e mesmo, para o início
do século XX, quando algumas foram substituídas por outras, ou delas derivaram. O
certo é que a psicologia em franca expansão deu margem a novas ideias que vamos
ver na sequência.
A primeira delas, pode-se dizer foi o Behaviorismo, palavra que do termo
inglês, refere-se à comportamento. Daí o Comportamentalismo pode ser entendido
como a teoria comportamental, ou mesmo a análise experimental do
comportamento.
O Behaviorismo, ou mesmo, o Comportamentalismo, tem como expoente o
psicólogo estadunidense John Broadus Watson (1878 – 1958), como fundador do
“Comportamentalismo”, e podemos dizer que ele rompe com a Psicologia
introspectiva com o propósito de firmar o status de ciência à Psicologia, ao propor o
comportamento como objeto mensurável, observável, e passível de reprodução.
Watson tem por objetivo o estudo do comportamento observável, e por isso
vai se valer do método experimental para dizer que o comportamento é o conjunto
de respostas objetivamente observáveis ativadas por um conjunto complexo de

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estímulos que podem ser provenientes do meio físico ou social em que o organismo
está inserido.
Para ele, a previsibilidade do comportamento está na relação função da
resposta dependente de determinada situação, ou seja, se conhecemos o estímulo
podemos prever a resposta, ou mesmo, o inverso desse processo. Dessa forma, o
comportamento é previsível.
Devemos lembrar que a vida psíquica atrelada ao comportamento é uma
forma muito reduzida de se ver o indivíduo em sua plenitude psicológica, assim,
essa visão reducionista vai ser contestada por outras escolas de pensamento, e
entre elas vamos ter a Gestalt e a Psicanálise.
Considerada a psicologia da forma, a Gestalt nasceu na Alemanha em
oposição às escolas americanas, e tinha como proposta a ideia de que o homem
deveria ser pensado em sua totalidade.
Pode-se dizer que muitos pensaram a Gestalt, entre eles, podemos citar
Immanuel Kant, que segundo (Schultz & Schultz,2017), “ao percebermos um objeto,
encontramos os estados mentais que parecem compostos por partes e pedaços; tal
ideia, assemelha-se à proposta dos elementos sensoriais defendida pelos empiristas
ingleses e associacionistas.
Devemos ressaltar que os empiristas, tendo como fiel representante o teórico
inglês John Loke (1632 – 1704), que defendia a ideia de “Tabula Rasa”, em que o
conhecimento é limitado às experiências vivenciadas, e que as aprendizagens se
dão por tentativa e erro.
Mas, também podemos falar de Francis Bacon (1561 – 1626) e o escocês
David Hume (1711 – 1776), ambos foram importantes, sendo aquele o que disse
“saber é poder”, e este, o que discutiu o princípio da causalidade.
Para explicar a ideia dos associacionistas, podemos dizer que são
antecessores ao comportamentalismo e behaviorismo, foi inspirada na filosofia
empirista e positivista, e acreditava que o ambiente constrói as características
humanas e privilegia a experiencia como fonte de conhecimento e formação de
hábitos de comportamento.
Voltando a psicologia da forma, temos em Max Wertheimer (1880 – 1943),
Kurt Koffka (1886 – 1941) e Wolfgang Kohler (1887 – 1967), fieis representantes da
Gestalt; postulavam que para entender as partes de uma forma, necessário se faz
que antes devemos entender o todo que a compõe.

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O objeto de estudo deles era a percepção e pensamento como totalidade.
Para isso se valiam do método introspectivo e experimental. Pensavam a atividade
humana como não sendo o somatório de sensações e estímulos, mas, o resultado
de organização determinada pelo mundo exterior e integrada na totalidade
psicológica do indivíduo.
Fechando o século XX, a psicanálise veio propor algo tão inusitado, que
revolucionou tudo que antes se pensava em psicologia e comportamento humano.
Com o advento do inconsciente, Freud (1856 – 1939), vai dizer que é impossível
compreender os processos patológicos se somente admitir a existência do
consciente.
É a partir do entendimento do inconsciente como zona constituída por
pulsões, tendências e desejos fundamentalmente constituídos de caráter afetivo-
sexual, e que não é passível de conhecimento direto, como ocorre com o
consciente, que vamos compreender os processos misteriosos e obscuros do
psiquismo.
O interesse de Freud era o estudo das perturbações psicológicas ou
comportamentos patológicos, e assim acessar as causas dos transtornos. Seu
objetivo era estudar o inconsciente, e para realizar esta tarefa, utilizou-se do método
analítico através da associação livre que consistia em solicitar ao paciente contar
tudo que lhe viesse à mente.
Ainda falando da psicanálise, pode-se complementar dizendo que ela é
importante teoria sobre o desenvolvimento da personalidade. Propôs que causas e
funcionamentos das perturbações psicológicas remontam à conflitos localizados nos
primeiros anos de vida.
Sem dúvidas a psicanálise e seus paradigmas ainda são motivos de muita
discussão no meio acadêmico, mas, a despeito disso, as contribuições dela e da
Gestalt, até a Segunda Guerra Mundial, o Behaviorismo dominava principalmente os
fronts Norte-americanos.
Depois da guerra, e a partir das necessidades criadas por ela, a Psicologia
Aplicada se expande em novas vertentes, como a Psicologia Clínica; a Avaliação
Psicológica; a Psicologia Educacional, e assim, esse movimento deu origem às
múltiplas abordagens teóricas à psicologia.

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Nesse ínterim, as ciências psicológicas ganham novos terrenos, e no
Behaviorismo vamos ter abordagens considerada Radical de Burrhus Frederic
Skinner (1904 – 1990), e o Neobehaviorismo de Albert Bandura (1925 - ?).
Ainda falando dos avanços na ciência psicológica, a Fenomenologia de Martin
Heidegger (1889 – 1976) e seu existencialismo; também temos Friederich Salomon
Perls (1893 – 1970), mais conhecido por Fritz Perls, ambos de orientação da
Gestalt.
Não menos importantes, quando se fala em psicanálise, vamos ter a
Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung (1875 – 1961); a psicologia de Melanie
Klein (1882 – 1960), e a psicanálise de Jacques Lacan (1901 – 1981).
Não fosse o fascínio que a mente causou aos gregos, poderíamos parar por
aqui; mas, as perspectivas científicas em psicologia seguiram seu curso, e nos anos
de 1960, vamos encontrar a Psicologia-Socio-Histórica de Lev Semyonovich
Vygotsky (1896 – 1934), e a Psicologia Humanista de Carl Rogers (1902 – 1987).
Já nos anos de 1970, Edward John Mostyn Bowlby vai pensar a teoria do
apego, a Psicologia Cognitiva em seu processamento da informação. Nas décadas
de 1980 e 1990, vamos ter o advento das Neurociências da Neuropsicologia.
Após esse breve relato, em que pudemos observar as variadas vertentes da
ciência da psicologia; percebe-se um continuo aperfeiçoamento instrumental, de
técnicas e de métodos de estudo com o proposito de se obter precisão e
objetividade, elementos característicos das ciências.
Se atentarmos com mais rigor à história da psicologia, certamente, vamos
observar que em 140 anos a Psicologia não se firmou como disciplina que pudesse
unificar pensamentos, a despeito de ter procurado, aceitado, e rejeitado diferentes
definições.
O que se observa é que cada escola de pensamento aderiu sua própria
orientação teórica e metodológica, abordando o estudo da natureza humana a partir
de diferentes técnicas. Não houve em síntese, o que as unificasse como uma ciência
psicológica, e em nenhum momento, observou-se respostas a todas as perguntas.
Então, passo a me perguntar, posso considerar a Psicologia como uma
ciência?
Quando faço tal questionamento, percebo que a diversidade de teorias, ou
mesmo escolas de pensamento, guardam em si uma psicologia que é resultado de
uma ciência que tem por objeto o ser humano em toda a sua complexidade.

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Pensando no aspecto da complexidade humana, vejo-me a pensar em Edgar
Morin (1921 - ?), e sua teoria da complexidade, quando nos fala da “Era da
incerteza”; de Albert Einstein (1858 – 1947), e sua relatividade; de Max Planck, e
sua mecânica quântica.
Tais teorias, diz Morin, forçaram a humanidade rever conceitos antigos. A
teoria quântica derrubou certezas da física ao substitui-las pela noção de
probabilidade. A relatividade pôs em xeque os conceitos de espaço e tempo, Niels
Bohr (1885 – 1962), em sua termodinâmica trata partículas físicas como
corpúsculos, ou mesmo, como ondas.
Diante de tudo isso, o que parecia incerto e relativo, vem à teoria do caos, e
nos fala de ordem em sistemas caóticos; o que me remete a Morin, quando ele
propõe os sete princípios-guia da complexidade.
São eles: o principio sistêmico, diz que o todo é mais do que a soma das
partes; o hologramático, o todo está em cada parte; ciclo retroativo, a causa age
sobre o efeito e vice-versa; ciclo recorrente, produtos também originam aquilo que
os produziu; auto-eco-organização, o homem se recria em trocas com o ambiente;
dialógico, associação de noções contraditórias; por fim, reintrodução do conhecido
em todo conhecimento.
Então, penso eu: tantas informações; constantes rearranjos teóricos;
epistemologias; conceitos e definições. Talvez seja producente falar de Thomas
Samuel Kuhn (1922 – 1996), quando diz que o estágio mais avançado do
desenvolvimento de uma ciência é quando deixa de ser uma escola de pensamento
e seus membros chegam a um consenso acerca de questões teóricas e
metodológicas.
Dito isso, deixo uma questão para ser pensada e verificada. Como podemos
caracterizar a Psicologia? Será ela uma soft ciência? O que de fato podemos
afirmar, ou mesmo se podemos afirmar alguma coisa?
Com tais reflexões, penso que algumas questões podem nos ajudar a pensar
sobre minha proposta anterior, e mesmo, nos conduzir a algum lugar. Ademais,
estamos estudando e, de certa forma, que venha mais conhecimentos.

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Parte 02
Algumas questões a considerar

Quando pensamos psicologia como ciência, e adentramos o universo das


muitas considerações que pulularam o universo do nascimento da ciência, é
conveniente algumas questões que nos situa no espaço tempo de construção das
ideias psicológicas.
Foram tais ideias que nos puseram a rumar na construção do que elas
representaram em importância para a psicologia que se ensaiava para ganhar
identidade científica. São elas:

O que representou o espírito do mecanismo para a psicologia?

O espírito do mecanismo previa o universo como uma grande máquina. Esse


foi o fundamento filosófico do século XVII, e sua força contextual básica. Tal
doutrina, afirmava serem os processos naturais mecânicos e passíveis de
explicação pelas leis da física e da química. O desenvolvimento de maquinas e
instrumentos de análise e medição foi fundamental para o desdobrar das ciências. A
psicologia se utilizou dos princípios incorporados nas máquinas e relógios desse
século, o que imprimiu uma nova direção filosófica tomada pela psicologia.

O que é Determinismo.

O determinismo é a crença de que qualquer ação é determinada pelos


eventos do passado.

O que é Reducionismo.

O reducionismo é a crença em se poder reduzir a complexidade ou os


elementos de um problema, de um fenômeno, a conceitos mais básicos, mais
simples, considerados fundamentais ou essenciais para a existência desses

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elementos ou fenômenos. Para entender o universo físico, basta reduzi-lo às partes
mais simples, como moléculas e átomos.
Assim, uma ideia reducionista tende a explicar fenômenos complexos,
reduzindo-os a suas partes mais simples para explica-los.

O que é Empirismo.

É a busca do conhecimento mediante a observação da natureza e a


atribuição de todo conhecimento à experiência. Pode-se dizer que seu representante
mais fiel foi o teórico inglês John Locke(1632 – 1704), quando diz que a mente
humana é feito uma “ tabula rasa”; o conhecimento é devido às nossas experiencias
sensoriais. Por isso, não reconhece a existência de ideias inatas, nem do
conhecimento universal.

Relação mente / corpo - Descartes.

A contribuição de Descartes para a psicologia é a proposição referente à


distinção entre as qualidades mentais e físicas. Os intelectuais discutiam como a
mente (qualidades mentais) podia ser diferenciada do corpo e de todas as demais
qualidades físicas. Uma questão simples e enganosa, o universo mental e o mundo
material são de naturezas distintas? Assim, o Dualismo (mente / corpo), compunha o
argumento de que a mente, alma ou espírito, e o corpo são de naturezas deferentes.
Então, pergunta-se: Qual a relação existente entre eles? Como interagem? São
independentes ou influenciam-se mutuamente?

Conceito de mentalismo Berkeley

Para Berkeley, A percepção é a única realidade. Dizia ele, que todo


conhecimento era uma função ou dependia da experiência ou da percepção do
indivíduo. A percepção é a única realidade da qual se tem certeza. Assim, o
Mentalismo considera que todo conhecimento é função de um fenômeno mental e
dependente da pessoa que o percebe ou vivencia.

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Importância do observador humano nas ciências que se apoiam na
observação.

A importância do observador nas ciências está na dependência dos métodos


de observação. Pesquisadores como LOCKE e BERKELEY, debateram a natureza
subjetiva da percepção humana, usando como argumento a afirmação de que nem
sempre há – ou que muitas vezes não há – correspondência exata entre a natureza
de um objeto e a nossa percepção sobre esse objeto. Assim, estudou-se o papel do
observador humano como responsável pelos resultados das experiências. Fato que
resultou os estudos dos órgãos dos sentidos humanos; os mecanismos fisiológicos,
por meio dos quais recebemos informações a respeito do universo, como forma de
investigação dos processos psicológicos da sensação e da percepção.

Conceito de LIMIAR ABSOLUTO na sensibilidade proposta por FECHNER.

O conceito de limiar absoluto foi introduzido por Herbart em 1824, ao escrever


a respeito de limiar de consciência, ou seja, uma ideia somente se tornaria
consciente para o observador se tivesse uma certa intensidade, do contrário
permaneceria no inconsciente. Fechner aplicou o conceito à sensação.
O conceito do limiar absoluto foi apresentado por Fechner como duas
propostas para medir as sensações. O limiar absoluto seria o ponto de sensibilidade
abaixo do qual as sensações não são detectadas e acima do qual elas são
percebidas. O primeiro determina se o estímulo está presente ou ausente, se foi
sentido ou não. O segundo, medir a intensidade do estímulo na qual as pessoas
relatam a primeira sensação, ou seja, o LIMIAR ABSOLUTO da sensibilidade, que é
o ponto de intensidade abaixo do qual a sensação não é percebida e acima do qual
é percebida. Conceito geral: – é a estimulação mínima necessária para que um
estímulo seja detectado em 50% das vezes. Exemplos de limiares absolutos – Visão
– é possível ver a chama de uma vela acesa a uma distância de 50 quilômetros.
Audição – ouvir o tique-taque de um relógio a 6 metros de distância. Paladar –
distinguir uma colher de chá de açúcar em 7,5 litros de água. Olfato – uma gota de
perfume em um apartamento com cinco aposentos. Sentido cutâneo – a asa de
uma mosca caindo no rosto a uma distância de cinco centímetros.

15
Conceito de LIMIAR DIFERENCIAL.

Dentre termos importantes em psicofísica estão o de limiar absoluto, que é o


mínimo de um estímulo que causa uma sensação, e o de limiar diferencial ou
diferença no limiar do observável que é a diferença mínima entre dois estímulos para
que seja discriminada alguma diferença entre eles. A percepção da diferença,
segundo o pesquisador, não era fixa, mas variável e dependia do tipo de peso
apresentado. “A capacidade para discriminar pequenas diferenças em um estímulo
depende não só da intensidade do estímulo, senão também de uma determinada
relação entre a diferença de pesos e o peso padrão utilizado no experimento”.
Assim, para cada sentido humano, existe determinado aumento relativo de
intensidade do estímulo que sempre produz uma mudança observável na
intensidade da sensação.

Método do erro médio sistematizado por Fechner.

O método do erro médio, ou mesmo, método do ajuste, consiste em o


indivíduo ajustar o estímulo variável até sentir que ele é igual a um estímulo padrão
constante. O método do estímulo constante envolve dois estímulos constantes e tem
como objetivo medir a diferença de estímulo necessária para produzir uma
proporção específica de julgamentos corretos.

Métodos usados por WUNDT

A psicologia de Wundt utilizava os métodos experimentais das ciências


naturais, principalmente as técnicas empregadas pelos fisiologistas. Ele acreditava
no papel ativo da consciência em organizar o próprio conteúdo. Na sua perspectiva,
a consciência incluía várias partes diferentes e podia ser estudada pelo método da
análise ou da redução. Dizia ele, que a psicologia é a ciência da experiência
consciente, sendo assim, o método da psicologia científica deve abranger as
observações da experiência consciente. Assim, estabeleceu que o método de
observação devesse ser necessariamente; utilizar-se da introspecção: autoanálise
da mente para inspecionar e relatar pensamentos ou sentimentos pessoais.

16
Conceito de voluntarismo de Wundt.

O conceito de voluntarismo proposto por Wundt, concentra-se no estudo da


capacidade própria de organização da mente, o que caracteriza a força de vontade.
O voluntarismo refere-se a força de vontade própria em organizar conteúdo da
mente em processos de pensamento superior.

Conceito de experiência imediata de Wundt.

O conceito de experiência imediata de Wundt, refere-se à experiência que é


equilibrada pela interpretação dos elementos dessa experiência. Para Wundt, a
experiência imediata não sofre nenhum tipo de influência de interpretações
pessoais; ao descrever um desconforto de dor de dente, relatamos a nossa
experiência imediata. Se dissermos apenas que estamos com dor de dente, estamos
evidenciando nossa experiência mediata, ou seja, a dor de dente.

Condições experimentais da introspecção no laboratório de Wundt.

A introspecção já existia no tempo de Sócrates, o que Wundt inovou foi a


aplicação do controle experimental preciso sobre as condições de execução da
introspecção. A introspecção, ou percepção interna, aplicada em seu laboratório
obedecia a regras e condições bem estabelecidas pelo pesquisador. São elas: a
introdução do processo é determinada pela capacidade do observador, ele deve
estar em estado de prontidão e alerta. Também deve haver condições adequadas
para repetir várias vezes a observação, e haver condições apropriadas para se
variar as situações experimentais quanto a manipulação controlada do estímulo.

Teoria dimensões do sentimento – Wundt

Wundt alegava ser a sensação uma das formas básicas de experiência. A


sensação surge sempre que um órgão do sentido é estimulado e os impulsos
resultantes atingem o cérebro. O sentimento é outra forma elementar da experiência,
simultâneo da experiência imediata. Wundt considerava as emoções um composto

17
complexo de sentimentos elementares e, se fosse possível, destacá-los na grade
tridimensional, as emoções poderiam ser reduzidas a esses elementos mentais.
(Teoria Tridimensional do sentimento: a explicação de Wundt para os estados do
sentimento baseada em três dimensões: prazer/desprazer, tensão/relaxamento e
excitação/depressão). A primeira dimensão, (prazer/desprazer), é considerada a
partir de qualquer padrão sonoro produzido. A segunda dimensão (tensão
/relaxamento) decorre de uma leve tensão ao antecipar cada som sucessivo,
seguida do alívio após o clique que antecede o som. A última dimensão,
(excitação /depressão), verificou-se que após aumentar o intervalo dos cliques,
observou-se uma leve excitação, e ao diminuir os intervalos, percebeu-se certa
calma e depressão.

Finalidades da psicologia segundo Titchener.

Titchener concentrava-se nos elementos ou conteúdos mentais, assim como


na conexão mecânica mediante o processo da associação. Seu enfoque estava nos
elementos propriamente dito e, em sua opinião, a principal tarefa da psicologia
consistia na descoberta da natureza das experiências conscientes elementares
– a determinação da estrutura da consciência mediante a análise das suas partes
componentes. O estruturalismo de Titchener, como primeira escola de psicologia,
tinha como foco o empirismo – elementos: os conteúdos mentais.

Atributos dos estados elementares da consciência - Titchener

De acordo com Titchener, o objeto da Psicologia é a experiência consciente.


Titchener define a consciência como a soma de experiências vividas num
determinado momento, e a mente como a soma de experiências acumuladas ao
longo da vida. Mente e consciência são realidades semelhantes, mas enquanto a
consciência envolve processos mentais que ocorrem em determinado momento, a
mente envolve o acumulo total destes processos. Ele propôs três estados
elementares de consciência, as sensações que são os elementos básicos da
percepção e ocorrem nos sons, nas visões, nos cheiros e em outras experiências
evocadas por elementos físicos do ambiente. As imagens, que são elementos de
ideias e remetem a experiências não necessariamente presentes no momento,

18
assim como a lembrança de uma experiência passada. Os sentimentos, que seriam
elementos da emoção, presentes em experiências como o amor, o ódio ou a tristeza.
O pesquisador atribuiu aos elementos mentais a dotação de atributos distintivos, que
são: Qualidade - como frio ou a cor vermelha, são atributos que os distingue de
quaisquer outros elementos. Intensidade – atributo que confere à força; fraqueza;
sonoridade ou brilho de uma sensação. Duração - é o curso da sensação ao longo
do tempo. Nitidez – refere-se à função da atenção na experiência consciente; uma
experiência no foco da nossa atenção é mais nítida do que uma fora do foco de
nossa atenção.

Conceito de seleção natural de Darwin

Influência da teoria da evolução sobre a psicologia funcionalista.

A psicologia estará baseada sobre um novo alicerce, assim disse Darwin, e


ao mesmo tempo, influenciou a psicologia com sua teoria da evolução. O enfoque na
psicologia animal, que formou a base da psicologia comparativa; a ênfase nas
funções e não na estrutura da consciência; a aceitação da metodologia e dos dados
de diversas áreas; o enfoque na descrição e mensuração das diferenças individuais.
A teoria da evolução suscitou a intrigantes possibilidades de continuidade do
funcionamento mental entre os humanos e os animais inferiores. Os primeiros
psicólogos funcionalistas abraçaram o compromisso de dar continuidade, derivada
dos estudos experimentais com animais, para acomodar, praticamente, todas as
formas da psicologia e do comportamento humano.

Principais temas investigado por Galton sobre influência da teoria da


evolução.

Eugenia e hereditariedade. Com o propósito de aplicar os pressupostos da


teoria da seleção natural ao ser humano, Francis Galton (1822-1911), primo de
Darwin, em 1883, reunindo duas expressões gregas, cunhou o termo "eugenia" ou
"bem-nascido" (Black, 2003.). Ele aceitava plenamente a teoria da seleção natural
para dar conta da primeira questão e para a segunda acreditava que a teoria da
pangênese darwiniana poderia ser promissora; pois, ao postular a existência de

19
unidades responsáveis pela herança - as gêmulas -, Galton percebeu que a teoria
da herança de Darwin poderia receber tratamento laboratorial e cálculo
matemático/estatístico, uma vez que indicava a existência de unidades materiais
passíveis de verificação empírica. A partir desse momento, eugenia passou a indicar
as pretensões galtonianas de desenvolver uma ciência genuína sobre a
hereditariedade humana que pudesse, através de instrumentação matemática e
biológica, identificar os melhores membros - como se fazia com cavalos, porcos,
cães ou qualquer animal -, portadores das melhores características, e estimular a
sua reprodução, bem como encontrar os que representavam características
degenerativas e, da mesma forma, evitar que se reproduzissem (Stepan, 1991).

Conceito de eugenia de Galton.

Galton cunhou o conceito de “eugenia” para o que seria a melhoria de uma


determinada espécie através da seleção artificial, em especial a espécie
humana. O termo eugenia só foi criado em 1883 em sua obra “Inquiries into Human
Faculty and Its Development”, publicada no ano seguinte após a morte de Darwin.
Tal como muitos dos pensadores da época, Galton acreditava que a “raça” humana
poderia ser melhorada evitando cruzamentos indesejáveis. O objetivo de Galton era
incentivar o nascimento de indivíduos mais notáveis ou mais aptos na sociedade e
desencorajar o nascimento dos inaptos. Assim, Galton sugere o desenvolvimento de
testes de inteligência para selecionar homens e mulheres brilhantes e destina-los à
reprodução seletiva.

Uso do teste de associação de palavras por Galton.

Tudo começou com os experimentos do tempo de reação, que produziam


resultados mais úteis. Para esses experimentos, Galton preparou uma relação de
setenta e cinco palavras, escrevendo cada uma numa tira separada de papel.
Depois de uma semana, olhou uma de cada vez, e usou um cronômetro para
registrar o tempo necessário à produção de duas associações para cada palavra.
Muitas das associações eram palavras simples, mas muitas lhe surgiram como
imagens ou quadros mentais cuja descrição requeria várias palavras. Sua tarefa
seguinte foi determinar a origem dessas associações. Ele descobriu que cerca de

20
40% remontava a eventos de sua infância e adolescência. Esta pode ser
considerada uma das primeiras demonstrações de influência das experiências
infantis na personalidade adulta.
Talvez de maior importância do que os resultados, seu método
experimental de estudo de associações, tenha tido maior destaque. Sua invenção do
teste de associação de palavras marcou a primeira tentativa de submeter à
associação à pesquisa de laboratório. Wilhelm Wundt adaptou a técnica, limitando a
resposta a uma única palavra, e a usou para pesquisas em seu laboratório de
Leipzig. O analista Carl Jung aperfeiçoou-a para seus próprios estudos de
associação de palavras.
Como pudemos perceber, a psicologia recebeu influência das mais variadas
camadas do conhecimento humano, e seguiu seu caminho de aperfeiçoamento nos
variados contextos científicos.
Dentre os muitos momentos da história da psicologia, houve um,
especificamente o Behaviorismo, o que me chamou atenção e, de certa forma, foi o
estudo que mais exigiu de mim.
Digo isso, porque para melhorar minha nota, necessitei escrever sobre os
eminentes precursores do Behaviorismo, o que me fez entender um pouco mais
dessa disciplina intrigante em seus conceitos.
Bem, vamos ao texto que fala sobre os notáveis: Pavlov, Watson e Skinner.
Espero que gostem e que seja de serventia o que pesquisei.

Parte 03

BEHAVIORISMO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE PAVLOV,


WATSON E SKINNER.

O presente estudo é resultado de observações das aulas de Experimentação


e Procedimentos do Curso de Psicologia da Universidade de Vassouras, e reflete,
em parte, o desejo de promover conhecer os pesquisadores aqui reflexionados, bem
como, um pouco de suas teorias na contribuição da construção da Psicologia
Behaviorista. Por isso, objetivou-se refletir sobre o Behaviorismo a partir de
considerações sobre Pavlov, Watson e Skinner, e seus subsídios conceituais dentro
da referida disciplina. Para realizar tal intento, buscamos a pesquisa bibliográfica e

21
consulta a alguns artigos científicos encontrados na web, de forma a compor nossas
observações. Assim, verificamos que para Watson o comportamento pode ser
medido, treinado e mudado; Watson e Pavlov corroboram o condicionamento
respondente e se qualificam dentro do behaviorismo clássico ou metodológico. Já
Skinner, enquadra-se no behaviorismo radical por inserir em sua abordagem a ideia
de que somos resultado de interações que mantemos com nosso ambiente, e os
estímulos podem ser reforçados no processo de obtenção das respostas desejadas;
e não menos importante é verificar a visão de Watson, quando diz que o individuo é
totalmente moldável pelas influências que nos cercam. Encerramos nosso trabalho
fazendo um breve retrospecto à psicologia como ciência, e relacionamos algumas
áreas da sociedade em que o Behaviorismo se mostra influente, e atuante, integrado
nos mais variados segmentos sociais da psicologia cognitiva e do comportamento.
Antes de tudo, convém explicar, que as considerações aqui apresentadas,
referem-se a algumas reflexões empíricas e pessoais, e tem por objetivo verificar,
tão somente, contribuições das teorias Behavioristas para a Psicologia, a partir das
concepções científicas dos pensadores mais proeminentes do behaviorismo. Sejam:
Pavlov, Watson, e Skinner.
O que vamos verificar parte do âmbito contextual das atividades desses
pesquisadores, ou seja, as teorias e os métodos de investigação psicológica; O
Behaviorismo.
Para tal intento, vamos nos reportar à Rússia, para encontrar um fisiologista
preocupado com os estudos da reflexologia, Ivan Petrovich Pavlov (1849 – 1936), o
criador do conceito de reflexo condicionado, que estabeleceu uma forma mensurável
do fenômeno psicológico, e as terminologias: estímulo, resposta, e ambiente; todas,
como forma de delimitar seu objeto de estudo.
Assim, esse pesquisador passa a ser nosso primeiro objeto de reflexão. Logo
após, vamos nos ater ao personagem que de certa forma se inteirou dos estudos de
Pavlov, o estadunidense John Broadus Watson, psicólogo, que em 1913 editou seu
manifesto behaviorista, e disse: “precisamos fazer e começar a trabalhar na
psicologia fazendo do comportamento, e não da consciência, o ponto objetivo de
nosso ataque”. (Watson – 1913).
Também, seguindo o behaviorismo nascente de Watson e Pavlov, vamos
verificar em Burrhus Frederic Skinner (1904 – 1990), segundo ele: “Os homens

22
agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são modificados pelas
consequências de suas ações”. ( Skinner, 1957).
A partir da concepção filosófica de cada personagem, tentaremos perceber
as implicações de seus trabalhos para a Psicologia nascente de Wilhelm Maximilian
Wundt (1832 – 1920), considerado um dos fundadores da psicologia experimental.
Com o avanço das ciências físicas e biológicas no correr do século XIX, a
experimentação e os métodos objetivos de investigação contribuíram para o
surgimento das bases empíricas das abordagens cognitivo-comportamentais.
Nesse período, o desenvolvimento da Física nos permitiu maior compreensão
da matéria, e a Biologia, adiantou-se na descoberta da etiologia de determinadas
doenças orgânicas e seu tratamento.
Nesse ínterim, Darwin defende a teoria da evolução das espécies; uma
continuidade entre a espécie humana e a de outros animais, no que, essa última,
incentivou à investigação do comportamento animal para o entendimento do
comportamento humano.
Tal fato conduziu alguns pesquisadores ao estudo do condicionamento, e
começaram aplicar os métodos objetivos da fisiologia aos problemas da Psicologia.
Ivan Pavlov4 foi um desses pesquisadores; realizou vários experimentos com
cães, o que deu origem à teoria dos reflexos condicionados.
Sua teoria se expressou no fato de ser uma conexão nervosa temporária,
entre variados estímulos provenientes do ambiente e, uma atividade determinada do
organismo animal.
Em seu experimento, havia intencionalmente o desejo de eliciar respostas
condicionadas aos cães, objetos de seu estudo, e com isso, surgiu o paradigma de
condicionamento clássico ou pavloviano, de cujas implicações serviram para
compreensão de fenômenos psicopatológicos.
Tais experimentos, nas palavras de Pavlov, relacionavam-se às secreções
observadas por ele, nos cães, provindas de alguma forma de estimulação não
fisiológica conhecida como secreções psíquicas.
Nesse entendimento, Pavlov diz que:

4
Ivan Petrovich Pavlov foi um fisiologista russo conhecido principalmente pelo seu trabalho no
condicionamento clássico. Foi premiado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1904, por suas descobertas
sobre os processos digestivos de animais. Ivan Pavlov foi prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1904-
Wikipédia.

23
[...] são as propriedades dos objetos exteriores,
sem importância para a função das glândulas salivares e,
inclusive completamente ocasionais, as que excitam o
animal. As propriedades luminosas, acústicas e, inclusive,
as puramente olfativas dos objetos considerados não
exercem, por si mesmas, quando pertencem a outros
objetos, nenhuma influência sobre as glândulas salivares;
essas, por sua vez, não mantêm nenhuma relação
funcional com essas propriedades. ( Pavlov,1904).

A saber, após essa constatação, o pesquisador mostrou-se intrigado com


suas observações, as quais, o conduziu perceber que não é as propriedades dos
objetos, somente, o que causa excitação ao animal, mas sim, tudo o que se
relaciona a ele no contexto adaptativo do experimento.
Não há dúvidas, diz Pavlov, tratar-se de uma adaptação mais adiantada;
fazendo-o supor num reflexo psíquico, e até mesmo conjecturar vontade, julgamento
e mesmo o desejo dos animais.
Essa abordagem inicial logo se desfez, e abandonada por ele, por questões
mais objetivas o conduziu à sua mais importante contribuição à Psicologia; o
chamado reflexo condicionado.
O termo acima revelado, assim como, reflexo incondicionado foi utilizado por
Pavlov, primeiramente, em “A psicologia e a psicopatologia experimentais dos
animais”; o pesquisador, de alguma forma, descobriu que estímulo não dissuadido
provoca respostas reflexas em sujeitos objetos de experimentação.
Em virtude de tal fato, pode-se dizer, segundo Pavlov, que:

O reflexo salivar eliciado pelo alimento colocado na


boca do animal foi denominado reflexo incondicionado,
visto que não demandava nenhuma aprendizagem. Era,
portanto, inato. Já a secreção salivar obtida com a visão
do alimento só foi obtida após algumas tentativas. Logo, o
processo demandou uma aprendizagem ou
condicionamento. Fato que o pesquisador denominou de

24
REFLEXO CONDICIONADO. ( Junior,Lopes & Cirino,
2018).

De outra forma, podemos dizer que os cães naturalmente salivam por comida,
assim, o pesquisador chamou a relação estímulo não condicionado (comida) e
resposta não condicionada (salivação), de reflexo não condicionado.
Conclui-se então, que o condicionamento clássico é entendido como
processo de aprendizagem, em que, um estímulo decorrente do ambiente (estímulo
externo), e um estímulo natural ( que ocorre naturalmente), desenvolve-se em um
contexto associativo.
Para melhor entendimento, o condicionamento clássico, ou pavloviano, ou
mesmo respondente, todos, diz respeito ao desenvolvimento dos seres, em que, a
mudança de alguns comportamentos se dá a partir do binômio estímulo-resposta
que incide sobre o sistema nervoso central dos seres vivos.
No condicionamento clássico, ou pavloviano, percebe-se que ao retirar a
comida (estimulo incondicionado); o som associado a entrega do alimento, que
antes era estimulo neutro, após o condicionamento passa a ser um estimulo
condicionado, provocando uma resposta condicionada.
Para sistematizar a dito acima, podemos demonstrar os elementos do
Condicionamento Clássico. Veja:

Introdução à Psicologia de Hilgard – página 258 – tabela 7.1


Elementos do Condicionamento Clássico
Estímulo que automaticamente
Estímulo não condicionado
provoca uma resposta, normalmente
ENC – ração (comida) que é entregue
através de reflexo, sem
ao animal e o estimula a salivar.
condicionamento prévio.
Resposta originalmente dada a
um estímulo não condicionado, usada
Resposta não condicionada
como base para estabelecer uma
RNC - salivação
resposta condicionada a um estímulo
anteriormente neutro.
Estímulo condicionado EC – Estímulo anteriormente neutro
luz, campainha, outros. que passa a gerar uma resposta
condicionada através de associação

25
com um estímulo não condicionado.
A resposta apreendida ou
Resposta condicionada RC – adquirida a um estímulo que
salivação originalmente não provoca resposta
(ou seja, um estímulo condicionado).

A partir do exposto, os achados de Pavlov identificaram as relações entre


ambiente e fisiologia, e que tais relações, são também de caráter psicológico e não
somente biológico.
Também revelou em comportamentos biológicos não são essencialmente
fisiológicos, mas, há possibilidades de controle por fatores ambientais e
psicológicos.
Assim, os estudos desse pesquisador, além de firmar seu contributo para a
Psicologia, originam o Behaviorismo iniciado por John Watson 5 em 1903.
Quando falamos que o Behaviorismo fora iniciado por Watson, precisamos
lembrar que, de alguma forma, os precursores da ideia behaviorista foram o
americano Thorndike (1874-1949) e o russo Pavlov (1849-1936). Pode-se dizer que
Watson foi o que falou desta abordagem behaviorista com as palavras dos outros.
Nesse entendimento, o que deu início à abordagem behaviorista foi seu
manifesto, em que Watson afirma que processos mentais e sobrenaturais não são
passíveis de estudo cientifico ou mesmo sistematizado.
Tal pensamento continha outras propostas que significavam o desejo de
Watson que incluíam o estudo do comportamento por si mesmo; a oposição
sistemática ao Mentalismo, consciência, estados mentais; adotar concepções do
determinismo materialistico e o evolucionismo biológico.
Podemos perceber que o pesquisador ainda se detinha no dualismo corpo e
mente, e ao verificar historicamente a Escolástica, que preconizava o corpo ser
animado pela alma, e o Mentalismo o comportamento ser expressão da mente, para
Watson, o comportamento é produto da instigação do estímulo.
Quando falamos em estímulo, o termo cunhado por Pavlov referia-se a algo
atuando sobre o organismo, e de certa forma causava uma resposta. Com isso, a
5
John Broadus Watson (Greenville, 9 de janeiro de 1878 — Nova Iorque, 25 de setembro de 1958)
foi um psicólogo estadunidense,considerado o fundador do comportamentalismo (ou simplesmente
behaviorismo). ... Watson definiu o cenário para o behaviorismo, que logo passou a dominar a
psicologia. Em: https://pt.wikipedia.org/wiki/John_B._Watson - 06/03/2019.

26
postulação de Watson ganhou corpo a partir dos estudos pavlovianos sobre o
comportamento reflexo.
Sob esse entendimento de Watson, o behaviorismo possibilitou à Psicologia
um objeto mensurável e observável, passível de ser reproduzido em várias
instancias, permitindo-a, a princípio, o status de ciência.
Digo a princípio, uma vez que Watson pensa a Psicologia de forma muito
própria, veja:
[...] O interesse de Watson era o estudo do
comportamento. Ele propõe que a Psicologia seja uma
ciência empírica e que leve a generalizações amplas
sobre o comportamento humano, mantendo-se a
uniformidade do procedimento experimental, para que os
experimentos dos psicólogos possam, assim como o dos
físicos e químicos, ser replicados em qualquer laboratório.
[...] ( Cançado, Soares&Cirino, 2013:207).

A partir disso, a abordagem behaviorista watsoniana propõe o comportamento


como o que pode ser medido, treinado e mudado. Tanto Watson, quanto Pavlov
compreendia um comportamento a partir do condicionamento respondente, ou seja,
uma resposta dada a um estímulo introjetado.
Assim, o comportamento é o que pode ser observado e descrito, e
dispensando a subjetividade, Watson elege como objeto de investigação da
Psicologia, o comportamento.
É o comportamento, portanto, a resposta dada pelo organismo àquilo que lhe
impressiona a partir do exterior, seja assim os estímulos.
Ao circunscrever esses objetos de estudo, os comportamentalistas, elegem os
símbolos: (S R), que caracterizam estímulo-resposta. Tal operação sintetiza o (S)
como o que operacionaliza o ambiente; o (R) como o comportamento, e a flecha, a
causa ou ação desencadeadora. (Matos, 1995).
Com esse paradigma, o indivíduo é considerado como fosse um recipiente
hermético, sem possibilidades de abertura, indevassável, o qual, interiormente nada
se poderia dele afirmar.

27
O behaviorismo radical de Skinner 6 vai reorganizar esse paradigma, e de
alguma forma, introduz os fatores internos, o que amplia as possibilidades de estudo
de uma ciência do comportamento.
A essa ciência, os fenômenos não diretamente observáveis, o pesquisador vai
nomeá-los de eventos privados e os considerar como comportamentos; fato
considerado radical, uma vez que tais elementos fora desprezados pelo
comportamentalismo.
Essa inovação teórica não abre margem à introspecção, pois admite somente
o estudo do pensamento e sentimentos como manifestações exteriores.
Tais manifestações podem ser entendidas por circunstancias objetivamente
apreensíveis e circunscritas ao indivíduo, quando manifesta algum estado ao se
pronunciar verbalmente.
Condição essa que evita sucumbir ao subjetivismo, uma vez que as causas
residem nas relações funcionais do relato de um determinado estado e os fatores
ambientais que o desencadeou, ou mesmo, a qual o organismo está submetido.
Seja o estado de tristeza decorrente da morte de um ente querido.

[...] O combate do behaviorismo radical é contra a


possibilidade de os estados internos serem tomados
como causas de comportamentos visíveis. Quando vemos
uma pessoa beber água, dizemos que ela estava com
sede, mas o que realmente podemos afirmar é que
estamos diante de um organismo que ficou privado de
água por certo período de tempo; evento que antecede o
comportamento de beber, e que esse organismo emite
uma resposta: ingerir determinada quantidade de água.
(Cunha, 2008:39)

Os fatos verificados em Cunha compõem a privação e o comportamento de


beber água, esses são elementos quantificáveis, entretanto, nada se pode afirmar

6
Burrhus Frederic Skinner foi um autor e psicólogo norte-americano. Conduziu trabalhos pioneiros em
psicologia experimental e foi o propositor do behaviorismo radical, abordagem que busca entender o
comportamento em função das inter-relações entre a filogenética, o ambiente e a história de vida do suposto
individuo. Em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Burrhus_Frederic_Skinner - 03/03/2019

28
sobre o estar com sede; um estado interno e inacessível. Assim pensavam os
radicais.
O Behaviorismo pelo que se pode observar foi uma proposta de estudo do
comportamento, em um momento da história das ciências, em destaque a
Psicologia, quando houve a necessidade de se formular um objeto de estudo que
tornasse a Psicologia; uma disciplina, com prerrogativas de ciência.
Tal desejo iniciou-se a partir de dois pontos de vista distintos; o funcionalismo
de William James7 e o estruturalismo de Edward B. Titchener 8. Ambos, apesar de
divergentes conceitualmente, aproximavam-se em considerar a consciência como
objeto de estudo da Psicologia.
Nesse período, outro pensador, Edward Lee Thorndike 9, de algum modo,
também contribuiu para uma nova maneira de pensar e se trabalhar a psicologia: o
Behaviorismo.
Assim, Thorndike e Pavlov, proporcionaram à Watson, inicialmente,
estabelecer a partir do “Manifesto behaviorista” os princípios de uma ciência do
comportamento.
O comportamentalismo, ou Behaviorismo, termo oriundo nos meios
acadêmicos dos Estados Unidos da América, e criado por Watson, caracteriza sua
ideia de um behaviorismo metodológico, e concentra a ideia de que o
comportamento pode ser medido, treinado e mudado.
Para Pavlov, assim como Watson, ambos partilham de um behaviorismo
batizado de clássico ou metodológico, quando pensam em condicionamento
respondente. Já o behaviorismo radical de Skinner, pensa o condicionamento
operante.

7
William James (Nova Iorque, 11 de janeiro de 1842 – Tamworth, 26 de agosto de 1910) foi um filósofo e
psicólogo americano e o primeiro intelectual a oferecer um curso de psicologia nos Estados Unidos. James foi
um dos principais pensadores do final do século XIX e é considerado por muitos como um dos filósofos mais
influentes da história dos Estados Unidos enquanto outros o rotularam de "pai da psicologia americana". Em:
07/03/2019 https://pt.wikipedia.org/wiki/William_James
8
Edward Bradford Titchener (1867-1927) foi um psicólogo estruturalista britânico. Estudou
em Leipzig, Alemanha com o mestre Wundt. Voltou para o Reino Unido e tentou divulgar a nova psicologia,
mas esta não foi aceita pelos demais filósofos da época. Isso o levou aos Estados Unidos onde alunos de todo o
país vinham ouvir e estudar sua nova psicologia. Em: 08/03/2019 -
https://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Titchener
9
Edward Lee Thorndike (* Williamsburg, Estados Unidos, 31 de Agosto de 1874 - + Montrose, Estados Unidos,9
de Agosto de 1949) foi um psicólogo americano e esteve na origem do surgimento do condicionamento
operante

29
Ambos pensam assim: No condicionamento respondente ou clássico, temos o
fisiologista russo, em que, seu experimento introduz um estímulo neutro antes do
reflexo; concentra-se em comportamentos involuntários, ou mesmo, automáticos.
No condicionamento operante, do psicólogo americano, temos a introdução
de reforço ou punição, depois de determinado comportamento; concentra-se no
fortalecimento ou enfraquecimento de comportamentos voluntários.
Assim, de forma clara, podemos verificar o que diferencia uma abordagem da
outra, de forma objetiva, podemos ter que no condicionamento operante, o aluno, é
recompensado com incentivos, já no clássico ou respondente, não existe
recompensas.
Seja operante ou respondente, o certo é que tais vertentes do pensamento
behaviorista, de algum modo, contribuíram sobremaneira para a Psicologia se
estabelecer como ciência.
Ao fazer um retrospecto à Wilhelm Wundt (1832-1920), e a Psicologia como
ciência, esse pai da psicologia só o foi por um fato simples: a fundação de uma
escola de pensamento que consiste em um ato deliberado e intencional, e que
envolve características e habilidades pessoais diferentes das exigidas na produção
de contribuições científicas extraordinárias. (Schultz & Schultz, 2017).
O Behaviorismo foi extraordinário ao propor um estudo do comportamento, e
esse estudo originou tantos outros no contexto da psicologia, como a Medicina
Comportamental; A Terapia Cognitivo Comportamental; também temos influência na
educação e administração, publicidade, psicologia clínica e adestramento de
animais.
Como se pode observar, as aplicações são muitas, do pensamento
behaviorista, e é certo que muitas outras se seguirão a essas, pois, as abordagens
behavioristas tendem com o tempo se reformular, o que de algum modo constitui
sua característica mais marcante.
Assim, concluímos nossas observações, e acreditamos ter contribuído para
tornar o Behaviorismo mais conhecido, e certamente ter proporcionado um pouco
mais de conhecimento sobre as contribuições do Behaviorismo para a Psicologia.
Não cerramos aqui nosso entendimento a respeito do behaviorismo, mas,
esperamos que outras contribuições possam a essas se sucederem; somando-se a
nossa humilde contribuição ao conhecimento humano.

30
Dito isso, posso dizer que outra disciplina a me entusiasmar, sem dúvidas foi
a psicanálise freudiana. Ela me encanta pelo fato de ser tão única, e compor o
advento do inconsciente.
O fato do homem não ser senhor de si, nem mesmo em sua casa, é mais do
que motivo para me ater a muitos questionamentos a busca de entender, não só o
contexto de vida de Freud, mas, a vasta cultura que ele detinha e, muito lhe foi
profícua na composição de suas teorias.
Por isso, ao fazer a disciplina de psicanálise, resolvi apresentar um trabalho
que falasse um pouco do pensamento freudiano, apresentando a psicanálise como
um sistema único e exclusivo de Freud. Vamos a ele?

Parte 04
Freud

O trabalho que ora vamos apresentar, transita no contexto freudiano, e se


apresenta profícuo quando o que desejamos é tão somente expor algumas questões
acerca da psicanálise como um sistema único e exclusivo de Freud, bem como suas
propostas de tratamento psicanalítico, em que, a psicanálise, apresenta-se como um
sistema de personalidade.
O estudo se justifica por fatores de caráter educacional, e relaciona-se à
proposta de obtenção de nota ao Curso de Psicologia da Universidade de
Vassouras, referente à disciplina História da Psicologia.
Nosso intuito é caracterizar alguns elementos que corroboram o tema, o que
já delimita nossa ação ao objeto de pesquisa e, ao mesmo tempo revela nosso
objetivo, uma vez que não há um problema a ser discutido.
Na perspectiva de não haver um problema a ser discutido, o tema estudado
nos revelou em Schultz & Schultz (2017), que o sistema de Freud, circunscrevia-se a
“temas específicos não abordados nos livros básicos de psicologia de sua época”.
Também podemos destacar em Loureiro (2018), que “a partir de 1896, Freud
vai empregar o método de associação livre como regra fundamental do tratamento
psicanalítico”.
Para entender melhor esse tratamento psicanalítico, vamos ver em Hermann
(2006) em seu livro “O que é Psicanálise”, os principais conceitos que regulam a
Psicanálise. Também em Mezan (2003), em seu livro Sigmund Freud, ele nos situa

31
historicamente sobre o aparecimento da Psicanálise, com dados biográficos de
Freud e conceitos fundamentais da teoria psicanalítica.
Assim, subsidiados das informações desses estudiosos, e do que
assimilamos dos conhecimentos propostos em sala de aula, dedicamo-nos a
comentar brevemente alguns fatos sobre Freud, para depois elencarmos os
principais conceitos que inauguram a Psicanálise, e não menos importante, os
sistemas de personalidade, para, e por fim, tecer considerações a respeito da
Psicanálise como método de tratamento.
O ambiente cultural em que emerge a Psicanálise é rico e variado. Nesse
mundo ávido de respostas às muitas questões que pululavam a mente humana, a
revolução copernicana vai deslocar o homem do centro do universo; a teoria
darwinista vai descender a espécie humana dos macacos, e a Psicanálise vai fazer
o inconsciente prevalecer à consciência; nas palavras de Freud: o homem não é
mais “senhor em sua própria casa” (FREUD, 1917).
Nesse universo cultural, e com tantos acontecimentos importantes se
desenrolando, uma parcela seleta de humanos vai se privilegiar por serem
detentores multifacetados dos variados conhecimentos da psicologia nascente.
São esses conhecimentos, e alguns demandados da psicanálise, que trouxe à
cultura a perspectiva investigativa dos processos psíquicos inconscientes
pertinentes às variadas contingências humanas; com isso, o tratamento do
sofrimento psicológico humano.
Nesse universo, a Psicanálise vai se desenvolver como algo que, de certa
forma, desestabiliza o que aparentemente se encontra estável, revelando um
homem não harmônico e insatisfeito no contexto da civilização.
No correr desta civilização surge o fundador da Psicanálise, Sigmund Freud
(1856 – 1939), e em si, a convergência das várias tendências da cultura europeia
dos séculos XVIII ao XX, já que parte de sua obra foi publicada no século passado.
Justamente essa obra de grande relevância para os anais da Psicologia, e
filha de Sigmund Freud, nascido em Freiberg, (atual Pribor, na República Tcheca), e
que teve seus derradeiros dias findados em Londres no mês de setembro do ano de
1939.
Tal figura, a qual muitos não atribui genialidade, muito menos a capacidade
de gerar uma teoria a partir do nada, vai falar das “forças motivadoras do

32
inconsciente, os conflitos entre essas forças e o efeito desses conflitos no
comportamento”. (SCHULTZ & SCHULTZ, 2017).
É de fundamental importância; isso nos revela o criador da Psicanálise,
quando percebemos em seus escritos a preocupação em impor limites claros a
elementos fundamentais à psicanálise, de forma a delimitar os objetos dessa
disciplina.
Ouvimos com frequência a afirmação de que as ciências devem ser
estruturadas em conceitos básicos, claros, e bem definidos. De fato, nenhuma
ciência, nem mesmo a mais exata, começa com tais definições. O verdadeiro início
da atividade científica consiste antes na descrição dos fenômenos, passando então
a seu agrupamento, sua classificação e sua correlação. Mesmo na fase de descrição
não é possível evitar que se apliquem certas ideias abstratas [...]. Tais ideias [...] são
ainda mais indispensável à medida que o material se torna mais elaborado. Devem,
inicialmente, possuir necessariamente certo grau de indefinição; não pode haver
dúvida quanto a qualquer delimitação nítida de seu conteúdo. (FREUD, 1915a) .
Ao considerar a fala de Freud, somado a seus variados contextos, percebe-se
certo conflito ente psicanálise e ciência física, mas também, uma psicanálise que se
produz em suas incertezas, e ao mesmo tempo em um contínuo refazer.
Nesse continuum, um verdadeiro processo construtivo e renovativo das
concepções freudianas, vamos perceber que sua teoria se encontra
indissociavelmente mesclada à trajetória pessoal do fundador da psicanálise.
Justamente esse fundador que construiu sua base teórica, em parte, das suas
experiências pessoais, mas também, desde o início, suas reflexões compuseram
elevado grau de abstração, em um contexto distanciado da experiência empírica.
Tal contexto, Freud vai designar como “Metapsicologia”; a dimensão mais
teórica da teoria. Entretanto, as noções e hipóteses metapsicológicas são forjadas e
articuladas de forma a erguer modelos que corroboram o entendimento de
fenômenos psíquicos a contextualizar a clínica e a vida quotidiana.
No afã de construir suas teorias, o neurologista vai observar tais fenômenos
em seus pacientes, amigos e familiares, e talvez, primeiramente, em si mesmo. E
tais observações, a partir de análises de sua própria vida psíquica, vai consolidar
alguma formulação teórica em vias de elaboração.
Nesse processo criativo, o ávido pesquisador austríaco, escreve no ano de
1900, um dos principais livros de sua extensa obra, “A interpretação dos Sonhos”,

33
que pela primeira vez, traz a público, um amplo modelo sobre a estrutura e o
funcionamento da psique humana em geral.
O mesmo vale para o célebre conceito do complexo de Édipo, o qual
contextualiza conteúdos referentes à sexualidade infantil, e faz menção à tragédia
grega de Sófocles que conta a história de Édipo-Rei, sobre o destino do rei de
Tebas.
Nesse ano, Freud vai esboçar boa parte do alicerce fundamental da
psicanálise, o que atualmente é motivo de muitas discussões, mas, é certo, que
pesquisadores buscam levar a sério estas teorias freudianas que são verdadeiras
peculiaridades epistemológicas da psicanálise. Assim falam.
Tal alicerce, construído a partir das experiências pessoais e das relações
médicas com pacientes, é fruto do seu amadurecimento; Freud vai propor as noções
de inconsciente, sua pedra angular; repressão, sexualidade infantil; também vai
relacionar sintomas neuróticos e fenômenos da vida psíquica, e não menos
importante, diretrizes básicas do tratamento psicanalítico.
São conceitos que, de algum modo, nos remete ao homem concebido por
Freud, como aquele clivado, em permanente conflito interno, incapaz de se
conhecer, ou mesmo, reconhecer-se. Nas palavras de Freud, o “Eu” que não é
senhor nem mesmo em sua própria casa.
Nesse entendimento, pode-se dizer que Freud elaborou, reavaliou, e ampliou
as ideias que lhes eram pertinentes às teorias criadas e, somente a ele e seus afins,
estariam qualificados a julgar o valor científico de seu trabalho. Por isso, pode-se
dizer que a psicanálise é sem dúvidas o sistema freudiano; somente dele.
Pode-se dizer que a teoria freudiana guarda relação direta e indissociável à
trajetória pessoal de seu fundador. Amiúde, o arcabouço conceitual da Psicanálise,
bem como, a pertinência à prática clínica, situa-se no contexto das raízes
experienciadas e vividas por Freud.
Em sua prática das elaborações e reflexões teóricas, vamos observar desde o
início de sua obra um elevado grau de abstração que se encontra distanciado das
experiências empíricas, e nomeado como “METAPSICOLOGIA”.

Freud diz que a compreensão


METAPSICOLÓGICA de um fenômeno requer que ele
seja abordado simultaneamente sob três dimensões ou

34
pontos de vista. A dimensão tópica refere-se aos lugares
ou instâncias que compõem o aparelho psíquico
(topos=lugar); a dinâmica diz respeito ao jogo de forças
em conflito; e a economia refere-se à distribuição e
modalidade das quantidades de energia psíquica em
circulação no aparelho. (VILELA e outros, 2013, p.425).

Verifica-se em seu falar, a dimensão mais teórica da teoria. Pois as noções e


hipóteses metapsicológicas são construídas a partir de articulações a arquitetar
modelos para o entendimento dos fenômenos psíquicos que povoam a clínica e a
vida quotidiana.
Convém ressaltar, que tais articulações revelam o sistema de Freud como o
que vai abordar questões não compreendidas, ou mesmo, não explorada por outros
psicólogos, as quais se podem dizer das forças motivadoras do inconsciente e tudo
o que conflita essas forças; bem como, o efeito desses conflitos no comportamento.
É justamente o comportamento, aquele que expressa o comer, beber, ou
mesmo o relacionamento sexual, reduzidos ou removidos pela ação do instinto, será
entendido por Freud como fonte de estimulação inerente ao corpo.
Esta estimulação, o instinto, compreende representações mentais dos
estímulos internos, no caso, a fome, ou mesmo a sede, e caracterizam o que motiva
a personalidade e o comportamento.
Esse pensamento permitiu Freud categorizar o conceito de instinto em duas
condições gerais, a saber: o instinto de vida, e o instinto de morte. Aquele ao se
relacionar à preservação da vida como espécie, uma energia, da qual, manifestam-
se os instintos de vida, que podemos chamar libido.
O instinto de morte se entende como o que motiva o individuo ao masoquismo
ou suicídio, como força oriunda do interior do ser; a energia exteriorizada, e seriam a
manifestação do ódio ou agressão, esses, de certo modo, seriam a externalização
de uma energia comparada com a sexual no contexto do comportamento humano.
Ainda pensando no comportamento humano e seus níveis de personalidade,
os primeiros trabalhos de Freud vão sugerir uma divisão mental, utilizando-se da
teoria do iceberg, Freud elege um consciente, que é a parte emersa, e o
inconsciente que é a parte imersa do iceberg.

35
Em um segundo trabalho, ele vai propor os conceitos de id, ego, e superego.
O id corresponderia à noção inicial de inconsciente, a parte mais primitiva e menos
acessível da personalidade. Nela, os instintos do sexo e da agressividade.
Ao contrario da paixão insistente e irracional do id, o ego vai servir de
mediador e facilitador da interação entre o id e as circunstâncias do mundo externo.
O id é o que se pode chamar de o representante da razão ou racionalidade.
Outro aspecto dessa estrutura da personalidade além do id e do ego é o que
se desenvolve desde o inicio da vida humana, quando a criança assimila as regras
sociais e dos seus cuidadores, dentro de um contexto de recompensas e punições.
Tal aspecto é o superego. Ele representa de certa forma a moralidade.
Assim, podemos dizer que essas são as três estruturas da personalidade
definida por Freud, e grosso modo, esses sistemas de personalidade podem ser
resumidos assim: o Id é o instinto tudo que desejamos fazer; o Superego é o
responsável por nos enquadrar às normas sociais, e o Ego teria como função manter
o equilíbrio do aparelho psíquico.
Após essas considerações, ainda que muito primitivo tenha sido nosso relato
a cerca dos sistemas de personalidade proposto por Freud, certamente que nos
permitiu compreender genericamente essas relações, assim, podemos ir adiante,
relacionar alguns aspectos dos mecanismos de defesa, para então, finalizar nosso
intento, apresentando algumas considerações a respeito da Psicanálise como um
método de tratamento.
Quando falamos em mecanismos de defesa, temos que destacar a
ansiedade, e, de certa forma, considerá-la como um alerta das ameaças contra o
ego. Assim, Freud vai considerar três tipos de ansiedade, a saber:
A ansiedade objetiva, que aflora a partir do medo dos perigos reais, e as
outras duas, derivam da ansiedade objetiva; em que a neurótica decorre do
reconhecimento dos perigos potenciais inerentes à satisfação dos instintos do id, e a
ansiedade moral surge do medo da consciência.
Segundo Schultz & Schultz (2017), as pessoas com menos virtudes
apresentam menos ansiedade moral.
Tais ansiedades, sejam quais forem, tencionam e motivam o indivíduo a
tomar alguma atitude para reduzir esse estado, o que segundo teoriza Freud, é o
ego a desenvolver um sistema de proteção que será nomeado por mecanismos de
defesa.

36
A seguir vamos nomear e descrever o que cada um representa dentro desse
processo de defesa, considerando-os como a representação de negações
inconscientes, distorções da realidade, e de certa forma, originários do processo de
proteção ao ego contra a ansiedade.
Abaixo descrevemos os mecanismos de defesa freudianos em Schultz &
Schultz (2017), descritos na tabela 13.2, no livro História da Psicologia Moderna.
Repressão: É negar que possa existir algo provocador da ansiedade,
procurando eliminar inconscientemente, ideias, afetos e desejos perturbadores que
provocam desconforto.
Projeção: São pensamentos inaceitáveis ou indesejados que consiste em
atribuir a outra pessoa um desejo próprio, ou atribuir à outra pessoa algo que
justifique a própria ação.
Regressão: É o retorno a uma condição de comportamento dependente e
infantil, característico de um período mais seguro, fugindo de uma condição
frustrante da vida.
Racionalização: Dar nova interpretação ao comportamento, com a intenção
de fugir da culpa, de forma a afastar o sofrimento decorrente de ações impulsivas.
Formação reativa: É uma articulação do indivíduo com o propósito de
camuflar e proteger seus desejo ou sensibilidades. Um impulso do id, oposto ao que
impulsiona a pessoa.
Negação: Nega-se a existência de um fato externo traumático.
Sublimação: É uma alteração dos impulsos do id, de forma a manter
comportamentos socialmente aceitos.
Deslocamento: Transferência de impulsos do id de uma ameaça para um
alvo substituto, quando por alguma razão, o primeiro não seja possível ou
disponível.
Após as referidas descrições, em que, de certa forma, nos foi permitido
conhecer um pouco dos mecanismos de defesa freudianos, passamos a ponderar
algumas considerações a respeito da Psicanálise como um método de tratamento.
Quando Freud (1895) percebeu em seus pacientes, distúrbios de natureza
histérica decorrentes de sentimentos reprimidos e originários das experiências
sexuais perturbadoras, concluiu serem transtornos ligados à sexualidade.
A partir desse entendimento ele formulou a hipótese de que a ansiedade se
manifestava como consequência da energia da libido, no que, essa energia

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reprimida, expressava-se por meio de vários sintomas, de modo inconsciente,
característicos de um mecanismo de defesa psicológica.
Decorre assim, que a psicanálise surge como objetivo de tratamento dos
processos mentais inconscientes e atenção ao desequilíbrio mental, considerando-a
como um método terapêutico às doenças de natureza psicológica sem motivação
orgânica.
O tratamento desses processos mentais vai se conduzir a partir de práticas
clinicas de Josef Breuer10 (1842 – 1925) e de Sigmund Freud, momento em que
ocorrem a valorização, aperfeiçoamento da técnica e o reconhecimento público e
científico.
Nesse contexto, Freud vai dizer que a Psicanálise se caracteriza por ser um
tratamento a partir de método terapêutico dos distúrbios psíquicos, em que, há uma
investigação do inconsciente.
Para se efetivar tal investigação, Freud vai se basear na teoria de Breuer
(1895), no pensamento filosófico de Platão (428/27 – 347 a.C.), em Arthur
Schopenhauer (1788 – 1860), e no que já comentamos, na sua experiência
profissional, e mesmo, pessoal.
Essa experiência, e o trato com seus pacientes, vai individualizar Freud nas
práticas de sua psicanálise, quando pensamos nela como um novo paradigma às
desordens da psique humana.
Tais práticas buscam empreender dentro do comportamento humano e a
partir das relações entre os tipos de personalidade, os métodos de terapia
psicanalítica no intuito de encontrar maneira para resolver os conflitos psicológicos
do ser humano.
No processo dessas práticas, pode-se dizer que o psicanalista necessita
conhecer os pressupostos teóricos psicanalíticos, escutar o paciente, perceber seu
mundo, o auxiliar no processo de adaptação e inserção social, tudo isso, para que o
paciente possa viver e conviver com autonomia e dignidade.
Assim, o processo de tratamento vai se valer da inspiração de Freud, quando
busca na Grécia, uma fatia de sua cultura, e encontra na alma platônica a
correspondência do Id, do Superego e do Ego, com elementos fisiológicos da mente.

10
Josef Breuer foi um médico e fisiologista austríaco, cujas obras lançaram as bases da psicanálise. em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Josef_Breuer - 31/05/2019

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Nessa equivalência, o princípio do prazer, cuja função é descarga das
tensões biológicas, estará atrelada ao Id. Já a razão e o existir terá uma designação
no Ego. Por fim, a moral é o que o se pode chamar de parcela punitiva, e vai se
fundar no Superego.
São essas concepções competentes ao analista que o induzirá, de certa
forma, no contexto do processo de recuperação do psiquismo, a um desejo ético de
devolver ao indivíduo a estabilização e normalidade psíquica.
No desenvolvimento dessa prática terapêutica, far-se-á necessário que o
paciente em tratamento adquira ou readquira sua maturidade, para que possa
compreender sua consciência, sendo ela, a que se reveste de três camadas distintas
a exercer funções específicas no processo.
Como dito anteriormente, soma-se a isso, o entendimento de que o Ego
quando pressionado pelo Superego procura negar os instintos do Id, mesmo ciente
de suas atribuições, o que faz a repressão agir camuflada como um sintoma
neurótico; a ansiedade, o embaraço, ou mesmo o esquecimento, tudo isso, vai
manifestar uma neurose ou alguma forma de psicose. (MAY,1996).
A primeira camada, o Id, cobiçoso e ganancioso, do esquema platônico,
segundo Cobra (2003), vai guardar em si a reserva dos desejos e impulsos de
origem genética; e terá como função, a reprodução e preservação da vida.
Já o Ego procura lidar com a complexidade, e mesmo, racionalizar em favor
do Id, sendo governado pelo princípio da realidade. Tal governo o faz satisfazer o Id
sem transgredir o Superego.
Esse, considerado a terceira camada mental, vai responder pela vigilância
moral, e atuar de forma inconsciente, fazendo a censura dos impulsos que a
sociedade e a cultura atribuem ao Id. De certa forma, ele impede que o indivíduo
satisfaça plenamente seus instintos e desejos.
Pode-se dizer que nesse contexto, o Superego é o interditor que acessa a
consciência sob a forma da moral, de processos da educação social, e manifesta-se
por um conjunto de embargos e deveres, procurando um Eu ideal, constituindo-se
órgão repressor a busca da virtude. (COBRA, 2003).
É justamente nessa dinâmica que Freud vai se notabilizar e, tornar-se imortal.
Ele procurou interpretar os traumas, e apontar alternativas terapêuticas em um
contexto de pesquisa em torno dos conteúdos recalcados, das resistências,

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mecanismos de defesa, e possibilidades de superação psicológica por meio da
análise, transformando-a em um método de tratamento.
E para fundamentar todo o mecanismo de tratamento psicanalítico, pode-se
dizer que duas obras de Freud foram de fundamental importância para as bases da
fundação da psicanálise. São elas: “O livro dos Sonhos” (1900/1930) e “Três
Ensaios” (1901/1942).
No primeiro, temos os conceitos de inconsciente, e no segundo, o conceito de
pulsão. Ambos fundamentam a teoria psicanalítica; sem eles, não há como entender
a articulação entre linguagem e sexualidade. (JORGE, 2010).
A psicanálise de Freud objetivou tratar processos mentais inconscientes e se
ocupar do desequilíbrio mental, caracterizando-se como método terapêutico para
tratar as doenças de natureza psicológicas sem motivação orgânica.
A pesquisa nos mostrou que o sistema de Sigmund Freud, revela a
Psicanálise em sua estrutura teórica e prática, e somente a seus seguidores e
adeptos estão qualificados para tecer julgamento e valor científico do seu trabalho.
Tal sistema vai explorar as forças motivadoras do inconsciente, os conflitos
entre essas forças e os efeitos desses conflitos no comportamento humano.
É justamente nessa dinâmica do comportamento humano que Freud vai se
notabilizar e, tornar-se imortal. Ele procurou interpretar os traumas, e apontar
alternativas terapêuticas em um contexto de pesquisa em torno dos conteúdos
recalcados; das resistências; mecanismos de defesa e, possibilidades de superação
psicológica por meio da análise, transformando-a em um método de tratamento aos
conflitos psicológicos.
Esperamos que as considerações apresentadas em nossa humilde
contribuição tenham revelado pequenos aspectos da grande obra do criador da
Psicanálise, e suscitado novas propostas de pesquisa, uma vez que, o que
desejamos foi tão somente apresentar considerações tópicas a respeito da
psicanálise freudiana.

Parte 05

Percepção, Motivação, Emoção.

40
Após entender o sistema de Sigmund Freud, como o que revela a Psicanálise
em sua estrutura teórica e prática, e somente a seus seguidores e adeptos estão
qualificados para tecer julgamento e valor científico do seu trabalho, podemos
pensar em outro estudo que nos remete em parte, ao que percebemos e sentimos,
vivemos e interagimos no mundo que chamamos de real.
São temas oriundos da disciplina de processos perceptivos básicos, e que, de
modo geral, pode nos situar no entendimento do que seja percepção e realidade.
Para falar sobre esses processos, procurei, a partir de algumas questões nos
situar no contexto do que podemos entender sobre o tema, e assim, formatei
algumas perguntas como forma de nortear nosso entendimento.

Percepção / Sensação

Pode-se dizer que o processo de coleta de informação sobre nosso meio


ambiente seja a sensação. A percepção é a interpretação das sensações com
objetivo de ter consciência de nós e do meio ambiente. O que diferencia uma e
outra, é que na percepção temos uma resposta psicológica, e na sensação temos
uma resposta física (biológica).

Percepção e existência humana

A percepção se relaciona à pluralidade da existência humana quando a


compreendemos como função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais,
a partir de histórico de vivências passadas. Portanto, acoplamos às qualidades
objetivas dos sentidos outros elementos subjetivos e próprios de cada indivíduo.
De outro modo, a percepção ainda é motivo de muitas concepções definidas
por variadas escolas de pensamento, e mesmo diferençada em seus estudos
teóricos, quando procuramos pensá-la na perspectiva fisiológica e, nas escolas
gestaltista e behaviorista.
Por isso, ficamos com o que diz Penna (1993), ao sinalizar para MacLeod
(1951), ao usar a expressão “fatores sociais da percepção”, e diz que todo ato
perceptivo é, em certo grau, um empreendimento social, na medida em que se
cumpre através de esquemas e modelos culturalmente aprovados e
pressionadamente sugeridos. Tendemos a perceber, então, de acordo com os

41
padrões convencionais e em função das expectativas dominantes nos quadros da
comunidade cultural.

A importância dos sentidos e o ser humano no processo percptivo

Pode-se dizer que o processo de visão é composto: pelo estímulo físico; pelo
olho, como a estrutura de captação; pelas vias de condução e finaliza no sistema de
interpretação, isto é, no ato de conscientização da presença de determinado
estímulo.
Ver é transitar no mais alto grau de visibilidade do mundo. A experiência
visual carrega o cérebro com uma diversidade rica e dinâmica de dados a serem
armazenados no cérebro, associando-se aos demais sentidos para serem utilizados
nos diferentes momentos da vida, possibilitando a existência de diferentes modos de
representação mental e de pensar e agir no mundo.
A esse pensar e agir, temos que todo ato perceptivo, em certo grau, é um
empreendimento social, e está circunscrito a modelos e esquemas culturalmente
aprovados e sancionados.
Sentimos o mundo, mas, o percebemos de acordo com padrões
convencionados socialmente e em função das expectativas dominantes nos quadros
da comunidade cultural. (BRUNER E. POSTMAN).

Detecção – Transdução – Transmissão.

Detecção é o elemento que existe em cada sentido, e é conhecido por


receptor. O receptor pode ser uma célula ou varias células sensíveis a determinada
energia que nos permite experenciar os estímulos que chegam a nossos sentidos.
Assim, o processo de detecção é o ato de experenciar os estímulos que chegam a
nossos sentidos. Ex: Certas células do ouvido respondem a vibrações de ar (energia
mecânica que experenciamos como sons); Na Transdução, os receptores
sensoriais convertem a energia que entra em sinais eletroquímicos que o Sistema
Nervoso usa para a comunicação. Ex: No olho, a luz visível, o fóton é transformado
em impulso nervoso. Ex: Na orelha, as ondas de pressão sonora são convertidas em
sinais elétricos; A Transmissão se dá través de nervos periféricos, as informações
que foram decodificadas chegam ao sistema nervoso central (na medula ou no

42
encéfalo). No córtex cerebral, em regiões específicas,  ocorre o conhecimento sobre
o mundo externo e sobre o nosso próprio corpo. Detectamos o estímulo,
convertemos a energia em sinais eletroquímicos, e os transmitimos ao Sistema
Nervoso Central.

Sentidos Químicos

Paladar e Olfato. São sentidos químicos que nos ajudam a distinguir as


substancias químicas oriundas dos alimentos. Tais propriedades excitatórias vão
despertar agentes químicos dispostos no ambiente biológico humanos, e mesmo
animal, que permitirão sentir gostos e cheiros.

Olfato e atividade perceptiva dos alimentos

No caso de resfriados ou alergias, o nariz entupido pode impedir que os


aromas típicos da culinária, de algum modo, possam sensibilizar os receptores
olfativos, impedindo-os de perceber os cheiros da comida. Nesse caso, perde-se o
sabor. Pois, muito do que chamamos de paladar, é na verdade o olfato.

Sentidos Cutâneos

Antigamente chamado de tato, os sentidos cutâneos podem ser entendidos


como somatossensoriais, e são: contato físico, pressão profunda, calor, frio e
dor. Tais sentidos são importantes, pois nos permite acessar os estímulos do mundo
externo e, nos permite, ao percebê-lo, nos proteger de suas ações sobre o corpo
físico.

Sentidos Vestibular e Sinestésico.

Sentido cinestésico: informa-nos do posicionamento relativo das partes do


corpo durante os movimentos. Monitora o que as partes do corpo estão fazendo;
Depende de vários tipos de receptores nas juntas, nos músculos e nos tendões.
Sentido vestibular: ou sentido de orientação e equilíbrio. Fornece
informações sobre o movimento e a orientação da cabeça e do corpo em relação à

43
Terra conforme as pessoas movimentam-se sozinhas ou em veículos. Ajudam as
pessoas a manter uma postura ereta e ajustar a postura durante os movimentos.

Receptores da audição

Os verdadeiros receptores auditivos são as células ciliadas que se encontram


dentro da cóclea. A audição é uma função sensorial que tem um papel primordial na
relação entre os seres vivos e o seu ambiente. Em todos os animais terrestres a
audição é essencial em numerosos comportamentos: defesa, alimentação,
sexualidade,... No Homem, o papel da audição é ainda mais importante: Com o
desenvolvimento da linguagem oral, a audição tornou-se imprescindível para as
interações sociais e da comunicação.
Como em todas as outras sensações, a audição é um trabalho de equipa
entre um órgão sensorial e porção do cérebro afeta a esse sentido. Na audição, o
órgão sensorial é o ouvido, que capta o som e o transforma numa mensagem
nervosa e o cérebro auditivo que descodifica essa mensagem para que se faça a
percepção.

Visão e Audição - Interação

Os sentidos da visão são importantes para captar os estímulos luminosos dos


sinais de trânsito; também tem o auditivo que sinaliza os estímulos sonoros. Temos
também os sentidos de posição: cinestésico e vestibular. Assim, ao atravessar
uma rua, necessitamos ver, escutar, e nos locomover até o outro lado da travessia,
tudo isso, com sentido de direção e equilíbrio dentro do espaço geográfico. Esse é
um dos muitos exemplos que podermos sinalizar da importância dos sentidos de
visão e audição em nossas vidas.

Motivação e o ser humano.

O conceito de motivação é algo às vezes muito complexo e de muitas formas,


vários autores vão conceituar motivação de variadas construções: em (Krench &
Crutchfield,1959), temos que um “motivo é algo com intenção de atingir um objetivo

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apropriado”; (Young,1961) considera uma “busca dos determinantes(todos os
determinantes) da atividade humana e animal”; (Kimble & Garmezy, 1963), vai falar
de uma “propriedade básica dos motivos é a energização do comportamento”; Para
(Lieury & Fenouillet, 2000), [...] a motivação é o conjunto de mecanismos biológicos
que possibilitam o desencadear da ação, da orientação( para uma meta ou, ao
contrário, para se afastar dela) e, enfim, da intensidade e da persistência: quanto
mais motivada a pessoa está, mais persistente e maior é a atividade”. Assim,
quando falamos em motivação, algumas palavras parecem mais presentes nas
definições, como: objetivo, determinação, energização, persistência, e muitas outras
pude observar. Então, vou apreciar a definição de (VERNON,1973), que diz ser a
motivação, “uma espécie de força interna que emerge, regula e sustenta todas as
nossas ações mais importantes”. E finalizo, dizendo que motivação são fatores
internos e externos ao ser, que buscam regular as necessidades homeostáticas do
ser biológico e psicológico.

Motivação e variáveis externa

Se considerarmos a motivação tudo o que relacionamos anteriormente, e


considerarmos as variáveis externas, como tudo o que o ambiente nos apresenta
como estímulos e suas relações com o indivíduo; todas as questões sociais,
políticas e econômicas, em um contexto biopsicossocial, vai influenciar o indivíduo
em suas ações comportamentais. Assim, a motivação vai ser influenciada por
estímulos produzidos pela interação do individuo em seu contexto biopsicossocial.
Tal interação vai determinar seu comportamento motivacional em relação aos
objetivos a serem alcançados.

Pirâmide de Maslow.

A pirâmide de Maslow sistematiza sua teoria das necessidades. Para ele, as


necessidades explicam o comportamento humano, e a única razão que nos leva a
fazer algo, é para satisfazer uma necessidade. Segundo sua teoria, há uma
hierarquia no processo de nossas necessidades, e ela se dá a partir das
necessidades mais básicas com direção as mais elaboradas. São elas; da base da
pirâmide para o topo, as necessidades fisiológicas; de segurança; das relações

45
sociais; as de estima; as de autorrealização. Pensando nessas hierarquias, as
necessidades fisiológicas são as necessidades básicas de qualquer ser humano; as
de segurança, refere-se a complexo contexto de segurança, que abarca desde a
própria segurança, em todos os níveis, até a segurança da família. As necessidades
sociais se referem a nossa necessidade de pertencimento a um grupo social, ou
mesmo a muitos grupos sociais. Por fim, temos a necessidade de
autorreconhecimento, e mais ainda a necessidade de ser reconhecido pelo outro, o
que de certa forma nos causa certo controle de nossa vida. Um detalhe que merece
ser sinalizado é que a subjetividade humana, certamente, é um fator não
considerado nessa teoria, e uma das razões que a faz muito contestada por variados
teóricos da psicologia.

Explique a primeira camada (base) da pirâmide de Maslow.

R: Na base da pirâmide de Maslow vamos encontrar a necessidade mais


básica do ser, que é a necessidade fisiológica, ela é o instinto de sobrevivência, é o
que o faz preservar o seu maior patrimônio, que é a vida.

As emoções são processos puramente biológicos? Explique.

R: Pode-se dizer que Wundt iniciou a exploração do que chamamos de


sensação. (RIES & REEVE, 2004/2006) acreditam serem as emoções, impressões
causadas por receptores biológicos por intermédio de estímulos internos e externos
ao ser. Para (FELDMAN, 2015), a emoção é um sentimento que comumente têm
elementos fisiológicos e cognitivos a influenciar nosso comportamento. Por isso,
podemos dizer que os componentes fisiológicos e psicológicos estão no
entendimento do que seja emoção, e a partir desse entendimento podemos dizer
que não há emoção puramente biológica, assim como, puramente psicológica.

Existem emoções inatas? Explique.

R: Para (BALLONE & ABREU, 2005) e (DAMÁSIO, 2000), as emoções se


dividem em primária e secundária. As primárias são inatas, evolutivas e partilhadas
por todos, enquanto as secundárias são sociais e resultam da aprendizagem. Assim,

46
pode-se dizer que existem emoções inatas, e elas caracterizam o que chamamos de
medo, raiva, tristeza, ou mesmo a alegria.
De que forma as diferentes culturas podem influenciar na construção dos
sentimentos?

R: Para entender a influência sociocultural na construção dos sentimentos,


vamos perceber que (POLSTER, 2001), vai defender a ideia de que os sentimentos
são valorados subjetivamente, também vai depender de como experenciamos o
mundo. Nesse contexto, (SMIRNOV, 1969) vai considerar os sentimentos como
correspondente às necessidades culturais e espirituais, as quais aparecem durante
o desenvolvimento histórico da humanidade. Dessa forma, as diferentes culturas
podem influenciar na construção dos sentimentos, quando estes são depositários
culturais. Os sentimentos dependem das condições de vida do homem, de suas
relações e necessidades, porém o caráter social não é exclusivo deles, pois Smirnov
vai considerar as emoções, ainda que mais associadas a fenômenos orgânicos, são
sempre e inevitavelmente reações de um ser social, ligadas às exigências sociais de
cada período histórico da humanidade. (Machado; Facci; Barroco, 2011).

Relacione motivação com emoção.

R: Com base em Todorov e outros, a motivação é, grosso modo, impulso


original de nosso comportamento. O motivo pode ser compreendido como estado
interno que resulta de uma necessidade e que ativa ou desperta comportamento
dirigido ao cumprimento de uma necessidade. Já a emoção, é característica de
processos cognitivos, sensações, reações fisiológicas e comportamento expressivo.
Assim, a emoção está intimamente relacionada à motivação, porém, distinguem-se
motivos de emoções. Estas são despertas por eventos externos, e aquelas são
despertos por fatores internos e externos ao ser, que buscam regular as
necessidades homeostáticas do ser biológico e psicológico.

Diferencie emoção de sentimento.

47
R: Para diferenciar emoção de sentimento, vamos recorrer a (SMIRNOV,
1969), quando diz que as emoções correspondem mais à satisfação de
necessidades orgânicas, relacionadas com as sensações, enquanto os sentimentos
correspondem a necessidades culturais e espirituais, as quais aparecem durante o
desenvolvimento da humanidade.

De que forma os fatores sociais podem influenciar na motivação


baseada na pirâmide das necessidades de Maslow?

R: Considerando a teoria de Maslow, as categorias de sua pirâmide retratam


as necessidades humanas, as categorias estão dispostas em uma hierarquia,
segundo Maslow, o individuo só sente desejo de satisfazer a necessidade de um
próximo estágio se a do nível anterior estiver sanado, portanto, a motivação para
realizar estes desejos vem de forma gradual. Como a pirâmide retrata necessidades
humanas, e tipicamente sociais, e considerando que: fato social é os agentes reais
ou o conjunto de costumes que estão no centro de uma sociedade. ... Durkheim
define fato social como os instrumentos sociais e culturais que determinam as
maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo, o que faz com que os
indivíduos tenham necessidades bem distintas em relação aos diferentes povos e
mesmo entre si; assim, os fatores sociais podem interferir na maneira como cada
indivíduo vivencia suas necessidades básicas e se motiva para realizar esta ou
aquela necessidade imposta pela hierarquia da pirâmide de Maslow.

A influência da família e da escola na formação da consciência social e na


atividade humana – Pensamento e ação

48
Antes de se falar da influência da família, ou mesmo da escola, e o que estas
duas instituições tem a contribuir na construção da consciência social, no fazer das
atividades humanas, e mesmo, na construção do pensamento e ações humanas;
vamos considera-las em seus contextos históricos sociais?
Primeiramente, vamos tomar o conceito de família apropriado por (LANE,
2006, p. 38,39), quando diz ser a instituição considerada “natural e universal”, uma
vez que garante a sobrevivência do indivíduo no contexto reprodutivo.
Para (NARVAZ E KOLLER, 2006, p.49), a família não é algo biológico, natural
ou dado, mas, produto de formas históricas de organização entre humanos. O que
nos permite falar das diferentes formas de organização familiar ao longo da história.
A instituição familiar é, em qualquer sociedade moderna, regida por leis,
normas e costumes que definem direitos e deveres dos seus membros e, portanto,
os papéis de marido e mulher, de pai, mãe filhos deverão reproduzir as relações de
poder da sociedade em que vivem. LANE, 2006, p. 40,41).
A partir dessa consideração, podemos dizer que uma das formas de
organização familiar centrada no homem como figura masculina, foi a família
patriarcal. Nem sempre foi assim, em (ENGELS, 1884/1964; MURARO, 1997),
sinalizam que em algum momento da história humana, as primeiras sociedades
eram coletivas.
Pode-se dizer, nesse contexto, que eram tribais, nômades e matrilineares.
Predominantemente, organizavam-se em torno da figura da mãe, e por desconhecer
a participação do homem na reprodução, firmava-se a partir da descendência
feminina.
Homens e mulheres, nessa conjuntura, tinham papeis sexuais e sociais não
rígidos, e as relações sexuais não eram monogâmicas. Todos os membros da
família tinham participação ativa nas obrigações de sobrevivência, especialmente, a
mulher, cabia-lhe cuidar das crianças. (NARVAZ E KOLLER, 2006).
Segundo as autoras anteriormente mencionadas, quando conhecida a
participação do homem na reprodução, e o estabelecimento da instituição privada,
as relações sexuais passam a ser monogâmica, instituindo-se assim, o controle do
corpo e da sexualidade da mulher.
Nesse pensamento, pode-se dizer que surge o advento do patriarcado, como
nova ordem social, estabelecendo-se o controle do homem sobre as mulheres, e a
descendência patrilinear.

49
A concepção de família instaura-se sob a égide patriarcal, consolida-se como
instituição na Antiga Roma, e conforme (LANE, 2006, p. 38,39), a família configura-
se como instituição considerada “natural e universal”, uma vez que garante a
sobrevivência do indivíduo no contexto reprodutivo.
Como instituição natural e universal, pode-se dizer que, na condição social,
ela é regida por leis, normas e costumes; tal regência organiza e tutela seus
indivíduos em direitos e deveres, estabelecendo relações de poder, hierarquizando
seus membros na estrutura patriarcal, e assim, historicamente, a organização
familiar decorre da necessidade de preservação da propriedade e dos bens.
Nesse sentido, somos determinados a agir de acordo com o que as pessoas
que nos cercam julgam e atestam ser adequado.
Cabe resaltar o quão importante são os grupos, as instituições aos quais os
indivíduos estão inseridos, ao sentimento de pertencimento e o quanto isso
transforma o ser humano e também o quanto a linguagem tem poder para mexer e
influenciar e assim tornar o homem um sujeito protagonista da sua própria história
ou não.
Com o surgimento da linguagem, aquela mesma, das primeiras fala das
crianças, e com ela o processo de alfabetização/letramento, nós nos deparamos
com a Escola e Família, instituições bem definidas no processo de transformação
social do indivíduo.
Pensando a família como instituição, a escola também assim se faz, uma vez
que garante reprodução de conhecimentos e valores sociais necessários à
perpetuação das relações de poder, transfigurados na harmoniosa cultura herdada
das gerações anteriores.
Assim, não há, segundo (LANE, 2016), uma preocupação com a autoridade a
ser preservada, uma vez que a família já consolidou essa autoridade. A Escola vai
garantir o individualismo e a competição. Seu intuito é persistir em revelar o que é
intelectual e o que é braçal. Aquele que manda, e aquele que executa.
A partir desse intento, o poder é mesmo revelado nos atos de aprovação e
reprovação, e esse padrão selecionista consolida o papel da escola na construção e
ou formação social dos valores éticos, morais, religiosos, mantendo-se a ideologia
dominante, conforme as palavras de (LANE, 2016), a descrição correta do mundo.
Assim, a escola marca seu papel estruturante na formação da consciência
social. Entretanto, deve-se pensar que desde o primeiro momento da vida, o

50
indivíduo está inserido num contexto histórico marcado por regras, leis, padrões de
vida. E que essas “ Normas/Leis” é o que caracterizam os papeis sociais.
Os pais são legítimos representantes desses papéis sociais. São eles que, de
certa forma perpetuam as relações de poder familiar, pois, em cada grupo existem
suas regras e normas, e para que um indivíduo se encaixe a um grupo, ele precisa
que no mínimo suas práticas e ações sejam de acordo com as normas do grupo.
O sujeito pode ser livre, mas de acordo com o que a sociedade quer desde
que não ponha em risco a ordem da sociedade. Silvia Lane fala sobre a Identidade
Social, diante de uma diversidade de identidades, o indivíduo vai se descobrindo
como um indivíduo diferente, distinto dos outros.
É uma distinção entre muitos da espécie humana, o indivíduo passa a ter
suas características próprias em confronto com as outras pessoas, ele tem sua
identidade social que o diferencia.
O que de fato representa a identidade social, definida pelo conjunto de
papéis que os indivíduos desempenham, atendem basicamente, à manutenção das
relações sociais.
A questão é: “identidade social” e “papéis” exercem uma mediação ideológica,
ou seja, criam uma ilusão; de que os papéis são “naturais e necessários” e que a
identidade é consequência de “opções livres” que fazemos no nosso conviver social,
quando, de fato, são as condições sociais decorrentes da produção da vida material
que determinam os papéis e a nossa identidade social. (LANE, 2006, p. 22).
É diante dessa questão que Silvia Lane fala da importância de levantar o
problema da “Consciência de Si”, que ao invés do indivíduo apenas reproduzir o
esperado pelos grupos que os cercam e ser julgado bem ajustado, este indivíduo o
questiona a sua história de vida, sabendo de onde veio, encontrando as razões
históricas da sociedade, do grupo social, procurando saber o porquê de poucos que
dominam e muitos são dominados através da exploração da força de trabalho.
Assim, somente questionando os papéis quanto a sua determinação e suas
funções históricas, dessa forma é que o indivíduo consegue ser um agente de
mudança social, pois quando um sujeito tem consciência de Si, é mais fácil chegar à
consciência social.
Outro aspecto importante mostra Silvia Lane, é a questão da linguagem
inserida em todas as atividades sociais: artes, religião, modas, tecnologias,
educação, formas de lazer, etc., mostra-se como instrumento e produto social e

51
histórico, se articula com significados objetivos, abstratos, metafóricos, além dos
neologismos e gírias de cada época “Não somente como forma de meio de
comunicação, a linguagem está nos rituais, sinais, gestos e etc. Ela surge para
transmitir ao outro o resultado, os detalhes de uma atividade ou da relação entre
uma ação e uma consequência”.
A linguagem tem o poder de manipulação, meio de comunicação e influência.
O agir, o pensar e o falar estão muito ligados, o problema é que em muitas situações
as pessoas separam essas coisas. Falam sem pensar, pensam e não agem, falam,
mas não agem e por aí vai.
E para que não haja alienação e nem a lavagem cerebral, Silvia Lane fala
que: A contramedida do poder da palavra se encontra na própria natureza do
significado: é ampliá-lo, é questioná-lo, é pensar sobre ele e não, simplesmente, agir
em resposta a uma palavra.
Entre a palavra e a ação deverá sempre existir o pensamento para não
sermos dominados por aqueles que detêm o poder da palavra. (LANE, 2006, p. 32).
Quando o individuo é capaz de confrontar as representações sociais com suas
experiências e suas ações, e com as de outros do seu grupo social, é que este
indivíduo será capaz de perceber o que é ideológico nas representações e ações
consequentes.
De outra forma, pensar a realidade e os significados atribuídos a ela,
questionando de forma a desenvolver ações diferenciadas, isto é, novas formas de
agir, que por sua vez serão objeto do seu pensar, é que o permitirá desenvolver a
consciência de si mesmo, de seu grupo social e de sua classe como produtos
históricos da sociedade, cabendo a este ser agente da sua história pessoal e social,
decidindo manter ou transformar a sociedade.

REFERÊNCIA:

Lane, Silvia T. Maurer O que é psicologia social / Silvia T. Maurer Lane. —


São Paulo : Brasiliense, 2006. — (Coleção primeiros passos ; 39)

Narvaz, M. & Koller, S.H. 2004 – Família e Patriarcado: da prescrição


Normativa à Subversão Criativa. ( Universidade do Rio Grande do Sul).

52
Estudo Dirigido P2 – Psicologia Social

Ética e paradigmas na psicologia social Ética e paradigmas – Pedrinho A.


Guareschi

1- Qual a dimensão ética, concepção de ser humano, visão de sociedade e de


prática social cada um dos três paradigmas (liberal-capitalista, Comunitário-Solidário
e Coletivista-totalitário) citados destacam?

R: Para entendermos o paradigma liberal-capitalista, vamos lembrar que ele


foi forjado a partir da dissolução da ordem feudal. “O homem livre pode agora vender
sua força de trabalho”. Esse homem vai ser entendido como uno, permeado por uma
ética individualizante e egocêntrica; o outro não existe, assim como a concepção de
social que passou a existir como capitalismo. É esse capitalismo adjetivado de

53
liberal, e cujo lema filosófico vai se concretizar como liberal dentro da concepção de
ser humano indivíduo. A conduta desse indivíduo tipifica o individualismo, e mesmo
o egocentrismo, ambos, vão gerar relações de competitividade entre os indivíduos, e
contextualizar seu dogma que preconiza uma competição promotora do progresso.
Tal competição se dá por processo natural de eliminação dos fracos e prevalência
dos fortes; na verdade, um será sempre excluído, uma vez que a filosofia liberal não
comporta solidariedade.
Por outro lado, podemos pensar no paradigma comunitário-solidário,
certamente, poderemos ter concepções diferenciadas de ser humano, de ética, de
comportamento e práticas sociais. Inicialmente, já sinalizamos para um ser humano
visto como pessoa, e mesmo que, diferentes concepções; possamos ter de pessoa,
identificamos a que preconiza a existência de um em dependência do outro, essa é
a relação, uma coisa não pode ser, sem a outra. Para fechar entendimento, ficamos
com Marx, quando diz: ser humano a soma total de suas relações. Quanto a essa
relação ética podemos falar do solidarismo, mas com reservas; também tem o
personalismo, e muitos outros poderiam encaixar aqui, mas, a uma dimensão
valorativa podemos falar de comunitarismo, como o que possa expressar o melhor
conceito de comunidade, e entender a sociedade composta por pessoas com vez e
voz. Elas se comportam e se relacionam a partir de solidariedade, partilha, e
cooperação; relações igualitárias e fraternas as identificam, somando-se a isso,
temos uma participação simétrica a partir de ações e diálogos comunicativos.
Por fim, e não menos importante, é falar do paradigma coletivista-totalitário.
Nessa perspectiva, o ser humano é pedaço de um todo sem personalidade, pois não
há interesse nele, e sim, o todo representativo que pode ser um grupo, o estado, a
organização, ou mesmo um partido. Tal condição identifica e formula uma ética
totalitária, nessa ética, temos um social à coisificação, e o comportamento se traduz
na massificação, no anonimato, em que processos burocráticos vão transformar
pessoas em coisas vendáveis a organizações que estão acima de tudo e todos
subordinados a máquinas sobre seres humanos.

Sobre a emergência do pensamento psicossociológico na França, Alemanha,


Grã-Bretanha e Estados Unidos — slides de sala.
1- Resuma as principais características e contribuições para o campo da
psicologia social de cada uma delas, brevemente.

54
R: Quando falamos em psicologia social e seu desenvolvimento, temos na
França a filosofia positivista que condicionou a evolução posterior das ciências
sociais. Algumas ideias teóricas resultaram em importância para a formação da
psicologia social nesse período, e podemos relacionar a sociologia de Émile
Durkheim, em cujo conceito de representação coletiva correlacionamos como
antecedente da teoria das representações sociais; também temos os trabalhos de
Gabriel Tarde sobre a imitação, que exerceram grande influência na psicologia
social do início do século XX, e os estudos de Gustave Le Bron, sobre a psicologia
das massas. O positivismo, de certa forma, ao estabelecer os três estágios do
pensamento, seja: teológico, metafísico e positivo, sendo o último o precursor para
adoção do método científico, e consequentemente estabelecer a psicologia como
disciplina científica.
Na Alemanha, o positivismo influenciou sobremaneira o desenvolvimento das
ciências sociais, e a psicologia como disciplina científica muito esteve vinculada à
fisiologia e psicofísica. Nesse permeio, a mente como objeto de estudo da psicologia
e a perspectiva analítica e a utilização da introspecção e do método experimental,
foram bases para a fundação da psicologia experimental de Wundt. A Psicologia dos
povos; pode-se dizer; também se mostrou profícua quanto à pretensão de ser
definidora do objeto da psicologia social. Vale resaltar que Dilthey também contribuiu
com suas ideias que encontraram continuidade na psicologia social. Outras ideias
foram marcadas pelo pensamento marxista, quanto à análise psicossociológica dos
processos mentais e da ação social. Outra importante contribuição à psicologia
social foi a perspectiva dialética hegeliana vista por Marx.
Ainda falando de contribuições à psicologia social, a teoria social britânica é
importante referencial, quando falamos das teorias evolucionistas e sua influencia as
ciências sociais. Por outro lado, Spencer, de forma indireta, falando dos instintos,
influenciou Mc Dougall em sua psicologia social.
Outro ambiente profícuo à psicologia social foi os Estados Unidos; mesmo
ocorrido pouco depois que na Europa, seu desenvolvimento se deu em rápida
expansão. Inicialmente podemos relacionar as ideias de Tarde a inspiração
americana em produzir psicologia social. O pragmatismo de Peirce, James, Dewey e
Mead, mesmo que segundo a ótica de cada um, muito contribuiu para o
desenvolvimento da psicologia social sociológica americana. Assim, o pragmatismo

55
foi a primeira filosofia tipicamente americana que deu origem à psicologia
funcionalista e à sociologia.

Sobre o surgimento da Psicologia Social na América Latina e no Brasil —


Livro História da Psicologia Social, cap. 3 (1 e 2) e 4 (3-4).

1- Sobre a "crise da psicologia social", quais foram os aspectos e


questionamentos à psicologia social moderna, baseada no modelo europeu e
americano?

R: Convém relacionarmos que a crise da psicologia social moderna teve início


na década de 60 e foi marcada pela questão das criticas as propostas de
acumulação de dados de pesquisa para em seguida se checar à formulação de
teorias globalizadoras. Vários outros questionamentos serão apresentados à
psicologia social norte-americana, no entanto, é na Europa que estas críticas são
mais incisivas e contundentes. A denúncia do seu caráter ideológico e mantenedor
da ordem social estabelecida passa a ser objeto de reflexão para os psicólogos
sociais em geral. Na América Latina, a psicologia social reproduzia os
conhecimentos desenvolvidos nos Estados Unidos e na Europa. A busca de "leis
universais" que regem o comportamento dos indivíduos impedia que se pensasse
em teorias que atendessem as questões dos países latino-americanos, que
apresentavam sociedades e culturas diferentes da norte-americana e europeia. Uma
outra importante crítica as formulações positivistas no campo da psicologia social foi
a constatação de que não há neutralidade na formulação de nossos conhecimentos;
somos parte do fenômeno analisado e ele é parte de nós mesmos. Ainda
considerando as criticas a psicologia social, na concepção americana, ela será mais
precisa com vistas a uma redefinição da psicologia social. Embora a crise da
psicologia social no Brasil tenha o significado de busca de novas teorias que
fundamentassem a ação social do psicólogo em nosso meio, não podemos deixar de
considerar a continuidade da influência exercida pela psicologia social norte-
americana.
Mesmo sobre esse domínio, no Brasil, Silvia Lane já apontava para a
necessidade de se buscar caminhos próprios para a psicologia social em nosso
país, que atendessem a nossa realidade cultural, social e política. Um dos sinais da

56
crise da psicologia social a partir dos anos 60 foi a busca, por um lado, do
atendimento da necessidade de intervenção social para a melhoria das condições de
vida das sociedades, e por outro, a tendência de contrariedade ao rigor da
metodologia experimental de laboratório. Este dilema colocava, de um lado, a
psicologia social norte-americana que tinha a preocupação de reproduzir o modo de
fazer ciência das ciências naturais, mas que a partir do final da década de 60,
também buscava responder as necessidades de relevância em suas pesquisas; e
em uma posição distinta, uma outra maneira de pensar a psicologia social, que se
configurava a partir de críticas ao modelo positivista de ciência e que passou a
sustentar como uma de suas preocupações a busca da relevância social. Se por um
lado, ambas as teorias buscavam responder à questão da relevância, por outro, a
resposta apresentada por estas abordagens é bastante diferente. A psicologia social
norte-americana via essa questão a partir do uso dos conhecimentos da psicologia
para a solução de problemas sociais, o que se denominou de tecnologia social. Em
discussão no Brasil, esta questão será vista de forma controversa; se para
Rodrigues a psicologia social é uma ciência básica que permitiria a solução de
problemas sociais, para Lane, tal concepção poderia transformar o psicólogo em
agente de adaptação.

2- Sobre o movimento que acontece nas universidades de questionamento da


"função da psicologia social", qual foi a demanda buscada, e o que passou a ser
valorizado na ação dos psicólogos?

R: Com o fim da ditadura, a partir dos anos 80, passou-se a questionar a


função social da psicologia. Em um momento, perguntava-se a atuação da
psicologia fora de seus locais históricos, e mesmo, o discurso marxista, e a
valorização social e histórica do homem; de certo, tais questões sinalizavam para
valorização dos aspectos sociais, políticos e histórico. A partir dessas e outras
questões, os estudos apontaram para ações referentes às práticas dos psicólogos
de orientação social,quando tais ações vão caracterizar os direitos humanos, a
precarização do trabalho, as questões de saúde pública, assistência ao usuário de
saúde mental, os problemas étinico-raciais, e muito mais. Por fim, podemos
considerar que o fundador da Psicologia Social, questionou em como a pessoa
poderia ser construtor e construído, causa e consequência nas relações sociais; fato

57
que motivou estudiosos a busca de respostas para as crescentes tensões sociais
desencadeadas no contexto das relações pessoais. Assim, uma nova psicologia
social se ensaia a partir de uma posição mais crítica em relação à realidade social,
buscando superação das limitações conceituais de social, e aprofundando seu
conhecimento a respeito da natureza social do fenômeno psíquico.

3- Quais impactos têm a Psicologia na manutenção de injustiças sociais?

R: O impacto que a psicologia tem na manutenção de injustiças remonta a


seu processo sócio-histórico, e mesmo a construção social em relação à função
mesmo da psicologia. Segundo Baró, em sociedades tão contrapostas, o sistema
sociopolítico sempre sofrerá impacto a partir do exercício da psicologia; negar esse
impacto, ou se será maior ou menos, é pensar o quando a política pode nele
interferir.

4- O que propõe a Psicologia da Libertação? Seria ela uma nova


especialidade da Psicologia?

R: A psicologia da libertação se caracteriza enquanto proposta critica da


psicologia social, o que preconiza Baró, ao sinalizar que a psicologia deve estar
orientada para a libertação dos povos oprimidos e não para hedonismo científico.
Segundo Cecília Santiago, “fazer uma psicologia política que leve em conta o poder
social na configuração do psiquismo humano e que, portanto, contribua para
construir um novo poder histórico como requisito de uma nova identidade
psicossocial das maiorias até hoje dominada”. Assim, é importante destacar que a
psicologia da libertação não se dirige a nenhuma área especifica da psicologia, e
nem mesmo é ela uma nova área de especialização. Trata-se tão somente de um
projeto ético-político que visa orientar pesquisas em diferentes campos e práticas da
psicologia, nos mais variados contextos social.

Racismo — material CFP e documentado

1- Considerando o período de escravização no Brasil, qual a importância das


políticas públicas para o negro ainda nos dias atuais?

58
R: Se considerarmos o momento em que legalmente deixa de existir a
escravidão no Brasil, e aí, iniciou-se grandes lutas para se garantir direitos sociais,
constitucionais, ao povo negro; certamente, que as políticas públicas de afirmação,
bem como, as ações afirmativas, todas, são importantes. "Ações afirmativas são
medidas especiais e temporárias, tomadas pelo Estado e/ou pela iniciativa privada,
espontânea ou compulsoriamente, com o objetivo de eliminar desigualdades
historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidade e tratamento,
bem como compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização, por
motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros". (Ministério da Justiça, 1996,
GTI População Negra). Creio que muito ainda falta para curar a ferida da injustiça e
do descaso para com o povo negro, mas o nosso empenho em garantir essa falta
está, não só nas lei, mas, e principalmente, na conduta de todos a favor da isonomia
social.

2- O que seria democracia racial?

R: Para o antropólogo brasileiro-congolês Kabengele Munanga, enquanto é


um mito dizer que o Brasil vive uma democracia racial. Na opinião dele, enquanto o
país não admitir o racismo estrutural presente na sociedade e os dados de violência
contra população negra aumentarem, será difícil enfrentar o genocídio negro. De
acordo com o pesquisador, a primeira atitude para combater o racismo é admitir a
existência do problema. Se a população e as autoridades ignoram o racismo, não há
como fazer políticas públicas para combatê-lo.

3- O que a Psicologia tem a ver com as questões raciais?

R: Quando pensamos o que a psicologia tem a ver com as questões raciais,


precisamos pensar nos principais elementos que constituíram o pensamento, a
história e os posicionamentos éticos e políticos da Psicologia brasileira no que se
refere às relações raciais. Estes elementos devem estar alinhados a um primeiro
debate que se inicia no fim do século XIX, no qual o pensamento psicológico sobre o
problema racial descreve o negro como “objeto da ciência”; a ideia de raça é, neste
ponto

59
da história, determinada biologicamente; também o período compreendido
entre 1930 e 1960, caracterizado pelo impacto da obra de Gilberto Freyre, em que o
conceito de raça aparece como determinante cultural e posteriormente foi marcado
pela crítica ao mito da “democracia racial”; ainda a isso, um momento que se inicia
no fim da década de 1970, sob influência de estudos de desigualdades raciais, da
abertura política e do processo de redemocratização do país, quando os
movimentos sociais negros, através de seus atores, ativistas e intelectuais,
produzem a ideia de raça como constructo social e pautam uma agenda política
redefinindo o debate racial, e na qual a Psicologia passa a discutir o negro não mais
como “objeto da ciência”, mas sim como agente produtor de sua própria história.
Como se percebe, a psicologia tem muito a ver, quando seu objeto é constituinte da
única raça que existe no mundo nosso, que é a raça humana.

FIGUEIREDO, L. C. A invenção do psicológico: quatro séculos de


subjetivação (1500- 1900). São Paulo: Escuta, 2007

A GESTAÇÃO DO ESPAÇO PSICOLÓGICO NO SÉC. XIX: LIBERALISMO,


ROMANTISMO E REGIME DISCIPLINAR

RESUMO

Quando falamos sobre a gestão do espaço psicológico no século XX, na


perspectiva de Figueiredo (2007), atentamos para o esquema construído por ele, ao
colocar em forma de triangulo as concepções do Liberalismo, do Romantismo e do
Regime Disciplinar, juntamente com as correntes filosóficas e seus protagonistas em
uma junção dos vértices, como corroborando as ideias e práticas de organização da
vida em sociedade; sejam o Liberalismo, o Romantismo, e o Regime Disciplinar.
Para esse autor, as junções do referido triangulo, sejam: o Liberalismo
romântico; o Liberalismo disciplinar; o Romantismo disciplinar, todos, de certa forma,
com seus pensadores, vão caracterizar alguns aspectos das Psicologias claramente
próximas à junção dos vértices a que se associam.

60
Ao considerar o Liberalismo, temos em John Locke (1632-1704) como
signatário, nos dando a conhecer a Divisão entre Público e Privado, o que pode
ser entendido no modelo da Pólis Greco-Romana.
Ainda temos a Divisão dos Poderes, no entendimento de que o Estado
nasce de um acordo tácito (livremente firmado) entre indivíduos autônomos para
garantir seus interesses. Ao Estado caberiam tão somente regular as relações entre
indivíduos para que nenhum tivesse seus direitos violados pelos demais.
Para realizar tal intento, a separação de poderes era fundamental limitar o
alcance e a força destes poderes que estariam subordinados salvaguardar os
direitos individuais, dentre os quais; a liberdade e a propriedade.
Tais poderes: o Executivo, o Legislativo, e o Judiciário, a valorização das
tradições locais, experiências particulares, a ênfase na jurisprudência, tudo isso,
parte do espírito do Liberalismo Clássico, comporia as ideias políticas que criariam
terreno fértil para desenvolvimento de uma sociedade individualista e atomizada.
A esse pensamento, que nos remete a gestão de uma sociedade
individualista e atomizada, nos cabe revelar que nesse contexto, a atomização
social e a individualização extrema antecedem os movimentos de massa: “A
verdade é que as massas surgiram dos fragmentos da sociedade atomizada, cuja
estrutura competitiva e concomitante solidão do indivíduo eram controladas apenas
quando se pertencia a uma classe” (FRICKMANN, 2009, p. 10 apud ARENDT, 1989,
p. 366).
Por fim, temos o Liberalismo Político versos o Liberalismo Econômico; nesse
contexto, o Estado Liberal vai acarretar o Neoliberalismo (Welfare State 11); o
Liberalismo Econômico ( Final do século XVIII – Início do XIX), no qual, pode-se
compreender a regulação da sociedade pelo mercado.
O outro vértice, composto pelo Romantismo, de algum modo vai referenciar
a passagem da liberdade negativa (não interferência) à liberdade positiva
(autonomia-empoderamento). A esse respeito podemos observar na literatura de
José de Alencar, na obra, “Senhora”, Aurélia Camargo e a mulher que “compra”.
Nesse vértice, entende-se a criação de uma individualidade, ou mesmo,
personalidade; não definida pelo isolamento ou privacidade nem mesmo identidade

11
Estado de bem-estar social, Estado-providência ou Estado social é um tipo de organização política, econômica e sócio-
cultural que coloca o Estado como agente da promoção social e organizador da economia. Nesta orientação, o Estado é o
agente regulamentador de toda a vida e saúde social, política e econômica do país, em parceria com sindicatos e empresas
privadas, em níveis diferentes de acordo com o país em questão. Cabe, ao Estado do bem-estar social, garantir serviços
públicos e proteção à população. (Em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_de_bem-estar_social) 18/09/2019 às 11:20

61
social, mas, por uma transcendência que confere integração às coletividades e
tradições.
Dessa forma, o Romantismo passa da simples noção de liberdade negativa,
para liberdade positiva, a busca de uma defesa das paixões, dos impulsos, em favor
da liberdade ao se revelar a não conservação dos papeis sociais e suas
convenções.
Dito isso, o Romantismo foi mais uma coisa de eleitos; a marginalidade era
sua força, e ao mesmo tempo o que o destinava em uma sociedade de concepções
liberais e que se organizava sob a égide do regime disciplinar.
Quando falamos do Regime Disciplinar, vamos observar Foucault e o
panóptico12; as tecnologias do poder, e o poder que atrai e repele. Como teórico
desse contexto, Tocqueville (1805-1859) sinaliza a democracia na América,
revelando-nos o estudo da individualização como maciço investimento em si mesmo,
e uma busca de autonomia em relação à coletividade.
De tudo visto, podemos dizer que ao polo do Liberalismo romântico temos
que a concepção de Stuart Mill.
A natureza humana não é máquina que se possa construir conforme um
modelo qualquer, regulando-se para executar exatamente a tarefa que se lhe
prescrever, mas uma árvore, que precisa crescer e desenvolver-se de todos os
lados, de acordo com a tendência de forças interiores que o fazem um ser vivo
(Stuart Mill, p. 67).

Ao vértice Liberalismo disciplinador vamos encontrar nesta área, as


concepções de Benthan, ao sinalizar o Utilitarismo e os direitos dos indivíduos; o
cálculo racional da felicidade e o Construtivismo racionalista.
Por fim, no vértice do Romantismo disciplinador, esta área de domínio de
Wagner; encontramos a vinculação subterrânea do Romantismo, mesmo o mais
revolucionário, com a docilização dos homens subjugados pela exibição da força, da
vontade e do poder.
Para concluir, segundo Figueiredo, em cada superfície do triangulo, será
possível perceber a afiliação das escolas psicológicas, podemos perceber que o
lado do Liberalismo romântico tem Freud que aprofunda o reconhecimento e
12
Pan-óptico é um termo utilizado para designar uma penitenciária ideal, concebida pelo filósofo e jurista inglês Jeremy
Bentham em 1785, que permite a um único vigilante observar todos os prisioneiros, sem que estes possam saber se estão ou
não sendo observados.

62
valorização da individualidade; no outro vértice, o Liberalismo disciplinador; nele
encontramos Skinner que analisa o ordenamento do Estado; e na confluência do
Romantismo com Stuart Mill, temos Rogers sinalizando projeto de vida que permita
o desabrochar das virtualidades e das tendências espontâneas ao desenvolvimento
individual.

Estudo Dirigido – Psicologia Social


Segundo LANE
1. O que é Psicologia Social e o que ela estuda?
R: Psicologia Social estuda a relação essencial entre o indivíduo e a
sociedade; está entendida historicamente, desde como seus membros se organizam
para garantir sua sobrevivência até seus costumes, valores e instituições
necessários para a continuidade da sociedade. O enfoque da Psicologia Social é
estudar o comportamento de indivíduos no que ele é influenciado socialmente.
2. Qual a preocupação atual da psicologia Social?
R: A preocupação atual da Psicologia Social é conhecer como o homem se
insere no processo histórico, não apenas em como ele é determinado, mas

63
principalmente, como ele se torna agente da história; como ele pode transformar a
sociedade em que vive.
3. Defina identidade social e consciência de si mesmo.
R: Pode-se definir a identidade social como sendo o que nos define como
pessoas, compreendendo o conjunto de papéis que desempenhamos; o fato de viver
em grupos nos permite o confronto entre as pessoas e cada um vai construindo o
seu “eu” neste processo de interação, através de constatações de diferenças e
semelhanças entre nós e os outros. Assim, é nesse processo que desenvolvemos a
individualidade, a nossa identidade social e a consciência de si mesmo.
4. De que modo o sistema educacional, a família, e o trabalho,
reproduz as relações de dominação social?
R: As relações de poder perpetuam a dominação social. Na família, a
instituição familiar é, em qualquer sociedade moderna, regida por leis, normas e
costumes que definem direitos e deveres dos seus membros e, portanto, os papéis
sociais deverão reproduzir as relações de poder da sociedade em que vivemos. A
escola, diferentemente da família, atua no processo de reprodução das relações
sociais; pois agora não é tanto a autoridade o que tem de ser valorizada, pois esta já
foi garantida através da família, mas sim o individualismo e a competição. Sabendo-
se que escola e família, são produtoras da mão de obra para o sistema de
sobrevivência, e que a escola diferenciará essa mão de obra em pensante e braçal,
tal formatação, nos permite entender como o trabalho que modifica a natureza, ao
produzir a subexistência do Homem, também produz o homem. O mesmo inserido
na produção dos bens materiais que, além de atender a subexistência social, visa o
lucro e o aumento do capital e para tanto deve, necessariamente, explorar a força de
trabalho de muitos. É no processo de acumulação de bens que o capital se apodera
dos meios de produção, fazendo com que a mercadoria não seja apenas o produto
fabricado, mas também a força de trabalho, e as próprias relações sociais
decorrentes; em outras palavras, os homens se tornam mercadorias. Assim, Família,
Escola e Trabalho, são instituições que reproduzem em si as relações de poder,
perpetuando-as nos contextos sociais.
5. Qual o significado do trabalho como atividade social realizada
pelo homem numa sociedade capitalista?
R: O trabalho como atividade social está relacionado ao ato de produzir
subsistência. Ao pensar esse trabalho em uma sociedade capitalista, temos que o

64
trabalho que modifica a natureza, ao produzir a subexistência do Homem, também
produz o homem, e a necessidade de cooperação entre eles para produzirem seus
meios de sobrevivência. Portanto, a análise do que significa o trabalho deverá se
basear nas condições atuais da nossa sociedade Capitalista, o que significa que a
produção dos bens materiais, além de atender a subexistência social, visa o lucro e
o aumento do capital e para tanto deve, necessariamente, explorar a força de
trabalho de muitos. É no processo de acumulação de bens que o capital se apodera
dos meios de produção, fazendo com que a mercadoria não seja apenas o produto
fabricado, mas também a força de trabalho, e as próprias relações sociais
decorrentes, são alteradas; os homens se tornam mercadorias, e a relação homem e
capital, tornam-se relações de poder do capital sobre a força de trabalho. Assim, em
uma sociedade capitalista i trabalho significa mais uma mercadoria nessas relações.

Segundo FIGUEIREDO

6) Quais foram as ideias políticas que criaram o terreno favorável para o


desenvolvimento de uma sociedade individualista e atomizada?
R: Considerando que o Estado nascido de um contrato livremente firmado
entre indivíduos autônomos para garantir seus interesses, não cabia ao Estado
intervir e administrar a vida particular de ninguém, seja no plano das opiniões, seja
no da vida doméstica, seja no dos negócios, mas apenas regular as relações entre
indivíduos para que nenhum tivesse seus direitos violados pelos demais. Era
fundamental, portanto, preservar os espaços da privacidade contra os abusos
eventuais dos próprios poderes públicos, limitar o alcance e a força destes
poderes: o monopólio estatal do poder de fazer justiça e punir deveria estar
completamente subordinado à função de salvaguarda dos direitos individuais,
entre os quais se destacavam os dom à liberdade e à propriedade. Para manter
o Estado nessa condição limitada, convinha separar os poderes (Poder Executivo,
Legislativo e Judiciário), distribuí-los regionalmente (conforme o preconizado
pela doutrina federalista) e valorizar, à medida do possível, as tradições locais e
as experiências particulares. Com ênfase na jurisprudência e na consideração de
casos concretos, em detrimento de leis gerais e racionalmente construídas. Nem

65
todas estas decorrências estavam previstas por Locke, mas todas pertencem ao
mais genuíno espírito do liberalismo clássico, no qual o empirismo epistemológico
e o respeito ao espaço privado são as duas faces do mesmos apego ao particular,
ao individual. Foram essas as ideias políticas que criaram o terreno favorável
para o pleno desenvolvimento de uma sociedade individualista e atomizada.

7) De que modo os três polos de ideias e práticas de organização da vida


em sociedade: Liberalismo, Romantismo e Regime Disciplinar; contribuíram
para a gestão do espaço psicológico no século XIX?

R: Os polos contribuíram com as variadas escolas psicológicas, subsidiando-


as com suas ideias, as quais criaram vértices de confluência a partir de possíveis
similaridades ideológicas. Assim, formando um triângulo, cujos vértices, as junções
de ideias, vão revelar a adesão das escolas psicológicas. Sejam: Liberalismo com
Romantismo; Liberalismo com Regime Disciplinar; Romantismo com Regime
Disciplinar. As diversas versões contemporâneas da psicologia, que se
estabelecerão nesse território no final do século XIX e início do XX, vão se
aproximar mais ou menos de uma das três superfícies dos vértices. Há psicologias
claramente próximas ao comportamentalismo disciplinador. Há outras mais próximas
da superfície a ‘psicologia do self; há as que se aproximam das ideias libertárias,
expressivistas, profundamente domesticadoras; aqui se encaixam todos os ‘gurus
bruxos e ‘fazedores de cabeça’, quase que independentemente de suas ideias, se é
que as têm. (FIGUEIREDO, 2007).

Segundo COIMBRA

8. O que são direitos humanos?

R: Segundo Coimbra, as diferentes práticas sociais vão produzir diferentes


entendimentos do que sejam direitos humanos; o que segundo a autora, nos conduz
pensar em direitos humanos como o que deve ser forjado por determinadas práticas
e movimentos sociais.

66
9. Comente o que Cecília Coimbra explica sobre Deleuze, a respeito dos
direitos humanos serem desde sua gênese ter servido para levar aos
subalternizados a ilusão de participação?

R: Ao iniciar o artigo falando de como surgiu à ideia de direitos humanos, ou


seja, uma criação de determinada classe social, na França; ela corrobora a fala de
Deleuze, e nos diz que: “apesar dos desrespeitos aos direitos humanos que
cotidianamente assistimos, é fundamental que não naturalizemos a luta por esses
mesmos direitos. Isso nos aponta para a urgente necessidade de se pensar um
pouco sobre as gêneses desses direitos humanos articulando-as com a emergência
do capitalismo industrial”. (Coimbra, 1998)

10. No Brasil, como emergiu a luta pelos direitos humanos?


R: Pode-se dizer que emergiram dos movimentos contra a Ditadura Militar.
Também podemos falar dos novos movimentos sociais que se efetivaram
ainda no período repressivo, na segunda metade dos anos 70, e das práticas que
começaram a rechaçar os movimentos tradicionalmente instituídos e que politizaram
o cotidiano nos locais de trabalho e moradia, inventando novas formas de fazer
política. Não menos importante é falar dos que empreenderam lutas por melhores
condições de vida, trabalho, salário, moradia, alimentação, educação, saúde e pela
democratização da sociedade.

REFERÊNCIAS:

COIMBRA, C. M. B. – “Cidadania Ainda Recusada: o Plano Nacional de


Direitos Humanos e a Lei Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos” in Psicologia,
Ética e Direitos Humanos – Brasília, C. F. P., 1998.

FIGUEIREDO, L. C. A invenção do psicológico: quatro séculos de


subjetivação (1500- 1900). São Paulo: Escuta, 2007.

67
LANE, Silvia T. Maurer O que é psicologia social / Silvia T. Maurer Lane. —
São Paulo : Brasiliense, 2006. — (Coleção primeiros passos; 39)

História da psicologia – Considerações

1. Interesses do movimento Funcionalista.

R: Os Interesses do movimento funcionalista estão centrados no estudo das


funções da consciência, e posteriormente, aos problemas cotidianos em relação ao
comportamento e a adaptação do homem nos diferentes ambientes. ( p.148 –
fundação do funcionalismo). Um dos principais conceitos dos funcionalistas é
compreender como os processos psicológicos buscam adaptar o indivíduo ao seu
meio ambiente.

2. A característica central de um teste psicológico das funções


cognitivas de acordo com o funcionalismo.

R: De acordo com o funcionalismo, o processo sensório motor seria ideal para


medir a inteligência. (p.166 – O movimento dos testes psicológicos)

3. O fluxo de consciência proposto por William James.

R: A ideia de James é de que a consciência é um processo de fluxo contínuo


e qualquer tentativa de reduzi-la a elementos pode distorcê-la. De forma geral, o que
se propõe é que a consciência está em constante mutação, ininterruptamente,
concentrando-se sobre determinadas impressões e sensações, enquanto ignorando
outras. (p.136 – a nova visão sobre a consciência)

4. O tratamento utilizado por Lightner Witmer na clinica psicológica.

R: Consistia em um programa de avaliação e tratamento que era realizado por


psicólogos, médicos e assistentes sociais. (p.173 – As clínicas de avaliação infantil)

68
5. O reflexo condicionado e não condicionado proposto por Pavlov.

R: Segundo ele, um reflexo é incondicionado quando a reação a certo


estímulo é natural, e não depende de nenhuma aprendizagem. Os do tipo
condicionado, ocorrem quando o sujeito reage a um estimulo, ao qual, originalmente,
não respondia. (p. 201e202 – Os reflexos condicionados)

6. A aprendizagem por tentativa e erro por Thorndike

R: A teoria dele era a de que a aprendizagem com base na repetição das


tentativas que resultavam em êxito era gravada, assimilada. Mas, as que resultavam
em fracasso, eram apagadas, esquecidas. (p. 198 – As leis da aprendizagem)

7. O comportamento intencional de Tolman

R: Para Tolman, o Behaviorismo intencional, combina o estudo objetivo do


comportamento com a ponderação da intenção ou a orientação do próprio
comportamento. Para ele, toda ação visa a um objetivo, e esse é uma função de
aprendizagem. O importante é o comportamento manifesto(observável). (p.235/236
– Behaviorismo intencional).

8. O protesto de John Watson contra o funcionalismo e o


estruturalismo.

R: O protesto se dá pelo fato de ele acreditar que a introspecção não é um


método adequado para o estudo científico da mente humana. Embora o estudo da
consciência seja importante, ele deve ser realizado através do comportamento
observável do sujeito. (p.220 – A reação ao programa de Watson)

9. O objetivo da psicologia do ponto de vista do


comportamentalismo (Behaviorismo) de John Watson.

69
R: A finalidade da psicologia seria prever e controlar o comportamento.
Deveria se limitar aos dados das ciências naturais, ao que fosse passível de
observação. Limitar-se ao estudo objetivo do comportamento, utilizando-se de
métodos objetivos rígidos de investigação. (p.220 – Os métodos do Behaviorismo)

10. Os objetivos do operacionismo

R: Pode-se dizer que é a principal característica do neobehaviorismo, e


objetivava uma linguagem com terminologias mais objetivas e precisas à ciência.
Dessa forma, ela é uma doutrina que afirma ser possível definir o conceito físico com
precisão em relação ao conjunto de operações ou procedimentos que o determinam.
Por isso, pode-se dizer não ser possível determinar nem investigar a existência ou
as características da consciência por meio de métodos objetivos. Assim, de acordo
com a visão operacionista, a consciência não tem lugar na psicologia científica.
(p.234/235 – Operacionismo)

11. O comportamento operante de Skinner

R: O comportamento operante parte da seguinte premissa: ações que são


seguidas por reforço serão reforçadas e tem mais probabilidade de ocorrer
novamente no futuro. O condicionamento operante  é um método de aprendizado
que ocorre através de recompensas e punições para o comportamento. Através de
condicionamento operante, uma associação é feita entre um comportamento e uma
consequência para esse comportamento. (p.244 – O condicionamento operante)

12. Os métodos objetivos do Behaviorismo de Watson

R: Watson insistia que a psicologia se limitasse aos dados das ciências


naturais, ao que fosse passível de observação. Seus métodos eram: a observação,
com ou sem uso de instrumentos; testes; relato verbal; reflexo condicionado. Assim,
a psicologia devia limitar-se ao estudo objetivo do comportamento. (p. 220 – Os
métodos do Behaviorismo)

70
13. A eliminação da introspecção pelo sujeito humano no laboratório
de Watson

R: Watson manteve a tradição atomista e mecanicista, com esse enfoque


exclusivo nos métodos objetivos e a eliminação da introspecção significaram uma
mudança na natureza e no papel do sujeito humano no laboratório de psicologia.
Assim, no Behaviorismo, os indivíduos se tornaram menos importantes; não mais
observavam, passaram a ser observados pelos pesquisadores. Com essa mudança
de enfoque, o indivíduo humano do laboratório, normalmente chamado observador,
passou a ser conhecido como sujeito. (p. 221 – final)

14. A reação do indivíduo aos estímulos na teoria social cognitiva de


Bandura

R: Para Bandura, respostas comportamentais não são disparadas


automaticamente por um estímulo externo, como uma máquina. Ele enfatiza a
influência dos esquemas de reforço externo dos processos de pensamento, tais
como crenças, expectativas e instrução (conhecimento). Assim, as reações aos
estímulos são autoativadas, iniciadas pela própria pessoa. Ela tem consciência da
resposta que está sendo reforçada e antecipa a recepção do mesmo reforço ao
repetir o comportamento da próxima vez em que a situação ocorrer. Não é
necessário receber sempre um reforço para se aprender algo, a aprendizagem pode
ocorrer por meio do reforço vicário, ou seja, mediante a observação tanto do
comportamento das outras pessoas, como das consequências dele advindas. Por
isso há uma tendência do individuo modelar seu comportamento com base nas
pessoas de mesmo sexo e idade, ou mesmo de prestigio social superior. Também
pode ser constatada a tendência de imitar comportamentos mais simples aos mais
complexos, havendo forte apreço por comportamentos agressivos e hostis,
principalmente por crianças. Assim, o que se vê nas mídias ou vida real, muitas
vezes determina nosso comportamento. (p. 251/252 – A teoria social cognitiva).

15. Os princípios da organização perceptiva do gestaltismo.

71
R: Os princípios de organização perceptual da Gestalt são: Proximidade,
figuras próximas tendem a serem percebidas juntas; Preenchimento, tendência em
completar figuras incompletas; Continuidade, tendência em seguir direção
especifica para conectar elementos num contínuo; Semelhança, figuras similares
tende a serem vistas juntas; Simplicidade, tendência a ver figuras de boa qualidade
mesmo sob condição de estímulos. (p. 268 – Os princípios da Gestalt...)

16. O espaço vital na teoria de Lewin.

R: A teoria do espaço vital compreende todos os acontecimentos do passado,


do presente e do futuro que nos afetam. Do ponto de vista psicológico, cada um
desses fatos determina algum tipo de comportamento em uma situação específica.
Dessa forma, o espaço vital consiste na necessidade de as pessoas interagirem com
o ambiente psicológico. (p. 278 – O espaço vital)

17. O rompimento do estado de equilíbrio entre o sujeito e o seu


ambiente segundo Lewin.

R: Lewin propôs a existência de um estado básico de balanço ou equilíbrio


entre o indivíduo e o ambiente. Qualquer perturbação desse equilíbrio provoca uma
tenção que, por sua vez, conduz a alguma ação em um esforço de avaliar a tensão e
restabelecer o equilíbrio. Assim, para explicar a motivação humana, Lewin
acreditava que o comportamento envolve um círculo de estados de tensão ou
estados de necessidade seguidos de atividades e alívio. Há uma tendência de nos
lembrarmos com mais facilidade das tarefas não completas do que das tarefas
completadas. (p. 279 – (A motivação e o efeito Zeigarnik)

Psicologia do Desenvolvimento – considerações sobre ciclo vital

1 – A partir da história da psicologia do desenvolvimento, descreva:

72
a) Como o desenvolvimento humano é atualmente compreendido dentro do
ciclo vital?

R: Pode-se dizer que o desenvolvimento humano no contexto do ciclo vital


compreende algumas influências, sendo elas: a hereditariedade que é sua carga
genética, o crescimento orgânico que trata do aspecto físico, como a maturação
neurofisiológica, fato que torna possível o desenvolvimento comportamental, tudo
isso, compreendendo-se os ambientes em que os indivíduos estão inseridos.
(BOCK, 2015). Assim, pode-se dizer que a ciência do desenvolvimento refere-se ao
conjunto de estudos interdisciplinares que se dedicam a entender os fenômenos
relacionados com o desenvolvimento humano, englobando as áreas social,
psicológica e biocomportamentais, considerando o indivíduo como ser biológico
inserido em determinado tempo e espaço, o que implica enfatizar as mudanças
biológicas, temporais, culturais e sociais. O seu foco de análise varia desde os
eventos genéticos até os processos culturais, desde os fisiológicos até as interações
sociais, com os padrões de adaptação sendo entendidos mediante interações dos
níveis internos e externos ao indivíduo. ( Dessem, 2005).

b – Quais são as principais áreas de conhecimento que a psicologia do


desenvolvimento faz interface?

R: A Psicologia do Desenvolvimento Humano estuda o desenvolvimento do


ser humano nos aspectos; intelectual, social, físico, emocional, desce o nascimento
até a idade adulta. Ela estuda como a cognição se desenvolve e como o
comportamento muda durante a fase de crescimento, trazendo uma multiplicidade
de conhecimentos para o campo da psicologia aplicada. Muitas disciplinas
perpassam o estudo do desenvolvimento humano, dessa forma faz interface com
diversas áreas do conhecimento como: a biologia, antropologia, sociologia,
educação, medicina entre outras.

c – Caracterize a psicologia do desenvolvimento humano.

73
R: A Psicologia do desenvolvimento é o estudo das mudanças emocionais e
comportamentais relacionadas a cada idade ou etapa da vida. Essas mudanças
envolvem as habilidades motoras, habilidades em solução de problemas,
entendimento conceitual, aquisição de linguagem, entendimento da moral e
formação da identidade. Assim, o estudo do desenvolvimento humano busca
compreender os diferentes períodos da vida; o desenvolvimento de cada pessoa
está sujeito a influências internas e externas, envolvendo a família, a escola, a
cidade, a condição socioeconômica, a etnicidade e a cultura de um modo geral.

2 – Disserte sobre o objeto de estudo da psicologia?

R: É pertinente sinalizar, que a Psicologia, remete a uma diversidade de


objetos quanto a seu estudo, o que nos permite dizer ser a Psicologia uma ciência
recente, final do século XIX. Ainda no corrente pensamento, por ser o Homem seu
objeto de estudo, ele, o Homem, apresenta-se diante da ciência em meio a várias
concepções, e é certo pensar, que o homem pesquisador se confunde com o objeto
de apreciação da Psicologia.
Em face do exposto, é necessário considerar que o objeto da Psicologia se
apresenta como a síntese da subjetividade; e esta, caracteriza-se por ser a
singularidade de cada um de nós; é o que construímos a partir de nossas
experiências de vida inseridos no contexto humano.
Tal pensamento; de algum modo, corrobora a compreensão de que a
subjetividade não é inata, visto há necessidade de existir a vivência de mundo
externo para que ela, a subjetividade, possa existir. Tal construção ocorre
gradativamente, na medida em que o ser modifica o mundo exterior.
Consequentemente a isso, podemos admitir que a subjetividade, de algum modo,
não seja inata. Considerando toda as dificuldade na conceituação única do
objeto de estudo da Psicologia, optamos por apresentar uma definição que
lhe sirva com o referência, uma vez que vamos nos deparar com diversos
enfoques que trazem definições específicas desse objeto, (o comportamento, o
inconsciente, a consciência...).( Bock, 2015.)

3 – Diferencie baby blues e depressão pós-parto?

74
R: A principal diferença entre o Blues puerperal e a Depressão é o tempo.
Enquanto Baby Blues costuma durar aproximadamente 15 dias, causado apenas
pelas alterações hormonais, a Depressão Pós-Parto não passa e são raros os
momentos de felicidade. Baby Blues não é um princípio de Depressão ou uma
chance de desenvolvê-la. “Alguns fatores podem influenciar na Depressão Pós-
Parto, dentre eles doenças psiquiátricas prévias, falta de suporte familiar,
dificuldades físicas e emocionais durante a gestação ou alguma doença no bebê”.

4 – Quais são os principais fatores que determinam o desenvolvimento


humano?

R: Pode-se dizer que os principais fatores que determinam o desenvolvimento


humano, sejam a interação de fatores hereditários e ambientais. A hereditariedade
parece definir os limites superiores do crescimento e das mudanças, enquanto os
fatores ambientais afetam o grau em que os limites superiores são alcançados.
(Feldman, 2015:338).

5 – Considerando as principais características do desenvolvimento da 1ª


infância, responda:

a – Quais fatores essenciais para a garantia do desenvolvimento físico motor?

R: Podemos nesse período identificar dois fatores essenciais para o


desenvolvimento infantil; o primeiro é o processo alimentar, ou mesmo, a nutrição,
que evidentemente é o componente fundamental para a biologia humana.
Decorrente dessa, podemos falar da saúde, que, de certa forma, só é considerado
saudável um indivíduo bem alimentado. Nesse caso não basta boa alimentação,
mas também uma saúde mental compatível com as fases pelas quais a criança está
submetida. Também podemos acrescentar a isso, a questão dos estímulos, e
entender que na fase sensório-motora, ainda não há a função semiótica, ou seja, as
representações que levam em conta os signos sob todas as formas e manifestações
que assumem; seja linguísticos ou não. Assim, os estímulos proporcionados pelo
meio, especialmente no contexto educacional, interferem no desenvolvimento das

75
estruturas intelectuais mais complexas da criança, acabando por interferir na sua
capacidade para o progresso da aprendizagem.

b – Descreva as principais divisões do estágio sensório motor.

R: O estágio em questão estende-se até os dois (2) anos de vida, e convém


saber que as atividades que ocorrem nesse período são de natureza prática,
resultantes das funções perceptivas e das atividades motoras que se dão no
cérebro. Assim, nessa fase se observa modificações de ordem motora e perceptiva.
A inteligência é prática e não reflexiva, tal inteligência vai ser retomada em
pensamento conceitual que tende ao conhecimento enquanto realidade objetiva,
submetendo-se às normas e aos critérios de verdade. No período sensório motor, de
0 a 1 mês, temos os reflexos inatos, sugar e olhar a partir da interação com o
objeto; de 1 a 4 meses, temos as reações circulares primárias que resultam das
ações em reflexos e hábitos; reações circulares secundárias, e são marcadas por
hábitos simples e intencionalidade em torno de um resultado em manter sua ação
sobre o objeto de manipulação. Também temos as reações circulares terciárias,
entre os 12 e 18 meses, quando a criança produz intencionalmente um movimento e
repete esse comportamento sempre que desejar novo objeto. A noção de
permanência do objeto se dá quando a criança percebe que o objeto permanece
existindo, mesmo quando desaparece de seu campo visual. Por fim, dos 18 aos 24
meses de vida, e antecedendo a linguagem, a criança começa a utilizar símbolos
para representar objetos e eventos. O desenvolvimento da linguagem vai
representar um marco nesse processo de transição.

c – De acordo com Freud, a estrutura sensorial mais desenvolvida nesse


período é a boca. Comente essa afirmativa.

R: Freud ao declarar tal condição, deixa claro seu pensamento de que a boca
é o veículo pelo qual a criança luta por sua sobrevivência física e afetiva, uma vez
que pela boca ela, não só prova o mundo, como também o experiência, sendo o seio
materno o primeiro objeto de ligação infantil. É pelo seio que a criança vai saciar as
necessidades físicas, mas também, é no ato de sugar que o prazer se manifesta.

76
77
REFERENCIAS:

VILELA, ANA MARIA JACÓ, História da psicologia: rumos e percursos. 3ª. Ed.
Rio de Janeiro : Nau, 2013.

MEDEIROS, CARLOS AUGUSTO de, Princípios básicos de análise do


comportamento, Porto Alegre : ARTMED, 2007.

SCHULTZ, DUANE P. e SYDNEY ELLEN, História da psicologia moderna,


tradução: Marília de Moura Zanella , Suely Sonoe Murai Cuccio e Cintia Naomi
Uemura. 10ª Ed. São Paulo : Cengage Learning , 2017.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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cobra.pages.nom.br. Internet, Brasília, 2003. Acesso em 28 de Maio de 2019.

FREUD-SIGMUND. Esboço de Psicanálise (J.O.A. Abreu, trad) Em J.


Salomão (org) Edição standard brasileira de obras completas de Sigmund Freud (vol
XXIII) Rio de janeiro: Imago (original publicado em 1940)

FREUD-SIGMUND. Três Ensaios (P.C. de Souza, trad.) São Paulo:


Companhia das Letras, 2016.

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