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01/06/2020

Filosofia da Ciência
01/06/2020

Foucault e Husserl

Edson Vizzoni

Filosofia da Ciência
Foucault *

Consideramos a ideia de
homem ou humanidade
como se fosse uma ideia
natural e eterna.
Mas uma arqueologia do nosso
pensamento mostra que a ideia de
00000000000
“homem” surgiu como objeto de
estudo no início do século XIX.

O homem é uma
invenção recente.

*Michel Foucault foi um filósofo francês que desenvolveu um método de


investigação histórica e filosófica chamado de genealogia do poder (1926-1984).

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Filosofia da Ciência
•Foucault concentrou-se no modo como o nosso
discurso (o modo pelo qual falamos e pensamos sobre
as coisas) é formada por um conjunto de regras em
grande parte inconscientes, fixadas pelas condições
históricas em que nos encontramos.
•O que julgamos como “senso comum”, por trás do modo
como pensamos e falamos sobre o mundo é, na verdade,
moldado por tais regras e condições.
•Mas como regras e condições mudam com o tempo e,
por consequência, também mudam nossos discursos, é
necessária uma “arqueologia” para identificar os limites
e condições do modo como as pessoas pensavam e
falavam sobre o mundo em tempos antigos.

Filosofia da Ciência
•Não se pode olhar os conceitos usados no presente
(como o de natureza humana) e supor que eles são de
algum modo eternos e que basta uma “história das
ideias” para traçar sua origem, sua genealogia.
•Para Foucault, é simplesmente errado supor que nossas
ideias atuais possam ser aplicadas de maneira útil a
qualquer ponto prévio na história. Para ele são exemplos
disso o modo como usamos hoje as palavras “homem”,
“humanidade” e “natureza humana“.
•As raízes dessa ideia vem de Immanuel Kant, que fez a
filosofia abandonar a antiga questão: “Por que o mundo é
como é?” para fazer a pergunta: “Por que vemos o
mundo do modo como o vemos?”

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Filosofia da Ciência
•Supomos a ideia de ser humano como fundamental e
imutável, mas ela é uma invenção recente (Foucault
situou o início dessa ideia no começo do século XIX,
época do nascimento de ciências naturais)
•A ideia de homem é paradoxal, segundo Foucault, pois
nos vemos como objetos no mundo, e dessa forma
objetos de estudo, mas também como sujeitos que
sentem e estudam o mundo. Somos criaturas estranhas
olhando para duas direções diferentes ao mesmo tempo.
•Para Foucault, a ideia de “homem” não é apenas uma
invenção recente, mas que também pode estar perto do
fim e logo “pode ser apagar como um rosto desenhado na
areia da praia”. O mundo altamente tecnológico e
individualista em que vivemos seria um indicação disso?

Filosofia da Ciência
•Para Foucault, a razão é histórica – isto é, muda com o tempo – mas
não é cumulativa, evolutiva, progressiva e contínua, e sim
descontínua, dá saltos e cada estrutura nova da razão tem um sentido
próprio, válido apenas para ela.
•Assim, uma teoria (filosófica ou científica) ou uma prática (ética,
política, artística) são novas quando rompem as concepções
anteriores e as substituem por outras completamente diferentes.
•Não é possível, pois, falar numa continuidade progressiva entre elas,
pois são tão diferentes que não se pode compará-las e julgar uma
delas mais atrasada e a outra mais adiantada.
•A teoria da relatividade, elaborada por Einstein, não é uma
continuação melhorada da física formulada por Galileu e Newton, mas
é outra física, com conceitos, princípios e procedimentos
completamente novos e diferentes. Temos duas físicas diferentes,
cada qual com seu sentido e valor próprio.

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A MICROFÍSICA DO PODER
•Com a teoria da microfísica do poder Foucault
demonstra que a debilitação do corpo não depende
necessariamente dos aparelhos do Estado ou de algum
outro modo de dominação às claras, como a escravidão,
mas trata da ação de micropoderes que se exercem de
maneira difusa nos mais diversos campos da vida social
e cultural, no próprio seio sociedade.
• Esse novo tipo de disciplina atua na organização do
espaço, no controle do tempo e na vigilância, visando à
padronização do comportamento.

VIGIAR E PUNIR - O PANÓPTICO

O panóptico é uma construção em formato de anel com uma


torre central com janelas voltadas para o lado interno do anel.
Isto torna as pessoas individualizadas e continuamente visíveis
aos mecanismos de vigilância e punição, os quais possibilitam o
exercício do poder.

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HISTÓRIA DA SEXUALIDADE
•Para Foucault, a civilização contemporânea fala muito
sobre sexo, sobretudo a partir do discurso científico.
Para ele a ciência “naturaliza” o sexo, reduzindo-o a uma
visão biologizante.
•Ao mostrá-lo como algo “natural”, estabelece padrões
sobre o que é normal ou patológico, classifica os tipos de
comportamento, determina a profilaxia e aprisiona os
indivíduos à última palavra do “especialista competente”
por meio do qual o sexo é vigiado e regulado.
•Foucault, ao investigar de que maneira as instâncias do
poder atuam sobre o indivíduo para criar modos de agir e
pensar, conclui que a imposição de comportamentos
passa pela domesticação e docilização do corpo.

Filosofia da Ciência
•Foucault mostra o controle social invisível sobre o corpo e
sobre a sexualidade, ainda quando esta aparece como
“normal ou liberada”.
•Pode-se perguntar: como fica a felicidade de um sujeito
cuja autonomia é diminuída sem que ele perceba? Pode-
se falar em felicidade com tão alto controle social?

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Husserl*
•As teorias científicas baseiam-se na experiência, mas
Husserl acreditava que a experiência sozinha não
constitui a ciência porque a experiência é cheia de
suposições, predisposições, preconceitos ou equívocos
•Husserl queria eliminar essas incertezas para dar à
ciência bases absolutamente incontestáveis.
•Ele sugeriu que se adotarmos uma atitude científica em
relação à experiência, deixando de lado toda suposição
particular, inclusive a de que existe um mundo externo
fora de nós, então podemos começar a filosofar livres
de todas as inferências.

*Edmund Husserl foi um astrônomo, matemático e filósofo alemão criador da abordagem filosófica
denominada Fenomenologia (1859-1938)

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•Husserl chamou essa abordagem de fenomenologia:
uma investigação filosófica sobre os fenômenos da
experiência.
•A fenomenologia considera a razão uma estrutura da
consciência, mas cujos conteúdos são produzidos por ela
mesma, independentemente da experiência.
•O que chamamos de "mundo" ou "realidade" é um
conjunto de significações ou de sentidos que são
produzidos pela consciência ou pela razão.
•A razão é "doadora do sentido" e ela "constitui a
realidade" enquanto sistemas de significações que
dependem da estrutura da própria consciência.

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•As significações não são pessoais, psicológicas, sociais,
mas universais e necessárias.
•Elas são as essências, isto é, o sentido impessoal,
intemporal, universal e necessário de toda a realidade,
que só existe para a consciência e pela consciência.
•A razão é razão subjetiva que cria o mundo como
racionalidade objetiva. Isto é, o mundo tem sentido
objetivo porque a razão lhe dá sentido.

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• Para estudar a estrutura da consciência, seria
necessário distinguir entre o ato de consciência e o
fenômeno ao qual ele é dirigido (o objeto-em-si,
transcendente à consciência).
• O conhecimento das essências seria possível apenas
se "colocamos entre parênteses" todos os
pressupostos relativos à existência de um mundo
externo. Este procedimento ele denominou epoché.
• Epoché é a atitude de não aceitar nem negar uma
determinada proposição ou juízo.

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Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires, Filosofando: introdução à filosofia.
São Paulo. Moderna: 2009 .
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 7. ed. São Paulo: Ática, 1996. 440 p.
KIM, Douglas. O livro da Filosofia. São Paulo: Globo, 2016
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia - Dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de
Janeiro: Zahar, 2002.

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