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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL

UNINTER

CATIA PEREIRA DA ROSA VIZENTIN, 1824835, 2017/05

GLAUCIA MARIA PASQUALI SLONGO, 1829283, 2017/05

ESTÁGIO SUPERVISIONADO: DOCÊNCIA NA EJA E


NORMAL

PASSO FUNDO

2017
CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL
UNINTER

CATIA PEREIRA DA ROSA VIZENTIN, 1824835, 2017/05

GLAUCIA MARIA PASQUALI SLONGO, 1829283, 2017/05

RELATÓRIO DE ESTÁGIO

Relatório de Estágio Supervisionado


Docência na EJA e Normal: apresentado
ao curso de Licenciatura em Pedagogia
do Centro Universitário Internacional
UNINTER.

PASSO FUNDO

2017
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 3
2 DESENVOLVIMENTO .............................................................................................. 4
2.1 Identificação da escola estagiada.......................................................................... 4
2.2 Concepção pedagógica da escola ......................................................................... 4
2.3 Descrição e análise reflexiva das atividades de Estágio Supervisionado ......... 5
2.3.1 Caracterização estrutural .......................................................................................... 5
2.3.2 Caracterização dos profissionais que atuam na escola estagiada ............................ 6
2.3.3 Caracterização da turma estagiada........................................................................... 7
2.3.4 Perfil do professor observado durante o Estágio Supervisionado ............................. 8
2.3.5 Descrição das aulas observadas............................................................................... 8
2.3.6 Descrição das atividades de avaliação observadas ................................................ 11
2.4 PLANO DE OFICINA PEDAGÓGICA ..................................................................... 12
2.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 19
REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 20
ANEXO A - Ficha de Frequência – Catia P. da Rosa Vizentin ...................................... 21
ANEXO B - Ficha de Frequência – Gláucia Maria Pasquali Slongo ............................. 23
3

1 INTRODUÇÃO

A prática de estágio consiste em uma via fundamental na formação do professor,


pois possibilita a relação teoria-prática, a aproximação ao campo de trabalho, permite
adquirir conhecimentos pedagógicos, administrativos, assim como conhecer a organização
do ambiente escolar entre outros fatores. Nesta perspectiva, o presente trabalho discorre
sobre o estágio realizado pelas alunas Catia P. da Rosa Vizentin e Gláucia M. Pasquali
Slongo, desenvolvido na Escola Estadual de Ensino Médio Profª Adelaide Picolotto, situada
na cidade de Ibiaçá-RS, realizado na disciplina de Filosofia em turmas do ensino médio
durante o período de 100 horas de estudo, dentro e fora do contexto da sala de aula.
Nessa perspectiva, “o Estágio Supervisionado tem como objetivo oportunizar ao
aluno a análise da realidade dos campos de atuação, reconhecendo os métodos utilizados
e os recursos disponíveis para favorecer o processo profissional” (UNINTER, p. 4). Do
mesmo modo, o presente relatório possui o objetivo de relatar as observações consideradas
relevantes durante o período do estágio, bem como apresentar os espaços físicos, os
recursos humanos e pedagógicos e a concepção de educação no contexto analisado.
Sendo assim, as contribuições do Estagio supervisionado nos cursos de formação
de professores vai muito além do simples cumprimento de uma exigência, pois consiste em
uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional por meio do contato direto com a
prática educativa, auxiliando o estabelecimento de relações entre os componentes
curriculares e o fazer pedagógico. Além disso, tal prática possibilita que o acadêmico
vivencie os problemas enfrentados no cotidiano escolar, passando a entender a relevância
que educador possui para a formação de seus alunos. Portanto, o estágio supervisionado
deve ser considerado como um componente indispensável para a formação do acadêmico
em Pedagogia por articular o conhecimento construído durante a vida acadêmica e prepara
o discente para aplicá-lo em sala de aula como profissional.
4

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 Identificação da escola estagiada

O Estágio Supervisionado: Docência na EJA e Normal foi realizado na Escola


Estadual de Ensino Médio Profª Adelaide Picolotto, situada à rua 15 de maio, número 432,
no bairro Centro, na cidade de Ibiaçá, localizada no estado do Rio Grande do Sul, CEP
99940-000. O contato com a escola pode ser realizado pelo telefone (54) 3374-1286 e pelo
e-mail: escolaap@bol.com.br.
A escola oferta atendimento ao ensino médio e ensino Fundamental II no período
matutino, e atendimento ao ensino fundamental I e II no período vespertino. O horário de
funcionamento no turno matutino tem início às 07h e 30min e encerra às 11h e 40min, sendo
que no período vespertino tem início às 12h e 55min e encerra às 17h e 05min. A instituição
atende a um total de 297 alunos, e, desse total, 3 são alunos em processo de inclusão, mas
com algum tipo de dificuldade moderada.
O estágio foi realizado no período de 06 de junho de 2017 a 10 de julho de 2017 no
período matutino, sendo observadas as turmas de 1º e 2º anos do Ensino Médio.

2.2 Concepção pedagógica da escola

De acordo com a filosofia descrita no Projeto político pedagógico da Escola e de


acordo com as observações realizadas, a instituição busca ofertar propostas pedagógico-
metodológico-conteudísticas, que possam dar conta dos desafios impostos pela sociedade
contemporânea, adequando-as à realidade em que estão inseridos os educandos,
respeitando a diversidade sociocultural, na perspectiva de que se tornem sujeitos
construtores de sua própria aprendizagem, valorizando os saberes individuais, o diálogo, a
participação, a criatividade, a liberdade, a ludicidade e a responsabilidade na construção
de uma sociedade mais justa, participativa, democrática e cidadã.
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2.3 Descrição e análise reflexiva das atividades de Estágio Supervisionado

Para realização do estágio optou-se por observar as aulas da disciplina de Filosofia,


que integra a grade curricular para o ensino médio, na área de conhecimento de ciências
humanas.
Por meio da observação das aulas, das entrevistas, conversas e interação com as
turmas observadas, percebeu-se que a convivência entre professor e alunos é tranquila, os
alunos são participativos e interagem fazendo questionamentos sobre os conteúdos
trabalhados. Demonstram interesse pela disciplina.
O espaço físico da sala de aula e da escola como um todo é bom, proporcionando
diversos ambientes que auxiliam no trabalho educativo. Os recursos utilizados pelo
professor são variados, sendo utilizado com os estudantes: trabalho com slides, vídeos,
textos, questionamentos, pesquisas, participação em palestras, reflexões, indagações,
debates, análises, argumentações, enfatizando a leitura, a escrita, a argumentação e a
oralidade.
A metodologia do professor é dinâmica sempre buscando várias relações ao
conteúdo trabalhado, incentivando a análise de produções filosóficas e a apropriação da
produção cultural filosófica fazendo com que o aluno pense, questione, debata e pesquise
sobre as situações propostas. Tais atividades buscam desenvolver nos alunos o respeito à
posição contrária, o aprimoramento entre os estudantes a cultura da tolerância, o incentivo
à leitura e à escrita filosóficas e o desenvolvimento do raciocínio, da argumentação e do
pensamento lógico.

2.3.1 Caracterização estrutural

As turmas observadas possuem entre 22 e 24 alunos. A escola possui 13 salas de


aula que apresentam boas condições físicas, mantendo espaço suficiente para a realização
do trabalho pedagógico, classes em boa conservação, limpeza adequada, boa iluminação
e ventilação, armários para guardar objetos, quadro branco, e fácil acesso aos outros
espaços dentro da escola e também fora dela, pois a escola fica localizada em local
privilegiado no centro da cidade.
A escola também possui outros espaços pedagógicos que ficam à disposição para a
realização de atividades diversas que podem ser planejadas pelo professor: uma biblioteca;
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uma sala de informática; uma sala de vídeo e projetor de slides com banheiro; um
laboratório de ciências; um ginásio coberto; cozinha e refeitório; uma quadra para a prática
de esportes e/ou outras atividades ao ar livre; um parque infantil. Há, também, uma ampla
área verde, com gramado, para atividades diversificadas.

2.3.2 Caracterização dos profissionais que atuam na escola estagiada

De acordo com o projeto político pedagógico, o quadro de professores lotados na


escola atende às necessidades em sala de aula, porém, há falta de professores para os
alunos que necessitam de reforço em turno contrário e profissionais especializados para os
setores de biblioteca, sala digital, agente financeiro, monitor, coordenador, supervisor e
orientador pedagógico e, em obediência à lei da inclusão, apoio psicológico,
psicopedagógico e fonoaudiológico.
Dentro da equipe diretiva, que é também a responsável pela coordenação do
trabalho político-administrativo e pedagógico da escola, fazem parte o Diretor (a) e a Vice-
diretor (a) indicados pela comunidade escolar, além do coordenador (a) pedagógico (a).
Tais profissionais tem como funções articular, elaborar, propor, problematizar, mediar,
operacionalizar e acompanhar o Projeto Político Pedagógico da escola a partir das
deliberações e encaminhamentos do Conselho Escolar. A secretaria escolar contribui para
o processo pedagógico-administrativo, atuando de forma cooperativa com a comunidade
escolar e Equipe Diretiva.
O Conselho Escolar é o órgão colegiado, de representação da comunidade escolar.
É a principal instância da escola, com funções consultiva, deliberativa, executora e
fiscalizadora das questões pedagógicas, administrativas e financeiras da escola. É
composto por representantes de todos os segmentos da comunidade escolar: alunos,
pais/responsáveis, professores e funcionários, tendo como membro nato o Diretor da
escola.
A Equipe Pedagógica contribui para a construção do processo de aprendizagem, por
meio de uma ação integrada participando do planejamento, execução e avaliação do
Projeto Político Pedagógico. Na escola é composta pelo Supervisor Escolar, ou Professor
(a) Coordenador (a) pedagógico (a) e pelo Orientador (a) educacional.
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O Círculo de Pais e Mestres segue as instruções da denominação, fins, sede e tempo


de duração conforme prevê o estatuto próprio. Nesse sentido, o CPM, atua de forma
eficiente na Escola e reúne-se mensalmente ou conforme a necessidade.
A partir das observações e contato com os profissionais mencionados acima,
podemos observar que todos estão engajados na realização do que propõe o Projeto
Político Pedagógico da escola e buscam ao máximo o engajamento entre escola,
professores, alunos, pais e comunidade local na preocupação de formar cidadãos
conscientes, críticos, responsáveis e aprendizes, capazes de aprender, interagir, conhecer
e participar de uma escola que é acessível a todos. Buscam resolver os conflitos praticando
o diálogo das partes envolvidas e tomando decisões democráticas pautadas na ética e no
bom censo, respeitando as regras de convivência presentes no Regimento Escolar e no
PPP da Instituição.

2.3.3 Caracterização da turma estagiada

As turmas observadas foram respectivamente: 1º ano turma 211, que possui 22


alunos, sendo que 09 são do sexo masculino e 13 do sexo feminino; 1º ano turma 212, que
possui 23 alunos, sendo que 11 são do sexo masculino e 12 do sexo feminino; 2º ano,
turma 221, que possui 24 alunos, sendo que 09 são do sexo masculino e 15 do sexo
feminino.
Os alunos possuem um nível sócio econômico médio, sendo que alguns moram no
perímetro urbano e outros na zona rural, no interior do município. Os alunos cursam o
ensino médio com a intenção de concluí-lo e após ingressar no ensino superior, salvo
alguns casos que não tem expectativa de continuidade no ensino. Observou-se que os
alunos têm interesse pela disciplina, interagem e participam das atividades e diálogos
mediados pelo professor. Sua comunicação e relacionamento entre si e com os
profissionais que com eles trabalham é de respeito e amizade, mas às vezes é necessário
chamar a atenção e buscar foco nas atividades para que estas possam ser concretizadas.
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2.3.4 Perfil do professor observado durante o Estágio Supervisionado

O professor que ministra as aulas da disciplina de Filosofia é bacharel e licenciado


no curso superior de Filosofia e possui especialização na área de Educação em Direitos
Humanos.
De acordo com as observações realizadas, o professor tem uma relação de parceria,
preocupação e responsabilidade perante os alunos e a escola. Busca proporcionar durante
suas aulas, dentro dos conteúdos trabalhados e objetivos propostos pela disciplina,
discussões e situações que levam o aluno a refletir, a discutir, raciocinar, analisar e
vivenciar o processo de assimilação dos conteúdos trazendo exemplos e problemáticas
relacionadas ao que acontece no mundo atual, fazendo uma retrospectiva de como
ocorreram essas situações em outras épocas da história, analisando e fazendo paralelos
entre as épocas e situações vivenciadas. Para tanto, utiliza recursos variados em suas
aulas, como: músicas, vídeos, slides, atividades práticas e práticas sociais voltadas a
projetos, visitas a locais pertinentes aos conteúdos trabalhados, promove palestras a
respeito das temáticas, conteúdos e projetos trabalhados e busca integração com as outras
áreas do conhecimento.

2.3.5 Descrição das aulas observadas

Iniciamos nossas observações na turma 221 do 2º ano. Esta turma possui


semanalmente dois períodos da disciplina de Filosofia, sendo que um período ocorre na
quarta-feira e o outro na sexta-feira. Os dias observados foram 07/06, 09/06, 13/06, 14/06,
16/06, 21/06, 23/06. No dia 07/06, o professor apresentou slides aos alunos sobre o filósofo
inglês John Locke, considerado um dos líderes da doutrina filosófica conhecida como
empirismo e um dos ideólogos do liberalismo e do iluminismo, sua teoria e principais
características, os princípios de igualdade e liberdade e o indivíduo como proprietário de si.
Nesta aula, além dos recursos audiovisuais o professor fez uma exposição abrindo espaço
para questionamentos.
No dia 09/06, o professor retomou o conteúdo colocando no quadro uma síntese do
que fora exposto na aula anterior e os alunos fizeram anotações e tiraram dúvidas.
Também, o professor lançou algumas questões para que os alunos pudessem pesquisar e
responder de forma argumentativa.
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No dia 13/06, participamos de uma palestra para os estudantes sobre o tema “Meio
ambiente”, que foi proporcionado pela escola, em que foi abordado sobre questões de
separação e coleta do lixo, além de enfatizar conscientização sobre as formas de cuidar e
proteger o meio ambiente e da responsabilidade de todos. No dia 14/06 o professor deu
espaço para a realização das questões iniciadas na aula anterior e interagiu com os alunos
tirando dúvidas e reforçando o conteúdo.
No dia 16/06 iniciou a correção comentada das questões, em que os alunos
colocaram suas argumentações e debateram sobre conceitos, frases e ideias relacionadas
com a teoria de Locke. Ainda na noite de 16/06 participamos dos trabalhos com a
organização e nas atividades da festa junina, momento cultural em que a comunidade
escolar se reuniu e interagiu ativamente.
No dia 21/06 o professor retomou rapidamente os questionamentos da aula anterior
e continuou o conteúdo comentando e anotando no quadro sobre a árvore conceitual de
Locke, enfatizando as condições da natureza, do trabalho, propriedade privada,
capitalismo, Estado Político, o que é justo e o que é lícito. Os alunos fizeram as anotações
no caderno e interagiram com o professor debatendo sobre o assunto. Ainda na noite de
21/06, participamos da entrega de boletins, momento em que os professores dialogaram
com os pais a respeito do desenvolvimento escolar dos alunos durante o primeiro trimestre,
a fim de que a família participe ativamente desse processo, buscando auxílio nas
dificuldades e incentivo por parte dos pais para que os alunos possam intensificar seus
estudos e aprender de forma significativa.
No dia 23/06 finalizamos as observações na turma 221 do 2º ano. Nesta aula os
alunos resolveram uma cruzadinha relacionada a árvore conceitual de Locke e o professor
abriu espaço para que pudéssemos dialogar um pouco com os estudantes sobre as aulas
observadas. Dessa conversa conseguimos perceber que os alunos são participativos e
comunicativos, que gostam das aulas de Filosofia, pois nessa disciplina conseguem
desenvolver o pensamento e posicionar-se de forma crítica, analisando situações, e
respeitando as formas de pensamento dos outros. Além disso relataram que gostam das
aulas por serem dinâmicas, e que eles conseguem dialogar, observar, aprender de formas
variadas e não apenas “decorando conteúdos”.
As demais aulas observadas foram nas turmas 211 e 212 do 1º ano. Cada turma
possui semanalmente dois períodos da disciplina de Filosofia, sendo que estas ocorrem
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nas segundas e sextas-feiras. Os dias observados foram 09/06, 12/06, 16/06, 19/06, 23/06
e 26/06. Os conteúdos trabalhados durante as aulas observadas foram a cosmologia pré-
socrática e os primeiros filósofos: Sócrates, Platão e Aristóteles. O conteúdo estabelecido
para as duas turmas é o mesmo, sendo que cada turma tem algumas particularidades nas
formas de interagir e aprender.
No dia 09/06 o professor apresentou, por meio de slides o filósofo Sócrates, um dos
três grandes filósofos gregos, e os alunos fizeram anotações sobre o tema. No dia 12/06
os alunos copiaram algumas questões sobre o que fora exposto na aula anterior e em
duplas buscaram a resolução das mesmas. No dia 16/06 o professor fez a correção
comentada das questões. Os alunos expuseram suas respostas e argumentaram sobre
elas, nesse momento o professor fez a mediação e reforçou os conceitos estudados. No
dia 19/06 o professor fez uma aula expositiva em que apresentou um novo e considerado
grande filósofo grego: Platão. Nesta aula, utilizando o recurso de vídeo, passou um episódio
do telecurso de Filosofia que reforçou o conteúdo trabalhado e o conhecimento sobre
Platão.
No dia 23/06 o professor copiou no quadro, uma síntese do que foi exposto na aula
anterior, os alunos fizeram anotações no caderno e o professor reforçou as explicações
sobre Platão. No dia 26/06, último dia observado, o professor organizou no quadro um
passo a passo do Mito da Caverna, também conhecido como “Alegoria da Caverna” que é
uma passagem do livro “A República” do filósofo grego Platão e uma das mais importantes
alegorias da história da Filosofia. O professor reforçou bastante as ideias contidas nessa
metáfora sobre o mundo sensível que seria captado através do conhecimento e o mundo
inteligível, conhecido através da razão. Após, pediu para que os alunos traçassem um
paralelo representando no mundo atual dentro das influências sociais e culturais o que seria
a caverna e o que seria o mito. Nesta aula percebemos o quanto os alunos e a sociedade
em que vivemos tem visões distorcidas da realidade e dificuldades em organizar o
pensamento.
Concluindo nossa observação nas turmas 221, 211 e 212, relativas ao 1º e 2º anos
do Ensino médio, percebemos a importância da disciplina de Filosofia no intuito de
aprimorar a capacidade de argumentação e questionamento, de desenvolver o raciocínio e
a organização do pensamento respeitando opiniões contrárias, mas também
fundamentando as respostas e opiniões individuais.
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2.3.6 Descrição das atividades de avaliação observadas

No período de estágio, por ser início do segundo trimestre, não ocorreu nenhuma
avaliação do tipo prova no período observado. Como instrumento de avaliação, foram
desenvolvidos apenas questionamentos e a participação dos alunos nas atividades
realizadas em sala de aula que, de acordo com o professor, também são subsídios para
diagnosticar e mensurar a aprendizagem obtida pelos alunos, pesando no momento da
avaliação.
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2.4 PLANO DE OFICINA PEDAGÓGICA

PLANO DE OFICINA PEDAGÓGICA

1) IDENTIFICAÇÃO
Estagiário (a): Catia P. da Rosa Vizentin e Gláucia M. Pasquali Slongo
Escola: E.E.E.M. Profª Adelaide Picolotto
Disciplina: Filosofia
Turma: 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio
Professor Regente: Jeverton Slongo

2) TEMA

Cidadania

3) JUSTIFICATIVA

A construção da Cidadania é um processo que se inicia no contexto familiar e se


estende ao longo de toda a vida, em diferentes contextos, seja por meio de questões
ligadas a identidade, relações interpessoais, escolhas, justiça, entre outros.
Tal conceito se desenvolve a medida em que se proporcionam situações que
promovam a expansão dos horizontes e dos pontos de vista dos sujeitos. Desse modo,
a cidadania se efetiva num processo de conhecimento dos direitos e deveres humanos.
Assim, para formar uma consciência cidadã, é indispensável que os jovens
desenvolvam a percepção da responsabilidade em suas ações em diversos meios,
principalmente no contexto social e ambiental. Além disso, é importante desenvolver o
senso crítico, por intermédio de reflexões sobre sua própria realidade, a fim de melhorar
a qualidade de vida local por meio da participação ativa dos sujeitos na busca e soluções
de problemas políticos e sociais de suas comunidades.
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4) OBJETIVOS

a. Verificar os conhecimentos prévios dos estudantes sobre Cidadania;


b. Refletir e emitir opiniões orais e escritas sobre o conteúdo trabalhado;
c. Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer os
direitos e deveres da cidadania

5) SÍNTESE DO ASSUNTO

A cidadania é comumente compreendida como um conjunto de direitos e deveres


que um sujeito possui para com a sociedade na qual faz parte. As discussões sobre o
conceito de cidadania começaram a muito tempo na História da Humanidade e passaram
por muitas transformações no decorrer dos séculos até chegar ao significado
contemporâneo de Direitos Humanos, os quais prezam essencialmente pela dignidade
da pessoa humana (ONU, 1948).
De acordo com Coutinho (2005, p. 2), a cidadania pode ser conceituada como a
capacidade conquistada pelos indivíduos de se apropriarem dos bens socialmente
criados, de atualizarem suas potencialidades de realização humana abertas pela vida
social em cada contexto historicamente determinado. Sobre esse aspecto o autor enfatiza
que a cidadania é “resultado de uma luta permanente, travada quase sempre a partir de
baixo, das classes subalternas, implicando um processo histórico de longa duração”.
Para Filho e Neto (2017) a cidadania é notoriamente um termo associado à vida
em sociedade e por essa razão destacam a importância de entender a cidadania tal como
a percebemos hoje, ou seja, como uma condição de igualdade civil e política. Nessa
perspectiva, entende-se que se faz imprescindível auxiliar os sujeitos na compreensão
deste conceito na atualidade, a fim de que o aluno/cidadão entenda quais são os seus
direitos e deveres, por meio da abordagem de conteúdos humanísticos que são
fundamentais para a construção da cidadania.
A esse respeito Mance (1998) destaca que,
14

Entre as disciplinas humanísticas necessárias à educação para a cidadania


ressaltamos a importância da Filosofia que deve constar nos currículos escolares.
O seu papel é formar pessoas com pensamento crítico, solidário, criativo, que
saibam distinguir argumentos, fundamentar posições e tomar decisões,
habilidades necessárias ao mundo prático. Não se trata somente de apreender
conteúdos tecnológicos já elaborados, mas desenvolver a capacidade de
compreendê-los, criticá-los e de produzir ciência. Trata-se de manejar estruturas
de pensamento e resolver problemas, formando as condições básicas para o
pensar em todos os campos, inclusive o tecnológico (p. 14).

Diante disso, percebe-se que ao fomentar uma reflexão acerca da temática da


cidadania, no contexto escolar, abre-se a possibilidade de manter a luta por uma
sociedade justa e democrática, tornando o educando cada vez mais livre, consciente e
comprometido com a transformação do ambiente no qual encontra-se inserido.
Sendo assim, entende-se que o estudo e a cultura da cidadania nas práticas de
ensino se fazem indispensáveis frente ao mundo contemporâneo, considerando
principalmente a necessidade de construção de valores morais e éticos, o fomento ao
aprendizado por meio da reflexão com autonomia e independência além da
conscientização do educando para o cumprimento de direitos e deveres, assegurando
uma educação humanista e de qualidade que possibilita o pleno desenvolvimento dos
seres humanos.

6) DESENVOLVIMENTO DA OFICINA

Atividade 1:
1. Realizar a leitura do texto:

Será que exercemos a CIDADANIA como deveria?


Por Rodrigo Ribeiro Rodrigues - 01/06/2009 15:32h

Há algum tempo, venho refletindo sobre a razão para que no Brasil tenhamos tão poucos exemplos
de cidadania dignos de nota. Começo a pensar que talvez tenha encontrado uma explicação para esta
deseducação: o equívoco de pensar que cidadania é uma palavra que pressupõe mais direitos do que
deveres, quando, na minha modesta opinião, é o contrário. É muito provável que a ideia de que precisamos,
antes de mais nada, lutar por nossos direitos advenha de um momento bastante recente, do ponto de vista
histórico, quando nossas liberdades individuais eram muitíssimo cerceadas. Basta dizer que, no início dos
anos 80 do século que passou, a batalha era, por exemplo, pelo direito de elegermos diretamente nosso
presidente. Também precisamos considerar os muitos anos de injustiças sociais, em especial no que diz
respeito aos negros, às mulheres e a algumas minorias, as quais vêm dos tempos da colonização e ainda
permanecem. Nada mais justo, portanto, que todo cidadão com um mínimo de valores humanitários seja
defensor dos direitos dos menos favorecidos socialmente inclusive dele próprio. Porém, o rumo da história
segue, e no meu entender o Brasil e os brasileiros já deveriam estar maduros para entender que o conceito
de cidadania tem contornos muito mais de uma pauta de deveres do que apenas de direitos.
15

Penso que temos o dever, como cidadãos, de avaliarmos se nossas condutas sociais respeitam a
individualidade de nossos semelhantes. Entendo que cidadania é uma palavra quase prima de empatia,
que significa a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, para que, assim, estabeleçamos um
vínculo de respeito e dignidade na relação, seja ela pessoal ou social. Cidadania, portanto, pressupõe não
apenas reclamar e se indignar, mas ter a consciência de que é preciso também agir, participando de
coletivos, de instâncias de opinião institucionalizadas, seja como protagonista, seja como ouvinte, mas
sempre de forma atenta e crítica, e preferencialmente propositiva.
Ser cidadão é lutar por seus direitos, obviamente, mas significa também não se deixar levar apenas
por seus interesses pessoais ou por aqueles que, com boas ou más intenções, colocam-se na linha de
frente. Se você, caro leitor, não se sente preparado para ser uma liderança, ao menos exercite a
capacidade de avaliar as coisas sob o ponto de vista do coletivo. Ter um olhar voltado para algo além do
seu interesse imediato também é transformar o mundo em um lugar mais digno para todos.

Fonte: Ricardo Bueno/ Zero Hora. Disponível em:


<http://www.ogalileo.com.br/noticias/nacional/cidadania-direitos-ou-deveres>. Acesso em: 19 jun. 17.

2. Após a leitura, propor que a turma se organize em duplas e, de acordo com o texto,
preencham o seguinte quadro:
Concordamos com o texto Discordamos do texto

3. Socializar as respostas com a turma, solicitando para que os estudantes


justifiquem suas respostas.
4. Ainda em duplas, disponibilizar uma folha A4 e solicitar que cada grupo complete
a seguinte frase: “Ser cidadão é.…”
5. Em seguida, socializar as respostas, realizando os comentários necessários e
pedir para que todos colem suas folhas em um papel pardo, formando um cartaz
que será exposto nas dependências da escola.

Atividade 2:
1. Organizar a turma e assistir ao vídeo: “ O que é cidadania? ” (BORDIN, 2013)
2. Após assistir o vídeo propor para que, em dupla, os alunos discutam e respondam:
a. O que consideram mais importante de tudo o que foi visto no vídeo?
b. Do que viram sobre cidadania, o que foi novidade para a dupla?
c. Do que assistiu, o que você ainda precisa fazer para melhor exercitar sua
cidadania?
3. Socializar as respostas e discutir com os alunos atitudes cotidianas que
consideram positivo ou negativo para o exercício da cidadania.
16

4. Dividir os estudantes em três grupos e para que cada grupo preencha o quadro a
seguir com as ações apontadas:
GRUPO 1 GRUPO 2 GRUPO 3
Ações que devemos realizar
Ações que contribuem para o Ações que não contribuem
para exercermos nossa
exercício da cidadania para o exercício da cidadania
cidadania
5. Em seguida, disponibilizar aos grupos, tesouras, colas e uma cartolina, assim
como edições recentes de jornal.
6. Solicitar para que os estudantes olhem o jornal e escolham três notícias que
demonstrem ações correspondentes ao seu grupo. As reportagens selecionadas
devem ser coladas na cartolina de cada grupo.
7. Por fim, pedir para que os grupos leiam as notícias aos colegas e exponham suas
opiniões sobre o assunto.

Atividade 3:
1. Dividir a turma em sete grupos. Distribuir um tema para cada grupo sendo estes:
a. Direitos do cidadão;
b. Deveres do cidadão;
c. Direitos e deveres do aluno;
d. Direitos e deveres do professor;
e. Direitos e deveres do consumidor;
f. Direitos e deveres do empregado;
g. Direitos e deveres do empregador;
2. Levar os estudantes até a sala de informática da escola e solicitar para que cada
grupo realize a pesquisa na internet a fim de coletar os dados referentes aos seus
respectivos temas.
3. Após a pesquisa, disponibilizar materiais como: tesoura, cola, canetões, lápis,
jornais e revistas e solicitar para que cada grupo crie um cartaz que represente
seu tema pesquisado. Os estudantes podem se utilizar de gravuras, palavras ou
textos para confeccionar dos cartazes.
4. Ao finalizar essa atividade, o professor irá combinar um horário com a direção para
realizar a culminância da oficina, com a exposição e apresentação dos temas
abordados para as demais turmas da escola.
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7) RECURSOS

1. Folha sulfite A4
2. Papel pardo
3. Cartolina
4. Tesoura
5. Cola
6. Canetões coloridos
7. Jornais e revistas
8. Multimídia (internet, computador, caixa de som)
9. Aula interativa
10. Trabalhos em dupla e em grupo
11. Leitura de textos
12. Produção textual
13. Debate

8) REFERÊNCIAS

BORDIN, M. O que é cidadania? YouTube: 17 fev. 2013. Vídeo. Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v= Ar9HMYZIlDk>. Acesso em: 19 jun. 2017.

BRASIL. Portal do Professor. Ministério da Educação. Disponível em:


<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/index.html>. Acesso em: 12 jun. 2017.

BUENO, R. Será que exercemos a CIDADANIA como deveria? Porto Alegre: Zero
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com.br/agora3/coutinho.doc>. Acesso em 20 mai. 2017.

EUFRASIO, M. A. P. Filosofia do Direito: a cidadania em Rousseu e Marx. 2017.


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juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_ leitura&artigo_id=488>. Acesso
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18

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MENEZES, G.; TOSHIMITSU T.; MARCONDES, B. Como usar outras linguagens na


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Humanos de 1948. Disponível em:
<http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_ universal.htm>. Acesso em:
17 de jun. 2017.
19

2.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A atividade de observação nos permite analisar contextos diferentes dos quais


estamos acostumados e nos da base para fazermos inferências sobre aquilo que
presenciamos. Diante das informações apresentadas no decorrer deste relatório considera-
se que a realização do estágio supervisionado nas turmas de ensino médio ocorreu de
forma satisfatória. A observação das aulas ocorreu, de forma geral, de maneira natural e
agradável. Os alunos participaram das atividades propostas, interagindo entre si e com as
professoras estagiárias, realizando as tarefas.
Com isso pudemos constatar que é possível sim, aliar a teoria à prática. Essa atitude
não se constitui em uma tarefa fácil, porém quando se faz com preparação e se tem
coragem e boa vontade as coisas se tornam possíveis. Desse modo, entendemos que o
papel do professor é o de, juntamente com o aluno, serem os atores principais do processo
ensino-aprendizagem.
Em vista disso, considera-se que a experiência docente foi muito positiva, pois
contribuiu para nos reafirmar a importância de sermos professores progressistas, críticos e
formadores de opiniões, podendo assim formar sujeitos que também sejam críticos e
capazes de participar ativamente na mudança da realidade social na qual encontram-se
inseridos. Assim, a interação com os alunos e a prática pedagógica mostraram-se
fundamentais para nossa formação, pois nos aproximou do contexto real de sala de aula
além de possibilitar a reflexão e a ampliação dos horizontes de atuação profissional.
20

REFERÊNCIAS

BRASIL, Parâmetros curriculares nacionais para o ensino médio: Parte VI – Ciências


Humanas e suas Tecnologias. Brasília, MEC/SEMTEC, 1999.

_____. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da


educação nacional. Diário oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF, 1996.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a filosofia? Trad. Bento Prado Jr., Alberto Alonso
Muñoz. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

GALLO, S.; CORNELLI, G.; DANELON, M. (Orgs.). Filosofia do ensino de filosofia.


Petrópolis: Vozes, 2003.

_____, KOHAN, W. O. (Orgs.). Filosofia no ensino médio. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

HORN, G. B. A presença da filosofia no Ensino Médio brasileiro: uma perspectiva


histórica. In: GALLO, S.; KOHAN, W. O. (Orgs.). Filosofia no Ensino Médio. Petrópolis:
Vozes, 2000.

SILVEIRA, R.; GOTO, R. (Orgs.). Filosofia no ensino médio: temas, problemas e


propostas. São Paulo: Loyola, 2007.

UNINTER. Orientações para a realização do Estágio Supervisionado – Docência na


EJA e Normal e para elaboração do Relatório do Estágio Supervisionado. Centro
Universitário Internacional Uninter. Curitiba.
21

ANEXO A

Ficha de Frequência – Catia P. da Rosa Vizentin


22

Ficha de Frequência – Catia P. da Rosa Vizentin


23

ANEXO B

Ficha de Frequência – Gláucia Maria Pasquali Slongo


24

Ficha de Frequência – Gláucia Maria Pasquali Slongo