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DIREITO DO TRABALHO

CONTEÚDO: Empregador

1. INTRODUÇÃO

CLT. Art. 2º. Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que,


assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação
pessoal de serviço.

§ 1º Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego:

 Os profissionais liberais;

 As instituições de beneficência;

 As associações recreativas;

 Outras instituições sem fins lucrativos.

- Existe atecnia no art. 2º, caput?

 CORRENTE 1: Sim. Primeiro, porque confunde empresa e empregador.


Segundo, porque considera equiparados a empregador pessoas que são
autênticos empregadores.
o Empresa não é sujeito, é atividade.
 CORRENTE 2: defende a definição do art. 2º, considerando-a viés
doutrinário do legislador, com a finalidade de reforçar a ideia de
despersonalização do empregador.
o Godinho: Ao enfatizar a empresa como empregador, a lei já indica que a
alteração do titular da empresa não terá grande relevância na
continuidade do contrato, dado que à ordem justrabalhista interessaria
mais a continuidade da situação objetiva da prestação de trabalho
empregatício ao empreendimento enfocado, independentemente da
alteração de seu titular.
 Também há uma corrente que defende que há realmente uma
equiparação, como dispõe o § 1º, visto que as entidades mencionadas não
teriam personalidade jurídica.

- Para parcela da doutrina, EMPREGADOR é a pessoa (física ou jurídica) ou mesmo


o ente despersonalizado (ex.: a massa falida) que contrata pessoa física para lhe
prestar serviços, sendo que estes serviços devem ser prestados com pessoalidade,
não eventualidade onerosidade, alteridade e sob subordinação.

1.1. CARACTERÍSTICAS DA FIGURA DO EMPREGADOR

- DESPERSONALIZAÇÃO: o empregado se vincula ao empreendimento, e não à


pessoa do empregador.
- ASSUNÇÃO DOS RISCOS DO EMPREENDIMENTO: o empregador assume
integralmente os riscos do negócio.

 A CLT proíbe distribuição de eventuais prejuízos entre os empregados. O


contrato de trabalho não é um contrato de resultado, e sim um contrato
de prestação (atividade).
 A CLT prevê a redução geral dos salários não superior a 25% em caso de
força maior (art. 503). O dispositivo não foi totalmente recepcionado pela
CF/88, segundo a qual eventual redução de salário só será admitida se
precedida de negociação coletiva, garantida participação do sindicato.
2. GRUPO ECONÔMICO

- É a figura resultante da vinculação justrabalhista que se forma entre dois ou


mais entes favorecidos direta ou indiretamente pelo mesmo contrato de trabalho.

- SOLIDARIEDADE ENTRE AS EMPRESAS.

CLT. Art. 2º, § 2º. Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas,
personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de
outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade
econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis
a empresa principal e cada uma das subordinadas.

- A formação do grupo econômico para fins justrabalhistas não exige que as


empresas integrantes do grupo exerçam a mesma atividade econômica.

Solidariedade passiva Solidariedade ativa


O patrimônio de todas as empresas é Cada empresa do GE pode usufruir da
vinculado como garantia de satisfação energia de trabalho dos empregados
do crédito trabalhista. de qualquer uma das empresas do
grupo, sem que sejam formados
diversos contratos de trabalho.
Jurisprudência e doutrina majoritária admitem o efeito da solidariedade ativa.
Súmula 129, TST. A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo
grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a
coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário.
- Para fins de concurso, o efeito da solidariedade ativa no GE é também chamado
de “teoria do empregador único”.

 Alguns autores defendem que o empregador real é o grupo, mas, por lhe
faltar personalidade jurídica, a PJ que anotar a CTPS será a empregadora
aparente (em algumas questões, também chamam de empregadora
direta).
- É possível que um empregado seja transferido de uma empresa para outra sem
que haja extinção contratual. Ex.: o empregado trabalhava só para a empresa A e
passará a trabalhar só para a empresa B.

- Da solidariedade ativa decorrem alguns efeitos interessantes:

 Possibilidade de pleitear equiparação salarial em face de empregados de


outras empresas do GE;
 Pagamento de salário único mesmo diante de jornada prestada a
empresas distintas;
2.1. GRUPO VERTICAL (SUBORDINAÇÃO) E GRUPO HORIZONTAL
(COORDENAÇÃO)

POSICIONAMENTO 1

- A CLT indica que para formar GE as empresas devem estar sob a direção,
controle ou administração de outra. Assim, a CLT parece indicar o requisito da
subordinação.

- Grupo vertical (subordinação): uma empresa (principal) subordina as demais


(subsidiárias).

POSICIONAMENTO 2

- Com base no art. 3º, § 2º da Lei 5.889/1973, há quem defenda a teoria do grupo
econômico por mera coordenação (grupo horizontal).

Art. 3º § 2º Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas
personalidade jurídica própria, estiverem sob direção, controle ou administração de
outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo
econômico ou financeiro rural, serão responsáveis solidariamente nas obrigações
decorrentes da relação de emprego.

- Grupo horizontal (coordenação): não há controle, nem administração de uma


empresa por outra, mas sim uma reunião de empresas.

- Atualmente, doutrina tem se posicionado majoritariamente no sentido de


que basta a relação de coordenação para a formação do grupo econômico.

- Polêmica:

 A SDI-I prolatou uma decisão em 2014 (Informativo 83). No acórdão, ficou


a impressão de que a SDI-I havia entendido que a relação de coordenação
não era suficiente para configurar o grupo econômico, devendo haver
subordinação.
o O inteiro teor da decisão indicava, porém, que a SDI-I entendeu que
a mera identidade de sócios não era suficiente para configurar o GE.
o Mesmo assim, turmas do TST têm seguido tal decisão para rejeitar
a possibilidade de caracterização de GE por coordenação urbano.
 Qual entendimento adotar? O majoritário: a mera relação de
coordenação não basta para configurar o GE, é preciso que haja
subordinação.
2.2. EMPREGADORES QUE PODEM FORMAR GRUPO ECONÔMICO

- Apenas entes com finalidade econômica podem integrar GE.

 Entes que não têm finalidade econômica: Estado, empregador doméstico,


empregadores por equiparação (profissionais liberais, instituições de
beneficência, etc.).
o Obs.: é possível que as entidades estatais organizadas em moldes
privados, e que se classifiquem como GE, passem a se sujeitar aos
efeitos trabalhistas suportados por um GE.

- Alice Monteiro de Barros: admite a formação de GE mesmo entre instituições


beneficentes, quando estas organizarem sociedade civil beneficente, com o
caráter de instituição assistencial de seus empregados, ficando com a maioria das
cotas-partes. [O posicionamento tem sido adotado algumas vezes pelo TST].

- O entendimento majoritário, porém, é de que é necessária a finalidade


econômica para integrar o GE.

2.3. QUESTÕES PROCESSUAIS

- A súmula 205 do TST dispunha que não era possível incluir na execução o
integrante do GE que não foi incluído na relação processual como reclamado.

 Essa súmula foi cancelada.


 Agora, a maior parte da doutrina tem entendido que o empregado pode
acionar, na execução, qualquer integrante do GE, mesmo os que não
participaram do processo de conhecimento.
o Alice Monteiro de Barros se alinha a esse entendimento.
 GODINHO: só será possível acionar o devedor apenas na fase de execução
se a configuração do GE for clara.
o Qualquer meio de prova lícito vale para comprovar o GE.
3. SUCESSÃO DE EMPREGADORES

- Substituição de empregadores, com a consequente transferência do passivo


trabalhista ao sucessor.

- Alterações na estrutura ou na propriedade da empresa não prejudicam os


contratos dos empregados de época anterior à alteração.
CLT. Art. 10. Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos
adquiridos por seus empregados.

CLT. Art. 448. A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará
os contratos de trabalho dos respectivos empregados.

- A relação de emprego tem como requisito a infungibilidade quanto à pessoa


do empregado, mas não quanto à pessoa do empregador.

3.1. CARACTERIZAÇÃO DA SUCESSÃO DE EMPREGADORES

- ALTERAÇÃO NA ESTRUTURA JURÍDICA OU NA PROPRIEDADE DA EMPRESA:

 Ocorre a sucessão com: alteração da modalidade societária (ex.: SA ->


LTDA), incorporação, fusão, cisão, de firma individual p/ sociedade e vice-
versa, transferência parcial da empresa, substituição do antigo
empregador por outra pessoa.
 Tem sido comum que uma empresa em dificuldade financeira aliene a
parte boa da empresa e fique apenas com a parte ruim. Tem se
considerado que, nestes casos, ocorreu sucessão.
o POLÊMICA JURISPRUDENCIAL.

- CONTINUIDADE DA ATIVIDADE EMPRESARIAL:

 Só é possível falar em sucessão de empregadores se a atividade


empresarial não sofre ruptura de continuidade.

- CONTINUIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS:

 Entendimento antigo: era necessário que o trabalhador continuasse


prestando serviços à sucessora para que o sucessor se vinculasse aos
créditos trabalhistas constituídos sob a direção do sucedido.
o Hoje este requisito não é mais considerado essencial pela doutrina
moderna.
 Assim, se ausente a continuidade da prestação de serviços, é possível que
se configure a sucessão de empregadores, bastando que se configure o
prejuízo ao empregado decorrente da transferência de titularidade da
empresa.
 Ex. que demonstra a desnecessidade do requisito: empresa demite todos
os trabalhadores. No outro dia, faz a sucessão para sonegar direitos
trabalhistas. A sucessão ocorrerá independentemente da continuidade da
prestação de serviços.
3.2. ABRANGÊNCIA DA SUCESSÃO

- Tanto empregadores urbanos quanto rurais sujeitam-se à sucessão trabalhista


e seus efeitos.
- Exceção: empregador doméstico. Não se sujeita à sucessão.

 Existe certa pessoalidade quanto ao empregador também;


 O trabalho doméstico não visa o lucro.
3.2.1. SITUAÇÕES ESPECÍFICAS

- DESMEMBRAMENTO DE MUNICÍPIOS:

 Não há sucessão. OJ 92, SDI-I: “Em caso de criação de novo município, por
desmembramento, cada uma das novas entidades responsabiliza-se pelos
direitos trabalhistas do empregado no período em que figurarem como
real empregador”.

- PRIVATIZAÇÃO DA EMPRESA: ante a privatização de SEM ocorre a sucessão de


empregadores, pelo que a sucessora será responsável pelos créditos trabalhistas
dos empregados.

- HASTA PÚBLICA: da arrematação de empresa em hasta pública não decorre a


sucessão (predominante).

 A Lei 11.101/2005 (Falências) afasta expressamente a responsabilidade


trabalhista do sucessor pelos débitos do sucedido.

- CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO (SUBSTITUIÇÃO): havendo a substituição de


concessionário de serviço público ocorrerá a sucessão quando o novo
concessionário adquirir não só as atribuições do primeiro, mas os bens – uma
parte ou todos – do antigo concessionário.

 OJ 225, SDI-I no mesmo sentido.


o Regra:
 Extinção contratual após a concessão: resp. do sucessor +
resp. subsidiária do sucedido.
 Extinção contratual anterior à concessão: apenas a sucedida
responde.

- CARTÓRIOS EXTRAJUDICIAIS: a tese majoritária expõe que há a sucessão trabalhista


a cada modificação da titularidade de cartório extrajudicial, desde que tenha
havido continuidade na prestação dos serviços.

- ARRENDAMENTO: gera a sucessão de empregadores. Caso a empresa retorne, em


momento posterior, à antiga PF ou PJ arrendante, operar-se-á nova sucessão.

- EMPRESÁRIO INDIVIDUAL: se passar a ser uma sociedade, há sucessão. Se morrer,


não ocorre sucessão, até porque, nestes casos, a lei faculta ao empregado dar por
encerrado o contrato (art. 483, § 2º, CLT).

- Grupo econômico (sucessão de uma das empresas):


 OJ 411, SDI-I. O sucessor não responde solidariamente por débitos
trabalhistas de empresa não adquirida, integrante do mesmo grupo
econômico da empresa sucedida, quando, à época, a empresa devedora
direta era solvente ou idônea economicamente, ressalvada a hipótese de
má-fé ou fraude na sucessão.
 Ex.: grupo econômico: A, B e C. C foi vendida para D em 2009. D é sucessora
de C. Um empregado de B ajuíza uma ação em face de D, postulando
créditos relativos ao período de 2005 a 2008, sob o argumento de que D
é sucessora de C e seria solidariamente responsável por B.
o Não vale. D não se responsabiliza por obrigações anteriores de B.
Apenas se ficar comprovado que, na época da venda, B já estava
em dificuldades financeiras e houve fraude.
3.3. EFEITOS NA SUCESSÃO TRABALHISTA

- EMPREGADO FRENTE À SUCESSÃO:

 Em regra, o trabalhador não pode se opor à sucessão de empregadores.


o Exceção: quando o empregado tenha comprovadamente pactuado
o contrato de trabalho levando em conta a figura do empregador.
 Nesse caso, o contrato se daria por encerrado sob os efeitos
do pedido de demissão.

- EMPREGADOR SUCEDIDO FRENTE À SUCESSÃO:

 Em regra, o sucedido não teria qualquer responsabilidade (solidária ou


subsidiária) sobre os créditos constituídos em período anterior à
transferência.
o Na prática, a jurisprudência tem reconhecido a resp. subsidiária do
sucedido nos casos em que a transferência ocasione a redução das
garantias de adimplemento dos créditos trabalhistas.
o Se houver fraude, é possível a resp. solidária.

- EMPREGADOR SUCESSOR FRENTE À SUCESSÃO:

 O sucessor responde por todos os créditos trabalhistas decorrentes dos


contratos que lhe foram transferidos, sejam créditos passados, presentes
ou futuros.
 Cláusula de não responsabilização que ressalva a responsabilidade do
sucessor apenas para fatos posteriores à transferência não gera efeitos no
DT. Operam efeitos apenas entre as partes que pactuam (possibilidade de
direito de regresso).
4. CONSÓRCIO DE EMPREGADORES
- É a reunião de empregadores para contratação de empregados, a fim de que
estes prestem serviços a todos os integrantes do consórcio.

- Características:

 Os integrantes do consorcio são solidariamente responsáveis pelas


obrigações previdenciárias em relação a seus empregados;
 Solidariedade ativa: os empregados são empregados de todos;
 A CTPS deve ser anotada por uma das PFs do consórcio;
 Deve ser formalizado por documento registrado no cartório de títulos e
documentos.

- Surgiu no meio rural, mas a doutrina entende que nada impede que haja
consórcios de empregadores urbanos.