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CURSO A ADOÇÃO EM RELAÇÕES HOMOAFETIVAS: uma evolução no modelo jurídico brasileiro

MÓDULO: TEXTO BASICO

1 – INTRODUÇÃO

Antes da CF/88, a família baseava-se unicamente no casamento, sendo constituída por um casal de sexos opostos e filhos. A mulher vivia exclusivamente
para dedicação no lar. Só eram reconhecidos como filhos os biológicos, filhos tidos fora do casamento, os “bastardos”, nem ao menos entravam na
sucessão. A partir da CF/88, foram mencionados outros formatos de família, como a união estável, e juntamente veio à possibilidade da adoção de crianças
abandonas, bem como seus direitos adquiridos sobre o rol sucessório, inclusive a identificação e direitos iguais aos filhos gerados fora do casamento.

Hoje, enfrentamos mais uma barreira nesta sociedade pré-conceituosa, os casais homossexuais estão ganhando cada vez mais espaço no meio social, antes
essas relações eram menos comum, diga-se de passagem, mas como se vive em país livre, essas relações são cada vez mais comuns inclusive algumas
reconhecidas nos tribunais. Com esses reconhecimentos, os casais homossexuais lutam por direitos iguais aos casais heterossexuais, pois em muitos casos
essas relações são muito mais saudáveis e cheias de afeto do que as relações “tradicionais” entre homem e mulher.

É dentro desse contexto de transformação que os homossexuais encontram respaldo para lutar pelos seus direitos. Embora o homossexualismo tenha
existido durante toda a história da humanidade, o largo período de domínio cultural da Igreja fez com que a homossexualidade fosse vista como uma
doença, arraigando um enorme preconceito na sociedade, tão forte que está presente até nos dias atuais.

Estamos vivendo apenas o início do que será uma longa caminhada contra o preconceito até que os direitos dos homossexuais venham a ser reconhecidos
pela lei. Mas a falta de legislação não é motivo para que os juristas brasileiros fechem os olhos para esta realidade, deixando desamparados pelo sistema
jurídico cidadãos que lutam para ter sua orientação respeitada e acima de tudo reconhecida.
A adoção é uma das várias questões que, por não serem reguladas por lei, causam restrições na vida desses indivíduos. É viável, entretanto, que os juristas
garantam esse direito a pares homossexuais, para que estes possam vir a construir família, o que vai ao encontro dos Princípios da Igualdade e da Dignidade
da Pessoa Humana.

2 – FAMÍLIA

O Código Civil de 2002 não apresentou uma definição de família. Entretanto com as constantes transformações em nossa sociedade o conceito de família
vem sofrendo modificações. A Constituição Federal de 1988 trouxe maior abrangência a esse conceito ao considerar a possibilidade de famílias formadas
fora do casamento, considerou também a família composta por um dos progenitores e sua descendência, denominada família monoparental, abandonando
o que antes era regra, ou seja, a família patriarcal que é herança do direito romano.

Maria Helena Diniz faz a seguinte orientação:

“Na significação restrita, a família é caracteriza pelo conjunto de pessoas que descendem de tronco ancestral comum, que são unidas pelos laços do
casamento ou da filiação, ou ainda, que são ligadas pelo parentesco e pelo casamento”.

Família, portanto é a união de pessoas estabelecidas por vínculos consanguíneos ou afetivos. Entretanto não podemos nos atrelar a uma única definição
haja vista que, esse assunto está em constante mutação, podendo-se afirmar que por ser algo tão complexo atualmente é impossível dar uma definição
completa para família. Família, pois, não é mais algo pré-determinado como ocorria anteriormente, uma vez que as famílias já não são mais guiadas por um
modelo ou padrão.

Um claro exemplo é o fato de a mulher ter sido inserida no mercado de trabalho ou ainda a legalização do divorcio que veio acompanhado da possibilidade
de mulheres se tornarem chefes de família uma vez que antes dessas mudanças a mulher era totalmente dependente e submissa ao marido, assim como os
filhos que também eram considerados como propriedade. Outro fator, de fundamental importância foi à igualdade adquirida por filhos concebidos fora do
laço matrimonial garantida pela Constituição Federal de 1988, que veda qualquer forma de discriminação entre os filhos.

Atualmente podemos ter família de varias formações um exemplo e o caso da família formada por apenas duas pessoas ou quem sabe somente pelos filhos
ou ainda pelo pai e filhos. Também podemos verificar que a família atual não é somente a formada por laços de sangue, temos a família por afinidade que
tem as mesmas garantias e direitos da família natural.

Por essa razão o Direito busca a cada dia se adequar as constantes transformações sociais e culturais da família, pois a função do Direito é servir a sociedade
conforme seus anseios e necessidades.

Discorreremos um pouco mais sobre os tipos de famílias usuais. Os três tipos de família mais comuns em nossa sociedade são família matrimonial, família
informal e família monoparental. Sendo assim, falaremos um pouco mais a respeito do assunto a começar por família matrimonial:

Por algum tempo a única forma de família aceita pela sociedade era a família matrimonial que se dava pelo enlace formal do casamento de maneira formal
e litúrgica de acordo com a religião dos nubentes. Conforme o artigo 229 do Código Civil de 1016.

A família só se tornaria legítima com a formalização do casamento de acordo com a antiga redação do artigo 229 do código civil de 1916 onde tinha a
seguinte redação:
“Art. 229 - Criando a família legítima, o casamento legitima os filhos comuns, antes dele nascidos ou concebidos”.

Essa situação era tão séria que os filhos tidos fora do casamento além de considerados ilegítimos sofriam discriminação por toda sociedade de forma a
serem considerados inferiores em relação aos filhos tidos no seio do casamento. No entanto a Constituição Federal de 1988 proibiu qualquer forma de
discriminação de filhos tidos no casamento ou fora do casamento segundo é possível se verificar em seu artigo 227, parágrafo 6º:

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

§ 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações
discriminatórias relativas à filiação.

Como é evidenciado no artigo citado acima nossa Constituição Federal nos trouxe a proibição de qualquer forma de discriminação dos filhos, mesmo
aqueles tido com mulheres fora do casamento, essa medida buscou igualar os direitos e obrigações em relação aos filhos.

Dessa maneira a família matrimonial deixou de ser a única espécie reconhecida como família, uma vez que a nossa Constituição Federal ao reconhecer a
família como base da sociedade em seu artigo 226, passou a reconhecer além do casamento a união estável e a família monoparental como família e por ser
base da sociedade a família tem especial proteção do Estado.
A União Estável tem diferentes denominações entre elas, união informal e o concubinato. Podemos entender a família informal como a constituída sem
formalizações, essa união é conhecida atualmente como união estável. Esse tipo de família tem amparo legal conforme o artigo 226/CF

“Art. 1º É reconhecida como entidade familiar à convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher, estabelecida com objetivo de
constituição de família”.

É amparada ainda pelo nosso código civil, como mostra o artigo 1.723. “É reconhecida como entidade familiar à união estável entre o homem e a mulher,
configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.

Podemos dizer que a união estável é a união de um homem e uma mulher de forma livre e espontânea, com objetivo de constituição de uma família de
forma continua e duradoura. É importante salientar que caso ocorra um dos impedimentos do artigo 1.521 do código civil a união entre duas pessoas sendo
as duas impedidas ou uma apenas impedida não será considerada união estável, será considerado concubinato conforme o artigo 1.727 do código civil “As
relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato”, nesse caso não haverá amparo legal com exceção da
pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente.

Com o passar dos tempos a união estável conquistou algumas garantias, entre essas garantias o regime de bens caso não convencionado será o de
comunhão parcial de bens, é direito ainda a conversão da união estável em casamento com base no artigo 1.726 do código civil. “A união estável poderá
converter-se em casamento, mediante pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil”.

É possível perceber algumas características semelhantes entre a união estável e o casamento, a diferenciação esta no fato de a união estável ser informal e
o casamento formal.
A respeito de família monoparental, por seu turno, poderia ser vislumbrada como a família constituída por qualquer um dos pais e seus descendentes,
conforme está inserido no artigo 226; § 4º da Constituição Federal “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. Entende-se, também,
como entidade familiar à comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”.

O projeto de lei de 2007 do Dep. Sérgio Barradas Carneiro tem a seguinte definição de família monoparental:

Art. 69. As famílias parentais se constituem entre pessoas com relação de parentesco entre si e decorrem da comunhão de vida instituída com a finalidade
de convivência familiar.

§ 1. ° Família monoparental é a entidade formada por um ascendente e seus descendentes, qualquer que seja a natureza da filiação ou do parentesco.

O rol de motivos para o surgimento ou criação de família monoparentais é enorme, entre esse motivos podemos citar as famílias formadas por viúvos, pais
solteiros que criam seus filhos biológicos, pais que decidem adotar de forma individual, pais separados ou divorciados e mulheres que fazem inseminação
artificial.

Atualmente se tornar uma família monoparental não é mais só uma questão de necessidade, a cada dia é mais comum os pais ou mães resolverem assumir
a responsabilidade de criar os filhos de forma independente. Um fator que tem contribuído de forma elevada para o surgimento das famílias monoparentais
é a decisão, principalmente das mulheres de ter filhos de forma independente. Ao contrario do que ocorria antigamente para a formação e reconhecimento
de uma família, não é mais indispensável à presença de uma união matrimonial, pois a família monoparental tem especial proteção do Estado conforme o
artigo 226 de nossa Constituição Federal.

3 – FAMÍLIA NATURAL X FAMÍLIA SUBSTITUTA

Família substituta é aquela constituída por decisão judicial conforme o artigo 19 da lei 8.069/90; e a família natural ou biológica é a formada pelos pais ou
por apenas um deles e seus descendentes com base no artigo 25 da lei 8.069/90.

A colocação em família substituta é umas medidas excepcionais, que tem por objetivo garantir as integridades física, psicológica e emocional da criança ou
adolescente. Essa medida deverá ser aplicada somente quando esgotados todos os esforços para a permanência da criança ou adolescente em sua família
biológica.

A família substituta pode ser classificada em três modalidades; a primeira modalidade é a guarda sendo quando os cuidadores adquirem de forma
permanente ou provisória a posse da criança ou adolescente, quando os pais biológicos não querem ou não podem permanecer com a posse da criança ou
adolescente; a segunda modalidade é a tutela que se configura como o poder instituído a um adulto para ser representante legal da criança ou adolescente
menor de 18 anos e não emancipado, na falta dos pais; devido à destituição do poder familiar ou falecimento, para gerir a vida e administrar os bens da
criança ou adolescente; e a terceira é a adoção onde a família substituta adquire de forma definitiva a guarda da criança ou adolescente.

A guarda tem uma peculiaridade, pois diferentemente das outras modalidades de família substituta poderá ser deferido tanto a alguma instituição, como
para pessoa física que terão o direito de se opor a terceiros, até mesmo aos pais objetivando atender o melhor interesse da criança e adolescente. Outra
característica da guarda é que ainda que permanente não faz coisa julgada, podendo ser modificada se atender ao melhor interesse da criança ou
adolescente, e por fim é importante frisar que na guarda ocorre a convivência com o poder familiar.
A colocação da criança e do adolescente e família substituta deve ser medida excepcional conforme o artigo 19 da lei 8.069/90, tal medida nunca deverá ser
praticada como regra, antes de recorrer a essa medida é necessário que o Estado tome todas as medidas possíveis para que a criança mantenha seus
vínculos biológicos.

Somente depois de esgotadas todas as possibilidades de permanecia da criança em sua família biológica é que se vai buscar uma família substituta que
possa atender o melhor interesse da criança ou do adolescente porquanto tal medida será sempre voltada a atender o interesse da criança e do adolescente
e não interesse de particulares.

4 – A FAMÍLIA NO TEXTO CONSTITUCIONAL E NO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO:

A nossa Constituição Federal em seu artigo 226 coloca a Família como base da sociedade e lhe garante proteção especial por parte do Estado.

Em nosso direito brasileiro o estado de filiação esta fundamentada nos artigos 1593, 1596, 1597 do Código Civil e 227 da Constituição Federal. Esse estado
de filiação pode ocorrer de três maneiras: a filiação biológica em face de ambos os pais ou em face de um único pai, como ocorre na família monoparental; a
filiação não biológica em razão de ambos pais, proveniente de adoção; ou de apenas um dos pais que adotou exclusivamente o filho e filiação não biológica
em face do pai que autorizou a inseminação artificial. Nessas hipóteses, a convivência familiar e a afetividade são conjeturadas, mesmo que não ocorram de
fato.

A Constituição Federal de 1988 e o nosso Código Civil 2002 vieram com uma importante mudança em relação à filiação, porquanto o artigo 227, § 6º, trouxe
de forma expressa a proibição de qualquer forma de discriminação dos filhos independente se há ou não laços biológicos.

O artigo 1.596 do Código Civil reforça essa garantia advinda da filiação, vedando qualquer forma de discriminação relativa à filiação. Pois conforme estes
artigos não importa a origem da criança ou adolescente, o que importa é o laço afetivo.
A Constituição Federal de 1988 representou importante marco na trajetória do Direito Civil pátrio, provocando um verdadeiro abalo estrutural do sistema
jurídico, estabelecendo uma nova ordem, promovendo a determinada “constitucionalização do Direito Civil”, trazendo profundas mudanças em especial ao
Direito de Família. A Constituição lançou dois princípios estruturais daquilo que se denomina de “nova filiação”: o primeiro, da plena igualdade entre os
filhos (insculpido no art 227, § 6º); e o segundo - que é o que mais interessa no caso em comento - consiste na adoção pela Constituição Federal da doutrina
da proteção integral da criança e do adolescente (art. 227 da CF), os quais passam a ter reconhecido e garantidos direitos próprios a sua condição de
pessoas em desenvolvimento.

Essa vedação de discriminação aplica o principio da isonomia previsto no artigo 5º, caput, da Constituição Federal, garantindo a igualdade de todos os filhos
de forma civil e patrimonial. Pois tal discriminação afeta ainda a dignidade da pessoa humana, já que ninguém deve sofrer nenhuma forma de discriminação
principalmente crianças e adolescentes que são tutelados pelo nosso ordenamento jurídico de forma diferenciada por serem considerados hipossuficientes.

PODER FAMILIAR E POSSIBILIDADES DE DESTITUIÇÃO

Primeiramente faz-se necessário tentar definir o que vem a ser o poder familiar, entendemos poder familiar como o conjunto de direitos e deveres que o
pai tem sobre os filhos que ainda não atingiram a idade civil ou que não foram emancipados civilmente. Esses deveres englobam os deveres de assistência,
dedicação, afeto, auxílio mútuo entre, outros deveres.

Segundo Silvio Rodrigues poder familiar, “é o conjunto de direitos e deveres atribuídos aos pais, em relação à pessoa e aos bens dos filhos não
emancipados, tendo em vista a proteção destes”.
Já para Carlos Roberto Gonçalves, “é o conjunto de direitos e deveres atribuídos aos pais, no tocante à pessoa e aos bens dos filhos menores”.

De acordo com as definições apresentadas acima, podemos dizer que poder familiar são os direitos e deveres dos pais, relativos aos filhos menores de 18
anos ou filhos não emancipados. O objetivo desse poder familiar é garantir o direito e dever de criação, educação, assistência tanto educacional como
afetiva da criança e do adolescente.

Antigamente o poder familiar era conceituado como pátrio poder, pois quem tinha poder sobre a família era somente o homem “pai” que era considerado
como chefe de família, a mulher não tinha direito de interferir nas decisões familiares e muito menos na criação dos filhos, para a época era inconcebível
que uma mulher fosse chefe de família, pois assim como os filhos mulher era submissa ao poder do chefe de família, porém com as constantes
transformações em nossa sociedade e principalmente a evolução da família a mulher passou a exercer importante papel na família, e em alguns casos a
mulher passou a exercer o papel de chefe de família onde ela exerce a importante função de sustento e educação dos filhos menores.

Devidos aos constantes abusos praticados por alguns homens em relação às mulheres foram, criadas legislações com objetivo de defender os direitos e
deveres da mulher , como exemplo temos hoje lei Maria da Penha, que busca proteger a mulher de qualquer forma de violência. O artigo 1ª dessa lei tem a
seguinte redação:

Art. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição
Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a
Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Atualmente podemos verificar que existem famílias inteiras que são chefiadas por mulheres, pois em alguns casos, a elas cabe o dever de sustento,
educação e afeto, e não é por essa razão que tem a descaracterização de família. Sendo assim, a expressão pátrio poder que era, utilizada no antigo Código
Civil de 1916, na época usual, já que como demonstramos era exercido exclusivamente pelo pai de família, mudou para poder familiar onde o poder familiar
tornou-se dever tanto do pai como da mãe, ou seja, atualmente o poder familiar é um dever e direito conjunto dos pais.

O poder familiar surgiu por necessidade, como leciona Carlos Roberto Gonçalves, com o nascimento dos filhos nascem também uma serie de obrigações e
deveres, já que diferentemente dos animais as crianças não podem ser criadas ao léu, crianças necessitam de alguém que as direcione e as eduque de forma
a não permitir que elas corram riscos físicos e psicológicos, crianças precisam de afeto de dedicação e de carinho.

Por outro lado o antigo o pátrio poder de Roma era bem distinto do poder familiar que conhecemos atualmente, o pai era chefe de toda a organização
familiar, e detinha todo o poder sobre os seus filhos. Esse direito que ele detinha era absoluto. Pois, era por meio de sua autoridade que se estabelecia à
disciplina da família, tal autoridade era por vezes considerada ilimitada, pois o pai tinha direito de punir de expor, de vender seus filhos e de até mesmo
matá-los.

Inicialmente o filho não tinha patrimônio próprio, pois tudo que ganhasse pertencera a seu pai. As mudanças referentes ao patrimônio dos filhos
começaram a chegar primeiro teve direito a propriedade dos bens que adquirisse na vida militar, posteriormente passou a ter direito aos demais, vieram
também mudanças referentes aos direitos do pai dispor da vida do filho.

Podemos verificar que o pátrio poder era destinado a atender os interesses exclusivamente do pai, independente da integridade física e psicológica do filho,
ate então não tinha no que se falar em melhor interesse da criança e do adolescente.
Modernamente essa situação se reverteu totalmente, uma vez que o instituto do poder familiar ganhou caráter protetivo aos filhos, tendo em vista que, os
direitos dos pais sobre os filhos foram reduzidos e suas obrigações majoradas.

O poder familiar será sempre instituído com alicerce no interesse dos filhos e da família, em conformidade com o princípio constitucional contido no artigo
226 parágrafo 7º, onde dispõe que a família por ser base da sociedade terá sempre direito a proteção do Estado.

O poder familiar veio como uma forma de proteção aos interesses da criança e do adolescentes, uma vez que os pais alem de direitos sobre as crianças e
adolescentes tem acima de tudo o dever de proteção e direção das crianças e adolescentes que estão sobre sua responsabilidade.

Também conceituou poder familiar, de forma esplendida Diniz:

O poder familiar constitui um múnus publico, isto é, uma espécie de função correspondente a um cargo privado, sendo o poder familiar um direito-função e
um poder-dever,... É irrenunciável, pois os pais não podem abrir mão dele; é inalienável ou indisponível, no sentido de que não pode ser transferido pelos
pais a outrem, a título gratuito ou oneroso, salvo caso de delegação do poder familiar, desejadas pelos pais ou responsáveis para prevenir a ocorrência de
situação irregular do menor,... É imprescritível, já que dele não decaem os genitores pelo simples fato de deixarem de exercê-lo, sendo que somente
poderão perdê-lo nos casos previstos em lei; é incompatível com a tutela, não podendo nomear tutor a menor cujo pai ou mãe não foi suspenso ou
destituído do poder familiar; conserva, ainda, a natureza de uma relação de autoridade por haver vínculo de subordinação entre pais e filhos, pois os
genitores têm poder de mando e a prole o dever de obediência.

Como disposto no artigo 1.631 do Código Civil, os filhos menores estão sujeitos ao poder familiar, independentemente, se são filhos biológicos ou adotivos,
haja vista que, conforme o artigo 227 da nossa Constituição Federal é proibida qualquer forma de discriminação entre filhos biológicos e adotivos. O poder
família é prerrogativa dos pais, devendo em regra durar por toda menoridade civil. O poder familiar não poderá sofrer renúncia voluntária, haja vista que
essa função é revestida de caráter irrenunciável, inalienável e indelegável. Todavia, caso ocorra constatação da existência de conflito com o exercício do
poder familiar poderá ocorrer à possibilidade de suspensão ou em casos mais graves a perda. Já que, o poder familiar é uma instituição de grande
importância, ao qual recai sobre os pais as obrigações e direitos diante dos filhos.

Todavia, não são suficientes para que haja a destituição do poder familiar situações de miséria e pobreza conforme o artigo 23 da lei 8.069. Tendo em
consideração que é dever do Estado proporcionar políticas sociais de apoio, para a preservação dos vínculos familiares.

O estado tem legitimidade para adentrar no seio da família, com o objetivo de defender o melhor interesse da criança e do adolescente. Sendo assim, o
Estado deve fiscalizar o poder familiar como meio de evitar qualquer atitude lesiva a criança e adolescente.

Efetivamente, verificando que os pais, pelo seu comportamento, de um modo ou de outro prejudicam os filhos, o ordenamento jurídico reage e, conforme a
menor ou maior gravidade de falta praticada, suspende-os, ou os destitui do pátrio poder ou poder familiar.

A suspensão e a destituição do poder familiar constituem, assim, sanções aplicadas aos pais pela infração ao dever genérico de exercerem o poder parental
de acordo com regras estabelecidas pelo legislador, visam atender ao maior interesse do menor.

Este tipo de sanção citada acima não tem o intuito de punir os pais, o objetivo dessa medida é a garantia do interesse dos filhos, pois em nenhuma hipótese
a criança poderá ficar em situação de risco, ainda que quem as coloque em tais situações sejam os pais. Contudo, depois de findadas as situações que deram
origem à suspensão ou à destituição, haverá um estudo para se verificar a possibilidade de devolução do poder familiar. A suspensão é uma medida menos
grave, caso seja eliminada a causa que a gerou, poderá ocorrer uma decisão judicial determinando a volta da criança ou adolescente para casa, para que
possa gozar do convívio com os pais. A suspensão do pode familiar é uma faculdade do juiz, tendo em vista que ele deve sempre analisar qual é a melhor
alternativa para a criança ou adolescente.

A consequência da suspensão é o impedimento, temporário dos pais exercerem o poder familiar. A suspensão pode ocorrer em três hipóteses:
descumprimentos dos deveres pelos pais; causar a ruína dos bens dos filhos e ser condenado por sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja pena
exceda a dois anos de prisão, conforme preleciona o artigo 1637 do Código Civil.

A suspensão poderá ser reavaliada, com intuído de se buscar a extinção dos fatores que a provocaram, pois em todo caso deve ser priorizado o interesse
dos filhos e da convivência familiar. Por ser uma medida de caráter excepcional, a suspensão só deverá ser deferida, caso não haja outra medida, que
proporcione a defesa do interesse e segurança da criança e do adolescente.

Já extinção tem caráter definitivo, sendo a interrupção de forma definitiva do poder familiar, as hipóteses da extinção do poder familiar são: morte dos pais;
emancipação do filho, maioridade civil do filho; adoção do filho, por terceiros e perda em razão de decisão judicial. A extinção do poder familiar está
disposta no Código Civil no artigo 1.635.

Caso um dos pais morra, restara ao pai sobrevivente a titularidade do poder familiar, sendo assim, a extinção só atingirá o pai falecido.

Por outro lado à perda do poder familiar está prevista no artigo 1638 onde temos quatro possibilidades de destituição judicial do poder familiar, que são:
castigo imoderado do filho; abandono do filho; pratica de atos contrários à moral e aos bons costumes e reiteração de faltas aos deveres inerentes ao poder
familiar. O castigo imoderado poderá ser físico ou psíquico. Com efeito, dispõe o Código Civil em seu artigo 1638. A perda é imposta em defesa do interesse
da criança e do adolescente.
5 – RELAÇÕES HOMOAFETIVAS

Tema de grande debate na sociedade, as relações homoafetivas compõem também, atualmente, um tema de singular importância no âmbito jurídico, já
que tais relações não implicam somente um modelo de opção sexual.

De forma ascendente, o Direito também tem que acompanhar as mudanças pela qual a sociedade passa, assim, no Brasil, até meados do século XX a união
estável só era aceita entre casais heterossexuais, e em 2011, a união estável entre casais homoafetivos passou a ser reconhecida, ou seja, os
relacionamentos homoafetivos sempre existiram, dias após dia demandam soluções judiciais. Os cientistas, estudiosos e operadores do Direito não podem
ficar alheios a este fato social, que em boa parte dos ordenamentos existentes não está judicialmente tutelado. Entretanto, a preocupação com a regulação
das uniões homoafetivas integra a agenda do pensamento jurídico mundial.

Hoje, alguns países do mundo deixaram cair a venda outrora existente para ignorar os vínculos homoafetivos. Pouco a pouco, a homoafetividade vem
ganhando visibilidade social e jurídica, como se observará no presente estudo, são consagradas soluções nas legislações internas dos mais diversos países e
territórios ao redor do mundo. É mister ressaltar que Estado análise também serve para evidenciar a inadequação do tratamento jurídico deferido a tais
relacionamentos no Brasil, assim como a inadequação de alguns modelos de enquadramento jurídico existentes em territórios alienígenas, que a priori,
podem parecer esquemas de regulação apropriados, mas não devem servir de exemplos a países que ainda estão por regular as uniões homoafetivas.

Devem ser tidos, meo judicio, como modelos de regulação transitória, temporária ou complementar, não como os únicos possíveis. Assim, será feita uma
referência a possíveis modelos de enquadramento jurídico das uniões homoafetivas. Logo em seguida, são trazidos a baila os avanços legislativos no mundo.
É no mínimo constrangedor, para não dizer outra coisa, que em pleno o século XXI, um país como o Brasil, ainda não conte com a legislação que estenda aos
casais homoafetivos, os mesmos direitos de que desfrutam os casais heterossexuais. É igualmente desconfortável notar que, no mesmo passo, o STF
também não tenha, até o momento, pronunciado qualquer decisão que reconheça os direitos desta entidade familiar.

Infelizmente, em função dos descabido, preconceito e de tantas formas de discriminação de que são vítimas os homoafetivos, a ausência de norma
reguladora das uniões homoafetivas e de pronunciamento do STF a respeito, acaba por gerar, insegurança jurídica, e disseminar ainda mais o preconceito.
Não obstante, o fato é que não existe, nem nunca existiu qualquer argumento jurídico capaz de sustentar qualquer fator de discriminação em relação às
uniões homoafetivas, de modo que tanto o Poder Legislativo, quanto a Corte Suprema, diante de uma inexplicável “lentidão”, em enfrentar o tema se
demonstrando incapazes de adequar aos novos tempos e a nova realidade social e cultural, prestando, com isso um desserviço ao povo brasileiro.

Assim, torna-se essencial considerar as transformações de valores culturais e mentais, visto que se dão de forma lenta. A sociedade cresce,
consequentemente, crescemos com aquilo que herdamos em nossa infância, e só muito devagar nos libertamos de alguns conceitos antigos e
ultrapassados, preconceitos estes que já não fazem parte da nossa vida moderna, já que a sociedade era doutrinada psicologicamente, pelos seus pais, que
um casal só poderia ser composto por um homem e uma mulher.

Conviver com tal orientação sexual, mesmo que de forma preconceituosa, ao longo dos anos foi se modificando. Socialmente, tais comportamentos que
eram considerados como doenças mentais no passado ou desvios sociais, após muitas lutas, os próprios homoafetivos, cansados de sofrer perseguições e
inúmeros preconceitos, passaram a defender seus ideais, essencialmente, que sua orientação não era patológica, passando, assim, a mudar a sua própria
concepção por parte da Psicologia sobre o conceito de tratar a homossexualidade como uma simples doença.
Diante disso, a Lei Fundamental de 1988 passa a reconhecer os novos modelos de família, onde foram denominadas entidades familiares. Da mesma forma
que a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 5º diz que: “Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no país, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

Com a Carta Magna, temos como lição, e que não pode ser desrespeitada, que é a liberdade de escolha, assim, qualquer indivíduo pode escolher com queira
viver, sem que tal escolha prejudique o próximo. Logo, é imprescindível que a liberdade de escolha pelos casais homoafetivos de ter as suas próprias
escolhas e sua vida particular sejam respeitadas diante toda a sociedade, como verdadeiros cidadãos, sem distinção, não sendo, assim, necessária a busca
de seus direitos perante a justiça, já que a Constituição Federal já lhes confere tais direitos.

Assim, de acordo com a Constituição Federal, o respeito à dignidade humana, é uma de seus princípios essenciais, visto que preconiza os princípios da
igualdade e da isonomia, princípios estes que possuem uma potencialidade transformadora nas formas de todas as relações jurídicas, entre elas, as regras
da união estável, tais regras que devem ser utilizadas na união de casais homoafetivos.

Diante disso, Alexandre de Moraes defende que:

“Os direitos de igualdade, de liberdade, de intimidade, direitos fundamentais consubstanciadores das cláusulas em geral, da dignidade da pessoa humana, a
proibição a qualquer forma de discriminação impõem limites bastantes demarcados no que tange à impossibilidade de tratar de modo diverso as pessoas,
como base em sua orientação sexual, opção individual que integra a esfera do lícito, e que, merece, por todas estas razões, proteção jurídica concreta e
eficaz”.
A discriminação jurídica em não se reconhecer uma relação afetiva entre sujeitos, devido à sua orientação sexual, mostra-se inconstitucional, pois contraria
à dignidade humana. Logo, sob esse ponto de vista, a discriminação jurídica em não se reconhecer uma relação afetiva entre os sujeitos, devido à sua
orientação sexual, torna-se uma ação inconstitucional, visto que a mesma é contrária à dignidade da pessoa humana.

Segundo os especialistas, a dignidade da pessoa humana deve encerrar um conteúdo normativo, e não, tão somente, de se resumir a um apelo ético.
Portanto, esse princípio serve como instrumento informativo da necessidade de providências que o implementem.

Diante disso, de acordo com o Ministro Celso de Mello:

O magistério da doutrina, apoiando-se em valiosa hermenêutica construtiva, utilizando-se da analogia e invocando princípios fundamentais (como os da
dignidade da pessoa humana, da liberdade, da autodeterminação, da igualdade, do pluralismo, da intimidade, da não discriminação e da busca da
felicidade), tem revelado admirável percepção do alto significado de que se revestem tanto o reconhecimento do direito personalíssimo à orientação sexual,
de um lado, quanto a proclamação ético-jurídica da união homoafetiva como entidade familiar, de outro, em ordem a permitir que se extraiam, em favor de
parceiros homossexuais, relevantes consequências no plano do Direito e na esfera das relações sociais.

Embora, atualmente, ainda não haja uma lei formal para definir a matéria, no entendimento de alguns tribunais, entre eles um recente julgamento do
Supremo Tribunal Federal (STF), há um reconhecimento da união homoafetiva, onde estabelece direitos previdenciários, direitos sucessórios, direito ao
benefício do seguro de saúde e qualquer outra garantia legítima, como em uma união estável tradicional entre casais heterossexuais

6 – A UNIÃO HOMOAFETIVA NO BRASIL


Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma qualquer. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico
mandamento obrigatório, mas a todo sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, conforme o escalão do
princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais.

Diante desse contexto, recentemente no Brasil, o STF aprovou em maio de 2011 a união estável entre pessoas do mesmo sexo, o que foi um grande avanço
no reconhecimento dos direitos dos casais homoafetivos, ou seja, uma conquista muito importante, principalmente, no sentido de ampliar e garantir seus
direitos.

Historicamente, no Brasil, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), existem mais de 60 mil casais que se declararam
estar em um relacionamento homoafetivo, número esse que não condiz com a realidade brasileira, visto que como já foi exposto anteriormente, muitos
casais podem ter omitido sua orientação sexual em face do preconceito que ainda é comum em nossa sociedade. De acordo com o ponto de vista jurídico,
essa conquista não é uma ferramenta que proporciona uma mudança radical, mas que ocasiona a legalização e direitos outrora negados a esses casais.

Assim, Lenza ressalta que:

Parece, então, que a união homoafetiva, à luz do princípio da dignidade da pessoa humana (art.1, III – regra-matriz dos direitos fundamentais), do direito à
intimidade (art.5, X), da não discriminação, enquanto objetivo fundamental do Estado (art.3, IV), da igualdade em relação ao tratamento dado à união
estável entre um homem e uma mulher (art.5, caput), deva ser considerada entidade familiar e, assim, ter o tratamento e proteção especial por parte do
Estado, exatamente como vem sendo conferido à união estável entre um homem e uma mulher.
Nesse sentindo, ao longo da história, nota-se que a relação homoafetiva sempre se fez presente, mas que varia conforme o nível de aceitação familiar e
social e até mesmo do ponto de vista cultural de um país, sendo pública ou não, essa relação sempre existiu. Mas considerando que a homossexualidade
carrega uma grande carga de preconceito, não houve um consenso na opinião pública com relação à decisão toma pelo STF, já que tal questão toca na
fronteira da religiosidade das pessoas, as quais consideram tal relacionamento como imorais.

Contudo, conforme a Declaração do Direitos Humanos da ONU2 (1948):

Nada na presente Declaração poderá ser interpretado no sentido de conferir direito algum ao Estado, a um grupo ou uma pessoa, para empreender e
desenvolver atividades ou realizar atos tendentes a supressão de qualquer dos direitos e liberdades proclamados nesta Declaração.

Ou seja, a liberdade sexual é algo que cada pessoa possui e deve mantê-la, independentemente de sua opção sexual, visto que conforme defende a
Constituição Federal, a liberdade e a dignidade humana estão em primeiro lugar.

Junto com a legalização da união entre esses casais homoafetivos, surge uma discussão em torno da criminalização da homofobia, já que tal prática é algo
repugnante. A sociedade acha que somente há violência na agressão física ou na morte dos homossexuais, porém, após a aprovação da legalização da união
desses casais, o preconceito se tornou crescente, a exemplo de declarações absurdas e homofóbicas, as quais constatam que muitas pessoas se incomodam
e nutrem a intolerância a respeito da homoafetividade. Por isso, tal tema tem se tornado de suma importância, visto que o preconceito só fortalece a
transformação das mentes quanto ao fato da escolha de cada pessoa.
Apesar de focos de resistência em alguns Estados, vêm se consolidando conquistas nas diversas justiças, instâncias e tribunais de todos os Estados. Não só a
justiça estadual, também a justiça federal assegura direitos no âmbito do direito das famílias, direitos sucessórios, previdenciários e trabalhistas. As decisões
já se contam às centenas.

Portanto, tais direitos devem ser garantidos, já que a jurisprudência é o instrumento mais relevante para garantir aos homossexuais seus direitos e
principalmente a sua liberdade de expressar sua opção sexual

7 – A UNIÃO HOMOAFETIVA NA JURISPRUDÊNCIA

Devido a lacuna do ordenamento jurídico atual, assevera que é dever do magistrado proteger judicialmente as situações derivadas de relações
homoafetivas, assim o Ministro Antônio de Pádua Ribeiro em seu julgamento entendeu que:

Conforme os dispositivos legais, limitam-se a estabelecer a possibilidade da união afetiva entre homens e mulheres e que preencham as condições impostas
pela lei, quais que sejam a convivência pública, duradoura e contínua. Sem, contudo, proibir a união entre dois homens ou duas mulheres. Poderia o
legislador, caso desejasse, utilizar a expressão restritiva, de modo a impedir que a união entre homoafetivos ficasse definitivamente excluída da abrangência
legal, porém, assim não o procedeu.

Assim, entendeu o Ministro, que não existe proibição legal para o reconhecimento da união estável para o reconhecimento da união entre casais
homoafetivos. De acordo com os casos reais apresentados na 4ª Vara da Família de São Gonçalo, Rio de Janeiro, a ação declaratória de união estável, onde
afirmam o início de um relacionamento homoafetivo durante o ano de 1988 e que o casal a mantém até os dias de hoje de forma duradoura, contínua e
pública, consolidada pela consideração e respeito mútuo, pela assistência moral e material recíproca.
Nesse caso, declaram que se conheceram no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, quando o segundo recorrente que é estrangeiro, canadense, se apresentou
na época, a serviço do Canadá ao Brasil, onde decidiram de comum acordo, após iniciarem relacionamento afetivo residirem na mesma residência no
Canadá, onde adquiriram patrimônio e com apoio de amigos e familiares, fizeram uma cerimônia matrimonial e casaram-se conforme a lei canadense
permite, passando, assim, ter um relacionamento sólido, ou seja, uma união estável pautada pela consideração e respeito mútuos entre si.

Contudo, devido os laços com o Brasil, e no intuito de ter a união estável também reconhecida no país, já que visa que seu companheiro canadense possa
obter visto permanente no Brasil, o casal ajuizou a ação declaratória de união estável.

Na época, a sentença se extinguiu o feito sem resolução de mérito e baseou-se no Art. 267, VI, do Código de Processo Civil, apresentando o seguinte
argumento, “(...) o pedido autoral é impossível de ser juridicamente atendido, posto lhe faltar previsão legal”.

Nesse sentindo, o Ministro Antônio de Pádua Ribeiro determinou que o Juiz de 1ª Instância julgasse o mérito, esclarecendo:

A partir da análise dos dispositivos transcritos não vislumbro em nenhum momento vedação ao reconhecimento de união estável de pessoas do mesmo
sexo, mas, tão somente, o fato de que os dispositivos citados são aplicáveis a casais do sexo oposto, ou seja, não há forma específica no ordenamento
jurídico regulando a relação afetiva entre casais do mesmo sexo. Todavia, nem por isso o caso pode ficar sem solução jurídica, sendo aplicável à espécie o
disposto nos artigos 4º da LICC e 126 do CPC. Cabe ao Juiz examinar o pedido e, se acolhê-lo, fixar os limites do seu deferimento.

E acrescentou:
Duas pessoas com relacionamento estável, duradouro e afetivo, sendo homem e mulher forma união estável reconhecida pelo Direito. Entre pessoas do
mesmo sexo, a relação homoafetiva é extremamente semelhante à união estável.

E observou que “a lacuna da lei não pode jamais ser usada como escusa para que o Juiz deixe de decidir, cabendo-lhe supri-la através dos meios de
integração da lei.”

Da mesma forma no Supremo Tribunal Federal, o Ministro Celso de Mello, relator da ADI-MC 3300/DF, o qual tinha o dever de avaliar o artigo 235 do
Decreto de Lei nº 1.001/69, ao declarar extinto o processo por perda de objeto, destacou a importância da discussão sobre o reconhecimento das uniões
estáveis homoafetivas como entidade familiar, na forma que é conceituada e definida pelo Código Civil, Artigo 1.723.

Assim:

E, ao fazê-lo, não posso deixar de considerar que a ocorrência de insuperável razão de ordem formal, esta Adin impugna norma legal já revogada, torna
viável a presente ação direta, o que me leva a declarar extinto este processo, ainda que se trate, como na espécie, de processo de fiscalização normativa
abstrata, sem prejuízo, no entanto, da utilização de meio processual adequado à discussão, in abstrato – considerado o que dispõe o Art. 1.723 do Código
Civil. Da relevantíssima tese pertinente ao reconhecimento como entidade familiar, das uniões estáveis homoafetivas. Arquivem-se os presente autos.
Publique-se

Da mesma forma, decidiu o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul:


O direito brasileiro não veda a sociedade de fato entre pessoas do mesmo sexo, sendo necessário, entretanto, que aquele que busca o ressarcimento sobre
possível participação na aquisição do patrimônio amealhado na constância da sociedade fática, demonstre, através de prova inequívoca, sua participação
efetiva na construção do patrimônio através de aportes financeiros diretos. 2. Como a autora comprova pagamentos feitos relativamente à aquisição do
imóvel, exibindo recibos, é cabível a partilha dos valores pagos. Recurso provido, em parte, por maioria, vencido o Relator. (Apelação Cível Nº 70024543951,
Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 05/11/2008).

Portanto, o dever da jurisprudência é exatamente antecipar um entendimento a ser transformado em lei pelo Congresso Nacional. Logo, ao estender o
conceito de união estável às uniões homoafetivas os Tribunais e os magistrados passam a interpretar de forma coerente a Constituição Federal, visando
essencialmente a efetividade dos princípios da igualdade e dignidade da pessoa humana.

Logo, o fato de negar a existência das uniões afetivas, como de modo divergente sentenciou o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina:

O relacionamento homoafetiva entre pessoas do mesmo sexo não pode ser reconhecido como união estável, a ponto de merecer a proteção do Estado,
porquanto o § 3º do art. 226 da Carta Magna e o art. 1.723 do Código Civil somente reconhece como entidade familiar aquela constituída entre homem e
mulher. (Apelação Cível Nº. 2006.016597-1, da Capital, Relator Des. Mazoni Ferreira).

É privar essas pessoas o direito que lhes é devido, ao Direito não é dado o direito de negar os fatos sociais. Se a união estável entre casais homossexuais
existem cabe ao Direito encontrar os caminhos de forma clara dentro do entendimento e do ordenamento jurídico, para que haja uma solução desses
conflitos gerados desse tipo de relacionamento.
Cabe aos magistrados romper amarras do preconceito e discriminação, compreender que duas pessoas do mesmo sexo podem conviver em união estável
sob a proteção do Estado Democrático de Direito, nesse sentindo, fazer valer o que se diz no Projeto de Lei nº 2.285/07, o Estatuto das Famílias, que dispõe:

Art. 68 - É reconhecida como entidade familiar a união entre duas pessoas de mesmo sexo, que mantenham convivência pública, contínua, duradoura, com
objetivo de constituição de família, aplicando-se, no que couber, as regras concernentes à união estável.

Parágrafo único. Dentre os direitos assegurados, incluem-se:

I - guarda e convivência com os filhos;

II - a adoção de filhos;

III - direito previdenciário;

IV - direito à herança

8 – O CONCEITO DE ADOÇÃO

Maria Helena Diniz ensina:

O ato jurídico solene pelo qual, observados os requisitos legais, alguém estabelece, independente de qualquer relação de parentesco consanguíneo ou afim,
um vínculo fictício de filiação, trazendo para sua família na condição de filho, pessoa que, geralmente, lhe é estranha.
Como resta claro na definição de Maria Helena Diniz o ato é solene, ou seja, é necessário que se siga a forma prevista em lei para que a adoção seja valida,
apesar de constantemente se noticiar atos de adoção de formas não solenes, elas podem consideradas ilegais. Pontes de Miranda leciona que “adoção é ato
solene pelo qual se cria entre o adotante e o adotado relação fictícia de paternidade e filiação”.

Em regra, de acordo com o Estatuto da criança é do adolescente, a adoção é irrevogável, porém da mesma forma que pais biológicos podem ser destituídos
do poder familiar, com os pais adotivos poderá ocorrer o mesmo se estiverem na mesma situação, pois é inaceitável, que pais independentemente se forem
biológicos ou adotivos, coloquem a criança ou adolescente em risco.

Assim podemos afirmar que adoção é o ato jurídico pelo qual alguém, decide dentro dos parâmetros legais tomar para si na qualidade de filho, filho de
outrem que foi destituído do poder familiar. Importante salientar que a criança ou adolescente não pode ser diferenciada dos filhos biológicos, sendo
inconcebível que o adotado sofra qualquer forma de discriminação, no seio da família, ou seja, estamos diante de uma ficção legal, onde é concebida a
paternidade, sendo assim o titular de uma adoção é o legítimo pai, igualando os efeitos da filiação natural.

Adotar é uma palavra genérica e que conforme a situação pode assumir significados diversificados, como: optar, escolher, assumir, aceitar, acolher, admitir,
reconhecer.

Ao nos referir a adoção de uma criança ou um adolescente (filho), o termo adotar passa a assumir um significa particular, ou seja, adotar terá como
significado acolher. Assim, através de instrumentos legais e por vontade própria, como filho legítimo, uma criança e/ou adolescente desamparada pelos pais
biológicos, conferindo-lhe todos os direitos de um filho natural. Portanto, o significado do termo adotar refere-se ao valor que ela representa na vida de
pessoas envolvidas, isto é, pais e filhos.
Para que uma casal possa adotar um filho, todo o processo é semelhante na decisão de se ter um filho natural, exceto pelo processo biológico, ou seja, todo
os demais procedimentos e afetos são iguais, o amor, o afeto, a ansiedade, o desejo, a expectativa, a espera, a incerteza do sexo, da aparência, das
condições de saúde, dos problemas com a educação e o comportamento, os conflitos e uma vida familiar financeira bem consolidada. Esses fatores são
naturais nas relações pais e filhos, independente de serem filhos biológicos ou adotivos.

Assim, a adoção se estabelece como um ato jurídico ou uma forma de filiação, pela qual se aceita como filho, de forma voluntária e legal, uma pessoa que
não seja do seio da família. É uma filiação civil, precisando ser expressa pelas vontades de ambos (adotante e adotado) para fazer parte do convívio de uma
nova família, alguém estranho a ela. Desta forma, é criado com um vínculo visando imitar a filiação natural, conhecida como filiação civil.

9 – APLICABILIDADE DA LEI DA ADOÇÃO NO BRASIL

No Brasil, a adoção foi um processo muito longo, árduo, burocrático e estressante. Atualmente, com o apoio da legislação e o advento dos Juizados da
Infância e da Juventude para uma família que pretende adotar se depara com um processo muito mais fácil e rápido.

A princípio, a adoção surgiu somente para suprir a necessidade do casal infértil, não se tinham em mente a opção de dar uma família para uma criança
abandonada, só recentemente que a visão do Instituto da Adoção mudou, passando-se a enxergá-la como uma forma de proteger a criança, que por algum
motivo já não estava sob a proteção de seus pais biológicos. A “adoção clássica” terá sempre como objetivo ter descendentes, como uma forma de se
perpetuar na história, já a “adoção moderna” visa garantir a todas as crianças o direito de serem criadas em uma família.

Ressalta-se que a adoção é uma ficção jurídica, na qual se tenta criar para a criança uma situação familiar, que por algum motivo, tenha sido desprovida, é a
tentativa de se oferecer a criança a possibilidade de estabelecer laços afetivos próximos como a pessoa ou as pessoas capazes de amá-la e a quem possa
amar, como se fossem seus pais, permitindo-lhe uma educação e desenvolvimento saudável e feliz.
LEGISLAÇÃO

Conforme a história legal do processo de adoção no Brasil nos remete ao início do século XX, onde o assunto passa a ser analisada em 1916 no Código Civil
Brasileiro, logo após essa iniciativa em 8 de maio de 1957 foi promulgada a Lei nº 3.1333. Em 1965 a Lei nº 4.655 e em 1979 a Lei nº 6.697, que estabelece o
Código Brasileiro de Menores.

Contudo, atualmente a legislação vigente a qual se debruça sobre esse assunto é a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o
Código Civil Brasileiro e a Lei nº 9.656/98.

A CONSTITUIÇÃO FEDERAL

A adoção é tratada na Constituição Federal em seu artigo 227, a qual estabelece como dever da família, da sociedade e do Estado assegurar às crianças e
adolescentes os seus direitos básicos.
Art. 227 - É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (BRASIL, CF, Art. 227, 1988)

O § 6º deste mesmo artigo além de proibir “quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação” (BRASIL, CF, Art. 227, § 6º, 1988). E em casos de
adoção, estabelece a equiparação dos direitos dos filhos adotivos aos dos filhos biológicos.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

A partir de um movimento social surgiu a elaboração e a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Em 1990 com a aprovação do Estatuto da
Criança e do Adolescente, através da Lei nº 8.069/90, e que é considerada uma das Leis mais avançadas do mundo em relação a infância, os processos de
adoção no Brasil foram facilitados. O ECA coloca em evidência os interesses do pais (adotando) e estabelece como principal objetivo do processo de adoção
o bem estar da criança, conforme dispõe o Artigo 43, “a adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos
legítimos” (BRASIL, ECA, Art. 43, 1999).

O ECA estabelece que através do ato de adoção os requerentes, ou seja, os pais, conferem ao filho adotado os mesmos direitos dos filhos naturais, isto é,
filhos biológicos e adotivos tem o mesmo tratamento. Assim, o ECA garante o objetivo do conceito de adoção moderna, conseguir uma família para uma
criança e não uma criança para um casal sem filhos.

Ressaltando-se que uma vez concluído o processo de adoção esta é irrefutável, a não ser em caso de maus tratos pelos pais, nesse caso, assim como ocorre
para pais biológicos que maltratam seus filhos, os pais adotivos perdem o pátrio poder e o Estado se responsabiliza pela guarda de seus filhos,
encaminhando-os a uma instituição de menores desamparados até definir sua situação, ou os coloca sob a guarda de um parente que tenha condições de
acolhê-los.

CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO E AS OUTRAS LEIS

Código Civil Brasileiro aprovado em 2002 por meio da Lei nº. 406/2002 reproduz o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente – Eca, no que diz
respeito à adoção. Além desta há ainda a Lei nº. 9.656/1998, que trata dos planos de saúde, mas que vai se debruçar sobre a problemática da adoção
quando estabelece:

Cobertura assistencial ao recém-nascido, filho natural ou adotivo do consumidor, ou de seu dependente, durante os primeiros trinta dias após o parto.
Também assegura a este a inscrição no plano de saúde como dependente, isento do cumprimento dos períodos de carência, desde que a inscrição ocorra no
prazo máximo de trinta dias do nascimento ou da adoção e ainda a inscrição de filho adotivo, menor de doze anos de idade, aproveitando os períodos de
carência já cumpridos pelo consumidor adotante (BRASIL, Lei nº. 9.656/1998).

10 – SURGIMENTO DA ADOÇÃO

Na antiguidade a adoção surgiu como tentativa de dar continuidade ao culto doméstico, já que na época os romanos e gregos tinham como tradição a
veneração aos seus antepassados e aos deuses dos mesmos, todas as famílias gregas e romanas tinham um altar em casa, nesse altar havia um fogo que era
considerado sagrado onde eram oferecidas oferendas aos deuses cultuados e também aos seus ancestrais, porém se não houvesse filhos a tradição ficaria
extinta no meio da família. Essa veneração ocorria através de cada família por meio do culto doméstico.

A adoção seria uma forma de perpetuar o culto familiar. Aquele cuja família se extingue não terá quem lhe cultue a memória e a de seus ancestrais. Assim, a
mesma religião que obriga o homem a casa-se para ter filhos que cultuassem a memória dos antepassados comuns, a mesma religião que impunha o
divórcio em caso de esterilidade e que substituía o marido impotente, no leito conjugal, por seu parente capaz de ter filhos, vinha oferecer por meio da
adoção, um último recurso para evitar a desgraça representada pela morte sem descendentes.

De acordo com a tradição um dos filhos homens deveria prestar culto aos deuses e aos antepassados, caso isso não ocorresse uma desgraça atingiria a casa
da família, trazendo maldição a todos os entes familiares, importante destacar que somente homens poderiam praticar o culto, mulheres não tinham tal
direito. Assim, quando não se tinham filhos não tinha quem praticasse tal culto e nem mesmo que realizasse o funeral dos pais mortos. O filho adotado
continuava o culto do pai adotivo. Posteriormente a adoção vai ter função de transmitir ao adotado o patrimônio do adotante.

Inicialmente mulheres não poderiam adotar, tendo em vista que quem possuía o pátrio poder era sempre o homem, todavia com o passar dos tempos
houve exceções, mas somente para mulheres que tinham perdido seus filhos, entretanto nesse caso a criança só teria direito a herança da mãe.

Na antiguidade quando ocorria a adoção o adotando perdia os vínculos com a família natural, pois agora estaria na posse do pátrio poder da nova família,
sendo assim seu pai adotivo poderia dispor da pessoa do adotando da forma que lhe parecesse melhor. Poderíamos considerar a família como um novo
Estado onde quem governava era o pai “chefe de família”.

Ao ser adotada a pessoa não só receberia um novo nome, mas também os deuses; além disso, o culto doméstico e a tradição da nova família passariam a
ser seus. Interessante frisar que quando um filho era adotado por uma nova família ele não poderia retornar a sua família natural, nem mesmo para
preparar o funeral para seu pai biológico. A única forma de o filho adotado deixar a família adotante seria deixando um filho biológico seu em seu lugar, mas
ele perderia todos os vínculos com esse filho e com a família adotante.
Um filho dado a uma pessoa não faz mais parte da família de seu pai natural e não deve herdar de seu patrimônio. O bolo fúnebre segue a família e o
patrimônio; para aquele que deu seu filho não há mais oblação fúnebre feita a esse filho.

Ao entrar na nova família o adotado não só abria mão dos vínculos naturais, mas também dos cultos e deuses da família anterior, era uma forma de
renuncia a vida anterior como se houvesse de fato nascido na família do adotante, ou seja, uma forma de imitar o nascimento natural como se filho natural
do adotante fosse.

Na sociedade grega a adoção tinha como característica fundamental o rompimento total do adotado com a família de origem, nem mesmo podendo prestar
funerais ao pai biológico, havendo uma clara distinção entre o filho adotivo e o filho natural. Os gregos permitiam que fossem adotados tantos homens
como mulheres, embora só os homens possuíssem o direito de serem adotantes, e apenas os cidadãos pudessem adotar e serem adotados.

Segundo relatos históricos a adoção surgiu para os romanos como “ad-rogação”, pois eles não adotavam apenas uma pessoa, mas toda a família sendo a
adoção em grupo. A forma da “ad –rogação” era pública , ela ocorria em público, mediante a autorização da sociedade; a decisão não cabia ao juiz ele
apenas concluía o que a sociedade já havia decidido.

Já no Código de Hamurábi é possível observar que após o pai adotivo ensinar a criança adotada ela não mais poderá ser reclamada. Um claro exemplo disso
é o artigo 185 “Se alguém dá seu nome a uma criança e a cria como filho, este adotado não poderá mais ser reclamado”.48 Contudo nesse mesmo código
era possível o retorno do filho adotado a família natural, uma evidência disso consta no artigo 186 que afirma que caso o filho adotado se revolte contra os
pais adotivos ele deverá retornar a casa dos pais naturais, ou seja, no código de Hamurábi havia possibilidade da adoção ser revogada.
Podemos verificar até mesmo na bíblia a presença do ato de adoção, no antigo testamento temos algumas passagens que evidenciam a adoção,como
exemplo podemos pegar a narrativa dos fatos que ocorreram na vida de Ester, que ao ser adotada, foi criada por seu tio Mardoqueu como se filha dele
fosse.

Havia então um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu,[...]. Que fora transportado de Jerusalém, com os cativos que foram levados
com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei de babilônia. Este criara a Hadassa (que é Ester, filha de seu tio), porque não tinha pai
nem mãe; e era jovem bela de presença e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha.

Outro exemplo que descreve com perfeição a adoção é o descrito no livro do Êxodo 2.10, que narra: a filha de Faraó achou Moisés no rio e o criou como
filho: “E, quando o menino já era grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou; e chamou-lhe Moisés, e disse: Porque das águas o tenho tirado.”

Uma passagem que também deixa muito evidente o objetivo inicial da adoção, que era dar continuidade à família é a narrativa descrita no livro de Gênesis
vemos a história de Sara uma mulher considerada estéril que por não poder gerar filhos dá para seu marido sua criada para que por ela possa ter um filho, já
que na época era considerado desonra um homem sem descendentes. O interessante é que Sara afirma que pela criada talvez ela possa ter filhos, ou seja, o
filho não seria apenas do marido, mas dela também “E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva;
porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai”.

Já no sistema feudal a adoção entrou em uma extensa crise pois, nesse sistema eram valorizados os laços consangüíneos; outro motivo para sua
impossibilidade era a impossibilidade de entrar em uma mesma família pessoas de classe sociais diferentes. Sendo assim não havia chance de pertencerem
a uma mesma família aldeões, plebeus, senhores feudais.
Somente com a Revolução Francesa a adoção ressurge novamente, através do código Napoleônico, passando também a ser disciplinada em outras
legislações.

Podemos verificar que inicialmente havia uma clara distinção entre filhos biológicos e filhos naturais, a adoção era uma forma de satisfazer o interesses dos
pais adotivos, pouco importando o interesse da criança ou adolescente. Pois após ser adotado a sua vida pertencia a seu pai que exercia o pater famílias

11 – A EVOLUÇÃO DO INSTITUTO DA ADOÇÃO

11 – A EVOLUÇÃO DO INSTITUTO DA ADOÇÃO

A adoção surgiu como forma de dar continuidade a família , mesmo para aquelas pessoas que não podiam ter filhos, o objetivo da adoção era também
perpetuar o culto familiar evitado assim a desgraça representada pela morte sem descendentes, pois segundo algumas tradições se não houvessem filhos
herdeiros não teria quem prestasse o culto, não teria também quem preparasse o funeral para encaminhar a alma dos finados aos seus deuses.

No Brasil a adoção foi disciplinada primeiramente no código de 1916, porem de forma bem diversa da conhecida atualmente, inicialmente só se permitia a
adoção de maiores, como forma de burlar os ditames da sociedade, já que a época era inadmissível que uma mulher desquitada passasse a morar com um
novo companheiro. Para impedir o concubinato, o legislador permitiu que a mulher adotasse o concubino. Tínhamos também uma divisão onde, a adoção
de maiores ficava a cargo do código civil e a dos menores sob a guarda do estatuto da criança e do adolescente-ECA.

Segundo Sílvio Rodrigues quando se refere ao antigo Código Civil de 1916 :


Naquele regime, a adoção só era possível aos maiores de 50 anos, sem prole legítima ou legitimada. Entendia o legislador que, ao atingir essa idade, o casal
já descoroçoara de ter filhos, sendo ademais provável que não viesse a tê-los. Estão, e só então, abria-se-lhe a porta da adoção, a fim de suprir, dessa
maneira uma falta que a natureza criara.

A adoção dos maiores e menores foi regulada em nosso código civil em 2002,porém, em 2009 houve uma serie de mudanças entre elas a revogação e
alteração do código civil de 2002 onde determinou-se que a adoção passasse a ser regulamentada pelo ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente.

Atualmente a primazia da adoção é o melhor interesse da criança e do adolescente, pois inicialmente só se buscavam o interesse dos adotantes e agora não
ocorre mais isso.

A adoção só tem sido aceita como última alternativa, antes dos juizes da vara da infância optarem por inserir uma criança ou um adolescente em uma fila de
adoção, são tomadas varias medidas para tentar readaptar a família biologia para que possa permanecer com a criança ou adolescente, somente após se
esgotarem todas a chances de retorno a família biológica e que a criança estará apta a ser adotada. Outra mudança que o ocorreu é o fato de a adoção ser
irrenunciável, pois a criança não pode ficar a mercê da vontade dos pais adotivos, segundo o ECA- Estatuto da Criança e do adolescente, após o transito em
julgado da sentença que defere a adoção ela será irrevogável, porém os pais adotivos estão sujeitos à perda do poder familiar, por razões semelhantes as
dadas ao pais biológicos.

12 – A FUNÇÃO SOCIAL DA ADOÇÃO

Inicialmente no antigo Código Civil de 1916, objetivo da adoção era alcançar aquelas pessoas que não podiam gerar filhos, de forma a garantir a
perpetuação da família. Contudo a Lei nº 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente, veio baseado no principio do melhor interesse da criança e do
adolescente.
O ECA tem como alvo a proteção do menor em situação de desamparo. Sendo assim, a família substitua é uma alternativa para crianças e adolescentes, que
por alguma razão que gere risco, não possam permanecer com seus pais biológicos. Apesar disso para que a adoção seja deferida faz-se necessário que se
preencha uma serie de requisitos legais.

A adoção não pode se aperfeiçoada em uma necessidade de suprir uma falta gerada pela incapacidade de procriação dos pais adotivos. Nem tão pouco,
como um ato de caridade, pois a criança não necessita de caridade. Ela necessita de uma família que tenha capacidade de lhe dedicar amor, afeto, carinho,
atenção e proteção. Nossa Legislação Brasileira ao deferir a adoção, defende o interesse da criança ou adolescente, de maneira que te como escopo a
formação de um lar para o adotado. Ou seja, instituto da adoção tem como finalidade proporcionar uma família à criança ou adolescente destituído do
poder familiar. No entanto, antes do rompimento familiar é necessário que se faça todas as tentativas possíveis, para a manutenção de vinculo da criança
com sua família biológica.

Essa medida deve ser aplicada apenas como medida excepcional, sendo necessário que seja à exceção e nunca a regra, já que somente depois de esgotados
todos os recursos para manter a criança e o adolescente na família e na comunidade e que se pode cogitar a possibilidade de encaminhar a criança ou
adolescente para adoção.

A legislação estatutária em conjunto com o novel Código Civil trazem a idéia de que o instituto da adoção tem a finalidade de constituição de família,
norteada pela solidariedade e auxílio-mútuo, às crianças e aos adolescentes que, após diversas tentativas, não mantiveram vínculo com seus pais biológicos.

A adoção só deverá ser aplicada quando não existir mais possibilidades de permanência da criança ou adolescente com sua família biológica, haja vista que
esse instituto deve atender o melhor interesse da criança ou adolescente

13 – QUEM PODE ADOTAR DE ACORDO COM A NOVA LEI DA ADOÇÃO?


Conforme o artigo 45 da Lei 8.069, com redação determinada pela lei 12.010/2009, poderão adotar:

Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil.

§ 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando.

§ 2º Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família.

§ 3º O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando.

§ 4º Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podem adotar conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o regime de
visitas e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância do período de convivência e que seja comprovada a existência de vínculos de
afinidade e afetividade com aquele não detentor da guarda, que justifiquem a excepcionalidade da concessão.

§ 5º Nos casos do § 4º deste artigo, desde que demonstrado efetivo benefício ao adotando, será assegurada a guarda compartilhada, conforme previsto no
art. 1.584 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil.
§ 6º A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação de vontade, vier a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada
a sentença.

Conforme o artigo de Lei acima podem adotar; homens e mulheres independente do estado civil, todavia devem ser maiores de 18 anos e no mínimo 16
anos mais velhos que o adotado, devem ainda oferecer um ambiente familiar adequado à criança ou adolescente. Os avós e irmãos do adotando não podem
adotar.

Pessoas solteiras, viúvas ou divorciadas, com modestas, todavia estáveis condições socioeconômicas, podem adotar. é permitida adoção conjunta quando
os candidatos forem marido e mulher ou viverem em união estável, bastando que um deles tenha 18 anos e seja comprovada a estabilidade familiar; no
caso de pessoas judicialmente separadas ou divorciadas a adoção conjunta é permitida se o estágio de convivência com a criança ou adolescente tiver sido
iniciado durante o casamento, todavia devem estar de acordo quanto à guarda e às visitas.

No caso de adoção homossexual o ECA não faz qualquer referência à orientação sexual do adotante. A adoção será deferida desde que apresente reais
vantagens para o adotando, fundamentando-se em motivos legítimos, oferecendo ambiente familiar adequado

14 – A VISÃO DO HOMOSSEXUALISMO NA GERAÇÃO ATUAL

Segundo uma reportagem do Correio brasiliense 75a sociedade ainda vê o homossexualismo como uma doença patológica, apesar de há muito o
homossexualismo ter deixado de pertencer ao quadro de doenças mentais.

Em 1952, a Associação Americana de Psiquiatria publicou, em seu primeiro Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais, que a
homossexualidade era uma desordem, o que fez com que a opção sexual fosse estudada por cientista, que acabaram falhando por diversas vezes ao
tentarem comprovar que a homossexualidade era, cientificamente, um distúrbio mental. Com a falta desta comprovação, a Associação Americana de
Psiquiatria retirou a opção sexual da lista de transtornos mentais em 1973.

Em 1975, a Associação Americana de Psicologia adotou a mesma posição e orientou os profissionais a não lidarem mais com este tipo de pensamento,
evitando preconceito e estigmas falsos. Porém, a Organização Mundial de Saúde incluiu o homossexualismo na classificação internacional de doenças de
1977 (CID) como uma doença mental, mas, na revisão da lista de doenças, em 1990, a opção sexual foi retirada. Por este motivo, o dia 17 de maio ficou
marcado como Dia Internacional contra a Homofobia. Mas, apesar desta resolução internacional, cada país e cultura trata a questão da homossexualidade
de maneira diferente. O Brasil, por exemplo, por meio do Conselho Federal de Psicologia deixou de considerar a opção sexual como doença ainda em 1985,
antes mesmo da resolução da OMS. Por outro lado, a China tomou a atitude apenas em 2001.

Ainda que por muito tempo tenha existido a falsa crença de que a homossexualidade seria um distúrbio mental, a APA(American Psychiatric Association)
chegou a conclusão de que a homossexualidade não e doença, a homossexualidade é apenas uma variante sexual. Porém a sociedade ainda não se
desapegou desse falso conceito. Não é incomum perceber a reação negativa das pessoas quando estão perto de homossexuais algumas pessoas chegam a
fazem comentários desrespeitosos, como se estivessem diante de um crime, outras pessoas se afastam dos homossexuais , como se temessem ser
contaminados por uma doença contagiosa, mas infelizmente essa ainda não é a pior parte.

Atualmente esse quadro tem sem agravado, pois é muito comum encontrar nos noticiários informações de que pessoas homossexuais foram agredidas
física e verbalmente por suas orientações sexuais , um exemplo ocorreu no dia 01 de abril de 2013 onde um casal homossexual foi agredido em um metro
em São Paulo devido a sua orientação sexual. O mais impressionante é que tais atos estão ocorrendo em ambientes públicos onde todos deveriam ser
respeitados independentemente de suas orientações sexuais.

O direito a não sofrer discriminação é um direito fundamental que está inserido no artigo 3º inciso IV do nossa CF/88, que tem a seguinte redação:
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

CONCEITO DE HOMOSSEXUALISMO

Ao buscar um conceito para homossexualidade é necessário primeiro encontrar uma definição para orientação sexual, podemos dizer que orientação sexual
é a atração física, atração romântica ou atração emocional que uma pessoa sente por outra.

O Conselho Nacional de Combate a Discriminação conceitua da seguinte forma:

Orientação sexual é a atração afetiva e/ou sexual que uma pessoa sente pela outra. A orientação sexual existe num continnum que varia desde a
homossexualidade exclusiva até a heterossexualidade exclusiva, passando pelas diversas formas de bissexualidade. Embora tenhamos a possibilidade de
escolher se vamos demonstrar, ou não, os nossos sentimentos, os psicólogos não consideram que a orientação sexual seja uma opção consciente que possa
ser modificada por um ato de vontade.

Usamos o termo orientação sexual e não opção sexual porque compartilhamos do entendimento de alguns psicólogos que não concordam com o termo
opção sexual, sendo assim, não acreditamos que a orientação sexual seja algo que o indivíduo escolha, dessa feita, não seria uma opção, mas uma
orientação natural, pois acreditamos que algumas sensações sentidas pelo homem possam ser disfarçadas, todavia não são escolhas controladas, algumas
sensações humanas são involuntárias e o corpo segue automaticamente alguns instintos biológicos.

O homossexualismo está diretamente ligado a orientação sexual, o homossexualismo consistir em uma atração afetiva ou sexual que uma pessoa sente por
outra do mesmo sexo que o seu. O termo homossexualismo é um termo novo, inicialmente tinha como objetivo definir a preferência por pessoas do mesmo
sexo. Karl-Maria Kertbeny “foi quem introduziu nova terminologia sobre a homossexualidade no mundo, tendo sido o inventor do termo homossexual (bem
como heterossexual, entre outros menos pertinentes na atualidade).”

O termo homossexualismo foi introduzido na literatura médica em 1869, por criação da médica húngara Karoly Benkert, formado pela raiz da palavra grega
homo (semelhante) e pela palavra latina sexus, passando a significar sexualidade semelhante, homólogo ou semelhante ao sexo que a pessoa almeja ter
e/ou sexualidade exercida com uma pessoa do mesmo sexo.

Porém, atualmente é muito questionado se realmente podemos dizer que há uma “preferência”, já que preferência nos denota a possibilidade de escolher,
ou seja, seria a possibilidade da pessoa escolher sentir atração por pessoa do mesmo sexo, ou por pessoa de sexo oposto ao seu, sendo assim, o conceito se
tornou errante, já que hoje se reconhece que a homossexualidade não é mais tida como opção sexual e sim como orientação sexual.

Poderíamos então afirmar que a atração sexual é algo natural do ser humano, e que no caso da orientação homossexual é algo involuntário, pois segundo
alguns estudos; o ser humano não pode escolher por quem sentira atração, o que ele pode fazer é escolher se demonstrará ou não os seus desejos e
sentimentos. Assim como o heterossexual não escolhe sentir atração por uma pessoa com o sexo oposto ao seu, o homossexual também não escolhe sentir-
se atraído por uma pessoa de sexo semelhante ao seu, isso é uma questão biológica e não voluntária. O que a pessoa poderia de fato fazer seria
simplesmente escolher se vai ou não demonstrar tal sentimento, já que o ato de sentir é involuntário porém existe a possibilidade de ocultar tal sentimento
.
PRECONCEITO DA SOCIEDADE NA ATUALIDADE

Apesar de algumas pessoas não aceitarem, é inegável que a homossexualidade faz parte da humanidade, porém infelizmente a sociedade contemporânea
ainda está inserida em uma fumaça de preconceito e intolerância. Mesmo nas mais variadas expressões da sexualidade humana, as pessoas homossexuais
vem tentando adquirir seu espaço, e se fazer ouvir quanto aos seus direitos e obrigações, que lhe devem ser assegurados, longe de preconceitos e de
discriminações.

É muito comum nos dias atuais relatos de agressões verbais e ate mesmo físicas contra homossexuais, pois no Brasil pesadamente existe a aversão á
homossexualidade, mais conhecida como homofobia.

O preconceito no Brasil contra homossexuais masculinos e femininos, manifestado pela homofobia (aversão à homossexualidade) é alarmante. Todos os
dias têm-se noticias de violência tais como agressões físicas, humilhações e até morte, sendo que o Estado de Alagoas encontra-se em primeiro lugar no
ranking da violência homofóbica, que diante da situação, determinou a aprovação de lei que prevê punições severas para pessoas e empresas que
discriminarem homossexuais.

É necessário que nossa sociedade compreenda que não temos o direito de agredir aquilo que não concordamos, uma vez que nosso país é livre, assim como
a orientação sexual dos indivíduos. Devemos ter em mente que para viver em comunidade o respeito mutuo é indispensável.
Devido as constantes agressões praticadas contra homossexuais ,existem serias polêmicas acerca da criação de legislações para a criminalização da
homofobia , a proposta mais conhecida é o projeto de lei 122/2006 que foi apresentado pela então deputada da época deputada Iara Bernardi do PT/SP, o
projeto de lei 122/06 surgiu com o objetivo de criminalizar a homofobia esse projeto recebeu grande apoio da então senadora da época a Senadora Marta
Suplicy do partido do PT/SP.

(...)Apresentado na Câmara dos Deputados pela então deputada federal Iara Bernardi (PT-SP) em 7 de agosto de 2001, o chamado projeto anti-homofobia
(PL 5.003/01) foi aprovado na Câmara mais de cinco anos depois, em 23 de novembro de 2006. Recebido pelo Senado no início de dezembro do mesmo ano
e numerado como PLC 122/06, o projeto já tramitou, desde então, pelas comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), de Assuntos Sociais (CAS) e
CDH, sendo arquivado ao final da última legislatura. Ao assumir seu mandato de senadora em fevereiro deste ano, Marta Suplicy (PT-SP) solicitou o
desarquivamento da proposta que pune criminalmente discriminação de gênero e de orientação sexual, entre outras condutas. Marta, que é relatora do PLC
122 na CDH, disse que discutiu alternativas ao texto com os senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Demóstenes Torres (DEM-GO) e com o presidente da
Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis. De acordo com ela, uma das principais mudanças será no
artigo que pune a discriminação ou preconceito pela orientação sexual. "A nova redação vai prever punição apenas àqueles que induzirem à violência",

explica. (...)

O assunto foi discutido mais uma vez no ultimo dia 04 de abril de 2013 no seminário Brasil – União Européia , onde a Ministra Maria do Rosário, integrante
da Secretaria de Direitos Humanos, foi incisiva ao defender a criação de lei especifica na defesa de homossexuais contra a homofobia, segundo a Ministra a
defesa dos direitos dos homossexuais seria fazer cumprir a democracia.

Se todos cumprissem as leis e os princípios constitucionais não ocorreria a necessidade de criação de novas leis, tendo em vista que nossa Constituição
Federal de 1988 deixa bem claro em seu artigo 5º que todos são iguais perante a lei e que não há distinção de qualquer natureza
15 – A UNIÃO HOMOAFETIVA

A união homoafetiva é bem semelhante a união estável, porém o grande diferencial é o fato da união ser formada por duas pessoas do mesmo sexo.
Podemos conceituar a união homoafetiva como uma união de duas pessoas do mesmo sexo, carregada de características de um relacionamento essas
características podem ser, um convívio público e duradouro.

Conforme conceitua o código civil “Art. 1.723, CC. É reconhecida como entidade familiar à união estável entre o homem e a mulher, configurada na
convivência pública, duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.

É possível perceber com clareza que a única diferença entre união estável e a união homossexual está no fato da diferenciação dos sexos para a união
estável e na igualdade dos sexos na união homoafetiva, porém, os direitos e deveres são semelhantes em ambas as relações. A união homoafetiva é
fundada no afeto e na valorização de forma particular dos integrantes, com o objetivo de buscar a felicidade, o bem estar, o respeito e o desenvolvimento
pessoal de seus parceiros.

Quando se fala em união homoafetiva o que vem a cabeça da maioria das pessoas é o “casamento gay”. Porém não é bem por isso que os homossexuais
lutam, eles buscam com a união homoafetiva, uma equiparação com a união estável, onde sejam garantidos seus direitos e reconhecidas suas obrigações.

Não há como fechar os olhos e ser indiferente, para um numero tão expressivo de pessoas homossexuais, pois assim como casais heterossexuais tem seus
direitos garantidos em uma união estável, os casais homossexuais também devem ter seus direitos garantidos, em nossa sociedade. Cabendo ao nosso
sistema jurídico, garantir igualdade de direitos entre cidadãos independente de origem, raça, sexo, cor e idade, haja vista que sem se despir de
preconceitos, não há como se falar em uma sociedade justa e igualitária.
Quando falamos em direitos nos referimos também aos direitos patrimoniais entre pessoas homossexuais que vivam equiparadas a união estável, onde haja
uma ampliação das garantias patrimoniais e extra-patrimoniais, onde com a morte do companheiro ou companheira, possam usufruir do que é seu por
herança, de forma similar a união estável. Dessa forma, pode-se entender que é dever do Estado criar mecanismos para preservação da dignidade humana,
uma vez que a dignidade da pessoa humana é principio constitucional inserido no artigo 1º inciso III da nossa Constituição Federal de 1988 , a qual não diz
respeito apenas a gênero ou orientação sexual, mas sim ao homem enquanto ser autônomo e emancipado independente de sua orientação sexual.

Entre os direitos pleiteados pelo casal homoafetivo estão os direitos a alimentos, direito a sucessão do parceiro falecido, direito a receber benefícios
previdenciários, direito a fazer declaração conjunta de impostos, entre outros...

O nosso ordenamento jurídico, não deve mais se manter inerte a um fato social que a cada dia cresce mais e que não deixara de existir unicamente pela
vontade de algumas opiniões contrarias, ou seja, o fato de que pessoas do mesmo sexo se unem e convivem juntas formando verdadeiras entidades
familiares.

Os homossexuais não buscam algo novo, eles querem apenas que algo que já existe seja legalizado, com o objetivo de facilitar a vida do companheiro
sobrevivente, pois atualmente além de lidar com a dor de perder o seu companheiro ou companheira, o homossexual ainda tem que travar uma guerra
judicial para ter seus direito a herança reconhecidos.

Nossa sociedade está em constante mutação e temos que nos adequar a ela, a não muito tempo o adultério era considerado crime em nosso ordenamento
jurídico, porem, por uma necessidade social isso deixou de ser considerado como crime. Da mesma forma ocorre com o homossexualismo, não há como
negar que existam entidades familiares formadas por duas pessoas do mesmo sexo , e o que une essas pessoas são laços afetivos.
É por essa razão que a união estável entre homossexuais foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no ano de 2011, como consequência a essa decisão
recentemente ocorreu mais uma mudança importante, o Conselho Nacional de Justiça determinou a obrigatoriedade dos cartórios de realizar a conversão
de união estável homoafetiva em casamento, torna-se obrigatório também a realização de casamento de pessoas homoafetivas e com isso será assegurado
ao casal homoafetivo os mesmo direitos assegurados ao casamento heterossexual direitos esses que não eram garantidos pela união estável principalmente
em relação a sucessão de bens,já que com as mudanças o casal homoafetivo em caso de morte do cônjuge passa a se tornar herdeiro necessário como
previsto no Código Civil artigo 1.845 “São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge.”

A decisão referente a obrigatoriedade da realização do casamentos de pares homossexuais pelos cartórios foi divulgada no dia 15 de maio de 2013, no
entanto tal decisão ainda poderá ser revista pelo Supremo Tribunal Federal. O principal objetivo da resolução é da efetivação a decisão de união de pares
homoafetivos de 2011.

Como qualquer cidadão que cumpre seus deveres na sociedade brasileira, os homossexuais são titulares de direitos inalienáveis, eleitores e contribuintes de
impostos. Sendo assim, não podem ser vistos como inferiores, não tendo direita a proteção legal para suas relações de afeto, como é garantida aos demais
brasileiros.

16 – A ADOÇÃO POR PESSOAS DO MESMO SEXO

A adoção por casais homoafetivos gera discussões em uma serie de países, sendo esse assunto um tanto polêmico. Entretanto a adoção da mesma forma
que a união homoafetiva já pacificada, encontra amparo jurídico no ordenamento de alguns países.
A homoafetividade aos poucos vem conquistando aceitação, porquanto da mesma maneira que casais hetero afetivos buscam a realização do sonho de
estruturar uma família com a presença de filhos, os casais homoafetivos também lutam por esse direito, uma vez que a nossa legislação veda a adoção por
pessoa homoafetiva, pois a opção sexual do adotante não pode ser impeditivo para que ele possa adotar uma criança ou adolescente.

No mundo estamos diante de extremos, já que alguns países como os nórdicos já aceitam a união homoafetiva juntamente com a adoção, isso ocorre por
exemplo na Dinamarca. Já em outros países os chamados países conservadores condenam a união homoafetiva até mesmo com pena de morte, como
acontece em alguns países mulçumanos. Temos também países intermediários onde existe uma discussão acerca do tema, até pouco tempo o Brasil fazia
parte desse grupo de países.

Países que permitem a adoção por pessoas homossexuais segundo Folha Online.

No Brasil ainda não há lei especifica que regulamente a adoção homoafetiva, todavia a tendência é que tal regulamentação seja aprovada, uma vez que a
união homoafetiva já está pacificada. A ECA não faz proibição a adoção por pessoa homossexual, uma vez que , não faz referência quanto a orientação
sexual do adotante. No entanto o impedimento para a adoção por casal homoafetivo se baseava no fato de a legislação Brasileira não reconhecer a união
civil entre pessoas do mesmo sexo, porém tal omissão não existe mais, uma vez que a união homoafetiva já é reconhecida pelo STF.

Conforme preleciona o Desembargador Rui Portanova do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. “O sistema jurídico como um todo permite adoção por
homossexuais, uma vez que não existe norma que proíba tal ato.”

Ainda que não haja norma regularizadora, temos noticias de vários casos de adoção conjunta por homossexuais. Como a importante decisão do STJ, que
manteve a adoção de duas crianças por um casal de mulheres.
EFEITO DA ADOÇÃO POR CASAIS HOMOAFETIVOS

Segundo a Constituição Federal todos são iguais perante a lei, e portanto, não há porque se dificultar o direito garantido da adoção a todos, inclusive a
casais homoafetivos. Cabe salientar que os homossexuais são pessoas iguais e a lei esclarece que é sem distinção de qualquer natureza. Então quando dois
homens ou duas mulheres resolvem em comum acordo a formarem uma família, o Estado deve conceder, respeitar e cumprir o que está previsto em lei.

De acordo com a concepção de Miranda, “a adoção é o ato solene pelo qual se cria entre o adotante e o adotado, relação fictícia de paternidade e filiação.”
Portanto, ato jurídico bilateral, solene e complexo, através do qual criam-se relações análogas ou idênticas àquelas decorrentes da filiação legítima, um
status semelhante ou igual entre filho biológico e adotivo. Ou seja, não há restrições de que tipo de casais devam ou não adotar uma crianças.

Segundo a Edição 1.987 de 28 de novembro de 2007 da Revista Isto É, a adoção foi uma das conquistas dos casais homoafetivos, onde relata a história do
casal Dorival e Vasco, residentes em São Paulo, que foram os primeiros homossexuais a serem contemplados com a adoção no Brasil.

A criança Theodora, atualmente com 12 anos de idade, vive com o casal desde os 4 anos de idade. No ano de 1998, o Sr. Vasco apresentou um pedido de
adoção, contudo, na época teve seu pedido negado sob a alegação de ter um relacionamento considerado “anormal”. Porém, o desejo dos Srs. Dorival e
Vasco em constituir uma família não foi interrompido na época, eles insistiram até conseguir adotar sua primeira filha. Após aprovado o pedido de adoção a
criança Theodora passou a ter dupla paternidade em seu registro de nascimento.
Nossa gestação começou no dia 3 de junho de 2005, quando a justiça de Catanduva, cidade do interior de São Paulo, nos autorizou a entrar na fila da
adoção. Após 13 anos de união, decidimos que era hora de ampliar a família. Como todo relacionamento, o nosso também teve fases. Namoramos, casamos
e sentimos a necessidade de dar continuidade à nossa relação. Só uma criança teria essa capacidade. Fomos então pedir permissão à Justiça. A rápida
decisão favorável surpreendeu.

Hoje com a Theodora em casa, descobrimos que tínhamos uma centena de coisas para aprender. Passear nos fins de semana, ter horários fixos, manter um
bom estoque de comida e até deixar o uniforme limpo para o próximo dia de aula. Ah, ela adotou um vira-lata, o Gaia. A prateleira do quarto dela tem
dezenas de bonecas, mas é super organizada. Só sai de casa com o cabelo arrumado e perfumada. É muito vaidosa. Por essas atividades rotineiras, nem eu
nem o Júnior tínhamos passado. E eu não sei mais viver sem. Em uma consulta com o pediatra, levei-a no colo. As mães adoraram ver um pai no médico, se
preocupando com a saúde da filha. Diziam que os maridos nunca fizeram isso. Mas, quando em outra consulta, conheciam meu parceiro, às vezes, ficavam
reticentes. Por que posso ser um bom pai sozinho e não acompanhado pelo meu companheiro?

É difícil que essas situações constrangedoras aconteçam, porque somos muito queridos na cidade. As pessoas nos conhecem e sabem o quanto
desejávamos construir uma família. Tudo que nos chega é positivo. O relacionamento com outros pais é natural. Também, só fazemos os programas dela
(risos). Já tivemos a fase das conversas „reveladoras‟. Como ela chegou com 4 anos, sabia um pouco da sua história, mas nós contamos tudo de novo.
Explicamos que ela era adotiva e do amor que sentimos quando a vimos pela primeira vez. Ela colocou um anel, daqueles que vêm em doces, na mão do
Júnior. Era o início do nosso compromisso. Apresentamos a madrinha, uma espécie de mãe para ela. Até inventei uma historinha: a letra M juntou com a
letra A, rolou morro abaixo e virou madrinha. Nosso vínculo afetivo foi imediato. Temos agora a guarda definitiva. Na certidão, consta o nome dos dois pais.
Mas, durante mais de um ano, tínhamos de falar com a juíza periodicamente. A Theodora sempre me perguntava se ia continuar conosco. Eu dizia que sim.
Na última vez, perguntei se ela queria mandar um recado para a juíza. Ela disse: Fala para ela obrigada, porque eu estou muito feliz. (Vasco Pedro da Gama
Filho, 35 anos, e Dorival Pereira de Carvalho Júnior, 43 anos, cabeleireiros, colunistas sociais donos de uma agência de modelos, são pais de Theodora, 5
anos, Catanduva, São Paulo).
Da mesma forma, a 2ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre concedeu o direito de adoção de um garoto para um casal de homoafetivos, assim, a
criança passou a ter duas mães em seu registro de nascimento.

Outro caso semelhante aconteceu no Rio de Janeiro, que segundo a Revista Isto É, um casal de lésbicas consegui a adoção de uma criança.

Em todos os casos, vale considerar, que a adoção dessas crianças por casais homoafetivos ocorrem dentro de um processo formal e natural de composição
familiar, ou seja, casais como Dorival e Vasco sentiram a necessidade de dar continuidade à família e acharam que esses filhos trariam felicidade e
sentimento de completude.

EFEITO DA ADOÇÃO NA VIDA DAS CRIANÇAS

Segundo o depoimento da criança Theodora em fevereiro de 2012 à Revista Super Interessante7, a crianças que são filhos de homoafetivos ao iniciarem
suas atividades escolares, no início do ano letivo, apresentam seus familiares, e segundo Theodora ela não se envergonha em dizer e explicar aos seus
colegas que não mora com a mãe e que sim, tem dois pais gays.

Infelizmente, atualmente, a adoção por casais homoafetivos ainda é um assunto muito debatido, que gera dúvidas e principalmente muito preconceito,
afinal quais seriam as consequências na personalidade de uma criança se ela for criada por gays?
Segundo estudos psicossociais não é necessário basear-se em argumentos de que é a orientação sexual que determina se o indivíduo apresenta conduta
que possa prejudicar o desenvolvimento de um menor sob seus cuidados, até porque os homossexuais têm uma vida normal, da mesma forma que um
heterossexual.

A vida e o desenvolvimento da criança não depende do tipo da família, mas sim do vínculo que esses pais e essas mães vão estabelecer entre eles e a
criança, afirma a Psicóloga Mariana Farias.

Segundo um estudo da Universidade de Cambridge, onde comparou filhos de mães lésbicas com filhos de mães héteros, ao observar esse grupo de crianças,
os pesquisadores não notaram nenhuma diferença, que pudessem vir a caracterizar essas crianças com tendências homossexuais. Contudo, isso não quer
dizer que não existam algumas diferenças, as famílias homoparentais vivam em um ambiente mais aberto à diversidade, consequentemente, mais tolerante
caso algum filho queira assumir opções homossexuais.

Conforme especialistas, se uma criança é rodeada de amor e carinho, mesmo que os pais sejam do mesmo sexo, a criança nem acha estranho esse
relacionamento entre os pais, pois uma criança feliz, não vê defeitos.

Assim, não se pode afirmar que a opção sexual dos pais podem refletir na vida de seus filhos, senão não encontraríamos em famílias heterossexuais filhos
homoafetivos. É possível afirmar que a sexualidade de uma pessoa independe da opção sexual de seus pais, ela é determinada por outros fatores.

Portanto, cabe reforçar a ideia de que a criança deve ser criada por pais que a amem e exerçam a função de proteção, a função materna ou paterna,
independente da opção sexual de seus pais.

17 – A JURISPRUDÊNCIA E SEU PAPEL NO DEFERIMENTO DE ADOÇÃO A PESSOAS DE SEXO IGUAL


A jurisprudência tem papel de fundamental relevância no Deferimento de adoção por casais homoafetivos, visto que tais decisões têm efeito vinculante,
isso é, a decisão deve direcionar os trabalhos dos integrantes do Poder Judiciário, como ocorreu com a Decisão do STF que deferiu o reconhecimento da
união estável entre homossexuais. Tais decisões colocam fim a possíveis inseguranças jurídicas.

Como em nosso ordenamento jurídico ainda não tem norma reguladora acerca da adoção homoafetiva, algumas decisões são amparadas por
jurisprudências, porem tais decisões geram muitas polêmicas, por não estarem ainda pacificadas.

No Rio Grande do Sul a Jurisprudencial tem se mostrado favorável a adoção conjunta por pares homoafetivos, a desembargadora Maria Berenice Dias, do
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul afirma que caso haja um casal e a adoção seja deferida individualmente ela será deferida pela metade.

Em 2011 o Supremo Tribunal Federal , reconheceu a união homoafetiva conforme a ADPF nº 132-RJ pela ADI nº 4.277-DF,reconhecendo o casamento entre
pessoas do mesmo sexo no Brasil. Observe a ementa do Julgamento:

PROIBIÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO DAS PESSOAS EM RAZÃO DO SEXO, SEJA NO PLANO DA DICOTOMIA HOMEM/MULHER (GÊNERO), SEJA NO PLANO DA
ORIENTAÇÃO SEXUAL DE CADA QUAL DELES. A PROIBIÇÃO DO PRECONCEITO COMO CAPÍTULO DO CONSTITUCIONALISMO FRATERNAL. HOMENAGEM AO
PLURALISMO COMO VALOR SÓCIO-POLÍTICO-CULTURAL. LIBERDADE PARA DISPOR DA PRÓPRIA SEXUALIDADE, INSERIDA NA CATEGORIA DOS DIREITOS
FUNDAMENTAIS DO INDIVÍDUO, EXPRESSÃO QUE É DA AUTONOMIA DE VONTADE. DIREITO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA. CLÁUSULA PÉTREA. O sexo
das pessoas, salvo disposição constitucional expressa ou implícita em sentido contrário, não se presta como fator de desigualação jurídica. Proibição de
preconceito, à luz do inciso IV do art. 3ºda Constituição Federal, por colidir frontalmente com o objetivo constitucional de "promover o bem de todos".
Silêncio normativo da Carta Magna a respeito do concreto uso do sexo dos indivíduos como saque da kelseniana "norma geral negativa", segundo a qual "o
que não estiver juridicamente proibido, ou obrigado, está juridicamente permitido". Reconhecimento do direito à preferência sexual como direta emanação
do princípio da "dignidade da pessoa humana": direito a auto-estima no mais elevado ponto da consciência do indivíduo. Direito à busca da felicidade. Salto
normativo da proibição do preconceito para a proclamação do direito à liberdade sexual. O concreto uso da sexualidade faz parte da autonomia da vontade
das pessoas naturais. Empírico uso da sexualidade nos planos da intimidade e da privacidade constitucionalmente tuteladas. Autonomia da vontade.
Cláusula pétrea.

18 – OS REFLEXOS DO RECONHECIMENTO DA UNIÃO ESTÁVEL HOMOAFETIVA SOBRE A ADOÇÃO CONJUNTA

Com o reconhecimento da união estável homoafetiva no Brasil, nasce também à garantia para o casal homossexual de direitos comuns a casais
heterossexuais. Sendo assim, esse reconhecimento de união homoafetiva deverá facilitar a adoção conjunta de crianças e adolescentes por casais
homoafetivos.

Tendo em vista, que o impedimento para a adoção conjunta por pessoas do mesmo sexo era justamente o fato da união dessas pessoas não ser
reconhecido como união civil, visto que a Lei 8.069 em seu artigo 42 parágrafo 2º preceitua que: “§ 2º Para adoção conjunta, é indispensável que os
adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família”.

Sendo assim, com o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e do casamento homoafetivo, que é uma exigência da lei não há mais
razão para impedir a adoção conjunta de crianças ou adolescentes por casais formados por pessoas do mesmo sexo. Todavia se tal impedimento persistir
estamos diante de uma discriminação, ato que é vedado pela nossa Constituição Federal de 1988, tendo em vista que conforme o artigo 3ª, IV, determina
que: “Art. 3º - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: [...]IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. No artigo 5º, podemos observar o Princípio da Igualdade”:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e
obrigações, nos termos desta Constituição;
Sendo assim se a união desse casal preencher os requisitos legais, contidos no artigo 42 da Lei 8.069, que são as mesmas exigências determinadas para
casais heterossexuais, como por exemplo; estar em situação duradoura, onde os companheiros cumpram com os deveres de fidelidade e assistência
recíproca convivendo em um ambiente digno e tranquilo que proporcione um desenvolvimento saudável e tranquilo para a criança ou adolescente e que
principalmente ofereça real vantagem para o adotando a adoção deverá ser deferida, mesmo que a contra gosto de muitos, pois a adoção deve ser
direcionada a favor do melhor interesse da criança e do adolescente. As pessoas integrantes de um casamento ou de uma união homoafetiva passam a
constituir uma entidade familiar, dessa forma deverão suprir o anseio de consolidação de uma família através da adoção de filhos

19 – CARACTERÍSTICAS DA ADOÇÃO ENTRE CASAIS DO MESMO SEXO

Ao contrario do que muitas pessoas acreditam, pesquisas comprovam que crianças criadas por pares homossexuais não apresentam comprometimento e
problemas em seu desenvolvimento psicossocial quando comparados com crianças criadas por pais heterossexuais. O que ira influenciar nessas
características será o ambiente e estrutura familiar da criação dessas crianças.

A Psicóloga Cintia Liana tem a seguinte visão:

(...),a crença generalizada de que essa configuração familiar poderá ser prejudicial ao desenvolvimento psicossociológico “normal” das crianças. Questiona-
se se a ausência de modelo do gênero masculino e feminino pode, eventualmente, tornar confusa a própria identidade sexual, havendo o risco de a criança
tornar-se homossexual. Aí se confunde sexualidade com função parental, como se a orientação sexual das figuras parentais fosse determinante na
orientação sexual dos filhos. A função parental não está contida no sexo, e, sim, na forma como os adultos que estão no lugar de cuidadores lidam com as
questões de poder e hierarquia no relacionamento com os filhos, com as questões relativas a problemas disciplinares, de controle de comportamento e de
tomada de decisão. As atitudes que compõem a função parental são responsabilidades que favorecem a individualidade e a autoafirmação por meio de
apoio e aquiescência, exigência que nada mais é do que atitude de supervisão e de disciplina para com os filhos. Essas atitudes não estão relacionadas ao
sexo das pessoas.
É de fundamental importância a garantia de que as famílias adotantes dediquem ao adotado educação e amor. Dessa forma, qualquer casal independente
da orientação sexual, estimulará a construção do caráter e personalidade da criança ou adolescente.

E possível visualizar algumas vantagens acerca de crianças adotadas por homossexuais, como o apoio que essa família ocasionará as crianças adotadas,
incluindo educação e formação de pessoas mais tolerantes. Evitando que as crianças se tornem no futuro adultos preconceituosos, já que o preconceito é
um problema social do nosso país.

Com a convivência com pessoas do mesmo sexo a criança adquire características de uma pessoas mais fraterna e tolerante , compreendendo que o amor
independe de características físicas e sexuais, aprendendo a aceitar a relação dos pais ou da mães de forma normal, compreendendo que seus “pais” o
amam como quaisquer pais héteros. Ao crescer a criança se tornará uma pessoa mais compreensiva.

Ao longo do tempo, esse tipo de adoção teria grande influência na relação de preconceito de nossa sociedade, pois esse trabalho seria feito o inicio da
formação da criança ou do adolescente. Com o decorrer dos anos a sociedade viria a entender que um casal homoafetivo e capaz de criar filhos, quanto ao
filho aceitaria ao próximo independentemente da orientação sexual. 97

Ao se deferir uma adoção o que dever ser levado em consideração é o melhor interesse da criança ou adolescente e não o sexo dos adotantes, já que são
recorrentes os casos de casais heteros que privam crianças e adolescentes de direitos fundamentais como saúde, alimentação e principalmente à vida.

ADOTAR E SER ADOTADO: DIREITO DE QUEM?


Ao indeferir a adoção conjunta de crianças e adolescente estamos privando tanto os adotandos quanto os adotantes de direitos garantidos
constitucionalmente, tendo em vista que o artigo 227 declara que o dever de proporcionar o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a criança e o adolescente a
salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, cabe tanto a família quanto ao estado.

A Constituição Federal em seus artigos 3º e 5º veda qualquer forma de preconceito e discriminação. Todavia se a adoção for indeferida a um casal
homossexual que preencha todos os pressupostos legais para adoção, estaremos diante de uma forma de discriminação.

Ao negar esse tipo de adoção estamos violando todos esses direitos da criança e do adolescente descritos acima, pois se a criança tem atendimento
individualizado dos pais será muito mais fácil priorizar tais direitos, devendo se considerar que uma criança institucionalizada não mantém vinculo familiar,
uma vez que grande parte dessas crianças estão com o poder familiar extinto.

Ao ser inserida em uma família a criança terá a oportunidade de ter uma educação com maior qualidade e conseqüentemente melhores oportunidades
profissionais futuras.

Crianças inseridas em instituições tem a sensação de abandono e de incapacidade de receber afeto por parte da família, esse sentimento pode gerar
conseqüências irreversíveis na vida adulta de tal criança, já que a medida que a criança cresce suas chances de ser inserida em uma nova família diminuem.
Não há porque privar crianças e adolescentes da oportunidade de adquirir uma família, onde lhe será dedicado amor, carinho, cuidado, respeito de maneira
individualizada.
Ao se regulamentar a adoção conjunta por pares homossexuais estaremos garantindo a criança ou adolescente, que em caso de separação ou morte dos
pais ou mães a possibilidade de usufruir os direitos de filiação de ambos os pais adotivos, esses direitos podem ser relacionados à; alimentos, benefícios
previdenciários e sucessórios, direito à visita e sua regulamentação. Sendo assim, a adoção conjunta busca resguardar e preservar os direitos de filiação do
adotante. Se a adoção for deferida apenas no nome de um dos adotantes o outro não terá obrigações legais com a criança ou adolescente e diante de uma
possível morte do adotante a criança passará novamente pela situação traumática de abandono ou orfandade.

A adoção é direito de toda criança ou adolescente destituídos do poder familiar , pois se não há mais possibilidade da criança permanecer com sua família
biológica, ela deverá ser inserida em um novo ambiente familiar, onde possam ser assegurados os direitos que sua família natural não lhe assegurou. A
adoção é uma chance de garantir que crianças em situações de vulnerabilidade possam participar de um ambiente familiar adequado e seguro, dessa
maneira ao indeferir a adoção homoafetiva estaremos contribuindo para que crianças continuem desamparadas, sem grandes possibilidades de adoção em
especial as crianças maiores de 3 anos de idade.

Em todo caso ao se cogitar a adoção, o que deve ser defendido é o melhor interesse da criança ou adolescente, deve-se analisar qual condição é mais
favorável para a criança, se permanecer em uma instituição de abrigo ou ser adotada por um casal de pessoas do mesmo sexo, que lhe dedicarão amor e
afeto, gerando vínculos afetivos.

O Estado deve sempre buscar o melhor interesse da criança, porquanto na falta da família é a ele que cabe a proteção integral da criança e do adolescente
garantindo-lhe um ambiente familiar seguro.

Apesar de grande parte da sociedade acreditar que o convívio com pais homossexuais geram transtornos psicológicos na criança e no adolescente devemos
tentar verificar quais são os maiores transtornos, se seria uma possível discriminação por parte dos meios de convívios da criança apesar de estar inserida
em um ambiente familiar que preencha todos os requisitos legais para a adoção ou continuar no abandono
20 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

A família é considerada pela Constituição Federal no artigo 226 como a base da sociedade. Por essa razão conta com proteção constitucional, todavia sua
conceituação ganhou amplitude por surgirem novas concepções de grupos familiares que foram acarretados pelas constantes mudanças sociais sofridas no
decorrer dos tempos. Mudanças essas advindas da necessidade de atender a evolução da sociedade. Um claro exemplo dessas mudanças é o
reconhecimento do casamento homoafetivo que reforça o reconhecimento da união homoafetiva como instituição familiar. Esse entendimento tem grande
importância para a adoção por pares homoafetivos, já que, elimina a idéia de que um casal homoafetivo não poderia, adotar por não ser reconhecido como
instituição familiar.

Outra Evolução importantíssima, é o surgimento do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente que traz o princípio do melhor interesse da criança e do
adolescente. Esse princípio visa primordialmente favorecer a criança e o adolescente de forma excepcional.

A adoção é medida excepcional que só pode ser deferida após cessar todas as possibilidades de retorno da criança e adolescente à sua família natural ou
extensa. Ao deferir a adoção levar-se-á em consideração os requisitos do adotante, por não está especificado na lei, a orientação sexual do adotante não é
fator impeditivo ao uso do direito de adotar crianças e adolescentes. Sendo assim, como já e possível verificar-se pela jurisprudência a adoção conjunta por
pares homoafetivos não tem vedação legal.

A adoção é uma medida excepcional que visa inserir crianças e adolescentes destituídos do poder familiar em uma nova família que lhe possa proporcionar
amor e afeto. A adoção é um ato responsável e consciente que independe de orientação sexual, tanto com pais homossexuais como com heterossexuais
existe a criação de vínculos afetivos recíprocos entre filhos e pais.
Ao se deferir uma adoção independentemente da orientação sexual dos adotantes analisa-se o melhor interesse da criança e do adolescente. A eles é
garantido a proteção dos direitos de forma integral pelo Estatuto da Criança e Adolescente com base no principio do melhor interesse da criança e do
adolescente. Observamos que o fato de uma criança está em uma fila de adoção, é uma agressão a sua formação psicológica. No Brasil a maioria de crianças
e adolescentes que aguardam serem adotadas, vivem em instituição de acolhimento, os antigos abrigos. Apenas uma minoria fica sob cuidado de famílias
guardiãs.

Diante disso, estamos ferindo os direitos fundamentais da criança e adolescente ao permitir que tenham sua formação psicológica agredida. Com esse ato
violamos ainda a dignidade da pessoa humana, tanto da criança e adolescente, como também dos possíveis futuros pais que desejam proporcionar ao
adotante a chance de ter uma família.

A dignidade da pessoa humana é um direito constitucionalmente declarado e garantido. No presente momento pode-se ter essa dignidade como o direito
ao respeito que todas as pessoas merecem independentemente de sua origem, raça, sexo, idade, estado civil, condição social e econômica e por que não
dizer também opção sexual. Mas, infelizmente o que constantemente se observa são crianças abandonadas em orfanatos e instituições congêneres; diz-se
abandonadas não somente em relação ao abandono praticado por parte dos genitores, como também o abandono fomentado pela omissão da sociedade,
incluindo as pessoas que tanto criticam a adoção por casais homoafetivos. Contempla-se no nosso cotidiano as inúmeras e graves situações de
discriminação no nosso cenário brasileiro entre elas a discriminação sofrida por pessoas homossexuais, condenada expressamente pela Constituição
Federal. Ao se falar em adoção o que realmente deve ser avaliado é a qualidade do vínculo e do afeto presente no meio familiar que ligam as crianças a seus
adotantes e na a orientação sexual dos mesmos.

Conclui-se, também, que as uniões homoafetivas tem se tornado relacionamentos duradouros, públicos e respeitáveis, e nesse sentindo espera-se dos
magistrados maior compreensão referente ao assunto, com intuito de incluir a todos o direito que lhes é devido e que ainda sofrem discriminação da
sociedade em virtude de sua orientação sexual. E que, portanto, o ECA após estabelecer o procedimento adotivo, conforme descrito no presente estudo,
verifica-se que não há como se afirmar de forma genérica que a adoção deverá sempre ser concedida a um casal homossexual, pois dependerá da análise do
caso concreto, como a conduta do casal adotante, ambiente familiar e situação econômica dos requerentes. Assim, cabe destacar, que é
independentemente da preferência sexual do adotante, o que deve prevalecer na adoção é o amor e carinho, ou seja, considerar o que é sempre melhor
para a criança que está sendo adotada.

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21 – REFERÊNCIAS

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Acesso em: 19.03.2014.

________. Superior Tribunal de Justiça. Recurso especial 820475 RJ, 4 turma. Relator: Antonio de Pádua Ribeiro. Julgado em 02/09/2008.

________. Tribunal de Justiça do Mato Grosso. Apelação 78200/2009, 2ª Câmara Cível. Relatora Maria Helena Gargaglione Póvoas. Julgado em 28/04/2010.

________. Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Apelação cível 1.0702.04.182123-3/001. Relator. Ernane Fidélis. Publicado em 29/05/2008.

________. Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Apelação cível 0024.07.776452-0/001(1). Relator Unias Silva. Julgado em 23/09/2008.

________. Tribunal de Justiça do Paraná. Apelação cível 0648257-5, 12ª Câmara Cível. Relator Costa Barros. Publicado em 22/06/2010.

DIAS, Maria Berenice. Conversando sobre direito das família. Porto Alegre: Livraria do advogado, 2004.

________. União Homossexual, o Preconceito e a Justiça. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2000.
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito de família. 25. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. v. 5.

LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado, p.951, Ed. Saraiva, 14 edição, 2010.

LOPES, Germana Etges. A união homossexual como entidade familiar no direito brasileiro. 2006. 61 f. Monografia. Centro Universitário Ritter dos Reis.
Canoas. 2006.

LIANA Psicóloga Cíntia e FOLSTER, Caroline. A idade da criança como fator que dificulta a adoção: Realidade ou mito? Disponível em:

< http://psicologiaeadocao.blogspot.com.br/2010/12/idade-da-crianca-como-fator-que.html>.

Acesso em: 19.03.2014.