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84 Testes de avaliação e sugestões de resposta

TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 2

Argumentação e lógica formal


Formas de inferência válida e principais falácias: lógica silogística.

GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. Toda a sardinha é um animal marítimo. Todo o salmão é um animal marítimo. Logo, todo o animal
marítimo é sardinha. Estamos perante um:
A. silogismo válido;
B. silogismo inválido;
C. falso silogismo;
D. silogismo condicional.
1.2. O seguinte silogismo pertence à segunda figura:
A. Todos os criminosos são sancionados. Ora, os ladrões são criminosos. Logo, os ladrões são
sancionados.
B. Os irlandeses não são ingleses. ingleses são indivíduos naturais de Inglaterra. Assim, alguns
indivíduos naturais de Inglaterra não são irlandeses.
C. Alguns pintores são expressionistas. Todos pintores são artistas. Logo, alguns artistas são
expressionistas.
D. Os avaros não são generosos. Os beneficentes são generosos. Portanto, os beneficentes não são
avaros.
1.3. A seguinte alínea contém a definição correta da falácia das premissas exclusivas:
A. Ocorre quando o termo menor se encontra distribuído na conclusão e não na premissa menor.
B. Acontece quando se extrai uma conclusão de duas premissas negativas.
C. Ocorre quando o termo maior se encontra distribuído na conclusão e não na premissa maior.
D. Dá-se quando o silogismo não respeita a regra que determina que o silogismo tem três e só três
termos.
1.4. É o conjunto de seres, objetos, membros que são abrangidos por um conceito/termo. Esta
definição refere-se:
A. à extensão;
B. à compreensão;
C. à intensão;
D. ao quantificador existencial.
85 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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GRUPO II
1. Coloque na forma canónica as seguintes proposições:
a) Nem todos os arquitetos são criadores.
b) Quem se deita cedo e cedo se levanta é saudável.
c) Há indivíduos cuja única ocupação é simplesmente roubar.
d) Ser voluntário é dedicar-se aos outros.

2. Refira quais os termos que se encontram distribuídos e quais os que não se encontram distribuídos
nas seguintes proposições:
a) Alguns doces não são açucarados.
b) Alguma energia é renovável.
c) Todos os bombeiros são benfeitores.
d) Nenhum eletrodoméstico é máquina industrial.

3. Em cada um dos seguintes silogismos, identifique os termos, a figura e o modo.


a) Os maus criadores não são imaginadores
consequentes. Os arquitetos são imaginadores
consequentes. Logo, os arquitetos não são maus
criadores.
b) Todos os felinos são vertebrados. Todos os gatos
são felinos.
Logo, alguns vertebrados são gatos.

4. Considerando as regras do silogismo, tire a conclusão de cada um dos seguintes pares de


premissas:
a) Os simples argumentadores não são grandes oradores.
Os homens dedicados à causa pública são grandes oradores.
b) Alguns cafés são descafeinados. Todos os cafés são bebidas.

5. O seguinte silogismo é inválido. Justifique a sua invalidade.


A bateria é um instrumento musical de percussão.
Alguns instrumentos musicais são baterias.
Logo, os instrumentos musicais são de percussão.

6. Avalie os silogismos que se seguem. Se algum deles for inválido, justifique a sua invalidade. a) Os
catalães são espanhóis.
Alguns espanhóis são independentistas. Logo,
os catalães são independentistas.
b) As ruas não são quarteirões. As
estradas não são ruas.
Logo, as estradas não são quarteirões.

7. Partindo dos termos indicados, apresente um exemplo de silogismo categórico inválido em que seja
cometida a falácia da ilícita maior:
Testes de avaliação e sugestões de resposta 86

Termo maior: terráqueo.


Termo menor: inglês.
Termo médio: alemão.
8. Avalie cada um dos seguintes silogismos condicionais. Identifique-os.
a) Se a encomenda não chegar, eu próprio vou buscá-la.
A encomenda não chega.
Logo, eu próprio vou buscá-la.
b) Se o inverno é longo, os ursos hibernam. O
inverno não é longo.
Logo, os ursos não hibernam.

9. Construa, para a proposição a seguir expressa, os dois modos válidos do silogismo disjuntivo
(disjunção exclusiva):
Ou ignoras os sintomas ou vais ao médico.

10. Analise o seguinte silogismo:


És arquiteto ou poeta.
És arquiteto.
Logo, não és poeta.
10.1. Pronuncie-se acerca da sua validade, justificando a sua resposta.
10.2. Se considerou válido o silogismo, construa a respetiva falácia; se o considerou inválido,
cons-
trua o modo válido respetivo. 1.1. .......................................................... 5 pontos
1.2. .......................................................... 5 pontos
1.3. .......................................................... 5 pontos
1.4. .......................................................... 5 pontos
GRUPO II
1. ............................................................. 20 pontos
2. ............................................................. 20 pontos
3 .............................................................. 10 pontos

Testes
4. ............................................................. 20
pontos
5. ............................................................. 15
pontos
6. ............................................................. 20
pontos
7. ............................................................. 15
pontos
8. ............................................................. 20
pontos
9. ............................................................. 20 pontos
10.
10.1. ........................................................ 10 pontos
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COTAÇÕES 10.2. ........................................................ 10 pontos


GRUPO I TOTAL ..................................................... 200 pontos
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1.
87 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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CORREÇÃO DO TESTE DE 4.
a) Os homens dedicados à causa pública não são
AVALIAÇÃO N.º 2 simples argumentadores.
GRUPO I
b) Algumas bebidas são descafeinadas.
1.
5. O termo menor, «instrumentos musicais», está
1.1. C distribuído na conclusão mas não o está na respetiva
1.2. D premissa, violando-se assim a regra que determina que
1.3. B qualquer termo distribuído na conclusão tem de o estar
1.4. A também na premissa de que é parte integrante. Por
esse motivo, a conclusão acaba também por não seguir
GRUPO II
a parte mais fraca (a premissa menor).
1.
6.
a) Alguns arquitetos não são criadores.
a) Inválido. O termo médio não está distribuído
b) Todos os que se deitam cedo e cedo se pelo menos uma vez. Além disso, a conclusão teria de
levantam são saudáveis. ser particular, seguindo a parte mais fraca.
c) Alguns indivíduos são ladrões a tempo inteiro. b) Inválido. Com duas premissas negativas, nada
d) Todos os voluntários são dedicados aos outros. se poderá concluir.
2. 7.
a) Encontra-se distribuído o termo Todos os alemães são terráqueos.
«açucarados»; o termo «doces» não se encontra Nenhum inglês é alemão.
distribuído. Logo, nenhum inglês é terráqueo.
b) Nenhum dos termos – «energia» e 8.
«renovável» – se encontra distribuído. a) Válido. Modus ponens.
c) Encontra-se distribuído o termo b) Inválido. Falácia da negação do antecedente.
«bombeiros»; o termo «benfeitores» não se
9. Modus ponendo tollens: Ou ignoras os sintomas ou
encontra distribuído.
vais ao médico. Ignoras os sintomas. Logo, não vais
d) Ambos os termos – «eletrodoméstico» e ao médico.
«máquina industrial» – se encontram distribuídos. Modus tollendo ponens: Ou ignoras os sintomas ou
3. vais ao médico. Não ignoras os sintomas. Logo, vais
a) Termo maior: «maus criadores»; termo menor: ao médico.
«arquitetos»; termo médio: «imaginadores 10.
consequentes». 10.1. O silogismo é inválido porque, uma vez que
Modo: EAE. estamos perante uma disjunção que não é completa
Figura: 2.ª. (disjunção inclusiva), a afirmação de uma das
b) Termo maior: «gatos»; termo menor: alternativas não implica a negação da outra.
«vertebrados»; termo médio: «felinos». 10.2. És arquiteto ou poeta.
Modo: AAI. Não és arquiteto.
Figura: 4.ª. Logo, és poeta.

TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 3

Argumentação e lógica formal


Formas de inferência válida e principais falácias: lógica proposicional. GRUPO I

1. Indique, para cada questão, a opção correta.


1.1. A proposição expressa pela frase «O Sol brilha» é considerada uma proposição:
A. composta;
B. simples;
Testes de avaliação e sugestões de resposta 88

C. complexa;
D. imperativa.
1.2. O operador «ou» é um operador:
A. singular;
B. unário;
C. monádico;
D. binário.
1.3. A condicional é falsa se o antecedente:
A. for verdadeiro e o consequente também;
B. for falso e o consequente também;
C. for verdadeiro e o consequente for falso;
D. for falso e o consequente for verdadeiro.
1.4. À proposição (ou proposições) sobre a qual (ou sobre as quais) um operador incide chama-se:
A. âmbito de um operador;
B. operador principal; C. função de um operador;
D. tautologia.

GRUPO II
1. Refira quais das proposições a seguir expressas são proposições simples e quais as complexas,
justificando:
a) Se corro, então tornar-me-ei um grande atleta.
b) Os computadores não são realidades simples.
c) O conhecimento é uma crença verdadeira justificada.
d) Eu trabalho.
e) Maria é cozinheira ou agricultora.

Testes
f) Chove e está frio.
g) Picasso não é um músico.
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89 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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2. Formalize as proposições a seguir indicadas, apresentando a sua expressão canónica e a respetiva
interpretação:
a) Tanto as árvores como as grutas são protetoras.
b) Ou Deus existe ou o Universo é uma sombra errante.
c) Não ter talento artístico é condição suficiente para eu não ser pintor, se, e só se, os dicionários
fornecem definições corretas.

3. Verifique, usando as tabelas de verdade, se as seguintes fórmulas proposicionais são tautologias,


contradições ou contingências.
a) (ÿ P ⁄ ÿ Q) ´ ÿ (ÿ P ⁄ ÿ Q)
b) (ÿ P Ÿ ÿ Q) Æ ÿ P

4. Refira, usando uma tabela de verdade, se as seguintes proposições são ou não logicamente
equivalentes. Justifique.
– Se gosto de futebol, então tenho um clube.
– Não gosto de futebol ou tenho um clube.

5. Considere os seguintes argumentos:


a) Se vou à feira, então compro sapatos.
Vou à feira.
Logo, compro sapatos.
b) Acredito em ti ou sou inteligente. Não acredito em ti.
Logo, sou inteligente.
c) Se a noite é tempestuosa, então fico confuso.
A noite não é tempestuosa. Logo,
não fico confuso.
5.1. Determine a sua validade recorrendo a inspetores de circunstâncias. Comece por apresentar a
interpretação (dicionário) e a formalização respetivas.
5.2. Identifique cada um dos argumentos anteriores.

6. Identifique o seguinte argumento e traduza-o com recurso às letras proposicionais e às variáveis de


fórmula:
Se eu viajo e tu lês, então sabemos o essencial. Se sabemos o essencial, então a nossa vida tem
sentido. Logo, se eu viajo e tu lês, então a nossa vida tem sentido.

COTAÇÕES 1. ............................................................. 30
pontos
GRUPO I
2.
1.
a) ............................................................. 10
1.1. .......................................................... 5
pontos
pontos
1.2. .......................................................... 5 b) ............................................................. 10
pontos pontos
1.3. .......................................................... 5 c) ............................................................. 10
pontos pontos
1.4. .......................................................... 5 3.
pontos a) ............................................................. 15 pontos
GRUPO II
Testes de avaliação e sugestões de resposta 90

b) ............................................................. 15 pontos 3
4. ............................................................. 20 a)
pontos P Q (ÿ P ⁄ ÿ Q) ´ ÿ (ÿ P ⁄ ÿ Q)
5. V V FFFFVFFF FVVFFFV
5.1. .......................................................... 30 pontos V F V VVFFFVVF
5.2. .......................................................... 15 pontos F V VV V VV VF V
6. ............................................................. 25 pontos F F
TOTAL ..................................................... 200
pontos
CORREÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO
N.º 3 Conting
GRUPO I ência.
b)
1.
P Q (ÿ P Ÿ ÿ Q) Æ ÿ P
1.1. B; 1.2. D; 1.3. C; 1.4. A.
V V F F F V F
GRUPO II
V F F F V V F
1. São proposições simples as expressas nas seguintes F V V F F V V
alíneas: c) e d). São proposições complexas as F F V V V V V
expressas nas seguintes alíneas: a), b), e), f) e g).
Aquelas são simples porque não contêm qualquer
operador. Estas são complexas porque contêm
operadores.
2. Tautologia.
a) 4.
Expressão canónica Interpretação Formalização
P Q (P Æ Q) ´ (ÿ P ⁄ Q)
As árvores são P: As árvores são
V V V
protetoras e as protetoras. Q:
grutas são As grutas são PŸQ V F V
protetoras. protetoras. F V FV
F F F
V
FF
V V VV
b) V V VV
Expressão canónica Interpretação Formalização

Testes
Ou Deus existe ou o P: Deus existe. Q: O
Universo é uma Universo é uma P⁄Q
sombra errante. sombra errante.
São proposições equivalentes, porque a fórmula em
causa é tautológica.
5.
5.1.
c)
a)
Expressão canónica Interpretação Formalização
Interpretação Formalização
Se não tenho talento P: Tenho talento
artístico. P: Vou à feira. PÆQ
artístico, então não
sou pintor, se, e só Q: Compro sapatos. P
Q: Sou pintor.
se, os dicionários (ÿ P Æ ÿ Q) ´ R \Q
R: Os dicionários
fornecem definições
corretas. fornecem definições
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corretas.
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P Q P Æ Q, P |=
Q
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91 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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V V VVV FVF P: A noite é tempestuosa. P Æ Q
V F VFV Q: Fico confuso. ÿP\ÿ
F V V F F Q
F F

P Q P Æ Q, ÿ P |= ÿ
Q)
O argumento é válido.
V V VFF FFV VV
b)
V F F
Interpretação Formalização
F V V V V
P: Acredito em ti. P⁄Qÿ
F F
Q: Sou inteligente. P
\Q

O argumento é inválido.
5.2.
P Q P ⁄ Q, ÿ P |= Q
a) Modus ponens.
V V VFV VFF V
b) Silogismo disjuntivo.
V F VV
F V c) Falácia da negação do antecedente.
F V F
F F 6. Silogismo hipotético.
(P Ÿ Q) Æ R
RÆS
\ (P Ÿ Q) Æ S
O argumento é
válido. c) AÆB
Interpretação Formalização BÆC
\AÆC

TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 4

Argumentação e retórica
GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. No âmbito da argumentação, é legítimo afirmar que:
A. a opinião do orador é sempre indubitável;
B. o auditório pode ser individual ou coletivo;
C. o orador apresenta uma tese a favor da qual o auditório irá argumentar;
D. o contexto de receção é irrelevante na adesão à tese e aos argumentos do orador.
1.2. O pathos:
A. diz respeito ao auditório, a quem o orador quer convencer a aderir à(s) sua(s) ideia(s);
B. reporta-se ao discurso, aos argumentos apresentados em defesa de uma determinada tese;
Testes de avaliação e sugestões de resposta 92

C. refere-se ao orador, à sua credibilidade, honestidade e integridade;


D. está relacionado com a linguagem utilizada, com o seu conteúdo e os aspetos formais que a
caracterizam.
1.3. A credibilidade do orador, o seu carácter e a sua integridade moral dizem respeito:
A. ao ethos;
B. ao logos;
C. à validade dos argumentos que apresenta para defender as suas ideias;
D. ao pathos.
1.4. A validade de um argumento por analogia depende:
A. da autoridade em que este se sustenta;
B. da indução que nele se efetua;
C. do facto de as semelhanças que existem entre as realidades comparadas serem mais
relevantes do que as diferenças que as separam; D. da credibilidade do sujeito que o
formula.
1.5. Todos os alunos do ensino profissional que até hoje tive são indisciplinados. Logo, todos os
alunos do ensino profissional são indisciplinados. Trata-se:
A. de um argumento de autoridade;
B. de um argumento por analogia;
C. de um argumento indutivo, por generalização;
D. de uma previsão indutiva.
1.6. David Attenborough e Jane Goodall são defensores do controlo populacional. Assim, os
números da população mundial deviam estar regulados. Trata-se:
A. de um argumento de autoridade;
B. de um argumento por analogia;
C. de um argumento indutivo, por generalização;
D. de uma previsão indutiva.
1.7. Argumento que reduz as opções possíveis a apenas duas, ignorando-se as restantes
alternativas. Esta definição corresponde à falácia:
A. ad hominem;
B. da derrapagem;
C. do falso dilema; D. do “boneco de palha”.
1.8. Santo Anselmo era um homem religioso. Logo, o argumento ontológico – que concebeu,
para provar a existência de Deus – deve ser ignorado. Estamos perante a falácia:
A. da derrapagem;
B. do falso dilema; C. do “boneco de palha”;
D. ad hominem.
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93 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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GRUPO II
1. «A sociedade atual, caracterizada por uma importância crescente da comunicação, favorece um
regresso da argumentação, e a emergência de uma nova retórica. Estes modos de expressão
encontram lugar privilegiado na vida socioeconómica e política; considera-se doravante que a
ciência não explica tudo e regressa-se ao debate, à confrontação, ou seja, à “concorrência” entre
ideias que tornam necessário o recurso à argumentação.»
R. e J. Simonet (1990), L’Argumentation. Stratégie et Tactiques, Paris, Éd. D’Organisation, p.
14.

Justifique, com elementos do texto, a imprescindibilidade da argumentação no mundo


contemporâneo.

2. «Numa demonstração tudo é dado. (...) Na argumentação, pelo contrário, as premissas são instáveis.
À medida que se vai argumentando, elas podem enriquecer-se; mas estas são sempre precárias, a
intensidade com que lhes aderimos modifica-se. A ordem dos argumentos é pois ditada, em grande
parte, pelo desejo de destacar novas premissas, de distinguir alguns elementos e de obter certos
compromissos da parte do interlocutor.»
Chaïm Perelman e L. Olbrechts-Tyteca (1983), Traité de l’Argumentation, 4.ª éd., Bruxelles,
Editions de l’Université de Bruxelles, p. 65.

Considerando o texto, distinga argumentação de demonstração.

3. Defina os seguintes conceitos: objetos de acordo e opinião pública.

4. «Aristóteles, pai fundador [da retórica] (...) compreende o que mais ninguém depois dele percebe: o
ethos, o pathos e o logos estão em pé de igualdade na relação retórica.»
Michel Meyer et al. (1999), História da Retórica, Lisboa, Temas e Debates, p. 266.

Mostre, com base nesta afirmação, a importância do ethos, do pathos e do logos no âmbito da
relação retórica.

GRUPO III
1. Esclareça o significado de cada um dos seguintes argumentos informais:

Testes
a) Argumento indutivo, por generalização.
b) Argumento indutivo, por previsão.
c) Argumento por analogia.
d) Argumento de autoridade.

2. Identifique as falácias que seguidamente se expõem. Justifique a sua resposta.


a) Se hoje ajudas este, amanhã terás que ajudar aquele. Se amanhã ajudares ambos, entretanto
ajudarás outros tantos. Aos indivíduos seguir-se-ão as associações, de tal modo que, quando
deres por ti, já para ti nada resta. Por conseguinte, o melhor é não ajudar ninguém.
derrapagem
b) O passado político do indivíduo X não lhe dá credibilidade alguma para propor qualquer
solução para este país, por muito bem sustentada que ela possa estar. Logo, ignore-se, para a
nação, qualquer sugestão sua. Ad hominem
c) Ou o mundo surgiu por acaso ou resultou de um Criador inteligente. Como ele não surgiu por
acaso, então resultou de um Criador inteligente. Falso dilema
Testes de avaliação e sugestões de resposta 94

d) Os animais merecem ser respeitados. Logo, todos os animais são merecedores de respeito.
Petiçao de principio

COTAÇÕES pontos 1.7. .......................................................... 5


GRUPO I pontos
1. 1.8. .......................................................... 5 pontos
GRUPO II
1.1. .......................................................... 5 pontos
1. ............................................................. 25 pontos
1.2. .......................................................... 5
2. ............................................................. 25 pontos
pontos 1.3. ..........................................................
3. ............................................................. 25 pontos
5 pontos
4. ............................................................. 25 pontos
1.4. .......................................................... 5
GRUPO III
pontos 1.5. ..........................................................
1. ............................................................. 20 pontos
5 pontos
2. ............................................................. 40 pontos
1.6. .......................................................... 5
TOTAL ..................................................... 200 pontos
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NCON11LP
NCON11LP
95 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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CORREÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 4 estão, como se afirma no texto, «em pé de igualdade».
Relativamente ao ethos, podemos dizer que um dos
GRUPO I
aspetos que nos levam a confiar no discurso de alguém e
1. que se traduz numa disponibilidade para ouvir e para
1.1. B aderir aos argumentos que nos são propostos é o carácter
1.2. A do orador, associado à sua credibilidade.
1.3. A
1.4. C NCON11LP_F07

1.5. C No que se refere ao pathos, para conseguir persuadir e


1.6. A convencer o auditório, o orador deve criar uma empatia
com tal auditório, adaptar-se a ele, suscitando nele
1.7. C
emoções que o predisponham a aceitar a tese que lhe é
1.8. D proposta.
GRUPO II No que se refere ao logos, este encontra-se associado à
1. A argumentação é imprescindível no mundo consistência e à solidez do discurso, aspetos fundamentais
contemporâneo por fatores como a falibilidade dos do processo argumentativo. A maneira e a ordem como os
modelos científicos (no texto afirma-se «a ciência não assuntos são abordados e a consistência com que os
explica tudo»), a importância crescente do discurso argumentos são apresentados fazem toda a diferença no
publicitário e dos media (no texto fala-se de uma nova processo de adesão do auditório a uma tese. GRUPO III 1.
«vida socioeconómica»), o desenvolvimento das a) Argumento que parte de casos particulares e
democracias, com a liberdade de expressão que viabilizam aplica as verdades aí obtidas a algo mais geral; por outras
(no texto alude-se à atual «vida política»). Naturalmente, palavras, raciocínio cuja conclusão é mais geral do que a(s)
para lá desses aspetos, a necessidade da argumentação premissa(s).
está constantemente presente no quotidiano sempre que o b) Argumento que parte de casos passados para
ser humano quer convencer alguém de que o seu ponto de prever casos não observados, presentes ou futuros.
vista é mais valioso do que outro.
c) Argumento em que, partindo de certas
2. Na demonstração, como se afirma no texto, semelhanças ou relações entre duas realidades, se
«tudo é dado». De facto, ao contrário da argumentação, depreendem novas semelhanças ou relações.
nela ignoram-se todos os elementos exteriores à estrutura
d) Argumento que se sustenta no parecer de um
formal do discurso, tais como a matéria que está em
especialista para assegurar a verdade do que se afirma.
discussão, o contexto em que a mesma é levada a cabo – o
tipo de auditório, por exemplo, com as emoções a que é 2.
suscetível –, o carácter pessoal dos intervenientes (orador a) Falácia da derrapagem. Esta falácia ocorre sempre
e interlocutores) ou a equivocidade da língua natural que, que alguém, para refutar uma tese, apresenta, pelo menos,
sendo o veículo de transmissão da mensagem, pode uma premissa falsa ou duvidosa e uma série de
originar múltiplas interpretações. consequências progressivamente inaceitáveis. O objetivo é

Testes
Naquela estabelece-se, sob a forma do cálculo – o cálculo mostrar que um determinado resultado indesejável
lógico-formal –, uma relação constringente e incontornável inevitavelmente se seguirá. Neste caso, o que se perceciona
entre as premissas e a conclusão, nesta há tão-só a adesão é a intenção de alguém provar que não se deve ajudar
do auditório, a tentativa de «obter certos compromissos da ninguém, tomando como premissa os riscos associados a
parte do interlocutor», o que obriga a um esforço de uma pequena ajuda, e estendendo esse exemplo
permanente adaptação do retor aos seus ouvintes. indefinidamente, de um modo “escorregadio”, a universos
3. Os objetos de acordo são premissas admitidas cada vez maiores.
pelo auditório, podendo consistir em crenças, valores, b) Falácia ad hominem. Nesta falácia, tal como em
verdades, factos, presunções, etc. Fazendo parte da qualquer outra do mesmo tipo, é a pessoa que o pronuncia
opinião do auditório, os objetos de acordo encontram-se e não o argumento pronunciado que é alvo de objeção.
pressupostos durante o ato argumentativo. A opinião Neste caso, é o político que está em causa e não as
pública é o conjunto de pensamentos, conceitos e propostas – que são o que, na circunstância em questão, se
representações gerais dos cidadãos sobre as questões de pretende avaliar.
interesse coletivo. c) Falácia do falso dilema. Esta falácia consiste em
4. Para Michel Meyer – tal como para Aristóteles –, reduzir as opções possíveis a apenas duas, ignorando-se as
o ethos, o pathos e o logos são, na relação retórica, restantes alternativas. Trata-se, portanto, de extrair uma
inseparáveis e constitutivos. Nela, todos estes elementos conclusão a partir de uma disjunção falsa. É o que se passa
Testes de avaliação e sugestões de resposta 96

neste caso: «Ou o mundo surgiu por acaso ou resultou de d) Petição de princípio. Trata-se de um argumento
um Criador inteligente» constitui uma disjunção falsa já que circular no qual se toma por já provado o que ainda carece
há mais alternativas possíveis – o mundo existir desde de prova. Neste exemplo é isso que se verifica, pois a
sempre, ter sido criado por uma equipa de deuses, etc. conclusão – «Todos os animais são merecedores de
respeito» – é antecipadamente usada como premissa – «Os
animais merecem ser respeitados».

TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 5


Argumentação e Filosofia
GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. A retórica, ensinada pelos sofistas, visa:
A. dotar as mulheres de habilidades linguísticas;
B. formar os jovens cidadãos no sentido de estes participarem nas assembleias democráticas;
C. desenvolver competências argumentativas nos escravos;
D. treinar jovens atores para exibições de teatro.
1.2. Os sofistas mais destacados são:
A. Górgias, Platão e Sócrates;
B. Hípias, Górgias e Sócrates; C. Platão, Górgias e Protágoras;
D. Protágoras, Górgias e Hípias.
1.3. Os sofistas eram professores itinerantes que:
A. ensinavam a arte de bem falar aos jovens cidadãos em troca de uma remuneração;
B. ensinavam aos jovens a arte elocutória a troco de posições políticas de destaque;
C. ofereciam uma vasta formação integral de modo desinteressado;
D. ofereciam uma formação integral sólida aos escravos por puro amor à sabedoria.
1.4. As críticas aos sofistas são dirigidas por:
A. Platão e Hípias;
B. Sócrates e Górgias;
C. Hípias e Górgias;
D. Sócrates e Platão.
1.5. Um dos aspetos que distingue o sofista do filósofo:
A. é a ênfase que o sofista coloca na forma do discurso, ao contrário do filósofo, que se centra
no conteúdo;
B. reside no facto de o sofista entender a verdade em si mesma, ao contrário do filósofo, que
entende a verdade à medida das diferentes circunstâncias;
C. baseia-se no facto de o sofista privilegiar a verdade e o filósofo a técnica;
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D. é a retribuição: enquanto o sofista busca desinteressadamente a verdade, o filósofo faz-se


pagar pelos seus serviços.
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1.6. A manipulação caracteriza-se pela:
A. prática do discurso que tem como finalidade a livre adesão do auditório à tese que o orador
pretende que seja acolhida por aquele;
B. prática abusiva do discurso – abusiva na medida em que obriga o recetor a aderir a uma
dada mensagem (que um dado emissor deseja impor);
C. prática do discurso que tem como finalidade a adesão do auditório a uma tese oculta;
D. prática abusiva do discurso que visa retirar a liberdade ao orador de modo a que ele não
possa defender a tese em que realmente acredita.
1.7. A retórica que corresponde a um uso ilegítimo do discurso, porque visa enganar, iludir e
manipular o interlocutor, recebe a designação de:
A. retórica branca;
B. retórica manipuladora;
C. retórica negra;
D. retórica persuasiva.
1.8. A racionalidade argumentativa implica:
A. o reconhecimento do pluralismo que a racionalidade encerra, aliado ao reconhecimento de
que se pode dizer/conhecer o real de diferentes maneiras.
B. o reconhecimento de uma verdade e de uma realidade unívocas;
C. a afirmação de uma verdade única, aliada a uma atitude dogmática;
D. a afirmação de uma única realidade, aliada a uma atitude crítica.

GRUPO II
1. Refira a que se deve a visão depreciativa a que os sofistas começaram por estar associados.
2. «A retórica, ao que me parece, é uma prática estranha à arte, mas exige uma alma dotada de
imaginação, de ousadia e, naturalmente apta para o trato com as pessoas. (...) Não sei se entenderás
bem a minha resposta: na minha opinião, a retórica é como o simulacro de uma parte da política.»
Platão (1997), Górgias, Lisboa, Lisboa Editora, p.

Testes
69. Critique a retórica dos sofistas à luz da perspetiva presente neste excerto.

3. Refira os principais aspetos que distinguem os sofistas dos filósofos.

GRUPO III
1. «Proteger a liberdade de expressão é indispensável, mas proteger a liberdade de receção é-o
também, e na mesma medida.»
Philippe Breton (2001), A Palavra Manipulada, Lisboa, Editorial Caminho, p. 209.
Explique esta afirmação, clarificando as duas formas de liberdade nela referidas.
2. «A filosofia, mais do que encontrar-se ligada à posse da verdade, associa-se à crença na verdade e à
aspiração de tornar a verdade, em que o filósofo crê, admitida por outras pessoas, e,
eventualmente, por todas as pessoas (...). Ora, esta admissão, esta tentativa de fazer admitir certas
teses, só pode ser realizada através de meios argumentativos.»
Rui Alexandre Grácio (1999), “Introdução à Tradução Portuguesa”, in C.
Perelman, O Império Retórico, Porto, Edições ASA, p. 10.
Testes de avaliação e sugestões de resposta 98

Caracterize, a partir do texto, a racionalidade argumentativa.

COTAÇÕES .
3
GRUPO I
.
1.
1.1. .......................................................... 5
A
pontos 1.2. ..........................................................
.
5 pontos
1.3. .......................................................... 5 1
pontos 1.4. .......................................................... .
5 pontos 4
1.5. .......................................................... 5 .
pontos 1.6. ..........................................................
5 pontos D
1.7. .......................................................... 5 .
pontos
1.8. .......................................................... 5 1
pontos .
5
GRUPO II
.
1. ......................................................
....... 30 pontos
2. ...................................................... A
....... 30 pontos .
3. ............................................................. 30
pontos 1.6. B.
GRUPO III 1.7. C.
1. ............................................................. 35 1.8. A.
pontos GRUPO II
2. ............................................................. 35 1. Os sofistas eram professores itinerantes que
pontos se dedicavam ao ensino dos jovens cidadãos
TOTAL ..................................................... 200 mediante uma remuneração. Dominavam a arte
pontos de persuadir pela palavra e eram dotados de
habilidade linguística e de estilo eloquente,
CORREÇÃO DO TESTE DE surpreendendo pela sua vasta erudição e pelos
AVALIAÇÃO N.º 5 seus discursos expressivos.
GRUPO I Enquanto professores, os sofistas centravam
o seu ensino mais na forma do que no
1.
conteúdo, ensinando, por isso, a técnica do
1.1. B. discurso, a arte de fazer triunfar um discurso
1 em função da conveniência de cada um.
. Sócrates, Platão e seus discípulos não podiam
2 aceitar este relativismo da verdade, esta
. valorização da retórica como arte do discurso
persuasivo em detrimento da sabedoria. Este
aspeto, aliado ao facto de os sofistas se
D
fazerem pagar pelos seus serviços, originou
.
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uma visão depreciativa dos sofistas.


2. Enquanto Górgias considera a retórica uma
1
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arte, Sócrates caracteriza-a como uma atividade


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empírica, destinada a produzir uma certa dada mensagem (que um dado emissor deseja
espécie de agrado no auditório. Com efeito, impor). Essa manipulação pode assumir a forma
no diálogo «Górgias» de Platão, Sócrates, de manipulação dos afetos, centrada no apelo à
para além de tecer críticas aos sofistas, define emoção e aos sentimentos do recetor, e de
a retórica como uma atividade empírica, que manipulação cognitiva, que opera por falsificação
visa apenas o agradável, o prazer, uma prática do conteúdo do discurso.
que serve de simulacro à política, 2. A argumentação é fundamental para a
confrontando o discurso como instrumento atividade filosófica, que procura uma visão
de poder, próprio dos sofistas, com o discurso integrada do real, uma compreensão da realidade
como instrumento de verdade, próprio dos no seu todo, do ser, dedicando-se à busca da
filósofos. É neste diálogo que Sócrates alerta verdade. As teorias filosóficas estão,
Polo para o contraste metodológico entre ele frequentemente, dependentes das suas perguntas
e os sofistas: enquanto os sofistas se e respostas. A filosofia socrático-platónica, por
refugiam na eloquência de longos discursos, exemplo, exigia encontrar a Verdade – única,
Sócrates prefere o diálogo, a metodologia de absoluta e universal, capaz de dizer uma realidade
pergunta-resposta. absoluta, perfeita e imutável – e, por isso,
3. Enquanto os sofistas são professores criticava fortemente a retórica sofística, por esta
itinerantes que se fazem pagar pelos seus dar espaço ao subjetivismo e ao relativismo.
serviços, os filósofos, de acordo com Sócrates Reconhece-se, contudo, que a diversidade dos
e Platão, são amantes, desinteressados, do discursos, quer estejamos a falar de sistemas
saber. Por oposição a um discurso centrado filosóficos, quer nos estejamos a referir ao
na forma, na técnica e na eficácia, próprio conhecimento científico, à religião ou à política,
dos sofistas, os filósofos preferem centrar o reflete a riqueza de perspetivas e leituras que
discurso no conteúdo, na sabedoria e na podemos fazer da realidade. Nesse sentido, a razão
procura da verdade absoluta. Por último, ao não é mais entendida como a faculdade humana
contrário dos sofistas, que entendem a detentora de conhecimentos definitivos e unívocos,
verdade à medida das circunstâncias mas como faculdade humana plural, portadora de
individuais e baseiam o discurso em opiniões conhecimentos plurívocos e o mais próximos possível
e aparências, os filósofos entendem a da verdade. Portanto, emerge uma nova conceção da
verdade como existente em si, baseando o racionalidade – uma racionalidade argumentativa.
discurso na Verdade e no Bem. Muito embora a argumentação pressuponha a
GRUPO III existência de diferentes teses e, também, a
possibilidade da contradição, não quer isto dizer, no
1. Nas democracias atuais, a liberdade de
entanto, que com o novo modelo de racionalidade se
expressão é considerada um direito
caia num relativismo puro ou que se negue o esforço
fundamental que não pode ser posto em causa.
de universalidade dos nossos conhecimentos acerca
Contudo, para além da liberdade de expressão
do real. Pelo contrário, isso significa o
de um dado orador, é igualmente necessário
reconhecimento do pluralismo que a racionalidade
que o auditório a que ele se dirige seja também
encerra, isto é, o reconhecimento de que se pode
livre, ou seja, é também necessário garantir a
dizer/conhecer o real de diferentes maneiras. Impõe-
liberdade de um dado recetor. Tal exigência
se, por isso, para o filósofo de hoje, a afirmação de
pode parecer, à primeira vista, despropositada
uma (ou várias) verdade(s) possível(eis), aliada(s) a
porque partimos sempre do princípio de que o
uma atitude crítica, de abertura e questionamento
recetor tem liberdade de aceitar, ou não, a
face ao real. Para a filosofia contemporânea, a busca
tese. Tal problema não se colocaria se o orador,
da verdade não é mais incompatível com a retórica;
no decurso do processo argumentativo, apenas
pelo contrário, há quem afirme poder encontrar nesta
visasse a persuasão do auditório, ou seja, levar
o método da filosofia. Daí que a filosofia, «mais do
o auditório a mudar de ideias, mas
que encontrar-se ligada à posse da verdade», se
pressupondo a sua livre adesão à tese que o
associe «à crença na verdade e à aspiração de tornar
orador pretende que seja acolhida por aquele.
a verdade, em que o filósofo crê, admitida por outras
Todavia, nem sempre o orador permite essa
pessoas, e, eventualmente, por todas as pessoas». Tal
liberdade do auditório, sobretudo quando
admissão, como se refere no texto, «só pode ser
impõe, com recurso à manipulação, a sua tese.
realizada através de meios argumentativos», isto é, os
O discurso é manipulador quando
abusivamente obriga o recetor a aderir a uma
Testes de avaliação e sugestões de resposta 100

meios argumentativos são o método da filosofia


para fazer com que o auditório admita as suas
teses.
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TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 6

Descrição e interpretação da atividade cognoscitiva


Estrutura do ato de conhecer GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. O conhecimento é:
A. o resultado da relação que se estabelece entre o sujeito cognoscente e o objeto conhecido;
B. a realidade considerada independentemente da sua relação com qualquer sujeito;
C. uma crença, sem mais;
D. o que resulta de qualquer movimento efetuado por um sujeito.
1.2. O sujeito jamais interage com o objeto. Esta afirmação é:
A. verdadeira, porque a relação do ser humano com o mundo é sempre de natureza teórica e
cognitiva;
B. falsa, porque o sujeito coincide com o objeto;
C. verdadeira, porque o conhecimento é um ato efetuado por um sujeito no estado puro que
apreende um objeto no estado puro;
D. falsa, porque representar o objeto é também, de certo modo, construí-lo.
1.3. O conhecimento baseado em juízos refere-se ao:
A. saber-fazer;
B. conhecimento por contacto;
C. saber que;
D. senso comum.
1.4. O seguinte exemplo corresponde a um exemplo de saber-que:
A. conhecer, na primeira pessoa, uma dor de dentes;
B. entender que, na sucessão monárquica, ocorre o direito de primogenitura;
C. saber trabalhar, na ótica do utilizador, com um computador;
D. saber, na qualidade de um taxista experiente e há muito a trabalhar em Coimbra, os percursos
que vão da estação de comboio à Universidade.
1.5. A linguagem e o pensamento são:
A. esferas independentes entre si;
B. elementos indissociáveis;
C. duas manifestações de dois processos bem distintos;
D. independentes do campo cultural.
1.6. O conhecimento a priori é todo o conhecimento baseado em juízos:
Testes de avaliação e sugestões de resposta 102

A. universais e necessários;
B. sintéticos a posteriori;
C. contingentes e a priori;
D. universais e contingentes.
1.7. A seguinte frase expressa um juízo analítico: A. A Joana é bela.
B. Os cães ladram.
C. Estou triste.
D. Os solteiros não são casados.
1.8. «As vacas poluem a atmosfera.» Estamos perante um juízo:
A. a priori;
B. a posteriori;
C. sintético a priori; D. analítico a posteriori.

GRUPO II
1. Relacione os seguintes conceitos: «experiência», «saber que», «saber-fazer» e «conhecimento
por contacto».

2. Mostre em que medida o conceito de «realidade» possui diversos significados.

3. «TEETETO – Sócrates, fiquei agora a pensar numa coisa que tinha esquecido e que ouvi alguém
dizer: que o saber é opinião verdadeira acompanhada de explicação e que a opinião carente de
explicação se encontra à margem do saber.»
Platão (2005), Teeteto ou Da Ciência, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, p. 302.

Refira de que modo E. Gettier contestou a ideia de que o conhecimento equivale à «opinião
verdadeira acompanhada de explicação».

4. Mostre qual a diferença estabelecida por Kant entre juízos sintéticos e juízos analíticos,
salientando em que medida as verdades dos primeiros podem ser conhecidas a partir de duas
fontes distintas.

COTAÇÕES 1.1. .......................................................... 7,5


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GRUPO I pontos
1.2. .......................................................... 7,5
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1.
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103 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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pontos vez, o saber que não se encontra tão diretamente
1.3. .......................................................... 7,5 ligado à experiência, embora esteja obviamente
relacionado com ela. Trata-se do conhecimento
pontos
baseado em juízos, o conhecimento que tem por
1.4. .......................................................... 7,5 objeto proposições ou pensamentos verdadeiros.
pontos 2. Em princípio, o conceito de «realidade»
1.5. .......................................................... 7,5 refere-se àquilo que efetivamente existe ou é,
pontos equivalendo assim a «existente» ou «ser». Nesse
1.6. .......................................................... 7,5 sentido, «realidade» designa um ser particular ou os
pontos seres em geral. Mas esta leitura genérica esconde
uma multiplicidade de aceções. Sendo o que é ou
1.7. .......................................................... 7,5 pontos
existe, a realidade é também o que se opõe ao nada,
1.8. .......................................................... 7,5 pontos ao não ser. Mas o conceito aplica-se igualmente
GRUPO II àquilo que se opõe ao aparente ou ilusório; ao que
1. ............................................................. 35 não é potencial ou apenas possível, mas sim atual; ao
pontos 2. ............................................................. que existe independentemente do sujeito que o
35 pontos pensa ou conhece; ao que nos é dado na experiência
3. ............................................................. 35 em geral e ao que é (ou pode ser) esclarecido pelo
pontos conhecimento científico.
4. ............................................................. 35 pontos 3. Edmund Gettier contestou a definição
tradicional de conhecimento – a ideia de que o
TOTAL ..................................................... 200 pontos
conhecimento equivale à «opinião verdadeira
TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 6 acompanhada de explicação» ou, por outras palavras,
GRUPO I que é uma crença verdadeira justificada – através de
1. contraexemplos que nos mostram ser possível termos
uma crença verdadeira justificada sem que tal crença
1.1. A
equivalha a conhecimento. Isso acontece quando há
1.2. D crenças verdadeiras justificadas acidentalmente, o
1.3. C que significa que a relação da justificação com a
1.4. B crença verdadeira não é adequada, sendo a verdade
1.5. B da crença apenas o resultado da sorte, do acaso ou
da mera coincidência. Em suma, é possível que
1.6. A
alguém não possua conhecimento, ainda que sejam
1.7. D realizadas as três condições (crença, verdade e
1.8. B justificação).
GRUPO II 4. Utilizando como critério a inclusão

Testes
1. Enquanto «ser-no-mundo», o ser humano (implícita) ou não do predicado no sujeito, Kant
encontra-se exposto a uma pluralidade de dividiu os juízos em analíticos e sintéticos. Os juízos
experiências. A experiência pode ser definida como a analíticos são aqueles cujo predicado está implícito
apreensão, por parte de um sujeito, de uma no conceito do sujeito, encontrando-se pela simples
realidade, um modo de fazer, uma maneira de viver, análise e explicação desse conceito. Estes juízos têm,
etc., constituindo, em muitos casos, um modo de portanto, origem na razão (são juízos a priori – a sua
conhecer algo imediatamente antes de todo o juízo verdade é conhecida independentemente de
que se formula sobre aquilo que se apreende. Ora, o qualquer experiência) e não contribuem para
conhecimento pode encontrar-se ligado de um modo aumentar o nosso conhecimento. São universais e
direto e imediato à experiência ou pode ser baseado necessários.
em juízos ou proposições. Ligados mais diretamente à Por sua vez, os juízos sintéticos são aqueles cujo
experiência encontram-se o saber-fazer, isto é, o predicado não está implícito no conceito do sujeito,
conhecimento prático ou conhecimento de parecendo exigir sempre o recurso à observação ou à
atividades, associado à capacidade, aptidão ou experiência, não sendo estritamente universais e
competência para fazer alguma coisa, e o sendo contingentes. Ao contrário dos anteriores,
conhecimento por contacto, que se verifica sempre estes juízos são extensivos, isto é, ampliam o nosso
que há uma apreensão direta de alguma realidade, conhecimento. No entanto, as verdades dos juízos
seja de pessoas, lugares ou estados mentais. Por sua sintéticos podem ser conhecidas a partir de duas
Testes de avaliação e sugestões de resposta 104

fontes distintas, o que significa que tais juízos tanto está implícito no conceito do sujeito – sintéticos.
podem ser a posteriori (aqueles que foram acima Como tal, esses juízos aumentam o nosso
referidos) como a priori. Com efeito, segundo Kant, há conhecimento. São os juízos sintéticos a priori,
juízos independentes da experiência, tendo uma caracterizados, tal como os analíticos, pela
origem racional – a priori –, mas cujo predicado não necessidade e pela universalidade.

TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 7

Descrição e interpretação da atividade


cognoscitiva
Análise comparativa de duas teorias explicativas do conhecimento

GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. De acordo com os racionalistas, o modelo do conhecimento ou do saber é a:
A. experiência;
B. matemática;
C. indução;
D. dedução a posteriori.
1.2. O conceito de «dogmatismo» enquanto confiança de que a razão pode atingir a certeza e a
verdade opõe-se ao conceito de:
A. realismo;
B. ceticismo;
C. criticismo;
D. otimismo racionalista.
1.3. Uma das regras do método cartesiano é a regra da análise. Esta regra estabelece:
A. que nada deve ser aceite como sendo verdade sem que se apresente com clareza e distinção;
B. a necessidade de se conduzir, com ordem, o pensamento, partindo sempre das ideias mais
simples para as mais complexas;
C. que se deve sempre rever cautelosamente o trabalho efetuado, de modo a nada omitir;
D. a obrigatoriedade de dividir as dificuldades por partes, para melhor as resolver.
1.4. Em relação às regras do método cartesiano, podemos dizer que elas:
A. permitem guiar a razão na procura da verdade;
B. apenas se aplicam aos conhecimentos matemáticos;
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C. variam em função dos vários domínios do saber;


D. resultam da necessidade de confirmar os conhecimentos veiculados pela tradição.
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NCON11LP
105 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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1.5. A ideia de «carro» é, de acordo com a classificação de Descartes, uma ideia:
A. factícia;
B. inata; C. imaginária;
D. adventícia.
1.6. O cogito de Descartes apresenta as seguintes características:
A. é uma certeza inabalável; obtém-se por dedução;
B. é um princípio evidente; obtém-se por intuição;
C. é uma crença fundacional; obtém-se a posteriori;
D. não é uma crença fundacional; obtém-se a priori.
1.7. Na filosofia de Hume, as relações de ideias são proposições analíticas e necessárias. Esta
afirmação é:
A. falsa, porque todas as ideias derivam da experiência;
B. verdadeira, porque as relações de ideias se referem a factos concretos e necessários;
C. falsa, porque o conhecimento é constituído apenas por proposições contingentes;
D. verdadeira, porque as relações de ideias se descobrem pelo pensamento e se baseiam no
princípio da não contradição.
1.8. Segundo David Hume:
A. as várias perceções dividem-se em impressões simples e impressões complexas;
B. as ideias complexas, referindo-se muitas vezes a realidades que não existem, não resultam de
impressões;
C. as ideias são imagens enfraquecidas de impressões; D. as impressões são imagens
enfraquecidas de ideias.

GRUPO II
1. Refira em que medida se pode afirmar que o dogmatismo ingénuo não ocorre na filosofia.

2. Explique em que medida o dogmatismo se opõe ao ceticismo.

3. «Locke é o autor do texto “canónico” do empirismo. A alma, escreve ele, é uma tábua rasa, uma
página branca sem caracteres. (…) O empirismo clássico recusa, pois, as ideias inatas de que falava
Descartes.»
AAVV (1999), Dicionário Prático de Filosofia, 2.ª ed., Lisboa, Terramar, p. 113.

Diferencie, com base neste excerto, as perspetivas de Descartes e de Locke relativamente à origem
do conhecimento.

GRUPO III
1. «A faculdade de conhecer que ele [Deus] nos deu, a que chamamos luz natural, nunca apreende
nenhum objeto que não seja verdadeiro no que ela apreende, isto é, no que ela conhece clara e
Testes de avaliação e sugestões de resposta 106

distintamente; pois teríamos razão para acreditar que Deus seria enganador, se no-la tivesse dado
de tal modo que tomássemos o falso pelo verdadeiro, quando a usássemos bem.»
Descartes (2005), Princípios da Filosofia, Porto, Areal Editores, p.

70. Relacione as ideias do texto com o significado de Deus na edificação do sistema do saber.

2. «Atrever-me-ei a afirmar, como uma proposição geral que não admite exceção, que o
conhecimento desta relação [a relação de causa e efeito] não é, em circunstância alguma, obtido
por raciocínios a priori, mas deriva inteiramente da experiência, ao descobrirmos que alguns
objetos particulares se combinam constantemente uns com os outros.»
David Hume (1989), Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Edições 70, p. 33.

Relacione a afirmação segundo a qual o conhecimento da ligação de causa e efeito não é obtido
por raciocínios a priori com a ideia de conexão necessária.

3. «[O ceticismo de Descartes e outros] recomenda uma dúvida universal, não só de todas as nossas
opiniões e princípio anteriores, mas também das nossas próprias faculdades, de cuja veracidade,
dizem eles, nos devemos assegurar mediante uma cadeia de raciocínio, deduzida de algum
princípio original que, possivelmente, não pode ser falaz ou enganador. Mas, não existe um tal
princípio original, que tenha uma prerrogativa sobre os outros, que são autoevidentes e
convincentes.»
David Hume (1989), Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Edições 70, pp. 143-144.

Partindo do texto, compare as conclusões de Descartes e de Hume no que se refere à


fundamenta-
ção do conhecimento. COTAÇÕES
GRUPO I
1.
1.1. .......................................................... 5
pontos
1.2. .......................................................... 5
pontos
1.3. .......................................................... 5
pontos
1.4. .......................................................... 5
pontos
1.5. .......................................................... 5
pontos
1.6. .......................................................... 5
pontos
1.7. .......................................................... 5
pontos
1.8. .......................................................... 5
pontos GRUPO II
1. ............................................................. 25
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pontos 2. .............................................................
25 pontos
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107 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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3. ............................................................. 25 3. Descartes foi um filósofo racionalista, o
pontos que significa que considerava a razão a principal
GRUPO III fonte do conhecimento – o conhecimento universal
e necessário. Ele defendia que a razão possui em si
1. ............................................................. 25
ideias inatas. Estas ideias, sendo claras e distintas,
pontos
foram postas por Deus no espírito humano.
2. ............................................................. 30
Intuindo-as e raciocinando dedutivamente a partir
pontos
delas, é possível chegar ao conhecimento de toda a
3. ............................................................. 30 realidade.
pontos Locke, por sua vez, foi um filósofo empirista. Para ele,
TOTAL ..................................................... 200 a experiência é a fonte principal do conhecimento,
pontos não havendo ideias, conhecimentos ou princípios
inatos. O entendimento assemelha-se a «uma tábua
CORREÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO rasa», a «uma página branca sem caracteres», onde a
N.º 7 experiência irá «escrever». É na experiência – seja a
GRUPO I experiência externa
(sensação), pela qual se captam os objetos exteriores
1.
e sensíveis, seja a experiência interna (reflexão), pela
1.1. B qual se captam as operações internas da mente – que
1.2. B se encontram o fundamento e os limites do
1.3. D conhecimento. Segundo este filósofo, o conhecimento
1.4. A é limitado pela experiência em termos da sua
extensão e da sua certeza.
1.5. D
1.6. B GRUPO III
1. De acordo com o texto, a faculdade de
1.7. D
conhecer (a razão ou luz natural), tendo-nos sido dada
1.8. C
por Deus, que não é enganador, «nunca apreende
GRUPO II nenhum objeto que não seja verdadeiro (…) no que
1. No âmbito do dogmatismo ingénuo, ela conhece clara e distintamente». Desde que bem
não se coloca o problema de saber se o sujeito usada, a razão pode alcançar conhecimentos
apreende ou não o objeto, ou seja, não se coloca evidentes. Deus, sendo o criador da faculdade de
o problema do conhecimento, partindo-se do conhecer, é também o princípio do ser e do
pressuposto de que o sujeito apreende conhecimento em geral, garantindo a verdade
efetivamente o objeto. Ao não se aperceber do objetiva das ideias claras e distintas.
carácter relacional do conhecimento, o Criador das verdades eternas, origem do ser e
dogmático não coloca em dúvida a sua fundamento da certeza, Deus garante a adequação

Testes
possibilidade, acreditando que os objetos nos são entre o pensamento evidente e a realidade. Ao
dados diretamente e de um modo absoluto, tal legitimar o valor da ciência, Deus confere solidez ao
como são em si mesmos. Ora, isto não acontece sistema do saber e objetividade ao conhecimento.
na filosofia, porque todo o filósofo procede a um 2. Escreve Hume que o conhecimento da
exame crítico daquilo que lhe é fornecido pelos relação de causa e efeito «não é, em circunstância
sentidos, colocando a pergunta acerca do ser alguma, obtido por raciocínios a priori, mas deriva
verdadeiro das coisas. inteiramente da experiência». É perante a constatação
2. Há diversas aceções para o termo de que determinados objetos se combinam entre si,
«dogmatismo». O dogmatismo opõe-se ao ou de que entre dois fenómenos se verificou sempre
ceticismo enquanto se refere à perspetiva que, uma conjunção constante (um deles ocorreu sempre a
depositando confiança na razão, considera que é seguir ao outro), que concluímos ser um a causa e
possível chegar à certeza e à verdade, traduzindo outro o efeito, tomando assim conhecimento da
um otimismo racionalista. Trata-se, portanto, de relação de causalidade. Ora, essa conjunção constante
uma perspetiva que responde afirmativamente à entre fenómenos não nos pode levar a concluir que
questão de saber se o conhecimento é possível. entre eles haja uma conexão necessária (embora seja
Já o ceticismo, na sua forma radical ou absoluta – desse modo que a relação de causa e efeito é
o ceticismo pirrónico –, nega tal possibilidade. geralmente entendida), tanto mais que não dispomos
Testes de avaliação e sugestões de resposta 108

de qualquer impressão relativa à ideia de conexão convincentes»: as crenças básicas são as crenças de
necessária entre fenómenos. que se está a ter determinadas experiências. Para
3. Descartes e Hume são ambos Descartes, ao invés, o fundamento do conhecimento
fundacionalistas. Mas divergem no fundamento tem de ser procurado na razão. Descartes descobre-o
que adotam para o conhecimento. Hume encontra no cogito, primeira verdade, o «princípio original» a
na experiência o fundamento do conhecimento. que Hume se refere, assim como noutras ideias claras
Como tal, na sua perspetiva, o conhecimento e distintas da razão.
apoia-se em crenças básicas inseparáveis das Todavia, este fundamento do conhecimento depende
impressões dos sentidos, que são «autoevidentes e daquele que é o princípio de toda a realidade: Deus.
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NCON11LP
109 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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Testes de avaliação e sugestões de resposta 110

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111 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 8

O estatuto do conhecimento científico


Conhecimento vulgar e conhecimento científico Ciência e construção –
validade e verificabilidade das hipóteses

GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. Qual das seguintes questões não constitui um problema da epistemologia (ou filosofia da
ciência)?
A. O que é a ciência?
B. Em que consiste a teoria científica da evolução por seleção natural?
C. Como progride a ciência?
D. Que significa o conceito de «objetividade científica»?
1.2. A atitude do cientista é essencialmente:
A. problematizadora, racional e dogmática;
B. problematizadora, racional e crítica;
C. problematizadora, racional e acrítica;
D. problematizadora, racional e superficial.
1.3. O conhecimento científico é:
A. subjetivo;
B. imetódico e assistemático;
C. explicativo;
D. superficial.
1.4. O conhecimento científico procura ser objetivo porque:
A. se encontra sujeito a correções e a alterações;
B. se mantém como aceitável até surgir outra teoria mais eficaz e mais próxima da verdade;
C. tem em atenção o facto, excluindo as apreciações subjetivas;
D. visa ordenar a diversidade empírica.
1.5. O problema da demarcação pode ser formulado na seguinte questão:
Testes de avaliação e sugestões de resposta 112

A. O que distingue a investigação nas ciências, como a biologia e a física, da investigação noutras
disciplinas, como a história e a sociologia?
B. Em que consiste a teoria científica do heliocentrismo?
C. A clonagem humana é eticamente legítima?
D. O que distingue as teorias científicas das que não são científicas?
1.6. Segundo o critério da falsificabilidade, o enunciado «A carne de ave não contribui para o
aumento do nível de “mau” colesterol» é científico porque:
A. pode ser confirmado por um conjunto finito de observações;
B. é passível de ser refutado;
C. pode confirmar-se a sua veracidade com uma única observação;
D. só pode ser confirmado, não é passível de ser refutado.
1.7. Considere as proposições abaixo expostas. Selecione, depois, a alternativa que
corretamente se lhes adequa.
1. Todos os metais oxidam.
2. Na sétima dimensão, alguns metais oxidam.
3. Este metal oxida.
4. Nenhum metal oxida.
A. só as proposições 1, 3 e 4 são falsificáveis;
B. só as proposições 2 e 4 são falsificáveis;
C. C. só as proposições 1 e 2 são falsificáveis;
D. só as proposições 3 e 4 são falsificáveis.
1.8. Na conceção indutivista do método científico:
A. as teorias científicas surgem, por indução, a partir de factos e de observações;
B. as teorias científicas surgem, por dedução, a partir de factos e de observações;
C. as teorias científicas são propostas, por indução, sem ser necessário recorrer aos factos e
observações simples;

Testes
D. as teorias científicas são propostas, por dedução, sem ser necessário recorrer aos factos e
observações simples.

GRUPO II
1. «O pensamento científico está no prolongamento do pensamento comum: é um aperfeiçoamento e
um crescimento deste.»
M. Gex (1964), Élements des Philosophie des Sciences, Neuchâtel, Éditions du Griffon, p. 18.

Qual dos autores estudados – Karl Popper e Gaston Bachelard – poderia subscrever esta
afirmação? Justifique a sua resposta.
2. «Por não ser explicativo, o senso comum é absolutamente desnecessário.» Concorda com esta
afirmação? Justifique e elabore um comentário, tendo em conta as características do senso comum.
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3. Esclareça as duas críticas de que foi objeto a conceção indutivista do método científico.
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113 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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4. Descreva as etapas do método hipotético-dedutivo (ou conjetural).

COTAÇÕES 1.6. .......................................................... 7,5 pontos


GRUPO I 1.7. .......................................................... 7,5 pontos
1. 1.8. .......................................................... 7,5 pontos
1.1. .......................................................... 7,5 pontos GRUPO II
1.2. .......................................................... 7,5 pontos 1. ............................................................. 35 pontos
2. ............................................................. 35 pontos
1.3. .......................................................... 7,5 pontos
3. ............................................................. 35 pontos
1.4. .......................................................... 7,5 pontos
4. ............................................................. 35 pontos
1.5. .......................................................... 7,5 pontos
TOTAL ..................................................... 200 pontos
114 Testes de avaliação e sugestões de resposta

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CORREÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 8 necessidade; mas do facto de não ser explicativo não se
depreende a falta de necessidade do conhecimento vulgar.
GRUPO I
3. Duas das críticas de que foi objeto a conceção
1.
indutivista do método são: a) a observação não é
1.1. B necessariamente o primeiro momento do método
1.2. B científico e, mesmo que o cientista a ela recorra, ela não é
1.3. C inteiramente neutra e isenta; b) o raciocínio indutivo não
1.4. C oferece a consistência lógica que as teorias científicas
reclamam.
1.5. D
Relativamente à primeira alínea, podemos dizer que a
1.6. B observação pura não existe. No mínimo, os conhecimentos
1.7. A anteriores do cientista, as teorias com que contactou,
1.8. A determinam a observação que efetuará, pelo que, partindo
GRUPO II daí, já não é da observação que parte. A sua observação é,
portanto, mediada, isto é, não neutra nem isenta. A segunda
1. Seria Karl Popper, uma vez que este defende a
crítica é de índole lógica. De facto, o raciocínio indutivo
tese continuísta na passagem do conhecimento vulgar ao
amplificante – não o enumerativo, de Aristóteles – constitui
conhecimento científico – e no texto os termos são
um salto lógico, que leva do particular ao geral. A sua
“aperfeiçoamento” e “crescimento”. Na sua perspetiva, a
validade está, portanto, comprometida. David Hume
ciência é “senso comum esclarecido” ou, por outras
afirmou, a este propósito, que a generalização indutiva é
palavras, criticado, corrigido, contestado. Para Popper, a
uma mera crença ou expectativa, fundamentada pelo hábito
criação da ciência e o seu desenvolvimento representam,
e suportada pela convicção, e não pela impressão, de que as
fundamentalmente, um processo de constante eliminação
mudanças na natureza são regulares. A veracidade das leis
de erros.
científicas, por definição universais, está, enfim,
Gaston Bachelard, pelo contrário, não poderia subscrever
comprometida pelo problema da indução.
esta afirmação porque, no seu entendimento, o senso
comum é um obstáculo epistemológico com o qual 4. A primeira etapa do método hipotético-dedutivo
importa romper para que se possa criar conhecimento (ou conjetural) consiste na formulação de uma hipótese ou
científico. A sua tese – de rutura entre os tipos de conjetura a partir de um facto-problema. Constatando-se
conhecimento em causa – não admite a existência de um que existe um problema que não encontra explicação
“conhecimento vulgar provisório”, porque o conhecimento satisfatória no contexto de uma dada teoria, formula-se
vulgar não se limita a ser provisório: o senso comum, uma hipótese ou explicação provisória para o mesmo, a
através daqueles que nele sustentam os seus pontos de qual carece ainda de comprovação empírica. Trata-se de
vista, opõe-se ativamente à construção do conhecimento um momento criativo da atividade científica, baseado
científico. fundamentalmente na intuição e na imaginação. A segunda
fase do método em análise é a da dedução das
2. Do facto de o senso comum não ser explicativo
consequências. Formulada a hipótese, são deduzidas as
não se infere que esteja, por definição, errado. Só neste
suas principais consequências, isto é, depreende-se o que
último caso é que se poderia afirmar que ele seria
poderá acontecer se a hipótese ou conjetura for
desnecessário. A experiência quotidiana também dá a
verdadeira.
conhecer a relação com o mundo, e é com base nela que se
O terceiro momento corresponde à experimentação. Testa-
fazem múltiplas opções no dia a dia que não exigem, à
se a hipótese, confronta-se a conjetura com a experiência
partida, um conhecimento muito elaborado – ou científico.
para aferir a sua veracidade. Sendo validada pela
Tal não significa, de modo algum, que se possa dispensar
experiência, a teoria é corroborada; não o sendo, a teoria é
este último, porque só ele dá a conhecer, com prova, essas
refutada, isto é, terá de ser reformulada ou, no limite,
e muitas outras opções, bem mais exigentes. Do facto de o
abandonada.
conhecimento científico ser explicativo infere-se a sua
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TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 9

O estatuto do conhecimento científico


Ciência e construção – validade e verificabilidade das hipóteses A racionalidade
científica e a questão da objetividade

GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. Para os indutivistas, uma teoria é científica se for:
A. empiricamente verificável;
B. falsificável pelos fenómenos;
C. verificada pela hipótese;
D. refutada pela aplicação de testes experimentais.
1.2. Levantado por Hume, o problema da indução traduz-se na:
A. possibilidade de justificar as inferências indutivas;
B. impossibilidade de justificar as inferências dedutivas;
C. impossibilidade de justificar as inferências indutivas;
D. possibilidade de justificar as inferências dedutivas.
1.3. Popper pensa ter ultrapassado o problema da indução ao defender que o
desenvolvimento da ciência é independente das inferências de tipo indutivo. Esta
afirmação é:
A. verdadeira; para Popper a ciência evolui pela construção de conjeturas e refutações,

Testes
recorrendo ao raciocínio indutivo;
B. falsa; para Popper a ciência evolui pela construção de conjeturas e refutações, recorrendo
ao raciocínio dedutivo e indutivo;
C. verdadeira; para Popper a ciência evolui pela construção de conjeturas e refutações,
recorrendo ao raciocínio dedutivo;
D. falsa; para Popper a ciência evolui pela construção de conjeturas e refutações, recorrendo
ao raciocínio dedutivo e indutivo.
1.4. Considere os seguintes enunciados relativos à comparação entre as conceções indutivista
e popperiana do método das ciências (empíricas).
1. Para os indutivistas, a observação é o ponto de partida para a construção das teorias
científicas; para Popper, a observação não constitui um recurso relevante no processo
de investigação científica.
2. As duas perspetivas defendem que a observação é o ponto de partida para a
construção de teorias científicas.
Testes de avaliação e sugestões de resposta
116
3. Para os indutivistas, a confirmação e a verificação empíricas de uma teoria garantem
o rigor e a cientificidade dessa teoria; para Popper, a possibilidade de falsificação da
teoria constitui o critério de cientificidade.
4. As duas perspetivas defendem que as teorias científicas devem ser avaliadas através
da realização de testes para as refutar.
Deve afirmar-se que o(s) enunciado(s):
A. 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto;
B. 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos;
C. 1, 2 e 4 são incorretos; 3 é correto;
D. 3 é incorreto; 1, 2 e 4 são corretos.
1.5. Para Popper as teorias científicas são:
A. refutáveis e conjeturais;
B. refutáveis e confirmáveis;
C. confirmáveis e corroboráveis;
D. refutáveis e verificáveis.
1.6. Kuhn entende por ciência normal:
A. a fase de mudança e aceitação de um novo paradigma pela comunidade científica;
B. a fase de questionamento dos pressupostos e fundamentos do paradigma vigente, de
debate sobre a manutenção do paradigma (velho) ou a escolha de um novo paradigma;
C. a fase de tomada de consciência da insuficiência do paradigma vigente para explicar todos
os factos ou anomalias;
D. a fase da atividade científica que ocorre no âmbito de um dado paradigma aceite pela
comunidade científica, em que se procede à resolução de enigmas (quebra-cabeças) de
acordo com a aplicação dos princípios, regras e conceitos do paradigma vigente.
1.7. Para Kuhn, a ciência entra em crise quando:
A. surge uma anomalia;
B. ocorre uma revolução;
C. a ciência normal se desenvolve e cria novos problemas;
D. não se consegue resolver as anomalias persistentes.
1.8. Kuhn contribui para a definição de uma nova racionalidade científica ao afirmar que o
desenvolvimento da ciência:
A. depende de fatores históricos, sociológicos e psicológicos;
B. é independente de fatores históricos, sociológicos e psicológicos; C. depende
exclusivamente de fatores subjetivos;
D. depende exclusivamente de fatores objetivos.
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117 Testes de avaliação e sugestões de resposta

GRUPO II
1. «Se dizemos que hoje em dia sabemos mais que Xenófanes ou Aristóteles, provavelmente isso está
errado, se acaso interpretarmos “saber” em sentido subjetivo. Provavelmente cada um de nós não
sabe mais, mas sabe antes outras coisas. Trocámos certas teorias, certas hipóteses, certas
conjeturas por outras, muitas vezes melhores: melhores no sentido de estarem mais próximas da
verdade.»
Karl Popper (1987), Sociedade Aberta, Universo Aberto, Lisboa, Publicações Dom Quixote, p. 105.

Explique em que medida a epistemologia de Popper contribuiu para uma redefinição da


racionalidade científica.
2. «[Kuhn constatou que] expressões comuns, como o termo “massa” utilizado por Newton e
Einstein, têm efetivamente significados muito diferentes.»
Michael Ruse (2002), O Mistério de Todos os Mistérios, V. N. Famalicão, Quasi, p. 37.

Esclareça, no contexto da teoria de Kuhn, as noções de paradigma e de incomensurabilidade dos


paradigmas.

3. Uma das críticas levantadas a Kuhn incide sobre a questão da incomensurabilidade dos
paradigmas. Explicite-a.

4. Leia os seguintes textos:


«A questão de como ocorre ao homem uma nova ideia – quer seja um tema musical, um
conflito dramático ou uma teoria científica – pode revestir-se de grande interesse para a
psicologia empírica; no entanto, é irrelevante para a análise lógica do conhecimento
científico.»
Karl Popper (2002), in Michael Ruse, O Mistério de Todos os Mistérios, V. N. Famalicão, Quasi, p. 34.

«A escolha [entre paradigmas rivais] não é, nem pode ser, determinada meramente pelos
procedimentos de avaliação característicos da ciência normal, pois estes dependem, em
parte, de um paradigma específico, e esse paradigma está em causa. Quando os paradigmas

Testes
são incluídos, como devem, num debate de escolha entre paradigmas, o seu papel é
necessariamente circular. Cada grupo utiliza o seu próprio paradigma para argumentar em
defesa do próprio.»
Thomas Kuhn (2002), in Michael Ruse, O Mistério de Todos os Mistérios, V. N. Famalicão, Quasi, p. 37.

Elabore um texto argumentativo no qual distinga sustentadamente as conclusões de Karl Popper


e de Thomas Kuhn no que se refere à filosofia da ciência (ou epistemologia).

Deverá, para o efeito, atender à reflexão que cada um elaborou a respeito dos seguintes aspetos:
• Os critérios utilizados na escolha de teorias (ou paradigmas) científicas.
• O progresso da ciência. • A objetividade do conhecimento

científico.
Testes de avaliação e sugestões de resposta
118
COTAÇÕES 1
.
GRUPO I
8
1.
.
1.1. .......................................................... 7,5 pontos
1.2. .......................................................... 7,5 pontos
A
1.3. .......................................................... 7,5 pontos
1.4. .......................................................... 7,5 pontos GRUPO II
1.5. .......................................................... 7,5 pontos 1. Tradicionalmente, a racionalidade
1.6. .......................................................... 7,5 pontos científica encontrava-se associada às noções
de «objetividade», «neutralidade», «verdade
NCON11LP_F08 certa, necessária e universal» e
«demonstração». As correntes positivista e
1.7. .......................................................... 7,5 pontos
neopositivista contribuíram para essa visão
1.8. .......................................................... 7,5 pontos da ciência como o modelo único do
GRUPO II conhecimento verdadeiro e objetivo.
1. ............................................................. Atualmente, assistimos a uma redefinição da
35 pontos racionalidade científica. Graças ao contributo
2. ............................................................. de novas perspetivas epistemológicas, como
35 pontos o falsificacionismo de Popper, as teorias
3. ............................................................. científicas não são tidas como definitivas,
mas como modelos explicativos e provisórios
30 pontos
da realidade (conjeturas). A crítica é o pilar
4. ............................................................. 40 pontos central do trabalho científico e a garantia do
TOTAL ..................................................... 200 pontos escape à posição dogmática. Ao procurar
CORREÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO detetar o erro (ou ao tentar falsificar as suas
teorias), o cientista garante o
N.º 9 aperfeiçoamento do conhecimento
GRUPO I científico, no sentido de uma tentativa de
1. aproximação à verdade.
1.1. A A nova racionalidade científica não se baseia
na ideia de uma verdade absolutamente certa,
1
universal e necessária; apenas admite a
.
possibilidade de haver teorias mais ou menos
2 verosímeis e mais ou menos plausíveis que
. procuram explicar corretamente os factos.
C
2. Para Kuhn, o desenvolvimento da ciência
está dependente de um paradigma ou modelo
1 científico, isto é, de um conjunto de teorias,
. factos, crenças e conhecimentos, regras,
3 técnicas e valores, compartilhados e aceites
. pela maioria dos cientistas. Dizer-se que os
C paradigmas são incomensuráveis equivale a
1.4. C afirmar que são incomparáveis e
incompatíveis. Não se pode comparar
1.5. A
objetivamente aquilo que cada paradigma
1.6. D defende, dado que eles correspondem a
1 formas totalmente diferentes de explicar e
. prever os fenómenos. Como o texto mostra, há
7 termos que, quando integrados em diferentes
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. paradigmas, remetem para significados


D distintos. Dado que cada paradigma
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corresponde a um modo qualitativamente


diferente de olhar o real, a verdade que cada
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119 Testes de avaliação e sugestões de resposta
um contém está circunscrita ao que nele se podemos dizer que a ciência não se desenvolve.
determina. Cada paradigma é uma representação do Kuhn destaca dois momentos fundamentais para
real. explicar como ela evolui: na fase da produção
3. Uma vez que os paradigmas são científica normal (ciência normal) e na das
incomensuráveis, cada paradigma representa um revoluções científicas (que permitem a mudança de
modo totalmente diferente de encarar os problemas paradigmas).
e propor as soluções. Dois paradigmas rivais são Por último, no que se refere à objetividade do
mundos diferentes em que as mesmas coisas são conhecimento científico, Popper é dela um absoluto
entendidas de modos distintos. Neste sentido, partidário. A ideia de “conhecimento sem
conhecedor” advogada por Popper é exemplificativa
não se pode aferir qual dos paradigmas em discussão
de que, na sua perspetiva, o conhecimento científico
contém mais verdade, porque esta é, em parte, inerente
não se confunde com o sujeito que o produz; é
aos paradigmas em discussão. Kuhn foi criticado por ter
independente do sujeito e do contexto – e daí a
instaurado uma visão relativista da ciência e uma perceção
relevância, como o texto sugere, da «análise lógica
que acaba por ser subjetivista da verdade.
do conhecimento científico». A validação das teorias
4. Para Popper, o critério utilizado na escolha de obedece ao critério da falsificabilidade, e este
teorias (ou, para usarmos a terminologia de Kuhn, de garante a sua cientificidade. Alicerçada na lógica, a
paradigmas) científicas é o critério da ciência pode aspirar ao rigor e à objetividade. Para
falsificabilidade. São os contraexemplos que, depois Kuhn, pelo contrário, o conhecimento depende, em
de sujeitos à experimentação e de atestada a sua parte, do sujeito – de um sujeito integrado numa
verdade, determinam a escolha de teorias rivais. comunidade científica. Além de fatores objetivos, há
Para Kuhn, o critério em causa é, em parte, interior também aspetos subjetivos que interferem na
aos paradigmas. Além de critérios objetivos como a avaliação e na decorrente escolha de teorias rivais, o
exatidão, a consistência, o alcance, a simplicidade e a que compromete a objetividade da ciência. Como
fecundidade, há aspetos de ordem psicológica que Kuhn afirma, «cada grupo utiliza o seu próprio
interferem na referida escolha. paradigma para argumentar em defesa do próprio».
Para Popper, a ciência claramente progride. As teorias Dependente de critérios subjetivos, a ciência vê
substitutas têm maior grau de correspondência à hipotecada a sua objetividade.
realidade, enquanto as teorias substituídas se encontram Apesar do exposto, para nenhum dos autores a
mais distantes dela. Para Kuhn, o progresso da ciência não ciência é um conhecimento certo e indubitável. Para
pode ser entendido da mesma maneira. Sendo os Popper, sendo a tentativa de falsificação o
paradigmas incomensuráveis, não se pode afirmar que a procedimento-base, nenhuma teoria pode ser
ciência progride no sentido de uma maior aproximação à tomada como definitiva e absolutamente certa. Para
verdade. A mudança de paradigma não significa Kuhn, sendo a mudança na ciência pautada por
necessariamente progresso cumulativo e contínuo em critérios, em parte, subjetivos, a certeza, ou
direção a um fim (a verdade). No entanto, também não indubitabilidade, não a pode caracterizar.

TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 10

A Filosofia e os outros saberes


GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. A conceção de verdade como correspondência foi sobretudo defendida por:
A. Perelman;
B. Aristóteles;
C. William James;
Testes de avaliação e sugestões de resposta
120
D. Heidegger.
1.2. As bases da teoria da verdade como consenso encontram-se em: A. Perelman, J. Habermas
e K.-O. Apel.
B. Platão, J. Habermas e K.-O. Apel.
C. Perelman, Heidegger e K.-O. Apel.
D. William James, J. Habermas e Karl Popper.
1.3. Hegel encara a verdade como:
A. coerência;
B. processo;
C. consenso;
D. perspetiva.
1.4. A transferência dos métodos de uma disciplina para outra diz respeito à:
A. interdisciplinaridade;
B. disciplinaridade; C. transdisciplinaridade;
D. pluridisciplinaridade.
1.5. A visão transdisciplinar propõe-nos que consideremos a realidade como:
A. multidimensional, estruturada num único nível;
B. unidimensional, estruturada em múltiplos níveis; C. multidimensional, estruturada em
múltiplos níveis;
D. unidimensional, estruturada num único nível.

GRUPO II
1. O conceito de «verdade» é, no domínio filosófico, um conceito unívoco? Justifique.

Testes
2. Refira a principal diferença entre a verdade como correspondência e a verdade como coerência.

3. Critique as conceções tradicionais de «verdade» e de «realidade» à luz das conceções


contemporâneas.
4. «Fala-se hoje muito da importância de uma “visão de conjunto” e de um “esforço de síntese”.
Atitudes consideradas necessárias para superar os grandes problemas do mundo moderno.
Infelizmente, não nos parece que a educação que recebemos nos tivesse preparado para tanto.
Basta passar os olhos pela lista das disciplinas universitárias: fragmentam a natureza em outros
tantos compartimentos estanques.»
Joël de Rosnay (s/d), Macroscópio – para uma visão global, V. N. de Gaia, Estratégias

Criativas, p. 13. Justifique, a partir do texto, a necessidade de uma racionalidade pluridisciplinar


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e transdisciplinar.
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121 Testes de avaliação e sugestões de resposta

GRUPO III
1. «Os avanços científico-técnicos verificados desde há uns decénios – muito especialmente no
domínio da genética e da fetologia – têm ampliado notavelmente o campo da bioética.»
R. Cabral (1997), “Bioética”, in AAVV, Logos – Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia,
vol. 1, Lisboa, Editorial Verbo, p. 686.

Desenvolva, com base na afirmação, e de forma argumentada, o seguinte tema: A bioética e


a racionalidade pluridisciplinar e transdisciplinar.
No desenvolvimento do tema, deve apresentar o seu ponto de vista pessoal sobre a
possibilidade de a racionalidade pluridisciplinar e transdisciplinar servir o propósito prático
de resolução das grandes questões do nosso tempo, nomeadamente das questões da
bioética.

COTAÇÕES 1.5. .......................................................... 7


pontos
GRUPO I
GRUPO II
1.
1. ............................................................. 30
1.1. ..........................................................
pontos 2. .............................................................
7 pontos
30 pontos
1.2. .......................................................... 3. ............................................................. 30
7 pontos pontos
1.3. .......................................................... 4. ............................................................. 30
7 pontos pontos
1.4. .......................................................... GRUPO III
7 pontos 1. ............................................................. 45
pontos
Testes de avaliação e sugestões de resposta
122
TOTAL ..................................................... 200 sociedade. Admitem-se, finalmente, graus de
pontos verdade, aproximações gradativas e/ou

CORREÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 10


GRUPO I probabilísticas.
1. 4. A realidade mostra-se diversa e é bastante
1.1. B. limitado o conhecimento que dela podemos retirar.
Cada saber, ou cada configuração do real, apreende
1.2. A.
apenas uma das suas múltiplas dimensões, obtendo,
1.3. B. portanto, uma visão parcelar da totalidade.
1.4. A. Assistimos, por um lado, a uma excessiva
1.5. C. especialização das ciências e, por outro, a uma
GRUPO II separação dos saberes científicos relativamente aos
que o não são. Tal panorama conduziu a uma visão
1. Não, no domínio filosófico, o conceito
fragmentada e retalhada da realidade. De facto, se
de «verdade» tem sofrido vários
as diversas disciplinas se encontram isoladas e
enquadramentos e interpretações, constituindo
fechadas nas suas fronteiras cada vez mais
um problema filosófico por excelência. Ora se
delimitadas, os conhecimentos adquiridos não são
entende a verdade no seu sentido ontológico
reunidos e integrados numa visão global que lhes dê
tradicional, ora como coerência, ora ainda em
sentido e coerência. Daí a dificuldade de encontrar
sentido pragmático. A verdade pode ainda ser
uma “visão de conjunto”. É por isso que,
considerada uma forma de consenso ou apenas
contemporaneamente, se reconhece a necessidade
uma perspetiva de entre várias possíveis. Existem,
e a exigência de uma racionalidade pluridisciplinar e
para além destas, outras conceções de
transdisciplinar.
«verdade», o que nos leva a concluir que o
conceito de «verdade» é plurívoco em filosofia. GRUPO III
2. A verdade como correspondência diz 1. No desenvolvimento deste tema, deverá o aluno:
respeito a uma relação adequada entre a – reconhecer que a bioética, ligada aos «avanços
proposição (a crença) e a realidade, ao passo que científico-técnicos», se situa numa zona de
a verdade como coerência diz respeito à relação interseção de saberes, nomeadamente das
das crenças entre si e não à sua relação com algo tecnociências (sobretudo a biologia e a
independente da mente ou do discurso. medicina), das humanidades (filosofia, ética,
teologia, psicologia, antropologia), ciências
3. Os conceitos tradicionais de «verdade»
sociais (economia, politologia, sociologia) e
e de «realidade» foram postos em causa, pois

Testes
doutras disciplinas, como o direito;
contemporaneamente admite-se que a realidade
– salientar o papel da transdisciplinaridade na
é multidimensional, está em permanente devir ou
compreensão do mundo atual, para a qual um
mudança. Sendo assim, a própria noção de
dos imperativos é a unidade do conhecimento;
verdade, que está dependente da que se tem de
– reconhecer o significado do conhecimento
realidade, sofre igualmente alterações. Hoje
complexo, aliado à ideia de realidade como um
admite-se que existem várias verdades (carácter
tecido complexo;
plurívoco da verdade), isto é, que não existe uma
– apresentar o seu ponto de vista pessoal,
verdade universal, mas sim uma verdade para
devidamente argumentado, sobre a possibilidade
nós. Tal traduz-se no reconhecimento da
de a racionalidade pluridisciplinar e
relatividade e subjetividade da verdade. Além
transdisciplinar servir o propósito prático de
disso, entende-se que a verdade está sujeita à
resolução das grandes questões do nosso tempo,
influência do tempo (aquilo que é verdadeiro
servindo-se do exemplo de questões ligadas à
hoje pode não o ser amanhã), da cultura e da
bioética.
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TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 11

A Filosofia na cidade
GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. No contexto da democracia ateniense antiga, os cidadãos eram:
A. os homens livres e os escravos;
B. todos os homens e mulheres, livres ou não;
C. todos aqueles que se dedicavam à filosofia;
D. os homens livres, participantes nas decisões públicas da cidade;
1.2. Para os gregos:
A. o espaço público sobrepõe-se ao espaço privado;
B. o espaço público não se distingue do espaço privado;
C. o espaço privado permite ao ser humano a realização plena da sua natureza;
D. o espaço privado é mais importante que o público, porque se encontra ligado ao sustento
individual.
1.3. A tarefa da reflexão política é a de tentar conciliar as exigências pessoais e individuais com as
exigências:
A. coletivas;
B. familiares;
C. da classe social a que se pertence; D. do partido político a que se pertence.
1.4. A obra A República foi escrita por:
A. Aristóteles;
B. Hannah Arendt;
C. Platão; D. John Locke.
1.5. Equivale à condição daquele que tem liberdades públicas, gozando de certos direitos, e que, por
outro lado, cumpre os deveres sociais definidos na lei. Estamos perante a definição de:
A. tolerância;
B. cidadania;
C. igualdade;
D. obediência.
1.6. Alguém que tem uma convicção é alguém que:
A. é necessariamente intolerante;
B. segue uma ideia sabendo por que razões o faz;
C. é necessariamente tolerante;
D. segue uma ideia sem saber por que razões o faz.
GRUPO II
1. Explicite a importância do espaço público para os gregos dos séculos V e IV a. C.

2. Refira qual o problema central que subjaz às diferentes conceções políticas desenvolvidas ao longo da
história.

3. Exponha os princípios fundamentais que se encontram na base do trabalho dos filósofos e politólogos
(ocidentais) atuais.

4. Estabeleça a diferença entre «tolerância» e «intolerância» ao nível da necessidade de resolver conflitos


nas sociedades democráticas atuais.

GRUPO III
1. «Onde quer que o diálogo foi interrompido, eclodiram os conflitos – quer na esfera pública quer
privada. Onde quer que as conversações falharam, instaurou-se a repressão e imperou a lei do mais
forte, das elites e dos mais inteligentes.»
Hans Küng (1996), Projeto para uma Ética Mundial, Lisboa, Instituto Piaget, p. 186.

Desenvolva, com base na afirmação e de forma argumentada, o seguinte tema: O diálogo como via de
construção da cidadania.
Deve, para o efeito, apresentar o seu ponto de vista pessoal e os argumentos que o suportam, e ter em
conta as perspetivas de Apel, Habermas e Rawls relativas a esta temática.

Testes

COTAÇÕES 1.6. .......................................................... 5 pontos


GRUPO II
GRUPO I
1. ............................................................. 30 pontos 2.
1.
............................................................. 30 pontos
1.1. .......................................................... 5 pontos
3. ............................................................. 30 pontos
1.2. .......................................................... 5 pontos
4. ............................................................. 30 pontos
1.3. .......................................................... 5 pontos
GRUPO III
1.4. .......................................................... 5 pontos
1. ............................................................. 50 pontos
1.5. .......................................................... 5 pontos
TOTAL ..................................................... 200 pontos
NCON11LP
125 Testes de avaliação e sugestões de resposta

©Porto Editora
CORREÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 11
GRUPO I direitos fundamentais; o
1. diálogo como a via razoável
de resolução dos problemas
1
comuns dos cidadãos.
.
1 4. Enquanto a
. tolerância se traduz numa
atitude que manifesta
posições abertas e razoáveis,
D no quadro da aceitação das
diferenças e da promoção do
1 diálogo, a intolerância
. exprime-se numa atitude que
2 manifesta posições ou
. convicções dogmáticas e
fechadas, que tendem a não
aceitar as diferenças e a
A
recusar o diálogo e o
1.3. A consenso.
1.4. C À negociação e à necessidade
1.5. B de estabelecer consensos
1.6. B (próprias da tolerância), de
modo a garantir a igualdade
GRUPO II
de direitos civis e humanos,
1. Para os antigos opõe-se, assim, a imposição
gregos, o cidadão é aquele (própria da intolerância) de
que participa nas questões de uma estratégia unilateral de
interesse comum, nas negociação, de forma a
decisões públicas da polis. garantir a autoridade de uma
Para além de cumprir as suas posição.
obrigações naturais, ligadas à
GRUPO III
sua subsistência e à da sua
família (espaço privado), o 1. No desenvolvimento deste
cidadão é o homem livre, tema, deverá o aluno:
capaz de se autogovernar e – apresentar o seu ponto de
de se realizar politicamente. É vista pessoal, devidamente
no espaço público que o ser argumentado, acerca do
humano realiza plenamente a papel do diálogo na
sua natureza, enquanto ser construção da cidadania,
livre, social e político. integrando a afirmação
citada;
2. É o problema da
– reconhecer que na «ética
natureza humana. Trata-se de
do discurso», de Apel e
saber se o ser humano é
Habermas, se parte da ideia
naturalmente bom e justo ou,
de uma situação ideal de
pelo contrário, se a sua
comunicação cujos
natureza tende para o mal. O
intervenientes partilham de
aparecimento de diferentes
iguais condições de diálogo;
regimes – ditatoriais ou
– relacionar a importância do
democráticos – ao longo da
diálogo com a possibilidade
história esteve associado à
de estabelecer a validade de
resposta a tal questão.
normas morais
3. Tais princípios são (comuns);
os seguintes: a democracia – salientar a defesa, por parte
como o regime preferível; a de Apel e Habermas, da
liberdade e a igualdade como participação dos indivíduos
Testes de avaliação e sugestões de resposta 126

no espaço público, sem da estabilidade de uma


descurar o papel do Estado; sociedade justa se
– reconhecer a importância encontram doutrinas
da democracia como regime razoáveis, orientadas para
preferível, para Rawls; um consenso duradouro.
– compreender que, de
acordo com Rawls, na base

TESTE DE AVALIAÇÃO
N.º 12

A Filosofia e o sentido
GRUPO I
1. Indique, para cada questão, a opção correta.
1.1. São estes os principais pensadores das
filosofias da existência:
A. Sartre, Descartes, Heidegger, Marx e Marcel;
B. Platão, Górgias, Mill, Camus e Marcel;
C. Sartre, Jaspers, Heidegger, Camus e Marcel;
D. Kierkegaard, Feuerbach, Camus, Locke e
Sartre.
1.2. O sentido prático é o sentido:
A. funcional;
B. incondicionado; C. absoluto;

Testes
D. divino.
1.3. A vida é-nos dada vazia. Esta afirmação
significa que a vida:
A. não tem sentido, porque é vazia;
B. é vazia, porque não tem sentido;
C. é uma tarefa e um conjunto de problemas a que
somos indiferentes;
D. é algo que recebemos e que temos de
preencher.
1.4. A obra em que Albert Camus desenvolve a
tese do absurdo da vida intitula-se:
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A. A Grandeza de Sísifo;
NCON11LP
127 Testes de avaliação e sugestões de resposta
B. O Mito de Sísifo;
C. A Angústia de Sísifo; D. A Genealogia de
Sísifo.
1.5. A memória que consiste na recordação de
itens de conhecimento, independentemente
da ocasião particular em que os aprendemos,
designa-se por:
A. memória episódica;
B. memória genérica; C. memória pessoal;
D. memória íntima.
1.6. O facto de as pessoas que procuram a
felicidade pela felicidade quase nunca a
conseguirem encontrar, enquanto outras a
encontram numa busca de objetivos
totalmente diferentes designa-se por:
A. paradoxo do individualismo;
B. falácia da felicidade;
C. paradoxo do hedonismo;
D. falácia do indivíduo insatisfeito.

GRUPO II
1. «O existencialismo pode considerar-se [uma]
reação às construções filosóficas sistemáticas
que dissolviam o homem numa série de
abstrações.»
A
lexandre Fradique Morujão (1999), “Existencialismo”,
in AAVV, Logos – Enciclopédia Luso-Brasileira de
Filosofia, vol. 2, Lisboa, Editorial Verbo, p. 396.
Explique o sentido desta afirmação.

2. Refira as dificuldades com que nos deparamos


quando procuramos descrever
intelectualmente o tempo.

3. Exponha as principais características da morte.

4. «A memória é tempo e, portanto, observa o


passado, mas também o presente e o futuro.»
Joan-Carles Mèlich (2002), Filosofía
de la Finitud, Barcelona, Herder, p.
99.
NCON11LP
Testes de avaliação e sugestões de resposta 128

©Porto Editora
Refira, com base na afirmação, a importância
da memória no que se refere à nossa
responsabilidade perante o presente e o
futuro.

GRUPO III
1. Desenvolva, de forma argumentada, o
seguinte tema: O sentido da vida.
Deve, para o efeito, apresentar o seu ponto de
vista pessoal e os argumentos que o suportam
relativamente à existência ou não de sentido
na vida, e confrontar também as perspetivas
de Albert
Camus e de Susan Wolf ........................
............ 5
pontos
1.6. .........................
................................
acerca desta temática. . 5 pontos
GRUPO II
1. .................................
............................ 30
pontos
2. .................................
............................ 30
pontos
3. .................................
............................ 30
pontos
COTAÇÕES 4. .....................................
GRUPO I ........................ 30 pontos
1. GRUPO III
1.1. ....................... 1. ....................................
.............................. ......................... 50

CORREÇÃO DO TESTE DE AVALIAÇÃO N.º 12


..... 5 pontos pontos
1.2. ...................... TOTAL ..............................
.............................. ....................... 200 pontos
...... 5 pontos GRUPO I
1.3. ......................
1.
..............................
1.1. C
...... 5 pontos
1.4. ...................... 1.2. A
.............................. 1.3. D
©Porto Editora

...... 5 pontos 1.4. B


1.5. ...................... 1.5. B
NCON11LP
129 Testes de avaliação e sugestões de resposta
1.6. C que se possa fazer acerca
GRUPO II do tempo.
1. De acordo com o 3. A morte pode ser
existencialismo – ou as caracterizada do seguinte
filosofias da existência –, a modo: é algo que, sendo
reflexão filosófica deve dar certo, torna a vida única e
atenção ao indivíduo concreto. irrepetível, humanizando-
Este é encarado como uma nos; é necessária,
realidade irredutível, inevitável e irrevogável,
subjetiva, singular, única e não sendo possível
original. O conceito de estabelecer com ela
«existência» é também agora qualquer pacto; é
aplicado ao «eu concreto». absolutamente pessoal,
Tal valorização do indivíduo intransmissível e solitária:
constitui uma «reação às ninguém pode morrer por
construções filosóficas outro; é individualizadora:
sistemáticas», as quais ao morrer, cada um é ele
privilegiavam «abstrações» e próprio e mais ninguém; é
ideias gerais sem terem em igualitária: todos,
conta a existência – que é independentemente da
sempre, na ótica dos sua condição, estão
existencialistas, a existência sujeitos a ela; é iminente:
individual. Esta, segundo esses pode acontecer em
filósofos, não pode ser qualquer altura da vida; é
captada pela razão e inserida incompreensível:
num sistema. Sendo subjetiva, ignoramos o que ela seja
singular, finita e encontrando- em si mesma.
se em construção, ela não se 4. Cada pessoa é
pode demonstrar, explicar ou responsável perante si
encerrar em conceitos. mesma, mas também
2. As dificuldades com perante os outros, os que
que nos deparamos quando com ela coexistem e os
procuramos descrever que farão parte das
intelectualmente o tempo gerações futuras. Tal
prendem-se com os seguintes significa que a nossa
aspetos: o facto de o tempo responsabilidade envolve,
ser imaterial; de não poder ser afinal, toda a humanidade
circunscrito (já que surge e que o sentido da
existência individual se

Testes
como infinito, universal e
englobante); de ser muitas inscreve num contexto que
vezes traduzido em termos de é, cada vez mais, um
espaço, escapando-nos assim contexto global. Daí a
a sua verdadeira natureza; de importância de
as suas partes constitutivas conhecermos a história da
estarem em movimento, e de humanidade, como forma
ser apreendido quer pela de evitar, ou de ajudarmos
experiência vivida, quer pela a evitar, repetir os erros do
inteligência, o que implica passado.
realidades diferentes e A afirmação apresentada
paradoxais. Por fim, é de põe a tónica na
salientar o facto de aquele que importância e no papel da
reflete sobre a natureza do memória enquanto
tempo estar também «observadora» do
mergulhado no tempo, o que passado, mas também do
condiciona necessariamente presente e do futuro. Só
aquela descrição e a reflexão uma memória atenta ao
Testes de avaliação e sugestões de resposta 130

passado da humanidade pode de amor e da entrega a


ajudar a assumir a eles de uma maneira
responsabilidade no presente positiva»;
e a estabelecer compromissos – referir que uma vida com
perante o futuro. O trabalho sentido é, para esta
da memória permite a crítica autora, uma vida que se
ao presente e a esperança de caracteriza pela entrega
um futuro melhor, de um ativa a projetos de valor
futuro onde, pelo menos, não – projetos esses que
se repita o «mal radical» que equivalem a algo
ensombrou o percurso da objetivamente valioso e
humanidade. que, pelo menos
GRUPO III parcialmente, têm êxito.
No desenvolvimento deste
tema, deverá o aluno:
– apresentar o seu ponto de
vista pessoal, devidamente
argumentado, acerca da
existência ou não de sentido
na vida;
– reconhecer que, para Albert
Camus, a existência humana
é absurda, não tem sentido,
e que o absurdo,
expressando a relação do eu
com o mundo, é
experienciado como um
divórcio entre o ser humano
e a sua vida;
– apresentar razões que
legitimam a afirmação do
absurdo: inexistência de
Deus, inutilidade do
sofrimento, carácter hostil
da natureza, crueldade
humana, inevitabilidade da
morte;
– avaliar a solução proposta
pelo filósofo: a opção pela
vida e o confronto lúcido
com o absurdo;
– reconhecer que, para Susan
Wolf, a vida de cada ser
humano poderá sempre ser
norteada por algo de
significativo,
tendencialmente universal e
objetivo, explicando em que
medida o sentido se
encontra para lá da
felicidade, do prazer ou das
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meras preferências, sendo


antes o resultado «de se
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amar objetos merecedores