Você está na página 1de 3

Passivação

Passivação é a modificação do potencial de um metal no sentido de menor atividade (mais


catódico ou mais nobre) devido à formação de uma película de produto de corrosão. Esta
película é denominada película passivante. Os metais e ligas metálicas que se passivam
são formadores de películas protetoras. Como exemplos podem ser citados:
- Cromo, níquel, titânio, aço inoxidável, monel, que se passivam na grande maioria dos
meios corrosivos, especialmente na atmosfera, e o titânio na água salgada.
- Chumbo, que se passiva na presença do ácido sulfúrico.
- O ferro, que se passiva na presença de ácido nítrico concentrado e não se passiva na
presença de ácido nítrico diluído.
- A maioria dos metais e ligas passiva-se na presença de meios básicos, com exceção dos
metais anfóteros (Al, Zn, Pb, Sn, Sb).
Nas condições em que o material se torna passivo, o seu comportamento eletroquímico
revela um potencial mais nobre, isto é, menos ativo do que o material possui usualmente.
O material sofre então corrosão mais lenta. Logo:
a) um metal ativo na tabela de potenciais, ou uma liga composta de tais metais, é
considerado passivo quando seu comportamento eletroquímico é semelhante ao
de um metal menos ativo ou nobre.
b) um metal, ou liga, é considerado passivo quando resiste satisfatoriamente à
corrosão num meio em que, termodinamicamente, há um decréscimo acentuado
de energia livre, associado com a transformação do metal para produto de
corrosão.
Um seguimento da tabela de potenciais padrão é apresentado na figura abaixo. Na tabela
podemos observar potenciais negativos e potenciais positivos. Quanto maior o potencial
eletroquímico do metal, mais nobre ele é. Por exemplo, o manganês (Mn) cujo potencial
é -1,18, se oxida com maior facilidade ou rapidez que o cobre (Cu) cujo potencial é 0,34.

Quanto maior o potencial eletroquímico de redução de um metal, mais nobre ele é.


A medida que se eleva o potencial de redução de um metal, diminui a velocidade de
corrosão e consequentemente a taxa de corrosão.

Cromo
O cromo, segundo a sua posição de potencial normal, é um metal não nobre, e que
deveria se comportar como o ferro, quanto às reações corrosivas. Mas, na prática este
não é o caso, e o metal se comporta antes como um metal nobre. Isto se deve a
circunstância de que o cromo somente se passiva superficialmente em meios pouco
oxidantes, tornando-se, assim, muito nobre. Por isso, o metal geralmente não sofre
nenhuma alteração química. Resiste ao calor até 500ºC. O cromo praticamente só é
atacado pelo ácido clorídrico e pelo ácido sulfúrico a quente, e é totalmente resistente
às condições atmosféricas e ao embaçamento. A já excelente resistência à corrosão
do cromo ainda é melhorada pelo fato de este metal se molhar com dificuldade, isto é
repelir o óleo e meios aquosos.

Ferro

O ferro é o quarto elemento em abundância na crosta terrestre (50.000 ppm), é o metal


mais empregado pelo homem. Cerca de 5% da crosta terrestre é constituída de ferro,
geralmente sob a forma de óxidos, nos minérios de ferro, dos quais é extraído quase
sempre por meio de um forte aquecimento em presença de coque ou carvão de
madeira, em fornos adequados, nos quais o óxido é reduzido e o ferro resultante ligado
ao carbono. Forma-se assim uma liga de ferro e carbono que, depois de refinada,
constitui a matéria prima para o fabrico da grande maioria das peças metálicas
atualmente empregadas, mercê suas interessantes propriedades mecânicas e seu custo
relativamente baixo.

Observação: Tanto cromo como ferro provém de óxidos, sua forma mais estável.
Pelo processo da metalurgia os metais citados são retirados da sua estabilidade,
transformados em metais no estado metálico. Na forma metálica, os citados elementos
estão com um gradiente energético elevado e consequentemente instáveis. A
estabilidade natural ocorre através da natural oxidação (corrosão), perda da energia
adquirida, transformando-os novamente em óxidos metálicos, estáveis. O cromo
apresenta maior propriedade anticorrosiva natural em relação ao ferro. A passivação,
nas suas mais variadas formas, são técnicas aplicadas para a redução da velocidade
de corrosão, podendo até zerar. Uma das técnicas de passivação mais utilizadas é
através da produção de ligas inoxidáveis.

Aços inoxidáveis
A baixa resistência dos aços-carbono à corrosão e à oxidação limita a utilização desses
aços em ambientes hostis. Nesses casos, usam-se aços inoxidáveis. Assim, as ligas de
Fe-C-Cr e Fe-C-Cr-Ni denominadas de aços inoxidáveis e que contém altos teores de
cromo e em alguns casos de níquel, podem tornar-se martensíticas, ferríticas ou
austenítica à temperatura ambiente. Para a liga se tornar austenítica, ela precisa conter
alta porcentagem de níquel. As ligas martensíticas e ferríticas, pelo contrário, não
devem ter níquel.
Pode se adicionar um teor pequeno de níquel nos aços inoxidáveis martensíticos e
ferríticos, apenas quando eles contiverem alto cromo, porque o níquel diminui o
ataque por corrosão não oxidante. O alto cromo impede a liga de se tornar austenítica.
Adições de outros elementos podem ser feitas para melhorar as propriedades
mecânicas ou de resistência à corrosão em certos ambientes particulares. Dos outros
elementos, o molibdênio é o mais utilizado. Os aços inoxidáveis sempre contém
cromo em alto teor, pois esse elemento que confere ao aço a resistência à corrosão e
a oxidação.

Referências bibliográficas

Souza, S.A., Composição Química dos Aços, Editora Edgard Blücher Ltda, 2012,
São Paulo.
Nunes, L.P., Fundamentos da Resistência a Corrosão, Editora Interciência Ltda,
2007, Rio de Janeiro.