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DIREITO PROCESSUAL CIVIL III – DANIEL ROBERTO HERTEL – danielhertel@terra.com.

br

Livros:
CPC – Atualizado (2008)
Curso de Execução civil – Daniel Roberto Hertel – Ed. Lumen Juris
+ Textos que estão na copiadora (sobre assuntos atuais do processo civil. Ex.: art. 387, IV,
CPP – juiz penal fixando indenização civil.

Avaliação:
1ª Prova – 10 pontos + trabalho individual (facultativo) – 1 ponto extra.
2ª Prova – 10 pontos + trabalho (resenha de um livro) – ponto extra.
Com questões objetivas de concurso, OAB e matéria da sala.

Metodologia:
Roteiro no início de cada aula.

Plano de curso:
No blog ou mandar e-mail para o professor: danielhertel@terra.com.br

03/02/2009 – terça-feira

UNIDADE I – TEORIA GERAL DA EXECUÇÃO


1) PROCESSO DE EXECUÇÃO
1.1) EVOLUÇÃO
O direito processual passou por 3 fases evolutivas:
1) Sincrética – vai até meados dos séc. XIX. O direito processual estava mesclado/misturado
com direito material, ou seja, não tinha autonomia. O direito processual era um anexo do
direito material e era conhecido como adjetivo.
2) Científica, autonomista ou conceitual – vai do sec. XIX até meados do sec. XX, o
direito processual passa a ter autonomia, é dissociado do direito material. Iniciaram-se
grandes estudos na ciência processual. Carnelutti, Chiovenda e etc. escreveram/estudaram o
direito processual nesta época. Deixaram de lado o estudo do direito material.
3) Instrumental (fase atual, que estamos passando/vivendo) – séc. XX. Iniciou-se com o
brasileiro Dinamarco. O processo deixou de ser o foco metodológico, não é um fim em si
mesmo. E passa a ser reconhecido como um instrumento de se chegar a um fim, que á a
solução do conflito à luz do direito material.
Conseqüências Práticas - as sentenças falam mais do que o direito material; e a
pessoa entra com processo querendo saber do direito material.

1.2) TRILOGIA ESTRUTURAL


Não confundir com elementos da ação (partes, causa de pedir e pedido) e nem tríade
processual (pressupostos processuais, condições da ação e mérito).
O direito processual como um todo está pautado em 3 institutos fundamentais:
a) Jurisdição – é a atividade de composição/solução de conflitos. Possui uma característica
própria, que é a inércia (na prova da OAB é conhecida com outro nome: Princípio Dispositivo)
o juiz não pode solucionar um conflito de ofício, precisa ter iniciativa da parte, necessita de
impulso/provocação. Esta prevista no art. 262 e 2º do CPC.
b) Ação – tira a jurisdição da inércia. É um mecanismo de provocação da jurisdição.
c) Processo – é o instrumento da atividade jurisdicional (não se confunde com procedimento
que é igual à Rito, e é a forma pela qual o processo se desenvolverá).
Processo de conhecimento (Procedimentos/ritos):
a) Comum (art. 272): Ordinário (art. 282) e Sumário (art. 275).
b) Especial (livro IV, CPC): Ex.: consignação em pagamento (art. 890); depósito (art.
901) – que era admitido a prisão civil do depositário infiel por força de 2 arts.: 902,
§1º e 652, mas foi considerado inconstitucional pela jurisprudência com o Recurso
Extraordinário nº 466.343/SP; de prestação de contas (art. 914); possessória (art.
920); de nunciação de obra nova (art. 934) – é para paralisar uma obra; da
usucapião (art. 941).

ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com


Cândido Rangel Dinamarco e Antônio Carlos Marcano sustentam que falta a um 4º instituto
que é a “Defesa”, mas a maioria entende que a defesa está dentro do processo, pois todos
podem se defender em qualquer processo pela CF.

04/02/2009 – quarta-feira

1.3) TIPOS DE PROCESSOS


Temos 3 tipos de processo:
a) Processo de conhecimento ou cognição – ação que inaugura o processo de conhecimento é
o processo de conhecimento. Pelo processo de conhecimento o que se pretende é declarar ou
não a existência de um direito. Ex.: ação de investigação paternidade. Carnelutti diz que o
Juiz parte dos fatos para chegar ao direito.
b) Processo de Execução – ação que inaugura o processo de execução é o processo de
execução. Não tem a finalidade de declarar direitos e sim de materializar/realizar o direito
que foi previamente declarado. Carnelutti diz que o Juiz parte do direito para chegar aos
fatos.
c) Processo Cautelar – ação que inaugura o processo cautelar é o processo cautelar. Visa
resguardar/assegurar o resultado útil de outro processo (de conhecimento ou de execução).
Ex.: ação cautelar de produção antecipada de provas – art. 846, CPC (ocorre no caso da
testemunha estar quase morrendo, por exemplo).

1.4) SENTENÇAS QUE COMPORTAM A EXECUÇÃO


É a sentença do tipo condenatória, por excelência. Ex.: ação de cobrança julgada
procedente.
A sentença declaratória e a constitutiva não podem ser executadas, pois, elas se esgotam em
si mesmas. Ex.: ação separação litigiosa (desconstitutiva ou constitutiva negativa), não há o
que executar depois da sentença.
Obs.1: A sentença declaratória ou a sentença constitutiva, no que tange ao seu eventual
capítulo condenatório, pode ser executada. Ex.: ação de investigação de paternidade (ação de
conhecimento declaratória), se o juiz proferir uma sentença de procedência (declaratória – no
passado o STJ divergia, mas já firmou jurisprudência no sentido de que é declaratória),
todavia essa mesma sentença pode condenar ao pagamento de alimentos (pensão
alimentícia), neste caso estamos diante de uma sentença declaratória, mas, além disso, ela
possui mais um capítulo, que tem natureza condenatória.
Obs.2: após o advento da Lei nº 11.232/2005, parcela da doutrina (Freddie Didier) passou a
sustentar que a sentença declaratória pode ser executada, tendo em vista o:
Art. 475-N, I, CPC - São títulos executivos judiciais: I - a sentença proferida no processo civil
que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia;
E a doutrina entende que a sentença que reconhece a existência de obrigação é uma
sentença declaratória.
(Não é a opinião de professor, que entende que a diferença da condenatória para a
declaratória é exatamente o fato de uma ser executada e a outra não, se as duas podem ser
executadas, não há diferença entre elas. E ainda, por causa da coisa julgada, pois se uma
sentença condena e eu entro com outro processo idêntico pedindo que seja declarada a
mesma coisa, eu posso ferir a coisa julgada, e não é litispendência, pois o pedido não é o
mesmo).

1.5) MEIOS DE EXECUÇÃO


São os meios pelos quais o processo de execução realiza os seus fins, a sua finalidade.
Existem 2 meios:
a) Sub-rogação – por esse meio, o Estado se coloca no lugar de devedor para cumprir a
obrigação. O Estado se coloca no lugar do devedor e retira bens do seu patrimônio, que serão
alienados/vendidos (salvo bens impenhoráveis), e com o produto dessa venda o crédito do
credor vai ser satisfeito. Chamada de execução direta.
Art. 646, CPC - A execução por quantia certa tem por objeto expropriar bens do devedor, a
fim de satisfazer o direito do credor (art. 591).
Art. 647, CPC - A expropriação consiste: III - na alienação em hasta pública;

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b) Coação ou coerção – o Estado obriga/constrange/coage o próprio devedor a cumprir a
obrigação. Ele pode fazer isso de 2 maneiras:
- Prisão civil – no Brasil a prisão civil é uma exceção, que são somente duas hipóteses
previstas na CF: devedor de alimentos e depositário infiel (essa segunda hipótese foi
considerada inconstitucional pelo STF). No caso da execução de prestação de alimentos, se o
devedor não pagar em 3 dias, ele pode ser preso.
- Astreintes – correspondem a uma multa processual. Ex.: art. 645, 621, §Ú, 461, §4º, 461-A,
§3º c/c 461, §4º, CPC.

1.6) PROCEDIMENTOS EXECUTIVOS


Vários procedimentos:
a) Execução das obrigações de entrega de coisa – arts. 621 à 631, CPC.
b) Execução das obrigações de fazer e de não fazer – arts. 632 à 645, CPC.
c) Execução por quantia certa contra devedor solvente – arts. 646 à 724, CPC (mais comum
na prática, pois é o procedimento ideal para pecúnia/dinheiro. Ex.: cheque, aluguéis em
atraso, financiamento...).
d) Execução contra a Fazenda Pública (devedora) – pois, os bens públicos são impenhoráveis,
sendo as dívidas pagas com precatórios – arts. 730 e 731 do CPC, e art. 100 da CF.
e) Execução pela Fazenda Pública (credora) – LEF – Lei de execução fiscal – nº 6.830/80.
f) Execução da prestação de alimentos – arts. 732 à 735, CPC, e Lei de Alimentos – nº
5.478/68.
g) Execução por quantia certa contra devedor insolvente (pessoa que deve mais do que
efetivamente tem) – arts. 748 e seguintes. Somente é aplicado a pessoas naturais, não se
aplica a empresários individuais ou sociedade empresária (aplica-se um rito diferenciado da
Lei de falência e de recuperação judicial e extrajudicial – nº 11.101/05).

10/02/2009 - terça-feira

1.7) PROCESSO SINCRÉTICO


Também é chamado de processo misto. Que é aquele que tem origem na soma, na junção,
dos atos que são praticados em dois processos, o processo de conhecimento e o de execução.
De modo que nos casos de processo sincrético o credor não precisa ajuizar uma ação de
execução. Pois, a execução neste caso é uma continuação, é um prolongamento natural
daquele processo. Ex.: art. 461, 461-A e 475-J, CPC.
1.8) PRINCÍPIOS
Todos os princípios da TGP devem ser aplicados, mas 5 merecem destaque:
a) Efetividade – o processo de execução deve ser um processo de resultados. Não pode ser
um processo meramente teórico, deve ser um processo que produza os resultados esperados
pela parte.
b) Menor sacrifício possível do devedor – quando a execução puder ser feita por mais de
uma forma, mais de uma maneira, o juiz mandará que ela se realize da forma menos
gravosa/onerosa para o executado/devedor.
Art. 620, CPC - Quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz
mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor.
Lei 8.009/90 – trata da chamada impenhorabilidade do bem de família (bem móvel
destinado à moradia), com algumas exceções.
c) Contraditório – a doutrina é divergente (o professor acha o c.3 mais adequado, mas cada
um adota o que achar correto):
c.1) diz que o princípio do contraditório não é aplicável à execução. Pois, na execução
o devedor já é citado para cumprir a obrigação. Humberto Theodoro Junior.
c.2) diz que o contraditório é aplicável sim, à execução. Pois, todo o processo por
natureza é contraditório (art. 5º CF). Como a execução é uma modalidade de processo, ela é
regida pelo contraditório. Alexandre Câmara.
c.3) diz que o contraditório é mitigado/relativizado. É um contraditório que só é
aplicado aos casos previstos em lei. Ex.: art. 571, CPC. Moacyr Amaral Santos.
 Ação de conhecimento para anular outro processo quando falta citação e ocorre a revelia =
querela nulitatis insanabilis (pag. 451 e 452 do livro do Professor).

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d) Desfecho único – a execução tem um único fim/objetivo/desfecho, que é a realização do
direito do credor. A execução é sempre procedente, não há julgamento de procedência e
improcedência.
e) Sincretismo – há uma tendência nas reformas processuais em se unificar o processo de
conhecimento com o de execução.
1.9) APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA
São aplicáveis subsidiariamente à execução as normas que tratam do processo de
conhecimento (art. 598, CPC – Aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições que
regem o processo de conhecimento).
1.10) CLASSIFICAÇÃO DA EXECUÇÃO
a) divide a execução em:
Genérica – é a execução pela cobrança de importância pecuniária/dinheiro.
Específica – é a execução para cobrança de uma obrigação de dar, fazer ou não fazer.
b) divide a execução em:
Tradicional – é aquela realizada em processo autônomo de execução.
Imediata – é aquela realizada no processo misto ou sincrético.

11/02/2009 - quarta-feira

2) PARTES
Conceito (tradicional de Chiovenda) – é aquele que pede, e aquele em face de quem se
pede.
As partes são chamadas de Exeqüente (ou Executante) e Executado. Para estudar as partes
faremos uma divisão:
2.1) LEGITIMIDADE ATIVA(quem pode ser o Exeqüente ou Executante)
• REQUERER A EXECUÇÃO
Art. 566, CPC - Podem promover a execução forçada:
I - o credor a quem a lei confere título executivo; (art. 585, I – o cheque é um título
executivo; o contrato de locação...)
II - o Ministério Público, nos casos prescritos em lei. (Em regra, o MP não pode requerer
a execução. Ele pode requerer quando houver um artigo de lei autorizando-o a fazê-lo.
Necessita de autorização expressa neste sentido. Ex.: art. 16, Lei 4.717/65 – Lei de
Ação Popular; art. 15, Lei 7.347/85).
• REQUERER A EXECUÇÃO OU NELA PROSSEGUIR
Art. 567, CPC - Podem também promover a execução, ou nela prosseguir:
I - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte deste,
Ihes for transmitido o direito resultante do título executivo;
Obs.: quando a pessoa falece ela é chamada de de cujus, após é aberta a sucessão da
pessoa, até 60 dias depois, pode ser ajuizada a ação de inventário e partilha, que se
forma o espólio, que é um conjunto de bens direitos e obrigações do falecido. O espólio
possui personalidade judiciária, ou seja, ele pode ser autor ou réu de ações. Ele é
representado pelo inventariante (art. 12, V do CPC). O espólio vai terminar com a
sentença de partilha, que é a sentença de divisão do espólio. Antes da sentença de
partilha a legitimidade para requerer a execução é do espólio, uma vez lançada nos
autos a sentença de partilha, ou seja, após a sentença de partilha, a legitimidade é dos
herdeiros (a sentença dirá qual herdeiro que é legítimo; se a sentença se omitir, é
solidária). Existem casos excepcionais em que a legitimidade é dos herdeiros, e não do
espólio, como por exemplo, Ação de investigação de paternidade, Ação de
reconhecimento de união estável... (entendimento do STJ).
II - o cessionário, quando o direito resultante do título executivo Ihe foi transferido por
ato entre vivos; (quando um crédito é cedido a outra pessoa, quem recebe o crédito é o
cessionário)
III - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional. (sub-rogação é se
colocar na situação jurídica de outra pessoa. Pode ser legal, vem da lei, ou
convencional, que vem de um contrato).
2.2) LEGITIMIDADE PASSIVA(quem pode ser Executado)
• Art. 568, CPC - São sujeitos passivos na execução:

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I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo; (contrato de financiamento,
cheque...)
II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor; (até a sentença de partilha a
legitimidade é do espólio, e após a sentença de partilha a legitimidade é dos herdeiros.
Ex.: tem um cheque do de cujus para cobrar, tem que ver se tem inventário ou não, e
se já tem sentença de partilha no processo).
III - o novo devedor, que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação
resultante do título executivo; (assunção de dívida ou cessão de dívida – outra pessoa
assume a dívida, e quem assume pode ser executado).
IV - o fiador judicial; (é aquele cujo encargo da fiança foi constituído nos autos de um
processo. Ex.: João importou mercadorias, que foram apreendidas pela receita federal.
Então entrou com uma ação em face da união pedindo ao juiz que concedesse uma
liminar para liberar as mercadorias, mas em contra partida o João tem que apresentar
uma garantia no processo. João pode deixar uma fiança como garantia, este fiador
preenche um termo de fiança. Caso precise de execução, esta ação será ajuizada em
nome do fiador). O fiador convencional (que vem do contrato), por toda a doutrina,
também é englobado neste inciso.
V - o responsável tributário, assim definido na legislação própria. (sujeição passiva
tributária – é o estudo de quem pode figurar no pólo passivo em uma relação jurídica
de direito tributário, que são duas pessoas: o contribuinte (é aquele que tem relação
pessoal e direta com o fato que dá origem da obrigação tributária) e o responsável
tributário (é aquele que muito embora não tenha qualquer relação com fato que dá
origem ao tributo, por força de Lei pode ser obrigado a pagá-la).

17/02/2009 - terça-feira

2.3) CESSÃO DE CRÉDITO E ASSUNÇÃO DE DÍVIDA


Para fazer uma cessão de crédito (transferência do crédito) o credor não precisa do
consentimento do devedor. Para fazer a assunção de dívida (transferência da dívida/cessão
de débito/cessão de dívida) necessariamente tem que haver o consentimento do credor.
(***PROVA***)
2.4) LITISCONSÓRCIO, ASSISTÊNCIA E INTERVENÇÃO DE TERCEIRO
Litisconsórcio (art. 46-49, CPC) – Pluralidade de pessoas em um dos pólos ou em ambos os
pólos da relação jurídica processual. Pode ser: ativo (vários autores), passivo (vários réus) ou
misto (mais de um autor e mais de um réu).
Assistente – é um terceiro que tem interesse jurídico em auxiliar uma das partes a obter uma
sentença favorável. De acordo com a doutrina, a assistência não pode ser utilizada na
execução, pois não haverá julgamento de mérito, ou seja, não tem sentido falar-se no
instituto da assistência da execução. Mas, há divergência na doutrina (a majoritária entende
que não cabe). Com exceção do art. 834, CC – Quando o credor, sem justa causa, demorar a
execução iniciada contra o devedor, poderá o fiador promover-lhe o andamento. (o fiador
agirá como assistente).
Intervenção de terceiro – modalidades: a) oposição (art. 56, CPC), b) nomeação à autoria (art.
62, CPC), c) denunciação da lide (art. 70, CPC) e d) chamamento ao processo (art. 77, CPC).
Em regra (o entendimento dominante é este) não há intervenção de terceiro na execução,
pois já há sentença de mérito.
2.5) REGRAS DIVERSAS
• DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO
Art. 569, CPC – O credor tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas
algumas medidas executivas.
Parágrafo único - Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte:
a) serão extintos os embargos que versarem apenas sobre questões processuais,
pagando o credor as custas e os honorários advocatícios;
b) nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do embargante
- Sem embargos do devedor – não precisa da concordância;
- Com embargos do devedor – tem que saber do conteúdo, se versar exclusivamente
sobre questões processuais, continua não precisando da concordância do devedor; mas

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se o conteúdo versar sobre o mérito (prescrição é mérito) da dívida em si, precisa da
concordância do devedor.
Na ação de conhecimento o autor pode desistir sem a concordância do réu, desde que
decorrido o prazo para resposta, sem que o réu tenha a apresentado. Se o réu
apresentasse resposta, o autor quisesse desistir, e o réu não aceitasse, o que ocorria é
que o autor abandonava a ação e o juiz julgava extinto o processo, mas a Súmula do
STJ veio acabar com isso: Súmula 240, STJ – A extinção do processo, por abandono da
causa pelo autor, depende de requerimento do réu.
Pro advogado pedir a desistência da ação precisa de uma procuração com poderes
especiais. São duas modalidades: ad juditia e ad juditia et extra. Art. 38, CPC - A
procuração geral para o foro, conferida por instrumento público, ou particular assinado
pela parte, habilita o advogado a praticar todos os atos do processo (até aqui, é a ad
judicia – procuração comum/geral), salvo para receber citação inicial, confessar,
reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre que
se funda a ação, receber, dar quitação e firmar compromisso (com poderes especiais –
ad judicia et extra).
• OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS – é aquela na qual o credor ou o devedor poderá
escolher o objeto da prestação. Em regra, o direito de escolha é do devedor.
Art. 571, CPC – Nas obrigações alternativas, quando a escolha couber ao devedor,
este será citado para exercer a opção e realizar a prestação dentro em 10 (dez) dias,
se outro prazo não Ihe foi determinado em lei, no contrato, ou na sentença.
§ 1º - Devolver-se-á (significa “transferir-se-á”) ao credor a opção, se o devedor não a
exercitou no prazo marcado. (Deixou correr o prazo in albis/em branco/inerte).
§ 2º - Se a escolha couber ao credor, este a indicará na petição inicial da execução. (se
ele não exercer esse direito de escolha, deve ser aplicada a analogia, ou seja, a
conseqüência será a mesma para o credor. Ele perderá o direito de escolha, e este será
transferido para o devedor).

18/02/2009 - quarta-feira

• RELAÇÃO JURÍDICA SUJEITA A CONDIÇÃO OU TERMO


Condição – evento futuro e incerto. Ex.: te dou um carro se você passar no vestibular.
Termo – evento futuro e certo. Ex.: nota promissória que vencerá no dia 25.
Quando o juiz decidir uma relação jurídica subordinada/sujeita a um termo ou condição,
o credor não poderá executar a sentença, se ele não provar que o termo ou a condição
já ocorreram.
Art. 572, CPC - Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o
credor não poderá executar a sentença sem provar que se realizou a condição ou que
ocorreu o termo.
Só se aplica na justiça comum. Nos juizados especiais (Lei. 9.099/95), a restituição é
imediata, pois são regidos pelo princípio da celeridade (Enunciado nº 109 do FONAJE –
Fórum Nacional dos Juizados Especiais).
• CUMULAÇÃO DE EXECUÇÕES
É admitido o cumulo objetivo de execuções (executar vários cheques em uma ação só,
por exemplo), todavia, é necessário o preenchimento de 4 requisitos:
Art. 573, CPC - É lícito ao credor, sendo o mesmo o devedor, cumular várias
execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, desde que para todas elas seja
competente o juiz e idêntica a forma do processo.
1) Identidade de credor;
2) Identidade de devedor;
3) Mesma competência (o juiz tem que ser competente para todas as execuções);
4) Mesmo procedimento (o rito tem que ser igual para todas as execuções).

3) COMPETÊNCIA
Pela doutrina, é a medida da jurisdição. Determinar quem vai julgar a demanda. A
competência para a execução vai variar conforme o tipo de título que será executado.
3.1) EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL

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Os títulos judiciais estão previstos no:
Art. 475-N. São títulos executivos judiciais:
I - a sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer,
não fazer, entregar coisa ou pagar quantia;
II - a sentença penal condenatória transitada em julgado;
III - a sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que inclua matéria não
posta em juízo;
IV - a sentença arbitral;
V - o acordo extrajudicial, de qualquer natureza, homologado judicialmente;
VI - a sentença estrangeira, homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;
VII - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos
herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal.
Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, IV e VI, o mandado inicial (art. 475-J) incluirá a
ordem de citação do devedor, no juízo cível, para liquidação ou execução, conforme o caso.
 Mas a regra de competência está no:
Art. 475-P. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; (tem exceção que é a
homologação da sentença estrangeira, que quem faz é o STJ – art. 105, J, “i”, CF – o
competente para executá-la é o Juiz Federal de primeiro grau – art. 109, X, CF);
II - o juízo que processou a causa no primeiro grau de jurisdição; (competência funcional
horizontal – o juiz que proferiu a sentença, tem a função de executá-la);
• INOVAÇÃO DA LEI Nº 11.232/05 – permitiu que a sentença fosse executada no atual
domicilio do devedor ou no local em que estiverem situados os seus bens; para evitar a
carta precatória, que atrasa o processo - § único. (ou perante o juiz que a
prolatou/proferiu – inc. II).
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença
arbitral ou de sentença estrangeira. (a sentença penal condenatória com trânsito em julgado
pode ser executada em 3 locais: 1) foro do domicílio do réu – art. 94, CPC; 2) Foro do
domicílio do autor – art. 100, §ú, CPC; 3) Foro do local do fato – art. 100, §ú, CPC).
Parágrafo único. No caso do inciso II do caput deste artigo, o exeqüente poderá optar pelo
juízo do local onde se encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual domicílio do
executado, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem.
3.2) EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL
Os títulos extrajudiciais estão previstos no:
Art. 585 - São títulos executivos extrajudiciais:
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque;
II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; o documento
particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; o instrumento de transação
referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos
transatores;
III - os contratos garantidos por hipoteca, penhor, anticrese e caução, bem como os de seguro
de vida;
IV - o crédito decorrente de foro e laudêmio;
V - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de
encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio;
VI - o crédito de serventuário de justiça, de perito, de intérprete, ou de tradutor, quando as
custas, emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial;
VII - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal,
dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei;
VIII - todos os demais títulos a que, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva.
§ 1º - A propositura de qualquer ação relativa ao débito constante do título executivo não
inibe o credor de promover-lhe a execução.
§ 2º - Não dependem de homologação pelo Supremo Tribunal Federal, para serem
executados, os títulos executivos extrajudiciais, oriundos de país estrangeiro. O título, para
ter eficácia executiva, há de satisfazer aos requisitos de formação exigidos pela lei do lugar
de sua celebração e indicar o Brasil como o lugar de cumprimento da obrigação.
 Mas a regra de competência está no:

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Art. 576 - A execução, fundada em título extrajudicial, será processada perante o juízo
competente, na conformidade do disposto no Livro I, Título IV, Capítulos II e III. (em regra, o
foro competente é o do domicílio do réu/executado/requerido – art. 94, CPC – salvo, contrato
com cláusula de eleição de foro – art. 101, CPC).
• EXECUÇÃO DO CHEQUE
Todo cheque possui o nome do Banco e local da agência embaixo, do lado esquerdo, o
local da agência que é o foro competente, que é onde o cheque será executado (art.
100, inc. IV, “d”, CPC). Mas, se a ação for proposta em local diverso, a competência
pode ser prorrogada, pois é incompetência relativa territorial. No juízo comum não
pode ser reconhecida de ofício (art. 112, CPC), mas no juizado o processo pode ser
extinto, mesmo sem ser argüida exceção (art. 51, III, Lei 9.099/95). O foro competente
é o local do banco sacado.

03/03/2009 - terça-feira

3.3) EXECUÇÃO FISCAL


A execução fiscal é tratada na Lei. 6.830/80 – LEF – Lei de Execução Fiscal. No entanto, a
competência para a execução fiscal não está nesta lei, está prevista no CPC, art. 578
Art. 578 - A execução fiscal (art. 585, Vl) será proposta no foro do domicílio do réu; se não o
tiver, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado.
Parágrafo único - Na execução fiscal, a Fazenda Pública poderá escolher o foro de qualquer
um dos devedores, quando houver mais de um, ou o foro de qualquer dos domicílios do réu; a
ação poderá ainda ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato
que deu origem à dívida, embora nele não mais resida o réu, ou, ainda, no foro da situação
dos bens, quando a dívida deles se originar.
 A doutrina fazendo uma sinopse deste artigo diz que a execução fiscal pode ser requerida
em 3 locais (não existe ordem, é escolha da fazenda pública):
1º) Local do domicílio do executado/devedor/requerido;
2º) Local de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (é o fato que dá origem ao
tributo);
3º) Local do bem/coisa/imóvel.
 Se o imposto for de competência da:
1) União Federal (art. 153, CF) – A competência é da Justiça federal. Ex.: Imposto de
importação, de exportação, imposto sob operações financeiras, imposto sob produtos
industrializados, imposto sob a propriedade rural, imposto sob grandes fortunas (se existir)...
2) Estados (art. 155, CF) – A competência é da Justiça Estadual. Ex.: IPVA (imposto sob a
propriedade de veículos automotores), ICMS, ITCD...
3) Municípios (art. 156, CF) – A competência permanece sendo da justiça estadual, pois não
há judiciário municipal. Ex.: IPTU, ITBI (transmissão de bens imóveis), ISS (de serviços)...
4) REQUISITOS PARA REALIZAR QUALQUER EXECUÇÃO
Para requerer uma execução tem que preencher 2 requisitos:
1)Tem que possuir o Título executivo – a execução é nula se não tem um título executivo (se
for contrato verbal, tem que entrar com uma ação de conhecimento);
2) Deve possuir TAMBÉM o inadimplemento do devedor (consiste no caso de descumprimento
ou cumprimento imperfeito/defeituoso da obrigação).
Ambos os requisitos devem estar presentes, somente um deles não resolve nada. A
conseqüência será a extinção do processo por carência de uma das condições da ação, ou
seja, para o regular exercício do direito de ação – art. 267, VI c/c 598, CPC – falta o interesse
de agir adequação no caso de falta de título, e na falta de inadimplemento é falta o interesse
de agir necessidade.
5) TÍTULOS EXECUTIVOS (*MUITO IMPORTANTE* – **NO MÍNIMO 3 QUESTÕES NA
PROVA E EM CONCURSOS**)
5.1) CONCEITO
É o documento previsto em Lei e que autoriza o imediato requerimento de execução. São
regidos pelos princípios da taxatividade ou da tipicidade, significa dizer, que só é título
executivo aquele documento que se enquadra/amolda/subsume ao modelo previamente
definido em Lei. Ex.: cheque, nota promissória, sentença condenatória (a sentença civil é

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titulo executivo antes de transitar em julgado – chamada de execução provisória), sentença
penal condenatória com transito em julgado, liminar...
5.2) NATUREZA JURÍDICA
A natureza jurídica consiste em estudar o que o instituto representa. Existem 3 correntes
sobre a natureza do título executivo:
1) Natureza de um documento/prova – Carnelutti. Não foi aceita pela doutrina, pois na
execução não são produzidas provas, se não são produzidas provas como o título executivo
seria uma prova? Além disso, no CPC anterior que era o de 1939, existiam títulos executivos
que não eram escritos, não eram documentos (o contrato verbal, por exemplo).
2) Natureza de um ato jurídico – Liebman e Dinamarco. Pois, seria um encontro de vontades.
Mas não é dominante hoje.
3) *PROVA DA OAB, CONCURSOS E PROVA DO PROFESSOR HERTEL* – Natureza
jurídica de um ato jurídico e também um documento – Chiovenda. Pois, no CPC/1973, que
está em vigor, todos os títulos executivos são escritos, são documentos, a doutrina dominante
é no sentido de que a natureza jurídica é de um ato jurídico e também um documento.
5.3) CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS EXECUTIVOS
Existem várias classificações, mais apenas uma nos interessa. Divide os títulos em duas
categorias:
1) Judiciais – é aquele que tem origem/emana da manifestação de um magistrado. Ex.:
sentença que condena o devedor a pagar aluguéis em atraso; a sentença penal condenatória
com trânsito em julgado...
2) Extrajudiciais – é aquele que tem origem em um encontro/acordo de vontades. Ex.:
cheque, contrato de locação escrito, nota promissória...
5.4) TÍTULOS EM ESPÉCIE
Art. 475-N. São títulos executivos judiciais:
I - a sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer,
não fazer, entregar coisa ou pagar quantia; (obrigação de dar, fazer, não fazer e de pagar
quantia certa, que é de pagar em dinheiro). Existe uma divergência na doutrina quanto à
interpretação:
1ª Corrente) Alexandre Câmara – diz que é título executivo apenas a sentença condenatória
(opinião do professor). Se as 2 puderem ser executadas, não haverá diferença entre elas, pois
a diferença é exatamente que uma pode ser executada e a outra não. E também por que o
legislador inseriu o artigo 475-J do CPC, que trata de “sentença condenatória”.
2ª Corrente) Humberto T. Júnior, Teresa Wambier, Fredie Didier – sentença condenatória e
declaratória. Pois, o artigo fala “sentença que reconhece”, e a declaratória reconhece a
existência de uma obrigação.

04/03/2009 - quarta-feira

II - a sentença penal condenatória transitada em julgado; (somente é título executivo a


sentença criminal com trânsito em julgado, o que diferencia da sentença civil. Esta sentença
criminal possui vários efeitos, previstos no art. 92, I, CP: um deles é de indenizar os danos que
a vítima experimentou. Mas como indenizar se a sentença penal não contempla o valor da
indenização? Esse valor deve ser contemplado por meio da liquidação da sentença. Mas o
CPP foi modificado pela Lei 11.719/08, e modificou a redação do art. 387, IV, CPP, qual seja: O
juiz, ao proferir sentença condenatória: IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos
causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. O juiz deve fixar no
mínimo e o restante será fixado mediante a liquidação de sentença. (mandar e-mail para o
professor pedindo o artigo que ele fez que trata deste assunto).
III - a sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que inclua matéria não
posta em juízo; (conciliação é realizada perante um juiz de direito, e a transação não, pois é
realizada na esfera extrajudicial, e é levada para o juiz homologar em uma segundo
momento).
IV - a sentença arbitral; (está regulamentada na Lei 9.307/96 – a arbitragem é a possibilidade
de 2 pessoas, maiores e capazes instituírem um terceiro para resolverem um conflito. Esse
terceiro irá proferir uma sentença arbitral, se esta não for cumprida poderá ser executada).

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V - o acordo extrajudicial, de qualquer natureza, homologado judicialmente; (no inciso III já há
uma ação ajuizada/pendente. Neste inciso não há ação de conhecimento, é um acordo
extrajudicial e só entra com a ação para homologá-lo).
VI - a sentença estrangeira, homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; (a sentença
estrangeira para produzir efeitos no Brasil, precisa ser homologada pelo STJ, todavia quem
executa é o Juiz federal de 1º grau – art. 109, X, CF).
VII - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos
herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal. (Formal de partilha é título executivo
judicial, que é uma documentação, prevista no art. 1.027, CPC, que é extraída a partir dos
autos do inventário, e serve para que a pessoa o leve até o RGI – cartório de registro geral de
imóveis e viabilize a transferência do registro da propriedade do imóvel. O formal de partilha
só é título executivo em relação aos herdeiros e em relação ao inventariante (ex.: se na
sentença de partilha o juiz determinou que o apartamento ficasse para o herdeiro A, e o
automóvel para o herdeiro B, mas na hora em que o herdeiro A vai para o apartamento e o
herdeiro B está lá e diz que não vai sair. Ele pode entrar com uma ação de execução
utilizando o formal de partilha. Mas, se no lugar do herdeiro B, que estivesse no apartamento
fosse qualquer outra pessoa que não fosse outro herdeiro ou o inventariante, ele não poderia
fazer dessa maneira, não poderia ser diretamente uma execução, poderia ser, por exemplo,
uma ação de despejo, ou outra dependendo do caso concreto. Certidão de partilha ocorre se
a herança não exceder 5 vezes o salário mínimo, não será necessário o formal de partilha e
sim uma simples certidão, que está previsto no art. 1.027, §ú, CPC – o que não é muito
comum).

Art. 585 - São títulos executivos extrajudiciais:


I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; (são os títulos
de crédito que é o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele
contido. O prazo para executar a letra de câmbio, a nota promissória e a duplicara é de 3
anos. O prazo para a execução do cheque vai variar, de for de mesma praça o prazo será de 6
meses mais 30 dias, se for de praças (municípios) diversas o prazo é outro, 6 meses, mais 60
dias – Lei 7.357/85. Os prazos dos títulos são contados a partir da data que está no título. Se
passar o prazo, a execução está prescrita, cabe uma ação de cobrança ou monitória/1.102 –
matéria já sumulada/STJ 299, art. 61 da lei do cheque. O prazo desta ação é de 2 anos
contados d forma sucessiva, ou seja, a partir da data da prescrição, ou seja, quando acabar o
prazo de execução. Não pode entrar com a ação de cobrança ou monitória antes de já ter
prescrito o prazo de execução. Passado este prazo de 2 anos, cabe, ainda, uma terceira ação:
ação de enriquecimento ilícito/locupletamento sem causa – art. 62 lei do cheque. O cheque é
uma mera prova documental, vai ter que provar a dívida por outros meios. Sobre o prazo
desta ação há divergência: 1ª corrente – Marcelo Bertoldi – diz que é de 10 anos, art. 205, CC.
2ª Corrente – Fabio Ulhoa Coelho – diz que é de 5 anos, art. 206, §5º, CC. E STJ não se
pronunciou, e cada um está julgando de uma maneira. O certo é que o prazo não é de forma
sucessiva, é computado da data de emissão do título). A debênture não é muito utilizada, mas
o prazo prescricional é o do CC, ou seja, 10 anos. Na execução, os honorários são fixados com
base no art. 20, §4º do CPC, por apreciação equitativa do Juiz; já nas ações condenatórias, é
utilizado o art. 20, §3º, que é entre 10 e 20% do valor da condenação.

10/03/2009 - terça-feira

II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; o documento


particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas; o instrumento de transação
referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos
transatores (é feito na esfera extrajudicial);
III - os contratos garantidos por hipoteca, penhor (esses 2 são contratos que dão origens a
direitos reais; hipoteca – bem imóvel; penhor – bem móvel), anticrese (não é muito utilizada.
É um direito real, ao lado da hipoteca e penhor. O devedor deixa um bem que lhe pertence
com o credor durante um lapso temporal até que a dívida seja paga) e caução (caução é
garantia, pode ser de 2 tipos: real, que recai sobre um bem, ex.: hipoteca e penhor; ou
fidejussória, é pessoal. É a fiança. Neste caso a caução significa a garantia fidejussória – art.
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826), bem como os de seguro de vida (no seguro de carro pode ajuizar uma ação no rito
sumário – art. 275, II, e, CPC);
IV - o crédito decorrente de foro e laudêmio (são verbas relacionadas a um direito real
chamado de enfiteuse. No código civil novo foi extinta a enfiteuse, mas as enfiteuses que
foram constituídas continuam valendo. Temos o senhorio – possui o domínio direto, e
enfiteuta/foreiro – possui o domínio útil; na pratica significa que quem vai ter a posse do
imóvel, alugar o imóvel e etc. é o enfiteuta/foreiro, já o senhorio está somente no papel. O
enfiteuta/foreiro tem que pagar todo ano uma verba para o senhorio, que é chamada de foro.
Se o senhorio/foreiro quiser alienar o domínio útil tem que pagar outra verba chamada de
laudêmio);
V - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de
encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; (**PROVA** – o contrato de
locação escrito é título executivo extrajudicial. O STJ diz que o contrato de locação não
precisa estar assinado por 2 testemunhas para valer como título executivo extrajudicial, pois
a exigência está no inc. II, mas o contrato de locação é mencionado neste inc., que não exige
a assinatura de testemunhas; Encargos do condomínio – temos contradição na Lei (antinomia)
o art. 275, II, b, diz que os encargos do condomínio são cobrados por ação de cobrança no rito
sumário, e este artigo diz que deve ser cobrado por meio de execução – a doutrina
conciliando essas 2 regras firmou orientação de que deve ser analisado quem é o autor da
ação – se o autor da ação for o proprietário/locador a ação cabível é de execução – art. 585,
V; mas se o autor for o condomínio é cabível ação de cobrança pelo rito sumário – art. 275, II,
b, CPC);
VI - o crédito de serventuário de justiça, de perito, de intérprete, ou de tradutor, quando as
custas, emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial (não tem aplicação
na prática em relação às custas, pois elas são pagas no ajuizamento da ação; o prazo é de 30
dias, art. 257, CPC – terá aplicação em relação aos honorários do perito – o requerido só
adiantará os honorários do perito quando ele requerer, nos demais casos quem vai adiantar
os honorários é o autor, art. 33, CPC);

11/03/2009 - quarta-feira

VII - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal,
dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; (CDA –
Certidão de dívida ativa; quando deixa de pagar um tributo essa dívida é anotada em um livro
da dívida ativa, e essa certidão é título extrajudicial).
VIII - todos os demais títulos a que, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva. (o
legislador admite que novos títulos sejam criados na legislação extravagante. Ex.: o contrato
de honorários de advogado, art. 24, Lei 8.906/94; as decisões dos tribunais de contas da
União, dos Estados ou dos Municípios, art. 71, §3º, CF;
5.5) TÍTULO QUE COMTEMPLE OBRIGAÇÃO CERTA, LÍQUIDA E EXIGÍVEL
Para requerer a execução o credor precisa preencher 2 requisitos: inadimplemento do
devedor e um título executivo, que deve ser certo, líquido e exigível.
Art. 586, CPC. A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de
obrigação certa, líquida e exigível.
Título Certo – não existe dúvida quanto a sua existência. Ex.: uma nota promissória rasgada,
que foi colada.
Título Líquido – é aquele que estampa no seu bojo/corpo o quanto que é devido. Ex.: o
cheque.
Título Exigível – é aquele que não esta subordinado/sujeito a nenhuma condição ou termo
suspensivo. Ex.: nota promissória que vencerá daqui a 10 meses.
 Natureza Jurídica – dessas 3 características (certeza, liquidez e exigibilidade) – a
natureza jurídica é de condições da ação.
 Nulidade da execução – A conseqüência da falta de uma das 3 características é a
extinção do processo (art. 598, c/c 267, VI, CPC). Quando falta certeza, liquidez ou
exigibilidade a execução é nula.
Art. 618, CPC - É nula a execução (NULIDADE ABSOLUTA – vai culminar na extinção do
processo):

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I - se o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível
(art. 586).
 Ação de cobrança e título certo, líquido e exigível – pode ter um título certo, líquido e
exigível, e ao invés de entrar com uma ação de execução, entra com uma ação de cobrança.
A conseqüência é a carência da ação por falta de interesse de agir necessidade, pois quando
ajuíza uma ação de conhecimento o que se quer é obter uma sentença (que é um título
executivo), mas se já possui um título não há necessidade de entrar com ação de
conhecimento (art. 267, VI, CPC).
5.6) Impugnação do débito pela via ordinária
O fato de o devedor ajuizar uma ação impugnando a dívida que consta do título executivo não
impede/inibe o credor de promover a respectiva execução.
Art. 585, § 1º, CPC - A propositura de qualquer ação relativa ao débito constante do título
executivo não inibe o credor de promover-lhe a execução.
Ex.: João fez um jogo/uma aposta com Marcos, e João perdeu a aposta. Marcos cobra João. E
João diz que não tem dinheiro, mas lhe dá uma nota promissória como garantia. João procura
um advogado que o instrui a entrar com uma ação de conhecimento para declarar o título
nulo, pois é decorrente de jogo/aposta. E enquanto isso, se Marcos quiser, pode entrar com a
execução sem problema algum.
 Suspensão da execução
A jurisprudência tem admitido a suspensão da execução desde que seja concedida uma tutela
antecipada (273, CPC) ou uma tutela cautelar (798, CPC).
É o mesmo caso do:
Art. 489, CPC. O ajuizamento da ação rescisória não impede o cumprimento da sentença ou
acórdão rescindendo, ressalvada a concessão, casos imprescindíveis e sob os pressupostos
previstos em lei, de medidas de natureza cautelar ou antecipatória de tutela.
6) Execução provisória e definitiva
6.1)Considerações iniciais (propedêuticas)
O legislador em determinadas hipóteses previstas em Lei, permitiu/autorizou a execução da
sentença antes mesmo do trânsito em julgado (ou seja, mesmo que esteja pendente um
recurso). A essas hipóteses, chama-se de execução provisória. A finalidade da execução
provisória para acelerar o processo, ou seja, é um mecanismo de aceleração/otimização
processual (princípio da razoável duração dos processos, art. 5º, LXXVIII, CF). Tem que ser
requerida/tem que ter iniciativa pelo credor (não existe execução de ofício, salvo no processo
do trabalho – art. 475-O, I CPC).
6.2) Hipóteses
a) Títulos Judiciais
a1) Definitiva – quando a sentença tiver transitado em julgado.
a2) Provisória – quando a sentença for impugnada por um recurso recebido com um efeito
somente devolutivo. Os casos (que o recurso é recebido somente com efeito devolutivo) são:
recurso extraordinário e especial; apelação nos casos do art. 520; recursos no juizado
especial.
O juiz pode antecipar a tutela na sentença? Pode. Tem que ter requerimento da parte. Neste
caso eventual apelação terá efeito somente devolutivo. Art. 520 - A apelação será recebida
em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, no entanto, recebida só no efeito devolutivo,
quando interposta de sentença que: VII - confirmar a antecipação dos efeitos da tutela.

17/03/2009 - terça-feira

b) Títulos Extrajudiciais
b1) Definitiva – será definitiva como regra geral.
b2) Provisória – na hipótese do art. 587, CPC. A execução do título extrajudicial será provisória
quando for interposto recurso de apelação contra a sentença que tiver julgado improcedente
os embargos do devedor, desde que estes, sejam recebidos com efeito suspensivo.
Art. 587. É definitiva a execução fundada em título extrajudicial; é provisória enquanto
pendente apelação da sentença de improcedência dos embargos do executado, quando
recebidos com efeito suspensivo.

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Ex.: Execução fiscal (C.D.A. – certidão de dívida ativa – título extrajudicial)  citação 
executado indique bens à penhora  o devedor apresenta como meio de defesa, Embargos
do devedor. E o juiz suspendeu a execução, ou seja, recebeu com efeito suspensivo  o juiz
tem que dar uma sentença, se for de improcedência cabe o recurso de apelação (513).
6.3) Regras de execução provisória
A regra é que a execução provisória é feita da mesma maneira que a execução definitiva.
Todavia existem algumas particularidades previstas no art. 475-O, CPC:
Art. 475-O. A execução provisória da sentença far-se-á, no que couber, do mesmo modo que
a definitiva, observadas as seguintes normas:
I - corre por iniciativa, conta e responsabilidade do exeqüente, que se obriga, se a sentença
for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido; (não pode ser feita de ofício,
o credor tem que requerer. É um risco para o credor, pois está pendente no Tribunal um
recurso do devedor, e este recurso pode ser provido e o Tribunal pode dizer que o devedor
não deve absolutamente nada. E os eventuais prejuízos que o credor tiver causado ao
devedor, devem ser reparados).
II - fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença objeto da
execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidados eventuais prejuízos nos
mesmos autos, por arbitramento; (ficar sem efeito significa extinguir a execução, se sobrevier
um acórdão modificando a sentença que estava sendo executada. Se na execução o devedor
pagou alguma coisa, o credor tem que devolver o que foi pago).
III - o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem alienação de
propriedade ou dos quais possa resultar grave dano ao executado dependem de caução
suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos. (na execução
provisória o credor tem que prestar uma garantia, uma caução, por que a execução está
pendente, por causa do recurso do devedor. ***PROVA***  pra pedir a execução provisória
não precisa prestar a caução. Precisa prestar a caução em 2 momentos: 1) se o credor
requerer levantamento de depósito em dinheiro; 2) quando o credor requerer a venda de
bens do devedor. Nos casos de obrigação de dar, fazer e não fazer, há divergência na
doutrina, mas a doutrina dominante, e a jurisprudência dizem que só precisa prestar caução
nestes dois casos).
§ 2º A caução a que se refere o inciso III do caput deste artigo poderá ser dispensada:
I - quando, nos casos de crédito de natureza alimentar ou decorrente de ato ilícito, até o
limite de sessenta vezes o valor do salário-mínimo, o exeqüente demonstrar situação de
necessidade; (tem que ter os 3 requisitos, para que a caução possa ser dispensada).
II - nos casos de execução provisória em que penda agravo de instrumento junto ao Supremo
Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça (art. 544), salvo quando da dispensa possa
manifestamente resultar risco de grave dano, de difícil ou incerta reparação. (foi interposto
agravo de instrumento – art. 544 – a caução também é dispensada. Não é agravo de
instrumento contra o juiz de 1º grau. É contra decisão do presidente ou vice-presidente do
tribunal que negue seguimento ao recurso especial ou extraordinário. Contra essa decisão
cabe agravo de instrumento, que é o mencionado neste inciso. É o ultimo recurso que o
devedor pode interpor, tem uma grande chance de perder, pois ele já perdeu todos, por isso a
caução é dispensada).
6.4) Realização de execução provisória
Hoje basta que faça o pedido de execução provisória ao juiz e junte a cópia de alguns
documentos (não precisa de carta de sentença, que precisava antigamente), quais sejam:
- Cópia da sentença que será executada;
- Cópia da decisão de recebimento do recurso com efeito somente devolutivo;
- Cópias das procurações dos advogados das partes;
Obs.: todas as cópias autenticadas. E pode ser feita por parte do próprio advogado, não
precisa ser em cartório (art. 365, IV, CPC).
Art. 365 - Fazem a mesma prova que os originais:
IV - as cópias reprográficas de peças do próprio processo judicial declaradas autênticas pelo
próprio advogado sob sua responsabilidade pessoal, se não lhes for impugnada a
autenticidade.
7) Responsabilidade patrimonial
7.1) Considerações iniciais
Distinção entre uma obrigação e um dever:

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Dever – tem cunho moral. Não nos interessa.
Obrigação – tem cunho patrimonial. Ex.: pagar aluguel. É o que nos interessa. Possui 3
requisitos:
- Credor e devedor
- Objeto – prestação (dar, fazer ou não fazer)
- Vínculo jurídico
 Princípio da realidade da execução – o que se sustenta é que a execução recai sobre o
patrimônio do devedor, e não sobre a pessoa do executado. Pois, no direito romano a
execução não era regida pelo princípio da realidade e sim da pessoalidade, recaía sobre a
pessoa do devedor. No direito vigente a execução é patrimonial/real. Mas, ainda há um
resquício da execução pessoal, que é, por exemplo, a execução dos alimentos. Por que na
execução de alimentos (733, §1º, CPC) se o devedor não pagar a dívida o juiz pode decretar a
sua prisão (mas, não é a regra geral).

18/03/2009 - quarta-feira

7.2) Bens presentes e futuros


Bens presentes são aqueles que já existem no patrimônio do devedor à época do
requerimento da execução.
Bens futuros são aqueles que são adquiridos pelo devedor após o requerimento de execução.
Art. 591, CPC - O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os
seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei.
Na parte final (in fine), “salvo as restrições estabelecidas em lei”, trata dos bens
impenhoráveis, que estão previstos no art. 649 e 650, CPC e Lei 8.009/90. Ex.: Instrumento de
trabalho, salário, bens de família...
7.3) Responsabilidade secundária
Foi Lieberman que criou esta expressão “responsabilidade secundária”, que consiste na
situação em que os bens de um terceiro que não é parte na execução podem ser
apreendidos, penhorados. Essas hipóteses derivam de lei – art. 592, CPC.
Art. 592 - Ficam sujeitos à execução os bens:
I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou
obrigação reipersecutória; (Ex.: se o executado vende um bem para um terceiro, assim
subentende-se a má-fé, sendo assim, o bens continuam sujeitos à penhora, mesmo estando
com um terceiro que não tem nada a ver. Se o terceiro é o dono/proprietário do bem a ação e
reivindicatória, mas se não é proprietário e tem direito à coisa por força de um contrato, por
exemplo, a ação deve ser reipersecutória – caso o devedor transfira o bem para um terceiro,
nos dois casos o bem está sujeito à penhora);
II - do sócio, nos termos da lei; (regra geral, quem responde pela dívida da sociedade é a
sociedade, e pela dívida dos sócios, são os sócios. Mas existem exceções, que é o caso de
desconsideração da personalidade jurídica da empresa – art. 50, CC, e ainda, art. 28, CDC);
III - do devedor, quando em poder de terceiros; (os bens que pertencem ao devedor e que
estão na posse de terceiro);
IV - do cônjuge, nos casos em que os seus bens próprios, reservados ou de sua meação
respondem pela dívida; (bens próprios – são aqueles que o cônjuge leva para o casamento;
reservados – consistiam na possibilidade de a mulher reservar uma parcela do patrimônio do
casal exclusivamente para ela, mas há muito tempo eles foram considerados
inconstitucionais; meação – quando se casa pela comunhão parcial, após o casamento forma-
se uma massa patrimonial do casal, metade dessa massa, pertence ao homem, e a outra
metade à mulher, a esses bens chama-se meação. 1ª regra) pelas obrigações que são
contraídas em proveito da família, respondem todos os bens do casal, os próprios e os da
meação dos 2 cônjuges; 2ª regra) em se tratando de obrigação contraída no exclusivo
interesse de apenas um cônjuge, respondem apenas os bens próprios e os bens da meação
daquele cônjuge);
Não se deve falar “a cônjuge” e sim o cônjuge virago – a mulher.
V - alienados ou gravados com ônus real em fraude de execução. (VAI FALAR DEPOIS)
7.4) Bens pretéritos
São aqueles bens que não existem mais no patrimônio do devedor à época da constrição
judicial. Regra geral, estes bens não respondem na execução. Só responderão quando forem
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alienados de forma fraudulenta. Alienação fraudulenta é aquela que ocorre em 2 casos:
fraude contra credores e no caso de fraude de execução.
7.5) Fraude contra credores x fraude de execução
FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE DE EXECUÇÃO ou À EXECUÇÃO
- É um instituto de direito material; - Trata-se se instituto de direito processual;
- Defeito do negócio jurídico (arts. 158 e 159, - É um ato atentatório à dignidade da justiça
CC); (arts. 600, I e 601, CPC) – é muito mais
grave;
- Há necessidade de ação própria para ser - Não há necessidade de ação própria;
reconhecida – ação pauliana ou revocatória;
- Ocorre antes da citação; - Ocorre, regra geral, após a citação
(distinção mais importante); citação
para o processo de conhecimento, e não
para o processo de execução.

7.6) Benefício de ordem do fiador


Consiste no direito que tem o fiador de exigir que primeiro sejam discutidos, penhorados, os
bens do devedor principal. Cabe ao fiador que se valer do benefício de ordem, indicar o bem
da sociedade para ser apreendido, livre e desembargado (que não apresenta nenhum tipo de
gravame/restrição).
Art. 595 - O fiador, quando executado, poderá nomear à penhora bens livres e
desembargados do devedor. Os bens do fiador ficarão, porém, sujeitos à execução, se os do
devedor forem insuficientes à satisfação do direito do credor.
 Renúncia – o grande problema é que na pratica os contratos de fiança contempla uma
cláusula de renúncia ao benefício de ordem, não podendo utilizar-se deste benefício. Esta
cláusula é lícita, pois está prevista nos arts. 827 e 828, I, CC.
Art. 827. O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir, até a
contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens do devedor.
Art. 828. Não aproveita este benefício ao fiador: I - se ele o renunciou expressamente;
7.7) Bens particulares dos sócios
Sócios e sociedade possuem personalidade jurídica diferente. O sócio demandado pelo
pagamento da dívida de uma sociedade tem o direito de exigir que primeiro seja esgotado os
bens da sociedade. Ele vai ter que indicar um bem da sociedade que seja livre e
desembargado, e que esteja situado na mesma comarca.
Art. 596 - Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade senão
nos casos previstos em lei; o sócio, demandado pelo pagamento da dívida, tem direito a
exigir que sejam primeiro excutidos os bens da sociedade. Diferença entre Juiz (pessoa física
do julgador), juízo (é sinônimo de vara), foro (é sinônimo de município), fórum (é o espaço
físico onde é desenvolvida a atividade jurisdicional) e comarca (é um divisão jurisdicional
previsto no código de organização judiciária – no ES é uma lei complementar, nº 234/02 – tem
uma comarca da capital que é formada for 5 foros: Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e
Viana).

31/03/2009 - terça-feira

UNIDADE II – LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA


1) Noções gerais
1.1) Finalidade – atribuir um valor a um título executivo que é ilíquido. Ex.: sentença penal
condenatória que não contempla o valor da indenização civil.
1.2) Cabimento – só é cabível em relação ao titulo executivo judicial (em relação à
sentença). Titulo extrajudicial não pode ser liquidado, pois, por natureza ele já é líquido.
Art. 475-A – Quando a sentença não determinar o valor devido, procede-se à sua liquidação.
1.3) Natureza jurídica – tem natureza de um incidente processual. O juiz resolve por meio
de uma decisão interlocutória, e o recurso para atacar tal decisão é o agravo de instrumento.
Art. 475-H. Da decisão de liquidação caberá agravo de instrumento.
1.4) Intimação – requerida a liquidação, a parte contrária, necessariamente, deverá ser
intimada deste requerimento, que realizar-se-á na pessoa do advogado da parte.

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Art. 475-A, § 1º - Do requerimento de liquidação de sentença será a parte intimada, na
pessoa de seu advogado.
1.5) Matéria objeto de discussão – a única matéria que será discutida é a matéria
relacionada ao quantum debeatur (valor da indenização). A sentença não pode ser
rediscutida.
Art. 475-G. É defeso (proibido), na liquidação, discutir de novo a lide ou modificar a sentença
que a julgou.
2) Tipos de Liquidação (são 3 modalidades de liquidação: por arbitramento, por artigos e
por cálculos do contador) – no processo civil (com as reformas), permaneceram apenas as 2
primeiras modalidades, a 3ª foi banida do processo civil, existe apenas no direito do trabalho.
A 3ª foi substituída por um expediente diferente que é: memória de atualização da dívida, que
é de obrigação do próprio credor, exeqüente.
3) Liquidação por arbitramento
3.1) Cabimento – são 3 casos:
Art. 475-C. Far-se-á a liquidação por arbitramento quando:
I - determinado pela/na sentença ou convencionado pelas partes;
II - o exigir a natureza do objeto da liquidação.
Podem ser resumidas em uma única situação:
Quando houver necessidade de ser produzida uma prova pericial a liquidação deverá ser
realizada na modalidade por arbitramento. Ex.: art. 286, II – pedido de indenização ilíquido 
sentença ilíquida  pedido de liquidação de sentença  intimação da parte contrária 
nomeado um perito para arbitrar o valor devido.
3.2) Rito
Não possui um nome específico, é um rito diferenciado.
Art. 475-D. Requerida a liquidação por arbitramento, o juiz nomeará o perito (antes deverá
intimar a parte contrária pela pessoa do advogado) e fixará o prazo para a entrega do laudo
(com um despacho).
As partes serão intimadas, para, querendo, em 5 dias, indicar assistente técnico e apresentar
os quesitos (art. 421, §1º).
Parágrafo único. Apresentado o laudo, sobre o qual poderão as partes manifestar-se no
prazo de dez dias, o juiz proferirá decisão ou designará, se necessário, audiência.
3.3) Recurso – Após a decisão do juiz, as partes podem recorrer, por meio de um agravo de
instrumento (art. 475-H). Pode ser interposto agravo retido? Não. Pois não há interesse. Não
será proferida uma sentença posterior do qual a parte poderá apelar, assim, não terá como
reiterar as razões do agravo retido.
4) Liquidação por artigos
4.1) Cabimento – quando o credor quiser alegar e provar fatos novos. Está ligado a fatos
novos.
Art. 475-E. Far-se-á a liquidação por artigos, quando, para determinar o valor da
condenação, houver necessidade de alegar e provar fato novo.
 Conceito de fato novo – são aqueles fatos anteriores, concomitantes ou posteriores à
ação de indenização e que tenha relação direta com o quantum debeatur (quanto que é
devido), assim como aquele fato que está nos autos, mas não foi objeto de apreciação. É
aquele fato que não está nos autos. A ótica temporal não importa. Ex.: a pessoa está fazendo
um tratamento por causa de um dano causado por outrem, conforme ela for gastando
dinheiro com o tratamento, ela pode pedir reembolso, pois, isto é um fato novo.
4.2) Rito
Art. 475-F. Na liquidação por artigos, observar-se-á, no que couber, o procedimento comum
(art. 272).
Que se divide em ordinário e sumário (pode ser qualquer um dos dois, mas dependerá da
ação de indenização, vai seguir o rito que ela tramitou).
4.3) Recurso
Agravo de instrumento.
5) Hipótese de cálculo aritmético (substituiu a liquidação por cálculos do contador)
5.1) Contextualização – se precisar de uma atualização monetária pode ser feito pelo
advogado da parte (credor) pode elaborar a memória de atualização da dívida.

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Art. 475-B. Quando a determinação do valor da condenação depender apenas de cálculo
aritmético, o credor requererá o cumprimento da sentença, na forma do art. 475-J desta Lei,
instruindo o pedido com a memória discriminada e atualizada do cálculo.
Basta entrar em um desses 3 sites:
www.calculos.br
www.cgj.es.jus.br
www.tj.df.jus.br
- valor principal
- juros de mora: 1% ao mês (art. 406, CC c/c 161, §1º, CTN)
- correção monetária: INPC (calculado pelo IBGE)
Pede para gerar automaticamente a memória de atualização da dívida. (vale para todos
títulos).
5.2) Dados em poder do terceiro ou do devedor
Pode ocorrer na prática, situação em que para elaborar memória de atualização da dívida
precise de informações que estão com terceiros ou com o próprio devedor.
Art. 475-B § 1º Quando a elaboração da memória do cálculo depender de dados existentes
em poder do devedor ou de terceiro, o juiz, a requerimento do credor, poderá requisitá-los,
fixando prazo de até trinta dias para o cumprimento da diligência.
As conseqüências de não cumprir a diligência são:
§ 2º Se os dados não forem, injustificadamente, apresentados pelo devedor, reputar-se-ão
corretos os cálculos apresentados pelo credor, e, se não o forem pelo terceiro, configurar-se-á
a situação prevista no art. 362.
Art. 362 - Se o terceiro, sem justo motivo, se recusar a efetuar a exibição, o juiz lhe ordenará
que proceda ao respectivo depósito em cartório ou noutro lugar designado, no prazo de 5
(cinco) dias, impondo ao requerente que o embolse das despesas que tiver; se o terceiro
descumprir a ordem, o juiz expedirá mandado de apreensão, requisitando, se necessário,
força policial, tudo sem prejuízo da responsabilidade por crime de desobediência.

01/04/2009 - quarta-feira

5.3) Remessa dos autos ao contador – regra geral os autos não devem ser remetidos à
contadoria do Juízo. Pois, a responsabilidade de elaborar a memória de atualização da divida.
Somente em 2 hipóteses o legislador permitiu:
1) quando o credor estiver ao abrigo da assistência judiciária;
2) quando a memória de atualização aparentemente exceda os limites da sentença
exeqüenda.
6) Liquidação e Juizado Especial
Juizados Especiais Estaduais – regidos pela lei 9.099/95 – não se admite a liquidação de
sentença. Pois, a sentença será necessariamente líquida, por força de Lei (por causa da
celeridade, se houvesse a liquidação isso iria atrasar o curso do processo).
Art. 38, Parágrafo único. Não se admitirá sentença condenatória por quantia ilíquida, ainda
que genérico o pedido.
7) Questões diversas
 Título parcialmente líquido – é possível uma sentença que seja em parte líquida e em
parte ilíquida? Sim, como por exemplo, no caso de uma sentença condenatória ao pagamento
de dano moral no valor de R$10.000,00 (líquida), e pagamento de dano material a ser
apurado na fase de liquidação (ilíquida). Em relação à parte líquida o credor deve pedir a
execução, e em relação à parte ilíquida ele deve pedir a liquidação. A execução e a liquidação
podem ser protocoladas simultaneamente (todavia, em petições diferentes). Mas, para que
não ocorra tumulto nos autos, a execução será feita nos autos principal, e a liquidação será
feita em autos apartados/separados.
Art. 475-I – § 2º Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é
lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação
desta.
 Liquidação provisória – é uma novidade da reforma processual. Consiste no direito que
tem o credor de pedir a liquidação da sentença antes mesmo do seu trânsito em julgado. É
pedida no 1º grau, diante do juiz “a quo”, enquanto os autos estão no tribunal, se for o caso.

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Art. 475-A – § 2º A liquidação poderá ser requerida na pendência de recurso, processando-
se em autos apartados, no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com
cópias das peças processuais pertinentes.
A doutrina diz que pouco importa se o recurso tem efeito devolutivo, ou devolutivo e
suspensivo, é direito do credor de pleitear a liquidação provisória da sentença. Não tem
necessidade de caução (como é na execução de sentença).

UNIDADE III – DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE A EXECUÇÃO


Tudo desta unidade será aplicado em todas as execuções.
1) Considerações sobre a penhora (vai ser estudado detalhadamente depois, na unidade
VI)
1.1) Conceito – é a afetação/vinculação de um determinado bem do patrimônio do devedor a
um processo de execução.
1.2) Preferência – ela gera o direito de preferência. Que consiste na regra de que quem
primeiro penhorou o bem, terá direito de receber em primeiro lugar.
Art. 612 - Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso
universal (art. 751, III), realiza-se a execução no interesse do credor, que adquire, pela
penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.
Art. 613 - Recaindo mais de uma penhora sobre os mesmos bens, cada credor conservará o
seu título de preferência.
Fala-se que é aplicável o Princípio prior tempore potior jure (quem primeiro penhorou
tem o melhor direito – que é basicamente o que já foi explicado, ou seja, que a penhora gera
o direito de preferência, e que quem penhorou primeiro terá o direito de preferência). No caso
de devedor declarado insolvente o Princípio será o par conditio creditorum (igual
condição de credores em cada classe de créditos).
2) Exordial – é sinônimo de petição inicial da ação de execução.
2.1) Requisitos
 Genéricos (art. 282; 39, I; 84, CPC) –
Art. 282 - A petição inicial indicará:
I - o juiz ou tribunal, a que é dirigida;
II - os nomes, prenomes, estado civil, profissão, domicílio e residência do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
IV - o pedido, com as suas especificações;
V - o valor da causa; é o valor que não foi recebido do título;
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; (não se
aplica à execução, pois não são realizadas provas);
VII - o requerimento para a citação do réu.
Art. 39 - Compete ao advogado, ou à parte quando postular em causa própria:
I - declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço em que receberá intimação; (se
não indicar o endereço, mas constar no rodapé ou cabeçalho, o STJ entende que não é nula a
petição)
Art. 84 - Quando a lei considerar obrigatória a intervenção do Ministério Público, a parte
promover-lhe-á a intimação sob pena de nulidade do processo.
Art. 82 - Compete ao Ministério Público intervir:
I - nas causas em que há interesses de incapazes;
II - nas causas concernentes ao estado da pessoa, pátrio poder, tutela, curatela,
interdição, casamento, declaração de ausência e disposições de última vontade;
III - nas ações que envolvam litígios coletivos pela posse da terra rural e nas demais
causas em que há interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da
parte.
 Específicos (art. 614 e 615, CPC) –
Art. 614 - Cumpre ao credor, ao requerer a execução, pedir a citação do devedor e instruir a
petição inicial:
I - com o título executivo extrajudicial; (título de crédito tem que ser original; mas se for um
contrato, por exemplo, por ser uma mera cópia);
II - com o demonstrativo do débito atualizado até a data da propositura da ação, quando se
tratar de execução por quantia certa (memória de atualização da dívida);
III - com a prova de que se verificou a condição (evento futuro e incerto), ou ocorreu o termo
(evento futuro e certo) (art. 572).
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Art. 615 - Cumpre ainda ao credor:
I - indicar a espécie de execução que prefere, quando por mais de um modo pode ser
efetuada; (por exemplo, a execução de alimentos pode ser feita sob pena de penhora – art.
732 – ou prisão – art. 733. Ou pode ser sob as duas penas. A rigor, são petições distintas).
II - requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, ou anticrético, ou usufrutuário,
quando a penhora recair sobre bens gravados por penhor, hipoteca, anticrese ou usufruto;
III - pleitear medidas acautelatórias urgentes;
IV - provar que adimpliu a contraprestação, que Ihe corresponde, ou que Ihe assegura o
cumprimento, se o executado não for obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a
contraprestação do credor. (aplica-se aos contratos bilaterais).
2.2) Emenda – se a inicial estiver incompleta, o juiz determinará que ela seja emendada em
10 dias – art. 616, CPC.
 Retratação – Se a inicial não for corrigida, o juiz profere uma sentença, e o recurso
cabível é o da apelação, e com isso o juiz pode se retratar (quando o juiz pode se retratar o
recurso tem efeito regressivo/repositivo).
Art. 296, CPC – Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo
de 48 (quarenta e oito) horas, reformar sua decisão.
Prazo impróprio, que se não observado não gerará qualquer prejuízo.

07/04/2009 - terça-feira

3) Outras regras
3.1) Certidão da propositura da execução - é uma novidade da reforma processual. O
credor pode pedir em Cartório (pode ser também no Detran se possuir carro) . Esta certidão
permitirá a averbação perante os órgãos que possuem registro de bens das pessoas (RGI). Se
o devedor, após a averbação da certidão, alienar este imóvel será considerada em fraude de
execução (mesmo que seja antes da citação. Sendo a alienação ineficaz).
Art. 615-A. O exeqüente poderá, no ato da distribuição, obter certidão comprobatória do
ajuizamento da execução, com identificação das partes e valor da causa, para fins de
averbação no registro de imóveis, registro de veículos ou registro de outros bens sujeitos à
penhora ou arresto.
§ 3º Presume-se em fraude à execução a alienação ou ração de bens efetuada após a
averbação (art. 593).
3.2) Prescrição – a propositura da execução interrompe a prescrição, todavia, para que isso
ocorra, a citação do devedor deve ser feita conforme o art. 219, §2º do CPC.
Art. 617, CPC - A propositura da execução, deferida pelo juiz, interrompe a prescrição, mas a
citação do devedor deve ser feita com observância do disposto no art. 219.
Art. 219, § 2º, CPC - Incumbe à parte promover a citação do réu nos 10 (dez) dias
subseqüentes ao despacho que a ordenar, não ficando prejudicada pela demora imputável
exclusivamente ao serviço judiciário; (promover execução é pagar as custas processuais, e
entregar em Cartório a contra-fé, que é a copia da inicial/exordial, geralmente é feito quando
o advogado ajuíza a ação).
Antes da reforma o juiz não podia conhecer de ofício a prescrição. Mas com a reforma é
possível que a prescrição seja conhecida de oficio.
Art. 219, § 5º, CPC – O juiz pronunciará, de ofício, a prescrição.
3.3) Nulidades – as principais nulidades estão previstas no artigo 618, CPC, e estas
nulidades, se enquadram na categoria das nulidades absolutas, ou seja, podem ser
conhecidas de oficio, e vão gerar na extinção do processo.
Art. 618 - É nula a execução:
I - se o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa (não há dúvida
quanto a sua existência), líquida (contempla o valor devido) e exigível (art. 586);
II - se o devedor não for regularmente citado; (a citação é um dos atos mais importantes do
processo, é um pressuposto de existência da relação jurídica processual para o réu, se o
devedor na for regularmente citado, a execução será nula. Mesmo a falta de citação, que é
um defeito gravíssimo, pode ser suprida com o comparecimento espontâneo do devedor);
art. 214, § 1º - O comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação.
III - se instaurada antes de se verificar a condição (evento futuro e incerto) ou de ocorrido o
termo (evento futuro e certo), nos casos do art. 572.
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Podem ser alegadas em qualquer tempo e grau de jurisdição, por meio de uma simples
petição nos autos (matéria de ordem pública), e esta petição, na prática, é chamada de
objeção de pré-executividade ou exceção de pré-executividade. O prazo dos
embargos não são suspensos por essa petição, nem o contrário.
3.4) Ineficácia –
Art. 619 - A alienação de bem aforado ou gravado por penhor, hipoteca, anticrese ou
usufruto será ineficaz em relação ao senhorio direto, ou ao credor pignoratício, hipotecário,
anticrético, ou usufrutuário, que não houver sido intimado.
O credor hipotecário deve ser intimado, pois ele possui uma garantia real (que pode ser
oposta contra todas as pessoas, é a oponibilidade erga omnes) de recebimento do crédito
dele.

Prova em maior parte objetiva (VAI CAIR MAIS UNIDADE I) – questões


absolutamente em cima da matéria da sala. E os textos deve saber a idéia geral.

TRABALHO PARA O DIA DA PROVA.


PROVA DIA 15/03 (MATÉRIA DA SALA + TEXTO – Não vai cobrar nota de rodapé – ler o texto
com atenção, não precisa decorar)
TEXTOS QUE VÃO CAR NA PROVA SÃO:
- REFLEXOS DO PRINCIPIO DA ISONOMIA NO DIREITO PROCESSUAL
- PROCESSO CIVIL MODERNO E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
- EXECUÇÃO E EFETIVAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA
- PERSPECTIVAS DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL BRASILEIRO
- O PRAZO PARA IMPETRAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA
- ASPECTOS PROCESSUAIS DA EMENDA 45
(OS OUTROS SÃO DA 2ª PROVA)

2º BIMESTRE (vai cair na prova toda a matéria)

UNIDADE IV – EXECUÇÃO PARA ENTREGA DE COISA


1) Considerações Iniciais
1.1) Distinção de processo de execução e sincrético
Processo de execução – é aquele que tem a finalidade de realizar o direito do credor, mas
acima de tudo é importante lembrar que ele é autônomo/independente em relação aos
demais processos.
Processo sincrético – é decorrência da soma da junção entre os atos que são praticados em
dois processos, o de conhecimento e o de execução. O credor não precisa ajuizar uma ação
de execução, pois ela é uma fase/etapa do processo que já foi iniciado.
1.2) Disciplina legal – Das obrigações de dar ou de entrega de coisa – tem que fazer uma
analise antes:
• Se estiver previsto em um título extrajudicial, uma segunda analise deve ser feita:
o Coisa certa – determinada (art. 621-628, CPC);
o Coisa incerta – indeterminada, fungível (art. 629-631, CPC);
• Se estiver previsto em um título judicial – a execução é feita em outro rito, o do artigo
461-A, pois estamos diante de um processo sincrético. Se o devedor não cumprir vai
ser expedido um mandado de busca e apreensão. Art. 461-A, CPC. Na ação que tenha
por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o prazo
para o cumprimento da obrigação. § 2º - Não cumprida a obrigação no prazo
estabelecido, expedir-se-á em favor do credor mandado de busca e apreensão ou de
imissão na posse, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel.

22/04/2009 - quarta-feira

2) Execução para entrega de coisa certa fundada em título extrajudicial


2.1) Inicial – tem que preencher os requisitos genéricos e específicos. O juiz despachará
determinando a citação, ou irá determinar a emenda se tiver faltando algo.
2.2) Citação – será citado para entregar a coisa no prazo de 10 dias (art. 621, CPC)

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 Astreintes – fixando multa para os dias de atraso, chamadas de astreintes.
2.3) Situações possíveis de ocorrência
• Depósito – depositar em juízo a coisa (art. 622 e 623, CPC). Não quer cumprir a
obrigação, quer apenas eximir-se das penas da mora.
• Entrega – (art. 624, CPC) é diferente de depósito. O devedor quer cumprir com a
obrigação, sendo feita a entrega em juízo, será lavrado o termo de entrega e o juiz vai
sentenciar extinguindo o processo.
• Inércia – (art. 625, CPC) se o devedor for citado e não fizer nada, a primeira
conseqüência é a incidência da multa (astreintes). A segunda conseqüência é a
expedição de um mandado que pode ser de busca e apreensão (coisa móvel) ou
mandado de imissão na posse (coisa imóvel).
2.4) Alienação da coisa litigiosa – a conseqüência é a expedição de um mandado contra
um terceiro adquirente. Que só será ouvido em juízo após a entrega (no mesmo sentido de
depositar, neste caso) da coisa.
Art. 626 - Alienada a coisa quando já litigiosa, expedir-se-á mandado contra o terceiro
adquirente, que somente será ouvido depois de depositá-la.
A partir de qual momento a coisa já é litigiosa? A partir da citação válida.
2.5) Conversão em execução genérica – na prática é possível que o bem que o credor
pretende receber, tenha se perdido (foi furtado, roubado, a coisa estraga...). Nesta situação
tem que requerer a conversão da execução específica em genérica (ou seja, transformar em
execução para cobrança das perdas e danos – art. 627, CPC)
Art. 627, CPC - O credor tem direito a receber, além de perdas e danos, o valor da coisa,
quando esta não Ihe for entregue, se deteriorou, não for encontrada ou não for reclamada do
poder de terceiro adquirente.
Pode pedir os valores do art. 402, CC, que são os lucros cessantes e os danos emergentes.
2.6) Benfeitorias indenizáveis – benfeitorias são melhoramentos que são feitos na coisa
(diferente de acessão, que é a primeira construção que é feita no terreno). Existem 3 tipos de
benfeitorias: necessárias (é aquela imprescindível à manutenção da coisa), úteis (são aquelas
que incrementam o grau de utilização da coisa. Ex.: construir um quarto de hospedes na casa,
uma garagem) e voluptuárias (é para mero incremento da coisa. Ex.: construir uma piscina).
O possuidor de boa-fé tem direito a indenização pelo valor das benfeitorias úteis e
necessárias, levantar as benfeitorias voluptuárias e retenção em relação ao valor das
benfeitorias úteis e necessárias (art. 1.219, CC).
Antes de entrar com a ação de execução tem que apurar quais benfeitorias foram feitas e
fazer a liquidação prévia, para receber o valor da indenização (art. 628, CPC). Então deposita
em juízo o valor e juíza a ação. Se não for feito o devedor pode fazer uma defesa chamada de
Embargos de Retenção, e ficar com a coisa por um determinado tempo.
3) Execução para entrega de coisa incerta fundada em título extrajudicial
3.1) Coisa incerta – é a coisa indeterminada.
3.2) Escolha – quando vai executar execução de entra de coisa incerta, haverá um momento
destinado a realização da escolha da entrega da prestação. Podem ocorrer duas situações:
uma em que o direito de escolha será do credor, e ele deverá fazê-lo na inicial; e outra em
que o direito de escolha pertence ao devedor, e ele deverá realizar a escolha no prazo da
citação, que é 10 dias (art. 629, CPC).
Art. 629, CPC - Quando a execução recair sobre coisas determinadas pelo gênero e
quantidade, o devedor será citado para entregá-las individualizadas, se Ihe couber a escolha;
mas se essa couber ao credor, este a indicará na petição inicial.
3.3) Impugnação da escolha – A concentração é o ato pelo qual a parte faz a escolha do
bem. Feita a concentração a parte ex adversa (contrária) terá o prazo de 48 horas
(peremptória), para realizar a impugnação desta escolha. O juiz pode designar uma perícia, se
achar necessário, caso entenda não ser necessário, pode preferir uma decisão interlocutória
decidindo de imediato o incidente. O recurso cabível é o de agravo de instrumento.
O critério utilizado pelo juiz para decidir é o critério mediano, o credor não pode exigir a
melhor prestação e nem tão pouco pode o devedor querer cumprir a obrigação entregando a
pior coisa (art. 244, CC).
Art. 244, CC. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao
devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior,
nem será obrigado a prestar a melhor.

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3.4) Aplicação subsidiária – Feita a escolha ou resolvida a eventual impugnação da
escolha, a coisa perde seu grau de incerteza, e deixa de ser uma coisa incerta para uma coisa
certa. Sendo assim, passa a ser utilização subsidiariamente as regras da execução de coisa
certa.
4) Execução para entrega de coisa fundada em título judicial – quando a obrigação de
coisa esta prevista em um titulo judicial, neste caso, o credor não vai ter que ajuizar ação de
execução, pois é processo sincrético. O cumprimento da decisão judicial será apenas um
prolongamento daquele processo que foi inaugurado. A decisão será cumprida com base no
art. 461-A, do CPC.
Art. 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela
específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação.
Quando acabar o prazo e o devedor não cumprir a obrigação vai ser aplicado neste caso o §2º
do at. 461-A, ou seja, será expedido um mandado de busca e apreensão ou de imissão na
posse.
Art. 461-A, § 2º - Não cumprida a obrigação no prazo estabelecido, expedir-se-á em favor do
credor mandado de busca e apreensão ou de imissão na posse, conforme se tratar de coisa
móvel ou imóvel.
Poderia o juiz mandar expedir de ofício esse mandado? Existem 2 entendimentos na doutrina.
Alexandre Câmara diz que pode ser feito de oficio. E Cândido Rangel Dinamarco diz que não
pode ser feito de oficio, pois se o exeqüente não pedir, como o juiz saberá se foi cumprida ou
não a obrigação (orientação preponderante).

UNIDADE V – EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER/NÃO FAZER


1) Considerações Iniciais
1.1) Obrigação de dar e fazer – distinção entre obrigação de dar e de fazer:
Obrigação de dar – o objeto da prestação já foi previamente confeccionado;
Obrigação de fazer – o objeto da prestação ainda vai ser confeccionado.
1.2) Fazer fungível e infungível – distinção entre fazer fungível e infungível:
Fungível – o objeto da prestação pode ser confeccionado por qualquer pessoa.
Infungível – o objeto da prestação só pode ser confeccionado por uma pessoa em particular.
Há um conteúdo intuito personae. Ex.: um cantor famoso cantar em um show.
1.3) Não fazer permanente e instantâneo – é uma obrigação negativa que implica em
uma abstenção por parte do devedor. Distinção entre o não fazer permanente e o
instantâneo:
Permanente – havendo descumprimento ainda assim, existe a possibilidade de se
retornar/retroceder ao estado anterior. Ainda assim, cabe perdas e danos, e o exeqüente
pode pedir que o devedor retorne o bem para o estado anterior às custas do próprio devedor.
Instantâneo – dá-se o contrário. Havendo descumprimento da obrigação não há possibilidade
de se retornar ao estado anterior. Ex.: o engenheiro da coca-cola que revela o segredo da
coca-cola, não há como voltar atrás, o engenheiro já revelou o segredo.

28/04/2009 - terça-feira

1.4) Disciplina legal


Título extrajudicial:
- Fazer: arts. 632 – 638, CPC
- Não fazer: arts. 642 – 643, CPC
Título judicial:
- Processo sincrético: art. 641, CPC
2) Execução de obrigação de fazer fundada em título extrajudicial
2.1) Inicial
Se inicia por uma ação de execução com uma petição inicial com os requisitos genéricos e os
específicos. Ela será distribuída e encaminhada para o Juiz que vai despachar determinando a
citação.
2.2) Citação
Não é citação para apresentar resposta, e sim para cumprir a obrigação. O prazo da citação é
de natureza judicial e não legal, ou seja, quem vai fixar é o Juiz, de acordo com o caso
concreto (depende de qual obrigação que deve ser cumprida). Segue a regra do art. 241 c/c
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184, CPC, exclui o dia do inicio e inclui o dia do final, à contar da data da juntada do mandado
aos autos.
Art. 645 - Na execução de obrigação de fazer ou não fazer, fundada em título extrajudicial, o
juiz, ao despachar a inicial, fixará multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação e a
data a partir da qual será devida.
(alguns doutrinadores entendem que é dever do magistrado fixar a multa, mas outros
entendem que é faculdade).
2.3) Situações possíveis
A) O devedor cumpre a obrigação – o juiz proferirá uma sentença de extinção da execução
(art. 794, I, c/c 795, CPC);
B) O devedor apresenta embargos à execução – apresenta defesa no prazo de 15 dias à partir
da juntada do mandado (art. 738, CPC); antes da reforma do código, suspendia a execução
sempre, após a reforma, regra geral, não suspende mais (art. 736 c/c 739, CPC);
C) Inércia – deixa transcorrer o prazo “in albis” (em branco/sem manifestação). São 2
conseqüências: 1) incidência de multa (astreintes); 2) vai variar de acordo com a obrigação: -
tratado-se de fazer fungível vai pleitear perdas e danos e que a obrigação seja cumprida por
um terceiro às custa do devedor (art. 633, caput,CPC); - tratando-se de fazer infungível, vai
pleitear as perdas e danos, sem prejuízo da multa (art. 633, §único c/c 634).
2.4) Considerações sobre as astreintes
 Astreintes, perdas e danos e cláusula penal – distinção:
Astreintes – a palavra vem do direito francês. É uma multa processual. Tem finalidade
coercitiva/de constranger/obrigar o devedor ao cumprimento da obrigação. Pode ser aplicada
juntamente com as perdas e danos e com a cláusula penal.
Perdas e danos – é uma soma dos lucros cessantes com o dano emergente (art. 402, CC).
Tem finalidade reparatória ou ressarcitória.
Cláusula penal – é uma cláusula inserida no contrato que prevê uma multa para hipótese de
descumprimento da obrigação. Constitui uma pré fixação do valor das perdas e danos. Não
pode cobrar perdas e danos juntamente com a cláusula penal, pois estaria cobrando o mesmo
valor duas vezes (bis in idem).
 Limite – o valor da multa pode ser maior do que o valor principal? Está pacificado no STJ
que sim. Na verdade o que está limitado ao valor principal é a cláusula penal, e as astreintes
não se confundem com cláusula penal.
Art. 412, CC. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da
obrigação principal.
 Meio de cobrança – a cobrança da multa é feita por meio de execução por quantia certa,
em autos apartados/separados (art. 739-B, CPC).
Art. 739-B, CPC. A cobrança de multa ou de indenizações decorrentes de litigância de má-fé
(arts. 17 e 18) será promovida no próprio processo de execução, em autos apensos,
operando-se por compensação ou por execução.
 Termo a quo da cobrança – qual o momento para cobrar a multa? Há divergência (3
entendimentos):
- Eduardo Talamini – a multa pode ser cobrada desde o descumprimento da obrigação; é
admitido em Juizado Especial;
- Ada P. Grinquer – só pode ser cobrada após a preclusão recursal (cabe agravo de
instrumento – 10 dias);
- Cândido Rangel Dinamarco – entende que a multa é devida desde o descumprimento da
obrigação, mas só pode ser sobrada após o transito em julgado da sentença. Fazendo uma
analogia com a Lei 7.347/85 – Lei de ação civil pública – art. 12, § 2º - A multa cominada
liminarmente só será exigível do réu após o trânsito em julgado da decisão favorável ao
autor, mas será devida desde o dia em que se houver configurado o descumprimento –
*ENTENDIMENTO DOMINANTE, salvo em Juizado que o entendimento dominante é o
do Talamini*; não é imune a críticas, em casos urgentes, por exemplo, não pode ficar
esperando o trânsito em julgado)
- Câmara – concorda com Talamini, mas faz uma observação, de que a execução pode ser
cobrada desde o descumprimento, todavia é uma execução provisória. (o entendimento que o
professor concorda, mas não é o dominante).
 Cabimento – não pode ser fixada em obrigações pecuniárias, somente de fazer, não fazer.
Ex.: execução de um cheque, não cabe astreintes.

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 São devidas ao credor – a multa deve ser pago ao credor. É construção doutrinária e
jurisprudencial. Por que o maior prejudicado no atraso do cumprimento é o próprio credor.
Não será devida ao credor no caso Ação civil pública envolvendo tutela do meio ambiente,
será devida ao fundo estatal (ou fundo de amparo ao trabalhador, caso seja meio ambiente
do trabalho).
 Termo final – incide sine die (sem um dia determinado), vai incidindo até que o devedor
cumpra a obrigação.
 Fixação e alteração ex officio – o juiz pode fixar o valor da multa de ofício, para dar
maior efetividade ao processo. A alteração de ofício também é admitida, contêm incita a
cláusula rebus sic stantibus processual, ou seja, se a situação fática for modificada o juiz
poderá modificar também o valor da multa. Ex.: o juiz fixou uma multa de R$50,00 reais para
um shopping (valor insignificante para o shopping), ou então um valor muito alto para quem
ganha um salário mínimo.

05/05/2009 - terça-feira

 Astreintes e a Fazenda Pública – correntes:


1) Vicente Greco Filho – entende que não cabe a multa, pois seria paga com dinheiro público
e com precatórios.
2) Alexandre Câmara – entende que sim, todavia não resolve os problemas resultantes disso.
3) Leonardo José Carneiro da Cunha – diz que a multa (astreintes) pode ser fixada contra o
próprio agente público, e não contra o Município. Na jurisprudência, principalmente Federal, é
a corrente mais aceita, pois não se trata de dinheiro público e não é paga com precatórios.
3) Execução de obrigação de não fazer fundada em título extrajudicial
3.1) Obrigação de não fazer
É uma obrigação do tipo negativa que importa uma abstenção por parte do devedor. Se for
descumprida vai resultar em uma nova obrigação para o devedor, que é a de desfazer o que
não deveria ter feito. Vai implicar na própria execução da obrigação de fazer. Ex.: se o
devedor constrói um muro que era proibido de fazer, automaticamente ele possui a obrigação
de desfazer o muro, ou seja, é uma obrigação de fazer.
3.2) Cabimento do rito
No caso da pessoa já ter descumprido a obrigação de não fazer cabe Ação de execução de
obrigação de não fazer, com base no artigo 642, do CPC – sendo assim, é um procedimento
repressivo, trata-se de pois a obrigação já foi descumprida.
Mas se a pessoa não descumpriu ainda, mas está ameaçando descumprir, a ação cabível é a
inibitória, com base no artigo 287, CPC – trata-se de uma ação de cognição/conhecimento
dará ensejo a um procedimento preventivo.
3.3) Citação
O devedor vai ser citado na execução para desfazer aquilo que não deveria ter feito – art.
642, CPC. É um prazo do tipo judicial, ou seja, o juiz que o fixará no caso concreto. Na mesma
oportunidade o juiz fixa as astreintes (art. 645, CPC).
3.4) Situações possíveis
1) O devedor cumpre a obrigação – o juiz vai proferir uma sentença de extinção da execução
na forma do artigo 794, I c/c 795, CPC.
2) O devedor apresenta embargos do devedor/da execução – o prazo é de 15 dias, contados à
partir da juntada aos autos do mandado de citação devidamente cumprido (art. 738, CPC).
Não tem natureza de contestação, e sim de ação, tem pagamento de custas na justiça
estadual (na federal não).
3) O devedor fica inerte:
• Incidência das astreintes
• Vai variar:
o Não fazer permanente – o credor pode pleitear perdas e danos e que a obrigação
seja cumprida por um terceiro à custa do devedor (art. 643, caput, CPC);
o Não fazer instantâneo – o credor só poderá pleitear as perdas e danos.
4) “Execução” de obrigação de fazer/não fazer fundada em título judicial

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O processo é sincrético. Não tem que ajuizar ação de execução. A sentença será cumprida de
acordo com o artigo 461 do CPC. A execução é um prolongamento do processo que já foi
iniciado.
Art. 461 - Na ação (ação de conhecimento, não é de execução, pois o processo é sincrético)
que tenha por objeto (pedido) o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz
concederá a tutela específica (é o exato resultado pretendido pelo autor da ação) da
obrigação ou, se procedente o pedido, determinará providências que assegurem o resultado
prático equivalente (resultado prático equivalente, conceito – não se confunde com a tutela
específica, mas produz/gera o mesmo efeito da tutela específica. Ex.: o MP ajuizou uma ação
civil pública em desfavor de uma determinada fábrica, e o MP pleiteou ao juiz a condenação
da fábrica a instalar filtros antipoluição. A tutela específica é a instalação dos filtros. O juiz
concedeu a tutela específica, e a fábrica não os instalou. O juiz pode conceder o resultado
prático equivalente, que seria, por exemplo, determinar a interdição, ou o fechamento da
fábrica ou do setor que está poluindo. Pode conceder de ofício, não precisa de pedido. O
resultado prático do processo pode ser determinado após o trânsito em julgado da sentença)
ao do adimplemento.
§ 1º - A obrigação somente se converterá em perdas e danos se o autor o requerer ou se
impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente. (em 1º
lugar o legislador opta pela tutela específica, em 2º lugar o resultado prático do processo e
em 3º lugar as perdas e danos);
§ 2º - A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa (art. 287). (esclarece
que o credor pode cobrar o valor da multa, juntamente com o valor das astreintes).
§ 3º - Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia
do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou mediante justificação
prévia, citado o réu. A medida liminar poderá ser revogada ou modificada, a qualquer tempo,
em decisão fundamentada. (trata da antecipação de tutela/tutela antecipada específica, para
as obrigações de fazer e não fazer. O art. 273 trata da tutela antecipada genérica, ou seja,
para as obrigações de pagar pecuniárias. Liminar é o provimento do juiz que é concedido no
início do processo, pode ser de 2 espécies: inaudita altera parte, é antes da citação ou
audiatur et altera pars, é após a citação e manifestação, pode recorrer com agravo, caso o
juiz indefira um tipo a liminar inaudita altera parte e determine que cite primeiro para depois
decidir. O aconselhável é que peça os dois tipos de liminares, pedido primeiro a liminar
inaudita altera parte e caso seja, indeferido pedir a audiatur et altera pars. No mandado de
segurança não se deve ouvir primeiro a outra parte para depois deferir ou não a liminar, mas
é o que tem ocorrido na prática);
§ 4º - O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença, impor multa diária ao
réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação,
fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento do preceito. (trata das astreintes)
§ 5º - Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente,
poderá o juiz, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas necessárias, tais como a
imposição de multa por tempo de atraso, busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas,
desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva, se necessário com requisição de
força policial. (trata das chamadas medidas de apoio, que são providências que o juiz pode
adotar para dar maior efetividade às suas decisões. Trata de rol taxativo ou exemplificativo?
É exemplificativo, por causa da expressão “tais como”. O limite da atividade do juiz é a
criatividade, apenas não poderá decretar a prisão civil – doutrina dominante).

06/05/2009 - quarta-feira

§ 6º - O juiz poderá, de ofício, modificar o valor ou a periodicidade da multa, caso verifique


que se tornou insuficiente ou excessiva.

UNIDADE VI – EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA


1) Considerações iniciais
É uma execução para cobrança de importância em dinheiro/pecúnia. Ex.: execução de
cheque, nota promissória, sentença que condena ao dano moral...
Ela tem por objetivo expropriar bens do devedor. E essa expropriação pode ser feita de 4
maneiras:
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a) Adjudicação – quando o credor aceita o bem que foi penhorado como forma de
pagamento. Arts. 685-A e 685-B, CPC. Mais utilizado.
b) Alienação por iniciativa do particular – consiste na possibilidade de o próprio credor
vender o bem que foi penhorado. Art. 685-C, CPC.
c) Alienação em hasta pública – é gênero. As espécies são: leilão, para venda de bens
móveis, e a praça, que é para a venda de bens imóveis. Arts. 686 e ss. Mais utilizado.
d) Usufruto – o credor fica temporariamente com o bem do devedor como forma de
pagamento. É um direito real de gozo ou fruição. Arts. 716 – 724, CPC.
2) Dicotomia de regimes
Antes da reforma existia um único sistema de execução por quantia certa. A partir da reforma
passaram a coexistir 2 sistemas de execução por quantia certa. Um deles é destinado à
execução de títulos extrajudiciais (arts. 646 – 724, CPC), e outro sistema é destinado à
execução de títulos judiciais (arts. 475-J, CPC), este último é processo sincrético.
3) Estrutura do rito da execução por quantia de título extrajudicial
Começa por meio de uma petição inicial (ação de execução). Após protocolada o juiz terá 3
alternativas:
- Determinar a emenda da inicial, se estiver incompleta, no prazo de 10 dias (art. 616, CPC);
- Indeferir a exordial (art. 295, CPC) – somente deve ser determinado em último caso, antes
deve mandar emendar a inicial;
- Determinar a citação, para fazer o pagamento no prazo de 3 dias, sob pena de penhora (art.
652, CPC).
A próxima etapa é da penhora, arresto (art. 653 e 654, CPC – quando o devedor não é
encontrado) ou avaliação do bem (que será feito pelo Oficial de Justiça – art. 143, V).
Depois, intima-se o devedor, conforme o art. 652, §1º do CPC. Ele é intimado para querendo,
poderá pleitear a substituição do bem penhora (art. 668, CPC), terá para tanto o prazo de 10
dias.
A etapa subseqüente é da avaliação (680, CPC) ou da dispensa da avaliação (684, CPC), se
houver divergência no valor do bem, será nomeado um perito para dar o valor do bem. O
ideal é que essa nova avaliação seja dispensada, pois o bem já foi avaliado pelo Oficial de
Justiça.
Após será a etapa dos atos expropriatórios (adjudicação, alienação por iniciativa do particular,
alienação em hasta pública e usufruto – art. 685, §ú). E por último é a extinção do processo
(art. 795, CPC).
Cada uma das etapas será estudada detalhadamente.
4) Inicial
4.1) Requisitos
Tem que preencher requisitos, que são de 2 tipos:
- Genéricos; e
- Específicos
É necessário narrar os fatos, qualificar as partes e etc. É imprescindível juntar à petição a
memória de atualização da dívida.
4.2) Emenda
Se não juntar o título executivo, por exemplo, ou alguma outra coisa imprescindível à petição,
o juiz dará o prazo de 10 dias para corrigir a inicial. Se não corrigir o juiz vai indeferir a
petição inicial, por meio de uma sentença. O recurso cabível é de apelação. Mas possui uma
particularidade, cabe a retratação, que é a possibilidade de o juiz “voltar atrás” quanto a sua
decisão de indeferimento, que possui efeito regressivo ou repositivo.
5) Citação
5.1) Finalidade
Não é para que apresente resposta. E sim, para que o devedor pague a dívida no prazo de 3
dias, sob pena de serem penhorados bens do seu patrimônio.
Art. 652. O executado será citado para, no prazo de 3 (três) dias, efetuar o pagamento da
dívida.
Na prática (o que deve ser feito, mas nem sempre é assim), a petição vai para o juiz que
determina a citação do devedor. Assim, será expedido um mandado de citação em 3 vias, em
posse de 2 vias, ele vai no domicilio do devedor, que ao ficar ciente do processo, assina o
mandado, e fica com uma contra-fé (cópia da inicial). Passados os 3 dias, o Oficial verifica se
o devedor pagou, se não ele pega a outra via do mandado e volta no domicilio do devedor e
penhora algum bem.
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5.2) Fixação de honorários
Quando o juiz despacha determinando a citação, ele fixa os honorários de advogado também
(art. 652-A, caput).
Art. 652-A. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários de advogado a serem
pagos pelo executado (art. 20, § 4º ).
No juizado especial não tem fixação de honorários.
5.3) Prazo para pagamento
O prazo para pagamento dessa dívida, pela Lei é de 3 dias (art. 652, CPC). Sobre a contagem
do prazo existem 2 correntes:
- Cássio S. Bueno – o prazo de 3 dias começa a contar da juntada aos autos do mandado de
citação cumprido (art. 241);
- Tereza Wanbier – diz que o prazo é computado a partir da própria citação, e não da juntada
do mandado (art. 184, CPC), excluindo o dia do começo e incluindo o dia do final – é o
entendimento que tem preponderado.
6) Situações possíveis
A partir da citação, 4 situações são possíveis de ocorrência:
a) O devedor faz o pagamento da dívida;
b) O devedor não é encontrado;
c) O devedor é citado, mas se mantém inerte, deixa correr o prazo in albis;
d) O devedor faz o pedido para o Juiz de parcelamento da dívida (existem pressupostos
que devem ser atendidos);
7) Pagamento
Pode ser realizado de 2 formas:
a) Diretamente em juízo, o devedor comparece em juízo vai ate o cartório e informa que
quer realizar o pagamento, o cartório encaminha para a contadoria, que faz uma guia
para o devedor pagar. Pode ter (corre o risco) incidência de imposto de renda;
b) Diretamente ao credor (advogado do credor), sendo feito o pagamento, o devedor deve
se cercar de cautelas: deve pegar o recibo detalhado do pagamento da dívida, e
também é oportuno pegar uma petição pedindo a extinção da execução. Geralmente
empresa faz o pagamento em Juízo. Quando pagamento é feito ao credor fica livre de
imposto de renda.
 Diminuição dos honorários – Caso o devedor faça o pagamento no prazo de 3 dias, os
honorários serão reduzidos pela metade (art. 652-A, §ú – No caso de integral pagamento no
prazo de 3 (três) dias, a verba honorária será reduzida pela metade).
8) Devedor não é encontrado
8.1) Diligências
O oficial não encontra o devedor, neste caso, o Oficial deve procurar saber o paradeiro do
executado (perguntar para os vizinhos, porteiro...), ou seja, realizar diligências.
8.2) Arresto
Se ainda assim, não for encontrado o devedor, mas forem encontrados bens do devedor,
caberá uma medida chamada de arresto
Art. 653, caput, CPC – O oficial de justiça, não encontrando o devedor, arrestar-lhe-á tantos
bens quantos bastem para garantir a execução.
Feito o arresto, nos 10 dias subseqüentes, em 3 tentativas em dias diferentes, o Oficial vai
procurar novamente o devedor, para fazer a citação do devedor, se não encontrar vai
devolver o mandado em Cartório.
Art. 653, §ú – Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça
procurará o devedor três vezes em dias distintos; não o encontrando, certificará o ocorrido.
Devolvido o mandado em cartório, o juiz vai mandar intimar o credor, para adotar a medida
do art. 654, CPC, que é a citação por edital, que terá um prazo de 20 a 60 dias (art. 232, IV do
CPC). Se o juiz fixou o prazo do edital, por exemplo, de 40 dias, findo esse prazo o devedor
terá ainda o prazo do art. 652, que é de 3 dias, para fazer o pagamento, se não fizer, o
arresto vai ser convertido/transformado em penhora.
Art. 654 - Compete ao credor, dentro de 10 (dez) dias, contados da data em que foi intimado
do arresto a que se refere o Parágrafo único do artigo anterior, requerer a citação por edital
do devedor. Findo o prazo do edital (de 20 a 60 dias), terá o devedor o prazo a que se refere o
art. 652 (3 dias), convertendo-se o arresto em penhora em caso de não-pagamento.

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 Natureza jurídica – natureza de uma medida executiva (art. 653), não se lhe aplicam os
requisitos das cautelares (periculum in mora e fumus boni iuris – que é o arresto do art. 813 –
medida cautelar).
8.3) Aplicação nos juizados especiais
Tudo falado sobre arresto executivo tem aplicação nos Juizados (Enunciado 37, do FONAJE –
Fórum nacional de juizados especiais).

19/05/2009 - terça-feira

9) Inércia
O devedor foi citado para fazer o pagamento, mas mateve-se inerte, deixou o prazo correr in
albis. A conseqüência é que o oficial voltará e realizará a penhora a avaliação e a intimação
do devedor.
9.1) Penhora, avaliação e intimação
Art. 652, § 1º Não efetuado o pagamento, munido da segunda via do mandado, o oficial de
justiça procederá de imediato à penhora de bens e a sua avaliação, lavrando-se o respectivo
auto e de tais atos intimando, na mesma oportunidade, o executado.
O devedor vai ser intimado da penhora para, querendo, requerer a substituição do bem que
foi penhorado, no prazo de 10 dias.
Art. 668. O executado pode, no prazo de 10 (dez) dias após intimado da penhora, requerer a
substituição do bem penhorado, desde que comprove cabalmente que a substituição não
trará prejuízo algum ao exeqüente e será menos onerosa para ele devedor (art. 17, incisos IV
e VI, e art.620).
9.2) Devedor não é encontrado para intimação
Pode ser que o devedor não seja encontrado para intimação. Se isso ocorrer o Juiz terá 2
alternativas:
• Determinar a realização de novas diligências, ou seja, que o oficial de justiça vá até o
encontro do devedor para sua intimação em outro local (trabalho, casa de familiares...);
ou
• Dispensar a intimação do devedor;
O critério mais utilizado é o da razoabilidade, por exemplo, se o executado não foi intimado
pois estava trabalhando, o juiz “deve” determinar novas diligências. Todavia, se o executado
está se escondendo o oficial, o juiz “deve” dispensar a intimação.
9.3) Localização de bens
O juiz de ofício ou a requerimento da parte, poderá determinar a intimação do devedor para
que ele apresente um juízo o rol de bens que estão no seu patrimônio. Essa intimação não
será feita na pessoa do devedor, será feita na pessoa do advogado do devedor (se não tiver
advogado constituído nos autos, a intimação será pessoal, mas a regra é a intimação do
advogado). A conseqüência de o devedor não indicar esses bens para o juízo é a imposição de
uma multa de 20% em cima do valor da causa. Se não tiver bem nenhum, tem que informar
que não possui bem nenhum, essa penalidade é para o caso de se manter inerte.
Art. 601 - Nos casos previstos no artigo anterior, o devedor incidirá em multa fixada pelo
juiz, em montante não superior a 20% (vinte por cento) do valor atualizado do débito em
execução, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material, multa essa
que reverterá em proveito do credor, exigível na própria execução.
10) Parcelamento
O prazo para requerer este parcelamento é de 15 dias, contados a partir da juntada aos autos
do mandado devidamente cumprido.
- Condições do parcelamento:
O parcelamento deve ser na forma ex legis (prevista em lei) devendo ser de 30% à vista, e o
restante em até 6 prestações mensais, que serão acrescidos de juros de mora de 1% ao mês
e correção monetária. O devedor só tem o direito de exigir o parcelamento nestas condições,
caso o devedor queira de outra forma ele pode procurar o credor para tentar fazer um acordo
na execução, pois, pode tudo.
As conseqüências do não cumprimento do parcelamento são:
• Vencimento antecipado de todas as prestações;

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• Incidência de uma multa em beneficio do exeqüente, no valor de 10% do saldo devedor
em aberto;
• Ao devedor fica proibido apresentar embargos do devedor/embargos à execução. Caso
apresente embargos ele teria ainda uma multa (pois os embargos teriam caráter
meramente protelatórios, e ainda a multa por ser litigante de má-fé).
Esse parcelamento pode ser utilizado em título judicial? Freddie Didier sustentar que não
pode ser aplicado o parcelamento da execução de título judicial (pois, há coisa julgada.
Haveria modificação da coisa julgada. Mas é questionada pois não há mudança da coisa
julgada, e sim da forma como haverá o pagamento), todavia o professor Magnoni diz que
pode ser aplicado sim (pois a finalidade é de resolver a situação, e se o devedor se dispõe a
pagar parcelado já é uma forma de resolver. E ainda, não há prejuízo para o credor, visto que
o credor receberá tudo corrigido e com juros – opinião do professor). Aplica-se
subsidiariamente o art. 475-R. Aplicam-se subsidiariamente ao cumprimento da sentença,
no que couber, as normas que regem o processo de execução de título extrajudicial.
Art. 745-A. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exeqüente e comprovando
o depósito de 30% (trinta por cento) do valor em execução, inclusive custas e honorários de
advogado, poderá o executado requerer seja admitido a pagar o restante em até 6 (seis)
parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e juros de 1% (um por cento) ao mês.
§ 1º Sendo a proposta deferida pelo juiz, o exeqüente levantará a quantia depositada e serão
suspensos os atos executivos; caso indeferida, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o
depósito.
§ 2º O não pagamento de qualquer das prestações implicará, de pleno direito, o vencimento
das subseqüentes e o prosseguimento do processo, com o imediato início dos atos
executivos, imposta ao executado multa de 10% (dez por cento) sobre o valor das prestações
não pagas e vedada a oposição de embargos.
11) Penhora
11.1) Conceito
É a vinculação/adstrição de um bem do patrimônio do devedor a um processo de execução.
Distinção de penhora e penhor:
• Penhora – instituto de direito processual; é uma medida executiva; quando o bem for
objeto de penhora, o bem está “penhorado”.
• Penhor – instituto de direito material; é um contrato que dá origem a um direito real de
garantia; quando o bem é objeto de penhor, o bem está “empenhado” ou “apenhado”.
Distinção de auto do termo de penhora:
• Auto de penhora – é lavrado pelo oficial de justiça.
• Termo de penhora – é lavrado pelo escrivão (quando pede a substituição de um bem
por outro e é deferido pelo Juiz deve ter um termo de penhora).
11.2) Preferência
A penhora gera o direito de preferência, que permite ao credor que primeiro obteve a
penhora do bem receber em primeiro lugar.
Art. 612 - Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso
universal (art. 751, III), realiza-se a execução no interesse do credor, que adquire, pela
penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.
Art. 613 - Recaindo mais de uma penhora sobre os mesmos bens, cada credor conservará o
seu título de preferência.
11.3) Bens impenhoráveis
Podem ser de 2 tipos:
• Absolutamente impenhoráveis – são aqueles que não podem ser penhorados em
nenhuma hipótese. E eles estão previstos no artigo 649 do CPC.
Art. 649 - São absolutamente impenhoráveis:
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;
(todo bem inalienável é impenhorável, pois, se ele não pode ser vendido e a penhora
vai resultar na venda do bem, não há como penhorar. Mas nem todo bem impenhorável
é inalienável. Ex.: bem de família, que é impenhorável, mas não pode ser vendido);
II - os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência do
executado, salvo os de elevado valor ou que ultrapassem as necessidades comuns
correspondentes a um médio padrão de vida; (ex.: fogão, geladeira... todavia desde
que não seja de elevado valor, mas a lei não define o que é de elevado valor, é um
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conceito legal indeterminado, o juiz que irá determinar no caso concreto o que é de
elevado valor. Se for uma televisão comum a jurisprudência é divergente. A doutrina
recomenda a utilização do critério da essencialidade, ou seja, o bem é indispensável à
sobrevivência do devedor? Se for, o bem é impenhorável. Se não for, o bem é
penhorável);
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de
elevado valor; (Ex.: um relógio é impenhorável... salvo se for um relógio de ouro, por
exemplo);
IV - os vencimentos (verbas de servidor público investido em cargo público), subsídios
(verbas que recebem os agentes políticos, magistrados...), soldos (verba que recebe o
militar), salários, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e
montepios; as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento
do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de
profissional liberal, observado o disposto no § 3 o deste artigo; (não tem limite quanto a
impenhorabilidade do salário. Os honorários do profissional liberal também é
impenhorável. Mas para todos estes casos há uma exceção para pagamento de
alimentos/pensão alimentícia. Só são impenhoráveis enquanto eles tiverem a
característica salarial, ou seja, se o devedor depositar todo o salário em uma poupança,
ou ficar parado na conta durante muito tempo, o salário passa a ser penhorável);
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros
bens móveis necessários ou úteis ao exercício de qualquer profissão; (ex.: livros do
advogado, computador do arquiteto, táxi do taxista... Os bens só são impenhoráveis se
forem necessários ao exercício de uma profissão, que só pode ser exercido por pessoa
física, ou seja, não pode ser pessoa jurídica, se não o bem deixa de ser instrumento de
trabalho para o exercício de uma profissão, passando a ser o bem penhorável. Aplica-
se esse inciso excepcionalmente às micro empresas. A sala que o
advogado/médico/etc. compra para trabalhar é suscetível de penhora, pois o inciso
trata de bens móveis).

20/05/2009 - quarta-feira

VI - o seguro de vida; (tem a destinação/finalidade de propiciar a subsistência de uma


pessoa. Tem limite de valor? Não há qualquer limitação valorativa);
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem
penhoradas; (o acessório segue o principal, se a obra é impenhorável, o material da
obra também é; todavia se a obra é de um bem penhorável, os materiais podem ser
penhorados);
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela
família; (o próprio bem de família é impenhorável. Mas se a parte abriu mão do bem
em algum documento, como por exemplo, em hipoteca, o bem passa a ser
penhorável);
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória
em educação, saúde ou assistência social; (ex.: um hospital particular que receba uma
verba mensal do SUS, para atender um determinado número de pessoas pelo SUS,
essa verba que é repassada não pode ser penhorada);
X - até o limite de 40 (quarenta) salários mínimos, a quantia depositada em caderneta
de poupança. (independe se estão distribuídos em várias cadernetas de poupança, o
valor total impenhorável é de 40 salários mínimos. A interpretação deve ser extensiva
para contemplar também eventuais outras aplicações financeiras, desde que estejam
limitadas a 40 vezes o salário mínimo. O que ultrapassar os 40 salários mínimos pode
ser penhorado);
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos, nos termos da lei, por partido
político. (não tem muita aplicação na prática. Tem cunho político.).
§ 1º A impenhorabilidade não é oponível à cobrança do crédito concedido para a
aquisição do próprio bem.
Art. 1º, Lei nº 8.009/90 bem destinado a moradia da família/casal é impenhorável. E
o bem destinado a moradia de uma pessoa solteira/viúva/separada? A jurisprudência
entende que é impenhorável, mas o STJ, na Súmula 364 entende que o bem de uma
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pessoa solteira/viúva e etc. não pode ser penhorado, tendo em vista o princípio da
dignidade da pessoa humana. O bem de família é impenhorável, mas para pagamento
de pensão alimentícia o bem de família pode ser penhorado, para pagamento de
impostos relativos ao imóvel, a dívida de condomínio também autoriza a penhora do
bem de família (art. 1.715, CC)
• Relativamente impenhoráveis – são aqueles que em princípio não podem ser
penhorados, mas na falta de outros bens a serem penhorados, eles poderão ser
penhorados.
Art. 650. Podem ser penhorados, à falta de outros bens, os frutos e rendimentos dos
bens inalienáveis, salvo se destinados à satisfação de prestação alimentícia.
11.4) Ordem de Gradação
O Oficial não pode fazer a penhora de forma aleatória, pois a Lei define uma ordem de
preferência para realização da penhora de bens.
Esta ordem não se trata de uma ordem absoluta/imutável tem entendo o STJ que esta ordem
pode ser relativizada pelo Juiz no caso concreto, desde que de forma fundamentada.
Art. 655. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem:
I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; (pois, esta é
uma cobrança de quantia. Pode ser em espécie ou aplicação financeira/banco).
II - veículos de via terrestre;
III - bens móveis em geral;
IV - bens imóveis;
V - navios e aeronaves;
VI - ações e quotas de sociedades empresárias;
VII - percentual do faturamento de empresa devedora;
VIII - pedras e metais preciosos;
IX - títulos da dívida pública da União, Estados e Distrito Federal com cotação em mercado;
X - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado;
XI - outros direitos.
11.5) Penhora on line
Consiste na possibilidade de serem bloqueados por meio eletrônico valores que estão
depositados em instituição bancária pelo devedor. Está prevista no artigo 655-A. É feita por
um sistema informatizado, chamado “BACEN JUD”. O juiz recebe do tribunal uma senha, para
acessar o sistema, e consegue obter informações sobre o saldo do devedor que estão
depositados em instituições bancárias, e também consegue bloquear valores que estão em
poder do banco.
Problemas do sistema “Bacen Jud”:
- Não bloqueia apenas uma conta do devedor, e sim todas as contas. O CNJ (Conselho
Nacional de Justiça) editou uma resolução que as sociedades empresárias interessadas na
matéria, podem cadastrar apenas uma conta para o bloqueio. Caso não possua saldo nessa
conta, pode bloquear as demais.
- Na justiça estadual, a ordem de bloqueio só vale para aquele dia, se não tem dinheiro
naquele dia, tem que ficar pedindo o bloqueio até que tenha dinheiro, se entrar dinheiro
depois o valor não é bloqueado automaticamente – na Justiça do trabalho é diferente, quando
entra o dinheiro o “Bacen” já bloqueia, independente do dia que pediu o bloqueio.
Art. 655-A. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira, o
juiz, a requerimento do exeqüente, requisitará à autoridade supervisora do sistema bancário,
preferencialmente por meio eletrônico, informações sobre a existência de ativos em nome do
executado, podendo no mesmo ato determinar sua indisponibilidade, até o valor indicado na
execução.
 A penhora on line em princípio é só para dinheiro, mas tem um novo sistema que já
permite a restrição de automóveis, que é o “RENA JUD”.
11.6) Procedimento da penhora
Art. 659. A penhora deverá incidir em tantos bens quantos bastem para o pagamento do
principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios. (se o devedor não pagar, o
Oficial vai fazer a penhora de bens);
§ 1º Efetuar-se-á a penhora onde quer que se encontrem os bens, ainda que sob a posse,
detenção ou guarda de terceiros. (permite a penhora de bens do devedor que estão em poder
de terceiros. Esse terceiro poderá ser até mesmo uma autoridade pública. Ex.: carro que está
apreendido pelo Detran);
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§ 2º - Não se levará a efeito a penhora, quando evidente que o produto da execução dos bens
encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução. (é uma
exteriorização do princípio do menor sacrifício possível do devedor. Se o valor não for capaz e
pagar nem se quer as custas do processo, assim, a penhora pode deixar de ser realizada);
§ 3º - No caso do parágrafo anterior e bem assim quando não encontrar quaisquer bens
penhoráveis, o oficial descreverá na certidão os que guarnecem a residência ou o
estabelecimento do devedor. (é dever do Oficial de justiça descrever no verso do mandado os
bens que ele encontrou na casa do devedor, por que quem vai exercer o controle, se os bens
podem ou não ser penhorados é o Juiz e não o Oficial. Mas, na prática, a maioria dos Oficiais
não cumprem tal determinação, todavia a parte pode requerer que o mandado seja devolvido
para Oficial para que ele cumpra esse parágrafo);
11.7) Ordem de arrombamento (art. 660 e 661)
O Oficial de justiça não pode arrombar de plano as portas e janelas da residência do devedor.
Se a casa estiver fechada ele deve informar ao Juiz, e pedir o arrombamento. Se o juiz deferir
a ordem de arrombamento, sempre dois oficiais de justiça irão cumpri-la (sob pena de
nulidade do ato processual, se for cumprido por apenas 1 Oficial. Para garantir que não haja
excessos, um oficial fiscalize o outro), também devem acompanhar a diligência 2
testemunhas. Na prática o juiz determina que a força policial acompanhe os Oficiais na
diligência.
11.8) Concretização da penhora
A penhora é concretizada mediante a prática da apreensão e o depósito do bem (art. 664).
A apreensão pode ser de 2 tipos:
• Direta – o bem é retirado da esfera de posse do devedor.
• Indireta – é aquela que ocorre apenas no plano jurídico, no caso de apreensão indireta
o bem não é retirado da esfera de posse do devedor. Ex.: O bem é penhorado, mas o
Oficial deixa como depositário o próprio devedor.
Antes da reforma a regra era a preensão indireta. Mas, depois da reforma, a regra geral é a
apreensão direta do bem.
O depósito:
Quem vai nomear o depositário do bem é o Oficial de Justiça. Obviamente essa nomeação
está subordinada a um controle judicial.
Quem vai ser o depositário? Em regra, é que fique como depositário um particular (pode ser
pessoa jurídica também, mas tem que ter alguém que responda). Pode ser o credor, o vizinho
do credor e etc., o devedor só poderá ser depositário do bem se o credor permitir, ou quando
os bens forem de difícil remoção. O depositário pode ser remunerado, se for o credor não (art.
148 e 149). A pessoa pode se recusar a ser depositário, ninguém é obrigado.
 Depositário – art. 665, IV e 666 CPC.
Art. 665 - O auto de penhora conterá: IV - a nomeação do depositário dos bens.
Art. 666. Os bens penhorados serão preferencialmente depositados:
I - no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal, ou em um banco, de que o Estado-
Membro da União possua mais de metade do capital social integralizado; ou, em falta de tais
estabelecimentos de crédito, ou agências suas no lugar, em qualquer estabelecimento de
crédito, designado pelo juiz, as quantias em dinheiro, as pedras e os metais preciosos, bem
como os papéis de crédito;
II - em poder do depositário judicial, os móveis e os imóveis urbanos;
III - em mãos de depositário particular, os demais bens (REGRA GERAL).
§ 1º Com a expressa anuência do exeqüente ou nos casos de difícil remoção, os bens
poderão ser depositados em poder do executado.
§ 2º As jóias, pedras e objetos preciosos deverão ser depositados com registro do valor
estimado de resgate.
§ 3º A prisão de depositário judicial infiel será decretada no próprio processo,
independentemente de ação de depósito.
 Prisão do depositário infiel
Depositário infiel é quem deu um “sumiço” no bem penhorado, ou seja, foi intimado para
apresentar o bem e não apresenta. Ele estava sujeito a pena de prisão civil (com prazo de até
1 ano). Mas o STF com sua nova composição inverteram por completo esse entendimento,
sendo pacificado que a prisão do depositário infiel é inconstitucional (Rext. 466.343-SP).
Como que algo que está na constituição é considerado inconstitucional? O art. 5º da CF no §2º

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diz que os direitos e garantias que estão previstos no art. 5º não excluem outros direitos e
garantias fundamentais que decorram dos tratados internacionais que o Brasil seja signatário.
E o Brasil assinou um tratado internacional de direitos humanos (Pacto São José da Costa Rica
– que foi inserido pelo Dec. 678/92). E neste decreto só há a previsão de prisão civil para o
devedor de alimentos. Sendo assim, a prisão do depositário infiel seria considerada
inconstitucional. Para fundamentar também foi adotada a teoria do bloco de
constitucionalidade que diz que os Tratados internacionais têm status de norma
constitucional.
O professor acha que isso é uma “balela”, pois dá carta branca para todo o devedor que é
depositário de um bem fazer o que quer com o bem, pois não tem punição civil (está sujeito
ao crime do art. 179, CP – fraude de execução. Mas vai apresentar alguns problemas, pois é
pena de detenção, ou seja, o delegado pode arbitra fiança; prevê pena de detenção de 6
meses a 2 anos, ou seja, enquadra-se em crimes de juizado especiais, cabendo transação
penal, composição civil, suspensão condicional do processo...; e somente se procede
mediante queixa).
Todavia, a matéria está pacificada e os juízes têm mandado soltar todos os depositários
infiéis.

26/05/2009 - terça-feira

11.9) Segunda penhora


A regra geral é a realização de uma única penhora na execução. No entanto nas hipóteses
previstas no 667 do CPC, autorizou-se a realização de uma nova penhora.
Art. 667 - Não se procede à segunda penhora, salvo se:
I - a primeira for anulada; (Ex.: foi penhorado em de família, ou qualquer outro bem
impenhorável)
II - executados os bens, o produto da alienação não bastar para o pagamento do credor; (é a
mais comum na prática. É quando os bens penhorados não são suficientes para atender o
crédito exeqüendo)
III - o credor desistir da primeira penhora, por serem litigiosos os bens, ou por estarem
penhorados, arrestados ou onerados. (o credor não é obrigado a aceitar a penhora de um
bem que já está penhorado, ou que tenha algum gravame – ex.: hipoteca)
11.10) Substituição do bem penhorado
O CPC contempla basicamente 2 institutos para substituição do bem penhorado (arts. 668 e
656).
 Um deles está no art. 668
• Só pode ser utilizado pelo executado;
• Prazo de 10 dias para pedir a substituição do bem, contados a partir da data da
intimação da penhora;
• Os pressupostos/requisitos, que são dois: a substituição deve ser menos gravosa pelo
devedor (já é inerente ao próprio pedido, pois o devedor que vai pedir, ou seja,
obviamente vai pedir algo menos gravoso para si mesmo) e a substituição não pode
acarretar qualquer prejuízo para o credor.
Art. 668. O executado pode, no prazo de 10 (dez) dias após intimado da penhora, requerer a
substituição do bem penhorado, desde que comprove cabalmente que a substituição não
trará prejuízo algum ao exeqüente e será menos onerosa para ele devedor (art. 17, incisos IV
e VI, e art. 620).
Parágrafo único. Na hipótese prevista neste artigo, ao executado incumbe:
I - quanto aos bens imóveis, indicar as respectivas matrículas e registros, situá-los e
mencionar as divisas e confrontações;
II - quanto aos móveis, particularizar o estado e o lugar em que se encontram;
III - quanto aos semoventes, especificá-los, indicando o número de cabeças e o imóvel em
que se encontram;
IV - quanto aos créditos, identificar o devedor e qualificá-lo, descrevendo a origem da dívida,
o título que a representa e a data do vencimento; e
V - atribuir valor aos bens indicados à penhora.
 E o outro está no art. 656:

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• Pode ser utilizado tanto pelo executado, como pelo exeqüente;
• Não há fixação de lapso temporal para que seja utilizado esse artigo como forma de
substituição do bem penhorado;
• O pressuposto/requisito (critério é de taxatividade), se a situação se enquadrar em um
dos incisos do art. 656.
Art. 656. A parte poderá requerer a substituição da penhora:
I - se não obedecer à ordem legal;
II - se não incidir sobre os bens designados em lei, contrato ou ato judicial para o pagamento;
III - se, havendo bens no foro da execução, outros houverem sido penhorados;
IV - se, havendo bens livres, a penhora houver recaído sobre bens já penhorados ou objeto de
gravame;
V - se incidir sobre bens de baixa liquidez;
VI - se fracassar a tentativa de alienação judicial do bem; ou
VII - se o devedor não indicar o valor dos bens ou omitir qualquer das indicações a que se
referem os incisos I a IV do parágrafo único do art. 668 desta Lei.
§ 1º É dever do executado (art. 600), no prazo fixado pelo juiz, indicar onde se encontram os
bens sujeitos à execução, exibir a prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão
negativa de ônus, bem como abster-se de qualquer atitude que dificulte ou embarace a
realização da penhora (art. 14, parágrafo único).
§ 2º A penhora pode ser substituída por fiança bancária ou seguro garantia judicial, em valor
não inferior ao do débito constante da inicial, mais 30% (trinta por cento).
§ 3º O executado somente poderá oferecer bem imóvel em substituição caso o requeira com
a expressa anuência do cônjuge.
11.11) Intimação da penhora (****PROVA****)
Feita a penhora algumas pessoas deverão ser intimadas:
• A primeira pessoa é o próprio devedor (art. 652, §1º, CPC), ele é intimado para
querendo requerer a substituição do bem penhorados, no CPC. Mas na Lei de Execução
Fiscal (6830/80), ele é intimado para querendo apresentar embargos à execução.
• A segunda pessoa a ser intimada é o cônjuge do executado (o cônjuge NÃO é citado, é
intimado), mas somente se a penhora recair sobre bem imóvel. Se o cônjuge, pela
doutrina e jurisprudência, tiver se casado com o regime da separação de bens a
intimação é dispensável.
• A terceira pessoa é o terceiro proprietário do bem penhorado, não há artigo na Lei a
respeito disso, é construção doutrinária e jurisprudencial.
• E por fim, o terceiro credor com garantia real (art. 615, II, CPC).
11.12) Alienação antecipada
A regra geral é a de que os bens do devedor só serão alienados/vendidos após a fase de
avaliação. Mas o CPC no art. 660 estabeleceu algumas hipóteses nas quais é possível realizar-
se a alienação antecipada.
Art. 670 - O juiz autorizará a alienação antecipada dos bens penhorados quando:
I - sujeitos a deterioração ou depreciação; (ex.: penhora de alimentos perecíveis de um
supermercado)
II - houver manifesta vantagem. (ex.: foi penhorada uma sala comercial no valor de 40 mil
reais, aparece um advogado que tem uma sala ao lado desta e quer ampliar o seu escritório e
oferece 45 mil).
Parágrafo único - Quando uma das partes requerer a alienação antecipada dos bens
penhorados, o juiz ouvirá sempre a outra antes de decidir.
Requerida a alienação o juiz mandará ouvir a parte contrária. Trata-se de uma manifestação
do princípio do contraditório.
 Determinação ex officio – poderia o juiz determinar de oficio essa venda antecipada? Se
partir da literalidade do §ú do art. 670, não poderia, pois ele faz referência ao “requerimento
de parte”. No entanto, há outro artigo 1.113, que autoriza expressamente que o juiz de ofício
determine a alienação antecipada.
Art. 1.113 - Nos casos expressos em lei e sempre que os bens depositados judicialmente
forem de fácil deterioração, estiverem avariados ou exigirem grandes despesas para a sua
guarda, o juiz, de ofício ou a requerimento do depositário ou de qualquer das partes, mandará
aliená-los em leilão.

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27/05/2009 - quarta-feira

EXERCÍCIO DE REVISÃO – SERVIRÃO COMO BASE PARA O ESTUDO PARA A PROVA.

02/06/2009 - terça-feira

11.13) Penhoras especiais


É aquela que apresenta particularidades/especificidades em relação às demais penhoras.
Existem 2 tipos que são as mais importantes (existem outras também, ex: de crédito e título
de crédito):
• Penhora no rosto dos autos: representa a possibilidade de serem penhorados os
direitos que vão decorrer de uma ação que foi ajuizada pelo devedor. É feita mediante
o registro/averbação da constrição na capa ou na contracapa (2ª capa) dos autos. Está
prevista no art. 674
Art. 674 - Quando o direito estiver sendo pleiteado em juízo, averbar-se-á no rosto dos
autos a penhora, que recair nele e na ação que Ihe corresponder, a fim de se efetivar
nos bens, que forem adjudicados ou vierem a caber ao devedor.
Ex.: João ajuizou ação de execução de um cheque em face de Pedro, todavia Pedro não
possui nenhum bem. Então essa ação será suspensa na forma do art. 791, III, CPC. Mas,
Pedro no momento em que ia entrar no banco foi revistado de forma
vexatória/vergonhosa, provocando em Pedro um dano moral. Motivo pelo qual Pedro
ajuizou uma ação de indenização em face do Banco. Se Pedro sair vitorioso na ação, ele
vai receber uma importância. A penhora no rosto dos autos é a possibilidade de, na
ação de execução, penhorar os direitos que vão decorrer de outra ação, que é a de
indenização em face do Banco.
• Penhora de cotas sociais: no passado consistia matéria divergente na doutrina e na
jurisprudência. Mas desde a década de 70 com a obra do doutrinador Requião, a
doutrina passou a admitir a penhora de cotas sociais. Ela é realizada mediante
averbação da constrição na junta comercial, que é uma autarquia (tem natureza
híbrida, que significa que quanto ao direito empresarial a junta comercial
respeita/observa nas normas Federais, mas administrativamente a junta comercial se
subordina às normas Estaduais/locais – *cai muito em CONCURSO*).
12) Avaliação
12.1) Contextualização
Antes da reforma do CPC a regra geral era que a avaliação era feita pelo perito avaliador.
Depois da reforma, a regra geral foi completamente invertida, de modo que, hoje quem faz a
avaliação, regra geral, é o Oficial de Justiça (art. 143, V, CPC).
Art. 143 - Incumbe ao oficial de justiça: V - efetuar avaliações.
No entanto, havendo necessidade de conhecimento especializado será nomeado um perito
para avaliar o bem (ex.: se for penhorado um produto químico).
12.2) Dispensa da avaliação
A regra geral é a da avaliação ser dispensada, pois quem a realiza é o próprio oficial de
justiça. De qualquer forma o legislador quis esclarecer outras hipóteses em que a avaliação
também é dispensável.
Art. 684 - Não se procederá à avaliação se:
I - o exeqüente aceitar a estimativa feita pelo executado (art. 668, parágrafo único, inciso V);
II - se tratar de títulos ou de mercadorias, que tenham cotação em bolsa, comprovada por
certidão ou publicação oficial; (apresentar a certidão da CVM – comissão de valores
mobiliários. As ações costumam oscilar de valor, por isso a certidão deverá referir ao dia
imediatamente anterior ao referido edital de venda).
III - (Revogado pela Lei n° 11.382, de 06.12.06).
12.3) Laudo de avaliação
Deve ser apresentado no prazo de até 10 dias, isso se for feito pelo perito avaliador. Se for
feito pelo Oficial de Justiça deve ser apresentado junto com o auto de penhora. Pode ser feito
pelo:
• Oficial de justiça – vai integrar o próprio auto de penhora.

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• Perito avaliador – será apresentado em apartado, no prazo de 10 dias.
Este laudo deve conter:
Art. 681. O laudo da avaliação integrará o auto de penhora ou, em caso de perícia (art. 680),
será apresentado no prazo fixado pelo juiz, devendo conter:
I - a descrição dos bens, com os seus característicos, e a indicação do estado em que se
encontram; (esta descrição deve ser bem detalhada);
II - o valor dos bens.
Parágrafo único. Quando o imóvel for suscetível de cômoda divisão, o avaliador, tendo em
conta o crédito reclamado, o avaliará em partes, sugerindo os possíveis desmembramentos.
12.4) Repetição da avaliação
Regra geral, somente é feita uma única avaliação, pelo custo. Mas em hipóteses especiais, o
legislador permitiu a repetição da avaliação:
Art. 683. É admitida nova avaliação quando:
I - qualquer das partes argüir, fundamentadamente, a ocorrência de erro na avaliação ou dolo
do avaliador; (erro – falsa percepção da realidade, ex.: avaliou o bem errado; dolo – é o
expediente intencional/malicioso, é conluio que se estabeleceu do avaliador com uma das
partes)
II - se verificar, posteriormente à avaliação, que houve majoração ou diminuição no valor do
bem; ou
III - houver fundada dúvida sobre o valor atribuído ao bem (art. 668, parágrafo único, inciso
V). (é a única hipótese em que não ocorreu a avaliação pelo Oficial de Justiça/perito, e sim
pelo próprio devedor, quando ele pede a substituição do bem penhorado, ela vai dar um valor
para o bem, por exemplo.)
12.5) Redução e ampliação da penhora
Feita a avaliação a penhora pode ser reduzida ou ampliada.
Art. 685 - Após a avaliação, poderá mandar o juiz, a requerimento do interessado e ouvida a
parte contrária:
I - reduzir a penhora aos bens suficientes, ou transferi-la para outros, que bastem à execução,
se o valor dos penhorados for consideravelmente superior ao crédito do exeqüente e
acessórios;
Il - ampliar a penhora, ou transferi-la para outros bens mais valiosos, se o valor dos
penhorados for inferior ao referido crédito (é o chamado reforço de penhora).
Parágrafo único. Uma vez cumpridas essas providências, o juiz dará início aos atos de
expropriação de bens.

03/06/2009 - quarta-feira

12.6) Início dos atos expropriatórios


Art. 685, § ú, CPC – Uma vez cumpridas essas providências, o juiz dará início aos atos de
expropriação de bens.
13) Expropriação
O CPC aceita 4 mecanismos de expropriação, que são:
• Adjudicação – arts. 685-A e 685-B;
• Alienação por iniciativa particular – art. 685-C;
• Alienação em hasta pública (leilão ou praça) – arts. 686 e ss.;
• Usufruto (menos utilizado – não vai ser estudado a fundo) – art. 716 – 724 do CPC;
14) Adjudicação
Primeiro mecanismo de expropriação.
14.1) Conceito
A adjudicação ocorre quando o credor aceita o bem que foi objeto de penhora como forma de
pagamento. A adjudicação é realizada pelo valor de avaliação (a adjudicação não quita ao
débito se o valor do bem for menor do que o valor devido). A adjudicação não se confunde
com a chamada adjudicação compulsória (é uma ação prevista o Dec.-Lei 58/37, em que o
promitente devedor não outorga a escritura pública).
14.2) Cabimento
No passado havia intensa polêmica na doutrina e na jurisprudência sobre o cabimento da
adjudicação (parte da doutrina dizia que a adjudicação só cabia em bens imóveis, e outra

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parte entendia que poderia ser em bem móvel ou imóvel). Hoje em dia o legislador deixou
claro que se admite a adjudicação dos bens imóveis e móveis.
Art. 685-A. É lícito ao exeqüente, oferecendo preço não inferior ao da avaliação, requerer lhe
sejam adjudicados os bens penhorados. (não diz imóvel ou móvel, por isso, se aceitam os
dois).
14.3) Legitimidade para adjudicar
Quem possui legitimidade para adjudicar os bens?
• A primeira pessoa é o próprio credor exeqüente;
• Os credores concorrentes que tem execução proposta;
• Credor hipotecário;
• Cônjuge;
• Descendente; e
• Ascendente;
Havendo mais de um interessado em adjudicar o bem será procedida uma espécie de
licitação. Vai ser analisado quem dá o maior lance. Se eles estiverem em igualdade de
condições (todos querem pagar o mesmo valor) é a ordem que está acima.
14.4) Documentação da adjudicação
Como é requerida a adjudicação? Ela é requerida por meio de simples petição. Regra geral, o
juiz defere essa adjudicação, por meio de um despacho. Deferida a adjudicação, o pessoal do
Cartório vai ter que lavrar um documento que é chamado de Auto de Adjudicação, este auto
vai ser assinado pelo Juiz, pelo escrivão, e pelo exeqüente, e se presente pelo executado
(devedor), mas esta última assinatura é dispensável. No momento que assinou o documento
a adjudicação está finalizada (perfeita, acabada e irretratável).
Se for bem móvel: o Cartório tem que expedir uma ordem judicial, que é um mandando de
entrega (além de ser lavrado o auto de adjudicação).
Mas, se se tratar de bem imóvel, será expedido uma carta de adjudicação (além de ser
lavrado o auto de adjudicação), para viabilizar o registro no RGI. Esta carta vai conter os
seguintes documentos (art. 685-B, §ú, CPC): descrição do imóvel, com referência a sua
matrícula (como se fosse o CPF dos imóveis, é o primeiro registro dos imóveis) e registros, a
cópia do auto de adjudicação e a prova de quitação do imposto de transmissão (não é IPTU. É
o ITBI – imposto de transmissão de bens imóveis – é Municipal).
Art. 685-B. A adjudicação considera-se perfeita e acabada com a lavratura e assinatura do
auto pelo juiz, pelo adjudicante, pelo escrivão e, se for presente, pelo executado, expedindo-
se a respectiva carta, se bem imóvel, ou mandado de entrega ao adjudicante, se bem móvel.
Parágrafo único. A carta de adjudicação conterá a descrição do imóvel, com remissão a sua
matrícula e registros, a cópia do auto de adjudicação e a prova de quitação do imposto de
transmissão.
- Na prática, alguns cartórios expedem a carta de adjudicação no caso de adjudicação de
automóveis, para facilitar a transferência no Detran, mesmo o automóvel não sendo bem
imóvel.
15) Alienação por iniciativa particular
15.1) Conceito
Trata-se de mais uma forma de expropriação. A venda do bem que foi penhorado será
realizada pelo próprio exeqüente, ou por um corretor credenciado perante o Juízo. É uma
novidade da reforma.
15.2) Condições da alienação
Qual o valor mínimo? É o valor da avaliação.
Quem vai estipular as condições da venda (se pode parcelar, em quantas vezes...) é o
Magistrado, em despacho. Feita a venda será lavrado um documento pelo Cartório, que é
chamado de termo de alienação. Se for bem móvel, além de expedir o termo de alienação,
terá que ser expedido um mandado de entrega, se se tratar de bem imóvel, além de expedir
o termo de alienação, (não se expede carta de adjudicação) se expede carta de alienação
(contendo os mesmos documentos da carta de adjudicação).
16) Alienação/Arrematação em hasta pública (gênero. As espécies são o leilão e a
praça)
16.1) Conceito
Trata-se de mais uma forma de expropriação de bens. Mas neste caso a
iniciativa/responsabilidade da venda pertence ao próprio Estado-juiz, em leilão ou praça.
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09/06/2009 - terça-feira

16.2) Natureza jurídica


Existem 3 correntes:
• Contrato de compra e venda – não foi admitida. Pois não há os requisitos da compra e
venda.
• Ato executivo (Humberto Teodoro Junior) – ato de imposição estatal.
• Negócio jurídico processual (Luiz Rodrigues Wambier) – pois, muito embora não
precisemos do consentimento do executado, precisamos do consentimento do
arrematante, por isso estamos tratando de um negócio jurídico.
16.3) Hasta pública
São espécies de hasta pública o leilão e a praça.
• Leilão – venda de bens móveis. É realizado pelo leiloeiro de livre indicação do credor
(art. 706). É realizado no local onde estiverem os bens ou onde o Juiz designar (art.
686, §2º);
• Praça – venda de bens imóveis. É realizada por serventuário da justiça. É realizada no
átrio/corredor/pátio do Fórum.
16.4) Generalidades
 Pagamento – pode ser feito de 2 maneiras:
• À vista, no ato;
• A prazo – o prazo para realização do pagamento será de 15 dias (art. 690). Vai ter que
prestar uma caução/garantia (hipoteca, penhor, fiança...).
 Arrematação pelo Exeqüente – o credor pode comparecer no local e arrematar o bem, e
arrematando, em princípio, não vai ter que depositar/fazer o pagamento do preço. Todavia, se
o bem for arrematado por um valor superior ao da execução, aí sim, tem que depositar a
diferença (art. 690-A, §ú).
 Valor mínimo do lance/lanço – vão ser realizadas 2 praças ou 2 leilões. Na 1ª praça ou
no 1º leilão, o valor mínimo é o valor de avaliação. Se ninguém aparecer ao leilão ou à praça
(será lavrado um auto negativo), entre os 10 ou 20 dias seguintes será realizado uma 2ª
praça ou 2º leilão, o bem poderá ser vendido por qualquer valor, exceto preço vil. Sobre preço
vil, existem 2 correntes:
• Objetiva (Nelson Nery) – preço vil é aquele que não excede 60% do valor da avaliação.
• Subjetiva (DOMINANTE – STJ) – não estipula um percentual, o conceito será apreciado
no caso concreto.
16.5) Documentação da arrematação – o cartório vai fazer um auto de arrematação, e se
se tratar de bem móvel vai ser expedido um mandado de entrega, em se tratando de bem
imóvel, vai ser expedida a carta de arrematação (para fazer o registro no RGI).
17) Execução por quantia certa pautada em título judicial
17.1) Estrutura do rito
Protocolada a petição, por exemplo, de uma ação de indenização por dano moral  vai para o
procedimento comum (ordinário ou sumário – art. 272)  vai ter uma AIJ (audiência de
Instrução e Julgamento – arts. 444 – 457)  Sentença condenatória ao pagamento de
R$10.000 (dez mil reais) – processo sincrético, não precisa de outra ação (execução)  O
devedor terá o prazo de 15 dias para realizar o pagamento, sob pena de incidir multa de 10%
do valor da condenação (na execução de título extrajudicial o prazo é de 3 dias)  Pode
acontecer 2 situações:
 O devedor realiza o pagamento – sentença art. 794, I, 795, c/c 475-R do CPC, e o
processo vai para o arquivo;
 O devedor não realiza o pagamento (mais comum) – haverá incidência da multa de
10% do valor da condenação. Pode ocorrer 2 situações:
→ O credor não requer a execução (sabe que o devedor não tem bens, não
sabe onde o devedor está...) – o juiz mandará arquivar os autos após 6
meses (art. 475-J, §5º, CPC). Indo para o arquivo o credor pode pedir o
desarquivamento, mas tem que pagar as custas processuais (não é prazo
de prescrição);
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→ O credor requer a execução – é uma simples petição (pois é processo
sincrético). Será expedido mandado de penhora e avaliação (alguns juízes
determinam, de plano, a penhora “on line”). Será realizada a penhora de
bens do devedor e a respectiva avaliação (e tudo que foi estudado sobre
penhora cabe aqui também – art. 143, V). O devedor será intimado na
pessoa do seu advogado (não é intimação pessoal), para, querendo,
apresentar impugnação (o meio de defesa não é embargos à execução,
como no título extrajudicial) no prazo de 15 dias (poderá alegar somente
as matérias previstas no art. 475-L do CPC praticamente todas são
posteriores à sentença, a única matéria anterior à sentença é o defeito ou
ausência de citação). Apresentada a impugnação o juiz tem que preferir
uma decisão:
o Se o juiz acolher a impugnação do devedor e extinguir a execução,
ele profere uma sentença, que sabe apelação;
o Se o juiz rejeitar a impugnação, o juiz profere uma decisão, que
cabe agravo.  Prosseguimento da execução (art. 475-R) – pode
pedir a realização dos atos expropriatórios.
17.2) Polêmicas sobre o rito (principais)
 Contagem do prazo de 15 dias (a mais importante) – a partir de quando é computado
esse prazo. Existem 3 correntes (a jurisprudência é totalmente divergente. Há uma tendência
grande de se adotar a 1ª corrente, do Humberto Theodoro):
→ Humberto Theodoro Junior (uma das turmas do STJ adotou) – que o prazo de 15 dias flui
do trânsito em julgado;
→ Nelson Nery – esse prazo flui a partir da intimação do advogado do devedor (art. 652,
§4º c/c 475-R). É muito ingênua na prática, pois o advogado mal intencionado que
quiser paralisar a execução, basta que ele ao ser intimado protocole uma renúncia ao
mandato, e ele tem que continuar no processo por mais 10 dias, aí o devedor vai ser
intimado para constituir novo advogado, ou seja, outro advogado vai entrar no
processo ser intimado para, aí, começar a contar o prazo de novo, e enquanto isso o
devedor vai ganhando tempo.
→ Des. Alexandre Câmara – diz que o prazo de 15 dias flui da intimação do devedor (art.
240, CPC).
 Incidência da multa – o juiz precisa proferir uma decisão para a multa incidir?
→ Diz que sim, para permitir o manejo do agravo de instrumento;
→ Entendimento dominante é de que não precisa proferir a decisão.
 Natureza jurídica da multa – a multa não tem natureza jurídica de astreintes, pois as
astreintes incidem dia após dia, e tem finalidade coercitiva. Esta multa tem natureza punitiva.
 Aplicação nos juizados – tudo é aplicável nos juizados especiais (Enunciados 97 e 105 do
FONAJE, são no sentido da aplicação do 475-J nos Juizados). Possui 2 particularidades:
→ O prazo de 15 dias é contado do trânsito em julgado; e
→ Com a incidência da multa poderia ultrapassar o valor de 40 salários mínimos.
 Custas e honorários de advogado na fase de cumprimento de sentença – hoje está
pacificado que tem custas processuais (art. 19, CPC). E os honorários?
→ Humberto Theodoro Junior entende que não;
→ O STJ diz que sim, aplicando neste caso o art. 20, §4º do CPC.

16/06/2009 - terça-feira

UNIDADE VII – EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA


1) Generalidades
1.1) Conceito de Fazenda Pública – é a União, os Estados, o Distrito Federal, os
Municípios, as Autarquias e as Fundações públicas. Ex.: INSS – autarquia; FUNAI – fundação de
direito público.
1.2) Execução pela Fazenda Pública – a Fazenda Pública figura como credora/exeqüente.
Ex.: se não paga imposto de renda, se não paga IPVA... O Rito é o da LEF (Lei de Execução

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fiscal – nº 6.830/80) – o devedor/particular é citado para em 5 dias pagar ou garantir a
execução.
1.3) Execução em face da Fazenda Pública – a Fazenda Pública é devedora/executada.
Ex.: se a pessoa for vítima de uma colisão por culpa de uma ambulância do Estado. Segue o
regime dos Arts. 730 e 731 do CPC, e art. 100 da CF. trata-se de uma execução sem penhora,
por isso possui um regime diferenciado. Pois os bens públicos são impenhoráveis. A Fazenda
pública paga suas dívidas pelo regime dos precatórios. O doutrinador Dinamarco sustenta que
a condenação da Fazenda Pública é uma condenação aparente, pois não gera nenhum efeito
prático imediato, uma vez que os bens públicos são impenhoráveis.
1.4) Execução pela Fazenda Pública em face da Fazenda Pública – a Fazenda Pública é
ao mesmo tempo credora e devedora. Ex.: um servidor público municipal de Vila Velha
investido em emprego público (celetista – regido pela CLT), o município tem que recolher a
contribuição a exação previdenciária para o INSS. Se o prefeito criar um lei municipal dizendo
que não tem que pagar mais este valor, o INSS vai cobrar do Município. O INSS vai mover
uma ação em desfavor do Município (neste caso que vai ajuizar é a União, pois o INSS é
somente réu das ações, mas de qualquer sorte, vai ser uma ação proposta por uma fazenda
pública contra uma Fazenda Pública). O regime adotado será o regime do CPC (arts. 730 e
731), após grande divergência na doutrina. Pois os bens públicos são impenhoráveis e não dá
para aplicar o rito da Lei de Execução Fiscal.
1.5) Dispensa de precatório – a regra geral é a de que a Fazenda Pública paga suas
dívidas pelo regime de precatório.
Art. 100, “caput”, CF (regra geral) – À exceção dos créditos de natureza alimentícia, os
pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em virtude de sentença
judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e
à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações
orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim.
Todavia o precatório pode ser dispensado nas hipóteses do §3º deste mesmo artigo, que são
os casos de dívidas de pequeno valor. Mas, o que é uma dívida de pequeno valor?
• Esfera Federal – é aquela que não excede 60 vezes o salário mínimo (art. 17, §1º c/c
art. 3º da Lei 10.259/01).
• Esfera Estadual – é aquela que não excede 40 vezes o salário mínimo (art. 87, inc. I do
ADCT – atos das disposições constitucionais transitórias). É um limite
temporário/provisório, o Estado pode editar uma Lei em sentido diferente, seja para
mais, seja para menos. No ES existe uma Lei Estadual (nº 7674/03) como sendo aquele
que não excede, aproximadamente, R$8.000,00 (oito mil reais).
• Esfera Municipal – é aquela que não excede 30 vezes o salário mínimo (art. 87, inc. II,
do ADCT). É um limite temporário/provisório também, o Município pode editar uma Lei
em sentido diferente, seja para mais, seja para menos.
O pagamento é realizado pela RPV (requisição de pequeno valor), na prática, na esfera
Federal funciona bem, mas na esfera Estadual ou Municipal não funciona muito bem.
Art. 100, § 3°, CF - O disposto no caput deste artigo, relativamente à expedição de
precatórios, não se aplica aos pagamentos de obrigações definidas em lei como de pequeno
valor que a Fazenda Federal, Estadual, Distrital ou Municipal deva fazer em virtude de
sentença judicial transitada em julgado.
2) Questões procedimentais
2.1) Execução por quantia – é uma execução por quantia certa, ou seja, para cobrança em
dinheiro (arts. 730 e 731), se não, será obrigação de dar ou de fazer, que o procedimento é
outro.
2.2) Títulos executivos que embasam a execução em desfavor da Fazenda pública
• Toda doutrina admite a execução com base em título judicial – art. 100, caput, CF.
• Em relação ao título extrajudicial, a matéria é divergente na doutrina:
o Vicente Greco Filho entende que o Título Extrajudicial não permite a execução
contra a Fazenda Pública, pois o art. 100 só fala em título judicial, ou seja, não
se reporta ao título extrajudicial, e entende ainda, que o art. 475, que trata da
remessa necessária em ação contra a fazenda pública, não vai ter eficácia neste
caso, pois a matéria não será analisada novamente, como determina no art. 475.
o Nelson Nery é no sentido da admissibilidade. Pois os argumentos não seriam
suficientes para atrapalhar a execução com base no título extrajudicial. Pois, o
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art. 100 da CF não proíbe a execução de título extrajudicial, e ainda entende que
a matéria poderia ser reexaminada no momento de apresentação dos embargos.
A Jurisprudência tem adotado essa corrente, conforme Súmula 279 do STJ – É
cabível execução por título extrajudicial contra a Fazenda Pública.
2.3) Citação – a Fazenda Pública não é citada para pagar, é citada para, querendo,
apresentar Embargos à Execução.
2.4) Prazo para embargar – O prazo é de:
Art. 730 - Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública, citar-se-á a devedora
para opor embargos em 30 (trinta) dias; (antigamente o prazo era de 10 dias, foi modificado
pela Lei 9494/97).
2.5) Procedimento
Começa por uma ação de execução. Ajuizada esta ação a fazenda pública será citada. Não
apresentados os embargos, ou apresentados, mas julgados improcedentes, o juiz mandará
um ofício para o presidente do Tribunal, sendo oficiado ao presidente do Tribunal, será
formado no tribunal o precatório, e esses precatórios serão pagos de acordo com a ordem
cronológica de apresentação.
Art. 730 - Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública, citar-se-á a devedora
para opor embargos em 30 (trinta) dias; se esta não os opuser, no prazo legal, observar-se-ão
as seguintes regras:
I - o juiz requisitará o pagamento por intermédio do presidente do tribunal competente;
II - far-se-á o pagamento na ordem de apresentação do precatório e à conta do respectivo
crédito.
2.6) Certidão negativa – existia uma Lei nº 11.033/04 que no art. 19 exigia apresentação
de certidão negativa de tributo para pagar o precatório. O Conselho Federal da OAB ajuizou
uma ADI 3453, hostilizando este art. 19, imputando que ele é inconstitucional, e foi julgada
inconstitucional. Então hoje, esta conduta esta ultrapassada e ilegal. Sendo assim, não é
necessária a certidão para que a Fazenda Pública pague os precatórios.
3) Precatório e dívida de natureza alimentar
3.1) Dualidade de ordens – o art. 100, caput, CF, faz uma exceção aos créditos de natureza
alimentar.
Art. 100 - À exceção dos créditos de natureza alimentícia, os pagamentos devidos pela
Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão
exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos
respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos
créditos adicionais abertos para este fim.
A Súmula 655 STF entende que o precatório neste caso (crédito de natureza alimentar) não
é dispensado, o que acontece é que tem 2 ordens de precatórios: “A exceção prevista no art.
100, caput, da Constituição, em favor dos créditos de natureza alimentícia, não dispensa a
expedição de precatório, limitando-se a isentá-los da observância da ordem cronológica dos
precatórios decorrentes de condenações de outra natureza.”
3.2) Crédito de natureza alimentar – o que é crédito alimentar?
Art. 100, § 1º-A – Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de
salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios
previdenciários e indenizações por morte ou invalidez, fundadas na responsabilidade civil, em
virtude de sentença transitada em julgado.
4) Seqüestro – é uma medida judicial prevista no art. 731 do CPC, e que tem cabimento
quando há quebra da ordem de prioridade de pagamento dos precatórios. O seqüestro deve
ser requerido ao presidente do tribunal, e o presidente do tribunal tem que determinar a
oitiva do chefe do Ministério Público.
Art. 731 - Se o credor for preterido no seu direito de preferência, o presidente do tribunal,
que expediu a ordem, poderá, depois de ouvido o chefe do Ministério Público, ordenar o
seqüestro da quantia necessária para satisfazer o débito.

17/06/2009 - quarta-feira

UNIDADE VIII – EXECUÇÃO DA PRESTAÇÃO DE ALIMENTOS


1) Alimentos

ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com


1.1) Generalidades – correspondem a uma prestação indispensável à sobrevivência de uma
pessoa. Existem 2 tipos de alimentos:
• Naturais – corresponde àquele valor que é necessário para a manutenção da vida de
uma pessoa. Inclui-se alimentação, vestuário, transporte...
• Civis – são os destinados à manutenção do padrão de vida da pessoa (do alimentando),
inclui-se lazer e educação. Ex.: se os filhos antes da separação dos pais viajavam 2
vezes por ano, os filhos têm direito ao valor dos alimentos que dê condições para eles
viajarem 2 vezes por ano também.
São obrigados a pagar alimentos os cônjuges (tanto o homem para a mulher, como a mulher
para o homem), os companheiros (que decorre da união estável), e também entre os
parentes (que são os descendentes, os ascendentes e os colaterais de 2º grau, ou seja,
irmãos).
1.2) Disciplina legal – os alimentos estão previstos no CC nos arts. 1694-1710, na Lei de
alimentos (nº 5478/68) e na Lei de alimentos gravídicos (para o nascituro – nº 11.804/08).
O critério de fixação de alimentos está previsto no art. 1694, §1º do CC, está pautado em um
binômio: necessidade do alimentando (quem tem direito aos alimentos) x possibilidade do
alimentante.
Ex.: uma criança com uma doença grave possui uma necessidade muito maior.
Geralmente os alimentos são fixados em torno de 30% da remuneração da pessoa (é o que
sustenta Silvio Rodrigues, não é nada solidificado).
1.3) Tipos de alimentos – classificação processual dos alimentos, que são basicamente 2
tipos:
• Alimentos provisórios e definitivos – são aqueles fixados com base numa ação de
alimentos, que tramita pelo rito previsto na Lei 5478/68. Precisa de uma prova pré-
constituída do parentesco (ex.: certidão de nascimento...). Os alimentos provisórios são
os fixados liminarmente. Já os definitivos são os fixados em sede de sentença.
• Alimentos provisionais ou ad litem (para o litígio) – são aqueles fixados em sede de
ação cautelar de alimentos (art. 852, CPC).
Na prática se houver prova pré-constituída do parentesco deve pleitear os provisórios e
definitivos. Se não houver prova pré-constituída, o ideal é pedir os alimentos provisionais ou
ad litem.
1.4) Prescrição – os alimentos são imprescritíveis. Uma vez ajuizada a ação e fixados os
alimentos (seja de qualquer tipo) daí em diante passa a ter prescrição, que é de 2 anos (art.
206, §2º, CC).
Ex.: se um filho, que faz faculdade, ingressou com uma ação de alimentos quando tinha 20
anos, e os alimentos foram fixados, mas ele só cobrou quando tinha 24, ele não pode cobrar
os últimos 4 anos, só pode comprar os últimos 2 anos.
Se o pai paga por liberalidade a pensão pra um filho que já possui 30 anos, por exemplo, pela
Lei o filho não tem direito. Todavia, pode invocar o principio do nemo venire contra factum
proprio, ou seja, se o pai paga há 30 anos a pensão, existe a possibilidade de sustentar a tese
com base neste princípio, salvo se a situação financeira do pai for modificada para pior. Deve
ser analisado o caso concreto.
2) Modos de execução –
• Alimentos vincendos – são aqueles que ainda vão vencer. São executados na forma do
art. 734 do CPC, ou seja, mediante desconto em folha de pagamento. Mas, o devedor
deve ter uma relação de emprego estabelecida ou ser servidor público.
• Alimentos vencidos – são os alimentos pretéritos. Existem 2 execuções:
o Sob pena de penhora (art. 732, CPC)
o Sob pena de prisão (art. 733, CPC) – está vinculada as ultimas 3 prestações, e as
que se vencerem durante o processo. Súm. 309 do STJ.
É direito de o credor escolher qual a pena que ele quer para o executado (há uma pequena
divergência na doutrina, mas este é o entendimento que prevalece). Todavia não pode
cumular as 2 execuções, pois os ritos são diferentes.
3) Execução sob pena de penhora
3.1) Rito – é o rito da execução por quantia certa. Mas surge um dos problemas mais
complexos, aplica-se a lei de cumprimento de sentença no caso de execução de alimentos
(art. 652 ou art. 475-J)? A matéria está divergente na doutrina (mas na Lei no art. 732 trata
do segundo entendimento):
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• Alexandre Câmara – entende que se aplica o rito do art. 475-J, ou seja, do título judicial
(a maioria dos juízes adota este entendimento).
• Theodor Júnior – entende que se aplica o art. 652 do CPC, que é o rito da execução
autônoma.
3.2) Aplicação a Lei 11.232/05
4) Execução sob pena de prisão
4.1) Considerações iniciais – é um regime de exceção. Só pode ser decreta em situações
extraordinárias. Não se trata de uma pena, é uma medida coercitiva.
4.2) Rito – começa por meio de uma ação de execução. Protocolada essa ação, o juiz vai
determinar a citação, que será na forma do art. 733, do CPC, ou seja, vai ser citado para em 3
dias pagar, provar que pagou ou justificar a impossibilidade de fazê-lo, sob pena de ser preso.
A partir da citação, 3 situações são passiveis de ocorrência:
 Situações possíveis:
• O devedor paga a importância – o juiz profere uma sentença de extinção da execução.
• O devedor já pagou, ele vem provar em juízo que pagou – o juiz profere uma sentença
de extinção da execução.
• O devedor apresenta a chamada justificação – que é o mecanismo de defesa do
devedor na execução de alimentos sob pena de prisão (3 dias). Nesta justificação o
devedor vai apresentar os motivos pelos quais a prisão não deve ser decretada (como
se fosse uma contestação). Ex.: prova o desemprego (no desemprego temporário a
jurisprudência entende como sendo suficiente para não decretação da prisão, mas no
desemprego de longo prazo, a jurisprudência tem repelido/afastado, ela entende que
ele tem que procurar emprego na economia informal, ou seja, o “bico”).
4.3) Generalidades sobre a prisão do devedor de alimentos
 Prazo da prisão – é de até 3 meses segundo o entendimento dominante, mas há
divergência. E depois pode pedir a conversão da execução sob pena de prisão em execução
sob pena de penhora.
 Cumprimento da prisão – o fato de o devedor cumprir a prisão não o exime de pagar as
prestações (nem as vincendas nem as vencidas) – art. 733, §2º, CPC.
 Prisão, custas e honorários – o devedor de alimentos só pode se preso pelo não
pagamento de alimentos, pelo não pagamento de custas e honorários ele não pode ser preso.
Na prática, o mandado de citação para pagamento é com todo o valor (o somatório do valor
dos alimentos, das custas e dos honorários). O que não está correto, pois os valores deveriam
vir separados.
 Impugnação ao decreto de prisão – se o juiz decretar a prisão o meio de impugnação
sã 2:
• Habeas corpus da competência da Câmara cível do tribunal;
• Agravo de instrumento que tem efeito devolutivo, por isso tem que pedir a concessão
do efeito suspensivo na forma do art. 558 c/c 527, inc. III do CPC.

TRABALHO: FICHAMENTO OU RESUMO


DO LIVRO TÉCNICA PROCESSUAL E TUTELA JURISDICIONAL (Daniel Hertel – possui
na biblioteca)
Observações:
No máximo de 10 folhas (quanto menos, melhor)
Manuscrito e individual
Entregar no dia da 2ª prova
É facultativo, ou seja, a prova vale 10, e o exercício valerá 1 ou 2 pontos extras.
Na Xerox do centro de vivência, tem um resumo que já foi feito por um professor.

ELABORADA POR SUELEN CRISTINA MEDEIROS MENDES – suelencmm@hotmail.com