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ANALISE DE ALGUNS CONCEITOS

FUNDAMENTAIS DA ETICA DE KANT

.--.., .
,,"". . v.
. l

ANÃLISE VE ALGUNS CONCEITOS


FUNVAMENTAIS VA ETICA VE KANT.
SUBs1vIO PARA UMA REFLEXÃO SO-
BRE tTICA E EVUCAÇÃO.

lゥセ・エ@ mッョエ・ゥセ@ da Gama

PROFESSOR ORIENTAVOR:
Zilah x。カゥ・セ@ de Almeida

t・セ@ 。ーセ・ョエ、@ セッュ@ セ・アオゥエッ@ ー。セ@

セゥ。ャ@ ー。セ@ a obtenção do ァセ。オ@ de m・セ@

エセ・@ em e、オセ。￧ ̄ッN@

qN|セ@ • セ|@ J /

R-i.o de j。ョ・ゥセッ@
Fundação Getúlio v。セァ@
iョセエゥオッ@ de eセエオ、ッ@ aカ。ョ￧、ッセ@ em e、オセ。￧ ̄ッ@

v・ー。セエュョッ@ de fゥャッセV。@ da e、オセ。￧ ̄ッ@


1979

11

_ L_ _ _ _ __
SUMÃRIO

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 1
As exigências éticas atuais. A concepção de
uma ética do conhecimento científico.
Controvérsias sobre a doutrina kantiana. In
fluências recebidas por Kant: Racionalismo
e Pietismo. Os moralistas ゥョァャ・セウN@ A "de-
marche" kantiana no tratamento das questões
éticas "

CAPÍTULO I - TEORIA DA BOA VONTADE 21


O valor absoluto conferido ã boa vontade. A
intenção moral. A boa vontade como vontade
racional. O argumento teleologico. A razão
pura como razão prática. O fato moral como
fato de razão.

CAPÍTULO 11 - O DEVER INCONDICIONADO 29


A relação da lei ã vontade humana. O dever
como constrangimento. Dualismo kantiano: se
paração radical entre razão e sensibilidade
Dever de virtude e dever de direito. As
ações passíveis de julgamento moral. A prá-
tica do dever pelo dever. Crítica ã doutri-
na da felicidade. Análise de ,alguns exem
pIos de ações morais. O rigorismo kantiano.
As proposições que explicitam o conceito de
dever. O respeito como sentimento moral.

111
CAPÍTULO 111 - A LEI MORAL 40
Crítica às generalizações psicológicas. A
objetividade ética. A determinação da カッセ@
tade pela representação da lei. A univer-
salidade da lei. A noção de ser racional
em geral. Crítica de Schopenhauer. A abri
gação moral. O carater formal da lei mo-
ral. A impossibilidade de um conhecimento
total dos nossos móbiles morais. O aprio-
r1smo em relação ã lei moral.

CAPíTULO IV - OS IMPERATIVOS HIPOTfTICOS E


O IMPERATIVO CATEGÓRICO 48
A necessidade dos imperativos deve-se à 1m
perfeição da vontade humana. Os imperati-
vos hipotéticos. O imperativo categórico.
A possibilidade dos imperativos hipotéti-
cos, como prepOS1çoes analíticas. A possi-
bilidade do imperativo categórico como ーイセ@
posição sintética a priori. O enunciado do
imperativo categórico. Suas três fórmulas.
A noção de natureza como tipo para a natu-
reza inteligível. A humanidade como fim em
Sl. Analise dos exemplos. Controvérsias so
bre a na;:ão de imperativo categórico.

CAPíTULO V - REINO DOS FINS 71


Noção de fim. A natureza racional como um
fim em si. O homem como sujeito moral. O
reino dos fins como natureza inteligível.
Os seres raC10na1S participam desse mundo.
Função dos membros e função do chefe no
reino moral. O acordo das vontades sob
leis comuns. O reino dos fins como um ideal
possível pela autonomia da vontade.

IV
-1

CAPÍTULO VI - AUTONOMIA E HETERONOMIA DA VONTADE 83


A autonomia como princípio supremo da mo
ralidade. A razao como legisladora
versal. A dignidade do homem, -
que so de-
ve obediência ã sua própria lei. As mo-
ra1s da heteronomia. Crítica aos
p10S
.. .
emp1r1cos em moral. O princípio da
felicidade pessoal. A doutrina do senti-
mento moral. O conceito ontológico de ー・セ@
feição. O conceito teológico de perfei
çao.

CAPlTULO VII - O "EM SI" E OS FENÔMENOS 89


Crítica ao empirismo e ao racionalismo. O
"em si" e os fenômenos. As coisas em S1

como causas dos fenômenos. As coisas em


si como incognoscíveis; a preocupaçao com
a objetividade. Objetividade e subjetivi-
dade: conci I iação. Noção de "nouneno", co
mo conceito problematico e indeterminado
da razao.

CAPÍTULO VIII - AS IDÉIAS DA RAZÃO 99


A dedução transcendental. A metafísica co
mo uma necessidade natural do espírito hu
mano. A ilusão do conhecimento metafísico.
As idéias não são construções arbitrarias
da razao. A exigência do incondicionado
na ordem teórica. As ideías: - .
as propr1as
categorias puras elevadas ao absoluto. A
exigência do incondicionado na ordem pra-
... , .
tica. Os usos leg1t1mos das idéias da ra-
zao. A dialética transcendental.As idéias
da razão: Existência de Deus, Liberdade e
Imortalidade.

V
CAPÍTULO IX - AS ANTINOMIAS DA RAZÃO PURA . 129
Os conceitos cosmológicos. Sua dedução a
partir da tábua das categorias, As anti-
nomias matemáticas. As antinomias dinâmi
caso Os interesses prático e especulati-
vo das teses. O interesse especulativo
das antíteses.

CAPÍTULO X - A LIBERDADE SEGUNDO A CRÍTICA


DA RAZÃO PURA 119
A liberdade como um problema cosmológico.
A terceira antinomia. A causalidade como
categoria do entendimento. A noção duma
causalidade incondicionada. A liberdade
transcendental. Os fenômenos não sao coi-
sas em si. O fundamento transcendental dos
fenômenos. Caráter empírico e caráter in-
teligível.Conciliação da tese e da antíte
se. A apercepçao nao empírica. A questão
da possibilidade lógica e da possibilida-
de real da liberdade. O conceito negativo
da liberdade estabelecido pela Dialética.
A liberdade prática fundada na idéia trans
cendental da liberdade. A relação prática
entre o caráter sensível e o caráter inte
ligível do homem. O conceito positivo de
liberdade. A liberdade prática ao nível
da Metodologia. A conexão entre a moral e
a felicidade. A questao da necessidade ln
terna das leis morais.

VI
CAPÍTULO XI - A LIBERDADE SEGUNDO OS FUNDAMEN
TOS DA METAF1SICA DOS COSTUMES 145
A liberdade como um conceito セーッ、ゥエ」。ュ・ョ@

certo da razão pura prática. A vontade como


uma espécie de causalidade dos seres vivos.
Identidade entre a vontade livre e a vonta-
de submissa a leis morais. A idéia de liber
dade e o princípio da autonomia da vontade.
A identidade entre a liberdade e a moralida
de. O problema da má escolha. O princípio
da moralidade como proposição sintética. A
síntese da vontade e da razão, possível me-
diante a noção de mundo inteligível. A セュᆳ

possibilidade duma prova teórica da ャゥ「・イ、セ@


de. A liberdade como a única possibilidade
de pensar um ser como racional. O interesse
pela lei moral é puro e não patológico. A
identidade entre o querer e o dever na con-
セ@

duta moral. A distinção entre mundo ウ・ョセ@ -


vel e mundo inteligível na ordem prática.
A ャゥセ・イ、。@ como uma idéia da razao e セョ」ッ@
noscível.

CAPÍTULO XII - A LIBERDADE SEGUNDO A CRÍTICA


DA RAZÃO PRÃTICA
Resultados da Crítica da Razão Pura impor-
tantes para o estabelecimento da ordem ーイセ@

tica. Kant retoma a idéia de liberdade es-


tabelecida nos Fundamentos. A impossibili-
dade de demonstrar a liberdade por via ーウセ@

」ッャ￳ァゥセa@ impossibilidade de chegar ã ver-


dadeira universalidade mediante as genera-
lizações empíricas. O uso prático da razao.
O uso imanente da razão como o único ャ・ァ■エセ@
mo. A determinação objetiva do conceito de
liberdade conferido pela ordem prática. A
crítica kantiana ao ・ューセイウッ@ de Hume. A le
gitimidade do uso prático das categorias do

VII
entendimento. As leis priticas. A crItica
ao princípio da felicidade pessoal. Os
princípios empíricos. A faculdade superior
de desejar. Distinção entre princípios f0E..
mais e princípios materiais. O primado da
lei moral. O "factum rationis". O a1can-
ce da afirmação: "Tu deves, portanto, tu
podes". A lei moral é a lei da causalida-
de pela liberdade. Síntese da lei e da li
herdade possível mediante a noção de auto
nomia. A lei moral como "ratio cognoscen-
di" da liberdade. A liberdade como "ratio
essendi" da lei. O mundo supra-sensível 」セ@
mo o mundo do entendimento puro. Relação
da liberdade com o livre arbítrio e a ne-
cessidade. Crítica à .visa'oJ clássica de
Deus como legislador supremo.

CAPITÚLO XIII - O SOBERANO BEM E OS POSTULA-


DOS DA RAZÃO PURA PRÁTICA . 1:..92·
A Dialética da razão pura prática. A idéia
do Soberano Bem como objeto total da ra-
zão pura prática. Refutação da moral clás-
sica do Bem. A posição kantiana. Os postu-
lados na ordem teórica. Os postulados na
ordem prática, como condições de realiza -
ção do Soberano Bem. A realidade objetiva
conferida pela ordem prática, às idéias da
razão. O Soberano Bem como objeto da razão
prática. A sua realização corresponde a uma
necessidade da razão. A crença racional.
Os postulados da existência de Deus, da
imortalidade e da liberdade. A liberdade
postulada como tIres facti".

CONCLUSÃO 213

BIBLIOGRAFIA 225

VIII
RESUMO

Tendo em vista realizar um estudo reflexivo e


sistematico da proposta etica de Kant, como subsídio para
uma reflexão crítica sobre a questão etica na atualidade,
fizemos uma analise das principais obras de Kant, perti-
nentes ã questão. Esta analise foi apoiada por 」ッョウゥ、・イセ@
ções de autores, tidos como classicos, no estudo da filo-
sofia kantiana, visando, sobretudo, a aclarar os concei-
tos fundamentais de sua filosofia pratica.

Tentamos seguir a evolução histórica dessa filo


sofia, detectando os conceitos em sua origem e nas cir セ@

cunstâncias específicas, em que foram introduzidos no S1S


tema, o que nos esclareceu bastante a respeito de sua na-
tureza. Este metodo não foi, contudo, único, nem seguido
rigidamente, pois, uma vez que o objetivo foi esclarecer
os conceitos fundamentais da moral kantiana e suas articu
lações, para chegar, enfim, a uma visão de conjunto, hou-
ve, frequentemente, necessidade de utilizar uma obra
, ulte
r10r, para esclarecer noções anteriores. Alem disso, se o
que pretendíamos era ressaltar a unidade e coerencia do
sistema, não cabia a apreciação dos conceitos, tomados
isoladamente das diferentes obras.

Pensamos ter seguido a própria "de.ma.Jtc.he." do


pensamento kantiano, situando os seguintes conceitos basi
cos: a boa vontade, o dever, a lei moral, os imperativos
hipoteticos e o imperativo categórico, o reino dos fins,
a autonomia da vontade, a liberdade, o soberano bem e os
postulados da razão pratica, Alem disso, nos detivemos nas
concepçoes da Crítica da Razão Pura, que apresentavam uma
relação direta com a solução do problema etico: as antino
m1as, a distinção entre fenômenos e coisas em si e as
ideias da razao.

Seguindo esta "de.ma.Jtc.he.", pudemos aprender o

IX
que julgamos o sentido essencial da proposta ética de Kant.
Ele não pretendeu fundar uma nova moral, mas buscou, para
uma questão de fato (o fato moral), um fundamento, uma juセ@
tificação. Tal fundamento, Kant o encontrou na própria ra-
zão do homem. Esta é a inovação fundamental do kantismo,
no que diz respeito ã filosofia prática: a experiência mo-
ral é a experiência da autonomia da vontade. Moral é liber
dade.

x
Usamos, no texto e nas referências bibliográficas,
as seguintes abreviaturas:

C R P Critique de la Raison Pure

C R Pr Critique de la Raison Pratique

F M C Lfッョ、・ュセ@ de la Metaphisique des


Moeurs

C F J Critique de la Faculte de Juger

Progres Met. Les progres de la Metaphysique


en Allemagne depuis Leibniz et Wolff_

D V Doctrine de la Vertu

o P Opus Postumum

XI
CONSIVERAÇUES PRELIMINARES

Nosso interesse por esse tema foi suscitado por


uma reflexão muito ampla a respeito das exigencias eticas
atuais. Impressionada com o fato de que a etica compartilha
com o nosso tempo de uma instabilidade radical, e com as
consequencias sociais desse fenômeno, defrontamo-nos com
questoes concernentes ao relatismo e absolutismo eticos.
Pensávamos que se não houvesse um princípio objetivo como
fundamento, esvaziar-se-ia o próprio sentido da palavra va-
lor, pois o que só vale para mLm ou para alguns nao pode
ter o interesse social e humano, indispensável a qualquer
proposta etica, que pretenda satisfazer às exigências eti -
cas de uma sociedade.

Nessa ordem de preocupações, propusemo-nos a in -


vestigar a etica e a moral, não apenas enquanto têm sido
objeto da reflexão filosófica em todos os tempos, mas tam -
bem na medida em que despertam, hoje, o interesse de cien -
tistas e epistemólogos que, apreensLvos com os rumos da
Nセ@ .
CLenCLa, intentam recolocar a controvertida questao do huma
nismo. Por aí, pode-se depreender a complexidade da tarefa
I
que estamos nos propondo.

Em busca de um ponto de apOLO seguro para esse ti


po de reflexão, julgamos poder tomar, como referência, a
proposta etica de Kant, porque, a partir de um conhecimento
ainda precário, já nos parecia que, em Kant, a exigência
dum absoluto etico corresponde a uma rigorosa exigência de
objetividade, sem ceder a um dogmatismo comprometedor. Pro-
curamos seguLr a evolução do seu pensamento, mas detivemo
nos nas obras do chamado período crítico, em que aparece a
formulação de uma etica madura,e, segundo nos pareceu, coe-
rente com o conjunto do siitema teórico de Kant. Nosso ッ「ェセ@

tivo ficou, entao, face à complexidade do pensamento k。ョエゥセ@


no, mais restrito. Não que desistíssemos de nos propor a
questão das exigências éticas atuais. Mas julgamos que,
2

para 1SS0, ser1a necessário, já que optamos pelo estudo da


proposta de Kant, como ponto de referência, que empreendês-
semos uma análise cuidadosa dos conceitos fundamentais de
sua ética.

Selecionamos, tentando seguir a ーイセゥ。@ "demanehe"


do pensamento Kantiano, alguns conceitos básicos: a boa
vontade, o dever, a lei moral, os imperativos, o reino dos
fins, a autonomia da vontade, a liberdade, o soberano bem
e os postulados. Detivemo-nos também, ainda que sumariamen-
te, no estudo das antinomias, da distinção entre fenômenos
e coisas e si e das idéias da razao, que podem ser conside-
rados pressupostos para a solução do problema ético.

Buscamos segu1r a evolução ィゥウエセイ」。@ da filosofia


prática de Kant, detectando os conceitos nas circunstâncias
específicas de sua emergência no sistema. No entanto, nao
segu1mos este metodo rigidamente. Face ao nosso ーイッセウゥエ@
de esclarecer os conceitos fundamentais da moral Kantiana ,
e suas articulações, como tentativa de chegar a uma V1sao
de conjunto, fez-se necessário, frequentemente, um estudo
mais abrangente das diferentes obras, que tratam, direta ou
indiretamente, da questão ética.

Nosso objetivo resume-se numa tentativa de estudo


literal da filosofia prática de Kant. Não vamos utilizar ョセ@
nhum método de inserção ィゥウエセイ」。L@ ainda que reconheçamos a
importância de um estudo desse tipo. Os aspecto ィゥウエセイ」ッ@ e
objeto apenas de algumas considerações, a título ゥョエイッ、オセM
rio.

Não nos colocamos, também, do ponto de vista de


certos pensadores, de diferentes épocas e escolas de pensa-
mento, que retomaram a doutrina Kantiana, seja para イ・」ッョィセ@

cer· seu mérito, seja para refutá-la. Poderíamos citar al-


guns desses pensadores, que fizeram um estudo mais ゥョエ・イーセ@

tativo dessa doutrina: Fichte, Heidegger, Schopenhauer,


Herman Cohen, Hegel, Bergson, Husserl, Scheler, para nao ci
tar senão os mais importantes.
3

Sabemos que um estudo na perspectiva desses ー・ョウセ@

dores reveste-se da maior importância, quando se quer ava -


liar a influência do pensamento de Kant. No entanto, um tal
estudo extrapolaria os limites do nosso trabalho, com o
qual pretendemos apenas nos iniciar no estudo da filosofia
prática de Kant.

Para isso, dada ã extrema complexidade do seu


pensamento,
procuramos nos valer, nesse primeiro momento
2
do nosso estudo, das análises de alguns autores, que apre-
sentam a doutrina de Kant, visando, fundamentalmente, a
análise conceitual e ã coerência interna de suas obras. A
esse respeito, consideramos oportuno transcrever a observa-
￧セッ@ de Rousset: "O ィゥセッ。、@ da Vゥャッセ。@ que ーセ・ョ、。@

。ーセ・ョ@ uma imagem 6iel e ・クーャゥセ。カ@ da 、ッオセゥョ。@ k。ョセゥ@

na, セオ「ュ・M@ a 、オ。セ@ ッ「セゥァ。￧￵・Z@ duma ー。セ・L@ ・セアオL@ セ。ョ@


セッ@ アオ。ョセッ@ ーッセiカ・ャL@ 。セ@ セ。ョVッュ￧￵・@ ー￳セMk。ョゥ@ 、。セ@ 、・セ@
セッ「・。@ セiゥ。L@ 。セ@ アオ・セ￵L@ 。セ@ ッ「ェ・￧￵セL@ e, , セッ「・オ、@
。セ@ ・カゥ、↑ョセ。L@ que 。セ@ 6azem 。ーセ・@ セッュ@ ゥョセオV・@ ou
ゥョセッ・[@ de ッオセ。@ ー。セ・L@ セッ・@ o セゥッ@ da banalidade,
na medida em que セ@ ーッセiカ・ャ@ que k。ョセL@ ao ーセ・￧ッ@ duma longa
ー・セアオゥ。@ e duma ・セッャィ。@ セ・カッャオゥョ ̄。L@ セ・ョィ。@ セッュ・ョ@ ー・ョセ。@
do セッュ@ ・セVッ￧@ o que ョッセ@ ・ョセゥッオ@ a ー・ョセ。@ V。セゥャュ・ョBSN@ Afi
nal, foram muitas as inovações da crítica Kantiana que se
tornaram aquisições importantes no trabalho de cientistas e
epistemologos. Basta citar, a título de exemplo, o fato de
concebermos o conhecimento como uma 」ッョウエイオ￧セ@ devida
-,
a
iniciativa do sujeito, a ideia de que o mundo conceptual -e
relativamente independente da realidade empírica, e, por ou
tro lado, o realce dado ã ッー・イ。￧セ@ sintetica da inteligên -
C1a, que permite estabelecer correlações entre o sujeito e
o dado empírico. As vulgarizações do Kantismo, na opiniao
de Rousset, nem sempre ajudam -a sua compreensao.
- 4

Em face de tais considerações, propomo-nos a co -


nhecer, no limite, evidentemente, do nosso estudo, o que e
Kantiano em Kant. nセッ@ desejamos, ao menos nesse trabalho de
ゥョ」。￧セッL@ discutir suas soluções. Tal 、ゥウ」オセッ@ exigiria
4

-
um aprofundamento que so nos será possível mediante a conti
nuação do estudo da doutrina Kantiana, à luz de outros auto
res e de outro enfoque metodológico.

Algumas considerações gerais, referentes ao modo


como vemos a situação da ética em nossos dias, podem indi -
car o contexto no qual, inicialmente, nos situamos.

Modernamente, a concepção de uma ética subsidiária


do progresso científico e tecnológico, ao lado da generali
zada idéia de que os malefícios do progresso são o preço
inevitável dos seus benefícios, têm levantado, crescentemen
te, a questão de uma ética para o nosso tempo, que restaur 7
em toda amplitude, as interrogações básicas relativas aos
fins desse mesmo progresso, que, hipostasiado, parece ser,
cada vez mais, um fim em si mesmo. Há, inegavelmente, uma
inquietação crescente face à situação do homem no mundo
atual, subjacente ao sentimento de que deve haver uma saíd&
Tal saída é vislumbrada, sob muitos aspectos, como reativa-
çao da dimensão ética da vida humana, cuja acentuada fragi-
lidade está a exigir a busca de uma base mais sólida e
compatível com os problemas que ora Vlvemos. A preocupação.
com esta questao parece estar presente em um numero crescen
te de filósofos, cientistas e educadores.

Por outro lado, observa-se uma desconsideração da


qtiestao ética na prática científica, política e educacional
de nossos dias, que seria o indício de que nos comportamos
como se esta questao já estivesse resolvida. No entanto, o
cara ter macroscópico dos problemas que o progresso científi
co e tecnologico assume no mundo atual e, por outro lado, a
expectativa criada em torno da ciência, como capaz de res -
ponder às indagações do homem moderno, levantam a questao
da dimensão etica da ciência, como absolutamente irresolvi-
da.
5

Reconhecemos, contudo, que esta é uma questao ex-


tremamente complexa. Alias, a abordagem ao problema ético
tem sido, talvez, a mais controvertida do pensamento ィオュ。ョセ@

ainda que pareça haver um consenso quanto ã magnitude do


problema.

Ja no berço da filosofia ocidental, este é um


problema fundamental e controvertido. As grandes ヲッイュオャ。￧￵セ@
do pensamento grego, devidas a Platão e Aristóteles, reve
Iam ja duas possíveis abordagens, opostas em suas grandes
linhas, conquanto um estudo mais profundo pudesse detectar
certas convergências. Em Platão, a ética fundamenta-se no
conceito de Bem, como realidade última, transcendente e
paradigmatica. Em Aristóteles, o Bem ja não é transcenden -
te, mas imanente ã própria essência racional do homem: não
é ョュゥ・セL@ mas plenitude de realização da essência humana.
Buscando ambos a verdadeira felicidade, Platão a concebe 」セ@
mo contemplação, enquanto Aristóteles integra contemplação
e açao, realizando a síntese dos três generos possíveis de
vida: ョ「ゥッセ@ ーッN・lエゥォセョL@ ョ「ゥッセ@ Nエ・ッjゥォセョ@ e ョ「ゥッセ@ 。ーッN・オセ@ -
Nエゥォッセ@ n.

Desde entao, a filosofia empenha-se na busca de


explicação para a realidade total, levantando o problema
dos fundamentos últimos de todas as coisas. As sínteses que
propoe não visam apenas a um fim teórico, especulativo, mas
envolvem também uma exigência pratica, servindo para a vida
na medida em que toda concepção de valores se apoia numa
visão do mundo.

A noção de valor, que 。ウオュセ@ grande importância


na filosofia moderna, sempre foi usada pelos filósofos, re-
cebendo diferentes nomes, como Bem, Soberano Bem, Felicida-
de, Perfeição. Para muitos, o valioso era o Racional, para
outros, relacionava-se ao sentimento. Pode-se também afir -
mar que sempre coexistiram varios tipos de valorações, como
as valor ações éticas, estéticas e religiosas. O conceito de
valor parece bastante generico para englobar os ュ。セウ@ dife -
rentes temas, de tal forma que, como observa Raymond Ruyer
6

"ao 。「セゥ@ um ャゥカセッ@ セッ「・@ o カ。ャッセL@ ョセッ@ セ・@ セ。「・@ セ・@ セ・。Z@ 1)
um エセ。、ッ@ de teologia ilッセゥkケI[@ 2) um エセ。、ッ@ de ーセゥ・ッャᆳ
gia セッ「・@ 。セ@ エ・ョ、↑ゥ。セ@ e ゥョエ・セ@ IR. B. p・セケI[@ 3) um
エセ。、ッ@ de セッ・ゥャァ。@ IBugle); 4) um エセ。、ッ@ de eeonomia ーセ@
lItiea ifセN@ p・セッオクI[@ 5) um エセ。、ッ@ de lõgiea ILalande); 6)
um エセ。、ッ@ de ュッセ。ャ@ is・ィャセI[@ 7) um エセ。、ッ@ de Vゥャッセ。@
ァ・セ。ャ@ IR. Polin) ou 8) um エセ。、ッ@ de Viセゥ・。@ ァ・セ。ャ@ ikbィャ・セIU@
Se alguns desses tipos de valor ações já possuem
uma delimitação precisa, tal não e o caso da etica, cujo
objeto e natureza não são ainda estabelecidos de forma segu
ra e definitiva. Atualmente, tematizam-se, nao apenas - as
questões de conceito, objeto e delimitação da etica, mas
ate mesmo de sua possibilidade. Nesta última hipótese, ins-
crever-se-ia, a nosso ver, a proposta de Jacques Monod, de
uma etica baseada no conhecimento científico, que represen-
taria uma proposta de supressão da valoração etica, uma
vez que o B、・カセ@ セ・B@ se prefiguraria objetivamente no domí
n10 do que e, podendo, como tal, ser explicado cientifica -
mente. Diz Monod: " ... uma etiea do eonheeimento, que eolo-
que o eonheeimento, em ー。セエゥ・オャL@ o da Vゥセッャァ。@ e da ーセ@
eologia em ーセゥュ・ッ@ plano,e ・セエ。ュョ@ ュ。ゥセ@ eapaz que
アオ。ャ・セ@ ッオエセ。@ de Vッセュオャ。L@ não セ￵@ um ァセ。ョ、・@ セゥエ・ュ。@ etieo
セッ「・@ o qual 。セ@ セッ・ゥ、。@ ーッセ。ュ@ Vオョ、。セL@ ーッセ@ exemplo, um
セゥエ・ュ。@ polltieo, ュ。セ@ tambem eapaz de Vッセュオャ。@ uma ュッセ。ャ@
ー・セッ。ャL@ in6initamente ュ。ゥセ@ viável, que aquela que ainda
ョッセ@ e ーセッエ。BVN@ Ora, parece haver um certo acordo, entre
os que tratam da questão axiológica, de que as ações pura -
mente instintivas, ou guiadas exclusivamente pelas tendin -
cias subjetivas, sóse tornam realmente eticas, na medida
em que se ordenam segundo um conjunto de normas derivadas
de alguma instância superior. No caso de ser esta instância
o próprio conhecimento científico do homem, a questao das
normas do agir humano deixaria de pertencer ao campo da
valoração etica, para 1nscrever-se no campo da validação
epistemológica.
I
I1 7

,
I
f
I Nessa linha de investigação, alguns defendem a
tese de que e possível justificar cientificamente os jui-

I
I
zos morais, mediante a utilização da lógica e dos conheci

não se pode,
7
mentos científicos • A questão, contudo, não e simples, e
pois, dar uma resposta simples. Uma etica que
empregasse os conhecimentos científicos do homem e da SOC1e
dade, nem por 1SS0, .
teria garantido o seu estatuto de C1en- -
cia, haja visto todo o questionamento epistemológico de
. .- . 8
que sao alvo, hOJe, as C1enC1as humanas.

Espera-se, tambem, modernamente, que um ma10r r1-


gor nos estudos eticos advira com a conversão da etica num
estudo analítico dos conceitos morais. Na opinião de Bunge,
a analise linguística, procedendo a toda a investigação
científica, evita que "no.ó e..xtJtavie..mo.ó e..m ーN￳・オ、ッMjエ「ュ。Gセ@
Caberia ã etica analítica aclarar, definindo em função de
termos mais fundamentais, "ambZguo.ó" e Bッ「N￳」セ@
os predicados
Jto.ó", que figurariam no discurso moral, tais como "be..m" ,
"va.tio.óo", "pJte..fie..JtZve...t" e "de..ve..". Teria ainda a função de
investigar em que medida "a.ó e..xpJte...ó.óoe...ó va.toJtativa.ó e.. ゥョヲッセ@
mativa.ó .óão tJtaduzZve..i.ó, .óe..m pe..Jtda de.. .óignifiic.ado e.. de..
e..fie..ito ーjエセゥ」NッL@ e..m oJtaçõe...ó e..nunc.iativa.ó"lO. Tal conversibi-
lidade teria, segundo Bunge, de transformar os preceitos em
proposições verificáveis, permitindo a elaboração de uma
moral sem dogmas. Por outro lado, este procedimento levaria
ao questionamento da dicotomia entre o fato e o valor, 。ヲゥセ@

mada por quase todos os 。クゥセャッァウN@ Diz Bunge: "A difie..Jte..n-


ça e..ntJte.. 'não ヲゥ。jエセN￳@ x' e.. '.óe.. fiaze...ó x, te.. o」Nッjエ・セ@ y' e.. , ーjエセ@
- - - . ,,12
moJtdia.tme..nte.., .togic.a, nao ーjエ。ァュセ」N@ •
Os estudos meta-eticos estão apenas começando,
mas, segundo seus adeptos, ja estariam suscitando questoes,
que convertem em problematicos os sistemas eticos anterio -
res. Acentua-se a idéia de que é preciso fundar uma ética
-
ma1S adequada ao nosso tempo, uma vez que as concepçoes do
passado são criticadas como ilógicas, dogmaticas ou senti -
13
mentalistas, alem de desconsiderarem a realidade humana .
8

Em nossa epoca, crescem em popularidade os estu-


dos sociológicos, etnológicos e antropológicos. Alimenta-
mos a esperança de que tais estudos possam nos indicar uma
saída para a atual situaçao de crise dos valores. No entan
to, essas ciências, como ciências dos fatos, partem de da-
dos empíricos, e, embora envolvam todo um trabalho de re-
construção conceptual, de formulação teórica, sempre vol -
tam aos fatos, como fonte última de confirmação de suas
hipóteses. Em seu caminho metodológico, o máximo que tais
ciências, como qualquer ciência fática, podem alcançar
sao informações fidedignas a respeito dos fatos, ou ィゥー￳エセ@
ses explicativas fecundas para o trabalho atual dos técni-
cos ou para o trabalho ulterior da ciência. Nenhuma イ・ウーッセ@
1
ta final, nenhuma indicação segura, que possa nos levar,
do fato, ao valor.

Nesta ordem de considerações, podemos dizer que


se existe um conhecimento ético, este não poderia ser do
mesmo genero das ciências fáticas. Seria, então, toda teo-
ria ética de ordem metafísica? Ora, sabemos a que ficou イセ@
duzida a metafísica depois da crítica Kantiana. Seria ne -
cessário renunciarmos à pretensão à ética, como conhecimen
to? Neste caso, o que colocaríamos em seu lugar? A fé nas
religiões reveladas? Ou o fundamento racional proposto por
Kant? Preferimos esta última hipótese. Por isso, pretende-
mos empenhar-nos no estudo da ética Kantiana, para tentar
saber em que medida responde a algumas dificuldades que
encontra toda aquele que se propoe a pensar, com real inte
resse e coerencia, o problema ético.

Consideramos que o estudo do sistema ético de


Kant pode se converter num poderoso instrumento de avalia-
çao da questão ética na atualidade, na medida em que a
sua proposta ética implicaria, precisamente, a condenação
do dogmatismo, do misticismo e de seu invariável componen-
te - a ilogicidade.
9

No presente estudo, vamos nos deter na análise


dos conceitos éticos que aparecem nas obras posteriores a
1871, que evidenciariam as conquistas propriamente críti -
cas, sem nos reportarmos às obras consideradas pré-críti
caso

Para a realização desse estudo, nao podemos dei-


xar de considerar as influências que se exerceram sobre o
pensamento de Kant, como também não podemos negligenciar a
propria personalidade do filósofo, pois, nele, parece ter
existido um acordo profundo entre o homem e o filósofo. É
comum estabelecer-se uma estreita conexão entre as concep-
￧セ・ウ@ teoricas e as 、ゥウーッ￧セ・@ pessoais do filosofo. Qual
teria sido o traço dominante de sua personalidade? "PaJl.e.c.e.,
cUz Bou-tJl.oUX, que. 60-i.. uma d-i...6po.6-i..ç.ã.o a.6e. daJl. a .6ua pJl.O-
pJz.-i..a le.-i.. e. a 」NッョVセ、・jャ。@ uma -tal le.-i.. -i..nv-i..oláve.l e. .6agJl.ada.
ャョ、・Nー↑セ。L@ ゥョ、セカオ。MNVュッL@ i-i..óe.Jl.dade. in-te.Jl.ioJl., e., ao
me..6mo -te.mpo, Jl.e..6pe.-i..-to, ne.c.e..6.6idade., c.ul-to ã le.-i..; o un-i..ve.Jl.-
.6al no -i..nd-i..v-i..dual: e..6-te. c.aJl.á-te.Jl. .6e. e.nc.on-tJl.a. e.m -todM M
ュ。ョセ@ 6e..6 -taç. õe..6 da 。MエセカゥN@ dade. de. K an-t. NM 9 Jl.an de..6, c.o mo nM
pe.que.na.6 c.o-i...6a.6, al-i..a a Jl.e.gJl.a ã i-i..be.Jl.dade., a. d-i...6c.-i..pi-i..na ã
e.manc..<.pa.ç.ao . - " • 14

Kant rompeu com o dogmatismo teologico e metafí-


sico, mas so o fez ã custa dum grande esforço de reflexão,
do qual resulta uma nova versao do conhecimento. Às conclu
ウセ・@ céticas de Hume, contrapõe .uma nova teoria do conheci
mento, que permitirá a legitimação da ciência. Às ilusões
da metafísica tradicional, contrapõe a única via possível
para a solução dos problemas metafísicos: a via prática.
Com efeito, a ambição de Kant teria sido a de legitimar a
metafísica, fundando-a em novas bases. Ao empreender tal
projeto, ele recusa o método tradicional da metafísica, イセ@
jeita a metafísica dogmática. Mostrando que o conhecimento
não pode ultrapassar os limitis duma experiência possível,
Kant nega a possibilidade da metafísica como conhecimento.
No entanto, defende a idéia de que, se não é possível co -
nhecer os objetos metafísicos, é possível pensá-los. Assim,
10

mediante as próprias conclusões da Crítica da Razão Pura,


tornou-se viável o projeto de fundar a metafísica na razão
prática. É mediante essa via prática, e não pelas luzes da
razão especulativa, que o homem pode afirmar a existência
de Deus, a liberdade e a imortalidade da alma.

Nessa busca de solução para os problemas éticos,

I Kant mostrou-se receptivo às idéias do seu tempo, não para

I adotá-las passivamente, mas para avaliá-las em profundida-

I de. "Ele. plLome.t-ta., d-tz BlLun.6ehtüeg, .6e.1L O Sha.6te..6buILY a.le.-


- H ume. plLu.6.6-<..a.no
• ,,15 . Durante um certo tempo, ele rece
ma.o,
I O

beu, de fato, a influência da doutrina do ".6e.nt-tme.nto mo -


1La.-t" d a e s c o 1 a in g I e s a. P o de - se, a q u セL@ a p r e e n d e r, t am b é m ,

I
1
í
a i n f 1 u ê n c i a d e c i s i va das i d é i as d e Ro u s s e a u:
Kant, eulL-to.6O e. áv-tdo de. e-têne-ta.; eoloea.va. ne.la. a honlLa. do
d-t z
" Eu e.1La.,

I
1
home.m, e. de..6plLe.za.va a. ple.be. -tgnolLa.nte.. Rou.6.6e.a.u eha.mou- me.
ã olLde.m: En.6-tnou-me. a. ne.gl-tge.ne-ta.1L uma. va.nta.ge.m va. e. a. eo-
II loea.1L na. bonda.de. mOILa.1 a. ve.lLdade.-tILa. d-tgn-tda.de. do home.m.
! RoU.6.6e.a.u 60-t, de. a.lguma. 601Lma., o Ne.wton da. olLde.m mOILa.I;
I de..6eoblL-tu, no e.le.me.nto mOlLal, o que. 6a.z a. un-tda.de. da. na.tu-
I ILe.Za. humana; da me..6ma. 601Lma. que. Ne.wton e.neontlLou o plL-tne[-

II p-to que. un-t6-tea. e.ntlLe. .6-t toda..6 a..6 le.-t.6 da na.tulLe.za 6[.6-tea.
Além d-t.6.6o te.ve. a. -tdé-ta. de. que. a..6 vonta.de..6 pode.m e. de.ve.m
j a.g-t1L uma..6 .6oblLe. a..6 outlLa..6, que. 0.6 home.n.6 de.ve.m tlLa.ba.lha.1L
i pa.lLa .6ua. e.duea.ção mútua. A v-tlLtude., de..6de. e.ntão, não e.

I
J
mU.6 eoloeada. na. pe.1L6e.-tção -tnd-tv-tdua.l, ma..6 na..6 jU.6ta..6 1Le.1a.
çoe..6 e.ntlLe. 0.6 home.n.6,,16. Kant situou, aqui, os pontos ーイセ@
cipais da influência que recebeu de Rousseau. Vivamente im
I
II pressionado com a Profissão de Fé do Vigário Saboiano, 。、セ@
ta a doutrina do sentimento moral. Mas foi por pouco tempo.
Ao refletir sobre os problemas da especulação e da práti -
II ca, segundo as inspiraçoes rousseaunianas e empiristas, le
vadas ao extremo por Hume, era inevitável, como observa
!j BrunschtJicg, que ".6e. lLe.ve.Ia..6.6e. a. -tnee.lLte.za., a. -tn.6ta.b-tUda-
I de. da. doutlL-tna. .6 e.nt-tme.nta.l"l 7 • Rousseau colocava-se, "na.
olLde.m da. v-tda., -t1L1Le.dutZve.1 ã olLde.m ea.IL.te..6-ta.na. da. -tnte.le.e -
tua.l-tda.de.,,18. Hume, se reabilitava o instinto, não o fazia
11

com a segurança do dogmatismo, mas no quadro mesmo de uma


teoria cética do conhecimento. Rousseau refere-se ã cons -
ciincia como a um instinto divino, colocando-se "na linha
da ュzセエャ」。@ 」セャエ ̄L@ em que a 」ッョセャ↑。@ ・セエ ̄@ acima da
lel"19. Ora, segundo Kant, "o ーセャュ。、ッ@ da 」ッョセャ↑。L@ abo-
lindo a lei, acaba ーッセ@ 、・セ@ エセオャ@ a ーセ￵、N@ ュッセ。ャ@ "20 • r:
preciso que a sinceridade da 」ッョウゥセ。@ seja confirmada '
pela pritica efetiva das 。￧セ・ウ@ morais. Em Rousseau, "a
」ッョセャ↑。L@ gula ln6alZvel do lndlv[duo, a autonomia,
ーセャョ」zッ@ adequado do ・セエ。、ッL@ 。ーセ・」ュ@ completamente exte-
セッ・@ uma ã ッオエセ。L@ セ・ョ ̄ッ@ ャョ」ッュー。エzカ・セN@ Kant 。セ@ 6unda,
uma e ッオエセ。L@ na ャョエ・セッm、。@ da ー・セッ。@ ュッセ。ャ@ ... "21. Recon
duz a vontade individual ã vontade geral, mediante a obe -
diincia'a mesma lei da razão. r: enquanto individual que a
vontade se submete ã lei. f enquanto universal que é Q・ァゥセ@
1adora.

Quando Kant contrapõe,ã doutrina de Rousseau, a


afirmação da supremacia da lei, confere ã moral um conteú-
do de racionalidade. Mostra-se, assim, fiel ao espírito do
seu tempo: ã razão caberia a síntese final de todo o sa-
ber.

Kant presencia a luta empreendida, em sua época,


pelo racionalismo e pelo pietismo 」ッセエイ。@ a ortodoxia do
ensino reinante. Ambos combatiam, por motivos diferentes,
o tipo de ensino reinante, dogmático e estreito, a esteri-
lidade das discussões teo16gicas, a corrupção nas idéias e
nos costumes. Segundo De1bos, "o セ。」ャッョュ@ que havia to
mado ã VャッセPQ。@ e ã ciência ュッ、・セョ。@ セオ。@ ャョセー。￧・@ e
セオ。@ エ・ョ、↑」ャ。セ@ ァ・セ。ャL@ tinha, 61nalmente, ・ョ」ッエセ。、L@ na
、ッオエセャョ。@ de Lelbnlz,tal como 601 セャエ・ュ。コ、@ ーッセ@ Wol66
um 6undo de カ・セ、。@ セ・ァオ。[@ ュ。ョャV・セエカ@ a ーセ・エョ ̄ッ@ de
セオ「エャ@ ã ・セ」ッャ ̄NZエ。jョ、@ em ィッョセ。@ ョ。セ@ uョャカ・m、。セL@
um conjunto セァッ@ de conceltob 」ャ。セッL@ 、ッセ@ アオ。ャセ@ セッ@ a
。コッ@セ セ・。@ o juiz, e que, metodicamente ッセ、・ョ。L@ expll-
」。セ@ エッ、セ@ ッセ@ ッ「ェ・エセ@ da 」オセャッ、。・@ humana, 。セャュ@ como
ッセ@ VQョセ@ ・セョ」ャ。@ de セオ。@ atividade ... "22. Por outro lado,
12

o pietismo, no esforço para renovar o protestantismo lute-


rano, procura despertar a fe, mediante a prática da reli -
giao, como experiência subjetiva, vivida em profundidade
e nao ュ。セウ@ traduzida em atos duma religiosidade apenas ex-
terior. Ambos, pietismo e racionalismo, pretendiam, pois
combater o tipo de ensino vigente, mas, nem por isso, ・ウエセ@

vam imbuídos dos mesmos propositos. O pietismo, buscando o


revigoramento da fé cristã, tornava-se, por vezes, até hos
エセ@
'1 aos pro d utos d tura'」セ・ョエヲ。@ · セN@
a cu I 23 • O イ。」セッョャウュ@ ..

ao contrário, exaltando a ciência, desconfiava da invoca -


ção religiosa e das exigências duma vida voltada para o so
brenatural. Kant viveu, desde o in!cio, o antagonismo ・セ@ -
tre o ideal racionalista contido nos ensinamentos de LeibÚz
e Wo 1 ff ,e .0 i d e a 1 r e 1 i g i o s o d o p i e tis mo. E s s a s i tua ç ã o de
controversia e antagonismo imprime su.as marcas na evolução
do seu pensamento.
セ@
Devido à peculiaridade da sua concepçao de razao,
i Kant, mesmo convencido de que so o racionalismo pode fun -
I; dar a certeza, reconhece a insuficiência do seu método. Ma

I
i
nifestando a tendência cr!tica do seu pensamento, opos- se
às 、・ュッョウエイ。￧セ@ 40gmáticas da escola wolffiana: ã sua
pretensão racionalista de um saber inteiramente independen

I
,J ciência,
te da"experiência, contrapoe a concepção de que, sem
experiência, nao há conhecimento. A busca do fundamento da
como da moral, deve partir dos fatos, ainda
a

que
i
r,
I
j
1
tais fatos tériham de ser esclarecidos ã luz da razao.
pois, a partir do fato da ciência. do fato moral
' .. que
i
Kant empreende a sua obra cr!tica.
J
f
No que diz respeito ã questao moral, ele parte
J

!
dos julgamentos morais que os homens emitem n. vida comum,
para buscar, a seguir, os seus princ!pios. Esclarece, con-
I
j エオ、ッセ@ que nao se trata, aí, dum fato empírico, mas do fato
I
,セ@ único da razão. Não é como os homens agem moralmente, mas

!
I
1
como julgam moralmente. Esses julgamentos morais repousam
em noçoes a priori, que Kant pôde deduzir dos elementos es
senciais da ordem prática. Nessa busca de fundamentação da
1
J
,
j

I
13

moral, há certos resultados da Crítica da Razão Pura que e


preciso levar em consideração. Um deles é a restrição do
nosso conhecimento ao limite duma experiência possível. Ne
gando a possibilidade do conhecimento dos objetos supra-
sensíveis, Kant denuncia o caráter ilusório da metafísica
clássica, que pretendia, justamente, conhecer estes obje -
tos. Mostra também que a ordem da natureza é regida pela
lei da causalidade mecânica. Exclui, portanto, da série
dos acontecimentos naturais, qualquer possibilidade dum
ato livre, único que poderia ser qualificado moralmente.

" E.6 t e..6 ne..6 u.tt a do.6, d.i z B o utn o ux, .6 ã.o mui t o 9 na -
ve..6 pana a mona.t, ponque. a.6 noçõe..6 mona-l.6 Qomun.6 pane.Qe.m
ne.que.ne.n pne.Qi.6ame.nte. e..6te..6 obje.to.6 .6upna-.6e.n.6Ive.i.6, Qujo
Qonhe.ume.nto no.6 é. ne.QU.6 ado; admitindo-.6 e. Ve.u.6 > a .tibe.nda-
de. e. a imonta-fidade., dã-.6e. Qonta da obnigaçã.oJda .6ançao mo
na.t, do aQondo da vintude. e. da óe..tiQidade.. Ma.6 .6e. e..6te..6 ob
je.tO.6 .6ã.o inQogno.6Qlve.i.6, o óundame.nto da mona.t ョセッ@ pode. -
nia .6e.n .6e.nã.o o .6e.ntime.nto, e. nã.o um Qonhe.Qime.nto, e. a mo-
na.t .6enia, ・ョエセッL@ e.6.6e.nQia.tmente. mI.6tiQa e.m .6e.u ーョゥqャセッ@
+ ,,24
1
e. .6ua uon-1..e. . oイ。セ@ sab emos o quanto Kant reJe1tava
.. o
misticismo e a iluminação, que não cessou de denunciar nos
. . -.
son h os do V1S10nar10 S c h we d en b org 25 . Por outro I
ado,·a1nda
segundo o resultado da Crítica da Razão Pura, não se pode-
r1a fundar a moral na natureza, porque esta só poderia le-
var a uma moral do êxito, da felicidade pessoal, da utili-
dade, não do dever e da obrigação que supõe um agente li -
vre.

A saída desse 1mpasse, que permitiria fundar a


moral na razao e nao no sentimento, ou na natureza, evitan
do, também, o erro da metafísica dogmática, ser1a a concek
çao duma razao pura prática, que nao estaria,como a razao
técnica, limitada a raciocinar sobre objetos dados, mas
que seria, pelas representações, causa dos seus objetos. A
moral seria, pois, o produto da razão pura. Daí, o proble-
ma prático colocado por Kant e ao qual julga ter dado uma
resposta positiva: a razão pura pode, por si mesma, ser
prática?
14

Em busca da solução deste problema, Kant adota


certos procedimentos metodo15gicds. セ。イエゥョ、ッ@ do fato moral,
não segue o metodo psicol5gico, uma vez que nao está inte-
ressado em explicar como os fatos morais se produzem na
consciência. Ora, o metodo psicol5gico não levaria a nada
alem disso, uma vez que se detém na investigação dos pro -
cessos psíquicos reais, ou seja, da gênese psicologica de
certas noções. Kant, ao contrário, quer analisar o conteú-
do objetivo das noções morais até encontrar um fundamento,
um princípio explicativo. Ao lado deste procedimento, bus-
ca, sinteticamente, deduzir, destas noções gerais e de
seus princípios, noçoes menos gerais, que se refiram dire-
tamente ao fato dado, ou seja, ao fato moral. Segundo
Boutroux, nos Fundamentos da Metafísica dos Costumes, Kant
adota ainda um outro procedimento, que se poderia chamar
dedução hipotetica: esta consistiria em se propor, hipote-
ticamente, u,m! princípio, deduzir dele as consequências, e,
26
em seguida, confrontá-las com a realidade dada . Kant te-
ria proposto, dessa forma, o conceito de boa vontade, como
condição necessária e suficiente do valor moral. Deste con
ceito, deduziu a idéia de dever, ao definir a boa vontade
como a von tade de agl. r por de ve r.

Kant an ali s a, a se gui r, a ideia de deve r, e mos-


-.
tra como es te concei to implica a noçao de ob ri gação moral,
ou seja, da obediência a uma lei que cons i de ramos ab s o lu ta,
mas ã qual, entretanto, não obedecemos necessariamente. A
identidade entre a vontade e a lei seria privilégio apenas
de seres puramente racionais, não se podendo, neste caso,
qualificar a necessidade do ato moral como um dever. Nos
seres humanos, nos qual.S ã racionalidade se associa a
sensibilidade, a obediência ã lei da razão é um constrangi
mento, uma obrigação. Mas não se trata, aqul., duma obriga-
ç ã o imposta p e I o t e mo r , mas ditada pelo respeito. A p r e s e n
ça da lei no ser humano engendra, pois, o respeito.

Kant estabelece, assim, que a vontade obedece a


lei moral por respeito e não por constrangimento exterior
15

ou por interesse. É prec1so que, interiormente, a vontade


esteja de acordo com a lei, que seja, p01S, uma boa vonta-
de . Como nos seres raC10na1S
. . finitos, a vontade nao é boa
necessariamente, a lei moral torna-se, neste caso, um ゥューセ@

rativo.

Kant rejeita as mora1S da heteronomia, porque,


nestas, o acordo das vontades só pode se dar mediante a
busca do prazer ou da felicidade ou mesmo do bem como ッ「ェセ@

to de intuição. Com efeito, os gregos concebiam a moral,


de certa forma, como uma arte, destinada a completar, pela
ação, a obra da natureza. O homem virtuoso seria sábio o
bastante para nao se contrapor ã ordem natural. A sabedo-
r1a era, entao, o caminho da virtude, e a virtude, o me10
de alcançar a felicidade. Em Kant, ao contrário, há uma
separação entre a ordem natural e a ordem moral, entre o
conhecimento, limitado ã espera fenomênica, e a moral, que
penetra a região dos Bョッオュ・セN@ O princrpio da moral Kan-
t i an a c on t r a r i a, t a mb é m , a mo r a I c r i s t ã, cu j o mo d e I o é a
perfeição divina: Bセ・、@ ー・ヲtNVゥZエッセ@
c.omo カッセ@ Pai 」N・ャセZエ@ e
pefT..6ei:to". "E c.omo o homem, ab andonado 。セ@ セ@ UM pfT..ÔpJz.iM
VッヲtN￧セL@ é impo:ten:te pafT..a fT..ealizafT.. ・セ。@ :tafT..e6a, a fT..eligião
lhe pfT..ome:te o セo」Nヲt@ da gfT..aça. O 6undamen:to da monal 」Nョゥセ@
:tã é, pon:tan:to, v・オセL@ c.omo 6im e c.omo meio. Em Kan:t, ao
c.on:tnãnio, v・オセL@ o ゥョ」Nッァセzカ・ャL@ não pode セ・ヲtN@ o 6undamen-
:to da monalidade. O pon:to de pan:tida da mOfT..al não pode セ・@
enc.on:tnafT.. セ・ョ ̄ッ@ na pfT..ôpJz.ia fT..azão. MOfT..al é, ョ・」Nセ。jコゥュ@ -
:te,. au:tonomia". 27
Contrapondo-se a todos os sistemas anteriores de
moral, Kant chega, aSS1m, ao princípio supremo da moralida
de, o princípio da autonomia da vontade. Culmina, aqu1, o
seu esforço de análise, que o levou a definir os conceitos
básicos de seu sistema prático: o dever, a lei moral, o 1m
perativo categórico, a liberdade, a autonomia.

No entanto, a questão crucial não parece ter S1-


do ainda resolvida: a questão da própria possibilidade do
imperativo categórico. Esta questão envolve toda a proble-
16

mãtica crítica da justificação dos juizos sintéticos a


pr10r1. Com efeito, os princípios da moralidade são sinté-
ticos a priori. são a pr10r1, porque universais e necessã-
r10S. são sintéticos, porque pretendem unir Bョッ￧セ・@ ィ・エセッ@
ァ↑ョ・。セL@ eomo a da vontade e da lei, do セョ、カオ。ャ@ e do
オョセカ・。ャ@ ( ... J o que não セ・@ eoneebe セ・ョ ̄ッ@ ュ・、セ。ョエ@ uma
ッー・セ。￧@ セゥNョエ↑・。@ da ゥョエ・ャセY。BRXN@ Kant não poderia,
seguindo como até aqui, o método analítico, chegar ã solu-
ção desse problema. Recorre, então, ao método sintético.
Afirma como real o que, 。ョエ・ウセ@ era tido como problemático,
ou seja, a realidade da liberdade: "Todo セ・L@ que não pode
。Yセ@ セ・ョ ̄ッ@ セッ「@ a セ、↑N。@ de ャセ「・、。L@ ê., ーッセ@ セッ@ ュ・セッL@ do
ponto de カセエ。@ ーセ ̄Nエ・ッL@ セ・。ャュョエL@ ャセカ・@ "29;" a ャセ「・ᆳ
dade ê. セ・。ャL@ ーッセアオ・@ ・セエ。@ ゥN、↑セ。@ ュ。ョセV・エM@ pela lei. mo
セ。ャBSPN@ O conceito de Qゥ「・イ、。セ@ que permanecia ao nível
da Crí ti ca da Razão Pu ra, como inde te r.min ado e p rob 1 emá ti-
co, uma simples idéia reguladora da razão, adquire, graças
ã lei moral, uma realidade objetiva. A lei moral é a ratio
cognoscendi da liberdade, e esta é a ratio essendi daquela.

Essa passagem do método analítico ao método S1n-


tético teria sido legítima? Ou Kant não chegou jamais a
resolver a questão da possibilidade do imperativo categóri
co, e, pois, da moralidade, entendida como um sistema de
juizos a priori? Teriá tido mais sucesso se tivesse recor-
31
rido ao método histórico, como pretendem ?lguns? Ou se-
ria mais exato tentarmos compreender o problema tal como
Kant o colocou? Se o problema histórico é, com efeito, o
problema colocado por alguns moralistas 。Q・ュ ̄bセ@ como
Hartmann, Paulsen, não é certamente, o de Kant. Ele nao
quer saber como e porque os fatos são produzidos; chega
mesmo a dizer GセオL@ ainda que um セョゥ」ッ@ ato moral não tives-
se jamais se efetuado, a questão moral continuaria sendo
legítima. O problema que Kant coloca é o da 「オウ」セ@ do funda
mento dos julgamentos morais. Este não e um problema histó
r1CO. Como não é psicológico, nem metafísico no sentido
dogmitico do termo. t analitico: ele procura o que faz "a
17

c.oe/tênc.ia e a unidade do.6 no.6.6 0.6 julgamento.6".

Após analisar, em toda sua pureza, as idéias mo-


rais, Kant estabelece as suas condições de realizaçao: os
postulados da razao prática. Mediante estes postulados,
pretende reafirmar os objetos da metafísica tradicional: a
existência de Deus, a imortalidade da alma e a liberdade.
No entanto, nenhum dogmatismo da antiga metafísica subsis-
te. Fiel aos Gイ・ウセャエ。、ッ@ da Crítica da Razao Pura, Kant es-
tabelece que, no domínio prático, o saber deve dar lugar
ã crença, a uma crença fundada numa necessidade da própria
razao. Se a セクゥウエ↑ョ」。@ de Deus, a imortalidade e a liberda
de nao podem ser conhecidas, podem, no entanto, ser pensa-
das: sao Idéias da razao.

Os postulados sao as condições de realizaçao do


Soberano Bem; proposto como termo da vida moral.

Pretendemos seguir Kant nesta "dema/tc.he" que va1


da análise da boa vontade até ã doutrina do Soberano Bem e
dos postulados, que restabelecem, mediante a própria críti
ca, a legitimidade do ideal humano de busca da felicidade.
I
i
18

IJ
I REFERENCIAS BIBLIOGRÃFICAS E NOTAS

1 - Evidentemente, não pretendemos dar conta deste projeto

I de estudo duma só vez. セ@ um trabaiho a ser feito


muitas etapas. O tema desta dissertaçao é apenas
em
uma

I de las.

i 2 - Entre eles, podemos citar Delbos, Emile Boutroux, Rous


I set, Ferdinand Alquié, Giles Deleuze, Philonenko, em

I cujas análises apoiamos mais diretamente o presente es


tudo.

3 - Rousset, Bernard. La Doctrine Kantienne de l'objectivi


té. Paris, J. Vrin, 1967, p. 11.

4 - Ib i d. p. 11.

5 - Ruyer, Raymond. La filosofia deI valor. México, Fondo


de Cultura, 1969, p. 8.

6 - Monod, jセ」アオ・ウN@ A ciincia, valor supremo do homem. Pa-


ris, Raison Prisent, nov./dec., 1967 . .

7 - Cf. Bunge, Mario. Etica y Ciencia. Buenos Aires, Siglo


Veinte, 3 ed, 1976, p. 13.

8 - Cf. Foucault, Michel. As palavras e as coisas. Lisboa,


Portugalia, 1966, cap. 10.

9 - Bunge, ep, cit, p. 18.

10 - Ibid, p. 18.

11 - Cf. Macintyre, A1asdair. Historia de la Etica. Buenos


Aires, Paidos, 1970, p. 16.
19

12 - Bunge, op, cit, p. 18.

13 - Ib i d, p. 12.

14 - Boutroux, セュゥQ・N@ La phi1osophie de Kant. Paris, J.


Vrin 1965, p. 273.

15 - Brunschwicg. L'idée critique et 1e systeme Kantien,


in Revue de Métaphysique et de Mora1e. Paris,
Armand Co11in, 1924, p. 166.

16 - Kant. Observations sur 1e sentiment du beau e du su-


blime. Paris, J. Vtin 1970.

J.
17 - Brunsc h w1Cg. op. cito p. 167.

18 - Ibid. p. 167.

19 - Ib i d. p. 168.

20 - Ibid. p. 168.

21 - Ibid. p. 169.

22 - De1bos, Victor, in Fondements de la métaphysique des


moeurs. Introduction. Paris, De1agrave, 1969, p. 3 e
4.

23 - Cf. Ibid. p. 4.

24 - Boutroux, op. cito p. 291 e 292.

25 - Kant. Reves d'un Visionnaire. Paris, J. Win, 1967

26 - Cf. Boutroux. op. cito p. 298.

27 - Ib i d. p. 293.
--..,

20

28 - Boutroux, op. cito p. 303.

29 - Fondements. op. cito p. 183.

30 - Kant. Critique de la Raison Pratique. Presses, 1971,


p. 2.

31 - Cf. M. Ruyssen. Revue de Metaphysique et de Mora


1e. Paris, Co1in, 1898.
21

CAPTTULO I

TEORIA VA BOA VONTAVE

A doutrina da boa vontade é exposta no início do


texto da primeira seçao dos Fundamentos da Metafísica dos
Costumes. Kant a considera uma verdade fundamental, que
estaria inteiramente contida na consciência comum. A boa
vontade, diz ele, é a セョゥ」。@ coisa boa sem restriçio, neces
sária para tornar bons todos os dons, tanto materiais,
quanto espirituais. Todo homem, segundo Kant, julga moral-
mente, e o objeto deste julgamento é a boa vontade, cUJa
idéia estaria presente no julgamento comum dos homens.Kant
-
nao estabelece, pois, teoricamente, este conceito, mas 。ーセ@

nas evoca a pureza de intençio, que constitui a própria ・セ@


sência da boa vontade, que a consciência comum segue como
regra, para julgar moralmente, tanto os talentos do espíri
to, quanto os dons da fortuna, e, até mesmo, as qualidades
l
da alma. Hã, assim, um valor incondicionado na boa vonta-
de, que se define pela bondade de nossa disposiçio inter -
na, independente da consideração de qualquer fim que o
homem se proponha. '!O que 6az com que a boa vontade セ・ェ。@
tal não セ ̄ッ@ セオ。@ ッ「セ@ ou セ・オ@ ↑クゥエッセL@ não é セオ。@ aptidão
ー。セ@ 。エゥョァセ@ ・セエ@ ou aquele 6im ーセッエ[@ é セッュ・ョエ@ o que-
セ・L@ ou セ・ェ。[@ é, em セゥ@ ュ・セ。L@ que ela é "boa".2 Nio é abso-
lutamente pela utilidade ou inutilidade das ações que se
pode julgá-la. Mesmo se a boa vontade fracassa, permanece
inteiramente boa, pois, em se tratando da boa vontade, エイセ@

ta-se, ao mesmo tempo, do emprego de todos os meios dispo-


níveis para o seu êxito, e, neste caso, o seu possível fra
casso decorreria independente da vontade do sujeito. A
intenção permanece, pois, o elemento característico da mo-
ralidade. Mas esta tem de ser uma firme intenção, que su-
põe sempre o esforço dirigido ã realização do ato que a
traduz. É evidente que Kant não pretendeu isolar a inten
- セ@ 3
çao dos atos que podem ou devem traduz1-la de fora. Se
22

uma pura intenção é essencial ã vontade, para que esta se-


ja considerada boa sem restrição, não basta, contudo, para
defini-la. "(O) valon 。「セッャオ@ da boa カッョセ。、・L@ como セ。ャL@

não ョッセ@ セョッ、オコ@ numa monal de セューャ・@ カ・ャセ、。@ ou numa


monal de ョ。」セャ、・N@ eセエ。@ セオーッ ̄@ dum ョ。」セッ@ da boa
カッョセ。、・L@ de カセ、ッ@ a 」セョオ@ セ¬Nョオ。@ ・クセョッL@ nã.o é セ@ enao
um ュ←セッ、@ de G。ョ£uセ・L@ 、・セエゥョ。ッ@ a ョッセ@ ュッセョ。@ que o valon
monal ョ・セ、L@ オョセ」。ュ・L@ na セョ・。ッN@ . - " 4 A boa vontade nao -
se confunde com o simples desejo, mas exige o emprego de
todos os meios que estiverem em nosso poder; se, apesar
disso, a boa vontade fracassa, é evidente que o valor mo
ral do ato não se altera, pois o que decide deste valor é
a pureza de intenção.

Segundo Alquié, há um aspecto obscuro na teoria


Kantiana da boa vontade, na medida em que Kant não teria
esclarecido se a reflexão sobre os meios que levariam a
escolha do mais adequado ã sua realização, estaria também
ゥョ」ャオセ、。@ / -
na açao moral. 5 No entanto, o proprio
- Alquie,
- que

aponta a dificuldade, a esclarece: Bョ・セ@ 」。セッL@ não ョ・」。セᆳ


ョz。ュッセ@ numa monal オセu£。L@ セョ・ャ」オ。L@ do cálculo, que
e, ・カセ、ョュL@ o que k。ョセ@ quen ・カセ。ョ_BV@ Kant não exclui
da moralidade o estudo e a escolha dos meios, mas não a
reduz ã maior ou menor sagacidade nesta escolha. A morali-
dade não pode ser referida a alguma coisa que lhe seja ex-
terior. Kant rejeita, não apenas ,uma moral subordinada ã
inteligência e aos conhecimentos, mas ainda a idéia de que
a virtude possa estar relacionada a uma ordem de perfeição
intuitivamente apreendida pela razão. Rejeita também a
idéia de uma moral utilitária, que relaciona a vontade aos
fins. A vontade não pode se relacionar, moralmente, senao -
ã sua disposição interna, dependendo apenas do puro querer.
Para esta idéia do valor absoluto da boa vontade,
afirmada a partir da consciência comum, Kant busca uma ーイセ@
va e um fundamento. A prova é dada mediante o argumento エセ@
leológico. A natureza delegou ã razão o governo de nossa
7
vontade. A boa vontade aparece como uma vontade submissa,
23

unicamente, à lei da razão, nada ma1S sendo que vontade イセ@


cional. Em nome de que, pergunta Alquié, Kant efetua este
salto, afirmando que a boa vontade não só é o bem em si,
mas é a própria razão? E esclarece: "Kant ・セ@ ーッ、・セ@ e6e-
エオ。セ@ ・セエ@ セ。ャエッ@ em nome 、ッセ@ セ・@ ーッセエオャ。、N@ Com ・VセエッL@
ー。セ@ ele, nada há, no homem, セ・ョ ̄ッL@ de um lado, uma セ・ョᆳ
「セャ、。・@ ・YPQセエ。L@ e, de ッオエセ@ lado, a セ。コ ̄ッN@ Se, ーッセL@ a
boa vontade nada tem a カ・セ@ eom uma セ・ョ「ャ、。@ ・YPQセエ。@ ,
ela e ーオセ。@ セ。コ ̄ッBNX@
-
Pode-se supor, conquanto estas noçoes nao este - -
jam ainda explicitadas no texto dos Fundamentos, que Kant
relaciona a sensibilidade tão diretamente a um fim, quanto
a moralidade a um princípio. Uma inclinação só se define
em relação a seu fim; um desejo é sempre o desejo de algu-
ma coisa, sendo, nesta medida, uma inclinação material.
Ora, se a boa vontade não tira seu valor de um fim, é evi-
dente que seu princípio não pode ser a inclinação, mas a
raz -ao.

Para mostrar que a idéia do valor absoluto da


boa vontade não é ilusório, Kant utiliza, como argumento ,
a idéia de finalidade da natureza: "Na ・ッョセuエ￧N ̄@ natu -
セ。ャ@ de um セ・@ ッセY。ョコ、L@ セエッ@ e, num セ・@ ・ッョセエオャ、@ em
ッセ、・ュ@ a um VセュL@ que é a カセ、。L@ 。・セエュッL@ ーセョ・ャッL@
que nele não セ・@ ・ョッエセ。@ nenhum ᅰセY ̄ッ@ que não セ・ェ。@ o ュ。セ@
・ッョカセエN@ e adequado ã. Vセョ。ャ、・@ a que. セ・@ ・Nセuョ。B@、 .. 9
Kant invoca a ordem natural das coisas, tal como
pode ser concebida pela razao; toma a idéia de natureza no
sentido de providência, e afirma que se esta tivesse por
fim apenas a nossa felicidade, teria tomado a si, -
nao ape-
nas a escolha dos fins, mas ainda a dos meios, e, com sa -
bia prudência, teria confiado ambas as coisas ao instinto.

Quando Kant utiliza este argumento da finalidade,


que é simplesmente regulador, não está pretendendo forne -
10
cer uma prova dogmática, como mostra Delbos.
24

Se as ideias, diz ele, não podem produzir um co-


nhecimento conforme às suas exigências, têm, ao menos, a
virtude de excluir o objeto que as contradiz, e, ao mesmo
tempo, o direito de sistematizar, segundo seu ponto de
vista, a ordem da natureza: e, portanto, legítimo afirmar
que a função da razão não e, seguramente, a de ser determi
nada pela finalidade, mas a de estar de acordo com ela.
"Some.nte., a:te. e.ntão, .6e. de.6-i.n-i.u ma.l uma tal 6unç.ão, pOlLque.
.6e. v-i.u, no que. .6e. ehama e-i.v-i.l-i.zaç.ão, na halLmon-i.a ne.ee..6.6a -
Jt-i.a e. -i.me.d-tata da lLazao e. da 6e.l-i.e-i.dade., a malLea e. o e.6e.-i.-
to da olLde.m ve.lLdade.-i.lLa dM eo-i..6a.6; de..6de. que. 60-i., ao eon -
tlLãlL-i.o, lLe.eonhe.e-i.do, eom Rou.6.6e.au, que. a eultu.lLa da lLazão,
be.m longe. de. tOlLnalL o home.m ma-t.6 6e.l-i.z, lhe. alLlLe.bata o go-
zo da 6e.l-i.e-i.dade. natulLal, é plLe.e-i..60 adm-i.t-i.lL que. o pape.l da
lLazao pode. .6e.lL, ne.m e.nge.ndlLado, ne.m eond-te-i.onado pOlL tal
obje.to. Em outlLO.6 te.lLmO.6, a lLazão não e. uma 6aeuldade. ・NVーセ@
e-L6-i.eame.nte. plLát-i.ea .6e.não .6e. a vontade. qu.e. e.la gove.lLna po-
-lI 11
de. .6e.lL boa pOlL .6-i. .60. Neste ponto, Kant se afasta da
chamada Filosofia das Luzes, que predominou na Alemanha du
rante boa parte do seculo XVIII. Segundo esta filosofia, a
felicidade do homem estaria assegurada pelo advento da ra-
zão (razão aplicada, razão técnica). A ciência seria a fon
te da felicidade. Não atribuindo ã razão esta finalidade
Nセ@

que o instinto 。ャ」ョ￧セ@ com maior êxito, e, pelo contrã


rio, julgando que a razão, quanto mais cultivada, mais
.
afastaria o homem do "ve.lLdade.-i.lLo eonte.ntame.nto",
12

evoca a evidência da consciência moral como tal. Busca su-


Kant
I
perar o naturalismo das teorias da epoca, não por um argu- f
mento direto, não de acordo com o metodo que emprega na ャセ@
i
seção da FMC, mas por um argumento indireto, que, admitin-
do, hipoteticamente, o ponto de vista oposto, não visa se-
nãoAdemonstrar sua falsidade. Com efeito, se o fim da von-
I セ@

t a d e f os s e a f e 1 i c i da de, o in s ti n.t o, p o r s i
No entanto, em nosso mundo, não tempos, para ag1r, apenas
s õ, b as t a r i a .
I
í
instintos, mas também a razão, razão prática em sentido ァセ@
ral, cuja verdadeira destinação não e, pois, a felicidade, f
mas a moralidade.

I
I
セ@
25

.- 13 _
Segundo Alqu1e, este naturalismo hipotetico
utilizado na argumentação de Kant, torna este texto da
FMC obscuro, uma vez que não sabemos se há de fato uma
natureza, uma finalidade. No entanto, como observa Delbos,
"e..6ta c.onc.e.pção te.R.e.oR..õg,i,c.a 60,i, u.ma da..6' c.onv,i,c.çõe..6 ma.-i..6
l.ntima.6 e. ma.-i..6 c.On..6tante..6 de. Kant; .6e., .6e.gu.ndo a ClÚtic.a ,
e.R..a não NV・セカ@ ー。セ@ 」Nッョィ・セ@ a ョ。エオNセ・コ@ (a 6,i,na.e-<-dade. não
VゥァオNセ。@ ・Nョエセ@ a..6 」N。エ・ァッセLゥV@ do e.nte.n d-<-me.nto; e..6 .lã. .e-<-gada. ao
u..6 o p オNセ。ュ・ャQエ@ セ・N@ 9 u.R. a do セ@ da.6 ,i, dê.,i, a..6 da セ。@ z ao, ou., c.om o Kant
o ・NVエ。「r」セ ̄@ mai.6 エ。セ、・NL@ 、・N」ッセ@ de. u.ma 6ac.u.R.dade. ーセ￵ᆳ
ーセ。L@ Lゥョエ・Nセュ、M\ ̄。@ ・Nョエセ@ o e.nte.nd-<-me.nto エ・N￵セLゥ」ッ@ e. a セ。コッ@
ーセ ̄NエLゥ」。@ a 6ac.u.R.dade. de. ェオNrァ。セIL@ não e. ュ・NョッセL@ c.omo e..6qu.e.ma
,i,de.aR.., ,i,nd-<-.6pe.n.6ã.ve.R. ã セ。コ ̄ッ@ ー。セ@ .6e. セ・NーVョエ。@ a ョ。Nエオセ・ᆳ
za e.m .6u.a ュ。NMゥッセ@ u.n,i,dade. p0.6.61ve.R.; e., .6ob e..6te. a..6pe.c.to, e.x-
c.R.. u.,i, to da .6 u.p 0.6 ,i, ç ã o do 9 mãti c. a .6 o b セ・N@ a..6 c. o,i,.6 a.6 q u. e. a c. o n エセ。@
、Lゥセ@ am " • 14

Se, como argumenta Kant, o fim da razão não é a


felicidade, e se , no entanto, nos foi dada como faculdade
prática, que deve, por isso, exercer influência sobre a
vontade, sua verdadeira destinação deverá ウ・セ@ a de produ -
Z1r uma vontade boa em si mesma e nao ser apenas meio para
uma outra intenção. "E.6ta vontade. não NV・セ ̄L@ na カ・Nセ、。L@ o
ún,i,c.o be.m, ne.m o be.m .lotaR..; ma..6 ê., ・Nョエセ。ッL@ ョ・N」V。セᆳ
me.nte., o be.m NVオーセ・ュッL@ c.ond-<-ção de. qu.e. de.pe.nde. todo ッオNエセ@
be.m,me..6mo toda 。NVーゥセ￧ ̄ッ@ ã 6e.R..,i,údade.".15 Não é o bem to -
tal, porque, como tal, exigiria também a posse da felicida
de, mas ê o bem supremo, porque e o bem moral, e, aSS1m, a
condição ã qual deve se subordinar, até mesmo, a busca da
felicidade. A, virtude, como Kant repete frequentemente, -
e
o que nos torna dignos de ser felizes.

Partindo do julgamento moral, conforme vimos,


tal como se encontra na consciência popular, Kant o ・ウエ。「セ@
lece como fato de razão, apoiando-se sempre na evidência'
. -.
da conSC1enC1a 1 Segundo Alqu1e,
mora. . - 16 esta eV1denc1a
. -. -
e,
afinal, o único argumento dado por Kant ao pretender reali
zar a "pa.6.6 age.m do c.onhe.c.ime.nto ュッセ。rN@ da セ。コ ̄ッ@ ーッオNr。セ@ ao
26

conhe.ci_me.nto 6ilo-6Ô6ico". Este argumento pode parecer, ao


mesmo tempo, diz Alquié, sumário e forte. Sumário, se o
analisarmos do ponto de vista dialético, na medida em que
se baseia em postulados discutíveis, como, por exemplo, a
separação, no homem, do que e sensibilidade e do que é ra-
zao. Como sabemos, em Kant, a sensibilidade se reduz ao
...
amor de si, ao eg01smo; o ato moral não pode, portanto,ser
determinado por môbiles sensíveis; sô a razao pode, nes te
caso, ser 、・エセュゥョ。N@ O aspecto sumário da argumentação
Kantiana residiria na fragilidade dos seus postulados, con
forme observação de Alquié. No entanto, me parece que,
aqui, o fato funda o postulado e não o contrário: os ho-
mens julgam moralmente, e, quando o fazem, convertem uma
máxima em princípio universal. Este é um ato racional. O
próprio ato de julgar ウオーセ・@ esta separação afirmada por
Kant. Além disso, se considerarmos que o fato moral é irre
cusável, que o valor da boa vontade não pode, efetivamente,
ser reduzido a nenhum outro, que nos encontramos diante de
um fato que nenhuma psicologia, nenhuma antropologia, ョ・ィセ@

ma história, podem verdadeiramente explicar, reconhecemos


a força da argumentação Kantiana, que utiliza a evidência
do fato moral contra toda experiência empírica. Pela expe-
riência moral, como experiência metafísica, atingimos um
absoluto, que não pode ser reduzido a nenhum sistema, qual
quer que seja. Os homens julgam moralmente. Isto não pode
ser contestado. O que Kant pretende é reivindicar, para e!.
te fato, uma existência de direito. Daí a força da propos-
ta Kantiana. Não quer inventar um novo sistema de moral,
mas legitimar, mediante uma rigorosa explicação filosófi -
ca, o que já existia implícito na consciência comum dos
homens.

I
t
i
t

II
f
i
f
1
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS E NOTAS

1 - Kant refere-se aos talentos do espírito e às qualida -


des de temperamento, como coisas boas e desejáveis,
mas que "pode.m tOJtn.aJt-.6e., também, e.xtJte.mame.n.te. mau.6 e.
6un.e..6to.6, .6e. a von.tade., que. de.ve. 6aze.Jt U.60 de.le..6, e. QU
ja..6 d..t.6po.6..tç.õe..6 pJtõpJt..ta..6, pOJt ..t.6.6 o, .6 e. Qhama QaJtã.te.Jt ,
!
n.ão 60Jt ab.6olutame.n.te. boa." FMC. p. 88.
!!
Pelo temperamento, o homem é afetado, em sua ma- I
neira de agir, pelo estado geral do organismo. Pelo ca
ráter, a vontade se determina por princípios práticos,
prescritos pela razão. Em Kant, segundo Delbos, "o te.m
pe.Jtame.n.to jエ・ーセNVョ。@ o que. a n.atuJte.za 6az do home.m, e.
I
o QaJtã.te.Jt o que. o home.m 6az de..6..t me..6mo." FMC,
nota de Delbos.
p.88,
II
Os dons da natureza, o poder,
deração, e, mesmo, a saúde, podem se converter em pre-
a r1queza, a conS1
I
sunção, se a boa vontade não dirigir para fins univer-
sais a influincia que estas vantagens
ma. Cf. FMe, p. 88.
tim sobre a aI - I.!
i
;

Parece haver um consenso em que, nestes


pode haver um bom ou mau uso; mas, para Kant, mesmo
casos,
If
certas qualidades que eram consideradas verdadeiras
I
virtudes pelos moralistas antigos, como a moderação
I
nas emoções e nas paixões, auto-domínio e calma, refle
xão, não são morais em si mesmas. Cf. FMC, p.89; Cf.
II
I
Alquié, p. 20.
I!
2 - FMC, op. ci t. p. 89.
iI
r
í
3 - Delbos, Victor. La Philosophie Pratique de Kant. Paris, I
P re s s e s, 3 e d, 196 9, p. 260.
II
セ@

4 - Alquié, Ferdinand. La Morale de Kant, Les lours de Sor ,


bonne. Paris, Centre de Documentation Universitaries,
p. 20.
t
I
I
28

5 - Cf. Ibid. p. 21.

6 - Ibid. p. 21.

7 - FM C , op. c i t. p. 9 O •

8 - Alquié, op. cit. p. 22.

9 - fmcセ@ op. cit. p. 90.

10 - Cf. Del b os, op. c i t. p. 262.

fr

11 - Ib i d. p. 2 62 . セ@
1

t
12 - FMC p. 92. Segundo Kant, desde que a razao se ocupe de -
nossas necessidades, as multiplica e as agrava.
disso, quanto mais cultivada, menos pode encontrar
Além
no
I
que se 」ィセュ。@ as alegrias da vida, o verdadeiro conten- t
tamento. Cf. Delbos, op. cit. p. 261.

Kant utiliza o termo platônico misologia, ou se-


Ja, ódio à razão, que seria experimentado por todos os
que fazem do uso da razão a maior experiência. Cf. FMC
I!
p. 92; Cf. Delbos, op. cit. p. 261.

13 - Alquié. op. cit. p. 24.


i
14 - FMC. op. cit. p. 90, nota de Delbos.
I I
15 - Ibid. p. 93. I!
16 - Alquie, op. cit. p. 29.
íI
I
i

II t

I
!
t
t
y
!
i
i
,
1
!
29 1
I

il , CAPÍTULO 11
t

セ@ 1
1 r
o VEVER INCONVICIONAVO I
I
t
I
I
!
A análise do conceito de boa vontade nos conduz
diretamente ao conceito de dever. Com efeito, urna vez que
Gョ。セ@ ョッセ。@ ・ッョ、ゥ￧￵セL@ toda vontade não é boa ョ・セ。ゥᆳ
mente, nem セ・ュ@ di6ieuldade, o eoneeito de boa vontade não
セ@ e ーセ・エ。 ̄N@ a uma 。ョ ̄Nャゥセ@ e exata, セ@ enão セ@ e eonduzido a um
ッオエセ@ eoneeito, que engloba,eom a boa vontade, ッセ@ ッ「セエ ̄N・@
ャッセ@ ou 。セ@ ャゥュエ。￧￵・セ@ que ・セエ@ ・ョッエセ。@ - ・セエ@ novo ・ッョセ@ \
to セ・ ̄N@ o de 、・カセZj@ A boa vontade i a que age por dever. I
O dever implica a submissão à lei moral, que i própria de
toda boa vontade, mesmo de urna vontade santa, mas nao
reduz a urna tal submissão, porque, em se tratando
-
do de-
se I!
!
ver humano, nao traduz, simplesmente, a presença da
mas o choque entre a boa vontade e as tendincias. Gセ@
lei,
eon-
I
eeito de 、・カセ@ é ja, em セゥ@ ュ・セッL@ o eoneeito dum ・ッョセエ。@
gimento do ャゥカセ・@ 。セ「zエゥッ@ pela lei!,2 De fato, os seres
racionais-finitos, corno os homens, em que a razão coexis-
!!
te com a sensibilidade, não exercendo sobre esta urna 1n- ,
fluincia imediata, tim de empreender urna dura luta para I•
que sua vontade se torne urna boa vontade.
mais urna vez, marcada a presença da separação
Vemos
que,
aqu1,
em
Il
Kant, i radical, entre a razão e a sensibilidade; corno es
ta se reduz ao amor de si, ao egoísmo, i inimiga da カゥイエセ@
de; para ser virtuoso, o homem deve sair vitorioso de sua
luta contra a sensibilidade. Baセ@ エ・ョ、↑Nゥ。セ@ da. ョ。エオセ・コ@
・セゥ。ュL@ ーッセエ。ョL@ no ・ッセ。￧ ̄@ do homem, ッ「セエ ̄N・オャ@ ao eum-
ーセゥュ・ョエッ@ do 、・カセ@ e, também, Vッセ￧。@ ッーセエ。@ (em ー。セエ・L@ ーセ@
、・セッ。IL@ que o homem deve セ・@ ェオャァ。セ@ eapaz de ・ッュ「。エセ@ e
カ・ョセ@ pela セ。コ ̄ッL@ não セッュ・ョエ@ no VオエセッL@ ュ。セ@ também, no
ゥョセエ。・@ ュ・セッ@ em que ー・ョセ。@ ョ・ャ。セ[@ em ッオエセ@ エ・セュッL@ o ho
mem deve セ・@ ェオャァ。セ@ eapaz de ーッ、・セ@ o que a lei lhe ッセ、・ョ。L@
ineondieionalmente, eomo o que deve V。コ・セZLS@ Kant chama co
ragem Hセッイエゥオ、ョO。@ Vッセ￧。@ e a 、・ゥセ ̄ッ@ セ・Vャエゥ、。@ de ッーセ@
uma セ・ゥエ↑Nョ。@ a um 。、カ・セ ̄Nゥッ@ ーッ、・セL@ ュ。セ@ ョェオセエッ[LT@ゥ
30

esta coragem e virtude("virtus, fortitudo moralis"), quando


se trata do adversário que a intenção moral encontra em nós
mesmos.

Kant se refere, na Doutrina da Virtude, a dois


tipos de deveres: o dever de virtude e o dever de direito.
Neste, o constrangimento e exterior; naquele, -
e pessoal,
porque se trata apenas da representação da lei. Aqui, o
conceito de dever se torna um conceito etico, implicando a
determinação interna da vontade (os móbiles). A doutrina
do direito envolve apenas a condição formal da liberdade.
Em compensação, a etica nos oferece ainda uma materia (um
objeto do livre arbítrio), um Fim da razão pura, que esta
apresenta, ao mesmo tempo, como um fim objetivamente neces-
5
sário, quer dizer, como um dever para os homens.

Relativamente ao dever, como conceito etico., Kant


distingue três tipos possíveis de ação - contrário ao de-
ver, conforme ao dever, mas para a qual os homens não têm
nenhuma inclinação e, conforme ao dever e, ao mesmo tem-
po, a uma inclinação imediata. Os dois primeiros tipos
-
nao apresentam dificuldade para serem julgados, o que nao
ocorre com o terceiro, em que e difícil discernir se os ho
- por dever, por incli-
mens foram levados a praticar a açao
nação ou por tendência egoísta. aウセュL@ pode ocorrer, e,
freqUentemente, -
ocorre, que as açoes sejam conformes ao de
ver, mas não praticadas por dever. O valor moral estaria
ligado ã prática do dever pelo dever e não por inclinação,
e mesmo a despeito de toda inclinação contrária.O conceito
de dever supõe a realização de um ato inteiramente livre
de qualquer comprometimento pessoal ou social, ou mesmo de
qualquer particularidade da natureza humana e que, embora
possa trazer benefício, nao e praticado com este fim, mas
tao somente por dever. Em Kant, o princípio do dever, en-
quanto derivado da razão pura, nao pode se conciliar com a
doutrina da felicidade, porque, nesta, o dever não determi-
naria imediatamente a vontade, exigindo a mediação da feli
cidade que, neste caso, ser1a o verdadeiro princípio motor,
6
que conduziria o homem a agir virtuosamente.
31

Para saber quais as açoes verdadeiramente morais,


Kant analisa vários tipos de ações cumpridas segundo o de-
ver, considerando, não a conformidade exterior, mas o 。」ッセ@
do interno entre seu móbil e o dever; Nesta análise, fi-
ca definido que a condição essencial da ação moral está li
gada ã recusa de toda inclinação como móbil determinante.
O primeiro exemplo, do ュ・セ」。、ッ@ ーセ・カョゥ、ッL@ que estabelece
um preço fixo para todos, é um "exemplo de ação conforme ao
dever, para a qual o sujeito não é levado por nenhuma 1n-
clinação imediata, decidindo-se por uma inclinação indire-
ta, que é um cálculo de interesse.,,7 Kant afirma que, ョ・セ@
te 」。ウッLGセ・@ i lealmente セ・カゥ、ッL@ ュ。セ@ ゥセエッ@ ョセッ@ i ainda セオVヲ@
ciente que daI セ・@ ー。セ@
セ・エゥ@ a convicção de que o ュ・セ」。ᆳ
、ッセ@ セ・@ tenha conduzido ーッセ@ 、・カセ@ e ーッセ@ ーセゥョ」iッ@ de ーセッ「ゥᆳ
dade; @セ eu ゥョエ・セ@ e o exigia ... ,,8 Segundo Alquié
há, neste exemplo, uma hipótese que Kant não considera: -e
a de que este mercador ame seus clientes e que, por isto,
seja honesto. Resta saber se não se incidiria ai no que
Kant chama de amor patológico, derivado das inclinações, e
que, como tal, não pode ser ordenado. A
-un1ca
. forma de
amor que pode ser ordenado é o amor prático, que procede
da vontade.
li -
Os outros sao exemplos de -
açoes exteriormente
conformes ao dever, mas, a respeito das quais, e preciso
se perguntar se elas lhe são também interiormente confor-
mes - o sujeito pode cumpri-las tanto por inclinação imedi
\\ , ,,\.
ata, quanto por dever. セ[N@

Considerando o exemplo daquele que faz o bem aos


outros, sem que a isto seja levado por uma inclinação 1me-
diata, afirma Kant:"i aqu-<.., ーセ・」ゥ。ュョエL@ que 。ーセ・」@ o va
ャッセ@ do 」。セ ̄エ・L@ カ。ャッセ@ ュッセ。ャ@ que i ゥョ」ッュー。セカ・ャエ@ o ュ。ゥセ@ i
alto, ーッゥセ@
d ・カセN@
」ッョセゥエ・@
,,9
em V。コ・セ@ o bem, não ーッセ@ ゥョ」ャ。￧セッL@
I
I
ュ。セ@ ーッセ@

Kant fala ainda do suicídio e declara que 」ッョウ・セ@


var a vida é um dever que se cumpre, em geral, não por de-
ver, mas por inclinação imediata, não tendo, neste caso,
valor moral.
I
32
I
I

I
!

No entanto, se alguem conserva a própria vida, quando .- i


Ja
nao a ama, por dever, - -
so entao a sua maxima tem valor mo-
1
ral.
10
!
i

Estes exemplos, mediante os quais Kant pretende t


apenas enfatizar a noção de dever, fazendo-a ressaltar em t
meio a tudo que, por ma1S que se lhe assemelhe exteriormen í
te, a contraria, têm ocasionado algumas interpretações
sua doutrina, que não resistem a uma análise mais aprofun-
dada. Fala-se muito do rigorismo Kantiano: sua doutrina
de
I
seria excessivamente rigorosa, na medida em que pretende
que as açoes, para serem morais, não apenas desconsiderem
as inclinações, mas, ainda, lutem contra elas.
11 Assim, a
boa vontade, ou a vontade de agir por dever, não se revela
I
seguramente senao quanto esta em luta com
naturais,
_
as
e parece bem que Kant termina por fazer, do cara-
disposições
I
tI
ter que permite reconhecê-la, o caráter mesmo que a cons-
i
titui. Dai, o rigorismo de sua moral. Pelo desfavor em que I
ele parece lançar os bons sentimentos espontâneos e a ale- t
I

I
gria de viver, pela rude austeridade que parece impor ao
cumprimento do dever, este rigorismo não deixou de provo -
car vivas repugnancias. o carater, a educação, o pais de f
!
origem, ate mesmo a idade do filósofo, foram responsabili-
zados.
tiana
12
13
No entanto, são muitos os estudiosos da obra Kan
,que discordam desta interpretação, considerando que
I
o rigor decorre'do próprio objetivo da análise teórica que
Kant realiza, que ê distinguir o dever da inclinação que
lhe e conforme. o problema que ele se propõe ê o de esta- I
f
belecer o fundamento moral. Poderia a moral ser fundada I
sobre as inclinações ou, mais precisamente, sobre a idéia
que representa o maior contentamento possível de todas as
inclinações, sobre a ideia da felicidade?
sistentemente uma tal possibilidade.
Kant rejeita 1n
A moral e uma
-
.-
C1en-
I
cia pura, uma Metafísica dos Costumes e,
de proceder, num mínimo que seja, segundo
como tal, nao po-
determinações I
sensíveis. Kant combate a concepção de Wolff que admitia
uma harmonia direta entre a faculdade inferior e a faculda
iI
セ@

,
I

Ir
t

I
33

de superior de desejar. Para ele, o eudemonismo sucumbe


num círculo vicioso inevitável. "o eudemonista, com efei
to, não pode esperar ser feliz (ou gozar duma felicidade
interior), senao se está consciente de ter observado o de
ver; e nao pode ser conduzido a observar seu dever, senao
, 14
vendo, de antemão, que se tornará feliz assim ヲ。コ・ョ、ッセ@ A
ideia de felicidade não poderia ser uma ideia racional ーセ@
ra. "Há contradição entre a materia e a forma desta ideia.
Por sua forma, coloca um todo absoluto, o maximum de bem
estar possível para o presente e para o futuro; ela exigi
ria, portanto, se devesse ser exatamente determinada, o
pleno conhecimento de todas as condições que podem nos
tornar felizes. Na falta desta consciência, nos conten-
tamos com observações e regras empíricas. Por sua materia,
portanto, a ideia de felicidade não se compoe senão de da
dos particulares, mais ou menos justamente generalizados.
Ela e ,- -
afinal, um ideal, nao da razao, mas da imaginação,
ideal totalmente incerto que o homem, em busca do prazer,
sacrifica, prontamente, a uma inclinação mais poderosa e
de satisfação mais segura; ideal totalmente indetermina-
do e, embora cada um deseje, sem nenhuma dúvida, ser fe-
liz, ninguem pode, entretanto,dizer, com justeza, o que,
em consequencia, deseja e quer verdadeiramente.,,15 A se
vera condenação do princípio da felicidade não signifi-
ca, contudo, absolutamente, que Kant recuse ao homem o di
reito ã felicidade. Veremos, mais adiante, que a felici
dade ê uma das condições do soberano bem, ao qual a ra-
zão tende necessariamente. Kant tambem não condena as
inclinações em si mesmas, nem julga que, para se ag1r mo
ralmente, seja necessário estar em desacordo com todas
as disposições naturais. O que, em verdade, pretende ê
mostrar que o princípio da moralidade ê totalmente inde-
pendente das inclinações e da busca da felicidade. Da
mesma forma, não se pode dizer que, para Kant, seja imo-
ral,ou moralmente indiferente, conservar a vida, fazer
bem aos amigos ou procurar a felicidade. Ele observa 。ーセ@

nas que, nestes casos, ê difícil saber se as ações deri-


34

t
I
vam ou nao da boa vontade.
!
As noções precedentes podem ser resumidas
três proposições em que Kant precisa o conceito de dever:
nas
l
na primeira proposição, afirma que, para possuir
moral, a ação deve se realizar por dever. Na segunda ーイセ@
valor
I
!
"uma ação c.umpJz.ida pOJz. deveJz. :tiJz.a .6eu va.toJz.,
posição, que I
não do a.tvo a .6eJz. a.tc.ançado poJz. e.ta, ma.6 da máxima que
a de:teJz.mina; não depende, pOJz.:tan:to, da Jz.ea.tidade do ッ「ェセ@
I
:to da ação, ma.6 .6omen:te do pJz.inc.Zpio do queJz.eJz., .6egundo t
!
o qua.t a ação e pJz.oduzida,.6em .tevaJz. em c.on.6ideJz.ação ne-
nhum do.6 obje:to.6 da 6ac.u.tdade de 、・NVェ。jコBャセ@ Com efeito,
a ação cumprida por dever não pode ser caracterizada por
I
seus objetos, uma vez que a realidade destes atesta ape-
nas uma conformidade exterior ao dever.
to, é preciso que a vontade seja determinada por
Como, no entan-
alguma
II
[
í
」ッセウ。L@ resta-lhe, como princípio determinante, a forma I
do querer em geral, uma vez que todo princípio material
II
lhe foi tirado. o valor moral não resulta dos fins e mo
íí
I
biles da vontade, mas do princípio segundo o qual ela se
determina que,
-
sendo interior aos objetos de nossas セョM II
clinações, e independente deles. A vontade está coloca
da entre seu princípio a pJz.ioJz.i e seus mõbiles a pO.6 :te-
Jz.ioJz.i. O princípio a priori é formal porque e uma regra,
- -
cuja universalidade deriva da pura forma da razao; os
biles a posteriori são materiais, porque são fornecidos
ュセ@

I
pelos objetos ou pela matéria da faculdade de desejar.
-
A ter c ei,ra proposiçao, em que Kant o

I
ーイ・」セウ。@

conceito de dever e a seguinte: "O deveJz. -e a nec.e.6.6idade


de c.umpJz.iJz. uma açao poJz. Jz.e.6 pei:to a- .t e-<..
.,,17 Aparecem aqui
!!
duas noçoes novas, a de respeito e a dê lei, que 、・ウューセ@
nharão importante papel na doutrina Kantiana da moral. A
lei moral, sendo um conceito puramente intelectual, pode I I

servir de mõbil graças ao sentimento de respeito, que se


liga diretamente ã representaçao da lei. Este importante
papel atribuído ao sentimento de respeito pode ser me-
lhor compreendido graças ã análise da vontade humana, co
35
I
I
!

mo vontade dum ウ・イセ@ em que a razão está associada à sensi


bilidade. Uma tal vontade tem motivos e móbiles. É ーイ・」セ@ I
I
so, portanto, que haja motivos e móbiles morais. Caso con
trário, não estaríamos satisfazendo às estritas condições
da moralidade. Assim, a lei moral, da qual, no plano mo-
I,
i
ral, tudo decorre, deve ser, não apenas o princípio for-
,t
mal de determinação, mas ainda, o princípio material, ob-
jetivo,e o princípio subjetivo, ou seja, o móbil. A ques- Il
tão do móbil, como observa Alquie,"ê muito mai.6 e.mbaJtaça!!:.
te. que. a do motivo. No que. セッョ・Njエ@
me.nto, de. que. .60 o .6e.Jt jエ。セゥッョャ@ ê セ。ーコ@
ao motivo, o de..6dobJta
la Jtazão não .6 e.
I
l
.6e.paJta, e.m Kant, de. uma セ・Njエ。@ セッョNVゥ↑。@ de. .6il pe.Jtmite. !
Jte..6olve.Jt a que..6tão. O age.nte. mOJtal, paJta .6e. de.te.JtminaJt .60
pe.la 60Jtma da Jtazão, pode. pJtoje.taJt e..6ta 60Jtma diante. de.
.6i paJta 6aze.Jt de.la um motivo. Ei.6 aI pOJtque. Kant 、・Nセャ。jエ@
que. .6e.Jt moJtal セッョNVゥエ・@ e.m .6e. Jte.pJte..6e.ntaJt a pJtopJtia le.i e.m
todo o .6e.u JtigoJt e. .6ua autoJtidade. e. 6aze.Jt de..6ta Jte.pJte..6e.n-
tação o ーjエゥョセiッ@ de.te.Jtminante. da vontade.:'18 Aqui, -
nao
-
salmos jamais do plano da razao. No que concerne ao mo--
bil, no entanto, trata-se de operar a síntese da lei mo-
ral e da sensibilidade. Estamos aqu1, repete Alquie, dian
te. de. uma .6ituação e.xtJte.mame.nte. 、・Nャゥセ。L@ uma ve.z que. tu-
do o que. Kant diz e. Jte.diz, ê que. ーjエ・NセゥV。ュョ@ a .6e.n.6ibili
dade. ê V・Nセィ。、@ .6obJte. .6i, que. ê amoJt de. .6i, que. ê, puJta e.
.6imple..6me.nte.,e.goI.6mo. Como, poi.6, ・Nョセッエj。L@ ne..6ta .6e.n.6i
bilidade., um mobil mOJtal? セ@ セャ。jエッ@ que. .6e. a vontade. jエ・Nセoᆳ
Jte..6.6e. a um '.6e.ntime.nto' pJte.liminaJt, a ação pe.Jtde.Jtia todo
セ。jエ ̄・N@ moJtal. A.6.6im,.6o a le.i pode. .6e.Jt mobil; ma.6, que.m 1,
t
diz le.i, diz Jtazão pUJta e. que.m diz mobil, diz ーjエ・NセゥV。ュョᆳ t
!
te. a6e.tividade.. Como, poi.6,a le.i pode. .6e.Jt mobil?"19 Nesta
perspectiva, a questão e insolúvel. Assim, Kant a substi-
i
tui por uma outra questão: que deve a lei produzir na al-
I
e
I
ma para ser móbil?20 O respeito
desperta em nós e mediante o qual ela se torna um móbil.
o sentimento que a lei
I
Por isso, o respeito tem sido considerado como um interme
- -
I
diário entre a sensibilidade e a razao, como uma .
espec1e
I
de sentimento intelectual, que deve produzir, ーイッァ・ウゥカセ@ I
I
36

'mente, uma adaptação de nossa sensibilidade à razao. É um


sentimento especificamente distinto de outros sentimentos,
p01S, por sua origem e por seu papel, tem a própria lei
por objeto. Kant o define como um sentimento セオゥ@ ァ・ョセゥL@

que não se confunde com um julgamento sobre um objeto que


21
seria nosso dever realizar ou favorecer. Produzido por セ@
uma idéia pura, enquanto os outros sentimentos são produ- I
zidos por objetos, é a impressão que a lei exerce sobre a
nossa sensibilidade, é a consciência que temos de ser sub
I
missos a esta lei. Com efeito, não se pode ter
por uma inclinação, nem pelos resultados da ação, mas pe-
respeito
II
lo princípio que determina a vontade. É a consciência de }
I
nossa subordinação à autoridade absoluta da lei moral, que I
i,
e estritamente racional, absolutamente pura. Como tal,
opõe-se às pretensões da sensibilidade,
próprio e nos impõe, por isso, uma espécie de humilhação;
limita nosso amor I
por outro lado, nos sendo interior e fazendo
de seu valor a vontade que a reconhece, nos faz reconhe -
participar
I
cer nossa dignidade,
por nos mesmos.
exaltando a estima que devemos
É a lei, assim considerada, enquanto de-
ter
I
!
termina a vontade, nao só objetivamente, mas também ウオ「ェセ@
tivamente, como móbil, que nos inspira respeito. Este nao - I
\
se dirige jamais às coisas, mas às pessoas, não por si
mesmas, mas na medida em que, por sua conduta ou por seus
talentos, nos ofereçam exemplos ou símbolos da lei 」オューイセ@
I !
22
da.

o respeito é determinado a ーセゥッ[@ a sensibili-


I
dade e sua condição, mas -
nao -e sua causa verdadeira. " O I
ョ・セ@

ャッセN@
pei:to e o que 」Nィ。ュセzッL@
Ele 。ーョ・セ@
。YPセL@

en:ta セ@ eu obje:to, na0


um
- c.omo
セ@

ョ・セ@
en:timen:to de va-
pei:tado de na- I!
:to, ュ。セ@ c.omo ョ・セ@ pei:tável de d'-<..ne-<..':t,,23
o. i
Este é, segundo Delbos,
te novo, na evolução do pensamento kantiano
o aspecto verdadeiramen
a ideia de
It
f
(

que um sentimento, indispensável à realização da razão ーセ@ !


t
10 sujeito, possa ser determinado a pnioni. É por esta \
I
evolução que a filosofia transcendental pode, agora,
preender a moral que, segundo a Crítica da Razão Pura,era
com-
I '.

!!
--1
37
iI
I
I
I
ainda excluída, porque todos os conceitos práticos esta -
.
r1am re l '
aC10na d os a o b Jetos
. d e nosso sent1mento.
. 24 I
o sentimento de respeito, associado ã noção de
dever, ao mesmo tempo que o define, anuncia algumas de suas
mais importantes características - o dever, se não contem
nada de agradável, tambem não indica coação; determina a
vontade, mediante uma lei que encontra, por si mesma, aces
so ã vontade e que desperta sempre o respeito, ainda que
nem sempre produza a obediência. O respeito não pode, de
fato, impedir que as inclinações se voltem contra a lei,
mas produz um sentimento de desprezo de si que acompanha
a violação da lei. Não existe, diz Kant,"homem t.ão depJz.a-
vado que não セョエN。L@ em セ@ ュ・セッL@ enquant.o カセッャ。@ a ャ・セL@
uma jコN・セエ↑ョ」。@ e um セ・ョエNュッ@ de 、・セーjコNッ@ poJz. セ@ PJz.õ-
ーjコNセッL@ o que o conduz a exeJz.ceJz. um 。オエNッM」ョセjコァュ・、RU@

Sigamos as conclusões de Alquie sobre o senti -


mento de respeito: GセッjコN@ セオ。@ t.eoJz.ia de jコN・セーエッL@ Kant. ・ャセュ@
na t.udo o que セ・@ ーッ、・jコNセ。@ chamaJz. ッセ@ カ。ャッjコN・セ@ ーセ」ッャ￵ァL@
e, com ・ャセL@ o oJz.gulho, a ッjコNァオャィセ@ a a6iJz.maç.ão de セL@ ca.,ia
。ッセ@ ・セエN￵」ッ@ FazeJz. o bem poJz. oJz.gulho, pOJz. nobJz.eza, pelo
セ・ョエNュッ@ de セオー・jコNッゥ、。L@ poJz. ァッセエN@ ・セエN」ッL@ ou 。セョ、G@
pOJz. セュー。エNL@ poJz. ァ・ョjコNッセゥ、。L@ t.udo セエNッ@ pode セ・jコN@ agJz.adã
vel, exalt.ant.e, 。、ュセjコN ̄カ・ャL@ ュ。セ@ não セ@ jコN・セーエ ̄カャL@ em セ・ョᆳ
t.ido ・セエNjコッ@ O que セ@ jコN・セーエ ̄カャ@ セ@ a ャ・セ@ e o homem que
age pOJz. deveJz.. Va ュ・セ。@ 6oJz.ma, o jコN・セーエッ@ セ・@ セ・ー。jコN@ do va
loJz. mOJz.al do セ。ァjコN、ッ@ e de t.udo o que paJz.ece 、セカョッ@ ( ... )
Com ュ。セ@ 6oJz.t.e Jz.azão, o セ・ョエNゥュッ@ de jコN・セーゥエッ@ セ・@ セ・ー。jコN@

de t.odo セ・ョエNュッ@ que ーッセ。@ conduziJz. o homem a セ・@ セョ」ャᆳ

naJz. ant.e a ュ。ェ・セエN、@ ou ant.e a 6oJz.ç.a 、。セ@ jコN・。ャセ、@ ィゥセエN￵@


• 0"'-/0' , ,,,26
jコNセ」。L@ ーッセ」。@ ou セッ」。N@
38

refセエnᅦャas@ BIBLIOGRÃFTCAS

1. DELBOS, op. cit, p. 262.

2. KANT, Metaphysique des Moeurs, 2a. Partie, vッ・エセゥョ@


de la カ・セエオL@ Paris, J. Vrin, 1968, p. 49.

3. Ibid, p. 50.

4. Ibid, p. 50.

5. Cf. Ibid, p. 50 e 51.

6. Cf. Ibid, p. 45.

7• FMC, op. cito p. 95, nota de Delbos.

8. Ibid, p. 95.

9. Ibid, p. 97.

10. Cf. Ibid, p. 96.

11. Cf. Crítica de Schwartz citado por Boutroux, 1n La


ーィゥャッセ・@ de Kant, Paris, J. Vrin, 1965, p.277.
12. Delbos cita algumas dessas críticas;"KHrner percebia
em algumas partes da obra de Kant os traços rudes
e frios do homem do norte. Lichtenberg se pergun-
tava se muitas teorias de Kant, sobretudo, as que
ウセ@ ã lei moral, não eram
referiam o produto de
urna idade, "onde 。セ@ ー。ゥク￵・セ@ e 。セ@ ッーゥョ￵・セ@ ー・セ、ᆳ
セ。ュ@ セオ。@ Vッセ￧。BN@ Schiller falava do aspecto moroso
da filosofia prática de Kant, e deplorava que es-
ta serena inteligência não tivesse êxito em supe-
rar as sombrias impressões da juventude. Cf. Del-
bos, op. cito p. 264."

13. Ibid. p. 264 e seguintes; Cf. Boutroux, op. cito


p. 277 セ@ seguintes.

14. vッ・エセゥョ@ de la カ・セエオL@ op. cit, p. 46.

15. DELBOS, op. cito p. 268.

16. FMC, op. ci"t. p. 99.


39

17. Ibidem, p. 100,

18. ALQUIÉ, op. cito p. 117.

19 . Ibid. pg. 117.

20. Sobre a legitimidade de uma tal substituição. Cf.


A1quie, op. cito p. 117.

21. vッ・エセゥョ@ de la カ・セエオL@ op. cito p. 74.

22. Cf. FMC, op. cito p. 102, De1bos, op. cito p. 275.

23. ALQUIÉ, op. cito p. 119.

24. Cf. De1bos, op. cito p. 277.

25. vッ・エセゥョ@ de la カ・セエオL@ p. 50 nota.

26. ALQUIÉ, op. cito p. 119.


40
I
,,f!
CAPTTULO 111
,
f
セ@

!
A LEI MORAL
I

A lei moral não pode se basear na generalidade


de uma tendência, como, por exemplo, a generalidade psico-
lógica do princípio do prazer, pois, ainda que o desejo de I t
t
gozar seja inato, não há possibilidade de chegar ã unidade
das consciências individuais, pois o prazer desejado
um indivíduo reveste-se de especificidade, sendo impossí -
vel encontrar uma categoria única de prazer, que compatibi
por
I
I
1
lizasse as diferenças entre os indivíduos. Para harmonizar
-
os diferentes atos individuais da vontade, o caminho
consiste em atribuir-lhes a todos o mesmo conteúdo real,
nao
I
mas submetê-los ã direção de um fundamento determinante 1
universal. Só nesta unidade de fundamento, pode-se encon - t
í
trar a base para uma objetividade ética, para um valor mo- !
ral independente e incondicionado. A lei moral ordena pen-
sar a máxima de nossa vontade como princípio de uma legis-
lação universal. "Re.plLe..6e.nt:a.lL-.6e. a. le.J.. mOlLa.l e.m .6J.. me..6ma.
O que. .6e.gulLa.me.nt:e., não t:e.m luga.lL .6e.na.o num .6e.lL lLa.QJ..ona.l, e.
6a.Ze.lL de..6ta. lLe.plLe..6e.nta.ção, e. na.o do e.6e.J..t:o e..6pe.lLa.do, o
pJr.J..nQZpJ..o de.t:e.lLmJ..na.nt:e. da. vont:a.de., ê a. únJ..Qa. QOJ...6a. que. po-
de. .6e.lL Qon.6ide.lLa.da. o be.m pOlL e.xQe.lênQJ..a., a. que. Qha.ma.mo.6 ュセ@
lLa.l, que. .6e. e.nQOnt:lLa. plLe..6e.nt:e. já na. PlLÔpJr.J..a. pe..6.6oa. que.
a.ge. .6e.gundo e..6t:a. le.J.., ma..6 que. não .6e. de.ve. e..6pe.lLa.lL .6ome.nt:e.
- ,I
do e. 6e.J..t:o de. .6 ua. a.ça.o. I

A lei, cUJa representaçao determina a vontade,


deve ter um caráter de universalidade, sendo válida para
todos os seres racionais, na medida em que ultrapassa, in-
finitamente, em autoridade, nossa vontade individual. Kant
substitui, aqui, a noção de homem pela de ser racional. f
evidente que "e.le. não de..6Qonhe.Qe. que. ê o QonQe.J..t:o de. home.m
que. lhe. .6uge.lLe., dJ..lLe.t:a.rne.nt:e., o QonQe.J..t:o de. .6e.lL lLa.QJ..ona.l e.m
ge.lLa.l. Ma..ó e.le. na.o a.drnJ..t:e. que. e..6t:e. QonQe.J..t:o .6 e.
f (
41 セ@

It
'Ja o resultado de uma espécie de generalização de certos
caracteres."2 O que preten d e, '
com 1SS0, -
nao -
e, ,
propr1amente,
I
impor ao homem uma tarefa sobre-humana, mas mostrar que o
principio moral não deve resultar da observação da ョ。エオイセ@
za humana, que, como tal, só poderá fornecer determina-
I
1

ções contingentes. O empirismo e, aqui, o alvo de contes I


tação. O empirismo é o inimigo da moralidade,

teza objetiva. Nesse ponto,


como o é da
ciência, porque suprime ou nega as condições de toda cer-
é interessante observar que,
I ,
セ@

I
apesar da preocupação dos filósofos empiristas com a アオ・セ@
- fundam a moral sobre os princi-
tão moral, mesmo eles nao
pios empiristas.
II
セ@

Kant não coloca a questao de saber se há outros I


seres racionais,
rá, de fato,
alem do homem. O julgamento analisado ウセ@
o julgamento humano, mas este julgamento en-
!!
contrará em si mesmo sua justificação, revelando seu pró-
prio principio de certeza. Não é do ponto de vista ヲ・ョッュセ@
nal que o homem e sujeito moral, mas do ponto de vista de
sua existência como ser em si, ou seja, enquanto possui, !
como ser racional, uma faculdade de agir especificamente I
distinta das tendências observáveis em sua existência em-
pírica. Há, certamente, em Kant, afirma Delbos,"um ILeali.6
I
mo mOILal, como há um ILeali.6mo cientZ6ico; ma.6 e.6te ILeali.6
mo e.6tá inteiILamente contido na a6iILmação de que a nece.6-
.6idade da mOILal, como a da ciência, não deve .6eIL deteILmi-
I
nada pOIL nenhum do.6 .6eu.6 objeto.6 mateILiai.6, ma.6 .6e deve ã
.6ua legalidade ILacional, ã .6ua Ge.6etzmfr.6.6igQeit. POILtanto,
,!
6alaIL da.6 lei.6, que deteILminam a vontade dum .6eIL ILacional l
t
em geILal, é, .6imple.6mente, enunciaIL a.6 condiçôe.6 que 6a- セ@
f
zem com que a vontade humana .6eja deteILminada pOIL lei.6; ,t
o apaILente duali.6mo do.6 .6eILe.6 ILacionai.6 e do.6 homen.6, não
é de6inido pOIL uma ILelação de gêneILo ã e.6pécie, ma.6 pela
di.6tinção que é pILeci.6o e.6tabeleceIL entILe o elemento ILa- I t
cional de toda mOILalidade objetiva e a ILealidade empZILica
na qual e.6te elemento é in.6eILido; mai.6 .6imple.6mente,
pOILque a.6 lei.6 mOILai.6 valem paILa a vontade dum .6eIL ILacio
nal em geILal, que ela.6 valem paILa no.6.6a pILópILia vontade".3
é
I [

I !
Esta concepçao de Kant foi objeto de muitas críticas. Se-
gundo Schopenhauer,"Kant óaz da Jtazão pUJta uma coi.6a que
.6ub.6i.6te pOJt .6i, uma hipó.6ta.6e; ei.6 aZ como é conduzido a
nataJt de .6eJte.6 Jtacionai.6 em geJtat. Ma.6 ninguém pode,!egiti
mamente, concebeJt um gêneJto, que .6Ó conhecemo.6 mediante uma
unica e.6pécie, pOJtque não .6e pode tJtan.6poJttaJt ao geneJto o
que é tiJtado de.6.6a unica e.6pécie ... Só conhecemo.6 a Jtazao
no homem; óataJt do .6eJt Jtacionat óOJta do homem é como óataJt
de .6 eJte.6 pen.6ante.6 óOJta do.6 cOJtpO.6 ':4 Torna-se, pois, neces
sário contrapor a este tipo de crítica, o verdadeiro obje-
tivo de Kant, que e liberar o princípio moral de todo ele-
mento empírico. Para fundar a moral, não se deve partir
da consideração da natureza humana. É certo que, para ser
aplicada aos homens, a moral requer um certo conhecimento
da natureza humana. Mas aqui, ainda, "tJta-
observa Delbos,
ta-.6e de não inveJtteJt a oJtdem JtegutaJt da..ó 'demaJtche.6' do
e.6pZJtito; tJtata-.6e de compJteendeJt que, ante.6 de .6eJt 。ーエゥ」セ@
da, a mOJtat deve .6eJt óundada, e que a.6 deteJtminaçõe.6 ーNVゥ」セ@
tógica.6, que manióe.6tam .6ua apticação pO.6.6Zvet in concJteto,
não podeJtiam e.6tabeteceJt o .6eu ￳オョ、。ュ・エッセU@ Embora seja
na consciência popular que Kant descobre o fato moral como
fato de razão, embora aceite os julgamentos da moral popu-
lar, quer revelar seu fundamento - pretende fundá-los na
razao pura, porque a moralidade consiste em se イ・ーセ@

sentar a lei em si mesma, em seu rigor, em sua autoridade,


em se fazer desta representação o princípio determinante
da vontade. Para fundar uma obrigação, e preciso que a
lei moral seja absolutamente necessária, não 、・」ッイョLセ@
mo vemos, de nenhuma consideração da natureza empírica do
homem, nem das circunstâncias do mundo, mas residindo a
pJtioJti, unicamente, nos conceitos da razão pura. Qualquer
outro preceito, baseado na simples experiência,ainda que seja
uma proposição universal, se se apoiar em princípios empí-
ricos, mesmo por um so mobil,
poderá chamar-se uma regra
6
prática, mas nunca uma lei moral. (IA universalidade das
proposições baseadas na experiência e comparativa ou rela-
\\
tiva e não estrita ou absoluta; são regras gera1s, subjeti
. \
. \ '-

i
I
43
I
t
,
I

vas e nao leis objetivas;


,i
faz-se, por exemplo, duma re-
t
gra constatada na maior parte dos casos, uma lei geral, r
t
c o mo n o c a s o d a p r o p o s i ç ã o s e g u i n te: To dos o s h o me n s a s p i /1 -1 < セ@ I
ram ã felicidade. Uma proposição universal deste gêner: t" I,.

apenas estende o emprego de uma verdade dada nos fatos, セ@

em lugar de derivi-Ia da razãd) Quaisquer que sejam, por- I


tanto, as ァ・ョイ。ャゥコ￧セウ@ empiricas, nao podem se consti- i
I

tuir em fundamento ou justificativa da moralidade. Aqui t


se manifesta lia c.onvic.ç.ão Jtac.ionali.6ta de Kant, .6egundo o I
J
.6entido e.6tJtito da CJtZtic.a - a veJtdade da mOJtal, c.omo a
da c.iênc.ia, não pode .6eJt c.ompJteendida c.omo tal, .6enão .6e
e deduzida, exc.lu.6ivamente, da pUJta nOJtma da Jtazão, e não
do 」Nッョエ・セ、@ da expeJtiênc.ia."7 A lei moral não pode con-
ter nenhum elemento derivado da matéria de nossas inclina
-
çoes: so a forma de uma lei em geral, isto e, o cariter
de universalidade, inerente a toda lei da razão, e que ーセ@
de definí-Ia.!'Nada é mais falso, nem mesmo mais funesto
do que querer tirar a moralidade de exemplos. Os melhores
exemplos não são seguros e não valem, em todo caso, -
senao
se são esclarecidos e justificados pela lei. Mesmo o San-
to do Evangelho não pode ser reconhecido por tal, -
senao
com a condição de ter sido comparado ao nosso ideal de
perfeição moral r Por isso, diz de si mesmo: porque me
chamais Bom a Mim (que vês)? Ninguém e bom (o tipo do
bem) senão s5 d・オセ@ (que não カ↑ウIセb@

Alem disso, não e seguro, afirma Kant, para en-


fatizar que nao e possível buscar a lei moral na ・クーイゥ↑セ@
cia, que esta nos ofereça um único exemplo de ato cumpri-
do por puro dever. Kant não pretende, propriamente, ne-
gar a existência, no mundo, de uma ação moral, mas ・ウエ。「セ@
lecer a impossibilidade de provar a sua existência. Não
poderíamos, efetivamente, constatar que uma única ação te
nha sido cumprida por dever, ainda que seja conforme ao
dever. E o que Kant quer dizer, "de ョセ@
quando afirma que,
t
to, eab.6olutamente impo.6.6Zvef e.6tabefec.eJt pela expeJtiên- 1
I
- セ@
c.ia, c.om inteiJta c.eJtteza, um セョゥ」Nッ@ c.a.6O em que a máxima !

de uma aç.ã.o, de Jte.6to c.onnoJtme ao deveJt, .6 e tenha ba.6 eado,


I
t

f
\
!
I
44

オョゥセ。ュ・エL@ em ーセゥョzッ@ ュッセ。ゥ@ e na セ・ーョエ。￧ ̄ッ@ do de-


カ・セN@ aセッョエ・L@ ーッセ@ カ・コセL@ セ・ュ@ dúvida, que, セッュ@ o ュ。ゥセ@ ・セᆳ
exame de ョ￵セ@ セオーャッ@ ュ・セッL@ não ・ョセッエ。ュ@ 。「セッャオエュ・ョ@
te nada que, Vッセ。@ do ーセゥョzッ@ ュッセ。ャ@ do 、・カセL@ ーオ、・セ@ セ・@
セオVゥ・ョエュ@ Vッセエ・@ ー。セ@ ョッセ@ ゥュー・ャセ@ a ・セエ。@ ou aquela
boa ação ou a um Yセ。ョ、・@ セ。ゥVzッ[@ ュ。セ@ daZ não セ・@ pode
。「セッャオエュ・ョ@ セッョャオゥ@ アオ・Lセ。ャュョエ@ não セ・ェ。@ um セ・エッ@
ゥューオャセッ@ do 。ュッセ@ ーセ￵ゥッ@ que, セッ「@ a セゥューャ・@ ュゥセ。ァ・@ 、・セエ。@
ゥ、セ。L@ tenha セゥ、ッ@ a カ・セ、。ゥ@ セ。オ@ 、・エセュゥョ。@ da vonta
de ... "9 o essencial, quando se trata do valor moral, nao -
esta, absolutamente, nas ações visíveis, mas nos pr1nC1-
. セ@

pios interiores destas ações. Ora, como tais princípios


não podem, mesmo mediante um rigoroso exame, serem inteira
mente conhecidos, não podemos julgar do valor moral das
açoes que se nos apresentam na experiência.

Segundo Alquie, Kant estaria adotando, aqu1, o


ponto de vista dos ヲゥャセウッ@ ー・ウゥュエ。jセ@ que relacionam
nossos atos ao egoismo mais ou menos refinado ou mais ou
menos inconsciente. Anunciaria, ainda, em sua opin1ao,
certas analises de Freud sobre o inconsciente, que mostram
que não sabemos Jama1s o que motiva, verdadeiramente, nos-
sos atos. No entanto, as fontes efetivas de Kant reduzir-
se-iam a duas: Leibniz, para quem a consciência não nos re
vela senão uma parte de nossa ーイセゥ。@ realidade, e certos
pensadores cristãos (Santo Agostinho, por exemplo), para
os quais a natureza humana e corrupta, não se descobrindo
nela nenhuma via em direção ao valor. Estaria presente,
aqui, a influência pietista, que julga que somente tambem,
pela ação da graça de Deus o valor pode penetrar no homem1. 1

Todas estas considerações ceticas a respeito da


moralidade das ações humanas não impedem que o problema mo
ral seja analisado da mesma forma. O objetivo de Kant não
e ーウゥ」ッャセァ[@ não se interessa por questões de fato, mas
por questões de direito. O que pretende ê fundar uma mo-
ral a ーセゥッL@ independente da corrupção da natureza humana.
A imperfeição dos homens não pode impedir ou invalidar a
45

realização desta tarefa, p01S os homens, talvez lncapazes


de ações morais, são, contudo, capazes de julgamentos mo-
rais,

Do ponto de vista da análise Kantiana, uma ação


e conforme'a lei moralJquando resiste ã seguinte prova ャセ@
gica - que seja praticada em conformidade com uma - .
maXlma
que possa ser pensada, sem contradição, como lei universal.
A lei possui o caráter de necessidade objetiva, -.
e a maXl-
ma, que e o princípio subjetivo do querer, manda obedecer
a esta lei, mesmo com prejuízo de todas as nossas inclina
çoes. Somos conduzidos, aSSlm, a uma primeira fórmula da
lei moral."Vevo .6emptLe me c.onduzitL de :tal tÍ0tLma que eu
po.6.6a :tambem quetLetL que minha máxima .6e :totLne uma lei uni
vetL.6al. ,,1'2 Para saber se a vontade ê moralmente boa, bas
ta confrontar a máxima subjetiva do querer com a lei uni-
versal e objetiva da razão. Que haja uma tal lei prática
ê o que resulta, em primeiro lugar, do princípio mediante
o qual toda coisa, na natureza, age segundo leis; em se-
gundo lugar, da faculdade que tem os seres racionais de
13
agir conforme a representaçao das leis. Assim se defi-
ne a vontade como o poder de agir segundo regras que ela
própria se representa. Como a razão lhe ê indispensável
para derivar seus atos de leis, a vontade não ê outra COl
sa que razão prática. E se a lei que a determina ê a lei
moral, a vontade pode ser considerada razão pura prática.

A lei moral, como vimos,


mente na razão pura. É exatamente na pureza de sua origem
que reside sua dignidade para nos servir de princípio ーイセ@
tico supremo. No entanto, a própria noção de lei moral
resulta, em Kant, duma analogia com as leis da natureza
sensível. Assim, embora a razão seja a única legisladora
-
no domínio prático das açoes .
moralS, o entendimento desem
penha um importante papel, uma vez que ê a partir de suas
categorias que se concebe a conexão entre os seres do mun
do inteligível, subordinados ã lei moral. Quando se per-
gunta· se a máxima de uma vontade pode tomar a forma de
uma lei prática universal, pensa-se a noção de lei analo-
46

-
gamente a noçao de lei natural. Assim, quando se diz que,
se todo mundo mentisse, as promessas se destruiriam por si
mesmas, Ja que seria contraditório que alguem acreditasse
nelas, nao podendo, p01S, a mentira ter o valor de uma lei
da natureza, tal exemplo e tomado ao mundo empírico, e o
efeito auto-destruidor que se espera da -.
maX1ma de uma von-
tade mentirosa e concebido por analogia ao que ocorre na
natureza sensível. Assim, as categorias do entendimento
guardam, com relação ao mundo inteligível, seu valor lógi-
co, uma vez que o aspecto formal de conformidade ã lei do
entendimento, por parte dos seres sensíveis, -
e aplicado
tambem ã razão legisladora,e a seu objeto próprio, que e a
vontade dos seres racionais.
47

REFERtNCIAS BIBLIOGRÃFICAS E NOTAS

1 - FM C . op. c i t. p. 10 1, 102.

2 - De1bos, op. cito p. 253, 253.

3 - Ibid. p. 253.

4 - Citado por De1bos, Ibid. p. 250, nota.

5 - Ibid. p. 250.

6 - Cf. FMe. op. ci t. p. 78.

7 - De1bos, op. cito p. 251.

8 - Ibid. p. 280.

9 - FM. C. p. 112.

10 - A filosofia pessimista sustenta que "o mal ・クゥセエ@ de


um modo pnimânio, セオ「エ。ョゥャL@ pnedominante, セ・ョ、ッ@ セュᆳ
ーッセQNカ・ャL@ pon pninc.1.pio, 、・セ@ annaigã.-lo, セ@ upnimi-lo . "
Ferrater Mora, p. 409.

Esta corrente aparece no séc. XVIII em pensado -


res, como Vo1taire, Diderot, em teóricos SOC1a1S como
Montesquieu. No século XIX, o pessimismo intensificou-
se com Schopenhauer, Hartmann e Speng1er. Cf. Ibid,
p. 409.

11 - Cf. A1quié, op. cito p. 33.

12 - FMC. op. cito p. 103.

13 - Cf. De1bos, op. cito p. 282.


48

CAPITULO IV

OS IMPERATIVOS HIPOTtTICOS E
O IMPERATIVO CATEGüRICO

A verdadeira significação dos conceitos de de


ver e lei moral, em Kant, pode ser melhor compreendida a
luz do conceito de imperativo, que define a relação entre a
lei moral e a vontade dum ser racional é finito, como o ho
mem.

Como vimos, para estabelecer a moralidade, Kant


parte da razão pura (seres racionais em geral), -
e nao da
natureza humana; no entanto, reencontra o homem, ao distin
guir, na classe dos seres racionais, seres puramente イ。」セッ@

nais e seres racionais e, ao mesmo tempo, ウ・ョセカN@


... . Nos
primeiros (vontade divina ou vontade santa), a -
razao deter
mina infalivelmente a vontade - a ação racional assume,
aqui, o caráter de uma dupla necessidade - objetiva, devi-
da ao seu carater puramente racional; subjetiva, dada ã ne
cessidade com que e realizada pelo sujeito. No homem, con
tudo, em que a razão está associada a sensibilidade, aação
racional, objetivamente necessária, e subjetivamente con-
tingente. Definindo a vontade como o poder de.agir segundo
regras, Kant estabelece que tais regras são máximas quando
o sujeito as considera como válidas apenas para a sua von-
tade e, neste caso, são inteiramente subjetivas; -
sao, ao
c o n t r á r i o, I ei s quando o s u j e" i t o a s r e c o n h e c e como válidas
para a vontade de todo ser racional.
- e,
No caso da vontade que nao - em si, plenamente
conforme ã razao (como acontece com os homens) a determi-
nação da vontade segundo leis objetivas aparece como um
constrangimento, uma obrigação. O caráter de obrigação
inerente ã necessidade da lei moral existe, portanto, ape-
nas para os seres, cUJa vontade pode ser, tambem, determina
da por móbiles sensíveis. liA ne.pne..6e.ntaç.ão de. u.m pn.<.nc.Z-
ーセッ@ ッ「ェ・エセカ@
eomo ・ッョセエ。ァ、@ da vontade ・ィ。ュMセ@ um
mandamento (da セ。コ ̄ッI@ e a ョ￵セュオャ。@ do mandamento セ・@ ehama
um iュー・セ。エカッNBャ@
o imperativo define-se, p01S, por sua relação a
uma vontade imperfeita, que pode escapar a moralidade,
quando se deixa arrastar por móbiles sensíveis, na medida
em que ordena a esta vontade que se determine por regras
da razão e não por tais móbiles. Bpセ。エ・ュョ@ bom, 、セコ@
Kant, ê o que 、・エセュョ。@ a vontade ッセ@ー ュ・セッ@ 、。セ@ セ・ーョエ@
￧￵・セ@ da セ。コ ̄ッ[@ ーッセ@ ・ッョセアャ↑。L@ nao em カセエオ、・@ de ・。オセ@
セオ「ェ・エカ。L@ ュ。セ@ ッ「ェ・エセカ。ュョL@ ou セ・ェ。L@ em カセエオ、・@ de
ーセョ・zッ@ カ ̄ャセ、ッ@ ー。セ@ todo セ・@ セ。・ッョャ@ eomo tal. eセエ・@ I
bem ーセ ̄エ・ッ@ 、セエョァオ・M@ do 。ァセ、 ̄カ・ャL@ セエッ@ ê, do que tem
セョャオ↑・。@ セッ「・@ a vontade オョセ・。ュエ@ ーッセ@ ュ・セッ@ da セ・ョ。ᆳ
çao, em' カセエオ、・@ de ・。セ@ セオ「ェ・エカ。L@ カ ̄ャセ、。@ 。ー・ョセ@ ー。セ@ I
a セ・ョ「ャ、。@ 、・セエ@ ou daquele, e não eomo ーセョ・zッ@ da
セ。コ ̄ッL@ カ ̄ャセ、ッ@ ー。セ@ エッ、セNLR@ I,,
\

Kant classifica os imperativos, partindo da con- !


cepçao da vontade como poder de agir segundo regras ・ュ。ョセ@
,!
i

das da razão,que são como tais, superiores às determinações I


particulares da sensibilidade. Assim, todos os imperati-
I
vos são fundados na razão,
neira; fora da razão, não há senão móbiles subjetivos e
embora não o sejam da'mesma ma
I
contingentes, não máximas e regras.
3
A vontade é insepa- I
rável da razão, e, nessa medida, é razão prática, que po-
de ser técnica ou empiricamente prática, não se confundin
do, nestes casos, com a razão moral, que é razão pura pr! I
tica.
4
Kant distingue imperativos de habilidade, prudên-
cia e sabedoria. Utiliza, aqui, sua distinção entre o
I
!
possível, o real e o -.
necessar10. Os dois primeiros são
chamados imperativos hipotéticos; o último é o imperativo
categórico ou imperativo da moralidade.
ce o conceito de obrigação, que admite duas acepções:
Nos tres, apare-
ou I
bem se deve fazer alguma coisa como meio para alcançar aI t
go como fim, ou bem se deve fazer alguma C01sa como fim
em si mesmo.' Existe, pois, uma dupla necessidade - a ne-

i
!f
50

セ・ウゥ、。@ dos me10S e a necessidade dos fins. Nos imperat!


vos hipoteticos, a razão determina o conteúdo das regras
em relação aos fins subjetivos; no imperativo categórico,
determina-o integralmente e imediatamente por si mesma.

Nos imperativos hipoteticos, a ação ê considerada


boa em relação a algum fim possível ou real. No ca-
so dos fins apenas possíveis, os imperativos são problema-
ticamente práticos. Constituem-se de preceitos, instruções,
cujo valor e necessidade estão inteiramente subordinados ã
sua eficácia em nos conduzir a algum fim proposto. Os juí-
zos problemáticos são juízos de habilidade. Esta ê a atitu
de, seja adquirida, seja simplesmente fortificada e aper-
feiçoada pela cultura, para alcançar certos fins, sem que
o querer destes fins seja determinado por outra coisa que
o interesse ou prazer do indivíduo. A habilidade pode ser
adquirida ou 。ーイゥュッセ、@ pelos conhecimentos científicos,
na medida em que estes nos indicam meios cada vez ma1s
eficazes ã realização dos fins. Ainda que os fins sejam,
aqui, simplesmente, possíveis, nem por isso tais imperati-
vos são menos obrigatórios, pois, uma vez que nos submete-
mos a razao, esta nos impõe regras das quais não ê possí-
vel escapar. Não ê possível o querer dos fins desvincula-
do do querer dos meios, a menos que se trate de um simples
capricho, no qual o sujeito se subtrai ã razão. Em qual-
quer imperativo, trata-se da união da razão ã sensibilida-
5
de. Com efeito, pode-se ver em Kant que "todo.6 0.6 -tmpe.ILa.-
t-tVO.6 .6ão e.XplLe..6.60.6 pe.to ve.lLbo de.Ve.IL, -tnd-tea.ndo a. lLe.ta.ção
de. uma. te.-t obje.;t-tva. da. lLa.zão a. uma. vonta.de. que., .6e.gundo
.6ua. eon.6t-ttu-tção .6ubje.t-tva., não セ@ ne.ee..6.6a.IL-ta.me.nte. de.te.lLm-t-
na.da. pOIL e..6ta. te.-t {uma. oblL-tga.çãol NセV@
A segunda classe de imperativos hipoteticos e a
dos chamados imperativos pragmáticos, que ordenam segundo
fins reais. Segundo a classificação dos juízos quanto -a
modalidade, estes imperativos são assertoricamente prãti -
coso Os fins reais são o que os homens buscam sob o nome
de felicidade. "O -tmpe.lLa.t-tVO ィMエーッセ・@ que. lLe.plLe..6e.nta. a.

IIILtt'ICA
• •JlÇAO IETWo VARGAS
51
II
I
I


ョ・セゥ、。@ ーィ ̄エゥセ。@ da ação, セッュ@ ュセッ@ 、セ@ セィァ。@ ã Vセヲゥᆳ I
、。セL@ é 。セィエ￵ゥqッN@ Não セ@ ッ、セL@ー セゥューヲョエ・L@ 。ーィ・セョᆳ ,セ@
i
tã-fo セッュ@ ゥョ、セー・ ̄カヲ@ ã heafização de um 6im ゥョセ・ィエッL@ I
que Vッセ・@
de セuーoィL@
セゥューヲ・ョエ@ ーッセzカ・ヲL@
Qom Qehteza e a phiohi, em エッ、セ@
ュ。セ@ de um 6im アオセ@
ッセ@ ィッュ・ョセL@
セ・@
ーッセ@
po-
II
que 6az pahte da ・セョゥ。@ humana.»7 A habilidade na esco
lha dos me10S que nos conduzem ã felicidade recebe o nome
de prudência,
f a zer
セッョエィ。Lアオゥ@
c o n ver g i r
entendida como a
to dos o s
sagacidade do indivíduo em
f i n sem ·s eu p r o v e i to.
diz Afquié, a mOhaf do ゥョエ・ィセL@ 。セ@
" Ka nt h e e n
ュoィ。ゥセ@
II
。ョエゥァセL@ paha 。セ@ アオ。ゥセ@ a vihtude eha o meio de 。ヲセョ￧ィ@ a
I
!
V・ヲゥセ、。N@ Somente, セ・ァオョ、ッ@ Kant, é ーィ・セゥッ@ セッューィ・ョ、@
I
que ・セエ@ ゥュー・ィ。エカッセL@ ainda que セ・ェ。ュ@ 。セ・ィエ￵ゥッL@ セ。ッL@ I
de 6ato, muito ュ。ゥセ@ ゥョセ・ィエッ@ que ッセ@ ーィ・セ、ョエNᄏ@
8
Com I
efeito, embora todos os homens busquem a
há nenhuma regra segura para alcançá-la,
perativos tecnicos, a ciência proporciona,
felicidade,
enquanto, nos ゥセ@
com segurança,
-
nao
I !
os meios de alcançar os fins propostos. Alem disso, con-
quanto seja universal o desejo de felicidade, -
nao há um
\
acordo entre os homens sobre o que seja esta felicidade,
i
as idéias que os diferentes homens fazem dela são extrema t
mente variadas e contraditórias. "O conceito de felicida- I
de e, pois, um c0nceito indeterminado e, apesar de todos
os homens a desejarem, ninguém pode dizer,
cisos e unívocos, o que verdadeiramente deseja
em termos pre-
e quer. ."
!I
Kant aponta, como razão duma tal diversidade, o fato de
que os elementos que fazem parte do conceito de felicida-
de tenham de ser derivados da experiência. A felicidade,
\I
diz ele, ê um ideal da imaginação, não da razão. Para de-
terminar, com precisão, o princípio segundo o qual se che t
garia ã felicidade, seria necessária a onisciência, pois, i
!
quando se tenta precisar este ou aquele bem como o bem エセ@ i
t
tal, seja a riqueza, a saúde ou a sabedoria, logo se con-

I
cluirá que, ao lado de algum bem-estar, muitos males po-
. 9
dem adv1r. Daí se segue que os imperativos de prudência
não podem ordenar, isto ê, representar as ações, de uma
t
forma objetiva,como praticamente necessárias; que ê ーイ・」セ@ I

I
i;

!
r
52

so -tomá-,las, antes, por conseJh'os ("c.an.óLtia.") , que por


mandamentos ("ptLaec.e.p;ta") da razão.

Segundo Alquié, a crítica que Kant faz aos セュー・M


rativos hipotéticos não é muito clara na medida em que
mistura dois argumentos de natureza: diferente' em pri-
meiro lugar, a regra ordena outra coisa que a ウセ@ mesma; em
segundo lugar, a indeterminação do conceito de felicidade.
Resta saber, diz ele, se a crítica de Kant seria tão for-
te ウセ@ precisamente, corno pensaram muitos moralistas anti-
gos, a felicidade pudesse ser definida de maneira absolu-
tamente estrita e se os ュ・セッウ@ para alcançá-la pudessem ser
igualmente definidos rigorosamente. Enfim, a questão e ウセ@

ber porque os imperativos morais não poderiam ser funda-


dos em imperativos hipotéticos, se se encontrasse um fim
único, comum a todos os homens, e meios estritamente defi
lO
nidos de alcançá-lo. Este foi o ideal antigo e o ideal
tomista,que consideravam- Deus o fim único, para o qual to-
dos tendem. Kant discorda de tal concepção, pois esta se
situa exatamente no quadro de um pensamento que a Crítica
da Razão Pura se esforçou por condenar; o entendimento
não conhece os seres em si mesmos, mas apenas em seu as-
pecto fenomênico. Não podemos conhecer o Bem, Deus ou a
felicidade corno tais, e se não sabemos exatamente o que
buscamos,.como fim, não poderemos indicar os meios de aI
cançá-lo. Daí, so restam ao homem seus desejos e incerte
zas. No entanto, mesmo se esta questão da multiplicidade
dos desejos de felicidade fosse resolvida, restaria ainda
a crítica dirigida aos imperativos hipotéticos de um modo
geral, na medida em que ordenam o ato como simples ュ・セッ@

para um fim, pouco importando que este fim seja universal.


É importante observar que, embora haja um imperativo mo-
ral, Kant não deixa, por isso, de reconhecer a importân-
cia dos imperativos hipotéticos. Como mostra Delbos,
"e.,ee..ó naa batLam irrttLaduzido.ó un,[c.ame.rJ.;(:e. patLa 6aze.tL .óobtLe..ó-
.óa,[tL, pOtL con;ttLa.ó;te., O catLã;te.tL ,[ncompatLãve.,e do ,[mpe.tLa;t,[vo
ca;te.gõtL,[co; ptL,[me.,[tLo, pOtLque. O.ó ,[mpe.tLa;t,[vo.ó h,[po;te;t,[co.ó
.óe. apo,[am ;tambem na tLazão patLa o e..ó;tabe.,ee.c,[me.n;to de.
53

セオ。@ セ・ァ。L@ ne44a ュ・、セ。L@e, ャセ「・。ュ@ o セョ、カRオッ@ 、。セ@ セオᆳ


ァ・セエ@ e lmpul404 cego4 da セ・ョャ「、。@ .•• "ll aャセュ@ disso,
se os fins a que visam são relativos, podem ser, contudo,
necessários ã própria perfeição moral. O desenvolvimento
da habilidade faz parte do aperfeiçoamento de nossa nature
za, que a própria lei moral ッイ、・ョ。NBaセァオ@ a ーセ￵ャ。@ 6!
llcldade, 。VQセュ@ Kant, é um 、・カセ@ (ao ュ・ョッセ@ ャョ、セ・エッIL@ ーッセ@
que o 6ato de não ・セエ。@ contente com セ・オ@ ・セエ。、ッL@ de カャ・セ@
ーセ・ャッョ。、@ ーッセ@ ョオュ・セッ。@ ーセ・ッ」オ。￧￵@ e em melo a ョ・」セャ@
、。・セ@ não セ。エャV・L@ ーッ、・セャ。@ エッセョ。M・@ óacllmente uma
ァセ。ョ、・@ tentação ー。セ@ a エセ。ョァ・ ̄ッ@ 、ッセ@ 、・カセNLQR@

O imperativo categórico tem um caráter inteira-


mente distinto dos hipotéticos, na medida em que
representa a açao corno necessária em si mesma, sem relação
· 13 cUJa
a algum fim que se pretenda alcançar. É uma 1 e1, . ne
cessidade é, não apenas universal, no sentido de geral, co
mo e o caso da felicidade, mas no sentido absoluto, incon-
dicionado. Bcッョ」・セL@ não ã ュ。エ←セャ@ da ação, ou ao que de-
ve セ・オャエ。@ dela, ュ。セ@ ã Vッセュ。@ e ao ーセャョ」zッ@ de que a ーセッᆳ
ーセャ。@ ação セ・オャエ。[@ e o que há nele de ・セョ」ャ。ュエ@ bom
」ッョセャエ・@ na intenção, アオ。ャセ・@ que セ←ェ。ュ@
• II 14. .
」セ。N@ O 1mperat1vo categórico é, pois, absolutamente in
condicional; nenhuma condição o limita; o que o constitui
sao apenas a lei, como principio objetivo, válido para todo
ser racional, e a máxima, que ordena o acordo entre a von-
tade e a lei. Corno principio aprioristico da razão, cons-
titui o fundamento do valor moral, sem que se possa derivá-
15
10 de algo. superior, corno um real-transcendental.

Vemos assim, que, embora em cada imperativo 。ーイセ@

ça a palavra dever, o sentido não セ@ exatamente o mesmo, na


medida em que difere o grau de obrigatoriedade que os 、ゥヲセ@

rentes imperativos exercem sobre a vontade. Kant estabele-


ce esta distinção, referindo-se a cada um, respectivamente,
como regras de habilidade, conselhos de prudência ou manda
mentos da moralidade.

Vejamos, agora, corno Kant coloca a questao da ーッセ@

sibilidade dos imperativos. No caso dos imperativos hipo-

,
f

I
54

téticos, a obrigação imposta ã -


vontade nao e absoluta e 1n
condicional, mas relativa, como V1mos, aos .
propr10S - fins
que se quer alcançar. Para fundamentar tal obrigação, 「。セ@
ta recorrer ao postulado de que, quem quer os fins, quer
necessariamente os meios adequados ã sua realização. A ーイセ@
posição que o exprime é uma proposição analítico -prática,
pois "o ato de アオ・セ@ um objeto, eomo meu e6eito, セオー・@ ji
minha ・。オセャゥ、L@ e eomo ・。オセャゥ、@ de uma VPセ￧。@ atuante,
アオ・セ@ 、ゥコ・セL@ o オセッ@ 、ッセ@ ュ・ゥッセL@ e o ゥュー・セ。エカッ@ deduz o eoneei
to de 。￧セ・@ ョ・セゥ。@ a ・セエ@ 6im do eoneeito de アオ・セ@
I
・セエ@ 6im."16 Kant utiliza, aqu1, a distinção dos ェオャァ。ュ・セ@
- l
tos em analíticos e sintéticos. O julgamento analítico e !
aquele em que o conceito expresso pelo predicado não 。」イ・セ@
I
centa nada ao conceito expresso pelo sujeito, explicitando I
apenas o que já estava nele contido. Trata-se de um proce- I
!
dimento analítico, tendo por base apenas o princípio da II
O julgamento sintético é, ao contrário, aque-
identidade.
le em que o conceito expresso pelo predicado 。」イ・ウョエLセ@
I
almente, algum conhecimento ao conceito expresso pelo su-
I
jeito, não podendo, pois, resultar de um simples procedi- f
mento analítico, mas requerendo o uso da experiência. Há, I
tt
segundo Alquié, um contrasenso a evitar;- o que é analíti-
co, nos imperativos hipotéticos, é o princípio de realiza-
•l
ção do ato da vontade, e não dos objetos, é a própria イ・ャセ@
,f
I
r
ーイッQ。ュ・セ@
çao dos meios, como tais, a certos fins, e nao,
I
te, a determinação dos meios. O problema que Kant coloca (
e prático e não teórico - refere-se, não ao conhecimento I
dos meios ma1S adequados à realização de certos fins, mas
à determinação da vontade.
me10s aos fins,
Assim, se a própria relação dos
nos imperativos hipotéticos,
as propos1çoes empregadas na determinação dos fins são sin
-e analítica, I
1

-.
tet1cas. 17

t
No caso do imperativo da prudência, a relação en-
i
!
tre me10S e fins permanece também puramente analítica, a1n
da que, neste caso, seja impossível à razão determinar, de
forma absoluta, o fim (já nos referimos às incoerências e
I
f
55

contradições em que caem os homens quando pretendem defi-


nir o que os tornaria ヲ・ャゥコセL@ permanecendo エ。ュ「セ@ uma 1n
certeza na escolha dos me10S. No entanto, observa Kant,
se se admitisse que os me10S para se alcançar a felicida-
de pudessem ser determinados com certeza, o imperativo da
.
pru d -enC1a . -
ser1a uma propos1çao -.
prat1ca ana ャセG@ 1t1ca. 18

Como acabamos de analisar, a questao da possibi


lidade dos imperativos hipotéticos se resolve pelo fato
de que estes se limitam a ordenar um ato analítica e logi
camente suposto pelo querer. o mesmo não ocorre com o 1m
perativo categórico, que é uma lei prática, -
e nao apenas
um princípio da vontade.
demonstrada por nenhum postulado que
Sua possibilidade não pode
se lhe sobreponha,
.
ser
I
r

nem pela experiência, pois não há sequer um caso
セ@

emp1r1CO t
em que se possa ter absoluta certeza de que
f
resulta da !

lei da moralidade. A possibilidade do imperativo categó- Ií


rico tem de ser buscada inteiramente a ーセゥッL@ e liga-se,
de imediato, ao critério de validez universal. o carater t
!
formal dessa primeira certeza ética implica diretamente a I
sua indemonstrabilidade, porque, não contendo o imperati-
vo, além da lei, - a necessidade,
senao para a - .
maX1ma, de
se conformar a esta lei, que não e limitada por nenhuma
condição, nada mais イ・ウエ。セョ ̄ッ@ a universalidade de uma
lei em geral, ã qual a máxima da ação deve ser conforme,
e e somente esta conformidade que o imperativo nos repre-
19
senta, propriamente, como necessária.

No imperativo categórico, a relação entre a von


tade e a lei é sintética a ーセゥッN@ Aqui, aparece um pro-
blema análogo ao da Crítica da Razão Pura, que e- o da ーッセ@

sibilidade dos julgamentos sintéticos a ーセゥッL@ ou seja,


como e até que ponto, a razão pura pode, por S1 mesma e
independente da experiência, nao se limitar a esclarecer
conceitos dados, mas estabelecer, entre os conceitos, li-
gaçoes que ampliem os conhecimentos. O imperativo categó-
rico é "u.ma ーセッNVゥ￧ ̄@ NVゥャQZエ↑」。Mーセ ̄@ a pJtioJti, e .6e
há :tal1:ta.6 di óic.u.idade.6, 110 c.ol1hec.imel1:to Zエ・￵セゥ」NッL@ paJta c.om
J
í
I ge.ne./to,
I V¬セエ@ ーOエ・Nセオュ@ que., no セッョィ・Nュエ@ ーOエ¬セッL@ a 、セVオエ。M

I de. não セ・NOエ¬@ me.no/t.,,20


-
I correr a exper1enC1a,
Alem disso,
,- ,
no domínio pratico,
como ocorre com os
nao se pode re-
julgamentos s1n-

I teticos a ーOエセッ@ no campo teórico. Neste caso, tais ェオャァセ@

I mentos são as próprias condições da experiência e uma ana


'
I 1se d esta perm1te
' - 1 os. 2 1 O
reencontra- " ,1mperat1vo
, moral-
versa, -
nao sobre o que e, mas sobre o que deve ser, sobre
,- 22
um puro 1'd ea 1 , como o b serva Alqu1e. -
Da-se a título de
fato de razão no seio dos julgamentos de toda consciência
moral; no entanto, -
tais julgamentos sao simples
c1as. são, em direito, superiores a toda especie de ・クーセ@
riência, mas, de fato, não podemos jamais constatar uma
ação proveniente de um mandamento puramente ュッイ。セ@ Não te
mos a experiência do fato moral, como temos a do fato C1-
...
ent1fico. " É, pois, totalmente a ーOエセッ@ -
que e preciso es-
tabelecer que a lei moral pode tornar-se a lei das nossas
ações." O apriorismo, neste caso, significa que a vontade
ordena a ação, sem pressupor nenhuma condição sensível.
Isso só e possível quando a vontade em questão nao -e, e s-
sencialmente, dependente da sensibilidade, sendo capaz de
se determinar por uma lei da razão. Por outro laJo, como
esta vontade não e uma vontade perfeita, -un1ca
,
em que es-
taria realizada, de forma absoluta, a identidade da maxi-
ma e da lei, a lei moral não poderia ser deduzida, por ーセ@
ra analise, dos conceitos implicados nessa vontade. Por
isso, apesar da necessidade e universalidade da lei, que
evidencia o seu cara ter a ーOエセッL@ aparece tambem o seu 」セ@
rater sintetico, que supõe alguma coisa que não esta con-
tida no conceito da vontade de um ser, em que coexistem
-
razao e sensibilidade. A síntese representa a do
individual e do universal realizada pelo imperativo cate-
,
gor1CO. - Quando Kant afirma que o homem da a si próprio a
sua lei, estabelece a conformidade da vontade individual
e da vontade universal. Esta união de noções heterogê-
neas só e possível mediante uma operação sintetica da in-
, - , 23
te 1 1genC1a.
57

Corno propos1çao sintetica a pnioni, o imperativo


.
categórico e o un1CO, - corno já foi dito, cuja possibilidade
precisa ser justificada. Alem disso, corno, a seu respeito,
nao se pode partir de nenhuma experiência, deve-se colocar
tambem a questão de sua formulação. Kant propõe o seguin-
te enunciado geral de imperativo categórico. "Age. .óome.nte.
.óe.gundo uma maxima tal que. po.ó.óa.ó que.ne.n que. .óe. tonne., ao
me..ómo te.mpo, uma le.i unive.n.óal." Esta fórmula é deduzida
do simples conceito de imperativo categórico. o uso de um
metodo puramente dedutivo é possível, aqu1, porque se tra-
ta de um princípio racional, necessariamente único, cUJa
regra pode ser inteiramente deduzida de seu próprio conce1
to, urna vez que este apenas indica que a lei ordena sem
- se po-
condições. No caso dos imperativos hipotéticos, nao
deria realizar semelhante tarefa, deduzindo-se, de seu con
ceito, a regra que se imporia ã nossa vontade, urna vez que
a regra e, aqui, uma proposiçao teorica, - o conhe
que supoe
cimento dos meios suscetíveis de nos conduzir ao fim pro-
posto. Neste caso, a razão esclarece apenas, de urna forma
teórica, as relações de meio e fim, 」ッャ。ョ、Mウセ@ corno ob-
.-
serva Alqu1e, a serv1ço de algo que lhe e- .
exter1or. 25 O

imperativo categórico, ao contrário, emana de urna razao


que ordena apenas a si mesma, permanecendo corno pura
gência de universalidade. Sua formulação deve poder, por
isso, ser deduzida de seu conceito.

Kant fixa, em primeiro lugar, a noçao de impera-


tivo. "Quando eonee.bo um impe.nativo ィゥーッエセ・@ e.m ge.nal,
não .óe.i, pon ante.eipação, o que. e.le. eonte.ná 。エセ@ que. a eon-
dição me. .óe.ja dada. Ma.ó.óe. セ@ um impe.nativo eate.gõnieo que.
eonee.bo, .óe.i logo o que. ・ッョエセュL@ ponque., uma ve.z que. e..óte.
não impliea, 。ャセュ@ da le.i, .óe.nao a ne.ee..ó.óidade., pana a ma- -
xima)de. lhe. .óe.n eon6onme., e. que. a le.i não ・ッョエセュ@ ne.nhuma
eondição a que. .óe.ja .óubondinada, não ne..óta mai.ó que. a オョセ@
ve.n.óalidade. de. uma le.i e.m ge.nal, ã qual a máxima da ação
de.ve. .óe.n eon6onme., e. セ@ .óome.nte. e..óta eon6onmidade. que. o im
• -. 1/ 26
pe.nativo no.ó ne.pne..óe.nta ーョッセ。ュ・Nエ@ eomo ョ・N￳。セ@
58

A lei moral aparece aqu1, como uma lei universal


das ações, que não deve ter, alem de si mesma, outro moti-
vo para ser obedecida. É o princípio objetivo das ações.
.
A este princípio opõem-se as maX1mas, que sao - - .
pr1nC1p10S
....
-
subjetivos, na medida em que suas regras sao determinadas
segunda as condições do sujeito, valendo apenas para sua
vontade. Como regras individuais de ação, as máximas po-
dem estar de acordo ou não com a lei moral. A conformidade
-. -
da maX1ma a lei e precisamente o que o imperativo categóri
co ordena. É nesse acordo que reside a moralidade das
das açoes. -
Kant representa o princípio da moralidade segun-
do fórmulas derivadas. De cada uma se pode deduzir as ou-
tras duas, e as três resultam analiticamente do conceito
de boa vontade, ou seja, de uma vontade submissa ao dever.
Na relação dessas fórmulas, Kant seguiu a ordem categorial
da unidade i pluraridade e, daí, i totalidade. "A pnimeina
・ッョセゥ、。@ a 60nma 、。セ@ ュ£クゥ。セ@ - é a que diz que 。セ@ ュ£クゥ。セ@
devem セ・ョ@ ・セッャィゥ、。@ de maneina a que ーッセ。ュ@ セ・ョ@ eonventi-
、。セ@ em ャ・ゥセ@ オョゥカ・セ。@ da natuneza; a セ・ァオョ、。@ ・ッョセゥ、。@ a
maténia - é a que enuneia que o セ・ョ@ ョ。・セッャ@ é um Vセュ@ em
セL@ ョ・セエァ、ッL@ 、・セ@ modo, ッセ@ Vセョ@ セオ「ェ・エカッ@ e 。ョ「セエ£@
ョセッ[@ a エ・ョセ。@ ・ッョセ、。@ セ@ ュ£クセ。@ em セオ。@ 、・エョュセ。￧ ̄ッ@
eompleta - é a que ・ョオセ。@ que エッ、。セ@ 。セ@ ュ£クゥ。セL@ ・ュ。ョ、セ@
de ョッセ。@ ーョアセ。@ ャ・ァセ。￧ ̄ッL@ devem eoneonnen pana um neino
de Vセョ@ que セ・ョ。@ eomo um ョ・セッ@ da natuneza."27 Kant pro-
gride, assim, da unidade da forma, que e a universalidade,
ã pluraridade da materia, e daí, i totalidade do sistema
dos fins. "Há entne ・セエ。@ V[ョュオャ。セL@ diz Kant, uma 、セV・ョ@
ça que, na vendade, é ュ。セ@ セオ「ェ・エカ。@ que ッ「ェ・エセカ。ュョ@ ーョセ@
エセ・。L@ eUjO Vセュ@ é 。ーョックセュ@ Hセ・ァオョ、ッ@ uma eenta 。ョャッァセI@ a
idéia da nazao da intuição e, 。セュL@ do セ@ entimento." 28
o objetivo e, pois, tornar o imperativo categóri
co, mediante suas diferentes fórmulas, mais acessível ao
homem. Na primeira fórmula - "Age eomo セ・@ a ュ£クセ。@ de tua
ação 、・カセ@ セ・ョ@ ・ョセァ、。L@ pon tua vontade, em ャ・セ@ univen-
セ。@
o da ョ。セオ・コN@
oi- "29
a .1de1a
-. de le1.un1versa
. I .
torna-se ma1S
59

compreensível graças ã noçao de natureza. Com efeito, uma


vontade que se curva ã lei moral, uma vez que deve agir sob
a idéia de universalidade, deve trabalhar para tornar pos-
sível um reino de leis, ou seja, um イ・セョッ@ análogo ã nature
za. Para uma tal vontade, resolvida a agir sob a idéia de
universalidade, só há um fim que lhe possa ser proposto,
porque é o único que pode ser universalizado sem contradi-
- -
çao -e a humanidade como fim em ウセN@

Assim, Kant chega ã segunda fórmula: "Age. de. tal


60nma que. エョ。・Nセ@ a ィオュ。セゥ、・NL@ エ。セッ@ セ。@ tua ー・Nセッ。@ アオ。セエッ@

セ。@ ー・Nセッ。@ do outno, セ・Nューョ@ e. ao ュ・Nセッ@ te.mpo セッュ@ 6im e. ja-


ュ。ゥセ@ セゥューャ・Nエ@ セッュ@ me.io.,,30 Tratar o outro e a si ーイセ@
prio como fim só é possível se todas as vontades estiverem
de acordo e formarem um reino de fins, se minha própria カッセ@
tade estiver de acordo com a vontade comum. Surge, 。ウセュL@

a última fórmula, segundo a qual Bセッ、。@ vontade. humana apa-


ョ・Nセ@ セッュ@ uma vontade. que. ゥョセエオL@ pon エッ、。セ@ 。セ@ セオ。@ máxi
ュ。セL@ uma ・Nァゥセャ。￧ ̄ッ@ オョゥカ・Nセ。ャ@ ,,31 Esta vontade comum, da
qual cada vontade deve ser a expressão, é possível apenas
mediante a obediência ã razão. Com efeito, semelhante acor
do não pode se realizar, nem sobre o terreno da busca do
prazer ou da felicidade, nem mesmo da busca do bem, como ob
jeto de intuição, pois, em nenhum desses casos, a vontade
poderia ser considerada legisladora universal. É enquanto
age sob a idéia de universalidade, que a vontade é a ex-
pressão da razão, fonte de toda lei. Chega-se, dessa for-
ma, ao princípio supremo da moralidade - o princípio de 。セ@
tonomia da vontade. É assim que, nessa tarefa de desdobra
mento do imperativo categórico," Kant pretendeu, de um lado,
conduzir a análise do conceito de dever ate encontrar o que
justificasse a sua possibilidade (a idéia de autonomia),
de outro, mostrar como a lei moral e aplicável, buscando
exprimí-la em fórmulas mais suscetíveis de atuar eficazmen
32
te sobre as vontades 1!

Retomemos a ーイセュ・。@ fórmula, em que aparece a


noçao de natureza. A este respeito, comenta Delbos "A on-
60
I
I
Yセュ@
、セュ@ da ョ。エオセコ@
da ヲセY。￧ ̄ッ@
セョエカュL@
ーセ¬エ」。@
。アオセL@

オョセカ。ヲ@
。ーセョL@

 ̄セ@
ー。セ@

、セカ。@
ッーセ。@ a
ッセ、ョ@
ー。セ@
I
セ。MエN@
" 1,33
Na Crítica da Razão Pratica, Kant atribui - !
a
ideia de lei universal da natureza um papel
típico ou analógico, ligado ã faculdade de julgar pura ーイセ@
simplesmente
I !

tica. Referindo-se a esta fórmula, Kant analisa


I
alguns
exemplos de ações contrarias ao dever. Tais exemplos sao
obtidos segundo a divisão dos deveres para conosco e para I
!

com os outros,
amplos ou imperfeitos.
em deveres estritos ou perfeitos e
O dever imperfeito compreende
deveres
ape-
I
nas a obrigação moral; são os deveres que têm, por objeto,
a f e I セ」@ " . d a d e d o outro e o aper f ・セ￧ッ。ュョエ@ " d
e ウセ@ ' ーイッセN@ - . 34
Ii
Estes deveres são chamados deveres de virtude. Seu 」オューイセᆳ
i
mento e o merito tmeritucl'); a transgressão desses deveres
i
nao e ainda o demerito ("demeriturf/) mas simplesmente a au- I
sência de valor moral. A força da resolução, no merito,
chama-se, propriamente, apenas カセイエオ、・@
. ( "カセイエオウ@ . li) ; a fraque-
za, no demérito, nao e ainda um vício ("vitiunI'.), mas ausen-
」セ。@ de virtude, falta de força moral ("defectus morales").35
O dever perfeito compreende, ao mesmo tempo, um dever jオイセ@
. ...
dico e um dever moral; são os deveres de direito que tem,
por objeto, o respeito pela pessoa humana, tanto em -
nos
mesmos como nos outros. Ha deveres perfeitos exteriores e
deveres perfeitos interiores. Estes últimos enunciam a
obrigação de não atentar contra a perfeição de nossa natu-
reza física ou moral.

Vejamos os exemplos. O primeiro deles e o de um


dever estrito interior - o de conservar a própria vida. Le
va a indagar se a maxima do suicídio (abreviar a vida por
amor de si mesmo) pode ser universalizada. A partir da
idéia de natureza, Kant recusa tal possibilidade, pois uma
natureza, cuja lei fosse destruir a vida, em nome do mesmo
sentimento (o amor de si), cujo objetivo e suscitar a sua
conservação, ウ・イセ。@ contraditória e não subsistiria como na
tureza. Com efeito, e impossível conceber uma natureza
que 。、ッエセウ・L@ por lei, a maxima de uma vontade, que usasse
contra a vida, pressionada por circunstâncias contingentes
61

e impressoes subjetivas, a mesma disposição para a vida


-
presente em cada um de nos. 36

o segundo exemplo e o de um dever estrito para'


com os outros. Leva a indagar se uma maxima inspirada no
amor de si ou no interesse pessoal (livrar-se de apuros,
fazendo uma falsa promessa) pode tornar-se uma lei univer-
sal da natureza. Isso é impossível, diz Kant, porque uma
tal maxima levaria, necessariamente, a uma contradição,
destruindo a própria possibilidade de fazer promessas. Se-
gundo comentario de Delbos: " a ュ ̄クセ。@ de uma 6alóa ーセ@
meóóa é セョ」。ーコ@ de エッセョ。M￳・@ uma ャ・セ@ da ョ。エオセ・コL@ ーッセアオ・@
」ッョエセ。、@ a ￳セ@ ーセ￵。[@ e, com ・VセエッL@ 」ッョエセ。、￵@ アオセ@
セ・@ ーセッュ・￳。L@ que, em ￳セ@ meómaó, セュー」。@ a ￳セョ」・、。@
naó セ・ャ。￧N￵￳@ e, ・ョエセ。ッL@ ーッセ@ セョエ・￳@ e peóó oal, aó q ue-
セ・@ 6alóaó, アオ・セ@ 、セコ・ャエL@ 、・￳エセオッャ。@ deóóa ￳セョ」・ャエ、。Z@
・セ￳@ aI em que ￳・ョセ、ッ@ uma 6alóa pltomeóóa toltna セューッ￳zカ・ャL@
em セャエ・ッL@、 toda ャエッュ・￳。LセW@ー
o terceiro exemplo é o de um dever imperfeito ーセ@
ra com a própria pessoa. Poderia ser universalizada a máxi
ma da negligência em relação aos dons naturais, em nome do
gozo, da comodidade? Segundo Kant, ainda que uma natureza,
com uma tal lei, pudesse subsistir, não se pode, contudo,
pretender que essa máxima seja universalizada, porque ela
"eó tã em 」ッョエャ。、セ￧N ̄@ com a セ、←。@ de uma vontade, que não
óe ャセュエ。@ a ャエ・￳ーセ。@ aó 」ッョ、セ￧N￵・￳@ ャ￵ァセ」。￳@ de uma oltdem da
natulteza, maó que também eótabelece, ・￳ョ」セ。ャュエL@ aó
óuaó 」ッョ、セ￧N￵・￳@ ャエ・。セ￳@ e ーッ￳セエカ。@ LセX@ Não ha, aqui, propria-
mente, uma contradição lógica, portanto, não há uma impos-
sibilidade intrínseca, mas uma tal máxima introduziria uma
desordem na natureza, e estaria em contradição com a boa
ordem das nossas facul.dades, que é postulada por Kant. "Em
óua アオ。ャセ、・@ de óelt ャエ。」セッョL@ diz ele, o homem quelt, ne -
ceóóaltiamente, que todaó aó óuaó 6acu!dadeó óejam 、・￳ョカッセ@
vidaó, ーッセアオ・￳Zエ。@ lhe ôão úteió e lhe 60ltam dadaô palta
todaó aó eôpêc.ieó de Vセョ￳@ ーッ￳zカ・セ@ LセY@
quarto exemplo é o de um .dever imperfeito para o
40
com o outro. Kant refere-se, 。アオセL@ ã máxima de uma von -
62

tade egoista (que cada um cuide de si), e conclui que uma


tal maXlma, - o
embora pudesse ser concebida como lei unlver-
sal da natureza, p01S, com ela, a espécie humana poderia
muito bem subsistir, é impossível, em verdade, querer uma
tal máxima, "poJtQue uma vontade Que n..tze.6.6 e e.6ta opçao,
.6e セッョjエ。@
-lo dOセjエ。[@ . " 41 e- eVldente que, neste caso, a
o
pessoa
estaria também privada de toda esperança de obter auxilio
quando necessitasse, e, isso, em virtude de uma lei ーイッカセ@
o _ o 42
nlente de sua proprla vontade.

Pode-se concluir que, no caso dos deveres es-


tritos, há uma contradição lógica, na medida em que as ュセ@
ximas não podem sequer ser pensadas, sem contradição, co-
mo lei universal da natureza; no caso dos deveres imper-
feitos, ainda que não exista, propriamente, uma contradi-
ção lógica, há uma contradição da própria vontade que ーイセ@
tendesse universalizar suas máximas. Assim, o que perma-
nece, e e o que nos indica o imperativo categórico, e que
temos de poder querer que nossa máxima se torne lei unl-
43
versal. O "podeJt QueJteJt" pode ser entendido, segundo
Delbos, em dois sentidos - conforme o acordo lógico da ュセ@
xima erigida em lei consigo mesma, ou conforme o seu acor
do com a essência da vontade, que deve realizar uma ordem
de coisas positivas e
-
tao completas quanto
4'
posslvel.
44
Com efeito, podemos agir contrariamente ao dever, podemos
mesmo querer agir dessa forma, ou seja, segundo uma máxi-
ma inteiramente subjetiva. O que não podemos e querer unl
versalizá-la.

Segundo Kant, "em todo.6 0.6


em Que v..tolE:. セ。NVo@

mo.6 um deveJt, não QueJte.mo.6, e.m ve.Jtdade, eJt..tg..tJt a nO.6.6a ma-


x..tma em le..t un..tve.Jt.6al, poJtQUe. ..t.6.60 e ..tmpo.6.6Zvel; e, bem
ante.6, a mãx..tma opo.6ta que. de.ve ー・Njエュ。ョセ@ un..tveJt.6almente.
uma le..t,,;45 apenas, neste caso, tomamos a liberdade de fa
zer uma exceçao em favor da nossa inclinação. Queremos,
ao mesmo tempo, que um principio seja necessário ッ「ェ・エゥカセ@
mente, e, subjetivamente, contingente, na medida em que
reivindicamos certas exceções. É por isso que, do ponto
de vista racional, uma tal vontade aparece como contradi-
63

tória. Não se trata, propriamente, aqu1, de urna contradi-


ção lógica, pois, neste caso, a ma vontade - tornar-se-ia
. .. 46
1mposs1vel. Kant esclarece que se trata, neste caso,
de uma oposição, na medida em que pretendemos considerar
a mesma ação de dois pontos de vista diferentes - de um
lado, do ponto de vista de uma vontade inteiramente con-
forme ã razao; de outro, do ponto de vista de urna vontade
afetada pelas inclinações. O que há, entao, é uma resis-
tência da vontade às prescrições da razão, uma .
opos1çao -
entre as inclinações e os preceitos da razao. 47
-

à luz das noções precedentes, podemos conside


rar, agora, o que se tem dito a respeito dos quatro exem-
48
pIos propostos por Kant. Schopenhauer ,baseando-se, so-
bretudo, no quarto exemplo, censura Kant, dizendo que o
imperativo categórico não passa de um imperativo hipotét!
co disfarçado, cuja máxima coincidiria com o preceito vul
gar: "não 6aç.a.6 ao Ou.tfLO o que.. nao que..fLe...6 que...te.. 6aç.am."
Dessa forma, a ação seria movida pelo amor próprio, pelo
egoismo, pelo temor das conseqUências. É o que ocorrer1a
com o exemplo da falsa promessa, no qual a imoralidade do
ato parece ser explicada, não pela contradição intrínseca
da máxima erigida em lei universal, mas pela contradição
entre 。セ@ conseqUências do ato e os desígnios da vontade -
a desconfiança que provoca ã sua volta o autor da falsa
promessa seria a sanção que o levaria a permanecer sempre
S1ncero. A respeito desse tipo de interpretação do ー・ョウセ@
ento kantiano, comenta Delbos: "é uma interpretação que
deve permanecer suspeita, desde que se leve em considera-
çao que, freqUentemente, Kant afirmou que não se deve 」ッセ@
fundir com a ação moral, ainda que tenha os mesmos carac-
teres exteriores, a ação inspirada pela previsão das con-
. " 49
seq U-enC1as. -
Recordemos que nao basta que a açao seja
conforme ao dever, é preciso que seja praticada por dever.
Kant invoca o fato da desconfiança apenas como confirma -

ção exterior do seu pensamento. Na Crítica da Razão Pra


tica, faz uma afirmação que parece confirmar este julga -
64

mento de Delbos: "t .-i..ne.gãve..t, d.-i..z e..te., que. todo que.Jte.Jt d!


ve. te.Jt também um obje.to, poJt セッョ・Nア。↑MゥL@ uma matéJt.-i..a;
ュ。セ@ ・Nセエ。@ matéJt.-i..a não e., pOJt NMゥセッL@ o ーjエNMゥョセzッ@ de.te.Jtm.-i..nan-
セ・N@
+
e. a セッョ@ d'セ￧。ッ@ - d a ュ。クセ@ - . ••. ,,50

Há, entretanto, quem considere que se deter


apenas na impossibilidade intrínseca e empobrecer a dimen
são dos exemplos. É o que pensa Philomenko, quando diz
que, em cada exemplo dado por Kant, há uma impossibilida-
de intrínseca e uma extrínseca. Assim, a moral estrita
5l
estaria assegurada tambem pela prudência.

É preciso reconhecer, com Alquie, que os pro-


ーイセッウ@ exemplos dados por Kant conduzem às interpretações
contraditórias do seu pensamento. Haveria, segundo ele,
nos seus textos, "uma 、NMゥセエ¬ョ。@ e.ntJte. a Nエ￵ァMゥセ。@ do.6 、・NセョM
カッNエMゥュ・ョセ@ 。「セエjッL@ セNMゥューエ・ョ@ adm.-i..Jtãve..t, e. ッセ@ e.xe.m-
ーNエッセ@ que. não ・Nセエ ̄ッ@ ã a.ttuJta 、・Nセ。@ Nエ￵ァMゥセ。UR@ Fala da neces
sidade de ultrapassar a ordem dos exemplos, que nao podem
ser compreendidos em si mesmos, para tentar compreendê-los
segundo o conjunto dos textos. É preciso nao esquecer,
enfim, diz ainda Alquie, de. Kant não têm que Bッセ@ ・Nクューエッセ@
pOJt nunção ope.JtaJt a de.dução, a paJtt.-i..Jt do .-i..mpe.Jtat.-i..vo セ。エ・Nᆳ
ァᅰjエNMゥセッL@ do セッョエ・Nオ、@ Bセッョjエ・N@ 、ッセ@ 、・Nカjエセ@ Têm, 。ョエ・NセL@
pOJt nunção, ュッセエj。@ que., qua.tque.Jt que. セ・Nェ。@ c セッョエ・Nオ、L@ セ・N@
o pJtob.te.ma é moJta.t, pode. セ・Njエ@ ju.tgado セ・Nァオョ、ッ@ 。セ@ ョojエュ。セ@ do
-. ,,53
.-i..mpe.Jtat.-i..vo セ。エ・Nァッ@
Acabamos de comentar, mediante as análises
dos exemplos, as implicações da primeira fórmula do impe-
rativo categórico, em que aparece a noção de natureza. vセ@
jamos, agora, como Kant chega à segunda fórmula, na qual
aparece a noção de humanidade como fim em si. Procedendo,
como ate aqui, analiticamente, Kant parte do conceito da
vontade, concebida como a faculdade de se autodeterminar
a agir conforme a representação de certas leis, faculdade
essa que só se encontra nos seres racionais. O que serve
ã vontade de princípio objetivo de sua autodeterminação e
o fim, e este, se e dado só pela razão, tem de ser válido
65

para todo ser racional. Os fins da razao sao os fins do


próprio homem, uma vez que "não pode./t.-ta have./t out/tO.6 6.-tn.6
que. 0.6 6.-tn.6 da /tazão, po.-t.6 o U.60 da 6.-tnal.-tdade. nao apa/te.-
c.e.,.6e.não quando o "c.onc.e..-tto ge./tal do .6e.n.6I.ve.1 nao ba.6ta
ュ。セNV@
. pa/ta c.omp/te.e.n d O
e./t ou ・Nクーセ」。Oエ@
' 54 A este respeito, co
menta ainda Burgelin: "0.6 6.-tn.6 tê.m uma /te.lação p/te.c..-t.6a
com a /tazao, e. .-t.6to, p/t.-tme..-t/to, po/tque. não há, a .6e.u /te..6-
pe..-tto, .6e.não uma .-tdé.-ta. A /tazão não comp/te.e.nde. カ・NOエ、。Mセ@
me.nte. .6e.não o/t.-te.ntando pa/ta ... e. é, e.la me..6ma, no ma.-t.6
p/t06undo de. .6ua natu/te.za, uma ve.z que. pO.6.6u.-t também uma
natu/te.za, o/t.-te.ntação pa/ta Pa/ta .6ua total .6at.-t.66ação
-
que. e., ao me..6mo te.mpo, de..6ab/tochame.nto total do home.m e.m
.6ua natu/te.za conqu.-t.6tada. Ela é, po.-t.6, ult/tapa.6.6ame.nto e.
c.onqu.-t.6ta. Ve..6de. que. .6e. .-tn.6tale. no acabado, to/tna-.6e. .-tg-
nafta /tat.-to e. ado/tme.c.e..,,55

Assim, a vontade pode, igualmente, ser enten-


dida como a faculdade de agir em vista de fins. No caso
da vontade de um ser racional, submisso ao dever, o fim de-
ve ser concebido independentemente de todos os móbiles
subjetivos. Nesse sentido, pode-se dizer que o fim e ob-
jetivo.

Da mesma forma que a máxina de uma vontade ーセ@


ra tem o valor de uma lei universal, o fim de uma vontade
ヲ セュ@
pura e um. em ウセNUV@ • Como o b serva Aアオセ・L@ l ' - quan d o Kan t
se refere ao fim como principio objetivo da 。オエッ、・イュゥョセ@
çao, usa o termo objetivo num sentido diferente do que ・セ@
- . 57 .
pregava ate 。アオセN@ Com ・ヲセエッL@ Kant empregava esse ter-
mo para distinguir a lei, objetiva, do fim, subjetivo.
Agora, no entanto, refere-se ao ヲゥセ@ como principio objeti
vo; o termo significa, 。アオセL@ apenas o que pertence ao ob-
jeto. É nesse sentido que se pode dizer que, quando a von
tade se representa um fim, representa-o sempre como obje-
tivo. É este o conceito de fim que aparece na Doutrina
da Virtude, ao qual já nos referimos: "Chama-.6e. 6.-tm, d.-tz
Kant, O obje.to do l.-tv/te. a/tbI.t/t.-to (dum .6e./t /tac.-tonaIJ, cuja
/te.p/te..6e.ntação de.te./tm.-tna o que./te./t a uma ação que.· ーOエッ、オセ@
e..6 te. o b j e.to • ,,58
66

Isso mostra que a vontade a que Kant se refe-


-
re e a vontade humana, e que, portanto, a moralidade -
e
concebida no seio dessa vontade estritamente humana. Que-
rer nao e somente querer segundo regras; é também querer
algum fim. É evidente que nem sempre o fim que se quer
e- um fim em si. Por isso, Kant distingue dois tipos de
fins -
os fins objetivos e os fins subjetivos. Aqui, nes-
· . -
sa d lstlnçao, con f orme o b servaçao
- .-59, o termo ob-
de Alqule
jetivo não significa o que é representado no objeto, por-
que, neste sentido, todo fim é objetivo, mas indica a
conformidade ã lei objetiva da -
razao. É essa distinção
entre dois tipos de fins que leva Kant a distinguir entre
móbil e motivo. o móbil e o princípio subjetivo da facul
dade de desejar; supoe sempre a influência de nossas ln-
clinações. O motivo é o princípio objetivo do querer e
indica urna influência da razao.

Os fins -
propostos, corno efeitos da açao (fins
materiais), são, na totalidade, apenas relativos, p01S o
que lhes da o seu valor é apenas a sua relação com a natu
reza particular da faculdade de desejar do sujeito, nao-
podendo, por isso, constituir a base de princípios オョゥカ・セ@
sais. Tais fins são, pois, a base de imperativos hipoté-
ticos, que ordenam ações não morais. Para o imperativo
categórico, ha necessidade de um fim em si, único, cUJO
valor é absoluto, e que, por outro lado, não podemos dei-
xar de nos propor. "Ona., po.ó.óo, e.m ve.nda.de., d'<'z Ka.nt, .óe.n
セッョN￳エ。ァG\、@ pon outno a. a.çoe..ó que. .óão d.<.n.<.g'<'da..ó, e.nqua.n-
to me..<.o.ó, pa.na. um 6.<.m, ma..ó na.o po.ó.óo ja.ma..<..ó .óe.n セッョN￳エ。ᆳ
g'<'do pon outno a. po.ó.óu.<.n um 6.<.m; .óÓ e.u de.te.nho o pode.n de.
me. pnopon 。Nセァオュ@ セッN\￳。@ セッュ@ 6.<.m. Ma..ó .óe., 。Nセ↑ュ@ d'<'.ó.óo, .óou
obniga.do a. me. pnopon セッュ@ 6.<.m 。Nセァオュ@ セッN\￳。@ セッューョ・N、ゥ。@

no.ó セッョ・NG\エ￳@ da. na.zão ーョ ̄エG\セ。N@ e. .óe., pon セッョN￳・ア。↑\L@


[de.vo 。N、ュG\エセ@ 。Nセ↑ュ@ do ーョN\セiッ@ Vッョュ。Nセ@ de. de.te.nmina.ção
do セN\カョ・@ a.nbltn.<.o Hエ。Nセ@ セッュ@ o que. ・Nョカッセ@ o d.<.ne..<.tol, 。N\セ@
da. um ーョN\セiッ@ ュ。Nエ・ョ\セ@ de. de.te.nm.<.na.ção, que. セッョN￳\エ・@ e.m
po.ó.óu.<.n um 6.<.m, que. po.ó.óa. .óe.n opo.óto a.o 6.<.m que. ョ・N￳オセエ。@
da..ó エ・Nョ、↑セ\。￳@ .óe.n.ólve..<..ó, tna.ta.-.óe., e.ntão, do セッョ・N\エ@
67

dum 6im que ê, em セゥ@ ・セュッL@ um deven; e a teonia 、・セエ@


-
nao pode 、・セッョ@ da doutnina do dineito, ュ。セ@ ー・ョエセ@ a
↑エゥセ。L@ セuェo@ セッョ・ゥエ@ não ゥューヲセ。@ nada ュ。ゥセ@ que um セッョM
tnangimento ー・セッ。ヲ@ セ・ァオョ、ッ@ ヲ・ゥセ@ ュッョ。ゥセNLVP@ Só o ser ra-
cional, e, portanto, a humanidade, pode ser um fim em S1.
Todas as coisas que possamos adquirir para satisfazer nos
sas inclinações têm apenas um valor relativo às -.
propr1as
inclinações - são apenas meios a seu serviço. Só as pes-
soas, como seres racionais, são fins em S1. Dessa forma,
a vontade humana, que só pode querer segundo algum fim,
pode propor-se um fim moralmente legítimo. o imperativo
recebe um fim sem deixar de ser categórico. Daí a segunda
fórmula do imperativo categórico: "Age de taf maneina que
エョ。・セ@ a humanidade, tanto na tua ー・セッ。L@ quanto na do ou
tno, セ・ューョ@ e ao ュ・セッ@ tempo セッュ@ 6im, e ェ。ュゥセ@ セゥューヲ・ᆳ

mente セッュ@ Nesta fórmula,a palavra Bセゥューヲ・ョエ@


6l
meio.
e a expressão "ao ュ・セッ@ tempo" têm um sentido preciso.
"Kant não quen dizen, セッュ@ e6eito, que o homem não deva
セ・ョ@ セッヲ。、@ ou セ・@ セッヲ。ョ@ a セ・ョカゥ￧ッ@ de セ・ョエ。@ ゥョセヲ。@ -
￧ッ・セ@ e ョ・セゥ、。[@ quen dizen que o homem, em todo オセッ@
de セオ。@ ー・セッ。L@ tem o deven e o dineito de ー・ョュ。セ@ fi-
vne; que, セ・@ ele セ・ョカ@ ou e セ・ョカゥ、ッL@ não deve, セッョエオ、L@
セ・ョ@ ・セョ。カコ@
. d o, nem セ・ョ。@ . f - . f - ・セョ。カコN@
• ,,62 Por SUR na-
tureza complexa e em face da ação técnica, é que os homens,
ao menos parcialmente, são tratados como meios. Nas rela-
ções entre as pessoas, hã inúmeros casos de ações interes-
sadas. A moralidade não exige que se abstenha dessas
ações, o que tornaria a vida impossível. O que Kant diz e
que não se deve tratar os homens simplesmente como me 1 os,
mas também, ao mesmo tempo, como fins.

Com relação às noções de fim em S1 e de huma-


nidade, pode-se perguntar se Kant teria procedido rigoro-
samente segundo o método analítico, como se propos. - Hã
quem considere (Schopenhauer poderia novamente ser citado
aqui)63 que Kant teria introduzido, como princípio do im
perativo categórico, a noção de natureza humana, na medi-
68

da em que se refere ã humanidade como fim, deixando de la


do a noçao, - adotada antes, de ser racional. Realmente,
quando Kant estabelece que o fim em si é o único que pode
servir de base ao imperativo categórico, porque este fim
em si é o único,cujo valor é absoluto, evolui do conceito
de razão para o de humanidade, de pessoa. Assim, o fim em
SI não seria mais a razao pura, mas o sujeito dessa razão.
Mas, como observa A1quié, o que faz com que o indivíduo
seja uma pessoa é o fato de que é um ser racional: so nes
sa medida é que ele é sujeito da lei moral, absolutamente
. . -
lnvl01ave1. 64 -
Nao e- somente a razao;
- e, .6el1ao
II - -
a .6u b.6 t-an
セ。L@ ao mel1o.6, a ・xセNVエ↑ャQ。@ do homem que ・クーエlセュ@ e, 。アオセL@

um valoJt ab.60Iuto.,,65 Cabe perguntar, aquI, qual serIa


o significado Kantiano dessa noção de pessoa humana.
ainda A1quié que esclarece: "Não é uma NVオ「エ¬ャQセ。@ 110 .6el1-
エセ、ッ@ セャ ̄NVッ@ セ@ l1ão é uma NVオーjエ。MセャQ、カ・[@ l1ao é
uma nOJtma que .6e セューッエl。@ a uma ュ。エ←jセ[@
l1ao é uma オャQセ、。・@
que ョ。jエセ@ a .61I1te.6e do.6 、セョ・jエャQNV@ e.6tado.6. Não tem l1ada
de セッュオL@ l1em セッュ@ o que .6e セィ。ュ@ セャQ、カオッL@ l1em セッュ@ .6ua.6
ャQ・セNV、。L@ エ・ャQ、↑セ。NVL@ セQャ。￧￵・NV[@ l1ão tem l1ada de セッ@
mum, também; セッュ@ o que naz a .61nte.6e de.6ta.6 セQャ。￧ᅰ・NV@ e
de.6ta.6 エ・ャQ、↑セ。NV@ ••. ,,66
Na O.P., Kant refere-se ã ー・イウッョ。Qゥ、セ@ como
ao Bセ。jエ ̄・@ dum .6eJt que tem 、セエl・ッNV@ e, pOtL セッャQNV・ア↑。L@
uma アオ。ャセ、・@ mOJtal. A セッャQNV↑。@ de.6ta ー・jエNVッャQ。セ、@
ー・エlャQセL@ 110 NVオェ・セエッL@ ã Jtazao, l1ão エ←セiQ。L@ ma.6 motLal,
ーjエ。セL@
- , me.6mo .6e tem d eveJte.6 ou l1a me d'd セ@ a em que 0.6 t em. ,,67
A personalidade identifica-se com a lei moral. Dessa for-
ma, parece claro que Kant não fundamenta o imperativo ca-
tegórico na natureza empírica do homem.

Quanto ã ideia de fim, aparece, nesta fórmu-


la, como fim em SI, absoluto, diferindo de tudo o que -e
apenas relativo a um desejo. Hã, aqui, uma reciprocidade
absoluta entre a noção de fim e a noçao de lei moral. Ado
tar, como fim, o respeito aos homens é adotar, como prIn-
cípio de ação, a obediência ã lei moral, o que significa,
69

enfim, considerar a razao, no homem, como um fim absoluto.


Não se trata, no caso do imperativo categórico, duma su-
bordinação a um fim, como ocorre com o imperativo hipoté-
tico, uma vez que não é um fim a realizar, mas um fim a
representar. Não é algo que se queira alcançar ou con-
quistar, mas algo que se respeita, contra o qual -
nao se
deve agir. Assim, ele permanece, como condição limitati-
va, puramente negativo. Tratar os homens como fins e nun
ca apenas como meios, é simplesmente respeita-los. É este
aspecto que contribui para dar ã moral Kantiana o seu ca-
rater jurídico, que reconhece a mesma dignidade para to-
68
dos os homens.

Pode-se concluir que, para chegar as -


noçoes
de humanidade e fim, Kant procedeu por pura analise, deri
vando a pnioni da razão pratica o princípio moral.

Conforme as próprias palavras do filósofo, "o


ーョゥセzッ@ da humanidade e toda natuneza ョ。セゥッャ@ セッュ@ 6im
em セゥ@ ( ... ) não ê tomada ã ・クーョゥセ。L@ pnimeino pon セ。オᆳ
セ。@ de セオ。@ オョゥカ・セ。ャ、L@ uma vez que セ・@ ・セエョ、@ a エッ、セ@
ッセ@ セ・ョ@ ョ。セゥッ@ em genal ( ... ); セ・ァオョ、ッL@ ponque, ョ・セエ@
ーョゥセzッL@ a humanidade ê ョ・ーセエ。、L@ não セッュ@ 6im 、ッセ@
ィッュ・ョセ@ Hセオ「ェ・エゥカッIL@ ゥセエッ@ ê, セッュ@ um objeto que エッョ。ュセL@
pon ョッセ@ ュ・セッL@ e6etivamente um 6im, ュ。セ@ como um 6im ッ「ェセ@
tivo, que deve, アオ。ゥセ・ョ@ que セ・ェ。ュ@ ッセ@ Vゥョセ@ que ョ。セ@ ーョッセ@

セ・ョュッL@ セッョエゥオL@ na qualidade de lei, a セッョ、ゥ￧ ̄@ セオーョ@


ma, ョ・セエゥカ。@ de エッ、セ@ ッセ@ Vゥョセ@ セオ「ェ・エゥカッL@ e ponque, 。セ@
セゥュL@ ・セエ@ ーョゥセzッ@ deniva ョ・セ。ゥュエ@ da nazao pu-
na.,,69 Assim, o pensamento de Kant evolui apenas por con
ceitos puros e se encaminha para o conceito de autonomia,
que lhe permitira explicar a possibilidade do imperativo
categórico.

Kant pretende mostrar, pelo principio da auto


nomia, a identidade das duas primeiras fórmulas, イ・。ャゥコセ@

do a síntese das noções de lei e de fim em si, de tal for


ma que, nem a vontade aparece como submissa ã lei exteri-
70

ormente, nem a lei como simples me10 em face da razao,


considerada como um fim em si. Surge, assim, "o t(ULce.{,!tO
ーセゥョ」zッ@ ーセ ̄エゥ」ッ@ da vontade, como condição セオー・ュ。@ de セオ@
。」ッセ、@ com a セ。コ ̄ッ@ ーセ ̄エゥ」。@ オョゥカ・セ。NL@ a セ。「・L@ a vontade
de todo セ・@ セ。」ゥッョN・@ concebida c.omo vontade N・ァゥセ。、ッ@
»70 セN@
オョセカ・。N@
• o
Segun d o este pr1nC1p10,
.
que -e .
cons1derado
o mais importante, porque revela a própria essenc1a do
imperativo categórico, são rejeitadas todas as máximas que
não estejam de acordo com a legislação universal da pro- -
pria vontade. A vontade é vista, aqu1, não apenas como
submissão ã lei moral, mas como legisladora. Assim, fica
reconhecida a principal dificuldade na explicação do Qューセ@
rativo categórico: que devemos obedecer ã lei unicamente
porque é a lei, por puro respeito. Se todo interesse sen
sível é excluído, e preC1SO, no entanto, que nos interes-
semos, de alguma forma, pela lei, uma vez que se exclui
toda coação exterior. Um tal interesse, que existe, de
fato, recebe, agora, sua explicação: todo interesse advém
do fato de sermos os autores da lei, a que devemos nos
submeter. Por outro lado, essa submissão também se expli
ca, porque nao somos seres puramente racionais, e, como
• 4"
tal, não adotamos, necessariamente, a lei moral como ーイQョ」セ@

pio de determinação; e como seres racionais e sensíveis,


ao mesmo tempo, que a submissão ã lei aparece como um cons
trangimento.

As três fórmulas do imperativo categórico mos


tram, enfim, o seu caráter incondicional, na medida em
que, como vimos, tal imperativo não se funda sobre nenhum
interesse exterior, mas leva em consideração, unicamente,
a forma da lei da ação.

Segundo Kant, todos os esforços feitos ate 。ァセ@

ra para encontrar o princípio da moralidade tinham de fa-


lhar necessariamente, porque se via o homem ligado a leis
por dever, mas ninguém refletia que ele estava ウオ「ッイ、ゥョセ@
do só ã sua própria legislação. A obediência a uma lei,
que não derivasse da própria vontade do homem, so se ex-
II

plicaria por algum interesse que o estimulasse ou cons


trangesse, dai, nao se chegava nunca ao dever, mas apenas
ã necessidade de agir por interesse. o imperativo teria,
entao, um carãter condicionado, não podendo ser um manda-
mento moral. Só o princípio da autonomia da vontade pode
explicar que o homem, quando obedece - es-
ã lei moral, nao
tã agindo senão conforme a sua própria vontade, que, por
d ・ウエセョ。￧ッ@ o -
natura 1 , e- 1 ・ァセウ@ °ld
a ora オョセカ・イウ。@
o 1 . 71

É este principio da autonomia da vontade, ob-


serva Delbos, que nos conduz ã solução definitiva do pro-
blema moral, aparecendo corno uma aplicação: -a o r d em mo r a 1,
da idéia que Rousseau havia sustentado para a ordem so-
cial. liA obediê.nc.ia ã lei que no.6 pfLe.6c.fLevemO.6 セ@ libefLda-
d e. ,,72
72

REFERcNCIAS BIBLIOGRÃFICAS
E NOTAS

1. FMC, op. cit., p. 123.

2. Ibid, p. 123.

3. Cf. Delbos, op. cit., p. 286, nota.

4. Como observa Delbos, " Kant parece tomar, primeiro, es


ta expressão de razão pratica num sentido indeter
minado; não identifica, sem dificuldade, a -
razao
pratica à razão moral; tende, mesmo, em muitas
passagens a apresentar a razão pratica como um ァセ@
nero, do qual a razão pura pratica, dum lado, e,
do outro, a razão tecnicamente ou empiricamente
pratica são -.
especles, alias entre elas irredutí-
velo Mas o que deve ser estabelecido, por 、・ュッョセ@

tração ulterior, é que só a razao pura é verdade i


-. It
ramente pratlca. Ibid, p. 282.

5. BOUTROUX e PHILONENKO referem-se à subordinação, nos


imperativos hipotéticos, às leis da sensibilidade.
Leia-se em Boutroux: "0.6 6in.6 hipote.tic.o.6 .6ão c.o-
loc.ado.6 pon no.6 c.omo um 6ato e não c.omo uma obni-
gação" , op. cito p. SPセ[@ Philorrenko ッーセ・@ o lmpe-
rativo categórico, subordinado às leis da liberda
de, aos imperativos hipotéticos, dependentes das
leis da sensibilidade - Philonenko, A. L'Ouvre de
Kant, Tome 2, J. Vrin, Paris, 1969, p. 112.

6. FMC, op. cito p. 123.

7. Ibid, p. 127.

8. ALQUIÉ, op. cit., p. 38.

9. Cf. FMC p. 131 e 132.

10. Cf. Alquié, op. cit., p. 39.

11. FMC, op. cit., p. 128, nota Delbos.

12. Ibid, op. cit., p. 97.


73

13. O imperativo categ6rico セ@ visto como uma lei nos Fun


damentos. No entanto, segundo comentário de De1-
bos, "a CJt:l:tic..a da Razão PJtatic..a ve.Jta, no impe.Jta-
tivo 」N。エ・ァ￳jセッL@ 。ョエ・NセL@ uma ・Nセー←」ゥ@ de. ・Nクーjエセ ̄ッ@
ou de. aplic..ação da le.i que. a pJtópJtia ャ・Nセ@ inc..ondi-
c..ionada. Ve. jエ・NセZッL@ Kant diJta ・Nクーjエセ。ュョ@ que. o
impe.Jtativo c..a:te.góJtic..o セ・N@ 、ゥセZエョァオ・N@ duma ャ・Nセ@ ーjエ。セ@
c..a セッ@ que. ・Nセエ。@ jエ・NーセョZ。@ a ョ・N」セ、。@ duma ação
e.m セゥ@ ュ・Nセ。L@ セ・Nュ@ 、・N」セゥjエ@ セ・N@ ・Nセエ。@ ação é ゥョZエjセ・Nᆳ
c..ame.nte. pJtópJtia ao セオェ・Nゥエッ@ e. ョ・N」セ。jエュZ@ pJto-
duzida pOJt e.le., c..omo é o 」N。セッ@ num セ・Njエ@ セ。ョエッL@ ou
セ・N@ não é ョ・N」セ。jエゥュ@ jエ・N。ャセコ、L@ c..omo e. o 」N。セッ@
do home.m". - De1bos, op. cito p. 288 nota.
14. FMC, op. cit., p. 128.

15. Nos Fundamentos, Kant está absolutamente firme na


convicção de que o imperativo categórico -
e uma
lei da razão do homem, cuja autoridade reside exa
tamente na autonomia da vontade. No entanto, na
Opus Postumum, Kant repete continuamente que a
"Jtazão mOJtal pJtatic..a c..ontém O ゥュー・Njエ。Zセカッ@ 」N。エ・ァ￳jセ@
c.. O , que. que.Jt que. セ・N@ 」Nッョセゥ、・jエ@ エッ、セ@ ッセ@ 、・Nカjエセ@ c..o
mo ュ。ョ、・Nエッセ@ 、ゥカョッセイN@ - Opus Postumum, textes
choisis et traduits par Gibelin, J. Vrin, 1950,
p. 5 - Mais adiante, Kant refere-se ao princípio
segundo o qual Bエッ、セ@ ッセ@ 、・Nカjエセ@ do home.m pode.m
セ・Njエ@ ・Nョオ」ゥ。、ッセ@
também c..omo ュ。ョ、・Nエッセ@ de. v・Nオセ@ e.,
pOJt c..e.Jtto, 6oJtmalme.nte., ュ・Nセッ@ não セ・N@ admitindo, c..o
mo de.te.Jtminando a Jtazão, ne.nhuma 」N。オセ@ 、・Nセエ@ ァ・Nョセ@

Jto, e.nquanto セオ「エ¬ョ」N。[@ pJtatic..ame.nte. 。ャゥセL@ pou-


c..o impoJtta que. セ・N@ c..oloque. ・NセZエ@ c..aJtate.Jt 、セカョッ@ do
mandame.nto na Jtazão humana ou e.m uma ー・セッ。@ 、・NセZエ@

ge.ne.Jto, セ・Nョ、ッ@ a 、セV・Njエョ￧。L@ 。ョZエ・Nセ@ do カ・Njエ「。ャゥセュッL@


que. uma lição que. ーッセ。@ aume.n:taJt o c..onhe.c..ime.n:to"-
Ibid, p. 17. Cf. p. 11, 12, 13, 16, 18 e 128.

16 . FMC, o p. c i t. p. 13 °.
17. Cf. A1quie, op. cito p. 41.
74

18. Cf. FMC, op. cit., p. 132.

19. FMC, op. cito p. 136.

20. Ibid. pg. '135.

21. Ibid, p. 134, nota de Delbos.

22. Cf. Alquie, op. cit., p. 43.

23. Cf. Boutroux, op. cit., p. 303

24. FMC, op. cit., p. 136.

25. Cf. Alquie, op. cit., p. 49.

26. FMC, op. cit, p. 136.

27. DELBOS, op. cit., p, 309.

28. FMC, op. cit., p. 162.

29. Ibid, p. 137.

30. Ibid, p. 150.

31. Ibid, p. 156.

32. Cf. FMC, op. cit., p. 162, nota de Delbos.

33. DELBOS, op. cit., p. 299.

34. - fins
Na Doutrina da Virtude, Kant diz que estes sao
e, ao mesmo tempo, deveres. refine fim como "um
ッ「ェセエ@ do ャゥカセ@ 。セ「zエゥッL@ euja セーョエ。￧ ̄ッ@ 、セᆳ
エセュゥョ。@ o ャゥカセ@ 。セ「zエゥッ@ a uma açao ーセャ。@ qual セ@
エセ@ ッ「ェセエ@ é ーセッ、オコゥBN@ D. v. p. 55. Mais adiante-
"Não セ@ エセ。@ 、セ@ 6in.6 アオセ@ O ィッュセ@ NVセ@ ーセッL@ NVセᆳ
guindo a.6 エセョ、・ゥ。NV@ セョNVzカゥ@ 、セ@ .6ua ョ。エオセコL@
ma.6 、セ@ o b j セエc「@ do li カセ@ 。セ「zエゥッL@ .6 オ「ュゥNVセ@ 0.6 a.6
.6ua.6 ャセゥNVL@ do.6 qua..i..6 .6e 、セカ@ V。コセ@ um 6im".Ibid,
p. 55, 56. BeNVエセ@ 6in.6 .6ão - minha ーセ￵ゥ。@ peft..-
6eição セ@ a 6elieidade do ッオエセN@ Não NVセ@ ーッ、セL@ coセ@
tinua Kant, ゥョカセエ・ヲN@ a ft..elação de.6te.6 teft..mo.6 e
6azeft.. da 6elieidade pe.6.6oal, duma paft..tc, f..igada
ã ーセV・ゥ￧ ̄ッ@ do ッオエセL@ de outft..a paft..te, 6..in.6 que
NVセゥ。ュ@ em セゥ@ ュ・セッNV@ 、・カセ@ paft..a a me.6ma ーセNVッ。@
A Vセャゥ」、。@ ーセNVッ。ャL@ com セVゥエッL@ eum VゥューセッM
75

pnio a エッ、セ@ ッセ@ ィッュ・ョセ@ (em nazao da ゥョ」ャ。￧セッ@ da


セオ。@ natunezal, ュ。セ@ ・セエ@ 6im ョセッ@ pode ェ。ュゥセ@ セ・ョ@

olhado como um deven, セ・ュ@ que セ・@ contnadiga. O que


cada um, inevitavelmente, quen, ェセ@ pon セゥ@ ュ・セッL@
não pode pentencen ao conceito de deven; com e6ei-
to o deven セ@ um 」ッョセエ。ァゥュ・@ em カゥセエ。@ dum 6im
que nao e 、・セェ。ッ@ de bom gnado.
,t,igualmente, uma contnadição ーョ・セcォカMュL@ como
6im a ー・ョVゥ￧セッ@ do ouino. Com e6eito, a pen6ei-
ção do ouino, enquanto ー・セッ。L@ 」ッョセゥ・@ em que セ@
capaz de セ・@ pnopon a セゥ@ ュ・セッ@ セ・オ@ 6im, セ・ァオョ、ッ@ セ・オ@
conceito de deven, e e, ーッゥセL@ uma 」ッョゥ。、￧セ@ exi-
gin (colocan como deven) que eu deva 6azen a ョ・セᆳ
peito do ouino uma 」ッゥセ。@ que セッ@ ele pode 6azen".
Ibid, p. 56.

35 . . Cf. DV op. cit., p. 61.

36. Cf. FMC p. 139, nota de d・セ「ッウN@

37. DELBOS, op. c i t . , P . 293.

38. Ibid., P . 296.

39. FMC, op. cit., P . 140, 141.

40. Cf. Ibid, p. 141-

41. FMC, op. cit., p. 141.

42. Cf. Ibid, p. 141.

43. Cf. Ibid, p. 142.

44. Cf. Ibid, p. 142, nota de Delbos.

45. FMC, op. cito p. 142, 143.

46. Cf. Alquié, op. cito p. 54.

47. Cf. FMC, op. cito p. 143.

48. Citado por Delbos, op. cito p. 294, nota.

49. Cf. FMC, op. cit, p. 140, nota de Delbos.

50. CRPr. p. 34.

51. Cf. Philonenko, op. cito p. 125.


76

52. ALQUIÉ, op. cit., p. 55.

53. Ibid, p. 57.

54. BURGELIN, P. Kant et ャ・セ@ Vゥョセ@ de la ィ。ゥセッョL@ ln Re-


vue de mセエ。ーィケウゥアオ・@ et de Morale, UXセ@ aョセL@ n9
1-2, Janvier-Juin, 1953, p. 131, 132.

55. Ibid, p. 132.

56. Cf. FMC, op. cit., p. 148, -cnóta ae , Delbos.

57. Cf. aャアオゥセL@ op. cito p. 61.

58. DV op. cito p. 51.

59 • AL QUI É, o p. c i t ., p. 6 1, 6 2

60. DV op. cit., p. 51.

61. FMC, op. cit., p. 150.

62. Ibid, p. 150, nota de Delbos.

63. Citado por Delbos, op. cito 294.

64. Cf. aャアオゥセL@ op. cit., p. 64.

65. Ibid, p. 65.

66. Ib id, p . 65.

67. O•P • , op. cit, P . 5 , 6.

68. Cf. FMC, op. cit, P . 153, nota de Delbos.

69. FMC, op. cit, p. 153.

70. Ibid, p. 154.

71. Cf. FMC, op. cito p. 156, 157.

72. Cf. Ibid. p. 154, nota De1bos.


cf.Rousseau, Contrato Social, Livro I, capo VIII.
77

CAPÍTULO V

REINO VOS FINS

A possibilidade do imperativo categórico,- 1S


to é, de uma lei pratica, cujos princípios sejam validos
e necessarios para todo o querer em geral, repousa em aI
guma coisa, cuja ・クゥウエセョ」。L@ em S1 mesma, tenha um valor
absoluto. Este valor não pode ser conferido às inclina-
ções ou エ・ョ、セ」ゥ。ウ@ da natureza humana, pois estas incli-
-
naçoes, na medida em que criam ョ・」ウゥ、。セ@ escravizam
a vontade, - como simples meio
determinando a açao e -
nao
como fim. Do mesmo ュッ、セ@ tudo o que, no mundo da nature
za irracional ou dos objetos, possa ser usado pela カッョエセ@

de, possui, também, o valor condicionado de me10. Ao con-


trario, os seres racionais, chamados pessoas, nao podem
ser empregados como simples meio, mas constituem fins em
si mesmos; não são apenas fins subjetivos, de valor rela
tivo, mas fins objetivos de valor absoluto, único funda-
mento do princípio objetivo da vontade. A natureza racio
nal, como fim em si, nao so é o fundamento único da lei
objetiva da vontade, mas constitui, igualmente, um pr1n-
cipio subjetivo セ。ウ@ ações humanas, uma vez que -
e ass1m
que o homem representa sua própria ・クゥウエセョ」。N@ No con -
ceito de pessoa, realiza-se a idéia de fim em si e de fim
último. O homem é o alvo final da criação, e o que Kant -
afirma na Crítica do Juizo: li • • • .6em 0.6 homeYl.6, a c.Jtia-
￧セッ@ iYlteiJta .6eJtia um .6imple.6 de.6eJtto ゥyャセエ@ e .6em alvo
6iYlal.,,1 A razão exige, inevitavelmente, que subordine-
mos os fins condicionados a um fim incondicionado, logo,
este fim não pode ser um fim da natureza, mas o fim da
sua ・クゥウエセョ」。L@ com todas as suas disposições finais, e,
por consequencia, o fim último da criaçao. O homem confe
re ao mundo o seu valor. Mas, diz Kant, e com 1SS0 esta
de acordo o julgamento セ。ゥウ@ COmum da sã -
razao humana,
78

"0 home.m não pode. .6 e.Jz. um a-€.vo 6ina-€. da c.Jz.iaç.ão .6 e.nao e.n-
quanto .6e.Jz. mOJz.al.,,2 Não e, pois, pela faculdade de co
nhecer, pois só o fato de ser conhecido, se nao - houvesse
um alvo final, não ーッ、・セゥ。@ conferir ao mundo nenhum valor;
"não e: tambe:m pOJz. Jz.e.laç.ão ao .6e.ntime.nto d.e. pJz.aze.Jz. ou da
.6oma do.6 pJz.aze.Jz.e..6 que. pode.mo.6 .6UpoJz. um alvo 6inal da c.Jz.ia
ç.ao c.omo d a d o " ... 3 "0 h ome.m, 」Nッョセオ。@ +' Kant, d e.ve. .6e.Jz.
pJz.e..6.6UpO.6to c.omo alvo 6inal da c.Jz.iaç.ão paJz.a que. pO.6.6a ha-
ve.Jz. um 6undame.nto Jz.ac.ional, jU.6ti6ic.ando a haJz.monia ョ・N」セ@
.6ãJz.ia da natuJz.e.za c.om .6ua 6e.lic.idade., quando e..6ta haJz.mo-
ョセ。@ e: c.on.6ide.Jz.ada um todo ab.601uto .6e.gundo 0.6
do.6 6in.6.,,4 O valor que so o homem pode se dar e que con-
siste em seus atos, em sua conduta e nos principios ウ・ァオセ@
do os quais ele age, não como membro da natureza, mas na
liberdade de sua faculdade de desejar, quer dizer, uma boa
vontade, que e
"que. dã ã .6ua e.xi.6tê.nc.ia um valoJz. ab.6o-€.u-
o
to e. pOJz. Jz.e.laç.ão ao qua-€. a e.xi.6tê.nc.ia do mundo pode. te.Jz. um
alvo 6inal,,,5 este valor e o que reside no homem como
ser moral. セ@ considerando o homem desta forma, esclarece
Kant, que temos uma razao, ou, ao menos, a condição prin-
cipal, para considerar o mrindo como um todo ligado segun-
do os ヲセョウ@
. e como um ウセエ・ュ。@
. de causas f 'セョ。ウN@ . 6 A ordem
dos fins e equivalente ã ordem das inteligências puras,
autodeterminadas. Hã, pois, uma unidade teleológica de
sujeitos independentes, de livres personalidades, que se
submetem apenas ã lei de sua própria vontade. Esta união
teleologica de sujeitos livres e o que constitui o イ・セョッ@

dos fins, como o mundo da natureza inteligivel, conceito


que a razão adota, para conceber-se a si mesma como prãti-
ca. Um tal reino e concebido por analogia com um イ・セョッ@

da natureza. "Ma.6, pe.Jz.gunta Ve.lbo.6, a natuJz.e.za e: um Jz.e.ino?


Não, c.e.Jz.tame.nte., diz e.le., .6e. não .6e. c.on.6ide.Jz.a, ne.la, .6e.-
não a.6 le.i.6 c.au.6ai.6 que. de.te.Jz.minam o e.nc.ade.ame.nto de. .6e.u.6
6e.nôme.no.6. Sim, e.ntJz.e.tanto, .6e. .6e. ob.6e.Jz.va que. ape.na.6 .6ua
Jz.e.laç.ão ao.6 .6e.Jz.e..6 Jz.ac.ionai.6,olhado.6 c.omo .6e.u.6 6in.6, pe.Jz.mi-
te. c.ompJz.e.e.ndê.-la e.m .6ua unidade. total e. .6i.6te.mãtic.a. Se.,
pOJz.tanto, a natuJz.e.za pode. no.6 6oJz.ne.c.e.Jz. a image.m de. um Jz.e.i
79

no 、ッセ@ VゥョセL@ e pOhque ・セエ@ ョッセ@


-
conduz a concebeh a natuhe
z a c omo um hei no. " 7 A e s s e r e s p e i to, I e mos em Ka n t : "A
teleologia 」ッョセゥ、・ィ。@ a natuheza como um heino 、ッセ@ Vゥョセ[@ a
mOhal 」ッョセゥ、・ィ。@ um ーッセzカ・ャ@ heino 、ッセ@ Vゥョセ@ como um heino
da natuheza. No Phimeiho 」。セッL@ o heino 、ッセ@ Vゥョセ@ é uma
idéia teohica 、・セエゥョ。@ a explicah o que ・クゥセエ[@ no セ・ァオ@
do, é uma idéia phãtica 、・セエゥョ。@ a healizah o que não
・クゥセエL@ ュ。セ@ que pode セ・@ tOhnah heal pOh ョッセ。@ 。￧￵・セL@ e
ゥセ@ o, exatamente em con 60hmidade com ・セ@ ta idéia." 8 O r e 1
no dos fins é a ligação sistematica de todos os seres ra-
cionais sob leis comuns. Esta idéia serIa, segundo AI-
quié, inspirada na idéia leibniziana da cidade de Deus,
ou seja, de um reino da graça, oposto ao reino da nature-
9
za. Este reino que, em verdade é apenas um ideal, que
pode, no entanto, ser realizado pela liberdade, compreen-
de tudo o que, como fim, esta em conexão direta ou indire
ta com a lei moral. Os seres racionais estão todos subme
tidos a esta lei, que manda que cada um deles
.
JamaIS
. se
trate a SI mesmo e aos outros simplesmente como meios,
mas sempre e simultaneamente como fins. De direito, todo
ser racional é membro do reino dos fins, pelo fato que
institui a legislação a qual obedece. "Enthetanto, comen-
ta v・ャ「ッセL@ ッセ@ セ・ィ@ ィ。」ゥッョセ@ VゥョエッセL@ ュ・セッ@ quando セオ。@
ュ ̄クゥ。セ@ ・セエ ̄ッ@ de acohdo com ・セエ。@ ャ・ァゥセ。￧ ̄ッL@ nao ーッセオ・ュL@
セ・ェ。@ a plena independência a ィ・セーゥエッ@ 、。セ@ ョ・」セゥ、。@
que ャィ・セ@ 。セ・ァオィ@ uma 」ッョセエ¬ゥ。@ 。「セッャオエ@ em セオ。@ ュ ̄クゥ。セL@
セ・ェ。@ o pleno podeh de healizah tudo o que quehem; e, além
、ゥセッL@ セオ。@ ュ£クゥ。セ@ não セ ̄ッ@ ョ・」セ。ィゥュエ@ de acohdo com
・セエ。@ ャ・ァゥセ。￧ ̄ッNBio@ Para os que participam do reIno dos
fins como membros, a necessidade de agir segundo a lei mo
ral constitui uma obrigação, um dever. Ao contrario, o
ser racional, cuja vontade é santa, ou seja, que concorda
necessariamente com a legislação moral, e que tenha um ーセ@
der adequado a esta vontade, não é· somente um membro do
11
reino de fins, mas participa dele na qualidade de chefe.
O dever não se aplica, pois, ao chefe, porque, neste, nao
ha possibilidade de uma maiima sequer contraria ao princi
80

p10 objetivo da razão. "Só Veu.6, evidel1temel1te, del1-tJl.O


do pel1.6amel1to de Kal1t, .6el1do o NVッ「・セ。ャQ@ bem ッセゥァャQ。エL@ po-
de NV・セ@ 」oiQNVゥ、・セ。ッ@ um che.6e 110 セ・ゥャQッ@ do.6 6il1.6.,,12 Por
Deus, diz Kant, se entende urna pessoa que tem poder jurí-
d i c o sob r e to dos os s e r e s r a c i o n a i s . " 1 3 que .6 a É" um .6 01.
be tudo o que a ョ。エオセ・コ@ 」ッューセエ。L@ que pode tudo o que a
エゥ「・セ、。@ 」ッューセエ。@ .6ob tei.6, e que アオ・セ@ tudo o que アオ・セュ@
0.6 6il1.6 NVオーセ・ュッ@ ... O cOl1ceito de.6te NV・セ@ l1ao セ@ um ideat
(|セョカ・。@ , + d o ) ,ma.6 d ・セカ。@
' d o ョ・」NV。セュ@ '+ d a セ。コッ@ - ... ,,14
No entanto, como afirma Kant, um tal ser nao interfere na
vontade das pessoas. "O homem ュッセ。エ・ャQ@ bom .6e 6az a .6i
me.6mo. ,,15 -
Deus nao pode àar uma boa vontade ao homem,
16
porque esta exige a 1iberàade. " Veu.6 pode 」セゥ。@ O ho-
mem enqual1to NV・セ@ da ャQ。エオセ・コL@ ma.6 l1ao enqual1to NV・セ@ ュッセ。エL@

ーセッカゥ、@ do.6 ーセゥャQ」ッNV@ da jU.6tiça, bondade e .6al1tidade ...


Veu.6 セ@ .6 anto, ma.6 nao po de 6az ・セ@ l1enhum .6 ・セ@ .6 anta. ,,17 F i-
ca, assim, estabelecido o lugar do chefe no reino dos fins
e o lugar dos membros, único a que podem pretender os ho-
mens, como seres racionais finitos. Nestes, "a ャQ・」NVゥ、セ@
de ーセ¬エゥ」N。@ de 。ァゥセ@
.6egundo o 、・カセ@ nao セ・ーッuNV。@ em .6el1ti -
mento.6, imput.6o.6 ou inctil1açõe.6, ma.6 ul1icamel1te 11 uma

セ・。￧ッ@
o - d 0.6 NV・セ@ セ。」oャQNV@
" ・ョエセ@ NVセ@
, ,,18 Aparece, aqu1,
a idéia de uma reciprocidade ou de uma igualdade essen-
ciais, consideradas como constitutivas da ordem que deve
reinar entre os seres racionais. Nessa relação dos seres
racionais entre S1, a vontade de cada um deve sempre ser
considerada como legisladora. "A cada セ。コッ@ セ・エ。」ゥッャQ@
uma da.6 'mâxima.6 da vOl1tade, cOl1cebida como エ・ァゥNV。、ッセ@ uni
カ・セNV。ヲL@ a cada uma da.6 ッオエセ。NV@ vontade.6 e me.6mo a cada uma
da.6 110.6.6a.6 açoe.6, e i.6to, l1ao ーッセ@ アオ。ャ・セ@ ッオエセ@ motivo
ーセ¬エゥ」ッ@ ou アオ。ャ・セ@ vantagem Vオエセ。L@ ma.6 em カゥセエオ、・@ da
ゥ、セ。@ da dig nidade do .6 V1. セ。」ゥッ@ nal que .6 Õ obedece ã tei
que ete ーセ￳ゥッ@ in.6titui."l9 É graças a essa idéia que
se torna possível conceber, fora do reino da natureza, um
reino de vontades autonomas, como resultado do que, no ho
mem, é superior ã natureza - sua vontade legisladora. tッセ@

nou-se possível, observa Alquié, laicisar uma idéia reli-


81 1
!
I
I

glosa - a
idéia leibniziana da cidade de Deus,
...
POSS1-
20
vel pela graça.

"No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma


dignidade. o que tem um preço pode ser trocado ou subs-
tituido por outra 」ッゥウセ@ como equivalente; ao contrário,
o que é superior a todo preço, e que, por lSS0, não admi
te troca, tem uma dignidade. Assim, as leis do relno
dos fins governam, nao somente as relações entre as pes-
soas, idealmente consideradas, mas ainda as trocas de ob
.
Jetos ou d e servlços entre as pessoas.
,,21-
セ@ que nao tem pr!:..
ço possui um valor absoluto, intrinseco, uma dignidade
própria, insubstituível: -
so o homem, ・ョセオ。エッ@ ser moral,
pOSSUl esse valor absoluto. A ação moral tem um valor
intimo, que não reside nos seus efeitos, na vantagem ou
utilidade, que se pode consegulr por seu intermédio, mas
unicamente na intençao com que tal ação é praticada.

o relno dos fins aparece, asslm, como um


ideal possivel pela autonomia da vontade, que constitui
o fundamento da dignidade do homem e de toda natureza ra
cional. são - .
as maXlmas conformes ã nossa própria legis-
lação que devem concorrer para estabelecer um relno dos
fins como um reino da natureza.
82

REFERENCIAS B1BLIQGRÃFICAS

1. C.F.J. op. cit, p. 250.

2. Ibid. pg. 251.

3. Ibid, p. 251.

4. Ibid, p. 251.

5. Ibid, 251.

6. Ibid. pg. 252.

7. DELBOS, op. cit., p. 307.

8. F.M.C., p. 163.

9. Cf. A1quie, p. 70.

10. DELBOS, op. cit., p. 306.

11. Cf. FMC. op. cit., p. 158; Cf. De1bos, op. cit.,
.
p. 306, 307.

12. F.M.C. op. cito p. 158, nota de De1bos.

13. Opus Postumum, op. cit, p. 21.

14. Ibid, p. 29.

15 . Ibid, P . 35.

16. Ib id, p. 20 .

17. Ib id, P . 30.

18. F. M. C. op. cit., P . 159 .

19 . F .M. C. op. cit, p. 160.

20. ALQUIÉ, op. c i t . , p. 70.

21. F.M.C. op. cito p. 160.


83

CAPTIl'LC \'1

AUTONOMIA E HETERONOMIA VA VONTAVE

Kant define a moraJidade como a " h e.-C.ação da!!


aço e..6 a- 。オエッョュセ@
. d a vonta d e..11 I A autonomia aparece como
o principio da moralidade. A partir dela, é possivel 、セ@
duzir os conceitos moraIS, tais como o de boa vontade,
de obrigação moral e de dever. É ainda é autonor:ia que
possibilita o julgamento moral, pois é em face da concor
dância ou não dos atos da vontade com as leis da autono-
mIa, que se pode falar em ação moral ou imoral. A vonta-
de, cujas máximas concordam, necessariamente, com estas
leis, é uma vontade santa, absolutamente boa. A relação
de uma vontade imperfeita ã lei moral -
e a obrigação. A

necessidade objetiva de um ato fundado sobre a obrigação


moral é o que se chama dever.

Pela autonomia da vontade, a razão é concebi


da como legisladora universal. Esta é a grande novidade
da ética critica: segundo Kant, o homém só está obrigado
a agIr em conformidade com sua própria vontade, que e a
autora da lei m9ral. Fica, aSSIm, justificado o respei-
to pela lei, sem que se tenha de apelar para o interesse
por algum fim exterior ã vontade. o homem se interessa
,/

pela lei moral, -


porque e, enquanto ser racional, o seu
autor. Se a obediência à ]ei é vista como uma obrigação
e porque o homem não é apenas racional, mas tambem sensi
velo A sensibilidade lhe sugere outros interesses, que
- o interesse estritamente moral,
nao e, aSSIm, o homem,
ser racional e sensível, pode agir contra sua própria lei.
Daí se justificam a autonoillia e, ao mesmo tempo, a obri-
gação e o dever. Somos, indissoluvelmente, legisladores
e sujeitos à lei. Graças à autonomia da vontade e que,
embora o dever tenha o.caráter de obrigação moral, há,
84

como diz kZセョエ@


?
セッ。@ que 」オューセ・@ エッ、セ@ ッセ@ セ・オ@ 、・カセN@ Lセ@ o sentimento do
sublime セ@ o respeito por nossa pr6pria 、・ウエゥョ。￧セッ@ イ。」セッM

nal, que セ@ superior ao poder da sensibilidade.


3

Kant enuncia o principio da 。オエッョュセ@ ・セ@ con-


ヲッイュゥ、。セ@ com o enunciado do imperativo categ6rico: esco-
lher sempre de tal forma, que as ュセクZ。ウ@ de nossa escolha
sejam compreendidas, ao セ・ウュッ@ t0mpo, como leis universais,
no mesmo ato de querer. Temos urna ーイッウゥ￧セ@ ウゥョエセM

ca, porque liga, i ゥ、セ。@ de uma Loa vontade, a de uma le-


ァゥウャ。￧セッ@ universal, que nao está logicamente contida nela.
Por isso, ョセッ@ se pode demonstrar, pela simples análise dos
conceitos implicados na vontade, que esta regra seja um
imperativo, ou seja, uma condiçio para a vontade de todo
I

ser racional. Para uma tal 、・ュッョウエイ。￧セL@ serla necessa-


イセ。@ uma crítica da イ。コセッ@ pura prática. Apesar disso, diz
Kant, セ@ possrvel, pela ウゥューャセ@ análise dos conceitos de
moralidadF, demonstrar que o princípio da autonomia e o
único princípio da moral, Bーッセアオ・L@ 、・Nセ￳。@ mC 1 eJ..fLa .óe de.óeo
「セ・@ que e.óte pnineZpJ..o deve セ・@ um jNュー・セ。エゥカ」@ 」。エァVセjN・ッL@
e que ・N￳セ@ ョセッ@ ッセ、・ョ。L@ nem maJ...ó nem ュ・ョッセL@ que e.óta auto-
nomJ..a.,,4

Tudo o que não se 1nscreve no plano da estri-


ta autonomia se equivale em ュッセ。ャL@ constituindo o que Kant
chama de morais da heteronomia. A heteronomia consiste
na 、・エイュゥョ。￧セッ@ da vontade por : elS que -
nao resultam da
sua propria natureza, mas da natureza de qualquer ohjeto
exterior. Neste caso, as reprf 'entaçoes da イ。コセッ@ relacio
nam-se, antes de tudo, aos objtLos, n90 podendo determi-
nar a vontade ウ・ョセッ@ por meio da \Ensibilidade. Os セュー・イ@

tivos -
sao, 。アオセL@ simplesmente ィゥーッエセ」ウN@ Como tais セュー@

rativos sao sempre 」ッョ、ゥ。セL@ i s t ( -e , ordenam a -


açao
em vista de um fim, ョセッ@ se chega, por esta via,
ュッイ。セウ@ legitimos. Todos os princípios ュッイ。セウL@ que
não se baseiam na autonomia da vontade, sao, segundo Kant,
falsos, não importando que SEjam princípios empíricos ou
85

rac10na1s.
. .
Os empíricos reduzem-se ao pr1nc1p10 da
• 4'.
busca
da felicidade. Fundam-se sobre o sentimento, físico ou mo
ral; Os princípios rationaissao fundados sobre o conce1
to イ。」ゥッョセャ@ da ー・イヲゥ￧セッL@ entendido como efeito possível
da Bçao, ou como urna ー・イヲゥ￧セッ@ existindo por S1 (a vonta-
de de Deus), considerada corno causa determinante da nossa
5
vontad"e.

Kant critica os princípios empíricos, porque,


na medida em que セ・@ baseiam na 」ッョウエゥオ￧セ@ particular da
ョ。エオイセコ@ humana ou nas circunstincias do mundo em que V1-
ve, comprometem a オセゥカ・イウ。ャ、L@ e, por isso, ョセッ@ valem,
indistintamente, para tp-dos os seres
. .
raC10na1S; comprome-
tem, por conseqUência, a necessidade prática ゥョ」ッ、セ@
da, que resulta da própria universalidade. Dentre estes
• 4'
princípios empíricos, Kant condena, sobretudo, o pr1nC1-
pio da busca da felicidade pessoal, nau a.penas porque e -
falso e porque a própria experiência o contradiz, na medi
da em que mostra que nem sempre as boas obras conduzem ao
bem-estar, mas principalmente porque supoe, sob a morali-
dade, móbiles que destroem a sua grandeza, juntando na
mesma classe, os motivos que levam ã virtude ou ao vício.
Quando a felicidade セ@ considerada um fim absoluto, a dis-
cussao sobre os meios torna-se urna 、ゥウ」オセッ@ apenas teóri
ca, nao se questionando sobre o seu valor moral, mas ape-
nas sobre sua eficácia para nos levar ao fim proposto.
Kant ョセッ@ condena a busca da felicidade em S1 mesma. Ao con-
trário, va1 fazer dela uma das condições do soberano bem.
O que ele condena e a - tentativa de erigí-Ia em lei práti-
ca; so a lei moral, concebida em sua pureza absoluta, po-
de conferir ã felicidade urna dignidade, corno tambem so
ela pode 1mpor a preocupaçao com a felicidade do outro co
mo ッョ、ゥ￧セ@」 restritiva da busca de nossa - .
propr1a felicida
6
de.

Quanto ao sentimento moral, embora Kant o con


dene, considera, contudo, que セ@ o que mais se aproxima da
moralidade, porque confere ã virtude a honra, o cara ter
86

imediato da satisfação que ela proporciona e do respeito


que ternos por ela.

Entre os prlnclplos morais que repousam sobre


as representaçoes da razão, o conceito ontológico da per-
feição ê, diz Kant, superior ao conceito teológico, que
deduz a moralidade do livre decreto da vontade divina. No
entanto, mesmO o conceito ontológico de perfeição não po-
de determinar o princípio moral, urna vez que e - exatamente
o contrário que deve ocorrer, ou lei moral que
pode ordenar a busca da perfeição pessoal; esta e um fim
que ê, ao mesmo tempo, um dever. "Qu.ando -ó e d.-lz da peJz.
V・NMャ￧セP@ pJz.5pJz..-la ao homem em geJz.al la 6alaJz. pJz.opJz..-lamente セ@
hu.man.-ldade) , que 6azeJz. dela u.m n.-lm セ@ エ。ュ「セL@ e.m -ó.-l me-ómo,
um de.veJz., -óe deve pen-óaJz. na ー・NjコVMャ￧セP@ que pode -óeJz. o ・VNセ@
to da 。￧セッ@ do home.m, e ョセッ@ no que. セ@ apena-ó um dom que ele.
de.ve セ@ natu.Jz.eza; pOJz.q u.e. , de ou.tJz.a nOJz.ma, ョセッ@ -óeJz..-la u.m de-
veJz.. Ela não pode, PO.-l-ó, -óeJz. ou.tJz.a co.-l-óa que a cu.ltuJz.a
da-ó 6aculdade-ó do homem lou de -óu.a-Ó d.üpo,!:'-tçõe-ó vratuJz.a-i.-óJ,
na pJz..-lme.-lJz.a cla-ó-óe da-ó qua.-l-ó, セ@ pJz.ec.-l-Óo colocaJz. o entend-t
mento, como 6acu.ldade de conce.-lto-ó, compJz.eend.-ldo-ó エ。ュ「セL@
pOJz. con-óeqUênc.-la, conce.-lto-ó Jz.elat.-lvo-ó ao deveJz., e, ao ュ・セ@
mo tempo, à vontade. Imane.-lJz.a de pen-óaJz. mOJz.al) de -óat.-l-Ó6a-
zeJz.,:ltodo-ó O-ó deveJz.e-ó em ge.Jz.al.,,7 Assim, a lei moral or-
dena a busca da própria perfeição, entendida corno o culti
vo de todas as faculdades necessárias ao cumprimento dos
fins prescritos pela razão.

Quanto ao conceito teológico, Kant o critica,


dizendo que Bョセッ@
temo.6 .-lntu..-i.ção da pe.Jz.6e.-lção d.-l V.-l na , ma-ó
ape.na-ó a pode.mo-ó deJz..-lvaJz. de 1'1O.6.60-ó conce.-lto-ó, erdJz.e O-ó
qu.a.-l.6 o da mOJz.al.-ldade, qu.e セ@ o ma.-l.6 nobJz.e; 。エセュ@ d.-l.6.6o, -óe
ab-ó.-lm não o n.-lzê.6-óe.mo.6 (paJz.a e.v.-ltaJz. um gJz.o.6-óeiJz.o cZJz.cu.lo
v.-lc.-lo-óo na expl.-lcação) , -ó5 no-ó Jz.e..6taJz..-la da vontade. 、NMャカョセ@
o conce.-lto de mOJz.al.-ldade, qu.e. teJz.ia de 6azeJz. do-ó atJz..-lbu-
tO.6 do amoJz. セ@ gl5Jz.ia e. セ@ 、ッュNMャョ。￧セL@ l.-lgado.6 セNV@ .-lmagen-ó
teJz.Jz.Zve.-l-ó do podeJz..-lo e da v.-lngança, o -óe.u. 6undamento, o
que no-ó condu.z.-lJz..-la a um -ó.-l-ótema de mOJz.al, qu.e .6eJz..-la ェオM￳エセ@
87

me.Vlte. o C.OVltfLa..fLio da mO'La{.{dade..,,8 o círculo VICIOSO a


que Kant se refere, explica-se, segundo Delbos, porque
"tifLafLZamo.ó de. VlÕ.ó me..ómo.ó O c.oVlc.e.ito de. mOfLafidade., pafLa
atfLibuZ-fo a Ve.u.ó, e., e.m .óe.guida, e.xpfic.afLZamo.ó, pOfL e..óte.
atfLibuto, a pfLe..ó e.Vlça e.m VlO.ó da fe.i mOfLaf.,,9

Assim, Kant manifesta uma preferência pelos


conceitos do sentido moral e da perfeição como conceito
ontológico, na medida em que nao atentam contra a morali-
dade, enquanto considera que o principio da busca da feli
...
cidade pessoal e sua rUIna. Has, enfim, todos esses ーイャセ@

cípios são condenados porque se baseiam no conceito da he


teronomia da vontade. Nas morais que adotam estes princi
pIOS, trata-se sempre de fazer alguma COIsa, como meio,
como fim. Como sabemos, o
. ....
prInCIpIO
porque se quer outra,
único da moralidade e, segundo Kant, o imperativo categó-
rIco, que ordena incondicionalmente. Alem disso, se a
lei fosse exterior ao homem, a obrigação moral so se JUS- -
tificaria por algum interesse. Com efeito, se o - .
proprlO
homem não e o autor da lei, esta so pode despertar o seu
interesse mediante o apelo ã afetividade. Ela tambem pode
se impor, como mostra Alquie, por constrangimento puro.
Has, neste caso, e considerada uma lei tirânica. No entan
to, nao e dessa forma que a lei se impõe ã consciência: a
·
o b rIgaçao- mora 1 e- .InterIor.
. 10 .
O que se experImenta quan-
do se julga ュッイ。ャ・セエ@ e que minha consciência compreende
o que deve ser, -
independentemente do que e ,. compreende-se
também que a lei moral, tal como e dada pelo imperativo
categórico, e respeitavel por si mesma, daí resultando o
interesse que desperta. Não se trata de um interesse afe
tivo, mas de um interesse que resulta do próprio fato da
autonomia. Somos os autores da lei moral, e, por isso,
nos interessamos por ela.
88

REFERENCIAS BIBLIOGRÃFICAS

L F. M. C. op. c i t . , P . 168.

2. Ibid. pg. 169.

3. Cf. Kant - CJtitique de la ョ。」Nオャエセ@ de JugeJt, Trad. Phi


lonenko, Paris, J. Vrin, 1974, p. 96.

4. F.M.C. op. cit., p. 170.

5. Cf. Ibid, p. 172.

6. Cf. F.M.C. op. cito p. 173, nota de De1bos.

7• D,v ., o p. c i t, p. 5 7 •

8. F.M.C., op. cito p. 174, 175.

9. Ibid, p. 174, nota de De1bos.

10. Cf. ALQUIE, op. cit, p. 75.


89

CAPTTULO VII

o "EM SI" E OS FENDMENOS

A Crítica da Razão Pura representou o esforço


-
crítico de Kant para sistematizar as concepçoes que, lenta
mente, foram se estruturando em seu pensamento, como tenta
tivas de solucionar, seja a questão da natureza da ciência
ou do estatuto da metafísica, seja a da problematica de
uma compreensao mais direta da vida moral.

Nesse esforço, Kant opôs-se, de um lado, ao empi


rismo, de outro, ao racionalismo. Quando ele define a filo
sofia como "a. úê.ne.,[a. da. Jr.e.la.ç.ão de. :todo.6 0.6 e.onhe.e.,[me.n:to.6
a.o.6 6,[n.6 e..6.6e.núM.6 da. Jr.a.zão hu.ma.na. ••• ", I afirma, contra o,
empirismo, que os fins últimos são os fins da própria ra -
-
zao, e -
nao os fins da natureza, como pretende o empirismo,
- que reduz a razão a uma simples faculdade apta apenas a
fornecer meios. Contra o empirismo, afirma ainda a existên
cia das coisas em si, como causas dos objetos fenomênicos.
Nessa medida, a totalidade do ser nao se esgota no seu ser
ー・イセ「ゥ、ッ@ como afirma o empirismo ..

Contra o racionalismo tradicional, Kant afirma'


que os fins da razão não são fins exteriores e super10res,
mas fins da própria razão. Esta é a noção de autonomia,
que aparece já na segunda edição da Crítica da Razão Pura,
embora só adquira sua verdadeira significação na constitui
ção da filosofia prática.

-
Apesar disso, pode-se dizer que e , precisamente,
a inspiração racionalista que marca o pensamento Kantiano.
A Crítica da Razão Pura, corno afirma Delbos, chegou ao es-
tabelecimento de um novo racionalismo, cuja novidade con -
siste, não numa redução do papel da razão, mas numa outra
3
concepção desse papel. Se, por um lado, Kant mostrou que
todo uso da razão, com vistas ao conhecimento, é limitado
empiricamente, por outro lado, mostrou que todo o poder,da
90

razão nao se esgota na produção cognitiva. A razão Kantia-


na, alim de cognitiva, i originalmente criadora. "Indepen-
dentemente de セオ。@ 。ーャセ・￧ ̄ッ@ ã ・クーセ↑ョ。L@ que e a ・ッョセ@ -
ção セ・エョゥカ。@ do セ・オ@ ーッ、・セ@ de ・ッョィセL@ a セ。コッ@ tem um
eonteúdo ーセ￵ッL@ uma 6aeuldade de ーセッ、オコ@ e de ャセァ。@ eon
・セエッL@ de ・ッャ。セ@ ッ「ェ・エセ@ em セ、←。@ ... Há um セァオ。ャ@ ・セッ@
em ーセ・エョ、L@ de uma ー。セエ・L@ que toda セ。コ ̄ッ@ セ・@ セ・、オコ。@ a
・セエ。@ セ。コ ̄ッ@ ・ューセョゥ。エ@ ・ッョ、セ。L@ de onde セ・オャエ。@ o
セ。「・L@ de ッオエセ。@ ー。セエ・L@ em ・セ@ que um セ。「・@ deve 。・ッューョィセ@
todo ・クセiッ@ セ・ァオャ。@ da セ。コ ̄ッBN@ 4
Uma das concepçoes racionalistas que Kant retoma -
- .
e a concepçao dualista, oriunda da antiga filosofia grega,
que consiste em distinguir entre um mundo sensível e um
mundo inteligível: o mundo da aparência e o mundo do ser.
f nesse sentido que ele se refere aos objetos apreendidos
na experiência, como a simples fenômenos, concluindo que,
como tais, são apenas a aparição de alguma coisa, supondo,
atrás de si, uma realidade: a das 」ッセウ。@ em si. "( ..• ) A
・クセエ↑Nョ。@ 。エョゥ「セ、@  ̄Nセ@ ・oセm@ em セ@ não é a que Vセァオ。@
nM ・。エァッセm@ da ュッ、。ャセ・L@ a ・クセエ↑Nョ。@ que tem, ーッセ@ ea
セ。・エjuL@ não ーッ、・セ@ セ・@ 。ーセ・ョ、@ セ・ョ ̄ッ@ numa セョエオ￧ ̄ッ@
セ・ョiカャBNU@ A existência atribuida is coisas em si i uma
existência absoluta, independente de toda determinação em-
pírica. Aparece, aqui, o uso não empírico do conceito de
existência, mostrando, desde logo, que ".0 オセッ@ エセ。ョ・、ᆳ

tal 、ッセ@ ・ッョセエ@ é leg1.tJ..mo, 、・セ@ de que não カセ・@ a VPセョ・@ -


・セ@ ッョィ・セュエBNV@
A afirmação das coisas em si aparece como um
pressuposto fundamental da doutrina Kantiana. Kant não 。ーセ@
nas postula a sua existência, mas as concebe como causas
- _ - 7
cujos efeitos sao os fenomenos dados na representaçao. O
fenômeno ê o ser, tal como pode ser apreendido pelo sujei-
to. Mas o sujeito não apreende o ser na sua totalidade: as
apreensões se dão conforme os limites e as possibilidades
de nossas faculdades. Parece evidente que o ser, tal como
nos aparece, é, em si, incognoscível. O ser percebido -
nao
91

se reduz, p01S, a ser pura e simplesmente percebido, mas


exige um fundamento, que não seja da natureza dos fenôme -
nos, mas um objeto transcendental, que o determine como
simples representaçao.

A causalidade atribuida às C01 S as em s 1 nao - ...


e ,
também, a causalidade concebida como categoria: é uma cau-
sa l 1·dd .
a e puramente 1nte セ@
1·191ve.
l 8 " PO
d ・ュッセ@ Ch 。ュセ@ Ob·.f-
ェ・セッ@

エセ。ョ」・、ャL@ diz Kant, a 」。オセ@ セゥューャ・ョエ@ inteliglvel


、ッセ@ V・ョUュッセ@ em ァ・セ。ャB_@ As C01sas em si correspondem,
pois, "a uma exigência do ー・ョセ。ュエッL@ que, nelM, ・セエ。「ャ@
ce o 6undamento de エッ、セ@ ッセ@ 、。ッセ@ ・ューャセゥ」ッ@ Lセo@ Em S1 mes -
mas, contudo,' permanecem indeterminadas, uma vez que ser,ia
contraditório submetê-las às condições da intuição sensí -
vel, sem a qual nenhum conhecimento é possível. Como obser
va Kant: "f ... f ・クゥァNセ@ que ッセ@ ッ「ェ・エセ@ em セゥL@ a ョ。エオセ・コ@
dM 」ッゥセ@ 。セL@ セ@ ej am .6 ubmi..6.6 0.6 a púnclpio.6, e de vam,.6 ・セ@ de -
エ・セュゥョ。、ッNV@ Gセ・ァオョ。ッ@ NVゥューャ・セ@ coYtceito.b, ·i ᄋ・ZクゥァセL@ .6e alguma
c..oi.6 a não impo.6.6Zvel, pelo meno.6, alg uma coi.6 a de muito
e.6 エセ。ョィB@ . 11

A natureza das coisas tais como sao em S1 mesmas


permanece, pois, incognoscível, mas, segundo De1bos, a con
cepção da relaçio-que elas podem ter com os ヲ・ョセュッウ@ セ・@
di veMi6ica, .6 egundo M V。」オャ、・セ@ do e.6 plúto humano, an-
te M quai.6 ela.6 .6e colocam. Na E.6té.:tica tセ。m」・ョ、エャL@
M coi.6 M em .6i セ@ ão .6imple.6mente a 」ッョエセ。ーゥ、@ da セ・」ーᆳ
Uvidade do.6 no.6.6o.6 セ・ョu、ッN@ R.elacionandO-.6e mai.6 ã. matê-
úa que ã. 6i:úúna' de no.6.6 M intuiçõe.6 .6 en.61ve.-c.6 , ela.6 ー。セ・」ュ@
エ・セL@ ーッセ@ 6unção e.6.6enci.al, no.6 。V・エセ@ de VPセ。L@ e V。コ・セL@
a.6.6im, 。ーセ・」@ a multiplicidade dM. nO.6.6a.6 NV・ョ。￧￵セ@ BNャセ@
"Na analItica, a.6 」ッゥセ@ M em セゥ@ .6 ão, Mセ@ ッ「セ・エオ、L@ o ob j eto
エセ。ョ」・、ャ@ 」ッセ・NVーョ、エ@ ao conheQimento e, ーッセ@ COMe
quência, també.m 、ゥNVuョエセ@ dele" .13 Distinto, porque o conhe
cimento deve se limitar aos ヲ・ョセュッウL@ que são apenas re -
presentaçoes sensíveis. Por outro lado, o· conhecimento de-
ve relacionar-se a um objeto que escape às condições limi-
tativas da sensibi lidade. "A objeUvidade 、ッセ@ 、。ッセ@ da ex-
92

ー・ョセ」ゥ。L@ tai como o 」ッョィ・セュエ@ ・セエ。「ゥ」L@ não e セ・ョ。ッ@


uma 、・エョュセ。￧ ̄ッL@ ョ・ゥ。エセカ@ a ョ￵セL@ 、・セエ@ objeto エョ。セ」・、@
tai, 、・セエ@ X de que não ーッ、・ュセ@ nada セ。「・ョL@ e cujo papei I
」ッョセエ・@ em 6undan, pana ョッセ@ 」ッョ・セエ@ ・ューzセ」ッ@ em ge-
nal, uma neiação a um objeto. mセL@ dum outno iado, セ・ョ、ッ@
、セエョッ@ do 」ッョィ・セュエL@ o objeto エョ。セ」・、ャ@ ihe con-
ョ・セーッ、[@ com ・VセエッL@ セ・@ ッセ@ ョッセ@ 」ッョィ・セュエ@ devem ・セᆳ
tan de acondo entne セL@ pon neiação a um セオェ・エッL@ neveian-
、ッMセ・@ aZ a atuação de uma 」ッョセゥ。@ puna e ッョセァ。ゥL@ que
セ・@ pode chaman apencepção エョ。セ」・、L@ ・ゥセ@ também de-
vem ・セエ。ョ@ de acondo entne セ@ pon neiação ao objeto, e セ・オ@
acondo, 、・セエ@ novo ponto de カセエ。L@ ッセ@ 6unda numa ョ・。セ、@
não ・ューzセ」。L@ quen 、セコ・ョL@ エョ。セ」・、ャN@ O objeto エョ。セ」・@
dentai é o conneiativo da オョセ、。・@ da apencepção エョ。セ」・@ -
dental. Pana a 」ッ・ョセ。@ e ッ「ェ・セカ、。@ do ョッセ@ セ。「・ョL@ a
6unção da 」ッゥセ。@ em セゥ@ e a 6unção da apencepção エョ。セ」・、@
tai 」ッセョ、・ュ@ pienamente. aアオセL@ a 」ッセ。@ em セゥ@ panece ・セエ。ョ@
ュ。セ@ em neiação com a 60nma que com a maténia do ・ョエ、セ@ -
mento".14
o conhecimento, em Kant, liberta-se do subjeti -
vismo da consciência empírica, precisamente porque Kant
concebe as coisas em si como existentes. "O セオェ・エッL@ セオ。@
natuneza, セ・オ@ 。エッセL@ セ ̄ッ@ ・ョ」。、ッセL@ não numa ー・m」エセカ。@ I

de puno セオ「ェ・エカゥュッL@ ュ。セ@ tendo em カゥセエ。@ a ッ「ェ・セカゥ、。@ pa


na compneenden e 6undan o 」ッョィ・セュエ@ dum objeto neal".15
Bem ma1S, afirma Rousset, "não セ・@ chegania a 、・エョュセ。@ o
que e e o que 6az, セ・ョ ̄ッ@ a pantin da 。ョ¬ゥセ・@ do 」ッョィ・セュ@
to dum objeto: ュ・セッ@ ョ・セエ。@ dedução Gセオ「ェ・エカ。L@ o método
k。ョエセッ@ é エョ。セ」・、ャL@ tendo, ao ュ・セッ@ tempo, pon pne-
ュセ。@ e pon 6im, o 」ッョィ・セュエ@ do objeto, e não ーセゥ」ッャ￵ァ@
co, ョ・Vゥク ̄ッG。セオェエュ@ セ@ e pon セ@ ュ・セッBNQV@ Rousset
mostra que, apesar de Sócrates, Santo Agostinho e Descar -
tes serem considerados filósofos subjetivistas, a grande'
descoberta da subjetividade pode ser atribuida a Kant, co-
mo Fichte, efetivamente, o fez, porque, naqueles, o sujei-
to era apenas uma etapa a ultrapassar: lia ne6iexão セョエ・ゥッ@
93

da ・ッョセ↑」。@ de セ@ ・ッョ、オコセ。@ セ・ュー@ ao セ・」ッョィュエ@ du-


ma セ・。ャ、@ セョ、・ーエ@ do セオェ・エッL@ ュセ@ ーセッョオ、。@ e ・セエ ̄@
ve-l.o que a d a 」ッョセNエ・サ。@ .- . " 1 7 "E m K ant, o セオェ・Nサエッ@ ..- nao e con-
・「セ、ッ@ como um ャオァ。セ@ a セ・」ッョィ@ em カセエ。@ de ・ョ」ッエセ。@ um
セ・@ エセ。ョ」・、L@ ュ。セL@ como um 」ッョセエオ・@ ッセァョ ̄L@
pon カ・コセL@ como um 」セ。、ッZ@ o カ・ョ、。セッL@ o bem, o bom,
lhe セ。ッL@ 、・ョセエカ。ュL@ セ・ャ。」ッョ、@ ・セオ「ッ、ョ。L@ ーッセ@
エ・ョセッ@ e ュ・セッ@ セョ・ッ@ ... ,,18
t o subjetivismo que Kant ataca em Hume, precisa
mente por não reconhecer senão·"a. ima.nêneia. do.!> c.onteúdo.6
do セオェ・エッL@ tonnando ーョッ「ャ・ュ ̄エセ」。@ ou negando a ョ・。セ、@
da クセエ↑ョ・。ゥuNッB@ 19 r: ainda o subjetivismo que ele
condena no espiritualismo'visionãriode Swedemborg. Por
isso, se é possível dizer que o criticismo representa uma
descoberta da subjetividade, com não menos razao se -. pode
afirmar que ele comporta, sempre, uma preocupaçã'o persis -
tente com a objetividade teórica e prática.

"O acondo 、・セエm@ dUM ー・mエセカ。@ do ー・ョセ@ amento


k。ョエセッ@ セᅰ@ pode セ・@ 」ッューセ・ョ、L@ セ・@ セ・@ neconheee que, de
um lado, a ッ「ェ・セカ、。@ não é de uma tal ョ。エオセ・コ@ que セ・@
oponha ã セオ「ェ・エカ、。L@ de outno lado, que a セオ「ェ・カ、。@
não é セョ、・ーエ@ da ・クセァョ。@ ッ「ェ・エセカ。BNRP@ A corre1a-
çao sujeito-objeto define esta dupla perspectiva. O conhe-
cimento do objeto não consiste na apreensão das proprieda-
des constitutivas セッ@ seu ser independente do sujeito. En-
quanto conhecido, o ser do objeto reduz-se aos elementos
subjetivos que contribuem para o seu conhecimento. No en
tanto, para além do que o sujeito pode alcançar, está a
afirmação do ser em si, incognoscível. Daí, nem subjetivi-
dade total, nem objetividade total. A própria definição de
verdade adotada por Kant "o 。・ッセ、@ do ョッセ@ 」ッョィ・セュエ@
21
com o objeto - " atesta a sua preocupação com a objetivi-
dade.

Vemos, aSS1m, que e esta preocupação com a obje-


tividade que leva Kant a afirmar a existência das coisas
em si, como substrato inteligível dos fenômenos. Essa dis-
94

tinção entre fenômenos e coisa em si e necessária a pers -


pectiva crítica. A questão que se coloca, agora, é saber
ate que ponto uma tal neceisidade basta para provar a legi
timidade desta distinção. Se as coisas em si são incognos-
cíveis, em que se fundamenta a afirmação de Sua existência?
Vejamos como Kant considera a questão. As coisas em S1
são, segundo ele, ".õe.Jte..6 de.,te.Jtminado.6 e. individuai.õ; não
セ。ッ@ ァ・ョ。ャゥ、セZ@ ャ・ゥセ@ ou エゥーッセ@ セオ・エイカゥ@ de セ・@ nealiza
MッセZ@ o • d"セカ@ "d オッセN@ , , 2Real1dades
2. . -
nem em ュオセーッ@ セョ@ aSS1m determina
das só poderiam, com efeito, ser conhecidas, mediante uma
intuição, e não, certamente, uma intuição sensível, uma
vez que as coisas em si não poderiam ser dadas numa repre-
sentação sensível: são Bョッオュ・セ@ e não fenômenos. As cate
gorias do entendimento não poderiam bastar, uma vez que
sao apenas as condições formais da sensibilidade, não haven
.. . 23
do como fazer delas um uso nao emp1r1co, transcendental.
Daí resulta que só uma intuição intelectual poderia nos
conduzir ao conhecimento dos Bョッオュ・セN@ No entanto, tal
intuição nos é recusada. Embora Kant não tenha provado que
a intuição sensível seja a única possível em geral, provou,
entretanto, que -e a un1ca para nos.
- 24 Kant propoe
- como so
lução, que a afirmação da existência das coisas em S1 re -
sulte da própria 」ッョウゥ、・イセ￧ ̄@ do conceito de fenômeno. Com
e fei to, di zele, Bセ・ァオ@
na.:tunalmente do eoneeito de ￳・ョ￴ュセ@
no em genal que alguma ・ッゥセ。@ que não e, em セゥL@ um óenômeno,
deve lhe ・ッョセー、@ , uma vez que o 6enômeno não pode na
- セRU@
da セ・ョ@ pon セゥ@ ュ・セッ@ e óona de ョッセ@ modo de ョ・ーセエ。￧ッN@
o conceito de "noumeno" permanece, pois, sem de-
terminação positiva, na medida em que sua realidade objeti
va não pode ser, de nenhuma maneira, conhecida. "O eoneei-
to de 'noumeno', quen dizen, o eonceito de alguma ・ッゥセ。@ '
que deve セ・ョッ「ゥ、。L@ não eomo objeto 、ッセ@ セ・ョ、ッL@ mM
eomo uma ・ッゥセ。@ em セゥ@ (unieamente pana um entendimento pu -
nol, não セL@ 。「セッャオエュ・ョL@ eontnaditonia, ponque não セ・@
pode aóinman da セ・ョゥ「ャ、。@ que セ・ェ。@ o unieo modo ーッセイᆳ
vel de intuição. aャセュ@ 、NエセッL@ ・セ@ eoneeito セ@ ョ・セ ̄ゥッ@ pa
95

na que não セ・@ ・セエョ、。@ a セョエオゥ￧ ̄ッ@ セ・ョiカャ@ até 。セ@ ・ッセ@ em


セL@ e, pon ・ッョセアオ↑。L@ pana que セ・@ ャセュエ・@ o valon ッ「ェ・エセ@
vo ao eonheeimento セ・ョi|jャ@ (ponque ッセ@ ッオエョセ@ ・ッョィセュ@ -
エッセL@ ョッセ@ qUM:6 não セ・@ 。エセョァ・@ ・セエ@ valon ッ「ェ・エセカL@ セ。ッ@ eha-
ュ。、ッセ@ ーョ・セ。ュエ@ イョッオュ・。セ@ r, a Vセュ@ de ュッセエョ。L@ pon セッL@
que ・セエ。@ ・セー←@ de ・ッョィセュエ@ não pode ・セエョ、@ セ・オ@
、ッュiョセ@ além do que ・ョセ@ー a o ・ョエセュッIBN@ 26
Kant diz ainda que o objeto ao qual se relacio -
na o fenômeno em geral é o objeto transcendental, quer di-
zer, o pensamento totalmente indeterminado de alguma coisa
em geral. Este objeto não pode se chamar "noumeno" , porque
não sei o que ele é em si, e não tenho absolutamente nenhum
conceito, senão simplesmente o dum objeto duma intuição em
geral, que é, por consequência, idêntico para dos os fenô-
27
menos".

Seria, entao, necessário distinguir entre ヲ・ョ￴ュセ@


nos e Bョッオュ・セ_@ Segundo De lbos, tal distinção se justifi.
ca apenas quando se pretende que "a セ、。@ de rnoumenor セョᆳ
tenvenha pana manean ュ。セ@ ーョ・セ。ュエ@ o eanâten セョエ・ャァiᆳ
vel da ・ッセ。@ em セL@ セョ、・ーエュ@ 、・セエ@ ・ッョセエ。ァュᆳ

to, que ョッセV。コ@ セオー￴Mャ。@ ・。オセ@ da 、セカ・ョ。@ de ョッセ。@ セ・ョ@


セ。￧ッ・L@ e 、・セエ。@ ação punamente 60nmal do ・ョエ、セュッL@ que
nela pnojeta o objeto エョ。セ・、ャBNRX@
Na afirmação dum mundo das coisas em S1, a ten -
dência proPriamente criticista do pensamento Kantiano mani
festa-se, como vimos, na busca das イ・ャ。￧セウ@ que este mundo
29
deve ter com as faculdades humanas. Se, de um lado, as
coisas em si não poderiam se impor de fora ã nossa razão,
sem, por isso, a converterem numa espécie de sensibilidade,
. 30 -
como observa Delbos, por outro lado, nao poderiam ser
um produto puro e simples da razão, sem se tornarem relati
vas ao próprio poder desta razão. Só mediante B。エッセ@ ーッセゥ@

カッセ@ e ョ・セ¬ゥッ@ do ・セーiョゥエッL@ que ョ・。ャゥコセュL@ pon セゥ@ ュ・セ@


ュッセL@ a セゥァョV・。￧ ̄ッ@ ゥョ・ッ、セ。@ em セゥL@ 、セ@ ・ッゥセ@ セ・ュ@
・ッョカエ↑Mャ。セ@ em ッ「ェ・エセ@ de eonheeimento, ou Mnda ュ・セ。ョエ@

a 、・エョュセ。￧ ̄ッ@ da セオ。@ ・クゥセエ↑ョ。L@ no セ・ョエ、ッ@ dum オセッ@ ーョ¬セ@


96

co ,,31
, e- que se podera
- resolver o problema da justa relaçao
-

das C01sas em S1 e das faculdades humanas. Estes atos sao


as chamadas Idéias da razão.


t
97

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - CRP. op. cito p. 562.

2 - Cf. De 1 e u z e. op. c i t. p. 7.

3 - Cf. De1bos. op. cito p. 159 e 160.

4 - Ibid. p.160.

5 - Ibid. p. 162.

6 - Ibid. p. 162.

7 - Cf. Ibid. 162.

8 - Cf. Ibid. 162.


I
f
I

9 - CRP. op. ci t. p. 374. I


[
セ@

10 - De1bos, op. cito p. 162.


t

11 - CRP, op. cito p. 256.

12 - De1bos, op. cito p. 162.

13 - Ibid. p. 162 e 163.

14 - Ibid. p. 162 e 163. Cf. CRP, op. cito p. 225

15 - Rousset, op. cito p. 28.

16 - Ibid. p. 28.

17 - Ib i d. p. 21•
98

18 - Ibid. p. 21 e 22.

19 - Ibid. p. 22.

2O - Ib i d. p. 29 •

21 - CRP. op. ci t. p. 217.

22 - Boutroux, op. cito p. 152.

23 - Cf. CRP. op. cito p. 223.

24 - Ib i d. p. 227.

25 - Ibid. p. 226.

26 - Ibid. p. 228 e 229.

27 - Ibid. p. 227.

28 - Delbos, op. cito p. 164, nota.

29 - Cf. Ibid. p. 165.

30 - Cf. Ibid. p. 166.

31 - Ibid. p. 165.
99

CAPTTULO VIII

AS IVtIAS VA RAZÃO PURA

Como Vlmos anteriormente, Kant julga impossível


argumentar a favor da existência, no homem, de uma faculda
de capaz de alguma forma superior de intuição, que lhe ーイセ@
porcionasse o conhecimento dos Bョッオュ・セN@ A recusa desta
possibilidade nao se dá, simplesmente, do ponto de vista
psicológico, porque, neste caso, como observa Boutroux, ou
tros filósofos poderiam objetar que constatam, no homem,
tal poder de intuição inteligível e o debate nao teria
l
fim. Kant segue, aqul, o mesmo procedimento adotado no
exame da intuição sensível. Neste caso, ele não se limita
ao fato dado, mas busca o que constitui o fundamento da
intuição sensível, ou seja, a intuição a prl0rl do espaço
e do tempo, por um processo de dedução transcendental. Tal
dedução baseia-se na existência da matemática, como ciên
cia apodítica. Relativamente à intuição inteligível, uma
dedução análoga é impossível, uma vez que não encontramos,
aqui, uma ciência apodítica universalmente admitida, como
no caso da matemática. Não se pode, com efeito, atribuir,
às proposições metafísicas, o mesmo grau de certeza que se
atribui is proposições matemáticas. No entanto, se o homem
pudesse dispor de um poder de intuição adequado aos obje -
tos supra-sensíveis, teria, certamente, constituído a meta
física como uma ciência rigorosa. Kant examina, ainda, uma
outra via, que poderia nos conduzir ao conhecimento do
supra-sensível: uma dedução a partir do próprio mundo sen-
sível, que nos levasse i afirmação daquele, como causa e
princípio deste. No entanto, se Kant admite que podemos de
monstrar, pelo raciocínio, existências, e não apenas rela-
ções, é com a condição de que sejam existências igualmente
empíricas: passagem do homogêneo ao homogêneo. No caso da
metafísica, teríamos de deduzir existências transcenden
tais de existências simplesmente empíricas, o que nao -
e
possível.
100

Neste caso, s e イセ@ am as - constru-


ideias da razao
çoes puramente arbitrárias? Pretendendo conhecer o supra-
sensível, estaria a metafísica exigindo do espírito humano
uma tarefa impossível? Face a tais indagações sobre a legi
timidade do conhecimento metafísico, nos reportamos a uma
situação de fato: a metafísica tem sido uma forma persis -
tente de expressão do espírito humano. Neste caso, deve
ser possível uma explicação, que justifique tal persistên-
」セ@ a.

Kant refere-se ao conhecimento metafísico como a


uma BjNャオセ ̄ッ@ V/.atUltM e. J..V/.e.vJ..táve.l do ・Nセーiャエjッ@ humaV/.o": O
uso transcendental dos princípios do entendimento é イ・ウーッセ@
sável pela "apaltê.V/.c.J..a エャ。vONLセ」・、B@ ou seja, a preten-
sao a objetividade, fora dos limites da experiência. "A
」N。オセ@ 、jNセッL@ dJ..z KaV/.t, é que. há e.m vONッセ。@ Itazão, 」NッvOセj、・ャエ。ᆳ
da セオVェ・Nエjカ。ュvOL@ qu.e.1t dJ..ze.Jt, c.omo uma ôac.uldade. de. 」NッvOィセ@

c.J..me.V/.to, Ite.glta.ó 6uV/.dame.V/.taJ...ó e. máx,tma.ó que. tê.m a apaltê.V/.c.J..a


de. ーjエNvO」iッセ@ ッVェ・NlエカセL@
e. que. 6aze.m tomalt a V/.e.c.e.ó.óJ..dade.
セオVェ・Nエjカ。@ de. uma fJ..gação de. vONッ￳セ@ c.oV/.c.e.J..to.ó, e.xJ..gJ..da pe.lo
e. V/. te. V/.dJ..me.V/.to, po It u.ma V/. e. c.e..ó.óidade. o b j e.tJ.. va de. de.te.ltmJ..V/.ação
dM 」Nッj￳。セ@ e.m f>J...,,3 A ilusão do conhecimento metafísico
tem, assim, origem numa tendencia da razao a negligenciar
seus próprios limites.

Kant define a razao como "a 6ac.uldade. de. c.oV/.du -


zJ..1t à uV/.J..dade. 。セ@ iエ・Nァャ。セ@ do e.V/.te.V/.dJ..me.V/.to pOIt me.J..o de. pltJ..V/.c.{
pJ..o.ó. Ela V/.ão セ・N@ lte.lac.J..oV/.a, polttaV/.to, jamaJ...ó, J..me.dJ..atame.V/.-
te., V/.e.m à ・NクーiエセvO」j。L@ V/.e.m a um obje.to qualque.lt, ュ。セ@ ao
e. V/. te. V/.dJ.. me. V/.to , a 6J..m de. pJtopoltc.J..oV/.aJt, a pltJ..OltJ.. e. pOIt 」NッvO・セ@
エッセL@ 。ッセ@ 」NッvOィ・jュエセ@ カ。jエN、ッセ@ 、・Nセエ。@ 6ac.uldade., uma uV/.J..da
de. que. .óe. pode. c.hama!t !tac.J..oV/.al e. que. é J..V/.te.J..Jtame.V/.te. dJ..6e. -
!te.V/.te. da que. o e.V/.te.V/.dJ..me.V/.to pode. 6o!tV/.e.c.e.It.,,4 Não é, poi s,
arbitrariamente que as idéias são concebidas, mas, como ッセ@
serva Delbos, "POIt um pltoc.e.dJ..me.n.to aV/.álogo àque.le. que. c.olo
c.ou e.m e. vJ..dê.n.c.J..a a de.JtJ..vação te.gZtJ..ma 、。セ@ 」N。エ・ァッjセ[@ 。セ@
」N。エ・ァッjセ@ lâgJ..c.aó do julgame.V/.to, セ ̄ッ@ 。セ@ ᅯッャエュ。セ@ 」Nッャ。、セ@
e.m Ite.lação c.om a V/.oção de. ・NクjLセエ↑vO」。@ obje.tJ..va; 。セ@ jN、←。セ@
101

.6ao M ÓOf1.mM lôgic.M do f1.ac.ioclnio, c.o.toc.ada.6 em f1.elação


c.om a noção de exi.6tê.nc.ia ab.6ofuta".5 f próprio do raciocí
n10 subordinar princípios menos gerais a princípios ma1s
gera1s, e, aSS1m, remontar, de condição em condição, tao
longe quanto possivel, ate chegar a uma "comp.teta univef1..6E;.
lidade, que c.of1.f1.e.6ponde, na .6Znte.6e da.6 ゥョエオ￧セ・NVL@ セ@ tota-
lidade dM 」NッHャ、ゥ￧セ・VB@ Assim, é necessário o ゥョ」ッ、セ@
do para conferir uma unidade ao conhecimento condicionado
do entendimento. Has o princípio, que Exige que "a
dM c.onMçÕe.6 (vta .6Inte.6e do.6 &enÔmeI10.6 ou AIj・セュッ@ 110 pen/!la-
menta da.6 c.oiha.6 em gef1.all .6e eleve 。エセ@ ao inccndic.iona-
,,7
d o , e urna proposição sintética a priori, cuja ッ「ェ・エゥカ、セ@
de não pode, 。セウッャオエュ・ョL@ ser demonstrada. Trata-se, com
efeito, de urna proposição sintetica, porque o que é ce rto
do ponto de vista analítico e que o condicionado suponha
uma condição, e não, propriamente, o incondicionado. A eX1
gência do incondicionado para a totalização da serie das
condições resulta, pois, de urna operação sintética da inte
ligência. Alem disso, este julgamento sintético ê, ao mes-
mo tempo, a priori, urna vez que, na qualidade de primeiro
princípio, não poderia j amais decorrer da experiência. "A6
ーヲQNッVゥ￧セ・@ óundamentu.6, que deJtivam de.6te pJtinc.lpio .6u -
pf1.emo da f1.azão pUf1.a .6ef1.ão tf1.an.6c.endente.6 em f1.elação a to -
do.6 0.6 óenômeno.6, quef1. dizef1., que não .6e. podef1.á jamu.6 na-
zef1. de.6te p.iU.nc.Zpio um U.60 empIJtic.o que lhe .6eja 。、・アオッBセ@
Ora, este incondicionado, que ultrapassa todo o limite du-
ma experiência possível, se deve ser dado, só poderá sê-lo
no mundo supra-sensível. A razão eX1ge, "paf1.a um c.ondic.io-
nado dado, uma totalidade ab.6oluta do lado da.6 c.onMçÕe.6
HセNV@ quai.6 o entendimento .6ubof1.dina todo.6 0.6 óenômeno.6 da
unidade NVゥョエセ」。ャL@ e naz, a.6.6im, da c.ategof1.ia, uma ゥ、セ。@
tf1.an.6c.endental, paf1.a daf1. uma pef1.neição ab.óoluta ã .6Znte.óe
emplf1.ic.a, peMeglÚndo-a até. ao inc.ondic.ionado (que não .6e
enc.ontf1.a jamai.6 na expeJtiê.nc.ia, ma.6 .6omente na idêial".9
Eis aí a gênese das idéias metafísicas. A razão não produz
nenhum conceito novo, mas apenas liberta as categorias do
entendimento das condições restritivas da experiência, ele
102

vando-as ao absoluto. As idéias sao, pois


tai-6 e. ult t wpa-6.6am 0-6 l.<..m.<..te..6 de. toda c. xpe. Jvéê-vtc..<..a , oVlde.
vャセッ@ ーッ、・セN\。@
jamal-6, ーッセ@ 」NッvャMV・アオセ\。L@ -6e. 。ーセ・MVNvャエ@ Vle.Vlhum
obje.to ade.quado ã '<"dê..<..a エセ。vャMV」N・ョ、@ ,,10 Nesse sentido
a totalidade absoluta de todos os fenômenos não é senão
uma idéia, e, como tal, permanece incognoscível, ou, como
d' "ー・Nセュ。vャ」@
l.Z Kant, um P}LO b -Lema .6em -6o-Luçao
o D- ,,11
• No entanto,
se há uma impossibilidade para o espírito humano de efe-
tuar a síntese total das condições, nao há, por isso, me-
nos necessidade. "E-6ta Vlec.e-6-6'<"dade., d'<"z bッオエセクL@ ê. ーセッェ・Nᆳ
tada ー。セ@ ョッセ。@ de VlÕ-6, ーッセ@ uma e.-6péc..<..e. de. aluc.'<"Vlação meta-
óI-6'<"c.a e. a セ・。ャN\コュッMV@ -6ob a ￳ッセュ。@ de um NV・セ@ Vo que ê. um
ーセッ「ャ・Nュ。L@ naze.mo-6 uma -6olução; duma エ・ョ、セvャ」N\。L@ naze.mo-6 um
· -I- ,,12. - セ@
o b je-t..o •• , Pode-se dl.zer que, mesmo apos a Crl.tica, essa
ilusão subsiste, uma vez que, se a Crítica mostrou a ゥューッセ@
sibilidade de uma metafísica ontológica, não destruiu, con
tudo, a necessidade da metafísica. Se o mundo dos "l1oume -
VlO-6" セ@ inacessível ao entendimento humano, urna via, a Vl.a
prática, é aberta, tornando possível o acesso a tal mundo.
É na ordem prática que as idéias da razão encontram sua
verdadeira significação.

É interessante notar as analogias, ressaltadas


pelo próprio Kant, entre o sentido que ele atribui ã pala-
vra idéia e o sentido que atribuia Platão. Para este as
"Idê..<..a:ó ・Nセ。ュ@ C.OVlC.e.'<"tO-6 que. Vlão 、・N」ッセjカ←。ュ@ dO-6 -6e.Vlt'<"do-6, e.
que. オャエセ。ーMV@ avam me-6mo 0-6 c.oVlc.e.<..tO-6 do ーセ￵jカ←ッ@ eVlteVld.<..me!:!:.
エッLスSB・セ。ュ@ 0.6 。セアオ↑NーoV@ da-6 c.o.<..-6a-6 e Vlão c.have.-6 ー。セ@ ・Nクーセ@
jカ←セvャ」N\。MV@ pO-6.6Ive..<..-6, c.omo M 」N。Zエ・ァッセ\MVLT@ Segundo Kant
Platão encontrava suas Idéias no que é prático, quer di
,15 -
zer, no que repousa sobre a ll.berdade. Para Kant, tambem ,
as idéias metafísicas abrem caminho ã liberdade. Com efei-
to, diz ele, "Vlão -6e pode G\Bvャョ・スᅳセ@ da ・NクーセG\Bvャ」。@ 0-6 c.oVlce.<..
to-6 ュッセ。N\MV@ 0-6 que. ーセ・エvャ、ュ@ que .<...6-60 pO.6-6a NV・セ@ -6e.<..to, co-
locam, como upo, ã nOVlte de c.OVlhe.c.<..me.VltO-6, o que. Vlão pode.
MV・Nセカ\@ .6e.Vlão de. e.xe.mplo-6, E-6te.-6 naJvéam da カG\BセエオN、・@ um naVl -
tMma e.q uIvo c.o , vaJvéãve.l
103

.tâncA. a.6 e inc.apaz de .6elLvilL jamai.6 de ャl・ァ。LセV@ Kant anteci


pa, aqui, a importância que será atribuida, na filosofia'
prática, às idéias transcendentais. Na Dialética Transcen-
dental, ele prepara o terreno, marcando, devidamente, o
justo lugar do uso transcendental da razão pura, para
B・Nャセカ。l@ O maje.6.to.60 edi{l.c.io da ュoャl。LセW@ Nesse sentido, ーセ@

de-se dizer que a Dialética indica a possibilidade de con-


vergincia da doutrina do dever e da liberdade:" c.omo
não .6e .tlLa.ta, no u.60 plLã.tic.o do en.tendimen.to, .6enão duma
exec.ução .6egundo lLeglLa.6, a idéia da lLazão plLã.tic.a pode .6em
pILe .6elL dada, lLealmen.te, in 」NッョilセエL@ e me.6mo ela (a idéia)
é a c.ondição incU.6pen.6ãvel de .todo u.6o plLã.tic.o da ャl。コ ̄ッLセX@
-
Os objetos transcendentais nao sao objetos a conhecer, mas -
」ッョ、ゥ￧セ・ウ@ indispensáveis duma tarefa a cumprir. "O ab.6olu-
.to não no.6 é dado, no.6 é a.tJÜbuido c.omo um VゥュLセY@ "A idéia
plLã.tic.a é, pOIL.tan.to, .6emplLe, glLandemen.te, 6ec.unda e, indi.6
pen.6avelmen.te, nec.e.6.6ãJÜa em lLelação ã.6 açõe.6 lLeai.6. A
lLazão pUlLa .tem, aI me.6mo, a c.aU.6alidade nec.e.6.6ãlLia palLa
plLoduzilL, lLealmen.te, o que c.on.tém .6eu c.onc.ei.to. Ei.6 pOlLque
não .6e pode dizelL da .6aóedolLia, de c.elL.to modo c.om de.6dém
que não é .6enão uma idéia. Ma.6, ao c.on.tlLãlLio, pOIL .6elL a
idéia da unidade nec.e.6.6ãlLia de .todo.6 0.6 6in.6 pO.6.61.vei.6, e
que ela deve .6elLvilL .6emplLe de lLeglLa a .toda plLã.tic.a, na
qualidade de c.oncUção olLiginãlLia, ou, pelo meno.6, lLe.6.tILi.ti
va ,,20
.
Kant atribui, como acabamos de ver, um duplo uso
legítimo às idéias transcendentais, o uso teórico e o uso
prático. No uso teórico, as idéias sio princfpios イ・ァオャ。、セ@
res, cuja função própria não é, pois, determinar objetos
mas possibilitar ã razão completar a sua obra. Elas servem
de "c.anon [lLeglLa} ao en.tencUmen.to, pelLmi.tindo-lhe e.6.tendelL
.6eu u.60 e .tolLnã.-lo uni6olLme,,:1 O uso prático, que é o uso
completo e verdadeiro das idéias consiste em proporcionar
um suporte "noumenal" aos princfpios fundamentais da moral,
em si mesmos, superiores a todas as regras empfricas.
104

Acabamos de determinar o que representam para


Kant, as ideias: seu conceito, sua natureza e suas funções.
Basta-nos precisar, agora, quais sio ・ウエ。セ@ idiias. Ji sabe
mos que Kant as estabeleceu,nio por meio da experiincia
psicologica, mas por um processo de dedução. Não se trata,
aqui, de uma dialetica lôgica, mas de uma dialitica trans-
cendental, qué deve conter, absolutamente a priori, a ori-
gem de certos conhecimentos oriundos da razao pura, e - de
certos conceitos deduzidos, cujo objeto não pode ser dado
empiricamente, e que estao, p01S, totalmente fora do enten

d 1mento. 22 o - - o o o
O que 1nteressa, aqu1, nao e a teor1a do JU1Z0,
mas a do raciocínio, que busca conduzir o relativo ao abso
1 uto. "Há tJt.ê.6 e..6péc..ie..6 de. Jt.a.c..ioc.Zn.iol> d.ia.lê.tic.o.6, que. .6 e.
Jt.e.la.c..iona.m a..6 tJt.ê.6 e..6péc..ie..6 de. Jt.a.c..ioc.Zn.io.6, pe.lo.6 qua..i.6 a.
Jt.a.zã.o pode. .iJt. de. c.e.Jt.tO.6 pJt..inc.Zp.io.6 a. c.e.Jt.tO.6 c.onhe.c..ime.nto.6,
e. C.UjO obje.t.ivo ê. .6e. e.le. v a.Jt., da. .6Znte..6e., c.ond.ic..iona.da., ã
qua.l O e.nte.nd.ime.nto pe.Jt.ma.ne.c.e. .6e.mpJt.e. l.iga.do, ã .6Znte..6e. セョM
c.on dセ」Nッョ。@ · · d a., que. ・NVセ@ -I- na.o
-
po de. 'ェ。NュセV@ . 。Nセョァjエ@ -I- • • ,,23 Enquan-

to as categorias ocupam-se da unidade sintitica das repre-


sentações, os conceitos da razão pura ocupam-se da unidade
sintética incondicional de todas as condições em geral.
Kant concebe tris classes de idéias transcendentais: a
primeira contém a unidade absoluta (incondicionada) do
sujeito pensante, objeto da psicologia racional; a segunda,
a unidade absoluta da sirie das condições do fenômeno, 」ッョセ@
tituindo o mundo, objeto da cosmologia racional; a tercei-
.. ..
ra contém a unidade absoluta da condição de todos os obje-
tos do pensamento em geral, o ser dos seres, objeto da
1 24 A 1-
Teolog1a raC10na.
o o
og1ca serve, aqu1, d e f 10 con d utor,
o o' o

mediante as três espicies de raciocínios: categórico, ィゥーセ@


tético e dedutivo. Mas, como observa Kant, "nã.o pode.mo.6 .6e.
guZ-la. pUJt.a. e. .6-tmple..6me.n:te.", uma vez que "nã.o há. de.duç.ã.o
obje.tiva. pO.6.6Zve.l", quando se trata das idiias transcenden
tais, que não se relacionam a nenhum objeto, ".6e.ndo de.Jt..iva.
da..6, .6ubje.t-tva.me.nte., da. na.tuJt.e.za. da. no.6.6a. Jt.a.zã.o".25 A lõgi
ca procede por "pJt.o.6yllog-t.6mo.6", série ascendente dos ra -
ciocínios, e "e.pY.6yllog-t.6mo.6", progressão .que a razão bus-
,

105 I
25
ca do lado do condicionado. No primeiro caso, buscam- se
os princípios, no segundo, as consequências. Na ordem do
ser, a razão pura não exige a totalização da série do lado
do condicionado. Podemos nos representar uma série de efei
tos, continuando-se indefinidamente. Tal exigência é feita,
contudo, do lado das condições. "E ne..6.6e. .6e.n:ti..do que. a Jr.a-
zão e.xige. um .6uje.ito ab.601uto, uma eau.6a ab.601uta e. um 6un
dame.nto ab.6 oluto dM eoi.6 M. PJr.oeUfl..amo.6, poi.6, um ab.6 olu -
to, ma.6 não um ab.601uto qualque.Jr.. O que. bU.6eamo.6 é o ab.6o-
luto e.m fl..e.lacão ao que. no.6 é dado, e. o que. no.6 e. dado .6ao
- ,,27
nO.6.6M fl..e.pfl..e..6e.ntacoe..6. O sujeito absoluto em relação a
nossas representações é o eu como substância; a causa 。「ウセ@
luta, em relaçãti Nセ@ nossas representações é a totalidade
dos membros da 'série dos fenômenos ou o ュオョ、ッセ@ como coisa
em si; finalmente, é em função de nossas representações
que chamamos Deus o fundamento único de todas as existên
cias.
28
sオイァ・ュセ@ assim, em nossoespfrito, as idéias do ・オセ@
do mundo e de Deus. "Há, diz Kant, uma hafl..monia e. unidade.
e.ntfl..e. a.6 idéiM tfl..an.6ee.nde.ntai.6; pOfl.. me.io de.la.6, a fl..azão
fl..e.duz todo.6 0.6 .6e.u.6 eonhe.eime.nto.6 a um .6i.6te.ma. Ele.vaJr.- .6e.
do eonhe.eime.nto de. .6i me..6mo (da alma) ao eonhe.eime.nto do
mundo, e., pOfl.. me.io de..6te., ao do .6e.Jr. .6upJr.e.mo, é uma mafl..cha
tão natufl..al que. paJr.e.ce. análoga ao pfl..oee.dime.nto lógico da
fl..a zao que. va:t da.6 p Jr.e.mi.6.6 a.6 ã. co n clu.6 ão " • 29
Essas três idéias, a alma, o mundo e Deus, -
nao
nos proporcionam nenhum conhecimento propriamente dito,
mas, como vimos, hã, nelas, além do interesse teórico, uma
vez que, para um condicionado dado, é preciso que também'
seja dada a integralidade absoluta do lado das condições,
também, e principalmente, um interesse prático: Bー・Nmッョ。セ@
dade., caU.6alidade. livJr.e., 6inalidade., tai.6 .6ão 0.6 Mpe.ctO.6
.606 0.6 quai.6 a idéia p.6ieolõgica, a.idéia eO.6mológiea e. a
idéia te.olõgZea· fl..elacionam-.6e. diJr.e.tame.nte. ao .6i.6te.ma da
vida mOfl..al". 30
Rã três tipos de racioc{nios dialéticos da razão
. セN@
pura: o raC10C1n10 ..
de pr1me1ra c 1 asse, a que Kan t da'" o no-
106

me de paralogismo, em que se conclui, do B・ッョゥセ@ セ。ョ@ -


・ョ、セ。ャ@ do セオェ・ゥッC@ que não ・ッョセ←ュ@ nenhum 、ゥカ・セッL@ ã オョセ@
dade 。「セッャオ@ 、・セ@ ュ・セッ@ セオェ・ゥッL@ de que não セ・@ セ・ュL@ 。「セッ@
ャオセ。ュ・ョL@ nenhum ・ッョゥセBャ@ o de segunda classe, antino-=
mia da razão pura, que Bャl・ーッオセ。@ セッ「ャl・@ O ・ッョゥセ@ セャl。m・ョᆳ
、・ョセ。ャ@
da セッ。ャゥ、・@ 。「セッャオ@ da セ←ゥ・@ 、。セ@ ・ッョ、ゥ￧￵セ@ palLa
um 6enômeno dado em ァ・ャl。BセR@ neste,conclui-se "da unidade
セゥョ←・。@ ineondieionada dum lado da セ←Qlゥ・L@ eujo ・ッョセゥ@
é I em セゥL@ ・ッョセ。、ゥ￵@ I ã ャ・ァゥセュ、。@ da unidade do lado
ッーセL@ de que não セ・@ セ・ュL@ 。「セッャオュ・ョL@ nenhum ・ッョゥセBS@
Finalmente, o raciocínio de terceira classe, o ideal da
razão pura, em que Bセ・@ eonelui, da セッ。ャゥ、・@ eondi- 、。セ@

￧￵・セ@ ョ・セ ̄Qlゥ。ィ@ ー。セ@ he eoneeoelL ッ「ェ・セ@ em gelLal, ・ョアオ。セ@


セッ@ podem ョッセ@ セ@ elL 、。ッセ@ I ã. unidade セゥョ←エ・。@ 。「セ@ ッャオセ。@ de
セッ、。@ M eondiçõeh da ーッセゥヲェャ、。・@ dM ・ッゥセ。@ em gelLal,
de que não セ・@ pode VPQlュ。セ@ nenhum ・ッョゥセBN@ 34
Ocupar-nos-emos, agora, apenas das antinomias da
-
razao pura, em especial, da terceira antinomia, onde ・ョ」ッセ@

tramo s os Bー・ョセ@ 。ュ・ョセッ@ ァ・ャl。、ッセ@ da Vゥャッセ@ o 6ia ーセゥ・。@ de


Kan-t..4-" . 35
107

REFERENCIAS BIBLI0GRÃFICAS

1 - Boutroux, op. ci t. p. 152.

2 - CRP. op. cito p . 254.

3 - Ib ido p. 253.

4 - Ib id. p . 256.

5 - De1bos, op. cito p. 165 e 166.

6 - Ibid. p. 166.

7 - CRP. o p. c i t. p. 26O.

8 - Ibid. p. 260.

9 - Ibid. p. 329.

10 - Ibid. p. 270.

11 - Ibid. p. 270.

12 - Boutroux, op. cito p. 155.

13 - CRP. p. 262.

14 - Ibid. p. 262.

15 - Ibid. p. 263.

16 - Ibid. p. 263.

17 - Ib i d. p. 266.
108

18 - Ib i d. p. 2 7 O •

19 - Boutroux, op. cito p. 157

20 - CRP, op. cito p.270 e 271.

21 - Ibid. p. 271.

22 - Ibid. p. 273.

23 - Ib i d. p. 273.

24 - Cf. Ibid. p. 273.

25 - Ibid. p. 274.

26 - Cf. Ibid. p. 272.

27 - Boutroux, op. cito p. 162.

28 - Cf. Ibid. p. 162.

29 - CRP. op. c i t. p. 275.

30 - Delbos, ッーセ@ cito p. 169.

31 -CRP. op. cito p. 277 e 278.

32 - Ib i d. p. 278.

33 - Ib i d. p. 278.

34 - Ibid. p. 278.

35 - Delbos, p. 170.
109

CAPTTULO IX

AS ANTINOMIAS VA RAZÃO PURA

Na parte dedicada ao estudo das antinomias da


razão pura, Kant "e.xpoJtã. 0-6 plÚnc.1.pio-6 .t1l.a.n-6c.e.nde.nt:a.i-6 de.
uma. pJte..te.n-6a. c.o-6mologia. pUIl.a. (Il.a.c.iona.l), não pa.ll.a. a. .toll.na.1l.
válida., ma.-6, c.omo o in di c. a. o .te.ll.mo c.on6li.to da. Il.a.zão, a.
6im de. a. ll.e.pll.e.-6e.n.ta.1l. e.m -6ua. a.pa.ll.ênc.ia. 6a.-6c.ina.doll.a., a.inda.
que. 6a.l-6a., c.omo uma. idéia. que. não pode. -6e. c.onc.ilia.1l. c.om
0-6 6e.nôme.no-6".1 Kant utiliza a expressão conceitos cosmolô
gicos para referir-se a todas as idiias transcendentais
que concernem ã totalidade absoluta e incondicionada da
síntese dos fenômenos. Trata-se, com efeito, de idiias,
uma vez que não se pode converter tais conceitos em repre-
sentações de objetos empiricamente dados, que sô podem ser
conhecidos segundo leis da experiência. são idéias, contu- i

do, que tendem, unicamente, ã síntese dos


busca da maior unidade possível.
fenômenos, em
i!
partir das
Para determinar as idéias, temos, como V1mos, de
categorias, uma vez que a razão não produz, ーイセ@ I
!

priamente, nenhum conceito novo, mas "libe.Il..ta.


apenas O I
c.onc.e.i.to do e.n.te.ndime.n.to dM 1l.e.-6.tIÚÇÕe.-6 ine.vi.tã.ve.-t-6 de. !
uma. e.xpe.ll.iênc.ia. pO-6-61.ve.l ••• ,,2 Nem todas as categorias po- I
dem, contudo, ser utilizadas para este fim. As únicas cate
gorias aplicáveis são aquelas em que "a. -61.n.te.-6e. c.on-6ti.tui II
;
uma. -6élÚe., e. me.-6mo uma. -6ê.tz.ie. de. c.ondiçõe..6 .6ubOll.dina.dM (e. !

não c.ooll.de.na.dM) e.n.tll.e. .6i".3 Enfim, como em relação a um I


condicionado, a totalidade absoluta so e exigida pela ra-
zão do lado das condições, a única síntese que importa con
siderar i a regressiva, ou seja, a que constitui a sirie
ascendente das condições. "Pa.Il.a. c.he.ga.1l. i c.ompll.e.e.n.6ão do
que. no.6 é da.do no 6e.nôme.no, diz Ka.n.t, .te.mo.6, ne.c.e..6-6ida.de.
..
de. ptz.inupio-6, - d e. c.on.6e.que.nuM
na.o - . ,,4 •
1
セ@
110 1
fi

Sendo as idéias as próprias categorias, libera -


das das condições restritivas da experiência, é possível
levantar uma tábua das idéias segundo a tábua das catego -
rias. Para isso, devemos partir do espaço e tempo, como
condições a priori de toda intuiçio. "O tempo セL@ em セゥL@
uma セャエ￁NM・@ (e a c.ond.lção 60Jtmal de todM 。セ@ セャエ￁NM・I[@ pOJt
ゥセッL@ é ーッセイカ・ャ@ 、NャセエゥョァオjL@ nele, a pJtioltÁ.-, poJt Jtelação a
um ーjエ・セョ@ dado, ッセ@ 。ョエ・」N、セ@ (o ー。セ、ッIL@ c.omo c.ond.l-
￧￵・セ@ 、。セ@ 」Nッョセ・アオ↑ゥm@ [o 6utuJto) ".5 Neste caso, a série
das condições passadas pode ser totalizada no pensamento ,
na qualidade de condiçio do momento presente. "Quanto ao
・セー。￧ッL@ diz Kant, não há que 、ゥセエョァオjL@ nele, ーjエッァ・セ ̄@
nem jエ・ァセ ̄ッL@ uma vez que 」Nッョセエゥオ@ um agJtegado e não
uma セャエ￁NM・[@ todM 。セ@ セオm@ ー。jエ・セ@ ・クゥセエュ@ セゥュオャエ。ョ・@ .. セV@
Existindo simultaneamente, as partes do セウー。￧ッ@ -
nao podem
se subordinar umas às outras, e, assim, o espaço -
nao cons
titui, em si, uma série como o tempo. Mas, como observa
Boutroux, O 」Nッョセゥ、・jエ。ュ@ ᄏセ・@
na maneiJta c.omo o 。ーjエ・ョ、ュッセL@
・ョ」Nッエj。ュセ@ que a セイョNエ・@ de セum@ ー。jエ・セ@ セ@ セオ」N・ゥカ。L@ pOJt
」Nッョセ@ eq uênc.la, tem lugaJt no tempo e 60Jtma uma セ@ セjエゥ・N@ E
c.omo, c.ada ・セー。￧ッL@ agJtegado a um outJto, é a c.ond.lção que
o Umita, a ーjエッァ・セ@ ãon.o ・セ@ paço, do ponto de カゥセ@ ta da
limitação, é uma jエ・ァセ ̄ッN@ vaI セ・ァオ@ a ・クゥセエ↑ョ」N。@ de. uma
idéia Jtela..tiva ã gJtandeza do mundo no ・セー。￧ッN@ No que c.on
c.eJtne ã Jtealidade do mundo no ・セー。￧ッL@ a Jtazao ー・jエセァオ@ o
inc.ondic.ionado, na 、ゥカセ ̄ッ@ do 」NッューセエL@ ou セ・ェ。L@ a 、Nャカゥセ ̄ッ@
c.ompleta, セョゥ」N。@ que da inteiJtamente c.onta do 」NッューセエBW@
vêm, em seguida, as categorias de re1açio. Neste
caso, importa considerar a categoria da causalidade, "que
。ーjエ・セョ@ uma セ←ャエ￁NM・@ de 」N。uセm@ paJta um e6eito dado, do qual
セ・@ ーッセ。@ JtemontaJt, c.omo c.ondic.ionado, 。セ@ セオ。@ 」N。オセmL@ c.omo
」Nッョ、ャ￧￵・セBLX@ podendo, por consequência, ser aplicada ao
mundo como se-r1e.
.
Enfim, das categorias da modalidade, só o contin
gente e o necessário podem ser considerados' constitutivos
de uma série. A razio busca0 fundamento do contingente na
necessidade absoluta.
111

Considerando, assim, apenas as categorias que


implicam, necessariamente, uma série na síntese dos fenôme
nos, pode-se concluir que existem quatro idéias cosmológi-
cas: "a ゥョエ・ァセ、。@ 。「セッャオエ@
do eonjunto do todo dado de
エッ、セ@ ッセ@ V・ョ￴ュッセL@ da 、ゥカセ ̄ッ@ do todo dado no 6enômeno,
da ッセァ・ュ@ do 6enômeno em ァ・セ。ャL@ e da dependêneia da exL6
エセョ・ゥ。@ do que hi de mutivel no 6enômeno".9
Em verdade, "é, ーセッ。ュ・ョエL@ セᅰ@ o ineondic.iona-
do que a セ。コ ̄ッ@ 「オセ・。@ na セャョエ・@ dM ・ッョ、ゥ￧N￵セL@ euja セ←・@
é セ・ァゥカ。L@ eomo 「オセ」N。@ a ゥョエ・ァセ、。@ na セ←・@ 、。セ@ ーセ・ュゥA@
セmL@ que,
セ・オョNエ@ セオーッ・ュ@ ッオエセmN@ . d 。セL@
" 10 Mas o incondicio -
nao -
nado, contido na totalidade absoluta da serie, não é senão
uma idéia, cuja objetividade, do ponto de vista de nossas
faculdades cognitivas, é sempre incerta. Com efeito, o
que assegura a objetividade de nossos conceitos é sua in -
serção no plano dos limites de uma experiência possível,
na medida em que os objetos não são considerados em si mes
mos, mas somente na experiência, fora da qual não têm
nenhuma existência. Ora, as idéias transcendentais, buscan
do o incondicionado,referem-se aos seres que têm, em si,
uma existência absoluta. Nio se referem, p01S, ao mundo
das nossas representações, mas ao supra-sensível. O ーイッ「ャセ@
ma que se coloca, aqui, e saber em que medida as idéias da
razão, como B」Nッョセエオ￧￵・@ do ・セーャゥエッBL@ podem se converter
em B・クーセ￵@ da セ・。ャゥ、BN@ No entanto, diz Kant, como
esta é uma questão "que セ・@ a セ。コッ@ pode 、・ゥク。セ@ ゥョ、・」Nセ。L@
toma, aqui, a 、・」Nゥセ ̄ッ@ de ー。オゥセ@ da idéia de totalidade,
ainda que tenha o inc.ondic.ionado, セ・ェ。@ dum todo, ou duma
paue da ←セ・L@ ーッセ@ alvo 6inal".11 Sabemos, contudo, que,
quando representamos os objetos dos sentidos, que existem
em todos os tempos e em todos os espaços, -
nao os colocamos
antes da experiência, mas nos representamos o pensamento t

......, . . 1 12
duma exper1enC1a poss1vel em sua 1ntegra11dade abso uta.
A idéia cosmológica representa, em verdade, a idéia de um
todo absoluto, no que ultrapassa todos os limites duma ex-
periência possível. O incondicionado pode ser concebido,
112

"ou be.m Jte..6idindo na. .6é.Jt-i.e. inte.iJta., cujO.6 me.mbJto.6 .6a.o, .6e.m
e.xce.çio, condiciona.do.6, e. cujo conjunto é., a.b.6oluta.me.nte. ,
incondiciona.do, e., e.ntão, a. Jte.gJte..6.6ão é dita. in6inita.; ou
be.m, o incondic.-i.ona.do a.b.6oluto nio é .6e.não uma. pa.Jtte. da.
.6é.Jt-i.e., a. qua.l 0.6 outJtO.6 me.mbJto.6 .6ão .6uboJtdina.do.6, ma..6 que.
na.o e., e.la. pJtópJÚa., .6ubmi.6.6 a. a. ne.nhuma. condiçio". 13 No
primeiro caso, a regressão não é jamais acabada, e e, se -
gundo Kant, apenas virtualmente que se pode chamar infini-
ta. No segundo caso, a série comporta um primeiro termo,
que se ch ama "o come.ço do mundo, e.m Jte.la.ção a.o te.mpo; o
limite. do mundo, e.m Jte.la.ção a.o e..6pa.ço; o .6imple..6, e.m Jte.la.-
ça.o a..6 pa.Jtte..6 dum todo ne..6te..6 limite..6; a. e..6ponta.ne.ida.de. 。Nセ@
.6oluta. (a. libe.Jtda.de.), e.m Jte.la.ção ã.6 ca.u.6a..6; a. ne.ce..6.6ida.de.
na.tuJta.l a.b.6oluta., e.m Jte.la.ção ã e.xi.6tênc.-i.a. da..6 coi.6 a..6 mutá.
ve.i.6 " • 14
A raiz das antinomias está justamente numa des -
proporção entre as exigências da razão e os limites do
entendimento. A razão exige o absoluto, o incondicionado;
o entendimento não pode ultrapassar o condicionado. Nos
. セN@
raC10C1n10S so b re o mun d
o," ョッセ@ <
jエ・NーVョセ。ュッ@ como um co -
4-

nhe.cime.nto o que. é. julga.do·pe.la. Jta.zio ne.ce..6.6á.Jt-i.o e.m .6i, e.


c omo 11 e. ce..6.6 â.Jt-i. o e.m .6 i o que. é um c onh e. cim e.n to de.te.Jtmin a.do
pe.lo e.nte.ndime.nto".15 A antinomia é um conflito, que resu.!.
ta de uma ilusão: aplicamos a idéia de totalidade absoluta
aos fenômenos, que só existem na representaçao, e ーイ・エョ、セ@
mos, assim, determiná-los como coisas em si. Nesse senti
do, atribuimos ã categoria, em sua aplicação imanente, o
valor de uma idéia, e esperamos que esta possa nos propor-
cionar um conhecimento objetivo. "dua..6 ne.ce..6.6i-
são, pois,
da.de..6 contJta.ditóJÚa..6: de. um la.do, e.ncontJta.Jt um te.Jtmo .6im -
ple..6 (na..6 a.nünomia..6 ma.te.mâ.tica..6!, ou um te.Jtmo último (na..6
a.ntinomia..6 dinâmica..6!, que. .6e.ja. o e.le.me.nto último ou o
nunda.me.nto a.b.6oluto de. toda. compo.6ição e. de. toda. liga.ção;
de. outJto la.do, ne.ce..6.6ida.de. de. a.na.li.6a.Jt todo te.Jtmo da.do, a.
nim de. e.ncontJta.Jt um e.le.me.nto a.inda. ma.i.6 .6imple..6 ou um
1
nun da.me.nto セョ@ . da. ュセNV@ . Jta. d'セ」。N@ l , e., 。NVセュL@ . a.o セョッ@ . l ' • 4- ••• ,,16
113

As antinomias matemáticas nos conduzem, por exemplo, tanto


em direção a uma substância simples e finita, tanto em di-
reçao a um termo infinitamente extensível e divisível; as
antinomias dinâmicas nos apresentarao, seja um ser engaJa-
do na cadeia infinita das condições, seja um ser absoluta-
mente auto-suficiente, liberdade absoluta ou necessidade
17
total.

A ordem das ideias transcendentais nos fornece a


das antinomias, corno se segue:

Primeira antinomia: Tese: O mundo tem um come ço


no tempo e e tambem limitado no espaço.

Antítese: O mundo nao tem


começo no tempo, nem limite no espaço, mas é infinito, tan
to no tempo, quanto no espaço.

Segunda antinomia: Tese: Toda substância compos-


ta no mundo se compoe de partes simples e não existe abso-
lutamente nada senao o simples ou o que e composto dele.

Antítese: Nenhuma 」ッセウ。@ com -


posta no mundo é composta de partes simples, e nao existe
nada de simples no mundo.

Terceira antinomia: Tese: A causalidade, segundo


as leis da natureza, não e a única de que possam ser deri-
vados todos os fenômenos do mundo. É ainda necessário admi
tir uma causalidade livre para a explicação destes fenôme-
nos.

Antítese: Não há liberdade,


mas tudo acontece no mundo unicamente segundo as leis da
natureza.

Quarta antinomia: Tese: O mundo implica alguma


c01sa que, seja como sua parte, seja como sua causa, e um
ser ab sol u t amen te ョ・」ウ。イセッN@
- .

Antítese Não existe, em nenhu


ma parte, nenhum ser absolutamente necessário, nem no mun-
do, nem fora do mundo, como sendo a sua causa.
114

.
Comp arando os prlnClplOS
セN@

de onde partem as teses


e as antíteses, Kant conclui que as teses apresentam um
interesse considerável, urna vez que tratam das mais eleva-
das questões relativas às idéias da alma, da liberdade e
da causa primeira do mundo. Suas afirmações constituem, as
SIm, "M pedfLa.ó an.gulafLe.ó da mOfLal e da fLeugião". aーイ・ウセ@
tam, em segundo lugar, um interesse especulativo, porque,
derivando o relativo do absoluto, permitem uma explicação
completa do primeiro; é pelas idéias transcendentais que
se torna possível "abafLc.afL in.teifLamen.te a pfLiofLi a cadeia
in.teifLa da.ó condiçõe.ó e compfLeen.defL a defLivação do condi -
uon.ado, uma vez que .óe pafLte do in.con.dicion.ado".18 Além
disso, as teses gozam de mais popularidade, estando mal s
de acordo com o senso comum, mais habituado a descer as
consequenclas que remontar aos princípios.

Do lado do empirismo, ou seja, das antíteses,


nao encontramos nenhum interesse prático. Com efeito, o
".óimp.te...ó empifL,ümo pafLec.e n.o.ó afLfLebatafL toda 60fLça e toda
in.6luên.cia ... .óe n.ão há um .óefL pfLimeifLo, di.ótinto do mun-
do, .óe o mun.do e .óem começo, e, pOfL con.óequên.cia, também
.óem c.fLiadofL, .óe n.o.ó.óa von.tade não é UVfLe e .óe a alma é
tão divi.ólvel e cOfLfLuptIvel quan.to a matéfLia, en.tão, M
idéia.ó mOfLai.ó e .óeu.ó pfLin.clpio.ó pefLdem todo o valofL ... ,,19
o rigor com que Kant separa o reIno da natureza,
sujeito ao determinismo das leis naturais, e o reIno da
liberdade, "Muito.ó ー・セ@
como observa Boutroux, nos espanta.
.óam, hoje em dia, que, da c.iin. c.ia , .óe pode extfLaifL uma
mOfLal. Kan.t fLepudia ab.óolutamen.te e.ó.óa idéia. Ele n.ão po -
dia .óepafLafL a idéia da mOfLal da idéia de libefLdade, nem
dafL lugafL ã libefLdade n.a ciên.cia da n.atufLeza". 20
Quanto ao interesse especulativo, as vantagens
das 。ョエ■・ウセ@ são consideráveis. são elas que, verdadeira-
mente, satisfazem ao entendimento, que B・N￳エセ@
.óempfLe .óobfLe
.óeu pfLópfLio tefLfLen.o, quefL dizefL, .óobfLe O tefLfLen.o da.ó expe-
fLiên.cia.ó .óimple.ómen.te po.ó.ólvei.ó; ele pode pfLOCUfLafL a.ó
lei.ó e, pOfL e.óta.ó, e.óten.defL .óem 6im .óeu.ó conhecimen.to.ó .óe-
9 UfLO.ó e e vi de n.te.ó " . 2 1
115

Se entendimento e razao se detivessem, cada um,


em seu próprio terreno, nao haveria que temer, nem o 、ッァュセ@
tismo metafísico, com a pretensão da razão a conhecer ッ「ェセ@
tos supra-sensíveis, nem, por outro lado, o ceticismo meta
físico, que resulta da recusa, por parte do entendimento,
de qualquer valor, mesmo pratico, aos objetos supra-sensí-
カ・セウ@ .

Segundo Kant, devido aos "e-6tfteito-6 limite-6 de


nO-6-6a ftazão", não podemos "dec.idift -6e O mundo exi-6te de-6de
toda a eteftnidade ou -6e teve um c.omeço, -6e o e-6paço do
mundo i pfteenc.h-ido de -6efte-6 ao -inninito ou -6e. e-6tá c.onüdo
em c.eftt0-6 limite-6, -6e. no mundo há alguma c.oi-6 a -6imple-6 ou
-6e tudo pode -6eft dividido ao -inninito, -6e há alguma c.Jtia -
ção ou alguma pftodução pela libe.ftdade. ou -6e tudo de.pende.
da c.adeia da oftdem natuftal, ennim, -6e. há um -6eft totalmente
inc.ondic.ionado e nec.e-6-6áftio em -6i, ou -6e tudo ê c.ond-iuona
do em -6ua exi.6tê.nc.ia, e, pOft c.on-6equê.nc.ia, exteftioftmente.
.. 22
depe.nde.nte e. c.ontingente. em -6i". No entanto, uma solução
a tais questões deve ser possível. A solução única, e
"peftneitamente. c.e.ftta, d-iz Kant, é. a -6olução c.Jutic.a, que.
não c.on-6idefta a que.-6tão objetivamente, ma-6 do ponto de
3
vi-6ta do nundamento do c.onhec.ime.nto -6obfte o qual ftepou-6a"7

o idealismo transcendental e, - ーッセウL@


. a オョセ」。@
-. カセ。@

possível para a solução das questoes cosmológicas. Em que


consiste este idealismo? Ao contrario do idealista empíri-
co, que nega a ・セゥウエ↑ョ」。@ de seres extensos no espaço, re-
duzindo os seres a um "neixe" de vivências ーウゥ」ッャセァ。L@
Kant admite que os objetos da intuição exterior existem
realmente. Nesse ponto, concorda com o realista, mas nao
admite a solução do que ele chama realismo transcendental,
que transforma as "mod-inic.açõe-6 da n0-6-6a -6en-6-ibilidade. em
c.oi-6a-6 -6ub-6i-6tente-6 pOft -6i me-6ma-6, c.onveftte.ndo -6imple-6 fte.-
- . ." 2 4 _
pfte-6 entaçoe-6 em c. 0.<..-6 a-6 em ,ó-<.. Os ob j e t os da e xp e ri en ci a
não são jamais dados em ウセ@ mesmos, mas apenas na ・クーイセョᆳ
cia, segundo as suas leis. Nesse sentido, é, simplesmente,
contraditório falar do ser em si, como objeto de conheci -
116

mento. Ou é em SI e nao é objeto de conhecimento, ou e ob-


jeto de conhecimento, e, então, nao e- em .
SI, mas relativo
ao sujeito. f nessa perspectiva do idealismo transcenden -
tal que se pode evitar a aparência enganadora de uma pre -
tensa ciência do absoluto, e compreender, em sua ウゥァョヲ」セ@
çio legitima, o princfpio aa razão pura. Este ᄏョセッ@
pAO - セ@
pJÚame..nte.. -õe.nao uma Ae..gAa, que., na M￵セjカエ・N@ da-õ c.ond.<.ç.õe..-õ do-õ
ne.nôme.no-õ dado-õ, oAde.na uma a・NァM￵セoL@ a qual ョセッ@ セ@ jamai-õ
ー・Naュセエ、ッ@ de..te.A--õe.. no ab-õofutame..nte. セョ」ッ、N\。@ nセッ@ セL@

pOAtanto, um ーaセョ」zッ@ da ーッM￵セ「ヲ、。・N@ da ・Nクーaセ↑ョ」。@ e.


do 」Nッョィ・セュエ@ ・Nューzaセ」ッ@ do-ó obje.to-ó do-ó M￳・Nョエセ、ッL@ ne..m,
pOA 」NッョM￳・アオ↑セ。L@ um ーセョ」zッ@ do ・Nョエ、セュッL@ pOAqUe. to-
da ・Nクーjカエ↑ョ」セ。M￵ ̄@ 」Nッョエセ、。@ no-ó -óe.u-ó ヲセュエ・NM￳@ (c.onnoAme. a-
セョエオ￧Nッ@ dada); ョセッ@ é também um ーaセョ」Niッ@ 」NッョM￳エゥオセカ@ da
セ。コッL@ M￳・Naカセョ、ッ@ a 。ューヲセa@ o 」Nッョ・セエ@ do mundo -óe..n-óIve.f,
atém de.. toda ・Nクーjカエ↑ョ」セ。@ po-ó-óIve.t,ma-ó um ーaセョ」Nzッ@ que. ー・Nセ@
ュセエ・N@ ー・Nセァオa@ e. 。ューエセa@ a ・Nクーjᅳ↑ョ」セ。L@ o ュ。セM￳@ po-ó-óZve.t, e..
-óe.gundo o quat ne.nhum エセュ・N@ e..mpZJÚco pode. te..A o vatoA de.
um エセュ・N@ ab-óotuto ... »25 Nessa medida, o princípio cosmolõ
glco da totalidade ê o que Kant chama um princípio regula-
dor, que nada indica da constituição mesma dos seres, mas
que orienta a soluçio das idéias cosmológicas.

Vamos nos deter, agora, apenas na terceira anti-


nomia, em que surge a idéia de liberdade, e, por 」ッョウ・アオ↑セ@
cia," em que se evidencia, propriamente, o interésse práti-
co da razio.
117

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - CRP, op. c i t. p. 328.

2 - Ibid. p. 328.

3 - Ibid. p. 329.

4 - Ibid. p. 330.

5 - Ibid. p. 330.

6 - Ibid. p. 330.

7 - Boutroux, op. cito p. 186 e 187.

8 - CRP, op. cito p. 332.

9 - Ib i d. p. 332.

10 - Ibid. p. 332.

11 - Ib i d. p. 333.

12 - Cf. Ibid. p. 375.

13 - Ibid. p. 333.

14 - Ibid. p. 333.

15 - De1bos, op. cito p. 170 e 171.

16 - Rousset, op. cito p. 30.

17 - Cf. Ibid. p. 30 e 31.


118

18 - CRP, op. c i t. p. 360.

19 - CRP, op. cito p. 361.

20 - Boutroux, op. cito p. 197.

21 - CRP, op. ci t. p. 361.

22 - Ibid. p. 367 e 368.

23 - Ibid. p. 369.

24 - Ibid. p. 372.

25 - Ibid. p. 382.
119

CAPITULO X

A LIBERVAVE SEGUNVO A CRfTICA VA RAZÃO PURA

É, como vimos, ao nível da terceira antinomia,


que surge a idéia de liberdade, como um problema cosmológi
co. A questão que se coloca, . n ao e
aq U1, -a de conciliar
uma liberdade, estabelecida dogmaticamente, com a necessi-
dade natural, na medida em que a liberdade ap are ce como
uma exigência da própria razao, que produz a idéia de uma
causalidade livre, como a única possibilidade de completar
a sua obra, no domínio do conhecimento. são duas exigên -
c1as, aparentemente contraditórias: a explicação dos acon-
tecimentos deste mundo parece exigir, ao mesmo tempo, a
afirmação e a negação da liberdade. Eis aí lia fLazão, e.mb a-
fLaçada cNovャ￳セァ@ me..óma Vlum セvャエ・Nヲlュ£カ@ 」NッvャVエセBL@ I em que
tese e antítese parecem igualmente legítimas e inconciliã-
veis. A antítese afirma que não há liberdade e que tudo
acontece no mundo, unicamente, segundo as leis naturais
Dessa forma, afirma a unidade da experiência, contra a
BセNエオ￳ ̄ッ@ da libe.fLdade.",2 evitando que o entendimento abando
ne o terreno da experiência, "o paZ.6 da ve.fLdade." , e se
aventure no domínio da razão pura, Bカ・Nヲl、。セッ@ impéfLio de.
セNエオ￳ ̄ッB@ Com efeito, "0.6 ーヲlセvャcNiゥッV@ do ・Nvャエ、セュッ@ pUfLO,
qUe.fL .6e.jam 」NッvャVエゥオセカ@ a ーヲlセo@ (c.omo 0.6 ーヲlセvャcNzゥッV@ ュ。エセ@
ュ£エセ」NッVjL@ ou NVセューエ・vャ[@ fLe.gu.tadofLe..6 (c.omo 0.6 ーセvャcNzoV@
、セvャ¬ュ」NッVjL@ Vlão c.oVltêm outfLa 」NッセV。@ que. o que..óe. ーッ、・Nセ。@
c.hamafL o e..óque.ma pUfLO de. uma ・Nクーヲlセ↑vャ」。@ P0.6.óZve..t".3 A
tese defende a existência de uma causalidade livre e o faz,
em verdade, "c.om a 」Nオューエセゥ、。・@ do pヲlᅰセo@ e.Vlte.Vldime.Vlto,
que. .óe. e.Vlc.OVltfLa 、セカッ@ e.VltfLe. dua.6 ・Nクセァ↑vャ」。￳@ 。ーヲl・Nvャエュセ@
セ・N@
+ d
c.oVltfLa セッ。NV@ . +-. ,,4 De um lado, como poder de conhecimen-
to, que estabelece uma unidade dos fenômenos, por meio de
120

regras, o entendimento explica os acontecimentos do mundo


por suas causas. Esta é a explicação dos fenômenos, segun-
I
do a causalidade da natureza, que representa, no mundo ウ・セ@
r
sível, "que. tudo O que. aconte.ce. .óupoe. um e..ótado ante.Ju.ofl. , f
ao qual .óuc.e.de., in6aüve.lme.nte., con6ofl.me. uma fl.e.gfl.a, (que.)
o e..ótado ante.fl.iofl. de.ve. .óe.fl., também, alguma coi.óa que. acon-
te.ce.u rno te.mpo, uma ve.z que. não e.fl.a ante..ó) , poi.ó, .óe. ;ti- I
ve..ó.óe. .óe.mpfl.e. e.xi.ótido, .óua con.óe.quência te.fl.ia também e.xi.ó-
tido .óe.mpfl.e.. A cau.óaüdade. da cau.óa, pe.la qual alguma
coi.óa aconte.ce.,é algo que. ac.onte.c.e.u, e. que. .óupoe., pOfl.
tUfl.no, .óe.gundo a le.i da natufl.e.za, um e..ótado ante.Jc.iofl. a-
.ó u a c au.ó ali d a de. , e. e..óte., um outfl.O mai.ó antigo, e.tc". Esta
é a obra do entendimento, no que diz respeito ao domínio
da causalidade. Mas, nem por isso, nosso conhecimento do
mundo está terminado. Com efeito, a causalidade das leis
naturais nos fornece apenas uma 、・エイュゥョ。￧セッ@ incompleta. O
entendimento remonta, de 」ッョ、ゥ￧セ@ em 」ッョ、ゥ￧セL@ -
nao nos
permitindo jamais apreender a série completa das causas,
derivando umas das outras. No entanto, é impossível perma-
necer nesta regressão infinita, sem supor urna causa, que
seja um primeiro começo no "Cau.óalidade. .óigni6ic.a ,
tempo.
c.om e.6e.ito, ob.óe.fl.va Ve.lbo.ó, de.te.fl.minação comple.ta. Ofl.a,
a c.au.óalidade. da.ó le.i.ó Vッセ・N」@ ape.na.ó uma de.te.fl.minação in-
de. ve.
f
.óe.fl. e.xplic.ada pOfl. uma cau.óa ante.c.e.de.nte., e..óta pOfl. uma ou-
tfl.a, .óe.m que. a e.xplicação po.ó.óa jamai.ó .óe.fl. ple.name.nte. N￳オVセ@
ci e. n te. " . 6 "t p fl.e. ci.ó o, p oi.ó, a dmi;ti fl. um a c au.ó ali da de. i n c. o n -
dicionada, que. .óigni6ic.a uma e..ópontane.idade. ab.óoluta de.
I
cau.ó a.6, c.apaz de. come.çafl., pOfl. .ói me..óma, uma .óéJc.ie. de. fie. -
nome.no.ó ... , uma libe.fl.dade. tfl.an.óce.nde.ntal, .óe.m a qual, ュ・Nセ@
mo no c.uk.óo da natufl.e.za, a .óéJc.ie. .óuc.e..ó.óiva do.ó 6e.nôme.no.ó f
não
Se um
.óe. c.omple.ta
acontecimento
jamai.ó
exige
do lado da.ó
uma ser1e,
c.au.óa.ó".7
esta -.
ser1e I
I'
I
f

II
I
Ir
í
I 121

II deve, ela própria, ser totalizada. A totalização da -.


serIe
I f
corresponde, pois,
realizar esta unidade, mediante
a urna exi gênci a racional.
a produção de
A razão
certos
pode
con -
lJ
ceitos (idéias transcendentais), que exprimem o incondicio t

II nado,
razao busca a unidade
a

o entendimento, por si so, nao pode


totalidade absoluta das
total e
condições. Dessa forma,
acabada do conhecimento, que
realizar. É assim
a

que
I
r
I
í

I 1
a idéia de
çao total dos
liberdade é exigida pela busca de urna explica -
acontecimentos deste mundo; mas por outro la
if
I do, a atribuição da liberdade ã causalidade prImeIra pare- f!
セ@

f
ce arruinar esta mesma explicação: este e o problema cosmo
セ@

lógico que aparece na terceira antinomia. Para explicar a

I
J
realidade
ma, incondicionada.
do mundo, a razão exige uma condição, em SI mes-
! !

1 Assim, sem a necessidade das leis naturais, o i


1
1
mundo nao seria senão imaginário; sem a liberdade, não se-
... I
I rIa senao possível. Para que o mundo seja real, e preCISO

!
1
que se constitua, igualmente, de liberdade e necessidade.
1 Esta dupla exigência na constituição da realidade, já ha -
1
via sido afirmada pelo racionalismo metaffsico, embora de

I
1
forma não crftica,
eJtam 」Nッョ・ゥセjャ@
uma vez que
ッ「ェ・セゥカ。、jNャ@ J.lem 」Njエzセゥ。L@
/tlibeJtdade e nec.eJ.lJ.lidade
J.lob a nOJtma de
I
I
セjエ。オュGL@
um 」Nッョィ・ゥュセL@

J.labeJt 」Nッョュゥセ。・ャエ@
e c.uja Jtelação eJta ・jNャセ。「」ゥ、@
n0Jta de J.leuJ.l UJ.lOJ.l, オョゥ」N。ュ・セ@
'in-abJ.l
J.legundo o gJtau do
ウオ「ュ・エゥセッ@
I
セ@

II
8 Os fenômenos, a um enca -
. segundo leis naturais,
deamento necessarIo, - eram considera
dos
.
COIsas em
.
SI, e nao, como na perspectiva crftica, Slm-
pIes representaçoes. Confundindo ser real e fenômeno, nao
havia corno conciliar liberdade e necessidade. Neste ponto,
o que Kant deve resolver é a questão seguinte: a liberdade
e somente possível ou pode estar de acordo com a unlversa-
lirlade da lei natural da causalidade. /tA ・ク。セゥ、 ̄ッ@ do pJtin-
c.Zpio, que queJt que セッ、jNャ@ OJ.l 。」Nッョセ・ゥュjャ@ do mundo J.lenJ.lZ
vel 」Nッョjャセオ。ュ@ um ・ョ」N。、ュセッ@ univeJtJ.lal, J.legundo leiJ.l ne-
c.eJ.lJ.lã.JtiaJ.l da ョ。セオjエ・コL@ noi jã ョゥjエュ・セ@ ・jNャセ。「」ゥ、ッL@ c.o-
mo um pJtinc.Zpio da aョ。ャzセゥ」N@ tjエ。ョNャ」QR、・セL@ e não J.lOfiJt12.
nenhuma exc.eção. A アオ・jNャセ ̄ッ@ i, ーッjエセ。ョL@ Vッュ・ョセ@ セ。「・jエ@ J.le,
122

!
f

ape.-6 aJt deó te. p JÚ n cZ p.-i.. o, num (!_ n!?-.-i..to J â de tvunúw do, .6 e. 9 UYl do
a natuJteza, a l.-i..be.Jtdade. pode. エ。ュ「セ@ -6e. e.nconthaJt, ou -6 e.
e.la ョセッ@ セ@ comple.tame.nte. e.xclu.-i..da pOJt e..6ta Jte.gJta .-i..nv.-i..oli -
ve.l".9 f, assim, um contra-senso atribuir aos ヲ・ョセュッウ@ I
urna realidade
tudo
absoluta, pois não pode haver absoluto
é relativo ao poder humano de intuir e conhecer. "Se.
onde

I
0.6 6e.nôme.no-6 6o-6-6e.m co.-i..-6a!.:J e.m .6.-i.., não have.Jt.-i..a como !.:JalvaJt
a l.-i..be.Jtdade.. A natuJte.za -6Vt.-i..a, e.ntão, a cau!.:Ja comple.ta e. I
em -ó.-i.. -6 u 6.-i..c.-i..e. nte. de. cada ac onte. c.-i..me.nto, e. a co nd.-t ção
cada um e.-6:tah.-i..a .6e.mpJte. cont.-i..da, un.-i..c.ame.nte. na LVセjエNMゥ・@
de.
do!.:J I
6e.nôrl1e.no.6, que. .6ão, :tanto quantoõe.u.ó e_6e..-i..:to!.:J, ,1iZ..Ce,ó.óaJt.-i..(l-

os fen3menos nio são,


-
me.n:te.óubm.-i...6!.:Jo!.:J a-& le.-i../.. da natuJteza" 10 Se, ao contrário,
para ョセウL@ o que são de fato, quer
I
dizer, não são coisas em si, mas simples representações,
que se encadeiam conforme leis empíricas, é preciso, então,
que eles tenham fundamentos, que não sejam da mesma nature
za dos ヲ・ョセュッウN@ Mas uma tal causa inteligível não é abso
lutamente determinada, relativamente ã sua causalidade ,por
fenômenos, se bem que seus efeitos se manifestam e possam
também ser determinados por outros fenômenos."Chamo .-i..11te-
l.-i..gZve.l, d.-i..z Kant, o que., num objeto do!.:J .6e.nudo!.:J, não セL@

I
e.m !.:J.-i.. me.!.:Jmo, 6e.nôme.no. Se., poJttanto, o que deve !.:Je.Jt con.6.-i..-
deJtado como 6e.nôme.no, no mundo !.:Je.n!.:JZvel, tem エ。ュ「セL@ em
.ó.-i.. me!.:Jmo, um pode.Jt, que. não セ@ obje.to de. .-i..ntu.-i..ção !.:Jen.ólve.l, f
ma.ó pe.lo qual, e.n:tJte.tanto, pode. !.:Je.Jt uma cau!.:Ja de 6enômeno!.:J, I
pode.-!.:Je., então, con!.:J.-i..deJtaJt a cau!.:Jal.-i..dade. de!.:Jte !.:JeJt, !.:Job
do.-i..!.:J ponto!.:J de v.-i..lta: como .-i..nte.l.-i..glve.l quanto セ@ !.:Jua ação,
ou como a cau!.:Jal.-i..dade de. uma co.-i..!.:Ja e.m !.:J.-i.., e como !.:Jen!.:JZvel,
I
quanto aO-6 e6e..-i..to!.:J de.!.:Jta ação, ou como cau!.:Jal.-i..dade dum 6e.-
.. , 1
nome.no no mundo ANZj・ョ￳セカャB@ Podemos ter, portanto, um
conceito empírico e um conceito intelectual da causalidade
num mesmo efeito. A contradição é, aqui, eliminada, urna
vez que estes fenômenos, BjQセo@ !.:Jendo co.-i..-6a!.:J e.m !.:J.-i.., deve.m
te.Jt, pOJt 6undamento, um obje.to tJtan.óce.nde.ntal, que. O.ó de. -
- ,,12
te.Jtm.-i..ne. como !.:J.-i..mple.!.:J Jte.pJte.!.:Je.J1taçoe.!.:J; dessa forma, "nada
.-i..mpede. de. atJt.-i..bu.-i..Jt a e..óte. objeto tJtan.óce.ndental, alim da
-
nao
pJtopJt.-i..edade que te.m de. no!.:J apaJte. c_eJt , uma cau.óal.-i..dade.
I
1
123

f
i
não fie.l1omên..i.c.a, a..i.nda que. -!le.u e.fie.·Í-to .60 .6e. e.ncontJte. 110
fie. 11 -ome.11 o ,,13

Teríamos, assim, num sujeito do mundo sensível:


primeiro, um caráter empírico, "pe.lo qual .6e.u.s ato.6, c.omo
fie.nôme.l1o.6, .6e.Jt..Lam ab.6olutame.nte. e.nc.ade.ado.6 c.om outJtO.6 V・Nョセ@
me.Yto.6, .6e.guYtdo le...i..6 c.oYt.6taYtte..6 da l1atU/'Le.za, e. podvúam .6e.fL
de./" :vadol d e.-te.6,
lA.
()
< c.omo d e. .6ua.6 c.oYt d'-<..çoe.6.
/..l
- ,,14 Por outro lado,

seria preciso lhe atribuir um carater inteligível, pelo


qual ".6e.Jt..i.a caU-6a do.6 .6e.u.6 atO.6, c.omo fie.Ytôme.Yto.6, Ytão .6e.11 -
do, c.oYttudo, e.le pJt ôpfL..i. O , .6ubmi..6-6o a-6 c.oYtd..i.çõe.-6 da -!le.n.s..i.b..i.
l..i. da de.. E.6 te. .6 u j e...i. t o a 9 e. Yt te. 11 a o .6 e -6 u b me te Jt..L a , q!l a11 t o ao
.6e.u 」N。jエセ・@ ..i.Ytte l..i.glve.l , a.6 coYtd..i.çõe.6 de te.mpo, pOJtque. e..6-
te ê. ape.Yta.6 a c.oYtd..i.ção do fiel1ôme.Yto. No e.YttaYtto, .seguYtdo
.6e.u 」N。ヲlセエ・@ e.mpZfL--lc.o, .6eJvi.a, c.omo fie.Ytôme.Yto, .6ubm..i.s.6o a
:tcda.6 セ@ .fe...i..6 da de.tefLm..i.Ytação opefLada pela l..i.gação c.au.6al;
yエセッ@ .6 e Jt..i. a , a e..6.6e. fLe.6pe...i.to, .6e.Ytao uma pafLte. do muYtdo .6eYt.6&
ve.l, c.ujO.6 efie...i.to6, c.omo de :todo outfLO fieYtôme.Yto, de.c.ofLJte -
fL..i.am da YtútufLe.za".15

Dessa forma, a causalidade de um ser poderÉ, ser


considerada de dois pontos de vista: como inteligível quan
to ã sua açao, considerada como a de uma
.
COlsa em Sl,
. e
como sensível quanto ao seu efeito, considerado como fEnô-
meno no mundo sensível.

A terceira antinomia resolve-se, portanto, por


uma "abe.fLtufLa d..i.alê.t..i.c.a",16 em que as duas afirmações op os-
tas podem igualmente ser verdadeiras. A antítese, afirman-
do o encadeamento rigoroso dos fenômenos, segundo a lei da
causalidade natural, não pode,do ponto de vista do entendi
menta humano, ser contrariada. Por outro Jado, a tese, co-
locando a necessidade do incondicionado está perfeitamente
de acordo com a exigência da razão. No entanto, é preciso
evitar que a antítese pretenda estender sua afirmação pa-
ra além do mundo fenomênico, que é o seu domínio próprio;
da mesma forma, a tese deve restringir-se ao plano dos
"noume.Yto.6". Corrigidas em suas pretensões ilegítimas, tese
e antítese podem se conciliar.
124

Pelo que acabamos de ver, a liberdade, como o


poder da causalidade incondicionada, so pode ser atribuida
aos seres que possuem um duplo carater, sensível e inteli-
gível, não sendo, pois, apenas fenômenos, mas. também,
"VLoume.VLO.6". Tais seres teriam um poder puramente inteligí-
vel de se determinar ã ação por princípios do entendimento.
Nada nos impede de supor que tais seres existam. A objeti-
'"idade desta suposição pode ser verificada, graças ao co -
nhecimento que temos de nos mesmos. Diz Kant: /lO home.m é.
um do ,6 6e. VL ôme. VI. 0.6 dom UVL do .6 e 11.6 Z ve l, e., a e..6 te. tZ tu lo, é.
também urna da.6 caU.6a.6 VtatuJta/..6, c..u.ja caUf.,alJ..dadc. deve .6e.Jt
セオ「ュゥNV。@ セNV@ le.i.6 ・ューzセゥ」。NV@ Como tal, de.ve. teJt, pOJt i.6.6o ,
um canâteJL e. mpZJti c.. o , come toda!" 0.6 outnM c..oi.6a-6 da flatu..Jte.
za. Ob.6eJtvamo.6 e..6te. c..aTLãte.Jt ー・Nャ。Lセ@ no,'Lça.6 e. 6ac..uldade..6 que.
maVLi6(u.ta e.m .6e.u.6 e.6e.Lto.6. Na VLatuneza aVLimada, ou NVゥューャ・セ@
meVLte. aVLimal, vlセo@ te.mo.6 VLe.VLhuma jエ。コセッ@ de. cOVLce.be.n algum ッセ@
tno pnde.Jt que. aque.le..6 que. NVセP@ cOVLdicioVLado.6 de. uma maVLeiJta
.6imple6meVLte .6e.VL.6Zve.l. Mal., o homem, que. vlセo@ cOVLhe.ce. a VLatu
neza NV・vlセo@ pelo.6 .6e.VLtido-6, .6e cunhece. a .6i me.6mo, além 、ゥセ@
.60, pe.la .6imple.6 apencepçao e., e.m veJtdade., e.m ato.6 e. de.teJt
lúVLaçõe..6 iVLteJtvtM que. ョセッ@ pode. atJLibuiJt セ@ -i.m)JJte..6.6ão do.6
.6e.VLtido.6; é., .6e.guJtameVLte., poJt ele me..6mo, dum lado, 6enôme.-
VLO, ma.6, de. outf!..O, do pOVLtO de. vi.6ta de. ce.nta,6 6aculdade.6,
é. um obje.to .6imple.l.,me.VLte. iVLte.ligZve.l, uma ve.z que. .6ua 。￧セッ@
vlセッ@ pode., de. todo, f.,en atnibuida セ@ ne.ce.ptividade da .6eVL.6i-
'o'cld/l
b.{.-<-.{. •. 0. e. . 17 A apercepçao .- -
nao ・ューセイ」。@
... ー・イュセエ@
. ao h amem c!?.
nhecer-se como noumeno. Um tal conhecimento escapa ao âmbi
to do entendimento, que não dispõe de nenhuma intuição não
sensível, capaz de apreender objetos inteligíveis. O'homem
é, para si mesmo, um objeto inteligível, o que nao signifi
ca que ele se conheça corno nourneno, mas que ele sabe que
o e. Dessa forma, podemos afirmar, sere contradição, que
certos aspectos do nosso eu são incognoscíveis para nos.
As faculdades qUE, no homem, o elevam acima da sensibilida
de são o entendimento e a razão. /IA ョ。コセッL@
.6obnetudo, .6 e.

di.6tiVLgUe., pnopniameVLte., e. de uma maVLe.ina paJLticulan, de


toda.6 0..6 outna.6 nonça.6 e.mp,LrvLcameVLte co VLdicioVLada.6, uma
125
I
1!

- exam.-éVLa õeuJ.:, objetoJ.:, õeVlao .6egundo idéia.6,


ve.z que. nao
que, contíO}Lme a ・jNZLセ。@ idé.ia.!:', 、・セNlyゥQョ。@ o ・ョセカエ、ゥュッL@
e.
I
que, entiio, naz de .6e.u.6 conceito.6 (ainda qlle. PUfW.6)
..-. ,,18
U.60 e.mp-<.fL-<.co. aウセュL@
.
se exerce, por meio das ideias,
_
um
a
I í

causalidade da razão, causalidade pela liberdade, de urna f


faculdade objetivamente determinável e determinante. Nada í
i m p e d:3,
dade das
P o r t an to,
」ッセウ。@
de
em ウセN@
i den t i f i ca r a 1 i b e r d a de
"a libe.fLdade., no .6e.n:ti-
Com efeito,
c o m a c a usa I i
I r
J
do 」ッN￳ュャセァゥL@ é a tíaculdade de come.çafL, pOfL .6i me..6mo, um Il
e.ótado, cuja cau6alidade ョセッ@ i .6UbofLd.-éVlada, pOfL .6eu tUfLno,
.6egundo a lei da natufLeza, a uma outha cauJ.:,a que. a 、・エヲlュセ@
ne. quanto ao :tempo. A ャセ@ be .'tdade é, neJ.:, te .6 enti do, u'YIa I
idéia ttLan.6 ce. ndental pUJta que VI セッ@
nenhum ele.mento da ・クーNヲlゥセョ」。L@
fugafL, ョセッ@
conté.m, phimeifLamente,
e cujo objeto, e.m .6eguVldo
pode. .6efL dado de uma maneifLa de.te.nminada e.m
I
r
f
ne.nhuma expvulência, pOfLque i uma le.i ge.fLal, me..6mo pafLa
a pO.6.õibLtidade. de toda a expe!Liência, que tudo o que acon
tece deve teh uma caU.6a e que, pOfL con.6equência, tambim a
caU.6alidade da cau.6a, que acontece ou começa, deve tefL,pOfL
.6eu lado, uma caU.6a; all.6im, todo o cO.mpo da expehÁ..ência.6e
l
tfLan.6tíofLma, エセッ@ longe quanto pO.6.6a e.6tendefL-.6e, em um todo f
que é apena.6 natuneza. Ma.6 como, na ヲl・ャ。￧セッ@ de cau.6alidade,
t
ョセッ@ .6e pode chegan a obtefL a totalidade ab.6oluta da.6 condi f
f
çoe.6, a ヲl。コセッ@ cfLia a idiia de uma e.6pontaneidade que pode-
!Lia começafL pOfL .6i me.6 mo a agifL, .6 em que uma outfLa cau.6 a
l
tenha dev.ido pfLccedefL pafLa a dete.fLminafL ã 。￧セッ@
le.J... do e.ncade_ame.nto cau.6al".19 O conceito de liberdade
.6e.gllndo a II
transcendental responde, assim, a uma exigência legítima t
I
- especulativa,
da razao que exige o incondicionado para tu- Ií
do o que é condicioLado, a fim de encontrar assim, a série
J
das condições. Esforça-se, àeste modo, por fornecer a ex - セ@

plicação total dos ヲ・ョ￴セッウN@ Esta idéia, corno todos os ッセ@

tros conceitos racionais, deriva subjetivamente da nature-


ii
za da razão. É um conceito natural e necessário da razao
i
mas que a expoe a urna BゥャオNVセッ@ natufLal e ine.vitável": é a If
irresistível tendência a tomar as idéias transcendentais t
por conceitos de coisas reais, e a pretender, assim, che t
[
!
t
í
I
126 II
gar, através delas, ao conhecimento de realidades supra
I
J
セ@
sensíveis. A "'<".tu-6ão da .t'<"be.Jtrlade." consiste precisamente
f
em esquecer que o conceito de liberdade não e - se n ao uma
I

f
セ@
i dé i a.
f
t
A solução da terceira antinomia, mediante a dis- t
tinção entre COIsas em SI e fenômenos, e a possibilidade ,
de pensar uma relação de causalidade entre eles, a despei-
r
to da heterogeneidade
tra que
rias.
da condição e do
liberdade e necessidade natural não são contraditá
No entanto, não se pode, daí,
condicionado, mos

concluir que a liberda


-

It !

de seja real. "EntfIe. ・NLAセ。Mᅮ@ dua-6 a n'<"/UYi açõe.-6 , r/á toda a (1.[-6- i
tanc.<..a que. .óe.paJta a ーッウセゥ「N\エGB、。・@ .t6g.<..ca de. um conce..<..to da
t
p06J.J,.(.'b'{J'dd
,.(.z.,.(. a e. ne.az.{Jd e. -6e.u o b'je.:to.
,,20 A ausenCIa -. de contra- !
dição lógica permite pensar a
conhecer um objeto que lhe
liberdade, mas
corresponda, porque este
não permite
teria
I
de ser dado numa intuição. No entanto, a possibilidade ló-
gica do conceito de liberdade era precisamente o que se
colocava em 、セカゥ。@ pela terceira antinomia. liA con:thad.<..ção
que. pane.c.<..a e.x.<..-6:t.<..Jt e.n:tne. O me.can.<..-6mo da natune.za e. a li -
be.Jtdade. mO-6:tJtou--6e., :to dav.<..a , uma con:tnad.<..çãc apahe.n:te.. Po-
de.--6e., com e. 6e..<..:t o , a:tJt'<"bu.<..n l'<"be.ndade. e. na:tuJte.za ao mC-ómo
J.Je.n, con-6idenado -6ob nelaçõeJ.J d'<"ne.nen:teJ.J. A-6-6.<..m, 6.<..ca Jte. -
-6olv'<"do um con6l.<..:to que ameaçava a nazao em J.Jua pn6pJt'<"a ・セ@
J.Jência e a lançava num ab.<..J.Jmo de ce:t.<..c.<..J.Jmo; .<..mpoJt:tava con-
J.J'<"deJtaJt que a Jtazão, em J.Jua ex.<..gênc.<..a do .<..nconá.<..c.<..onado
VlaO e na c onJ.J :tJtan g'<" da, p ana é, a:tiJ.J 6az eJt -6 ua n e ce-6 J.J idade, a
penJ.JaJt o '<"mpen-6âvel e conceben o .<..nconcebZvel; .óâbia pJte -
cauçao que. noJ.J pJte-6enva do delZJtio paJta noJ.J peJtmi:tin pen-
J.J aJt" . 2 1
I
c1ui r ,
Não temos, pOIS como VImos, o direito de
da p os s i b i 1 i da deI Óg i c a deu m c on c e i t o
con
ã p os si b i 1 i - II
dade real de seu objeto. Ao nível da Dialética, a possibi-
lidade real ou transcendental da liberdade não é provada
uma vez que
pensãvel que
seu conceito permanece duvidoso.
um objeto corresponda a uma tal idéia,
Se não e
a
1m -
rea-
I
lidade desse objeto permanece, contudo, do ponto de vista

I
セ@

t
I
127

teórico, um problema sem solução. Neste sentido, pode-se


afirmar que a filosofia especulativa não dá senão um con -
ceito negativo da liberdade: a liberdade n ao e - fenomenal
não esta no tempo e não pode ser apreendida na intuição
sensível.

No entanto, se do ponto de vista teórico, so - e-


possível dar uma 、・エイセゥョ。￧ ̄ッ@ negativa ao conceito de li -
セ・イ」ャ。、L@ o mesmo nao ocorre do ponto de vista ーイセエゥ」ッL@ me-
diante o qual este conceito recebe uma determinação positi
va. E sobre a ゥ、セ。@ transcendental da liberdade que se
funda o seu conceito pr2tico. "A libefldade., no .6e.vd:ido phE:.
ticc セ@ a ゥョ、・ーセ」。@ 、セ@ vontade em セ・ャ。￧ッ@ ao 」ッョセエヲャ。ァ@
mente dM tÚldê.nc.ia6 da 6!Uu)ibilidade".22 Na vontade huma-
na, a sensibilidade não torna sua açao necessária. Hã no
homem um poder de se determinar por ウセ@ mesmo, ゥョ、・ーエセ@

mente das tendências sensíveis. A liberdade prática "6upõe


uma e6pontane.idade. da 。￧セッL@ que., do ponto de vi6ta エ・Nセヲャゥ」ッL@
ê. um pfLoble.ma, jU6tamente o pfloblema implicado na conce.p -
￧セッ@ de. uma libefLdade tfLan.6cel1de.ntal, como 」ッョ、ゥ￧セ@ prt-lmei-
Jz.a e incondicionada duma!:. ↑NヲGセ・@ de COI1 diçõe.6. A.6 di -Di.. cu.fdE:.
de.6 ineflQnte.6 セ@ アオ・NVエセッ@ da libe.fldade NVセo@ de. oJz.de.m 」NッVュャセ@
gica e. tfLan.6ce.nde.nte, ョセッ@ de. oJz.de.m ーヲlセエゥ」N。[@ a c.efLte.za da
libe.Jz.dade. pJz.ática no.6 adve.fLte. .6ome.nte. que. tai.6 diniculda -
(] . d a.6.
de..6 de.vem .6e.Jz. Jz.e.6o-ev-t ." 2 3 Com ・ヲセエッL@
.
a supressao
-
da
liberdade transcendental anularia, ao mesmo tempo, toda li
berdade pratica. Esta supõe que, se bem que uma 」ッセウ。@ nao
tenha acontecido, teria, entretanto, devido acontecer, e
que, por 」ッョウ・アオセ。L@ sua causa, no fenômeno, não era to-
talmente determinante; caso não houvesse em nossa vontade
uma causalidade capaz de produzir, independentemente des -
tas causas naturais, e mesmo apesar de seu poder e de sua
influência, alguma coisa de determinada na ordem do tempo,
segundo leis empíricas, quer dizer, de começar uma ウ・イセ@
- .
de acontecimentos totalmente por ウセ@ mesma, só restaria o
determinismo das leis naturais.
128

Assim, a idéia transcendental da liberdade apre-


senta também um interesse pritico, diretamente relacionado
ao poder de causalidade próprio da razão. "Que. e..6.ta Jz.azão
.te.nha uma cau.6alidade., ou que., ao me.no.6, no.6 Jz.e.pJz.e..6e.n.te.mo.6
ne.la uma caU.6alidade., i.6.to Jz.e..6ul.ta claJz.ame.n.te. do.6 ゥュー・Njコ。エセ@
VO.6 que. no.6 impomo.6, como Jz.e.gJz.a.6, e.m .toda a oJz.de.m pJz.á.tica,
a.ó 6aculdade..6 ativa.6". 24 Os imperativos comportam uma ・ウーセ@
cie de necessidade, que não se confunde com o determinismo
natural, na medida em que traduzem uma necessidade da pró-
pria razao. Dos acontecimentos da natureza, o entendimento
só poderi conhecer o que ê, foi ou será, mas não o que de-
ve ser. A ordem do dever liga-se ã determinação por princi
pios puramente racionais, enquanto que, na ordem fenomêni-
ca, todo fenômeno é determinado por outro fenômeno. "OJz.a,

-
ÇOe..6 na.tuJz.M.6, quando o de.ve.Jz. .6e. aplica no ca.6 o; ma.6 e..6.ta.6
condiçõe..6 na.tuJz.ai.6 não dize.m Jz.e..6pe.i.to ã de..te.Jz.minação da
pJz.ôpJz.ia von.tade., ma.6 .6ome.n.te. a .6e.u e.6e.i.to ou .6ua 」ッョN￳・アャlセ@
c.{. a n o 6e. n â me. no. Po Jz. mai.6 n u. me. Jz. O.ó a.6 que. .6 e. j a m a.6 Jz. a z o e..6 n a
.tuJz.ai.6 que. me. le.vem a queJz.e.Jz., pOJz. mai.6 nume.Jz.O.6o.6 que. .óejam
0.6 môbile..6 .6e.n.6Iuei.6, não podem pJz.oduziJz. o deveJz., ma.6 .60 -
me.n.te. o que.Jz.e.Jz., que. e..6Já longe. de .6e.Jz. nece..6.óâJz.io, .óendo
-
.6e.mpJz.e. condicionado, e.VJquan.to que. o deve.Jz. que. a Jz.azao pJz.o-
clama, impõe., ao con.tJz.aJz.io, uma me.dida e. um 6im e. me..6mo
uma de.6e..6a e. uma au.toJz.idade.".25 Kant estabelece uma distin
çao entre cariter inteligível セ@ caráter empírico/análoga ã
que mostra que, mesmo no caso da adoção de ュ。クセウL@
- . ウオァ・イセ@
.
das pela sensibilidade, intervém uma regra da razão. Diz
e1e: "Que.Jz. .6e.ja um obje..to da .6imple..6 .6e.n.6ibilidade. (o ag Jz.E:
dáve.l) ou um obje.to da Jz.azão pUJz.a (o be.m) , a Jz.azão nao - ce.-
de. ab.ó olu.tame.n.te. aC' p/'Ú11 clpio que é dado empinicamen.te. e.
não .6 egue. ab.ó olu.tame.n.te. a onde.m da.ó coi.ó a.6 tai.6 como .6 e.
apJz.e..6e.n.tam no ne.nôme.no, ma.ó .6e naz a .ói me..6ma, com uma pe.!!;
6e.i.ta e..ópontane.idade., uma onde.m pJz.ôpJz.ia, .óe.gundo a.ó ;. déia.6
a.ó q uai.6 vai adap.taJz. a.6 condiçõe..ó e.mpIJz.ica.6 e. con 60Jz.me. a.6
quai.ó con.óide.Jz.a me..ómo como ne.ce..ó.6 âJz.ia.6 açõe..ó que., ・Nョエjコ。セ@
.to, não aconte.ce.Jz.iam e., .talve.z, não acon.te.ce.Jz.ão, .óupondo ,

I
1
I 129

ent'le:tavLt,o, que PO,6-6U.-L a caU.6al..-Ldade a fLe.6pe.-Lto de toda.ó,


pOJ:r.que,6e.m .-L,6to, não atÚl.g.-LfL.-La 0.6 e-6e.-Lto.6 de .6ua.6 .-Ldé..-La.ó
Lセ@ '" 2 6 _
na expeJl/ce_nc-ca Segundo urna tal natureza do carater em-
pírico, "toda.6 a.ó açõe.6 do homem, no -6enômeno, .6ão detefLm.-L
nada.6 con6oJLme a ofLdem da natufLeza, de tal. 60fLma que, .6e
pudé..6.6emo.6 de.6vendafL, até. ao 6undo, todo.6 0.6 6enômeno.6 de
.6ua vontade, não havefL.-La uma .6Ô ação humana que não pudé..6-
.6emo.6 pfLevefL com cefLteza e fLeconheceJ:r. como nece.6.6âJ:r..{.a .6e -
-1: - +. ,,27
gun d a .6ua.6 conlM-çoe.6 an-1eJ:r.-coJ:r.e.6. Do ponto de vista do
caráter empírico, não há, pois, liberdade, e nao e, entre-
tanto, senão desse ponto de vista que podemos considerar c
homem, "quando qUe/temO.6 un.-Lcamente ob.6eJ:r.vafL, e, como .6e
6az na antJ:r.opol.ogla, e.6cfLutaJ:r. P.6.-LCol.og.-Lcamente a.6 cau.6a.6
deteJ:r.m.-Lnante.6 de .6eu.6 ato.6".28 Assim, do ponto de vista fe
nomenal, nossos atos, corno tudo na natureza, são inteira -
mente determinados pelos fenômenos anteriores. "A cade.-La
d0.6 6e nômen 0.6 não p o de J:r..{. a .6 eJ:r. J:r.ompl da-, é. ab.6 o l.utamente .-Ln-
6l.e xI vel." • 2 9

No entanto, se examlnarmos essas mesmas açoes do


ponto de vista da razão prática, nos deparamos com urna
!
outra ordem que não é a da natureza. "Então, tal.vez, a !
que aconteceu .6egundo o CUJ:r..60 da natuJ:r.eza, e o que eJ:r.a .-Lne !
vltâ vel. que aco ntece.6.6 e .6 eg un da .6 eu.6 pJ:r.incIpi 0.6 empiJ:r..{. cM ,
-
nao d- •
ev-ca, entJ:r.etanto, aconteceJ:r.." 30 Do ponto de vista nao
t
empírico, somos
se não fizessem parte
responsáveis por todos
do encadeamento dos
os nossos
fenômenos.
atos
"Cama
corno
I
f
conciüaJ:r. e.6ta ab.6oluta libeJ:r.dade com e.6ta ab.6oluta nece.6- セ@
t
.6.-Ldade", eis o que é, geralmente- julgado, na opinião de
Boutroux,
.
uma das partes malS obscuras
.
do Kantlsmo.
31
v・jセ@
. 1
i
mos a explicação Kantiana deste ponto.

Supondo アオセ@ a razão seja causa em relação aos


I
!
fenômenos, sua ação poderia ser chamada livre, na medida'

!
t
f

I
i
)
130
f
!
t

em que e um poder que engendra a


duma serIe empírica de efeitos.
condiçao sensível
Mas a 」ッョ、ゥ￧セL@ que reSI-
inicial I
,, !

de na razão, nao e sensível e, por conseqUência, nao se I


so-
セM
submete ã forma do tempo. No entanto, uma tal condição
se manifesta no tempo e conforme a condição própria dos fe
nomenos. Daí, Kant estabelece urna relação entre os dois I
caracteres, do ponto de vista prático, em sentido diferen-
t
I

I
4' •
te do ponto de vista teórico: o carater empIrIco passa a
ser, nao a expressa0 das leis naturais, mas o esquema sen-
sível do carater inteligível. Segundo Boutroux, partindo
duma necessidade e duma liberdade absolutas, Kant conclui
por um dualismo radical, dividindo o homem em dois. p・イァオセ@

ta ele: nao se poderia proceder em sentido Inverso e dizer


que o que existe realmente e a unidade do nosso ser? Se
pOIS, se discernem, aí,dois elementos contraditórios -e que
a análise os torna assim, isolando-os um do outro. Mas,na
realidade de nosso ser, eles não tem este carater absoluto
• 4'.
que lhes empresta o raClOClnlO. Não há nem liberdade intei
ramente independente dos fenômenos, nem causalidade física
absolutamente impenetrável. Liberdade e necessidade nao
sao, em definitivo, senao abstrações. o ser VIVO possui
uma natureza flexível, que nossos conceitos sao impotentes
para exprimir. 32

No entanto, e preciso nao esquecer que Kant, ao


referir-se ao caráter inteligível, faz dele a condição não
sensível do que só se manifesta, como efeito, no sensível.
Alem disso, quando fala do imperativo moral do dever, refe
re-se, nao a moralidade concreta das açoes, mas ao julga-
mento moral. o fato moral, como ficará bem estabelecido
nos Fundamentos da Metafísica dos Costumes, nao e um - fato
da experiência, mas um fato de razao. Que não seja possí-
vel encontrar uma única ação cumprida por dever, na experi
ência concreta dos homens, ainda aSSIm, os homens julgam
moralmente, o que torna inegável a causalidade da razao.
Que os homens se mostrem, de fato, incapazes de vencer as
solicitações da sensibilidade, nao implica que não o deves
sem, e, portanto, segundo Kant, não o pudessem, se ー・イュ。ョセ@
131

cessem atentos -2S . -


eXlgenclas
. da razao. Alem disso, como
observa Kant, "a mc'reaf-tdadl2- preõplL-ta da.6 açôe.6 (o me.lL-tto 12-
a 6afta), 12- ml2-.6mo dl2- VlO.6.6a plLõplL-ta cOVlduta 1'10.6 pl2-lLmaVl!
CI2- totalml2-Vltl2- oculta. NO.6.6a.6 -tmputaçõl2-.6 VlaO podem .612- lLl2-la
c-toVlalL NViRMvャセo@ ao 」。ャlセエRM@ empllL-tco. Ate. qUI2- pOVltO e. VlI2-CI2-.6.6a
lL-tO atlL-tbu-tlL o .6I2-U 12-612--tto pUlLO セ@ l-tbl2-lLdadl2-, ou セ@ VlatulLl2-Za
12- ao.6 vlc-to.6 Mエvャカッヲオセイ・oNV@ do tl2-mpereaml2-Vlto ou セNV@ .6ua.6 VQRMャセ@
ze.6 d-i...6po.6-tçõe.6 (rnên-tto, 60lLtuVla) e. o qUI2- Vl-tVlgue.m .6abl2-lL-ta
de.6coblL-tlL, Vlem, pore cHLvゥウ」アャQセョNM。@ ju,fgafL com ーャRMセQ。@ jU-6t-tça'.,33

Kant observa que "e6ta ,f-ibe rLdadl2- -


Vlao
podl2- -6l2-lL COVl.6-tdenada ,!l('mI2-Vltl2- de Luna rlíafll2--t t W fH:gat-tva, como
a Mエvャ、Rーiセ」。@ a lLl2-.6pl2--tto da.6 cOVld-tçól2--6 I2-mpllL-tca.6 Hーoャlアオセ@
I2-Vltao, CI2-.6.6alL-ta a 6acufdad12- qUI2- tl2-m a lLazão dl2- .6l2-lL uma cau
.6a do.6 6I2-VlÔmI2-Vl0.6J, ma.6 .6e podl2- também calLactl2-lL-tzá-la dl2-
uma maVle-tlLa pO.6-tt-tva, como uma 6aculdade de COml2-çalL pOlL
-6-t ml2-.6ma, urna .6e.lL-t12- dl2- acoVltl2-c-tmI2-VltO.6 l dl2- tal 60lLma qUI2-, 1'112-
la rne-6ma, Vlada coml2-ça, ma.6 qUI2-, como 」ovャ、Mエ￧セッ@ -tVlCOVld-tc-toVla
da dl2- todo ato vOlUVltálL-tO, viセo@ .606lLa .60blLl2- -6-t VlI2-Vlhuma da.6
CO VI d.-i çõ 12-.6 aVltl2-fL-tolLl2-.6 quaVlto ao tempo, .612- bl2-m qUI2- .6I2-U 12-612--t-
to coml2-CI2- Vla .6e.lL-t! do.6 6I2-VlÔmI2-Vl0.6, ma.6 .6em POd12-fL covャNVエMuセ@
。セL@
-r
ェ。ュセNV@ um começo a b -6ozutaml2-Vltl2-
• • o
ーャlセュ・ッN@
• . 34 li
Assim, se
bem que,no mundo das coisas em si, nada estritamente come-
ce, a ideia de um primeiro começo é totalmente legítima em
sua aplicação ã causalidade do querer; ela exprime este
uso analógico da razão, que consiste em interpretar a rea-
lidade empírica como se devesse responder as ・クセァョ」。ウ@
. - .
das idéias. Se no mundo dos fenômenos -
não ha senao come-
ços relativos e condicionados, no mundo inteligível, os
atos voluntarios devem ser tratados como se fossem começos
absolutos e incondicionados.

A causalidade própria da razao, apesar de todas


as determinações empíricas, aparece claramente num exem-
pIo dado por Kant, que serve, segundo suas próprias pala-
vras, plL-tVlclp-to lLl2-guladolL da lLazao,
viセo@ palLa o cOVl6-tlLmalL (polLqUI2- e.6ta.6 l2-.6péc-te.6 dl2- plLova.6 vャセo@
COVlvem ab.6olutaml2-Vltl2- ã.6 a6-tlLmaççOI2-.6 tlLaVl.6CI2-VldI2-Vlta-t.6J: toml2-
mo.6 um ato カッャオvエセlML@ pOlL eXl2-mplo, uma meVlt-tlLa pelLVl-tc-tO.6a,
132

lhe denam onigem, pana, em セ・ァオゥ、。L@ julgan ceme lhe po-


de セ・ョ@ imputado, com エッ、。セ@ 。セ@ セオ。@ 」ッョセ・アゥ。N@ Sob o
pnimeino ponto de カゥセエ。@ ー・ョエ。Mセ@ o 」。ョセエ・@ empZnico 、・セᆳ
te homem, ェオセエ。ュ・ョ@ ョ。セ@ VPョエ・セ@ que セ・@ pnocuna na ュセ@ ・、オ」セ@
çao, ョ。セ@ ュセ@ Vョ・アエ。￧セL@ em pante, エ。ュ「セL@ numa ゥョセ・@
bilidade natunal セ@ vengonha, que セ・@ atnibui, セュ@ pante, セ@
ゥューョオ、セ」。@ e セ@ 、・セ」ッョゥ。￧L@ セ・ュ@ ncgligcncian 。セ@ cin
cwゥVエ¬ャIZ。セ@ totoj'mel,te oHlVゥGイ■qセ@ que ーッ、」GゥNセMZイL@ -úljluin. Em
tude i.óto, ーAlHャ」・、Mセ@ ((!m(l ,6e セ。コL@ em 9 2.hal, I' a bU,6ca da
MV↑ヲlセ・@ da-6 」ッセオV。N@ 、・Mエ」Gセlュ←Lᄋ[。vゥNV@ dum enCA-"'-o
I '../- I'
oaao.
bem que セ・@ cneia que a 。￧セッ@ heja detenminada 、cセィ。@ Vッセュ。L@

nao ,6e cel1.6una ュ・ョッセ@ o autoTL pon i,6to, não devido セ@ セャl。@
maldade natunal, não devido セ@ cincunhtancia,6 que in6lui-
nam ,6obne ele, e nem me,6mo devido セ@ ,6ua conduta pa,6,6ada,
ponque ,6e ,6upoe que セ・@ pode deixan totalmente de lado o
que 60i ・セエ。@ conduta e olhan a ィセョゥ・@ tnan,6coh!Lida da,6 rcn-
diçõe,6 como nao acontecida, e e,6ta açao - cemo totalmente in
condicionada pen nelaçã.o ao c,6tado antefLion, 」セュッ@ セ・@ o au-
ton começa,6,6C c.b.6elut:J.!ilente com ela uma セ↑tlゥN」@ de u'i1:,eqliêl!..
cia,6 . -
JLazao em q ti. e
,6e olha ・セエ。@ como uma cau,6a que tenia podido e devido de-
tenminan de outno modo a conduta do homem, independem ente
de エッ、。セ@ a,6 」ッョ、ゥ￧￵・セ@ ・ューzョゥ」。セ@ セエ。「・ャ」ゥ、LVN@ E nac ,6e en
cana a 」。オセャゥ、・@ da nazao como uma ・LVーセ」ゥ@ de 」ッョオAlセL@
ュ。セ@ como completa em ,6i me,6ma, ainda me,6mo que Oh ュセ「ゥャ・@
NV・ョセzカゥ@ não lhe éO,6,6em de todo V。カッョセ・ゥL@ ma,6 totalmen-
te 」ッョエセゥ[@ a ação セ@ atnibuZda ao 」。ョセエ・Al@ inteligZvel
do auton: セ@ inteinamente 」オャーセカ・@ no in.6tante em que mente;

da ação, a nazão ena plenamente liune, c ・ィセ@ ato deve セ・ョ@

inteinamente atnibuZdo セ@ セオ。@ ncglige.ncia.,,35 Dessa forma,


se do ponto de vista do caráter empírico, a má -
açao pode
ser desculpável, do ponto de vista do caráter inteiigível,
somos inteiramente responsáveis e, por lSSO, culpáveis,
porque, por maiores que sejam as solicitações da sensibi1i
133

dade ou das circunstincias exteriores, resta sempre a pos-


sibilidade, para o homem, de lhes resistir. A nio resistin
cia significa, aqui, adesio, aquiescincia, ou seja, um ato
de escolha racional.

Assim, "a セッャオ￧@ do ーセッ「ャ・ュ。@ da ャゥ「・セ、。@ エセ。@


eendental エ・セュゥョ。@ ーッセ@ uma nova V￵セュオャ。@ da eoneepçao que
60i o セ・オ@ ponto de ー。セエゥ、L@ a セ。「・L@ a identidade ・セョᆳ
eial de ョ。エオセ・コ@ ・ョエセ@ 。セ@ ・。オセ@ ゥョ・ッ、。セ@ 、ッセ@ 6enô-
ュ・ョッセ@ ョ。エオセゥ@ e 。セ@ ・。オセ@ ャゥカセ・@ 、。セ@ 。￧ッM・セ@ ィオュ。ョセ@ ... " A
idéia de liberdade permanece sob o império da coisa em si,
da qual toma alguma de suas mais importantes determinações;
antes de ser o princípio racional, cuja significação ゥュ。ョ・セ@
te é determinada pela prática, é a coisa em sí vista sob o
. '., 36·
aspecto de sua causalidade real, ainda que セョ」ッューイ・ウカャN@

- e com-
Com efeito,"a realidade da liberdade nao
preendida, nem sequer demonstrada pelas considerações da
Dialética; tudo o que se estabeleceu é que a liberdade e
possível no sentido de não 」ッョエイ。、ゥ￳セ・ュ@ ウセL@ nem com o
mecanismo da ョ。エオイ・コセ@ Passar da possibilidade lógica a
possibilidade real seria um salto ilegítimo, " um a vez que
não ーッ、・ュセ@ ・ッョ「セ@ em ァ・セ。ャ@ a ーッセゥ「ャ、。・@ de nenhum
ーセゥョ・zッ@ セ・。ャ@ e de nenhuma ・。オセャゥ、@ ーッセ@ セゥューャ・@ eoneei
エッセ@ a ーセゥッN@ A ャゥ「・セ、。@ é エセ。、L@ aqui, 。ー・ョセ@ eomo
uma idéia エセ。ョ・、ャL@ pela qual a セ。コッ@ pode ・ッュ￧。セ@
pelo ineondieionado a セ←ゥ・@ 、。セ@ ・ッョ、ゥ￧￵セ@ no 6enômeno, o
que a 6az ・ュ「。セ￧M@ numa antinomia eom 。セ@ ーセ￵ゥ。@ ャ・ゥセ@
ーセ・ゥエ。@ ao オセッ@ ・ューzセゥッ@ do entendimento. oセ。L@ que ・セエ。@
antinomia セ・ーッオ@ セッ「・@ uma セゥューャ・@ 。ーセ↑ョ・ゥL@ e que a na-
エオセ・コ。@ não ・ッョエセ。、ゥァ@ a ・。オセャゥ、@ pela ャゥ「・セ、。@ ・セ。@ a
uniea ・ッゥセ。@ que ーッ、z。ュセ@ ーセッカ。@ e ・セ。@ também a uniea que
. ,,31, .,
ョッセ@ セューッエ。カN@ . Isso porque, se a liberdade e ーッウセカ・ャ@
do ponto de vista lógico, torna-se legítima a tarefa de
lhe buscar um fundamento objetivo,
ante uma reflexão sobre a possibilidade dum objeto metafí-
o que Kant realiza medi
I
ウセ」ッ@ e moral. Certamente, como observa Rousset, não pode- !
!
ria tratar-se no criticismo, de admitir o seu conhecimento;

I
!
134
I
-
I
,
.,.. ...
aliás, nao e mesmo necessario, aquL, saber se devemos for- I
II
mar uma idéia deste objeto ou pensar subjetivamente a sua
existincia; basta examinar o que poderia ser, a fim de de-
finir seu Bウエ。オGセ@
. I
e saber, assim, o que se coloca em アオ・セ@
I!
tao e de que lado convem procurá-lo, quer seja para o ne- I
1
"
gar ou para o a f 1rmar •.. ,,3B

A análise das antinomias mostra que o objeto me-


tafísico e moral deve apresentar as mesmas características
que o objeto afirmado pelas teses finitistas, mantendo,
com o objeto físico, as mesmas relações que o em si com o
fenômeno. De uma parte, as preocupações metafísicas orien
tam a razão para um termo absoluto distinto da realidade
sensível - a noção de incondicionado só adquire sentido, f
quando se considera o ser exterior ã serie das condições;
a ideia de liberdade só se torna possível em outro
que não o do determinismo causal; a ideia de Deus, em
nível,
sua I
transcendincia, permanece sem campo de aplicação possível,
- consi-
se o espaço, o tempo e a coisa espácio-temporal sao
derados como イ・。ャゥセ、ウ@ absolutas, fora e acima das. quais
I
r
t
r
nao haveria nada de concebível. t

Assim, a ideia transcendental de liberdade 。ーイセ@


!t
senta, alem do interesse especulativo, um interesse práti- r
co, como já tivemos ocasião de ressaltar. Com efeito, a te
se da Sセ@ antinomia apresenta um interesse prátiço, na medi
da em que a liberdade do ser pensante aparecia como " uma
da.6 pedlta.6 ang uialte.6 da moltai e da iエ・ゥNァ ̄ッBセ@ 9 ..
A liberdade prática aparece, na Dialetica,-c-o:mo fundada na
liberdade transcendental. "Soblte a .ide.ia t:ltan.6c.endent:ai da
i.ibeltdade, d.iz Kant:, .6e 6unda o c.onc.e.it:o pltát:.ic.o de.6.6a ii-
beltdade; ee.6t:a .ide.ia que c.on.6t:it:ui, ne.6t:a i.ibeltdade, o
pont:o pltec..i.6o da.6 di6ic.uidade.6 que envoiveltam, at:e aqu.i, a
que.6t:ã.o de . .6ua pO.6.6.ibiiidade. ,,40 A liberdade prática nao
e, aqui, considerada como um conceito empírico, desde que
contem um elemento que ョセッ@ ーッセ・@ ser compreendido na ・クーイセ@
encia, elemento que aparece como "pltobiemát:ic.o" e "6unda-
ment:ai" • Este elemento e fundamental, porque, com efeito,
135

a libe'rdade pJ:'atica, que e "u.ma. da.-4 」N。オセ@ ョN。ZエオjイLゥセB@ ca-


paz de determina'r a vontade por princípios racionais_ Su-
poe, entretanto, que haja nela uma causalidade capaz de
começar uma serie de acontecimentos totalmente por ウセ@ mes
ma, independentemente das causas naturais.

Ao que parece, toda a ambiqUidade da liberdade


pratica vem da posição intermediaria que ocupa entre a na
tureza, na qual, de alguma forma, se insere, e a liberda-
de transcendental"na qual se funda. "A セオーjエ・N ̄ッ@ da. libe.Jt
da.de. エj。Nョセ」・、ャL@ diz Ka.nt, a.nula.Jtia., a.o ュ・Nセッ@ te.mpo,
toda. libe.Jtda.de. ーjエセゥ」N。LTQ@ Daí se segue que o carater
problematico da liberdade transcendental se estende ã li-
berdade pratica - a questão da possibilidade da liberdade
transcendental torna-se, pelo mesmo fato, a questao da
possibilidade da liberdade pratica. No entanto, no texto
da Metodologia, Kant afirma que "a. libe.Jtda.de. ーjエセゥ」N。@ pode.
セ・Njエ@ d ・Nュッョセエj。@ o
d a. ー・Nセ。@ ・Nクーjエセョ」。@
.-. ,,42 aャセ。ウL@
.- segundo Del-
bos, "na. Me.todologia., Ka.nt nOJtmula. um ・Nセ「ッ￧@ de. ョゥャッセ。N@
moJta.l e. jエ・Nャゥァッセ。@ QUe., セッ「jエ・N@ 」N・jエッセ@ ーッョエセL@ ・Nセエ@ e.m 、・Nセ。ᆳ
」Nッjエ、セオ@ não c.onc.oJtda. セ・Nョ ̄ッ@ e.xte.JtioJtme.nte.,c.om 。Nセ@ エ・Nョ、セM
」Nセ。@

e. c.o ョ」Nセオ@ o o- ・Nセ@ d a. V'セ。N・エ」@ 0 - ' LセS@ Em pr ime i ro 1 ugar ,
diz ele, "o ゥョエ・Njセ@ ・Nセー」オャ。エゥカッ@ da. Jta.zã.o e 」Nッョセゥ、・jエ。ᆳ
ve.lme.nte. a.te.nua.do e.m pJtove.ito qu。Nセ・@ ・Nク」ャオセゥカッ@ de. セ・Nオ@ inte.
jエ・Nセ@ ーjエセゥ」Nッ[@ a. libe.Jtda.de. do Que.Jte.Jt, a. imoJtta.lida.de. da.
a.lma. e. a. ・Nクゥセエョ」。@ de. v・Nオセ@ セ ̄ッ@ 」Nッョ・「ゥ、セ@ c.omo ッセ@ ョゥセ@
セオーjエ・Nュッ@ da. Jta.zão, e.m セオ。N@ ・Nクーjエセ ̄ッL@ de. a.lguma. nOJtma. na.tu
Jta.l, セ・Nュ@ セ・Njエ@ ・Nョカッャゥ、セ@ no セゥエ・Nュ。@ ge.Jta.l 、。Nセ@ ゥ、・。NセBTG@
Kant ressalta ainda o carater restritivo da crítica: "o
ma.ioJt e. ta.lve.z o unic.o pJtove.ito de. toda. a. ョゥャッセ。N@ da. Jta.
zão puJta. não e, セ・Nュ@ duvida., セ・Nョ ̄ッ@ ne.ga.tivo; e QUe. e.la. na.o
e um õJtgão QUe. セゥjエカ。N@ a. ・Nセエョ、j@ ッセ@ 」Nッョィ・ゥュエセL@ ュ。Nセ@ uma.
、ゥセ」Nーャョ。@ QUe. セ・Njエカ@ pa.Jta. de.te.Jtmina.Jt Nセ・オ@ ャゥュエ・NセL@ e., e.m
luga.Jt de. 、・Nセ」ッ「jエゥ@ a. ve.Jtda.de., não tem セ・Nョ ̄ッ@ o meJtito セゥM
45
ャ・Nョ」ゥッセ@ de. pJte.ve.niJt ・NjエッセB@
Na metodologia"toda ênfase e .colocada na liber
dade pratica, que ê a única que permite um uso legítimo
136
!,
セN@

I
セ@
da razao pura
46 セ@
セ@ ーセ。エ」ッL@
-. diz kセョエL@ tudo o アオセ@
-e ーoィセ@
-r II
vel pela Nゥ「・セ、。LTW@ャ A liberdade nesse sentido, e "a
i
Gゥューオャィ￵・セ@
vontade, que pode
ィ・ョャカゥセL@
ィ・セ@
ーッセ@
、・エセュゥョ。L@
」ッョセ・ア。↑ゥL@
independentemente
ーッセ@ mõbileh セ・ーA@
dah
I I

セ・ョエ。、ッィ@ pela セ。コゥッ@ ... " A essa liberdade Kant di o nome


I
de livre arbítrio C'arbitrium liberuIIf'), em oposiçªo ã von-
tade simplesmente animal cセイ「ゥエオュ@ 「イオエセIT←N@ Essa ャゥ「・セ@
dade pritica pode, como ji vimos, ser demonstrada pela ・セ@
periência; constatamos em nos mesmos que nossa vontade
"tem a 6aculdade de セ@ オーャ。ョエセ@ 。セ@ ゥューセ・@ Õ・セ@ セ@ ・ョセャカゥィ@ ーッセ@
meio 、。セ@ セ・ーョエ。￧￵@ do que ê útil ou nocivo; エ。ゥセ@ セ・M
Vャ・ク￵セ@ セッ「・@ o que ê dehejável ーッセ@ セ・ャ。￧ ̄ッ@ a todo ョッセ@
・セエ。、ッL@ アオ・セ@ 、ゥコ・セL@ セッ「・@ o que ê bom ou útil, セ・ーッオ。ュ@

ィッ「セ・@ a セ。コゥッB@ -' Destas reflexões racionais sobre o bom
e o útil nascem leis, que são imperativos, quer dizer,
leis objetivas da liberdade que exprimem o que deve acon-
tecer, ainda que, entretanto, não aconteça. A イ。」ゥッョャ、セ@
de de tais leis da liberdade lhe confere uma universalida
de. e uma necessidade que constituem sua objetividade. Es-
tas leis são de duas especies: leis pragmiticas e leis
priticas. As regras pragmiticas são regras de prudência,
que prescrevem BVゥョセ@ セ・」ッュョ、。@ peloh セ・ョエゥ、ッィBL@ e a

obra da razão_"neste caso, consiste em agenciar meios pa- セ@


ra chegar ã felicidade, considerada como a união de todos
i
50: . t
I;
os fins, que nos são dados por nossas エ・ョ、↑」ゥ。ウNセᄋ@ AS.lefu
!
"cujo 6im ê dado completamente a ーセゥッ@
priticas puras,
pela セ。コ ̄ッL@ e que ッセ、・ョ。L@ nio de uma ュ。ョ・ゥセ@ ・ューゥセ」。ョᆳ
te condicionada, ュ。セ@ 。「セッャオエュ・ョL@ ィ・セゥ。ュ@ ーセッ、オエィ@ da セ。@
zao ーオセ。B@ .51;ais leis sao as leis morais que pertence:
ao uso pritico da razão pura.

"As leis morais puras determinam inteiramente a


ーセゥッL@ (sem levar em conta môbiles empíricos, ou seja,
da felicidade) o que e preciso fazer ou não fazer, quer
dizerlo·uso da liberdade dum ser racional em geral, e
estas leis ordenam de uma maneira absoluta e não simples-
mente hipotetica, sob a suposição de outros fins empíri-
I
I 137

I I
Ir cos, e, por conseqUência, são necessárias a todo res-

I J
;
peito ll •
52
Este texto, como observa Carnois,
laJtmente ゥョエ・jセ。L@
"ê. paJtt.i.c.u-
na medida em que Jtevela que ê. a lセ@
I !I
!
beJtdade, que, ョ・セエ@ 」N。セッL@ セ・@ Jtealiza a セゥ@ ュ・セ。L@ ーjエ・セ」Nᆳ I

セ・ョ、ッ@
vendo um 6im, que ê. セ・オ@
dado que セ・@ deve 、ゥセエョァオjL@
pJtõpJtio 6im. m。セL@
a ・セ@
ーjエ・」Nゥセ。ュョL@
nlvel, libeJtda-
Ij
de pJtátic.a e libeJtdade mOJtal, ・セエ£@ em diJteito de a6iJtmaJt II
I

que a lei mOJtal pUJta apaJtec.e c.omo a exaltação セオーjエ・ュ。@ de I


uma libeJtdade pJtátic.a, que ーjエ・セ」Nカ@ o que deve 6azeJt um
セ・jエ@ Jtac.ional paJta JtealizaJt o 6im que ele セ・@ c.oloc.a ョ・」Nセᆳ f
!

セ。jエゥュ・ョ@ e a pJtioJti, enquanto ê. dotado de libeJtdade mo- !


Jtal".53

A moral, como obra exclusiva da filosofia pura,


..
I í
!
I
orienta nossa conduta em relação a um fim supremo, que,
em última análise, consiste em saber: "o que ê. ーjエ・」Nゥセッ@ 6a
zeJt セ・@ a vontade ê. livJte, セ・@ há um v・オセ@ e uma vida Vオエj。セ@
Kant considera a moral estranha a filosofia
transcendental, uma vez que Bエッ、セ@ ッセ@ 」Nッョ・ゥエセ@ ーjエ ̄ゥ」Nッセ@
he Jtelac.ionam 。ッセ@ ッ「ェ・エセ@ de セ。エゥV￧ ̄ッ@ ou 。カ・jエセ ̄ッL@ queJt I !

dizeJt, de pJtazeJt ou dedoJt, pOJt 」Nッョセ・ア。ゥL@ ao ュ・ョッセ@ セョ@ I


i
diJtetamente, a ッ「ェ・エセ@ de ョッセ@ セ・ョエゥュッN@ m。セL@ c.omo o I
I
i
セ・ョエゥュッ@ não e uma 6ac.uldade jエ・ーセョ。ゥカ@ 、。セ@ 」Nッゥセ。L@ I
l
I, -
i
ュ・ョエッセ@
・セエ。ョ、ッ@ inteiJtamente 60Jta da 6ac.uldade de c.onhec.eJt, ッセ@
de ョッセ@ ェオャァ。ュ・ョエッセL@ enquanto セ・@ Jtelac.ionam
ele
ao I, !
!

pJtazeJt ou a dOJt, peJttenc.em, セッjエ@ 」Nッョセ・ア。ゥL@ a Vゥャッセ。@ !


!t
pJtátic.a, não a Vゥャッセ。@ エj。ョセ」N・、ャ@ em セ・オ@ c.onjunto, !

que nao lida セ@ enão c.om 」Nッョィ・ゥュエセ@ ーオjエッセᄋ@ a pJtioJti" 55_


!
セ@
F

Todo o interesse prático da razão resumir-se-ia i


em duas questoes fundamentais: "Há um v・オセ_@ Há uma vida Vセ@ iI
tUJta? A アオ・セエ ̄ッ@ Jtelativa a libeJtdade エj。ョセ」N・、ャ@ c.on- I
i
c.eJtne セッュ・ョエ@ ao セ。「・jエ@ ・セー」Nオャ。エゥカッ@ e ーッ、・ュセ@ deixá-la de I
lado, c.omo エッ。セュ・ョ@ indi6eJtente, quando セ・@ tJtata do que I
e- ーjエ。セ」Nッ@ - . ,,56 -
Aqui, ao contrario do que -e afirmado na Dia-
I
I
letica transcendental, a liberdade prática aparece como es
tranha ã liberdade transcendental. No entanto, quando Kant
I
I

I
!
I
f
138

fala das queat&es que resumem todo o interesse da razao - -


que posso saber? que devo fazer? que me e - permitido espe-
rar? mostra que a ordem prática representa um fio condu-
tor que nos conduz i soluçio da questio エ・セイゥ」。L@ e mesmo
-
d a questao especu l '
at1va. 57

À questao prática Kant responde: "Fa.z o que セ@

pode toJota.lt-te digno de .6 elt 6eliz". Resta saber se, nos


,í;
ーセ@
i
conduzindo de maneira a nio ser indignos da felicidade,
demos esperar ser felizes. Aparece, aqui, a necessidade ,i
セ@
de admitir, como contrapartida do uso prático da razio pu-
I
;
ra, que prescreve a lei a. pltiolti, um uso エ・セイゥ」ッL@ que ga- !
rantiria a esperança da felicidade a quem se tornasse dig- t
no dela. Assim, o sistema da moralidade estaria 1nsepara- I
!
velmente ligado ao da felicidade, mas somente na idéia
-
razao pura.
56
Uma tal proporçio entre a felicidade
virtude nio pode ser realizada no mundo sensível -
e
ela
da

so
a I
é possível e mesmo necessária "num mundo inteligZvel, quelt
dizelt, num mundo molta.l, em eujo eoneeito 6a.zemo.6 a.b.6tlta.ção
de todo.6 0.6 ob.6tãeulo.6 OpO.6tO.6 ã molta.lida.de (a..6 inelina.-
I iセ@
f
çõe.6 l ,,59 Mas, este ".6i.6tema. de molta.lida.de não é .6 enão
i
uma. idéia., euja. Itea.liza.ção ltepou.6a. Fd「セ・@ a. eondição de que I
i
ea.da. um 6a.ça. o que deve, quelt dizelt, que toda..6 a..6 a.çõe.6 ,i
do.6 .6 elte.6 lta.eiona.i.6 a.eonteça.m eomo .6 e .6a.Z.6.6 em de uma. vonta.-
de .6upltema. que a.blta.ngi.6.6e em .6i ou .6ob .6i toda..6 a..6 vonta.-
de.6 ー。Nャエゥ・オiZVイセᅮ@ "A idéia. de uma. ta.l inteligêneia., em
que a. vonta.de, a. ma.i.6 pelt6eita. molta.lmente, goza.ltia. da. hobe
Ita.na. 6elieida.de no mundo, enqua.nto e.6ta. 6elieida.de ehtã em
e.6tltita. Itela.ção eom a. molta.lida.de (quelt dizelt eom o que tOIt
na. digno de .6elt 6elizl, e.6ta. idéia., dit Ka.nt, a. eha.mo o
6-1
idea.l do .6obelta.no bem". - A conexao entre moralidade e fe
. - f
I
licidade é irrealizável no mundo sensível; e preC1SO, p01S, ;
!
admitir um outro mundo. que nio o dos fenômenos, quer dizer, i
o mundo inteligível; e este mundo inteligível, nio podendo i
I
ser dado aqui embaixo, é representado como um mundo futuro
para ョセウL@ conseqUência de nossa conduta no mundo atual. f
"Veuh e uma. vida. 6utulta. .6ão, poltta.nto, h egundo Oh plt,[neZ- I
P,[Oh da. Ita.zão pulta., dUa.h hUpohiçõeh inhepa.ltãveih da. ッ「ャエL{ァセ@ J

i
I
139

62
ç.5.0, que e4ta me4ma セ。コッ@ n04 セューッ・@
• - II
o mundo inteligí-
vel -
e, antes de tudo, a concepçao de uma vida, セ@
compensan-
do, graças a mediação de um sábio criador, a impotência da
moralidade a criar a felicidade de que ela i digna. "Sem
um Veu4 e 4em um mundo atualmente invi4Zvel ー。セ@ nÓ4, ma4
que ・Tーセ。ュPL@ a4 ュ。ァョzVゥセT@ ideia4 da ュッセ。ャゥ、・@ podem
T・セ@ bem objet04 de a44entimento e de 。、ュゥセ￧ ̄ッL@ ma4 não mó
bile4 de intenção e de ・クセオ￧ ̄ッL@ ーッセアオ・@ não ーセ・ョィュ@ todo
o 6im que ョ。エオセャュ・@e 。エセゥ「オz、ッ@ a ーセゥッL@ ーセ・ゥT。ュョエ@
ーッセ@ e4ta me4ma セ。コ ̄ッL@ a todo T・セ@ セ。ゥッョャ@ e que e ョ・セT。@ -
セゥッBNVS@ Kant chega a afirmar que as leis morais não pode-
イセ。ュ@ ser mandamentos, se não unissem a ーセゥッL@ as suas
prescrições, o soberano bem como conseqUência necessária,
e se, por consequinte, não trouxessem promessas e amea-
64
ças"

Neste caso, comenta Carnois, as leis ュッイ。セウ@ nao


ウ・イセ。ュ@ absolutamente puras; impor-se-iam ao sujeito apenas
na medida em que sua sensibilidade se encontrasse afetada
por promessas ou ameaças. o imperativo moral nao seria
propriamente um imperativo categórico, sintitico a ーセゥッL@
uma vez que não seria absolutamente incondicionado, poden-
do exprimir-se sob a forma de um imperativo ィゥーッエ」セ@

"Se アオ・セT@ o TP「・セ。ョッ@ bem, age: ーッセ@ 、・カセBN@ Se o sujeito


não pode se determinar a se submeter ã lei moral, senao em -
virtude da idiia de uma sanção, recompensa ou castigo,
sua intenção seria sempre impura. A relação entre a vonta
de e a lei moral seria, em realidade, não sintitica a ーイセ@
ッイセL@ mas analítica, uma vez que o querer dos meios estaria
analiticamente compreendido no querer dos fins. Ao nível
da Metodologia transcendental, i o soberano bem que funda
65
a moralidade.

É preciso,.contudo,não esquecer que, no próprio


texto da Metodologia, Kant mostra que as -
açoes obrigató-
rias não são tais porque são mandamentos de Deus, mas 、・カセ@
mos olhá-las como mandamentos de Deus porque, interiormen-
te, as reconhecemos como ッ「イセァ。エウN@ . -. 66 É
ーイ・」セウ。ュョエ@
.
a
140

riecessidade interna das leis moraLS que nos conduzem a su-


por uma causa subsistente por si mesma ou um sábio gover-
nante do mundo.
61 Além disso, nenhuma teologia deve, sob
pena de corromper a santidade da lei moral, servir de pre-
texto à exaltação mística e às especulações transcendentes.
E o que Kant mostra claramente, quando diz que a "Te.olog,i..a
ュッセ。ャ@ não te.m セ・Nョ ̄ッ@ um オセッ@ ,i..mane.nte., アオ・Nセ@ 、LゥNコ・セ@ que deve-
ュッセ@ ョッセ@ セ・カLゥN@ dela ー。セ@ ・オューセLゥN@ ョッセ。@ 、・セエLゥNョ。￧ ̄ッ@ ョ・セエ@

mundo, ョッセ@ adaptando ao セLゥNエ・ュ。@ de エッ、セ@ ッセ@ VLゥNョセ@ e não pa-


セ。@ ョッセ@ ャ。ョ￧セ@ num LゥNャオュョセッ@ ・クエセ。カァョNL@ ou ュ・セッ@ total-
mente eulpãvel, abandonando o 6,i..o ・ッョ、オエセ@ de uma セ。コ ̄ッ@
que d,i..ta 。セ@ ャ・LゥNセ@ ュッセ。LゥN@ ー。セ@ a boa eonduta na v,i..da, a 6,i..m
de 。ーセックLゥNュ・、エョ@ ・セエ。@ ュ。ョ・LゥNセ@ de カLゥN・セ@ ã ,i..dê,i..a
do s・セ@ セオー・ュッL@ o que 、。セLゥN@ um オセッ@ エセ。ョ・、L@ ュ。セ@ um
オセッ@ que, eomo o da セLゥNューャ・@ ・セーオャ。￧ ̄ッL@ deve. ー・セカエ@ e
エッセョ。@ カ。ッセ@
-
ッセ@ ョセ@ l ' -
オセエュッ@ o · d a セ。コッ@ - " • 68
I
i
r.

II

,
I
t
,セ@
r
141

REFERtNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - Kant, Progres Met. p. 46.

2 - CRP, op. cito p. 349.

3 - Ibid. p. 216.

4 - Carnois, op. cito p. 21.

5 - CRP, op. ci t. p. 348.

6 - De1bos, op. cito p. 176.

7 - CRP, op. cito p. 348.

8 - De1bos, op. cito p. 177.

9 - CRP, op. p. 396.

10 - Ibid. p. 396 e 397.

11 - Ibid. p. 397.

12 - Ib i d. p. 397.

13 - Ibid. p. 397.

14 - Ibid. p. 398.

15 - Ibid. p. 398.

16 - Ca rn oi s, op. ci t. p. 31.

17 - CRP, op. ci t. p. 401 e 402.


142

18 - Ibid. p. 402.

19 - Ibid. p. 394 e 395.

2O - C a rn o i s, op. c i t. p. 42.

21 - Ibid. p. 41 e 42.

22 - CRP, op. cito p. 395.

23 - De1bos, op. cito p. 178.

24 - CRP, op. c i t. p. 4 O2 •

25 - Ibid. p. 402.

26 - Ibid. p. 402 e 403.

27 - Cf. Ibid. p. 403.

28 - Ibid. p. 403.

29 - Boutroux, op. cito p. 225.

30 - CRP, op. cito p. 403.

31 - Boutroux, op. cito p. 225.

32 - Cf. Ibid. p. 225 e 226.

33 - CRP, op. cito p. 404, nota.

34 - Ibid. p. 405.

35 - Ibid. p. 405 e 406.

36 - De1bos, op. cito p. 185.


143

37 - CRP, op. cito p. 408.

38 - Rousset, op. cito p. 33.

39 - CRP, p. 360.

40 - Ibid. p. 395.

41 - Ib i d. p. 395.

42 - Ibid. p. 541.

43 - Delbos, op. cito p. 190.

44 - Ib i d. p. 191.

45 - CRP, p. 538.

46 - Cf. Ibid. p. 539.

47 - Ibid. p. 540.

48 - C f. Ib i d. p. 5 41 .

49 - Ibid. p. 542.

5O - Ib i d. p. 540.

51 - Ib i d. p. 541.

52 - Ibid. p. 544.

53 - Carnois, op. cito p. 54.

54 - CRP, op. ci t. p. 541.

55 - Ibid. p. 541, nota.


144

56 - Ibid. p. 542.

57 - Cf. Ibid. p. 543.

58 - Cf. Ibid. p. 545.

59 - Ib i d. p. 545.

60 - Ibid. p. 546.

61 - Ibid. p. 546.

62 - Ib i d. p. 546.

63 - Ibid. p. 547.

64 - Ibid. p. 547.

65 - Cf. CRP, p. 549 e Carnois, op. cito p. 55.

66 - CRP, p. 551.

67 - Cf. Ibid. p. 550.

68 - Ibid. p. 551.

.,r
145

CAPTTULO XI

A LIBERVAVE SEGUNVO OS FUNVAMENTOS VA


METAFTsI CA VOS COSTUMES

o conceito de liberdade é a chave para chegar ao


princípio de autonomia da vontade. Kant pretende estabele-
cer o valor objetivo deste princípio, o que significa, em
última análise, estabelecer a própria possibilidade do
imperativo categórico. Para isso, é preciso colocar a
questão da liberdade, não mais como um conceito problemáti
co, como uma idéia simplesmente reguladora da razão teóri-
,ca, mas como um conceito apoditicamente certo da razão pu-
ra prática.

Kant define a vontade como "uma. e..6pici.e. de. c.a.U.6a.


fJ:d a. de. do.6 .6e.J1.e..6 vivo.6, e.nqua.nto Jz.a.c.-<..ona..-<...6.
-t...{..
. . " 1 Como a causa
lidade implica a noção de lei, e esta a de determinismo,
poderia parecer um contrasenso オョセイ@ as noções de liberdade
e causalidade: uma vontade submissa a leis não poderia ser
livre. No entanto, não há propriamente contradição, desde
que se compreenda que há dois tipos de causalidade: a cau-
salidade dos seres irracionais, que é a necessidade natu -
ral de serem sempre determinados por causas estranhas, e
a セ。オウャゥ、・@ dos seres racionais, que é a liberdade, en
tendida como submissão da vontade ã sua própria lei. A
liberdade não significa, pois, indeterminação ou ausência
de leis, mas "uma. c.a.U.6a.Uda.de. .6e.gundo .f.e.i.6 imutáve.i.6".2 A
vontade submissa a estas leis é considerada livre, median-
te o conceito de autonomia, ou seja, na medida em que e,
ela mesma, a legisladora universal. Assim, se a vontade li
vre escapa ao determinismo natural dos desejos sensíveis
nao escapa, contudo, ã toda lei. Nesse sentido, há uma
identidade entre a vontade livre e a vontade submissa a
leis morais. Hã, pois, apenas duàs alternativas: ou conce-
bemos os seres racionais na estrita dependência da ョ・」ウセ@
146

dade natural (heteronomia das causas eficientes), ou lhe


atribuimos a liberdade, e afirmamos, ao mesmo tempo, a
lei moral, como a única possibilidade para a autonomia da
vontade. Graças a esta noção de autonomia, "a Vッセュ。@ da
ャゥ「・セ、。@ ー。セ・@ ・ョッエセ。@ na ュッセ。ャゥ、・L@ na noção de von-
tade-6 ャ・ァゥMV。、ッセ@ univeM ai-6, um eonteúdo adeq uado". 3 Nos
seres racionais, a vontade é inseparável da idéia de liber
dade, uma vez que a lei que a determina é a lei da própria
razão. Se podemos dizer que os seres
.
raC1.ona1.S
. têm vontade
própria, temos de poder dizer que são livres; se sao li -
vres, a lei que os determina é a lei da razão pura, que,
na medida em que determina a vontade, através da lei moral,
é razao pura prática. Da lei prática que determina a
ação, resulta a idéia de que todas as máximas subjetivas
do querer devem valer, objetivamente, para todo o querer.
Nos seres humanos, a vinculação das máximas subjetivas -a
lei moral e o que se chama dever, necessário apenas, como
. V1.mos,
Ja . -
para os seres racionais e
., .
se ns 1. ve1. s ao mesmo
tempo, nos quais a razão, por si só, não determina a カッョエセ@
de, que pode ser afetada por outros fatores. Enquanto ser
racional, o homem deve considerar-se como pertencendo ao
mundo inteligível, de modo que a causalidade de sua vonta-
de só possa ser pensada sob a idéia de liberdade. Bvゥコ・セ@

que a vontade セ。・ゥッョャ@ é ャゥカセ・L@ quanéo age -6egundo !:lua ーセ@


ーセ。@ lei, é Vッセュオャ。@ de ッオエセ。@ ュ。ョ・ゥセ@ o ーセョ・zゥッ@ da auto-
nomia",4 que é o fundamento 、セ@ imperativo categórico: Agir
segundo uma máxima tal que possa ser universalizada. Daí
a afirmação de Kant: "uma vontade ャゥカセ・@ e uma vontade !:lub-
mi-6-6a a lei-6 ュッセ。ゥMV@ -6ão uma -6á e me-6ma eoi-6a".5 Como expli
car uma tal identidade entre liberdade e moralidade? A
rigor, poder-se-ia dizer que, se é livre apenas a vontade
que age moralmente, a má vontade, enquanto se deixa deter-
minar por interesses sensíveis, não é livre. Neste caso
quando optássemos contra a lei moral, estaríamos submeti -
., .
dos ã necessidade natural dos desejos senS1.ve1.s. Nesta
perspectiva, seria possível falar em opção? Ou a liberdade
só começaria a partir de uma opção originária, que nos 1.n-
147

l-:
troduziria na ordem moral? Vejamos a opinião de Delbos a セ@
esse respeito:" A vontade i, ・セョ」ャ。ュエL@ a V。」オャ、セ@ fI:
de de aglJr.. pOJr.. Jr..egJr..M ou ュ ̄Nクャ。セ[@ então, me.6mo que Jr..eceba
r
セ・オ@ ュ￵「ャ・セ@ dM lncllnaç.õe.6, nã.o セ・@ セオ「ュ・エL@ de セオ。@ paJr.. - f
te, a uma ln6luência ・セエjイNャ。ュョ@ deteJr..mlnante, uma vez t
que ・セNV@ ュ￵「ャ・セ@ セ￵@ valem, paJr..a ela, quando セ ̄ッ@ 。、ュャエッセ@ I
f
em セオ。@ Jr..egJr..a de aç.ão. Em outJr..M palavJr..M, toda Jr..egJr..a com -
pJr..eende um elemento Jr..acional, iJr..Jr..edutZvel, pOJr.. ゥセッ@ ュ・セッL@
。ッセ@ ュ￵「ャ・セ@ 、。ッセL@ e セ・@ pode セオエ・vャN。jイL@ ョ・NVセ@ セ・ョエャ、ッL@ que
a llbeJr..dade ・クャセエL@ paJr..a o homem, 、・セ@ que ele セ・@ Jr..epJr..e
セ・ョエ@ uma Jr..egJr..a de conduta, qualqueJr.. que .6eja ... "6 A
razão prática poderia, pois, atuar de duas maneiras distin
tas: colocando em regras ou em fórmulas móbiles fornecidos
pela sensibilidade, ou propondo, ela mesma, a lei que de -
termina a máxima da vontade. Esta lei é a lei moral, inde-
pendente de toda matéria empírica, e absolutamente in condi
cionada. A vontade que obedece ã lei moral é livre por ex-
- .
celenC1a. 7

Kant julga que o princípio da moralidade pode


ser deduzido analiticamente do conceito de liberdade. "Se
a libeJr..dade da vontade ê セオーッエ。L@ a6lJr..ma, é セオVャ」・ョエ@ ana
ll.6aJr.. セ・オ@ conceito puJr..o, daI deduzindo a mOJr..alldade com
セ・オ@ ーセョ」ッN@
. ....." 8 . , .
No entanto, o pr1nc1pio da moral1dade -
e
uma ーイッウゥ￧セ@ sintética, uma vez que, prescrevendo a un1-
versalização da máxima da boa vontade, não decorre da Slm-
pIes análise do seu conceito. Na medida em que o predicado
não está logicamente contido no sujeito, há necessidade de
um termo médio para operar a síntese dos dois conceitos 1m
plicados na moralidade: os conceitos da vontade e -
razao.
Com efeito, a moralidade reside na conformidade da vontade
ã lei da razão. A síntese desses conceitos é possível gra-
ças a noção de mundo inteligível. Como ser racional, o ho-
mem deve considerar-se membro de um mundo inteligível:
quando nos consideramos livres, nos transportamos para o
mundo inteligível como seus mebros, e re conhe
cemos a autonomi a da von tade , j unt amen te
com sua consequência, a moralidade.
148

セL@ pois, pela noçao de um mundo inteligível, cUJa lei e a


lei da liberdade, que a síntese da vontade e da -
razao -e
possivel.

Kant declara que a liberdade deve ser suposta


como propriedade da vontade de todo ser racional: "Como a.
ュッセ。Nャゥ、・@ não nOh ィ・セカ@ de lei, henão enqua.nto homOh he-
セ・ィ@ セ。NゥッョィL@ é ー。Nセ@ todoh Oh ィ・セ@ セ。Nゥッョィ@ que ela. de-
ve igua.lmente カ。Nャ・セ[@ e, eomo ela. deve ィ・セ@ 、・セゥカ。N@ オョゥセ。N@ -
mente da. ーセッゥ・、。N@ da. ャゥ「・セ、。NL@ é ーセ・ゥィッ@ ta.mbém ーセッカ。N@
a. ャゥ「・セ、。N@ セッュ@ ーセッゥ・、。N@ da. vonta.de de todo ィ・セ@ セ。Nゥッᆳ
na.l"Y セ@ prova da liberdade deve ser inteiramente a. ーセゥッL@
nio decorrendo de nenhuma ・クーイゥセョ」。@ empirica, nem da na-
tureza humana, como Ja V1mos, uma vez que toda ・クーイゥセョ」。@
possivel se acha submetida ã necessidade natural. É preci-
so demonstrá-la como pertecendo, em geral, ã atividade de
seres racionais, dotados de vontade. Dai, diz Kant, "todo
ィ・セ@ que hÔ pode Nァゥセ@。 hob a. idéia. de ゥ「・セ、。N@ャ é, ーッセ@ ihhO
mehmo, do ponto de vihta. ーセ。エゥッL@ セ・。Nャュョエ@ ャゥカセ・@ ... ,,10 Es
sa afirmação da liberdade como real não e, contudo, uma de
monstração teórica (do ponto de vista da 」ゥセョ。IN@ Nessa
altura, pode-se perguntar: estaria Kant escamoteando o ーイセ@

blema, falando da liberdade real, quando ainda seria preci


so prová-la? Observa Alquie que, "6ohhe a.hhim, todo o edi
Vzセゥッ@ he 、・ィュッセョ。NゥL@ POih, na. hegunda. heção dOh Funda.men
tOh, Ka.nt ーセ・ゥィッオL@ hem ・ィ。NセL@ que a. dedução da.h V￴セュオャ。Nィ@
・セ。N@ ィゥーッエ↑セ。NL@ 、・ィセカョッ@ a. ュッセ。Nャゥ、・L@ homente he 60hhe
セ・。Nャ@ e 6unda.da.. s・セゥ。N@ ーセ・ゥィッ@ ・セ@ que, dum golpe, na. エ・セᆳ
・ゥセ。N@ heção, Ka.nt noh 、・セャ。Nィ@ que um ィ・セ@ que na.o pode
。NァゥセL@ henão hob a. idéia. de ャゥ「・セ、。NL@ ê ャゥカセ・L@ e6etiva.men-
te, o que h ・セゥ。N@ o mehmo que 、ゥコ・セZ@ todo h ・セ@ que h e セ↑@ li-
カセ・@ ê ャゥカセ・NB@ Kant não dá, portanto, uma prova teórica
da libereade; julga ate poder ser dispensado de ヲ。コセMャッL@

uma vez que, para seu propósito, que e prático, basta admi
tir a liberdade sob a forma de uma ide ia que os seres raci
onais têm como fundamento de suas 。￧￵・ウセR@ Assim, a lei da
liberdade obriga a todo ser セオ・@ não pode agir senão sob a
ide ia de liberdade, e isto, quer este ser seja livre ou
I
149

I
hao. Do ponto de vista prático, a idéia de liberdade, como
!
!
J
espontaneidade da razao, é suficiente; para afirmar que um I
1

ser e praticamente livre, basta reconhecer que age rac10-


nalmente. Kant afirma, aqui, a implicação
..
reC1proca dos
conceitos de liberdade e razao prática. liA idéia de libe/t-
dade exp/time a 」。オセャゥ、・@ da /tazão; daZ, um セ・Oエ@ /tacional
Que, agindo, não セ・@ 」ッョセゥ、Oエ。・@ liv/te, deixa/tia, po/t ゥセッ@
ュ・セッL@ de セ・Oエ@ /tacional.,,13 Em outras palavras: um ser que
nao se considerasse livre, estaria atribuindo a determina-
ção de sua vontade ã sensibilidade e não ã lei da própria
razao. Kant não demonstra, pois, a liberdade como real,
limitando-se a supor que ela e a única possibilidade de
pensar um ser como racional, ou seja, como dotado da cons-
ciência de sua causalidade em relação -a s - .
propr1as açoes.
Esta suposição tem um valor objetivo, mas apenas do ponto
de vista prãtico; como observa Delbos, "ela não pode セ・Oエᆳ

vi/t pa/ta explica/t a ーッセゥ「ャ、。・@ do ゥュー・Oエ。セカッ@ 」。セ・ァッOエゥL@


セ・@ não セ・@ ・セ」ャ。OエオL@ 。「セッャオュ・ョL@ o Que 6az com Que /te-
ァOエ。セL@ セオ」・zカゥ@ de セッOエョ。・ュM@ ャ・ゥセ@ オョゥカ・Oエセ。L@ セ・ェ。ュ@
14
カ・Oエ、。ゥュョセ@ ッセ@ ーOエゥョ」zッセ@ da ョッセ。@ 」ッョ、オセ。NB@

Kant estuda, em seguida, "o ゥョセ・Oエ@ Que セ・@ l{


ga  ̄セ@ ゥ、←。セ@ de mo/talidade." Com efeito, é preciso que ha
ja um interesse pela lei moral, como lei da açao. - Este in-
teresse não pode ser um interesse sensível, pois, neste ca
so, não haveria imperativo categórico. Hã, segundo Kant,
dois tipos de interesse: o interesse puro, especificamente
prãtico, e o interesse empírico, patológico. Aqui, o inte
resse e determinado pela satisfação que se espera do obje-
to da açao. Não e, p01S, o interesse moral, que se liga ã
açao por S1 mesma, pela validade universal da máxima que a
determina. Segundo Kant, e impossível explicar que o ho-
mem possa se inte-ressar pela lei moral; no entanto, o ho-
mem experimenta, de fato, tal interesse, cu J o
. ...
P r 1 n C1 p 1 o e
o que se chama sentimento moral, que não deve ser conside-
rado como a medida de nosso julgamento moral, mas, antes,
como o efeito subjetivo que a lei produz sobre a vont·ade,
cujo princípio objetivo só a razão pode fornecer. Assim,
,
150 r
f

r
i|ー。セ@ que um セ@ ・セL@que -e, ao ュ・セッ@ tempo, セ・ョiカ@ e セ。」ゥッᆳ
ョ。セ@ アオ・ゥセ。@ セᅰ@ o que a セ。コ ̄ッ@ ーセ・」カL@ e ーセ・」ゥッL@ セ・ュ@ duvi
da, que a セ。コ ̄ッ@ tenha a ョ。」オセ、・@ de セィ・@ ゥョセー。@ um セ・ョエゥ@

menta de ーjエ。コ・セ@ ou de セ@ 。エゥセ@ nação, セゥァ。、ッ@ ao do


」オューセゥ・ョエッ@

、・カセ[@ e ーセ・」ゥッL@ 」ッョセ・アャゥエュL@ que ・セ。@ tenha uma cau-


セ。ャゥ、・@ ー・セ。@ アオ。セ@ 、・エセュゥョ@ a セ・ョゥ「、。L@ 」ッョVセュ・@
セ・オ@ ーセゥョ」ャッN@ m。セ@ e エッ。セュ・ョ@ ゥューッセiカ・@ セッュー・ョ、L@
アオ・セ@ diz ・セL@ ・クーセゥ」。@ a ーセゥッL@ como uma セ@ ゥューセ・@ ideia, que
nada contem de セ・ョiカL@ ーセッ、オコ。@ um セ@ entimento de ーセ。コ・@
11 15
ou de doJt . .. Mais adiante, Kant observa que lia unica
」ッゥセ。@ 」・セエ。@ セ@ que a ュッセ。ャゥ、・@ não vale ー。セ@ ーッセアオ・@

ョッセ@ ゥョエ・セ。L@ ュ。セL@ ao contJtãJtio, ela 。ーjエ・セョ@ um ゥョエ・jセ@


セ・L@ ーッセアオ・@ カ。セ・@ ー。セ@ ョ￵セL@ enquanto ィッュ・ョセL@ ーッセアオ・@ de ョッセ@ e
セ。@ vontade, concebida como ゥョエ・セァ」。L@ pOJt 」ッョセ・アャゥ。L@
d o ョッセ@ カ・セ、。ゥッ@ eu, que ・セ。@ ョ。セ」・N@
16 Dessa forma,
Kant admite que se possa sentir prazer ou dor em face da
lei moral; o que não admite é que tais sentimentos possam
ser tomados como determinantes da vontade. Em outras pala-
vras - o contentamento pelo dever cumprido é um sentimento
legítimo, desde que não seja considerado como o ーイセョ」ッ@
. ....
da moralidade, mas apenas como a sua conseqUência.

A conduta moral exprime uma identidade entre o


querer e o dever, identidade que e garantida pela razao
prática, mediante o constrangimento do dever. Evidentemen-
te, um tal constrangimento s5 e necessário para os ウセイ・@ イセ@

cionais e sensíveis, ao mesmo tempo, nos quais a ョ・」ウゥ、セ@


de subjetiva distingue-se da necessidade objetiva, cUJo

acordo resulta sempre de um constrangimento. Enquanto イ。」セ@

onais, somos legisladores, e, por isso, livres; enquanto


sensíveis, somos submissos ã lei moral. Kant refere-se a
uma espécie de círculo vicioso em que parece ter insidido
。アオセZ@ BsオーッュMョセ@ セゥカ・@ na ッセ、・ュ@ 、。セ@ 」。オセ@ ・ョゥ」エセL@ a
6im de ョッセ@ 」ッョ・「セュL@ na ッセ、・ュ@ 、ッセ@ VゥョセL@ como セオ「ュゥッ@
a セ・ゥ@ ュッセ。ゥL@ e ョッセ@ 」ッョ・「ュセL@ em セ・ァオゥ、。L@ como セオ「ュゥᆳ
セッ@ a セ・ゥL@ ーッセアオ・@ ョッセ@ 。エセゥ「オュッ@ a セゥ「・、。@ da vonta-
de ... "l: !'f Há , efetivamente, aí, um círculo logico, uma vez
que Kant nos leva a fundar a liberdade na moralidade

IIIUOJECA
NIMÇAO 8EiOLlO Vセ@ /"'0"
151

e a ュッイ。ャェ、セ@ na liberdade. A saída deste círculo é


possível mediante a distinção entre mundo sensível e mundo
inteligível. Este e, - segundo Delbos, o ponto mais impor-
tante desta última parte dos Fundamentos, em que Kant va1
estabelecer a legitimidade de um mundo das COlsas em S1 ou
Essa 、ゥウエョ￧セッ@
18
mundo inteligível. foi extremamente
portante, como Ja vlmos, na Crítica da Razão Pura, para a
solução das antinomias dinâmicas. Kant evoca, agora, nos
Fundamentos, a oposição entre os eSêados que constituem o
sentido íntimo, submisso a causalidade necessaria, e o ver
dadeiro eu, fonte de atividade. Pela sensibilidade, somos
afetados por representaçoes: somos passlvos; ao contrario,
somos ativos quando produzimos, por nos mesmos, as repre-
sentaçoes. Segundo Kant, esta 、ゥウエョ￧セッL@ que estaria pre-
sente na consc1encia mais vulgar, e feita pela razao, como
faculdade superior ao entendimento. Supõe que se reconhe-
ça, sob os fenômenos, alguma coisa, as C01sas em S 1 , que
nao podem ser conhecidas em S1 mesmas, mas apenas na mane1
ra como nos afetam. o homem pode, pois, considerar-se de
dois pontos de vista diferentes; enquanto pertence ao mun-
do sensível, obedece as leis da natureza; como membro do
mundo inteligível, obedece a s - leis da razao, e, por conse-
アuセョ」ゥ。L@ da moralidade. Haveria, aSS1m, alguma C01sa que,
ultrapassando a nossa ・クゥウエセョ」。@ fenumênica lhe serv1r1a
de fundamento. Esse fundamento é a própria razao, faculda
de superior ao entendimento, que manifesta sua espontanei-
dade na ーイッ、オ￧セ@ de idéias. Como afirma Delbos "produzindo
idéias, a razão concebe objetos, ou coloca problemas lna-
cessíveis ao entendimento propriamente dito; assim proce-
19
dendo, determina os próprios limites do entencimento".
f do porito de vista de sua ・クゥウエセョ」。@ como noumeno, que o
homem concebe a causalidade de sua vontade, sob a idéia de
liberdade, como ゥョ、・ーセ」。@ em face das causas determi-
nantes do mundo sensível.

o homem fosse
Assim,
considerado,
o que pareC1a contraditório, ou seja, que
ao mesmo tempo, como ser livre I
e determinado, encontra, mediante a concepção do mundo 1n- tt
I
f
f
152

teligível, uma explicação. O homem nao p o de , com efeito,


deixar de ser c on s i d e r a do como um se r 1 i v re , uma ve z que,
so atraves - da liberdade, e possível - a razao exercer o - seu
pode r prático. Não se pode t amb ém deixar de c ons i de rã - lo
como um ser determinado, uma vez que se submete, no plano
emprrico, i lei natural. "Que O homem deve セ・@
e セ・@ c.onc.ebelL 、・セ。@ dupla maneilLa, diz Kan:t, ê. o que セ・@

tunda, de um lado, na 」Nッョセゥ↑。@ de セゥ@ ュ・セッL@ c.omo de um


obje:to a6e:tado ー・ャッセ@ セ・ョZエゥ、ッ[@ de OU:tlLO lado, na 」Nッョセゥ↑M
cia de セゥ@ ュ・セッ@ como in:teligência, quelL dizelL, como befL

in depe nden:te, Yl o オセ@ o da fLazao, dM n。」オャ、・セ@ セ・ョN￳コカゥ@


(pOfL 」Nッyャセ・アオ↑ゥ。L@ como tíazendo palL:te do mundo in:te.tigZ -
ve..cO)" . 20 Ap are ce, 。アオセL@ uma das antinomias, a que Kant se
refere na Crítica da Razão Pura: a antinomia da liberdade
e da necessidade. Nesta antinomia, como カセュッウL@ a ve rd ade
das teses opostas pode ser afirmada, mas de pontos de vis-
ta diferentes. Esta é, segundo Kant, a tarefa da filosofia
especulativa: mostrar que não hã verdadeira contradição
porque, quando afirmamos que o homem é livre, e- em outro
sentido, e sob outra relação, que quando o concebemos como
submisso a lei natural. As duas 」ッセウ。@ nao só podem, como
devem ser, necessariamente, unidas num mesmo objeto. A
contradição desaparece, pois, quando os fenômenos deixam
de ser considerados como coisas em si, e quando o homem,
enquanto livre, não é visto como um simples fenômeno .

Pela 」ッョウセ・。@
.- . que tem de pertencer ao mundo
inteligivel, o homem se atribui uma vontade capaz de ーイッ、セ@
zir açoes, cuja causalidade reside apenas em ウセ@ mesmo, co-
. .,..
do mundo inteligível, do
mo ser racional, e nos ーイセョ」ッウ@

qual só a razao pura e legisladora. Segundo Kant, B・セZエ。@

。￧￵・セ@ .óão c.umpfLida.ó apena.ó ュ・、セ。ョZエ@ a fLenu.Ylcia a :todo.ó ッセ@


d ・N￳ェッセ@ · . O' -
e ..tYlc..c..tnaçoe.ó .... "
.óeYl.ó..tve..t.ó. 21 Aqui, -
torna-se necessa
r セ@ o e seI a r e c e r que, s e g u n d o a dou t r i n a K ano ti àn a, o homem
nao é, moralmente mau, porque tenha inclinações, ou procu-
re, em certa medida, satisfazê-las, mas quando adota os
f orne ce m como
. ,..
de
móbi les que e 1 as ーイセョ」ッウ@

sua con du t a, conferindo-lhes a autorida


153

- 22
de que pertence apenas a lei moral.

A concepçao do homem corno membro do homem inte-


lígivel parece ser a solução do problema da liberdade. No
entanto, observa Alquie, "é di{Z.eif. .6UpOfL
que e.6.tejamo.6,
aqui, em pfLe.6e»ça de uma vefLdadeifLa .6of.ução, uma vez que o
mu»do i»teligIvel é eompletame».te i»eog»o.6eIvel, .6e»do, ーセ@
fLa »Õ.6, ape»a.6 uma idéia. Na CfLI.tiea da Razão PUfLa, vemo.6
que »em .tudo ê limi.tado ao mu»do do.6 6e»ôme»0.6; que o pfLO-
pfLio mundo empIfLieo .6Õ .tem .6e».tido, pOfLque é eO».6.tfLuIdo
pOfL »0.6.60 eo»heeime».to. CompfLee»demo.6, pOfL ・oᄏNVアイセゥ。L@
que é pO.6.6Ivef. admitifL, ao me.6mo tempo, que tudo .6eja de-
.tefLmi»ado, »0 pf.a»o do eonheeimen.to, e que, en.tfLe.tan.to, no
pla»o noumenaf., alguma eoi.6a .6eja livfLe. Ainda a.6.6im, não
e.6 .ta- a b NVッセオ。ュ・ᄏ@ o -I- -I-
o que O
pfLova d 。セァオュ@ ・oセNV。@
'
.6eja

セvヲl・@
O'
... セS@
o mundo inteligível não pode, efetivamente, ser conhecido,
pois, corno mostrou a Crítica da Razão Pura, nos falta urna
intuição intelectual que apreenda diretamente o ウオーイ。M・セ@

s í ve l . Por isso, quando a razao concebe um mundo inteligI


vel, não pretende conhecê-lo (no que ultrapassariê todos
os seus limites), mas apenas proporcionar urna condição for
mal - universalização da maxima da vontade - para que se
possa pensar a autonomia da vontade, e, por conseqUência,a
liberdade.

o que Kant teria mostrado nao e que a liberdade


seja real, mas que e possível, no sentido de não contradi-
tória, urna vez que um mesmo ser pode ser considerado, ao
mesmo tempo, livre e determinado, desde que se leve em con
sideração que ele pertence, tambem ao mesmo tempo, a duas
ordens distintas: ao mundo inteligível e ao mundo fenomêni
co. Com efeito, para que a liberdade fosse considerada co
mo real, haveria apenas duas hipóteses: ou ela ウ・イセ。@ efeti
vamente
mada,
apreendida mediante uma intuição,
corno real, desde o início. No entanto,
ou serla afir-
nenhuma des- II
sas hipóteses e adotada por Kant. A liberdade, corno urna í

II
ideia da razão, pode ser pensada, mas não conhecida ela
esta alem das condições a pfLiofLi do espaço e tempo, corno
セ@

condições de toda experiência possível. o problema, aqul,


i

I
I
154
I
I
tambem,
Kant
nao é
parte do
análogo
fato da
aO da Crítica da Razão Pura, em
cIencIa, como fato real, para se ele
que
I
i•
var as suas condições. No domínio prático, o imperativo
. ... . r
categórico não é afirmado como real, desde o InICIO, mas f
apenas como possível.
afirmação hipotetica,
Daí, quando Kant se eleva,
à condição de sua possibilidade, tal
de sua
I
f
condição é também apenas possível. Ainda mais - Kant afir
-e i
ma que a liberdade é possível, mas não esclarece como !セ@
possível. "A fLa z ao,
e.g undo e..t e., u.t:tfLapa.ó.ó afL.-la todo.ó O.ó

.óe.u.ó .t.-lm.-lte..ó, .óe. e.mpfLe.e.nde..ó.óe. e.xp.t.-leafL eomo uma fLazao pufLa


pode. .óe.fL ーヲlセエNMャ・。L@
o que .óe.fL.-la ab.óolutamente o me..ómo que .óe
- ... ,,2 4
pfLOpOfL a exp.t.-lCafL como a .t.-l b efL d a d e e ーッN￳セオ・エ@ .

A liberdade é afirmada, aqui, como uma simples


idéia, cuja realidade objetiva não pode ser evidenciada,
valendo apenas como uma suposiçao necessária da razão, n_m
ser que crê ter consciência de uma vontade, quer dizer, de
uma faculdade bem diferente da sensibilidade. É uma idéia (
que subsiste quando
çao da vontade,
por essa idéia que se
se exclui, dos princípios de determina
tudo o que pertence ao mundo sensível.
torna viável responder -a -
questao
É
da
I
J
possibilidade do
be esse ideal,
imperativo categórico.
fazendo abstração de
A razão pura 」ッョセ@
toda matéria; daí, po-
I
I
de-se dizer que o ideal da liberdade se resume na forma de
uma legislação universal, mediante a qual a razao determi-

I
na a vontade como causa eficiente. Compreender isso resul-
ta impossível e este é todo o limite da razao. Também a
idéia de um mundo inteligível permanece sempre uma idéia
a respeito da qual se pode ter uma crença racional, mas nao
um conhecimento,
6fLonte..-lfLa de..óte. mundo".25
pois, todo o saber, diz Kant, "tefLm.-lna na
I
セ@
セ@

I
r
r

I
t
t
I
I

155 t
f

I REFERENCIAS BIBLI0GRÃFICAS

1 - FMC, op. ci t. p. 179.

2 - Ibi d. p. 179.

3 - Ibi d. p • 180, nota de De1bos

4 - Alquié, op. ci t. p. 77.

5 - FMC, op. cito p. 180.

6 - Ibid. p. 180 e 181, nota de De1bos.

7 - Cf. Ibid. p. 181, nota de De1bos.

8 - Ib i d. p. 181.

9 - Ibid. p. 182.

10 - Ibid. P • 183.

11 - A1quie, op. ci t. P • 78.

,
12 - Cf. FHC, op. cito p • 183 •

13 - Ibid. p. 184, nota de De1bos.

14 - Ibid. p. 184, nota de De1bos.

15 - Ibid. p. 204 e 205.

16- Ibid. p. 205.

17 - Ib i d. p. 187.
156 I
18 -

19 -
Ibid. p. 187, nota de De1bos.

Ibid. p. 191, nota de De1bos.


I
,I
20 - Ibid. p. 200. I
,セ@
I

Ib i d • p. 2 OO •
I
21 - i セ@
i
I
22 - Cf. Ibid. p. 201, nota de De1bos. tセ@
f
23 - A1quie, op. cito p. 79 e 80.
Ir
セ@
24 - FM C, op. c i t. p. 2 02 • I·
t
!.
25 - Ib i d. p. 208. I
!
t
I
f
;

!
セ@
セ@

iI
I
,

I
!

i
I
J

Ii
!
!
f
f
QUセ@

CAPÍTULO XII

A LIBERVAVE SEGUNVO A CR!TICA VA RAZÃO PRÃTICA

A Crítica da Razão Prática supõe, de um modo


geral, as conclusões da primeira Crítica, embora, sob 」・セ@
tos aspectos, represente uma evolução do pensamento kanti
ano. Esquematicamente, os resultados mais significativos
da Crítica da Razão Pura, para o estabelecimento da ordem
prática, são os seguintes: a limitação da nossa faculdade
de conhecer aos objetos da experiência, e, consequentemen
te, a ilegitimidade atribuída a qualquer pretensão ao co-
nhecimento do supra-sensível. No ・ョエセッL@ o ーイセゥッ@ Kant
atenta para o fato de que essa mesma experiência supõe ヲセ@
cu1dades que a ultrapassam - o entendimento e a -
razao.
Kant assegurou ã razão uma validade e um conteúdo absolu-
tamente originais: a razão, em relação ao conhecimento es
pecu1ativo, e a faculdade アオ・セG」ッョ、コ@ ã unidade as regras
"
d o enten d 1mento, su b or d"1nan d o-as a pr1nc1p10s.
" .. " ,,1 -
A razao
ê a faculdade do , universal e da organização; corresponde
a necessidade de sistematização perfeita. Com t3is carac-
terísticas, e a faculdade capaz de fornecer o princípio
gerador da lei moral, que se define pela ideia de uma lei
prática universal. A razão não e apenas エ・セイゥ」。L@ mas iam
bem prática, quer dizer, produtora da realidade objetiva.
A Crítica da Razão Pura estabeleceu ainda a possibilidade
ャセァゥ」。@ do conceito de liberdade, mostrando que não há con
tradição em conceber, ao mesmo tempo, a necessidade das
leis naturais e a liberdade, como independência em face
dessas mesmas leis, num mesmo ser, o homem, desde que es-
te seja considerado dotado dum duplo caráter - sensível e
"
1nte 1191ve
"" 1•2

Estes resultados são extremamente importantes


para a compreensão da concepção de liberdade apresentada
I
na Crítica da Razão Prática. Kant os retoma,
mente, para justificar esta concepção, ao mesmo tempo que
constante-
I
,
I
I
,
158

セィ・ウ@ busca, na ordem pratica, novas 」ッョヲゥイュ。￧セ・ウN@ -!

Alem disso, a segunda Crítica supoe o conceito


de liberdade estabelecido nos Fundamentos. Com efeito,
I
quando, a partir daí, Kant concebe claramente o princípio
t
da autonomia da vontade, apenas entrevisto na
Razão Pura, chega às suas últimas conseqUências, identifi
cando a liberdade com a autonomia. Esta idéia de liberda-
Crítica da
I r
I
de, como o acordo da vontade com a lei de sua própria ra- I
zao, concebida como legisladora universal, não aparece 。セ@ J
tes dos Fundamentos. Na Crítica da Razão Pura, conforme
ja mostramos, a idéia de liberdade aparece, ao nível da I
terceira antinomia, como um problema cosmológico
dendo a uma exigência da razão especulativa, na busca
totalização do conhecimento, que exigia o
respon-

incondicionado
da I !
セ@

para toda a série de condições dadas no mundo empírico. A


liberdade é, então, uma idéia transcendental que a razao
! r
especulativa colocava problematicamente, como nao impossI
vel de pensar, sem afirmar sua realidade objetiva. A ーッセ@
I
セ@
r
sibilidade lógica do conceito de liberdade é estabelecida
na medida em que Kant demonstra que este conceito não con
tradiz o mecanismo das leis naturais. Por outro lado,
Ir
Kant aborda ainda a questão da liberdade pratica, ora ヲオセ@
dando-a na liberdade transcendental (Dialética), era con-
siderando-a independente dela (Metodologia).
negativo, essa liberdade é entendida como a independência
Em sentido
I
da vontade em relação aos acontecimentos do mundo empíri-
co; em sentido positivo, é a faculdade de começar, por si
mesma, uma série de acontecimentos. A liberdade pratica,
conforme a formulação da Crítica da Razão Pura, é, em úl-
tima analise, a liberdade noumenal, que é a liberdade pró
pria ao sujeito dotado de livre arbítrio, ou seja, do po-
der dese determinar a agir segundo uma regra universali-
zada pela própria razão. Que esta regra seja determinada
por condições empíricas ou pela lei moral, ainda assim,
e o poder de escolha que caracteriza a vontade, que, em
qualquer das hipóteses, esti セゥョ」オャ。、ッ@ à razao como facul
dade universalizadora. Com efeito, a vontade, mesmo アオ。セ@

I
I
i
159

do e determinada ・ューゥセ」。ョエL@ nem ーッセ@ iss.o, ê ゥイ。」ッョセ@


pois so o ser racional e capaz de representar, numa regra
de ação, os estímulos da sensibilidade ou do mundo empíri-
co, ou, no caso de uma vontade pura, tomar, como mobi1, a
pura forma da lei. Quando Kant concebe, nos Fundamentos,
a liberdade como o poder de agir conforme -a lei moral,
identificando a livre escolha com a escolha moral, coloca-
se, pois, numa outra perspectiva que a da Crítica da Razão
Pura. Segundo Alquie, adotando o metodo de análise イ・ァセ@
siva na primeira e segunda seções desta obra, Kant so po-
dia chegar ã liberdade, como a uma pura exigência. Na Crí-
tica da Razão Ifrát:ica,o me todo adotado e o sintetico, que,
não se limitando a uma pura análise de conceitos, pode nos
colocar diante do real. セL@ por isso, que o estudo distin-
guirá várias formas de liberdade enquanto, nos Fundamentos,
3
a liberdade se reduz ã autonomia.

Não se poderia, aqui, falar duma mudança de po-


sicionamento do filosofo, ou mesmo duma incoerencia de sua
doutrina da liberdade, uma vez que Kant reune - estes dois
conceitos numa mesma obra, a Crítica da Razão Prática, e,
mais. ainda, acrescenta-lhes uma terceira abondagem, quando
fala da liberdade como um postulado da razão prática. セ@

preferível pensar, pois, que, no pensamento kantiano, es-


sas três concepções possam coexistir, e, mais, sejam neces
sárias ã coesao do sistema. Vejamos em que medida êpossí
vel adotar esta posição, em face das diferentes ゥョエ・イーセ@
ções do pensamento kantiano.

A Crítica da Razão Prática pretende assegurar


ao conceito de ャゥ「・イ、。セオュ@ realidade objetiva, determi-
nando-o positivamente. セ@ o que aparece no Prefácio, quan-
do Kant diz "que o c.onc.eLto de l-i.beJLdade, enquanto .6ua jl・セ@
l-i.dade セ@ pJLovada pOJL uma le-i. apodZt-i.ca da JLazio pJLit-i.ca,
con.6t-i.tu-i. o 6undamento de todo o ed-i.6Zc-i.o de um .6-i..6tema da
JLazio pUJLa e me.6mo da JLazio e.6peculat-i.va".4 Com efeito,
só a razao pura pode ser pratica, como se verá mais adian-
te, e, neste caso, só uma lei, com as características da
lei moral, poderia manifestar sua realidade, ou seja, a re
160

«lidade do que i posslvel pela liberdade. Por outro lado,


a razao especulativa, que, na sua exigência do ゥョ」ッ、セ@
nado, nio podia proceder, senio problematicamente, recebe
uma determinaçio positiva, e a segurança de que pode le-
var a bom termo sua tarefa cognitiva,não permanecendo numa
-
regressao infinita, que era o que lhe restava, caso a rea
lidade da liberdade nao fosse provada. -
A prova da liberdade e dada a ーセッL@ - po-
e nao
deria ser de outra maneira, uma vez que nio se trata de
um copceito ・ューゥセ」。ョエ@ determinado. Kant critica a ーイセ@

tensio de demonstrar a liberdade por via psicológica. "Um


tal metodo, apesar das aparências de que se reveste, às ve
zes, permanece, no fundo, sempre puramente emp1.r1.co,
. . e
não pode consagrar, no làgar da verdadeira liberdade, se-
- • - .• 11 5
nao uma 1.lusao de l1.berdade. Segundo Kant, a verdadeira
necessidade objetiva só existe nos julgamentos a ーセッL@
"Vum ーセᅳQcNzo@ da ・クーセ↑ョ」N。L@ diz ele, アオ・セ@ a ne エセ。@
」N・セィ、。@ e, c.om ela, アオ・セ@ 」NッョV・セ@ a um julgamento a
カ・セ、。@ オョセカ・。ャ、@ (hem a qual não há セ。」NッzョL@
nem mehmo セ。」Nッzョ@ ーッセ@ 。ョャッァセL@ uma vez que a 。ョャッァセ@
- e , ao menOh, uma ョ・」Nィセ、。@ ーセ・ィオュ、。L@ uma ョ・」Nィセ、。@
ッ「ェ・エセカ。L@ e, ーッセ@ 」Nッョィ・アオ↑セ。L@ hupõe ィ・ューセ@ a カ・セ、。@
オョセカ・ィ。ャ、I@ e uma 」Nッョエセ。、￧ ̄@ ・カセ、ョエBNV@ As generali
zaçôes empíricas, embora possam ter a aparência de オョゥカ・セ@
sal idade, tlnão repres en tam a verdadei ra. uni ver s a lidade,
uma vez que nio satisfazem à prova do verdadeiro acordo
com o objeto; só o valor objetivo constitui a base de um
. - . ..7 to; •
acordo un1.versal e necessar1.o. セ@ por 1.SS0 que, para
Kant,"o conceito de liberdade exige, para ser definido e
objetivado, a união das duas especies de razao; - -
e - uma
ideia transcendental, praticamente verificada e realizada
quer dizer, que não pode ser tratada senio por procedimen
,
tos racionais !8 "A ャセ「・、。@ ê a オョセ」N。@ de toda6 ah セ、↑。ィ@
da セ。コ ̄ッ@ ・ィー」Nオャ。エセカL@ c.uja ーoィセ「ャ、。・@ e 」Nッョィ・セ、。@ a
ーセッL@ ーッセアオ・@ ê a 」Nッョ、セ ̄@ da ャ・セ@ ュッセ。ャL@ que c.onhec.e
mOh".9 Assim, a liberdade que, na Crítica da Razão pオイセ@
SDI podia ser pensada, adquire realidade objetiva, ainda
que apenas para o uso prático. E essa realidade é conhe-
cida por um fato, o fato único da razão pura - o fato mo-
ral. A lei moral e a セ。エゥッ@ ・ッァョセ、ゥ@ da liberdade - sem
ela, o seu conceito, ainda que possivel, permanece ゥョ、・エセ@ í
I

I,
minado. Por outro lado, a liberdade e a セ。エゥッ@ ・セョ、ゥ@ da
lei motal, porque, se não houvesse a liberdade, a lei mo-
ral não existiria absolutamente em nós. IO Voltaremos a es- f
te ponto mais adiante.

Como observa Alquie, Kant coloca-se, aqui, numa !


outra perspectiva, não só em relação à Critica da Razão Pu
ra, mas tambem em relação aos Fundamentos. Nestes, 」ッョウゥ、セ@
rava o imperativo categórico simp'lesmente como possivel, e
I f
colocava em sua dependência a afirmação da liberdade (se
f
há um imperativo categórico, e preciso que haja liberdade).
Agora, na Critica da Razão Prática, Kant afirma: há uma
lei moral; há, pois, liberdade.
tre as duas obras e assinalado por Alquie, uma vez que, na
Uma especie de hiato en-
I f
Crítica da Razão Prática, Kant 」セョウゥ、・イ。@ como real o que,
nos Fun d amentos, era conS1'd era d o apenas como h"1potet1co.
Com efeito, a Critica da Razão Prática parece partir
pressuposto de que há leis práticas.
-. Ir

"Esta pressuposição
do I
I
não deve ser, entretanto, confundida com uma simples acei-
tação, sem provas, da existência do 'dever." t o que afirma
Delbos, que considera uma tal pressuposição justificada,
no pensamento kantiano, por dois tipos de considerações:
"a ーセゥュ・。@ e: que, eomo ele dizia, na gセ。ョ、ャ・ァオL@ toda
eoilJa da
、・ゥセ。@
tailJ eomo lJã.o N、・エセュゥョ。ャj@
ーセッ・、@
ョ。エオセ・コ@
da セ。コ ̄ッ[@
age lJegundo leilJ,e que toda lei カ・セ、。ᆳ
a lJegunda, e: que alJ leilJ エ・£セゥ。ャjL@
pela cセQNエゥ・。L@ nao podem ャj・セ@
!
aplieadalJ, lJenã.o ーッセ@ abulJo, ao アセ・@ não e dado numa intui-
çã.o, ao que lJá pode ャj・セ@ ーセッ、オコゥ@ ーッセ@ uma vontade. LeilJ
ーセ ̄エゥ・。ャj@ hã.o, ーセゥュ・ッL@ leilJ, num lJentido オョゥカ・セャj。@ e セ。ᆳ
eional da ー。ャカセL@ leilJ , em.euja 6alta, lJá ィ。カ・セゥ@ ャオァ。セ@
ー。セ@ o aealJo, アオ・セ@ 、ゥコ・セL@ ー。セ@ o 。セ「ゥエ ̄ッ[@ e elalJ lJã.o,
em lJeguida, ーセ ̄Nエゥ・。VL@ no lJentido de que lJe セ・ャ。ゥッョュ@ 、ゥセ・@
tamente ã vontade eomo tal, アオ・セ@ ã 6aeuldade de
。ァセ@
" lJegun d o ーセョ・oャjN@ ' -r. " 12 .
Vejamos
、ゥコ・セL@
.
em que cons1ste esse
I{
i
!
}
I
162l セ@
I

uso prático da razao.


dos princípios determinantes da vontade,
No uso prático, a razao
"que セ@
se
um ーッ、・セ@
ocupa !
,l
de ーセッ、オコゥ@ ッ「ェ・エセ@ ・ッセーョ、エィ@ ゥセ@ セ・ーョエ。￧[ィL@ ou I!
de ・@セ 、・エセュゥョ。@ a セゥ@ ュ・セッ@ a セG・。ャゥコ@ ・セエィ@ ッ「ェ・エセL@ Hアオ・セ@

エ・セュゥョ。@
o ーッ、・セ@ 6Zhieo セ・ェ。@
hua ・。セャゥ、NBu@
セオVゥ・ョエ@

precisa ser provado, ou seja, e preciso provar que a razão


Este
ou não),
uso
アオ・セ@
prático da
、ゥコ・セ@ de
razão
de
I
pura pode ser a causa determinante da vontade, independen-
te das condições empíricas. A prova e dada mediante o con
ceito de liberdade, que manifesta, no homem, o poder prát!
co da razão, não de uma razão prática em geral, mas de uma I
razão pura prática, ou seja, de uma razao
Kant condena o uso transcendente da razão prática, porque,
incondicionada,
I
í
neste caso, a razão não seria pura, mas determinada por
condições empíricas. Se, aqui, o empirismo e rejeitado, e
porque e, "inevitavelmente, dogmático; do ponto de vista te
õrico, observa Delbos, a experiência, considerada como o
lugar único e necessário de aplicação dos conceitos inte-
lectuais, e apenas o conjunto dos fenômenos sensíveis, e
uma experiência criticada e que tem as condições da possi-
.1l.-
bilidade do entendimento; que, ao contrário, se procure,
na experiência, um princípio de determinação para a vonta-
de, se e forçado a concebê-la, a esse respeito, como uma
coisa em si, que, por sua ação previa, atinge a faculdade
. - ',,14 na
leg1sladora da razao. Assim como Kant condenava,
Crítica da Razão Pura, o uso transcendente da razão teóri-
ca (que conduz a uma metafísica dogmática), consistindo em
buscar, fora da experiência, objetos supra-sensíveis, em
materia prática, condena, igualmente, o mesmo uso transcen
dente da razão, que consistiria em usar determinações empí
r1cas para construir um objeto, com o caráter 、セ@ uma coisa
em si, de que deveria depender o exercício da vontade. Na
primeira Crítica, o que e visado e o dogmatismo metafísico;
na segunda, as doutrinas da heteronomia da vontade. Só o
uso imanente da razão e, pois, em qualquer caso, legítimo.
Em Se tratando da ordem prática',' á razão utiliza a categoria d:a
causalidade, aplicando-a, não ao sujeifo empírico, mas ao
sujeito inteligível, e isso e o que se pode chamar a lei
164
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da causalidade pela liberdade. o uso supra-sensível das !


categorias, cuja "legitimidade foi demonstrada do
de vista pratico, o que significa que "um obje..to lhe.ll pe.IL-
ponto
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.te.nde. e.m .todo lugalL, pOILque. all c.a.te.goIL.<.M e.ll.tã.o c.onüdall a
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