AO JUÍZO DA ....ª VARA DO TRABALHO DA CAPITAL DO ESTADO DO AMAZONAS.
Processo nº XXXXXXX-XX.2021.5.11.XXXX
Reclamante: Hermione Jean Granger
Reclamada: Dedos de Mel
HERMIONE JEAN GRANGER, já devidamente qualificada nos autos em epigrafe, por meio
de seus advogados subscritos, com endereço profissional em Rua ........, nº ..., Bairro: ......... –
Manaus/AM, com endereço eletrô nico ............., onde poderá receber intimaçõ es e
notificaçõ es, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, oferecer a presente
CONTRARRAZÕES AOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
oposta pela Reclamada sob Id nº 69c2dae, pelos fundamentos fá ticos e jurídicos que a
seguir :
DA TEMPESTIVIDADE
Mediante despacho sob Id nº 1509f05, na qual:
DESPACHO
-Considerando a oposiçã o de Embargos de Declaraçã o (id).
(69c2dae), pela parte reclamada, DECIDO:
À manifestação da parte contrária, querendo, no prazo legal, sob pena de preclusão;
A recorrida teve ciência da oposição dos embargos de declaração no dia
28/07/2021 (quarta-feira) por meio de publicação, iniciando no dia 29/07/2021
(quinta-feira) e finalizando no dia 04/08/2021 (quarta-feira), dentro do prazo
previsto no artigo 897 - A da CLT para oferecimento de contrarrazões aos
embargos de declaração.
Considerando a data desta petiçã o, e a data do r. despacho, estando totalmente tempestiva
a presente contrarrazõ es.
SÍNTESE DA DEMANDA
Na data de 12 de julho de 2021 este juízo ao sentenciar a presente Reclamató ria, entendeu
em julgar PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos iniciais, na qual, julgou em declarar a
rescisã o indireta do contrato de trabalho e condenar a empresa DEDOS DE MEL à proceder
à baixa na CTPS da reclamante, fornecimento da chave de conectividade, guias do seguro -
desemprego, e ainda, condenar ao pagamento de:
III - C O N C L U S Ã O
Isto posto, nos autos da Reclamaçã o Trabalhista promovida pela reclamante HERMIONE
JEAN GRANGER em face da reclamada DEDOS DE MEL, decido:
I – rejeitar a preliminar lançada em defesa pela reclamada;
II - pronunciar a prescriçã o da pretensã o do autor quanto aos créditos anteriores a
26/10/2015, incluindo FGTS, ficando extinto o feito, no particular, com resoluçã o do
mérito, nos termos do art. 487, inciso II, do CPC/2015; e, no mérito propriamente dito,
III – julgar PROCEDENTES EM PARTE os pedidos deduzidos na inicial para condenar a
reclamada a pagar ao reclamante a quantia de R$28.889,07, a título de:
1. Saldo de salá rio 30 dias (nos limites do pedido): R$2.553,30;
2. Aviso prévio 69 dias: R$ 6.308,67;
3. Férias proporcionais +1/3 (8/12): R$2.438,13;
4. 13º salá rio proporcional (9/12): R$ 2.057,17;
5. FGTS dos meses faltantes (8%): R$8.004,48;
6. Multa de 40% do período laboral: R$7.527,32;
(...)
Ocorre que, data vênia, a r. decisã o nã o possui omissã o, logo, nã o deve ser reformada,
conforme as razõ es de fato e de direito a seguir narradas:
DO NÃO CABIMENTO DOS EMBARGOS
Considerando a nítida intençã o de rediscurtir a matéria, os embargos opostos devem ser
sumariamente rejeitados, pela inadequaçã o da via eleita.
Os embargos declarató rios podem ser opostos exclusivamente para fins previstos em lei,
conforme art. 897 – A da CLT e art. 1022 do CPC, in verbis:
Art. 897-A - Caberã o embargos de declaraçã o da sentença ou acó rdã o, no prazo de cinco
dias, devendo seu julgamento ocorrer na primeira audiência ou sessã o subseqü ente a sua
apresentaçã o, registrado na certidã o, admitido efeito modificativo da decisã o nos casos de
omissã o e contradiçã o no julgado e manifesto equívoco no exame dos pressupostos
extrínsecos do recurso.
Art. 1.022 - Cabem embargos de declaraçã o contra qualquer decisã o judicial para:
I – esclarecer obscuridade ou eliminar contradiçã o;
II – suprir omissã o de ponto ou questã o sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou
a requerimento;
III – corrigir erro material.
No presente caso, inexistem qualquer omissã o conforme aponta a embargante, posis a
decisã o rebateu pontualmente cada um dos argumentos trazidos na exordial, nã o sendo o
caso para cabimento dos embargos, conforme precedente sobre o tema:
EMBARGOS DECLARAÇÃ O – obscuridade, contradição e omissão inexistente efeito
infringente inadmissível na espécie – embargos rejeitados (TJSP; Embargos de
Declaraçã o Cível 1016835-03.2018.8.26.0071; Relator (a): André Luis Bicalho Buchugnani;
Ó rgã o Julgador: 2ª Turma Cível; Foro Central Cível – 16ª Vara Cpivel; Data de Julgamento:
23/06/2019; Data de Registro: 23/03/2019)
EMBARGOS DECLARAÇÃ O OPOSTOS PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO – AUSÊ NCIA
DE MENÇÃ O DOS DISPOSITIVOS DE LEI QUE NÃ O TERIAM SIDO VENTILADOS EMBARGOS
DECLARAÇÃ O – CONTRADIÇÃ O – VÍCIO INEXISTENTE – NÃ O MERECE ACOLHIMENTO
EMBARGOS DE DECLARAÇÃ O CUJO Ú NICO OBJETIVO É A REDISCUSSÃ O DA TESE
DEFENDIDA PELO EMBARGANTE, COM VISTAS À MODIFICAÇÃ O DA DECISÃ O –
EMBARGOS REJEITADOS (TJSP; Embargos de Declaraçã o Cível 1001921-
78.2017.8.26.0390; Relator (a): Lucila Toledo; Ó rgã o Julgador: 15ª Câ mara de Direito
Privado; Foro de Nova Granada – Vara ú nica; Data de Registro: 18/12/2019)
EMBARGOS DE DECLARAÇÃ O. OMISSÃ O. INEXISTÊ NCIA . PREQUESTIONAMENTO.
RECURSO MANIFESTAMENTE PROTELATÓ RIO. MULTA. 1. Não se acolhem os embargos
de declaração quando o embargante não comprova a existencia, na decisão
embargada, da omissão alegada. 2. O pedido de prequestionamento de dispositivos
legais nã o coincide com o objetivo de corrigir vícios, pró prios doss embargos de declaraçã o.
3. Impõ e - se a aplicaçã o da multa prevista no § 2º do art. 1.026 do Có digo de Processo Civil
quando os embargos de declaraçã o sã o manifestamente protelató rios (TRF -4 – AC:
50487829120164047000 PR 5048782-91.2016.4.04.7000, Relator: RÔ MULO PIZZOLATTI,
Data de Julgamento: 10/04/2018, SEGUNDA TURMA)
EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃ O NA APELAÇÃ O CÍVEL. AUSÊ NCIA DOS VÍCIOS
DESCRITOS NO ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃ O E ERRO MATERIAL. INOCORRÊ NCIA.
PRETENSÃ O DE REDISCUSSÃ O DA MATÉ RIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE. RECRUSO
DESPROVIDO. 1) Não padece de qualquer vicio o Acordão que demosntra de forma
clarae coerente os motivos que ensejaram a decisão, ora vergastada. 2) O que se
verifica, na realidade, é o intento da Embargante de rediscurtir a matéria já
analisada e decidida, porque inconformada com o resultado do julgamento da
apelação, o que é vedado nesta via recursal. Recurso conhecido e desprovido. (TJ-ES –
ED: 00005368320148080046, Relator: JORGE DO NASCIMENTO VIANA, Data de
Julgamento: 08/05/2017, QUARTA CÂ MARA CÍVEL, Data de Publicaçã o: 19/05/2017)
Note-se que a Embargante nã o fundamenta os embargos opostos em nenhuma das
hipó teses previstas no dispositivo legal supracitado. Ao revés, alega tã o-somente que o
Juízo errou ao acolher as alegaçõ es apresentadas pela reclamante. Pleiteia, expressamente,
rediscutir, em sede de embargos de declaraçã o, a matéria fá tica e jurídica já apreciada pela
decisã o que deferiu o pleito de saldo de salá rio.
Razã o pela qual, devem ser REJEITADOS OS PRESENTES EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
opostos pela reclamada.
DO MÉRITO DOS EMBARGOS
Nã o obstante o descabimento da propositura dos embargos, cumpre trazer os seguintes
esclerecimentos:
I - DO SALDO DE SALÁRIO
A embargante aduz que a sentença foi omissa ao deixar de observar a documentaçã o sob Id
nº fe02a03, na qual, alega que existe a comprovaçã o do pagamento do saldo de salá rio
através do contracheque e da guia de comprovante de depó sito bancá rio do valor referente
ao contracheque.
Ocorre que, a reclamada apenas realizou a juntada de listagens de crédito (Id fe02a03) e
contracheque sem assinatura, na qual, nã o servem como prova de pagamento.
Posto que, a prova do pagamento de salá rios deve ser feita com recibo assinado pelo
empregado ou por meio de comprovante de depó sito em conta de titularidade do
trabalhador, com a devida identidade de valores.
Uma vez que, a prova do pagamento dos salá rios deve ser feita pelo empregador, mediante
a apresentação de recibo assinado pelo empregado, conforme os termos do art. 464 da
CLT, art. 818 da CLT c/c art. 373, II do CPC, in verbis:
Art. 464 - O pagamento do salá rio deverá ser efetuado contra recibo, assinado pelo
empregado; em se tratando de analfabeto, mediante sua impressã o digital, ou, nã o sendo
esta possível, a seu rogo.
Parágrafo único. Terá força de recibo o comprovante de depó sito em conta bancá ria,
aberta para esse fim em nome de cada empregado, com o consentimento deste, em
estabelecimento de crédito pró ximo ao local de trabalho.
Art. 818. O ô nus da prova incumbe: (Redaçã o dada pela Lei nº 13.467, de 2017)
(...)
II - ao reclamado, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do
direito do reclamante.
Art. 373. O ô nus da prova incumbe:
(...)
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do
autor.
Assim, a comprovaçã o do pagamento dos salá rios há de ser feita por meio de recibos ou
comprovantes de depó sitos bancá rios, ausentes tais documentos, cuja juntada competia a
reclamada, deve prevalecer a remuneraçã o informada na exordial e julgada procedente na
sentença.
Em virtude que, as fichas financeiras sã o meros documentos unilaterais, os quais nã o
substituem os recibos, que devem ser conferidos e assinados pelo empregado.
Cumpre ressaltar os entendimentos jurisprudenciais que seguem:
PAGAMENTO DE SALÁRIOS E VERBAS TRABALHISTAS. PROVA DOCUMENTAL. A prova
do pagamento de salá rios e verbas trabalhistas é feita por meio de recibos assinados pelo
empregado, conforme dispõ e o art. 464 da CLT. (TRT-3 – RO: 00107401220195030044 MG
0010740-12.2019.5.03.004, Relator: Cesar Machado, Data de Julgamento: 24/06/2021,
Sexta Turma, Data de Publicaçã o: 24/06/2021).
SALÁRIOS EM ATRASO. RESSARCIMENTO. PROVA DO PAGAMENTO. A prova do
pagamento do salá tio é a escrita, sendo ô nus do empregador, conforme expressamente
prescreve o art. 464 da CLT. A ausência de comprovantes do pagamento, impõ e ao
empregador a obrigaçã o de provar por outros meios seguros a sua realizaçã o. E a ausência
de provas, autoriza o acatamento da alegaçã o de inexistência do seu pagamento. (TRT18,
RORSum – 0010092-69.2020.5.18.0241, Rel. EUGENIO JOSE CESARIO ROSA, 2ª TURMA,
11/12/2020) (TRT-18 – RORSUM: 00100926920205180241 GO 0010092-
69.2020.5.18.0241, Relator: EUGENIO JOSE CESARIO ROSA, Data de Julgamento:
11/12/2020, 2ª TURMA).
SALÁRIO. QUITAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECLAMADA. RECIBO ASSINADO PELO
EMPREGADOR OU COMPROVANTE DE DEPOSITO BANCARIO. O pagamento de salá rio se
prova mediante recibo devidamente assinado pelo trabalhador ou deposito na conta
bancá ria do obreiro, nos termos do art. 464 da CLT. (TRT-1- RO: 01003524620205010281
RJ, Relator: RILDO ALBIQUERQUE MOUSINHO DE BRITO, Data de Julgamento: 26/05/2021,
Terceira Turma, Data de Publicaçã o: 05/06/2021)
Neste contexto, é a reclamada quem deve guardar prova dos pagamentos efetuados ao
reclamante, posto que diante os autos pleiteando pagamentos nã o recebidos, o ônus da
prova cabe ao empregador. A prova desses pagamentos deve ser mantida em
documento escrito.
Portanto, AUSENTE QUALQUER OMISSÃO DA DECISÃO, posto a reclamada nã o se
desincumbiu de provar o pagamento do salá rio de agosto/2020, assim, o recorrido
manifesta – se pela total improcedência do pedido de reaná lise do respectivo julgado.
DO FATO NÃO IMPUGNADO NA CONTESTAÇÃO
A embargante ao opor os presentes embargos de declaraçã o, presta – se para para suprir
omissã o quanto ao pagamento do salá rio de agosto/2020.
Todavia, quando o réu nã o apresenta contestaçã o especifica no tocante ao fato que é
alegado como fundamento da causa de pedir, presumem-se verdadeiras as alegaçõ es
expostas na petiçã o inicial, por expressa dicçã o do art. 302 do Có digo de Processo Civil.
Conforme ensina Dinamarco, “o artigo 302 do Código de Processo Civil dá por ineficazes as
inconvenientes e às vezes maliciosas contestações por negação geral, consistentes em dizer
simplesmente que os fatos não se passaram conforme descritos na inicial, mas sem esclarecer
por que os nega, nem como, na versão do réu, os fatos teriam acontecido”.
Cumpre ressaltar os entendimentos jurisprudenciais que seguem:
AUSÊ NCIA DE CONTESTAÇÃ O. PRESUNÇÃ O DE VERACIDADE DOS FATOS NARRADOS
PELO AUTOR. CPC/15:341: “Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre
as alegações de fato constantes da petiçã o inicial, presumindo-se verdadeiras as
alegações não impugnadas, salvo se: I – nã o for admissível, a seu respeito, a confissã o; II –
a petiçã o inicial nã o estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da
substancia do ato; III – estiverem em contradiçã o com a defesa, considerada em seu
conjunto. Pará grafo ú nico. O ô nus da impugnaçã o especificada dos fatos nã o se aplica ao
defensor pú blico, ao advogado dativo e ao curador especial”. (TRT- 1 – RO:
00112420620135010047 RJ, Relator: JOSE ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA, Data de
Julgamento: 19/06/2018, Oitava Turma, Data de Publicaçã o: 24/07/2018)
ALEGAÇÃO AUTORAL NÃO IMPUGNADA ESPECIFICADAMENTE NA CONTESTAÇÃO
VERACIDADE DOS FATOS – PRESUNÇÃO RELATIVA (ART. 341 DO CPC)– NECESSIDADE
DE COTEJO COM AS DEMAIS PROVAS CARREADAS AOS AUTOS I – A presunçã o de
veracidade dos fatos afirmados pelo autor, nã o impugnados pela defesa, nã o é absoluta e
ceder se o julgador se convencer do contrá rio ante a avidencia dos autos, CPC, art. 341. II –
No caso em testilha, porém, a prova documental indicada pela recorrente como capaz de
infirmar a presunçã o emergida de sua inércia impugnativa nã o se refere ao mesmo fato,
pelo que estério para controverter a alegaçã o autoral. III – Recurso conhecido e
parcialmente provido. (TRT-1- RO: 01010579020185010062 RJ, Relator: EVANDRO
PEREIRA VALADAO LOPES, Data de Julgamento: 30/04/2019, Quianta Turma, Data de
Publicaçã o: 14/05/2019)
Logo, a contestaçã o apresentada pela embargante foi genérica, nã o impugnando
especificadamente os fatos alegados na inicial nem apresentando contraprovas aptas a
desconstituírem os pedidos iniciais, descumprindo o disposto no art. 300 do CPC, motivo
pelo qual foi correta é a condenaçã o no saldo de sla´rio de agosto/2020 inadimplidas, pois
nã o há ressalva legal quanto ao seu pagamento.
Ademais, a ú nica alegaçã o recursal presente na pretensã o de afastamento da condenaçã o é
que o juízo foi omisso ao julgar o saldo de salá rio, nã o tendo base de sustentaçã o, assim, a
recorrente nã o consegue demosntrar, de forma analítica, em que sentido tal decisã o teria
afrontado os dispositivos e as circuntancias que identificam ou assemelham os casos
confrontados em seus embargos.
Todavia, a via recursal eleita nã o tem aptidã o para outorgar efeito modificativo do julgado,
de modo que assim eventual desacerto da decisã o ou simples inconformismo da parte deve
ser deduzido por meio do instrumento idô neo.
Portanto, AUSENTE QUALQUER OMISSÃO DA DECISÃO, posto a reclamada nã o
apresentou contestaçã o especifica no tocante ao fato que é alegado como fundamento da
causa de pedir, assim, presumindo - se verdadeiras as alegaçõ es expostas na petiçã o inicial,
no que tange ao pagamento do salá rio de agosto/2020, assim, o recorrido manifesta – se
pela total improcedência do pedido de reaná lise do respectivo julgado.
DA SUFICIENTE FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO
Sustenta a recorrente que, mesmo instado a tanto, o julgador deixou de se manifestar
acerca da alegada comprovaçã o de pagamento do saldo de salá rio de agosto/2020.
Ocorre que tal argumento, demonstra, tã o somente o objetivo de rediscutir a matéria sob
sua ó tica, com o intuito de renovaçã o da aná lise da controvérsia.
Cabe destacar que o art. 489 do CPC dispõ e exclusivamente o dever do julgador de
enfrentar as questõ es que sejam capazes de influenciar na conclusã o adotada na decisã o
recorrida, como adotado no presente caso.
Conforme reiterados, entendimento das Cortes Superiores, nã o há de fale omissã o, quando
restam analisadas as questõ es pertinentes ao litigio , sendo DISPENSÁVEL que o julgador
venha a examinar uma a uma das legações e fundamentos apresentados pelas partes.
Desta forma, nã o viola os princípios da fundamentaçã o da decisã o e prestaçã o jurisdicional,
a decisã o que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos
trazidos pelo vencido, adota fundamentaçã o suficiente para decidir de modo integral a
controvérsia.
Neste sentido, confirma a jurisprudência dominante sobre o tema:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃ O NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. VÍCIOS
INEXISTENTES. MERA REDISCUSSÃ O. DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS.
PREQUESTIONAMENTO. NÃ O CABIMENTO. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Apenas se
admitem embargos de declaraçã o quando evidenciada deficiência no acó rdã o recorrido
com efetiva obscuridade, contradiçã o, ambiguidade ou omissã o, conforme art. 619 do CPP.
2. Existindo fundamentaçã o idô nea, nã o se pretsam os embargos de declaraçã o a
rediscussã o do aresto recorrido, quando revelado mero inconformismo com resultado do
julgamento. 3. O julgador nã o está obrigado a responder a todas as questõ es suscitadas
pelas partes quando já encontrado motivo suficiente para proferir a decisã o, nã o servindo
os aclaratorios para rediscussã o do julgado. 4. Nã o cabe a esta Corte manifestar-se, em
embargos de declraçã o, ainda que para fins de prequestionamento, sobre suposta afronta a
dispositivos da Constituiçã o Federal, sob pena de usurpaçã o da competência do Supremo
Tribunal Federal. 5. (...). 6. Emabrgos de declaraçã o rejeitados. (STJ , ED cl no AgRg no HC
520.357/ SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 10/12/2019, DJe
12/12/2019) PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. CONTRATO DE FACTORING. ALEGAÇÕ ES DE
NULIDADE. RECURSO ESPECIAL NO ACÓ RDÃ O. INEXISTÊ NCIA. I – Na origem trata-se de
açã o declarató ria de nulidade de ato jurídico. (...) . Opostos embargos, foram rejeitados. Em
novos embargos alega parte embargante erro e omissã o no acó rdã o. II – Conforme
entendimento pacifico desta Corte: “O julgador nã o está obrigado a responder a todas as
questõ es suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para
proferir a decisã o. A prescriçã o trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a
jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do
julgador apenas enfrentar as questõ es capazes de infirmar a conclusã o adotada na decisã o
recorrida. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (desembargadora Convocada
TRF3ª Regiã o), Primeira Seçã o, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016” . III (...). VI –
Assim, há manifesto intento protelató rio da parte embargante. Nos termos do art. 1.026, § 2
do CPC/2015 considero manifestamente proteletorios os embargos de declaraçã o e
condeno a parte embargante a pagar ao embargado multa de dois por cento sobre o valor
atualizado da causa. VII – Embargos de declaraçã o rejeitados. ( STJ, EDcl nos EDcl no AgInt
nos EAResp 773.829/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃ O, CORTE ESPECIAL, julgado em
02/10/2019, DJe 07/10/2019, #30)
Portanto, AUSENTE QUALQUER OMISSÃO DA DECISÃO, manifestamente improcedente o
pedido de reaná lise do pedido.
DA MANIFESTA INTENÇÃO PROTELATÓRIA
O principio da lealdade processual e boa-fé deve vigorar pelanamente em qualquer atuaçã o
processual, exigindo dos litigantes o respeito aos deveres impostos elo artigo 80 do Có digo
de Processo Civil.
No presente caso, considerando dispor os presentes embargos sobre o pagamento do saldo
de salá rio de agosto/2020 constar em uma listagem, matéria perfeitamente clara na
decisã o, tem –se por inequívoca a intensã o protelató ria.
Ao sedimentar tais princípios, o CPC dispõ e em seus artigos 5º e 79º o principio da boa-fé
deve ser obedecido por todos que fazem partes do processo:
Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo
com a boa-fé.
Art. 79 - Responde por perdas e danos aquele que litigar de má -fé como autor, réu ou
interveniente.
No presente caso, quando os embargos são opostos para fins meramente
protelatórios, tem –se o enquadramento claro ao art. 80, inciso VII, bem como ao art.
1.026 do CPC, in verbis:
§ 2º Quando manifestamente protelató rios os embargos de declaraçã o, o juiz ou o tribunal,
em decisã o fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa nã o
excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa.
Nesse sentido, considerando o fim protelatório do presente, configurada, portanto a
má - fé, conforme precedentes sobre o tema:
PROCESSUAL CIVI. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REITERAÇÃO. PROTELATÓRIOS.
MULTA. 1. A parte embargante alega vício no acórdão originário, já impugnado pelos
três embargos declaratórios anteriores. 2. Estes novos embargos declaratórios
revelam-se protelatórios, incidindo, na espécie, o § 2º do art. 1.026 do CPC. 3.
Embargos de declaração não providos. (TRT-3 – Ap: 00012117720084036109 SP,
Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL LUIZ STEFANINI, Data de Julgamento:
24/09/2018, OITAVA TURMA, Dta de Publicação: e- DJF3 Judicial 1 DATA:
08/10/2018,#00)
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESPROVIDOS. MULTA PELA INTERPOSIÇÃO DE
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. Não existindo omissão a ser sanada
na decisão embargada, em que se analisou matéria arguida por inteiro e de forma
fundamentada, são absolutamente descabidos e meramente procrastinatórios os
embargos de declaração nos quais a parte visa apenas plemizar com o julgador
naquilo quie por ele já foi apreciado e decidido de maneira clara, coerente e
completa. Flagrante, pois, a natureza manifestamente protelatória dos embargos de
declaraçõ interpostos pela parte, deve ser-lhe aplicada a multa de 2% sobre o valor
atualizado da causa, nos termos dispostos no artigo 1.026, § 2º do CPC de 2015 c/c o
artigo 769 da CLT a ser oportunamente acrescida ao montande da condenação.
Emabrgos de declaração desprovidos. (TST – ED-ARR: 2016004320035020501,
Relator: José Roberto Freire Pimenta, Dta de Julgamento: 21/08/2018, 2ª Turma,
Data de Publicação: DEJT 24/08/2018,#20)
Diiante todo o exposto, requer o não recebimento dos embargos opostos, bem como
o reconhecimento do intuito meramente protelatório dos embargos.
DOS PEDIDOS
Ante as consideraçõ es supra expendidas, pugna a reclamante pelo NÃO CONHECIMENTO
dos embargos de declaraçã o opostos, tendo em vista a inobservâ ncia das hipó teses de
cabimento. Na remota e imprová vel possibilidade de conhecimento dos embargos, ora
objurgados, requer, em sede de mérito, seja NEGADO PROVIMENTO, para que mantenha,
em sua integralidade, a decisã o que deferiu o pedido de saldo de salá rio.
Requer ainda, que seja aplicada a multa do art. 80, inciso VII, bem como ao art. 1.025 do
CPC, por manifestamente protelató rios.
Assim, nã o entendendo, seja ao final desprovido.
Nesses termos,
P. e aguarda deferimento.
Manaus, 02 de agosto de 2021.
Nome do advogado
OAB/UF nº x.xxx