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AULA 1

GESTÃO DE PESSOAS E
PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL

Profª Carolina Marques de Almeida Feltrin


CONVERSA INICIAL

Desde os primórdios dos estudos da área da administração já existia uma


preocupação com a produtividade, as entregas de bens e serviços, o desempenho
e, principalmente, a eficiência e a eficácia dos resultados organizacionais. Ao
longo dessa história, vários estudiosos das áreas de administração, psicologia e
comportamento humano se voltaram aos estudos que contemplassem: a forma da
divisão do trabalho; a forma das entregas de bens e serviços, os níveis
hierárquicos e a organização dos processos e pessoas; a disciplina; o controle; e
as normas e regras de funcionamento da organização. As empresas passam a
ser vistas não apenas pelo prisma da produtividade e sob uma perspectiva
individual, mas sim em uma visão do todo, do grupo e das suas interações. Dessa
forma, o indivíduo e as suas relações com o todo passam a ter destaque no
contexto organizacional, nascendo, assim, a era do comportamento, em que
comportamento humano se torna mais reconhecido nas organizações.
Então, sob essa ótica iniciaremos nossa jornada a seguir, com o foco de
como o indivíduo tem impacto nas organizações, de como é o funcionamento
humano e sua estrutura psíquica. Com isso, estudaremos assuntos como a
psicologia aplicada à administração, o campo da psicologia organizacional, as
competências individuais, coletivas e organizacionais, os aspectos
contemporâneos do comportamento organizacional, a criação e a aplicação de
vivência em grupos, a gestão estratégica de recursos humanos, os instrumentos
de avaliação de desempenho nas organizações etc.
Convidamos você a esta aula sobre psicologia nas organizações e como
podemos atrelá-la a bons resultados. Bons estudos e sigamos juntos nesta
caminhada!

TEMA 1 – NOÇÕES GERAIS DE PSICOLOGIA

A psicologia é a ciência da alma ou o estudo da alma. Seu nome é


composto por prefixo e radical gregos:

 psique – alma, mente; e


 logos – ciência, estudo.

A psicologia, como ciência que busca compreender o indivíduo e seu


comportamento, para auxiliar na sua convivência consigo próprio e com os outros

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de seu entorno, é um conjunto de diversos domínios. Alguns psicólogos
realizam pesquisa básica, alguns fazem pesquisa aplicada e outros
prestam serviços profissionais. Em psicologia, não há um acordo na
metodologia e não há uma terminologia comum, mas sim existe uma diversidade
enorme de orientações teórico-metodológicas. O comportamento e a experiência
do homem observado e descrito pelos filósofos gregos eram vistos como resultado
das manifestações da alma. A psicologia ganhou espaço, na ciência, no final do
séc. XIX. O objeto de estudo da psicologia tem variado ao longo do tempo e sua
pré-história confunde-se com a própria história da filosofia.
Antes de 300 a.C., o filósofo grego Aristóteles teorizou sobre temas como:

 aprendizagem e memória;
 motivação e emoção; e
 percepção e personalidade.

Para que se tenha noção da extensão do campo da psicologia, eis


algumas questões, apontadas por Teles (2003), que lhe são pertinentes:

 como se dá o aprendizado?
 como acontece o desenvolvimento físico, motor, emocional, social,
intelectual da criança?
 o que são as fases da adolescência?
 que fatores influem no desenvolvimento da criança?
 o que são emoções? elas são inatas ou adquiridas?
 por que nos lembramos e esquecemos das coisas?
 como se desenvolve o pensamento?
 qual a ligação entre pensamento e linguagem?
 como se dá a resolução de problemas?
 qual a influência dos grupos sobre os indivíduos?
 como se desenvolve a personalidade?
 como se dá percepção?
 quais são os fatores responsáveis pelos diversos tipos de retardamento
mental?
 o que motiva o comportamento?
 como explicar as diferenças individuais?
 quais as causas dos desvios de comportamento?
 como atuar sobre o desajustamento?
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 qual a influência dos valores e das atitudes na percepção dos indivíduos?
 como estimular a criatividade das pessoas?

Pesquisas sobre o funcionamento do trabalho têm sido fundamentais para


o conhecimento e a transformação de algumas realidades empresariais, ao longo
do contexto histórico do trabalho e até os dias de hoje. Esses estudos, as práticas
e as vivências analisadas, nesse contexto, tendem a contribuir com um olhar mais
específico e regulador da realidade do trabalho. E é no campo da psicologia que
o trabalho tem sido considerado uma das esferas sociais mais importantes para o
ser humano, em que são examinados a forma como ele se relaciona com as
pessoas a sua volta, os processos de desenvolvimento dos indivíduos nas
empresas e as possíveis barreiras que possam vir a surgir para isso. Por exemplo,
no livro Poder nas organizações, Paz et al. abordam o fenômeno do poder
organizacional com base nas suas dimensões positivas e negativas, em alguns
marcos teóricos, contextos organizacional, grupal e individual, possíveis jogos
políticos e influência da cultura organizacional.

TEMA 2 – PRINCIPAIS ABORDAGENS EM PSICOLOGIA E SUAS APLICAÇÕES


NAS EMPRESAS

A partir da Revolução Industrial, começou-se a notar uma nova organização


do trabalho, principalmente em seu cunho econômico, voltada para a relação do
trabalho com os seus resultados e respectivas entregas. Ainda não era tão
discutida, inicialmente, a perspectiva humana, o papel pessoal, familiar ou social
desempenhado por um trabalhador e influenciado pela sua relação com a
organização. Porém, emerge com o desenvolvimento da sociedade capitalista o
fato de que o trabalho assalariado diz respeito a uma troca: entrega de resultados,
pelo trabalhador, em troca de um pagamento por isso, por parte da empresa. O
trabalho, nesse sentido, torna-se então uma forma de retenção de riquezas do ser
humano. Surge, assim, posteriormente, uma ciência que busca entender os
impactos desse processo, que é a psicologia do trabalho, a qual contribui para o
entendimento do funcionamento humano, bem como para o avanço das atividades
econômicas, diminuindo fadigas e buscando extrair o máximo da capacidade
laboral humana.
Nesse contexto, é importante entender, antes, quais são as principais
abordagens da psicologia.

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 Behaviorismo – surgiu nos EUA com John Watson (1878-1958). Foi
conhecida pela teoria S-R, ou seja, de que para cada resposta
comportamental existe um estímulo. Essa linha trabalha com o
comportamento das pessoas. O analista avalia inicialmente do que o
paciente necessita e, então, por meio de algumas técnicas, auxilia na
mudança do seu comportamento. Os teóricos dessa linha entendem que o
ser humano é suscetível à mudança de comportamento de acordo com o
ambiente em que esteja inserido. Seu foco é mais diretivo, nas atitudes. É
eficaz para pessoas que apresentam quadros de ansiedade, pânico, fobia
social, depressão, dependência química e problemas de aprendizagem.
 Gestaltismo – essa teoria propõe uma visão mais integrada, colocando em
foco mente e corpo como uma unidade, sem cisão. Ela surgiu na Europa,
na Alemanha, com Wertheimer, Köhler e Koffka, entre 1910 e 1912, e
postula a necessidade de se compreender o homem como um todo,
resgatando as relações da psicologia com a filosofia. Tem uma visão
holística do ser humano e do mundo, em que um afeta reciprocamente o
outro. Acredita que o pensar, o sentir e o agir precisam estar em sintonia e
serem respeitados, para que o indivíduo tenha saúde. Está concentrada no
aqui e agora: o terapeuta estuda o cliente nas suas ações, gestos, postura,
tom de voz e expressões faciais.
 Psicanálise – teoria elaborada por Sigmund Freud (1856-1939), que
recupera a importância da afetividade e tem como objeto de estudo o
inconsciente. Hoje, no século XXI, com os conhecimentos produzidos e
diante da complexidade e capacidade de transformação do ser humano,
ampliou-se em grande medida sua área de atuação. De acordo com Freud,
o ser humano funciona por meio de duas pulsões inatas, a sexual e a de
morte. Ele baseou toda a sua explicação nas ideias de níveis de
consciência, modelo estrutural de personalidade, mecanismos de defesa e
fases do desenvolvimento psicossexual. Durante todo o século XX, sua
obra influenciou grande parte do pensamento psicoterapêutico, além de
acentuar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento
do indivíduo. Essa abordagem busca estimular o próprio paciente a ter seus
insights, ou seja, que ele mesmo compreenda o que está acontecendo
consigo e quais vias ele pode usar para se modificar e resolver o problema
em que se encontra. As interpretações feitas pelo psicanalista durante a

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sessão propiciam autoconhecimento e transformação gradual dos
sintomas. É importante também salientar que essa é uma técnica não
diretiva, ou seja, o analista não sugere que o paciente faça isto ou aquilo.
A análise acontece com base nas associações produzidas pelo próprio
paciente.
 Psicologia analítica de Jung ou análise junguiana – Jung discorda de
algumas teorias de Freud. Seu objeto de estudo principal são os sonhos e,
pela sua metodologia, o terapeuta busca manter a conversa sempre em
torno dos problemas que levaram o paciente até ele. Para estimular a
imaginação, são utilizadas técnicas geralmente ligadas às artes, como
pinturas, esculturas, desenhos, textos escritos e caixa de areia (sandplay).
Normalmente, é indicada para quem busca autoconhecimento profundo.
 Humanismo – essa vertente se baseia na aceitação, no conceito de que
só conseguimos mudar quando assumimos para nós mesmos que existe
um problema que precisa ser tratado. Uma frase do humanista Carl Rogers
define bem esse método: “O paradoxo curioso é que quando eu me aceito
como eu sou, então eu mudo“. O humanismo acredita que toda pessoa tem
capacidade de crescimento e desenvolvimento. Para propiciar isso ao seu
paciente, o terapeuta não o direciona, mas cria um ambiente acolhedor e
empático para que o paciente possa se desenvolver no sentido em que ele
escolher e ser realmente quem é, gerando mudança e lhe proporcionando
autoconfiança. Normalmente, é um modelo indicado a pessoas que
apresentam algum tipo de vício ou comportamento autodestrutivo.
 Psicoterapia corporal ou de Reich – para Reich, o paciente apenas se
sentar diante de seu terapeuta e falar sobre seus problemas não parecia
ser a melhor solução para resolvê-los. Sendo assim, discordando de alguns
estudiosos, ele propôs o modelo da psicoterapia corporal. Essa técnica
trabalha o fato de que toda mobilização emocional gera uma reação
corporal e vice-versa. Com isso, Reich descobriu que todo distúrbio
psicoemocional está associado a distúrbios corporais. O profissional que
trabalha com esse método trata dos problemas não só mediante conversas
com seus pacientes nas sessões de terapia, mas principalmente por meio
de modificações corporais, de postura, respiração e relaxamento das
tensões nos olhos, boca, garganta, diafragma, genitais, ânus etc.

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 Terapia cognitivo-comportamental (TCC) – essa abordagem tem o seu
foco voltado para mudar pensamentos disfuncionais. A sua base teórica
vem de Aaron Beck, que mostra como cada pessoa tem um jeito de ver o
mundo e, quando adota uma forma autodestrutiva de fazê-lo, começam
a lhe aparecer distúrbios emocionais.

A psicologia contribuiu e contribui ainda com várias áreas de conhecimento,


possibilitando novas descobertas sobre o indivíduo e seu comportamento, sua
comunicação e suas interações sociais, contemplando, assim, também diferentes
campos de atuação, como:

 psicologia experimental;
 psicologia da personalidade;
 psicologia clínica;
 psicologia do desenvolvimento;
 psicologia organizacional;
 psicologia da educação;
 psicologia da aprendizagem;
 psicologia esportiva;
 psicologia forense; e
 neuropsicologia.

TEMA 3 – O SIGNIFICADO DO TRABALHO PARA O INDIVÍDUO

Crédito: Marish/Shutterstock.

Será essencial, para seguirmos em nossos estudos, analisarmos alguns


conceitos sobre o significado do trabalho para o indivíduo. Aos termos:

significado
[...]
Sentido de uma palavra, termo, frase; sentido, conceito.
Definição atribuída a um termo, palavra, frase, texto [...].
Relevância que se dá a algo [...].
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[...]
Aquilo que alguma coisa quer dizer [...]. (Significado, [20--], grifo do
original)

trabalho
[...]
Conjunto das atividades realizadas por alguém para alcançar um
determinado fim ou propósito. (Trabalho, [20--], grifo do original)

indivíduo
Ser humano; pessoa considerada de modo isolado em sua comunidade,
numa sociedade ou coletividade; o ser que faz parte da espécie humana;
o homem: os direitos do indivíduo. (Indivíduo, [20--], grifo do original)

Pois bem, como relacionamos esses conceitos com o nosso estudo? O


trabalho é uma das formas mais importantes de sociabilização do homem,
podendo contribuir para a definição de sua identidade e lhe dar sentido como
pessoa e integrante da sociedade.

Crédito: Seita/Shutterstock.

Também é por meio do trabalho que os indivíduos podem solucionar suas


necessidades e atingir seus desejos pessoais, metas e objetivos. Sendo assim
como identificar o nível de comprometimento dos profissionais para com as
organizações em que trabalham? Esse comprometimento dependerá e será
indicado por fatores como:

a. motivação do profissional para realizar ações tangíveis em benefício da


organização;
b. crença do profissional de que tem competência para executar suas
atividades e com elas obter, também, satisfação pessoal;
c. aceitação, pelo profissional, dos valores e objetivos da organização; e
d. desejo do profissional de manter-se como membro da organização.

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Crédito: Fizkes/Shutterstock.

A motivação é um estado interior que faz como que cada indivíduo assuma
determinados tipos de comportamento e que consiste basicamente no esforço que
cada um está disposto a depreender para adquirir ou alcançar algum objetivo.
Resulta, assim, de desejos, necessidades ou vontades.

Crédito: Gonzalo Aragon/Shutterstock.

Outro elemento importante é a satisfação do indivíduo com seu trabalho,


uma variável de atitude que reflete como uma pessoa se sente em relação ao
trabalho de forma geral e em seus vários aspectos particulares, como em face das
atividades desempenhadas, salário e benefícios percebidos, natureza do trabalho,
convívio com colegas e chefia. A satisfação ou a insatisfação de uma pessoa com
o seu trabalho resulta, então, de um somatório complexo de um número de
elementos nem sempre relacionados ao exercício de fato de uma dada função

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laboral e se reflete diretamente nos resultados auferidos e no clima organizacional
como um todo.

Crédito: Ra2 Studio/Shutterstock.

TEMA 4 – O INDIVÍDUO

Indivíduo consiste num ser individual, conhecido pela sua existência


única e indivisível. Este termo costuma ser utilizado como sinônimo
de cidadão, ou seja, um ser humano inserido num ambiente social.
Nas ciências biológicas, um indivíduo é todo o organismo vivo que
pertence a uma espécie, distinguindo-se dos demais devido as suas
características particulares. Já para a Sociologia e Filosofia, o indivíduo
– como sinônimo de ser humano/ cidadão – é aquele que possui
uma identidade própria que o distingue dos demais indivíduos.
[...]
Do ponto de vista das Ciências Sociais, o indivíduo é parte formadora
de uma sociedade. Esta, por sua vez, é constituída a partir do conjunto
de todas as relações sociais que os indivíduos mantêm entre si.
Assim como os indivíduos são responsáveis por formar a sociedade, a
sociedade também atual diretamente na formação do indivíduo, visto
que este, desde que nasce, deve aprender a seguir as regras e condutas
morais que são ditadas pelo ambiente social que habita. (Significado,
2017, grifos do original)

Para falarmos do indivíduo, estudaremos a constituição da personalidade,


que é objeto de estudo da psicologia e remete a elementos da psicologia
da personalidade, a área da psicologia que estuda o desenvolvimento e o
comportamento humanos. A personalidade pode ser definida como o conjunto de
características que determina padrões pessoais e sociais de uma pessoa e cuja
formação ocorre em um processo gradual, complexo e único a cada indivíduo.
Esse termo, personalidade, também é utilizado para descrever características
marcantes de uma pessoa, como extroversão, timidez etc. Contudo, esse conceito
está relacionado às nuances de habilidades, atitudes, crenças, emoções, desejos

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e ao modo particular do indivíduo de ser, perceber, pensar, sentir e agir, diante da
interferência de fatores externos, culturais e sociais.
Segundos Feist, Feist e Roberts (2015), no livro Teorias da personalidade,
personalidade é definida como “[...] um padrão de traços relativamente
permanentes e características únicas que dão consistência e individualidade ao
comportamento de uma pessoa”. Para os autores, esses traços podem ser únicos,
comuns a um grupo ou compartilhados por uma espécie toda, porém o seu padrão
se manifesta de modo diferente em cada pessoa. Embora as pessoas se pareçam
com seus familiares em alguns aspectos psicológicos, por exemplo, cada membro
da família possui uma personalidade única, seu jeito, sua individualidade (Feist;
Feist; Roberts, 2015).
Existem diversas áreas que estudam a personalidade e uma delas é a
psicanálise. Freud foi o primeiro estudioso a organizar o conceito de teoria da
personalidade, em 1896, cuja base de estudo se fundamenta no inconsciente.
Freud, considerado o pai da psicanálise, define a personalidade como algo
resultante de três sistemas, que são:

1. id;
2. ego; e
3. superego.

O id é inato (nasce com o indivíduo, é congênito) e regido pelo princípio do


prazer; exige satisfação imediata dos impulsos sem levar em conta as
consequências indesejáveis dos atos assim concebidos. O ego é uma evolução
do id, pois, apesar de empregar elementos inconscientes, como o id, funciona
muito mais em nível consciente e pré-consciente, sendo comandado, dessa
forma, pelo princípio da realidade. Logo, o ego cuida dos impulsos do id e, com
isso, muitos dos desejos dos indivíduos acabam não sendo satisfeitos, mas sim
reprimidos. Por sua vez, o superego opera com ideias derivadas dos valores
familiares e sociais, por isso ele é um sistema parcialmente consciente, que serve
como censor das funções do ego e de onde derivam sentimentos de punição,
medo e culpa. Desse modo, podemos considerar o id como sendo o componente
biológico, o ego, o psicológico e o superego, o componente social da
personalidade, todos trabalhando juntos sob a liderança do ego.
Feist, Feist e Roberts (2015) dividem as teorias da personalidade nas
seguintes ramificações:

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 teorias psicodinâmicas;
 teorias humanistas/existenciais;
 teorias disposicionais;
 teorias biológico-evolucionistas; e
 teorias cognitivas e da aprendizagem.

O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung também desenvolveu estudos sobre a


personalidade humana e partia do pressuposto da existência do consciente e do
inconsciente. Porém, para Jung, existe também o conceito de inconsciente
coletivo, que não se trata só do que vivenciamos e sim de tudo que a humanidade
já teve como experiência e que se manifesta em cada indivíduo, de alguma forma.
E foi por conta desse estudo que ele começou a ter divergências com Freud, no
que acabou, por outro lado, também sendo a sua maior contribuição para a
psicologia.

TEMA 5 – ELEMENTOS DA ORGANIZAÇÃO

Segundo Pasetto e Mesadri (2011), toda organização é constituída por três


elementos básicos:

1. Indivíduos – toda organização é composta por pessoas, seja ela qual for.
Essas pessoas levam para o ambiente das empresas suas histórias, suas
experiências, suas vivências e seus conhecimentos técnicos e
comportamentais. Por meio de suas competências, realizam as tarefas e
buscam resultados organizacionais. É relevante entender como funciona
individualmente cada profissional e como se dá a sua interação com o
grupo e a tarefa.
2. Tarefas – realizadas pelas pessoas, em uma organização, tratam-se das
atividades que requerem um conjunto de competências necessárias para o
seu desenvolvimento, com maior ou menor grau de complexidade,
podendo ser realizadas individualmente ou em grupo. São elementos
concretos e visíveis, mas a avaliação de seu desempenho pode ser
subjetivo, pois cada um entende suas realizações conforme seu próprio
modelo mental e forma de interpretar o mundo.
3. Grupos – são os responsáveis pelo desenvolvimento coletivo das tarefas,
de uma maneira estruturada e organizada.

Três aspectos dos grupos devem ser levados em consideração:


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1. a sua composição;
2. a sua natureza; e
3. as características das tarefas que realizam e como o grupo se organiza
para executá-las, ou seja, o seu funcionamento.

O essencial para o funcionamento de uma organização não são esses


elementos distintos, separados, mas sim a relação e a interface entre eles, a
conexão entre os indivíduos e seus grupos, como esses executam as suas tarefas
e que resultados tangíveis e mensuráveis obtêm.
Para tanto, alguns componentes são visíveis e outros não.

 Aspectos organizacionais visíveis – componentes facilmente


identificados e observáveis, geralmente provenientes das tarefas
desempenhadas em uma organização e que exigem conhecimento e
orientação adequada. São eles:
a. estrutura organizacional;
b. denominação e descrição de cargos;
c. rede de autoridade formal;
d. alcance do controle e dos níveis organizacionais;
e. objetivos organizacionais estratégicos;
f. políticas e procedimentos operacionais;
g. planejamento/sistema de informação;
h. políticas e procedimentos referentes ao pessoal; e
i. unidades de mensuração referentes à produtividade física e monetária.
 Aspectos organizacionais não visíveis – componentes que geralmente
não conseguimos identificar com facilidade, somente observados por
pessoas que têm os olhos preparados para notá-los, criados e orientados
também por questões emocionais dos indivíduos, tendo em vista o clima
geral e o processo social, psicológico e comportamental preponderante na
organização. São eles:
a. padrões de poder e de influência;
b. visão pessoal das competências organizacionais e individuais;
c. padrões de grupos interpessoais e de relações divisionais;
d. sentimentos e normas dos grupos de trabalho;
e. percepção da existência de relacionamentos de confiança, de abertura e
comportamentos relativos à aceitação de riscos;

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f. percepção do papel individual a se desempenhar e dos sistemas de valores
vigentes;
g. sentimentos, emoções, necessidades e desejos presentes nos indivíduos
e grupos de uma organização;
h. unidade de medida para contabilização dos recursos humanos.

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REFERÊNCIAS

FEIST, J.; FEIST, G. J.; ROBERTS, T. Teorias da personalidade. 8. ed. [S.l.]:


McGraw-Hill, 2015.

INDIVÍDUO. Dicio: Dicionário Online de Português, [20--]. Disponível em:


<https://www.dicio.com.br/individuo/>. Acesso em: 4 ago. 2021.

SIGNIFICADO. Dicio: Dicionário Online de Português, [20--]. Disponível em:


<https://www.dicio.com.br/significado/>. Acesso em: 4 ago. 2021.

SIGNIFICADO de indivíduo. Significados, 2 jan. 2017. Disponível em:


<https://www.dicio.com.br/significado/>. Acesso em: 4 ago. 2021.

TRABALHO. Dicio: Dicionário Online de Português, [20--]. Disponível em:


<https://www.significados.com.br/individuo/>. Acesso em: 4 ago. 2021.

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