EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS

Direito Processual Penal I
3º PERÍODO

Ana Patrícia Rodrigues Pimentel e Luciana Avila Zanotelli Pinheiro

PALMAS-TO/ 2006

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Fundação Universidade do Tocantins Reitor: Humberto Luiz Falcão Coelho Vice-Reitor: Lívio William Reis de Carvalho Pró-Reitor Acadêmico: Galileu Marcos Guarenghi Pró-Reitora de Pós-Graduação e Extensão: Maria Luiza C. P. do Nascimento Pró-Reitora de Pesquisa: Antônia Custódia Pedreira Pró-Reitora de Administração e Finanças: Maria Valdênia Rodrigues Noleto Diretor de Educação a Distância e Tecnologias Educacionais: Claudemir Andreaci Coordenador do Curso: José Kasuo Otsuka Organização dos Conteúdos – Unitins Conteúdos da Disciplina: Ana Patrícia Rodrigues Pimentel e Luciana Avila Zanotelli Pinheiro Equipe de Produção Gráfica Coordenação de Produção Gráfica: Vivianni Asevedo Soares Borges Diagramação: Douglas Donizeti Soares e Vivianni Asevedo Soares Borges Capas e Ilustrações: Edglei Dias Rodrigues e Geuvar Silva de Oliveira

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Apresentação
Caro aluno, neste semestre você estudará o Direito Processual Penal. Como norma processual de direito, desenvolve-se em etapas e procedimentos que garantem às pessoas conhecimentos como, a ampla defesa e o contraditório dentro do processo. Dentro da linha processual, estudaremos os princípios que norteiam o Direito Processual Penal, dando-lhes base de sustentação ao amplo e confiável andamento do processo penal. Como peça que arranja e instrui o processo penal, analisaremos o Inquérito Policial, suas fases, pressupostos e requisitos, que garantem ao Inquérito Policial seu perfeito e correto andamento. No entanto, o Processo, em regra, inicia-se com a denúncia ou com a queixa-crime, que são as peças inaugurais da Ação Penal. Ainda na linha do processo, temos a Jurisdição e a competência com regras e limites próprios que norteiam e garantem o procedimento processual penal na sua forma e pressupostos essenciais. O estudo das partes dentro do processo destaca-se pela relevância de conhecimento quanto a estrutura, deveres e direitos inerentes as mesmas, que, na busca de uma verdade para os fatos, utilizam-se dos meios de prova admissíveis em direito, a fim de provar suas alegações. Por fim, destaca-se a prisão e a sentença, aquela sendo sanção imputada ao acusado, não somente pela prática de um crime, na condenação, mas, às vezes, tem por finalidade assegurar o bom e perfeito andamento processual; esta como meio de decisão judicial a respeito da demanda analisada, suas espécies e seus efeitos.

Plano de Ensino
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CURSO: Fundamentos em Práticas Judiciárias PERÍODO: 3º DISCIPLINA: Direito Processual Penal I EMENTA Inquérito policial, princípios do processo penal, ação penal, jurisdição e competência, exceções e questões incidentais, provas, sujeitos processuais, procedimentos, prisão, liberdade provisória, atos processuais, aplicação provisória de interdições de direitos e medidas de segurança, coisa julgada. OBJETIVO GERAL Discutir e entender o Direito Processual Penal OBJETIVOS ESPECÍFICOS Entender o Direito Processual Penal, suas classificações e elementos; Analisar os processos e procedimentos penais; Identificar a ação penal, a jurisdição o órgão julgador competente; Compreender os procedimentos prejudiciais e incidentais dentro do Processo Penal; Classificar as formas de prisão e os requisitos da liberdade provisória; Compreender as decisões judiciais e a coisa julgada no Direito Processual Penal. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO TEMA 01: Contextualização do direito processual penal, origem, princípios e a natureza jurídica. TEMA 02: Inquérito policial TEMA 03: Ação penal, jurisdição e competência, exceções e questões incidentais, provas, sujeitos processuais, procedimentos e os atos processuais. TEMA 04: Prisão e liberdade provisória, aplicação provisória de interdição de direitos e medida de segurança. TEMA 05: Sentença e Coisa julgada. BIBLIOGRAFIA BÁSICA CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 13 ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2006. TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo Penal. 8 ed. rev. Atual. São Paulo: Saraiva, 1986. MIRABETE, Julio Fabrini. Código de processo penal interpretado. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2001. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 4

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AVENA, Norberto Cláudio Pâncaro. Processo Penal. São Paulo: Método, 2005. BARROS, Francisco Dirceu. Direito processual Penal. vol. I. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 7 ed. rev. ampl. São Paulo: Saraiva, 2001. DAOUN, Alexandre Jean. Resumo Jurídico de Processo Penal. vol.7. 4 ed. São Paulo: Quartier Latin, 2005. OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de Processo Penal. 6 ed. rev. atual. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. BONFIM, Edílson Mougenot. Processo Penal I: dos fundamentos à sentença. São Paulo: Saraiva, 2000. NORONHA, Edgard Magalhães. Curso de Direito Processual Penal. 28 ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

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Sumário
Tema 1 – O que é Direito Processual Penal ...................................................07 Tema 2 – Inquérito policial...............................................................................19 Tema 3 – Ação Penal, Jurisdição e Competência, Provas, Sujeitos e Procedimentos Processuais.............................................................................43 Tema 4 – Prisão e Liberdade Provisória..........................................................91 Tema 5 – Sentença e a Coisa Julgada............................................................99

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e Teoria Geral do Processo. O Estado é único titular do DIREITO DE PUNIR (Jus Puniendi). Objetivos Esperamos que. definindo crimes e cominando as respectivas sanções. seus Princípios. neste tema. Direito penal Objetivo é o conjunto de normas que regulam a ação estatal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Tema 01 O que é Direito Processual Penal? Meta da aula Apresentação do conceito de Direito Processual Penal. origem e natureza. Explicitar quais são os princípios aplicáveis e como os mesmos influem na aplicação do Direito Processual Penal. Este conjunto de normas é o que chamamos de Direito Penal Objetivo Mas quem pode fazer valer o Direito Penal Objetivo? Somente o Estado. bem como os princípios que norteiam sua aplicação no território brasileiro. Indicar como o mesmo surgiu e como é aplicado hoje no Brasil. pelo princípio da legalidade. em sua função de promover o bem-comum. 7 . tem o direito de estabelecer e aplicar essas sanções. porém. Introdução Caro aluno. ao final desta aula. Pré-requisitos Você terá mais facilidade no acompanhamento desta aula se fizer uma releitura dos assuntos estudados nas Disciplinas de Direito Penal I. que é exatamente o que chamamos de Direito Penal Subjetivo. Esse direito. você seja capaz de: • • • Definir o que é Direito Processual Penal. Direito de Punir A vida em sociedade é regida por normas de conduta sem as quais ela seria praticamente impossível. começaremos a estudar o que é o Direito Processual Penal. é limitado pelo próprio estado.

p. tem o DEVER de punir. Chamamos de Jus Puniendi o Direito de Punir do Estado! p. a pretensão que tem o Estado de punir. uma vez que é também seu dever proteger o direito à liberdade do autor do ilícito. 8 . Mirabete (2003. uma parte se opõe ao que é pretendido pela outra. é o direito que tem o Estado de recorrer ao juiz para que ele. 4) “trata-se de um direito subjetivo. com base nos dados colhidos no processo. tendo em vista a lide penal. sim. segundo Magalhães Noronha (1999. dentre outros. Pretensão Punitiva Com a prática de um Ilícito penal. já ensina que “da exigência de subordinação do interesse do autor da Infração ao interesse do Estado.” E ainda ensina o mesmo autor (MARQUES apud MIRABETE 1995. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Como bem ensina José Frederico Marques (2003. no conflito de interesses. na realidade a possibilidade. contra quem praticou a ação ou a omissão descrita no preceito primário. em prejuízo do interesse do autor do ilícito. segundo Mirabete (1995. 5) O “jus puniendi é a manifestação do poder de império do Estado. quando se opõe o titular do direito à liberdade a pretensão punitiva do Estado. resulta a pretensão punitiva” que é. decida sobre a mesma. 24) o jus puniendi pode ser definido como o direito que tem o Estado de aplicar a pena cominada no preceito secundário da norma penal incriminadora. que confere ao Estado o poder de promover a perseguição ao autor do delito”. pois este punindo exerce sua soberania. Sendo assim. somente poderá o Estado aplicar a pena prevista ao crime cometido se utilizar como instrumento o Direito de ação. é resguardar a sociedade. fazendo vigorar o seu interesse. 26) “consiste em obter o Estado do juiz a sentença sobre a lide deduzida no processo a fim de que seja aplicada a sanção penal sem a violação do direito à liberdade do autor da infração penal”. Na esfera penal. Mas o que é DIREITO DE AÇÃO? Direito de ação. é a oposição de uma pretensão à outra. O Estado não pode simplesmente aplicar uma sanção. surge um conflito de interesses entre o Direito Subjetivo de Punir do Estado e o direito à liberdade do autor da prática ilícita. têm-se a lide penal. O jus puniendi é uma manifestação da soberania estatal. mas.25). O Estado não tem apenas o Direito de punir. p. ou seja. como já vimos em Teoria Geral do Processo. pois seu dever. Ou seja. causando um dano ou lesão jurídica”. e ainda. prolatando sentença e determinando a aplicação da sanção. há lide quando. p. Lide penal Lide.

Sua finalidade é a aplicação do DIREITO PENAL OBJETIVO. p. não ferirá seu direito à liberdade. organiza os institutos e constrói. no processo penal. mas também utilizado para arbitrar os delitos de interesse privado. então. apud MIRABETE. descobrindo seu significado e lhe desenvolvendo as conseqüências. os crimes que feriam o interesse da sociedade. Havia a participação direta dos cidadãos e era um procedimento oral e público. O procedimento era iniciado por uma 9 . toma a iniciativa de garantir a observância da lei. e a estruturação dos órgãos da função jurisdicional e respectivos auxiliares” (MARQUES. Na época da Santa Inquisição o Direito Processual Penal.522) que o Direito Processual Penal surgiu na Grécia. 29) . O Direito Processual Penal é um ramo do Direito Público e possui método técnico-jurídico. ou seja. recorrendo ao Estado-juiz para. Então. pois parte da Norma Jurídica. 2004. mesmo restringindo o Estado a liberdade do autor do ilícito.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Pois assim. p. o conjunto de atos cronologicamente encadeados. 30) ainda acrescenta que “é uma disciplina normativa. investiga os princípios. permitindo ao jurista extrair do direito objetivo os preceitos aplicáveis a uma situação concreta. Evolução Histórica Podemos perceber com os ensinamentos de John Gilissen. Já nos ensima Mirabete (2003. tem-se o Direito Processual Penal como: “o conjunto de princípios e normas que regulam a aplicação jurisdicional do direito penal. quando era utilizado para punir os crimes que feriam os interesses sociais. o Direito processual penal era utilizado para punir os delicta publica. mas para atingir tal objetivo são indispensáveis atividades investigatórias (atos administrativos da polícia judiciária – Inquérito Policial). p. era realizado pela Igreja. submetido a princípios e regras jurídicas e destinados a compor as lides de caráter penal. pois serve como instrumento para a aplicação do direito penal objetivo. IP – é a abreviação que utilizamos para Inquérito Policial. 51 . 26): “Como na Infração penal há sempre uma lesão ao Estado. p. nos afirma o citado autor. por meio dos órgãos próprios da administração da Justiça. este como Estado-Administração. o Direito Processual Penal. Mirabete (2004. Tem. caráter instrumental. o sistema”. tem o nome de PROCESSO. então. Processo Penal A forma que o Estado impõe para compor os litígios. Em Roma. bem como as atividades persecutórias da Polícia Judiciária. Processo Penal é. em seu célebre livro Introdução Histórica ao Direito (2001. fazer valer sua pretensão punitiva”.

o respeito ao contraditório e à ampla defesa. ainda. pois. a põe em incerteza até a sentença definitiva. chegou-se à conclusão que o principio do Estado de Inocência não revoga os dispositivos relativos à prisão preventiva. 2001. ou mesmo Princípio da Inocência está contemplado na Constituição Federal de 1988. Podemos chegar às seguintes conclusões a partir do Princípio do Estado de Inocência: Sentença recorrível é aquela que ainda não se tornou definitiva. não seria possível a prisão em flagrante. no art 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. pela qual o Juiz diz que aquele caso deve ser apreciado pelo Tribunal referido. Muitos doutrinadores como Mirabete (1999. Surge pela primeira vez em 1789. pois ela é um ataque à inocência do acusado. 10 . Somente se presume que a pessoa não seja culpada até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS acusação feita por bispos. Sentença de Pronúncia é a primeira sentença de um processo no Tribunal do Júri. Após muitas discussões acerca do assunto. houve uma revolução no Direito Processual penal. ou seja. foi novamente utilizado no art 26 da Declaração Americana de Direitos e Deveres de 1948. 51 . 90) utilizam a nomenclatura Presunção de Inocência tendo em vista que a mesma não é absoluta. 42) e Ney Moura Telles (2005. inciso LVII. a mesma pessoa que acusava colhia as provas e julgava. 5°. chegando-se ao que temos hoje posto como tal: a garantia de defesa para o acusado e. Era um processo totalmente inquisitivo. p. CF – art.522). uma vez que seria incoerente prender alguém considerado inocente no todo. Existem inclusive autores como Carlos Rubianes (apud MIRABETE. Sentença Definitiva é aquela contra a qual não cabem mais recursos. ou até mesmo processar alguém que já se sabe inocente. ou mesmo a prisão preventiva e a instauração do processo. na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. 2003. ou da Presunção da Inocência. mas não se dá total certeza a isso. p. De forma que o procedimento inquisitivo fica reservado a um momento preliminar do processo. de necessidade ou conveniência. da qual cabe recurso. e. pois estão os mesmos dispostos na própria Constituição Federal. 1) Somente pode haver restrição à liberdade do acusado antes da sentença definitiva a título de medida cautelar. não havendo possibilidade real de defesa para o acusado. se assim fosse. que consideram que existe uma presunção de culpabilidade quando se instaura a ação penal.42). P. 5º LVII ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. arcebispos ou oficiais encarregados de exercer a função jurisdicional. e com o advento das garantias penais. possibilitando-se ao acusado efetuar uma defesa eficiente a seu favor. sendo dado após plena capacidade de defesa ao réu (GILISSEN. se não a destrói. Após a Revolução Francesa. Princípios Estado de Inocência O princípio do Estado de Inocência. em seu art. p.

até mesmo no procedimento sumário.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 2) O réu não tem dever de provar sua inocência. e jamais na investigação se aqui todos os atos do processo que possam interferir na decisão do criminal. a revelia havido por criminoso. 312. garantindo assim o posterior à investigação. e garante a ampla defesa do acusado. cabe sim. Diferente do que acontece em juízo cível.9. perante autoridadeseja este julgado sem defesa. Princípio da demais Contraditoriedade. Neste Sentido temos Uma exceção a essa decorrência do princípio do contraditório é a revelia decisão do Supremo Tribunal Federal: “O pois afasta esse instituto a necessidade de comunicação ao réu dos penal. 3) Para condenar o acusado. natureza. nos termos do disposto no art.160-164) que pelo princípio do contraditório.77. HC Princípio da Ampla Defesa 55. p. P 6281). provar a “culpa” do acusado. também. de cada documento juntado e. Está inscrito na CF/88 art 5º inc LV. e pela possibilidade de tais atos serem contrariados com alegações e provas” . incontraditável por não inclui o Inquérito Policial. Se o acusado.. em processo judicial ou administrativo. arrazoados e alegações das partes.447. que diziam sobre a inscrição do nome do réu no rol dos culpados com a sentença condenatória recorrível ou sentença de pronúncia” CF/88 art 5° LV .. incluindo coleta de provas. pois a mesma é presumida. todos os atos processuais “devem primar pela ciência bilateral das partes. ainda. ( in dúbio pro reo). a oportunização de que o mesmo se manifeste sobre os documentos. pois esta é magistrado. os mesmos direitos que o acusador. mesmo sendo o réu que se desenvolve revel. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. mas de todo o direito em si. podendo ele comparecer voluntariamente. na sua defesa. Ensina Rui Portanova (2001. ao acusador. na esfera penal. As partes são vistas da mesma forma no processo. tem o acusado direito de defesa. 11 . DJU 16. que também no referido cumprimento do contraditório. mas inquisitória. Tal princípio é importantíssimo para garantir a imparcialidade do julgamento do magistrado. sem restrições. decretar prisão preventiva. atos do processo. nem constituir advogado. 366. p. deve ser observado na A garantia do contraditório abrange toda a instrução criminal. citado por edital.aos litigantes. tem o acusado. não comparecer. incluindoinstrução criminal. o juiz deve ter a convicção de que é o réu o autor do delito. se for o caso. tendo as mesmas oportunidades e limitações. a contraditoriedade e como efeito a cessação das intimações do réu quanto aos atos do só tem admitida em fase processo. O princípio do contraditório impede ainda que. A comunicação ao réu dos atos do processo pode se dar por meio de citação ou intimação Art. bastando a mínima dúvida para que seja imperativa a absolvição. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional.. Segundo este princípio. com os meios e recursos a ela inerentes. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. ou melhor. “Diante deste princípio fica clara a revogação (derrogação) do art 393 II e 408 § 1º do CPP. 42). É em decorrência deste princípio que existe a obrigatoriedade de comunicação ao réu de cada ato do processo e. procedimento conserva seu caráter inquisitivo”(STF. sendo nomeado defensor para o mesmo. investigante do fato em que um dos efeitos da revelia é a confissão tácita. Como bem ensina Mirabete (2003. Princípio do Contraditório Este princípio é um dos mais importantes princípios não só do Direito Processual Penal .

Neste sentido normativo. sobre qualquer documento acostado ao processo. como o nosso. o art. mas o juiz poderá. Segundo bem ensina Tourinho Filho (2004. enquanto o juiz não penal deve satisfazer-se com a verdade formal ou convencional que surja das manifestações formuladas pelas partes. A ampla defesa. que surgisse na última hora em um processo uma prova surpresa que fosse decisiva para a condenação ou absolvição do réu? Comentário da questão: Procure buscar a resposta. que se encontra na Constituição Federal de 1988 em seu art 5°. buscar as provas necessárias à formação de seu convencimento e.44): Com o princípio da verdade real se procura estabelecer que o jus puniendi somente seja exercido contra aquele que praticou a infração penal e nos exatos limites de sua culpa numa investigação que não encontra limites na forma ou na iniciativa das partes. a pessoa em relação a quem se propõe a ação penal. goza do direito ‘primário e absoluto’ da defesa. dar impulso ao processo. no Brasil. no Processo penal o Juiz tem o dever de investigar a verdade real. no processo penal. Não pode o Juiz penal se contentar com a verdade formal dos fatos. 156 do CPP dispõe que: “A prova da alegação incumbirá a quem a fizer. p. é por ele que o réu tem o direito de manifestar-se sobre qualquer prova. quem realmente praticou a infração e em que considerações a perpetrou. não é aplicada durante a fase do Inquérito Policial.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Por este princípio. vigora esse princípio. entre outras justificativas. determinar. tem-se que se deve buscar. mas sim durante toda a instrução penal. não se limitando às verdades abstratas que admite. analisando profundamente em que consiste o princípio do Contraditório e o da Ampla Defesa. absolver o réu anteriormente condenado. sempre a verdade dos fatos. inciso LV. segundo o qual o acusado. p. e a ampla defesa permite a ele defender-se de cada acusação formulada contra sua pessoa. mas sim com a verdade real dos mesmos. p. 2004. 44): Em todo processo de tipo acusatório. e quais as suas conseqüências! “De fato. de ofício. levantar a verdade dos fatos. assim como o contraditório. ainda. o processo civil. ou haver perigo de fuga do acusado. Pare e Pense 1)Tente responder: Seria possível. fundada em causar o acusado perigo ao trâmite do processo. com a utilização do Princípio do Contraditório. procurar saber como os fatos se passaram na realidade. E ainda. mesmo após o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. por exemplo. O contraditório dá o direito ao réu de conhecer o que contra si foi apurado. isto é. Prisão Preventiva é a que se dá antes da sentença definitiva. 37) Princípio da Verdade Real Pelo princípio da verdade real. Como preleciona Mirabete (2003. e sua indagação deve circunscrever-se aos fatos por elas debatidos. mesmo não havendo interesse das partes. com novas provas. atrelado ao Princípio do contraditório. para dar base certa à justiça” (TOURINHO FILHO. 12 . pode. pode o réu utilizar em sua defesa todos os meios que não forem proibidos por lei. Por este princípio deve o juiz procurar. diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante”. no curso da instrução ou antes de proferir sentença.

se o interesse público o exigir. que serão prestadas no prazo da lei. sob pena Pode haver restrição a publicidade dos atos processuais nos casos de nulidade. 5º XXXIII dispõe que: “Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular. p. podendo a descritos no art 5º LX da CF/88 que reza “A lei só poderá restringir a publicidade lei. assistir à audição de testemunhas. 2003. são impostas algumas limitações (TOURINHO FILHO. ainda vigem regras do procedimento escrito (defesa prévia. sendo que na realidade há um misto de procedimento escrito e oral. p. Qualquer pessoa pode ir ao Fórum. mas. sede do juízo. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado”. No art. Em se tratando de processo da competência do Júri. limitaratos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o dos a presença. p. a alteração da pessoa do julgador. por ser a mesma tanto uma garantia para o indivíduo quanto para a sociedade. etc). sentença. apud MIRABETE. 45) 2) Imediatidade: o juiz deve ficar em contato direto com as partes e as provas. em nosso sistema penal. como regra. alegações finais. às próprias partes e a seus advogados ou somente à estes”. ao contrário do procedimento e escrito”. p. 2004. (TOURINHO FILHO. sob pena de responsabilidade. Princípio da Publicidade A publicidade é garantida em todo o procedimento. determinados atos. as sessões e a realização de outros atos processuais são franqueados ao público em geral. assim. em que há um primor pela oralidade e imediatilidade.44) 3) Identidade Fisica do Juiz: fica o magistrado ligado. na realidade. Um grande avanço em direção à aplicação do procedimento oral foi o procedimento dos Juizados Especiais Criminais. ao interrogatório do réu. sendo a magistratura um órgão uno. aos debates. pode haver. 1999. Ex: Júri (MIRABETE. 44). vinculado aos processos cuja instrução iniciou. 43) Ainda no art. em caso de extrema necessidade. 2004. As audiências. 93 IX dispõe: “Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos e fundamentadas todas as decisões. em exigirem”. diretamente os elementos que basearão a formação de sua convicção para o julgamento. 56 – 57) É importante salientar que. No Direito pátrio vigora o princípio da publicidade absoluta. seja ele judicial ou até mesmo administrativo.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Princípio da Oralidade Pelo princípio da oralidade segundo Mirabete (2003. mas havendo a preservação da identidade de órgão. 13 . deve-se observar que as “declarações feitas perante os juízes e tribunais só possuem eficácia quando formuladas através da palavra oral. (MARQUES. ou de interesse coletivo ou geral. Conseqüências desse princípio: 1) A necessidade de concentração: que consiste em realizar todo o julgamento em uma ou em poucas audiências que tenham intervalos pequenos entre si. p. recebendo.

pois até mesmo a Constituição Federal (art 5° LX) prevê algumas ressalvas a ela. sem que se conceda aos órgãos encarregados da persecução penal poderes discricionários para apreciar a conveniência ou oportunidade de apresentar sua pretensão ao estado-Juiz. ainda. Princípio da Obrigatoriedade O princípio da Obrigatoriedade está contido nos arts 5º. 6º e 24 do CPP e diz que: “sendo necessário para a manutenção da ordem social que os delitos Pelo princípio da bagatela. e que o Ministério Público promova a ação penal pública (só a pública porque a privada é de iniciativa do ofendido). o estado promover o jus puniendi”. O princípio da obrigatoriedade faz com que a autoridade policial instaure o Inquérito Policial.099/95 em seu art. votação.. É exceção do Princípio da Obrigatoriedade. A Lei 9. 46): (. p. No Inquérito Policial. A publicidade não é total. mas somente aquela parte do ato (votação) é secreta.) no momento em que ocorre a infração penal é necessário que o Estado promova o Jus Puniendi. deve-se preservar o sigilo necessário à elucidação do fato. ser bem restrita a publicidade de atos. utilizamos tais ressalvas para retirar o réu da sala de audiências para que não influa em testemunho. para garantir o interesse do sigilo e imparcialidade das votações. este princípio acaba ficando restrito aos crimes de ação privada e nos delitos que dependem de representação do Ministro da Justiça. se está ferindo o princípio da publicidade? Por quê? Comentário da questão: Na verdade não.. votação dos jurados em um júri. pois o ato processual (julgamento em si) é público. 72 acaba diminuindo a aplicação deste princípio. ou. obrigatoriamente. já que tem o instituto da transação penal. que deve ser na sala secreta e com número reduzido de pessoas). quando os jurados se reúnem na sala secreta para a Ação penal privada ocorre em certos crimes. deve.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Serve a regra da Publicidade para tentar impedir a fraude e a corrupção. Segundo Mirabete (2003. podendo. fazendo com que os atos processuais fiquem os mais visíveis possíveis a fim de que possa a sociedade e as próprias partes servir de fiscais do cumprimento da lei. o princípio da oportunidade ou bagatela (não deve o Estado promover a ação penal quando dela resultar mais inconvenientes que vantagens à sociedade). sejam punidos. não deve o direito penal se ocupar de lesões a bens jurídicos insignificantes. em que somente interessa à vítima ou a seus representantes dar continuidade à persecução penal. Utilizamos as ressalvas constitucionais quando se restringe o número de pessoas em determinado ato (ex. que tranca o processo antes 14 . então. No Brasil. Pare e Pense 1)Num júri.

caso concorde. o mesmo ocorrendo na ação penal privada subsidiária da pública. 17. do CPP. na hipótese do art. 25. após ser instaurado o Inquérito Policial. é claro. Devemos perceber que esse princípio não é absoluto. porque na ação penal privada a iniciativa da ação é tida pelo ofendido. ou arquivado. O arquivamento do Inquérito Policial. em decorrência do princípio da indisponibilidade somente pode se dar. 144. ou seja. decide pelo arquivamento. órgãos oficiais responsáveis pela repressão penal. ou oferecer a denúncia ele mesmo (Procurador). de que os órgãos encarregados de deduzir a pretensão punitiva sejam órgãos oficiais. 1999. têm autoridade. e não pelos órgãos oficiais. 28 Denúncia é o nome que damos à peça inicial da Discordando ação penal pública. Por este princípio. Princípio da Oficialidade Este princípio está previsto nos artigos 5º LIX. considerando acertada a decisão pelo 15 . 48). Princípio da Indisponibilidade do Processo Está previsto nos artigos 10. determinar diligências e quaisquer atos necessários à instrução criminal seja durante a fase inquisitiva (Inquérito Policial). mesmo com requerimento do Ministério Público. por meio de um acordo celebrado entre o réu e o Ministério Público. e dele devem derivar os atos de persecução penal. Desistência ocorre quando a parte ofendida deixa. p. seja durante a Ação Penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS do oferecimento da denúncia. deve ele instituir órgãos que assumam a persecução pena. a repressão ao crime deve ser originada e sucedida pelos órgãos oficiais do Estado. sendo que este vigora inclusive na fase do Inquérito Policial. 129 I. do posicionamento do Magistrado e. Caso o Procurador Geral do Ministério Público concorde com o juiz. 385 do Código de Processo Penal e vale desde a fase do Inquérito Policial. 576. poderá designar novo representante do Ministério Público para atuar no processo. 42. submeterá os autos ao Procurador Geral do Ministério Público. em cumprimento a suas atribuições (MIRABETE. cada um. Este. Renúncia é quando o ofendido deixa de iniciar a ação penal. e ainda nos artigos 4º e seguintes e artigo 29 Código de Processo Penal.47): Como a repressão ao criminoso é função essencial do Estado. mas se achar que é equivocado o pedido do arquivamento. É o princípio da oficialidade. 128 I e II da Constituição Federal. Como ensina Mirabete (2003. acatando o posicionamento do Promotor de Justiça. p. não pode o mesmo ser paralisado indefinidamente. p. 28. expressamente de ter interesse no prosseguimento da ação. após ser submetido ao Juiz. Segundo Mirabete (1999. Diz este princípio que já que a repressão do crime é função exclusiva do Estado. mesmo não sendo o inquérito considerado como processo penal propriamente dito. podendo requisitar documentos. o da indisponibilidade decorre do princípio da obrigatoriedade. 48). O Ministério Público e a Polícia.

ou seja. por exemplo. terminar o processo sem ter se chegado a verdade real. Este princípio é previsto no Código de Processo Penal.. PIERANGELI.ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. ainda. não seria um juiz em pessoa. não se devendo conceder ao juiz a possibilidade de deduzir a pretensão punitiva perante si próprio (MIRABETE. nunca indo além disso. 1997. Encontra-se previsto no artigo 5º LIII. 5° LIII . Como diz Mirabete (2003. nos artigos 24. XXXVII da Constituição Federal e ainda nos artigos 92 a 126 do Código de Processo Penal. porém. Princípio do Juiz Natural ou Juiz Constitucional Art. antes do oferecimento da denúncia. o Procurador Geral do Ministério Público remeterá tal decisão ao juiz que estará então obrigado a atender. Princípio da Iniciativa das Partes O Dominus Litis. de acordo com o disposto nos arts 42 e 576 CPP respectivamente . nas Ações Penais Públicas. Sendo o direito de ação penal o de invocar a tutela jurisdicional-penal do Estado é evidente que deve caber à parte ofendida a iniciativa de propô-la. e. podendo extingui-lo por meio de desistência.48) Não pode. impedindo assim a interposição da ação penal. 2003. por nulidade. p. Não pode a lei determinar magistrados definidos para o julgamento de determinadas pessoas ou fatos. nas ações penais públicas dependentes de representação. desde a CF/88 estabeleceu-se o juiz natural. e nas Ações Penais Privadas é o ofendido ou seus representantes. Pode. 212 -228). No processo penal. ou seja. já que o ofendido dispõe do processo. o dono da ação. Na ação penal privada. e ainda.48) “o autor do ilícito só pode ser processado e julgado perante o órgão que a Constituição Federal. o juiz começar um processo de ofício. Antigamente se dizia que este princípio informava ser obrigatório que um juiz que começasse um processo ficasse ao mesmo ligado até o final. atribui a competência para o julgamento”. não cabe este princípio. p. retratar-se. são as partes (e aqui se considera o ministério Público como parte na ação penal pública) que devem produzir as provas. pode o ofendido. é o Ministério Público. perdão. renúncia etc. é esse princípio que proíbe o Ministério Público de desistir da ação penal que já esteja em andamento e de eventual recurso interposto. No Brasil não se utilizou tal descrição até mesmo pela distribuição da carreira da magistratura.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS arquivamento do Inquérito Policial. Além disso. mas sim o juiz competente (órgão do Estado) (ZAFFARONI. permite que o juiz condene o réu mesmo com pedido de absolvição por parte do CF/88 art 5° LIII ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. falta 16 . implícita ou explicitamente. ou por prescrição. 29 e 30. O juiz deve ficar restrito aos pedidos do autor e o que foi provado pelo réu. somente pode iniciar um processo por petição de parte. Assim. Ministério Público. p.

176. 168. absolvendo ou condenando o réu. mesmo que as partes não o façam. dispõe ainda o autor que cabe ao magistrado. segundo o CPP. etc.Trace um paralelo entre os princípios utilizados pelo Direito Processual Penal..) embora a iniciativa na produção das provas pertença às partes. Neste sentido. ou seja. ou então. com sentença de mérito. p. Sentença de pronúncia é aquela que leva o réu acusado de cometer crime doloso contra à vida a ser julgado pelo Tribunal do Júri. indicando quais são os contemplados pela Constituição Federal. prover a regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos”. 17 . Ensina Mirabete (2003. que segue princípios que buscam assegurar os direitos dos cidadãos na sua defesa. 49) que “(. Principio do Duplo Grau de Jurisdição Este princípio não está expresso na CF.Não pode ser considerado como Princípio do Direito Processual Penal: a) O Princípio da Presunção de Inocência b) O Princípio do Contraditório c) O princípio da Anterioridade ou da legalidade d) O princípio da Verdade Real Comentário Tente localizar a resposta correta utilizando seus conhecimentos sobre os princípios do Direito Penal e do Direito Processual Penal. mas decorre do próprio sistema Constitucional e diz que os Tribunais poderão rever as decisões em grau de recurso. Conclusão O Direito Processual Penal evoluiu com as socieddaes e existe para que seja possível a aplicação do Direito Penal Objetivo. que é superior ao juiz singular.. em busca da verdade real manter a regularidade do processo. Princípio do Impulso Oficial Está previsto nos artigos 251. 2. comparando-os e vendo qual não se aplica a ambas as áreas do Direito. 196 do Código de Processo Penal. incumbe ao juiz. Comentário Você pode confirmar sua resposta no art 5 ° a CF/88. um tribunal. Vamos exercitar? 1. Serve este princípio para evitar que o processo fique paralizado por falta de iniciativa das partes. tem o poder de rever a decisão do juiz de primeiro grau. bem como a imparcialidade do julgamento.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS de intimação da sentença de pronúncia. 156.

Eugênio Raúl.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS 3. José Henrique. estudando sua origem. Campinas-SP: Millennium. São Paulo: Saraiva. Porto Alegre: Livraria do Advogado 2001. Princípios do Processo Civil. estudaremos o Inquérito Policial. 4 ed. John. mesmo que contrária às alegações tanto da defesa quanto da acusação. Manual de Direito Penal Brasileiro: parte geral. Introdução Histórica ao Direito. b) Deve o Juiz abster-se somente ao que foi questionado pelas partes em juízo. Síntese da aula Neste tema. 2000. Referências GILISSEN. Apresentamos os princípios que regem esse ramo do Direito que guardam semelhança com os de Direito Penal. seus requisitos e suas conseqüências. PIERANGELI. utilizando seus conhecimentos sobre os princípios que o norteiam. d) NRA. 2001. São Paulo: Revista dos Tribunais. estudamos que o Direito Processual Penal teve sua origem na Grécia e que somente após a segunda metade do Séc XVIII. Elementos de Direito Processual Penal. MARQUES. e atual. ZAFFARONI. José Frederico. 1997. 2004. ed. Tema 02 18 . Rui. Volume 1. com as idéias iluministas é que veio o mesmo a atuar na defesa dos cidadãos. Comentário Para chegar à resposta correta você deve parar e pensar sobre qual é o interesse do Processo Penal. TOURINHO FILHO. 3 ed. Informações sobre o próximo tema Em nosso próximo tema. Fernando da Costa. c) Deve o Juiz buscar a verdade real dos fatos. rev. Lisboa: Fundação Caloustre Gulbenkian. Processo Penal. 26. PORTANOVA.Assinale a alternativa correta de acordo com o princípio da Verdade Real: a) Deve o juiz buscar a melhor versão entre as apresentadas pelas partes. 2 ed.

às polícias civis. Teoria Geral do Processo e ainda em nosso primeiro tema de Direito Processual Penal. Apontar qual o valor probatório do e como pode o Inquérito Policial ser arquivado ou transformado em ação penal. segundo o art 144 § 4º CF é a Polícia Civil. Introdução Caro aluno. o termo politia adquiriu um sentido especial. 187 . dirigidas por delegados de polícia de carreira.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O Inquérito Policial Meta do tema Exposição dos procedimentos aplicáveis no Inquérito Policial e responsáveis por tal procedimento.188). qual a sua validade e como o mesmo deve se dar. Indicar quais são só procedimentos adotados durante o Inquérito Policial. surgiu. incumbem. a princípio. qual a sua necessidade. p. direito e responsabilidade de todos. Art. através dos seguintes órgãos: § 4º . o que é? Segundo bem nos trazem Tourinho Filho (2004. Depois. onde foi criado um corpo de soldados. A segurança pública. na velha Roma. p. significando a ação do governo no sentido “de manter a ordem pública. no sentido de órgão do Estado incumbido de manter a ordem e a tranqüilidade públicas. agentes Objetivos Esperamos que. que além das funções de bombeiros. impedindo assim a consumação de crimes. 187 . você seja capaz de: • • • Definir o que é Inquérito Policial. ao final desta aula. as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais. 144.188) e Marcos Luiz Bretas (1997. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. a polícia como hoje a compreendemos. a tranquilidade e a paz interna”. exceto as militares.60) o termo Polícia vem do grego politéia – de polis (cidade) – significou. dever do Estado. o ordenamento Jurídico do Estado. Polícia. O órgão responsável por realizar o inquérito Policial. Pré-requisitos Você terá mais facilidade no acompanhamento desta aula se for capaz de identificar os preceitos estudados nas Disciplinas de Direito Penal I. exerciam as de vigilantes noturnos. passou indicar o próprio órgão estatal incumbido de zelar da segurança dos cidadãos. Segundo Tourinho (2004. neste tema vamos estudar o Inquérito Policial. 19 . Continua Tourinho ensinando que em Roma. p. 39 . ressalvada a competência da União. suas características e fundamentos. governo da cidade e até mesmo a arte de governar.

A partir de agora. (Redação dada ao caput pela Lei nº. por exemplo. 20 . conforme se vê no box ao lado. e Jurisdição significa poder. a quem por lei seja cometida a mesma função. Até o ano de 1871. § 4º CF dispõe sobre as atribuições da Polícia Civil. assim. a fim de que o titular da ação penal (ofendido na Ação Penal Privada e Ministério Público na Ação Penal Pública) disponha dos elementos para ingressar em juízo. 190). Foi somente com a Lei nº. Parágrafo único. 2004. 144. não sendo a polícia tal órgão. O art.033 de 20/09/1871. e não jurisdição. fornecer às autoridade judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos.05. 4º. que desempenhavam papel semelhante ao da nossa Polícia Judiciária. o primeiro momento da atividade repressiva do Estado (TOURINHO FILHO. 2. havia funcionários incumbidos de levar as primeiras informações sobre a infração penal aos Magistrados. realizar as diligências requisitadas pela autoridade judiciária ou MP. não havia previsão de Inquérito Policial em nossa legislação.043. A elaboração do IP constitui uma das funções da Polícia Civil. de suas circunstâncias e de seus autores e cúmplices. autoridade de interpretar a aplicar a lei. os irenarche. IP no código de processo surgido em 1832 que apenas traçava normas sobre as funções dos inspetores de quarteirão. O art. Embora houvesse vários dispositivos sobre o procedimento informativo. Passaremos a chamar o Inquérito Policial de IP! Conceito. não havendo. que surgiu entre nós o IP com essa denominação. 42 da referida lei chegava inclusive a defini-lo: O IP consiste em todas as diligências necessárias para o descobrimento dos fatos criminosos. começou a introduzir a idéia do Art. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Menciona o autor que no tempo do Império Romano. cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades competentes. 9. A Polícia Civil tem. p. qualquer menção ao Inquérito. mas tais inspetores não exerciam atividade de polícia judiciária. Ela desenvolve a primeira etapa. 1997. com esse nome. 187 -188).43) Ainda segundo Tourinho (2004. (BRETAS. Circunscrição significa porção territorial. os stationarii. O art. quando se desenvolveu a cognitio extra ordinem. devendo ser reduzido a instrumento escrito. Eram os curiosi. os nunciatores. Natureza e Finalidade do Inquérito Policial. não se tratava do IP. e tal termo foi alterado porque uma vez que a jurisdição é somente relativa ao órgão judicial. nas Ordenações Filipinas.1995). ela possui circunscrição. A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. 4º). por finalidade investigar as infrações penais e apurar a respectiva autoria. os digiti durii. 4º do Código de Processo Penal dispõe de forma clara fica clara esta função. Chamamos atenção ao fato de que onde hoje se lê circunscrição (art. que possui as seguintes funções: • • • • investigar as infrações penais e sua respectiva autoria. de 09. p. antigamente constava jurisdição.

1999. quando reduzidos a escrito ou datilografados constituem os autos de um IP. o titular do direito de punir (Estado) desenvolve inicialmente uma agitada atividade por meio de órgãos próprios. quer por fotografias). p. de coisas apreendidas. • exame de corpo de delito – é o exame que se faz no objeto material de um crime a fim de se buscar provas quanto à materialidade e a autoria do mesmo. interrogatórios – oitivas de indiciados. 88-89) Tais procedimentos. • • • • • • exame grofoscópicos – exames de escrita. MP é a abreviatura que Podemos dizer então que Inquérito Policial: utilizamos para É um procedimento persecutório de caráter administrativo Ministério Público! e. na procura (busca) e apreensão de um determinado bem ou pessoa. não pode estar a salvo do 21 . por essa sua feição.. suspeitos. p. 191). ou ainda diversos objetos para que a mesma identifique o relacionado ao crime. (MIRABETE. como tal. por meio de determinação judicial. acareações – consiste em colocar frente à frente pessoas que tenham prestado informações conflitantes no IP. fazer uso da força. preceder a restituição. depoimentos – oitivas de testemunhas. que visa colher informações sobre o fato tido como infracional e a respectiva autoria. realizar as interceptações telefônicas nos termos da lei 9296/96. etc. quando se verifica uma infração. Mas o que compõe um Inquérito Policial? De acordo com os ensinamentos de Tourinho Filho (2004. cumprir cartas precatórias expedidas na área de investigação criminal colher a vida pregressa do indiciado. Essa primeira atividade persecutória do Estado que grosso modo é realizada pela polícia judiciária é informada de uma série de diligências tais como: • busca e apreensão – consiste no uso da força. sendo o Estado o titular do jus puniendi. declarações – termos escritos sobre fatos presenciados pelo declarante.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • • • • • • representar ao juiz no sentido de se proceder ao exame de insanidade mental do indiciado. representar ao juiz no sentido de ser decretada a prisão preventiva e temporária. Reconhecimentos – consiste em mostrar à vítima ou testemunha uma série de pessoas (quer pessoalmente. quando cabível.

138) “Verifica-se. pois pode o MP ou o ofendido. não fazendo juízo de valor. pois os fatos formadores de seu convencimento devem estar confirmados no Processo. Na afirmação de Mirabete (2003. podendo verificar-se o contrário no transcorrer do processo. Já que é mera peça informativa. O art. não há como manter o constrangimento que dele decorre. O IP poderá ser instaurado. A investigação procedida pela autoridade policial não deve ser confundida com a instrução criminal. no primeiro tipo. p. SOMENTE em fatos do IP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS controle de sua ilegalidade. Alguns autores como Mirabete (2003. Se ditos elementos não compõem um fato típico. portanto que a persecutio criminis apresenta dois momentos distintos: o da investigação e o da ação penal” Encaixa-se o IP. ao menos em tese. b) Instrução preparatória . 2004. 212 -218): 22 .porque as informações contidas nele não são absolutas. segundo Tourinho Filho (2004. serve como uma preparação para a ação penal. ATENÇÃO  não pode o juiz fundar a sentença. O destinatário mediato do IP é o juiz. até mesmo porque é o IP mera peça informativa. p. Seu destinatário imediato é o Ministério Público (crime de ação penal pública) ou o ofendido (crime de ação penal privada) que com ele formam sua opinião sobre o delito para apresentar a denúncia ou queixa. p. 5). Por meio dele é que são oferecidos os elementos que servem à formação da ‘opinio delicti’. 76). Não é o IP peça indispensável à propositura da denúncia ou queixa. de posse das provas necessárias para a instrução do processo penal. 76 a 78) o caracterizam como: a) Instrução provisória . iniciá-lo sem o auxilio do IP. p. porque poderá ele basear seu convencimento também em peças do IP. que se dá durante a ação penal. § 5º e 46. não havendo qualquer discussão de mérito. Segundo Frederico Marques (2000. sendo na realidade uma fase anterior ao processo penal propriamente dito.porque serve somente para fazer um levantamento de fatos e dados e informá-los. p. 39. O IP faz parte da persecução penal. Sem o que o procedimento da autoridade administrativa deixaria de ser discricionário para ser arbitrário RT 409/71( DAMÁSIO.porque serve para dar o subsídio necessário ao oferecimento da denúncia ou queixa. § 1º do CPP acentuam a possibilidade de o MP fazer a denúncia sem necessidade de IP. Na primeira não se aplicam as regras do contraditório. “o procedimento policial destina a reunir os elementos necessários à apuração da prática de uma infração penal e de sua autoria”. c) Instrução informativa .

dentro de um campo cujos limites são fixados estritamente pelo direito” (MARQUES apud MIRABETE. em tese. na qual a autoridade indica ter recebido ciência de um crime (de ação penal pública incondicionada). com isso.p. poder para fazer qualquer coisa neste sentido. pois estão submetidos a controle judicial posterior. e o próprio auto da prisão em flagrante servirá como peça inicial do IP. que tenha interesse em auxiliar ou prejudicar uma das partes. Afirma o autor que autoridade policial não é sujeita à suspeição. e instaura o IP.não sendo preciso qualquer autorização do Poder Judiciário. é imprescindível haver a representação do ofendido para que possa a autoridade policial instaurar o IP. Mas não pode haver arbitrariedade. já que o IP é mera peça informativa. pois devemos lembrar que o IP é inquisitivo.2003. Características São. b) Por portaria da autoridade policial – a portaria é uma peça simples. o nome ou indicações de quem possa ser o autor e determina que seja instaurado o IP. c) Pela lavratura do auto de prisão em flagrante – quando o suposto autor do delito é preso cometendo o mesmo. ou seja. mandado de segurança etc. sigilo do IP ao contraditório. p. As atribuições concedidas à policia no IP têm caráter discricionário. tem ela a faculdade de operar ou não. ou seja. nele não se observa o contraditório. se possível a data e local onde ocorreu o crime. Representação é. pode então a autoridade policial deferir ou não diligência requisitada pelo ofendido ou pelo indiciado. quando o ofendido requer que o mesmo seja instaurado. porque ele não terá. ou logo após cometêlo. características do Inquérito Policial: a) Discricionário – porque “as atribuições concedidas à polícia são de caráter discricionário. segundo Franco. f) Por requerimento da vítima – nas Ações Penais Privadas somente pode proceder a autoridade policial ao IP. 23 . Não há que se falar em ferir.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS a) De oficio – quando a autoridade policial sabe por meio de suas atividades rotineiras da ocorrência de um crime. têm elas a faculdade de operar ou deixar de operar. podem requisitar á autoridade policial que a mesma instaure o IP. ou seja. e) Por requisição do juiz ou do MP – quando o Juiz ou o Ministério Público têm conhecimento da ocorrência de um crime.77). Os atos da autoridade policial são. por exemplo.113) d) Mediante representação do ofendido – nas Ações Penais Públicas Condicionadas. 77). é preso em flagrante delito. como ainda afirma o autor: a) auto-executáveis . p. segundo Mirabete (2003. 2003. e indica ainda. Betanho e Feltrin é “a manifestação da vontade do ofendido ou de seu representante legal no sentido de autorizar o Ministério Público a desencadear a persecução penal” (apud MIRABETE. dentro dos limites fixados pelo direito. podendo uma decisão arbitrária ser revogada pelo judiciário por meio de habeas-corpus. não se pode afastar um delegado de polícia.

a competência para presidir o IP é dos delegados de polícia de carreira. como no que se refere ao interrogatório. sendo as informações de um Inquérito muito divulgadas. podem desaparecer provas e indícios que o inquérito busca. pois essa é uma característica necessária para o esclarecimento dos fatos. segundo Tourinho Filho (2004. ainda na citação de Mirabete. é necessário a mesma para que se dê início ao IP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS b) Escrito – porque como é peça informativa. como por exemplo: delegacia de entorpecentes. em caso de crime de ação penal privada. O sigilo. a instauração do IP é obrigatória. há que se observar a existência de delegacias especializadas. é distribuída. um procedimento escrito. mantendo-se contudo. acompanhar a produção de provas. 194-199). requisitar diligências e tomar as medidas pertinentes ao bom desempenho de sua função (evidenciando-se que cabe à autoridade policial deferir ou não os seus pedidos). 33 LC 35/79 Lei Orgânica da Magistratura nacional. não se estende ao MP. Contudo. este último poderá ser afastado de determinadas diligências. sendo que. Aqui fala-se em competência no sentido de atribuição. 43 e parágrafos do Regimento Interno STF. É o IP. mas. prisão em flagrante etc. • A competência. em função do local do crime. pois será mais fácil a colheita de provas referentes ao ilícito. porém. Geralmente. A Súmula 397 STF Art. ainda na afirmação do autor. Pode o advogado ainda. durante o IP. porém não está sujeito a formas rígidas. mas tem certas formalidades na peça investigatória. Na hipótese de crime de ação penal pública. 41 § único da Lei orgânica Nacional do MP (Lei 8625/93) Art. Afirma ainda o autor que o IP é sigiloso. c) Sigiloso – porque sem o sigilo seria impossível à autoridade policial proceder a ás diligências necessárias para a elucidação do delito. São tais casos de exceção legal: • • • Art. o seu amplo acesso aos autos do IP. Competência Exceto nas exceções legais. assim como afirma a lei. geralmente. p. e nem ao advogado constituído. ainda. depende do desejo do ofendido e. nos casos de representação. deve ser reduzido a escrito para que possa fornecer os elementos ao titular da ação penal. será competente o delegado que estiver lotado na delegacia mais próxima ao local do crime. de 24 . pode ainda ser dividida pela matéria e pela especialidade de algum órgão policial (delegacias especializadas). desde que agindo no interesse de seu constituinte. uma vez que é destinado a fornecer informações. Uma vez que.

5º da CF. mas. p. mas não afeta a ação penal. Vícios Como é peça meramente informativa. p. 28). Não é impossível. se já possuir o MP. Nessa hipótese (existência de delegacias especializadas). As investigações do IP não estão incluídas nas limitações desse artigo da CF. de crimes contra a mulher. Valor Probatório Mas qual é o valor do Inquérito Policial como prova em um processo penal? Tem o IP. A competência para IP de titulares de prerrogativa de função deverá ser procedido no próprio foro do indiciado (TJ. ou seja. 199 – 201). e não possui por si só valor probatório específico. A desobediência à certas formalidades pode retirar a eficácia do ato em si (ex. poderá tranquilamente dispensar a realização do Inquérito. valor informativo. (TOURINHO FILHO. ou o ofendido. segundo o art. as provas que contém real valor probante.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS furtos e roubos. por serem técnicas. 28 – 30). 25 . STJ. segundo nos informa Noronha (1999. poder atribuído a um funcionário de tomar conhecimento de determinado assunto. STF). pois não se trata de processo propriamente dito. acabam tendo o mesmo peso que as provas colhidas em juízo. Ou seja. A palavra competência é utilizada em sentido leigo. ou nos casos de haver mais de uma circunscrição na sua Comarca. os requisitos necessários para a propositura da ação penal. 2004. Afirma o autor que essa não transmissão dos vícios do IP para a ação penal se dá por ser possível o ajuizamento da ação penal desacompanhada do Inquérito. dentre outras. que uma autoridade policial de uma circunscrição investigue fato ocorrido em outra circunscrição e que tenha reflexo na sua. sendo o Inquérito policial mera peça informativa. (NORONHA. 4° do CPP. No art. p. amparado no princípio do contraditório. as mesmas serão competentes para a apuração dos ilícitos daquela natureza. 1999.: prisão em flagrante). 46 § 1º CPP. segundo o art. podendo nele ser realizadas algumas provas periciais que. os vícios contidos no IP não atingem a ação penal que dele se originarem. inciso LIII temos: LIII ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente Dispensabilidade Pode o MP recusar o IP para interpor uma ação? Sim. mas sim de ato administrativo informativo. de resto somente serve de roteiro para que se produza em juízo. pois ele é somente uma peça informativa.

208 em comunicar o fato ao MP. 5º do CPP).78.: flagrante delito. p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Tanto faz à mesma (ação) que o Inquérito seja válido ou não. p. 2003. Validade. e esta. pelo contrário. verbalmente ou por escrito. ser comunicada por meio de Constituição Federal (art notícia anônima de crime (notitia criminis inqualificada). sendo assim. ou requisitar diretamente a instauração de IP. 1. p. verificada a procedência das informações. PJ 41/241. 1ª Turma. Pode ser por conhecimento direto Ex. p. Policial. não se pode falar em nulidade da ação penal por vício do Inquérito policial” (STF. Pode se dar por comunicação formal da vítima ou de qualquer do povo. 5) Indicam Mirabete (1999. RHC.247. 2. É bem verdade que a Pode ainda.237. uma vez que se trata de peça meramente de informação. Um exemplo mas. nada impedindo. 4394. Recurso policial para apuração do fato”. por requisição do MP ou do Juiz. mas tal afetação em nada influi na persecução penal. sendo que a mesma elementos colhidos suficientes. p. Código de Processo Penal Interpretado. o ensejo para a autoridade policial. p. RTJ 168/897) (DAMASIO. RHC 56. ordinário improvido O juiz que tenha ciência da ocorrência de crime de ação pública deve7. A de cognição coercitiva) que é o caso da prisão em flagrante. Assim. 7735. Espontânea ou de cognição (conhecimento) imediata  se dá quando a autoridade policial toma conhecimento direto da ocorrência do crime. art. comunica-la a autoridade policial.092. na manifestação do deve a autoridade policial agir com a maior cautela para verificar a procedência pensamento. desse sendo dever da tipo de Notitia Criminis é o Disque Denúncia! autoridade policial Segundo Tucci (apud DAMASIO. p.329-GO. RTJ 89/57 e 90/39.10. haverá vai ser reduzida a escrito. em caso de notícia anônima á investigação.). 7203. a mesma simplesmente recebe a notícia e busca realizar as diligências necessárias. Se apresentar Notitia Criminis. ou ainda. denúncia. DJU 3. Delatio Criminis anônima não constitui causa da ação penal Autores e Destinatários que surgirá. em sendo Segundo a lei (art. MIRABETE. STF. DJU 16.DJU ”(RHC de 4-5-98. aqui não há formalização de uma comunicação á autoridade da existência do crime. da investigação pode policial decorrente. 82). qualquer vício que ele emane. 211) e José Frederico Marques (2000. qualquer pessoa do povo caso. DJU 19. 1998. p. 1999. RHC 58. 83-84). entretanto. de cautela.9. afeta sim ao próprio Inquérito. 26 . que então instaurará o IP. HC 73.6. no caso de ação penal pública. após a formalização da comunicação passará a autoridade policial a buscar os meios necessários à CPP. 5° § 3°: “Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá. do crime “Ainda assim tem a autoridade policial dever de instaurar o inquérito naturalmente.80. 2004. Notitia Criminis “Eventual vício do Inquérito Policial não anula a ação penal. TAPR. 143 a 151): Notita Criminis é a notícia do crime. vai ser verifica a procedência das informações pela então. Provocada ou de cognição (conhecimento) mediata o  conhecimento do crime é transmitido à autoridade policial pelos diversos meios previstos na lei. mandará instaurar inquérito” No mesmo sentido: STJ: “Criminal. Notitia Criminis Pode ainda a notitia criminis estar revestida de forma coercitiva (ou ser Inquérito anônima. o conhecimento espontâneo ou provocado da ocorrência de um crime. (MIRABETE. pelos meios de comunicação etc.99) elucidação dos fatos.254. proceder cercando-se.8). RHC 58. p. da informação antes de mandar que seja instaurado o IP. Aqui. nesse5° IV) veda o anonimato caso. no caso de ação penal pública. não afetará a ação penal que poderia ter começado sem o mesmo.271. HC 56. Tourinho Filho (2004.80. p. p. Ou comunicação não formal (informação prestada por subalterno. sendo que.

é a forma mais comum de notitia criminis. tomando conhecimento da ocorrência de crime ao qual se processa por meio de ação penal pública incondicionada. sendo que do indeferimento do requerimento cabe somente recurso administrativo ao secretário de Segurança Pública. Pois. ou ainda. pode ser indeferido pela autoridade policial por entender. devendo as declarações ser reduzidas a termo pela autoridade policial. pública condicionada e privada) a) Narração do fato com todas as circunstâncias. 212 – 218). Este requerimento. mesmo não sendo a princípio crime de ação penal pública incondicionada. Em caso de estupro e atentado violento ao pudor. a autoridade policial tem a obrigação de instaurar o IP. Expõe o autor que se instala também por requerimento da vitima que deve conter: Existe diferença na Instauração do Inquérito para cada tipo de ação penal (pública incondicionada. b) Individualização do indiciado e suas carcterísticas. Ainda afirma o autor que. está obrigado o profissional no exercício da medicina ou outra atividade sanitária. Instauração de Inquérito Policial no caso de Ação Penal Pública Incondicionada O IP pode começar de ofício. que vem a ser a notitia criminis. não sendo possível devem-se declinar o motivo de não o fazer. afirma o autor. A comunicação verbal. c) Nomeação de testemunhas com indicação de profissão e endereço. sob pena de cometimento de contravenção penal. pode a autoridade policial iniciar o IP de ofício. perde o caráter Devemos lembrar que existem quatro tipos de ação penal: Pública Incondicionada. Privada e Privada subsidiária da Pública. ou mediante requisição do MP ou do juiz. Quando houver flagrante delito. e o auto de prisão em flagrante delito deve ser a primeira peça do IP. Pública Condicionada. que não constitui ato ilícito. o IP será instaurado pela própria prisão. por exemplo. conforme vimos há pouco pelas idéias de Tourinho Filho (2004. não havendo violência real. como expõe o autor. por meio de auto de prisão em flagrante delito. nas ações privadas cabe ao ofendido ou a seu representante legal oferecer a notitia cirminis. A essa mesma informação. p. 27 .EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ainda afirma o autor que toda pessoa que. esse crime será de ação pública incondicionada. tiver conhecimento da ocorrência de um crime de ação pública tem o dever de informar o fato à autoridade competente. Segundo a lei. É faculdade do ministro da Justiça a Notitia criminis nos crimes em que a ação depende de sua representação. não cabendo recurso judicial.. sendo os requerimentos ligados a ela e exigidos em lei as peças seguintes do Inquérito Policial. desde que a comunicação não exponha o paciente à ação penal. no exercício da função pública. nos casos em que houver violência real.

)” (se possível) e policial. Pen. que contém as informações necessárias à apuração do crime. Proc. Mas como provar que houve a representação se ela for oral? No caso da representação oral ou sem assinatura reconhecida deve a mesma ser reduzida a termo. 224 -231) ensinam que Ação Pública Condicionada é aquela que para ter início necessita de autorização do ofendido ou do Ministro da Justiça. escrita ou oral. não há necessidade do Inquérito ser instaurado. ou seja. não haveria possibilidade de prosperar a investigação Neste Sentido. p. temos por óbvio que não se pode instaurar IP sobre fato em que o réu foi absolvido ou condenado. deve a autoridade policial baixar portaria para a instauração. quando não forem fornecidos os elementos essenciais às investigações. ficando restrito aos casos de representação. Nos outros casos de instauração de IP. pois não há utilidade em se instaurar investigação de crime que não poderá ser punido. (D. ou pedido de instauração de inquérito policial pela vítima. e ela poderá ser feita pelo ofendido. D.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS de publico incondicionada. e ainda. pois uma das finalidades do inquérito é levantar a possível autoria do fato! Na afirmação do autor. A essa autorização damos o nome de representação e ela é na realidade um pedido-autorizaçao que dá o ofendido para que se proceda a ação penal e pode ser dirigida á autoridade policial. E quando não soubermos quem é o autor do delito? Há possibilidade de Instauração de Inquérito? Nada impede que haja IP referente a crime de autoria ignorada. a ação penal é pública incondicionada. sendo que também é imprescindível tal autorização para o início do Inquérito Policial. ao juiz ou ao MP. o local. desde que se comprove que o crime existiu. Pen. Instauração Condicionada de IP no caso de Ação Penal Pública Autores como Mirabete (1999. praticado mediante violência real. ou ser a autoridade incompetente para tanto (casos de prerrogativa de função).No crime de estupro. O mesmo ocorre quando houver ciência de fato considerado atípico. conclui determinando a instauração do IP. por seu 28 . e o dia da ocorrência ( se possível) as características do autor do fato os dados da vítima. Súmula 608 STF “608 . pois nesses casos. p. se for o caso de crime já prescrito. oferecendo ainda as informações quanto à hora. pois não há objeto possível em se informar sobre processo que já foi inclusive encerrado. desde que seja provada a materialidade do fato. 86 – 87) e Tourinho Filho (2004. Na mesma linha de pensamento. A portaria é uma peça simples a qual a autoridade policial consigna ter tido ciência da prática de crime de ação penal pública incondicionada. É uma manifestação..

87-88) e Tourinho Filho (2004. p. sendo que. CPP .se for o caso de morte do ofendido. Mirabete informa ainda que esse Chefe de Polícia (na verdade a figura que não existe mais) hoje seria considerado como o superior hierárquico da autoridade que negou a instauração do inquérito. a mulher casada somente poderia proceder à queixa se o marido concordasse. 35. por isso mesmo. Além do ofendido. são igualmente competentes para requerer a instauração do IP: • • representante legal . A autoridade policial terá que instaurar inquérito sempre quando for requerido? Não. sendo que o seu não oferecimento dentro deste impossibilita que o ofendido a faça posteriormente. 5º. mas é necessário que forneça os elementos indispensáveis à instauração do IP. deve o requerimento ser reduzido a termo. o requerimento para o início do inquérito não exige formalidades. 232-235) temos que a Ação Penal Privada é aquela que só ocorre se for promovida pelo ofendido ou por seus representantes. a autoridade policial pode negar a instauração do Inquérito. Com o advento da Carta Magna. nos mesmos termos que vimos no caso de representação. É possível flagrante de crime que se procede por ação penal privada? 29 . não é mais necessário qualquer concordância do marido pra que a mulher casada possa exercer seu direito de queixa (art.Art. salvo quando estiver separada ou quando a queixa for contra ele.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS representante legal ou ainda por procurador com poderezs específicos para tanto. I). somente pode ser instaurado o IP mediante iniciativa da vítima. p. com o princípio da igualdade entre homens e mulheres. Antes da CF/88. A representação possui prazo decadencial. Instauração do Inquérito Policial em caso de Ação Penal Privada Utilizando-nos ainda das lições dos nobres professores Mirabete (1999. Conforme os mesmos autores. Esta representação pode ser feita diretamente ao MP.se o mesmo for incapaz. mas se a mesma não contiver todos os elementos necessários à propositura da denúncia deve o MP requerer á autoridade policial a instauração de IP. mas somente poderá fazê-lo por decisão fundamentada da qual cabe recurso ao Chefe de Polícia. descendente ou irmão . cônjuge. quando efetuado verbalmente ou por documento sem reconhecimento de assinatura. ascendente.A mulher casada não poderá exercer o direito de queixa sem consentimento do marido.

Não é possível também. Pode o que caiba penal em pedido ser indeferido no caso de a autoridade pública ação pública poderá. 30 ação pública o inquérito policial será iniciado: § 3º. em caso de prisão em flagrante por crime que se procede mediante queixa. ensinam os autores que a instauração do IP não interrompe o Prevaricação Art. 5° CPP). A lei fala em impetrar recurso junto ao chefe de polícia. prazo decadencial. Justifica-se tal fluência de prazo por ser prescindível o Inquérito. sendo que a não instauração configurará o Art. pode o ofendido impetrar recurso ao superior hierárquico da autoridade que negou a instauração do Inquérito. Durante o curso do Inquérito. ato de ofício. recusar requerimento de abertura de IP proveniente do MP (art. comunicá-la à autoridade policial. mas tal figura não mais existe em nosso ordenamento. 5º. mandando autua-lo com as instruções para as conhecimento da diligências que devem ser efetuadas por seus subalternos. 13 II CPP). verificada a procedência das . 234 – 235).que tiver do povo lo. Providências do ofendido no caso de recusa de instauração do Inquérito Policial Conforme bem ensina Tourinho Filho (2004.detenção. 319 do CP. p. devendo a parte interessada ingressar com a ação penal antes do término do prazo legal. deve a autoridade solicitar os esclarecimentos necessários para que se proceda à abertura do IP (MIRABETE. sob pena de não mais poder faze-lo. Neste sentido Mirabete (2003.98) manifesta-se em seu Código de Nos crimes de Processo Penal Interpretado. quando houver recusa da autoridade policial em instaurar o inquérito policial. p. e esta. Incumbirá ainda à autoridade policial: II . 319. existência de infração servindo o requerimento de peça inicial do inquérito. e multa. Dever de Instauração do Inquérito Policial Deve a autoridade policial instaurar o IP sempre em caso de ação penal pública incondicionada (art. ou praticálo contra disposição expressa de lei. Retardar ou deixar de praticar. p 87-88). para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena . Se a requisição vier sem os requisitos mínimos para que se possa iniciar o ato investigatório. o superior hierárquico da autoridade policial. Conteúdo do Requerimento É necessário que no requerimento exista o conteúdo mencionado no artigo 5° do CPP. crime do art. verbalmente ou por escrito. independente de sanção disciplinar imposta por seu superior. para de correr a decadência penal? Não. de 3 (três) meses a 1 (um) ano. pois os requisitos elencados na verdade configuram as informações mínimas para que possa a autoridade policial instaurar o IP. o auto da mesma somente poderá ser lavrado se já houver sido requerida a instauração do IP pelo ofendido ou por quem tenha poderes para tanto. Art. 13. 1999. indevidamente. por isso passou-se a considerar equivalente ao antigo chefe de polícia. Qualquer pessoa Apresentado tal requerimento deve a autoridade despachá.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Sim.realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público.

Delatio Criminis Há entendimento no sentido de não ser considerada a delatio cirminis anônima por se considerar crime a denunciação caluniosa e a comunicação falsa de crime. estando este convencido da necessidade do IP requisite a sua abertura à autoridade policial. p. sendo assim. mas o despacho deve ser fundamentado. Legítima Defesa. disciplinar e criminalmente. sendo ainda hoje aceita. Inicialmente deve a autoridade policial proceder de acordo com o art 6º CPP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS entender que não haja justa causa para o inquérito. 08). que não a poderá negar. p. deve instaurar o IP. Afirma ainda que a lei não impede novo recurso em caso de indeferimento do primeiro. Incumbirá inda á autoridade policial: I-. possível ao ofendido ingressar com o mesmo até o final do prazo decadencial. Mirabete (2003. Se. 13 II do CPP: Art. 236 -262) verifica-se que o entendimento desses mestres é no sentido de que. pode o ofendido ingressar com esse quantas vezes julgue necessário (até a decadência). assim. Ele indica quais as primeiras diligências a serem tomadas para que a autoridade possa colher ao vivo os elementos da infração. devendo para isso 31 . p. por seu caráter de maior abrangência (Disque denúncia) (TUCCI apud DAMÁSIO 1998. 87-90) mostra que a lei não determinou prazo para a interposição deste recurso. nos termos do art. Desse indeferimento cabe recurso ao “chefe de polícia” (chefe imediato da autoridade). pois é obrigação da autoridade policial realizar as diligências que este requisitar. mesmo que verifique a autoridade policial a ocorrência de uma causa excludente da ilicitude. p. não houver êxito do particular em ver instaurado o Inquérito. ainda.. são elas: Estado de necessidade. 8889) e Tourinho Filho (2004. exercício Regular de Direito e estrito Cumprimento do Dever Legal! Procedimento Instauração e Atos Iniciais Utilizando-nos dos ensinamentos dos professores Mirabete (1999. sendo. pode o mesmo. recorrer ao MP para que.. havendo a negativa do recurso pelo superior hierárquico. qualquer que seja a denominação dessa autoridade conforme a regulamentação legal federal ou estadual. mesmo recorrendo. 13. “II-Cumprir as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público”. Sendo que pela negativa sem fundamentação responde a autoridade policial administrativa. porque somente se analisarão as excludentes da ilicitude na ação penal propriamente dita. Vimos as excludentes da Ilicitude em nosso tema 3 de Direito Penal.

Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração. sendo importante. à noite. indicam que pode a autoridade policial realizar qualquer diligencia que julgue necessária à apuração do fato. Ressalva-se. de acordo com o referido artigo. pode ordenar a mudança da posição dos veículos se estiverem impedindo ou atrapalhando o tráfego. que não poderá realizar busca e apreensão em residência. sendo que tais objetos acompanharão o IP e o processo se necessário. p. no relatório. as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos. desenhos ou esquemas elucidativos.862. 169. Estes Art. Ainda. Os peritos registrarão. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. portanto. 238). Na afirmação dos autores. a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das cosias até a chegada dos peritos. 32 . 6º do CPP. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº. Ainda de acordo com o art. muitas vezes um objeto apreendido e relacionado ao crime. a autoridade. Em caso de acidente ou vítima necessitando de atendimento hospitalar de urgência. que poderão instruir seus laudos com fotografias. Cabe ainda à autoridade recolher as provas que sejam úteis ao esclarecimento dos fatos e suas circunstâncias. pode autorizar a sua imediata remoção para que seja prestado o socorro. Apreensão de Objetos Utilizando-nos dos conhecimentos de Tourinho Filho (2004. porém. Parágrafo único. somente não os sendo aqueles objetos ilícitos. reconhecimento ou outra providências. é possível à autoridade policial efetuar a modificação da posição dos veículos para fins de escoamento de tráfego e ainda a remoção da vítima ferida ao hospital (TOURINHO FILHO. dirigir-se ao local providenciando que não se mude o estado das coisas até a chegada da perícia criminal. as alterações do estado das coisas e discutirão. Diligências O Artigo 169 CPP adianta que para o efeito do exame do local onde houver sido praticada a infração.03. os autores citados de inicio. 2004. contém em si muitos indícios ou até mesmo provas da autoria do delito. desde que sejam observados os direitos e garantias constitucionais pode a autoridade policial realizar qualquer diligência que julgue necessária á apuração do fato. no laudo.1994) objetos devem acompanhar o IP. Em caso de acidente de automóvel. na afirmação do autor.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS agir com presteza para que não se mude o estado das coisas no local do crime ou ainda desapareçam armas ou indícios. desenhos ou esquemas elucidativos. mesmo com mandado e nem durante o dia. quando não tiver em posse do mesmo. que poderão instruir seus laudos com fotografias. 8. Deve então. A maioria dos objetos apreendidos após o término do processo são devolvidos a seus proprietários. Em caso de vítima necessitando de socorro médico. p. 239) entendemos que a autoridade policial pode apreender todos os objetos relacionados ao crime e a seu esclarecimento. para a instrução criminal que os mesmos fiquem à disposição caso seja necessário realizar alguma perícia. deve apreender os objetos que tiverem relação com o crime após a liberação pelos peritos criminais. de 28.

Deve o ofendido ser notificado para o comparecimento para prestar esclarecimentos. então. entre os respiratórios etc. Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração. 91. p.Ainda alínea a inciso II art. durante o dia (6 – 18 horas). pois com tal medida é que se possibilita uma eventual perícia. 1999. ao compararmos os ensinamentos doutrinários com o texto da lei. pela própria autoridade policial. 1597) 33 . não influi no conceito de noite do CPP. 91 CP. 175 CPP Art. até mesmo por seu envolvimento emocional com os fatos ocorridos. não se aplicando a ele o disposto sobre a possibilidade de condução coercitiva. que a busca e apreensão de objetos.). a fim de se lhes verificar a natureza e a eficiência. até mesmo por ser a pessoa que possui o maior número de declarações sobre os fatos. sendo-lhe assegurada a do geralmente como assistência da família e de advogado. bem como os objetos que interessarem à prova. 124 CPP Art. usa quais o de permanecer calado. e não pode ser o ofendido considerado testemunha. se houver interesse na sua conservação. Art. serão inutilizados ou recolhidos a museu criminal. São efeitos da condenação: II . 175. Busca e Apreensão A busca e apreensão sempre deve observar o disposto no art. nos mesmos moldes do O polígrafo é um interrogatório do réu em juízo. LXII da fisiológicos (pressão CF art.a perda em favor da União. muitas vezes é imprescindível para a solução da lide penal. Se o ofendido se recusar a comparecer será somente processado por desobediência. ou com o consentimento do morador da casa. acompanharão os autos do inquérito. É claro que o valor probante das declarações do ofendido é restrito. sem qualquer ordem judicial. movimentos LXIII . Art. Neste sentido temos:Art. cuja perda em favor da União for decretada. Oitiva do Ofendido Já nos diz Tourinho Filho (2004. mas a residencial somente poderá ser feita com ordem judicial. ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso. Os instrumentos do crime. 11. 5º arterial. devendo este ser entendido das 18 as 6 e não das 20 as 6 horas. Os instrumentos do crime. A norma do art.243) que deve a autoridade policial ouvir o ofendido. 242 . detector de mentiras (FERREIRA. de acordo com o disposto no artigo 100 do Código Penal. 5º XI CF A busca pessoal pode ser realizada em qualquer horário. 172 CPC. e as coisas confiscadas. e ainda de acordo com as regras do art 5° inciso instrumento que registra diversos fenômenos CF/88. 124. Oitiva do Indiciado A oitiva do indiciado deverá ser feita. uma vez que o art 219 CPP trata de testemunha. Podemos ver. Art. p.o preso será informado de seus direitos.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS ou que foram perdidos em favor da união ou confiscados por serem instrumentos do crime. ou até mesmo um reconhecimento por patê das testemunhas.

Quando a infração deixar vestígios. coerência e firmeza. somente terá valor se ao final a autoridade policial fizer constar observações sobre as reações fisionômicas dos acareados. Os tratamentos acima descritos. com observância. no que for aplicável. amital sódico. sem desaparecer completamente o contato dele com o meio ambiente). a autoridade policial. são os reprovados pelo art 5 III CF que diz que “Ninguém será submetido a tratamento desumano ou degradante” Exame de Corpo de Delito é aquela perícia realizada no objeto material do crime e que permite buscar indícios e provas da autoria do dleito no mesmo. direto -250) que deve ainda determinar. p. 244-247). expedir-se-á precatória à autoridade policial do lugar onde resida o outro acareado. transcrevendo-se as declarações deste e as do outro nos pontos em que divergirem. pentotal. estreitando o campo de ação de sua consciência. a fim de que se complemente a diligência ouvindo-se o ausente pela mesma forma estabelecida para o presente. segundo Tourinho Filho (2004. Art. será Continua a nos ensinar.ouvir o indiciado.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Código de Processo Penal Art. O auto de acareação. 2004. tais como: • • O Polígrafo. 247 de corpo de delito. bem como análise de sua compostura. A narcoanálise. evipan. Não é permitida qualquer forma vergonhosa ou qualquer processo que vise a devassar o íntimo psíquico do indiciado. a esta se dará a conhecer os pontos de divergência consignando-se no auto o que explicar ou observar. a autoridade policial. quando necessário proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e ainda proceder a acareações. 6º. Com o emprego de tais drogas o indivíduo adormece ligeiramente. e mesmo de testemunhas. bem como o texto do referido auto. Exames Periciais Não são apenas os exames de corpo de delito que podem ser realizados durante a feitura do IP. 34 . indispensável o exame p. metedrina que possibilitam penetrar no inconsciente. ainda. Ausente alguma pessoa cujas declarações divirjam das de outra que esteja presente. p. sempre que o ou indireto. do disposto no Capítulo III do Título VII. 158. confissão do acusado. Tal diligência somente poderá ser realizada se não importar demora para a conclusão do IP e à evidência da autoridade policial reputá-la conveniente. o nobre professor Tourinho Filho (2004. deste Livro. Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal. não delito podendo supri-lo a deixar vestígios. Reconhecimento e Acareações Deve. a autoridade policial deverá: V . Se subsistir a discordância. mas quaisquer outras perícias que se achem relevantes. (uso de drogas como a escopolamina. que se proceda à exame de corpo de delito. 247-250). (TOURINHO. afirma Tourinho. devendo o respectivo termo ser assinado por 2 (duas) testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura.

conforme se depreende do art 6 inc VII CPP. Poderá a autoridade policial proceder a tais exames por si só sem qualquer autorização judicial. acima indicados.862/94. como se constata pelo art. 184 CPP. pois como no IP não existem partes. nos termos do art. Podem se ter peritos não oficias quando. não os houver na comarca e seja difícil o acesso aos mesmos. 158 Não se pode tirar daí que os outros exames perícias não têm o mesmo valor e que. que sendo muitas vezes impossível que se repita à perícia em juízo pela possibilidade de deterioração do material periciado. III. não cabe ao ofendido fazer qualquer quesito. 149 § 1º CPP. Sejam oficiais ou não oficiais. sendo que somente em caso de perícia para a comprovação de insanidade mental do indiciado é que deverá requisitar à autoridade judicial competente. CPP art. 167. prova contra si. para que se possa colher 35 . Art. As partes não intervirão na nomeação do perito. o autor que não está o indiciado obrigado a participar da Organização Criminosa simulação. 276. Quem realiza tais exames são os peritos ( regulados no CPP pelo Cap. 110 a 111). qual. 8. estaria produzindo. Poderá ainda proceder à simulação do crime. p. Entende Tourinho Filho (1990.240). ressalvada a hipótese do art. VI do Livro I). com tese. ainda. b CPP diz que haverá nulidade se não for feito o exame de corpo de delito nos crimes que deixam vestígios. as partes podem formular quesitos para a perícia. nos termos do art. na contra organizado hierarquicamente. não se tem admitido tais formulações. 159 do CPP pela Lei n. na realidade somente podem ser negados quando não forem relevantes para a elucidação do fato delituoso. 564.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O Art. como por exemplo. em voz de comando. conforme o exposto nos arts. podendo ficar calado. 276 CPP. deve-se por segurança conceder ao indiciado a possibilidade de efetuar os quesitos que julgar necessários ao esclarecimento da verdade até mesmo para que tal perícia não venha a ter seu valor diminuído por tal omissão. por exemplo. cabendo única e exclusivamente a autoridade policial fazê-los. há entendimentos que na perícia ocorrida durante o IP. A situação dos peritos que irão oficiar no feito está disciplinada na nova redação dada ao art. com o intuito de praticar crimes! Afirma. ser substituído nem mesmo pela confissão do indiciado. ter-se uma idéia do estado mais de três pessoas do indiciado frente à reprodução dos fatos (MIRABETE. os peritos não podem ser indicados pela vítima ou indiciado. Certo também que a autoridade não pode indeferir requerimento da vítima ou do indiciado no sentido de que se realize o exame de corpo de delito. Não pode o exame de corpo de delito. Não podem as pessoas nomeadas para tal encargo recusá-lo (art. 2003. p. 176 CPP. portanto. 277 CPP). Segundo o art. pois uma vez que a CF lhe confere o direito à não produzir prova nada mais é do que a quadrilha ou bando mais si mesmo. A mesma regra aplica-se a simulação. poderiam ser negados pela autoridade policial quando esta bem entender. Simulação do Crime Considera-se quadrilha maiores ou bando a reunião de detalhes sobre os fatos.

portanto.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ainda na apuração de infração penal. Indiciado o suposto autor do fato delituoso. 262). crime de receptação qualificada. identificação civil. cometida por quadrilha ou bando ou por organizações criminosas. crimes contra a liberdade sexual. quando houver fundada suspeita de falsificação da identidade civil apresentada. p. excepcionalmente. segundo o que dispõe a Lei 10. deve obrigatoriamente indiciá-la.054/2000. mas somente à leitura das declarações. A folha de antecedentes nada mais é que um constar dos registros policiais o uso de outros nomes ou de falsificação relatório que apresenta todos os processos de documento. deve a autoridade policial ouvi-lo. penais a que o indiciado houver registro do extravio do documento de identidade. Indiciamento Indiciamento é a imputação a alguém. Ressalta-se que somente será identificado criminalmente. ATENÇÃO! Após a oitiva do indiciado. As pessoas envolvidas com ações de organizações criminosas. havendo meras desconfianças. o documento apresentado seja por lapso temporal da expedição impeçam a certeza da identidade. todas as suas não comprovar em 48 horas a veracidade da identidade civil. O indiciado também pode ser conduzido coercitivamente para o Interrogatório. escutas. mas não sendo obrigado a responder quaisquer perguntas. se o indiciado bem como responde. crime de falsificação de documento público. deve o mesmo ser identificado. crimes contra o patrimônio praticados com violência ou grave ameaça. não pode ser a pessoa de quem se desconfia indiciada. ser criminalmente identificadas. (TOURINHO. infiltrações. Ensina Mirabete (1999. passagens pela polícia. pois havendo provas que apontem a autoria para determinada pessoa. porém. 90 – 994) que não pode optar a autoridade policial por indiciar ou não. se houver praticado: • • • • • • • • • homicídio doloso. deverão. no IP a prática do fato delituoso. em qualquer hipótese. mesmo possuindo a 36 . mas tais diligências somente poderão ser feitas mediante prévia autorização judicial. devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que tenham ouvido a leitura das declarações. necessário que as testemunhas assistam ao interrogatório. 2004. quando possuir identificação civil. é possível haver a quebra de sigilo telefônico. não sendo. p.

Enquanto a maioridade civil se dava aos 21 anos a penal se dava aos 18. Incomunicabilidade Revogou a CF 88 os preceitos que amparavam a incomunicabilidade do réu. acabou-se por erradicar a figura do curador para os maiores de 18 anos e menores de 21. para que se possam reunir elementos para a apreciação de seu comportamento e caráter. p. A função primordial do curador era assistir ao menor. Ocorre que em função da nova maioridade civil. terá o mesmo nomeado um curador pela autoridade policial. 2004. não pode se obrigar a nomeação de curador para o índio. pode a autoridade policial conduzi-lo de forma coercitiva.94). que retirou o silvícola do rol dos relativamente capazes. devendo ser a prisão imediatamente relaxada. na ação penal. para tal comprovação. equiparouse as maioridades! (CC art 5º. apesar de ser praxe comunicar-se à FUNAI (Fundação Nacional do Índio). mas aponta para o MP requerer as devidas certidões. esses passaram a ser disciplinados unicamente pela legislação específica. Quanto ao índio. Por muitos anos tivemos a maioridade civil diferente da maioridade penal. ATENÇÃO! A folha de antecedentes não comprova a vida pregressa do indiciado. Indiciado Menor Se o indiciado for menor. não sendo mais possível em nosso ordenamento jurídico que tal ocorra. a ausência de curador em caso de prisão em flagrante de menor causa a nulidade do ato. familiar.. p. mesmo que esteja sem procuração. p.(TOURINHO FILHO. Como a legislação não fala em curador para silvícola. Deve ainda a autoridade policial diligenciar para juntar aos autos do IP a folha de antecedentes do indiciado. Mesmo que ainda fosse permitida a incomunicabilidade. CP art 27). mas hoje. pois a maioridade civil equiparou-se à maioridade penal com o advento do novo Código Civil. 1999. nos atos do processo. (MIRABETE. (MIRABETE. por isso era necessário o curador. para que se possa ter conhecimento de sua vida pregressa. É direito do preso comunicar ao advogado e à família a prisão e o local onde se encontra. relativamente incapaz (maior de 18 e menor de 21). 262) Deve ainda averiguar a vida pregressa do indiciado. 94) A incomunicabilidade consistia em ficar o acusado sem contato com qualquer pessoa diferente das autoridades policiais e judiciárias. poderia o preso ter acesso ao advogado. o qual tem livre acesso ao seu cliente. mas não pode ser analfabeto. com o advento do novo Código Civil.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Se o indiciado se recusar a proceder a identificação criminal regular. não podendo a autoridade policial proceder de forma a impedir tal comunicação. sendo que este curador não precisa ter conhecimentos profissionais. no caráter social. 37 . econômico etc. 1999. Já no caso dos menores. com a vigência do novo Código Civil.

Ressalte-se que é da autoridade policial o primeiro contato com o acusado. 38 . • • Deve ainda a autoridade nomear curador ao menor de 21 anos. • Ainda realizar as diligências requisitadas pelo MP e pelo Juiz. p. • Incumbe ainda prestar informações e considerações que possam ser de utilidade no esclarecimento do crime em todas as suas circunstâncias. Encerramento Mirabete (1999. 6° e 7° CPP. o mesmo ocorre quanto à sanidade mental do mesmo. além de proceder às diligências descritas nos arts. por ter o primeiro contato com o acusado. ( art. tomar outras providências descritas no art. somente podendo se negar a cumpri-las quando ilegais. Proceder a novas pesquisas após o arquivamento de IP a fim de verificar alguma possível alteração no estado das investigações daquele delito. E. • Cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias (tanto os relativos à prisão provisória. 321 e seguintes). por fim. deve fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos. Vejamos quais são elas: • Em primeiro lugar. 95 – 97) ensina que concluidas as investigações deve a autoridade policial fazer um minucioso relatório do que foi apurado no IP. quanto relativos à prisão por sentença transitada em julgado). executar mandado de prisão expedida por juízo cível.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Deveres da Autoridade Policial Deve a autoridade policial. • • Arbitrar fiança em determinados casos. (alguns entendem que foi derrogado). visto que é essa a função primordial do inquérito policial a quem é responsável a autoridade policial. pois da mesma forma que sente a necessidade de prisão preventiva antes. • Representar para instauração de incidente de insanidade do indiciado. 13 CPP. desde que haja provas da existência do crime e de sua autoria. podendo perceber ou ao menos desconfiar quando o mesmo se encontre enfermo mentalmente ou não. • Representar acerca da necessidade de prisão preventiva por ser a primeira autoridade a sentir sua necessidade pela proximidade com o indiciado e com os fatos relativos ao crime. pois não se pode obrigar a autoridade policial a cumprir ordem ilegal mesmo que seja proveniente de juiz ou membro do ministério público.

1999. entretanto. p. mesmo depois de proposta ação penal. Ainda afirma o autor que. denúncia requerer o arquivamento do O que se admite. chegando a autoridade insistirá no pedido de policial arquivamento. uma vez que não é essa a finalidade do IP. p. o juiz no para o encerramento da Instrução Criminal (da qual o IP não faz parte). razões invocadas. exprimir as impressões deixadas por pessoas que intervieram no IP. inclusive. Quando da instauração do IP. instrumentos e demais provas relativas ao crime. inquérito Policial ou de estando quaisquer peças de o réu preso. ou requerimento do ofendido ou seus representantes. O MP pode requerer a devolução do Inquérito à Autoridade Policial para diligências imprescindíveis ao oferecimento da denuncia. podendo esta. O arquivamento do IP somente pode ocorrer com a homologação do designará outro órgão Juiz. Uma vez caso de considerar improcedentes as ultrapassado tal prazo. Contudo. é que indevidamente prorrogado o Inquérito. 98 – 101) que. sendo que esta regra que deve ser observada por analogia em relação ao ofendido. Réu solto: 30 dias a contar da notitia criminis. a manutenção da prisão não pode ultrapassar o prazo total informação. pode ser indicado. ao invés de apresentar a do Habeas Corpus. não cabe à autoridade policial fazer qualquer juízo de valor. Essa prática “tem sido deferida ordinariamente mesmo que não seja de difícil elucidação devido ao acumulo de trabalho”. fará remessa do inquérito ou peças de informação ao Arquivamento procurador-geral. (MIRABETE. deverá incluir tal informação só então estará o juiz em seu obrigado a atender. ser alterada no encerramento se verificado engano inicial. e este oferecerá a denúncia. delineia o autor que já deve a autoridade policial indicar a classificação do crime. 97). deve a autoridade policial remetêlo ao juiz competente. pode o MP ou o ofendido requerer que a autoridade policial proceda a diligências Neste sentido temos o art. relatório e encaminhá-lo ao MP. Isto seria uma forma de constrangimento ilegal sanável pela via ministério Público. como afirma o autor. A classificação apontada pela autoridade policial é provisória e não vincula o MP. Quando o fato for de difícil elucidação pode o juiz prorrogar o lapso temporal do IP. Devem acompanhar os autos do IP. 28 CPP: No caso de réu preso não pode haver prorrogação do prazo de “ Se o órgão do conclusão do IP. Concluído o IP e elaborado o relatório. as armas. Mas como se dá? do Ministério Público para oferece-la. em regra. 39 . ao qual à conclusão de que deva ser o IP arquivado. as testemunhas que não tenham sido inquiridas indicando o lugar onde possam ser encontradas. Pode. o réu deverá ser imediatamente posto em liberdade. Regra geral duração IP • • Réu preso: 10 dias a contar da prisão.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Nesse relatório. O promotor deverá analisar todos os importantes para a instrução do processo em autos apartados. porém. ou Ensina-nos Mirabete (1999. no relatório que põe fim ao Inquérito.

auxilia. Vamos exercitar? 1)Agora que você já conhece como se dá um Inquérito Policial. uma vez que traz elementos para o esclarecimento da autoria e materialidade do fato. ou então poderá ele mesmo fazer a denúncia dando prosseguimento ao processo penal. que: a) Pode o mesmo se dar por ato da autoridade policial. discordando sobre o arquivamento. na persecução penal. Comentário Você pode sinalizar em sua resposta na seguinte direção: o Contraditório e a Ampla defesa não são utilizados porque o inquérito policial não julga os fatos. em muito. por ser peça meramente informativa. b) Somente se dá por pedido do promotor de Justiça ao Juiz. não cabendo. apesar de não fazer parte do Processo Penal propriamente dito. então muitas limitações que ocorrem na persecução. quanto ao arquivamento do Inquérito Policial. o juiz deverá obrigatoriamente arquivar o IP.É correto afirmar. portanto. Se o Procurador Geral não concordar com o arquivamento designará um outro promotor para que proceda à denúncia no processo. somente colhe dados. não existindo. o mesmo deverá remeter os autos ao Procurador Geral do Ministério Público que analisará os autos e decidirá se concorda ou não com o arquivamento. d) NRA 40 . remeterá os autos ao Procurador Geral do Ministério Público. por que não se aplicam ao mesmo o princípio do Contraditório e da Ampla Defesa e. ainda. o IP estará arquivado. Conclusão O Inquérito Policial. c) Somente se dá por ato do Promotor de Justiça e o Juiz não pode discordar da opinião do Promotor. diferentes das regras aplicadas ao processo penal. O mesmo possui regras específicas. fará pedido de arquivamento dirigido ao juiz competente.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS autos do IP e concordando com a autoridade policial. Se o Procurador Geral concordar com o arquivamento. Se o juiz concordar. nenhuma acusação de que se defender. Mas e se o Juiz não concordar com o pedido de arquivamento? Não havendo a concordância do juiz em realizar o arquivamento. tente explicar com suas palavras. 2. que. se a não utilização dos mesmos atrapalha a defesa do réu no processo penal.

John.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Comentário Para responder a esta questão. é necessário que a vítima ofereça representação (pública condicionada) ou requerimento (ação privada). 3. 41 . Código de Processo Penal Anotado. já nas Ações Penais Pública Condicionada e Privada. Vimos ainda que. 2004.Quanto á instauração do Inquérito Policial. a autoridade policial peça autorização do juiz por meio de portaria. para instaurar o Inquérito Policial. de ofício. São Paulo: Saraiva. não podendo. Novo Aurélio Séc XXI: o dicionário da língua portuguesa. que á ele não se aplicam certos princípios de Direito Processual Penal. e ainda que o mesmo serve como peça informativa. bem como nos conhecimentos que você tem sobre o princípio da indisponibilidade do processo. Damásio E. por exemplo. Vimos que o mesmo é um procedimento administrativo e não judicial. 3 ed. é correto afirmar que: a) A autoridade é obrigada a instaurar. Aurélio Buarque de Holanda. Vimos que o mesmo é presidido pela autoridade policial (delegados de carreira) e que a autoridade deve seguir algumas regras de conduta durante o Inquérito. desde que legal a mesma. recusar-se a realizar diligência requerida pelo Ministério Público. antes. Introdução Histórica ao Direito. c)Quando houver prisão em flagrante. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. b)Pode se dar por meio de requerimento do Juiz. basta que a autoridade policial tenha conheciemnto do delito. 1995. procure em seus conhecimentos sobre arquivamento do Inquérito Policial. Inquérito Policial sempre que tiver conhecimento de um crime. 1999. Rio de Janeiro. Referências FERREIRA. será necessário que. d) NRA Comentário Procure responder a questão utilizando seus conhecimentos sobre a instauração de IP em relação a cada um dos tipos de ação penal existentes. Síntese da tema Conhecemos nesta nossa aula o que é o Inquérito policial.Nova Fronteira. JESUS. GILISSEN. mesmo que seja crime que se procede por Ação Penal Privada. 14 ed. para que haja um inquérito relativo à crimes de Ação Penal Pública Incondicionada.

1998. 14 ed. Fernando da Costa. estudaremos a Ação Penal propriamente dita. Jurisdição. São Paulo: Saraiva. 2004. Fernando da Costa. Tema 03 Ação Penal. a competência. Elementos de Direito Processual Penal. Curso de Direito Processual Penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS JESUS. 1990. Curso de Direito Processual Penal. Magalhães. NORONHA. MARQUES. José Frederico. de. 27. E. Competência e Procedimentos Processuais Meta do tema Apresentação da Ação Penal. por Adalberto José Q T de Camargo Aranha. E. 1999. Atual. Magalhães. CampinasSP: Millennium. 42 . 27 ed. Damásio E. NORONHA. São Paulo: Saraiva. 1999. Atual. com suas fases e desenvolvimento até a sentença. Saraiva. 2000. Processo Penal. São Paulo : Saraiva. Código de Processo Penal anotado. Processo Penal. ed. TOURINHO FILHO. Informações sobre o próximo tema Em nossa próxima aula. os procedimentos do Direito Processual Penal. TOURINHO FILHO. São Paulo. São Paulo: Saraiva.

suas modalidades e os requisitos de cada espécie. neste tema você estudará a Ação Penal. ambos com as 43 peculiaridades que lhes competem. você deve ter conhecimentos dos princípios Processo. Discutiremos os conceitos e as diferenças entre jurisdição e competência. Conceito Como estudamos na disciplina Introdução ao Estudo do Direito. Aconselhamos a você. 447). Identificar os sujeitos. ao final desta aula. Tourinho Filho (1986. 24 ao 30). reler os princípios gerais que você estudou em Teoria Geral do Introdução Caro aluno. invocando a Código de Processo Penal (art. você seja capaz de: • • Classificar a Ação Penal. Por fim.100) e no agir exercido perante os juizes e tribunais. enumerando suas delimitações. Explicar a diferença entre jurisdição e competência. que assim considera: está prevista no Codigo Ação Penal pode ser conceituada como o direito de Penal (art. • • Identificar as formas de exceções e os impedimentos no Processo Penal. seus pressupostos e modalidades. exigindo a garantia jurisdiconal. penal. as provas e procedimentos processuais pertinentes ao Direito Processual Penal. 263) conceitua que: Se o Estado aboliu a vingança privada como forma de composição de litigio e avocou o monopólio da administração da justiça. apresentaremos os procedimentos e os meios de prova pertinentes a nossa disciplina. p. uma vez que é vedado a autotutela e a autocomposição. a Ação Penal p. obviamente surgiu para o cidadão o direito de se dirigir a ele [Estado].EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Objetivos Esperamos que. o monopólio da justiça e do direito de punir pentence exclusivamente ao Estado. Pré-requisitos Para mellhor endenter este tema. portanto. . O que é Ação Penal? Para conceituar a Ação Penal buscamos os ensinamentos de Nucci Como matéria de direito (2005. informadores do Direito Processual Penal. bem como as formas de incidentes processuais.

para que o indivíduo possa requerer a tutela jurisdicional. no reconhecimento. cabível em qualquer procedimento jurisdional. 43. que se divide em legitimação ordinária que compete aos membros do Ministerio Público. se aquela conduta constitui ou não crime (CAPEZ. dentro do Processo Penal. 98). leva mais em conta os fatos narrados. Tem a Ação Penal como característica ser: a) direito subjetivo. e d) direito abstrato. tendo o querelante legitimidade extraordinaria 44 . de da 1 – Condições genéricas da Ação No primeiro periodo. a possibilidade jurídica do pedido. dentro do processo penal. estudamos que a demanda jurisdiconal requer condições genéricas da ação. podendo o demandante exercê-lo sem que exerça o direito material (CAPEZ. I do CPP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS pretenção jurisdiconal. Assim temos que a Ação Penal é o direito-dever do demandante de requerer ao Estado-Jurisdição a prestação jurisdicional da tutela de direito violado ou ameaçado de ser violado. 5º. em abstrato. inciso XXXV da C. na disciplina Teoria Geral do Processo. a legitimidade da ação e o interesse de agir. c) direito autonômo. b) direito público. A Possibilidade jurídica do pedido. que na esfera criminal. é a existência da pretensão punitiva do Estado. Ou seja. p. é a legitimidade de iniciar a ação. Condição da Ação Penal As condições da ação são os requisitos mínimos.F). assim como dispõe o art. Condições da Ação Penal • 1 – Condições genéricas • • 2 – Condições Especificas da Ação Penal • a possibilidade jurídica do pedido a legitimidade da ação interesse de agir Condição procedibilidade Ação Penal. 113). pois não se confunde com o direito material. A legitimidade da ação. porque o direito de postular ação é inerente a todas as pessoas (art. São elas a possibilidade jurídica do pedido. 2001. definido como crime. exige como condição positiva a evidência de um fato típico e antijurídico. p. 2006. exigidos por lei. pois é dirigido sempre ao Estado – Juisdição.

114). 2006. que a dispõe. é a condição do impulso inicial da demanada penal. p. e sua natureza jurídica é exclusivamente pública. 2001. onde não houver qualquer menção no tipo penal. que a Ação Penal Pública é a regra geral. sendo que. Assim. afirma ser uma divisão subjetiva da ação. 2006. que também são chamadas pela doutrina como condições de procedibilidade da ação penal. quando estudaremos a ação penal. O interesse de agir compreende a necessidade e utilidade de punir o infrator.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS (CAPEZ. 2006. Classificação da Ação Penal Para melhor entendermos como funciona a Ação Penal. o autor ainda afirma que deve-se visualizar que a Ação Penal se classifica em quatro espécies (estudaremos seus conceitos em tópico posterior). a ação penal pública incondiconada (tipo geral) será observada pelo critério da exclusão. Lembrando que a Ação Penal é de competencia do Estado-Jurisdição. 24 do CPP). p. 113). Iremos discutir sobre esse legitimação. como deve ser proposta a 45 .o tipo penal. sendo a ação privada uma exceção. que se amolda ao tipo de ação que deve ser proposta (CAPEZ. temos as condições específicas da ação. Direito Público 2. 2 – Condições específica da Ação Penal Na esfera do Direito Processual Penal. p. o que somente pode ser feito pelas vias jurisdionais(CAPEZ. da Dispõe o CPP (art. ou seja. é necessário dividirmos em duas esferas de procedibilidade a demanda da ação. Para melhor entedermos essas condições. Direito Privado Ação Penal Pública Incondicionada Ação Penal Pública Condicionada Ação Penal Exclusivamente Privada Ação Penal Privada Subsidiária Pública. p. Capez. e dependendo desses tipos. ao exemplificar essa divisão.114). observem o esquema abaixo: Vamos exemplificar? Classificação da ação 1. 2 . ela somente se iniciará mediante a condição de procedebilidade do responsável legal pela a Ação Penal. que se caracteriza na qualidade do sujeito que detém a titulariedade de demandar a ação penal (CAPEZ . em tópico posterior. 98) Para melhor visualizarmos essa classificação. A natureza dessa divisão está dentro dos seguintes pressupostos: 1 -legitimidade ordinária e extraordinária de demandar a ação.

A Ação Penal somente poderá ser proposta contra a pessoa que praticou o crime. Define tal princípio que a ação penal Oficialidade Indivisíbilidade Intranscedência: Obrigatóriedade: 46 . uma vez que somente ao Estado-jurisdição compete a demanda penal (MIRABETE. 24 do CPP e do art. 125). por exelência. Nos termos do art. não sendo ela condicionada a qualquer termo (MIRABETE. p. p. Quanto aos seus princípios. como define a lei. sendo que na ausência de especificação da ação no tipo penal. e tem por princípio a existência de provas suficientes do crime. A Ação Penal deve abranger a todos aqueles que cometeram o crime (art. Essa ação. é público e oficial. 104 do CP. Segundo entendimento do STF. toda Ação Penal é pública. caput do CP). tem a forma geral da Ação Penal. a ação sempre será pública incondicionada (art. 2000. 126). 100. compete exclusivamente ao Ministério Publico.1 – Ação Penal Publica Incondicionada: Vem disciplinada no art. meio em que o crime e a pena somente poderá ser imputada ao infrator do tipo penal. Essa legitimação dentro do Processo penal é a chamda legitimação ordinária. 125). a Ação Penal Pública se classifica em: 1. é uma subespecie do princípio perssonalíssimo do Direito Penal. seja ela na modalidade de incondicionada ou condicionada a representação. caput. não dependendo de qualquer manifestação do ofendido ou de outrem. 100. 24. a Ação Penal é: Principios da Ação Penal Pública Indisponibilidade Uma vez oferecida a ação. 2000. como afirma o autor. p. o membro do Ministério Público não pode mais desistir da ação. 48 do CPP). 1 – Ação de direito público Incondicionada a Ação Penal porque não depende de qualquer condição de procedibilidade para ser proposta pelo Ministério Público. que é responsável pela oferecimento da denúncia. do CP. a Ação Penal Pública inicia-se com o oferecimento da denúncia. O orgão do MP. Apenas a existência do crime. não há que se falar em decadência na ação penal publica incondicionada. A titulariedade desta modalidade de ação. 2000. Em regra geral. por exclusão será ela Ação Penal Pública Incondicionada (MIRABETE. Levando-se em conta a natureza do crime. 1º parte do CPP e art.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ação Penal.

39. 2005. poderá Estudaremos a extinção esse dispensar o inquérito policial. Depois de oferecida a denúncia. meio em que ela pode ser : Condições de procedibilidade da Ação Penal Pública Condicionada Requesição do Ministro da Justiça: Nos crimes contra a honra do Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro e para a persecução de crimes praticados no estrangeiro contra brasileiros. que deve ser taxativamente especificada no tipo penal. 1. Representação do ofendido ou do seu representante legal (NUCCI. 39 do CPP. continuados e permanetes (art.Ação Penal Publica Condicionada: A outra modalidade de Ação Penal Pública é a condicionada. por ser ela condicionada a atos de outrem. dispostos nos casos em que o tipo penal determina que a ação somente se procede mediante representação.2 . pessoalmente ou por meio da procuração. CP) o prazo decadencial c)requerer o arquivamento. p 104 a 106). . 4º e 5º do CPP). 448). O texto da lei. Portanto. após receber a representação pode proceder das seguintes formas: Nos crimes a)oferecer a denúncia. 71 do b)requerer a decretação da extinção da punibilidade. 39. A condição de procedibilidade siginifica dizer que a ação depende de prévia provocação do interessado. 2006. oferencendo a denúncia no prazo de punibilidade em de quinze dias.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS pública é obrigatória quando presentes provas suficientes da materialização do tipo penal (CAPEZ. Embora essa ação seja de competência exclusiva do Ministério Público. § 5º do CPP). ou ao Ministério Público ou ao Juiz (art. dispõee a lei que ela depende de representação do ofendido (ou do representante legal) ou requisição do Ministro da Justiça para que seja demandada. concursos de crimes do caderno de 47 estudo de Direito Penal). deve ser contado em relação ao d)ou requerer mais informações para o oferecimento da denúncia (CAPEZ. conhecimento da autoria de cada um deles 126). paragrafos 3º. Ao Ministério Público. se entender já ter provas suficientes que o habilite máximo Direito Penal. tema 05. a representação será irretratável (art. Sendo a representação dirigida a autoridade policial. (ver sobre crime continuado no tema 04. dispõe que a representação poderá ser escrita ou verbal. promover a ação (art. quando a representação for dirigida ao Ministério Público. no art. p. 2001. 104 do CPP). Essa é a condição de procedibilidade da ação. p.

bastando que o ofendido. o que leva a conclusão que os prazo são contados separadamente (MIRABETE. a instauração do inquérito policial. tomou conhecimento de quem é o autor do crime(MIRABETE. 2000. se tiver provas suficientes para Penal. p. podendo servir para isso até o boletim de ocorrência. prazo a partir do momento em que ele completar dezoito anos de idade. que poderá oferecer a denúncia. a requisição é diretamente direcionada ao Ministério de Direito estudos Público. tal. declarações da vítima ou de seu representante legal etc. p. como por exemplo.. 39. 160-161). É de suma importância ressaltar.)a juriprudência se firmou no sentido de a representação não exige forma especial. praticado contra menor de discricionário? É ato não a dezoito anos. 2000. Para que seja válida a representação. seu representante legal ou procurador com poderes especiais manifeste o desejo de instaurar contra o autor do delito o competente procedimento criminal. e na ação penal privada. 48 . p. ou seja. 127). Mirabete (2001. e contra o menor. Prazo de representação (art. são prazos decadenciais. O que é ato O prazo na ação penal pública condicionada. p. não correrá quando o ofendido for menor de 18 anos. no prazo de 6 (seis) meses contados do dia em que o ofendido (ou seu representante legal). domingos ou férias. mas os indícios dos crimes praticados e o prazo decadencial que deve ser observado. 160). Nessa hipótese. (. que o prazo decadencial de representação. ou remeter à autoridade policial para que seja instaurado o inquerito policial. sendo a requisição um ato administrativo discricionário e irretratável (MIRABETE. 164) afirma: A representação deve conter todas as informações possíveis. para que possam servir à apuração do fato criminoso e de sua autoria. essa não se reveste de nenhuma forma especial. O que interessa não é a forma. o prazo do representante legal desse menor começa a contarlimitado pela lei. Quando a representação depender de requisição do Ministério da Justiça. partir do conhecimento do fato. somente começa a correr o postulante. 103 do CP e art. deixado a critério do Estudaremos sobre a prescrição do crime no tema 05 do Caderno de Segundo a lei. essa deve ser feita como condição de procedimento da ação penal. 38 do CPP) Quando a ação depende da condição da representação. A Súmula 594 do STF dispõe que o prazo é duplo. 2000. o prazo de representação do ofendido e do seu presentante legal são diferentes (MIRABETE. não admitindo interrupção ou suspensão pelos atos preliminares à denúncia. decadencial e fatal. 2000.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Quanto ao requisitos que devem constar a representação (art.. Afirma o autor que esse prazo é continuo. pode ser exercido independemente pelo ofendido ou por seu representante legal. contando-se os seis meses do prazo decadencial. p. essa é taxativamente prevista em lei. e não se prorrogam em face de feriados. em consonância com o artigo 10 do CP. 156). § 2º do CPP). A partir do conhecimento do autor do crime.

enquanto o crime não prescrever. § 1º e o art. 2000. 223 do CP. 810). definem que. caput do CP). -corrupção de menores (art. o art. 223 do Código Penal Ação Pública Condiconada I – se a vítima e seus pais não podem prover às despesas do processo.posse mediante fraude (art. 213 do CP). observem o art. Assim também nos crimes de estupro e atentado violento ao pudor que resultar lesão corporal grave ou morte (art. que no Direito Processual Penal. p. quais os crimes tem por natureza a Ação Penal Pública Condicionada? Comentário da questão: Ao analisar a Lei. 9. em regra geral. 216 do CP). inicialmente. § 2º Nos casos do inciso I. em que a vítima não pode prover a ação sem prejuízos dos recursos necessários a sua manutenção ou da sua família. acima citada. 88. sem privar-se de recursos indispensáveis à manutenção própria ou da sua família. são de natureza privada (art. é pública e que a ação privada seria uma exceção a regra. em regra. Preste atenção Devemos observar uma exceção trazida pela lei. 225. p. os crimes serão de direito públicos quando: Art. Ação Pública Incondicionada II – Se o crime é cometido com o abuso do pátrio poder. -assédio sexual (art. Nos crimes contra os costumes. toda ação. a ação é pública incondicionada (NUCCI.099/95.atentado violento ao pudor (art.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Quanto ao prazo. § 1º e art. .215 do CP) -atentado ao pudor mediante fraude (art. 225. tutor ou curador. No entanto. 216. a requisição poderá ser feita (MIRABETE. . ou da qualidade de padrasto. 218 do CP). Pare e Pense 1)Observe na Lei nº. 214 do CP). a vítima ou seu representante legal apenas declare sua situação. que enumera as figuras tipicas do crime que dependem de representação. 2 – Ação Penal Privado Já vimos. a lei relatada. 223 e seu § único). 2005. a ação do Ministério Público depende de representação Os crimes contra os costumes estão tipificados da seguinte forma: .A do CP). 127). que. bastando que para tal. 225. a declaração de pobreza não depende de qualquer formalidade. Súmula 608 do STF: nos crimes de estupro cometidos com violência real a ação penal também é pública incondicionada. quanto aos crimes contra os costumes. 49 .estupro (art. nos casos específicos.

2. Diferente do principio da obrigatoriedade da Ação Penal Pública. ação. se a iniativa couber ao ofendido ou a quem legalmente o represente. e Ação penal privada subsidiária da pública. de Impressa. ou seja. e não contra todos os que praticaram o crime. do trânsito em julgado da sentença anulatória Encontra-se disposto no art. única e exclusivamente. o Estado transfere ao particular o direito de acusação. Assim como a ação penal pública a ação privada propriamente dita também rege-se pelo seguintes princípios: Princípios da Ação Penal Exclusivamente Privada Princípio da conveniência: oportunidade ou Define-se pela faculdade de inicar ou não a ação penal. em que o pemanecendo o direito de punir. em pública e privada. Assegura que a ação penal jamais irá além da pessoa do infrator. 367) tece as seguintes considerações ao classificar a Ação Penal. p. e da lei CPP. quando verificar que a ção somente foi proposta contra alguns. que tem sendo que ao excer o direito a queixa por prazo decadencial contra qualquer dos autores do crime. na legitimidade para agir. essa ação possibilita que a vítima ou seu representante legal demande diretamente com ação penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Tourinho Filho (1986. tem como requsisito Princípio da disponibilidade: Princípio da indivisibilidade: Princípio da intranscedência: 50 . Ação privada personalíssima: somente pode ser intentada pelo ofendido. que desde que presentes o pressupostos legais o Ministério Público terá que denunciar o crime praticado. citada em tópicos anteriores. Na Ação Penal Privada. impedimento). por meio do oferecimento da queixa-crime. ao se inicia na data prazo Estado. uma vez que a sanção penal. por ser o interesse penal eminentemente privado. a lei classifica ação penal privada subdivide-se em: Ação Penal exclusivamente privada. 48 do do casamento. pela disponibilidade de querer ou não promover a demanda penal contra o ofensor. a ação se diz pública.1 – Ação Penal exclusivamente privada: Autorizada por lei. No artigo 236 do CP (Induzimento a erro O direito de acusar. Cabendo o Ministério pratica do data da Público velar pelo aditamento da crime. é a chamada legitimação extraordinária. Se é o órgão do Ministério Público quem deve promovê-la. a três meses contados da todos se estendem. Vejamos: A distinção que se faz entre ação penal pública e ação penal privada descansa. Privada. passa à vítima do essencial e acultação de crime ou a seu representante legal. Atenção! Quanto aos seus tipos.

E importante ressaltarmos que se o ofendido vem a morrer antes de oferecer a queixa-crime. o direito de Ação Penal Privada deverá ser exercido no prazo de seis meses contados do dia em que o ofendido (ou seu representante legal). o prazo recomeça a contar para as pessoas enumeradas nos artigos anteriormente mencionados (art. pelo simples protocolo da ação. queixa-crime na ação penal privada. o querelante deve fazê-lo Como subespecie da Ação Penal exlusivamente privada . segundo Capez (2001. nos compete observar alguns pressupostos. mas dentro dos três meses decadenciais restantes veio a falecer. não poderá ofendido. uma vez que a lei fala em exercer o direito de queixa. tópicos estes vitude da menor idade. haja vista a caderno de Estudos de Direito penal (tema 05). tomou conhecimento de quem é o autor do crime. 31 do CPP e art. descendentes ou irmão.(. e não ofereceu a queixa-crime. salvo nos casos do crime em que o seu próprio tipo legal define como outro prazo especial. p. 100.. seja em razão de enfermidade que estudaremos no mental. 2001. taxativamente a lei expõe com os seguinte dizeres: “somente se procede mediante queixa”. sem ter oferecido a queixa-crime. que. inexistindo ainda a sucessão por morte e sim a perempção ou o ou ausência. O oferecimento da queixa-crime já impede a decadência. (CAPEZ. como no caso da representação (Ação Penal Pública condicionada). não bastando apenas a notícia do crime. não se resvalando que a mesma deve ser recebida pelo juiz. Para que: afirma desistir da ação após a Sua titularidade é atribuida única e exclusivamente ao propositura. temos as antes de propor a Ação Penal Privada Personalíssima. ascedentes. sendo esse rol seqüêncialmente disposto. • Se o ofendido tinha conhecimento da autoria do crime.)No caso do ofendido incapaz. 100. sendo que na omissão dos mais próximos. a legitimidade para o oferecimento da queixa passa as pessoas enumeradas no art. p. 120 e 121) No tipo penal.. Para renunciar o direito de ação penal privada. No entanto. 121). quais sejam: • Se o ofendido veio a falecer depois dos seis meses que tenha tomado conhecimento do autor do crime. quando a ação é privada. § 4º do CP. O prazo de oferecimento da queixa deve ser o de apresentação em juizo. seja em perdão. § 4º do CP). 51 . sendo o seu exercício vedade até mesmo ao seu mais ocorrer a renúncia representante legal. o prazo já decaiu. Prazo da Ação Penal Privada Como regra geral. assumem a titularidade os mais remotos. que são o cônjuge. a queixa não poderá ser exercida.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS fundamental ser personalíssimo ao agente do fato tipico e antijurídico. 31 do CPP e art.

EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS incapacidade processual do ofendido e a impossibilidade de o direito ser manejado por representante legal ou por curado especial nomeado pelo juiz [em razão do tipo privado e personalissimo da ação]. Voltaremos a discutir sobre a renúncia em tópico apropriado no caderno de estudos de Direito Penal (MIRABETE. 212).. deve demandar contra todos os responsável pelo crime. assim como a renúncia do ofendido (quando menor de dezoito anos). a todos se estendem. admissivel apenas na Ação Penal Privada.368/76) A Ação Penal privada subsidiária da pública é uma forma de exceção em que a legitimidade para interpor a ação passa da forma ordinária. desde que todos venham a aceitar o perdão concedido. temos que a renúncia do representante legal não impede que o ofendido seja privado do direito de queixa. não exluirá o direito de queixa do seu representante legal (art. através do oferecimento da na hipotese de crimes queixa. quando exercido contra qualquer dos autores do crime. p. Portanto. 5º. sendo que a renúncia contra um a todos se estendem (art. nos casos de ação de entorpecentes ou drogas afins. obrigará ao processo de todos. 449) expõe que: Trata-se de autorização constitucional (.) possibilitando O prazo que a vitima ou seu representante legal ingresse. com ação penal. parágrafo único do CPP). LIX da CF). Trata-se de exceção a regra de titularidade da Ação Penal Pública (art. no prazo legal. 6. sendo seu excercicio e sua válidade inerente apenas a pessoa que renunciou. nos retrata que o direito de queixa. por ser a ato pessoal do querelante. 29 do CPP): Dispõe a lei que a Ação Privada Subsidiária da Pública é uma possibilidade de se ajuizar a ação privada quando. Neste contexto. 49 do CPP).2 – Ação Penal Privada subsidiária da pública (art. deixa de fazê-lo no prazo legal. para oferecer a denúncia diretamente. Assim. [sendo que]a decadência não corre contra o [incapaz]. a uma legitimidade extraordinaria que garante ao ofendido o direito de interpor a ação. [Neste tipo de ação]resta ao ofendido apenas aguardar a cessação da sua incapacidade. 52 . é o perdão do ofendido.. quando o Ministerio Público. quando o ofendido promover a ação penal. Renúncia e o perdão do ofendido O texto da lei. a renuncia de um dos querelantes não se estende aos demais ofendidos pelo crime. p.(tema 05: da Extinção da Punibilidade). Outra forma de extinção da punibilidade. é de 3 publica. 2. (2005. quando na inercia do MP. 50. 22 da Lei nº. a renúncia somente é admissível na Ação Penal Privada. Nucci. Ou seja. deixar de propor a denúncia. que concedido a um dos infratores pelo crime. do Ministério Público. por inércia do Ministério Público. 2000. dias (art.

É por exclusão. após a representação do ofendido é: • 5 dias (cinco): se o agente do crime estiver preso. não fazendo. 140). se dispõe que a ação somente se procede mediante queixa. para cada tipo de Ação Penal. após receber a representação. não poderá o ofendido inicar uma Ação Privada subsidiária da pública. quando o tipo penal nada dispõe. o Ministério público poderá aceitar a ação. reconhecendo duas espécies de crimes. Comentário da questão: devem observar o que diz o tipo penal. oferecendo elementos de prova.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Prazo Em regra geral. abre novamente o prazo decadencial de seis meses. 2001. aditá-la. é porque a Ação Penal é Pública condicionada. oferecendo nova ação substitutiva. p. ou ate mesmo interpondo recursos (MIRABETE. 2000. 15 dias (quinze): se o agente do crime estiver em liberdade. 143) Pare e Pense 1) Faça uma pesquisa na parte especial do Código Penal. Atenção! Evidentemente que quando o parquet requer o arquivamento da ação. contado a partir do inércia do Ministério Público. A denúncia e a queixa-crime 53 . o prazo para que o agente do Ministério Publico ofereça a denúncia. para que o ofendido possa propor Ação Penal Privada Subsidiária da pública (MIRABETE. ou seja. Ex: a) Ação Penal Pública Incondicionada: Art. é porque a Ação Penal é Pública Incondicionada. e esse arquivamente é despachado pelo Juiz. ou até mesmo repudiá-la. podendo ainda inteferir em todos os termos do processo. No entanto se o tipo penal expõe que a ação somente se procede mediante a representação. como um litisconsorte. caput do CP (homicídio simples). dá-se uma forma supletiva de iniciar a ação penal. 15 do CPP e Súmula 524 do STF). salvo algumas exceções. ou não pedindo arquivamento. salvo se demostrar novas provas (art. 121. • Assim temos que o Ministério Público tem o prazo determinado por lei. será a Ação Privada. p. para o oferecimento da denúncia e. Com o oferecimento da queixa-crime.

quer dizer nome. Elemento essencial para a qualificação do acusador. 127) assim define: Peça acusatória iniciadora da ação penal. “quando necessário”. 41 do CPP estabelece os requisitos formais que por advogado com poderes especiais. e) pedido de condenação.. c) classificação jurídica do fato. A denominação do juízo a que é dirigida à peça inicial. com a manifestação expressa da vontade de que se aplique a lei penal a quem é presumidamente seu autor e a indicação das provas em que se alicerça a pretensão punitiva. ilícito penal. deverão estar presentes na denúncia e na queixa-crime. com todas as suas peculiaridades. 146 – 150). o pedido de condenação poderá vir expresso ou ate mesmo implícito na peça. Inépcia: inaptidão processual por faltar requisitos fundamentais da peça processual. Capez (2001. 41 do Código de Processo Penal a) descrição do fato em todas as suas circunstâncias. essa deve ser ajuizada O art. devem cumprir os requisitos formais expostos em lei (art. 41 do CPP). São as pessoas que possam comprovar o fato relatado e as circunstâncias do crime. salvo se falta legitimidade para propor a causa.). Assim temos que tanto a denúncia como a queixa-crime são as peças iniciais da ação. d) rol de testemunhas. as qualificadoras etc. especialmente a denúncia e a queixa-crime. peça acusatória inicial da ação penal privada. No entanto a classificação incorreta do tipo penal não torna a denuncia ou a queixa inepta. g) o nome. Por esta o juízo vinculado até pedido da peça acusatória. em tese. p. b) qualificação do acusado ou fornecimento de dados que possibilitem sua identificação. o rol de testemunha é facultativo. Dentre os mencionados. como por exemplo.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Ao conceituar as peças. ou o fornecer dados que possam identificá-lo. Pela disposição legal. p. estado civil. A denuncia é a peça acusatória inaugural da ação penal pública (incondicionada ou condicionada)(. sobrenome. É a classificação do crime imputado ao fato relatado.. f) o endereçamento da petição. classificando o crime. Como peças iniciais acusatórias. p. Considera Avena (2005. (CAPEZ. 69) que: Tratando de queixacrime. cargo e posição funcional do denunciante e assinatura. profissão etc. consistente em uma exposição por escrito de fatos que constituem. quais sejam: Art. dois são essenciais e dois são acidentais: 54 . Qualificação do acusado. daí vem o termo da lei. É a exposição do fato dito como criminoso com todas as suas minúcias e características. 2006. a queixa. de iniciação da Ação Penal.

e o rol de testemunhas. não protegido por nenhuma excludente de ilicitude. reputa-se quando o fato foi praticado. e na comprovação da extinção da punição. e quando não-recebe ou rejeita a peça acusatória inicial. trata-se de elemento essencial (..) como cirscunstância obrigatoria. Será rejeitada quando o fato que for descrito na peça acusatória for atipico. a legitimidade para propor a II – já estiver extinta a punibilidade pela prescrição ou outra causa. que estudamos ser um fato tipico e antijurídico. ou seja. e o ato deve ser ilícito. quando presentes os pressupostos do art. quando ausentes os requisitos do art. 43 do CPP. ou então poderá ser rejeitada. Juízo de deliberação: quando é feito analise do mérito da causa. sem analise da causa. Estudamos no topico de ação penal que. não se constituir como crime. podemos destacar os elementosna seguintes formas: Juízo de preliberação: mero juízo de admissibilidade ou não da peça acusatória. por ser inépta em elementos fundamentais. [Elementos acidentais] A classificação do crime. A denúncia e a queixa poderão deixar de ser recebidas. podendo ser corrigida. poderá aceitar ou não a inicial.. que ausente não causa qualquer vício. o modo etc (. 41 do CPP. 41 e da 43 do CPP. o juiz. onde ocorreu. ao verificar se estão presentes os requisitos do art. chamamos de despacho liminar negativo.. Assim temos que o fato descrito deve ser previsto no tipo penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Neste rol de interpretação da norma proposto pelo Avena. Quando a peça inicicial for aceita. (AVENA. enumeradas no art. 69) Quando proposta a peça inicial. Ocorrendo algumas das causas de extinção da punibilidade. a ação será rejeitada. os meios utilizados.) e a qualificação do acusado ou elemento que possa identificá-lo também é elemento essencial (. [uma vez que] eventual equivoco [no tipo penal] não acarreta qualquer nulidade da denúncia ou da queixa.) mínimo de requisitos que possa individualizar o acusado. 2005. Trata-se de um mero juizo de admissíbilidade. o juiz deverá receber a inicial. 107 do CP. p.. devido ao tipo do crime.. o motivo que ensejou. e disposta no seu caderno de estudos de Direito penal (tema 05). a qualquer tempo o juiz poderá declará-la. III – for manifesta a ilegalidade da parte. qual seja: Art. 43 do Código de Processo Penal: a denúncia ou queixa será rejeitada: I – o fato narrado evidentemente não constitui crime.. No entando quando houver dúvidas sobre a aplicação ou não da extinção da punibilidade. [Elementos essencias] A descrição do fato como todas as suas circuntâncias. 43 do CPP. ou faltar condição 55 . que foi mencionado no quadro acima. quem praticou. que é chamado de juizo de preliberação. chamamos de despacho liminar positivo. a qualquer tempo por meio do aditamento. apenas analisa se estão presentes os requisitos essências e os materiais do art.

. 2006. I da Constituição Federal. seja proposto pela parte legítima..43 do CPP) a serem observados na propositura da demanda penal.. incompreensível ou estiverem ausentes aqueles requisitos essenciais (. § único: nos casos da inciso III. A denúncia e a Queixa-Crime.. Capez (2001.91. expõe: O não recebimento da denúncia ou da queixa é decisão que se lastreia em motivos formais. 26 do CPP. podendo o juiz recebê-la. assim como a legitmidade poderá ser extraordinária (Ação Penal Privada). 154 – 157) Avena (2005. O não recebimento de decisão faz coisa julgada apenas formal (. 63 do CPP. 41 do CPP. p. como peças acusatórias iniciais. que assegura ao ofendido. com a nomeclatura devida. Justifique sua resposta. Em outras palavras.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS exigida pela lei para o exercicio da ação penal ação poderá ser ordinária (Ação Penal Pública) sendo que o legitimado a propô-la é o Ministério Público. I do CP). 2)Qual a diferença entre rejeição e não recebimento?. (CAPEZ. 41 e art. além dos requisitos essencias.) e faz coisa julgada formal e material. desde que promovida por parte legítima ou satisfeita a condição. ao analisar o despacho liminar negativo. p. 56 . é a execução. 142) conceitua a Ação Civil ex delicto como: Conquanto independentes as responsabilidades civil e criminal. enumerados no art. p. visando à completa erradicação dos efeitos do delito. Comentário da questão: para responder esse questionamento. 71). A rejeição se dá por razões materiais. motivos relacionados ao fato descrito (. não será recebida a peça acusatória quando se apresentar formalmente imperfeita. O parágrafo unico deste artigo expõe que a nomeclatura que se dá à ação não é sufiente para a sua rejeição. sendo legitima a parte ofendida. com objetivo de reparar o dano causado ao ofendido ou seus herdeiros. seu representante legal.). o qual é seguido na mesma linha pelo art. 129.. assim como o art. ao seu representante legal ou aos herdeiros daqueles o direito de executar no cível a sentença penal condenatória transitada em julgado. tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime (art. no juízo cível. desde que a ação. como efeito extrapenal da sentença condenatória.). a Ação civil pelo delito cometido.. Pare e Pense 1)O juiz poderá instaurar a ação penal de oficio? Justifique sua resposta. o direito penal. a rejeição da denúncia ou da queixa não obstará ao exercício da ação penal. prevê. tem pressupostos formais e materiais (elencados no art. observe o art. com embasamento legal. 63 do CPP. Ação Civil Ex Delicto Disposta no art.

na esfera cível. Encontra-se disposto no art. ou os herdeiros daquele dispõem de duas medidas para a satisfação do dano sofrido: • • Interpor ação de conhecimento no juízo cível. causado ao particular. ressarcimento. 63 do CPP e art. quando o dano não tem caráter patrimonial. 91 do CP que a Ação Civil Ex Delicto é uma possibilidade de executar. do mesmo fato que constitui o delito resulta duas conseqüências: a) a sujeição correspondente. Propor ação de execução. do réu b) a obrigação que lhe advém de reparar o dano causado. quando o dano causado não pode ser estimado em dinheiro. (BARROS. reparação do dano ou indenização”. roubada etc. 232 a 234). 2005. p. na esfera civil. Desta forma temos que a satisfação do dano. È uma forma de compensação do dano moral. A indenização que é o compensação do Estado. por não cobrir os prejuízos causados ao ofendido pelo tempo que ficou privado do bem. nos crimes contra o patrimônio. a sentença penal condenatória transitada em julgado. 436) à pena E essa satisfação do dano causado. sendo a ressarcimento o pagamento de todo o prejuízo causado.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A decisão condenatória na esfera penal torna certa a obrigação de reparar o dano pela prática do crime. onde a coisa (furtada. p.) será devolvida ao proprietário do bem. meio de ao dano II – Ressarcimento III – Reparação IV – Indenização (MIRABETE. p. 232 a 234). pode se dar pela forma de “restituição. pode assim ser entendida: Modalidades de satisfação na esfera cível I – Restituição Essa modalidade se dá. no juízo cível. 2001. A restituição pode não satisfazer completamente o dano causa. Portanto. seu representante legal. da sentença penal condenatória. para Mirabete (2001. Assim temos que o ofendido. como uma forma de liquidação de sentença. que possibilita 57 . A sentença na esfera penal funciona como titulo executivo judicial.

Como forma de satisfação pelo dano causado. O herdeiro somente poderá propor a ação civil. 265. IV. em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular do direito. 2000. As excludentes de ilicitude (Tema 03 do Caderno de estudos de Direito Penal). como deve proceder? Aplica-se o disposto no art. do CPP. 68 do CPP). parágrafos 1º e 2º do CPP). 64. Ou seja. 235). p. discutimos que ela deve ser somente proposta contra o agente do crime. diante da importância de ordem jurídica na reparação do dano (art. A responsabilidade civil. com a morte do ofendido. seu representante legal e herdeiros (MIRABETE. contra o autor do crime e. se for o caso. pelo seu representante legal. Quando propostas a ação civil de conhecimento e concomitantemente a ação penal. • Legitimidade passiva: ao estudarmos ação penal. A Ação Civil Ex Delicto. a. Expõe o art. que não faz coisa julgada na esfera cível. podendo propor a ação civil ou de execução civil. Legitima a lei. ao Ministério Público. contra o responsável civil”. em legítima defesa. fazem coisa julgada na esfera cível. rege-se pelas normas de processo civil. algumas exceções existem a respeito da separação das responsabilidades das ações penais e cíveis. em regra. 32. 65: faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade. meio em que a ação civil de conhecimento fica suspensa (por prazo não superior a um ano art. do CPC). No entanto. parágrafo único do CPP. na esfera penal. 64.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS ao ofendido propor a demanda cível sem necessidade da ação de conhecimento. afirma que a “ação para ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível. as excludentes de antijuridicidade ou de ilicitude. bastando que se promova a liquidação do dano causado pela prática do crime. por ser a sanção. do CPP. O art. é independente da responsabilidade penal. imputação personalíssima ao condenado pelo fato típico e antijurídico. em regra. que: Art. meio em que poderá ser proposta contra o ofendido. a Ação Civil Ex Delicto tem algumas peculiaridades quanto a sua legitimação ativa e passiva: • Legitimidade ativa: em principio a ação civil deve ser proposta pelo ofendido. 58 . até o julgamento definitivo da ação penal. por existirem peculiaridades neste. 65. quando reconhecidas. 2º parte. quando o ofendido for pessoa pobre (art. e sendo incapaz.

386. “beneficiase o réu”. inciso I a VI do CPP. 26. enumera o art. Neste caso o juiz. 59 . combinado com o arts. 2005. O fato narrado não ser considera como crime. Não há convencimento real para que o juiz condene o réu a pratica do crime. c) Não constituir o fato infração penal. observa que devemos tomar cuidado nessa esfera. E a sentença penal que absolve o réu. A acusação não ter prova suficiente que o réu tenha praticado o crime. não cabendo questionamento em ação civil de satisfação pelo dano causado. f) existir causas de exclusão de antijuridicidade ou da culpabilidade. não excluem a ação civil ex delicto. no entanto não tem provas materiais. 22. Salvo terceiro de boa fé. é atípico. estão enumerados os casos de absolvição criminal: a) Estar provado a inexistência do fato. d) Não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. 27. a excludente de antijuridicidade faz coisa julgada na esfera cível (art. 446). Em regra. ou seja. no art. exclui-se o crime. não existiu o fato típico e antijurídico (o crime). e a sentença que reconhecer as excludentes de antijuridicidade. e na dúvida. 188 do CC). temos que: a) Se a sentença declara que o fato relatado não existiu. 28. b) Não haver prova da existência do fato. então não existiu ação ou omissão. e) Não existir provas suficientes para a condenação. faz coisa julgada na esfera cível. e art. também faz coisa julgada no juízo cível? Previsto. não podem ser discutidas em uma ação cível. qualquer dano que possa ter causado. 23 do CP e quando reconhecidas pelo juiz. caput. Ao interpretarmos a linha de raciocínio da lei. pode até reconhecer que o fato existiu. § 1º do CP). 929 e 930 do CC que são casos que em face de incidência de causas de exclusão de ilicitude. tem-se que: • A sentença que declarar a absolvição por estar provado que o fato relatado na peça inicial não existiu. não subsistindo. contudo. Barros. um fato inexistente. (As causas excludentes de culpabilidade estão dispostas no art. ao explicar os efeitos da coisa julgada quando reconhece as excludentes de ilicitude.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS quando reconhecidas na sentença penal. As causas de excludente de ilicitude estão dispostas no art. (BARROS. O juiz reconhece na sentença penal que o fato narrado na peça inicial não existiu. no entanto. p. 65 e 66 do CPP. 21. Em consonância com a orientação do artigo 386 do CPP.

Pare e Pense 1) A responsabilidade civil de reparar o dano causado. a escolha do foro (exceção prevista no art. No entanto. é independente da responsabilidade criminal. Vamos exemplificar: Sentença penal Declarar a absolvição por estar provado que o fato relatado na peça inicial não existiu Reconhecer as excludentes de antijuridicidade Não haver prova da existência do fato. Jurisdição e Competência Capez (2001. afirma: É a função estatal exercida com exclusividade pelo Poder Judiciário. uma vez que são independentes as responsabilidades em cada esfera de atuação. 67 do CPP): I – o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação. Não existir provas suficientes para a condenação As causas excludentes de culpabilidade Faz coisa julgada no cível Não faz coisa julgada na esfera cível A Ação Civil Ex Delicto deve ser proposta no juízo cível (art. d) Não haver prova da existência do fato. o crime deixa de existir. mas que o agente agiu protegido por uma das excludentes de ilicitude. consistente na aplicação de normas de ordem jurídica a um caso concreto. 575. 100. cabendo ao autor da ação. III – a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime. Não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. p. quando? a) Não constituir o fato infração penal b) As causas de excludentes de culpabilidade e ilicitude c) Absolvição por estar provado que o fato relatado na peça inicial inexistiu. Nos demais casos de absolvição. II – a decisão que julgar extinta a punibilidade. a sentença penal. com a conseqüente solução do 60 . faz coisa julgada na esfera cível. 181). ao conceituar Jurisdição. Não constituir o fato infração penal. IV do CPC). porque a conduta do agente foi perfeitamente aceita. parágrafo único do CPC). a sentença penal não faz coisa julgada na esfera cível. Assim como não impedirão a propositura na espera civil (art.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS b) Quando a sentença declara que o fato típico possa ter existindo.

p. prover.. que é uma limitação ao poder jurisdicional. de acordo com o ordenamento jurídico. Dentre as várias funções estatais. A competência é assim. Tem a jurisdição como elemento. Segundo Avena (2005. A competência como meio limitador da jurisdição.) Dessa forma. que determina que um juiz não possa invadir a esfera de atuação de outro juízo. Improrrogabilidade. o poder de conhecer. por não poder o juiz incumbir outro juiz a função jurisdicional. que é a autoridade que tem competência para a causa.. aplicando a norma à pretensão das partes. para que no caso concreto. em relação ao caso concreto. encontra-se a de aplicar o direito ao caso concreto para a solução de litígios. Ao falarmos dos pressupostos da jurisdição. Inércia. do território e das funções das partes da ação. investigar os fatos relacionados com o litígio. A jurisdição é a obrigatoriedade que tem o Poder Judiciário de se pronunciar.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS litígio. 61 . salvo nos casos de impedimento e suspeição. (. Capez (2001. o magistrado depende de iniciativa das partes. a jurisdição é una. a medida e o limite da jurisdição. temos a competência. prevendo a lei que o Poder judiciário não excluirá de sua apreciação. A Jurisdição Penal é o poder atribuído ao Estado para resolver os conflitos entre a pretensão punitiva e o direito das partes. Irrenunciabilidade. as partes não podem recusar o juiz da demanda. A própria Constituição Federal. delimita como deve atuar o poder jurisdicional em razão da matéria da lide. 109) são pressupostos processuais para a formalização da jurisdição: • • • • • • • Juiz natural. possa aplicar o direito objetivo. Indeclinabilidade. dentro dos quais o órgão judicial poderá dizer o direito. faz uma divisão jurisdicional quanto às justiças especiais a as justiças comuns. Investidura para desempenhar a função de juiz. proferindo uma decisão (sentença) que deve ser cumprida. chamando em juízo todas as partes envolvidas no processo. É o poder de julgar um caso concreto. 183). ao fazer menção à competência. por meio do processo. diferencia a jurisdição da competência em: Como poder soberano do Estado. p. cada órgão jurisdicional somente poderá aplicar o direito dentro dos limites que lhe foram conferidos nessa distribuição. lesão ou ameaça de lesão ou de direito. Indelegabilidade.

Capez (2001. mas o resultado somente Quando se determina o lugar do crime. 69 do CPP): Competência material I – em razão do lugar (art. a justiça penal tem sua divisão em justiça penal especial e justiça penal comum. sendo irrelevante o local da conduta. 69. a teoria da enumeram três teorias a respeito: ubiqüidade (art. III do CPP e a Constituição Federal). 394 a 405 do CPP) I – Fase do processo II – Objeto do juiz III – Grau de Jurisdição I – Competência em razão do lugar Ao estudarmos a Teoria Geral do Estado. subdivide-se ainda. vimos que unidade da Federação. 69. c) teoria da ubiqüidade: lugar do crime é tanto o da conduta quanto o do resultado. 62 . 70. em justiça comum federal e justiça comum estadual. 6º do a) teoria da atividade: lugar do crime é o da ação ou omissão. Espécies de Competência Na justiça comum. IV do CPP Constituição Federal). aplica-se nesse caso. esta. § 1º do foi b) teoria do resultado: o lugar do crime é o lugar em queCPP) produzido o resultado. a competência é determinada pelas seguintes espécies (art. e julgar dentro daquela jurisdição determinada. 199). está dividida em comarca ou circunscrição. onde foi CP). ou sendo irrelevante o lugar da produção do resultado. Vamos exemplificar: Justiça penal especial Ex: Jurisdições políticas Justiça Eleitoral etc. 73 do CPP). tanto na esfera federal como na estadual. 69. que a lei chama de jurisdição. II – em razão da matéria (art. p. o magistrado do primeiro grau é o competente para processar quando o crime é praticado no Brasil. para fins judiciários. II e II e arts. praticado o último ato de execução (art. Conduto.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Na esfera penal. nos ocorre em país estrangeiro. 72 e art. 70. Justiça Penal comum Federal Justiça penal comum Justiça Penal comum Federal Juizados especiais de pequenas causas. Exceções à teoria do resultado. III – em razão da pessoa (art. Competência funcional (art.

constituem assim exceções à regra geral. é determinada pelo o lugar em que se consumou a infração (teoria do resultado).EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A competência pelo lugar da infração. • Não sendo conhecido o lugar da infração.099/95. Algumas exceções a essa regra: I . a competência será firmada pela prevenção (art. 70. que adota a teoria da atividade. Justiças eleitorais (art. se o crime cometido compete à justiça comum ou à justiça especial.Competência em razão da matéria Ao analisar a competência do lugar do crime. 63). art. nesse caso aplica-se a regra do art. II . (art. o querelante tem a opção de escolher o lugar do domicilio do réu. quais sejam: • Quando não puder ser determinado o resultado. Justiça militar (art. é preciso posteriormente fixá-la em razão da matéria. se são os crimes comuns. por ser duvidoso o limite entre duas comarcas. em vez do foro do resultado. 122 a 124 da CF).Os crimes de menor potencial ofensivo (Lei nº. Nos casos de competência pelo domicilio do réu. é relevante ressaltarmos que mesmo sabendo o lugar onde se consumou a infração. 70 do CPP). em regra. que o lugar que determina a jurisdição é o lugar em que foi praticado o último ato de execução. A Constituição Federal e a as Leis de Organização Judiciária dos Estados delimitam a competência em razão da matéria do delito praticado. quanto à fixação da competência pelo lugar da infração. 118 a 121 da CF). 72. Ensina o autor que alguns casos são especiais. Quais são as Jurisdições Especiais? • • • Justiça do trabalho (art. sendo que se o réu tiver mais de um domicilio. quando a ação for exclusivamente privada. § 1º do CPP). 71 do CPP) etc. • Quando os crimes continuados ou permanentes forem praticados em varias comarcas. 11 a 117 da CF). que determinará. firmando-se a competência pela prevenção. II . a competência será firmada pelo domicilio do réu (art. que o lugar do crime é determinado pelo lugar da conduta do agente. § 3º do CPP. 9. caput do CPP). ou os crimes de jurisdição especiais. 63 . 72. a competência também é determinada pela prevenção (art.Crime tentado.

1079/50. I. Competência Crime e agente: • STF (art. I da CF). • Ao Senado Federal (art. seus ministros e o Procurador Geral da Republica. I. bem como os Ministros de Estado. 105. é determinada à Justiça Eleitoral. III – Competência em razão da pessoa Ao analisar a competência firmada pela função do agente do crime. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. os membros do Conselho Nacional. Crimes de responsabilidade os Ministros do STF. Nos crimes comuns e de responsabilidade: os Quando ocorrer conflito desembargadores dos Tribunaisa prerrogativa de entre função de Justiça dos Estados e do DF. Nos crimes comuns: o governador dos Estados de o DF. uma conduta penal eleitoral. os Ministros de Estado. Crimes de responsabilidade do Presidente da Republica e o Vice-Presidente da Republica. os Comandantes da Marinha do Exército e da Aeronáutica nos crimes de mesma natureza. 52. Infrações penais comuns e de responsabilidade.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • Jurisdição Política (julgamento do Poder Legislativo) que somente procedem nos casos de crimes de responsabilidade praticados por determinadas autoridades. ver nota no caderno de estudos de Direito Penal. 85 da CF regulada pela Lei nº. o Procurador Geral da República e o Advogado-Geral da União. Infrações comuns: o Presidente da Republica e o VicePresidente. os membros dos Tribunais Superiores. por ser a jurisdição eleitoral mais específica. e em razão da matéria. em razão da função que exerce. segundo a norma constitucional como: Crimes de Responsabilidade estão elencados no art. os Comandantes da Marinha do Exército e da Aeronáutica (ressalvado o art. 102. no exercício de suas funções. a. b e c da CF): • Sobre a prerrogativa de função que gera a imunidade parlamentar. I. 52. um rol meramente exemplificativo. deve se observar o foro de prerrogativa de função que visa a preservar os agentes políticos. e está distribuída. por exemplo. da CF) 64 . conexos com aquele. os do Tribunal de Contas da União e os chefes da missão diplomática de caráter permanente. os membros dos Tribunais de aquele sempre prevalecerá em relação e essa. A competência em razão da matéria. da CF) • • • STJ (art. ao analisarmos.

como nos ensina Alexandre Moraes (2004. por seus votos e opiniões no exercício de suas funções. 35. 35/2001 passou a ser um ato negativo de sustação. Tribunais de Justiças dos Estados (art. quer seja pelo fim do mandato. Terminado a prerrogativa de função. III. 74 da CPP. p. poderá sustar o processo do parlamentar.419) a imunidade se divide em imunidade material e imunidade formal. Sobre as forma de prisão estudaremos no próximo tema. 35 de 2001. Julgar os juizes estaduais e do DF. São essas delimitações que em razão da infração cometida pelo agente. temporária). com o advento da referida Emenda. Com relação a imunidade formal. Sobre a imunidade parlamentar ver nota no tema 01 do caderno de estudos de Direito Penal. Observem que antes era um ato positivo de autorização. desaparece a figura da autorização. O que é importante observar com competência por prerrogativa de função são as imunidades materiais e formais dos parlamentares. parágrafo único. tem essa competência a natureza de potencial ofensivo delimitar passou a ser dado pelo o juízo em razão da natureza da infração cometida. ressalvada a competência da justiça eleitoral. o Superior Tribunal de Justiça reconheceu o A competência em razão da infração conceito geral de infração de menor Disposta no art. da Lei n.259/01. como por exemplo: Federais e Estaduais. bem como os membros do Ministério Público nos crimes comuns e de responsabilidade.º 10.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Contas dos Estados e do DF. em que a casa legislativa do respectivo parlamentar não desejando. na jurisprudência do STF. 2º. da CF). isentando-o de qualquer responsabilidade penal. ainda não é ponto pacifico • Competência do tribunal do Júri: crimes dolosos contra a vida. Contudo. antes da EC nº. Quanto ao processo dos parlamentares. ou seja. que a Juizados Especiais competência recai a alguns tribunais específicos. os do TRE e os membros do ministério público que oficiem perante os tribunais. 65 . os dos TRFs. Aquela ampara o parlamentar. 413. Assim a imunidade formal não impede o oferecimento da denúncia ou seu recebimento pelo órgão judicial competente. art. sem qualquer prejuízo dos atos praticados. imediatamente. A prisão antes do trânsito em julgado somente será decretada com a autorização da casa parlamentar. que muito atrasava o andamento processual. e agora após a EC nº. por motivos justificáveis. Contudo. civil e disciplinar enquanto no exercício da função. nos explica o autor que. excepcionalmente o congressista poderá ser preso (prisão preventiva. passará ao juízo de Primeiro grau de Jurisdição. 96. Em recentes decisões. a ação penal. poderá o parlamentar ser preso excepcionalmente nos casos de prisão em flagrante por crimes inafiançáveis. em que havia necessidade de autorização para que o parlamentar pudesse ser processado. levando com aplicação para os sempre em conta a competência de prerrogativa de foro. a partir da Emenda Constitucional n.

Prorrogação da Competência A Prorrogação da competência é a transferência de um juízo. a este será remetido o processo. quando não questionado no devido tempo. Como também os Juizados especiais criminais federais (Lei nº. o réu. salvo se mais graduada for à jurisdição do primeiro. por exemplo. houver desclassificação para infração de competência de outro. a fim de verificar a sua competência em razão da natureza do mesmo. Prorrogação necessária: quando a própria lei obriga que seja transferida a ação a outro juízo. observa-se o bem jurídico. 66 . parágrafo único. 9. p. em lugar diverso da consumação do crime. 221) de duas formas: 1. precluindo do direito de fazê-lo posteriormente. diverso daquele imputado. por se julgar incompetente para apreciar a ação. em razão do lugar. 10. porém. sempre que os atos processuais não puderem ou não tiverem de se realizar no foro originalmente competente. p. que ao desclassificar o tipo penal. terá sua competência prorrogada. Desclassificação do crime Os critérios feitos para a classificação do crime. a outro juízo. 108 do CPP). em tal caso. podendo se dar. 473): Se iniciado o processo perante um juiz. aos crimes de menor potencial ofensivo no âmbito federal). Prorrogação voluntária: ocorre nos casos. Ou seja. não opõe a exceção de incompetência relativa (art. Assim verificando o juiz.259/01 art. por ser competente para a ação. No entanto. segundo Capez (2006. modificar a denúncia ou a queixa o tipo penal. comina pena não superior a dois anos. que. 2º. a elemento subjetivo etc. deve remeter os autos ao juiz competente. 198) ao conceituar a delegação de competência assim expõe: É a transferência da competência de um juízo para outro. Delegação da Competência Capez (2001. 61 da citada lei) etc.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • Juizados especiais criminais (Lei nº. propõe-se uma ação. art. 2. tornou-se incompetente para apreciar a ação.099/95): crimes de menor potencial ofensivo (contravenções e crimes que a lei comine pena máxima não superior a um ano. em tempo oportuno. em razão de peculiaridades que ensejam uma desclassificação do crime. Segundo Francisco Dirceu BarroS (2005 p.

houver dois ou mais juizes competentes para apreciar a ação penal essa se definirá pela distribuição seqüencial. do art. Ocorre quando os atos são praticados no mesmo juízo. • Delegação externa Delegação interna Competência por distribuição A competência por distribuição se firma quando. ou por várias pessoas. 67 . 221) tem as seguintes espécies: Ocorre quando os atos são praticados em juízos diferentes. nexo entro duas coisas. 76. embora diversos o tempo e o lugar. na mesma circunscrição judiciária. Conexão intersubjetiva por reciprocidade: quando o crime é praticado por várias pessoas. quando os crimes ou os agentes forem correlatos. Refere-se a meio em que um crime foi praticado para ocultar outro. I. Competência por conexão Prevista no art. torna o juiz competente para a futura ação penal (CAPEZ. a) • Conexão Intersubjetiva (art. nos casos de titularidades de juízos. 75 do CPP que “a precedência da distribuição fixará a competência quando. antes mesmo da distribuição do inquérito.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A delegação é meio de transmitir a competência. substitutos e auxiliares. Tem o fenômeno da conexão a proposta de reunir a ação. na mesma comarca. como por exemplo. como por exemplo. Conexão intersubjetiva por concurso: quando a infração for praticada por várias pessoas em concurso. p. houver mais de um juiz igualmente competente”. relação. Quanto às suas formas. ou seja. II. e segundo Capez (2006. 76 do CPP) que se subdivide em três hipóteses de conexão entre os sujeitos: Conexão intersubjetiva por simultaneidade: duas ou mais ações foram praticadas por várias pessoas reunidas. por várias pessoas reunidas. embora diversos o tempo e o lugar. 75 § único: A distribuição de inquérito policial e a decretação de medidas assecuratórias de juízo. Expõe o art. em uma mesma circunscrição judiciária. Conexão: dependência. Assim. ou por várias pessoas em concursos. a carta precatória. 2001. ou para conseguir vantagem em relação a qualquer delas. 76 do CPP). 201). fixará a competência ao juiz que for distribuído a ação. existem dois ou mais juizes competentes para apreciar a ação penal. quando. do CPP que a competência por conexão ocorre quando “duas ou mais infrações. b) c) • Conexão material (inciso. uma contra as outras”. a lei divide a conexão em: Art. uma contra as outras. p.

pela conexão ou pela continência. a unidade • Preponderará a do lugar da dos processos só se infração. bem como unificar a decisão. em qualquer caso.. salvo se já estiverem jurisdição comum prevalecerá a do Júri. um liame que aconselha a junção dos processos. se iguais. 73 do CP – Aberratio ictus) e nos casos de resultado diverso do pretendido (art. A conexão existe quando duas ou mais infrações estiverem entrelaçadas por um vínculo. 70 do CP). que estudaremos no Caderno de estudos de Direito Penal. para pena mais grave. p. pela conexão ou pela continência. 267) Capez (2001. idênticos ou não. qual é a jurisdição competente para a ação? Enumera o art.. Essa resposta poderá ser obtida a partir do disposto no art. somente uma delas. A respeito do concurso formal estudaremos no tema 04 do Caderno de Estudos de Direito Penal. por não ser uma forma de reunião de processos simples. 78 doCPP que se. não CPP: A prorrogação de competência. 204) conceitua a conexão como: (. assim como a conexão. Ocorre quando a prova de uma infração ou das circunstâncias elementares influi na prova de outro crime (MIRABETE. tem como efeito subseqüente a prorrogação necessária da competência do juízo. a fim de evitar conflitos por causas que representem situações interligadas ou únicas. 77 do CPP que a continência está enumerada em dois casos: I – quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração. o efeito de soma ou de unificação das pena. a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os Art. erro de execução (art. 82 do Art. 70 . vide nota no Caderno de Estudos de Direito Penal (tema 04). A conexão. 78 do CPP – Reunião de processos (competência) processos que corram perante a) no concurso entre competências material do Júri e a de outro órgão da os outros juízes. prevalecerá nos continência. assim. III do CPP). Dispõe o art. mas aumentada. pela conexão ou continência. como forma de reunião de processos. mediante uma só ação ou omissão. a dependência recíproca que os fatos guardam entre si. é o meio de reunião de processos com finalidade de promover a economia processual. Ocorrendo a reunião de processos. aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou. e constitui-se a competência por continência na união de processos por uma causa em que uma conduta esta contida na outra. 74 do P – Aberratio delicti). Sobre o concurso formal de crime. de um sexto até metade. propiciando. pratica dois ou mais crimes.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • Conexão probatória ou instrumental (art. à qual for cominada adará. 68 . ulteriormente. II – quando a infração for cometida nos caso de concursos formal de crimes (art. com sentença definitiva. A continência. será da diferentes. p. b) Neste caso.Quando o agente.) é o nexo. 2000. 76. que difere da conexão. Competência por continência Outra forma de prorrogação de competência necessária é a continência. forem seguinte forma: obstante a conexão ou instaurados processos casos de reunião de processo. ao julgador a perfeita visão do quadro probatório.

como define Capez (2006. Quando para a determinada ação penal for competente tanto a jurisdição comum como também competente a jurisdição especial. quais sejam: O Tribunal do Júri tem competência em relação à outra jurisdição. eliminando as demais possibilidades. 268). Salvo exceção quando a Constituição Federal dispõe ser aquele processo de competência da jurisdição comum. por prerrogativa de função. 2006. p. No concurso de crimes cometidos entre pessoas que tem foro privilegiado. meio em que não haverá reunião de processos. d) no concurso entre a jurisdição comum e a especial. prevalecerá esta. nos outros casos. assumem algumas regras legais que devem ser observadas. sejam jurisdições iguais. alcançará ao demais acusados o mesmo foro de processo. Quando as jurisdições são da mesma categoria. esta será competente em relação àquela” (CAPEZ. a competência será adotada pela prevenção (que estudaremos em tópico especifico). esta prevalecerá em relação aquela. • Firmar-se-á a competência pela prevenção. ou seja. a competência se prorrogará. 2000. se as respectivas penas forem de igual gravidade. da seguinte forma: • Pelo crime mais grave. os autos interpostos na jurisdição comum deverão ser remetidos à jurisdição especial. a competência prevalecerá no lugar em que foi cometido o maior numero de infrações. qualquer das possibilidades acima elencadas. • No caso de serem excluído. As prorrogações de competência pela reunião dos processos. 234). p. e) (MIRABETE. 226 e 227). Na hipótese de ocorrer “concurso entre jurisdição comum estadual e jurisdição comum federal. ou seja. predominará a de maior graduação. quando cometido naquela determinada jurisdição.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS b) no concurso de jurisdições da mesma categoria: • Prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações. • Quando de igual validade a penalidade. 69 . p. concurso formal e crime continuado). Ou seja. c) no concurso de jurisdições de diversas categorias. nos casos de concursos de crimes (Concurso material. por ser ele uma competência delimitada pela infração. meio em que somente se processam em um tribunal especializado para a ação. no Tribunal do Júri somente se processam os crimes dolosos contra a vida.

2001. a declaração de nulidade no processo é relativa. seguindo a ordem do Código de Processo Penal. p. ou seja. e somente se procede. prefixando a competência naquele juízo que primeiro tomou conhecimento de atos relativos a ação. 322). Esses incidentes são as questões prejudiciais. agora estudaremos as questões prejudiciais e as questões incidentais. com a argüição das partes no processo em tempo oportuno. distribuição de inquérito policial para a concessão ou denegação de pedido de liberdade provisória etc. Qual a diferença de Questões prejudiciais e processos incidentais? Questões necessárias. Capez (2001. soluções legais para as diversas eventualidades que podem verificar-se no processo e que devem ser solucionadas pelo juiz antes da decisão da causa. 70 . p.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Competência por prevenção A competência por prevenção surge como meio de solução. diligências de busca e apreensão no processo dos crimes contra a propriedade imaterial. 92 a 154 trata o Código das questões incidentes. 319) conceitua ambas como: Nos arts. no tempo de argüição de defesa. As medidas assecuratórias é necessário que esteja em curso a ação civil sobre a matéria O incidente de falsidade (MIRABETE. quer dizem respeito ao processo. a Jurisdição e a Competência. Quando não observada a prevenção processual. e praticou ações a inerentes ao fato da infração. 92 a 94) e os processos incidentais. pedido de explicação em juízo. concessão da fiança. podendo ser resolvido pelo próprio juiz criminal. Exceção As incompatibilidades impedimentos e prejudiciais prejudiciais Processos incidentais Meio de defesa na Ação Penal O conflito de jurisdição Para que haja suspensão do processo. quando são competentes dois ou mais juízos a determinada ação processual. que devem ser resolvidas previamente porque se ligam ao mérito da questão principal (arts. em sentido estrito. p. 209) exemplifica os casos de prevenção: Exemplo de prevenção: decretação da prisão. Questões prejudiciais Inerentes questão ao mérito da Questões facultativas. Questões e processos incidentais Após discutirmos a Ação Penal. Mirabete (2001.

94 do CPP). 125 a 144 do CPP) e) o incidente de falsidade (arts. que não se refira ao estado civil da pessoa. Quanto aos efeitos das decisões na esfera civil. 81) conceitua a incidente de exceção como: Previstas no art. devendo ser solucionadas antes da decisão da ação.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A insanidade mental do acusado As questões prejudiciais se ligam ao mérito da questão. depois de transitada em julgado a sentença que reconheça a inexistência de fato constitutivo da peça inicial penal. 149 a 154 do CPP) Estudaremos cada uma destas classificações. quais sejam: I – Questões prejudiciais obrigatórias. tem essa sentença civil força de fazer coisa julgada na esfera penal criminal. necessariamente suspendem o processo. 95 a 111 do CPP). por não ter competência para a ação. o juízo criminal tem a faculdade de suspender ou não o processo (prazo determinado – art. c) o conflito de jurisdição (arts. Neste caso. o Ministério Público promoverá a ação civil prejudicial. d) as medidas assecuratórias (arts. p. perante o nosso ordenamento jurídico se classificam em: a) exceções (arts. § único do CPP. 95 do CPP. Já os processos incidentais. as exceções são consideradas meios de defesa indireta. que se define por existirem divergências na esfera cível. quando tratar de ação privada. por influir diretamente no mérito da questão principal. Assim. 145 a 148 do CPP) f) a insanidade mental do acusado (arts. que influenciará significativamente na esfera criminal. II . do processo incidental. 125 a 144 do CPP). se reflete em duas formas.Questões prejudiciais facultativas. até averiguação destas divergências cíveis. 92 do CPP). As questões prejudiciais necessárias ou obrigatórias. 118 a 124 do CPP). em separado. dispõe que quando a ação penal for pública. até que a controvérsia seja sanada na esfera cível. 93 do CPP). Nesta espécie de incidental facultativa. de outra natureza. Exceção Avena (2005. por controvérsias sobre o estado civil da pessoa (art. Diversas da questão incidental obrigatória têm a questão incidental facultativa (art. deve o querelante promover a ação civil. 92. utilizáveis 71 . o juiz criminal. b) as incompatibilidades e impedimentos (arts. deve suspender o processo. Art.

quando reconhecer qualquer dos motivos enumerados no art. 254 do CPP. e remeterá os autos ao Tribunal a quem compete o julgamento. 98 do CPP). não possa decidir com imparcialidade. por despacho. o juiz sustará o andamento do processo. suspeitarem que o juiz. em autos apartados. Caso o juiz não declare de oficio e também não aceite a argüição de suspeição. p. não possuem efeitos suspensivos (art. de oficio. não sendo cabível na fase do inquérito policial (simples averiguação dos fatos. determinará que seja juntado os autos do processo com a ação principal e. devendo acompanhá-la os documentos probatórios. ou até mesmo a transferência do seu exercício. São atacadas em apartado e. mas obstaculizar ou transferir o seu julgamento. que o impede de julgar tal demanda. podendo esse julgar procedente ou não. Aceitando a suspeição. o incidente de exceção. motivará sua negativa. se declarará suspeito. ou o rol de testemunhas (art. A suspeição deve ser proposta na primeira manifestação da parte (réu) no processo. No entanto. devendo fazê-lo por escrito. 111 do CPP). por qualquer dos motivos enumerados no art. se declarar suspeito (art. 254 do CPP (rol taxativo). podendo enumerar provas. 1) suspeição 2) incompetência 3) ilegitimidade das partes • Exceção peremptória: visam a extinguir o processo. o processo incidental de exceção pode ser usado com o seguintes efeitos. remetendo os autos ao seu substituto. 97 do CPP). A argüição de suspeição deve ser requerida. 99 do CPP). argüida pelas partes (art. quais sejam: • Modalidades de exceção Exceção dilatória: visa a prorrogar o curso do processo. 2000. 325) Senão vejamos cada uma dessas interfases da questão incidental de exceção: Exceção de suspeição As partes podem argüir a exceção de suspeição quando. 72 .EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS quando não há o propósito de atacar diretamente o mérito da lide principal. 1) Coisa julgada 2) Litispendência (MIRABETE. e motivadamente. em petição escrita. a ação penal. Como meio de defesa com o objetivo de extinguir. mandará atuar em apartado o processo incidental. alegando os motivos. pode o próprio juiz. não há juízo decisório). como regra. ou mesmo protelar a ação. enviando de imediato os autos ao juízo substituto.

Forma de incompetência Incompetência absoluta Pode ser argüida a qualquer tempo. serventuários etc. 108 do CPP). esta motivada na ausência de capacidade funcional do juiz. se processa da seguinte forma: Procedimentos a) Deve ser proposta junto ao próprio juiz da causa b) Pode ser argüida verbalmente (reduzida a termo) ou por escrito. p. p. Segundo a doutrina. Quanto ao seu procedimento. que “a exceção pode ser oposta pelo réu. c) O juiz mandará atuar em apartado d) O Ministério Público deve ser ouvido. 2006. não pode ser argüida pelo autor da ação” (CAPEZ. quer oficie como parte da ação ou como fiscal da lei. Contra os membros do Ministério Público. desde que antes de operada a preclusão (CAPEZ. pacificando tal entendimento. devendo o juiz arcar com as custas processuais (se agiu por erro inescusável). p. 337) Conclui o próprio Capez. pelo juízo suspeito. ou relativas. desde que ele não seja o próprio proponente. que requererá a sustação processual (art. o processo prossegue seu curso normal. quando esse atue como fiscal da lei. Contudo.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Julgando o Tribunal procedente a exceção de suspeição. Deve ser argüida no prazo de defesa (art. Ao discutirmos a competência. uma vez que a questão incidental de exceção de suspeição não suspende a marcha do processo. 102 do CPP). Contra quem pode ser argüida a exceção dilatória de suspeição? A questão incidental de exceção por suspeição pode ser argüida contra: • • • Qualquer juiz. julgando improcedente o pedido de suspeição. afirma que tal vício poderia ser reconhecido de ofício. quando não argüidas em tempo oportuno. são nulos. salvo se também reconhecida pela parte contrária. suas formas. querelante e Ministério Público. 95 do CPP. ou improrrogáveis. Incompetência relativa (MIRABETE. 378). os atos do processo principal. é competência prorrogável. 2006. A incompetência assim pode ser dividida da seguinte forma: Sumula 33 do STJ: “a incompetência relativa não pode ser declarada de ofício”. peritos. prorrogáveis. 377). 73 . Exceção por incompetência É também uma forma de exceção prevista no art. Ou contra qualquer pessoa que intervêm no processo: jurados. sob pena de preclusão. são improrrogáveis. 2000. de qualquer instância. estudamos que podem ser elas absolutas. Capez.

poderá ser reconhecida a qualquer momento. que é aquela capacidade de estar ou intervir validamente no processo. (CAPEZ. Assim temos que a exceção de incompetência de juízo tem natureza dilatória do processo. envolvendo os mesmos fatos. tanto em relação à causa. 2006. quem por meio da denúncia ou queixa-crime interpõe a ação (pública ou privada). p. ressalvado a preclusão. A competência absoluta. daí porque denominam competência territorial. 264) afirma que: A competência relativa é a competência determinada pelas regras infraconstitucionais. 2006. p.. 378) Ao explicar as formas de competência. por sua vez. remetendo os autos a juiz competente. pois não há prazo de interposição da exceção por litispendência. b) as partes c) as causas de pedir (CAPEZ. refere-se tanto ao condutor da ação. p. 74 . Como forma e procedimento de exceção de litispendência segue o mesmo procedimento da exceção de incompetência.) em relevância do interesse público na correta e adequada distribuição da justiça. 379) Exceção de ilegitimidade da parte A exceção de ilegitimidade da parte. como em relação ao processo. Oliveira (2006. (. pelo fato de ter origem na norma constitucional. deve ser argüida quando o processo estiver tramitando em foro incompetente daquela Ação Penal. quanto à ilegitimidade processual..EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS e) O juiz então julgará a exceção: Quando improcedente: continuará com o processo Quando julgar procedente: se declarar incompetente. que é aquela do juízo natural. Assim temos que os elementos que identificam a litispendência são: Elementos que identificam a demanda a) o pedido Na ação penal é a aplicação da sanção penal As partes que estão em litígio Que é a razão pela qual o autor pedir a condenação. Exceção de litispendência A litispendência ocorre quando coexistem dois ou mais processos contra o mesmo réu.

) [A exceção por coisa julgada] é cabível quando alguém está sendo processado por fato já decidido por meio de sentença transita em julgado. em Ex: Ação Penal Pública. Assim como a exceção de incompetência. não podendo estar em juízo.. Qual a diferença da ilegitimidade ad causam e a ilegitimidade ad processum? Abrange a titularidade do direito da ação. proposta por um particular. sendo as demandas idênticas. idênticas pela mesma parte.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Capez (2006. p. 84) Exceção de Coisa Julgada Como explica Avena (2005 p. desde que ratificada os atos processuais. Ex: A representação oferecida por quem não era o representante legal do ofendido.. O que é Coisa Julgada formal e coisa julgada material? 75 . 380). com uma decisão já passada em julgado e outra sendo iniciada. p. 2005. pode ser argüida a exceção quando a queixa é oferecida em caso de ação pública. importará nulidade desde o inicio da ação. (AVENA. quando a denúncia é oferecida em hipótese de ação privada. Ilegitimidade “ad processum” a capacidade de Tem natureza dilatória Quando reconhecida poderá ser sanada. Devemos entender por exceção de coisa julgada quando uma ação já tenha proferido sentença definitiva. quando o querelante não é o representante legal do ofendido. quando a ação privada personalíssima. mesmo pedido e mesma causa de pedir. 84): (. quando o querelante é incapaz. o procedimento da exceção por ilegitimidade da parte é processado da mesma forma. e para que seja acolhida [deve haver os caso de identidade de demanda que especificamos na litispendência]. a queixa é oferecida pelo sucessor da vitima. exemplifica a exceção por ilegitimidade da parte da seguinte forma: Assim. Ilegitimidades “ad causam” Tem natureza peremptória Quando reconhecida. Refere-se sobre exercício da ação. Estudaremos sobre coisa julgada no tema 05: Sentença e a coisa julgada.

tem efeito preclusivo impedindo nova discussão sobre o fato no mesmo processo. 2000. se classificar em: Conflito de jurisdição 76 . o processo principal (art. (MIRABETE. Conflito de atribuição: ocorre quando existe conflito entre o Poder Judiciário e outros poderes (Executivo ou Legislativo). de pedido e de causa de pedir. contemporaneamente. obrigando o juiz de outro processo acatar a decisão.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Capez (2006.) A coisa julgada formal reflete e imutabilidade da sentença no processo onde foi proferido. na coisa julgada material existe a imutabilidade da sentença que se projeta fora do processo.. CPP). 381) explica que: A coisa julgada nada mais é do que uma qualidade dos efeitos da decisão final. 267) pode ser assim resolvida: a) as questões relativas às exceções. tomam. marcada pela imutabilidade e irrecorribilidade. em regra. o classifica da seguinte forma: Tem-se o denominado conflito de jurisdição toda vez que. 113 do CPP). a exceção. a fixação da competência. p. um ou mais juizes. c) as exceções serão processadas em autos apartados e não suspenderão. quando não condizente com a norma legal. deve ser observadas as seguintes peculiaridades. p. e outra ação idêntica aquela for proposta. ou então quando dois ou mais juizes se recusam aquela demanda por se acharem incompetentes a mesma (jurisdição negativa). Exceção de litispendência Se antes de decidido qualquer demandas propostas das Exceção por coisa julgada Se já houve uma sentença transitada em julgado. todas deverão constar de um único articulado ou petição. p.. que pode também se argüida como matéria de defesa. o conflito de jurisdição. Capez (206. 341 e 342) Assim temos. (. Segundo a lei (art. pode ser determinada pelo Conflito de Jurisdição. quando tratamos de exceção. 386) ao conceituar o conflito de jurisdição. Havendo duas demandas com identidades de partes. podem sempre ser alegada como matéria de defesa (preliminar ou mérito). incluindo a de incompetência absoluta e de suspeição. p. O conflito de jurisdição existe quando dois ou mais juizes se julgam competente aquela demanda (jurisdição positiva). ou recusam tomar conhecimento do mesmo fato delituoso. independentemente do procedimento de exceção. em qualquer fase do processo. que segundo Oliveira (2006. Conflito de Jurisdição Além da exceção. 111. em qualquer tempo. b) se houver mais de uma exceção.

à competência será do Superior Tribunal de Justiça. ou entre Tribunais superiores e outros tribunais. 407) como: São providências cautelares de natureza processual. 115 do CPP) b) pelos órgãos do Ministério Público junto a qualquer dos juízos em dissídio. temos: a) pela parte interessada. p. II – Conflito entre o STJ e quaisquer outros tribunais. ou entre juizes vinculados entre tribunais diferentes. seja para a efetiva execução da pena a ser imposta. p. c) I – Conflito entre tribunais. ou entre os tribunais superiores entre si. 2000. está previsto na Constituição Federal. Conflito de jurisdição negativa (CAPEZ. 2006. determinadas com o fim de assegurar a eficácia de uma futura decisão judicial. nas Constituições dos Estados. Medidas assecuratórias Tem por natureza acautelar os procedimentos civis. p. competem ao Supremo Tribunal Federal. entre tribunais e juizes vinculados a outro tribunal. por qualquer dos juízes ou tribunal em causa. desde que vinculados ao mesmo tribunal. mediante representação. seja quando à reparação do dano decorrente do crime. III – Conflito entre juizes federais. pela Pode ser argüido (art. urgentes e provisórias. Ocorre quando dois ou mais juizes se julgam incompetente para o conhecimento e julgamento do mesmo fato delituoso. 350) Competência para decidir o conflito de jurisdição A competência para julgar a ação. no conflito de jurisdição. compete Tribunal Regional Federal. 386) Quanto à forma do processamento dos conflitos de jurisdição. nas leis processuais. Conceitua Capez (2006. com a finalidade de ressarcimento ou reparação civil pelo dano causado devido à infração. nas leis de organização judiciária e nos regimentos internos de cada tribunal. (MIRABETE. forma de requerimento.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Conflito de jurisdição positiva Ocorre quando dois ou mais juizes se julgam competente para o conhecimento e julgamento do mesmo fato delituoso. pela forma de requerimento. 77 .

• I – O seqüestro (Art. III . 135 do CPP). Levantamento de seqüestro: Ação principal não for intentada no prazo de 60 dias. • Como medida preparatória de hipoteca. Medida que recai sobre o patrimônio licito do réu ou indiciado. • O juiz pode determinar de ofício. • A autoridade policial. visando à reparação do dano pelo delito cometido. 78 . • Pode ser requerida em qualquer fase do processo. as medidas assecuratórias se classificam em: Modalidades de medidas assecuratórias • Medida destinada a efetuar a constrição dos bens imóveis ou moveis. que ao contrário daquele antes mencionado. 137. adquiridos com proveito do crime. Pressupostos: a) prova inequívoca da materialidade do crime.A hipoteca legal (art. § 1º do CPP). 125 a 132 do CPP): Podem requerer: • O ministério Público. determinada no Inquérito policial ou no processo penal pelo juiz. identificando qual a estimativa de valor da responsabilidade civil. Se os bens seqüestrados forem fungíveis: Leilão público (art. e custas processuais. Terceiro que estiver com o bem prestar caução.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Com o fim de assegurar o direito do ofendido. 137 do CPP) • Autos que atuam em apartado da ação principal. Pressupostos: a) prova inequívoca da materialidade do crime. Incide sobre a generalidade do patrimônio do indiciado (somente bens moveis). 134 do CPP) • Deve ser atuado em apartado. § 1º. visa bens lícitos. 204. usa-se o seqüestro prévio. e o imóvel que deseja registrar. a fim de assegurar uma futura indenização pelo dano ex delicto. Extinta a punibilidade ou absolvido o réu. b) indícios suficientes da autoria. Evita que o acusado se dissipe do bem durante o processo penal. IV – Busca e apreensão (art. b) indícios suficientes da autoria. • • • • • II . Para efetivar a hipoteca o deverá ser feito um requerimento. por sentença transitada em julgado.Arresto (seqüestro do art. • A vitima do crime. Exige-se a probabilidade séria de que o bem tenha proveniência ilícita. b do CPP) Busca e apreensão cautelar domiciliar do produto do crime. Chamado de “especialização de hipoteca legal” (art.

Tem a ação como efeito. Incidente de insanidade mental do acusado Como forma de processo incidente. Segundo Barros (2006 p. não como incidentes. de armas e Além de outras medidas confiscatórias no processo penais e dispositivos correlatos do direito penal. 145 a 148 do CPP. mas como questão principal. regulados nos arts. no que tange a ação de argüição de falsidade de documentos. prorrogável (art. independentemente de argüição por parte da defesa. reconhecendo ou não à falsidade do documento. 281): (. para fins de comprovação da existência de crime. 149. 407 a 413) Incidente de falsidade Trata-se de um processo incidental. ser periciado. necessariamente. 147 do CPP). 79 . mas qualquer outro que possa interferir na apreciação da imputação penal. provar a não autenticidade de documentos apresentados. 2006. Ordenará o juiz a suspensão do processo principal (art.)deve. o processo de insanidade mental é argüido quando se tem duvidas da integridade mental da pessoa que cometeu o crime. § 2º do CPP). Ao contrario. (CAPEZ... § 1º do CPP). esse deve ter poderes especiais (art.. Facultativo 1) Juiz determinará a instauração do incidente 2) Partes serão intimadas para que apresentem quesitos 3) Peritos exames médicos realizaram os Prazo de 45 dias. respectivamente. pelo membro do Ministério Público e até de oficio pelo juiz (art..EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Busca e apreensão instrumentos do crime. O incidente de falsidade de documento quando argüida pelo procurador. p. 150. O processo incidental de falsidade pode ser argüido pelas partes. 146 do CPP). e tem por fundamento. o documento que constitui o próprio objeto material do delito (. meio em que será nomeado um curador. retirar ou manter o documento nos autos principal.) Os documentos aqui mencionados não é aquele que constitui o objeto material do delito. Procedimento de incidente de insanidade mental Instaurado por meio de uma portaria. O processo incidente de argüição de documentos falsos processa-se em autos apartados.

415 a 416) Prova A previsão legal das provas. 283) Fatos que dependem de prova Para Capez (2006 p. porque admitido pelas partes). não de seus direitos estando obrigado à aceitação pura e simples do alegado assegurados pela uniformemente pelas partes. Segundo Capez (2006. constituição ou pela lei desde que. ex. com a presença de curador. ao tempo do crime: processo retoma seu curso. p. 156. p. Segundo Capez (2006. (CAPEZ.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • 4)Juntada do laudo com a conclusão dos peritos: • O réu era inimputável ou semiimputável. 283): Todos os fatos restantes devem ser provados. 283). que visam conceder ao juiz a convicção sobre a existência ou inexistência de um fato.: peritos). pois se admite em nosso direito as chamadas provas inominadas. Objeto ou função O objeto é o que se deve demonstrar. existem alguns fatos que não necessitam de prova. Presunções legais Aqueles que são evidentes. inclusive o fato admitido ou aceito (também chamado fato Uma prova a princípio incontroverso. (CAPEZ. O réu adquiriu a doença mental depois da prática do crime. ou ainda que Natal é no dia 25 de Dezembro. É o caso da verdade sabida: não precisamos provar que durante o dia há claridade e escurece durante a noite. em razão de doença mental. ou seja. até o restabelecimento do indiciado ou a prescrição. que se encontra nos arts. ou seja. 2006. aquelas não prevista expressamente na legislação. a causa ou o fato que diga respeito ao litígio. p. podendo ser absolutas (jure et de jure) ou relativas (júris tantum). são eles: Fatos que independem de prova Fatos axiomáticos ou intuitivos Fatos notórios (aplica-se o princípio notorium non eget probatione. p. 209 e 234 do CPP) e por terceiro (p. 80 . 2006. o notório não necessita de prova). Presunções são suposições de verdade. mas sim exemplificativa. as presunções legais são decorrentes da própria lei. a palavra prova Vem do latim probatio e representa o conjunto de atos praticados pelas partes. ou seja. 158 a 250 do CPP. se trate de bens ou direitos disponíveis. ilícita pode se tornar diferentemente do que ocorre no processo civil. pelo juiz (arts. da falsidade ou veracidade de uma afirmação. obviamente. a circunstância. existe a lícita quando o necessidade da produção probatória porque o juiz pode interessado abre mão questionar o que lhe pareça duvidoso ou suspeito. não é exaustiva. Nesse caso. 2ª parte. 282). o processo principal ficará suspenso.

EX. as conclusões periciais Testemunhais extraídas de testemunhas.Que a prova seja admissível (permitida pela lei ou costumes judiciários). p.: o interrogatório. Pessoais: são as que consistem em informações prestadas por pessoas. etc. 284). LVI.Possível de realização. Documentais consistem na documentos. 2006. e . em seu art. Relativamente ao Sujeito ou Causa • Reais: são as provas que consistem em uma coisa externa e distinta da pessoa.Pertinente ou fundada (aquela que tenha relação com o processo. .: os objetos furtados em um furto.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Isso se dá em função do Princípio da Verdade Real (visto no tema 01). Classificação Quanto ao Objeto a) direito quando por si demonstra o que se quer saber só b) indireta quando demonstra um fato que proporciona a dedução da veracidade ou não de outro fato. os depoimentos. Para a produção das provas afirma Capez que necessitamos: . a arma utilizada. Provas inadmissíveis Existem certos tipos de provas que não são admitidas no processo penal. É proibida a produção probatória toda vez que houver a violação de normas legais ou de princípios do ordenamento de natureza processual (provas ilegítimas) ou material. 5º. contrapondo-se à prova inútil). as provas obtidas por meios ilícitos”.Concludente (visa esclarecer uma questão controvertida). – quando oitiva de • Quanto à forma ou aparência • • – Quando juntada de 81 . dispo: “são inadmissíveis. Ex. pois deve o magistrado buscar a verdade real dos fatos e não somente a verdade formal. um documento falso. no processo. (CAPEZ. . A CF.

(CAPEZ. pois é da acusação todo o ônus de provar a culpa e a autoria do fato. mas mesmo que esse não o faça. não sendo admissível a produção de uma sem o conhecimento da outra parte. tudo isso em decorrência do Princípio da Verdade Real. 306 e 307) Meios de prova No Direito Processual Penal. vistorias. isso decorre do princípio do contraditório. no Processo Penal o ônus da prova (dever de provar) é da pessoa que faz a alegação. para que prevaleça a verdade dos fatos. Ônus da prova Como regra geral no Direito. tal atitude tem embasamento no Princípio da Verdade Real que estudamos em nosso primeiro tema. Mas tal princípio é mitigado em sede de Direito Penal. pois o mesmo não poderá ser condenado. admitindo-se somente como exceção o segredo de justiça. p. fazendo assim com que se produza prova sobre o assunto. Provas em espécie 82 . p. no campo penal não há prova pertencente a uma das partes. • Da publicidade: as provas. • Do livre convencimento motivado: o julgador tem liberdade para formar seu convencimento de acordo com as provas que não possuem um valor previamente descrito pela lei. isto é. estando tal formação de convicção limitada apenas aos fatos e circunstâncias constantes nos autos. 312) se definem em: • Da audiência contraditória: toda prova admite a contraprova. corpo de delito etc. Princípios gerais das provas Segundo Capez (2006.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS • Materiais -exames. como todos os atos judiciais são públicos. mas as provas produzidas servem a ambos os litigantes e ao interesse da justiça. a não ser os fixados pela própria lei ou pela Constituição Federal. 2006. • Da aquisição ou comunhão da prova. É certo que o réu terá que mostrar todos os fatos que alegar. não há limitação dos meios de prova. se a acusação não conseguir provar a autoria e a culpabilidade do ilícito. não há qualquer necessidade de defesa por parte do réu. É possível que o juiz atue para que se esclareçam fatos controversos.

aplica-se a Súmula n. mas não obrigam o juiz a seguir suas posições (CAPEZ. e art. § 1º. Requisitos 83 .296. possível e Violação de correspondência Atenção: a violação de correspondência não é permitida nem com autorização judicial! Violação das comunicações telefônicas Busca em repartição pública Busca domiciliar A busca domiciliar é permitida somente “quando fundadas razões a autorizarem” (art. A nulidade será relativa Busca pessoal (CAPEZ. XI. passou a disciplinar a interceptação de conversas telefônica. possui natureza acautelatória.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Busca e Apreensão Natureza jurídica A Busca e Apreensão impede. 5º. A interceptação telefônica consiste em gravar. jul. o qual permitia a violação. dada pela Lei n. por se tratar de parecer técnico sempre é bem valorada. o disposto na alínea f do artigo 240 do CPP. não tendo qualquer valor em especial. revogando. Quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida” ou outros objetos é autorizada a Busca pessoal. O art. 246 do CPP. do art. que a prova seja destruída. p. atualmente é obrigatória a realização do exame de corpo de delito por. o juiz pode autorizar a quebra do sigilo de ofício ou a requerimento do membro do MP ou autoridade policial. 150 do CP e arts. 361 do STF. as conversas ou dados repassados pela via telefônica. Objeto Os objetos passíveis de busca e apreensão estão elencadas no art 240 do CPP.9. 2006. p. 240.862/94.: Com a nova redação do art. do CPP). quer se trate de perito oficial. no caso apenas um perito subscreva o laudo deste exame. 5° XII da CF/88 proíbe a violação de correspondência. da CF. obviamente. Assim. portanto. A Lei n. no mínimo. Devemos entender a expressão domicílio conforme dispõe o parágrafo 4º. 316). 312 a 316) Das perícias e do exame de corpo de delito Perícia “A perícia está colocada em nossa legislação como m meio de prova”. 1996. em tese. quer se trate de perito não oficial. dois peritos oficiais. 2006. de 24. Obs. mediante autorização judicial. impossibilitando qualquer forma de quebra de sigilo da mesma. mas somente quando presentes os requisitos elencados no art 2º Admite-se sempre que indispensável tal diligência. 8. 159 do CPP. Agora.

como pessoa habilitada que direto e indireto: preste compromisso. o exame deve ser feito por dois peritos particulares. O exame de Corpo de e do surdodo curdo mudo: ao surdo Delito indireto é admitido quando não se puder realizar o direto. art. “Trata-se de nulidade relativa. do CPP). no qual se procura buscar as evidências da autoria do fato. bem como demonstrado o efetivo prejuízo” (CAPEZ. tratando-se de perícia oficial. c) interrogatório do mudo. A requerimento das partes. p. “No processo penal. no curso do Inquérito. e a utilização de suasinterprete. 179. § 1º. em regra. etc. 159. p. do modus analfabeto com deficiência de se comunicar. anteriormente. na diligência de apreensão” (Súmula n. intervirá no O Exame de corpo de delito pode ser.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Dispõe o art. segundo Capez (2006. a porta interrogatório do estrangeiro. segundo Capez (2006. 317). ele responde oralmente. realizado com o auxilio de um Indireto: é feito com a oitiva de testemunhas. bastando o exame de um só perito. 159 do CPP que “os exames de corpo de delito e as outras perícias serão. Note-se que. escolhidas de preferência as que tiverem habilitação técnica (art. uma vez endereçam-se as que é perguntas por escrito e obrigatória a existência desse tipo de exame em crimes que deixam vestígios. ao mudo as perguntas são orais e ele responde Interrogatório por escrito e no caso do surdo mudo as perguntas e respostas são escritas (CAPEZ. caput e art. 320) interprete ato. é nulo o exame realizado por um só perito. feitos por peritos oficiais”. 317) pode ser determinada: • • De ofício tanto pela autoridade policial quanto pelo juiz. considerando-se impedido o que tiver funcionando. Exame de corpo de delito O exame de Corpo de Delito é aquele realizado no objeto material do interrogatório: a) interrogatório do crime. 2006. p. § 2º. somente não podendo negar pedido do Ministério Público em função do disposto no art 13 II CPP. 2006. Determinação das perícias A Perícia. ou pelo réu. o documento falsificado. § 1º: não havendo peritos oficiais. 330 e 331). Espécies de operandi e da extensão do ilícito. . Note-se que pode a autoridade policial. 159. 159. 361 do STF). Não havendo peritos oficiais. cuja impugnação há de ser em tempo oportuno. Os peritos não oficiais devem prestar o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo (art. CF/88. do CPP). b) Direto: é aquele feito sobre o próprio objeto material: o cadáver. não se aplicava a referida súmula. negar a realização de perícia requerida pelo ofendido. narrações para se poder deduzir como se deram os fatos. 84 . será arrombada. o exame será feito por duas pessoas idôneas. p.

p. Confissão Segundo Capez (2006. pode o réu deixar de falar qualquer coisa durante o interrogatório. Quando a confissão ocorre em juízo. Quando o acusado confirma o fato a ele atribuído. É aquela que ocorre fora do processo.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Há discussão se o interrogatório seria meio de prova ou meio de defesa. mas hoje se tem pacificado que na realidade é a interrogatória do réu ambas as coisas. 333) Como pode a confissão ser retratada a qualquer momento. 2006. 333) a confissão “é a aceitação pelo réu da acusação que lhe é dirigida em um processo penal” ou em um inquérito policial. mas sim ouvido. pois se dá somente entre o acusado e o juiz. seja em inquérito ou em outro meio qualquer desde que fora do processo. inclusive pode o mesmo se negar a responder todas as perguntas a ele dirigidas. ninguém podendo intervir no mesmo. p. mas apresenta junto uma excludente de antijuridicidade. Define Capez que existem quatro espécies de confissão que devemos conhecer: Simples: Qualificada: Quando o acusado reconhece pura e simplesmente que praticou o delito. e hoje. Ainda. pode o réu mentir. é somente mais uma prova. O interrogatório é um ato processual personalíssimo. uma vez que não pode ser o mesmo obrigado a fazer prova contra si mesmo. São características das testemunhas como meio de prova: 85 . pois o mesmo não presta compromisso da verdade. Até mesmo porque é obrigação da acusação provar que é o acusado o autor dos fatos que lhe são imputados. É importante salientar que o acusado nunca é interrogado durante o Inquérito Policial. possui valor probante relativo. durante o curso do processo penal propriamente dito. sendo necessária a sua confirmação pela corroboração das outras provas constantes do processo. culpabilidade ou eximentes de pena. ou seja. um dia já foi considerada prova suficiente para uma condenação. Testemunhas Testemunha é aquela pessoa que declara em juízo o seu conhecimento acerca dos fatos em questão no processo. Silêncio e mentira do réu Conforme dispõe a CF em seu art 5º LXIII. Judicial: Extrajudicial: (CAPEZ. sem que isso importe em prejuízo para a sua defesa. meio de prova e de defesa.

A testemunha deve depor sobre os fatos. 398 do CPP). junto com os sujeitos do processo e submetida a questionamento por ambos os sujeitos. Se tais pessoas forem ouvidas. § 2º. ofício ou profissão. O máximo de cinco testemunhas (art. p. O máximo de cinco (arts. 539 do CPP). 417. pois senão seria previsão e não testemunho. Também pode eximir-se de depor: as pessoas elencadas na segunda parte do art. e 421. a testemunha não comparecer sem justo motivo. Deve a prova testemunhal ser colhida através de uma declaração verbal prestada ao juiz. p. ministério. tendo em vista que certamente possuem interesse de favorecer a um dos pólos da ação penal. podemos citar o pai do acusado do crime. Número de testemunhas Segundo Capez (2006. do CPP). contudo. Tais pessoas são o que chamamos de Informantes. sendo que ainda se sujeitará a testemunha faltosa a processo crime por crime de desobediência. “as pessoas que. quiserem dar o seu testemunho”. 207 do CPP. sem oferecer opiniões ou emitir juízos de valor. 218 do CPP autoriza que proceda o juiz á condução coercitiva da mesma. desobrigadas pela parte interessada. 336) Impedimentos As pessoas têm o dever de testemunhar (art 206 do CPP). Se. uma vez que o seu testemunho tem valor menor que o de uma testemunha. parágrafo único. Como exemplo. Só se pode testemunhar sobre fatos que já ocorreram.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Judicialidade: Oralidade: Só é prova testemunhal aquela produzida em juízo. não lhes será exigido o compromisso de dizer a verdade. em razão de função. intimada. devam guardar segredo. Objetividade: Retrospectividade: (CAPEZ. o art. salvo se. 339) “o número de testemunhas varia com o tipo de processo” e pode ser definido como: No Processo comum Cada uma das partes pode arrolar um máximo de até oito testemunhas (art. São proibidas de depor. 206 do CPP. as pessoas apontadas no art. 2006. No Processo sumário Para o plenário do Júri 86 .

Reconhecimento de pessoas (arts. 226/227 do CPP). os assistentes e auxiliares da Justiça. reduzindo-se a termo o ato de acareação. e consiste em se ofertar à testemunha ou ao ofendido diversos objetos a fim de que o mesmo aponte qual o relativo ao crime. a fonográfica. Art. entre acusado e testemunha. isoladamente (sem outras provas). Sujeitos Processuais Sujeitos processuais são as pessoas entre as quais se constitui. 348). No reconhecimento de objeto. proceder-se-á com as cautelas estabelecidas no artigo anterior. 9. não se limita ao escrito. a cinematográfica e a digital. e entre as pessoas ofendidas. 2006. o Ministério Público. todas as pessoas elencadas nos arts. a prova documental. do CPP). 2006. 347). 232 do CPP). O procedimento está expresso no art. pois existem a fotográfica. não pode ensejar uma sentença condenatória (CAPEZ. 229. sempre que divergirem. 229. 226 do CPP.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS No sumaríssimo No máximo de três testemunhas (Lei nº. pois este é considerado pela doutrina como mais uma das provas inominadas. são eles. o juiz. são as pessoas que fazem parte do processo. Se destina a extinguir as divergências sobre os fatos controversos. 251 ao 281 do Código de Processo Penal. entre acusado ou testemunha e a pessoa ofendida. pois estará cometendo o crime de falso testemunho. arrolado no art 342 do CP. 2006. se desenvolve e se completa a relação jurídico-processual. 340) Falso testemunho (art. e multa. entre testemunhas. 87 . p. 227. no que for aplicável. arts. Reconhecimento de coisas É feito em objetos que por alguma razão relacionam-se com o delito (c. 342 do CP) Não pode a testemunha mentir. instrumentos ou papéis públicos ou particulares” (art. Art. A acareação será admitida entre acusados. parágrafo único. sobre fatos ou circunstâncias relevantes. atualmente. para que expliquem os pontos de divergências. Parágrafo único. com pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos. em suas declarações. Pode ser também efetuado o reconhecimento fotográfico (com cautela). (CAPEZ. o acusado e o defensor. acusado e acusado. Contudo. ou mesmo calar a verdade em audiência. o reconhecimento fotográfico. Documentos Consideram-se documentos “quaisquer escritos. testemunha e vítima etc. 226 a 228 do CPP). p.099/95). ou seja.) (CAPEZ. Os acareados serão reperguntados. Acareação “É o ato processual que consistente em se colocar face a face duas pessoas que declararam diferentemente sobre um mesmo fato” (pode ser testemunha e testemunha. p. No entanto. A acareação é reduzida a termo no próprio ato e em tempo real da realização da acareação (art.

261). será processado ou julgado sem defensor. 261. o autor e o réu. pode o Ministério Público requerer a absolvição do réu se for convencido de sua inocência. Para preservar essa imparcialidade. deve possuir. que consiste em ser detentora de direitos e deveres. É contra quem se move à ação penal. o juiz nomear-lhe-á um” defensor que se chamará defensor dativo(Capez. p. ou tanto pelo ofendido quanto por defensor dativo se o réu seus sucessores. Cumpre salientar que. como já visto. ou seja. Ministério Público O Ministério público possui função institucional de zelar pela proteção do Estado em si. mesmo encontrando-se tradicionalmente no papel do acusador. quando realizada por defensor público ou dativo. A defesa técnica. as partes são o autor do crime e a vítima. será sempre exercida através de manifestação fundamentada. indispensável à exata aplicação da lei penal. parte é aquele sujeito processual que deduz ou contra o qual é deduzida uma relação de direito material-penal. LV. portanto. o sujeito ativo do crime. Deve o juiz ser imparcial. o papel de acusador. nenhum acusado. será processado ou julgado sem defensor (art. cabendo ao mesmo. Para que uma pessoa possa figurar como parte em Juízo. 52. Art. São partes. ainda que ausente ou foragido. no processo penal. Em sentido formal. da CF) é indispensável que o réu seja amparado por pessoa com conhecimentos técnicos suficientes para que se torne efetiva a referida garantia. ainda que ausente ou foragido. quem sofre o Jus persequendi. Diante do princípio constitucional que assegura aos acusados em geral a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (art. A parte ativa é o autor (parte acusadora) e a parte passiva é o réu ou acusado (parte acusada). interesse na lide ou legitimação para a causa. 182). Assim. No Processo Penal. ”não possuir defensor constituído. na ação penal pública. quanto à infração Penal em si. mas sim da sociedade como um todo. primeiro a capacidade para ser parte. Nenhum acusado. No processo penal é o mesmo sujeito passivo (processual). O Código prevê as hipóteses de suspeição e impedimento do juiz. 2006. O Juiz É o detentor do poder jurisdicional e presidente do processo. Parágrafo único. O acusado é o agente do crime. O Acusado O Defensor O Assistente 88 . réu através de A assistência pode ser desenvolvidaprocuração”.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Sujeitos Processuais Partes Em sentidos materiais. o assistente da Poderá acusação é a figura que auxiliará o constituído “quando nomeado pelo promotor na tarefa de acusar o réu.

afim de resguardar a ordem social. a jurisdição e a competência. desde escrivão. destaca-se como estudo. nos termos do art 277 do CPP. destacam-se as peças iniciais da denúncia (na ação penal pública) e a queixa-crime (na ação penal privada). cartorários etc. O art 274 do CPP trata das disposições sobre os serventuários da Justiça: Como o Juiz não possui conhecimento técnico em muitas áreas e sendo estes técnicos necessários para a análise de certas provas que formarão o seu convencimento. 89 . com suas peculiaridades e requisitos fundamentais. deve ele aceitar a incumbência. Os meios de prova. marcando a seqüência CORRETA. I – A competência se prorroga pela continência quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Serventuários da Justiça São todas aquelas pessoas que trabalham diretamente com o Judiciário. Peritos e Intérpretes Conclusão No tema estudamos as modalidades de ação penal que se dividem em Ação Penal Pública e Ação Penal Privada. Ao ser iniciada a Ação Penal. a não ser que tenha uma justificativa plausível e aceita pelo juiz. Vamos exercitar? 1) Assinale (V) as questões verdadeiras e (F) as falsas. levando-se em conta. Como forma de iniciar a ação penal. como meio de defesa e protelatória da ação penal. Uma vez nomeado o perito. III – A conexão intersubjetiva por simultaneidade ocorre quando duas ou mais ações foram praticadas por varias pessoas reunidas. São os serventuários da justiça indispensáveis para a tramitação do processo. deverá recorrer aos peritos e aos intérpretes. II – Continência tem o sentido de uma coisa contida na outra. IV – A conexão material ocorre quando a prova de uma infração ou das circunstâncias elementares influi na prova de outro crime. sendo impossível a separação. uma vez que são garantidores do exercício Estado-juridição. as pessoas do processo são fatores determinantes ao desenvolvimento da Ação Penal. suas formas de incidentes e questões prejudiciais. e devem se pautar por regras que buscam a imparcialidade e a não intervenção dos mesmos no procedimento judicial. sempre que necessário a espécie do crime e as peculiaridades do acusado e do ofendido.

2) Dentre as alternativas. Síntese do tema Neste tema estudamos as modalidades de Ação Penal. c) As alternativas I. Informações sobre o próximo tema No próximo tema estudaremos a Prisão e suas modalidades. você deve observar os artigos 76 e 77 do CPP. a) exceção por suspeição. E dentro do processo destacamos os meios de prova e as pessoas do processo. como meio assegurador da verdade real na ação penal e gerenciador dos procedimentos em si. e III estão incorretas. b) As alternativas I. Tema 04 90 . a liberdade Provisória. como meio limitador da jurisdição e as questões prejudiciais e incidentais. II. c)incidente de falsidade. dentro do processo penal.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS a) somente a alternativa IV está incorreta. d) incidente de liberdade provisória. b) conflito de jurisdição positivo. na resolução do exercício. Comentário Para resolver esta questão. a aplicação provisória de interdição de direitos e a Medida de Segurança. Comentário Para resolver esta questão você deve observar os artigos 92 a 154 do CPP. Discutimos as formas de competência. que irão auxiliá-lo. a jurisdição seu conceito e a diferença entre jurisdição e competência. II e IV estão corretas. como meio de defesa. identifique a que NÃO se relaciona como espécie de processo incidental. d)Todas as alternativas estão corretas.

terá que ter conhecimento da forma de sanção penal. como veremos. que são. ou prisão 91 . ou em virtude de sentença penal condenatória (art. e as suas espécies. ou até como meio garantidor do julgamento do crime sem a interferência ou desaparecimento do acusado. pena. 236. “prisão é a privação da liberdade de locomoção determinada por ordem escrita da autoridade competente ou em caso de flagrante delito” (CAPEZ. vamos identificar as modalidades de prisão. 244). Aplicação Provisória de interdição de direitos e Medida de Segurança Meta da aula Apresentação e análise do instituto da Prisão no regime penal brasileiro. Conceito de Prisão Como uma das formas de execução ou meio de assegurar a sanção penal. você seja capaz de: • • Classificar a prisão. bem como a aplicação provisória de interdição de direitos e medida de segurança. e das garantias constitucionais asseguradas as pessoas. desde o cinco dias antes da eleição e 48 horas depois da eleição. Introdução Neste tema. temporária. quer seja por condenação ou não. Pré-requisitos Para melhor compreender este tema. Liberdade Provisória.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Prisão. instrumentos de aplicação da lei penal. p. a prisão se classifica em: Modalidades de prisão 1)Prisão penal Em virtude de sentença penal. 2)Prisão sem processual. Objetivos Esperamos que. Vamos analisar as modalidades de prisão. a Prisão é a privação da liberdade plena. Quanto às suas espécies. como meio assecuratório de comprimento de pena. Tem finalidade cautelar. 2006. caput do Código Eleitoral). Identificar as formas de prisão especial. preventiva e em flagrante. Não é permitida a prisão do eleitor. é a execução da decisão judicial. ao final desta aula. salvo se em flagrante delito. Para Capez. que assegura o bom desenvolvimento da investigação criminal.

 Prisão Preventiva (arts. 5) Prisão disciplinar (art. • Quanto ao seu cumprimento. 2006 p. 295 do CPP cuida das chamadas prisões especiais.960/89). em razão do exercício de atividade religiosa (Oliveira. p. O art. 5º. 2006. caracteriza-se como o mandado de prisão (art. 2006. 244 a 246) A ordem de prisão. logo após a prisão. Indicar o agente responsável pelo seu cumprimento. formal e escrito. b)depositário infiel. (CAPEZ. finalmente. cabíveis para determinadas pessoas. 5º. 285. copia do mandado. XI da CF): com o mandado de prisão.  Prisão temporária (Lei nº. LXI da CF). caput do CPP). p. Permitido apenas nos caso de transgressão militares ou crimes militares. b) deve ser entregue ao preso. que dispensa o consentimento do morador. somente durante o dia. em razão das funções públicas por elas exercidas.  Prisão decorrente de sentença condenatória recorrível (art. 246 a 247) Prisão Especial 92 . 5º. fundamentada e escrita. poderá ser executado: a) a prisão poderá ser feita em qualquer dia e qualquer hora. LXVII da CF) Prisão em domicilio (art. Contendo as infrações penais que fundamentou a prisão. da formação escolar por elas alcançadas e. que nada mais é. 301 ao art. Entendimento do STF: cabe prisão administrativa do estrangeiro durante o processo administrativo de extradição. 408. LXI e LXVII da CF. que materializa a ordem da autoridade judiciária. 4) Prisão administrativa (art. Quanto aos requisitos do mandado de prisão. não foi recepcionada pelo art. 420) c) d) (CAPEZ. a violabilidade do domicilio. 5º. desde que decretado por autoridade judiciário. 7. a)devedor de pensão alimentícia. 594). 319 do CPP).EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS São as chamadas Prisão Provisória:  Prisão em flagrante (art. Informar ao preso seus direitos Os responsáveis pela prisão e pelo interrogatório extrajudicial devem se identificar. §1º do CPP). 393. 3) Prisão civil (art. podemos caracterizá-los: Deve ser lavrado pelo escrivão e assinado pela autoridade competente. I e art. respeitando apenas a inviolabilidade do domicilio. do que um instrumento. 310 do CPP). 311 a 316 do CPP)  Prisão decorrente de pronuncia (art. Deve designar a pessoa que tiver que ser presa.

meio em que o agente policial induz o autor a cometer a infração. sem qualquer interferência ou induzimento. Esta cometendo a infração penal. A atividade do policial é esperar que o crime aconteça. ou logo após ter cometido. art. Quando comete um crime e “logo após” é perseguido e preso. O Código de Processo Penal. de quem é surpreendido cometendo. independentemente de ordem escrita do juiz competente. consistente na prisão. 302. Capez expõe: Flagrante compulsório ou obrigatório: Diz respeito à autoridade policial e seus agentes que têm o dever de efetuar a prisão em flagrante. Conduta considerada atípica. devido a função exercida. Assim. que “a prisão especial somente pode ser concedida durante o processo ou inquérito policial. Flagrante facultativo Flagrante preparado ou provocado Flagrante esperado 93 . Refere-se às pessoas comuns do povo que têm a faculdade ou não de efetuar a prisão em flagrante. em regra. 302 com seus incisos. em determinado lugar. 250) Salienta ainda o autor. Conhecido como crime induzido. III do CPP) Flagrante presumido (art. 2006. 251). que façam presumir que é o autor do crime. O criminoso é encontrado “logo depois” com objetos etc. têm direitos de serem presos em estabelecimentos distintos dos estabelecimentos prisionais comuns. 302.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS O que define essa forma de prisão é a prerrogativa de função de algumas pessoas. enumeradas pelo CPP. o flagrante requer o imediatismo entre o fato criminoso ocorrido e a prisão do delinqüente. de maneira que após a condenação transitada em julgado cessa o benefício”. (CAPEZ. essas pessoas. classifica em espécies o flagrante delito: Flagrante Próprio (Art. para prendê-lo imediatamente. ou então em celas distintas dentro do estabelecimento comum. p. I e II do CPP) Flagrante impróprio (art. 302. P. IV do CPP). Prisão em Flagrante Capez (2006. Acaba de cometer a infração penal. um crime ou uma contravenção. Assim. assim conceitua a prisão em flagrante: É medida restritiva da liberdade. Além dessas espécies de flagrantes. de natureza cautelar e processual.

Consiste na atuação policial de criar provas de um crime inexistente etc. 80) A prisão temporária. 268). sendo o sujeito ativo aquele que efetua a prisão em flagrante. atentado violento ao pudor.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Flagrante prorrogado ou retardado A nota de culpa nada mais é do que a ciência dada preso dos reais motivos da sua prisão. • Quando houver provas de autoria e participação dos crimes: Para que a autoridade policial conseguia averiguar os fatos sem interferência do réu. Prisão Temporária Instituída pela Lei nº. 2005. Capez a define como uma “prisão cautelar de natureza processual destinada a possibilitar as investigações a respeito de crimes graves. e o sujeito passivo que é a pessoa detida em O auto de prisão em flagrante não será lavrado quando o réu espontaneamente se apresentar à autoridade policial. podendo apenas ser decretada a prisão preventiva. Epidemia com resultado morte Formação de quadrilha etc. durante o inquérito policial” (CAPEZ. 94 . ao melhor momento de um flagrante ao crime organizado. (. Deverá conter: declaração do condutor. e o inquérito um instrumento informativo da ação criminosa. (DAOUM. extorsão. Estupro. Flagrante forjado (CAPEZ. Homicídio doloso Seqüestro ou cárcere privado Roubo. feriu o princípio constitucional da presunção da inocência. extorsão mediante seqüestro. p. p. Ou houver duvidas sobre a sua residência.960/89. dividimos em sujeitos ativo que é a autoridade policial. 2º. 2005. dará inicio ao inquérito policial.. 9.) [Ele] é cerceado de exigências e formalidades. p. Após efetuar a prisão em flagrante delito. devidamente lavrado. Quanto ao seu cabimento enumera Daoum: • Quando imprescindível para a investigação policial • Indiciado sem residência fixa. 2006. p. fabricado.034/95 – Lei do Crime Organizado. como segurança acauteladora do Inquérito Policial. 79) fragrante delito. Está previsto no art. deve ser lavrado o auto de prisão em flagrante que como explica Daoum (2005. (DAOUM. uma vez que o réu ainda está sendo investigado. II da Lei nº. Ao conceituar a prisão temporária.. È o flagrante forjado. rapto violento.7. é apenas suspeito do crime. 2006. 253 a 255) Quanto aos sujeitos do flagrante. ou qualquer um do povo. Consiste em retardar ou prorrogar a atuação policial. declarações das testemunhas. 79) deve ser: O auto de prisão em flagrante. tem a prisão temporária a finalidade de garantir a plena e eficaz investigação policial. p. interrogatório do preso e respectiva assinatura.

266). podendo ela ser requerida pela autoridade policial ou pelo Ministério Público. será de cinco dias. neste caso. Liberdade Provisória Art. a Prisão Preventiva somente será admitida nos casos de crimes dolosos apenados com reclusão. uma vez que deve ser evitada a punição antecipada do réu. 95 . 2006. 264) os pressupostos para a decretação da prisão cautelar preventiva: a)Prova da existência do crime (prova da materialidade delitiva). se. que analisando presentes os requisitos para a sua decretação. 315 do CPP. Prisão Preventiva A Prisão preventiva é prisão cautelar que tem como prerrogativa garantir o pleno desenvolvimento e futuro provimento da jurisdição. Considera o autor. vinculado ou não a certas obrigações. de que o juiz poderá se for o caso. p. assegurados em lei. b) Indícios suficientes da autoria. p. com ou sem fiança. mas em regra. afirma o autor que a prisão temporária varia de acordo com o crime cometido. Quanto às hipóteses que pode ser decretada a prisão preventiva é: Garantia da ordem pública Tem por finalidade impedir que o agente que está solto continue a cometer crime. se o acusado for vadio ou for duvidosa a sua identidade (CAPEZ. que a decretação da prisão preventiva ocorrerá em qualquer fase do processo. deve ser sempre fundamentada. no decorrer do processo. verificar que os motivos que motivaram a prisão cautelar preventiva não mais existem. Tem por finalidade impedir que o agente do crime perturbe ou impeça a produção das provas. até mesmo no Inquérito Policial. 2006. Ressalte-se o alerta do autor. ao analisar os fatos. Capez (2006. Conveniência da instrução criminal Garantia da aplicação da lei penal (CAPEZ. 265 e 266) Portanto. 5º.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Quanto ao prazo. prorrogável por igual prazo. quando a lei admitir a liberdade provisória. ao juiz. Na forma do art. LXVI da CF/88: ninguém será levado à prisão ou nela mantido. p. a decisão que decretar ou não a prisão preventiva do acusado. 271) conceitua a Liberdade Provisória como: Instituto processual que garante ao acusado o direito de aguardar em liberdade o transcorrer do processo até o trânsito em julgado. e sempre será decretada pelo juiz. No entanto. ou apenados com detenção e. poderá decretá-la. a prisão preventiva somente se justifica em casos especiais. revogar a prisão preventiva. Isso tudo atrelado aos fundamentos da cautelar que são o periculum in mora (perigo da demora) e a fumaça do bom direito. p. o que tornará inviável a execução penal. Impede a fuga do acusado. Enumera Capez (2006.

2006. • Liberdade fiança. pedras. deve-se levar em conta a infração cometida. 96 . sendo a prisão uma forma excepcional que depende de autorização legal e fundamentação quando limitado o direito à liberdade do acusado. a fortuna do agente. A CF/88 garante a ampla liberdade da pessoa. 2006. Fiança Capez (2006. até sentença que condene o acusado pela prática do crime. previstos na lei. 5º. 326 do CPP. até o trânsito em julgado da ação. diante do descumprimento das condições impostas. Fiança: é um caução destinada a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu. E se dividem em duas modalidades: a) por depósito: Consiste no depósito em dinheiro. b) por hipoteca: (CAPEZ. p. 273) conceitua fiança como “um caução destinado a garantir o cumprimento das obrigações processuais do réu”. como insuscetíveis de fiança. Pode ser concedida desde a prisão em flagrante até o trânsito em julgado da sentença condenatória. na forma do art. LXVI da CF/88. Crimes Inafiançáveis Crimes inafiançáveis são as espécies de crime. com ou sem fiança. (CAPEZ. p. uma vez que a lei define que todos são inocentes. é a garantia que assegura a pessoa à liberdade e negativa de restrição de direito. Desde que inscrita em primeiro lugar.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS podendo ser revogado a qualquer tempo. 272 a 274) A Liberdade provisória. 274) Para que seja arbitrada a fiança. objetos ou metais preciosos e títulos da divida pública. a sua vida pregressa e as circunstâncias indicativas de sua periculosidade. Provisória sem Quando não há a necessidade de o agente prestar fiança para obter o beneficio da liberdade provisória. A Liberdade Provisória poderá ser: • Liberdade fiança. Provisória com Base legal: art. p.

tráfico de drogas e terrorismo (art. 7. suas espécies e pressupostos legais para ser decretada. a prática de tortura e mais recentemente na lei nº. os crimes hediondos. Alem dos crimes enumerados pelo doutrinador. ou a prisão cautelar. c) O que define a decretação da prisão temporária é. 2) Das alternativas que seguem. 826/03. e que a regra absoluta é a plena liberdade de fazer o que a lei não proíbe. civis ou militares. uma vez que a CF/88 expõe que a prisão é a exceção às pessoas. 466) que são crimes inafiançáveis a prática do racismo. a) A prisão temporária se justifica quando imprescindível para a investigação policial dos fatos ocorridos no crime. b) A prisão temporária será decretada para garantir a aplicação da lei penal. identifique a que se relaciona com a autorização legal da prisão temporária. d) O Código de processo penal classifica a prisão temporária em flagrante próprio e flagrante impróprio. Como forma de restringir a liberdades das pessoas. art. deve vir acompanhada de motivação (fundamentação) embasada na norma legal. suas espécies e seus pressupostos legais para serem admitidas. suas classificações e pressupostos legais. em regra. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. XLIV). Como meio contraposto à prisão. com ou sem fiança. 14. neste tema. a CF/88 expõe que os crimes praticados por grupos armados. XLIII e a Lei nº. Vamos exercitar? 1) Classifique as espécies de prisão. tidos como inafiançáveis. 5º. são crimes inafiançáveis. que autoriza a prisão temporária. diferenciando cada uma delas.072/90). você deverá analisar o CPP. a prerrogativa de função do autor do crime. 5º. como meio assegurador do processo de dos meios de prova. 15 disparo de arma de fogo etc. p. 8. Comentário Para resolver o exercício. quanto aos tipos de prisão.960/89. assim como a Lei nº. 10. e os crimes. estudamos a prisão. a prisão seja pela decretação de uma condenação transitada em julgado. e art. o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. 97 . analisamos o instituto da liberdade provisória. Conclusão Neste tema. Síntese da tema Estudamos.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Em consonância com a norma constitucional. expõe Oliveira (2006. a prisão.

EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Informações sobre a próxima aula No próximo tema. Tema 05 98 . suas formas e fundamentações. a sentença. suas classificações e conceitos no mundo jurídico. Assim como identificaremos a coisa julgada. estudaremos a decisão judicial.

o qual dispõe. A sentença. Além dessa análise. A sentença. é uma declaração de vontade emitida pelo juiz. 419). no artigo 162. esperamos que você possa analisar como a formalização da sentença será capaz de acarretar conseqüências no mundo jurídico. O Código de Processo Penal não definiu Sentença propriamente dita. Pre-requisito Para melhor entender este tema você deverá ter conhecimento do que é processo e procedimento. por esta razão. Identificar a coisa julgada. Introdução Caro aluno. Assim. portanto. em que ele exprime uma ordem que derivará da lei e será aplicada ao caso concreto. que tem por finalidade extinguir juridicamente a controvérsia (Capez. é o ato por meio do qual o juiz decide a lide. suas formas e conseqüências no mundo jurídico e na vida das partes. apresentaremos a você o instituto da coisa julgada. pondo fim ao processo com o julgamento do mérito. assim como a entender o instituto da coisa julgada.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS A Sentença e a Coisa Julgada Meta do tema Identificação da sentença penal. por sua natureza. ao final deste tema. como fim do processo. A Sentença É a sentença a consumação da função jurisdicional na aplicação da lei ao caso concreto exigido. p. tornou-se clássico o uso do conceito adotado pelo Código de Processo Civil. 2006. mediante a procedência ou 99 . na sua forma material e processual. tendo-se por escopo extinguir juridicamente a controvérsia. decidindo ou não o mérito da causa”. e as suas modalidades. suas formas e espécies. § 1° que: “sentença é o ato pelo qual o juiz põe termo ao processo. você estudará a sentença penal. você seja capaz de: • • Entender o que é sentença penal. neste tema. Objetivos Esperamos que. levando-o a compreender em que consiste a diferença entre a coisa julgada material e a coisa julgada formal. assim como identificar a jurisdição e a competência no Direito Processual Penal.

p. deve ser formulada de modo a respeitar os requisitos formais acerca dos Cumpre observar que a Juizados Especiais Criminais. Própria: quando não impõe qualquer tipo de sanção. estabelecidos pela lei. bem como é o ato que extingue o processo sem julgamento de mérito. mas não acolhe nem a condenação nem a absolvição. sendo assim inexiste a necessidade do magistrado expor fatos irrelevantes no seu relatório. como por exemplo. totalmente ou parcialmente. a pronúncia nos processos do júri popular. 9. pois encerram o processo sem a solução da lide penal. para ter existência como pronunciamento da vontade Lei n. como por exemplo. sem que penetrem no mérito da causa. a pretensão punitiva. dispensa o relatório na sentença que forem casos de sua competência. ocorre como. impondo ao réu medida de segurança. § 3°. Requisitos formais da sentença A sentença. que dispõe emitida pelo juiz. de modo a demonstrar a pretensão de cada uma delas. a sentença que declara extinta a punibilidade. 2006. Sentença em sentido restrito a)Condenatória Quando julga procedente. Imprópria: quando não acolhe a pretensão punitiva. o recebimento da denúncia. Julgam o mérito. no seu artigo 81. O juiz deve fazer uma exposição sucinta das alegações das partes. 419 e 420). quando não for possível estabelecer initio litis da relação processual ou dar-lhe prosseguimento por inobservância dos pressupostos legais. b)Interlocutórias mistas b)Absolutória c)Terminativa de mérito (CAPEZ. 1) Interlocutórias mistas não terminativas: são as que encerram ou uma etapa do procedimento. é o ato pelo qual o juiz encerra em primeiro grau a Jurisdição (CAPEZ. também sem julgar o mérito.099/95. prisão preventiva etc. Classificações das decisões Segundo Capez (2006.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS improcedência do pedido. 2) Interlocutórias mistas terminativas: são as que encerram a própria relação processual. p. 420). Ocorre nos casos de rejeição de denúncia. 2006. por exemplo. sem o julgamento do mérito da causa. Em suma. 419) as sentenças se classificam em sentido amplo (decisões interlocutórias) e em sentido restrito (decisão definitiva do mérito): Classificação da sentença Sentença em sentido amplo a)Interlocutórias simples: São aquelas que resolvem questões incidentes. mas reconhece a prática da infração penal. 100 . p. sem extinguir o processo ou a fase procedimental.

sendo esta a autenticidade da sentença. A sentença deve estar completa. do CPP. p. de modo que haja um entendimento claro e preciso além de coerente. visto que só se faz coisa julgada entre partes determinadas nos autos. estabelece a exigibilidade de individuação das partes. isto é. c) conclusão (ou parte dispositiva): É a decisão propriamente dita. caso contrário. p. que está o magistrado obrigado a apreciar toda a matéria levantada pelo acusado e pelo ofendido. tendo por rito uma petição da parte interessada.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS Capez (2006. omissão. descrevendo a marcha procedimental e seus incidentes mais relevantes. apud CAPEZ. Embargos declaratórios é um recurso utilizado para corrigir a obscuridade.Conforme dispõe o artigo 381. 420) Embargos declaratórios A sentença deve constituir-se numa peça completa. cabe 101 . do CPP. assim. incisos IV e V. o magistrado deverá mencionar a indicação dos artigos e de leis aplicados e o dispositivo. Constata-se. haja vista que é garantia constitucional de que os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário são públicos e fundamentados sob pena de nulidade. b) Motivação (fundamentação) O magistrado através dos embargos de declaração de sentença de primeiro grau.poderá complementar ou esclarecer alguma obscuridade na mesma. ambigüidade e contradição da decisão judicial. o magistrado deverá examinar todas as matérias suscitadas pela acusação e pela defesa. Requisito elencado no artigo 381. do qual infere-se que o juiz está obrigado a indicar os motivos de fato e de direito que o levaram a tomar determinada decisão. que consiste no histórico do que ocorreu nos autos. em que se verifica a presença do Ministério Público. inciso III. sob pena de nulidade se não o fizer. No inciso I do mesmo dispositivo. (TORNAGHI. 420). 2006. incisos I e II. na qual o magistrado julga o acusado após a fundamentação da sentença. sendo considerada nula a sentença que deixa de considerar todos os fatos articulados na inicial acusatória. Ela se encerra com a data e a assinatura do juiz. citando Hélio Tornaghi analisa os requisitos formais da sentença que se desdobram em: Requisitos Formais da sentença a) Relatório (ou exposição ou histórico) É requisito do artigo 381.

os efeitos. não tendo qualquer efeito. como também entre a motivação e a conclusão. • Os embargos corrigem omissões. ambigüidade. acórdão. p. contados da intimação da sentença. O escopo dos embargos de declaração consiste na correção dos erros materiais e contradições. quando interpostos da sentença. visto que estas são inexistentes. caberão embargos de declaração no prazo de 05(cinco) dias.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS embargos declaratórios da sentença de primeiro grau. vejamos:  Obscura: é a sentença sem clareza na sua redação. contraditória e omissiva. não corrigem. pode haver contradição entre o relatório e a conclusão. • • Prazo para os embargos: O prazo para o pedido de declaração será de 02(dois) dias. o embargos declaratórios não possuem caráter de infringentes do julgado. Requisitos para a oposição dos Embargos Como é cediço. Afirma Capez (2006. obscuridade. visto que não modificam.950/94. de modo que não há como precisar qual o posicionamento do juiz.   Ambigüidade: é a decisão que comportar duas ou mais interpretações em qualquer dos seus pontos. Nas infrações de competência dos Juizados Especiais Criminais. que poderá ser interposto tanto pelo Ministério Público ou pela parte interessada. aplicando-se analogicamente o consignado no artigo 538 do CPC. 9. observada a nova redação determinada pela Lei n. ao invés. o que ele pretendeu dizer. nem reduzem ou ampliam a sentença ora prolatada. (art. visto que os embargos suspenderão (e não interromperão) o prazo para o recurso. Efeitos da Sentença 102 . 382 do CPP).8. 422) que caberão embargos quando a sentença for obscura. como dispõe o artigo 83 e parágrafo da Lei n. bem como a proferida quando o juiz estava de férias ou logo após sua promoção para outra comarca. que não produz efeitos a sentença proferida por juiz destituído de jurisdição. quando opostos contra Salienta-se. dos 02(dois) dias. Contradição: ocorre quando conceitos e afirmações da decisão colidem ou operem-se entre si. suspensivo ou interruptivo. dispostos na sentença. contradição ou omissão. ambígua.  Omissão: ocorrer quando a decisão deixa de dizer o que era indispensável fazê-lo. isto é. explicita-se que os embargos de declaração interrompem o prazo do recurso. Difere também. Efeito dos embargos: apesar do CPP não ter disposto expressamente.099/95.

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O poder jurisdicional do magistrado esgota-se com a sentença, não podendo o mesmo praticar qualquer ato jurisdicional, a não ser a correção de erros materiais, segundo consignado no artigo 382 do CPP, bem como não poderá anular a sentença que proferiu. Ressalte-se que é efeito da sentença a saída do juiz da relação processual; assim, uma vez transitada em julgado a sentença deverá a relação ser extinta, como também, se houver recurso o órgão jurisdicional competente passa a ser o tribunal ad quem. Segundo Capez (2006, p. 423), “uma vez prolatada a sentença cria impedimento do juiz que a proferiu de oficiar no processo quando em instância recursal”. Assim, o juiz fica impedido automaticamente em atuar processo, visto que o processo estará com juiz de superior instância, bem como será encaminhado para a câmara onde ele se encontra. Segundo Capez (2006, p. 423), a doutrina ressalta ainda a existência do chamado “efeito autofágico da sentença”, este ocorre quando a decisão estatui uma pena que permite a decretação da prescrição retroativa, trazendo em seu interior um elemento que a autodestruirá, ficando a partir deste momento com seus efeitos afetados pela causa extintiva de punibilidade. Princípio da correlação ou princípios da sentença Fernando Capez (2006, p. 423) afirma que “a sentença deve ter uma relação com a denúncia e a queixa”, visto que é nesta que se expõe ao Estado – Juiz a pretensão punitiva, de modo a descrever o fato criminoso e as suas circunstâncias e decidir sobre quem recairá esta imputação. Deve haver sempre uma correlação entre o fato descrito e o fato pelo qual o réu será condenado, sendo assim verifica-se que este princípio é garantidor do direito de defesa do acusado. O magistrado não poderá julgar o acusado extra petita, ultra petita ou citra petita, os seja, o juiz está vinculado à denúncia, de modo que ele não poderá julgar o réu por fato de que não foi acusado, não podendo, portanto, desvincular-se da inicial acusatória.
A análise judiciária deverá abarcar com toda a acusação, assim, na hipótese de imputação de dois ou mais delitos, em concurso, deve a sentença ser explícita, na configuração de cada um deles, descrevendolhes os aspectos fáticos e jurídicos que ensejaram sua convicção. Prescrição retroativa será conteúdo discutido no caderno de estudos de Direito penal (tema 05): Extinção da Punibilidade.

Emendatio libelli
Salienta-se, num primeiro momento, que o CPP não adotou de modo absoluto o princípio da mutatio libelli (alteração do libelo), permitindo que a sentença possa considerar na capitulação do delito dispositivos penais diversos dos expostos na denúncia, visto que o acusado se defende do fato criminoso que lhe é imputado e não dos artigos da lei com que ele é classificado na peça inicial (Capez, 2006, p.424). Nesse sentido, dispõe o artigo 383 do CPP: “O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da que constar da queixa ou da denúncia, ainda que, em conseqüência, tenha de aplicar pena mais grave”. 103

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Sendo assim, infere-se que houve uma mera emenda na acusação, consistente na alteração da sua classificação legal, isto é, uma simples corrigenda da peça acusatória.

Vê-se que o que é relevante é a correta descrição do fato, podendo o magistrado emendar a acusação para dar-lhe a classificação que julgar mais pertinente, mesmo que imponha pena mais severa (Capez, 2006, p. 424). Não há qualquer limitação para a aplicação da emendatio libelli em segunda instância, somente se o Tribunal der nova definição jurídica que implique em prejuízo ao réu, na hipótese de recurso exclusivo da defesa, visto que afrontaria o princípio da reformatio in pejus (Capez, 2006, p.424). Verifica-se que pode o juiz condenar o acusado pelo delito segundo a definição jurídica (classificação do crime) que entende cabível e não por aquela disposta na denúncia, desde que comprovados os fatos e as circunstâncias narradas na peça vestibular.

Mutatio libelli
O mutatio libeli ocorre quando, durante a instrução do processo, ficar provado a existência de crime diferente do narrado na denúncia ou queixa-crime, ou seja, a existência de elementos essenciais que não fazem parte da denúncia, nem expressa nem implicitamente, tal que não pode a sentença ser proferida de imediato, em respeito ao princípio da mutatio libelli. Quando se fala de mutatio libelli, refere-se à mudança na acusação, ou seja, em modificação da descrição fática constante da peça inaugural, constituindo, portanto, alteração da narrativa acusatória (Capez, 2006, p.425). Assim, infere-se que a mutatio libelli implica o surgimento de uma prova nova, desconhecido ao tempo da ação penal, levando assim a uma readequação dos fatos expostos na queixa ou na denúncia. Isto significa que não poderá o Julgador, condenar o acusado por crime diverso do que foi arrolado na denúncia ou na queixa sem a providência elencada no artigo 384, sob pena de nulidade. Desta feita, a providência prevista no dispositivo mencionado é obrigatória mesmo que deva ser aplicada a pena menos gravosa, visto que é direito do réu saber qual a nova acusação a qual lhe está sendo imputado. Segundo Capez (2006, p. 426) o principio da mutatio libelli ocorre em duas situações:

a) “Mutatio libelli” com aditamento

Ocorre quando o juiz vislumbra circunstancias elementares que indica a ocorrência de um crime mais grave do que aquele indicado na peça inicial (O artigo 384, parágrafo único do CPP).

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b) Providências do juiz para a “mutatio libelli” com aditamento

a) baixar os autos para que o Ministério Público possa aditar a denúncia, incluindo o relato das novas circunstâncias que não haviam sido descritas, de pronto. Sendo assim, vale amoldar a acusação aos novos termos, acrescendo-se as circunstâncias que a agravam. b) abrir o prazo de três dias à defesa que poderá oferecer prova, arrolando inclusive até três testemunhas. Observa-se neste caso a Súmula 453 do STF, que dispõe: “Não se aplicam à segunda instância o art.384 e parágrafo único do Código de Processo Penal, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida explícita ou implicitamente na denúncia ou queixa”.

(CAPEZ, 2006, p. 426)

Caso o promotor, não promova o aditamento da denúncia na forma da lei, deverá o juiz encaminhar os autos ao Procurador Geral de Justiça. Ressaltese que a regra do art. 384, parágrafo único do CPP, só será aplicável na hipótese de ação penal pública e ação penal privada subsidiária da pública, sendo, portanto, inadmissível que o magistrado determine abertura de vista ao MP para aditar a queixa e ampliar a imputação, na ação penal exclusivamente privada (Capez, 2006, p. 426). O Juiz poderá, afirma ainda o autor, nos crimes de ação penal pública prolatar sentença condenatória, mesmo que o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem como também reconhecer agravantes, embora essas não tenham sido suscitadas.

Sentença absolutória
A sentença será absolutória quando o magistrado expõe as razões da improcedência da acusação, fundamentado no artigo 386 do CPP. Observa ainda o autor que o artigo 386 do CPP não é taxativo. (CAPEZ, 2006, p. 427).

Diz-se, ainda, que o réu pode apelar da própria sentença absolutória, com o escopo de se mudar o fundamento legal da sua absolvição.

Casos de Ocorrência de absolvição (art. 386 do CPP)
I - Quando está comprovado que o fato imputado ao acusado não ocorreu: Depreende-se que fique comprovado na sentença que houve inexistência de nexo causal entre a conduta do acusado e o resultado, bem como exige a prova categórica de que o acusado não foi o autor da infração. Neste caso, há lugar a absolvição quando o juiz reconhece não haver prova da existência do fato. O acusado será absolvido, também, quando o fato não constituir infração penal. A absolvição se impõe pela inexistência de prova de que o réu tenha concorrido para a infração. O acusado será absolvido quando existir Salienta-se que há possibilidade de haver indenização civil, visto que o que não se configura como ilícito penal pode ser ilícito civil.

II - Quando houver provas da existência do fato:

III - Não constitui o fato infração penal:

IV - Não existir prova de ter o réu concorrido para infração penal:

V - Existir circunstância que exclua o

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Declarará. levam ao princípio do in dúbio pro reo. segundo Capez (2006. por força do art. Efeitos da sentença condenatória São efeitos da sentença condenatória. Os efeitos da sentença absolutória. II . Quando houver dúvida quanto à existência de causas excludentes da ilicitude ou da culpabilidade alegadas e que. C. se for o caso. Outras circunstâncias apuradas e tudo o mais que deva ser levado em conta na aplicação da pena. F. p. se for o caso. antijurídico e culpável. o qual dispõe que: I – Mandará. segundo Capez (2006. As circunstâncias agravantes ou atenuantes definidas no Código Penal. a existência do jus puniendi do Estado. B. se cabível. se presente.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS crime ou isente o réu da pena: circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena. A quantidade das principais e. Determinará se a sentença deverá ser publicada na íntegra ou em resumo e designará o jornal em que será feita a publicação (art.Ordenará a cessação das penas acessórias provisoriamente aplicadas. 2006. de acordo com o disposto nos arts. VI . embora não comprovadas. ao disposto no Título Xl deste Livro. porque nega. fica demonstrado no conjunto probatório. mencionará na sentença: A. no caso concreto. Atenderá. 387 do CPP. Sentença condenatória A sentença condenatória é a que acolhe total ou parcialmente o pedido acusatório do autor da ação penal.Não existir prova suficiente para a condenação: (CAPEZ. D. pôr o réu em liberdade.Aplicará medida de segurança. do Código Penal). 73. III . E. a duração das acessórias. Ocorre a sentença condenatória quando o fato típico. 42 e 43 do Código Penal. 428) são os previstos no artigo 386. p 428): 106 . parágrafo único. e cuja existência reconhecer. § 1o. p. a periculosidade real e imporá as medidas de segurança que no caso couberem. 427) Efeitos da sentença absolutória A sentença absolutória tem natureza declaratório-negativo. quanto à aplicação provisória de interdições de direitos e medidas de segurança. produzindo os efeitos que serão determinantes para que o juiz tome as providências no caso concreto. O juiz.

429). não pode mais o juiz alterar a sentença por ele prolatada. a infração. LVII. da Constituição Federal. pessoalmente. a intimação será feita mediante edital com o prazo de 10 (dez) dias. e) Lançamento no rol dos culpados: após transito em julgado da sentença penal condenatória. 392. tornando-se irretratável. não tiver sido encontrado.ao réu. 107 . tiver prestado fiança.ao réu. se este. por força do art. dará conhecimento da sentença ao órgão do Ministério Público (Capez. a partir do momento em que terminar de ser ditada pelo juiz. dentro de 3 (três) dias após a publicação. 2006. Se. c) Outros efeitos previstos no art. II . 2006. pessoalmente.430). pessoalmente ou na pessoa de seu advogado. p. 5º.. p. ou. A intimação da sentença será feita (art. 2006.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS a) Certeza da obrigação de reparar o dano resultante da infração: neste ponto a sentença. se estiver preso. o juiz agir de oficio). p. 389. Para corrigir erros materiais (podendo neste último caso. b) Perda de instrumentos ou produtos do crime. Deverá ocorrer quando: • É recebida no cartório pelo escrivão. sendo afiançável a infração. • Intimação da sentença O escrivão. 92 do CP. e sob pena de suspensão de 5 (cinco) dias. uma vez que a obrigação de reparar o dano surge com o crime. • Inalterabilidade ou retificação da sentença Após a publicação. CPP). e não com a sentença. quando se livrar solto. I . para que produza seus efeitos legais seja publicada (art. segundo Fernando Capez (2006. com as exceções legais: • Através de embargos declaratórios. III . ou não. afiançável. p. ou ao defensor por ele constituído. é meramente declaratória. O querelante ou o assistente será intimado da sentença. e assim o certificar o oficial de justiça. Publicação É necessário que a sentença. 430). afixado no lugar de costume (Capez. 1ª parte) (Capez. 428). expedido o mandado de prisão. Se nenhum deles for encontrado no lugar da sede do juízo. em audiência. d) Prisão do réu.ao defensor constituído pelo réu.

a coisa julgada material é a imutabilidade da sentença ou de seus efeitos não só no mesmo processo porque extinguiram-se as vias recursais. 381) em coisa julgada formal e coisa julgada material: • Coisa julgada formal: é aquela que se perfaz quando estão esgotados todos os recursos cabíveis. estiverem esgotados os recursos. nos casos do no II. não for encontrado. • Coisa julgada material: será coisa material. quando nas sentenças de mérito.mediante edital. mas também acarretando a proibição de outra decisão sobra a mesma causa em outro eventual processo. Coisa julgada Considera-se coisa julgada a imutabilidade da sentença ou de seus efeitos. Identidade do pedido. isto é. Classificação da coisa julgada A Coisa julgada se classifica. com o escopo de que o imperativo jurídico contido no seu corpo tenha força de lei entre as partes. se o réu e o defensor que houver constituído não forem encontrados.mediante edital. p.mediante edital.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS IV . Identidade de partes. VI . e assim o certificar o oficial de justiça. todas as decisões terminativas fazem coisa julgada formal quando extintas as vias recursais. Capez (2006. C. assim. se o réu. p. e assim o certificar o oficial de justiça. 381) define coisa julgada como “uma qualidade dos efeitos da decisão final. não tendo constituído defensor. Identidade do fundamento. Portanto. V . operando-se somente dentro da relação processual em que a decisão foi prolatada. segundo Capez (2006. É a imutabilidade da sentença como ato processual. refletindo a imutabilidade da sentença no processo onde foi proferida e tem efeito preclusivo que impede nova discussão sobre o fato no mesmo 108 . marcada pela imutabilidade e irrecorribilidade”. nos casos do no III. se o defensor que o réu houver constituído também não for encontrado. B. e assim o certificar o oficial de justiça. a coisa julgada formal impede o reexame da decisão dentro do processo. Verifica-se que para que haja caracterização da coisa julgada há exigibilidade de que figure: A.

enquanto que a coisa julgada material torna imutável a decisão fora do processo. 2006. de modo que são elencados os requisitos formais. pelo menos a indicação necessária que possa identificá-las. observa-se à data e a assinatura do magistrado. que você estudará no próximo semestre. e que devem ser observados os elementos característicos listados na 109 . Vamos exercitar? Analisando o tema relativo a sentença. como ato declaratório do direito aplicável à matéria controversa. verificou-se que a sentença penal é tratada entre os artigos 381 e 393 do Código de Processo Penal. a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão. p. bem como ato resultante do exercício da função jurisdicional invocada pela parte lesada em seu direito (Capez. ao mesmo tempo em que irá prepará-lo para a disciplina Direito Processual Penal II. 419). ensejando a exceção de coisa julgada. Conclusão Uma Sentença prolatada por um juiz traduz a manifestação humana devidamente documentada. a indicação dos artigos de lei aplicados. da mutatio libelli e da coisa julgada. No decorrer do estudo deste tema. os nomes das partes ou. o dispositivo e. quando não for possível. da emendatio libelli . responda as questões abaixo: 1ª Questão: Que são decisões interlocutórias simples? 2ª Questão: que são sentenças absolutórias? 3ª Questão: Que se entende por sentença terminativa de merito? 4ª Questão: como podem ser classificadas as sentenças quanto ao órgão que as prolata? 5ª Questão: Que se entende por principio da correlação? Comentário Os exercícios propostos servirão como apoio a sua pesquisa durante o estudo do tema. por fim.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS processo. estudamos os requisitos formais da sentença penal e podendo-se destacar entre esses. Estudamos também que a sentença exige seqüencialidade de atos. os efeitos da condenação e da absolvição e as causas que podem levar a estas. como também a exposição sucinta da acusação e da defesa. Síntese do tema No decorrer deste tema. como também as formas de intimação.

pois muito se tem para aprender. que podem ser traduzidas como: o relatório. Quanto aos Aqui encerramos nosso trabalho escrito. não se pode encerrar a vontade de pesquisar.EAD UNITINS – DIREITO PROCESSUAL PENAL I – FUNDAMENTOS E PRÁTICAS JUDICIÁRIAS mesma. a motivação e o dispositivo ou conclusão. respeitando uma ordem pré-determinada. porém. 110 .

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