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Relatório do estágio ensino médio

Relatório do estágio ensino médio

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Trabalho apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado II: Prática de Ensino de Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas do curso de Letras, da Universidade Católica de Brasília, como requisito para a sua conclusão.
Trabalho apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado II: Prática de Ensino de Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas do curso de Letras, da Universidade Católica de Brasília, como requisito para a sua conclusão.

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06/27/2015

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CURSO DE LETRAS

ENSINO MÉDIO

Trabalho apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado II: Prática de Ensino de Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas do curso de Letras, da Universidade Católica de Brasília, como requisito para a sua conclusão.

Professora: Susana Souto Aluna: Milka Fonseca Lima

Brasília – DF Novembro de 2004

”Aprenda o mais simples! Nunca é tarde demais! Aprenda o ABC; não basta, mas aprenda! Não desanime! Comece! É preciso saber tudo! Freqüente a escola, você que não tem casa! Adquira conhecimento, você que sente frio! Você que tem fome agarre o livro: é uma arma. Não se deixe convencer! Veja com seus próprios olhos! O que não sabe por conta própria, não sabe.”
Bertold Brecht, "Elogio do
Aprendizado”.

Agradecimentos

Agradeço a todos que colaboraram nesta caminhada acadêmica e que estiveram ao meu lado no intuito de ajudar-me a concluir essa importante etapa da minha vida. Dedico todo meu esforço aos que sempre me incentivaram a prosseguir. Agradeço também a paciência dos meus filhos e companheiro, assim como de meus amigos e mestres. Agradeço ainda, a Força Superior que sempre esteve comigo, principalmente nos momentos mais difíceis dessa caminhada.

Sumário
I - Introdução II - O Ensino da Língua Materna/ Leitura em sala de aula III - Relatório de Observação IV - Relatório de Regência V - Conclusão VI - Referências Bibliográficas VII - Documentação VII - Anexos

I - INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como teor algumas observações referentes à disciplina Estágio Supervisionado II: Prática da Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas, ministrada no Curso de Letras da Universidade Católica de Brasília, que visa uma maior integração do graduando em Letras com o ambiente escolar, propiciando-lhe a oportunidade de ter contato direto com o magistério e, conseqüentemente, avaliar a aplicabilidade e relevância dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Letras. A disciplina Estágio Supervisionado II: Prática da Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas compreende aulas teóricas ministradas na Universidade Católica de Brasília, um período de observação e outro de regência de classe, ambos desenvolvidos em estabelecimentos de ensino da rede pública do Distrito Federal. No período do curso desenvolvido na Universidade, são analisados conceitos e teorias relacionadas à prática docente e à atual realidade e situação do ensino de Língua Portuguesa e Literatura em nosso país e, mais especificamente em nossa cidade. Também é nesse momento em que se discute o real papel do profissional de Letras como agente auxiliar na construção do conhecimento e sua importância no processo de atenuação da exclusão cultural, social e econômica de nosso país. No período de observação, o graduando presencia as atividades desenvolvidas junto aos alunos por professores da rede pública, bem como a estrutura, a organização e a funcionalidade dos estabelecimentos de ensino, a utilização de teorias e métodos educacionais e a utilização ou não das propostas promovidas pelas Leis de Diretrizes e Bases (LDB) e pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o que será depois discutido com o professor coordenador da disciplina de Estágio. No momento em que assume a regência da classe, o graduando tem a possibilidade de avaliar suas habilidades na prática docente e recorrer ao auxílio do professor regente e ao coordenador de estágio, no aprimoramento de sua postura e na resolução de eventuais dúvidas e problemas. É no período da regência de classe que o graduando tem seu desempenho avaliado, tanto pelo professor regente e o estabelecimento de ensino, quanto pelos próprios alunos da escola.

Durante as aulas teóricas realizadas na Universidade, todas as atenções estavam voltadas para a análise do perfil do professor e das técnicas educacionais vigentes e de situações que são comuns à prática docente. A tentativa de não agir, na medida do possível, como “professores tradicionais” parece ser uma bandeira defendida por todos os graduandos. Isso se concretizaria com o empenho em dinamizar as aulas, tornando o processo de aprendizagem algo prazeroso e construtivo, ao contrário do sistema desgastante e pouco satisfatório que se tem na maioria dos ambientes escolares atualmente. As análises dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) tinham como finalidade atribuir autonomia ao graduando para articular e aplicar o seu conhecimento no seu dia-a-dia como educador nas escolas de ensino fundamental e médio. Competências, Habilidades e Procedimentos foram amplamente discutidos e analisados. A aplicabilidade dos PCNs e dos Currículos da Educação Básica do DF foram por muitas vezes questionados em função da verdadeira realidade do ensino em Brasília e no Brasil. Os trabalhos aqui apresentados abordarão desde o papel da Língua Portuguesa como língua materna brasileira e da leitura, no processo da construção de conhecimento e no auxílio à compreensão de outras matérias, como a discussão sobre as posturas do professor e do aluno em sala de aula. Em geral, essa disciplina caracterizou-se por diálogos e discussões acerca dos mais diversos assuntos relacionados à prática do magistério, sempre de forma muito franca e agradável.

II - O Ensino da Língua Materna
“A língua é antes de mais nada um vocabulário, depois o tratamento e finalmente o ordenamento sintático das mesmas.” Guerra (1986:16)

Segundo Heeler (1986) existem várias gramáticas: tradicionais ou normativas, estrutural, transformacional, gerativa e algumas tentativas de gramática descritiva da língua. Todas são gramáticas explícitas, escritas, codificadas e ditam normas. E além de todas elas, existe uma da qual pouco se fala: a gramática natural (Luft,1985 apud Heeler) que não é explícita, não está escrita, não está expressa em nomenclatura complexa. Mas é a verdadeira gramática afirma o autor. Aquela que ninguém ensina, ou melhor, todos sabem e todos ensinam, a gramática social e sociabilizada. É fato de que a criança e o analfabeto, antes de estudar as gramáticas, falam a língua e aprendem o conjunto de regras necessárias pra ordenar as frases e orações na competência da capacidade intelectual o no ambiente em que vivem. Nenhum professor de português pode esquecer esse fato, em sala de aula. A gramática interna e internalizada baseada nas realidades essenciais do próprio ser humano. Nesse sentido, Heeler afirma “É por isso que Chomsky (1963) fala da competência para a língua, como privilégio exclusivo do homem. É uma atividade humana, baseada nas faculdades internas, imateriais, ligadas à matéria biológica”. (1986:24) Segundo Heeler (1986), palavras são rótulos que colamos como conceitos abstraídos pela inteligência dos dados sensoriais vindos do mundo exterior ao ego. O autor afirma que o pensamento não é um simples reflexo do mundo e do universo que pensamos, a nossa língua modela o nosso mundo e a criança, como um ser incluída nesse universo, mesmo que seja um universo muito pequeno para a vida da criança e do jovem, ainda assim é um todo organizado e percebemos essa organização das partes para o todo, visto que organizar é a atividade principal do cérebro. Dessa forma, a “gramática” torna-se um fenômeno co-natural ao ser humano: a gramática universal.

Heeler (1986) afirma que ninguém fala ou escreve sem usar a gramática, mesmo a criança e o analfabeto fazem uso dela. Falam a língua de maneira compreensível à sociedade, ordenam a língua em categorias expressionais comunicáveis, ordenando-a, segundo as normas gramaticais. O autor afirma que tanto na criança como no analfabeto, o vocabulário apreendido é ordenado sintaticamente, formando frases e orações compreensíveis e o fazem com certa facilidade. Lester (1971apud Heeler) afirma que a criança, quando vai à escola, já sabe a língua materna e sua gramática e ensinar esse conhecimento seria enfadonho, já que o conhecimento da gramática é natural e intuitivo. Nesse sentido, o papel da escola é tornála consciente e o melhor método é fazer com que a criança descubra por si mesma as regras, comparando e analisando os dados recursivos da língua. E o papel do professor é expor o aluno aos dados lingüísticos, indicar os fenômenos recursivos e levá-lo a deduzir, desses fenômenos, as normas e as generalizações. No decorrer do processo de ensino, pode-se corrigir os “pequenos erros” trazidos do ambiente familiar em que a criança aprendeu a falar, por exemplo, o gênero no português masculino e feminino. O masculino forma-se com a terminação “o” e o feminino com “a”, em primeiro lugar nunca se deve começar pela regra, mas sim chegar a ela mediante exercícios recursivos que fazem com a criança descubra a regra. A descoberta alegra e realiza a criança, ativa a inteligência e sua análise funciona. O aluno, além de aprender a regra, aprende a comparar, ver a semelhanças e diferenças: a distinguir. Assim, o professor de português não está informando ao aluno a existência e o funcionamento da regra, mas está formando a personalidade investigativa do aluno que será de grande importância para a formação futura. Em segundo lugar, a regra acima, sobre gênero, segundo o autor, está errada. O próprio aluno vai descobrir este fato, após alguns exemplos: “o cara me beliscou” cara termina com a, mas é masculino: “O cara é bom”. Assim a tribo termina em o, mas é feminino. E o aluno mais esperto, vai perguntar: Qual o gênero de lápis, açúcar, sal que não terminam nem em o nem em a? Só por esse fato, afirma Heeler, a gramática tradicional precisa de uma boa reformulação a partir dos dados existentes na língua. Para ele, a gramática deve ser construída a partir da língua e não a língua a partir da gramática. A criança constrói e internaliza a gramática partindo dos dados da língua falada. Assim deve continuar na escola, o processo natural não deve ser interrompido abruptamente, e sim aperfeiçoado. As gramáticas oficiais usadas nas escolas não podem ser prescritivas, mas descritivas da língua,

não devem impor como uma sociedade deve falar, e sim investigar o uso da língua pela sociedade e a partir daí buscar descobrir as regras e suas generalizações. Não é a fala que se codifica em gramática, é a língua que segue normas bem definidas. Segundo o autor, cabe aos gramáticos e lingüistas descobri-las e descrevê-las. Ao povo cabe falar e comunicar-se bem na língua, usando a fala. Concluindo, o autor afirma que todo falante nativo, criança ou analfabeto, sabe a gramática de sua língua no que ela tem de essencial. Essa gramática é a base sobre a qual a escola deverá construir, se necessário, a gramática explicita, codificada, consciente. Um estudo lingüístico, ciência da linguagem, que não deve ser confundido com a linguagem propriamente dita. Heeler afirma que por não saber explicitar a gramática, não quer dizer que o sujeito seja inculto ou analfabeto, os diferentes falares são baseados na gramática, no entanto, têm seus aspectos próprios, que, muitas vezes, não são propriamente os mesmos dos da língua. Ele cita fenômenos que aos poucos se consagram, como o uso do pronome pessoal “ele” caso sujeito, usado como objeto, ou a regência do verbo “gostar” em orações relativas: “o livro que ele gosta”, são itens usados na língua, que, com o tempo, integram-se na gramática. E, nesse sentido, manifesta-se a plena liberdade da língua, ou melhor, “Língua e Liberdade” finaliza referindo-se à obra de Celso Pedro Luft.

Leitura em Sala de Aula
A leitura no mundo contemporâneo está relegada ao segundo plano, inserida em uma condição de supérflua. No entanto, nos dias de hoje, é sabido que é mais que necessária para o desenvolvimento do aluno e paradigmática para uma conduta humana. Além disso, a sociedade brasileira não está afeiçoada ao ato da leitura em geral, devido à história da educação no Brasil, isso reflete de forma decisiva no rendimento escolar dos alunos. O Ensino da Língua Portuguesa está voltado para a gramática normativa e textos narrativos com intuito de ensinar a escrita culta. Dessa forma, a leitura encontra-se abandonada e quando se trabalha em sala de aula é de maneira vaga, por meio dos clássicos e fragmentos. Segundo Magda Soares (2000:01) “É preciso ir além da simples aquisição do código da escrita, é preciso fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, apropriar-se da função social dessas duas práticas; é preciso letrar-se”. Letrar-se no sentido de ensinar o aluno a compreender o texto e o mundo em que está inserido. Ainda assim, os professores não trabalham leitura em sala de aula, talvez por não se ter consciência de que ela é transformadora, os educadores não investem no seu ensino. Para Magda Soares, é necessário primeiro o professor ser ele mesmo letrado, em sua área de conhecimento, dominar sua escrita e ser um bom leitor para transformar a sua clientela em bons leitores e produtores de textos. Nesse sentido, a proposta dessa pesquisa é analisar o projeto de leitura em sala de aula, observada no Centro Educacional N° 05 de Taguatinga Norte, com os alunos de 1a. Série do Ensino Médio. O objetivo é a conscientização para a importância da leitura e da compreensão desta escrita, no mundo contemporâneo, visto que, a cada dia, somos exigidos no campo acadêmico e profissional como sujeitos críticos, significativos e envolventes. Esse tema me atrai porque sempre acreditei que a leitura é um instrumento de transformação do homem, ou seja, a busca do conhecimento por meio da leitura, seja ela em qualquer área de conhecimento. Eu mesma, se sou aluna formanda hoje, devo isso aos mestres que me incentivaram a pesquisar e as leituras que fiz durante todos esses anos de estudo, desde de o b-a-bá até os textos que leio hoje para produzir esta pesquisa.

Ensinar a ler é uma tarefa de todo professor, não sendo exclusividade do professor de Língua Portuguesa, quase sempre responsabilizado pela dificuldade do aluno de interpretar questões de outras disciplinas. Segundo Magda Soares, a escola se atribui o dever e a responsabilidade de obrigar os alunos a gostar de ler e considera um defeito não gostar de ler, mas não se atribui a obrigação de impor aos alunos que gostem de música clássica, pintura etc, nem considera erro ou defeito esse procedimento. Entretanto, para ela, todas essas práticas são formas de lazer e interpretação de mundo e a escola deve criar oportunidades para que os alunos descubram o prazer da leitura e também da música, pintura, mas tendo a consciência que podem ou não descobrir esse prazer. Portanto, professores de todas as áreas devem ser professores de leitura, visto que é, por meio da leitura que os alunos irão construir conhecimentos, tanto na escola quanto fora dela, e usá-los no presente e no futuro. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacional (PCNs), na Seção IV que trata de Linguagens e Códigos e suas tecnologias na Língua Portuguesa, onde a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) dispõe sobre o Ensino Médio, destaca-se o aprofundamento dos conhecimentos como meta para o continuar aprendendo; o aprimoramento do aluno como pessoa humana; e a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico com flexibilidade, em um mundo novo que se apresenta, no qual o caráter da Língua Portuguesa deve ser basicamente comunicativo. Assim, segundo os PCNs, Analisar, interpretar e aplicar os recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção/recepção não é trabalho só para o professor de Português. Sem dúvida, esse é um trabalho de todas as disciplinas, mas pode ser a Língua Portuguesa o carro-chefe de tais discussões. A interdisciplinaridade pode começar por aí e, conseqüentemente, a construção e o reconhecimento da intertextualidade. A literatura é um bom exemplo do simbólico verbalizado. Todas as áreas partilham dessa necessidade de conhecimento. Daí a necessidade da leitura em sala de aula, não somente na aula de Língua Portuguesa, como também nas demais disciplinas.

Para Goulart (2000), ler e escrever se fazem atualmente, mais que nunca, atividades altamente desafiadoras e necessárias, pelo que representam de possibilidade de inserção

maior do homem na sociedade, não como forma de submissão aos textos existentes e às tecnologias disponíveis, mas como forma de, conhecendo-as, poder criticá-las, criar novas formas de ação com elas e para elas, novos modos de ler e de escrever caminhos sociais mais justos. O contato com textos de vários padrões, simulações de leituras pelos alunos e de leituras realizadas pelos professores, além de espaços em que possam discutir os textos lidos, a partir de propostas, tornam-se cada vez mais fundamentais, visto que, o mundo moderno exige do homem atual a compreensão cada vez maior dos fatos que o circundam e, o aluno que souber ler e interpretar corretamente, com certeza será um vencedor. Nesse sentido, a tarefa do educador é enorme. Ensinar o prazer da leitura é também se apresentar como alguém que gosta de ler, e que ganha com isso. Quem se sente bem com um livro nas mãos deve se exibir orgulhosamente. O professor deve dar esse exemplo aos seus alunos. Segundo Goulart (2000:04): “A leitura de bons textos literários, por exemplo, muitas vezes nos leva a “viajar”, conhecer novos horizontes, refletir sobre outras possibilidades de ação, explorar caminhos desconhecidos; remete-nos para outros textos lidos, para os nossos próprios textos, pelo que contêm de semelhanças e diferenças em relação a idéias, relações diversas, problemas, soluções e também sonhos” e devemos como educadores que somos, apresentar esse universo mágico para nossos alunos. As avaliações mostram que os alunos aprendem mais, quando têm a oportunidade de conviver com os livros na escola. Ajudá-los a descobrir esse mundo pode ser muito divertido e enriquecedor. Em Paulo Freire (1981:21) "a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por uma certa forma de escrevê-lo ou de reescrevê-lo, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente”. Assim, a prática de leitura possui importância no cotidiano da sala de aula. Sem precisar sair da sala de aula, os estudantes descobrem o prazer de ler e contar histórias e realizam atividades a partir das leituras. Atividades que os levarão a ter uma visão do mundo e de si mesmos, como sujeitos inseridos e não excluídos da sociedade em que vivem.

No dia 1° de outubro de 2004 estive na Centro Educacional n° 05 para observar a aula do 1° ano do Ensino Médio. A aula ministrada pela professora era uma aula de leitura, que consiste em ler em sala. A professora leva para sala de aula uma caixa cheia de livros e os

alunos escolhem qual livro desejam ler. A princípio, pensei que não daria certo, que os alunos não se interessassem pela leitura ou talvez não tivessem tempo para terminar a leitura do livro, questionei a mestra se eles se interessavam, ela respondeu que estava tentando mudar a situação deles em relação à leitura, já que vieram do Ensino Fundamental sem o hábito da leitura e era necessário inseri-los na disciplina de literatura, até porque no futuro alguns irão prestar vestibular e o PAS. (Programa de Avaliação Seriada). No decorrer da aula, percebi que a grande maioria estava lendo com muito interesse e, um e outro fingiam a leitura. Observei também que a professora também lia, como exemplo para os alunos e o silêncio reinava na sala, no momento em que a professora saiu da sala por alguns minutos, alguns alunos conversavam sendo necessário pedir silêncio para os outros continuarem a leitura. Interessei-me por saber qual era os títulos e os temas dos livros e percebi na leitura que fiz, durante a observação, de um livro que a professora buscou trazer os temas que interessam aos alunos, tais como namoro, gravidez, amigos, conflitos de família etc, e os livros tinham de 100 a 150 páginas, eram livros finos, já com intuito de finalizar a leitura em 2/hs aulas e continuá-la nas próximas aulas. Na observação do outro dia, a professora corrigiu alguns exercícios passados em dias anteriores e, assim que terminou a correção, ela começou os empréstimos de seus livros para os alunos, então, ela pediu-me que anotasse a relação dos livros que os alunos estavam levando para casa. Perguntei-lhe qual seria a avaliação do livro, ela disse-me que não haveria avaliação alguma, apenas lhes daria pontos, conforme o número de livros que eles tinham tomado emprestado, no entanto, os alunos nem desconfiam disso. Ela recomendou aos alunos que lessem os livros com atenção e anotassem o que mais chamarem atenção deles na leitura e que ao final de novembro ela diria o que era para ser feito. Na verdade, ela disse-me que essa é uma estratégia para que se habituem a ler e prepará-los para a leitura do vestibular e o PAS. No entanto, observei que embora a professora tenha a boa intenção de incluir seus alunos no mundo da leitura, até porque, como ela mesma afirmou, eles não têm o hábito de ler em casa, ou pelo menos a grande maioria. Nota-se que essa proposta ou projeto da mestra está solto, não tem vínculo com a coordenação da escola, nem com os professores das outras disciplinas. Assim, creio que o objetivo esteja disperso, não se cumprirá, por alguns motivos, vejamos: Primeiro: Os autores dos livros oferecidos aos alunos não condizem com a faixa etária deles, como por exemplo: Pedro Bandeira, Marina colassanti, entre outros. Autores esses, mesmo que não necessariamente, são mais utilizados e

lidos por alunos das séries fundamentais, lembrando que os alunos aqui citados já estão na 1 a. Série do Ensino Médio Noturno, isto é, a grande maioria está na faixa dos 19 anos acima, e fora algumas exceções se não temos certeza, ao menos supomos que estes alunos se interessem por leituras mais condizente à sua faixa etária; Segundo: Não se oferece aos alunos os escritores considerados cânones e solicitados nos vestibulares, tais como: Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector etc, sem contar que não há nenhuma análise dessas obras no intuito de prepará-los para futuras leituras; Terceiro: Não há uma cobrança específica, nem orientação, ou seja, um roteiro para o aluno se guiar durante a leitura. Há sim, uma mensagem vaga para que leiam, sem saberem exatamente o que se espera deles e o que resultará ao término dessa leitura. Assim os alunos não compreendem o porquê da leitura. Portanto, como vimos, o projeto é bom, mas se perde, visto que, não há coordenação, objetivo e nenhum resultado específico a se alcançar, senão o gosto pela leitura, que na verdade, não está garantido, já que os alunos nem sabem o que se espera deles e percebem esse descaso com a atividade oferecida. Também não há garantia de que a leitura seja realizada, já que nada se pede em troca, apenas os títulos anotados em um caderno com a intenção de distribuir pontos. Percebi, nas observações que fiz de5 horas/aulas, que a proposta de leitura em sala de aula não foi atingida por todos os motivos citados acima e também pelo despreparo da professora que, apesar do bom intuito, não se preparou para ministrar essas aulas, ou mesmo que tenha se preparado, não foi da forma correta, e a instituição de ensino não lhe ofereceu o apoio necessário para ministrar as atividades. Dessa forma, observei que as atividades propostas não oferecem reflexões sobre a forma que a leitura se organiza e se articula na sociedade.

Creio que esse projeto deveria estar coordenado por toda a escola, a professora deveria ter uma formação inserida no contexto de sua aula, assim como propõe Magda Soares (2000:03), o professor deve “completar uma formação que o torne capaz de letrar seus alunos, que conheça o processo de letramento, que reconheça as características e peculiaridades dos gêneros de escrita próprios de área de conhecimento”.O que

infelizmente, nesse caso específico, não acontece.

Penso que se houvesse maior interesse e

empenho da equipe escolar, poderiam revitalizar a leitura na sala de aula, buscando integrá-la no cotidiano do aluno, fazendo-o perceber que a leitura é um transformar para melhor... , conectando-os a uma possibilidade aberta a todos, qualquer que seja o ânimo, temperamento ou disposição, entendendo que a leitura não é supérflua, e sim nos transforma em pessoas melhores, capazes de lidar com as limitações que nos são impostas no dia-a-dia Enfim, percebo que embora haja boas propostas no campo da leitura, falta preparo dos profissionais da educação para aplicá-la corretamente, ou melhor, acertadamente, porque, como afirma Paulo Freire(1981:21), "a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por uma certa forma de escrevê-lo ou de reescrevê-lo, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente”. Ele dizia que antes de ensinar uma pessoa a ler as palavras era preciso ensiná-la a ler o mundo. Essa é a essência de suas idéias. Por essa razão, a prática de leitura possui importância no cotidiano da sala de aula. No entanto, Os alunos precisam sentir-se parte integrante do projeto de leitura e, quanto mais obras forem lidas e utilizadas, mais eficiente vai ser a interpretação de mundo que ele virá a ter, caso contrário teremos alunos desinteressados e apáticos em relação à leitura, porque como afirma Certeau (2001:273) “é sempre bom lembrar que não se deve tomar os outros por idiotas”.

III - Relatório de Observação
O espaço físico do Centro de Educacional n° 05 possui ambiente agradável. Na entrada, há um conjunto de mesas e bancos onde os alunos aguardam o sinal para entrada em sala de aula. À direita, localiza-se a direção da escola, e as salas de aula localizam-se em frente à direção em paralelas, a biblioteca é afastada da escola, embora esteja no mesmo espaço

físico. As salas são limpas, mas os alunos não as conservam, os quadros-negros são limpos, porém antigos. O ambiente da biblioteca é aprazível, os alunos pesquisam e consultam o acervo disponível que, por sinal, é variável, existem obras de autores consagrados, livros didáticos, dicionários, Atlas, almanaques etc. Os professores também utilizam a biblioteca e incentivam aos alunos a pesquisarem. Há o sistema de consulta aberta à comunidade. A bibliotecária responsável é uma pessoa bem-educada e simpática, recebeu-me bem e mostrou-me o acervo que existe na escola. A recepção do corpo docente do Centro de Ensino Médio n° 05 de Taguatinga foi boa, tanto a direção como a equipe de professores foram atenciosas e receberam-me bem, orientando-me no Estágio, tanto na observação quanto na regência. Nota-se que as professoras têm pouco interesse em ensinar, não têm preparo profissional ou se têm não o usam, nem recursos disponível além de quadro e giz. Creio que o bom profissional tendo interesse, com certeza encontrará maneiras de aplicar o conhecimento mesmo que haja falhas no sistema e dificuldades por parte do aluno em absorver o conteúdo, o professor deve ser um facilitador e não ser acomodado na profissão como observei que eram. Observei que as aulas ministradas pelas professoras não foram bem preparadas, embora o conteúdo estivesse adaptado a cada série, como no plano de ensino. No 1° ano, a mestre apenas deu uma aula de leitura (analisada acima), passou muitos exercícios no quadro, silenciosamente e fez empréstimos de seus livros aos alunos. No 2° ano a proposta da professora foi um pouco melhor, apresentou revisão de conteúdo e tirou dúvidas dos alunos referentes aos exercícios. No 3° ano, se a aula não foi desastrosa, foi no mínimo embaraçosa, explico: em 2h/a em que observei o conteúdo ministrado eram as partículas “que” e a partícula reflexiva “se”, no qual a professora nem se referiu como partículas, nem como palavras ou conjunções, simplesmente disse que estudariam naquele dia o “que” e o “se”. Bem, a aula iniciada, ela explicou algumas possibilidades da partícula “que”, como pronome relativo, conjunções e também como substantivo, deu alguns exemplos, sempre consultando o livro à sua frente, ela explicou que, quando se coloca artigo na frente do “que” ele torna-se um substantivo, quando uma aluna questionou sobre a colocação do artigo “o” à frente da interjeição “quê” Ex: “Quê! Você fez isso? / O quê! Você fez isso?, a professora ficou na maior saia justa, não soube responder, ou melhor , dissimulou dizendo que a interjeição expressava somente um sentimento, observei que a aluna não se satisfez com a resposta, mas calou-se. Além de que não ministrou a

partícula reflexiva “se”, porque não houve tempo, ao final da aula explicou que a próxima aula seria sobre o poema de Manuel Bandeira ( até que enfim literatura, pensei) . Nas outras h/a observadas, grande foi minha surpresa; a professora chegou com vários livros e os deixou em cima da mesa, os alunos chegavam e os pegavam. A orientação era para que lessem o poema e respondessem as questões que se pedia no livro. Até hoje não sei qual foi o poema. O que mais observei, nas aulas dessas educadoras, foi que não houve esforço por parte das mesmas em ensinar, ou seja, orientar os alunos na direção do conhecimento, até porque elas mesma estão desestimuladas desse ensino, talvez pelo tempo de regência (a professora do 3° ano está há 22 anos em sala de aula), ou quem sabe pelo desinteresse do sistema educacional em melhorar a qualidade do ensino, ou seja, a duas coisas juntas que ao final reflete em alunos completamente despreparados para prestar um vestibular, concursos e até para elaborar um pequeno texto.

IV - RELATÓRIO DE REGÊNCIA
Nas regências do Ensino Médio, segui o conteúdo pedido pelas professoras responsáveis de cada série e, a partir desses conteúdos, elaborei os planos de aula e os apliquei em sala de aula. No 1° ano, o conteúdo ministrado foram os conceitos de antonímia, sinonímia, parônimos e homônimos. Elaborei uma apostila com todos esses conceitos e trabalhamos a distinção de cada um deles, explicando a importância de saber o significado das palavras, visto que semântica é um conteúdo mais que explorado em vestibular e concursos.

Revisamos com exercício para favorecer a fixação de conteúdo. A receptividade da turma ao início foi introvertida, mas, ao longo da regência, tornou-se mais extrovertida, pelo contato diário e também por utilizar recursos que contribuíram para o ensino/aprendizagem que, ao inicio, talvez tenha causado uma certa timidez e, ao final, houve uma total integração da turma, tornando bastante agradável a regência. No 2° ano, revisei os conceitos de orações coordenadas e subordinadas para fixar o conteúdo.Utilizamos o texto “a metamorfose” de Luís Fernando Veríssimo e, a partir do mesmo trabalhamos a diferença entre orações coordenadas e orações subordinadas utilizando exercícios xerocopiados para fixação do conteúdo. A receptividade da turma foi semelhante ao 1°ano, sendo que, ao final da regência, a turma já estava integrada à matéria aplicada e receptiva com a estagiária.
No 3° ano, o tema foi Literatura, o conteúdo ministrado foi o Pós-modernismo e os autores contemporâneos que contemplam a narrativa curta, nesse sentido, expliquei o significado de Pósmodernismo e a diferença entre a crônica e o conto, como também o contexto histórico porque passaram os autores na época negra da ditadura. Os alunos receberam bem a aula, percebi que não tinham muito conhecimento sobre a ditadura, como se diz, brasileiro não tem memória, principalmente quando não se passa pela história ou só se ouve falar. Enfim, lemos a crônica “O Padeiro” de Rubem Braga e o conto “Uma vela para Dario” de Dalton Trevisan e, ao final da regência, escutamos a música “Cálice” de Chico Buarque e Gilberto Gil, relacionando-a com o tema ditadura. No decorrer das 5h/aulas, notei que assimilaram bem o conteúdo e ao final, no debate, se soltaram e argumentaram bastante sobre o tema aplicado Como o tempo foi suficiente finalizei com o “poema em linha reta” de Álvaro Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.

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V - Conclusão
Atualmente, existem problemas no processo educacional, seja pelos baixos salários dos profissionais da área, por falta de estrutura e ações do governo, pela má postura dos pais que deixam a educação dos filhos somente à cargo da escola e se omitem desse processo, ou pela má qualificação do professor, ou ainda por políticas que qualificam escolas e professores por quantidade e não qualidade de ensino. Como vimos, nos textos estudados em sala de aula, algo já vem sendo feito é verdade, mas com poucos resultados e perspectivas.

A relevância do ensino de Língua Portuguesa é indiscutível, sendo que, de alguma forma, podemos dizer que é pré-requisito para o desenvolvimento das demais disciplinas e também para vida em sociedade. No entanto, essa disciplina é vista com certo temor por parte dos alunos, talvez por ter muitas regras a decorar. Essa aversão ao estudo da própria língua reflete-se no desempenho escolar dos alunos, em que eles não são capazes, em sua maioria, de ler e interpretar textos. Isso também se reflete na própria vida cotidiana do aluno, visto que, quando tem que prestar um concurso ou mesmo o vestibular, não se encontra preparado, tendo que, se quiser um resultado satisfatório, fazer um cursinho à parte. E o maior questionamento que podemos fazer é o que podemos fazer para mudar essa situação? O Estágio Supervisionado de Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas contribuiu para reafirmar minhas convicções, a de que devemos nos ater a nossos ideais e se pelo menos não pudermos mudar a situação real do ensino-aprendizagem, devemos fazer a nossa parte, não apenas reclamar e cruzar os braços, culpando o alunado ou o governo da atual situação do ensino em nosso país. Assim, como professores progressistas e críticos e formadores de opinião, poderemos ter alunos também críticos e interessados em mudar a realidade social dessa comunidade. A maior contribuição do Estágio foi ver e viver pessoalmente essa realidade supracitada, embora já tenha atuado antes em escola pública e já tivesse essa visão, por, às vezes, nem ter uma caneta para corrigir provas e trabalhos dos alunos, no Estágio pude que meus colegas passam, senão por essa, mas por outras aflições. O Estágio proporcionou-me um momento de reflexão a respeito da atual visão que os alunos tem do ensino da língua materna, e a real situação do ensino público em geral. A solução para a melhoria da situação do ensino de língua portuguesa, ao meu ver, deve ter início com a reformulação de conceitos padrões e o abandono da hipocrisia educacional vigente. A valorização do professor, embora seja um antigo discurso, ainda é, um grande antídoto para falta de interesse do profissional da educação. Assim, talvez com aulas mais dinâmicas e descontraídas, possamos fazer com que o processo ensino/aprendizagem seja menos frustrante, mas é importante ressaltar que na atual situação o professor não tem motivação e muito menos recurso para tal, como presenciei quando fiz as observações e as regências em escola pública.

VI - Referências Bibliográficas:
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GALLO, S. L. ‘O Ensino da língua ‘materna’ no Brasil no século XIX: a mãe outra’. In: GUIMARÃES, E. E ORLANDI, E. P. (orgs). Língua e Cidadania, o português do Brasil. Campinas/SP: Pontes.1996. GOULART, Cecília. M. A. Letramento e Polifonia. Trabalho apresentado na III Conferência de Estudos Sócio-Culturais, Campinas - SP, UNICAMP, 2000. GUIMARÃES, E. ‘Sinopse dos estudos do português no Brasil: a gramatização brasileira’. In: GUIMARÃES, E. E ORLANDI, E. P. (orgs). Língua e Cidadania, o português do Brasil. Campinas/SP: Pontes. 1996. HEELER, Evaldo – Língua e fala – gramáticas e gramáticas - RJ, 1986. LAJOLO, Marisa. ‘Oralidade, um passaporte para a Cidadania Literária Brasileira’. In: GUIMARÃES, E. E ORLANDI, E. P. PCN – PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – Linguagens e Códigos e suas tecnologias no Ensino Médio - Língua Portuguesa www.mec.gov.br Acesso em 02/11/2004 SOARES, Magda. ‘Que Professor de Português queremos formar?’. In Boletim da ABRALIN. V. 1 N° 25. Fortaleza: Imprensa universitária/UFC. 2001. Pp.211-218. SOARES, Magda – “Letrar é mais que alfabetizar” - Entrevista concedida ao Jornal do Brasil em 26/11/2000.

VII – Documentos

VIII - Anexos

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