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LCB 208

AMINOÁCIDOS

Características

Gerais:

São as unidades fundamentais das PROTEÍNAS Todas as proteínas são formadas a partir da ligação em seqüência de apenas 20 aminoácidos o o Existem, além destes 20 aminoácidos principais, alguns aminoácidos especiais, que só aparecem em alguns tipos de proteínas

o

o

o

o

Estrutura

 

Química

Geral

o

o

Os 20 aminoácidos possuem características estruturais em comum,

tais como:

 

1.

1.

A

presença

de

um

carbono

central

a

,

quase

sempre

assimétrico;

nas

proteínas

encontramos

apenas

"L"

aminoácidos.

 

2.

2.

Ligados a este carbono central,

um grupamento CARBOXILA, um grupamento AMINA e um átomo de hidrogênio;

 

3.

3.

O quarto ligante é um radical

chamado genericamente de "R", responsável pela diferenciação entre os 20 AA. É a

cadeia lateral dos AA.

o

o

É o radical "R" quem define uma série de características dos AA, tais

como polaridade e grau de ionização em solução aquosa. o o É a polaridade do radical "R" que permite a classificação dos

aminoácidos em 3 classes:

Classificação

 

dos

Aminoácidos

 

Segundo

a

polaridade

dos

seus

radicais

"R":

o

o

Aminoácidos com Radical "R" Apolar:

 

Possuem radical "R" geralmente formado exclusivamente por carbono e hidrogênio - grupamentos alquila

São hidrofóbicos e em número de 8:

Alanina

Valina

Leucina

Isoleucina

Prolina - Forma anel imina

Fenilalanina

Triptofano

Metionina - "R" contém enxofre

o

o

Aminoácidos com Radical "R" Polar Não-Carregado:

São aminoácidos com radicais "R" contendo hidroxilas, sulfidrilas e grupamentos amida;

São hidrofílicos e em número de 7:

Glicina - o mais simples dos AA

Glicina - o mais simples dos AA

 
Serina - "R" com função alcoólica

Serina - "R" com função alcoólica

Treonina - "R" com função alcoólica

Treonina - "R" com função alcoólica

Cisteína - possui um radical sulfidrila

Cisteína - possui um radical sulfidrila

Tirosina - "R" com grupamento fenol

Tirosina - "R" com grupamento fenol

Asparagina - "R" com função amida

Asparagina - "R" com função amida

Glutamina - "R" com função amida

Glutamina - "R" com função amida

o

o

Aminoácidos com

Radical

"R"

Polar

Carregado:

2 subclasses:

 

o

o

"R" Carregado Positivamente:

o

o

São AA diamino e monocarboxílicos, em número de 3:

 
Lisina

Lisina

Arginina

Arginina

Histidina

Histidina

o

o

"R" Carregado Negativamente:

São AA monoamino e dicarboxílicos, em número de 2:

  • Ácido Aspártico

  • Ácido Glutâmico

Aminoácidos em Solução Aquosa: Propriedades Químicas e Elétricas

  • Os aminoácidos são ANFÓTEROS pois, em solução aquosa, comportam-se como ácido E como base, formando ÍONS DIPOLARES, a saber:

O

grupamento

carboxila

adquirindo carga negativa;

ioniza-se em solução aquosa liberando próton, e

  • O grupamento amina ioniza-se em solução aquosa aceitando próton e adquirindo carga positiva.

  • Este comportamento depende do pH do meio aquoso em que o aminoácido se encontra:

  • Em meio ácido, os AA tendem a aceitar prótons, comportando-se como base e adquirindo carga positiva - ionizam em seus radicais amina

  • Em meio básico, os AA tendem a doar prótons, comportando-se como ácidos e adquirindo carga negativa - ionizam-se em seus radicais carboxila.

  • O valor de pH onde as cargas elétricas do aminoácido se igualam e se anulam chama-se PONTO ISSOELÉTRICO, ou pH ISOELÉTRICO.

Curva

de

Titulação

de

Um

Aminoácido

Ao titularmos um aminoácido monoamino e monocarboxílico, temos o seguinte comportamento:

o

o

 totalmente protonado 

[ + NH 3 CHRCOO - ]

Isoelétrico = Íon Dipolar ou "Zwitterion".

Ponto 1: + NH 3 CHRCOOH = AA

Ponto 2: [ + NH 3 CHRCOOH] =

Ponto 3: + NH 3 CHRCOO - = Ponto

Ponto

4:

[ +

NH 3 CHRCOO - ]

=

[NH 2 CHRCOO - ]

 

 totalmente desprotonado

 

Ponto

5: NH 2 CHRCOO -

=

AA

Fórmula Geral de uma Aminoácido

 

(esta

parte

do

texto

foi

retirada

da

internet)

(Amino Acids Diagram)

All amino acids have the same general formula:

  Ponto 4: [ NH CHRCOO ] = [NH CHRCOO ]  totalmente desprotonado 

The twenty amino acids found in biological systems are:

All proteins are linear chains composed of these 20 amino acids. 3.2 The Peptide Bond

All proteins are linear chains composed of these 20 amino acids.

All proteins are linear chains composed of these 20 amino acids. 3.2 The Peptide Bond

3.2 The Peptide Bond

The amino acids are linked linearly through peptide bonds. These bonds are formed via a dehydration synthesis reaction between the carboxy group of the first amino acid with the amino group of the second amino acid.

The <a href=amino acids a re linked linearly through peptide bonds . These bonds are formed via a dehydration synthesis reaction between the carboxy group of the first amino acid with the amino group of the second amino acid. 3.4 Primary through Quartenary structure " id="pdf-obj-5-9" src="pdf-obj-5-9.jpg">
The <a href=amino acids a re linked linearly through peptide bonds . These bonds are formed via a dehydration synthesis reaction between the carboxy group of the first amino acid with the amino group of the second amino acid. 3.4 Primary through Quartenary structure " id="pdf-obj-5-11" src="pdf-obj-5-11.jpg">

3.4 Primary through Quartenary structure

The <a href=amino acids a re linked linearly through peptide bonds . These bonds are formed via a dehydration synthesis reaction between the carboxy group of the first amino acid with the amino group of the second amino acid. 3.4 Primary through Quartenary structure " id="pdf-obj-5-15" src="pdf-obj-5-15.jpg">

This is a molecule of hexokinase, a metabolic protein found in almost all living organisms. This protein is composed of approximately 6000 atoms and weighs 48 kiloDaltons (kDA). It also has a glucose molecule bound to it, but that is nearly impossible to see.

Primary Structure

Protein have

multiple levels of structure. The

most basic

is

its primary structure. A

protein's primary structure is simply the order of its amino acids . Note that this order is

always written from amino end to carboxyl end (by convention). An example of a protein primary structure is:

5

10

15

20

25

30

1 A A S X D X S L V E V H X X V F I V P P X I L Q A V V S I A

  • 31 T T R X D D X D S A A A S I P M V P G W V L K Q V X G S Q A

  • 61 G S F L A I V M G G G D L E V I L I X L A G Y Q E S S I X A

  • 91 S R S L A A S M X T T A I P S D L W G N X A X S N A A F S S

  • 121 X E F S S X A G S V P L G F T F X E A G A K E X V I K G Q I

  • 151 T X Q A X A F S L A X L X K L I S A M X N A X F P A G D X X

  • 181 X X V A D I X D S H G I L X X V N Y T D A X I K M G I I F G

  • 211 S G V N A A Y W C D S T X I A D A A D A G X X G G A G X M X

  • 241 V C C X Q D S F R K A F P S L P Q I X Y X X T L N X X S P X

  • 271 A X K T F E K N S X A K N X G Q S L R D V L M X Y K X X G Q

  • 301 X H X X X A X D F X A A N V E N S S Y P A K I Q K L P H F D

  • 331 L R X X X D L F X G D Q G I A X K T X M K X V V R R X L F L

  • 361 I A A Y A F R L V V C X I X A I C Q K K G Y S S G H I A A X

  • 391 G S X R D Y S G F S X N S A T X N X N I Y G W P Q S A X X S

  • 421 K P I X I T P A I D G E G A A X X V I X S I A S S Q X X X A

  • 451 X X S A X X A

This is the sequence of hexokinase, yeast hexokinase from the yeast species Saccharomyces cerevisiae to be specific. To find out more about this protein, jump to the

Brookhaven Protein Data Bank 3D browser and enter hexokinase in the textbox, or SCOP (Structural Classification of Proteins) and use the PDB reference number 1HKG.

This is a molecule of hexokinase, a metabolic <a href=protein f ound in almost all living organisms. This protein is composed of approximately 6000 atoms and weighs 48 kiloDaltons (kDA). It also has a glucose molecule bound to it, but that is nearly impossible to see. Primary Structure Protein have multiple levels of structure. The most basic is its primary structure. A protein's primary structure is simply the order of its amino acids . Note that this order is always written from amino end to carboxyl end (by convention). An example of a protein primary structure is: 5 10 15 20 25 30 1 A A S X D X S L V E V H X X V F I V P P X I L Q A V V S I A 31 T T R X D D X D S A A A S I P M V P G W V L K Q V X G S Q A 61 G S F L A I V M G G G D L E V I L I X L A G Y Q E S S I X A 91 S R S L A A S M X T T A I P S D L W G N X A X S N A A F S S 121 X E F S S X A G S V P L G F T F X E A G A K E X V I K G Q I 151 T X Q A X A F S L A X L X K L I S A M X N A X F P A G D X X 181 X X V A D I X D S H G I L X X V N Y T D A X I K M G I I F G 211 S G V N A A Y W C D S T X I A D A A D A G X X G G A G X M X 241 V C C X Q D S F R K A F P S L P Q I X Y X X T L N X X S P X 271 A X K T F E K N S X A K N X G Q S L R D V L M X Y K X X G Q 301 X H X X X A X D F X A A N V E N S S Y P A K I Q K L P H F D 331 L R X X X D L F X G D Q G I A X K T X M K X V V R R X L F L 361 I A A Y A F R L V V C X I X A I C Q K K G Y S S G H I A A X 391 G S X R D Y S G F S X N S A T X N X N I Y G W P Q S A X X S 421 K P I X I T P A I D G E G A A X X V I X S I A S S Q X X X A 451 X X S A X X A This is the sequence of hexokinase, yeast hexokinase from the yeast species Saccharom y ces cerevisiae to be specific. To find out more about this protein, jump to the Brookhaven Protein Data Bank 3D browser and enter hexokinase in the textbox, or SCOP (Structural Classification of Proteins) and use the PDB reference number 1HKG. Secondary Structure Protein secondary structure refers to certain common repeating structures found in proteins. There are two types of secondary structures: alpha-helix and beta-pleated sheet. An alpha-helix is a tight helix formed out of the polypeptide chain. The polypeptide main chain makes up the central structure, and the side chains extend out and away from the helix. The CO group of one amino acid (n) is hydrogen bonded to the NH group of the amino acid four residues away (n +4). In this way every CO and NH group of the backbone is hydrogen bonded . Here are three models of an alpha-helix. The first shows only the alpha-carbon of each amino acid. The second shows all of the atoms that make up the backbone of the polypeptide. The third shows all of the hydrogen bonds that hold alpha-helices together.The third, and most complete, model is also shown here. " id="pdf-obj-6-82" src="pdf-obj-6-82.jpg">

Secondary Structure

Protein secondary structure refers to certain common repeating structures found in proteins. There are two types of secondary structures: alpha-helix and beta-pleated sheet.

An alpha-helix is a tight helix formed out of the polypeptide chain. The polypeptide main chain makes up the central structure, and the side chains extend out and away from the helix. The CO group of one amino acid (n) is hydrogen bonded to the NH group of the amino acid four residues away (n +4). In this way every CO and NH group of the backbone is hydrogen bonded.

Here are three models of an alpha-helix. The first shows only the alpha-carbon of each

amino acid. The

second shows

all

of the

atoms that make

up

the backbone of the

polypeptide. The third shows all of the hydrogen bonds that hold alpha-helices

together.The third, and most complete, model is also shown here.

A-helices are most commonly made up of hydrophobic amino acids, because hydrogen bonds are generally the

A-helices are most commonly made up of hydrophobic amino acids, because hydrogen bonds are generally the strongest attraction possible between such amino acids. a-helices are found in almost all proteins to various extents. For more information read Stryer's Biochemistry, page 27.

B-pleated sheets are the other type of secondary structure. They can be either parallel or anti-parallel. Anti-parallel beta-pleated sheets generally look like

A-helices are most commonly made up of hydrophobic amino acids, because hydrogen bonds are generally the

At the turns they have the structure:

where amino acid n hydrogen bonded to amino acid (n +3) in a hairpin turn. Therean example . This common type of protein model represents segments of beta-pleated sheets as ribbon arrows, and it represents a-helices as helical ribbons. The remainder of the polypeptide chain is referred to as random coil , and is represented as a thin line. Please note that random coil is somewhat of a misnomer; the protein is definitely highly organized, but the random coil regions do not show any easily categorized secondary structure components. Tertiary Structure Tertiary structure is the full 3-dimensional folded structure of the polypeptide chain. There are a number of examples of tertiary in your textbook, and the hexokinase image used as the icon in this module Quartenary Structure is a complete structure. Quartenary structure is only present if there is more than one polypeptide c hain. With multiple polypeptide chains, quartenary structure is their interconnections and organization. This is an image of hemoglobin, a protein with four polypeptides-- two alpha- globins, and two beta-globins. The red patches are heme groups (iron complexes bound to the protein, which bind oxygen). " id="pdf-obj-8-2" src="pdf-obj-8-2.jpg">

where amino acid n hydrogen bonded to amino acid (n +3) in a hairpin turn.

There is a special type of molecular model used to highlight protein secondary structure. Follow this link to view an example. This common type of protein model represents segments of beta-pleated sheets as ribbon arrows, and it represents a-helices as helical ribbons. The remainder of the polypeptide chain is referred to as random coil, and is represented as a thin line. Please note that random coil is somewhat of a misnomer; the protein is definitely highly organized, but the random coil regions do not show any easily categorized secondary structure components.

Tertiary Structure

Tertiary structure is the full 3-dimensional folded structure of the polypeptide chain. There

are a number of examples of tertiary in your textbook, and the hexokinase image used as

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Quartenary Structure

is

a

complete structure.

Quartenary structure is only present if there is more than one polypeptide chain. With multiple polypeptide chains, quartenary structure is their interconnections and organization. This is an image of hemoglobin, a protein with four polypeptides-- two alpha- globins, and two beta-globins. The red patches are heme groups (iron complexes bound to the protein, which bind oxygen).

AMINOÁCIDOS

Estrutura de um aminoácido típico

H

|

cadeia variável à R----C* ---COO - ß grupo carboxílico

|

+ NH 3 * Carbono ou carbono assimétrico porque possui quatro radicais diferentes ligados a ele

A cadeia R é quem dá a identidade a cada aminoácido (aa). Em pH 7,0 o grupo carboxílico possui uma carga - e o grupo amina possui uma carga + e, portanto, a molécula é neutra e chamada zwitterion.

Propriedade de polimerização

A principal característica dos aa é a afinidade de reação do grupo carboxílico de um aminoácido com o amínico de outro, com a perda de uma molécula de água e a formação de uma ligação covalente amida, chamada ligação peptídica. A ligação C o -N restringe a livre rotação em torno da ligação peptídica e forma o chamado plano amida. Essa restrição ocorre porque o comprimento da ligação C o -N (0,133nm) é menor do que uma ligação simples C-N (0,145nm) e maior do que uma ligação dupla C=N (0,125nm). Estima-se que a ligação peptídica tem uma característica de 40% da dupla ligação. Como consequência da polimerização há produção de polipeptídeos e protéinas, cujas propriedades dependem das propriedades dos aa e suas sequências.

Classificação dos 20 aa comuns

A principal classificação é baseada na polaridade da cadeia lateral (variável) que pode ser:

  • a. Não polar ou hidrofóbico - Leu, Ala, Pro, Val, Met Phe, Trp, Ile;

  • b. Polar porém neutro - Gly, Asn, Ser, Gln, Thr, Tyr, Cys;

  • c. Aminoácidos acídicos - Asp, glu; eles possuem carga líquida negativa em pH 7,0

porque possuem grupos com COOH. A maioria das proteínas que ligam-se a metais o fazem por esses aa.

  • d. Aminoácidos básicos - His, Lys, Arg; possuem carga líquida + em pH 7,0.

PROTEÍNAS

CLASSIFICAÇÃO DAS PROTEÍNAS DE ACORDO COM SUA FUNÇÃO BIOLÓGICA

Enzimas -

Transportadoras - Nutrititivas e de reserva

tripsina, RNAse, amilase, etc hemoglobina, albumina,mioglobina, lipoproteínas gliadina (trigo),ovoalbumina,caseína, ferritina

  • Contráteis- actina, miosina, tubulina, dineína

    • Estruturais- queratina, colágeno, elastina

Defesa-imunoglobulinas,trombina, ricina, toxina diftérica, fibrinogênio

Reguladora de glicose - 2 polipeptídeos )

insulina ( células b do pâncreas - estimula a absorção

,corticotrofina ( hipófise-

estimula

o

córtex da supra renal ), paratireotrófico, horm. Crescimento glucagon - pâncreas- antagônico á insulina

OUTROS PEPTÍDEOS E A.A.

AMANITINA GRAMICIDINA ORNITINA -DIAMINOBUTÍRICO CITRULINA

PEPTÍDEO TÓXICO EXTRAÍDO DE FUNGOS ANTIBIÓTICO CICLO DA URÉIA NEUROLATIRISMO MELANCIA

Aminoácidos incomuns em algumas proteínas

Só ocorre raramente em proteínas. Como exemplo tem-se a hidroxiprolina e hidroxilisina que ocorre no colágeno e gelatina; ácido aminoadípico que ocorre em proteínas de milho; N-metilarginina e N-acetilisina que ocorrem em histonas.

Aminoácidos não encontrados em proteínas

Epinefrina ou adrenalina derivada da tirosina, que é um hormônio importante; penicilamina, que é um constituinte da penicilina; citrulina, precursor da arginina; serotonina, derivado do Trp e é um neurotransmissor; histamina, derivado da His e também é um neurotransmissor. A epinefrina, serotonina e a histamina não são aminoácidos, porém, muito relacionados.

Capacidade de reação dos aa

Os grupos NH 2 e COOH possuem reatividade química similar. No entanto, os radicais laterais possuem reatividades específicas. Esses últimos determinam as funções biológicas das proteínas. Um grande número de reações com os radicais laterais permitem identificar os aa funcionais nos sítios ativos das enzimas.

Algumas propriedades dos aa

1. Atividade ótica dos aa. Toda substância que possui um carbono com quatro radicais diferentes, isto é C, elas ocorrem na forma de dois isômeros óticos, isto é a atividade ótica da molécula de girar o plano de polarização da luz para direita (horário) ou para a esquerda (anti-horário). Além disso todos os aa encontrados em proteínas são da configuração L. Configuração L e D é a estrutura em relação à configuração L e D do gliceraldeído. Essas configurações são semelhantes às representações da molécula e da sua imagem em um espelho, como a seguir:

 

X

X

 

Y-C -W

W-C -Y

 
 

Z

Z

2.

Propriedade espectroscópica. São propriedades de absorção e emissão de energia de

diferentes freqüências. Como exemplo a maioria dos aa absorve diferentes freqüências da luz UV e todos absorvem a luz infra vermelha, porém, nenhum absorve a luz visível.

  • 3. Propriedade de separação. Os aa podem ser separados por cromatografia de vários

tipos em especial através de HPLC (Cromatografia líquida de alta precisão),

cromatografia de troca iônica e gasosa.

PROTEÍNAS

É a classe de substância mais abundante das células, representando mais de 50% do peso seco e é responsável pela imensa variedade de todas as funções celulares. São polímeros lineares de aa. Formado pela união do grupo carboxila do primeiro aa com o amina do segundo seguida da liberação de uma molécula de água.

H 3 N -C-C=O

R

1

+

H 3 + N-C-C=O

O -

R 2

R 1 O

R 2

H 3 + N-C-C---N-C-C=O

O -

H 2 O

O -

Classificação dos peptídeos

Quando o número de aa é até 12, são classificadas em dipeptídeo, tripeptídeo, etc. Cadeias com 12 a 20 aa são denominadas de oligopeptídeos. Cadeias maiores são chamadas de polipeptídeos.

Classificação das proteínas

As proteínas podem ter uma ou mais cadeias polipeptídicas. Com uma cadeia são chamadas de monoméricas. Com mais de uma cadeia são chamadas de multiméricas. As multiméricas são classificadas em homomultiméricas quando as cadeias polipeptídicas possuem apenas um tipo de polipeptídeo, e de heteromultimérica quando possuem mais de um tipo. As multiméricas são designadas por letras gregas com índices para indicar a composição. Por exemplo, 2 corresponde a um homodímero. A ribonuclease A bovina é do tipo 1 . Já a hemoglobina humana é do tipo 2 2 . O comprimento das cadeias polipeptídica varia de 100aa até 1800aa (miosina). Normalmente pelo menos um dos 20 aa ocorre nas proteínas. Só em algumas pequenas que pode faltar um dos 20 aa. Cada proteína tem uma sequência única de aa que é determinada pela sequência de bases do DNA que lhe deu origem. A leitura da sequência de aa é feita a partir do aa N terminal para o aa C terminal, ( N C).

Arquitetura das moléculas de proteínas

  • 1. Estrutura das proteínas.

a. Estrutura primária. Corresponde à seqüência de aa. Considerando que 20 aa diferentes podem participar das proteínas, é praticamente infinito o número potencial de

proteínas diferentes. Para se ter idéia desse número, ele é dado por 20 n arranjos possíveis, para proteínas com n aa. Para proteínas com n = 100, um número relativamente pequeno de aa, 20 100 = 10 130 arranjos. O peso molecular médio de uma proteína com n = 100 aa = 13.800da. Se considerarmos a massa de todas as proteínas com 100 aa, com uma molécula cada, ela seria 1,38 x 10 4 da x 10 130 = 1,38 x 10 134 da. A massa estimada do universo é de 10 80 da e, evidentemente, ela contém muitas outras substâncias além de proteínas. No entanto, devemos considerar que todas as proteínas são provenientes de DNA e, portanto, o número de arranjos de proteínas depende do DNA.

b. Estrutura secundária. É proporcionada por pontes de H, entre os radicais C=O e N-H, entre aa adjacentes. A ligação peptídica fundamental das proteínas gera uma interação C-N de forma a forçar todos os átomos (C, N, O, H e os C adjacentes) a ficarem no plano. É necessário energia para girar a estrutura. Os planos C-N (C da carboxila de um aa e N da amina do adjacente) podem girar no C . Segundo Stryer(1987) a estrutura secundária é formada por pontes de H de aa próximos. A primeira estrutura descoberta foi chamada de -hélice. A cadeia assume uma estrutura helicoidal pelas interações C=O com N-H, formando pontes de H. Cada volta da cadeia tem 3,6 resíduos de aa e ocupa um espaço de 5,4Å (3,6 x 1,5Å =1 aa). A hélice tem 6Å de diâmetro desconsiderando as cadeias laterais. O C=O de 1 o aa forma ponte com o N-H do 4 o aa à frente para formar a ponte de H. Todos os C=O apontam para uma direção e os H-N para a direção oposta na hélice, formando a ponte de H paralela a hélice.

O número de aa em cada segmento de - hélice varia de proteína para proteína. Em média ocorrem 10aa por segmento. Uma segunda estrutura também muito comum e a segunda a ser descoberta é a folha pregueada . Neste caso a cadeia peptídica dispõe-se em zigue-zague, com o C nos ângulos e o C (cadeia lateral) saindo desses ângulos. Daí folha pregueada . Cada cadeia em zigue-zague associa-se com outras semelhantes que são unidas por pontes de H. A estrutura típica pode ser esquematizada se cada cadeia for representada numa fita de papel em zigue-zague, e as fitas forem colocadas lado a lado. A cadeia em zigue-zague dispõe-se ao lado de outras de forma paralela ou antiparalela. Na paralela as cadeias adjacentes são N C ou C N. Um detalhe importante é que as pontes de H são somente inter-cadeias. O arranjamento paralelo das cadeias é mais regular do que o anti-paralelo (situação angular dos átomos). Além disso a estrutura paralela é maior, geralmente com mais de cinco peptídeos. A antiparalela pode ter até dois peptídeos. Na paralela as cadeias laterais hidrofóbicas ficam dos dois lados da cadeia. Já na antiparalela as hidrfóbicas só ficam de um lado, o que requer a disposição alternada de resíduos hidrofílicos e hidrofóbicos na estrutura primária. A antiparalela é a estrutura básica da seda e a cadeia dispõe-se paralela à fibra. Assim, as propriedades da fibra são semelhantes à da cadeia, isto é, são muito flexíveis porém, não é elástica. Uma terceira estrutura é a curva . Como há muitas proteínas globulares a cadeia tem de dobrar para ficar globular. Nesse caso, o C da carboxila do primeiro aa (C- O) forma ponte de H com radical amida do terceiro aa à frente, dando estabilidade a estrutura. Com isso a cadeia inverte a orientação e forma uma folha pregueada anti- paralela. O aa glicina (sem cadeia lateral) é um dos mais adaptados para a curva. Uma quarta estrutura é a protuberância que corresponde a uma irregularidade na estrutura (folha pregueada) antiparalela. A protuberância ocorre entre duas pontes de H da estrutura e corresponde a um aa extra em uma cadeia. Nessa cadeia mais longa forma uma ligeira curvatura na folha pregueada.

c. Estrutura terciária. É o dobramento de uma cadeia polipeptídica no espaço

tridimensional. A sequência de aa é quem determina o tipo de estrutura terciária. Além

disso, a estrutura terciária é a responsável pela maior estabilidade das proteínas, como

conseqüência de um grande número de pontes de H intramolecular, entre radicais

distantes de aa da seqüência linear. Tal estrutura contribui para reduzir superfície

acessível à solventes.

Tem sido notado que uma dada estrutura terciária tem a possibilidade de

assumir várias formas alternativas, no entanto, só uma, a forma nativa, é a correta e é

termodinamicamente a estrutura mais estável. Um exemplo dessa fato foi verificado com

a ribonuclease bovina, que possui 124 aa e 4 pontes S-S. Quando se desnatura a

proteína com mercaptoetanol e uréia e, em seguida promove-se a oxidação da cadeia

desnaturada no ar, ocorre a sua renaturação na forma nativa (enzima ativa), do seguinte

modo:

ribonuclease + mercaptoetanol + uréia 8M cadeia polipeptídica sem as pontes S-S

(reduzida ou desnaturada ) (diálise para retirar a uréia e o mercaptoetanol)

(oxidação no ar) renaturação da forma nativa (enzima ativa).

As oito Cys da ribonuclease podem se combinar em 105 formas diferentes para

formar as quatro pontes S-S, porém, destas só uma é a enzimaticamente correta.

d. Estrutura quaternária. Muitas proteínas são formadas de mais de uma unidade

e forma um oligômero. Se a unidade do oligômero é de um só tipo tem-se um

homomultímero, porém, se for de mais de um tipo, tem-se um heteromultímero. Como

exemplo, a proteína do TMV (17), proteína da capa do vírus do nanismo do tomate (180),

álcool desidrogenase (2), hemoglobina (2+2), etc.

As subunidades primeiro adquirem a estrutura terciária globular, após, elas se

associam por interações hidrofóbicas polares, pontes de H e interações de Van der

Waals.

Nos oligômeros as associações dos peptídeos podem ser entre subunidades

idênticas e entre não idênticas.

As interações entre idênticas podem ser homólogas e heterólogas.

As interações homólogas correspondem às associações de subunidades com

superfícies idênticas gerando uma estrutura dimérica (fechada) com duplo eixo simétrico.

As interações heterólogas correspondem às associações de subunidades com

superfícies diferentes. Elas são complementares mas não simétricas e com finais abertos.

Pode ocorrer a formação de polímeros longos ou cilíndricos (mais comuns).

As associações de subunidades na estrutura quaternária são devidas a

interações de Van der Waals, pontes de H, pontes iônicas e interações hidrofóbicas.

Interações de Van der Waals são forças de repulsão e atração geradas por

indução instantânea de dipolos, que surgem por causa das flutuações na distribuição de

carga dos elétrons de átomos vizinhos não ligados.

Pontes de H ocorre na presença de radicais C=O e N-H quando próximos C-

O-

..

H

-.-N. ..

Pontes iônicas ou interações eletrostáticas são atrações entre cargas diferentes

ou repulsões entre cargas iguais. Como exemplo, as extremidades do peptídeo têm NH 2

e COOH ionizados como NH 3+ e COO - . Também os radicais laterais dos aa podem

ocorrer ionizados.

Interações hidrofóbicas ocorrem com os radicais laterais não polares dos aa, que

preferem se associar em ambientes não polares, do que ficar no solvente polar como a

água. Nas proteínas os aa e radicais não polares orientam-se para o interior da estrutura

protéica.

Um fator importante que contribui para a maior estabilidade de associação das

subunidades são as pontes S-S (covalente). Como exemplo, todos os anticorpos são do

tipo 2 2 sendo duas cadeias pesadas 2 e duas leves 2 . As pontes S-S ocorrem dentro

das cadeias (intracadeias, sendo quatro em cada pesada e duas em cada leve) e

também entre as cadeias (intercadeias sendo duas entre as pesadas e uma entre cada

par pesada leve).

Vantagens da estrutura quaternária:

  • 1. 1. Menor superfície por volume, proteção de radicais hidrofóbicos e

maior estabilidade energética devido a interação externa com a água ser

energeticamente desfavorável.

  • 2. 2. Economia e eficiência genética porque é gasto menos DNA para

codificar um monômero que se associa num homomultímero, do que um grande

polipeptídeo com a mesma massa molecular. Além disso, evita erros na associação

quando ocorre uma subunidade mutante.

  • 3. 3. Associam sítios catalíticos. Muitas enzimas possuem mais de um

sítio catalítico graças a união de monômeros, cada um com seu sítio. Como exemplo, a

DNA plimerase III da E. coli possui nove subunidades e várias funções; a DNA plimerase

(pol ) e DNA plimerase (pol ), entre outras, que participam da replicação em

eucariotes.

  • 4. 4. Cooperativismo. Muitas enzimas oligoméricas, possuem vários

sítios ativos e a ligação de um sítio com o substrato afeta a afinidade de outros sítios. Se

a afinidade é aumentada, tem-se o cooperativismo positivo e, se é diminuída, tem-se o

cooperativismo negativo.

  • 5. 5. Outros níveis de estrutura. Estudos de conformação, função e

evolução das proteínas têm determinados mais dois níveis de estrutura (Stryer, 1995,

p.31). Um deles é a estrutura supersecundária que é intermediária entre a secundária e

terciária. Como exemplo, a estrutura de uma cadeia polipeptídica, composta de um

primeiro segmento com a estrutura secundária folha pregueada, um segundo segmento

do tipo hélice e um terceiro segmento do tipo folha pregueada. Outro nível de

estrutura também considerado é o domínio, que são regiões compactadas de uma cadeia

polipeptídica as quais são unidas por segmentos flexíveis (semelhante a colar de pérola).

Cada domínio tem de 100-400 aa e é sintetizado nos eucariontes por um exon.

  • 2. Forma.

As proteínas podem ser fibrosas e globulares.

As proteínas fibrosas têm a estrutura simples e linear. Elas possuem cadeias

polipeptídicas organizadas em paralelo a um eixo, produzindo longas fibras. São

mecanicamente resistentes e difícil de dissolver em água e soluções salinas. Têm papel

estrutural nas células. Como exemplo tem-se a fibroina da seda que é composta de

pilhas antiparalelas da folha -pregueada. Outro caso é a -queratina que ocorre em

unha, chifre e cabelo. Ela é formada de cadeias em -hélice. Entre as cadeias ocorrem

pontes de H e ligação covalente, que são as pontes dissulfídricas entre aa Cys. No caso

do cabelo, quando ele é molhado e enrolado com "bobs" e após secado, ocorre só em um

rearranjamento das pontes H. Porém, quando se faz permanente, as pontes S-S são

quebradas e após reorganizadas, muda o grau de curvatura do cabelo.

As proteínas globulares constituem-se na maioria das proteínas e são

aproximadamente esféricas. Isso ocorre porque a cadeia polipeptídica é dobrada. Os aa

hidrofóbicos localizam-se internamente e os hidrofílicos ocupam a superfície externa.

Geralmente são solúveis em soluções aquosas. Existe uma grande variedade de

estruturas tridimensionais, mas todas têm -hélices e folha -pregueada. A mais típica é

a lisozima (129 aa) que tem poucas pequenas -hélices, poucas folhas -pregueadas e

vários segmentos peptídeos sem estrutura secundária definida

As proteínas globulares são classificadas com base no arranjamento das

estruturas secundárias em quatro tipos: -hélices antiparalelas; folha -pregueada

paralela ou mista; folha -pregueada antiparalela; e proteínas ricas em metal e pontes S-

S.

A

-hélice

antiparalela

corresponde

a

proteína

do

TMV,

hemoglobina e

mioglobina.

A folha -pregueada paralela ou mista é a segunda maior classe de proteínas. A

folha folha

-pregueada

paralela

(aa hicrofóbicos nos

dois

lados) forma o

core da

proteína, porque assim ela não fica exposta a solventes. Outra estrutura é a ocorrência

de oito cadeias de folha -pregueada paralela,na forma de barril e cada cadeia é

flanqueada por -hélice.

A folha -pregueada antiparalela, que possui aa hidrofóbicos em um só lado da

folha, pode existir no mínimo com duas camadas (cadeias) de fibras. Os lados

hidrofóbicos são justapostos e os hidrofílicos ficam expostos a solventes.

As proteínas ricas em metais pontes S-S são geralmente pequenas (possuem

menos de 100 aa) e possuem vários metais ligados (ferrodoxina) pontes S-S (insulina e

fosfolipase A 2 ).

FUNÇÕES DAS PROTEÍNAS

Toda atividade celular é dependente de uma ou mais proteínas. Quanto a função

as proteínas são classificadas em :

  • a. Regulatórias. Não realizam transformações químicas e sim regulam as

atividades de outras proteínas. Como exemplo a insulina regula o metabolismo da

glicose; existem aquelas que regulam a expressão gênica ligando-se ao DNA ou ativando

ou inibindo a transcrição, ligando-se ao RNA (no caso do operon lac em E. coli a

repressão da transcrição se dá pela proteína repressora e a sua ativação pela proteína

CAP).

  • b. Transportadoras. Transportam substâncias. Por exemplo a hemoglobina que

transporta O 2 , proteínas que transportam substâncias, como glicose e aa, de um lado

para outro da membrana plasmática.

  • c. Armazenamento. Muitas proteínas são usadas como reservatório de aa

essenciais como a ovoalbumina, caseina, zeina e faseolina.

  • d. Contráteis e móveis. Promovem movimentos na célula, como a tubulina que

participam da divisão celular movimentando os cromossomos e a miosina, que é

responsável por contração muscular.

  • e. Estruturais. São as proteínas responsáveis pelas estruturas biológicas entre

elas as proteínas fibrosas insolúveis como a queratina e o colágeno, e a fibroína da seda

e teia de aranha.

  • f. Protetoras. Como exemplo tem-se as imunoglobulinas ou anticorpos; as

toxinas como a da difteria, da cólera e a ricinina em algumas plantas; e as líticas como o

veneno de cobra e de abelhas.

  • g. Exóticas. As proteínas anti-congelamento que ocorrem no sangue de peixes

árticos e antárticos são desse grupo.

h. Enzimas. Corresponde à maior classe de proteínas sendo conhecidas mais de

2000. São substâncias que catalisam reações acelerando sua taxa em até 10 16 vezes.

São específicas em função e quanto a reação metabólica.

Pode-se caracterizar as enzimas com base na:

  • a. Força catalítica. Corresponde a intensidade que ela acelera a

reação (até 10 16 ) em meio com temperatura e pH amenos;

  • b. Especificidade. Que significa que elas são seletivas com a

substância (substrato) que ela interage e com a reação que catalisa. Numa reação

catalisada todo substrato é utilizado sem perda de nenhuma substância e gera um

produto específico. O reconhecimento do substrato pela enzima se faz por

complementariedade estrutural das moléculas. A enzima é considerada uma fechadura e

o substrato é a chave;

  • c. Regulação. Da quantidade de produto, da velocidade de

reação e interação com outros metabólitos.

Classificação das enzimas. As enzimas são denominadas e classificadas de

acordo com a reação que ela catalisa: a. Oxidorredutases. Reações de oxidação e

redução. Oxidação corresponde a perda de elétrons (O 2 ) e redução correponde a ganho

de elétrons (H 2 ); b. Transferases. Transferem grupos funcionais (metil, carboxila, acetil);

  • c. Hidrolases. Realizam hidrólises; d. Liases. Adiciona dupla ligação; e. Isomerases.

Forma isômeros; f. Ligases. Forma ligações com a quebra de ATP.

Muitas enzimas realizam sua função catalítica usando só a estrutura protéica.

Outras enzimas requerem estruturas não protéicas chamadas co-fatores os quais são

íons metálicos ou moléculas orgânicas e são chamadas de co-enzimas.

Muitas co-enzimas são vitaminas. Elas são fortemente ligadas à proteína (as co-

enzimas) e quando ligadas são chamadas de grupo prostético.

O complexo ativo proteína + grupo prostético é chamado holoenzima. A proteína

sem o grupo prostético é chamada apoenzima.

Unidade da enzima. Em muitos casos a quantidade molar de uma enzima não é

conhecida. Assim a sua quantidade é expressa em função da atividade. De acordo com

convenção internacional 1U equivale a quantidade de enzima que catalisa e a formação

de um micromol do produto em um minuto.

Isoenzimas. Algumas enzimas existem em mais de uma forma quaternária.

Depende da proporção dos polipeptídeos que ocorre na molécula. Embora todas formas

sejam estruturalmente equivalentes, elas são funcionalmente diferentes. Como exemplo a

lactotodesidrogenase (LDH) ocorre como 5 isoenzimas diferentes, dependendo da

associação tetramérica de duas subunidades diferentes (A e B): A 4 ; A 3 B; A 2 A 2 ; AB 3 ; B 4.

SEQUENCIAMENTO DE PROTEÍNAS

Em 1953, Frederick Sanger sequenciou a insulina, que é formada por duas

cadeias polipeptídicas, uma com 21 aa e outra com 30 aa. Este trabalho foi um marco por

estabelecer que as proteínas são polímeros lineares com uma seqüência de aminoácidos

definida.

Hoje cerca de 20.000 proteínas diferentes já foram seqüenciadas. Algumas

usando-se o método de Sanger e a maioria determinada a partir da seqüência de

nucleotídeo do alelo que codifica a proteína.

Passos para o sequenciamento de uma proteína:

1. Em proteínas com mais de uma cadeia polipeptídica, elas são separadas e purificadas.

No caso de heteromultímeros, as subunidades sempre são unidas por ligações não

covalentes tipo ponte de hidrogênio. Elas são dissociadas pela exposição à pH extremos

(uréia 8M) ou soluções salinas com alta concentração. Em seguida as cadeias

polipeptídicas são separadas com base no tamanho ou carga;

  • 2. Clivagens de pontes S-S intracadeia (Cys-Cys). Se for intercadeia, elas foram

eliminadas no primeiro passo com ácido perfórmico ou 2-betamercaptoetanol;

  • 3. Determinação da composição de aa de cada cadeia;

  • 4. Identificação do aa N terminal e C terminal;

  • 5. Clivagem da cadeia polipeptídica em pequenos fragmentos e determinação da

composição e seqüência de aa (métdodo de Edman);

  • 6. Idem quinto porém, com procedimento diferente de clivagem para se obter diferentes

grupos de fragmentos e fazer sobreposições;

  • 7. Determinação da seqüência de aa da proteína a partir das seqüências dos fragmentos

imbricados;

  • 8. Localização das pontes S-S entre as Cys-Cys.

Método de degradação de Edman.

Fenil isotiocianato reage com NH 2 do N terminal + ácido ameno composto com o

primeiro aa o qual é identificado por cromatografia. Determina-se a seqüência de

fragmento com até 50 aa.

Síntese de proteína in vitro, quimicamente. A síntese é feita no sentido COOH

fase sólida como suporte.

NH 2 em

REVISÃO

- LEITURA IMPORTANTE

Aminoácidos e Proteínas

1. 1. INTRODUÇÃO

Proteínas são as macromoléculas mais abundantes nas células vivas e constituem 50%

ou mais de seu peso seco. Elas se encontram em todas as células e em todas as partes

das células. As proteínas também ocorrem em grande diversidade; centenas de

diferentes tipos podem ser encontradas em uma única célula. Mais ainda, as proteínas

têm diferentes papéis biológicos por serem instrumentos moleculares através dos quais

se expressa a informação genética (Lehninger, 1984; Lehninger, 1991).

A chave da estrutura das milhares de proteínas diferentes entre si é o grupo de moléculas

de unidades fundamentais relativamente simples com as quais as proteínas são

construídas. Todas as proteínas, sejam das mais antigas linhagens de bactérias ou das

formas de vida mais evoluídas, são construídas com o mesmo conjunto de 20

aminoácidos, unidos covalentemente em seqüências características. Devido a cada um

desses aminoácidos ter uma cadeia lateral que lhes confere individualidade química, este

grupo de vinte moléculas de unidades fundamentais pode ser considerado como o

alfabeto da estrutura protéica (Lehninger, 1984; Lehninger, 1991).

É notável que as células podem juntar os 20 aminoácidos em variadas combinações e

seqüências para obter peptídeos (pequena cadeia de dois ou mais aminoácidos) e

proteínas com propriedades e atividades muito diferentes entre si. Com estas mesmas

unidades fundamentais organismos diferentes podem construir produtos amplamente

diversos como enzimas, hormônios, proteínas do cristalino ocular, penas, teias de

aranhas, casca de tartarugas, proteínas nutritivas do leite, encefalinas, antibióticos,

venenos de fungos e muitas outras substâncias que têm atividade biológica característica

(Lehninger, 1984; Lehninger, 1991).

Todos os 20 aminoácidos encontrados em proteínas têm em comum um grupo carboxila

e um grupo amino, ligados ao mesmo átomo de carbono. Eles diferem um do outro por

suas cadeias laterais, ou grupos R, as quais variam em estrutura, tamanho, carga elétrica

e solubilidade em água. Os 20 aminoácidos de proteínas são freqüentemente referidos

como os aminoácidos padrão, primários ou normais, para distinguí-los de outros tipos de

aminoácidos, presentes em organismos vivos, mas não em proteínas. Os aminoácidos

primários receberam abreviações de 3 letras, ou um símbolo de uma única letra (Tabela

1), que são usados para indicar a composição e seqüência dos aminoácidos em cadeias

polipeptídicas.

As proteínas, cujo nome significa “primeiro” ou “o mais importante” são as

macromoléculas mais importantes das células e constituem mais da metade do peso

seco de muitos organismos.

As proteínas são instrumentos através dos quais é expressa a informação genética.

Assim como existem milhares de genes no núcleo celular, cada um especificando uma

característica distintiva do organismo, existem, correspondentemente, milhares de

diferentes espécies de proteínas na célula, cada uma executando uma função específica

determinada por seu gene. As proteínas, dessa forma, não são apenas as

macromoléculas mais abundantes, mas também são extremamente versáteis em suas

funções.

É extraordinário que todas as proteínas em todas as espécies, independentes de sua

função ou atividade biológica, sejam construídas com o mesmo grupo de 20 aminoácidos

primários, os quais por si mesmos não têm atividade biológica intrínseca. O que, então,

conferem a uma proteína atividade enzimática, a outra atividade hormonal, e função de

anticorpo a ainda outras? Como elas diferem quimicamente? Muito simples, as proteínas

diferem uma das outras porque cada uma delas tem uma seqüência distinta de unidades

de aminoácidos. Os aminoácidos são o alfabeto da estrutura protéica, pois eles podem

ser agrupados em um número quase infinito de seqüências para formar um número

quase infinito de diferentes proteínas.

As proteínas podem ser divididas em várias grandes classes de acordo com seus papéis

biológicos, conforme exemplificado na tabela 2.

Tabela 1. Nome e abreviações dos 20 aminoácidos essenciais presentes nas proteínas.

Aminoácido

Abreviação de três letras

Abreviação de uma letra

Alanina

Ala

A

Arginina

Arg

R

Asparagina

Asn

N

Ácido aspártico

Asp

D

Ácido glutâmico

Glu

E

Cisteína

Cys

C

Glicina

Gly

G

Glutamina

Gln

Q

Histidina

His

H

Isoleucina

Ile

I

Leucina

Leu

L

Lisina

Lys

K

Metionina

Met

M

Fenilalanina

Phe

F

Prolina

Pro

P

Serina

Ser

S

Tirosina

Tyr

Y

Treonina

Thr

T

Triptofano

Trp

W

Valina

Val

V

Fonte: Lehninger, 1984 ou 1991.

Tabela 2. Classificação das proteínas de acordo com a função biológica.

 

Classe

Exemplo

Enzimas

Ribonuclease

Tripsina

Proteínas transportadoras

Hemoglobina

Albumina do soro

Mioglobina

1 -lipoproteína

Proteínas nutritivas e de reserva

Gliadina (trigo)

Ovoalbumina (ovo)

 

Caseína (leite)

Ferritina

Proteínas contráteis ou de movimento

Actina

Miosina

Tubulina

Dineína

Proteínas estruturais

Queratina

Fibroína

Colágeno

Elastina

Classe

Exemplo

Proteínas de defesa

Anticorpos

Fibrinogênio

Trombina

Toxina botulínica

Veneno de serpentes

Proteínas reguladoras

Insulina

Hormônio de crescimento

Corticotrofina

Repressores

Fonte: Lehninger (1984 ou 1991).

As sementes de muitas plantas têm proteínas nutrientes necessárias para o

crescimento do embrião da planta. Exemplos particularmente familiares são as proteínas

das sementes do trigo, do milho e do arroz.

As proteínas também podem ser classificadas de acordo com a forma. As

proteínas também podem ser divididas em duas grandes classes com base em sua forma

e certas características físicas: proteínas globulares e proteínas fibrosas. Nas proteínas

globulares a cadeia, ou cadeias, polipeptídica(s) está (ão) fortemente enrolada(s) em uma

forma globular ou esférica. As proteínas globulares usualmente são solúveis em sistemas

aquosos e se difundem facilmente; a maioria tem função móvel ou dinâmica. Quase todas

as enzimas são proteínas globulares, como também são as proteínas sanguíneas de

transporte, os anticorpos e as proteínas de reserva nutritiva. As proteínas fibrosas são

moléculas insolúveis em água, compridas e filamentosas, com a cadeia polipeptídica

estendida ao longo de um eixo ao invés de enroladas em forma globular. A maioria das

proteínas fibrosas tem função estrutural ou protetiva. Proteínas fibrosas típicas são a -

queratina do cabelo e da lã, a fibroína da seda e o colágeno dos tendões (Lehninger,

1984; De Robertis e De Robertis Jr., 1993).

As unidades que constituem as proteínas são os aminoácidos. Um aminoácido é

um ácido orgânico no qual o carbono próximo ao grupo –COOH (chamado de carbono

alfa) está unido também a um grupo –NH 2 . Além disso, o carbono alfa que se liga a uma

cadeia lateral (R) é diferente em cada aminoácido.

Os aminoácidos diferem entre si somente na cadeia lateral; por exemplo, na

alanina, R tem apenas um carbono, enquanto a leucina tem quatro. As propriedades dos

diversos aminoácidos dependem da composição química da cadeia lateral. Assim, a lisina

e a arginina são aminoácidos básicos porque a cadeia lateral contêm um grupo amino

extra; nos aminoácidos ácidos há grupos carboxila adicionais (ácido glutâmico e

aspártico). A união de aminoácidos para formar uma molécula protéica se dá de tal modo

que o grupo ácido de um aminoácido combina com o grupo básico do aminoácido

adjacente, com a perda simultânea de uma molécula de água. A união grupo –NH CO- é

conhecida como ligação peptídica ou ponte peptídica. Quando vários aminoácidos se

unem, formam uma cadeia peptídica.

Comumente se diferenciam quatro níveis na estrutura das proteínas.

A estrutura primária é a sequência de aminoácidos que forma uma cadeia unida

por ligações peptídicas. A sequência linear de aminoácidos de uma proteína determina o

nível mais importante na estrutura da molécula. A importância biológica da sequência de

aminoácidos é exemplificada na enfermidade humana hereditária, a anemia falciforme, na

qual profundas alterações biológicas são produzidas pela substituição de apenas um

aminoácido na molécula da hemoglobina.

A estrutura secundária é a organização espacial de aminoácidos que se

encontram próximos entre si na cadeia peptídica. Algumas regiões podem apresentar

uma estrutura sob a forma de cilindro, ou estrutura -hélice (chamada alfa porque foi a

primeira estrutura descoberta por Pauling e Corey, no início da década de 50). Na -

hélice, a cadeia peptídica está enrolada em torno

de

um cilindro

imaginário e é

estabilizada por pontes de hidrogênio entre o grupo amino de um aminoácido situado

quatro resíduos

à

frente,

na

mesma

cadeia

polipeptídica. Na estrutura em folha

pregueada , os aminoácidos assumem a configuração de uma folha de papel

pregueada, e a estrutura está estabilizada por pontes de hidrogênio entre os grupos

amino e carboxila de diferentes cadeias polipeptídicas. Outros segmentos da proteína

não apresentam estas ligações transversais e assumem, por sua vez, uma configuração

ao acaso (randon coil); isto se deve, em parte, ao fato de certos aminoácidos, como a

prolina, romperem a estrutura helicoidal.

A estrutura terciária é a forma pela qual as regiões helicoidais e de randon coil

se dispõem entre si. Isto é, é a relação tridimensional dos segmentos de aminoácidos que

podem estar muito separados entre si numa seqüência linear.

A estrutura quartenária é a disposição de subunidades protéicas em proteínas

complexas formadas por duas ou mais destas subunidades. Por exemplo, a molécula de

hemoglobina é composta por quatro cadeias polipeptídicas, duas delas denominadas e

duas . A separação e associação das subunidades é suscetível de ocorrer

espontaneamente. A molécula de hemoglobina pode dissociar-se, por ação da uréia, em

duas metades (duas e duas ). Quando se retira a uréia do meio, as metades se

reassociam formando moléculas funcionais completas.

A disposição de uma molécula protéica é predeterminada pela seqüência de

aminoácidos (estrutura primária). Isto pode ser demonstrado por meio de experimentos

nos quais se produz a desnaturação, ou desorganização, da estrutura terciária de uma

proteína submetendo-a a altas temperaturas ou a outras condições não fisiológicas. A

desnaturação de uma proteína provoca, geralmente, a perda de sua atividade biológica.

Os diferentes tipos de ligações servem para manter os quatro níveis da estrutura

da proteína. As ligações covalentes são de dois tipos. A primeira é a ligação peptídica,

que une as subunidades de aminoácidos da seqüência primária. A segunda é a ponte

dissulfeto (ponte S-S, a qual se estabelece entre os grupos –SH de dois resíduos de

cisteína, sendo responsáveis por vários aspectos da estrutura terciária).

Além destas, existem vários tipos de interações fracas que são importantes para

estabelecer a estrutura secundária e terciária. Todas essas ligações fracas são do tipo

não-covalente, e as principais são as seguintes:

 Ligações iônicas ou eletrostáticas, que são o resultado da força de atração entre

grupos ionizados de carga contrária;

 Ligações ou pontes de hidrogênio, formadas quando um próton (H+) é

compartilhado entre dois átomos eletronegativos muito próximos. OH+ pode ser

partilhado entre átomos de hidrogênio ou de oxigênio próximos entre si. São essenciais

para o pareamento específico entre as bases de ácidos nucléicos, proporcionando a força

que mantém unidas as duas cadeias do DNA e permite a codificação específica do DNA

em RNA.

 Interações hidrofóbicas, que correspondem à associação de grupos não polares,

que a fazem de modo a excluir o contato com a água. Nas proteínas globulares, as

cadeias laterais dos aminoácidos mais hidrofóbicos tendem a agregar-se no interior da

molécula, e os grupos hidrofílicos sobressaem na superfície das mesmas. Os resíduos

hidrofóbicos repelem as moléculas de água que envolve a proteína e determinam que a

estrutura globular torne-se mais compacta.

 Interações de Van der Waals, que só produzem quando os átomos estão mais

próximos. Esta proximidade de duas moléculas pode induzir flutuações de carga,

produzindo atrações mútuas à curta distância.

A diferença fundamental entre ligações covalentes e não-covalentes está na quantidade

de energia necessária para romper esta ligação. Em geral as ligações são rompidas pela

intervenção de enzimas, enquanto as não-covalentes se dissociam com facilidade através

de forças físico-químicas.

  • 2. 2.

PROTEÍNAS NAS SEMENTES

Copeland (1976), cita que o conhecimento da composição química da semente é

essencial por várias razões, principalmente porque contém materiais de reservas e

substâncias de crescimento que influenciam na germinação, vigor das sementes, no

armazenamento e longevidade, bem como no seu uso medicinal e agronômico. Além dos

constituintes químicos normais encontrados no tecido de toda planta, as sementes

contém uma quantidade extra de substâncias químicas armazenadas como reserva de

alimento para auxiliar na germinação. Essas reservas são armazenadas primeiramente

como carboidratos, óleo e proteínas. Em adição, as sementes contêm outras substâncias

químicas as quais estão presentes em uma menor taxa de armazenamento, mas servem

na maioria das vezes como substâncias de crescimento e como controladoras do

metabolismo. Comparando com as outras partes da planta, o conteúdo mineral de muitas

sementes é notavelmente baixo e tende a ser centralizado nos tecidos estruturais e no

tegumento. A composição química da semente é basicamente determinada pelos fatores

genéticos, porém o meio ambiente e as práticas culturais, como época de semeadura, a

quantidade de água disponível e adubação também influencia na composição química.

Por causa dos fatores genéticos, a composição química da semente varia largamente

entre as espécies e às vezes entre as variedades.

Sementes com alto teor de proteína e amido são mais higroscópicas do que as

sementes oleaginosas e conseqüentemente mostram uma maior curva de equilíbrio de

umidade. Portanto, sementes de milho e outros cereais pequenos apresentam um teor de

umidade maior em uma dada umidade relativa do ar comparado com sementes de

oleaginosas como linho, girassol e soja. Talvez a incapacidade de sementes oleaginosas

de absorver umidade e mantê-la firmemente, causa uma adição no teor de água que se

torna rapidamente excessiva e contribui para uma deterioração mais rápida das mesmas

em comparação com as amiláceas em níveis de umidade comparáveis.

As proteínas são os componentes básicos de toda célula viva. São polímeros de

aminoácidos sintetizados biologicamente na célula e funcionam como enzimas,

componentes estruturais e materiais de reserva.

As sementes caracterizam-se por apresentarem uma parte das proteínas

metabolicamente ativa, como as enzimas e as nucleo-proteínas, e outra,

metabolicamente inativa. Esta segunda parte representa as proteínas de reserva, cuja

composição varia de acordo com as espécies. As sementes dos cereais apresentam, em

geral, menor teor de proteína, quando comparadas às leguminosas e às sementes ricas

em óleo (tabela 3). Observa-se que, dentre os componentes químicos da semente, as

proteínas sempre se apresentam em menor proporção do que os carboidratos ou os

lipídios, exceção feita à soja.

Tabela 3. Composição química (%) de sementes de algumas espécies.

Espécie

Água

Proteínas

Lipídios

Carboidratos

Cinzas

 
 

Total

Fibra

Feijão

10,9

22,3

1,6

61,3

4,3

3,9

branco

Feijão

10,4

22,5

1,5

61,9

4,2

3,7

vermelho

Milho

13,8

8,9

3,9

72,2

2,0

1,2

Amendoim

5,6

26,0

47,5

18,6

2,4

2,3

Arroz

12,0

7,5

1,9

77,4

0,9

1,2

(não

brunido)

Centeio

11,0

12,1

1,7

73,4

2,0

1,8

Gergelim

5,4

18,6

49,1

21,6

6,3

5,3

Sorgo

11,0

11,0

3,3

73,0

1,7

1,7

Soja

10,0

34,1

17,7

33,5

4,9

4,7

Girassol

4,8

24,0

47,3

19,9

3,8

4,0

Trigo

11,5

9,4

1,8

75,4

1,9

1,7

branco

Adaptado de Watt e Merril (1963).

O teor e a composição de proteínas (aminoácidos) varia em função das

condições do ambiente e das técnicas de cultivo que afetam o estado nutricional das

plantas. Deve-se salientar, neste aspecto, a boa correlação entre a adubação

nitrogenada e o teor de proteínas das sementes para uma série de culturas.

As proteínas são encontradas em todos os tecidos das sementes, apresentando-

se em maiores concentrações no embrião (tabelas 4 e 5). Nas sementes de cereais, as

maiores concentrações são encontradas no embrião e na camada de aleurona do que no

endosperma, pericarpo e tegumento sendo que, no endosperma, as concentrações

diminuem da periferia para o centro (Kent, 1971). Entretanto, netas espécies, como o

endosperma representa a maior porcentagem em peso da semente, a maior quantidade

de proteínas é encontrada nesta parte (tabela 4), diferindo, portanto, das espécies em

que os materiais de reserva são acumulados nos cotilédones (tabela 5).

Tabela 4. Distribuição do porcentual de proteína nas diferentes partes da semente de

milho.

Parte

Proteína

Peso

da

Proporção

do

*

semente

total

 

como um todo

Da semente, da

 

fração específica.

Endosperma

9,4

81,9

74,8

Embrião

18,8

11,9

22,4

Casca

3,7

5,3

2,0

Cobertura da ponta

9,3

0,8

0,8

Semente

inteira,

10,3

99,9

-

intacta

(*) Proteína = N x 6,25

Adaptado de Earle et al. (1946).

Tabela 5. Distribuição do porcentual de proteína nas diferentes partes da semente de

soja.

 

Partes

Proteína

Tegumento

8

Cotilédones

43

Hipocótilo

41

Semente inteira

40

Adaptado de National Soybean Processors Association (1969/1970).

Segundo a classificação de Osborne, as proteínas das sementes podem ser

divididas em quatro classes segundo a sua solubilidade: (1) albuminas - solúveis em

água; (2) globulinas - solúveis em soluções salinas, porém, insolúveis em água; (3)

glutelinas - solúveis em soluções de ácidos fracos ou em soluções alcalinas; (4)

prolaminas - solúveis em soluções de álcoois (70 - 90%). Tal classificação foi proposta na

virada do século e está longe de ser considerada como ideal, devendo ainda sofrer

modificações e estudos mais detalhados para tanto. Ressalta-se que para a solubilização

dessas proteínas são necessários procedimentos extremos, como por exemplo, fervura

em solução tampão contendo o detergente sódio dodecyl sulfeto (SDS), (Bewley & Black,

1994). A maioria das investigações conduzida para a definição dessas classes protéicas

foi feita com várias espécies de sementes dentre as plantas cultivadas, contudo, dar-se-á

destaque às leguminosas e aos cereais, dadas a sua importância tanto na nutrição

humana como na animal.

As glutelinas e prolaminas são, na maioria dos cereais (arroz, centeio, cevada, milho,

sorgo, trigo), os componentes mais abundantes das proteínas (em torno de 80 a 90%),

enquanto que as albuminas e globulinas contribuem, nestas espécies referidas, com

menores porcentuais, em torno de 20% ou menos. Na aveia, entretanto, as globulinas

são as predominantes, representando em torno de 56% da proteína de reserva (Bewley e

Black, 1985). Também, Mayer e Poljakoff-Mayber (1978), dizem que a divisão das

proteínas de armazenamento em prolaminas e glutelinas é arbitrária, dado o método de

obtenção, sendo, portanto mais interessante referir-se às proteínas bem conhecidas,

cujas propriedades estão bem investigadas. Desta forma, no caso das prolaminas, tem-se

a gliadina no trigo, hordeína na cevada, a zeína no milho, a kafirina no sorgo, a avenina

na aveia e a orizina no arroz, enquanto para as glutelinas, existe a glutelina no trigo, a

hordenina na cevada e a orizinina no arroz.

Nas dicotiledôneas, as prolaminas, em muitos casos, estão ausentes ou em

baixo teor, enquanto as glutelinas ocorrem em níveis superiores aos daquelas. As

globulinas são, nas leguminosas, as principais proteínas armazenadas, representando

acima de 70% do total de N da semente (Bewley e Black, 1985). Estas proteínas estão

bem definidas para estas espécies, das quais as principais são a legumina e a vicilina. A

glicinina na soja, a araquina e a conaraquina no amendoim e faseolina, no feijão, são

globulinas específicas.

No embrião das sementes de milho predominam as albuminas e globulinas, e no

endosperma, as zeínas e glutelinas (Reines et al., 1973). Existem diferenças marcantes

na composição das proteínas presentes no endosperma do milho e, no ponto de vista

nutricional para o homem, a zeína é de baixa qualidade em relação às demais devido a

sua deficiência em lisina e triptofano (tabela 6).

Tabela 6. Composição (mg/100g) em termos de aminoácidos do endosperma do milho.

 

Aminoácidos

Albumin

Globulin

Zeín

Glutelin

 

a

a

a

a

Lisina

44

41

1

18

Histidina

16

25

8

18

Amônia

(

glutamina

e

84

80

148

202

asparagina)

Arginina

43

72

10

30

Ácido aspártico

 

73

58

41

49

Treonina

45

28

24

34

Serina

48

53

52

47

Aminoácidos

Albumina

Globulina

Zeína

Glutelina

Ácido glutâmico (glutamina)

 

86

114

166

131

Prolina

45

33

94

73

Glicina

93

73

17

62

Alanina

85

60

110

79

Valina

50

49

31

45

Metionina

10

7

10

25

Isoleucina

28

23

31

29

Leucina

49

45

151

85

Tirosina

49

17

31

31

Fenilalanina

21

28

43

27

Triptofano

6

4

0

3

Fonte: Reines et al. (1973).

Durante o desenvolvimento das sementes, verifica-se que o teor de proteína

apresenta comportamento distinto, em função da espécie. Madison et al. (1976)

constataram, desta forma, que o teor de proteína mantém-se relativamente constante

durante o desenvolvimento das sementes de “kidney bean”, enquanto, em sementes de

ervilha, amendoim e soja este teor aumenta durante o desenvolvimento. Yazdi-Samadi et

al. (1977), por sua vez, observaram que havia também variações no teor dos

aminoácidos durante o desenvolvimento da semente, havendo alguns que aumentaram

(como exemplo: serina, valina, isoleucina) e outros que diminuíram (histidina, alanina),

em função da cultivar estudada.

A porcentagem de proteínas nos cereais é tida como suficiente para satisfazer as

necessidades dos seres humanos, desde que, quantidades adequadas de calorias sejam

consumidas, contudo é insuficiente para suportar o crescimento de animais domésticos.

Ainda, a composição de aminoácidos, tanto em proteínas de cereais como de

leguminosas, não se completam perfeitamente para satisfazer as necessidades de

humanos ou de animais.

As proporções das diferentes classes de proteínas em cereais são mostradas na

tabela 7, de acordo com Payne & Rhodes (1982).

Tabela 7. Composição protéica aproximada de alguns cereais (em porcentagem) e o

nome comum de algumas proteínas de reserva.

 
 

Cereal

Albumina

Globulina

Prolamina

Glutelina

Trigo

9

5

40(gliadina)

46(glutenina)

Milho

4

2

55 (zeína)

39

Cevada

13

12

52(hordeína)

23(hordenina)

Aveia

11

56

9 (avenina)

23

Arroz

5

10

5 (oryzina)

80 (oryzenina)

Sorgo

6

10

46 (kafirina)

38

Fonte: Payne & Rhodes (1982).

Nos endospermas de milho, cevada e sorgo a maior porcentagem de proteínas de

reserva é constituída pelas prolaminas, as quais são encontradas somente em

monocotiledôneas; no trigo são as glutelinas e na aveia são as globulinas que

predominam. As globulinas são proteínas de reserva do embrião dos cereais e é por esse

motivo que elas representam uma pequena fração das proteínas de reserva, quando se

considera a demais parte da semente.

A fração de aminoácidos presentes no total da fração protéica dos cereais

(tabela 8) é fortemente influenciada, como não poderia deixar de ser, pela natureza da

maior fração de proteína de reserva presente (Earle & Hubbard, 1946).

Albuminas e globulinas não são seriamente deficientes em aminoácidos

específicos e, portanto, do ponto de vista nutricional, a aveia é uma boa fonte de proteína

na dieta, sobretudo para animais em reprodução. Em grão de cevada e milho, entretanto,

onde as prolaminas são elevadas, a lisina é seriamente limitante; além, o triptofano é

baixo e os níveis de treonina são nutricionalmente limitantes. Prolaminas contêm teores

elevados de prolina e ácido glutâmico (Frey, 1977; Bewley & Black, 1994). Tentativas têm

sido feitas para modificar a composição de aminoácidos de cereais ricos em prolaminas,

como a cevada e o milho, em particular com o objetivo de aumentar o conteúdo de lisina.

Cita-se a existência de mutantes de milho e cevada ricos nesse aminoácido, como

verificado na tabela 8. Ressalta-se que esses mutantes contêm menores níveis de

prolaminas e mais glutelinas ricas em lisina, resultando em alteração da composição total

dos aminoácidos (Weber, 1980).

Tabela 8. Porcentagem de aminoácidos em proteínas de grãos de aveia, milho normal e

opaco - 2 e cevada normal e hiprolótica.

 

Milho

Cevada

Aveia

Aminoácido

Normal

Opaco2

Normal

Hiprolítica

Alanina

10.0

7.2

3.8

4.3

5.0

Arginina

3.4

5.2

4.6

4.9

6.9

Ac,Aspártico

7.0

10.8

6.0

6.8

8.9

Cistina b

1.8

1.8

1.1

0.9

1.6

Ác.Glutâmico

26.0

19.8

26.8

23.9

23.9

Glicina

3.0

4.7

3.6

3.9

4.9

Histidina

2.9

3.2

2.1

2.2

2.2

Isoleucina b

4.5

3.9

3.7

3.9

3.9

Leucina b

18.8

11.6

6.7

7.1

7.4

Lisina b

1.6

3.7

3.4

4.2

4.2

Metionina b

2.0

1.8

1.2

1.5

2.5

Fenilanina b

6.5

4.9

5.9

5.9

5.3

Prolina

8.6

8.6

12.6

11.3

4.7

Serina

5.6

4.8

4.3

4.4

4.2

Treonina b

3.5

3.7

3.4

3.6

3.3

Triptofano b

0.3

0.7

___

___

___

Tirosina b

5.3

3.9

2.8

2.8

3.1

Valina

5.4

5.3

4.8

5.3

5.3

b Aminoácidos essenciais, que devem ser providos à dieta animal, pois os mesmos não

são capazes de sintetizá-los.

Fonte: Frey (1977).

Caracteristicamente, as proteínas de armazenamento (holo - proteínas) são

oligômeras, isto é, elas são feitas de duas ou mais subunidades que podem ser

separadas, usando condições de dissociação adequadas. Essas subunidades, por sua

vez, podem ser constituídas de determinado número de cadeias de polipeptídeos, as

quais variam na composição de aminoácidos entre as subunidades "homólogas". Esta

variação resulta em considerável heterogeneidade entre as proteínas nativas. Por

exemplo, a fração prolamina do milho (zeína) consiste de duas grandes subunidades de

massa molecular de 23 e 21 kDa e uma subunidade menor de 13,5 kDa; a separação

dessas subunidades, com base em suas cargas moleculares (separação isoelétrica),

mostra que, juntas, elas se constituem de aproximadamente 30 polipeptídeos.

Complexidade similar é mostrada pela prolamina do trigo (gliadina), a qual é separável

em quatro grandes subunidades ( , , e ), compostas aproximadamente de 46

polipeptídeos. As glutelinas do trigo são ainda mais complexas, sendo polímeros

compostos de proteínas que vão desde 11 até 133 x 10 2 kDa. Portanto, a maioria das

proteínas de armazenamento deve ser encarada não como uma única proteína, mas

como um complexo de proteínas individuais ligadas por grupos dissulfito, pontes de

hidrogênio, ligações iônicas e hidrofóbicas (Bewley & Black, 1994).

De acordo com Shewry & Tatham (1990) algum entendimento vem sendo obtido

sobre a relação evolucionária entre as prolaminas e as glutelinas de cereais. No trigo e na

cevada há três tipos de prolaminas: ricas em enxofre, pobres em enxofre e as de alto

peso molecular (HMW). As quais possuem domínios (regiões de sequencias de

aminoácidos) semelhantes. Por exemplo, ambas as ricas e pobres em enxofre, contêm

domínios ricos em prolina, então, estas duas proteínas provavelmente compartilharam a

mesma origem evolucionária. Outras três regiões conservadas A, B e C, contendo a

maior parte da cisteína, também foi encontrada, mas com diferentes extensões, nos três

tipos de proteínas (figura 1a). Essas regiões são flanqueadas e interrompidas por outra,

variável em seqüência, que devido às suas similaridades na composição de aminoácidos,

são tidas como tendo uma origem comum. As prolaminas ricas em enxofre e as HMW

apresentam A, B e C, mas as prolaminas pobres em enxofre apenas apresentam um

vestígio de C. Ambas as três proteínas podem ter se originado de uma subunidade

protéica ancestral de aproximadamente 90 aminoácidos contendo A, B e C, como mostra

a figura 1b. Durante a evolução, as maiores mudanças nas prolaminas ricas em enxofre e

HMW, foram a inserção de repetidas sequencias entre A, B e C e regiões de

flanqueamento. Tais seqüências foram amplificadas na prolamina pobre em enxofre, a

qual perdeu A e B, restando apenas uma parte de C.

Figura 1a*. Relações entre prolaminas de cereais e outras proteínas. Domínio de aminoácidos de diversas proteínas.

Figura 1a*. Relações entre prolaminas de cereais e outras proteínas. Domínio de

aminoácidos de diversas proteínas. Os números se referem à posição do aminoácido na

cadeia de polipeptídeos.

Similaridades vêm sendo evidenciadas entre as citadas prolaminas em trigo e

cevada com outras proteínas. Por exemplo, zeína também possui as regiões A, B e C,

mas nenhuma das sequencias repetidas: ao invés, uma região rica em metionina está

inserida entre B e C (figura 1a). A proteinase/ amilase inibidora, em cevada, consiste

quase que exclusivamente de A, B e C. E, das duas subunidades proteína 2S em feijão,

uma possui a seqüência A e, a outra, as regiões B e C. Finalmente, a albumina 2S, no

girassol, possui as regiões B e C, apesar do cDNA dessa proteína possuir a seqüência de

bases para codificar a região A; a razão para essa discrepância é desconhecida.

O número de genes codificando as diferentes proteínas varia consideravelmente

entre as diferentes prolaminas. Por exemplo, há uma grande família, mais de 100, genes

da gliadina do trigo, mais ou menos o mesmo número para -zeína no milho, enquanto

que as outras zeínas ( , e ) possuem apenas um ou dois genes.

Figura 1b*. Esquema mostrando as possíveis mudanças evolucionárias que ocorreram nas prolaminas e proteínas correlatas. *

Figura 1b*. Esquema mostrando as possíveis mudanças evolucionárias que ocorreram

nas prolaminas e proteínas correlatas.

* Extraídas de Shewry & Tatham (1990)

Os grãos de leguminosas são a segunda maior fonte de proteínas, após os

cereais. Nutricionalmente, eles são deficientes em aminoácidos sulfurados (cistina e

metionina), mas ao contrário dos grãos de cereais, o conteúdo de lisina é adequado

(tabela 9). A maior reserva de proteínas são as globulinas, as quais contribuem para 70%

do nitrogênio total presente nos grãos. As globulinas podem ser distintas em duas

grandes famílias de proteínas, as quais diferem em massa molecular e, durante a

ultracentrifugação, sedimentam com coeficientes de sedimentação (S) de

aproximadamente 7 (média de 7 - 8) e 11 (média de 11 - 13). Estas são as proteínas 7 S

(grupo vicilina) e a 11 S (o grupo legumina). Ambas são holoproteínas que formam uma

série de polímeros relacionados, contudo, cada tipo (vicilina ou legumina) pode diferir

quantitativamente ou qualitativamente na composição com relação às subunidades

(Derbyshire et al., 1976).

As globulinas11S ocorrem na forma de complexos hexaméricos de 320 - 400

kDa, compostas de 6 subunidades (52 - 65 kDa) não-idênticas. Cada subunidade contém

um polipeptídeo ácido (pI~6.5) de 33 - 42 kDa e um polipeptídeo básico (pI~9) de 19 - 23

kDa. Os polipeptídeos ácido e básico são ligados por uma única ligação dissulfito (figuras

2 e 3). Comparadas com as proteínas 11 S, as globulinas 7 S têm estruturas mais

variadas. Elas estão presentes nas sementes como um complexo trimérico de 145 - 190

kDa, compostos de três polipeptídeos não-idênticos de 48 - 83 kDa. Em alguns legumes,

como por exemplo, a ervilha, os polipeptídeos sofrem uma série de clivagens

proteolíticas, de forma a apresentar tamanhos variando entre 12 a 75 kDa (tabela 10). Em

outras espécies, incluindo soja e feijão, nenhum processo proteolítico ocorre. Na maior

parte, senão no total, as proteínas 7 S são completamente deficientes em cisteína e

conseqüentemente, os polipeptídeos não são ligados por ligações dissulfídicas (Larkins,

1981; Shewry & Tatham, 1990; Bewley & Black, 1994).

Para esclarecer a complexidade das proteínas de armazenamento nas sementes

de leguminosas, tomar-se-á como exemplo apenas uma espécie, a soja. Dentre as

globulinas, a maior fração presente em sementes maduras é a gliacinina (legumina), a

qual provavelmente possui quatro subunidades básicas e quatro subunidades ácidas,

tornando-se uma holoproteína 12.3 S de 330 kDa. A fração 7 S, - e -conglicinina,

também contêm grupos heterogêneos de proteínas. -Conglicinina que é a forma

predominante de vicilina, possui massa média de 160 kDa e é composta de três

subunidades: e ' de 57 kDa e de 42 kDa. Estas podem se combinar em seis

diferentes formas isoméricas, de diferentes composições de subunidades (por exemplo:

, ' , , , ' , e ), cada uma variando pouco com relação à composição de

aminoácidos e carboidratos (os carboidratos presentes são geralmente glucose, manose

ou glucosamino, de 0,5 a 1,5%, porque muitas subunidades das proteínas 7 S são

glicosidadas durante a sua deposição). As proteínas de reserva da soja também contêm

a forma 2 S, a -conglicinina, que são heterogêneas e incluem diversas enzimas, bem

como, a que inibe a atividade da tripsina. Proteínas de reserva das demais leguminosas

mostram igual complexidade.

Tabela 9. Composição de aminoácidos das proteínas 7 S e 11 S (globulinas) de

sementes de soja (expressas como % mol).

 
 

Aminoácido

11 S

7 S

Alanina

6.2

3.7

Arginina

5.6

8.8

Ác Aspártico

11.7

14.1

Cistina

0.6

0.3

Ac. Glutâmico

21.4

20.5

Glicina

7.5

2.9

Histidina

1.7

1.7

Isoleucina

4.1

6.4

Lisina

3.9

7.0

Metionina

1.3

0.3

Fenilanina

4.6

7.4

Prolina

6.5

4.3

Serina

6.0

6.8

Treonina

3.8

2.8

Triptofano

0.8

0.3

Tirosina

2.7

3.6

Valina

5.2

5.1

Fonte: Derbyshire et al. (1976).

Conforme descrito em Krochko & Bewley (1988) e em Bewley & Black (1994), a

composição polipeptídica de proteínas de reserva 7 S e 11 S são distinguíveis em

eletroforese em gel de poliacrilamida (PAGE), para tanto, as vicilinas e leguminas de

alfafa são mostradas na figura 4, como exemplo.

Tabela 10. Composição, em subunidades, das Globulinas de armazenamento de alguns

legumes.

 

Coeficiente de

 
 

Sedimentação

Nome da

Espécie

Aproximado (S)

Massa

Holoproteína

Subunidade (kD

 

kDa

Pisum

7 - 8

186

Vicilina

12,14,18,24,30,5

sativum

(ervilha)

12 - 13

360

Legumina

18,20,25,27,37,4

Vicia

7

150

Vicilina

31,33,46,56

fava

(feijão

11 - 14

328

Legumina

20,37

broto)

P.vulgaris

6,5 - 7,5

150

Glicoproteína I

43,47,53

(feijão)

11

340

GlicoproteínaII

30,32,34

Medicago

7

150

Alfina

14,16,20,32,38,5

sativa

(alfafa)

11

360

Medicagina

59,63,64,65,67,6

Glycine

7

- 8

160

-conglicinina

42,57

max

(soja)

12

330

Glicinina

19,37,42

Adaptado de Casey et al. (1986).

Diversas proteínas de armazenamento são extraídas em soluções tampão de

baixa concentração salina, incluindo a maior parte da fração 7 S (uma vicilina chamada

de alfina, tabela 4), algumas proteínas de alto peso molecular (HMW) e a proteína 2 S de

baixo peso molecular (LMW) (figura 2, faixa A). Esta separação eletroforética ocorre com

base no tamanho, as subunidades de alfina vão de 14 até 50 kDa (faixa A). Quando essa

fração protéica é tratada com

-mercaptoetanol, um agente redutor, o qual quebra

ligações dissulfidicas entre cadeias de polipeptídeos adjacentes, as posições das

unidades no gel permanecem inalteradas (figura 2a e 2b). Isso mostra que nenhuma

ligação entre as cadeias foi quebrada e, que os polipeptídeos componentes da proteína 7

S não são unidos por ligações dissulfito. A proteína 11 S (legumina) chamada

medicagina, apenas é solúvel em soluções tampão de alta concentração salina. Isto

provoca a separação eletroforética com a formação de bandas indo de 59 até 69 kDa

(figura 4, faixa C). Após tratamento com -mercaptoetanol, a proteína 11 S corre pelo gel

como grupos de subunidades (A 1-7 ) de 40 até 49 kDa e outro grupo de 20 até 24 kDa (B 1-

3 ), na faixa D. Isto porque as ligações dissulfito entre as cadeias foram quebradas pelo

agente redutor e os polipeptídeos individuais, componentes de cada subunidade foram

liberados.

Os polipeptídeos A são ácidos, devido ao seu ponto isoelétrico (pI) estar situado

aproximadamente em pH 6 e, os polipeptídeos B são básicos (pI aproximadamente em

pH 7,5). A proporção entre os aminoácidos ácidos e básicos em um polipeptídeo

determina o pI.

Verifica-se relativa complexidade com relação à composição das proteínas 11 S,

uma vez que, polipeptídeos individuais podem variar o seu conteúdo em aminoácidos e

assim, apresentar pequenas variações na carga. Há, por exemplo, de 30 - 40 isômeros

carregados de polipeptídeos ácidos em alfafa, com pI indo de 5,4 até 6,5.

O tamanho da holoproteína 11 S da alfafa é de aproximadamente 360 kDa. As

subunidades individuais dessa proteína estão constituídas por um polipeptídeo ácido,

ligado por ligação dissulfidica em um polipeptídeo básico. Uma vez que, cada subunidade

tem peso molecular de aproximadamente 60 kDa é justificável que a holoproteína seja

feita de 6 subunidades.

A composição típica de uma proteína 11 S e a sua relação com as suas

subunidades e com os polipeptídeos correspondentes é detalhada na figura 3.

Figura 3. Gel de eletroforese (SDS - PAGE) de vicilina e albumina (S-1), solúveis em baixas

Figura 3. Gel de eletroforese (SDS - PAGE) de vicilina e albumina (S-1), solúveis em

baixas concentrações do sal e, legumina (S-2) solúvel em altas concentrações do sal.

Amostras reduzidas (+ME, B e D) e não reduzidas (A e C) são mostradas em faixas

adjacentes. As principais proteínas e os pesos moleculares são indicados. Extraído de

Krochko & Bewley (1988).

De acordo com Bewley & Black (1994), muitas proteínas de reserva são decodificadas

por um grande número de genes e, pequenas variações nos códons resultam em,

também, pequenas variações na composição de aminoácidos das proteínas resultantes.

Não obstante isso, todos os genes (cDNAs) das globulinas de diferentes espécies que

foram seqüenciadas mostram certa similaridade com o tipo legumina ou vicilina. Certas

seqüências de bases e, portanto, seqüências de aminoácidos, são conservadas em todas

as leguminas e vicilinas, independente da espécie de planta considerada. Portanto, essas

proteínas são tidas como originadas de dois genes ancestrais. Corroborando tais

relações, esta o fato de que propriedades antigênicas similares são compartilhadas pelas

leguminas e vicilinas de diferentes sementes. Durante a evolução, mudanças ocorreram

nesses dois genes ancestrais, resultando em vários tipos diferentes de globulinas que

agora são reconhecíveis. Algumas perdas gênicas também ocorreram, por exemplo, as

vicilinas não ocorrem nas famílias as quais pertencem as Brassicas e o girassol

(Brassicaceae e Asteraceae, respectivamente).

Figura 4. Componentes de uma proteína 11 S de armazenamento quando submetida à extração em alta

Figura 4. Componentes de uma proteína 11 S de armazenamento quando submetida à

extração em alta concentração do sal e ao agente redutor -mercaptoetanol (ME).

Extraído de Krochko & Bewley (1988).

Nem todas as proteínas de reservas das sementes têm características nutricionais

desejáveis. Inibidores enzimáticos podem reduzir a eficiência das hidrolases, etc., no trato

digestivo de animais. Lectinas, as quais são usualmente glicoproteínas, têm a capacidade

de se ligar com a superfície das células de animais, muitas vezes causando aglutinação

(especialmente em eritrócitos), por exemplo, concanavalina A em sementes de jack bean

(Canavalia ensiformis) e, algumas vezes, as lectinas são chamadas de

fitohemaglutininas. Qualquer efeito tóxico das lecitinas pode ser eliminado através do uso

de tratamento com calor. Por exemplo, rações que incluem em sua composição o feijão

castor (Ricinus communis), podem ser ministradas ao gado após a extração do óleo de

castor e aquecimento.

Mandelonitrilo liase (MDL) é uma glicoproteína do endosperma de sementes de

cereja preta (Prunus serotina) e é uma enzima envolvida na degradação do dissacarídio

cianogênico amigdalina. Tal pode ser importante nessa e em outras sementes

cianogênicas para a produção de HCN, quando os tecidos são lesionados por patógenos,

por exemplo. Muitas sementes possuem proteínas que podem fazer parte de

mecanismos de defesa contra pestes e predadores; por exemplo, espécies selvagens de

Phaseolus vulgaris contêm a glicoproteína arcelina, a qual confere resistência contra

alguns brucídeos, enquanto que espécies domésticas de P. vulgaris, parecem ter essa

resistência conferida pela -amilase inibidora. Citinase, uma enzima que confere

resistência ao ataque de fungos, foi isolada de sementes secas de diversas mono e

dicotiledôneas. Algumas dessas enzimas posem ter o papel duplo de ser proteínas de

reserva e de defesa, quando a semente é objeto de predação.

As proteínas de reserva encontram-se normalmente depositadas em organelas

celulares denominadas corpúsculos de proteína. O diâmetro dessa organela varia de 0,1

a 25 m (Bewley e Black, 1985), e é envolvida, pelo menos durante o seu

desenvolvimento, por uma membrana simples. Estes corpúsculos podem ocorrer em todo

o embrião ou endosperma, ou, outras vezes, restringem-se a uma camada (camada de

aleurona). Têm sido às vezes denominados de grãos de aleurona, termo este não aceito

por todos. Em sementes maduras e secas de algumas sementes, por exemplo, em

cereais, a membrana é incompleta ou ausente, deixando a proteína dispersa no

citoplasma, contudo, isto é incomum. Alguns corpúsculos protéicos são simples em sua

estrutura, consistindo de uma matriz protéica circundada por uma membrana. Inclusões

freqüentemente ocorrem, particularmente de cristalóides ou globóides e, mais raramente

de cristais de oxalato de cálcio. Os cristalóides são inclusões proteináceas insolúveis (em

água ou tampão) “acomodadas” na matriz solúvel da proteína. Por exemplo, em feijão

castor, o cristalóide é uma p