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Princípios do Direito Penal

1.Princípios explícitos: 1.1. legalidade 1.2. Anterioridade 1.3. Retroatividade da lei


penal mais benéfica 1.4. Humanidade 1.5. Personalidade ou responsabilidade pessoal
1.6. Individualização da pena 2. Princípios implícitos: 2.1. Intervenção mínima 2.2.
Subsidiariedade 2.3. Fragmentariedade 2.4. Ofensividade ou lesividade 2.5.
Insignificância ou bagatela 2.6. Adequação social 2.7. Taxatividade 2.8.
Proporcionalidade 2.9. Vedação da dupla punição pelo mesmo fato 2.10. Culpabilidade

1. PRINCÍPIOS EXPLÍCITOS

1.1. Legalidade (Art. 1º do CP e art. 5º, XXXIX da CF)


É uma forma de limitação do Direito Penal para atuar somente dentro da
lei, dentro das normas positivadas.

1.2. Anterioridade
Significa que uma lei penal incriminadora somente pode ser aplicada a
um fato concreto, caso tenha tido origem antes da prática da conduta para a qual se
destina.

1.3. Retroatividade da lei penal mais benéfica

Abre exceção à regra geral, existente em direito, acerca da


irretroatividade quando se ingressa no campo das leis penais benéficas. Elas podem
voltar no tempo para favorecer o agente, ainda que o fato tenha sido decidido por
sentença condenatória, com trânsito em julgado. (art. 5º, XL da CF; art. 2º, parágrafo
único do CP).

1.4. Humanidade

Significa que o direito penal deve pautar-se pela benevolência,


garantindo o bem-estar da coletividade, incluindo-se os condenados. Estes não devem
ser excluídos da sociedade somente porque infringiram a norma penal, tratados como se
não fossem seres humanos.
Por isso estipula a Constituição que não haverá penas: 1) de morte
(exceção feita à época de guerra declarada, conforme previsão do Código Penal
Militar); 2) de caráter perpétuo; 3) de trabalhos forçados; 4) de banimento; 5) cruéis
(art. 5º, XLVII), bem como que deverá ser assegurado o respeito à integridade física e
moral do preso (art. 5º, XLIX).

1.5. Personalidade ou responsabilidade pessoal (art. 5º, XLV,


primeira parte, CF)

Responde pela conduta o agente que a praticou, sendo sua


responsabilidade pessoal, não sendo transferível a terceiros. Daqui podemos citar o
princípio da intrascendência, que é basicamente isso: a responsabilidade penal não passa
para terceiros.

1.6. Individualização da pena ( art.5º, XLVI da CF)


A pena não deve ser padronizada, cabendo a cada delinquente a exata
medida punitiva pelo que fez. Não teria sentido igualar os desiguais, sabendo-se, por
certo, que a prática de idêntica figura típica não é suficiente para nivelar dois seres
humanos.
Assim, o justo é fixar a pena de maneira individualizada, seguindo-se os
parâmetros legais, mas estabelecendo a cada um o que lhe é devido

2. PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS
2.1. Intervenção mínima

Só se deve recorrer ao Direito Penal se outros ramos do direito não forem


suficientes. Em outras palavras, é a ultima opção, para ser usado quando estritamente
necessário.

2.2. Subsidiariedade

O direito penal deve ser visto como subsidiários aos demais ramos do
direito. Fracassando outras formas de punição e de composição de conflitos, lança-se
mão da lei penal para coibir comportamentos desregrados, que possam lesionar bens
jurídicos tutelados.
2.3. Fragmentariedade

Nem todas as lesões a bem jurídicos protegidos devem ser tuteladas e


punidas pelo direito penal, pois este constitui apenas uma parte do ordenamento
jurídico. Fragmento é apenas a parte de um todo, razão pela qual o direito penal deve
ser visto, no campo dos atos ilícitos, como fragmentário, ou seja, deve ocupar-se das
condutas mais graves, verdadeiramente lesivas à vida em sociedade, passíveis de causar
distúrbios de monta à segurança pública e à liberdade individual. O mais deve ser
resolvido pelos outros ramos do direito, por meio de indenizações civis ou punições
administrativas.

2.4. Princípio da ofensividade ou lesividade

Somente podem ser criados tipos penais incriminadores capazes de


ofender um bem jurídico alheio, devidamente tutelado. Em outras palavras, não se
poderia aceitar a incriminação de uma conduta não lesiva – ou provocadora de ínfima
lesão – a bem jurídico determinado.

2.5. Insignificância ou bagatela

Somente lesões mais relevantes devem sofrer intervenção penal, levando


em conta bens jurídicos mais importantes. Deve-se analisar se houve uma mínima
ofensividade, se houve periculosidade social da ação, se há reprovabilidade relevante no
comportamento.

2.6. Adequação social


Condutas historicamente aceitas e consideradas adequadas pela sociedade
em tese não merecem intervenção penal punitiva, não sendo abrangidas pelos tipos
penais.
Exemplo: As mães perfuram as orelhas das suas filhas. Muitas pessoas
fazem tatuagem. Essas condutas são formalmente típicas, ou seja, acham-se descritas na
lei penal, em razão da ocorrência de uma lesão corporal. Apesar disso, não são
consideradas um crime porque são socialmente aceitas e não atentam contra a
Constituição Federal.
2.7. Taxatividade
Taxativo significa limitativo, restrito, apertado ou estreito. A taxatividade
dos tipos penais tem a finalidade de aclarar o objetivo de cada figura criminosa,
permitindo a exata captação do sentido dos modelos. Com isso, estabelece-se a relação
de confiança entre o Estado e o indivíduo, tornando-se seguro o contorno entre o ilícito
penal e o extrapenal.
Significa que as condutas típicas, merecedoras de punição, devem ser
suficientemente claras e bem elaboradas, de modo a não deixar dúvida, em relação ao
seu cumprimento, por parte do destinatário da norma.

2.8. Proporcionalidade

A proporcionalidade indica a harmonia e a boa regulação de um sistema,


abrangendo, em direito penal, particularmente, o campo das penas. A Constituição
Federal sinaliza a preferência por determinadas sanções penais, a saber: “a lei regulará a
individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição
da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa ou interdição de
direitos” (art. 5º, XLVI).
O primeiro objetivo deve ser seguido pelo legislador, quando cria um
novo tipo incriminador ou quando pretende alterar a espécie, forma ou quantidade de
sanção penal. O segundo, voltando-se ao juiz, indica-lhe a razoável proporção entre o
peso da sanção e o dano provocado pela infração penal.

2.9. Vedação da dupla punição pelo mesmo fato

Significa que ninguém deve ser processado e punido duas vezes pela
prática da mesma infração penal (ne bis in idem).Se não há possibilidade de processar
novamente quem já foi absolvido, ainda que surjam novas provas, é lógico não ser
admissível punir o agente outra vez pelo mesmo delito.

2.10. Princípio da culpabilidade (nullum crimen sine culpa)


É preciso que exista dolo ou culpa na conduta do agente para que este
seja penalmente responsabilizado. Só haverá responsabilidade penal se o agente for
imputável, que possui consciência da ilicitude.