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ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

-EMERJ-

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITO PARA A


CARREIRA DA MAGISTRATURA

PROGRAMA DO CURSO

CPII C 1 2018 – TÉCNICA DE SENTENÇA

As aulas do módulo serão ministradas nas seguintes datas: 21/2, 23/3 e


18/4.

SESSÃO V: Dia 18/4/2018 - 18h às 19h 50min

Prof. Dr. Ricardo Alberto Pereira

TEMA: Civil. Ação regressiva. Seguro de veículo. Ressarcimento de valor


pago.

CASO CONCRETO:

Azimute Segura Companhia de Seguros ajuizou ação de regresso em


face de Alfredo Lopes, alegando que mantinha com Caio Maciel, por meio de
contrato de seguro, cobertura securitária por eventual dano que viesse a
acontecer com o veículo VW Golf, placa ABC 6789.
Aconteceu que no dia 17/6/2016, na BR 101, km 319, em São
Gonçalo, o veículo segurado, quando teve de diminuir a velocidade e parar por
causa de um engarrafamento, sofreu uma colisão por um veículo de transporte de
passageiros, conduzido pelo réu, que vinha logo atrás, conforme aviso de sinistro
nº 531.172944.2016.0.
Dessa forma, a autora iniciou a regulação do sinistro, efetuando o
pagamento de indenização no valor de R$ 20.341,00, conforme demonstra, a fls.
20-27, com cópia da apólice, da transferência bancária e do comprovante de
indenização e quitação assinada pelo segurado. Assim, o veículo foi objeto de
indenização integral, ou seja, a autora efetuou a venda do salvado na ordem de
R$ 9.400,00, restando ao réu o pagamento de R$ 10.941,00, conforme revelam,
a fls. 28-31, notas fiscais e termo de quitação em anexo.
Afirma a autora que o réu deveria ter atenção nas condições de
tráfego, uma vez que as leis de trânsito estabelecem nitidamente que os
motoristas devem dirigir com atenção e manter uma distância segura em relação
aos demais. Levando em consideração que o local apresenta retenções diárias
no horário do acidente e que a atenção deveria ser redobrada, já que o caso diz
respeito a transporte de pessoas, de forma indubitável decorre a culpa do réu. O
acidente poderia ser evitado, caso o réu houvesse respeitado uma distância
segura em relação ao carro da frente.
Por esses motivos, invocando por derradeiro o argumento de que o
caso comporta verdadeira sub-rogação nos direitos do segurado, a autora pede
que o réu seja condenado ao pagamento de R$ 10.941,00, devidamente
atualizados monetariamente e com juros desde a data do desembolso, ou seja,
16/7/2016, além de condenação nas custas processuais e honorários
advocatícios.
Alfredo Lopes, em contestação, preliminarmente, invoca a ilegitimidade
passiva, haja vista que, conforme comprova com os documentos em anexo, no
momento em que se envolveu no acidente, estava a serviço da empresa Belas
Fotografias Ltda. O veículo usado era objeto de trabalho cedido pelo empregador,
quem deve ser o verdadeiro responsável, por determinar as tarefas e as rotas a
serem observadas.
No mérito, o réu alega que não teve culpa no acidente, já que não
conseguiu parar a tempo por causa de um problema mecânico. Além disso, o
policial que registrou o boletim de ocorrência não acatou nenhuma informação
fornecida, isto é, não fez constar o nome da pessoa jurídica verdadeiranente
responsável, o que obviamente não poderia ocorrer.
Portanto, se a culpa e o dolo não ficaram comprovados, não poderia
haver o dever de reparar os danos, já que qualquer responsabilização deve
acontecer na modalidade subjetiva. Consequentemente, a improcedência dos
pedidos é medida justa.
Em audiência, a testemunha da parte autora, em depoimento a fls 45-
46, afirmou que Alfredo Lopes dirigia de modo imprudente antes de acontecer a
batida, porque viu que o réu fez ultrapassagens arriscadas, e que não saberia
informar se houve algum problema mecânico nem se o réu conseguiriafrear em
tempo de evitar a batida, caso o sistema de freio estivesse a funcionar
perfeitamente.
Elabore a sentença. Não há necessidade de relatório.