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QUESTÕES
Aula 1

Enunciado: Em março de 2008, Pedro entrou em uma loja de eletrodomésticos e


adquiriu, para uso pessoal, um forno de microondas. Ao ligar o forno pela primeira vez, o
aparelho explodiu e causou sérios DANOS À SUA INTEGRIDADE FÍSICA. Desconhecedor
de seus direitos, Pedro DEMOROU mais de DOIS ANOS PARA PROPOR AÇÃO de
REPARAÇÃO contra a FABRICANTE do produto, o que somente ocorreu em junho de
2010. Em sua sentença, o juiz de primeiro grau acolheu o argumento da fabricante,
JULGANDO IMPROCEDENTE a demanda com base no art. 26 do código de defesa do
consumidor, segundo o qual “o direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil
constatação caduca em: (...) II – noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de
produtos duráveis.”
Afirmou, ademais, que O AUTOR NÃO FEZ PROVA DO DEFEITO técnico do
aparelho. Com base nas normas do Código de Defesa do Consumidor, analise os
fundamentos da sentença.

Comentários e dicas:
• Procurar as “palavras jurídicas” (aquelas que sua tia não falaria) no índice
remissivo do seu código:
DANOS; INTEGRIDADE FÍSICA; SENTENÇA; ARTIGO 26 DO CDC;
FABRICANTE; e PROVAS.

Conceito de algumas das palavras jurídicas acima destacadas:

• DANOS: É o mal, prejuízo, ofensa material ou moral causada por alguém a


outrem, detentor de um bem juridicamente protegido. O dano ocorre quando esse bem é
diminuído, inutilizado ou deteriorado, por ato nocivo e prejudicial, produzido pelo delito civil
ou penal.
• SENTENÇA: A sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações
previstas nos art. 267 e 269 desta Lei, conforme a nova redação do art. 162, § 1.º, dada
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pela Lei 11.232. A sentença não é mais o ato pelo qual o juiz põe termo ao processo,
decidindo ou não o mérito da causa, como constava da antiga redação.

ARTIGO 26 DO CDC:
“Art. 26. O DIREITO DE RECLAMAR PELOS VÍCIOS APARENTES OU DE FÁCIL
CONSTATAÇÃO CADUCA em:
I - TRINTA DIAS, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não
duráveis;
II - NOVENTA DIAS, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos
duráveis. (...)

Haverá fato do produto ou do serviço sempre que o defeito, além de atingir a


incolumidade econômica do consumidor, atinge sua incolumidade física ou psíquica.
Nesse caso, haverá danos à saúde física ou psicológica do consumidor. Em outras
palavras, o defeito exorbita a esfera do bem de consumo, passando a atingir o consumidor,
que poderá ser o próprio adquirente do bem ou terceiros atingidos pelo acidente de
consumo, que, para os fins de proteção do CDC, são equiparados àquele.
O fato do produto ou do serviço deve desencadear um dano que extrapola a órbita
do próprio produto ou serviço. Sem a ocorrência desse pressuposto da responsabilidade
civil, inexistirá o dever de indenizar.
Haverá vício quando o “defeito” atingir meramente a incolumidade econômica do
consumidor, causando-lhe tão somente um prejuízo patrimonial. Nesse caso, o problema é
intrínseco ao bem de consumo.
Em virtude disso, deve-se aplicar o prazo do artigo 27 do CDC

FABRICANTE:
“Art. 3°CDC”

ÔNUS DA PROVA: inversão do ônus da prova em favor do consumidor, nos


termos do Art. 6º, inciso VIII do CDC.

“Art. 6º São direitos básicos do consumidor.”


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Ler todos os artigos referidos no índice remissivo, relacionados às “palavras


jurídicas”;

Ser MUITO direto ao responder as perguntas. Tente responder, nas primeiras duas
linhas, o cerne da questão. Depois disso, dê a fundamentação jurídico legal para a
resposta. Em se tratando de segunda fase da OAB, o menos é mais

Resposta: O candidato deve esclarecer, inicialmente, que se trata de fato do


produto, e não de vício do produto. O prazo aplicável não é, portanto, o do Art. 26 do CDC,
mas o do Art. 27, ou seja, cinco anos. O candidato deve, ainda, explorar a questão atinente
à responsabilidade civil (Art. 12, caput e parágrafo 3º) e falar do instituto da inversão do
ônus da prova em favor do consumidor, nos termos do Art. 6º, inciso VIII do CDC. Dessa
forma, deve ser capaz de identificar e examinar criticamente esses dois fundamentos, e
apresentar as razões legais que indicam a incorreção da decisão judicial. Ressalta-se que
não basta a simples menção a um ou mais dispositivos do CDC.
É necessário demonstrar a sua aplicabilidade, fundamentando analiticamente a
resposta.

Aula 2

QUESTÃO 02
Enunciado: Jonas celebrou CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL residencial
urbano com Vera. DOIS ANOS depois de pactuada a locação, Jonas ingressa com AÇÃO
REVISIONAL DE ALUGUEL argumentando que o valor pago nas prestações estaria muito
acima do praticado pelo mercado, o que estaria gerando DESEQUILÍBRIO NO
CONTRATO DE LOCAÇÃO. A ação foi proposta sob o RITO SUMÁRIO e o autor não
requereu a fixação de ALUGUEL PROVISÓRIO. Foi designada audiência, mas não foi
possível o acordo entre as partes. Considere que você é o(a) advogado(a) de Vera.
Descreva qual a MEDIDA CABÍVEL a fim de defender os interesses de vera após a
conciliação infrutífera, apontando o prazo legal para fazê-lo e os argumentos que serão
invocados.

Comentários e dicas:
Procurar as “palavras jurídicas” (aquelas que sua tia não falaria) no índice
remissivo do seu código: CONTRATO DE LOCAÇÃO; AÇÃO REVISIONAL; RITO
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SUMÁRIO; e ALUGUEL PROVISÓRIO. Conceito de algumas das palavras jurídicas acima


destacadas:
CONTRATO DE LOCAÇÃO: É aquele contrato pelo qual uma das partes (locador)
se obriga a ceder à outra (locatário), por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa
não fungível, mediante certa retribuição. Trata-se de contrato bilateral, oneroso (mediante
pagamento), consensual (a obrigação surge no acordo de vontade), comutativo, diferido no
futuro e não solene (pode ser verbal, por exemplo).

AÇÃO REVISIONAL: A ação revisional de aluguel é tratada pelos artigos 68 a 70


da Lei Federal 8.245/91. Ela tem por escopo ajustar uma situação econômica que se
revela injusta nas locações.
Dois requisitos são essenciais à propositura de uma ação revisional de aluguel: O
primeiro, é que o aluguel esteja fora da realidade mercado, num preço muito inferior ou
superior ao que realmente vale. E o segundo, diz respeito à necessidade de que o contrato
de locação (ou último reajuste de aluguel na vigência do contrato) tenha ocorrido há mais
de três anos. É o que diz o artigo 19 da Lei Federal 8.245/91.

RITO SUMÁRIO:
“Art. 275, Art. 19, Art. 267”
Ler todos os artigos referidos no índice remissivo, relacionados às “palavras
jurídicas”;
Ser MUITO direto ao responder as perguntas. Tente responder, nas primeiras duas
linhas, o cerne da questão. Depois disso, dê a fundamentação jurídico legal para a
resposta. Em se tratando de segunda fase da OAB, o menos é mais.

Resposta: O candidato deve explicar que a medida judicial cabível é a


contestação (e não genericamente a resposta) e o prazo para apresentá-la é na própria
audiência, após a conciliação infrutífera (Art. 68, I e IV da Lei nº 8.245/91 e Art. 278 do
CPC). Quanto aos argumentos mínimos, deverá informar, em preliminar, a carência da
ação, tendo em vista que a referida Lei de Locações aduz que as ações que visem à
revisão judicial de aluguel somente poderão ser propostas depois de transcorrido o triênio
da vigência do contrato (Art. 19 da Lei nº 8.245/91).
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Por ser uma condição específica da ação, a sua não observância leva à extinção
do processo sem resolução do mérito, na forma do Art. 267, inciso VI do CPC.
Estão incorretas respostas que afirmam haver prazo subsidiário para apresentação
de contestação, eis que a vontade do legislador foi a de utilizar a sistemática do
procedimento sumário, deixando claro que o ato deve ser praticado em audiência.
Igualmente equivocada a resposta no sentido de que o juiz deve julgar o pedido
improcedente, na medida em que, havendo condição específica para o regular exercício do
direito de ação ou condição de procedibilidade, deva ela ser examinada na condição de
questão preliminar própria, gerando, como consequência, a extinção do feito. Logo, não foi
considerada correta a resposta que adentrou o mérito (valor do aluguel) sem enfrentar a
preliminar insuperável

QUESTÃO 03
Enunciado: Caio foi submetido a uma cirurgia de alto risco em decorrência de
graves problemas de saúde. Durante a realização da cirurgia, o médico informa à esposa
de Caio a respeito da necessidade de realização de outros PROCEDIMENTOS
IMPRESCINDÍVEIS À MANUTENÇÃO DA VIDA de seu marido, não cobertos pela apólice.
Diante da necessidade de adaptação à nova cobertura, a esposa de Caio assina,
durante a cirurgia de seu marido, aditivo contratual com o plano de saúde (QUE SABIA DA
GRAVE SITUAÇÃO DE CAIO), cujas PRESTAÇÕES ERAM EXCESSIVAMENTE
ONEROSAS.
Em face dessa situação, responda, de forma fundamentada, aos itens a seguir.
A) O negócio jurídico firmado entre a esposa de Caio e o plano de saúde é
inquinado por um VÍCIO DE CONSENTIMENTO. Qual seria esse vício? (Valor: 0,60)
B) O vício presente no negócio jurídico acima descrito faz com que o ato firmado
se torne NULO OU ANULÁVEL? Justifique. (Valor: 0,65)

Comentários e dicas:
Procurar as “palavras jurídicas” (aquelas que sua tia não falaria) no índice
remissivo do seu código: VÍCIO DE CONSENTIMENTO; NULIDADES; e ANULABILIDADE.

Conceito de algumas das palavras jurídicas acima destacadas:


VÍCIO DE CONSENTIMENTO: São assim referidos porque a pessoa está viciada
na manifestação de vontade. Se o declarante tivesse conhecimento da real situação, não
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teria manifestado a vontade da forma declarada. Nos vícios da vontade o prejudicado é um


dos contratantes, pois há manifestação da vontade sem corresponder com o seu íntimo e
verdadeiro querer.

Quais são os vícios de consentimento?


Erro ou ignorância (138 a 144 CC): neste ninguém induz o sujeito a erro, é ele
quem tem na realidade uma noção falsa sobre determinado objeto. Esta falsa noção é o
que chamamos de ignorância, ou seja, o completo desconhecimento acerca de
determinado objeto. O erro é dividido em: acidental erro sobre qualidade secundária da
pessoa ou objeto, que não vicia o ato jurídico, pois não incide sobre a declaração de
vontade; essencial ou substancial refere-se à natureza do próprio ato e incide sobre as
circunstâncias e os aspectos principais do negócio jurídico; este erro enseja a anulação do
negócio, vez que se desconhecido o negócio não teria sido realizado.

Aula 3