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ARIANE CRUZ,

GESIANE FERREIRA

FARMACOCINÉTICA E DINÂMICA DOS MEDICAMENTOS NA


FASE DE LACTAÇÃO E GESTAÇÃO.

UNIVERCIDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS – UNIPAC


Ipatinga
2009

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ARIANE CRUZ,

GESIANE FERREIRA

FARMACOCINÉTICA E DINÂMICA DOS MEDICAMENTOS NA


FASE DE LACTAÇÃO E GESTAÇÃO.

Trabalho apresentado pelas alunas Ariane


Cruz e Gesiane Ferreira, 3º período de
farmácia, à professora Fabiana, na
disciplina de Semiologia.

UNIVERCIDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS – UNIPAC

Ipatinga
2009

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SUMÁRIO

LISTA DE FIGIRAS..................................................................................................................5

RESUMO....................................................................................................................................6

ABSTRACT................................................................................................................................7

1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................8

2 COMO OS FÁRMACOS ATRAVESSAM A PLACENTA...................................................9

3 MECANISMO DE TERATOGÊNESE.................................................................................11

4 TESTES DE TERATOGENICIDADE..................................................................................13

5 ALGUNS TERATÓGENOS DEFINIDOS E PROVÁVEIS EM SERES


HUMANOS..............................................................................................................................14

5.1 Talidomida......................................................................................................................... 14

5.2 Agentes citotóxicos............................................................................................................ 15

5.3 Retinóides........................................................................................................................... 15

5.4 Drogas antipiléticas.............................................................................................................15

5.5 Varfarina.............................................................................................................................15

5.6 Antieméticos.......................................................................................................................16

5.7 Ansiolíticos e antidepressivos.............................................................................................16

5.8 Anticoagulantes...................................................................................................................16

5.9 Fármacos para o coração e para os vasos sanguíneos.........................................................16

6 FÁRMACOS UTILIZADOS DURANTE O PARTO...........................................................17

7 DROGAS SOCIAS E DROGAS ILÍCITAS.........................................................................17

8 PROBLEMAS GASTROINTESTINAIS..............................................................................19

8.1 Náuseas e vômitos...............................................................................................................19

8.2 Pirose, azia..........................................................................................................................19

8.3 Diarréia aguda.....................................................................................................................19

3
4

8.4 Obstipação...........................................................................................................................19

8.5 Hemorróidas........................................................................................................................20

9 FEBRE, ALGIAS, CONDIÇÕES INFLAMATÓRIAS AGUDAS.......................................20

10 SINTOMATOLOGIA RESPIRATÓRIA............................................................................20

10.1 Descongestionantes nasais................................................................................................20

10.2 Mucolíticos........................................................................................................................21

10.3Antitússicos........................................................................................................................21

10.4 Anti-histamínicos..............................................................................................................21

10.5 Corticosteróides intranasais...............................................................................................21

11 INFECÇÕES E AGENTES ANTIMICROBIANOS...........................................................21

11.1 Infecções bacterianas.........................................................................................................21

11.2 Infecções virais..................................................................................................................23

11.3 Infecções fúngicas.............................................................................................................23

11.4 Infestações parasitárias......................................................................................................23

12 FARMACOCINÉTICA DOS MEDICAMENTOS NA GRAVIDEZ.................................24

13 FÁRMACOS USADOS DURANTE A AMAMENTAÇÃO..............................................25

14 MEDICAMENTOS USADOS PARA AUMENTAR A PRODUÇÃO DO


LEITE........................................................................................................................................25

14.1 Galactagogos.....................................................................................................................25

15 DROGAS QUE SUPREM A PRODUÇÃO DO LEITE …....................……….........…...25

16 COMO AS DROGAS SÃO TRANSFERIDAS PARA O LEITE MATERNO..................26

17 DOSAGEM DE DROGAS TRANFERIDAS NA AMAMENTAÇÃO..............................26

18 COMO AS DROGAS SÃO TRANSFERIDAS PARA O LEITE


MATERNO...............................................................................................................................26

18.1 Drogas com baixo peso molecular....................................................................................26

18.2 Grau de ionização..............................................................................................................27

4
5

18.3 Ligação de proteínas.........................................................................................................27

18.4 Lipossolubilidade..............................................................................................................27

18.5 Tempo de meia vida .........................................................................................................27

19 FÁRMACOS QUE NÃO PODEM SER USADOS DURANTE A


GESTAÇÃO.............................................................................................................................27

20 ANEXO................................................................................................................................28

21 CONCLUSÃO ....................................................................................................................30

22 BIBLIOGRAFIA.................................................................................................................31

5
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LISTA DE FIGIRAS

Quadro I. Fármacos com efeitos adversos registrados sobre o desenvolvimento fetal


humano........................................................................................................................................8

Fig1. Como Os Fármacos Atravessam a Placenta...........................................................10

QUADRO II. Fármacos Actualmente Em Uso Clínico Com Teratogenicidade


Demonstrada Em Humanos Nas Doses Clínicas Habituais......................................................10

Quadro III Categorias De Segurança Dos Fármacos Durante A Gravidez, Segundo a


Fda (Federal Food And Drug Administration), Eua.................................................................11

Quadro IV. A Natureza Dos Efeitos Dos Fármacos Sobre o Desenvolvimento


Fetal...........................................................................................................................................12

Quadro V Opções Aceitáveis De Medicamentos Em Casos De Infecções


Bacterianas................................................................................................................................21

Quadro VI Opções Aceitáveis De Medicamentos Em Casos De Infecções Virais.......23

Quadro VII Opções Aceitáveis De Medicamentos Em Casos De Infecções


Fúngicas....................................................................................................................................23

Quadro VII Opções Aceitáveis De Medicamentos Em Casos De Infecções


Parasitárias................................................................................................................................23

Tabela 1: Fármacos Que Não Podem Ser Usados Durante a Amamentação..................27

6
7

RESUMO

A maioria das mulheres grávidas consome algum tipo de fármaco. Diversos órgãos
sanitários, bem como a Organização Mundial de Saúde, calculam que mais de 90 % das
mulheres grávidas tomam fármacos, quer sejam receitados pelo médico ou não (de venda
livre), e consomem drogas sociais, como o tabaco e o álcool, ou drogas ilícitas. Os fármacos e
drogas provocam 2 % a 3 % de todas as anomalias congênitas; a maioria das restantes devem-
se a causas hereditárias, ambientais ou desconhecidas.

Os fármacos e drogas passam da mãe para o feto, sobretudo através da placenta, o


mesmo trajeto que os nutrientes seguem para o crescimento e desenvolvimento fetal. Na
placenta, os fármacos e os nutrientes atravessam uma membrana fina que separa o sangue
materno do fetal.

Os fármacos que se administram durante a gravidez podem afetar o feto de várias


formas:

• Atuando diretamente sobre o feto e provocando lesões, desenvolvimento


anormal ou morte.
• Alterando a função da placenta, geralmente estreitando os vasos sanguíneos e
reduzindo o intercâmbio de oxigênio e de nutrientes entre o feto e a mãe.
• Provocando a contração dos músculos do útero, o que pode lesar
indiretamente o feto devido ao fato de se reduzir a quantidade de sangue que
recebe.

Os efeitos adversos de um fármaco dependem da idade do feto e da potência e da dose


do fármaco. O feto é particularmente vulnerável entre os 17.º e 57.º dias após a fecundação,
que é quando os seus órgãos se estão a desenvolver.

Os fármacos administrados depois do desenvolvimento dos órgãos terem se completado,


provavelmente não provocarão anomalias congênitas evidentes, mas poderão sim alterar o
crescimento e a função dos órgãos e dos tecidos.

Ao decidir-se pelo tratamento médico, deve-se:

– Quando possível, deferir o seu uso para depois do primeiro trimestre;

– Usar a mais baixa dose eficaz e durante o mais curto lapso de tempo possível;

Evitar o uso de medicamentos novos, a menos que o seu perfil de segurança seja bem
conhecido.

7
8

ABSTRACT

Almost all pregnant women take some kind of medicine. Different health departments,
as The World Health Organization (WHO), calculate more than 90% of pregnant women take
some medicine, suggested by the doctor or not (by your own suggesting, they consume social
drugs as tobacco and alcoholic drinks or illegal drugs. The medicine and drugs cause 2 % to 3
% from all congenital anomalies; the rest should be caused by hereditary or ambient or even
unknown factors.

The medicine and drugs pass from the mother to the fetus, mostly through the placenta,
by the same way as the maternal nutrients go to the fetal development and growth.

The medicine, that are administrated a long the pregnancy can affect the fetus by
different ways:

• Acting directly on the fetus and causing injuries, abnormal development or


death.
• Modifying the function of the placenta, generally narrowing the sanguineous
vases and reducing the interchange of oxygen and nutrients between the fetus
and the mother.
• Provoking the contraction of the muscles of the uterus, that can injure the
fetus indirectly, due to the fact of reduction of the amount of blood that
receives .

The adverse effects of a medicine depend on the age of the fetus and the dose potential.
The fetus is particularly vulnerable between 17th and 57th days after the fecundation, when
his Organs are developed.

The medicines administrated after the development of the organs had being completed,
probably they will not provoke evident congenital anomalies, but they will be able to modify
the growth and the function of the organs and tissues.

When deciding for the medical treatment, it must:

-When possible, to use after the first trimester;

-To use the lowest efficient dose and during the shortest lapse of possible time;

- To avoid the new medicine, except in the case when its profile of security is
known.

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1 INTRODUÇÃO

Durante a gestação e a lactação a maioria das mulheres tomam algum tipo de


medicamento e alguns fármacos contém substâncias tóxicas que podem afetar o bebê e causar
anormalidades,estes fármacos então sertão agentes teratogênicos . O Termo “teratogênese” é
utilizado para referir-se à produção de malformações estruturais flagrantes durante o
desenvolvimento fetal.

O Quadro I fornece uma lista de drogas capazes de afetar adversamente o


desenvolvimento fetal.

Quadro I. Fármacos com efeitos adversos registrados sobre o desenvolvimento


fetal humano.
Agente Efeito Teratogenicidade*
Talidomida Focomelia, defeitos cardíacos, atresia C
intestinal, etc.
Penicilamina Frouxidão da pele, etc. C
Varfarina Nariz sem sela, retardo do crescimento, C
defeito dos membros, olhos, SNC.
Corticosteróides Fenda palatina e catarata congênita –
raras.
Androgênios Masculinização no feto feminino.
Estrogênios Atrofia testicular no sexo masculino.
Estilbestrol Adenose vaginal no feto feminino,
câncer vaginal ou cervical 20 anos
depois.
Anticonvulsivantes C
Fenitoína Lábio leporino/microcefalia, retardo C
Valproato mental S
Carbamazepina Defeito do tubo neural, p ex., espinha
bífida.
Retardo do crescimento da cabeça do
feto.
Agentes citotóxicos Hidrocefalia, fenda palatina, defeito do C
(part. antagonistas do tubo neural, etc.
folato)

9
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Aminoglicosídios Lesão do 8º par craniano


Tetraciclina Pigmentação dos ossos e dos dentes, S
esmalte dentário fino, comprometimento
do crescimento ósseo.
Etanol Síndrome alcoólica fetal. C
Retinóides Hidrocefalia, etc. C
Inibidores da enzima Oligoidramnio, insuficiência renal.
conversora de
angiotensina
* C= teratógeno conhecido (em animais experimentais e/ou em seres humanos); S=
teratógeno suspeito (em animais experimentais e/ou em seres humanos).
Adaptado de Juchau 1989 Annu Rev Pharmacol Toxicol 29:165.

(RANG, 2001)

Desde 1920, quando foi descoberto que a irradiação X durante a gravidez era capaz de
causar malformação ou morte fetais, sabe-se que os agentes externos podem afetar o
desenvolvimento do feto. Quase 20 anos depois foi reconhecida a importância da infecção por
rubéola, porém foi apenas em 1960 que as drogas passa passaram a ser implicadas como
agentes causais na teratogênese: a experiência chocante com a talidomida conduziu a uma
ampla reavaliação de muitas outras drogas de uso clínico e ao estabelecimento de órgãos de
regulação de fármacos em muitos países. A maioria dos defeitos de nascimento (cerca de
70%) ocorre sem nenhum fator causal reconhecível. Acredita-se que a exposição a droga ou a
substâncias químicas durante a gravidez seja responsável apenas por cerca de 1% de todas as
malformações fetais. Embora essa percentagem possa parecer pequena, os números totais são
significativos e resultam em sofrimento estarrecedor. Bem como em efeitos sociais e
econômicos importantes sobre a família e a comunidade.

2 COMO OS FÁRMACOS ATRAVESSAM A PLACENTA

Na placenta, o sangue materno passa pelo espaço (espaço intervilosidades) que rodeia as
pequenas projeções (vilosidades) que os vasos sanguíneos do feto contêm. O sangue materno,
que se encontra no espaço intervilosidades, está separado do sangue fetal que se encontra nas
vilosidades por uma fina membrana (membrana placentária). Os fármacos que se encontram

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no sangue materno podem atravessar esta membrana até chegar aos vasos sanguíneos das
vilosidades e atravessar o cordão umbilical até chegar ao feto.

Fig1

Se recorrermos à evidência disponível, a lista de fármacos comprovadamente


teratogênicos nos humanos é relativamente pequena (Quadro II).

QUADRO II. FÁRMACOS ACTUALMENTE EM USO CLÍNICO COM TERATOGENICIDADE


DEMONSTRADA EM HUMANOS NAS DOSES CLÍNICAS HABITUAIS *inclui fármacos indutores de
toxicidade no feto, sem disgénese.

• agentes androgénicos
• anticonvulsivantes em geral
• anti-inflamatórios não esteróides*
• antimetabólitos e agentes alquilantes
• antitiroideus (propiltiouracilo e metibazol)
• bloqueadores dos receptores da angiotensina II
• hipoglicemiantes orais*
• inibidores da enzima de conversão da angiotensina
• lítio
• misoprostol
• opiáceos*, benzodiazepinas*
• talidomida
• tetraciclinas
• varfarina

[ KOREN, 1998]

A FDA (US Food and Drug Administration) definiu várias categorias de medicamentos
com base no seu risco de teratogenicidade (Quadro II). Algumas outras instituições propõem

11
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classificações diferentes, embora com uma “filosofia” semelhante. A categorização da FDA,


no entanto, apesar da sua ampla divulgação, nem sempre se tem revelado muito útil, antes
geradora de ambiguidades para o médico prescritor. Note-se, por exemplo, que na Categoria A
se encontram praticamente apenas a tiroxina e algumas vitaminas. Se um medicamento X
pode não ser teratogênico em alguns estádios da gravidez, já um medicamento D não está
forçosamente contraindicado, enquanto um fármaco categorizado como C não é
necessariamente menos seguro do que um de Categoria B, pois pode tratar-se apenas de uma
questão de disponibilidade de dados. Por outro lado, devido a considerações legais, os
detentores de AIM aplicam por vezes uma categoria mais restritiva do que se poderia esperar
a partir dos dados disponíveis.

QUADRO III Categorias de segurança dos fármacos durante a gravidez, segundo a FDA
(Federal Food and Drug Administration), EUA
Categoria Descrição
A Os estudos no homem demonstraram que não existe risco
Os estudos em animais demonstraram que não existe risco, mas não se fizeram no
B homem, ou os estudos em animais demonstraram que existe risco mas os estudos no
homem não
Não se fizeram estudos em animais nem no homem, ou os estudos em animais
C demonstraram que não existe risco mas não se dispõe de qualquer outro estudo no
homem
Os estudos no homem demonstraram que existe risco, mas o seu uso pode ser
D
justificado em determinados casos
O fármaco nunca deverá ser consumido durante a gravidez. Os riscos humanos
X
conhecidos superam qualquer vantage
(Manual merck, 2009)

3 MECANISMO DE TERATOGÊNESE

A cronologia do insulto teratogênico em relação ao estágio de desenvolvimento fetal é


de suma importância para determinar o tipo e a extensão do dano produzido. O
desenvolvimento fetal nos mamíferos passa por três fases (Quadro IV):

- formação do blastocisto;

- organogênese;

- histogênese e maturação da função.


12
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A divisão celular é o principal processo que ocorre durante a formação do blastocisto.


Nessa fase, as drogas podem causar morte do embrião ao inibirem a divisão celular.
Entretanto, quando o embrião sobrevive, seu desenvolvimento subsequente geralmente não
parece estar comprometido, embora haja evidências de que o etanol possa afetar o
desenvolvimento nesse estágio muito inicial.

É durante a organogênese,que ocorre nos dias 17-60 do primeiro trimestre da gravidez,


que as drogas podem causar malformações flagrantes. A organização estrutural do embrião
obedece a uma sequência bem definida: olho e cérebro, esqueleto e membros, coração e
principais vasos, palato, sistema geniturinário. Por conseguinte, o tipo de malformação
produzida depende da ocasião do momento de exposição ao teratógeno.

QUADRO IV. A natureza dos efeitos dos fármacos sobre o desenvolvimento fetal.
Estágio Período da Principais Afetado por
gestação nos seres processos
humanos celulares
Formação do 0-16 dias Divisão celular Agentes citotóxicos
blastocisto Divisão
Organogênese 17-60 dias aprox. Migração
Diferenciação Teratógenos
Morte

Histogênese e 60 dias até o termo Iguais aos Fármacos diversos, p.


maturação funcional anteriores ex., álcool, nicotina,
drogas antitireoidianas,
esteróides.

13
14

(RANG, 2001)

Os mecanismos celulares pelos quais as substâncias teratogênicas produzem seus efeitos


não estão bem esclarecidos. Existe uma considerável superposição entre mutagenicidade e
teratogenicidade. Em uma grande revisão, incluindo 78 compostos, 34 demonstraram ser tanto
teratogênicos quanto mutagênicos, 19 foram foram negativos em ambos os testes e 25 (entre
os quais a talidomida) foram positivos em um teste, mas não no outro. Por conseguinte,
parece que o dano do DNA é importante, porém certamente não constitui o único fator, como
ocorre com a carcinogênese. O controle da morfogênese é pouco conhecido; os derivados da
vitamina A (retinóides) estão envolvidos e são potentes teratógenos. Os teratógenos
conhecidos incluem diversas drogas (por ex., metotrexato e fenitoína) que não reagem
diretamente com o DNA, mas que inibem a sua síntese através de efeitos sobre o metabolismo
do folato. A administração de folato durante a gravidez reduz a frequência de malformações
espontâneas e induzidas por drogas, particularmente defeitos do tubo neural.

No estágio final da histogênese e maturação funcional, o feto depende de um suprimento


adequado de nutrientes, e o desenvolvimento é regulado por diversos hormônios. Nesse
estágio não surgem malformações estruturais grosseiras em decorrência da exposição a
mutágenos, porém, as drogas que interferem no suprimento de nutrientes ou no ambiente
hormonal podem exercer efeitos deletérios sobre o crescimento e o desenvolvimento. A
exposição de um feto feminino a androgênios nesse estágio pode causar masculinização. O
estilbestrol era comumente administrado a gestantes com história de abortos repetidos durante
a década de 1950 (por motivos sem fundamentos). Este fármaco provoca displasia vaginal da
lactente e incidência aumentada de carcinoma da vagina na adolescência e na segunda década
de vida.

4 TESTES DE TERATOGENICIDADE

O desastre da talidomida trouxe à luz de modo dramático a necessidade de estudos de


rotina de teratogenicidade para novas drogas com potencial terapêutico. A avaliação da
teratogenicidade nos seres humanos é um problema particularmente difícil por várias razões.
Uma delas é a elevada taxa de malformação “espontânea” (3-10%, dependendo da definição

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de malformação significativa), que é altamente variável entre diferentes regiões, grupos


etários e classes sociais. São necessários estudos em grande escala, que podem durar vários
anos e custar muito dinheiro, fornecendo geralmente resultados mais sugestivos do que
convulsivos.

Até o momento, não foram desenvolvidos métodos in vitro, baseados em culturas de


células, órgãos ou embriões integrais, capazes de prever satisfatoriamente a teratogênese in
vivo. A maioria dos serviços de regulamentação exige testes de teratogenicidade num roedor
(em geral, rato ou camundongo) e numa espécie não roedora (geralmente coelho). As fêmeas
grávidas recebem várias doses durante o período crucial da organogênese, e os fetos são
examinados à procura de anormalidades estruturais. Todavia, a pouca correlação entre
espécies significa que os testes desse tipo não têm valor preditivo nos seres humanos e
recomenda-se em geral que as novas drogas não sejam utilizadas durante a gravidez, a não ser
que isto seja essencial.

5 ALGUNS TERATÓGENOS DEFINIDOS E PROVÁVEIS EM SERES


HUMANOS

Embora se tenha constatado que muitos fármacos são teratogênicos em graus variáveis
em animais experimentais, relativamente poucos são comprovadamente teratogênicos nos
seres humanos. Alguns dos mais importantes são discutidos adiante.

5.1 TALIDOMIDA

A talidomida é praticamente única na sua capacidade de produzir, em doses terapêuticas,


praticamente 100% de lactentes com malformações quando usada nas primeiras 3-6 semanas
de gravidez. Foi introduzida em 1957 como hipnótico e sedativo, com a característica especial
de ser extremamente segura em superdosagem, tendo sido até mesmo recomendada de modo
específico para o uso durante a gravidez (com o slogan de publicidade “o hipnótico seguro”).
Como era normal na época, a talidomida fora submetida apenas a testes de toxicidade aguda, e
não a testes de toxicidade crônica ou de teratogenicidade. A talidomida foi comercializada
ativamente e com êxito, e a primeira suspeita de teratogenicidade surgiu início de 1961, com
relatos de um súbito aumento na incidência de focomelia (“membros de foca”; ausência de
desenvolvimento dos ossos longos, dos braços e das pernas) que até então era praticamente
15
16

desconhecida. Nessa época, eram vendidos cerca de um milhão de comprimidos diariamente


na Alemanha Ocidental. Os relatos de focomelia apareceram simultaneamente em Hamburgo
e em Sydney, e foi estabelecida a conexão com o uso da talidomida. A droga foi retirada do
mercado no final de 1961, quando já havia nascido um número estimado de 10.000 bebês
malformados. Apesar de estudos intensivos, seu mecanismo de ação continua mal esclarecido.
Os estudos dos numerosos casos de teratogênese por talidomida em seres humanos
demonstraram muito claramente a correlação existente entre o momento de exposição ao
fármaco e o tipo de malformação produzida.

5.2 AGENTES CITOTÓXICOS

Muitos agentes alquilantes (por ex., clorambucil e ciclofosfamida) e antimetabólitos (p.


ex., azatioprina e mercaptopurina) podem causar malformações quando utilizados no início da
gravidez, embora, com mais frequencia, resultem em aborto. Os antagonistas do folato
(metotrexato) produzem uma incidência muito maior de malformações importantes, que são
evidentes tanto em fetos nascidos vivos quanto em natimortos.

5.3 RETINÓIDES

O etretinato, um retinóide (isto é, derivado da vitamina A) com efeitos acentuados sobre


a diferenciação epidérmica, é um teratógeno conhecido responsável por uma elevada
proporção de anormalidades graves (notavelmente deformidades esqueléticas) em fetos
expostos. É utilizado por dermatologistas no tratamento da psoríase grave e outras doenças
cutâneas. Acumula-se na gordura subcutânea e, em consequencia, é eliminado de modo
extremamente lento, com persistência de quantidades detectáveis durante muitos meses após a
interrupção de doses crônicas. Em virtude disso, as mulheres devem evitar gravidez durante
pelo menos dois anos após o tratamento. A acitretina é um metabólito ativo de etretinato. É
igualmente teratogênica, porém o acúmulo tecidual é menos pronunciado, de modo que a sua
eliminação pode ser mais rápida.

5.4 DROGAS ANTIEPILÉPTICAS

16
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Verifica-se um aumento de duas a três vezes na incidência de malformações congênitas


em bebês de mães epilépticas. É interessante assinalar que todos os agnetes antiepilépticos
foram implicados, incluindo a fenitoína (particularmente lábio leporino/fenda palatina),
valproato (defeitos do tubo neural) e carbamazepina (espinha bífida e hipospádias –
malformação da uretra masculina). Bem como agentes mais recentes.

5.5 VARFARINA

A administração de varfarina no primeiro trimestre está associada a hipoplasia nasal e a


várias anormalidades do sistema nervoso central, afetando aproximadamente 25% dos bebês.
No último trimestre, a droga não deve ser utilizada devido ao risco de hemorragia
intracraniana no bebê durante o parto.

5.6 ANTIEMÉTICOS

Os antieméticos foram amplamente utilizados no tratamento do enjôo matinal do início


da gravidez, e alguns são teratogênicos em animais. Os resultados de levantamentos em seres
humanos não são conclusivos e não fornecem nenhuma evidência bem definida de
teratogenicidade. Todavia, é prudente evitar o uso desses fármacos nas gestantes, quando
possível.

5.7 ANSIOLÍTICOS E ANTIDEPRESSIVOS

Os ansiolíticos provocam anomalias congênitas quando são administrados durante o


primeiro trimestre da gravidez, apesar de este efeito ainda não ter sido provado. A maioria dos
antidepressivos parecem ser bastante seguros se forem usados durante a gravidez, mas o lítio
pode provocar anomalias congênitas (principalmente no coração). Os barbitúricos, como o
fenobarbital, administrados a uma mulher grávida, têm tendência para reduzir a icterícia
ligeira que se observa nos recém-nascidos.

5.8 ANTICOAGULANTES

O feto em desenvolvimento é extremamente sensível aos dicumarínicos, fármacos que


evitam a formação de coágulos (anticoagulantes). Em até 25 % dos bebés expostos a estes
fármacos durante os primeiros 3 meses de gravidez são detectadas anomalias congênitas
significativas. Além disso, há risco de que ocorra uma hemorragia tanto na mãe como no feto.

17
18

Se uma mulher grávida for propensa a formar coágulos no sangue, a heparina é uma
alternativa muito mais segura. No entanto, a sua administração prolongada durante a gravidez
pode provocar uma descida do número de plaquetas na mãe (as plaquetas são partículas
semelhantes a células, que são fundamentais para a coagulação do sangue) ou uma diminuição
da espessura dos ossos (osteoporose).

5.9 FÁRMACOS PARA O CORAÇÃO E PARA OS VASOS SAGUÍNEOSA

Administração destes fármacos durante a gravidez é necessária para tratar certos


problemas que são crônicos ou que surgem durante a gravidez, como a pré-eclampsia
(hipertensão, presença de proteínas na urina e acumulação de líquidos durante a gravidez) e a
eclampsia (convulsões em consequência da pré-eclampsia). Os fármacos que fazem descer a
tensão arterial alta são utilizados com frequência nas mulheres grávidas com pré-eclampsia ou
eclampsia, mas dado que alteram o funcionamento da placenta são administrados com grande
cuidado para evitar causar problemas ao feto. Em geral, estes problemas são consequência de
uma descida demasiado rápida da tensão arterial da mãe, que provoca uma redução
considerável do afluxo sanguíneo à placenta. Do mesmo modo, deve ser evitada a
administração dos inibidores do enzima conversor da angiotensina e dos diuréticos tiazídicos,
porque podem provocar graves problemas fetais. A digoxina, utilizada para tratar a
insuficiência cardíaca e algumas anomalias da frequência cardíaca, atravessa a placenta muito
facilmente, embora os seus efeitos no bebé, antes ou depois do parto, sejam muito escassos.

Alguns fármacos, como a nitrofurantoína, a vitamina K, as sulfonamidas e o


cloranfenicol, podem provocar uma destruição dos glóbulos vermelhos das gestantes e dos
fetos com deficiência da glicose-6-fosfatodesidrogenase (G6PD), um problema hereditário
que afecta as membranas dos glóbulos vermelhos. Por conseguinte, as mulheres com este
problema não devem consumir estes fármacos.

6 FÁRMACOS UTILIZADOS DURANTE O PARTO

Os anestésicos locais, os opiáceos e outros analgésicos normalmente atravessam a


placenta e podem afectar o recém-nascido (por exemplo, debilitando a sua capacidade
respiratória). Por isso, se for necessário utilizar fármacos durante o parto, são administrados

18
19

em doses o mais pequenas possível e de preferência no último momento, para que tenham
menos probabilidades de chegar ao feto antes do nascimento.

7 DROGAS SOCIAIS E DROGAS ILÍCITAS

Fumar durante a gravidez pode ser prejudicial. O peso médio, ao nascer, dos filhos de
mães fumadoras durante a gravidez é de cerca de 170 g menos que os filhos das mulheres não
fumadoras. Os abortos, a morte fetal, os partos prematuros e a síndroma da morte súbita do
lactente são mais frequentes entre os bebés de mulheres que fumam durante a gravidez.

Consumir álcool durante a gravidez pode provocar anomalias congênitas. Os filhos de


mulheres gestantes que tomam excessivas quantidades de álcool podem sofrer da síndroma
alcoólica fetal. Estes recém-nascidos são pequenos, costumam ter uma cabeça de tamanho
pequeno (microcefalia), anomalias faciais e deficiências mentais no limite. Com menos
frequência, observam-se anomalias articulares e cardíacas. O desenvolvimento não é
adequado e têm mais probabilidades de morrer pouco depois de nascerem. Devido ao facto de
se desconhecer a quantidade de álcool necessária para provocar esta síndroma, recomenda-se
que as mulheres grávidas se abstenham de beber álcool.

Os efeitos da cafeína sobre o feto são motivo de controvérsia. Vários estudos sugerem
que beber mais de 7 ou 8 chávenas de café por dia pode aumentar o risco de morte fetal, parto
prematuro ou de ter um recém-nascido de baixo peso ou um aborto. No entanto, estes estudos
não são fiáveis porque muitas das mulheres que bebiam café também fumavam. Um estudo
posterior, que fazia referência ao tabagismo, chegou à conclusão de que os problemas tinham
sido provocados pelo tabaco e não pela cafeína. Portanto, não se sabe de certeza se o facto de
beber muito café durante a gravidez afecta o recém-nascido.

O aspartamo, um edulcorante artificial, parece ser inócuo se for tomado durante a


gravidez, desde que consumido nas quantidades habituais aconselhadas.

O consumo de cocaína durante a gravidez aumenta o risco de aborto, de desprendimento


precoce da placenta (abruptio placentae), de anomalias congênitas no cérebro, nos rins e nos
órgãos genitais e de diminuição do comportamento interativo nos recém-nascidos.

19
20

Não se encontrou nenhuma prova concludente de que a marijuana provoca anomalias


congênitas nem que interfere no crescimento e no desenvolvimento fetal. No entanto, alguns
estudos indicam que um grande consumo de marijuana durante a gravidez pode provocar um
comportamento anormal nos recém-nascidos.

8 PROBLEMAS GASTROINTESTINAIS

8.1 NÁUSEAS E VÓMITOS

Afetam uma elevada percentagem de gestantes. Embora esta situação seja muitas vezes
controlada com a mudança dos hábitos alimentares, pode tornar-se de tal forma grave que seja
necessário o recurso a medicamentos. A combinação doxilamina/piridoxina, os anti-
histamínicos anti-H1 isolados (como o dimenidrinato ou a hidroxizina), mas também a
metoclopramida e as fenotiazinas não parecem apresentar aumento de risco de
teratogenicidade.

8.2 PIROSE, AZIA

Causam elevado desconforto, pelo que o recurso a terapêutica medicamentosa é muitas


vezes necessário. O uso de antiácidos (contendo cálcio, magnésio, alumínio, ou alginatos) e
do sucralfato (baixa absorção) é considerado seguro. Os sais de magnésio serão preferíveis
aos de alumínio na grávida obstipada. O bicarbonato de sódio é de evitar, pelo risco teórico de
alcalose metabólica e de retenção hídrica materna e fetal. Não há relatos de toxicidade
associada ao simeticone/dimeticone, antiflatulento frequentemente combinado aos preparados
antiácidos comercializados. Os fármacos anti-H2 também serão em princípio seguros, embora
a sua utilização seja provavelmente pouco racional no contexto da sintomatologia dispéptica

20
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comum da grávida; também quanto aos inibidores da bomba de protões, dos escassos dados
disponíveis, não há até ao momento, evidência de teratogenicidade.

8.3 DIARRÉIA AGUDA

Recurso essencialmente a medidas não farmacológicas. O uso de antidiarreicos deve ser


de uma forma geral evitado. Os preparados probióticos regularizadores da flora intestinal
(Lactobacillus acidophilus ou Saccharomyces boulardii), são considerados geralmente
seguros, havendo inclusivamente estudos que incluíram o seu uso pré-natal na prevenção da
vaginose bacteriana materna e de atopia na futura criança.

8.4 OBSTIPAÇÃO

A hidratação e o aumento de fibra na dieta são essenciais, com eventual recurso a


expansores à base de fibra (farelo, bran, ispagula). Os medicamentos contendo
cáscarasagrada, psyllium e senne são teoricamente de evitar, pelo risco de estimulação
uterina. A lactulose pode ser uma boa alternativa em casos mais refractários.

8.5 HEMORRÓIDAS

Intercorrência frequente na gravidez que pode ser controlada com medidas gerais e os
medicamentos tópicos habituais.

9 FEBRE, ALGIAS, CONDIÇÕES INFLAMATÓRIAS AGUDAS

A aspirina (excepto se de baixa dosagem) e os antiinflamatórios não esteróides em geral


podem induzir o encerramento do canal arterial fetal, oligoamnios, discrasia hemorrágica e
prolongamento do trabalho de parto, pelo que não devem ser dados na segunda metade da
gravidez, especialmente de forma continuada. O paracetamol constitui o fármaco de eleição. A
sua combinação com di-hidrocodeína é de evitar na gravidez, especialmente junto ao parto
(risco de síndrome de privação). Quanto aos inibidores seletivos da COX-2 (COXIBEs),
estudos em animais demonstraram efeitos teratogênicos apenas para doses várias vezes
superiores às equivalentes de uso clínico em humanos. Dada a relativa exiguidade de dados
específicos e de experiência clínica com estes fármacos, é prudente a sua abstenção na
grávida. Não se dispõem de dados sobre os proteolíticos, como a bromelaína ou a
21
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tripsina/quimotripsina, mas sabe-se que o seu uso é seguro no aleitamento. Os miorrelaxantes


como a orfenadrina e o tiocolquicosido foram associados a teratogênese em estudos animais
com altas doses (categoria C da FDA), não se dispondo de dados em humanos, pelo que
deverão evitar-se.

10 SINTOMATOLOGIA RESPIRATÓRIA

10.1 DESCONGESTIONANTES NASAIS

São de evitar, especialmente as formulações orais e na grávida hipertensa. Preferir-se-ão


as soluções salinas nasais ou aerossolizadas.

10.2 MUCOLÍTICOS

O soro fisiológico aerossolizado e a hidratação são as medidas de eleição. A


acetilcisteína e a bromexina constituem uma opção aceitável.

10.3ANTITÚSSICOS

Embora não pareçam ser problemáticos, dadas as baixas doses habitualmente utilizadas,
os preparados com codeína são de utilizar apenas quando indispensáveis, o que será em
princípio raro. Atenção: os preparados contêm habitualmente múltiplos ingredientes de
segurança não estabelecida. Será sobretudo prudente evitá-los no final da gravidez (risco de
síndrome de privação no neonato).

10.4 ANTI-HISTAMÍNICOS

Clorfeniramina, difenidramina, loratadina são categoria B da FDA.

10.5 CORTICOSTERÓIDES INTRANASAIS

A utilizar quando benefício potencial significativo (categoria C, FDA).

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11 INFECÇÕES E AGENTES ANTIMICROBIANOS

11.1 INFECÇÕES BACTERIANAS

Preferir-se-ão sempre que possível os antibióticos mais antigos e com o espectro mais
fechado, como a penicilina e derivados ou, em caso de alergia, a eritromicina base.

QUADRO V.

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OPÇÕES
OBSERVAÇÕES A EVITAR OBSERVAÇÕES
ACEITÁVEIS
Potencialmente ototóxicos
Cefalosporinas Aminoglicosidos para o feto; monitorização
apertada dos níveis séricos

Trimetoprim é um
antagonista do ácido
fólico => a evitar no
período pré concepcional
e 1.o trimestre;
Clindamicina Co-trimoxazol
sulfamidas podem causar
anemia hemolítica fetal e
icterícia neonatal=>
contra indicadas no 3.o
trimestre
Excepto 3.o trimestre:
Teratogenicidade em
Cloranfenicol síndrome do bebê Claritromicina
animais
cinzento
Azitromicina,
eritromicina base, Eritromicina Associado a
espiramicina, (estolato) hepatotoxicidade materna
roxitromicina
Rifampicina no 3.o
Estreptomicina:
Isoniazida, trimestre:risco de Estreptomicina,
ototoxicidade
etambutol, hemorragia no recém- pirazinamida,
pirazinamida: dados
rifampicina (±) nascido e grávida por rifampicina
escassos
hipoprotrombinemia
A usar com prudência
no1.o trimestre, embora
actualmente se pense
Metronidazol Quinolonas Possível artropatia fetal
ser
seguro durante toda a
gravidez
Quelação aos dentes em
Nalidíxico desenvolvimento a partir
Tetraciclinas
(ácido) da 18.a semana de
gravidez
Excepto no 3.o
trimestre:
anemia hemolítica no
Nitrofurantoína
raro feto
com deficiência da
G6PD

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11.2 INFECÇÕES VIRAIS

QUADRO VI

OPÇÕES
A EVITAR OBSERVAÇÕES
ACEITÁVEIS
Aciclovir fanciclovir,
valaciclovir Teratogênica em praticamente todas
Ribavirina
sistêmicos/idoxuridina as espécies animais estudadas
tópica
Zanamivir Oseltamivir
Zidovudina Restantes antivirais em
(AZT),saquinavir geral

(INSTITUTO NACIONAL DA FARMÁCIA E DO MEDICAMENTO, 2001)

11.3 INFECÇÕES FÚNGICAS

Preferir os tópicos sempre que possível.

QUADRO VII

OPÇÕES ACEITÁVEIS A EVITAR


Imidazois tópicos Imidazois sistêmicos
Nistatina tópica e oral Griseofulvina
Terbinafina tópica Terbinafina sistêmica

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(INSTITUTO NACIONAL DA FARMÁCIA E DO MEDICAMENTO, 2001)

11.4 INFESTAÇÕES PARASITÁRIAS

QUADRO VIII

OPÇÕES OBSERVAÇÕES A EVITAR OBSERVAÇÕES


ACEITÁVEIS
Cloroquina, - só para profilaxia Antipalúdicos em
proguanil e se viagem geral
inadiável
- com o proguanil
(antagonista
dos folatos):
suplemento de
ácido fólico no
primeiro trimestre
Piperazina, Preferencialmente “bendazois”,
praziquantel sempre depois do pirantel
1º trimestre
Malatião, Benzoato de Lindano: possível risco
permetrina benzilo, de irritabilidade SNC,
crotamitona,lindano nados-mortos, focomelia
(INSTITUTO NACIONAL DA FARMÁCIA E DO MEDICAMENTO, 2001)

12 FARMACOCINÉTICA DOS MEDICAMENTOS NA GRAVIDEZ

As drogas possuem características próprias e agem de forma diferentes a cada grupo de


ação terapêutica por isso e importante conhecer a propriedade e a difusão das drogas pelo
corpo.

De uma forma geral, considera-se que, devido ao


esvaziamento gástrico mais lento e à diminuição da
motilidade intestinal na gravidez, a absorção dos
fármacos contidos nos medicamentos ingeridos por via
oral pode ser retardada. Durante a gestação, ocorre
também uma expansão do plasma (e o conseqüente
aumento do volume sangüíneo) e a diminuição da

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concentração das proteínas plasmáticas, o que pode


interferir na distribuição de algumas substâncias
medicamentosas, principalmente daquelas que se ligam
fortemente às proteínas plasmáticas. O metabolismo e a
excreção dos medicamentos também podem sofrer
alterações, devido à aceleração de reações metabólicas
(em função do elevado nível de progesterona
encontrado) e ao aumento da filtração glomerular
(decorrente, principalmente, do aumento do volume
sangüíneo). Acredita-se que essas alterações possam
interferir na resposta depende da toxicidade, mas
inexistem dados suficientes na literatura científica para
determinar, para a maioria dos medicamentos, a dose
segura e necessária na gravidez. SEGUNDO CARMO,
2003.

13 FÁRMACOS USADOS DURANTE A AMAMENTAÇÃO

A grade maioria dos fármacos podem ser usados durante a amamentação , poucos são
contra indicados, dentre estes poucos é necessário que hajam cuidados aos devidos riscos de
efeitos adversos em lactentes ou de redução do volume de leite e ainda é necessário maior
conhecimento sobre os efeitos para a criança de muitos fármacos durante a amamentação.

14 MEDICAMENTOS USADOS PARA AUMENTAR A PRODUÇÃO DO LEITE

14.1 GALACTAGOGOS

São drogas usadas para auxiliar a iniciação e a produção do leite em mulheres que
tiverem o parto prematuro , doenças , para mães que tiveram filhos a partir de barrigas de
aluguel, adoções. As drogas mais recomendadas para tal fim são a metoclopramida e a
domperidona , porem elas não tem efeito tão adequado em mulheres que não possuem o
tecido mamário adequado, com altos níveis de prolactina. (LAMOUNIER, 2004.)

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28

Segundo a AAP a suspensão brusca destes medicamentos como galactagogos pode


causar na diminuição significativa na produção do leite materno, devendo então realizar uma
suspensão gradualmente.

15 DROGAS QUE SUPREM A PRODUÇÃO DO LEITE

Drogas como Estrógenos, álcool, nicotina, pseudo-epinefrinas, dentre outras agem como
inibidores de prolactina , e conseguintemente diminuindo o leite materno, como recém
nascidos se alimentam somente do leite materno isso interfere diretamente o lactante,
causando desnutrição e perca de peso . (LAMOUNIER, 2004.)

16 COMO AS DROGAS SÃO TRANSFERIDAS PARA O LEITE MATERNO

Após o parto os alveolares dos seios mãe estão pequenos e espaço intercelular é largo, o
que faz com que as substancias maternas transfiram mais facilmente para o leite . Com o
passar dos dias a mãe já têm os níveis de progesterona mais elevados, os alvéolos estão
maiores e o espaço intercelular e diminuído, diminuído também a transferência de drogas para
o lactante. As drogas que são administradas por via venosa também são transferidas para o
leite , pois são transferidas através do plasma .(LAMOUNIER, 2004.)

17 DOSAGEM DE DROGAS TRANFERIDAS NA AMAMENTAÇÃO

Algumas drogas podem ser transferidas para o leite materno e conseguintemente para o
lactante causando sérios danos ao mesmo. Algumas medidas são adotadas para quantificar a
exposição do lactante ao medicamento por mulheres que fazem de fármacos por longos
períodos, as medidas mais utilizadas e a razão leite plasma, dose absoluta e dose relativa ao
lactante. (LAMOUNIER, 2004.)

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18 DROGAS QUE PODEM INFLUENCIAR NA COMPOSIÇÃO LEITE


MATERNO

A farmacocinética das drogas podem sofrer variações com alguns constituintes do leite e
com fatores maternos, influenciando assim na concentração do leite materno. (AMOUNIER,
2004.)

18.1 DROGAS COM BAIXO PESO MOLECULAR

As membranas possuem poros que permitem o movimento de moléculas com peso


moleculares menores que 200 Dáltons. O peso molecular de um fármaco quando baixo faz
com que as pequenas moléculas atravessem facilmente pela célula endotelial e o capilar
endotelial materno por difusão passiva.

18.2 GRAU DE IONIZAÇÃO

Os fármacos que são bases fracas tendem a estar menos ionizados no plasma tendem a
ficarem mais concentrados no leite materno.

18.3 LIGAÇÃO A PROTEÍNAS

Fármacos com baixa afinidade a proteínas plasmáticas atingem facilmente o leite


materno

18.4 LIPOSSOLUBIDADE

Fármacos lipossolúveis atravessam mais facilmente a barreira celular lipoprotéica,


atingindo mais facilmente o compartimento lácteo. Concentram-se mais no leite maduro,
devido a sua maior concentração lipídica.

18 .5 TEMPO DE MEIA VIDA

As drogas de ação longa mantêm níveis circulantes maior tempo no sangue materno e,
conseqüentemente, no leite materno.

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19 FÁRMACOS QUE NÃO PODEM SER USADOS DURANTE A GESTAÇÃO

Segundo a AAP (Associação Americana Pediátrica) alguns fármacos não podem ser
tomados durante a amamentação.

TABELA 1: FÁRMACOS QUE NÃO PODEM SER USADOS DURANTE A


AMAMENTAÇÃO

Ciclofosfamida Anfetamina Cocaína


Ciclosporina Metrotexate Heroína
Doxoribicina Fenciclidina Marijuana

20 ANEXO
Fármacos frequentemente utilizados durante a lactação e seus possíveis efeitos
sobre o lactante.
Fármaco Efeito sobre Comentários
o Lactente
Ampicilina Mínimo Nenhum efeito adverso significativo; possível
ocorrência de diarréia ou sensibilização
alérgica.
Anticoncepcionais Mínimo Podem suprimir a lactação em grandes doses.
orais
Aspirina Mínimo O uso ocasional de doses provavelmente é
seguro; a administração de altas doses pode
produzir concentrações significativas no leito
materno.
Cafeína Mínimo A ingestão de cafeína em quantidade
moderada é segura; a concentração no leite
materno corresponde a cerca de 1% daquela
no sangue materno.
Cenamicina Mínimo Nenhum efeito adverso relatado.
Cloranfenicol Significativo As concentrações são muito baixas para
provocar a síndrome do bebê cinzento; existe
a possibilidade de suspenssão da medula
óssea; não se recomenda o uso do
cloranfenicol durante a amamentação.
Clorotiazida Mínimo Nenhum efeito adverso relatado.
Clorpromazina Mínimo Parece ser insignificante.
Codeína Mínimo Nenhum efeito adverso relatado.
Diazepam Significativo Provoca sedação em lactentes amamentados;

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pode ocorrer acúmulo em recém-nascidos.


Dicumarol Mínimo Nenhum efeito adverso relatado; pode ser
conveniente determinar o tempo de
protrombina do lactente.
Digoxina Mínimo Quantidades insignificantes penetram no leite
materno.
Espironolactona Mínimo Penetração de quantidades muito pequenas no
leite materno.
Etanol Moderado A ingestão de quantidades moderadas pela
mãe tem pouca probabilidade de produzir
efeitos no lactente; o consumo de grandes
quantidades pode provocar efeitos alcoólicos
no lactente.
Fenitoína Moderado As quantidades que penetram no leite materno
não são suficientes para causar efeitos
adversos no lactente.
Fenobarbital Moderado O uso de doses hipnóticas pode causar
sedação no lactente.
Heroína Significativo Penetra no leite materno e pode prolongar a
dependência narcótica neonatal.
Hidrato de cloral Significativo Pode provocar sonolência se o lactente for
amamentado com sua concentração máxima
no leite.
Iodo (radioativo) Significativo Penetra no leite em quantidades suficientes
para provocar supressão da tireóide no
lactente.
Isoniazida (INH) Mínimo As concentrações no leite são iguais às
concentrações no plasma materno.
Possibilidade de desenvolvimento de
deficiência de piridoxina no lactente.
Lítio Significativo Evitar o aleitamento, a não ser que os níveis
possam ser medidos.
Metadona Significativo (Ver heroína) Com supervisão médica
rigorosa, pode-se prosseguir a amamentação.
Podem surgir sinais de abstinência de
opiáceos no lactente se a mãe interromper a
metadona ou suspender abruptamente o
aleitamento.
Penicilina Mínimo Presença de concentrações muito baixas no
leite materno.
Prednisona Moderado As doses maternas baixas (5mg/d)
provavelmente são seguras. Convém evitar a
administração de doses duas ou mais vezes as
quantidades fisiológicas (> 15mg/d).
Propiltiouracil Significativo Pode suprimir a função da tireóide no
lactente.
Propanolol Mínimo Penetração de quantidades muito pequenas no
leite materno.
Teofilina Moderado Pode penetrar no leite materno em
quantidades moderadas, mas não tende a

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produzir efeitos significativos.


Tetraciclina Moderado Possibilidade de pigmentação permanente dos
dentes em desenvolvimento no lactente. Sua
administração deve ser evitada durante a
lactação.
Tiroxina Mínimo Nenhum efeito adverso em doses terapêuticas.
Tolbutamida Mínimo Baixas concentrações no leite materno.
Varfarina Mínimo Detecção de quantidades muito pequenas no
leite materno.

(KATZUNG, 2003)

21 CONCLUSÃO

Por fim concluímos que o uso de medicamentos tanto a lactação gestação quanto a
lactação só devem ser usados com prescrição medica, sendo que o mesmo deve sempre
avaliar o risco beneficio para seu paciente . Diante das substâncias farmacologicamente ativas
as drogas usadas pelas grávidas podem ser difíceis de serem preditas pelas alterações em
muitos parâmetros fisiológicos e pela variação das atividades enzimáticas no metabolismo das
drogas, ditadas pela presença da placenta e do feto.

Cada vez mais mutações são identificadas e são também estabelecidas a sua relação
clínica, farmacológica, biológica e farmacocinética. A automedicação é a falta de informação
são agravantes nesses casos, onde as mulheres continuam com tratamentos talvez ate já
prescritos mas por falta de acesso ao medico continuam com tratamentos usando receitas
antigas, principalmente nos primeiros meses de gestação.

Para as mulheres que estão amamentando os efeitos farmacocinético são mais nocivos ,
a concentração da droga no leite materno e na maioria das vezes baixas não afetando
diretamente o lactante , porem deve haver cautela na prescrição médica ,os mesmos devem
preferir drogas que já foram estudas , e avaliar o risco beneficio para a mãe e para o recém-
nascido .

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33

22 BIBLIOGRAFIA

CENTRO DE INFORMACÕES, MEDICAMENTOS. In: .


<http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//arquivos/secretarias/saude/ass_farmaceutica/0004/medgrav.
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CHAVES RG, LAUMOUNIER JA. Uso de medicamentos durante a lactação, J.pediatr, Rio
de Janeiro,Vol 80, 5ª ed ,p 189-198, 2004.

INSTITUTO NACIONAL DA FARMÁCIA E DO MEDICAMENTO. Boletim de


farmacovigilância, Vol 5,2ª ed, 2º trimestre, 2001.

KATZUNG, Bertram G. Farmacologia Básica e clínica. 8ª ed. Guanabara Koogan, 2003

Manual Merck para a família – In: .


<http://www.manualmerck.net/?url=/search%3Fq%3Dcache%3A8ibUZ3zpT70J%3Awww.m
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%26cd%3D3%26hl%3Dpt-BR%26ct%3Dclnk%26gl%3Dbr> Acesso em: 27 abr. 2009

RANG, H. P. Farmacologia. 4ª ed. Guanabara Koogan

ZIEGEL, Erna e; Cranley, Mecca S. Engermagem Obstétrica. 8ª ed. Guanabara Koogan,


2003.

33