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Cordioli, A. V. (2008). Vencendo o transtorno obsessivo-compulsivo. 2. ed.

Porto
Alegre: Artmed.

“O TOC hoje em dia é considerado uma doença mental grave por vários motivos: de
acordo com a Organização Mundial de Saúde, está entre as 10 maiores causas de
incapacitação das pessoas; acomete preferencialmente indivíduos jovens ao final da
adolescência – e muitas vezes começa ainda na infância, sendo raro seu início depois
dos 40 anos. Seu curso geralmente é crônico e, se não tratado, tende a manter-se por
toda a vida, raras vezes desaparecendo por completo de forma espontânea. Em
aproximadamente 10% dos casos, seus sintomas são graves e tendem a agravar-se de
forma progressiva,8 podendo incapacitar os portadores para o trabalho e acarretar
limitações significativas à convivência com os demais, além de submeter seus
portadores a um grande e permanente sofrimento.” (p. 12).

“Uma primeira dificuldade ao se tentar identificar as causas é lidar com a enorme


heterogeneidade de apresentações do TOC. Suas manifestações podem ser muito
diversas: lavar excessivamente as mãos; fazer verificações de portas, fogão ou
eletrodomésticos; juntar objetos sem utilidade; ter a necessidade de alinhar as coisas ou
ter a mente invadida por pensamentos impróprios. O TOC, assim como pode ser de
intensidade leve e responder rapidamente à terapia ou aos medicamentos, pode também
ser extremamente grave, refratário a todas as modalidades de tratamento e, não raro,
incapacitante. Os sintomas, em certos indivíduos, são leves e quase não interferem em
seu cotidiano, mas, em outros, são extremamente graves e até incapacitantes. Muitas
vezes, os sintomas iniciam muito cedo, ainda nos primeiros anos da infância, enquanto,
em outras, seu início é tardio.” (p. 34).

“Aparentemente, constatam-se algumas diferenças interessantes entre o TOC que inicia


precocemente, ainda na infância, e o TOC de início tardio (após os 18 anos). O de início
precoce, entre os 5 e os 15 anos, é mais comum entre os homens, ao passo que o de
início tardio, entre os 25 e os 35 anos, ocorre mais em mulheres. A idade média de
início também parece ser menor em homens do que em mulheres: 21 e 24 anos,
respectivamente. Em uma pesquisa com crianças e adolescentes, observou-se que a
idade média de início foi de 9,6 anos para os meninos e 11 anos para as meninas. Como
já comentamos, constatou-se que, quando o início do TOC é precoce, é mais comum a
ocorrência de tiques e de transtorno de Tourette; de transtornos da alimentação; de
transtorno do pânico; de compulsões de repetição, por ordem ou por alinhamento; de
obsessões de conteúdo agressivo, religiosas e de conteúdo diverso, assim como a
ocorrência do transtorno em familiares; seus sintomas tendem a ser mais graves, e a
resposta aos medicamentos parece ser menor. A herdabilidade também parece ser maior
quando o TOC é de início precoce. Os pacientes de início tardio referiram o
colecionismo como a primeira compulsão que haviam apresentado. O início precoce
também parece estar correlacionado com aspectos genéticos relacionados a receptores
ou transportadores de dopamina.” (p. 39).