Você está na página 1de 45

Comunicação via Rádio

Trilha Técnica: Ferrovia | Pátio/Tração/Controle

VALER - EDUCAÇÃO VALE


Comunicação via Rádio
Trilha Técnica: Ferrovia | Pátio/Tração/Controle

Colaboradores

•• Emanoel Assis
•• Ernani Quintino
•• Eustáquio Andrade
•• Leonardo Mendonça
•• Paulo Silva Serra
•• Ronilson Vieira

Mensagem de direitos autorais:

É proibida a duplicação ou a reprodução deste material ou de parte dele, sob


qualquer meio, sem autorização expressa da Vale.

Este material é destinado exclusivamente para o uso em treinamentos internos.


Caro Empregado,

Mensagem Valer
Você está participando da ação de desenvolvimento
Comunicação via Rádio de sua Trilha Técnica.

A Valer – Educação Vale construiu esta Trilha em conjunto


com profissionais técnicos da sua área com o objetivo de
desenvolver as competências essenciais para o melhor
desempenho de sua função e o aperfeiçoamento da condução
de suas atividades diárias.

Todos os treinamentos contidos na Trilha Técnica contribuem


para o seu desenvolvimento profissional e reforçam os
valores saúde e segurança, que são indispensáveis para sua
atuação em conformidade com os padrões de excelência
exigidos pela Vale.

Agora é com você. Siga o seu caminho e cresça com a Vale.

Vamos Trilhar!
Introdução 5

Sumário
1. Processo de Comunicação 6
1.1 Formas de Comunicação 7
1.2 Pilares da Comunicação 10

2. Comunicação via Rádio 12


2.1 Contextualização 13
2.2 Meios de Comunicação na Operação 15
2.3 Tipos de Comunicação na Operação 16
2.4 Rádio 18

3. Antena e Frequência 23
3.1 Antena 24
3.2 Frequência 26

4. Regras de Comunicação via Rádio 30


4.1 Regras 31
4.2 Dicas para Evitar Falhas de Comunicação 38

5. Interface de Rádio de Voz – IRV 42


5.1 Equipamento 43
5.2 Corte de Tração – ART 45
Este curso foi elaborado para que você conheça a

Introdução
importância e a funcionalidade da comunicação, adotando
com confiabilidade as regras para uso do rádio transceptor
especificadas no Regulamento de Operação Ferroviária (ROF).

De maneira geral, a comunicação é um aspecto de


fundamental importância e grande aliada na operação com
trens, pois quando realizada de forma clara e objetiva garante
o aumento dos níveis de segurança da operação.

Neste sentido, o grande desafio da Vale é fazer com que,


por meio da padronização da comunicação via rádio,
a equipe de operação ferroviária tenha efetividade nas
transmissões e recebimentos de mensagens, executando as
orientações corretamente.
Inserir Imagem

1
Comunicação
Processo de
Nesta unidade, serão apresentadas as seguintes lições:

•• 1.1 Formas de Comunicação


•• 1.2 Pilares da Comunicação
Comunicação via Rádio 7

1.1 Formas de
Comunicação

0-126-122
Para entender melhor as várias formas de comunicar é preciso pensar um pouco sobre o que
é e o que envolve a comunicação, uma vez que esta palavra tem diversos significados, nas
mais diferentes áreas.
o!
No dia a dia, a comunicação acontece de várias formas.
nte!

ais! Saiba Mais!

ndo! Comunicar é “um ato ou efeito de emitir, transmitir e receber


mensagens por meio de métodos e/ou processos convencionados,
quer através da linguagem falada ou escrita, quer de outros sinais,
signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico especializado,
sonoro e/ou visual”.

FERREIRA, Aurélio B. de Hollanda. Novo Dicionário da Língua


Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
Comunicação via Rádio 8

Veja alguns exemplos:

Cebolinha, Você não viu que Não é bonito falar Por que ao invés de falar "eu
vem aqui! temos visitas? essas coisas na vou fazer xixi" você não fala, por
frente dos outros! exemplo, "eu vou cochichar"?
Que foi,
mãe?
Cochichar?
Tá legal!

Como você observou nas imagens, a comunicação pode ser verbal, isto é, falada e escrita, ou
não verbal, quando representada por placas, figuras, gestos, expressões, objetos e cores.
Podemos então considerar que comunicar é tornar comum, é compartilhar ideias e
pensamentos. Logo, uma boa comunicação depende do entendimento, envolvimento,
relacionamento e da confiança entre os envolvidos.
Comunicação via Rádio 9

Por isso, nesse processo é preciso:


0-126-122
•• disposição e comprometimento;
•• saber ouvir;
o!
•• conhecimento e entendimento do conteúdo, do interlocutor e do contexto.
nte!

ais! Saiba Mais!

ndo! Interlocutor é cada uma das pessoas que participa de uma conversa.
Comunicação via Rádio 10

1.2 Pilares da
Comunicação

Na comunicação é fundamental compreender a mensagem que é emitida pelo emissor.


Logo, não prevalece o que o receptor (quem recebe a mensagem) deseja ou pensa receber.
Para que isto aconteça, a mensagem a ser transmitida deve ser clara e os participantes do
diálogo devem executar quatro passos. Veja no esquema a seguir quais são:

Ouvir / Observar / Visualizar

Processo de Organizar / Avaliar


Repetir / Verificar / Monitorar
Comunicação

Questionar / Explicar

A figura nos mostra que cada um dos passos forma os quatro pilares do processo de
comunicação que, juntos, se completam para garantir o entendimento da mensagem pelo
receptor, resultando em uma ação correta.
Comunicação via Rádio 11

Veja como isso acontece no seu dia a dia:


Quem transmite uma orientação por meio de uma mensagem, raramente terá a
visualização da cena retratada via rádio. Por isso, caberá a você, que está no campo e
recebendo a mensagem:
1. ouvir, observar e visualizar se o trabalho solicitado pode ser executado no ambiente físico;
2. organizar e avaliar as etapas desse trabalho à medida que vai recebendo as informações;
3. questionar e explicar quando não entende alguma parte da mensagem;
4. repetir e monitorar 0-126-122
todo o ambiente da tarefa a ser executada.
Se todos esses passos forem realizados, a sua ação será correta e haverá sucesso no processo
de comunicação.
o!

nte!
Importante!

ais! Um grande desafio da comunicação via rádio no meio ferroviário


é garantir que o0-126-122
receptor ao ouvir uma mensagem e repeti-la
ndo! para o transmissor, execute-a de forma correta reduzindo erros e
riscos na operação.
o!
De acordo com a teoria da informação, podemos conceituar que comunicação é quando
nte! ocorre a propagação de uma mensagem por meio de um código comum entre uma fonte e
um destinatário, separados pelo tempo e/ou espaço.
ais!

ndo! Relembrando!

Nesta unidade, você estudou detalhes do processo de comunicação.


Pode-se destacar:
•• o que é a comunicação, as formas verbal e não verbal e
como ocorrem;
•• os passos do processo de comunicação que se complementam
para garantir o entendimento da mensagem transmitida.
Inserir Imagem

2
Comunicação via Rádio
Nesta unidade, serão apresentadas as seguintes lições:

•• 2.1 Contextualização
•• 2.2 Meios de Comunicação na Operação
•• 2.3 Tipos de Comunicação na Operação
•• 2.4 Rádio
Comunicação via Rádio 13

2.1 Contextualização

Como recurso para a engenharia eletrônica, a comunicação pode ser entendida como
a informação que é propagada por sinais em fios ou ondas eletromagnéticas entre
dois pontos.
Numa visão mais específica da engenharia eletrônica, a transmissão da informação de
um ponto a outro por ondas eletromagnéticas, sem a necessidade de um meio físico de
propagação, é definida como comunicação via rádio ou rádio comunicação.
0-126-122
Para que esse tipo de comunicação aconteça, deve haver um módulo transmissor capaz
de irradiar as ondas eletromagnéticas que se propagam no espaço sem guia artificial, com
frequência inferior a 3000 GHz; e outro módulo, receptor, capaz de captá-las.
o! Esses módulos, capazes de irradiar e captar ondas radioelétricas ou eletromagnéticas, são
chamados de transceptores.
nte!

ais! Saiba Mais!


ndo! A propagação de ondas eletromagnéticas sofre muitas
influências de fatores climáticos. Em dias chuvosos a propagação
fica pior, fazendo com que a comunicação entre dois pontos
distantes fique mais difícil.

Uma das grandezas que define uma onda eletromagnética é a sua frequência de oscilação
medida em Hertz (Hz), ou seja, a quantidade de vezes que essa onda oscila (varia) em um
período de tempo de um segundo.
A frequência de comunicação determina o que se chama de canal. Portanto, para se realizar
a comunicação entre dois rádios é necessário que os dois estejam sintonizados para a
mesma frequência.
Isto quer dizer que se você deseja escutar a rádio Tribuna FM de Vitória em seu rádio
receptor, é necessário que sintonize o seu equipamento para a frequência de 99,1 MHz,
usando o canal correspondente a essa frequência. Já para a Transamérica FM, a sintonia deve
ser feita para a frequência 100,1 MHz.
Comunicação via Rádio 14

Para a comunicação via rádio no meio ferroviário, os canais dos rádios são devidamente
pré‑configurados pela área de manutenção eletroeletrônica de acordo com as frequências
utilizadas e habilitadas na empresa, conforme destacadas nas tabelas a seguir.

Canais de rádio na EFVM


CANAIS FREQ. TX (MHz) FREQ. RX (MHz)

Canal 1 – Tráfego 157.530 159.330

Canal 2 – Manobra A 158.150 158.150


Canal 3 – Manobra B 158.050 158.050

Canal 4 – Manobra C 158.410 158.410


Canal 5 – Manobra D 159.910 159.910

Canal 6 – Auxiliar 157.510 159.310


Canal 7 – Manobra E 160.790 160.790

Canal 8 – Manobra F 148.990 148.990

Canais de rádio na VLI


CANAIS FREQ. TX (MHz) FREQ. RX (MHz)

Canal 51 – Manobra 1 148.990 148.990

Canal 52 – Manobra 2 148.830 148.830


Canal 53 – Manobra 3 148.650 148.650

Canal 54 – A ser implantado 161.310 161.310


Canal 55 – A ser implantado 161.210 161.210

Canal 56 – Terra trem 162.230 158.530


Canal 21 – Ferrobam 1 160.790 160.790

Canal 22 – Ferrobam 2 158.970 158.970


Canal 23 – Up leste / MRS 148.250 152.810
Comunicação via Rádio 15

2.2 Meios de Comunicação


na Operação

Para estabelecer a comunicação na operação alguns meios podem ser utilizados, entre eles
estão o autotrac, os telefones, o rádio portátil e o rádio fixo, conforme ilustração a seguir.

Autotrac Telefones

Rádio Portátil Rádio Fixo


Comunicação via Rádio 16

2.3 Tipos de Comunicação


na Operação

Ponto a ponto

É a comunicação direta entre dois rádios.

Tx1
Rx1

TX 158.150 MHz

Tx1
Rx1

RX 158.150 MHz

Vantagens: não possui equipamentos de repetição entre os rádios, não havendo


0-126-122
necessidade de manter uma estrutura para repetição de sinais (geralmente em alto de
morro), e seu custo de implantação é menor.
Desvantagem: tem alcance pequeno.
o!
Onde usá-la: em operações onde a cobertura exigida não é grande.
nte!

ais! Saiba Mais!

ndo! Geralmente a frequência de TX é igual à de RX.


Comunicação via Rádio 17

Via Repetidora

É a comunicação feita por rádio de menor potência que transmite sinal para uma estação
repetidora, normalmente situada em lugar privilegiado, que o retransmite em outra
frequência com maior potência.

TX 159.310 MHz
RX 157.510 MHz Tx2
Rx1
Tx1 TX 157.510 MHz
Rx2 RX 159.310 MHz

Tx2
Rx1

TX 157.510 MHz
RX 159.310 MHz

Tx1
Rx1

TX 157.510 MHz
RX 159.310 MHz

Vantagem: alcance de aproximadamente 50 km de raio em torno da repetidora (localizada


em alto de morro).
0-126-122
Desvantagens: necessidade de manter a estrutura para o funcionamento da repetidora
(acesso, torre, abrigo, energia) e seu custo de implantação é grande.
Onde usá-la: em operações em que a cobertura exigida for grande; e onde as condições de
o!
relevo impeçam operações de comunicação ponto a ponto.
nte!

ais! Saiba Mais!

ndo! A frequência de TX é diferente da de RX.


Comunicação via Rádio 18

2.4 Rádio

Conheça agora alguns elementos fundamentais para o funcionamento do rádio:

•• antenas (omnidirecionais e diretivas);


•• fonte de energia;
•• linha de transmissão:
•• quanto maior, tanto maior será a atenuação;
•• diferença entre cabo RG-58 e RG-213.
A seguir, veja alguns pontos importantes que orientarão você a utilizar o rádio de forma
adequada e com cuidado para preservar sua vida útil.
Utilização adequada do rádio

•• Ajuste de volume.
•• Seleção adequada do canal/ frequência.
•• PTT – push to talk.
•• Comunicação em andamento.
•• Comunicação objetiva x Ocupação do canal.
•• Comunicação profissional x Brincadeiras e palavrões.
Fatores inibidores do sinal

•• Proximidade de prédios ou de estruturas metálicas.


•• Operação do rádio em movimento.
•• Operação do rádio em posição não vertical.
•• Distância grande entre transmissor e receptor.
•• Não transmitir de dentro de veículos.
Comunicação via Rádio 19

Recomendações

•• A antena e os botões do rádio são componentes sensíveis e podem ser danificados


facilmente, por isso, é necessário cuidado.

•• Evite contato com líquidos.


•• Proteja o equipamento da chuva.
•• Evite choques mecânicos.
•• Não opere o equipamento com bateria fraca.
•• Procure sempre locais abertos e desobstruídos.
•• Atue nos controles de forma suave.
•• Mantenha o equipamento limpo.
•• Quando enviar um equipamento para reparo forneça todos os detalhes possíveis sobre
o problema apresentado.
Cuidados com o rádio

“Cuide bem do seu rádio portátil, sua vida pode depender dele”

Veja algumas recomendações que você deve seguir para aumentar a vida útil do seu rádio:
a. não tente “consertar” os pinos de contato da bateria, eles são tortos assim mesmo;

Pinos de contato da bateria


Comunicação via Rádio 20

b. não guarde o seu rádio dentro do capacete; isso danifica a antena;

Modo impróprio para guardar o rádio

c. ao desligar e/ou aumentar o volume do rádio, não gire o botão em excesso para não arrancar
sua proteção;

Proteção de botão do rádio


Comunicação via Rádio 21

d. ao tentar retirar a bateria, se ela não destravar, não use ferramentas pontiagudas, nem força
excessiva. Para isto, proceda conforme orientação abaixo:

•• Com o polegar, pressione a bateria contra o rádio e, ao mesmo tempo com a outra
mão, puxe as travas para baixo.

Procedimento para retirar bateria

e. não é necessário apertar a antena do rádio em demasia, o mais leve encosto é suficiente, pois
o contato é feito nas laterais e não no fundo do conector. Quando o aperto é excessivo, o
limitador de encosto da antena se dobra, vai muito fundo e rompe o conector GNT, causando
falha na transmissão e recepção.

Limitador de Fundo do
encosto conector
0-126-122

o! Comunicação via Rádio 22

nte!

ais!

ndo! Relembrando!

Nesta unidade, você estudou detalhes da comunicação via rádio na


operação. Pode-se destacar:
•• as pré-configurações dos canais dos rádios com as frequências
utilizadas na Vale;
•• as particularidades dos tipos de comunicação utilizados: ponto
a ponto e via repetidora;
•• orientações importantes para a utilização adequada do
rádio no dia a dia e os cuidados necessários para aumentar
sua vida útil.
Inserir Imagem

3
Antena e Frequência
Nesta unidade, serão apresentadas as seguintes lições:

•• 3.1 Antena
•• 3.2 Frequência
Comunicação via Rádio 24

3.1 Antena

A seguir, veja alguns conceitos fundamentais que você deve conhecer e que viabilizam uma
melhor comunicação via rádio.

Tamanho da antena

O tamanho de uma antena está diretamente relacionado com o comprimento de onda, o


que significa que quanto maior o comprimento de onda maior será a antena.
Com base nesse conceito, uma antena de VHF será menor que uma antena de UHF e maior
que uma antena de HF.
Em alguns tipos de antena, o ajuste correto do tamanho da antena deve ser feito pelo
instalador, no local de instalação, utilizando-se um wattímetro para medir a potência
refletida, que deve ser a menor possível para a frequência de operação.

Antena de locomotiva
Comunicação via Rádio 25

Tabela de corte

A A A
MHz MHz MHz
[mm] [mm] [mm]

148 426 160 387 172 354

149 422 161 384 173 351

150 418 162 381 174 349

151 415 163 378

152 411 164 375

153 408 165 373

154 405 166 370

155 402 167 367

156 399 168 364

157 396 169 362

158 393 170 359

159 390 171 357

Fonte: Motorola Solutions

Observações:
1. Os valores da tabela são de referência, podendo divergir em situações não idênticas às do ensaio.
2. É aconselhável cortar para uma frequência imediata menor, observando no wattímetro o
resultado para uma VSWR ≤4% do valor direto obtido na frequência central.
Comunicação via Rádio 26

3.2 Frequência

Espectro de frequência

A natureza tem a propriedade de transportar frequências, que se dividem de acordo


com suas características, na forma de ondas eletromagnéticas, criando o "espectro de
frequências". Existem duas faixas de frequências: as que podem ser ouvidas e as que
podem ser vistas.
Entre elas estão as frequências utilizadas para outras finalidades como sistema de
comunicação aérea civil e militar, ambulâncias, telefone sem fio, aparelhos de controle
remoto, telemetria, controles de segurança, enfim, tudo que necessita ser transportado via
frequência. As emissoras de rádio e TV, assim como a telefonia e os sistemas de satélites,
também têm sua faixa de frequência reservada dentro do espectro.
Comunicação via Rádio 27

FAIXA DE SUBDIVISÃO
DESIGNAÇÃO ABREVIATURA APLICAÇÕES
FREQUÊNCIA MÉTRICA

Frequência muito Fins militares e de pesquisa –


3 – 30 kHz VLF
baixa distâncias muito longas.

Fins militares e auxílio na


30 – 300 kHz Ondas quilométricas Frequência baixa LF
navegação (ondas longas).

Ondas Faixa AM comercial


300 – 3000 kHz Frequência média MF
hectométricas (ondas médias).

Frequência muito Radioamadorismo, exército e AM


3 – 30 kHz Ondas decamétricas HF
alta comercial (ondas curtas).

Frequência muito Transmissões de TV e FM, VHF


30 – 300 MHz Ondas métricas VHF
alta comercial.

Frequência Telefonia celular, serviços de TV,


300 – 3000 MHz Ondas decimétricas UHF
ultra-alta enlaces telefônicos.

Frequência Transmissões com parabólicas,


3 – 30 GHz Ondas centimétricas SHF
superalta ponto a ponto ou por satélites.

Frequência Em estudos, provável uso


30 – 300 GHz Ondas milimétricas EHF
extremamente alta em satélites.

Fonte: Agência Nacional de Telecomunicações

Casamento de impedância

Por impedância pode-se entender o efeito da parte resistiva (real) mais a parte reativa
(imaginária) em função da frequência.
Considera-se que um circuito está perfeitamente casado quando a impedância da carga que
recebe um sinal é igual à impedância da fonte que gera esse sinal. Nesta situação ocorre a
máxima transferência de potência.

Potência do rádio

Potência é a quantidade de energia que um equipamento é capaz de transmitir na unidade


de tempo caracterizada pelo Watt.
No rádio, refere-se ao nível de sinal na saída de antena do equipamento sendo considerado,
em uma situação ideal, que cada Watt represente 1 km.
Comunicação via Rádio 28

Tipos de potência

•• Potência direta: potência que é efetivamente transmitida pelo sistema.


•• Potência refletida: potência que é refletida em algum ponto devido a algum
descasamento de impedância no circuito. A potência refletida é indesejável em
qualquer sistema de transmissão pois, além de representar um consumo de energia
desperdiçado, ela vai ser dissipada sobre os componentes do módulo transmissor,
podendo até mesmo ocasionar danos no amplificador de saída do equipamento.

•• Várias situações podem provocar o aparecimento de potência refletida, como conexões


mal feitas, antenas mal dimensionadas, cabos danificados etc. É importante lembrar
0-126-122
que a impedância característica da linha de transmissão deve ser igual à impedância do
rádio e da antena.

o!

nte!
Importante!

ais! Em todo equipamento transmissor haverá a presença de


potência refletida, pois é impossível se conseguir um perfeito
ndo! casamento entre todas as partes do sistema. É necessário, então,
ter o cuidado de reduzir ao máximo esse distúrbio, a fim de que
seja alcançado o maior rendimento do sistema.

Modulação AM e FM

AM significa amplitude modulada e FM significa frequência modulada. A partir desses conceitos:

•• "modular em amplitude" significa variar a amplitude de uma onda portadora baseada


na amplitude de um sinal modulante;

•• "modular em frequência" significa variar a frequência de uma onda portadora baseada


na amplitude de um sinal modulante.

Em relação à modulação FM, pode ocorrer o desvio que é a variação máxima de frequência
da onda portadora modulada em FM.

Erro de frequência

É a diferença entre o valor da frequência definida para um canal e o valor real que o rádio
está transmitindo (valor medido). Quanto mais próximo de zero, melhor. Valor máximo
aceitável: 1 kHz.
0-126-122

Comunicação via Rádio 29


o!

nte!

ais!

ndo! Relembrando!

Nesta unidade, você estudou conceitos importantes presentes na


comunicação via rádio. Pode-se destacar:
•• a importância do tamanho da antena para melhorar
a comunicação;
•• as faixas de frequência e suas aplicações;
•• os tipos de potência e modulação em amplitude e frequência.
Inserir Imagem

4
via Rádio
Regras de Comunicação
Nesta unidade, serão apresentadas as seguintes lições:

•• 4.1 Regras
•• 4.2 Dicas para Evitar Falhas de Comunicação
Comunicação via Rádio 31

4.1 Regras

No decorrer desta unidade você terá acesso a regras e dicas fundamentais para estabelecer
algumas normas para a comunicação via rádio que devem ser aplicadas no seu dia a dia.
Essas regras são essenciais para descartar riscos na operação por meio da comunicação e
sinalização. Elas estão presentes no Regulamento de Operação Ferroviária (ROF) e seguem,
abaixo, com as especificações conforme o documento original, iniciando sua reprodução no
item 2. Além disso, você verá exemplos de acidentes causados pela falta de aplicação das normas.
Continue sua leitura!

2 Regras

20. Regras Gerais de Comunicação Via Rádio

20.1 A comunicação deve ser clara, objetiva e breve. As conversas informais são proibidas.
20.2 Antes de transmitir uma mensagem, o empregado deverá certificar-se de que o meio
selecionado não esteja sendo utilizado, de forma a evitar interferência na comunicação.
20.3 Deve-se utilizar a frequência auxiliar para assuntos que não estão diretamente
relacionados à circulação ou operação de trens.
20.4 Todas as autorizações via rádio, que digam respeito à operação de trens e
concessão de serviços, somente poderão ser executadas depois de recebidas e
entendidas, devendo ser obrigatoriamente repetidas na íntegra por quem está
recebendo. Havendo dúvidas é obrigatório solicitar repetição de mensagem.
20.5 Todos os equipamentos de comunicação em operação devem permanecer
ligados e com volume suficientemente alto para que todas as chamadas sejam
ouvidas e respondidas de imediato.
Comunicação via Rádio 32

21. Padrão de Comunicação Via Rádio

21.1 O contato inicial da comunicação deve ser precedido de identificação e


localização. A identificação e localização devem também ser repetidas sempre que
for estabelecer um novo contato.
21.2 Na continuidade da comunicação deve-se utilizar o prefixo do trem ou número
de locomotiva/veículo/manutenção ou o nome do Operador de Trem. Casos em que
haja duplicidade de identificação deve-se também mencionar o local.
21.3 Toda comunicação deve ser encerrada com a palavra “câmbio”.
21.4 Modelo de Chamada Inicial / Identificação:

•• Chamada – Identificação do emissor (prefixo do trem ou locomotiva ou nome do


operador do trem) / no local tal / chamando o... (receptor), no local tal, câmbio.

•• Resposta – Identificação do receptor / no local tal / atendendo o... (emissor) no


local tal, câmbio.

Exemplo:

Chamada: M-15 / na RH 34 / chamando o CCO, câmbio.


Resposta: CCO / atendendo o M-15, na RH 34, câmbio.

22. Comunicação na Manobra

22.1 A ordem de movimentação recebida pelo Operador de Trem deve ser repetida
em sua íntegra, a fim de certificar que foi completa e corretamente compreendida.
22.2 O Operador de Trem, após repetir a primeira ordem recebida, somente pode
recuar até a metade da última distância que lhe foi informada, devendo parar a
composição caso deixe de receber novas instruções.
22.3 O empregado qualificado responsável que estiver cobrindo o recuo deve manter
o Operador do trem informado sobre a distância que falta para a parada/engate, de
modo a não provocar a parada da composição antes do local pretendido, devido à
falta de instruções.
22.4 Quando a distância para engate ou a parada for igual ou inferior a 10 vagões,
não é necessário o uso da palavra “câmbio”, sendo obrigatória a informação da
identificação e quantidade de vagões que faltam para a parada ou engate.
22.5 Como exemplo, para uma operação de recuo de 15 vagões, o empregado que
está cobrindo a cauda e o Operador do trem devem proceder conforme abaixo:

•• OOF para Operador do trem: "Trem ou locomotiva ou operador tal, recuar 15


vagões para engatar, câmbio.”
Comunicação via Rádio 33

•• Operador do trem para OOF: “Trem ou locomotiva ou operador tal, recuando 15


vagões para engatar, câmbio.”

•• OOF para Operador do trem: “Trem ou locomotiva ou operador tal, faltam 10 vagões.
•• Operador do trem para OOF: “Trem ou locomotiva ou operador tal, recuando 10
vagões para engatar.”

Exemplo para o OOF – Continuação da comunicação do OOF:

Trem ou locomotiva ou operador tal, faltam 6 vagões. Trem ou


locomotiva ou operador tal faltam 4 vagões. Trem ou locomotiva ou
operador tal, faltam 3 vagões. Trem ou locomotiva ou operador tal,
faltam 2 vagões. Trem ou locomotiva ou operador tal, falta 1 vagão.
Trem ou locomotiva ou operador tal, falta meio vagão.“

Observação: Informar a distância em metros até a parada ou engate.


22.6 A identificação da posição do trem, nos casos de licenciamento/autorização
verbal do CCO, deverá ser feita em termos de SB de cima, de baixo ou intermediária,
além de, caso haja travadores no trecho, em termos de acima ou abaixo do referido
travador. O CCO deve usar sentenças como “livrar o circuito de chave do local tal e
parar”, “livrar a placa da SB tal e parar”, “até a placa da SB tal”.

23. Chamadas de Emergência

23.1 Essas chamadas devem ser usadas por qualquer empregado qualificado
responsável (próprio, contratado ou terceirizado) somente nos seguintes casos:

•• acidentes pessoais;
•• obstruções da linha;
•• acidentes ferroviários;
•• incêndios;
•• enxurradas;
•• possibilidade ou danos ao meio ambiente;
•• danos a propriedades da empresa;
•• nas aplicações de emergência voluntária ou involuntária em trem circulando;
•• outras situações que possam causar sérios atrasos ao tráfego;
•• descumprimento da licença fornecida pelo CCO, CCP ou Estação.
Comunicação via Rádio 34

23.2 A chamada de emergência é prioritária e deve ser feita da seguinte forma:

•• Trem para CCO/CCP/Estação


•• Chamada – “Trem tal, no local tal, operador tal, chamando CCO/CCP/Estação,
em emergência, câmbio”.

•• Resposta – “CCO/CCP/Estação atendendo trem tal, no local tal, em


emergência, câmbio”.

•• CCO/CCP/Estação para TREM


•• Chamada – “CCO/CCP/Estação chamando trem tal, no local tal, em
emergência, câmbio”.

•• Resposta – “Trem tal, no local tal, operador tal, atendendo CCO/CCP/Estação,


em emergência, câmbio”.
23.3 A chamada deverá ser repetida por quem a emite até que haja resposta.
23.4 As chamadas em emergência para o CCO/CCP/Estação ou para um trem, por
estações, mantenedores e outros deverão seguir as orientações acima, substituindo-
se nos diálogos a localização do trem pelo nome da estação ou posição quilométrica.
23.5 As chamadas em emergência emitidas ou recebidas têm efeito de interdição em
todas as comunicações que estão se processando, tendo prioridade a comunicação
de emergência com o interlocutor.
23.6 A comunicação com os demais interlocutores só poderá ser restabelecida
quando a chamada de emergência for concluída.

24. Mudança de Canal

24.1 Caso o Operador de Trem não consiga comunicar-se com o CCO pela rede de
tráfego, deverá passar o seu rádio para outra frequência, comunicando-se com outro
trem ou estação mais próxima /CCE/CCM, voltando em seguida para a rede de tráfego.
24.2 Os trens circulando na linha sinalizada, cujo aparelho de comunicação seja
desprovido da função SCAN, só podem operar na rede de manobra quando
autorizados pelo operador de CCO, exceto em caso de emergência. Quando o aparelho
de comunicação tiver a função SCAN, fica obrigatório durante a permanência na área
de abrangência de pátios e terminais a mudar para o canal da manobra ou auxiliar,
fazendo uso da função SCAN, com a frequência preferencial do CCO.
24.3 No cruzamento e ultrapassagens entre trens é obrigatório alterar a frequência
para o canal de manobra, utilizar a função SCAN quando disponível no rádio, até o
término da transposição, devendo retornar em seguida para a frequência de tráfego.
24.4 Não é permitido o uso da função SCAN do rádio durante as manobras, não
podendo o Operador de Trem e OOF/TOF mudar a frequência do rádio sem
autorização do responsável pelo pátio.
Comunicação via Rádio 35

24.5 Na operação de carga e descarga de trilhos e brita nos trens de serviço, o


Operador de Trem deve ter um rádio exclusivo para manter contato com a equipe da
VP, não podendo fazer uso da função SCAN.
24.6 No caso de trem de passageiros com rádio fixo, sem a função SCAN, é
obrigatório o uso do rádio transceptor nas paradas das estações. O Operador de Trem
deverá dar prioridade para a comunicação com o Chefe do trem.
24.7 Em trechos com dispositivos eletrônicos de segurança via rádio como detector
de descarrilamentos e outros, o Operador de Trem deve manter o canal utilizado
pelos equipamentos.

25. Gravação

25.1 Todas as comunicações realizadas através de rádio frequência, telefone e


Autotrac entre o campo e CCO/CCP/CCM/CCE serão devidamente gravadas por
equipamento localizado no CCO/CCP/CCM/CCE, devendo ser mantidas por no mínimo
um mês.
25.2 O pátio que mantém manobra fixa deverá realizar gravação de suas operações
via rádio, arquivando-as por no mínimo um mês.

26. Utilização dos Equipamentos de Comunicação

26.1 É proibida a utilização dos equipamentos de comunicação para transmitir


alarmes falsos, mensagens desnecessárias, irrelevantes ou de assuntos estranhos ao
serviço. Também é proibido empregar linguagem obscena, gírias ou brincadeiras,
assim como permitir que pessoas não credenciadas e não treinadas usem os
equipamentos de comunicação.

27. Ajuste Técnico nos Equipamentos Eletroeletrônicos

27.1 É proibido às pessoas não autorizadas pela área responsável pela manutenção
efetuar ajustes técnicos nos equipamentos eletroeletrônicos.
27.2 Quando o equipamento eletroeletrônico não estiver funcionando
satisfatoriamente, o fato deve ser comunicado ao CCM/Help Desk com o respectivo
relatório, informando o defeito para as providências de manutenção e/ou substituição.
Comunicação via Rádio 36

3 Regras de Sinalização

30. Sinal Manual

30.1 Os sinais manuais deverão ser utilizados somente em situação de emergência.

Sinal Manual: dois braços agitados alternadamente sobre a cabeça ou na linha da cintura.
Significado: emergência, determina que o operador de trem cumpra uma parada imediata do trem.
Utilização: em situação crítica que não seja possível outro tipo de comunicação.

Sinalização Manual

Padronização de mensagens

Para inibir a possibilidade de receber um "ok" ou "entendido“ para a licença direcionada a


outro trem, o maquinista somente poderá cumprir a licença de circulação após repetir a
mensagem na íntegra para o CCP, e ouvir do CCP a resposta de "entendido" com o seu nome,
locomotiva ou prefixo do trem no final da mensagem.

•• Detalhamento: sem essa informação ao final do processo de licenciamento, o


maquinista está proibido de cumprir a licença, mesmo que tenha entendido.

•• Justificativa: maior confiabilidade no processo de licenciamento dos trens em manobra.


Exemplo:

"Entendido, João Paulo" ou "Entendido, Loco 421" ou "Entendido,


Tração do M-10".

Todo licenciamento do CCP realizado para pontos conflitantes, devem conter a informação de que
existe um determinado trem ou manobra no ponto de interseção para o qual está sendo licenciado.

•• Detalhamento: sem essa informação ao final do processo de licenciamento, o


maquinista deve permanecer parado e cobrar do CCP informações das outras
autorizações nos locais.

•• Justificativa: essa medida visa chamar a atenção dos operadores para a existência do
risco de colisão no ponto para o qual está circulando.
Comunicação via Rádio 37

Exemplo:

"Locomotiva 421 está autorizada a circular na linha 47, marco


com a linha 49, ciente que a tração do M-18 está circulando na
linha 49, câmbio.”

"Tração do M-18 está autorizada a circular pela linha 49, marco


com a 47, ciente que a locomotiva 421 está autorizada a circular
na linha 47, câmbio."

História de uma falha de comunicação

Certa vez, um homem deixou as ruas cheias de neve de Chicago, sua cidade natal, para
uma temporada de férias na ensolarada Flórida. Sua esposa estava viajando a negócios e
planejava encontrar-se com ele, na Flórida, no dia seguinte.
Quando chegou ao hotel ele resolveu mandar um e-mail para sua mulher. Como havia
perdido o papel no qual anotou o endereço eletrônico, tirou da memória o que lembrava e
torceu para que estivesse certo.
Infelizmente ele errou uma letra e a mensagem foi para a esposa de outro homem.
Esse homem havia morrido no dia anterior, e, quando ela foi checar os recados eletrônicos,
leu a primeira mensagem, deu uma olhada penetrante no monitor, e se desmanchou em um
grito profundo, caindo morta no chão.
Ao ouvir o grito, seus familiares correram para o quarto e a viram caída no chão, com a
seguinte mensagem na tela do computador:
Comunicação via Rádio 38

4.2 Dicas para Evitar


Falhas de Comunicação

•• Evite palavras com duplo sentido.


•• Nunca faça algo com dúvidas.
•• Se não entender algo, pergunte.
•• Sempre fale seu nome no início da conversação.
•• Repetir sempre as mensagens na íntegra, para que possam ser analisadas possíveis
distorções no entendimento.

•• Sempre pronunciar o nome do seu interlocutor no fim das mensagens.


•• Nunca agir por impulso, pare e pense.
•• Sempre utilize o padrão de comunicação estabelecido pelo ROF.
•• Antes de transmitir uma mensagem reflita sobre:
•• o que vai falar;
•• como vai falar;
•• a necessidade de falar;
•• se a comunicação já existe.
Comunicação via Rádio 39

Estudos de caso

Dados do Acidente 1
Condições climáticas: tempo bom.
Visibilidade: média + trecho de entrada no pátio em curva.
Dados do trem: E050, locomotiva 3866, 241 metros, 17 vagões carregados com contêineres,
peso bruto de 17 ton.
Dados da equipagem:

•• Maquinista – xxx, maquinista de viagem, estava com menos de meia hora trabalhada
(cerca de 20 minutos), 24 anos na ferrovia.

•• Auxiliar – xxx, auxiliar de maquinista, estava com menos de meia hora trabalhada (cerca
de 20 minutos), cinco meses na ferrovia.
Manobrando: não
Estação ou km: ESL (Sete Lagoas)
Fotos
Fotos dodo acidente
acidente:
Comunicação via Rádio 40

Dados do Acidente 2
Linha: via principal.
Perfil do trecho: em nível.
Estações adjacentes: sentido do trem – de EPM para ESL.
Velocidade: constatada de 32 km/h / VMA 20 km/h.
Natureza: choque.
Tempo dos atendimentos

•• Tempo total de interdição da via: 10 h 40 min.


•• Tempo entre a ocorrência e o acionamento do CCO: o CCO foi avisado imediatamente.
•• Chegada dos investigadores: chegaram às 22 h 10 min, pois a distância entre Montes
Claros, de onde saíram, e Sete Lagoas é de 370 km. Estava chovendo e a estrada é ruim,
dificultando a chegada em menor tempo.
Descrição sumária do evento: trem E050 com a locomotiva 3866, 17 vagões, colidiu com
A058 auto 3066 que estava parado SB ESLP, não houve vítimas nem danos ao meio ambiente.
Fatos constatados:

•• o ALS A058 se dirigia ao AMV de entrada de ESL para conferir se ela estava posicionada
para a linha D, quando avistou o E050 dentro do pátio na linha P, a cerca de 150 m do
auto de linha;

•• o condutor do auto de linha 3066 fez contato com a estação de Prudente de Morais para
saber se o trem já havia partido, obteve como resposta que ainda não havia partido,
não fez contato com o E050 descumprindo o ROF no item 40.1, 40.3 e 10.16 alínea B,
acreditando que ele ainda estava longe do pátio de ESL;

•• pela verticalidade da desaceleração é nítido que a emergência foi aplicada com o trem a
32 km/h após o AMV de entrada do pátio de ESL, quando o maquinista do E050 já tinha
o ALS A058 no seu campo de visão. Fato constatado pela análise do VDO;

•• se o auto ALS A058 tivesse feito o AMV para a rota do desvio, o choque poderia ter
sido evitado;

•• não houve comunicação dos trens envolvidos na circulação (descumprimento do item


40.1 e 40.3 do ROF);

•• não foi feito o AMV, pelo condutor do auto da linha, que tinha ciência de que iria
haver o cruzamento;

•• o auto de linha 3066 estava parado no momento da colisão.


0-126-122

Comunicação via Rádio 41


o!

nte!

ais!

ndo! Relembrando!

Nesta unidade, você estudou detalhes das regras de comunicação


via rádio. Pode-se destacar:
•• regras e padrões de comunicação e sinalização estabelecidos
para prevenir riscos na operação;
•• análise de dois casos de estudo representados por acidentes
ocorridos devido a falha na comunicação.
Inserir Imagem

5
de Voz – IRV
Interface de Rádio
Nesta unidade, serão apresentadas as seguintes lições:

•• 5.1 Equipamento
•• 5.2 Corte de Tração – ART
Comunicação via Rádio 43

5.1 Equipamento

O Interface de Rádio de Voz (IRV) é um equipamento desenvolvido para permitir que sejam
enviados comandos para a locomotiva, por meio do seu rádio de voz, e permite ler, à
distância, alguns parâmetros da locomotiva.

Funções

As funções do equipamento são:

•• alteração de limites de velocidade do ATC (padrão HAD, GDE, Passageiro);


•• alteração do estado do DLS;
•• lacre eletrônico;
•• leitura de velocidade do ATC;
•• leitura do padrão de velocidade;
•• teste de rádio;
•• corte de tração (ART);
•• aplicação de emergência pelo CCO (ARE).
Para realizar essas funções, o MCI 100 possui uma unidade de processamento, uma interface
de comunicação pelo ATC, uma interface de comunicação pelo rádio da locomotiva e relés
para atuação no sistema de freio, tração e realização da função de lacre eletrônico.

Componentes

Tecla

O IRV possui uma única tecla que é chamada botão provisório.


Em operação normal, essa tecla serve para ativar o recurso de lacre provisório, ou seja, fechar
provisoriamente o relé de lacre eletrônico por um tempo igual a 10 minutos.
Comunicação via Rádio 44

Esse recurso tem a função de permitir que, caso ocorra um defeito no ATC e seja necessário
quebrar o lacre, estando a locomotiva em uma área sem comunicação pelo rádio, o
maquinista possa movimentar o trem até um ponto onde obtenha comunicação pelo rádio.
Toda vez que esse botão é acionado, um sinal é enviado pelo rádio, acusando o uso do
recurso de lacre provisório. Portanto, caso o maquinista utilize esse recurso em uma região
onde a comunicação com o CCO é possível, o CCO receberá a mensagem indicando que o
botão provisório foi acionado.
O botão provisório tem também a função de permitir a programação de endereço da
locomotiva no IRV.

Endereçamento

Cada IRV contém um endereço que corresponde ao número da locomotiva.


Para programar o endereço da locomotiva no IRV, deve ser utilizado o software
PROGRAMADOR IRV instalado em um PC.
Os seguintes procedimentos devem ser seguidos:
1. conecte o PC ao IRV;
2. abra o software de programação de endereço (PC);
3. digite o endereço desejado;
4. conecte o cabo de programação no IRV (chave desligada);
5. pressione o botão do IRV e ligue a chave de alimentação;
6. verifique na tela do PC o endereço atual do IRV;
7. com a alimentação ligada, clique no botão “Programar” na tela do PC;
8. desligue a chave de alimentação;
9. repita os passos 5 e 6 e confirme o novo endereço do IRV na tela do PC.

Transmissão endereçada x broadcasting

Normalmente, os comandos enviados ao IRV são feitos de forma endereçada, ou seja, apenas
o IRV endereçado executa o comando.
Entretanto, existe um endereço único que todos IRVs são capazes de decodificar. Chamamos
esse endereço de broadcasting. Apenas comandos de corte, liberação de tração e aplicação
de emergência podem ser enviados por broadcasting. Quando a transmissão é feita nesse
modo, todas as locomotivas que receberem o sinal pelo rádio executarão o comando. Deve-
se, portanto, ter muita cautela ao utilizar esse modo de endereçamento.
Comunicação via Rádio 45

5.2 Corte de Tração – ART

O IRV possibilita que um comando recebido pelo rádio da locomotiva realize o corte da
tração. Esse comando pode ser enviado pelo CCO, ou por qualquer rádio portátil ou fixo de
um operador de canal de manobra – basta que o rádio da locomotiva esteja sintonizado no
canal adequado.
Esse recurso de corte de tração permitiu que o IRV substituísse o ART (Acionador
Remoto de Tração) que era utilizado no silo de carregamento da mina de Fábrica e
no carregamento de trens com formação de Locotrol. Para a função ART é utilizado o
endereçamento tipo broadcasting.

Central de alimentação

Rádio

Ligação lacre eletrônico


0-126-122
ATC IRV PCR do ATC
Comunic. Serial

Válvula de
o!
emergência

nte!
Ligações na Locomotiva
ais!

ndo! Relembrando!

Nesta unidade, você estudou detalhes do equipamento Interface de


Rádio de Voz. Pode-se destacar:
•• as funções e a programação do endereço da locomotiva no IRV.