Você está na página 1de 10

UNIVERCIDADE ABERTA ISCED

LICENCIATURA EM DIREITO

DISCIPLINA: FILOSOFIA DO DIREITO E METODOLOGIA JURÍDICA

3 Ano

TEMA: FILOSOFIA DO DIREITO EM MOÇAMBIQUE

Leonora Filipe Falso

Beira, Março, 2024


UNIVERCIDADE ABERTA ISCED

LICENCIATURA EM DIREITO

DISCIPLINA: FILOSOFIA DO DIREITO E METODOLOGIA JURÍDICA

3 Ano

TEMA: FILOSOFIA DO DIREITO EM MOÇAMBIQUE

Leonora Filipe Falso

Tutor:

Beira, Março 2024


ÍNDIC

E
1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................1
1.1. Problema......................................................................................................................................1
1.2. Justificativa..................................................................................................................................2
1.3. Objectivos....................................................................................................................................2
1.3.1. Objectivo geral.........................................................................................................................2
1.3.2. Objectivos específicos..............................................................................................................2
2. IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA DE DIREITO NA ORDEM JURÍDICA MOÇAMBICANA..........................3
2.1. Contexto da Filosofia do Direito...................................................................................................3
2.2. Finalidade da Filosofia do Direito.................................................................................................5
3. CONCLUSÃO.....................................................................................................................................6
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................................................7
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho com o tema “Filosofia de Direito em Moçambique”. Dentro da abordagem deste
tema falaremos da importância da Filosofia de Direito em Moçambique e a sua finalidade.

Antes de fazer a abordagem do tema em apreço importa a prior apresentar o conceito de Filosofia e
do Direito. Filosofia" é uma palavra de origem grega, de philos (amizade, amor) e sophia (ciência,
sabedoria). Surgiu em virtude de uma atitude atribuída a Pitágoras, que recusava o título de sophos,
sábio.

O grande matemático e pensador não se tinha na conta de sábio, capaz de resolver todos os
problemas do universo e de colocar-se tranquilamente diante deles preferia ser apenas um "amigo
da sabedoria". "Filósofo", portanto, etimologicamente falando, não é o senhor de todas as verdades,
mas apenas um fiel amigo do saber (CRETELLA, 2021).

Os Direito provem do latim “directum” que significa direcção, ou seja é um conjunto de normas
jurídicas impostas por um órgão estadual competente que regulam a vida em sociedade. Assim
sendo a filosofia do Direito é um ramo do direito que resulta da conexão entre o direito e a Filosofia.

Em termos conceituais podemos assumir a Filosofia do Direito como parte da ciência jurídica
consagrada ao estudo e crítica do direito, seus princípios, fim social, causa e efeitos e transformações
a luz da razão pura, desde épocas remotas. É uma filosofia em si aplicada ao Direito. Existe,
indiscutivelmente, ao longo do tempo, um fenómeno jurídico que vem se desenrolando, através de
mil vicissitudes e conflitos, apresentando aspectos diferentes de ano para ano, de século para século.
O Direito que hoje estudamos não é, por certo, o Direito que existia no mundo romano, ou o seguido
pelos babilónicos, no tempo do rei Hamurabi (BOSON, 1996).

Miguel REALE advoga que o Direito é realidade universal. Onde quer que exista o homem, aí existe o
Direito como expressão de vida e de convivência. É exactamente por ser o Direito fenómeno
universal que é ele susceptível de indagação filosófica. A filosofia não pode cuidar senão daquilo que
tenha sentido de universalidade. Esta é a razão pela qual se faz Filosofia da vida, Filosofia do Direito,
Filosofia da história ou Filosofia da arte. Falar em vida humana é falar também em Direito, daí se
evidenciando os títulos existenciais de uma Filosofia Jurídica.

1.1. Problema
Filosofia é a ciência dos acontecimentos humanos, dos princípios das coisas de suas causas e dos seus
efeitos e o Direito sistema ou conjunto de normas que rege a vida em sociedade dividido em diversos
ramos como penal, civil, Administrativo laboral, comercial, processual, é imprescindível que a
filosofia, parece-nos que a filosofia assumir uma posição cimeira em relacção ao Direito já que a
mesma não tem fronteira, enquanto o direito estas associadas as normas jurídicas positivas. Diante
disso surge a seguinte pergunta.

Qual é a importância da relacção entre a Filosofia e o Direito?

1.2. Justificativa
O estudo do tema em apreço justifica-se porque a missão da Filosofia do Direito, é de crítica da
experiência jurídica, no sentido de determinar as suas condições transcendentais, ou seja, aquelas
condições que servem de fundamento à experiência, tornando-a possível. Portanto é muito
importante abordar de forma clara o tema de modo a compreender a necessidade do estudo da
filosofia do Direito e por conseguinte dissipar toda e qualquer duvida que possa advir da relacção
entre essas duas áreas do saber.

1.3. Objectivos
Para Cantelo (2015), os objectivos definem o que se pretende alcançar com a pesquisa e, por meio
deles, se estabelece o tipo e a natureza do trabalho, os métodos a serem empregados, as obras e os
documentos do estudado. A característica marcante será o uso dos verbos no infinitivo.

1.3.1. Objectivo geral


Análise da importância da Filosofia de Direito em Moçambique.

1.3.2. Objectivos específicos


Apresentar conceito de filosofia e do Direito;
Descrever a importância e finalidade da filosofia do Direito.
2. IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA DE DIREITO NA ORDEM JURÍDICA MOÇAMBICANA

2.1. Contexto da Filosofia do Direito

No entendimento de Oliveira (1999) a Filosofia do Direito é uma meditação mais profunda a respeito
do Direito, que investiga sua natureza, sua justificação e sua finalidade. Examina as primeiras causas
e os supremos princípios do fenómeno jurídico, envolvendo sua natureza, o porquê, o para que, o
donde e o para onde de sua existência.

De acordo com Menezes (1975), é importante para um claro entendimento da Filosofia do Direito
que se procure fixar a distinção inicial entre as duas ordens de conhecimento: o estudo do sistema
normativo verificável no processo de convivência humana e o estudo dos sistemas ideológicos que se
constituíram para explicar esse processo. Em outras palavras, a distinção entre o exame do
fenómeno do direito como conjunto de normas, e o exame dos sistemas lógicos que foram
elaborados no curso do pensamento especulativo por filósofos e juristas. Em relação ao primeiro
ponto de vista, cabe ainda considerar o fato normativo – direito efectivo que realiza o
disciplinarmente da conduta humana individual ou social – constituído pela formulação mediante a
técnica legiferante. Os diferentes graus de diferenciação normativa, na sua evolução histórica,
evidenciaram-se nos enunciados jurídicos, religiosos e éticos. O estudo sistematizado do fato
normativo é objecto da Ciência do Direito.

A normatividade implica em certa hierarquia de valores que possibilitam apreensão dos fatos sociais.
A análise remete, inevitavelmente, para o terreno especulativo, extrapolando da pura análise
científica para o campo da reflexão filosófica.

Desse modo, Menezes (1975) sustenta que a partir daí pode-se afirmar que a plenitude de uma visão
do processo jurídico só é alcançada na Filosofia do Direito. O campo da Ciência do Direito é segmento
da realidade onde vivem a normatividade. As interactividades individuais e de grupos, socialmente
estruturados, constituem todo o mundo da práxis histórica cujo sentido se evidencia no mundo de
valores.

Para Litrento (1976), a Filosofia do Direito não pode nem deve ser considerada uma disciplina jurídica
porque é mais do que isso: é a própria Filosofia aplicada ao Direito. Assim, para este autor, se o
termo Filosofia significa amizade ou amor pela sabedoria, Filosofia do Direito quer dizer amizade ou
amor pela sabedoria jurídica. Logo, para ser estudada, exige conhecimento prévio dos grandes temas
que, já durante milénios, vêm sendo abordados pelo que existe ou existiu de melhor no pensamento
humano. Compreende, deste modo, a Filosofia, a procura da razão de ser do homem e da vida,
quando tornada Filosofia do Direito, exige a compreensão do fenómeno jurídico que apresenta
constantemente o homem, ora como sujeito activo ou passivo, diante do objecto jurídico e do
Estado, ora como a personificação do próprio Estado.

Conforme afirma Litrento (1976), sem Direito não pode haver sociedade, entretanto, o mecanismo
processual objectivo, despido de sua essencial significação de justiça, inaugura a insegurança e
provoca a revolta. Logo, a Filosofia do Direito inicia-se, precisamente, com a descoberta entre o justo
natural e o justo legal. Ainda que não possa, nem deva ser considerada disciplina jurídica é, mais do
que isso, a própria Filosofia aplicada ao Direito.

A Filosofia do Direito estuda e averigua a vida humana, como uma necessidade fundamental do
espírito humano, os códigos e a legislação vigente, sem esquecer toda uma admirável herança do
passado, toda uma tradição de pesquisa e meditação filosófico-jurídica, possibilitando a comparação
sempre presente entre o bem e o mal, e os corolários do necessário e desnecessário, o certo e o
errado, o justo e o injusto, o poder arbitrário e o poder consentido, são possíveis (MASCARO, 2002).

Isso evidencia que o Direito vai além da lei, não se confinando, somente à técnica legal, ou à
realização normativa do bem-estar individual ou colectivo. Evidentemente, a Filosofia do Direito
necessitará do conhecimento pleno dos grandes temas da Filosofia Geral, que a nutre e lhe abre mais
facilmente os caminhos para uma lúcida investigação de uma realidade que não se encontra somente
na presença formal de códigos, de leis, das sentenças e das instituições jurídicas, mas na vida
concreta das pessoas (ALVES, 2004).

Conforme Nader (1999), suas perspectivas são mais amplas e seu principal embasamento assenta
naquela ideia de justiça que governa o cosmos, significando harmonia. Harmonia que rastreia na
especulação filosófico-grega em sua inesquecível e perene procura da noção e exacta do bem e do
justo e que ainda ecoa em nossos dias.
O pensador do Direito não pode prescindir de conhecer o ramo ao qual se dedica, não pode muito
menos estar despreparado para pensar filosófica e adequadamente os problemas, defendem Bittar e
Almeida (2001). O saber filosófico exerce influência na história das ideias jus filosóficas, sendo que,
muitas vezes, as metodologias jus filosóficas aperfeiçoam-se na medida dos aperfeiçoamentos
filosóficos.
A contribuição da investigação filosófica para o direito está, na perene abertura que proporciona,
diferenciando-se das demais ciências por se fazer prática e teoricamente desvinculada de
pressupostos dogmáticos. Por vezes, a ênfase na resposta somente torna ainda mais obtusa a
possibilidade de se questionarem os fundamentos de uma prática jurídica, humana e social; aí a
ênfase na investigação, objectivo da filosofia, que serve como modo de abrir os horizontes para
outras possibilidades de sentido, para outras alternativas, para outras propostas e entendimentos
(ALMEIDA (2001)).

2.2. Finalidade da Filosofia do Direito


A Filosofia do Direito é o campo de investigação filosófica que tem por objecto o Direito com intuito
de obter decisões mais justas. A filosofia de Direito, por meio de reflexões e questionamentos, busca
da verdade real e processual visando aplica-las no mundo jurídico. A título de exemplo, na aplicação
da Lei ou na interpretação da Lei os magistrados e os jusconsolte usam abundantemente a filosofia
para sustentar seus posicionamentos (IBIDEM).

O papel da filosofia do Direito na contemporaneidade consiste em conciliar no interior do projecto


jurídico o lado prático do direito, com o lado prospectivo da filosofia, e, assim, recuperar para o
projecto jurídico os valores constitutivos de uma filosofia entendida como prática democrática. A
filosofia deixa então de constituir-se em conhecimento fechado, onde se propaga uma reflexão
abstracta e que procura se bastar a si própria, para voltar-se para a realidade social objectiva.
Recupera, em certo sentido, as suas origens na Grécia Clássica, quando o homem abandonou
progressivamente a explicação dos fenómenos naturais e a legitimação do poder político, como
reflexo do mundo dos deuses mitológicos, substituindo esse paradigma pelo logos, o discurso
racional como forma de formulação do entendimento do cosmos e justificação do Estado e do Direito
(SOARES, 1998).

A prática do estado democrático de direito pressupõe, portanto, o conhecimento dos fundamentos e


valores, conceituados e analisados na filosofia, que se constituem nos alicerces morais e políticos,
que possibilitam a convivência na sociedade humana e asseguram a seiva necessária para a aplicação
do direito.
3. CONCLUSÃO
Chegado ao fim deste trabalho, concluiu-se que a Filosofia de Direito assume grande importância em
Moçambique visto que a definição de Justiça não é simples e pode variar de acordo com as
perspectivas filosófica que a fundamentam. Por exemplo para alguns filósofos a justiça se baseia na
ideia de igualdade, ou seja, cada individuo deve ter acesso as mesmas oportunidades e Direito.

A filosofia também é importante para a interpretação das leis, já que ajuda a estabelecer as regras e
princípios sobre os quais são baseadas. Por exemplo, a filosofia crítica do Direito argumenta que as
leis e o sistema judiciário pode reflectir as desigualdades e injustiças da sociedade em que estão
inseridos e que a mudança social real soo pode ser alcançada por meio de transformação das
estruturas sociais mais amplas.

A filosofia do direito ao ocupar esse lugar crítico serve para desconstruir o paradigma como todo
paradigma necessariamente limitador e excludente, tanto ontológico, como epistemológico e
axiológico, do positivismo jurídico, marca registada da cultura jurídica brasileira durante o último
século. Por essa razão, a filosofia do direito não serve ao direito positivo, mas ao projecto jurídico,
pois o reducionismo, que caracteriza o positivismo jurídico, faz com que nos esqueçamos de que as
questões do direito referem-se, na prática, a questões de direitos que nos obrigam mutuamente e
intersubjetivamente.

A importância da Filosofia do Direito está relacionada às suas perspectivas impostas pelo despertar
da consciência crítica que possibilita estudar os princípios imortais da liberdade e da igualdade
humana actualmente.
A filosofia também ajuda a definir a moralidade, os princípios éticos e morais que orientam o
comportamento humano. A moral é um conceito importante para o Direito, já que muitas leis são
baseadas em valores éticos e morais, como a proibição do assassinato e roubo. A filosofia ética ajuda
a estabelecer os fundamentos desses valores, ajudando a esclarecer o que é certo e o que é errado
em diferentes situações.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, Alaor Caffé. O Que é filosofia do direito? Barueri: Manole, 2004.

BITTAR, Eduardo C. B; ALMEIDA, Guilherme Assis de. Curso de filosofia do direito. São Paulo: Atlas,
2001.

BOSON, Gerson de Britto Mello. Filosofia do direito: interpretação antropológica. 2. ed. Belo
Horizonte: Del Rey, 1996.

CRETELLA JÚNIOR, José. Curso de filosofia do direito. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001.

LITRENTO, Oliveiros. Lições de filosofia do direito. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1976.

MASCARO, Alisson Leandro. A Filosofia do direito: dos modernos aos contemporâneos. São Paulo:
Atlas, 2002.

MENESES, Djacir. Filosofia do direito. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1975.

NADER, Paulo. Filosofia do direito. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999.

OLIVEIRA, Manoel Cipriano. Noções básicas de filosofia do direito. São Paulo: Iglu, 2001.

OLIVEIRA, Silvério N. Curso de Filosofia do Direito. Goiânia: AB, 1999.

SOARES, Orlando. Filosofia geral e filosofia do direito 3. ed. Rio de Janeiro: 1998.

Você também pode gostar