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FACULDADE MAURICIO DE NASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO ATIVIDADE PROF.

RENATO CATUNDA ATIVIDADE AVALIATIVA – 10-11-2010

Responda as questões a seguir de forma fundamentada.

QUESTÃO 1

Frederico, piloto da aviação civil, após três anos de trabalho para a Empresa de
Transportes Aéreos Voa Alto S/A., foi dispensado sem receber parte das verbas
rescisórias, as horas extras e a compensação orgânica. Além disso, foi dispensado
dentro do último ano que antecede sua aposentadoria, o que é vedado por norma
coletiva. Em razão disso, ajuizou ação em face do ex-empregador, tendo procurado e
constituído você como advogado(a) para todos esses atos. No dia designado para a
audiência, para a qual havia requerido antecipação, Frederico não poderá comparecer,
pois estará voando para a China, onde conseguiu um novo e rentável trabalho. Com base
na hipótese apresentada, responda aos itens a seguir.

A)Considerando a necessidade de realização da audiência na data designada pelo juiz e


sua condição na qualidade de advogado(a) do autor, qual a medida a ser adotada para
evitar o adiamento/arquivamento da audiência? 

R: Nos termos do Art. 843, § 2º, da CLT, o autor poderá fazer-se representar,
devidamente comprovada a impossibilidade de seu comparecimento, por ourto
empregado que pertença a mesma profissão ou pelo seu sindicato, devendo formular tal
requerimento.

 
B)Considerando tratar-se de piloto da aviação civil, qual o instituto justrabalhista que
corresponde aos períodos em que Frederico fica no aeroporto aguardando para,
eventualmente, render outra tripulação? Justifique. 

R: Segundo o Art. 44 da Lei nº 13.475/17 (antigo artigo 26 da Lei 7.183/84), trata-se do


instituto da reserva, OU prontidão, nos termos do Art. 244, § 3º, da CLT.

QUESTÃO 2

Lucas trabalhou em uma rede de restaurantes localizada em determinado Estado da


Federação. A sociedade empresária possui 60 empregados, divididos em dez lojas
localizadas em municípios diferentes, sendo que cada unidade possui seis empregados. 
Após ser dispensado sem justa causa, Lucas ajuizou reclamação trabalhista postulando o
pagamento de horas extras, afirmando que cumpria extensa jornada de segunda-feira a
sábado, das 7h às 21h, com intervalo de 20 minutos para refeição. 
Em contestação, a ex-empregadora negou a jornada dita na petição inicial, afirmando
que a labuta respeitava o módulo constitucional. Em audiência, após verificar que os
controles de ponto não foram juntados, o advogado do autor requereu a aplicação da
confissão em desfavor da reclamada. 
 
Diante da situação retratada, da Lei e do entendimento consolidado pelo TST, responda
aos questionamentos a seguir.

A )Como advogado(a) da sociedade empresária, que tese você sustentaria em relação


aos cartões de ponto? Justifique

R: Uma vez que em cada estabelecimento há menos de 10 empregados, seria


desnecessário manter controle escrito dos horários de entrada e saída dos empregados,
conforme previsto no Art. 74, § 2º, da CLT e na Súmula 338, I, do TST.

b) Caso você fosse contratado pelo trabalhador e a sociedade empresária juntasse


controles de ponto com marcação de jornada de segunda-feira a sábado, das 8h às 16h, e
intervalo de uma hora para refeição em todos os dias, que tese você advogaria em prol
do seu cliente? Justifique.

R: Que exibindo os controles de ponto com horários invariáveis, o ônus da prova é


transferido para o empregador, na forma prevista na Súmula 338, inciso III, do TST.

QUESTÃO 3
Paulo trabalhou na construtora Casa Feliz S.A. como pedreiro por três anos, findos os
quais foi dispensado por justa causa sob a alegação de que estava desviando sacos de
cimento da obra e vendendo esse material a terceiros. Inconformado, ajuizou
reclamação trabalhista postulando horas extras e a anulação da justa causa, com o
consequente pagamento das verbas como se a dispensa tivesse sido feita sem justa
causa. 
Distribuída a demanda em 30/01/2018, foi designada audiência para o dia 10/04/2018.
Na hora designada as partes foram apregoadas e sentaram-se à mesa de audiências. 
O juiz indagou do preposto qual era a sua relação com a construtora, tendo ele dito que
era um terceirizado da empresa que cuidava da parte de limpeza e conservação. O juiz
pediu a CTPS do preposto, constatando que ela fora assinada pela Limpa Tudo Serviços
Terceirizados Ltda. 
Com essa informação, o advogado de Paulo requereu a aplicação da revelia, porque a
empresa era uma sociedade anônima e não estaria regularmente representada por um
empregado.

A)Na qualidade de advogado(a) da construtora, que argumentação jurídica você


apresentaria em relação ao requerimento do autor? Justifique.

R: A tese a ser defendida é a de que o preposto não precisa ser empregado,


independentemente do porte da empresa, conforme o Art. 843, § 3º, da CLT.
 
B)De que modo, na legislação trabalhista, a alegação de desvio dos sacos de cimento
para venda a terceiros deve ser juridicamente qualificada? Justifique. 

R:  Deve ser qualificada como ato de improbidade, na forma do Art. 482, alínea a, da
CLT ou mau procedimento, na forma do Art. 482, b, CLT

QUESTÃO 4

 Uma sociedade empresária do ramo de confecções publicou um anúncio em jornal de


grande circulação informando que admitiria vários profissionais para o seu quadro de
funcionários, a título de contrato de experiência, desde que comprovada a seguinte
exigência profissional: para costureiras, experiência comprovada de cinco meses na
função; para estoquistas, experiência comprovada de um ano na função; para auxiliar de
serviços gerais, experiência comprovada de dois meses na função; e para
administradores, experiência mínima de dois anos na função. 

 
Diante da situação apresentada e dos termos da CLT, responda aos itens a seguir.
 
A) A exigência em relação aos estoquistas é válida? Justifique. 

 R:  A exigência em relação aos estoquistas de um ano de experiência é inválida porque


o Art. 442-A da CLT determina que, para fins de contratação, o empregador não exigirá
comprovação de experiência prévia do candidato a emprego por tempo superior a seis
meses no mesmo tipo de atividade

B) Informe o prazo máximo admissível no contrato de experiência. 


 
R: O prazo máximo é de 90 dias, conforme o Art. 445, parágrafo único, da CLT.

QUESTÃO 5

Gleicimar e Rosane trabalham em uma indústria farmacêutica, sendo Gleicimar


contratada como estagiária e Rosane, como aprendiz. Ambas assinaram contrato de 1
ano, tendo sido observadas todas as exigências legais. No 10º mês do contrato, ambas
informaram aos respectivos superiores imediatos que engravidaram. Gleicimar e
Rosane, ao serem desligadas ao final do contrato, foram orientadas por parentes e
amigos que teriam estabilidade e, por isso, deveriam tomar alguma providência. Em
razão disso, Gleicimar ajuizou reclamação trabalhista, na qual postulou a reintegração
em virtude da gravidez, e teve a tutela de urgência deferida. 
 
Diante do caso narrado, das disposições legais e do entendimento consolidado do TST,
responda às indagações a seguir.
 
A) Que tese jurídica você defenderia, como advogado(a) da sociedade empresária, em
relação à estabilidade pleiteada por Gleicimar? 

R: Gleicimar não tem garantia no emprego porque é estagiária; portanto, ela não tem
vínculo empregatício, na forma do Art. 3º da Lei nº 11.788/08 OU do Art. 10, inciso II,
alínea b, ADCT OU da Súmula 244, inciso III, do TST. Ela não faz jus à estabilidade,
pois essa pressupõe que a pessoa seja empregada.

 
B) Que medida judicial você, como advogado(a) da sociedade empresária, adotaria
para tentar reverter a tutela de urgência deferida em favor de Gleicimar? 
R: Impetrar mandado de segurança, pois se trata de decisão interlocutória contra a qual
não cabe recurso imediato, na forma da Súmula 414, inciso II, do TST e Súmula 214 do
TST.

R:  Impetrar mandado de segurança, pois se trata de decisão interlocutória contra a qual


não cabe recurso imediato, na forma da Súmula 414, inciso II, do TST e Súmula 214 do
TST.

QUESTÃO 6

Cláudio é motorista de ônibus da Viação Ponto a Ponto Ltda. desde 20/03/2018. Nos
últimos 3 meses, Cláudio, descumprindo deliberadamente cláusula específica do seu
contrato de trabalho, passou a dirigir em alta velocidade, bem como a não respeitar
sinais vermelhos, o que acarretou numerosas multas por infrações de trânsito. Cláudio
foi notificado pela autoridade competente de que perdera a habilitação para dirigir
veículos. 
 
A empresa consultou você, como advogado(a), sobre a medida que deveria adotar em
relação ao contrato de Cláudio, considerando que não tem interesse em mantê-lo como
empregado.
 
A)   Qual a orientação jurídica que você daria? Fundamente. 

 R:  Deverá ser recomendada a dispensa por justa causa, na forma do Art. 482,
letra m ou h da CLT.

B) Na hipótese de Cláudio ser dirigente sindical, que medida jurídica processual


você deverá adotar para implementar a dispensa do empregado?
R:  Ajuizar inquérito judicial para apuração de falta grave, na forma do Art. 494, OU do
Art. 543, § 3º, OU do Art. 853, todos da CLT OU Súmula 379 TST OU Súmula 197
STF.

QUESTÃO 7

Você foi contratado(a) como advogado(a) por um trabalhador que requereu, em


reclamação trabalhista, o pagamento de horas extras e de adicional noturno. 

Em audiência, após ter acesso à defesa, você verificou que a tese defendida pela
reclamada foi a seguinte: em relação ao adicional noturno, negou o direito, porque a
convenção coletiva da categoria prevê, em uma das cláusulas, expressamente, que a
remuneração do trabalho noturno seria igual ao diurno, sem direito a adicional; em
relação ao pedido de horas extras, negou a sua existência, apresentando os controles de
ponto assinados pelo trabalhador, que contêm horários invariáveis de entrada e saída. O
juiz concedeu prazo para manifestação acerca da defesa e documentos. 
 
Considerando a situação posta, os termos da CLT e o entendimento consolidado do
TST, responda às indagações a seguir.
 
A)   À luz da defesa e dos documentos, que tese jurídica você apresentaria em relação
ao pedido de adicional noturno? Justifique. 

 R: O examinando deverá explorar o fato de que a norma coletiva da categoria não pode
suprimir o pagamento do adicional noturno por vedação
constitucional ou vedação legal ou porque constitui objeto ilícito, nos termos do Art. 7º,
IX, CRFB/88 OU Art. 611-B, VI, CLT. 

B)   À luz da defesa e dos documentos, que tese jurídica você apresentaria em relação ao
pedido de horas extras? Justifique. 

R: O examinando deve afirmar que controles contendo horários invariáveis são


inválidos como meio de prova, invertendo-se assim o ônus da prova, que passa a ser da
sociedade empresária, na forma da Súmula 338, inciso III, do TST.

QUESTÃO 8

A massa falida de Biscoitos da Serra Ltda. teve de romper os contratos de trabalho de


todos os seus empregados quando da quebra judicial, porque o juízo estadual
determinou o fechamento e lacre do estabelecimento principal e das filiais. 
Logo após, um dos empregados ajuizou reclamação trabalhista postulando as verbas da
extinção contratual, e, na sentença, o juiz condenou a massa falida ao pagamento de
aviso prévio, do 13º salário proporcional, das férias proporcionais acrescidas de 1/3, da
entrega das guias para saque do FGTS, dos formulários do seguro desemprego e das
multas do Art. 467 e do Art. 477, ambos da CLT. 
 
Considerando a situação posta, os termos da CLT e o entendimento consolidado do
TST, responda às indagações a seguir.
 
A)   Há parcela(s) objeto da condenação que possa(m) ser questionada(s) em razão da
condição de massa falida da ex-empregadora? 

 R: As multas do Art. 467 e do Art. 477, ambos da CLT, não são devidas, em razão da
extinção do contrato pela falência, na forma da Súmula 388 do TST.

B)   Você é contratado(a) pela massa falida para interpor recurso contra a sentença, e
este teve o seguimento negado, sob a alegação de deserção. Que medida jurídica você
adotaria para tentar reverter essa decisão?        

R:  No caso, o advogado deve interpor o recurso de agravo de instrumento, na forma do


Art. 897, alínea b, da CLT.