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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E

LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
SOBRE ANIMAIS
SILVESTRES
Elaboração

Rafaela Maria Serra de Brito


Erllen Dairlane Vieira Santos

Produção

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração


SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO....................................................................................................................................................................................... 4

ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA.................................................................................................. 5

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................................................. 7

UNIDADE I
INTRODUÇÃO E CONCEITOS BÁSICOS........................................................................................................................................................................ 9

CAPÍTULO 1
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE....................................................................................................................................................................... 9

CAPÍTULO 2
FAUNA SILVESTRE............................................................................................................................................................................................... 19

UNIDADE II
EDUCAÇÃO AMBIENTAL................................................................................................................................................................................................... 37

CAPÍTULO 1
CONCEITOS E DEFINIÇÕES SOBRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL......................................................................................................... 37

CAPÍTULO 2
EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM DEBATE......................................................................................................................................................... 44

CAPÍTULO 3
EDUCAÇÃO AMBIENTAL APLICADA À FAUNA SILVESTRE............................................................................................................... 56

UNIDADE III
DIREITO AMBIENTAL PARA A PROTEÇÃO DA BIODIVERSIDADE................................................................................................................... 59

CAPÍTULO 1
A EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL............................................................................................................................................ 59

CAPÍTULO 2
PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL.......................................................................................................................................................... 81

CAPÍTULO 3
DIRETRIZES E ACORDOS INTERNACIONAIS DE PROTEÇÃO AOS ANIMAIS SILVESTRES ................................................. 89

UNIDADE IV
LEGISLAÇÃO BRASILEIRA SOBRE FAUNA SILVESTRE...................................................................................................................................... 94

CAPÍTULO 1
LEIS DE PROTEÇÃO À FAUNA SILVESTRE................................................................................................................................................ 94

CAPÍTULO 2
PORTARIAS, INSTRUÇÕES NORMATIVAS E OUTRAS NORMAS DE GESTÃO DA FAUNA SILVESTRE........................... 106

UNIDADE V
CONSERVAÇÃO DA FAUNA SILVESTRE................................................................................................................................................................... 120

CAPÍTULO 1
LISTAS DE ESPÉCIES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO............................................................................................................................ 120

CAPÍTULO 2
PROGRAMAS DE PROTEÇÃO À FAUNA.................................................................................................................................................... 124

REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................................................................... 128


APRESENTAÇÃO

Caro aluno

A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se


entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade.
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como
pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia
da Educação a Distância – EaD.

Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos


conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos
da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional
que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-
tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.

Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo


a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.

Conselho Editorial

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ORGANIZAÇÃO DO CADERNO
DE ESTUDOS E PESQUISA

Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em


capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de
textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam
tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta
para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos
Cadernos de Estudos e Pesquisa.

Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto
antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para
o autor conteudista.

Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma
pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em
seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas
experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para
a construção de suas conclusões.

Sugestão de estudo complementar


Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do
estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam
para a síntese/conclusão do assunto abordado.

5
Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa

Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/
conclusões sobre o assunto abordado.

Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando
o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar


Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a
aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo
estudado.

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INTRODUÇÃO

Um dos principais fatores causadores do desequilíbrio do ecossistema são as ações


antrópicas que vem causando alterações no meio ambiente de maneira a tornar alguns
ambientes insustentáveis.

A evolução das sociedades humanas tornou cada vez mais complexa a interação entre
os seres humanos e o meio ambiente. Assim como todos os seres vivos da natureza,
a espécie humana precisa dos recursos naturais para suprir suas necessidades básicas,
especialmente para alimentação e respiração.

Com o aumento da urbanização e da exploração da natureza pelo ser humano, a sociedade


também desenvolveu a necessidade de conhecer melhor o ambiente, de modo a tentar
minimizar os impactos resultantes da interação homem-natureza.

A natureza representa, para a espécie humana, os espaços de transformação e expansão


das sociedades, bem como os espaços de lazer, turismo e interação com a fauna e a
flora. Em outras palavras, é também espaço para interação e interpretação social.

Conforme a sociedade humana foi se desenvolvendo, houve a necessidade de intensificar


o entendimento e as pesquisas sobre os fatores ambientais, bem como a necessidade
de ordenar os diferentes usos da natureza.

Nesse contexto, esta apostila fornecerá as bases teóricas acerca das interações homem-
natureza, mostrando conceitos básicos de educação ambiental, exemplos de fauna
silvestre, maneiras mais comuns de interação homem-natureza, além de abordar as
principais problemáticas enfrentadas na elaboração de leis que possam minimizar os
impactos causados pelo homem.

Iremos estudar inicialmente os conceitos básicos sobre o meio ambiente e a sociedade


como um todo, mostrando as relações do homem com a natureza e os principais
componentes do ambiente natural. Além disso, iremos entender como o homem
atua como agente transformador e, assim, possibilita a existência de diversos tipos de
ambientes.

É importante destacar que, dentre os diversos componentes do meio ambiente, iremos


tratar de forma mais direta e detalhada sobre a fauna silvestre e os tipos de interação que
a sociedade humana exerce sobre esta. Assim, poderemos entender sobre a importância
dos animais silvestres no ambiente natural e as alterações decorrentes da sua retirada
desse meio.

Nesse sentido, devemos estar atentos às transformações provocadas pelas ações humanas
no meio ambiente, pois elas podem causar impactos negativos sobre a fauna silvestre,
acarretando, em alguns casos, a extinção das espécies. Por essa razão, abordaremos

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as ações e os projetos voltados para a conservação e recuperação da fauna silvestre
ameaçada de extinção.

Discutiremos ainda sobre como surgiu o interesse pela Educação Ambiental e os fatores
que levaram o homem a aumentar drasticamente o seu interesse pela conservação e
preservação do meio ambiente. Debateremos o papel da gestão pública, entendendo
os problemas enfrentados na formulação de leis e projetos ambientais.

Em seguida, abordaremos o direito ambiental voltado para a conservação e preservação


da fauna silvestre, mostrando a evolução da legislação ambiental, os princípios do
direito ambiental, bem como as diretrizes e os acordos nacionais e internacionais de
proteção aos animais silvestres.

Ao final, discutiremos sobre as listas de espécies ameaçadas de extinção, os programas


de proteção à fauna ameaçada de extinção e as estratégias e planos de ação para a
conservação e preservação dessa fauna.

Esperamos assim que você, aluno, consiga entender os principais conceitos que envolvem
as temáticas citadas e que seja capaz de organizar estas informações para projetos
futuros. Por fim, esperamos que consigam estruturar as informações, utilizando-as
como ferramentas em discussões, planejamentos de projetos ambientais e na elaboração
de políticas de manejo e conservação da biodiversidade, visando à sustentabilidade do
meio.

Objetivos
» Conhecer os conceitos de meio ambiente e as formas de interação entre as
sociedades humanas e este ambiente.
» Compreender os principais conceitos que envolvem a Educação Ambiental
e os animais silvestres.
» Conhecer e debater sobre as diferentes formas de uso da fauna silvestre
pelas sociedades humanas.
» Compreender as formas de aplicação e a importância da implementação da
Educação Ambiental na sociedade como um todo.
» Compreender o processo de evolução do direito ambiental e das normas
aplicadas para proteção à fauna silvestre.
» Conhecer e discutir as diversas formas de atuação para proteção à fauna
silvestre.
INTRODUÇÃO E
CONCEITOS BÁSICOS UNIDADE I

CAPÍTULO 1
Meio ambiente e sociedade

Conceitos gerais sobre o meio ambiente


Nesta unidade iremos aprender os conceitos gerais sobre meio ambiente, os recursos
naturais e nossa interação, como sociedade humana, com o ambiente.

Para começar, podemos afirmar que o ambiente é tudo o que nos cerca; de forma
bastante ampla, este é um conceito básico.

Isso quer dizer que o meio ambiente se constitui em todos os recursos produzidos
pela natureza. Assim, buscando detalhar ainda mais, podemos dizer que o ambiente
é composto por flora (plantas e florestas), fauna (animais terrestres e aquáticos),
recursos hídricos (rios, mares, lagos, etc.), recursos minerais (areia, ouro, cobre,
petróleo), além do ar atmosférico, das chuvas, da temperatura solar, dentre outros.

Dessa forma, é importante entendermos também sobre o ecossistema. Ele consiste


no espaço de interação entre os seres vivos (ou também chamados de fatores bióticos)
e os componentes não vivos (fatores abióticos), que são a luz solar, a temperatura, os
gases atmosféricos, dentre outros (RICKLEFS, 2010).

Figura 1. Representação dos principais componentes de um ecossistema natural.


Fatores abióticos Fatores bióticos

Substâncias químicas (nutrientes) e Seres vivos: produtores,


aspectos físicos (temperatura, herbívoros, carnívoros,
velocidade dos ventos) detritívoros, decompositores

Fonte: Adaptado de https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/food-chain-ecosystem-connections-illustration-390802570.

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Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Nesse ponto, é fundamental ressaltar que todos os componentes naturais cumprem


um papel importante no ecossistema. Sendo assim, existem os seres vivos que atuam
como produtores, especialmente as plantas, assim chamados por terem a capacidade
de produzir seu próprio alimento através da síntese dos nutrientes e da luz solar; os
herbívoros, ou seja, os seres vivos que possuem o hábito de se alimentar diretamente
desta flora; e os animais predadores, ou carnívoros, os quais se alimentam de outros
animais.

Além desses animais, devemos destacar também os organismos decompositores e


detritívoros, que são os seres vivos que se alimentam da matéria orgânica depositada
no solo. Podemos perceber então que esta inter-relação entre os seres vivos não se trata
somente da obtenção de alimentos, mas também da formação dos ciclos de nutrientes
e de energia no ecossistema.

Dessa forma, é importante compreendermos que todos os organismos cumprem funções


na manutenção do equilíbrio do meio ambiente e da disponibilidade dos recursos
na natureza. Podemos lembrar a frase dita e eternizada pelo químico Lavoisier “na
natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

A interação dos organismos no ecossistema pode ocorrer de diversas formas e


a organização nesse espaço pode ser bastante complexa. Assim, para melhorar
a compreensão do conteúdo desta apostila, destacamos os seguintes termos e
seus significados:

» Consumidor primário: espécies herbívoras, consideradas a base da cadeia


alimentar.

» Consumidor secundário: espécie carnívora, que se alimenta das espécies


herbívoras.

» Comunidade biológica: associação de populações que interagem entre si


em um dado ambiente.

» Nível trófico: posição em que a espécie está inserida na teia alimentar.

» População biológica: conjunto de indivíduos de uma espécie que interagem


entre si em um mesmo espaço.

» Habitat: espaço físico utilizado por uma espécie, ou indivíduo, para alimentação,
abrigo ou reprodução.

» Serviço ecossistêmico: benefício ambiental produzido pela natureza ao


sistema de vida das populações humanas.

» Teia alimentar: representação da interação de dependência alimentar entre


os diversos seres vivos.

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Introdução e conceitos básicos | Unidade I

Somente através do estudo dos hábitos de vida das espécies podemos conhecer o
espaço de atuação destas, especialmente no que se refere ao seu lugar e importância
na teia trófica, além dos serviços ecossistêmicos existentes decorrentes da
presença de cada uma destas espécies.

É preciso, portanto, estarmos atentos: cada espécie e indivíduo existente exercem


uma função no ecossistema, como presa, predador ou produtor.

Vimos até aqui que o ecossistema é formado por vários organismos que desempenham
papéis fundamentais e que interagem entre si e, por isso, dependem um do outro para
a manutenção do equilíbrio deste ecossistema.

Agora devemos nos atentar que o ser humano também faz parte do meio ambiente
e, como os demais animais, plantas e todos os seres vivos, necessita dos recursos
naturais para suprir suas necessidades essenciais, como respirar, se alimentar e se
manter saudável. Podemos aprender também que essas relações de necessidade dos
seres vivos entre si, e entre estes e os recursos não vivos, é objeto de estudo da ciência
chamada de ecologia (RICKLEFS, 2010).

No entanto, o ser humano possui características que o diferenciam dos outros animais;
assim, como ser consciente, racional e social, a sua relação com a natureza se dá de
maneira e intensidade diferentes. Por essa razão, no decorrer desta unidade, iremos
entender melhor como se dá essa relação.

Relação ser humano e natureza

Agora que entendemos o que é o meio ambiente e quais são seus componentes,
você sabe qual é a sua relação com ele? Como você interage com a natureza?

Pensou bem? Encontrou alguma recordação interessante com a natureza? Para


ajudá-los a pensar em algo, leia o poema abaixo escrito por Gonçalves Dias:

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

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Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer eu encontro lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar sozinho, à noite

Mais prazer eu encontro lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que disfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Quando falamos da relação entre o ser humano e a natureza, precisamos saber que essa
interação ocorre de forma diferente da interação dos outros animais com a natureza,
isso porque o homem atua como um agente transformador do ambiente.

Podemos observar essa capacidade de transformação, principalmente quando analisamos


o crescimento da população humana, juntamente com o aumento de suas sociedades,
o que resulta diretamente no aumento das necessidades básicas e da pressão humana
em relação à natureza. Nesse sentido, Ricklefs (2010, p. 15) destaca ainda que:
Os ambientes que as atividades humanas dominam ou criaram –
incluindo nossas áreas de vida urbanas e suburbanas, nossas terras cultivadas,
nossas áreas de recreação, plantações de árvores e pesqueiros – são também
ecossistemas (grifo nosso).

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Introdução e conceitos básicos | Unidade I

Figura 2. Exemplos de transformação do ambiente realizada pela ação humana: agricultura (A),
construção de estrada (B) e de cidades (C).

A B

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/aerial-drone-image-fields-diverse-crop-1463137478; https://www.shutterstock.com/pt/


image-photo/aerial-view-forest-road-south-east-1120018697; e https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/aerial-view-cityscape-modern-
city-new-1190397115.

Considerando a complexidade do tema e a atuação humana e, ainda, visando à


compreensão deste tema, destacamos, na Tabela 1 a classificação e os conceitos de
meio ambiente, conforme Maneia e colaboradores (2014, p. 224) e a Constituição
Federal (CF) de 1988.

Tabela 1. Classificação e conceitos de meio ambiente.

Maneia et al. Constituição Federal 1988


Meio ambiente Corresponde aos seres vivos e É aquele físico, constituído pelo solo, pela água, pelo ar
natural aspectos físicos do ambiente. atmosférico, flora, fauna, floresta e pela interação dos seres
vivos, onde se dá a correlação recíproca entre espécies e as
relações destas com o ambiente físico que ocupam (art. 23, VII).

Meio ambiente Corresponde aos espaços urbanos. É aquele constituído pelo espaço urbano, como o conjunto de
artificial edificações (espaço fechado) e dos equipamentos públicos, tais
quais as ruas, áreas verdes urbanizadas, espaços livres (espaço
aberto) (art. 182).

Meio ambiente Corresponde às representações É aquele integrado pelo patrimônio histórico, artístico,
cultural de valor especial, como patrimônio arqueológico, paisagístico, que embora artificial ou natural,
histórico, artístico, arqueológicos, difere dos mesmos pelo seu sentido de valor especial que
dentre outros. adquiriu ou que se impregnou (art. 216).

Meio ambiente Corresponde ao local de atuação e É aquele onde se desenvolvem as atividades dos trabalhadores, o
de trabalho trabalho do indivíduo. local onde o trabalhador passa tempo considerável de sua vida, e
as relações suas com o maquinário e insalubridade do local, sua
relação com a saúde do trabalhador (art. 200, VIII).
Fonte: Adaptado de Maneia et al. (2014, p. 224) e Brasil (1988).

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Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Devemos nos atentar ainda que a ação humana, como sociedade em constante
crescimento, influencia fortemente no meio ambiente em dimensões locais, regionais
e até globais. Nesse sentido, os termos natureza amiga e natureza hostil podem ser
aplicados para descrever a relação entre homem e natureza, sendo de complementaridade
e de exploração, respectivamente (SANTOS, 2002, p. 193).

Podemos destacar, portanto, que as atividades humanas, também conhecidas como


ações antrópicas, podem resultar em grandes impactos nos sistemas naturais, como
processos ecológicos interrompidos e até mesmo na extinção de espécies da fauna e
da flora.

Essas ações antrópicas no meio ambiente ocorrem de diversas formas, e a proporção


de seus impactos cresce conforme aumenta a demanda das sociedades. Nesse sentido,
podemos exemplificar através da forma de obtenção de alimentos, a qual evoluiu para
a criação de animais em cativeiro, como o gado bovino e caprino para a produção de
leite e carne, além das áreas para cultivo e monoculturas, como soja, milho e arroz.

As construções das cidades e de diversos outros empreendimentos resultam na retirada


da vegetação natural e redução dos habitats das espécies. Além disso, podemos destacar
ainda que a forma de viver das sociedades resulta na produção de resíduos e de diversos
tipos de poluição, como: do ar, através da queima de combustíveis fósseis e liberação de
outros gases na atmosfera; da água, através do despejo de esgoto doméstico e industrial
sem tratamento; sonora, através da emissão de ruídos não naturais nos meios urbanos
e subaquático; e de iluminação, através das luzes noturnas que alteram os padrões
naturais nos meios urbanos.

Nesse ponto, considerando os impactos globais das ações antrópicas sobre o meio
ambiente, devemos estar atentos às discussões sobre as mudanças climáticas. Tema
amplamente discutido e pesquisado pelas comunidades científicas do mundo inteiro.

As mudanças climáticas se referem a alterações nos padrões globais de


temperaturas máximas e mínimas, distribuição e intensidade de chuvas, dentre
outros. Diante das pesquisas já desenvolvidas, sabe-se que a emissão de gases
poluentes, como o dióxido de carbono (CO2), o qual pode ser proveniente da queima
de combustíveis fósseis (petróleo e seus derivados) e de florestas (desmatamento
ilegal e queimadas), tem sido apontado como principal causador do efeito estufa.

Assim, atualmente, verifica-se o aumento das temperaturas nos polos terrestres,


ocasionando na redução das geleiras, alteração dos regimes de chuvas e maior
frequência dos eventos chamados de eventos extremos, como longos períodos

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Introdução e conceitos básicos | Unidade I

de estiagem, chuvas fortes e enchentes, ciclones e outras formações devido aos


ventos fortes, dentre outros.

Saiba mais sobre as mudanças climáticas e as ações de combate a essas mudanças


através da WWF e da ONU, disponível em: https://www.wwf.org.br/natureza_
brasileira/reducao_de_impactos2/clima/mudancas_climaticas2/?gclid=EAIaIQobC
hMI8tqPhLWw6gIViwyRCh1mighsEAAYASAAEgIx-PD_BwE e https://nacoesunidas.
org/acao/mudanca-climatica/.

Para lhe ajudar a compreender melhor como as ações antrópicas podem alterar
o meio ambiente, vamos listar alguns dos danos e modificações causados pelos
seres humanos:

» Devido ao consumo de energia, as temperaturas das cidades são, em média,


de 2° a 3°C mais alta que nos campos.

» Pesquisadores acreditam que os corais de águas tropicais estão ficando


descolorados devido ao efeito estufa.

» Devido à destruição dos recifes de corais, as populações de garoupas (espécie


de peixes –a mesma encontrada nas cédulas de 100 reais) estão em declínio.

» Para fabricar 700 sacos de papel, é necessária uma árvore de 15 a 20 anos


de idade.

» Uma pilha pode contaminar o solo durante 50 anos.

» A temperatura do planeta deve se elevar entre cerca de 2° a 4,5°C até o


final desse século.

» Se a temperatura subir de 2° a 3°C, 40% das árvores da Amazônia podem


desaparecer.

» A pesca do bacalhau diminuiu entre 1968 e 1992 devido ao estado debilitado


dos estoques pesqueiros disponíveis da espécie.

» Uma âncora de navio pode destruir os fundos marinho a uma área


correspondente a metade de um campo de futebol.

» Um litro do solvente que pode ser utilizado na fabricação de tintas pode


contaminar cerca de 20 milhões de litros de águas subterrâneas.

» Um carro produz, aproximadamente, quase quatro vezes o seu peso em


dióxido de carbono, por ano.

Observação: essas curiosidades foram vistas no Diário do Verde. Disponível


em: http://diariodoverde.blogspot.com/2010/06/curiosidades-ambientais.html.

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Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Figura 3. Ilustração de dois exemplos de impactos das ações antrópicas no ambiente: desmatamento (A) e
poluição marinha (B).

A B

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/aerial-view-deforestation-rainforest-being-removed-1274894119 e https://www.


shutterstock.com/pt/image-photo/plastic-pollution-ocean-environmental-problem-turtles-1450059776.

Embora as atividades humanas possam causar impactos negativos sobre o meio ambiente,
precisamos nos atentar também que essa interação pode ser bastante necessária para
o bem-estar humano. Por exemplo, a relação da população humana com o meio
ambiente se dá também através da busca por lazer e entretenimento, ou como
uma possibilidade de o homem afastar-se do ambiente de produção que as cidades
representam. Por essa razão, podemos ressaltar que o ser humano pode utilizar o meio
ambiente como alternativa de espaço para o lazer e o turismo e, consequentemente,
para o seu bem-estar (SANTOS, 2002).

Não podemos esquecer que o ser humano tem sua origem na natureza, como
todos os seres vivos existentes. Nesse sentido, embora as sociedades humanas
evoluam para sistemas cada vez mais urbanizados, o contato com a natureza tem
sido reconhecido como uma alternativa benéfica para a manutenção da saúde e
do bem-estar humano.

Assim, isso propicia a criação e a valorização de espaços naturais nas cidades,


como praças e parques arborizados; além de também incentivar atividades mais
simples, como caminhadas ao ar livre e trilhas ecológicas, as quais não necessitam
de grandes interferências diretas na natureza para a sua realização.

No entanto, o aumento da demanda por esses espaços, utilizados com o objetivo de


suprir a demanda global da sociedade humana por atividades de lazer, acarreta na
aceleração da transformação de espaços naturais. Por essa razão, precisamos entender
a necessidade de planejamento e gestão adequados para o uso do meio ambiente e para
a correta interação entre a sociedade humana e a natureza, ou seja, precisamos também
tratar sobre um planejamento ambiental adequado (SANTOS, 2002).

16
Introdução e conceitos básicos | Unidade I

Nesse sentido, são elaborados regramentos e normas, prioritariamente com base


em pesquisas científicas, sobre os temas relacionados ao uso do meio ambiente pela
sociedade como parte importante do ordenamento e planejamento.

Diante do exposto até aqui, não podemos esquecer de que o ser humano sempre precisará
dos recursos da natureza para a sua sobrevivência; por essa razão, a sociedade deve
buscar formas para que essas interações sejam sustentáveis, isto é, priorizando a
manutenção dos recursos naturais para o presente e o futuro.

Meio ambiente e cidadania


Vimos até aqui o que é o ecossistema, o meio ambiente e como o ser humano participa
dos processos ecológicos. Neste tópico, vamos refletir sobre a atuação do homem em
sociedade e com o meio ambiente.

Podemos então destacar que a cidadania pode ser considerada como a atuação do
indivíduo na sociedade em que está inserido. E, além disso, no sistema democrático,
cidadania configura o direito de votar e reivindicar de forma consciente outros direitos,
como saúde, educação e saneamento básico de qualidade, entre outros.

No entanto, embora por vezes esquecido, a cidadania se refere também aos deveres
dos cidadãos, não só aos direitos. Assim, ressaltamos nos deveres a busca pela
coletividade e solidariedade, especialmente no presente contexto, para a garantia do
direito constitucional ao meio ambiente equilibrado como responsabilidade de todos
(AMARAL; GOMES, 2013).

É preciso ficar atento que o exercício pleno de cidadania, direitos e deveres, requer
prioritariamente que o cidadão tenha condições econômicas, políticas, sociais
e culturais de exercer a sua cidadania (MANEIA et al., 2014; LIMA et al., 2017).

Assim, além do exercício individual, a cidadania refere-se ainda à vida em sociedade e,


portanto, em coletividade. Dessa forma, quando falamos sobre a participação de toda
a sociedade em prol do bem comum à coletividade, podemos destacar que o nosso
sistema democrático dispõe, por exemplo, das participações em ações civis públicas,
ações populares e audiências públicas, para as quais são convidados a população civil
como um todo, o setor privado e órgãos da gestão pública.

17
Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Além disso, a atuação individual do cidadão também se dá através de ações diárias


como a redução do consumo de água e a destinação adequada dos resíduos, entre outros
(AMARAL; GOMES, 2013). Nesse aspecto, destacam-se as ações sobre os resíduos
que prezam pela reutilização, reciclagem e redução de resíduos, e ainda a priorização
do consumo de produtos naturais ou que possuam destinação adequada.

Figura 4. Representação da participação coletiva para a proteção do meio ambiente.

Setor público
Sociedade civil

Setor privado

Fonte: Adaptado de https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/office-cooperative-teamwork-people-build-puzzles-1105763921.

A ação cidadã está, portanto, diretamente ligada à Constituição Federal de 1988,


sobre a qual trataremos com mais detalhes nos próximos capítulos, especialmente, no
que se refere ao direito ao meio ambiente equilibrado.

Podemos utilizar este espaço para avaliar como, individualmente, interferimos


no meio ambiente, como adquirimos nossos alimentos, como nos transportamos
e como vivemos de modo geral.

É um momento para iniciar as reflexões também sobre nossa atuação no papel


de agentes transformadores do meio em que vivemos, e sobre quais ações podem
causar mais ou menos impactos no ambiente em que estamos.

Portanto, pelo que vimos até agora, como você classifica os ambientes em que
você está inserido e com os quais você interage? E a sua relação com o meio
ambiente, como se dá? Sobre a produção de resíduos, quais os tipos você produz
e como pode reduzir essa produção?

Você considera que precisa de espaços mais urbanizados ou mais naturais?


Você exerce ativamente o seu papel de cidadão cobrando os seus direitos, mas
também cumprindo com os seus deveres? Você sente que a sua comunidade possui
condições adequadas para exercer a cidadania de forma completa e íntegra?

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CAPÍTULO 2
Fauna Silvestre

Conceitos
Agora que entendemos o que é o meio ambiente e como o ser humano interage e
altera os espaços em que está inserido, vamos conhecer um pouco mais sobre um
componente do meio ambiente, a fauna. A fauna é um grupo que engloba todos os
animais existentes, sejam eles terrestres ou aquáticos. Além disso, os animais podem ser
classificados em dois grandes grupos, os vertebrados e os invertebrados. Podemos
então destacar:

» Invertebrados:

› moluscos;

› crustáceos;

› insetos;

› aracnídeos, entre outros.

» Vertebrados:

› mamíferos;

› aves;

› répteis;

› anfíbios;

› peixes.

Para o nosso curso, precisamos ainda estar atentos à diferença entre animais domésticos,
aqueles com os quais o ser humano se relaciona diretamente, como animais de carga e
trabalho (bovinos e equinos, por exemplo) ou ainda com relações afetivas (como cães
e gatos, por exemplo); e animais silvestres, aqueles que vivem livremente e com
hábitos selvagens.

Assim, neste curso, trataremos de forma mais detalhada sobre os animais silvestres,
sua importância, os tipos de interação com as sociedades humanas e as estratégias de
proteção desses animais.
19
Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Importância dos animais silvestres para o


ambiente

Para falar sobre a importância da fauna silvestre, vamos começar com uma
provocação: você já se deparou com alguma espécie de animal silvestre no seu
cotidiano? Pense bem, na cidade onde você vive, no seu dia a dia ou em viagens
já realizadas?

Lembre-se que a sociedade humana divide o meio ambiente com todas as outras
formas de vidas.

Assim, diante do que vimos até aqui e com as suas experiências pessoais, como
você entende que ocorrem as interações com os animais silvestres? Quais exemplos
você pode compartilhar de experiências de interações positivas, ou até negativas,
entre o ser humano e os animais silvestres?

Para entendermos a importância dos animais silvestres para o meio ambiente, é


importante saber inicialmente o que são exatamente os animais silvestres. A Portaria nº
93/1998 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA) afirma que são considerados animais silvestres todas as espécies nativas,
migratórias ou qualquer espécie que tenha todo ou parte do seu ciclo de vida
fora de cativeiros, nos limites do território brasileiro.

A fauna silvestre é um recurso natural de conhecimento limitado, pois existem poucos


pesquisadores e especialistas no assunto – dizemos isso levando em consideração a
grande variedade de espécies e de habitats existentes em todo o globo. Entre os interesses
que esta fauna proporciona ao homem, está o equilíbrio dos ecossistemas, alimentação,
exploração turística, entre outros.

Por essa razão, os estudos sobre os animais silvestres vêm aumentando a cada dia e é
de extrema importância devido ao aumento da ocupação do ser humano no planeta,
que está desencadeando vários danos ao ambiente, muitas vezes irreversíveis.

Figura 5. Ilustração do homem e o ambiente.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/biodiversity-vector-illustration-flat-tiny-various-1541846495.

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Introdução e conceitos básicos | Unidade I

Então, neste capitulo, estudaremos a importância dos animais silvestres para o meio
ambiente, as interações entre a fauna e o ser humano, bem como as consequências
dessas interações.

Diversidade dos animais silvestres


O planeta terra é o habitat de diversas espécies. Provavelmente nunca saberemos a
quantidade e a variedade exatas de indivíduos e espécies que vivem nele. Mesmo com
os grandes esforços de pesquisa e catalogação de todas elas, existem altas taxas de
extinção, e muitas espécies estão sendo perdidas, antes mesmo de serem descobertas,
classificadas e nomeadas, devido à intensa exploração humana (FONTANA et al., 2003).

O território brasileiro abriga a maior biodiversidade do planeta. Essa diversidade


equivale a mais de 20% do número total de espécies da Terra, considerando a fauna
e a flora. Além disso, várias espécies encontradas no Brasil são endêmicas (MMA,
2020). Por isso, é preciso destacar que o desenvolvimento de pesquisas deve ser
intensificado cada vez mais para que haja melhor aproveitamento e gestão adequada
da biodiversidade brasileira.

Espécies endêmicas são aquelas que ocorrem somente em um território, ou


bioma. Ou seja, possuem distribuição restrita. Por essa razão, são espécies mais
suscetíveis à extinção, considerando os casos de redução do seu habitat ou o
impacto sobre suas fontes de alimentos, por exemplo.

Podemos destacar ainda as espécies bandeira ou espécies guarda-chuva,


consideradas assim para fins de políticas de conservação, pois se referem
a espécies carismáticas e mais queridas pela sociedade que, através da sua
conservação, possibilitam a conservação de ecossistemas inteiros (espaço físico
e todos os seres vivos que dele dependem).

Figura 6. Exemplar da espécie Puma concolor, declarado oficialmente extinto em 2018.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/adult-female-cougar-puma-concolor-stands-611153855.

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Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Devemos nos atentar ainda que o território brasileiro pode ser dividido e classificado
por sua biodiversidade e condições climáticas em seis biomas: Amazônia, Caatinga,
Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Cada um desses biomas possui
características próprias que possibilitam o desenvolvimento de sua biodiversidade.

Além disso, podemos ainda destacar a zona costeira e o ambiente marinho que,
embora não tenham classificação como biomas, configuram uma região vasta e rica em
biodiversidade explorada de diversas maneiras, como a pesca e o turismo, por exemplo.

Nesse sentido, esses biomas são amplamente utilizados pelos animais silvestres como
espaços para alimentação, abrigo e reprodução. E, exatamente por suas características,
são habitats para uma grande diversidade de espécies, como aves, mamíferos terrestres
e aquáticos, peixes e moluscos, incluindo diversas espécies endêmicas.

Dentre as espécies já conhecidas no território brasileiro, podemos destacar a onça


pintada, o mico-leão-dourado, a arara-azul, o jacaré-do-papo-amarelo, o tatu-bola,
além de tantas outras.

Figura 7. Ilustração da riqueza da biodiversidade do território brasileiro.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/vector-illustration-map-brazil-symbols-1145946881.

Podemos, portanto, conhecer melhor as características desses biomas:

» Amazônia: abrange nove países da América do Sul e é caracterizado por seu


clima quente e úmido; é composto pela maior bacia hidrográfica do mundo,
representado pelo Rio Amazonas e seus afluentes que formam diversas
paisagens; é também caracterizado por sua megadiversidade biológica,
entre vertebrados e invertebrados, especialmente os insetos, sendo muitas
espécies ainda desconhecidas pela ciência.

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Introdução e conceitos básicos | Unidade I

» Caatinga: bioma exclusivamente brasileiro, cujo nome tem origem na língua


tupi-guarani e significa floresta branca, isso porque no período seco a
vegetação perde todas as folhas, ficando com aspecto cinza e esbranquiçado;
é marcado pelo clima seco e quente e sua biodiversidade possui hábitos
adaptados à escassez de água e à temperatura quente.

» Cerrado: é reconhecido como o segundo maior bioma da América do Sul e o


berço de grandes bacias hidrográficas; possui grande diversidade de ambientes,
o que possibilita o desenvolvimento da biodiversidade, especialmente de
espécies endêmicas, sendo considerado um hotspot mundial, ou seja, um
bioma de importância reconhecida mundialmente para a biodiversidade.

» Mata Atlântica: formado por vastas florestas e distribuído ao longo de


quase toda a costa brasileira, compreende 17 estados brasileiros; possui
uma biodiversidade única com diversas espécies endêmicas e ameaçadas
de extinção; e foi reduzido drasticamente devido à exploração e expansão
das áreas urbanas.

» Pantanal: é um bioma exclusivamente continental e caracterizado por possuir


extensas áreas alagadas; possui influência direta dos biomas Amazônia,
Cerrado e Mata Atlântica.

» Pampa: no Brasil, este bioma é restrito ao estado do Rio Grande do Sul, mas
se estende ainda pela Argentina e pelo Uruguai; é caracterizado pelo clima
temperado e por extensas áreas de serras e planícies; a fauna é destacada
por uma rica diversidade de aves e mamíferos.

» Zona costeira e ambiente marinho: a zona costeira brasileira possui 8 mil


km de extensão, compreende todos os estados costeiros e abriga diversos
ecossistemas distintos; conhecida como Amazônia Azul, o ambiente marinho
compreende 5,7 milhões de km2 de área oceânica, com ecossistemas únicos,
espécies endêmicas, migratórias e ameaçadas de extinção.

Você pode saber sobre esses ecossistemas nas páginas eletrônicas do Ministério
do Meio Ambiente e da Marinha do Brasil, respectivamente, disponível em: https://
www.mma.gov.br/biomas.html e https://www.mar.mil.br/hotsites/amazonia_azul/.

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Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Devemos lembrar que, no ecossistema, todas as espécies cumprem um papel no


ambiente e na teia alimentar. Assim, podemos destacar, por exemplo, que aves e insetos
cumprem a função de distribuição de sementes de árvores frutíferas e pólen de flores,
e os predadores cumprem a função de controle das populações biológicas das presas,
retirando os indivíduos mais fracos e doentes.

Assim, quando uma espécie é retirada do seu ambiente natural, todo o ecossistema
pode sofrer alterações negativas. Por exemplo, a extinção de uma espécie predadora
resultará no aumento descontrolado da população da sua presa e, consequentemente,
esta irá disputar entre os seus indivíduos por alimentos e abrigo.

O resultado então é falta de alimento suficiente e de qualidade para esta população,


uma vez que o ambiente era capaz de produzir alimentos para uma população menor
na presença do predador. E, assim, os diversos níveis da teia alimentar desse ambiente
sofrerão impactos negativos resultantes do desequilíbrio ambiental.

Cada ambiente e ecossistema possui espécies que interagem e funcionam de forma


única, portanto a retirada ou extinção de espécies possui resultados imprevisíveis,
uma vez que a natureza busca seu próprio equilíbrio.

Sendo assim, a realização de pesquisas sobre a biodiversidade e as suas ameaças


se torna imprescindível para a compreensão das funções ecológicas das espécies
e dos impactos das atividades antrópicas sobre os ecossistemas.

Dessa maneira, podemos notar que os animais silvestres têm grande importância para
manter o equilíbrio do meio ambiente e, por meio de sua interação com o homem,
produzem serviços indispensáveis para a manutenção da vida, como alimentação,
polinização, controle de pragas, equilíbrio das populações, entre outros.

Interações entre fauna silvestre e o ser humano


Uma das formas mais antigas de interação entre o homem e a fauna é através da caça
(ALVES; SOUTO, 2010). Essa atividade foi de fundamental importância para aquisição
proteica, vestimenta, cura de doenças e controle de predadores (FERNANDES-
FERREIRA, 2010; VASCONCELOS NETO et al., 2012).

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Introdução e conceitos básicos | Unidade I

Figura 8. Ilustração de homens pré-históricos caçado um jovem mamute.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/3d-illustration-prehistoric-men-hunting-young-609734003.

O hábito de capturar animais silvestres para alimentação é de fundamental importância,


principalmente para as comunidades que vivem isoladas. Porém podemos destacar
que a utilização constante dos animais silvestres nessas regiões pode estar causando a
extinção ou o declínio populacional de várias espécies.

Podemos citar também que a exploração indevida do meio ambiente pode estar causando
destruição, fragmentação de habitat e diminuição de áreas de ocupação das espécies, o
que acaba causando o declínio populacional destas (PERES, 2001; THIOLLAY, 2005;
THOISY et al., 2005; BAÍA JÚNIOR, 2006).

O Bioma Mata Atlântica abriga 383 dos 633 animais ameaçados de extinção no
Brasil. Entre as espécies com risco de extinção está o mico-leão-dourado.

Figura 9. Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia).

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/golden-lion-tamarin-leontopithecus-rosalia-1490425925.

A Fundação SOS Mata Atlântica é uma organização não governamental criada


para incentivar e promover a proteção desse bioma, mais informações disponíveis
na página eletrônica https://www.sosma.org.br/conheca/mata-atlantica/.

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Unidade I | Introdução e conceitos básicos

É importante estarmos atentos de que a fauna silvestre faz parte do meio ambiente,
assim como o ser humano e, portanto, a interação entre estes se torna inevitável. Como
vimos até aqui, as ações antrópicas causam impactos diversos no meio ambiente, isso
porque o modo de vida das sociedades humanas se difere da biodiversidade natural
em termos de organização e formas de uso.

Estudos apontam que as mudanças de paisagens, que estão associadas ao homem,


produzem grande perda e fragmentação de vários habitats, colocando as populações
de animais silvestres em risco. Podemos observar que atualmente existem poucos
ecossistemas que permanecem inalterados por alguma ação antrópica (VITOUSEK
et al., 1997; SANDERSON et al., 2002; FOLEY et al., 2005).

Nesse aspecto, podemos destacar que o principal impacto negativo decorrente da


interação entre as sociedades humanas e a natureza é a redução das espécies até a sua
extinção. Diversas razões podem estar associadas à extinção das espécies, como caça ou
pesca descontroladas, redução dos habitats das espécies ou de suas fontes de alimentos,
por exemplo.

Assim, o Brasil possui atualmente uma lista com 11 espécies extintas, apresentados
pelo Ministério do Meio Ambiente, conforme mostradas abaixo:

» Rato-de-Noronha: mamífero que desapareceu na época dos primeiros


colonizadores, e teve sua existência catalogada através do estudo de fosseis.
Seu desaparecimento pode estar ligado à introdução de uma outra espécie
de rato.

» Gritador-do-nordeste: ave que habitava a Mata Atlântica entre os estados


de Alagoas e Pernambuco. Vista pela última vez em 2005. Foi descrita
utilizando indivíduos empalhados na década de 1980.

» Caburé-de-Pernambuco: espécie de coruja que vivia na região da Mata


Atlântica, no estado de Pernambuco. Seu desaparecimento está ligado à
perda de habitats devido ao desmatamento.

» Arara-azul-pequena: extinta em território brasileiro e em cativeiros. Sua


última visualização foi há mais de 80 anos. A caça ilegal e a destruição de
habitats levaram essa espécie a extinção.

» Limpa-folha-do-nordeste: ave que foi visualizada pela última vez em


2011. Fragmentação e desmatamento das florestas são os principais fatores

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Introdução e conceitos básicos | Unidade I

do seu desaparecimento. Era encontrada na Mata Atlântica, entre Alagoas


e Pernambuco.

» Peito-vermelho-grande: ave extinta no território brasileiro. Foi vista pela


última vez na década de 1970. Ainda pode ser encontrada no Uruguai, no
Paraguai e na Argentina, porém estão em risco de extinção.

» Maçarico-esquimó: ave que não é vista desde 1930. A caça e a destruição


das florestas são os principais fatores que levaram a sua extinção.

» Perereca-verde-da-fímbria: anfíbio que era encontrado na Serra


Paranapiacaba, São Paulo. Os pesquisadores ainda não conseguiram
determinar a causa de seu desaparecimento.

» Mutum-do-nordeste: ave que era encontrada na Mata Atlântica. A


destruição do seu habitat e a caça desregrada são os principais motivos da
sua extinção.

» Tubarão-lagarto: extinto no território brasileiro. O declínio da espécie é


atribuído às modificações das regiões onde ocorria a reprodução da espécie,
devido ao tráfego naval.

» Tubarão-dente-de-agulha: extinto na costa sul do Brasil. Por ser uma


espécie de águas rasas, era facilmente capturada em redes de pesca e anzóis.

Por outro lado, as interações positivas são decorrentes do incentivo de pesquisas sobre
a fauna silvestre. Possibilitam a geração de empregos, fixação do homem no campo,
exploração sustentável dos recursos naturais, combate ao comércio ilegal de animais
silvestres, compreensão sobre a biologia das espécies, geração de novas tecnologias
para o manejo adequado das espécies, entre outros.

Além disso, é importante também destacar que o Brasil possui rica sociobiodiversidade,
com mais de 200 povos indígenas e várias comunidades de quilombolas, seringueiros
e caiçaras que, juntas, reúnem uma variedade de conhecimentos tradicionais que
são essenciais para a conservação da biodiversidade (MMA, 2020). Dessa forma,
configurando uma forma de uso direto da biodiversidade.

Notamos assim que não é só a urbanização que altera o ambiente natural, as ações dos
povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais também afetam o meio de

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Unidade I | Introdução e conceitos básicos

maneira significativa. Por essa razão, trataremos a seguir de mais formas de usos e
interações com a fauna silvestre.

Interações socioculturais com a fauna silvestre

Agora que já estamos entendendo o que é a fauna silvestre e como as sociedades


humanas interagem com esses animais, você sabe dizer quais os diversos tipos
de usos da fauna que existem?

Para ajudar a pensar nesses usos, destacamos a música de João do Vale, mas
podemos ainda recomendar outras músicas desse compositor que se relacionam
a fauna silvestre, como Canto da Ema, Peba na Pimenta e Pipira.

Ouricuri (Segredo do sertanejo) – João do Vale e José Cândido.

Ouricuri madurou

E é sinal que Arapuá já fez mel.

Catingueira fulorou lá no sertão,

Vai cair chuva granel.

Arapuá esperando

Ouricuri madurecer,

Catingueira fulorando:

Sertanejo esperando chover.

Lá no sertão, quase ninguém tem estudo.

Um ou outro que lá aprendeu ler.

Mas tem homem capaz de fazer tudo, doutor!

Que antecipa o que vai acontecer.

Cantigueira fulora: vai chover;

Andorinha voou: vai ter verão;

Gavião se cantar: é estiada,

Vai haver boa safra no sertão.

Se o galo cantar fora de hora:

É mulher dando o fora, pode crer.

Acauã se cantar perto de casa:

É agouro, é alguém que vai morrer.

São segredos que o sertanejo sabe

28
Introdução e conceitos básicos | Unidade I

E não teve o prazer de aprender ler.

Quais diferentes usos da biodiversidade o autor quis descrever com essa obra?

A arte é uma forma especial de uma sociedade descrever seus saberes e costumes.
Dessa forma, você conhece outros artistas que descrevem a interação da sociedade
com a biodiversidade? Na música, você conhece outras composições ou outros
autores que descrevem a fauna através da arte?

Inicialmente, devemos destacar que populações tradicionais podem ser definidas como
um grupo de humanos culturalmente diferenciados, que historicamente reproduzem os
seus modos de vida de forma total ou parcialmente isolada, com bases cooperacionais e
podem ter maneiras específicas em sua relação com a natureza, normalmente fazendo
uso sustentável do ambiente (DIEGUES et al., 2000).

Assim, os povos indígenas e as comunidades tradicionais mantêm variadas formas


de interações com a fauna silvestre. Essas comunidades possuem estreitas relações de
dependência com os recursos naturais existentes nos locais onde vivem (PEZZUTI;
CHAVES, 2009).

Como exemplos dessas interações, podemos citar o conhecimento do comportamento


de vespas (utilizando seus ninhos, pupas e larvas) para a preparação de artefatos de
pesca, a criação de pequenos mamíferos como “animais domesticados” para interagirem
com crianças, bem como a utilização das plumas de aves coloridas (araras e papagaios)
para a fabricação de adornos e cocares.

Figura 10. Adornos feitos utilizando penas de aves.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/brazilian-indian-headdress-beatiful-colorful-over-1661648668.

Para povos indígenas e comunidade tradicionais, a captura de animais silvestres para


alimentação é fundamental para a subsistência da população (DAVIES, 2002; FIGUEIRA
et al., 2003). Nesse ponto, é importante compreendermos que isso está relacionado

29
Unidade I | Introdução e conceitos básicos

à cultura tradicional desses povos, uma vez que esses animais se configuram como a
principal fonte de proteína nestes ambientes que, normalmente, são isolados.

Mas, além do uso para alimentação, em algumas regiões existem também práticas
terapêuticas baseadas nos animais, que se apresentam como uma fonte secundária de
tratamentos médicos (SILVA, 2008).

Matar animais silvestres é crime. Porém, segundo a Lei de Crimes Ambientais


(Lei nº 9.605/1998), em seu art. 37, não é crime o abate de animal silvestre quando
realizado:

» em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;

» para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora


de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade
competente;

» por ser animal nocivo, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.

Figura 11. Interação entre o ser humano e animais silvestres em comunidades tradicionais da região Amazônica.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/macedonia-amazonia-colombia-mar-15-2016-1160496823.

Além disso, é necessário ressaltar que a religião desses povos e comunidades influencia
diretamente no modo como a fauna é utilizada (COHN, 1988; ANYINAM, 1995;
BERKES, 2001). Essa relação místico-religiosa vem sendo registrada desde épocas
remotas e é evidenciada por pinturas rupestres que representam animais sendo caçados
ou em outras atividades humanas.

Um exemplo de ritual realizado por comunidades indígenas é o realizado pela tribo


Karajá, que habita regiões dos estados de Mato Grasso e Tocantins. A primeira iniciação
dos meninos se dá por volta dos sete ou oito anos de idade, a qual consiste na perfuração
do lábio inferior para receber um adorno. Essa perfuração é realizada utilizando a
clavícula de um macaco.

30
Introdução e conceitos básicos | Unidade I

Existem mais de 20 espécies com as quais o homem mantém uma relação místico-
religiosa. Alguns povos acreditam que através da observação do comportamento de
alguns animais é possível prever eventos climáticos, a chegada de visitantes e até a
morte de alguém.

Exemplos de uso místico-religioso de animais está na confecção de amuletos (cornos


de boi, patas e cauda de coelhos, chocalho de cascavel), uso em rituais afro-religiosos
para “curas mágicas” (cabra, galinha e cavalos marinhos), adivinhações, entre outros.
Alguns animais também são considerados como portadores da sorte ou do azar.

Devemos nos atentar que a forma de captura, a espécie em questão, a quantidade


e o motivo da extração animal são de fundamental importância para entender a
forma de uso e o grau de ameaça sobre cada espécie silvestre (TRINCA, 2004).

Segundo o IBGE (2010), o Brasil atualmente possui mais de 300 comunidades indígenas,
representando cerca de 0,47% da população brasileira. Devido à grande diversidade
biológica e cultural do Brasil, é essencial que as políticas de conservação intensifiquem
as pesquisas sobre esse tema, pois que os estudos nessas áreas são escassos (LEO NETO,
2008).

Devemos nos atentar que, com mais de 300 comunidades tradicionais presentes no
Brasil, é possível e provável que haja mais de 300 maneiras diferentes de interação
homem-natureza.

Destacamos ainda que o Bioma Amazônia, além de sua megadiversidade biológica,


também é composto por uma grande diversidade de comunidades indígenas, as
quais possuem formas únicas de interação com o meio ambiente.

Para entender mais sobre os tipos de interação entre fauna silvestre e essas
comunidades tradicionais, recomendamos a seguinte leitura:

PEZZUTI et al. A Caça e o Caçador: uma Análise Crítica da Legislação Brasileira


sobre o Uso da Fauna por Populações Indígenas e Tradicionais na Amazônia.
Biodiversidade Brasileira, 8(2), pp. 42-74, 2018. Disponível em: https://www.
icmbio.gov.br/revistaeletronica/index.php/BioBR/article/view/779/608.

Urbanização e fauna silvestre


Os ambientes urbanos ocupam cerca de 5% do planeta, porém exercem forte impacto
ao ecossistema em que estão inseridos. Sabe-se que mais de 50% da população mundial

31
Unidade I | Introdução e conceitos básicos

vive em áreas urbanas e estima-se que, nos próximos anos, cerca de 5 bilhões de pessoas
habitarão em regiões urbanizadas (GOUDIE, 2000). Por isso, são esperados vários
conflitos derivados dessas alterações no ambiente natural.

Os centros urbanos se transformaram em redutos ecológicos para várias espécies de


animais, independente da origem destas, e podem ser considerados como ecossistemas
completos, onde a biodiversidade se relaciona entre si e com o meio, como ocorre em
ambientes naturais.

No entanto, os sistemas urbanos e a sociedade humana tornaram-se um fator


a mais nessa interação biológica, alterando alguns comportamentos naturais.
Nesse sentido, podemos destacar as espécies que vivem em áreas turísticas e
interagem com os turistas de forma direta, como macacos de pequeno porte que
são alimentados pelos visitantes e, assim, alteram seu padrão de alimentação,
bem-estar e saúde, por exemplo.

A urbanização, porém, causa destruição e fragmentação do ambiente natural, a


perda definitiva de habitat, exposição mais acentuada a patógenos originados dos animais
silvestres, maior competição com espécies exóticas invasoras, além da interferência
antrópica direta na vida das espécies expostas (BRAWN et al., 2001). Porém, devido
à grande diversidade de fauna e de ambientes, algumas espécies conseguem se adaptar
a esses processos de urbanização (LIM et al., 2004).

As soluções para minimizar ou acabar com os conflitos entre a fauna silvestre e o


homem são complexas e precisam quase sempre de medidas diversas e integradas. Na
grande parte das ocorrências, as pessoas acionam as instituições competentes para
que os problemas com a fauna silvestre sejam solucionados (normalmente se trata da
remoção e/ou captura dos espécimes que estão gerando o conflito).

Figura 12. Espécime de primara em meio a cabos de força elétrica.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/rio-de-janeirobrazil-may-8-2020-1725886246.

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Introdução e conceitos básicos | Unidade I

De forma bastante didática, podemos lembrar alguns filmes e desenhos animados


que retratam de formas diferentes as interações entre ser humano e natureza,
decorrentes dos processos de urbanização, como:

» O desenho animado Zé Colmeia.

» Os filmes: Os sem floresta, Dr. Dolittle, As aventuras de Sammy, as trilogias


Rio e Madagascar, entre tantos outros.

Diante das informações vistas até aqui, quais filmes ou desenhos animados citados
você já assistiu? Quando assistiu, se deu conta de que eles tratam de interação
de animais silvestres com o meio urbano criado pelo ser humano?

Destacamos essas produções e recomendamos que sejam vistas novamente, para


que você aplique um novo olhar sobre elas. Além dos filmes aqui citados, você
sabe indicar outras produções que abordam essa temática?

Assim, recomendamos que você mude o seu olhar sobre o seu dia a dia e avalie
as interações que presencia, afinal de contas, no lugar onde você mora, você já
reparou nas aves nos bosques, praças ou fragmentos de florestas? Ou você já
visitou zoológicos e aquários?

E sobre os tipos de usos que tratamos neste capítulo, você conhece outras formas
de uso dos animais silvestres?

Existem infinitas possibilidades, reflita um pouco sobre o conteúdo aprendido até


aqui e fique à vontade para expor aos colegas da turma e ao professor as novas
impressões, questionamentos ou outras observações.

Com o intuito de preservar o meio ambiente, o homem desenvolveu técnicas de


sustentabilidade e desenvolvimento sustentável. Mas o que seria sustentabilidade?

Esse é o próximo conceito que temos que entender para darmos prosseguimento ao nosso
curso. A sustentabilidade (palavra derivada do latim sustentare, que significa apoiar,
sustentar) é a capacidade de conservação de um sistema ou processo. A sustentabilidade
aborda a maneira como devemos agir em relação à natureza.

A sustentabilidade só pode ser alcançada através do desenvolvimento sustentável.


O desenvolvimento sustentável visa satisfazer a necessidade do presente sem
comprometer a natureza para que as futuras gerações possam satisfazer as suas próprias
necessidades.

33
Unidade I | Introdução e conceitos básicos

Figura 13. Ilustração de desenvolvimento sustentável.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/ecology-concept-green-city-on-earth-701621245.

Os três princípios que rodeiam a sustentabilidade são o social, o ambiental e o econômico,


também conhecido como o tripé da sustentabilidade. Esses três fatores precisam
estar interligados para que a sustentabilidade aconteça.

» Ambiental: refere-se aos recursos naturais e como são utilizados pelo ser
humano.

» Social: refere-se às pessoas e a suas condições de vida (educação, saúde,


lazer...)

» Econômico: produção, distribuição e consumo de bens e serviços. A


economia deve ser vista como uma questão social e ambiental.

Você sabia que existem diferentes tipos de sustentabilidade? E sabe dizer que
tipos de sustentabilidades podemos encontrar atualmente?

Que tipos de ações nós podemos tomar para contribuir com a sustentabilidade?

Que tipos de ações que você toma que contribui com a sustentabilidade?

Atualmente, podemos destacar quatro tipos de sustentabilidade:

» Sustentabilidade ambiental: conservação e preservação do ambiente.


O ser humano deve estar em harmonia com a natureza, para uma melhor
qualidade de vida. A ideia central é que o interesse da atua geração não
prejudique os interesses das futuras gerações;

» Sustentabilidade social: sugere igualdade de todos os indivíduos para o


bem-estar da população. Com isso, conta com a participação da sociedade
para fortalecer as propostas de acesso à educação, cultura e saúde;

» Sustentabilidade empresarial: empresas que possuem responsabilidade


com valores sociais e ambientais;

34
Introdução e conceitos básicos | Unidade I

» Sustentabilidade econômica: trata da capacidade de produção, distribuição


e consumo das riquezas produzidas pelo homem, visando à justa distribuição
de renda.

Podemos adotar ações e comportamentos no nosso dia a dia que contribuam com
a sustentabilidade. A seguir, você encontrará alguns exemplos:

» Ações individuais: economia de água, evitar uso de sacolas plásticas e


descartáveis, separar o lixo para a coleta seletiva, reciclagem, optar pelo
uso de produtos biodegradáveis, etc.

» Ações comunitárias: uso de painéis solares, horta comunitária, realização


de turismo ecológico, etc.

» Ações globais: controle da urbanização, diminuição do consumo de energia,


diminuição do uso de combustíveis fosseis, aumento do uso de fontes de
energias renováveis, criação de unidades de conservação, investimento na
Educação Ambiental, etc.

É importante destacar que ações como estas podem ser incorporadas ao modo
de vida humano, uma vez que:

» Cerca de 84% do lixo doméstico é reciclável.

» Plantas de interior auxiliam contra a poluição em recintos fechados.

» A utilização de gás natural reduz cerca de 65% a quantidade de dióxido


de carbono, quando comparamos a quantidade produzida por uma central
térmica para a mesma quantidade de energia.

» O vidro pode ser reciclado indefinidamente.

» Uma tonelada de papel reciclado poupa, aproximadamente, 22 árvores,


economiza cerca de 71% de energia e polui 74% menos que se fossem
produzidos novos papeis.

Observação: essas curiosidades foram vistas no Diário do Verde. Disponível


em: http://diariodoverde.blogspot.com/2010/06/curiosidades-ambientais.html.

Finalizada a Unidade I, podemos destacar, de forma resumida, os seguintes tópicos


sobre os temas abordados:

» O meio ambiente pode ser considerado todo o espaço que nos cerca, formado
por todos os seres vivos e não vivos que interagem entre si e, portanto,
possuem uma relação direta de interdependência.

» A ação transformadora do ser humano possibilita a classificação dos


diferentes ambientes: meio ambiente natural, artificial, cultural e de trabalho.

35
Unidade I | Introdução e conceitos básicos

» A ação antrópica pode causar o desequilíbrio do ambiente, razão pela qual


se deve buscar a sustentabilidade das atividades humanas.

» O meio ambiente é um bem coletivo, direito de todos, e a todos também


compete a responsabilidade pela sua conservação.

» O meio ambiente é formado por diversos componentes, entre eles a


biodiversidade, que engloba as espécies da fauna e da flora.

» No Brasil a biodiversidade é encontrada em diversos biomas, como Amazônia,


Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa, além da zona costeira
e do ambiente marinho.

» A fauna silvestre é caracterizada pelas espécies nativas, migratórias ou que


possuem hábito de vida livre no território brasileiro.

» A interação entre a fauna silvestre e o ser humano pode ocorrer naturalmente,


através das populações tradicionais, ou através dos processos antrópicos e
de urbanização dos espaços naturais.

» Sustentabilidades e desenvolvimento sustentável.

Até aqui, conhecemos os conceitos básicos de ecossistema e entendemos o


papel do cidadão na interação com o meio ambiente. Na próxima unidade vamos
aprender sobre Educação Ambiental, sua importância, conceitos e aplicações.

36
EDUCAÇÃO
AMBIENTAL UNIDADE II

CAPÍTULO 1
Conceitos e definições sobre Educação
Ambiental

Fundamentação

Para iniciar esta unidade, devemos primeiro nos questionar: porque a Educação
Ambiental é importante?

É graças à Educação Ambiental que ocorre a conscientização para questões que


envolvem a valorização do meio ambiente. Isso faz com que ocorra aumento de
práticas sustentáveis e, consequentemente, redução dos danos ambientais.

Agora vamos entender como a Educação Ambiental ganhou visibilidade no mundo


industrializado.

A Educação Ambiental começou a ganhar visibilidade mundial em 1972, com a realização


da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo (Suécia),
tendo como debate principal a necessidade da inserção da dimensão ambiental na
educação.

Depois de cinco anos, foram definidas as estratégias e diretrizes para preservação


ambiental na Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, em
Tbilisi, Geórgia.

Nesta unidade, buscaremos fazer uma breve contextualização histórica da Educação


Ambiental, sua evolução, e a Educação Ambiental aplicada à conservação. Com isso,
desejamos entender um pouco sobre a complexidade que envolve a Educação Ambiental
e incentivar a conservação do meio ambiente.

37
Unidade II | Educação ambiental

Figura 14: Representação de educação para o meio ambiente.

Fonte: Disponível em: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/young-people-reading-books-park-summer-1671205726.

Inicialmente, podemos destacar que está prevista na Constituição Federal a educação


voltada para o meio ambiente em seu art. 225, inciso VI, que estabelece como dever
do Estado e de todos promover a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino
e a conscientização pública para a preservação da natureza.

O conceito de Educação Ambiental é estabelecido pela Lei nº 9.795/1999. No estatuto


também é estabelecida a importância dela no contexto educacional e suas formas de
execução.

Evolução da Educação Ambiental


Aprendemos até aqui sobre a importância da biodiversidade e do equilíbrio ambiental,
bem como as diversas formas de interação entre as sociedades humanas e o meio
ambiente. Nesta unidade, iremos abordar de forma especial esse aspecto do exercício
da cidadania, a Educação Ambiental como direito e a sua aplicação como exercício do
dever de proteger o meio ambiente.

Histórico

Desde a Revolução Industrial, a sociedade vem vivenciando um desenvolvimento


tecnológico realmente expressivo. No entanto, isso também contribuiu para o aumento
da degradação do meio ambiente, com o uso de combustíveis fósseis, superexploração
dos recursos naturais, entre outros.

Alguns acontecimentos históricos foram determinantes para a evolução dos debates


sobre a preservação do meio ambiente e da Educação Ambiental, como exposto na
Figura 15:

38
Educação ambiental | Unidade II

Figura 15. Histórico da evolução das discussões ambientais.

Décadas de • Grande parte dos conhecimentos sobre os sistemas


1960 e 1970 ambientais é desenvolvido.

• O livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson fica


1962 famoso no mundo como o primeiro alerta para os
impactos da ação humana sobre o meio ambiente.

• Conferência de Estocolmo.
• Organização das Nações Unidas (ONU) estende
1972
discussões sobre o meio ambiente.
• Elaborado o conceito de ecodesenvolvimento.

• A Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) é


1973
criada no Brasil.

• A UNESCO, junto com a ONU, lança o Programa


Nacional de Educação Ambiental (PNEA).
1975
• Divulgação da Carta de Belgrado, que estabelece as
metas e os princípios da educação ambiental.

• A Conferência Intergorvenamental em Tbilisi, Geórgia,


1977 define diretrizes, estratégias e ações até hoje
adotadas pelos especialistas da área.

• O Brasil edita o Decreto nº 88.351, que regulamenta


leis sobre a Política Nacional do Meio Ambiente,
1983
determina a necessidade da inclusão da Educação
Ambiental nos currículos escolares.

• Tragédia de Bhopal, na Índia. Toneladas de gases


1984 tóxicos vazaram de uma fábrica americana de
pesticidas.

1986 • Acidente núclear de Chernobyl, na União Soviética.

• ONU promove, em Moscou, o Congresso Internacional


1987 sobre Educação e Formação sobre meio ambiente;
• Relatório de Brundtland.

• Conferência das Nações Unidas sobre o Meio


1992 Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), no Rio de
Janeiro.

• I Congresso Ibero-Americano de Educação Ambiental,


realizado na cidade mexicana de Guadalajara.
1994
• Lançado o Programa Nacional de Educação Ambiental
(ProNEA).

• Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e


1997
Sociedade.

• Encontro da Terra (Rio+10) em Johanesburgo, para


2002
avaliar as decisões tomadas na ECO-92.

• Instituído como a década da Educação para o


2005 - 2014
Desenvolvimento Sustentável.

• Rio+20 contribuiu para definir a agenda do


2012 desenvolvimento sustentável para as próximas duas
décadas.

Fonte: Adaptado de INEA (2014).

39
Unidade II | Educação ambiental

Para elucidar melhor a evolução da Educação Ambiental no Brasil, recomendamos


a seguinte leitura:

» Os Diferentes Matizes da Educação Ambiental no Brasil 1997/2007.


Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/
dif_matizes.pdf.

» SOUZA, L. A. M. S. Educação ambiental e desenvolvimento. Revista de


Informação Legislativa. Brasília, a. 49, n. 195, p. 259-267, jul./set. 2012.
Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/
id/496609/000966863.pdf?sequence=1&isAllowed=y.

Educação ambiental aplicada à conservação


Um dos objetivos principais da educação é a atuação para a conservação da biodiversidade
e do meio ambiente. Por essa razão, apresentaremos a aplicação da Educação Ambiental
juntamente com a política de conservação de espaços territoriais, as Unidades de
Conservação.

Unidades de Conservação

A partir da criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), na década de


1970, as políticas públicas voltadas à conservação da natureza vêm avançando de
maneira significativa no Brasil.

Podemos destacar, portanto, como principal ferramenta utilizada para a conservação


do meio ambiente, as Unidades de Conservação (UCs). As UCs são áreas naturais
protegidas legalmente, dotadas de características naturais relevantes, com o objetivo
de conservação ou de preservação biológica dentro dos seus limites.

As UCs foram estabelecidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação


da Natureza (SNUC), na Lei nº 9.985/2000, e são responsáveis pela conservação e
preservação do patrimônio biológico brasileiro. Além disso, garantem às populações
tradicionais o uso sustentável dos recursos naturais e proporcionam às comunidades
que vivem no entorno o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis.

40
Educação ambiental | Unidade II

Figura 16. Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Maranhão, Brasil.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/scarlet-ibis-lencois-maranhenses-national-park-1119384482.

Dentre os diversos serviços ambientais que as UCs proporcionam às comunidades de


entorno, podemos destacar ainda o desenvolvimento de atividades de turismo, lazer,
Educação Ambiental e pesquisas em ambientes naturais protegidos. A Educação
Ambiental é, portanto, um dos programas mais importantes a serem desenvolvidos
pelos gestores das UCs, devendo priorizar a colaboração das comunidades na elaboração
e execução desses programas.

Devemos nos atentar que as UCs devem ser dotadas de programas específicos, de
modo a garantir o manejo e a gestão adequados dos espaços territoriais protegidos.
Podemos então destacar que o documento principal para a gestão das UCs é o Plano
de Manejo, o qual é composto pelos demais planos e programas, como: Plano de
Zoneamento, Programa de Educação Ambiental, Programa de Uso Público, Plano de
Monitoramento, dentre outros.

Em Unidades de Conservação, a Educação Ambiental pode ser aplicada através de


visitas guiadas e estruturadas para a interação com o meio ambiente, da exposição de
informações sobre a biodiversidade da UC, bem como através de atividades com a
comunidade de entorno e o conselho gestor da UC. No entanto, o planejamento para
a execução das atividades de Educação Ambiental é descrito no Programa de Educação
Ambiental, específico para cada UC.

Podemos destacar como ações já executadas: trilhas com placas e informações sobre
a flora e fauna das UCs, cartilhas informativas e livros fotográficos elaborados com
a descrição da biodiversidade das UCs, além do planejamento para a realização de
pesquisas científicas sobre os diversos aspectos que compõem a UC.

41
Unidade II | Educação ambiental

As Unidades de Conservação são administradas pelo Instituto Chico Mendes de


Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na esfera federal; e, nas esferas estadual e
municipal, são administradas pelos órgãos ambientais estaduais e municipais.

O SNUC divide as UCs em dois grupos distintos, de acordo com os objetivos de manejo
e tipos de uso. O primeiro grupo é de Proteção Integral, que visa preservar a natureza,
sendo permitido somente o uso indireto dos seus recursos naturais.

O segundo é de Uso Sustentável, que estabelece a conservação da natureza juntamente


com o uso sustentável dos recursos naturais. Assim, são permitidos o uso e a coleta
dos recursos, desde que praticadas de forma sustentável.

Para compreensão sobre os grupos e as categorias de UCs, precisamos estabelecer


as diferenças entre preservação e conservação:

» Preservação: consiste na proteção absoluta, integral, sendo permitida


somente a utilização indireta dos recursos.

» Conservação: consiste no uso dos recursos sem o esgotamento destes, sendo


priorizado o uso sustentável.

Os grupos são subdivididos como mostra a tabela abaixo:

Tabela 2. Categorias de Unidades de Conservação.

Grupo de Unidades Categoria de manejo Descrição


de Conservação
Área natural restrita, onde as pesquisas cientificas só
Estação Ecológica (ESEC) podem ser realizadas com autorização previa. Aberto a
visitações públicas.
Preservação da fauna e flora locais. Não é permitida a
Reserva Biológica (REBIO)
presença humana ou modificação da paisagem natural.
Áreas de grande importância ecológica e cênica. Visitas
Parque Nacional
Proteção Integral são permitidas.
Locais singulares e raros de grande importância ecológica
Monumento Natural (MONA) e cênica. Intervenção humana não é permitida, porém pode
ocorrer visitações.
Ambientes naturais onde ocorre a reprodução de espécies
Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) da fauna (migratória ou residentes) e da flora. Visitas
públicas ou cientificas precisão de autorização prévia.

42
Educação ambiental | Unidade II

Grandes áreas que possuem diversos aspectos biológicos


Área de Proteção Ambiental (APA) e culturais. Permite a presença humana com o uso
sustentável dos seus recursos.
Áreas menores, abrigam fauna e flora singulares. Pode
Área de Relevante Interesse
ter ocupação humana mediante conservação e uso
Ecológico (ARIE)
sustentável.
Cobertura florestal com espécies nativas e populações
Floresta Nacional (FLONA)
tradicionais.
Subsistência das populações locais baseadas no
Reserva Extrativista (RESEX))
Uso Sustentável extrativismo.
Área natural com espécies nativas (terrestres ou
Reserva de Fauna (REFAU) aquáticas) residentes ou migratórias. Destinadas ao uso
sustentável e pesquisas cientificas.
Exploração de recursos de maneira sustentável é realizado
Reserva de Desenvolvimento
pelas comunidades locais. São permitidas visitas e
Sustentável (RDS)
pesquisas cientificas.
De caráter privado. Conservação da biodiversidade de
Reserva Particular do Patrimônio
maneira sustentável. Manejo dos recursos, ecoturismo e
Natural (RPPN)
pesquisas são permitidos.
Fonte: Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Lei nº 9.985/2000).

As UCs são criadas por meio de ato do Poder Público, após a realização de estudos
técnicos que comprovam a importância ecológica das áreas propostas, e de consulta
pública à população. Atualmente, o Brasil possui 2.446 Unidades de Conservação, das
quais 777 são de Proteção Integral; e 1.669, de Uso Sustentável (MMA, 2020).

Mais informações sobre as Unidades de Conservação são disponibilizadas pelo


Ministério do Meio Ambiente e pelo ICMBio em:

» Tabela consolidada das Unidades de Conservação. Disponível em: https://


www.mma.gov.br/images/arquivo/80229/CNUC_FEV20%20-%20B_Cat.pdf.

» Site do ICMBio: https://www.icmbio.gov.br/portal/unidadesdeconservacao/


biomas-brasileiros.

43
CAPÍTULO 2
Educação Ambiental em debate

Classificações da Educação Ambiental


Como mostrado anteriormente, a Educação Ambiental tem uma história relativamente
recente. A importância da questão ambiental tomou proporções mundiais e cria uma
série de discussões e o desenvolvimento de práticas educativas. Porém muitos desses
discursos não levam em consideração o cenário real das problemáticas socioambientais;
deste modo, geram práticas que não contribuem de forma eficiente para a preservação
do ambiente.

Existem atualmente duas correntes da Educação Ambiental. A primeira é a Educação


Ambiental Conservadora, que apoia o senso comum; e a segunda é a Educação
Ambiental Crítica, que fortalece o controle da sociedade sobre a gestão ambiental.

Figura 17. Ilustração do desenvolvimento da Educação Ambiental no mundo.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/bright-flyer-business-green-energy-cartoon-1479175904.

Desse modo, neste capítulo iremos diferenciar estas duas principais correntes da
Educação Ambiental para que possamos compreender as consequências de suas
aplicações para a sociedade e o meio ambiente.

Educação Ambiental Conservadora

A Educação Ambiental Conservadora não questiona a origem dos problemas e


não pretende mudar a realidade local (GUIMARÃES, 2007), são ações pontuais,
desconectadas do todo, e isso faz com que a sua eficácia seja comprometida. Suas
características principais são o conservadorismo, comportamentalismo e ecoeficiência.

44
Educação ambiental | Unidade II

Ecoeficiência

Busca soluções tecnológicas para os problemas ambientais. Porém estas soluções são,
normalmente, paliativas e acabam não alterando a produção e uso que podem estar
ocorrendo de forma insustentável. Como exemplo, podemos citar as estratégias de
consumo consciente, que visam ao incentivo do consumo de produtos recicláveis.

Conservadorismo

Acredita em um ambiente que é intocável, buscando a preservação total ou parcial do


ambiente restrita à presença do ser humano, sem levar em consideração as ocupações
urbanas e o uso dos recursos naturais.

Dificilmente promovem espaços de discussão sobre os conflitos socioambientais, que


são de extrema importância na criação de áreas protegidas ou sobre soluções para os
conflitos que a criação dessas Unidades de Conservação pode causar, por exemplo.

Comportamentalismo

Tem como foco o indivíduo e as possíveis mudanças que ele pode causar ao meio
ambiente, sem levar em consideração os aspectos políticos e culturais que podem gerar
os determinados tipos de comportamentos.

No entanto, essas três características, por si só, não tornam as práticas educativas
conservadoras. Porém a priorização desses aspectos apenas causa a mitigação dos
problemas ambientais, agindo em suas consequências e não no que realmente está
causando o problema.

Educação Ambiental Crítica

Trabalha para solucionar conflitos socioambientais, visando à formação de agentes críticos


e a elaboração de consensos entre todas as partes envolvidas. A Educação Ambiental
Crítica entende que a consciência do indivíduo sobre as questões socioambientais
começa quando o sujeito se entende como parte de um todo.

45
Unidade II | Educação ambiental

Figura 18. Ilustração do homem e natureza em acordo.

Fonte: https://www.shutterstock.com/image-photo/hand-businessman-reach-out-towards-nature-621237140.

Desse modo, as ações educativas nessa corrente não priorizam as atitudes individuais,
mas tem seu foco nas ações coletivas, avaliado as comunidades que vivem na região e
em suas interações com o meio. Assim, estimulam a participação social na elaboração
de soluções para os problemas enfrentados.

Os princípios da Educação Ambiental Crítica são complexos e devem ser estudados


com mais profundidade. Vejamos os descritos a seguir.

Ambiente como bem comum

Entende-se como ambiente o local em que vivemos, e sobre este temos responsabilidades
e mantemos uma relação de interdependência, tanto pelo que produzimos como pelo
que consumimos no meio.

Historicidade

Tenta compreender o contexto histórico em que o problema ambiental surgiu,


envolvendo estudos prévios, em escalas local e global dos conflitos, englobando
aspectos culturais políticos, econômicos, etc.

Práxis

Trata como fundamental a reflexão e o estudo para que sejam formuladas boas práticas,
os quais possam conscientizar e gerar novas reflexões sobre o ambiente, mostrando
sentido e permitindo a evolução, tanto das práticas adotadas como dos indivíduos.

Totalidade

Compreensão sistemática dos problemas e conflitos ambientais. Busca soluções reais


para os problemas socioambientais, buscando sua origem e demais consequências.
Desse modo, podemos ampliar o processo transformador, solucionando o problema.

46
Educação ambiental | Unidade II

Emancipação

É quando o indivíduo tem suas necessidades básicas supridas (alimento, moradia,


saúde, vestimenta), além de ser capaz de pensar por conta própria sobre o ambiente,
com autonomia, sem depender de agentes externos; é capaz de elaborar soluções para
os problemas socioambientais encontrados por ele e sua comunidade.

A Educação Ambiental é um tema bastante complexo e com discussões atuais sobre


sua aplicação e formas de abordagem. Portanto, para auxiliar na compreensão,
recomendamos a leitura do seguinte texto:

LIMA, Gustavo da Costa. Questão ambiental e educação: contribuições para o


debate. Revista Ambiente e Sociedade, 1999. Disponível em: https://www.scielo.
br/scielo.php?pid=S1414-753X1999000200010&script=sci_arttext&tlng=pt.

Educação Ambiental nas escolas

O papel da escola na Educação Ambiental é de suma importância. Afinal, é através


dela que os indivíduos podem ter o seu primeiro contato com temas que despertem o
interesse para a preservação e a conservação do meio ambiente. Podemos promover
uma visão mais ampla que envolva tanto o ambiente natural como todos os elementos
que interagem com o meio.

Figura 19. Ilustração de Educação Ambiental com crianças.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/kid-environment-education-concept-639310237.

Trabalhar a Educação Ambiental de maneira multi e interdisciplinar pode contribuir


para melhor aceitação do conteúdo por parte dos alunos. Porém as instituições de
ensino ainda têm dificuldades, pois construir uma nova forma de pensar e de interagir
com o meio tem seus desafios.

47
Unidade II | Educação ambiental

Nesse sentido, a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), instituída pela


Lei Federal nº 9.975/1999, expõe como a Educação Ambiental deve ser inserida nas
escolas. No seu artigo 10 estabelece que ela deve ser desenvolvida como uma prática
educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do
ensino formal.

Diante disso, você percebe a aplicação da Educação Ambiental nas escolas de


forma eficaz?

Quais os principais desafios enfrentados pelas instituições você pode citar?

Que estratégias você pode sugerir para que a aplicação da Educação Ambiental
nas escolas seja mais eficiente?

O Conselho Nacional de Educação e os Parâmetros Curriculares Nacionais reconhecem


a Educação Ambiental como tema transversal, e não como uma nova disciplina, que
deve ser abordada de maneira diferenciada. Com isso, espera-se conseguir uma visão
que abranja a realidade como um todo.

A transversalidade é uma das ferramentas utilizada na aplicação da Educação Ambiental.


E o que seria a transversalidade? Na educação, esse termo é utilizado para expressar a
forma como se organiza o trabalho didático, ou seja, integra temas às áreas convencionais
de forma a estarem presentes em todas elas.

O modelo disciplinar das escolas, a dificuldade de planejar em conjunto, a falta de


incentivo à participação dos professores em projetos ambientais e a formação insuficiente
dos professionais no que diz respeito aos temas socioambientais são fatores que tornam
mais difícil a aplicação da transversalidade da Educação Ambiental nas escolas.

Para facilitar a aplicação da Educação Ambiental nas escolas, o estímulo de projetos


em turnos alternados ou nas disciplinas formais são caminhos que podem ser tomados
pelas instituições. Por fim, deve ser dada uma atenção especial à participação dos
professores, bem como a sua capacitação permanente em temas socioambientais
voltados a realidade local.

Agora que sabemos que existe uma Política Nacional de Educação Ambiental,
sugerimos a leitura do texto completo, de modo a possibilitar aos alunos o
conhecimento profundo sobre a norma vigente, bem como o exercício da cidadania.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm.

Recomendamos ainda a leitura dos seguintes materiais:

48
Educação ambiental | Unidade II

JACOBI, Pedro. Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. Caderno de


Pesquisa, n. 118, pp. 189-205, março/2003. Disponível em: http://www.scielo.br/
pdf/cp/n118/16834.pdf.

BADR, Eid et al. Educação Ambiental, conceitos, histórico, concepções e


comentários à lei da Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795/1999).
Programa de Pós-Graduação em Direito Ambiental da UEA. Mestrado em Direito
Ambiental. Manaus/AM: Editora Valer, 2017. Disponível em: http://www.pos.uea.
edu.br/data/area/livrospub/download/2-1.pdf.

Educação Ambiental na gestão pública

A cada dia conseguimos notar o quão importante é a participação da gestão pública


em ações de conservação e preservação do meio ambiente. Isso ocorre pois a gestão
ambiental pública tem o difícil papel de lidar com as questões relacionadas aos
conflitos socioambientais que ocorrem tanto nas comunidades isoladas quanto em
áreas urbanizadas.

Veremos nas próximas unidades, de forma mais detalhada, que a proteção


ambiental é um dever do poder público e de toda a população, especialmente
através do exercício da cidadania. Podemos destacar, portanto, que a educação é
uma ferramenta transversal e capaz de atingir os diversos públicos para garantir a
disseminação do conhecimento sobre as questões ambientais e de sustentabilidade.

Em se tratando da gestão pública, podemos ainda destacar que os diversos órgãos


podem se fazer presentes nesta discussão, uma vez que a Educação Ambiental
se aplica para a promoção da saúde da população, através do combate a doenças
e controle sanitário, dentre outros.

O licenciamento ambiental é uma das principais ferramentas que a gestão pública utiliza
para enfrentar os conflitos socioambientais, esses conflitos podem alcançar dimensões
econômicas, políticas, sociais e espaciais. Desse modo, podemos concluir que o gestor
público deve estar preparado para atuar como mediador desses conflitos, tendo como
foco a elaboração de consensos entre todas as partes envolvidas.

Figura 20. Tucano em tratamento no Centro de Triagem de Animais Silvestres do IBAMA.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/porto-seguro-bahia-brazil-november-12-1681447927.

49
Unidade II | Educação ambiental

O poder público, através dos órgãos ambientais, também tem o papel de legislar,
implantar, fiscalizar e dar exemplo de ações que possam contribuir para o uso e
exploração sustentável do meio ambiente.

No âmbito da Política Nacional de Educação Ambiental, podemos destacar o Programa


Nacional de Educação Ambiental (PRONEA), que visa à capacitação de gestores
e educadores, ao desenvolvimento de ações educativas e ao desenvolvimento de
instrumentos e metodologias para implantação da Educação Ambiental. Tais objetivos
são desenvolvidos conforme as linhas de ação do PRONEA, das quais destacamos:

» Educação Ambiental por meio do ensino formal;

» educação no processo de gestão ambiental;

» campanhas de Educação Ambiental para usuários de recursos naturais;

» cooperação com meios de comunicação e comunicadores sociais;

» articulação e integração comunitária;

» articulação intra e interinstitucional;

» rede de centros especializados em Educação Ambiental.

Os órgãos públicos responsáveis pela implantação e cumprimento do PRONEA


são os órgãos ambientais que compõem o Sistema Nacional do Meio Ambiente
(SISNAMA), dentre os quais destacamos o Ministério do Meio Ambiente (MMA),
o Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA) e o
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Devemos nos atentar ainda que os órgãos ambientais estaduais e municipais também
possuem autonomia, dentro de suas competências, para executar ações referentes ao
PRONEA. Além disso, as esferas estaduais e municipais podem ainda elaborar suas
próprias normas e prioridades, como os Planos Estaduais de Educação Ambiental,
para implementação da Política Nacional de Educação Ambiental em todo o território
brasileiro.

Trataremos de forma mais detalhada sobre o SISNAMA e seus componentes na


próxima unidade.

50
Educação ambiental | Unidade II

O PRONEA é baseado na transversalidade e interdisciplinaridade, descentralização


espacial e institucional, sustentabilidade socioambiental, democracia e participação
social, além do aperfeiçoamento e fortalecimento dos Sistemas de Ensino, Meio
Ambiente e outros que tenham interface com a Educação Ambiental.

O PRONEA é gerido e coordenado por um órgão gestor, que deve ser dirigido pela
ação conjunta dos Ministérios do Meio Ambiente e da Educação, compatibilizando
as decisões e discussões do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) e
do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Para mais informações sobre as ações e metas para implementação do PRONEA,


recomendamos a consulta à publicação do MMA: Programa Nacional de Educação
Ambiental – ProNEA, 3ª Edição, Brasília/DF, 2005. Disponível em: https://www.
mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/pronea3.pdf.

Formação de educadores ambientais

A formação de educadores ambientais pode contribuir para a mudança de comportamento,


auxiliando o equilíbrio entre o homem e a natureza. Baseando-se nisso, Medina e Santos
(2001) afirmam que é necessário a formação de indivíduos que respondam aos desafios
e sejam capazes de construir um ambiente harmônico entre a sociedade e a natureza.

Atualmente, vivemos uma época de total desequilíbrio homem/natureza, o que


torna mais importante a formação de educadores ambientais. Através deles podemos
desenvolver técnicas e estratégias que possam melhorar o desenvolvimento sustentável
do planeta.

Figura 21. Professor e alunos em estudo na natureza.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/teacher-students-agronomy-looking-vegetation-265592885.

51
Unidade II | Educação ambiental

A Educação Ambiental se mostra cada vez mais urgente, apesar dos desafios que ela
enfrenta para a sua consolidação. As alterações do meio ambiente pelo homem, as
mudanças climáticas e os diversos efeitos naturais atingem cada vez mais as condições
de vida das sociedades humanas.

Assim, como pudemos perceber até agora, o ser humano é a causa de diversos problemas
ambientais, mas também pode ser a ferramenta para consertá-los. Nesse aspecto, a
Educação Ambiental e a mudança de postura perante o meio ambiente são fundamentais
para iniciar o processo de mudança.

Entretanto, podemos observar que uma das grandes dificuldades na formação de


educadores ambientais está na singularidade e nos conflitos que podem ocorrer em
cada região ou localidade. Grande parte dos conflitos que ocorrem são restritos a uma
região ou comunidade, tornando assim a resolução destes problemas mais complexa.
Ou seja, é fundamental que o educar ambiental tenha consciência que não existe uma
fórmula exata para a redução dos conflitos e a resolução dos problemas, mas que a
solução deve ser construída levando em consideração os fatores únicos da localidade
em questão e as comunidades envolvidas.

Qual o papel das escolas em relação ao processo educativo ambiental?

Por que é tão difícil colocar em prática a Educação Ambiental nas escolas?

Como podemos minimizar as dificuldades enfrentadas na formação de educadores


ambientais?

São muitas perguntas, eu sei. Mas estamos vivendo em uma época em que as
perguntas devem ser feitas e as respostas devem ser buscadas, pois o ambiente
precisa desse nosso empenho para solucionar os conflitos que existentes!

Podemos destacar ainda que, segundo Alves e Fonseca (2011), os fatores que fortalecem
a Educação Ambiental são:

» valores éticos e cooperativos;

» desenvolvimento da cidadania;

» conhecimento interdisciplinar;

» gestão participativa/construção da realidade;

» compreensão e discernimento da realidade;

52
Educação ambiental | Unidade II

» consciência dos problemas em níveis local e regional;

» interdependência entre os fatores sociais, ambientais, econômicos, culturais; e

» visão de processo – atuação contínua e não pontual;

Esses fatores citados só nos mostram como a Educação Ambiental deve estar presente
no dia a dia da sociedade.

Educação Ambiental nas comunidades

As comunidades urbanas dividem espaço com diversos problemas ambientais, podendo


ser eles de pequenas ou de grandes proporções (descarte e coleta de lixo, por exemplo). E
a busca por soluções para essas questões de modo coletivo pode ser uma boa alternativa.

No entanto, para enfrentar esses problemas, essas comunidades devem estar bem
preparadas e instrumentalizadas. Desde modo, o desenvolvimento da Educação
Ambiental que busca a participação de toda comunidade pode garantir a difusão de
conhecimentos entre os cidadãos participantes desses grupos. Esse pode ser o primeiro
passo para que haja um fortalecimento pela busca da qualidade do meio ambiente.

Os ambientes urbanos já possuem sistemas relativamente eficazes contra a maioria dos


problemas ambientais mais comuns. Porém, pequenas comunidades ou povoados, assim
como tribos indígenas ou quilombolas precisam criar meio que possam solucionar os
problemas que ocorrem no seu dia a dia.

Figura 22. Região de comunidade Quilombola.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/community-farm-region-quilombola-photographed-presidente-713969491.

As ações devem reconhecer a diversidade de sujeitos envolvidos, para que possamos


estimulá-los à participação e à coletividade para o bem comum. Um outro ponto
importante é o conhecimento das condições do local para mapear quais possíveis
problemas e possíveis soluções que podem ser aplicadas.

53
Unidade II | Educação ambiental

Assim, as estratégias que podemos citar que são capazes de facilitar a aplicação da
Educação Ambiental nas comunidades são o desenvolvimento de oficinas, rodas de
conversas, fóruns de debates, minicursos, entre outras atividades que se abrangem o
público e ao local em questão.

Desse modo, a Educação Ambiental voltada para as comunidades mais isoladas e


restritas tem como propósitos fundamentais:

» Juntar os conhecimentos tradicionais a partir do estudo das comunidades


com o meio ambiente, sem desrespeitar os seus costumes e tradições.

» Divulgar esses conhecimentos tradicionais como forma de relações mais


sustentáveis.

» Transferir informações que são importantes para a manutenção da saúde e


longevidade das comunidades e suas relações com o meio ambiente.

» Capacitar indivíduos que possam dialogar em diferentes ambientes pela


defesa, preservação e conservação do seu território e identidade.

Educação Ambiental nas Unidades de Conservação

A Educação Ambiental nas UCs tem papel de expor as informações, aproximando os


principais indivíduos que lidam com a UC e buscar que os gestores e servidores da
unidade tenham uma visão da complexidades dos problemas socioambientais da UC
em que estão inseridos e seu entorno.

Figura 23. Região de manguezais (Área de Preservação Permanente – APP).

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/close-long-mangrove-tree-roots-low-1595799088.

54
Educação ambiental | Unidade II

Nas UCs, a Educação Ambiental tem o objetivo de explorar o seu potencial didático,
de modo que possa haver uma disseminação das informações sobre a unidade. O
Conselho da Unidade sempre é prioridade nos cursos, palestras ou debates de Educação
Ambiental promovidos pelas UCs.

Nesse aspecto, é importante ressaltar que o governo federal possui um Programa de


Apoio à Conservação Ambiental, denominado de Bolsa Verde. O Bolsa Verde é um
programa de transferência de renda, instituído pela Lei nº 12.512/2011 e regulamentado
pelo Decreto nº 7.572/2011 (CAIXA, 2020).

A execução do Bolsa Verde é de responsabilidade do MMA, que é o órgão que define


as normas complementares, e tem a Caixa como agente operador. Assim, o programa
é destinado às famílias que vivem em situação de extrema pobreza e que desenvolvam
atividades de conservação e preservação ambiental nas Unidades de Conservação
Federais, projetos de assentamentos florestais, assentamentos agroextrativistas
instituídos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA),
territórios ocupados por ribeirinhos, além de outras áreas rurais definidas como
prioridade por ato do Poder Executivo.

55
CAPÍTULO 3
Educação Ambiental aplicada à fauna
silvestre

Conservação da fauna silvestre


Até aqui, aprendemos sobre a importância da Educação Ambiental, suas definições e
conceitos, além da necessidade de formação de profissionais capacitados a perceber e
discutir as problemáticas ambientais dos locais em que atua. O próximo passo é entender
como a Educação Ambiental pode ser aplicada para a conservação e preservação dos
animais silvestres.

As perguntas iniciais que devem ser feitas são:

» Qual a importância da fauna silvestre?

» Você consegue responder a esse questionamento baseado no conteúdo que


estudamos até o momento?

» Você conhece algum projeto voltado para a conservação e preservação da


fauna silvestre?

Assim, vamos juntos entender como a Educação Ambiental auxilia na conservação e


na preservação dos animais silvestres para o meio ambiente.

Devemos estar atentos que, atualmente, o tráfico de animais silvestres é a terceira


maior atividade ilegal do mundo, fica atrás apenas do tráfico de armas e do tráfico de
drogas. As aves são as principais vítimas desse crime, correspondendo a 80% do total
de animais silvestres traficados no Brasil. A preferência pelas aves ocorre devido às
características de cores e de cantos (MOURA et al., 2012; DESTRO et al., 2017).

O tráfico de animais silvestres pode ocasionar a modificação no funcionamento


dos ecossistemas devido à perda das funções ecológicas dos animais que sofreram
decréscimos populacionais. Depois de entendermos isso, podemos compreender
que pessoas que possuem animais silvestres em cativeiro, especialmente de forma
ilegal, contribuem de forma direta para o desequilíbrio do ecossistema (RIBEIRO;
SILVA, 2007).

Um modo de combater e reduzir as ameaças para a fauna silvestre é a criação de


medidas complementares, incluindo medidas de caráter educacional, que promovam

56
Educação ambiental | Unidade II

a mudança de comportamento da população humana em relação a captura, caça e


posse de animais silvestres.

Vale lembrar que o comércio ilegal de animais silvestres é “alimentado” pela demanda
(que também funciona de forma ilegal) por parte da população. Podemos entender
assim que, se não houver demanda, essa atividade perde seu público consumidor e,
consequentemente, deixa de ser considerada lucrativa.

Nesse sentido, a Educação Ambiental vem contribuindo para a sensibilização, a


conscientização e a mudança de atitude por parte da população. A falta de informação
sempre costuma direcionar as pessoas a prejudicarem o ambiente, uma vez que estas
não têm conhecimento do real dano que estão causando.

Atualmente, no Brasil, existem órgãos que atuam em recebimento, identificação, manejo,


clínica, cirurgia, e destinação dos animais silvestres oriundos do tráfico de animais
silvestres, atropelamentos, cativeiro ilegal e, ainda, os órfãos. Na esfera nacional, o
principal órgão que atua nessas áreas é o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), através de seus Centros de Triagem de
Animais Silvestres (CETAS).

Existem também órgãos menores, e mais específicos, que atuam nessa área, como o
Projeto TAMAR, o Núcleo de Reabilitação da Fauna Silvestre e o Centro de Triagem de
Animais Silvestres da Universidade Federal de Pelotas. Nesses órgãos também ocorrem
atividades de ensino, pesquisa, extensão e prestação de serviços à comunidade em geral.

Figura 24. Tartaruga marinha em reabilitação.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/loggerhead-sea-turtle-rehabilitation-facility-81911149.

57
Unidade II | Educação ambiental

Alguns objetivos são importantes para que os órgãos sejam mais eficientes na conservação
e preservação dos animais silvestres, dentre os quais podemos destacar:

» Recebimento, triagem e reabilitação (para uma posterior devolução à natureza)


dos animais feridos, órfãos ou oriundos de tráfico de animais apreendidos pelos
órgãos de fiscalização ambiental.

» Desenvolvimento de atitude consciente e mais ecológica na comunidade em


geral. Isso pode ser feito através de palestras, visitas monitoradas, campanhas
ambientais, entre outros.

» Realização de pesquisas científicas que não causem danos aos animais e que
forneçam subsídios à melhoria na qualidade de vida das espécies.

O Projeto TAMAR foi criado pelo IBAMA, em 1980, com o objetivo de proteger
cinco espécies de tartarugas na costa brasileira. Até o surgimento do projeto, os
ovos das tartarugas eram roubados, e as fêmeas que saíam do mar para desovar
poderiam ser mortas pelos caçadores. Os programas de Educação Ambiental
voltados para as comunidades litorâneas influenciam as pessoas a colaborarem
com a fiscalização.

Você pode saber mais sobre a atuação do Projeto TAMAR através da página
eletrônica https://www.tamar.org.br/.

Finalizada a Unidade II, destacamos, de forma resumida, os seguintes tópicos


abordados:

» os conceitos e definições da Educação Ambiental na atualidade;

» os principais fatores que contribuíram para o surgimento do interesse na


Educação Ambiental no Brasil e no mundo;

» os projetos que auxiliam na conservação e preservação da fauna silvestre;

» os desafios enfrentados pelas instituições para promover a Educação


Ambiental tanto nas escolas como nas comunidades.

Na próxima unidade, iniciaremos a abordagem sobre o Direito Ambiental. Nesse


aspecto, apontamos os seguintes questionamentos para despertar o interesse
sobre o tema:

» Como se estabelece o dever de proteger e zelar pela proteção da natureza?

» Quais as normas de proteção do meio ambiente?

» Quem pode estabelecer regras de proteção ambiental?

» Quem são os interessados pela conservação ambiental?

58
DIREITO AMBIENTAL
PARA A PROTEÇÃO DA UNIDADE III
BIODIVERSIDADE

CAPÍTULO 1
A evolução da legislação ambiental

A evolução da proteção ambiental

Conforme falamos anteriormente, o exercício da cidadania envolve o cumprimento


dos deveres e a exigência dos direitos, mas, para tanto, é preciso conhecer bem
cada um deles. Você se considera apto a exercer sua cidadania? Você conhece
bem seus direitos e deveres?

Para além disso, vamos tratar sobre o Direito Ambiental, que se propõe a zelar pelo
patrimônio natural do território. Você sabe quais são as normas que asseguram
a proteção da biodiversidade?

Conhecer as normas é importante, e conhecer o processo de formação delas


também. Por essa razão, nesta unidade, trataremos sobre a evolução do Direito
Ambiental e o surgimento das normas aplicadas para a manutenção do equilíbrio
ambiental.

A partir de agora, vamos aprender como se dá a proteção ambiental através dos critérios
legais, bem como podemos entender o processo de evolução do Direito Ambiental e
os seus princípios norteadores. Vamos nos atentar, primeiramente, a que o Direito
Ambiental é considerado uma ciência nova, porém as leis e normas ambientais existem
desde a antiguidade. Como assim? Isso é o que vamos começar a entender agora.

Inicialmente, as normas relacionadas ao meio ambiente tinham como foco central


suprir as necessidades das populações humanas. Assim, as normas eram criadas
para resolver situações pontuais e casos isolados. Pouco a pouco as normas começaram
a ser criadas nos diferentes países, considerando a realidade local e os objetivos de
desenvolvimento de cada país.

Nesse processo de construção da legislação ambiental, é importante que a gente entenda


alguns marcos internacionais que propiciaram a discussão sobre o Direito Ambiental
e depois o contexto do Direito Ambiental no território brasileiro.

59
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

A Conferência de Estocolmo
Essse evento é considerado um marco no Direito Ambiental devido à presença de
muitos países na ocasião e à riqueza do conteúdo discutido. A Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente Humano foi realizada na cidade de Estocolmo, na
Suécia, em 1972, convocada e organizada pela ONU.

Devemos nos atentar que esta conferência representa a primeira reunião realizada
por representantes governamentais de diversos países para a discussão das questões
ambientais. Esta discussão passou a se mostrar necessária após alguns acidentes com
grandes impactos ao meio ambiente, como o naufrágio do navio petroleiro Torrey
Canyon, em 1967.

A Conferência de Estocolmo foi realizada após um longo processo preparatório


durante a década de 1960, com reuniões prévias e discussão dos temas principais no
Comitê Preparatório. A reunião buscava um diálogo entre os países desenvolvidos e
os países em desenvolvimento, considerando a rápida expansão da produção industrial
e o impacto dessa atividade sobre os recursos naturais.

Figura 25. Representação da busca pelo equilíbrio entre o desenvolvimento e a qualidade ambiental.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/scale-wealth-cash-money-on-plate-1567621084.

Ao fim da Conferência, foi aprovada a Declaração de Estocolmo sobre Meio


Ambiente Humano contendo 26 princípios norteadores para a gestão ambiental, além
do Plano de Ação para o Meio Ambiente Humano, este contendo 109 recomendações
(LAGO, 2006). Esses princípios foram fundamentais para o desenvolvimento e a
consolidação dos princípios do Direito Ambiental, que regem os direitos e deveres
sobre os recursos do meio ambiente.

60
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Quadro 1. Alguns princípios estabelecidos na Conferência de Estocolmo.

Princípio 1: “O homem tem direito fundamental à liberdade, à igualdade e à condições de vida adequadas em
ambiente cuja qualidade lhe permita viver com dignidade e bem-estar, e cabe-lhe a solene responsabilidade de
proteger e melhorar o meio ambiente para as gerações atuais e futuras. A esse respeito condenam-se e devem
ser eliminadas as políticas que promovem ou fazem durar o apartheid, a segregação racial, a discriminação, a
opressão colonial e outras formas de opressão ou dominação estrangeira”.
Princípio 2: “Os recursos naturais da Terra, incluindo-se o ar, a água, a terra, a flora e a fauna, e especialmente
amostras representativas dos ecossistemas naturais, devem ser salvaguardados em benefício das gerações
atuais e das futuras, por meio de cuidadoso planejamento ou administração, conforme o caso”.
[...] Princípio 6: “A fim de que não se causem danos graves ou irreparáveis aos ecossistemas, deve-se pôr fim
à descarga de substâncias tóxicas ou de outras matérias bem como à libertação do calor, em quantidades ou
concentrações tais que ultrapassem a capacidade do meio ambiente de naturalizá-la. [...]”.
[...] Princípio 14: “O planejamento racional constitui um instrumento indispensável para conciliar os imperativos
do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente”.
[...] Princípio 19: “É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais, visando tanto às
gerações jovens como aos adultos, dando atenção especial às populações menos privilegiadas, a fim de criar
as bases de uma opinião pública bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos, das empresas
e das comunidades, inspiradas no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e melhoria do meio
ambiente em toda a sua dimensão humana”.
[...] Princípio 22: “As nações devem cooperar no aperfeiçoamento e melhoria do Direito Internacional, quanto
à responsabilidade e à indenização das vítimas de poluição e de outros danos ambientais provocados por
atividades que, realizadas dentro de sua jurisdição, ou sob seu controle, causem danos a zonas situadas fora de
seu espaço territorial ou de sua jurisdição”.
Fonte: Adaptado de BRASIL (1972).

A Conferência Rio-92
Embora a Conferência de Estocolmo tenha representado um grande avanço para a
discussão de medidas de proteção e gestão ambiental, elas não se tornaram regras
nacionais ou internacionais e não impediram que os danos ambientais continuassem
acontecendo.

Figura 26. Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio de Janeiro 3 a 14 de junho de 1992).

Fonte: Isto É (2016).

61
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Tal conclusão se deu após a elaboração do Relatório Nosso Futuro Comum (Our
Common Future), conhecido como Relatório de Brundtland, elaborado pela então
primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, e publicado em 1987 após a
referida conferência com o objetivo de acompanhar as ações a serem realizadas pelos
países participantes (GUERRA, 2006; LAGO, 2006).

O referido relatório apontou ainda os principais problemas ambientais, com influências


globais, dos quais se destacam a poluição ambiental, a redução dos recursos naturais
e os problemas sociais decorrentes da desigualdade. Diante dessas informações, a
ONU reiniciou as mobilizações e reuniões prévias para a realização de uma nova
conferência internacional (GUERRA, 2006).

Assim, 20 anos depois da Conferência de Estocolmo, foi realizada, em 1992, na cidade


do Rio de Janeiro, Brasil, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, também conhecida como Cúpula da Terra, ECO-92, Conferência
do Rio ou, simplesmente, Rio-92.

Esta conferência foi realizada com foco nas problemáticas globais e tinha como objetivos
a elaboração de “estratégias e medidas para parar e reverter os efeitos da degradação
ambiental no contexto dos crescentes esforços nacionais e internacionais para a
promoção do desenvolvimento sustentável” (LAGO, 2006, p. 53, grifo nosso).

Esta reunião foi realizada com a presença de representantes de mais de 170 países,
chefes de Estado, representantes de organizações não governamentais e da sociedade
civil. Além disso, o sucesso da conferência é associado também à centralização da
temática do desenvolvimento sustentável, formalizado a partir do Relatório de
Brundtland e embasado em critérios econômicos, sociais e ambientais (LAGO, 2006).

Assim, a qualidade de vida se tornou a principal referência para as tomadas de decisão


e para os planejamentos resultantes desta conferência. Como produtos da Cúpula
da Terra estão a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
também conhecido como Declaração do Rio, a Agenda 21, a Convenção sobre
Diversidade Biológica e a Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas.

62
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Tabela 3. Descrição das principais características dos documentos elaborados durante a ECO-92.

Documento Características
Declaração do Rio Composto por 27 princípios, ratificando e acrescentando os princípios
estabelecidos na Declaração de Estocolmo.
Documento principal do Direito Ambiental Internacional.
Agenda 21 Documento com recomendações de planejamento para o início do século XXI.
Contempla ações para a proteção ambiental e para a implementação de ações de
sustentabilidade.
Visa à integração de todos os setores da sociedade.
Criação do Global Environmental Facility (GEF), fundo financeiro internacional
para incentivar projetos com impactos globais.
Convenção sobre Diversidade Instrumento internacional de proteção da biodiversidade.
Biológica
Visa à conservação da biodiversidade, ao uso sustentável dos recursos biológicos
e à justa distribuição dos benefícios do uso desses recursos.
Convenção-Quadro sobre Compreende a preocupação com a emissão dos gases poluentes e de efeito estufa.
Mudanças Climáticas
Documento amplamente discutido e aprimorado, tendo em vista a evolução das
pesquisas científicas sobre o tema.
Declaração de Princípios sobre Acordo para a conservação e exploração sustentável das florestas.
Manejo de Florestas
Documento criticado por não definir um planejamento estratégico.
Fonte: Adaptado de Lago (2006).

A Cúpula de Joanesburgo
Depois de passados 10 anos, foi realizada, em 2002, em Joanesburgo, na África do
Sul, a nova reunião da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, também
conhecida como Rio+10. Organizada pela ONU, esta reunião contou com mais de 180
países, organizações não governamentais e a sociedade civil com o objetivo de verificar
o progresso das ações definidas durante a Rio-92.

Nesse período de 10 anos, entre a Conferência do Rio e a Cúpula de Joanesburgo


ocorreram grandes avanços no crescimento econômico dos países. Entretanto, essa
mesma velocidade não foi vista para o cumprimento das medidas políticas sobre o
meio ambiente discutidas durante a Conferência do Rio.

Ao mesmo tempo, foi um período de grande avanço para os meios de comunicação,


de forma que o modo de vida ocidental e capitalista se tornou conhecido em diversas
partes do mundo. Por essa razão, a globalização se tornou tema amplamente discutido
e um dos principais focos da nova Conferência em Joanesburgo (LAGO, 2006).

63
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Ainda assim, grupos empresariais, organizações não governamentais, comunidades e


governos locais investiram no cumprimento das definições da Rio-92, essenciais para
a realização da Rio+10. Dessa forma, a partir das ações realizadas por esses grupos, foi
possível comprovar que a agenda para o desenvolvimento era alcançável e possível.

A postura firme dos consumidores sobre as políticas sociais e ambientais foi um fator
determinante para a mudança de comportamento do empresariado, de modo que a
economia verde passou a integrar seus planejamentos. Assim, as iniciativas para o
desenvolvimento sustentável passaram a representar diversos setores, tanto políticos
como econômicos e de incentivo de tecnologias. Dessa forma, o desenvolvimento
sustentável se mostrou economicamente viável.

As transformações econômicas e ambientais entre a década de 1990 e a Conferência


de Joanesburgo foram tema de uma série especial do jornal The Economist, em
julho de 2002. Podemos destacar a frase de capa da revista: How many planets?
(Quantos planetas?), referindo-se a uma afirmação de Mahatma Gandhi:

God forbid that India should ever take to industrialism after the manner
of the West […]. It took Britain half the resources of the planet to achieve
this prosperity. How many planets will a country like India require?
(Deus nos proteja de que a Índia se industrialize da mesma maneira
que o Ocidente [...]. O Reino Unido usou a metade dos recursos do
planeta para atingir sua prosperidade. De quantos planetas vai
precisar a Índia?).

Para maiores informações acesse: The Economist (2002), disponível em: https://
www.economist.com/special-report/2002/07/06/the-great-race.

Como nas reuniões anteriores, a Conferência de Joanesburgo contou com a participação


de representantes dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, bem como de
representantes do setor empresarial e de organizações não governamentais (ONGs).
Nessa Conferência, as ONGs estavam ainda mais fortalecidas e atuantes nas discussões.

Cabe ainda destacar que, no evento, o Brasil assumiu o compromisso de criar o programa
Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), para incentivar, expandir e consolidar as
Unidades de Conservação, especialmente, no Bioma Amazônia. Assim, atualmente o
ARPA é um programa efetivo do governo federal que promove a criação, o fortalecimento
e o monitoramento das UCs em território amazônico.

Dentre os produtos finais dessa conferência, possui destaque a Declaração Política,


também conhecida como O compromisso de Joanesburgo para o Desenvolvimento
Sustentável, que reafirma princípios discutidos das conferências anteriores e ainda

64
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

estabelece atenção prioritária para ações de redução das desigualdades sociais e


erradicação da pobreza (LAGO, 2006).

O segundo produto que merece destaque é o Plano de Implementação que aborda


os seguintes temas: a erradicação da pobreza, a alteração dos padrões insustentáveis
de produção e consumo, a proteção e gestão das bases de recursos naturais para o
desenvolvimento econômico e social e o desenvolvimento sustentável no mundo
voltado para a globalização. Este último foi considerado o tema central da Conferência.

Proteção ambiental no século XXI


Esse processo de evolução das discussões globais sobre a proteção do meio ambiente
nos traz aos anos mais recentes, dentre os quais possui principal destaque o ano de
2012, com a realização da conferência da ONU que ficou popularmente conhecida
como Rio+20. Mais uma vez, se dá destaque à pauta de 1992 no Rio de Janeiro/Brasil.
Vinte anos depois, a conferência volta a solo brasileiro, mais uma vez, na cidade do
Rio de Janeiro.

A Rio+20 teve como principais temas de discussão a economia verde no contexto


do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura
institucional para o desenvolvimento sustentável. O documento final ficou
conhecido como O Futuro que Queremos, que, mais uma vez, ressalta os compromissos
e princípios das reuniões anteriores e descreve alguns pontos do desenvolvimento
sustentável que seriam trabalhados posteriormente para a criação dos Objetivos para
o Desenvolvimento Sustentável.

Assim, em 2015 foi realizada uma Reunião da Cúpula das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável em Nova York, na qual foram discutidas as ações
da agenda de planejamento para os 15 anos seguintes, resultando no documento
intitulado Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento
Sustentável.

Essa agenda estabelece os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS),


que consistem em 17 objetivos globais e subdivididos em metas a serem cumpridas
pelos países signatários. Assim, são estabelecidas metas internacionais para serem
cumpridas até 2030. Os 17 ODS são:

1. acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares;

2. acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição


e promover a agricultura sustentável;

65
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

3. assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas


as idades;

4. assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover


oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos;

5. alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;

6. assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para


todos;

7. assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à


energia para todos;

8. promover o crescimento econômico sustentável e inclusivo, emprego pleno


e produtivo e trabalho decente para todos;

9. construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva


e sustentável e fomentar a inovação;

10. reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles;

11. tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes


e sustentáveis;

12. assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis;

13. tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos;

14. conservar e usar sustentavelmente os oceanos, os mares e os recursos


marinhos para o desenvolvimento sustentável;

15. proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres,


gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e
reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade;

16. promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento


sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições
eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis; e

17. fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o


desenvolvimento sustentável.

66
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Figura 27. Representação dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável.

17 1
16 7 2
7
7 7
15 7 3
7
7
14 7 4
7 7
13 7
5
7 7
12 67
7 7
11 7 7
7 10 8 7
9 7
7 7
7
Fonte: Adaptado de Agenda 2030, disponível em http://www.agenda2030.com.br/.
7
Além disso, destacamos o importante movimento que ficou conhecido como Sextas-
Feiras para o Futuro (tradução de Fridays for Future), liderado pela sueca Greta
Thunberg. O movimento ganhou destaque internacional em 2018, após a jovem sueca
de 16 anos se ausentar da escola na última sexta-feira de cada mês para protestar em
frente ao congresso da Suécia utilizando um cartaz com a seguinte frase: skolstrejk för
klimatet ou greve escolar pelo clima.

O movimento Fridays for Future conquistou adeptos, especialmente jovens, em diversos


países do mundo e consiste, portanto, na reivindicação da população por ações efetivas
dos seus governantes para o combate às mudanças climáticas. Isso porque o padrão
atual de desenvolvimento ainda não atende às limitações dos recursos naturais. Depois
de tantas conferências internacionais, o desenvolvimento sustentável continua não
sendo o foco principal do desenvolvimento econômico.

Figura 28. Greta Thunberg em sua manifestação individual (A) e cartazes das manisfetações
coletivas do Fridays for Future (B).

A
B

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/stockholm-sweden-march-22-2019-16yearold-1346536700 e https://www.shutterstock.


com/pt/image-photo/group-demonstrators-on-road-young-people-1388894738.

67
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Considerando que são reuniões complexas e compostas de documentos importantes,


sugerimos as seguintes leituras para a complementação deste conteúdo:

» NASCIMENTO E SILVA, Geraldo Eulálio do. Direito Ambiental Internacional.


2ª ed. Thex Editora, Rio de Janeiro, 2002.

» LAGO, André Aranha Corrêa do. Estocolmo, Rio, Joanesburgo. O Brasil e as


três conferências ambientais das Nações Unidas. Brasília, Ministério das
Relações Exteriores, 276 p., 2006. Disponível em: http://funag.gov.br/loja/
download/903-Estocolmo_Rio_Joanesburgo.pdf.

» DINIZ, Eliezer Martins. Os resultados da Rio+10. Revista do Departamento


de Geografia, n. 15, p. 31-35, 2002. Disponível em: http://www.revistas.usp.
br/rdg/article/view/47294/51030. Acesso em: 6 nov. 2020.

» UNITED NATIONS. The future we want. Rio de Janeiro: UN, 20-22 Jun. 2012.
Disponível em: http://www.rio20.gov.br/documentos/documentos-da-
conferencia/o-futuro-que-queremos/at_download/the-future-we-want.
pdf. Acesso em: 6 nov. 2020.

» Sobre as ações inseridas na Agenda 2030 e o detalhamento dos ODS,


recomendamos o acesso à pagina eletrônica das Nações Unidas. Disponível
em: https://nacoesunidas.org/pos2015/.

Devemos estar atentos que as conferências internacionais foram impulsionadas


pelo entendimento do meio ambiente como um único ambiente global e dividido
por todos nós, sendo assim, o impacto negativo ou o positivo causado em um ponto
do globo pode ter reflexos em diversos lugares, além das fronteiras geopolíticas.

Assim, destacaremos a seguir alguns acidentes ambientais internacionais que


causaram diversos impactos negativos:

» 1945 –Durante a II Guerra Mundial, bombas nucleares lançadas pelos Estados


Unidos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão.

» 1956 – Contaminação por mercúrio resultante do despejo da indústria


eletroquímica Chisso na baía de Minamata, no Japão, desde a década de
1930, causou deformações e envenenamento nas populações humanas devido
ao consumo de peixes contaminados.

» 1967 – O navio petroleiro Torrey Canyon, após uma colisão, causou o


derramamento de cerca de 36 milhões de galões de petróleo próximo da
costa do Reino Unido.

» 1976 – Contaminação aérea pelo composto químico chamado Dioxina,


decorrente da explosão de uma fábrica de produtos químicos na cidade de
Seveso, Itália.

68
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

» 1979 – Falha em um reator nuclear resulta na liberação de gases radioativos


na Pensilvânia.

» 1984 –Vazamento de agrotóxicos de uma fábrica liberou cerca de 40 toneladas


de gases tóxicos na cidade de Bhopal, na Índia.

» 1986 –Explosão nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, considerado o pior acidente


nuclear da história, se espalhou por diversos quilômetros na Europa.

» 1987 – Exposição ao material radioativo Césio 137, em Goiânia, no Brasil,


após ser encontrado em sucata hospitalar abandonada em um ferro-velho; o
material com luminosidade própria entrou em contato com diversas pessoas,
cursos d’água, solo e ar, causando a contaminação e morte de algumas
pessoas da cidade.

» 1989 –A colisão do navio petroleiro Exxon Valdez, na costa do Alasca, causou


o derramamento de cerca de 40 milhões de litros de petróleo.

» 1991 –A destruição de poços de petróleo no Kuwait, Golfo Pérsico, ordenada


por Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, resultou em três meses de
derramamento de óleo e incêndio descontrolado, resultando em uma nuvem
espessa de fumaça. Estima-se que mais de 200 milhões de galões de petróleo
foram derramados.

» 1999 – Acidente na Usina Nuclear Tokaimura, em Tóquio, Japão, usina de


processamento de urânio.

» 2002 – Naufrágio do navio petroleiro Prestige, próximo à Galícia, Espanha,


resultou no derramamento de 10 milhões de litros de petróleo.

» 2010 – Explosão da plataforma de petróleo British Petroleum, no Golfo do


México, resultou no derramamento de 4 milhões de barris de petróleo.

» 2015 –Rompimento da barragem da empresa Samarco, em Mariana, no Brasil,


resultou no derramamento de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de
mineração.

» 2019 –Rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho, Minas


Gerais/Brasil, resultante no despejo de 14 milhões de toneladas de lama e
rejeitos de minério de ferro e mais de 250 mortos.

» 2019 – Aparecimento de manchas de óleo nas praias da região nordeste e


sudeste do Brasil, com origem e impactos ainda desconhecidos.

69
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

A legislação ambiental no Brasil


Vamos conhecer então sobre o processo de formação e evolução da legislação ambiental
no Brasil. Não vamos esquecer que, inicialmente, em todo o mundo as questões
ambientais eram centradas nas necessidades do homem em relação à natureza.

Já no período colonial, existiam normas que seguiam as diretrizes de Portugal e


se referiam, em grande parte, à disponibilidade de alimentos e de serviços à coroa
portuguesa. Havia, por exemplo, uma multa atribuída em casos de furtos de aves.

Nesse sentido, podemos ainda resgatar três decisões político-administrativas ocorridas


durante o século XVIII que se referem à proteção da natureza (BRITO, 2010, p. 38):

» proibição do corte de manguezais;

» proibição do corte de florestas do Nordeste, conhecida como determinação


de Maurício de Nassau;

» Carta Régia da Coroa Portuguesa sobre conservação das florestas brasileiras.

Não podemos esquecer de que, naquele momento, a preocupação do legislador era baseada
em priorizar a questão econômica dos bens e voltada para suprir as necessidades
individuais. Portanto, era levado em consideração o valor essencial dos recursos e a
finitude destes, uma vez que eles poderiam ser esgotados.

Posteriormente, além de considerar os fatores econômicos dos recursos, passou a ser


observado também o valor sanitário para a qualidade de vida das populações. Portanto,
o meio ambiente ainda era considerado apenas um meio que fornecia serviços às
populações humanas, mantendo a visão antropocêntrica.

Nesse aspecto, Bortolozi (2018, p. 6) ressalta que “tratar de antropocentrismo,


portanto, é pensar no homem como destinatário do Direito Ambiental” (grifo nosso).
Para facilitar a compreensão, considera-se neste contexto, o período entre 1950 e 1980
(RODRIGUES, 2017).

Podemos destacar que, nesse período, foram instituídas as seguintes leis federais:

1. Lei nº 4.771/1965 – Código Florestal, atualizada através da Lei nº


12.651/2012.

2. Lei nº 5.197/1967 – inicialmente conhecida como Código da Caça e


atualmente conhecida como Lei da Fauna.

70
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Foi somente a partir da década de 1980 que o meio ambiente passou a ser considerado
em si como fator central para a conservação. Podemos destacar, então, a criação
da Política Nacional de Meio Ambiente, através da Lei Federal nº 6.938/1981
(RODRIGUES, 2017). Nesse ponto, devemos observar que a Constituição Federal
(CF/1988) é considerada um marco fundamental desse processo.

Assim, o art. 225 da CF/1988 torna evidente o compromisso do Estado com a proteção
do meio ambiente:
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo
ecológico das espécies e ecossistemas;
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País
e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material
genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus
componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a
supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização
que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de
impacto ambiental, a que se dará publicidade;
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos
e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio
ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas
que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção
de espécies ou submetam os animais a crueldade.
§ 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar
o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo
órgão público competente, na forma da lei.
§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e

71
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos


causados.
§ 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o
Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua
utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a
preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
§ 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados,
por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
§ 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização
definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas (grifo nosso
– BRASIL, 1988).

Figura 29. Capa da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Fonte: https://www.estantevirtual.com.br/livros/senado-federal/constituicao-da-republica-federativa-do-brasil/3130126497.

Figura 30. Esquematização das fases da legislação ambiental.

• 1500 a 1950;
• antropocentrismo;
1ª fase • preocupação econômica.

• 1950 a 1980;
• antropocentrismo;
2ª fase • preocupação com a saúde e a qualidade de vida humana.

• A partir de 1980;
• Política Nacional de Meio Ambiente;
3ª fase • meio ambiente como direito constitucional.

Fonte: Adaptado de Rodrigues (2017).

72
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Devemos destacar, para o entendimento do Direito Ambiental, que este é considerado


um bem de uso comum da população, chamado difuso ou coletivo, uma vez que
o objeto central é o meio ambiente, com grande abrangência de alcance. Além
disso, é considerado também transdisciplinar porque utiliza de outras ciências
para ser explicado e estudado.

Compreender a evolução do Direito Ambiental nos auxilia a compreender as normas


atuais e o processo de transformação destas. Por essa razão, recomendamos as
seguintes leituras:

WAINER, Ann Helen. Legislação Ambiental Brasileira: Evolução Histórica do


Direito Ambiental. R. Inf. Legisl. Brasília, ano 30, n. 118, abr./jun. 1993. Disponível
em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/176003/000468734.
pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 6 nov. 2020.

NAZO, Georgette Nacarato; MUKAI, Toshio. O Direito Ambiental no Brasil: evolução


histórica e a relevância do Direito Internacional do meio ambiente. R. Dir. Adm., Rio
de Janeiro, n. 223, p. 75-103, jan./mar. 2001. Disponível em: http://bibliotecadigital.
fgv.br/ojs/index.php/rda/article/viewFile/48313/46493. Acesso em: 6 nov. 2020.

A Política Nacional de Meio Ambiente


Vamos entender um pouco sobre a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA),
que foi instituída em 1981, através da Lei Federal nº 6.938/1981, e foi um importante
instrumento para o tratamento legal do meio ambiente como recurso essencial. Esta
lei apresenta conceitos, definições, objetivos e princípios, funcionando como um
instrumento norteador para a proteção ambiental e seus recursos, bem como para o
planejamento de ações dos gestores.

A PNMA foi elaborada após a realização da Conferência de Estocolmo e, por isso,


trazia em si os objetivos do desenvolvimento sustentável, buscando sempre um
ponto de equilíbrio entre a política desenvolvimentista e a conservação ambiental
(RODRIGUES, 2017).

Para compreendê-la melhor, temos que ter em mente a sua finalidade concreta conforme
disposto em seu art. 4º, transposto a seguir:
Art. 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará:

I - à compatibilização do desenvolvimento econômico social com a preservação


da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico;

73
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

II - à definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade


e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados,
do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios;

III - ao estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de


normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais;

IV - ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologia s nacionais orientadas


para o uso racional de recursos ambientais;

V - à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de


dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública
sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio
ecológico;

VI - à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas á


sua utilização racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a
manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida;

VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/


ou indenizar os danos causados, e ao usuário, de contribuição pela utilização
de recursos ambientais com fins econômicos (BRASIL, 1981).

Podemos destacar ainda que a PNMA é também responsável pela criação do Sistema
Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), que é uma estrutura de instituições
e entidades com papel fundamental na gestão e conservação do meio ambiente, e
do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), um órgão consultivo e
deliberativo com a finalidade, entre outras, de propor diretrizes e políticas governamentais
para a garantia da qualidade de vida humana e do meio ambiente.

Embora o SISNAMA configure uma estrutura federal, a elaboração de normas e


execução das atividades não é exclusiva da União, cabendo a estados e municípios
participar e elaborar suas próprias normas visando à conservação dos recursos naturais,
respeitando suas competências.

Por se tratar de uma estrutura complexa, poderemos entender melhor os componentes


de funcionamento do SISNAMA através do esquema didático a seguir:

74
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Figura 31. Estruturação do SISNAMA, conforme disposto no art. 6º da PNMA.

SISNAMA

• Conselho de governo.
Órgão superior • Visa assessorar o presidente da República na formulação
da PNMA.

Órgão consultivo/ • Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA).


deliberativo • Visa assessorar o Conselho de Governo e deliberar sobre
normas e padrões ambientais.

• Ministério do Meio Ambiente (MMA).


Órgão central • Tem a função de prezar pela conservação e preservação
ambiental, bem como coordenar e fiscalizar o uso racional
dos recursos naturais.

Órgãos • ICMBio + IBAMA.


executores • Responsáveis por assessorar o MMA e executar a PNMA.

• Entidades da administração pública voltados ao uso dos


recursos naturais.
Órgãos setoriais
• Ministérios da Agricultura, da Fazenda, de Minas e Energia,
da Saúde e da Ciência e Tecnologia.

• Órgãos ou entidade estaduais responsáveis pela


Órgãos seccionais fiscalização e execução de programas ambientais
• Por exemplo, Polícia Ambiental.

Fonte: Adaptado de Política Nacional de Meio Ambiente (BRASIL, 1981, Lei nº 6.938).

Dentro desta estrutura, cabe destacar o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente


e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como executores das atividades de
planejamento e fiscalização ambiental, bem como instituições competentes para
elaborar normativas regulamentadoras do uso dos recursos naturais, especialmente
através de portarias e instruções normativas.

O IBAMA, em síntese, é uma autarquia federal criada pela Lei Federal nº 7.735/1989,
com autonomia administrativa e financeira e vinculada ao Ministério do Meio
Ambiente (MMA), e que tem por finalidade a execução das ações da PNMA referente
às atribuições federais.

Já o ICMBio foi criado pela Lei Federal nº 11.516/2007, também com autonomia
administrativa e financeira, com a finalidade de executar as ações referentes às
Unidades de Conservação federais, conforme Lei Federal nº 9.985/2000.

75
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Devemos nos atentar que, ao longo do tempo, a PNMA embasou outras normas para
regulamentar o uso sustentável dos recursos naturais, por isso trataremos a seguir de
algumas dessas normas responsáveis pelo ordenamento ambiental brasileiro.

Arcabouço legal sobre o meio ambiente no Brasil


Conforme vimos anteriormente, o Direito Ambiental é uma ciência recente e em
constante evolução, sendo reformulada de acordo com o surgimento de novas questões
e discussões quanto aos modos de uso do meio ambiente.

Nesse sentido, devemos destacar também que a PNMA é um instrumento que auxilia na
formação e consolidação da legislação ambiental brasileira que passa a crescer a partir
dela. Assim, exemplificamos a seguir quatro leis que estabelecem políticas nacionais
para o uso sustentável dos recursos naturais:

1. Lei Federal nº 9.433/1997, que institui a Política Nacional de Recursos


Hídricos (PNRH), sobre a qual se destacam os seus objetivos:
Art. 2º São objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos:

I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade


de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos;

II - a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo


o transporte aquaviário, com vistas ao desenvolvimento sustentável;

III - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem


natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.

IV - incentivar e promover a captação, a preservação e o aproveitamento


de águas pluviais (grifo nosso – BRASIL 1997).

2. Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais,


sobre a qual se destaca o seu art. 2º:
Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes
previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua
culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho
e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa
jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a
sua prática, quando podia agir para evitá-la (grifo nosso – BRASIL, 1998).

Podemos ainda destacar que esta lei é regulamentada pelo Decreto Federal nº 6.514/2008,
o qual dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente.

76
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

3. Lei Federal nº 9.795/1999, que institui a Política Nacional de Educação


Ambiental (PNEA), sobre a qual podemos destacar:
Art. 1º Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos
quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos,
habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio
ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida
e sua sustentabilidade.

Art. 2º A educação ambiental é um componente essencial e permanente


da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em
todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e
não-formal (grifo nosso – BRASIL, 1999).

Sobre esta PNEA, é importante destacar que os estados possuem a competência para
instituir seus próprios Planos Estaduais de Educação Ambiental. Assim, seguindo as
bases e diretrizes da PNEA, os estados podem criar seus planos para aplicar a Educação
Ambiental em seus territórios, considerando suas particularidades, necessidades,
pontos fracos e fortes.

1. Lei Federal nº 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades


de Conservação da Natureza (SNUC), na qual se destacam seus objetivos:
Art. 4º O SNUC tem os seguintes objetivos:

I - contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos


genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais;

II - proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e


nacional;

III - contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de


ecossistemas naturais;

IV - promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos


naturais;

V - promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da


natureza no processo de desenvolvimento;

VI - proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica;

VII - proteger as características relevantes de natureza geológica,


geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural;

VIII - proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos;

IX - recuperar ou restaurar ecossistemas degradados;

77
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

X - proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica,


estudos e monitoramento ambiental;

XI - valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica;

XII - favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental,


a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico;

XIII - proteger os recursos naturais necessários à subsistência de


populações tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento
e sua cultura e promovendo-as social e economicamente (grifo nosso –
BRASIL, 2000).

2. Lei Federal nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos


Sólidos (PNRS) e dispõe sobre os princípios, objetivos e instrumentos
relativos à gestão integrada dos resíduos sólidos. Para a sua correta
compreensão aplicação destacamos as seguintes definições estabelecidas
no art. 3º:
X - gerenciamento de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas, direta
ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e
destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição
final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal
de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de
resíduos sólidos, exigidos na forma desta Lei;

XI - gestão integrada de resíduos sólidos: conjunto de ações voltadas


para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as
dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle
social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável;

XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social


caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados
a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial,
para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou
outra destinação final ambientalmente adequada;

XIII - padrões sustentáveis de produção e consumo: produção e consumo


de bens e serviços de forma a atender as necessidades das atuais gerações e
permitir melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade ambiental
e o atendimento das necessidades das gerações futuras;

XIV - reciclagem: processo de transformação dos resíduos sólidos que


envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas,
com vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as
condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sismana
e, se couber, do SNVVS e do Suasa;

78
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

XV - rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades


de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e
economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a
disposição final ambientalmente adequada;

XVI - resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado


resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se
procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados
sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos
cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública
de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou
economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (grifo
nosso – BRASIL, 2010).

Podemos ainda destacar que esta lei é regulamentada pelo Decreto Federal
nº 7.404/2010, a qual estabelece que é competência dos estados e municípios
elaborar seus próprios planos como meio de acessar recursos da União,
exclusivos para este fim.

3. Lei Federal nº 12.651/2012 que estabelece o novo Código Florestal,


revogando a Lei nº 4.771/1965 e outras normas anteriores. Assim, apresenta
como objetivo o desenvolvimento sustentável e a proteção à vegetação nativa
e a seus produtos com base nos seguintes princípios, estabelecidos no art. 1º:
I - afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas
florestas e demais formas de vegetação nativa, bem como da biodiversidade,
do solo, dos recursos hídricos e da integridade do sistema climático, para o
bem estar das gerações presentes e futuras;

II - reafirmação da importância da função estratégica da atividade


agropecuária e do papel das florestas e demais formas de vegetação nativa
na sustentabilidade, no crescimento econômico, na melhoria da qualidade
de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados nacional
e internacional de alimentos e bioenergia;

III - ação governamental de proteção e uso sustentável de florestas,


consagrando o compromisso do País com a compatibilização e harmonização
entre o uso produtivo da terra e a preservação da água, do solo e da vegetação;

IV - responsabilidade comum da União, Estados, Distrito Federal e


Municípios, em colaboração com a sociedade civil, na criação de políticas
para a preservação e restauração da vegetação nativa e de suas funções
ecológicas e sociais nas áreas urbanas e rurais;

79
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

V - fomento à pesquisa científica e tecnológica na busca da inovação para o


uso sustentável do solo e da água, a recuperação e a preservação das florestas
e demais formas de vegetação nativa;

VI - criação e mobilização de incentivos econômicos para fomentar


a preservação e a recuperação da vegetação nativa e para promover o
desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis (– BRASIL, 2012).

Devemos nos atentar que estes são apenas alguns exemplos, uma vez que existem
várias normas, utilizadas nos dias de hoje, criadas antes e depois da PNMA, mas aqui
o objetivo não é entrar em detalhes sobre todas elas. Afinal, não se trata de um curso
completo de Direito Ambiental.

Entretanto, para compreender mais sobre a gestão da fauna silvestre e sobre as diretrizes
da Educação Ambiental, precisamos entender o contexto de formação dessas normas
como temos hoje.

80
CAPÍTULO 2
Princípios do Direito Ambiental

Os princípios do Direito Ambiental


Como vimos anteriormente, foram realizadas diversas reuniões e conferências para
possibilitar a discussão sobre a relação entre o desenvolvimento econômico, o uso dos
recursos naturais e os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente. Essas
discussões foram fundamentais para a evolução do Direito Ambiental como ciência.

Neste capítulo, vamos aprender sobre os princípios que são utilizados dentro do
Direito Ambiental, de modo a nortear a interpretação e/ou julgamento das ações.

Cabe destacar que esses princípios têm como origem a Constituição Federal. No
entanto, não são estabelecidos de forma uniforme, sendo livre a interpretação dos
autores quanto ao número ou quanto a considerá-los princípios ou subprincípios
(RODRIGUES, 2017).

Além disso, destaca-se que, em alguns casos, esses princípios podem também ser
contraditórios. Nesse sentido, Rodrigues (2017, p. 330) considerada que “na aplicação
de um princípio a uma dada situação concreta, o juiz exerce uma ponderação de
valores [...] decidindo, caso a caso, qual princípio deve prevalecer” (grifo do autor).

Assim, passemos a conhecer alguns princípios que envolvem a questão ambiental e


norteiam as ações sobre os recursos naturais. Princípios estes que devem ser levados
em consideração quando se trata do direito ao usufruto dos recursos do meio ambiente.

Figura 32. Ilustração representando a justiça para o meio ambiente.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/environment-law-nature-resources-legal-action-1046213683.

81
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Princípio do desenvolvimento sustentável


Antes de tudo, vamos buscar ao entendimento pelo significado das palavras na língua
portuguesa. A palavra desenvolvimento significa “ato ou efeito de desenvolver-se.
Adiantamento, crescimento, aumento. Progresso [...]” (RODRIGUES, 2017, p. 336). E
ainda a palavra sustentável, originado do verbo sustentar que significa “conservar,
manter, impedir a ruína ou a queda, proteger, equilibrar-se [...]” (RODRIGUES, 2017,
p. 337).

Com esses conceitos podemos buscar a compreensão da expressão desenvolvimento


sustentável, que se refere ao crescimento econômico dos países de modo a manter
a disponibilidade de recursos da natureza.

A recomendação pelo uso adequado dos recursos naturais bem como a manutenção
destes na natureza foram trazidos na Declaração de Estocolmo em alguns princípios,
como proteger e melhorar o meio ambiente. Além disso, o Relatório de Brundtland,
posterior à Conferência de Estocolmo, apresenta de forma clara a importância do
desenvolvimento sustentável.

Podemos ainda destacar que, durante a Rio-92, a expressão desenvolvimento sustentável


esteve presente em diversas discussões, dando-se destaque para a importância de
garantir a manutenção do recurso natural para as presentes e as próximas gerações.

Princípio da participação
Este princípio é, basicamente, formulado no Princípio 10 da Declaração do Rio-92,
quando se expressa que “a melhor maneira de tratar questões ambientais é assegurar
a participação, no nível apropriado, de todos os cidadãos interessados” (LAGO, 2006,
P. 270, grifo nosso).

Neste ponto, fica evidente o caráter democrático sobre a tutela do meio ambiente,
também previsto na Constituição Federal de 1988, uma vez que ela estabelece a ampla
participação da população na busca por um ambiente ecologicamente equilibrado,
como descrito em seu art. 225, o qual estabelece que cabe ao “Ministério Público
e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações” (grifo nosso – BRASIL, 1988). Sendo assim, podemos considerar que fica
imposto um dever para a população e não um aconselhamento ou recomendação
(SILVA; FELÍCIO, 2017).

82
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Este princípio busca, portanto, garantir que a população tenha voz e seja ouvida para a
manutenção da qualidade do meio ambiente, como ocorre, por exemplo, nos conselhos
nacional, estaduais e municipais de meio ambiente. Ainda, como importante ferramenta
para a participação coletiva, destacam-se as audiências públicas realizadas, por
exemplo, durante os processos de licenciamento de empreendimentos, as quais ocorrem,
em alguns casos, antes da aprovação do projeto pelo órgão ambiental competente.

Figura 33. Ilustração de participação popular.

Fonte: https://image.shutterstock.com/image-vector/vector-illustration-people-holding-signs-600w-1411355837.jpg.

Devemos ressaltar neste princípio, que é fundamental que a população tenha acesso a
informação e Educação Ambiental para a construção da consciência ambiental,
esta que possibilita a luta pela manutenção do direito individual e coletivo de um
ambiente ecologicamente equilibrado.

Princípio do poluidor/usuário-pagador
No Direito Ambiental, este pode ser considerado um postulado essencial, uma vez
que possui grande alcance e baseia-se nas ideias de prevenção e repressão. No entanto,
ainda que a ampla interpretação permita diversas aplicações, não deve jamais ser
interpretado como “pagar para poluir” (RODRIGUES, 2017, p. 355, grifo do autor).

Este princípio foi evidenciado na Declaração do Rio-92, nos Princípios 13 e 16, os quais
tratam da responsabilização por danos ambientais causados por meio da utilização
de instrumentos econômicos em prol do interesse público e da restauração do meio
ambiente atingido pela poluição.

Podemos entender, portanto, que esse princípio se refere à responsabilização dos


causadores de danos ambientais e à indenização das vítimas atingidas pelo impacto
ambiental.

83
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Mas como pode se dar a aplicação desse princípio?

Podemos utilizar como exemplo o uso direto dos recursos naturais, como matéria-
prima de empreendimentos. Nesse aspecto, vamos relembrar que o meio ambiente
e, consequentemente, todos os recursos naturais são bens de uso comum de toda
a sociedade, sendo sua função ecológica um bem ambiental de direito coletivo.

Assim, ainda que não seja possível estipular preços de mercado a todos os serviços
que os recursos naturais promovem, esse princípio visa internalizar custos relativos
ao meio ambiente àquele que pretende se utilizar desse bem comum; dessa forma,
embutindo um custo de utilização ao usuário do recurso, uma vez que tais recursos
não estarão mais disponíveis à sociedade.

Nesse sentido, a utilização desses recursos naturais deve ser precedida de devida
autorização da sociedade ou de seus órgãos representantes. Para tanto, é preciso
passar pelo processo de licenciamento ambiental perante os órgãos gestores,
para a instalação de empreendimentos impactantes ao meio ambiente. Essas
autorizações são formadas por estudos de avaliação de impacto ambiental, de
mitigação destes e de recuperação de possíveis danos causados.

Devemos ainda destacar que, no Brasil, a responsabilização por dano ambiental causado
pode se dar de forma civil, penal e administrativa, conforme estabelecido pelo
artigo 225 da Constituição Federal. Dessa forma, a partir da aplicação desse princípio,
compete aos gestores preconizar ações efetivas de combate à poluição ambiental e
punição dos agentes poluidores.

Princípio da prevenção
Princípio que leva em consideração a absoluta certeza científica para a tomada de
decisão dos gestores quanto ao uso do meio ambiente, de modo que, diante da ausência
de argumentos científicos seguros quanto à manutenção dos recursos, devem-se
prevenir ações que possam causar degradação ambiental. Esse princípio considera,
portanto, que o risco da atividade é conhecido.

Nesse aspecto, podemos observar que a elaboração do estudo de impacto ambiental,


no âmbito do processo de licenciamento ambiental, é um instrumento preventivo. A
aplicação desse princípio leva em consideração o termo proteção previsto no artigo
225 da CF/1988, o qual não se refere somente à reparação do dano ambiental, mas
também à prevenção.

84
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Esse princípio é apresentado desde a Conferência de Estocolmo, o que destaca a


sua importância e consistência para a defesa do meio ambiente. Posteriormente, na
Declaração do Rio–92, esse princípio foi novamente reforçado, além das aplicações
diretas previstas na CF/1988, especialmente no inciso III do artigo 225, o qual se
refere à designação de territórios especialmente protegidos, sendo “vedada qualquer
utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção”
(BRASIL, 1988).

Princípio da precaução
Semelhante ao princípio da prevenção, o princípio da precaução leva em consideração
a informação científica disponível acerca dos danos que poderão ser provocados
por determinado empreendimento; porém este é aplicado nos casos em que não há
comprovação, ou certeza, do dano ambiental decorrente. Dessa forma, o objetivo
central desse princípio é evitar que ocorra qualquer dano ao ambiente, uma vez que
não há certeza científica sobre o impacto a ser causado nele.

Diante do exposto, precisamos entender de forma clara que os princípios da


prevenção e da precaução são distintos entre si.

Devemos ainda estar atentos ao fato de que os danos ambientais, muitas vezes, são
irreversíveis e irreparáveis; portanto, esse princípio torna-se ainda mais importante
por ser utilizado para evitar que quaisquer danos imprevistos sejam causados.

Vamos observar ainda que, no processo de licenciamento ambiental, o órgão ambiental


competente deverá verificar que não existem danos ambientais irreparáveis decorrentes
da implantação e da operação dos empreendimentos. Dessa forma, podemos afirmar
que o incentivo às pesquisas científicas sobre os diversos meios de produção poderão
assegurar que intervenções irreparáveis sejam impostas sobre o meio ambiente.

No que se refere à CF/1988, este princípio assegura o disposto no inciso V do artigo 225,
o qual estabelece que se deve “controlar a produção, a comercialização e o emprego de
técnicas [...] que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente”
(grifo nosso – BRASIL, 1988).

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Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Princípio da responsabilidade ambiental


Vimos anteriormente os princípios da prevenção e da precaução, que se referem a
evitar que os danos sejam causados, porém não devemos esquecer que danos ambientais
podem ser causados antes que os gestores consigam evitar. Nesse cenário, considerando
que houve dano ambiental concreto, pode-se utilizar o princípio da responsabilidade
ambiental que trata de uma ação de repressão.

Nesse ponto, vamos entender que a repressão tem caráter não apenas corretivo, mas
também educativo, de modo a evitar que o responsável volte a causar danos.

Ressaltamos, também, que a repressão busca a recuperação imediata do meio ambiente


impactado. Ainda nesse aspecto, vamos nos lembrar de que a responsabilização ambiental
pode ocorrer nas esferas penal, civil e administrativa.

Princípio da Educação Ambiental


Conforme discutido na Conferência de 1972 e estabelecido como um dos princípios
da Declaração de Estocolmo, a Educação Ambiental é indispensável para a formação
do pensamento e da opinião pública de forma consciente.

Assim, a Educação Ambiental deve ser tema de estudo em todos os níveis da educação,
desde os primeiros anos de vida, de forma que se torne ferramenta indispensável para
o desenvolvimento do pensamento crítico sobre o meio ambiente, e os cidadãos se
tornam capazes de compreender o conceito de desenvolvimento sustentável, bem
como de promover ações conscientes para a conservação do equilíbrio ambiental
(SOUZA, 2012).

Princípio da proibição do retrocesso ambiental


Visa garantir o direito de proteção adquirido sobre determinado bem ou território,
de modo a indicar que sejam aplicadas normas cada vez mais protetivas, considerando
que flexibilizar as normas ambientais indica grande retrocesso legal.

Neste tópico, vamos observar que a aplicação deste princípio resguarda a proteção ao
meio ambiente, conforme estabelecido na CF/1988, bem como garante à sociedade a
consolidação da proteção aos bens ambientais já reconhecidos. Devemos observar que
a conquista da proteção ambiental ocorre ao longo do tempo, sendo adquirida pouco a
pouco e, por isso, toda norma de conservação deve ser resguardada (MILARÉ, 2014).

86
Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Conforme vimos no início deste capítulo, os princípios do Direito Ambiental são


resultado da interpretação dos autores, pesquisadores e estudiosos sobre o tema,
sendo, sem exceção, embasados na Constituição Federal de 1988. Portanto,
é comum encontrar estudos que apresentem em sua discussão princípios
semelhantes, mas com nomes diferentes, classificações diferentes ou ainda
outros princípios.

Os princípios apresentados nesta apostila foram escolhidos para exemplificar e


esclarecer a importância destes na defesa do meio ambiente, mas esse não deve
ser o fim do estudo, e sim a base para a busca por mais informações e discussões
sobre este tema tão diverso. Por essa razão, a seguir são sugeridos alguns textos
complementares para o enriquecimento do saber sobre o tema:

» ARRUDA, C. S. L. Princípios do Direito Ambiental. Revista CEJ, Brasília,


ano XVIII, n. 62, p. 96-107, jan./abr. 2014. Disponível em: https://silo.tips/
download/principios-do-direito-ambiental. Acesso em: nov. 2020.

» MARTINS JUNIOR, W. P.; COSTA, W. C. O princípio da precaução na sociedade


de risco. In.: GRANZIERA, M. L. M.; REI, F. (Orgs.) Anais do V Congresso
Internacional de Direito Ambiental Internacional. Santos (SP), Editora
Universitária Leopoldina, p. 27-43, 2018. Disponível em: https://www.
unisantos.br/wp-content/uploads/2018/10/ANAIS-2018.pdf. Acesso em: 7
nov. 2020.

» SILVA, F. L. P; FELÍCIO, M. J. Os princípios gerais do Direito Ambiental.


Colloquium Socialis, Presidente Prudente, v. 1, n. Especial, p. 632-640., jan./
abr. 2017. Disponível em: http://www.unoeste.br/site/enepe/2016/suplementos/
area/Socialis/Direito/OS%20PRINC%C3%8DPIOS%20GERAIS%20DO%20
DIREITO%20AMBIENTAL.pdf.

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Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Figura 34. Apresentação resumida dos princípios que regem o Direito Ambiental tratados nesta unidade.

Princípio do • Visa à manutenção dos recursos ambientais.


desenvolvimento • Busca o progresso econômico sem detrimento
sustentável da qualidade ambiental.

Princípio da • Caráter democrático.


participação • Visa à garantia da ampla participação da
sociedade na gestão ambiental.

Princípio do • Prevê que sejam adicionados custos relativos ao


poluidor/usuário- uso do bem ambiental.
pagador • Prevê a responsabilização por danos causados.

Princípio da • Embasado em informações científicas sobre o


prevenção impacto a ser causado.
• Medida de caráter protetivo.

• Aplicado quando restam dúvidas científicas


Princípio da sobre o impacto ambiental.
precaução • Visa evitar que danos ambientais imprevisíveis
sejam causados.

Princípio da • Caráter corretivo e educativo.


responsabilidade • Trata da responsabilização decorrente de dano
ambiental ambiental causado.

Princípio da • Medida de caráter protetivo e coletivo.


educação • Formação do pensamento crítico para promover
ambiental a proteção do meio ambiente.

Princípio da • Garantia do status de conservação conquistado


proibição do sobre os bens ambientais.
retrocesso • Não permite a flexibilização das normas de
ambiental proteção ambiental.

Fonte: Adaptado de Souza (2012), Rodrigues (2017) e Silva e Felício (2017).

88
CAPÍTULO 3
Diretrizes e Acordos internacionais de
proteção aos animais silvestres

Acordos internacionais de proteção à fauna


silvestre
Precisamos estar atentos que o meio ambiente não pode ser delimitado por fronteiras,
ou ainda que os impactos ambientais causados por um território não atinjam os
territórios vizinhos. Igualmente, não há como proibir que a fauna silvestre transite
livremente e independente de fronteiras. Assim, é possível perceber que a qualidade
dos ecossistemas se mostra como responsabilidade global.

Conforme vimos ao longo desta unidade, diversas reuniões e conferências internacionais


foram realizadas ao longo dos anos, tendo por finalidade estabelecer espaços para a
discussão dessa temática ambiental, comum a todos, bem como para firmar acordos e
metas comuns entre os países, visando ao desenvolvimento sustentável.

No Direito Internacional, a premissa principal é a de que os países são soberanos


sobre seus territórios, portanto os acordos internacionais são diretrizes e propostas
para o melhor desenvolvimento econômico e ambiental das nações. Ou seja, em uma
convenção ou em outro tipo de reunião internacional, são realizadas discussões e
elaborados documentos finais propositivos; no entanto, o país signatário somente
poderá ser cobrado pelo cumprimento das determinações após processos internos
de aprovação e ratificação.

Assim, podemos destacar os procedimentos normativos brasileiros estabelecidos


conforme a Constituição Federal/1988:

» Ao presidente da República compete celebrar tratados, convenções e atos


internacionais, os quais são sujeitos a referendo do Congresso, conforme
disposto na CF/1988.

» Ao Congresso Nacional compete avaliar o conteúdo do tratado, convenção


ou ato internacional e publicar decreto legislativo após aprovação.

» Segue-se então para ratificação, ou não, pelo presidente da República, a


qual significa a confirmação do compromisso internacional.

» Promulgação, pelo presidente da República, através de ato normativo para


oficializar o texto e promover a execução do compromisso.

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Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Em se tratando de diretrizes internacionais, podemos citar inicialmente a Convenção


para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da
América, também conhecida como Convenção de Washington e realizada em 1940.
Inspirada em outras convenções internacionais relacionadas a proteção da natureza, o
evento visou à realização de pesquisas para a definição e demarcação de áreas protegidas.

É importante estarmos atentos que essa convenção é anterior às principais normas


ambientais criadas no Brasil, mas apresenta importantes conceitos que vieram a ser
discutidos de forma mais trabalhada e adequada ao longo do tempo. Nesse sentido,
podemos ressaltar ela estabeleceu, além da criação de áreas naturais protegidas, a
proteção à fauna e à flora, com atenção às espécies de aves migratórias e que, por esta
característica, utilizam diversos territórios ao longo de seu ciclo de vida.

Em seguida, foi realizada a Convenção sobre o Comércio Internacional das


Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Convention on
International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora – CITES), a
qual estabelece a proteção para espécies da fauna e flora, especialmente no que se
refere ao comércio internacional dessas espécies ou seus produtos e partes. No Brasil,
essa convenção foi ratificada pelo Decreto Legislativo nº 54/1975 e promulgada pelo
Decreto nº 76.623/1975.

O objetivo central da CITES é o controle desse tipo de comércio para evitar que as
espécies atinjam níveis insustentáveis de suas populações. Essa convenção é, portanto,
uma convenção pela proteção da biodiversidade.

As ações necessárias ao cumprimento das diretrizes nela listadas são coordenadas pelo
Ministério do Meio Ambiente, através do IBAMA, que é considerado a Autoridade
Administrativa (Decreto nº 3.607/2000). Sendo assim, além de coordenar as ações,
o IBAMA deve também manter o registro do comércio das espécies, fiscalizar as
condições de transporte, destinar os espécimes apreendidos, bem como elaborar e
remeter relatórios à Secretaria da CITES.

Além disso, podemos ressaltar que o IBAMA, o ICMBio e o Instituto de Pesquisa Jardim
Botânico do Rio do Janeiro (JBRJ) são considerados Autoridades Científicas, com
as competências de auxiliar e avaliar as populações das espécies incluídas nas listas
CITES, bem como de cooperar em programas de conservação da biodiversidade e
assessorar quanto à destinação de animais apreendidos.

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Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

A Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), produto final da Conferência


Rio-92, foi ratificada e promulgada em território nacional através do Decreto Legislativo
nº 2/1994 e do Decreto nº 2.519/1998, respectivamente. Podemos destacar que,
também em 1998, foi instituída a Lei de Crimes Ambientais, Lei Federal nº 9.605/1998,
sobre a qual falaremos com mais detalhes na próxima unidade. Assim, o país assume
o compromisso de atuar pela proteção do meio ambiente.

Conforme vimos anteriormente, a CDB é um dos mais importantes documentos que


promove a cooperação para a conservação da biodiversidade. Esse documento tem
como principais objetivos:
[...] a utilização sustentável de seus componentes e a repartição justa e
equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos,
mediante, inclusive, o acesso adequado aos recursos genéticos e a transferência
adequada de tecnologias pertinentes, levando em conta todos os direitos
sobre tais recursos e tecnologias, e mediante financiamento adequado.
(BRASIL, 2000).

Dessa forma, essa convenção apresenta 42 artigos com diretrizes para a utilização
sustentável de componentes da diversidade biológica, para a pesquisa e o monitoramento,
para a promoção da educação e conscientização públicas, dentre outros.

Para tanto, fica prevista a possibilidade de cooperação entre os países como ferramenta
para garantir a conservação e a utilização sustentável da biodiversidade, através de
estratégias, planos, programas ou políticas públicas com estes fins. Sendo assim, a
CDB ressalta, em diversos pontos, a importância de incentivar o desenvolvimento de
pesquisas científicas sobre a biodiversidade e seus componentes.

Podemos destacar ainda que o evento marcou o início das discussões sobre o acesso aos
recursos genéticos e a repartição dos benefícios dos recursos genéticos da biodiversidade.

Em 1971, foi realizada a Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância


Internacional, posteriormente conhecida como Convenção Ramsar, cidade do
Irã onde ela ocorreu. Esse tratado se refere ao reconhecimento da importância de
determinadas áreas úmidas para a manutenção dos ciclos de vida de espécies da fauna,
especialmente as aves aquáticas migratórias.

Atualmente existem mais de 2 mil Sítios Ramsar reconhecidos em todo o mundo, dos
quais 27 estão em território brasileiro, totalizando mais de 26 milhões de hectares
(RAMSAR, 2020).

91
Unidade III | Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade

Por se tratar de áreas que devem ter uma gestão adequada para a conservação das
espécies migratórias, inicialmente eram indicadas somente os territórios já protegidos
no Brasil, através das Unidades de Conservação. No entanto, em 2018, foram instituídos
dois Sítios Ramsar em territórios extensos, são estes:

» Sítio Ramsar do Rio Negro (Sítio nº 2335): abrangendo cerca de 12 milhões


de hectares e mais de 20 Unidades de Conservação, compreende um dos
principais afluentes do Rio Amazonas e uma vasta área de floresta tropical.

» Sítio Ramsar dos Manguezais Amazônicos (Sítio nº 2337): abrangendo


cerca de 3,8 milhões de hectares e 23 Unidades de Conservação, compreende
a região costeira amazônica brasileira, entre o Amapá e o Ceará, e uma das
maiores faixas contínuas de floresta de manguezal do mundo.

Figura 35. Sítios Ramsar do Rio Negro e dos Manguezais Amazônicos.

Fonte: Ramsar (2020).

O texto completo da CBD foi publicado pelo Ministério do Meio Ambiente no


seguinte documento:

» BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. A Convenção sobre Diversidade


Biológica – CDB. Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/sbf_
dpg/_arquivos/cdbport.pdf.

A Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional disponibiliza em


sua página eletrônica informações sobre os Sítios Ramsar, a importância desses
ecossistemas e outras informações em https://www.ramsar.org/.

Podemos destacar também a Convenção sobre Espécies Migratórias (Convention


on the Conservation of Migratory Species of Wild Animals –CMS), que incentiva a
cooperação entre diferentes países utilizados por espécies migratórias terrestres,
aquáticas e aéreas. No endereço eletrônico da convenção existem mais informações
disponíveis: https://www.cms.int/en.

E, por fim, a Comissão Internacional Baleeira (CIB), que tem como principal objetivo
a conservação das baleias e a gestão da caça, especialmente a manutenção
da proibição à caça comercial. No endereço eletrônico da CIB existem mais
informações disponíveis: https://iwc.int/home.

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Direito Ambiental para a proteção da biodiversidade | Unidade III

Figura 36. Exemplos de animais migratórios, baleias (A) e aves (B).

A B

Fonte: (A) https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/aerial-view-several-adult-southern-right-1496559455 e (B) https://www.


shutterstock.com/pt/image-photo/shorebird-dunlin-delta-british-columbia-canada-1523834003.

Nesta unidade aprendemos sobre a evolução histórica do Direito Ambiental,


desde as primeiras discussões que consideravam os recursos naturais como
bens e propriedades até as discussões da proteção ambiental, considerando a
interdependência dos seres vivos entre si e com os recursos naturais.

Conhecemos as principais conferências internacionais realizadas ao longo do tempo


e que foram fundamentais para a evolução da discussão sobre o equilíbrio entre
a qualidade ambiental, o desenvolvimento econômico dos países e a igualdade
de distribuição dos recursos.

Embora essas conferências não possam alterar diretamente as políticas públicas


nas diferentes nações, os documentos produzidos nessas reuniões possibilitaram
o desenvolvimento de normas para a gestão ambiental, de modo a alinhar as
necessidades ambientais globais e os interesses de cada território.

Compreendemos a estrutura organizacional do Sistema Nacional de Meio Ambiente,


e as competências dos diversos órgãos e institutos para a execução das políticas
de proteção do meio ambiente.

Além disso, conhecemos diversos princípios que regem o Direito Ambiental, os


quais são embasados nas discussões internacionais sobre o meio ambiente e na
Constituição Federal de 1988, a qual estabeleceu as primeiras diretrizes para a
proteção ambiental e da biodiversidade brasileira.

Foi possível também conhecer mais sobre as diretrizes e as parcerias internacionais


para a conservação da biodiversidade, com atenção especial àquelas que se
referem a espécies que realizam migrações e, por isso, utilizam vários territórios
durante seus ciclos de vida.

Na próxima unidade, trataremos de forma específica sobre a legislação brasileira


elaborada para a conservação ambiental. Conheceremos as principais leis e
decretos vigentes nos dias atuais.

93
LEGISLAÇÃO
BRASILEIRA SOBRE UNIDADE IV
FAUNA SILVESTRE

CAPÍTULO 1
Leis de Proteção à Fauna silvestre

A proteção à fauna silvestre


Nesta unidade iremos entender quais as normas de proteção e de regulamentação são
aplicadas para a fauna silvestre no território nacional. Para tanto, vamos entender
rapidamente como se deu a evolução da proteção à fauna.

Nesta apostila, iremos abordar os temas principais sobre a legislação de manejo


e conservação da fauna silvestre, no entanto as normas não serão apresentadas
na íntegra, somente discutiremos alguns dos seus aspectos mais relevantes. Por
essa razão, desde já recomendamos que as normas aqui citadas sejam lidas em
sua totalidade para melhor compreensão e aplicação.

Ressaltamos ainda que os estados e municípios podem conter normas específicas


para seus territórios, por isso também recomendamos que as informações aqui
apresentadas sejam utilizadas como base do conhecimento para buscar as normas
aplicadas no espaço de atuação de interesse de cada aluno.

Lembremo-nos de que a visão do Direito Ambiental começou embasada no


antropocentrismo, na qual o homem é o principal beneficiário da conservação do
meio ambiente, de modo a ter suas necessidades atendidas.

Com o passar do tempo, a visão ecocêntrica se fortaleceu com a ação dos movimentos
ambientalistas que defendem a proteção de todas as formas de vida e combatem as
atividades predatórias humanas, como a caça e a destruição de habitats. Devemos nos
atentar ainda que a manutenção do equilíbrio ambiental é, também, condição para a
existência da população humana (BORTOLOZI, 2018).

94
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

Figura 37. Exemplo de caça a animais silvestre.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/hunters-catch-hare-duck-pheasant-hand-107225816.

Assim, na visão antropocêntrica, os animais eram considerados propriedade, ou seja,


seres vivos a serviço das necessidades da sociedade humana, seja para a execução de
atividades de transporte de carga, força e tração, seja para a realização de espetáculos
socioculturais, como no Coliseu do Império Romano. Posteriormente, a relação da
sociedade com os animais passou a avaliar, em diferentes tempos, a utilização dos
animais para atividades econômicas e os maus-tratos contra eles (SILVA, 2014).

Somente a partir do Renascimento foi que diversos pensadores passaram a refletir


sobre a posição do homem em relação à natureza e, por consequência, em relação aos
animais. A partir de então, foram realizados diversos estudos por Voltaire, Rousseau,
Leonardo da Vinci, José do Patrocínio e Olavo Bilac, entre outros, contendo reflexões
sobre os papeis do homem e dos animais na natureza, resultando na base para a discussão
sobre a proteção aos animais (SILVA, 2014).

No Brasil, conforme vimos anteriormente, as normas e ordenações sobre proteção à


fauna silvestre partiam de Portugal, especialmente, voltadas aos recursos utilizados
para abastecimento da coroa, porém não havia controle ou fiscalização efetivos. Sobre
as normas desenvolvidas posteriormente (SAMPAIO, 2011), podemos destacar:

» Lei nº 3.071/1916: tratava sobre o Código Civil Brasileiro e trazia em


seu conteúdo referência à fauna silvestre enquanto posse do caçador ou do
proprietário da terra.

» Código Florestal instituído pelo Decreto nº 23.793/1934: instituiu a


proteção das florestas e dos recursos naturais.

» Código da Caça pelo Decreto-lei nº 5.894/1943: com o foco na regulamentação


da atividade de caça a fauna silvestre.

95
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

Este Código da Caça manteve-se vigente até a década de 1960, após a publicação da
atualização do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), a qual estabeleceu a proibição
e aplicação de pena para a atividade de caça em áreas de preservação permanente.
Em seguida, a publicação da Lei nº 5.197/1967 substituiu a norma de 1934 e foi
também conhecida como Código da Caça; atualmente esta lei continua vigente e,
após diversas atualizações, é conhecida como Lei de Proteção à Fauna (SAMPAIO,
2011; FERNANDES-FERREIRA, 2014).

Quanto a proteção a fauna, Escobar e colaboradores (2014, p. 1649) ressaltam que a


“fauna ainda é tutelada pelo Princípio da Precaução”, principal norteador da proteção
ambiental, de modo a tratar com cautela qualquer ação que possa afetar a natureza e
toda a sua biodiversidade. Os autores destacam ainda:
Qualquer medida de precaução em relação à fauna deve ser coordenada no
sentido de tentar garantir a sua eficácia, sendo certo que tal coordenação
deve se expressar pela conservação dos espaços de constatada incidência
de espécies, bem como pela atuação de forma direta sobre elas e sobre seus
habitats, por meio de áreas protegidas, de maneira interdependente.

Neste capítulo, trataremos sobre as normas atuais de proteção à fauna silvestre, mas,
antes de tudo, precisamos nos lembrar do que dispõe a CF/1988 em seu art. 225, §1º:
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies
ou submetam os animais a crueldade (grifo nosso – BRASIL, 1988).

Podemos ressaltar que, nesse inciso, fica estabelecida a proteção à fauna e a seu papel
ecológico, presando pelo equilíbrio, bem como a proteção à fauna contra maus-tratos
(RODRIGUES, 2017, p. 111).

Entretanto, a proteção da fauna silvestre, embora se configure em um direito


constitucional, encontra desafios para a sua aplicação quando se tratam de
situações em que se contra argumenta com o direito a livre manifestação cultural,
também um direito constitucional através do art. 215 (RODRIGUES, 2017, p. 112).

Para exemplificar, podemos destacar atividades populares no Brasil, que evolvem


a apresentação de animais submetidos a situações de estresse e risco, como
a “farra do boi” ou a rinha de galo (ESCOBAR et al., 2014; RODRIGUES, 2017;
BORTOLOZI, 2018).

96
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

Sobre os assuntos abordados neste capítulo, recomendamos os seguintes textos


para leitura complementar:

DONATO, C. J. et al. Crimes contra a fauna. Colloquium Humanarum, v. 14, n.


Especial, p. 270-276, jul.-dez./2017.

FERNANDES-FERREIRA, H.; ALVES. R. R. N. Legislação e mídia envolvendo a caça


de animais silvestres no Brasil: uma perspectiva histórica e socioambiental. Gaia
Scientia, v. 8 (1), p. 1-7, 2014. ISSN 1981-1268.

SILVA, C. M. R. M. Direito animal: uma breve digressão histórica. 2014. ISSN -1984-
0454. Disponível em: http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/39899/
direito-animal-uma-breve-digressao-historica.

Lei de Proteção à Fauna (Lei Federal nº 5.197/1967)


A Lei de Proteção à Fauna, inicialmente conhecida como Código da Caça, traz em si
muitos aspectos que mais demonstram o objetivo de regulamentação sobre a caça, do
que à proteção efetiva da fauna silvestre. Por esse aspecto, é tratada por muitos autores
como uma norma obsoleta (RODRIGUES, 2017).

A Lei nº 5.197/1967 estabelece a fauna como propriedade do Estado, cabendo a este


o dever de regulamentar e autorizar suas formas de uso:
Art. 1º. Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu
desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo
a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são
propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição,
destruição, caça ou apanha (grifo nosso – BRASIL, 1967).

Trataremos, portanto, de alguns pontos específicos da referida lei. No que se refere


a caça, destaca-se:
Art. 2º É proibido o exercício da caça profissional.
[...] Art. 12. As entidades a que se refere o artigo anterior deverão requerer
licença especial para seus associados transitarem com arma de caça e de
esporte, para uso em suas sedes durante o período de defeso e dentro do
perímetro determinado. (BRASIL, 1967).

Quanto à produção e comercialização de produtos oriundos da fauna, como peles, carne


ou subprodutos, fica estabelecido que esta só pode ser realizada mediante autorização
formal do órgão ambiental competente:
Art. 3º. É proibido o comércio de espécimes da fauna silvestre e de produtos
e objetos que impliquem na sua caça, perseguição, destruição ou apanha.

97
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

[...] Art. 16. Fica instituído o registro das pessoas físicas ou jurídicas que
negociem com animais silvestres e seus produtos.

[...] Art. 19. O transporte interestadual e para o Exterior, de animas silvestres,


lepidópteros, e outros insetos e seus produtos depende de guia de trânsito,
fornecida pela autoridade competente. (BRASIL, 1967).

Portanto, devemos estar atentos que, na ausência da devida autorização, os produtos


podem ser apreendidos e o portador deverá responder ao que dispõe o Código Penal,
no que se refere à infração ambiental cometida. Nesse aspecto, podemos destacar:
Art. 34. Os crimes previstos nesta lei são inafiançáveis e serão apurados
mediante processo sumário, aplicando-se no que couber, as normas do
Título II, Capítulo V, do Código de Processo Penal. (BRASIL, 1967).

Destaca-se, por fim, que a referida lei estabelece a inclusão da proteção à fauna como
conteúdo de livros escolares, mediante aprovação do Conselho Federal em Educação
(art. 35), bem como a criação do Conselho Nacional de Proteção à fauna, para
auxiliar na execução e implementação desta política em território nacional (art. 36).

A proteção à fauna aquática


Neste tópico, iremos conhecer um pouco sobre as normas de proteção à fauna aquática,
que foi iniciada de forma específica no Decreto-lei nº 221/1967, conhecido como Código
da Pesca, seguido pela Lei Federal nº 7.679/1988, que dispõe sobre a proibição da
pesca de espécies em períodos de reprodução. Na ecologia, este período de reprodução
é conhecido como piracema.

Posteriormente, em 2009, essas normas foram atualizadas pela Lei Federal nº


11.959/2009, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável
da Aquicultura e da Pesca, considerando as discussões mais recentes sobre a gestão
sustentável do meio ambiente e seus recursos naturais.

Essa lei apresenta conceitos, competências dos órgãos gestores, classificações dos tipos de
pesca e da aquicultura, bem como da fiscalização e sanções. Para melhor compreensão,
destacamos os seguintes conceitos (art. 2º):
I – recursos pesqueiros: os animais e os vegetais hidróbios passíveis de
exploração, estudo ou pesquisa pela pesca amadora, de subsistência, científica,
comercial e pela aquicultura;

II – aquicultura: a atividade de cultivo de organismos cujo ciclo de vida em


condições naturais se dá total ou parcialmente em meio aquático, implicando

98
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

a propriedade do estoque sob cultivo, equiparada à atividade agropecuária


e classificada nos termos do art. 20 desta Lei;

III – pesca: toda operação, ação ou ato tendente a extrair, colher, apanhar,
apreender ou capturar recursos pesqueiros (grifo nosso – BRASIL, 2009).

Nesta lei, ficam estabelecidas medidas para promover a manutenção e recuperação


dos estoques pesqueiros, bem como dispõe sobre proibições bem definidas, como o
exercício da atividade de pesca:

» realizada em épocas e nos locais definidos pelo órgão competente;

» em relação às espécies que devam ser preservadas ou espécimes com tamanhos


não permitidos pelo órgão competente;

» sem autorização ou licença do órgão ambiental competente;

» mediante a utilização de explosivos, técnicas ou substâncias que produzam


efeito semelhante ao de explosivos, substâncias tóxicas, petrechos, técnicas
e métodos não permitidos.

Entretanto, embora seja uma norma com vários dispositivos voltados para a pesca e
os recursos pesqueiros e, ainda, que seja um ponto de partida para a conservação das
outras espécies da fauna aquática, os dispositivos mais específicos de proteção desses
animais são publicados em outras normas que serão citadas no próximo capítulo.

Figura 38. Imagens ilustrativas da atividade de pesca de baleias e pesca predatória.

A B

Fonte: (A) https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/reykjavik-coast-icelandjuly-26-2014-hvalur-1246764724 e


(B) https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/young-shark-bycatch-industrial-fishing-this-76596463.

99
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

Lei de Crimes Ambientais


A Lei Federal nº 9.605/1998, Lei de Crimes Ambientais, dispõe sobre as sanções penais
e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Assim,
esta lei detalha de forma mais cautelosa a proteção ao meio ambiente, preenchendo
lacunas remanescentes da Política Nacional de Meio Ambiente, ao mesmo tempo em que
estabelece regras detalhadas para a proteção efetiva do meio ambiente (RODRIGUES,
2017).

Inicialmente destacamos o disposto no art. 15, que trata sobre situações que agravam
a pena:
I - reincidência nos crimes de natureza ambiental;

II - ter o agente cometido a infração:

[...] g) em período de defeso à fauna;

[...] l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;

m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;

[...] q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das


autoridades competentes (grifo nosso – BRASIL, 1998).

Ressaltamos que a presente lei estabelece sanções penais e administrativas detalhadas


para a garantia da proteção à fauna e, portanto, estabelece a apreensão dos animais,
seus produtos e subprodutos, bem como os instrumentos utilizados para a infração
(arts. 25 e 72).

Em paralelo, estabelece também a destinação adequada, considerando se os produtos


são perecíveis ou não, ou ainda a destruição ou inutilização destes, considerando
avaliação adequada e demais dispositivos legais (art. 25).

No que se refere à proteção à fauna, especificamente a presente lei apresenta a Seção


I, do Capítulo V, contendo os crimes desse escopo descritos em nove artigos e as
penalidades sobre as quais incorrem os infratores (arts. 29 a 37). Destaca-se que esta
seção é ampla e trata, por exemplo, de:

» proibição de introdução de espécies exótica, aquela que não é natural


do território nacional (art. 31);

» proibição de maus tratos contra espécies silvestres, domésticas ou


domesticadas, nativas ou exóticas (art. 32);

100
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

» crimes na atividade pesqueira (arts. 34 e 35).

Podemos observar ainda as condições consideradas como fatores agravantes da pena, na


qual destacamos a realização do ato ilícito em espaço territorial especialmente protegido,
ressalte-se as Áreas de Preservação Permanentes e Reservas Legais, instituídas pelo
Código Florestal e, atualmente, vigente pela Lei Federal nº 12.651/2012, bem como
as Unidades de Conservação, Lei Federal nº 9.985/2000.

Quanto a esta última, cabe destacar a criação do Sistema Nacional de Unidades de


Conservação da Natureza (SNUC), que estabelece normas e critérios para a criação
de espaços territoriais protegidos, conforme prevê a CF/1988. Através da criação desses
espaços, cabível aos diferentes entes federativos, fica legalmente instituída a proteção
especial de todos os recursos naturais neles existente.

O SNUC consiste numa importante ferramenta para a gestão, conservação e


manejo da fauna inserida nesses espaços, bem como para a execução da PNMA.
Trata-se de uma legislação com desdobramentos e outras normas associadas,
como o Decreto Federal nº 4.344/2002, que regulamenta diversos artigos do
SNUC, além de portarias do ICMBio, órgão diretamente responsável pela gestão
dessas áreas, quando criadas pela União.

Conforme vimos ao longo deste curso, as Unidades de Conservação possuem


diversas aplicações e, por essa razão, recomendamos a leitura da Lei do SNUC e
seu decreto regulamentador para aprofundamento do conhecimento.

O Decreto nº 6.514/2008, regulamenta a Lei de Crimes Ambientais e estabelece as


sanções referentes as infrações administrativas, conforme disposto no art 3º:
I - advertência;
II - multa simples;
III - multa diária;
IV - apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora e
demais produtos e subprodutos objeto da infração, instrumentos, petrechos,
equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração;
V - destruição ou inutilização do produto;
VI - suspensão de venda e fabricação do produto;
VII - embargo de obra ou atividade e suas respectivas áreas;
VIII - demolição de obra;
IX - suspensão parcial ou total das atividades; e
X - restritiva de direitos. (BRASIL, 2008).

101
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

Esse decreto possui uma subseção exclusiva que define as sanções referentes às infrações
contra a fauna, a qual inclui disposições sobre a fauna silvestre, nativa, migratória ou
exótica e sobre a pesca. Assim, os arts. 24 a 42 estabelecem multas nos valores de 500
reais até 500 mil reais, além dos agravantes que resultam em acréscimo de valor sobre
a multa.

Nesse sentido, podemos exemplificar as seguintes multas estabelecidas no decreto:


Art. 27.  Praticar caça profissional no País:

Multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), com acréscimo [...];

[...] Art. 28.  Comercializar produtos, instrumentos e objetos que impliquem


a caça, perseguição, destruição ou apanha de espécimes da fauna silvestre:

Multa de R$ 1.000,00 (mil reais), com acréscimo [...];

[...] Art. 31.  Deixar, o jardim zoológico e os criadouros autorizados, de ter


o livro de registro do acervo faunístico ou mantê-lo de forma irregular:

Multa de R$ 500,00 a R$ 5.000,00 (mil reais). (BRASIL, 2008).

No que se refere a pesca, o decreto considera como pesca “o ato tendente a extrair, retirar,
coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes dos grupos dos peixes, crustáceos,
moluscos aquáticos e vegetais hidróbios suscetíveis ou não de aproveitamento
econômico” (grifo nosso – BRASIL, 2008).

Lei Complementar nº 140/2011


Essa lei estabelece em seu artigo 1º:
[...] normas para a cooperação entre União, os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da
competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis,
à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas
formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora (grifo nosso –
BRASIL, 2011).

Podemos compreender que ela visa estabelecer procedimentos e normas para a cooperação
entre os entes da Federação, bem como delegar atividades comuns ou específicas a
esses entes. Para tanto, dispõe em seu artigo 2º alguns conceitos fundamentais a serem
seguidos e aplicados, são estes:
I - licenciamento ambiental: o procedimento administrativo destinado a
licenciar atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos ambientais,

102
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de


causar degradação ambiental;

II - atuação supletiva: ação do ente da Federação que se substitui ao ente


federativo originariamente detentor das atribuições, nas hipóteses definidas
nesta Lei Complementar;

III - atuação subsidiária: ação do ente da Federação que visa a auxiliar no


desempenho das atribuições decorrentes das competências comuns, quando
solicitado pelo ente federativo originariamente detentor das atribuições
definidas nesta Lei Complementar (grifo nosso – BRASIL, 2011).

Em seu artigo 3º, estão descritos os objetivos de aplicação desta lei, nos quais se
destaca o direito constitucional de proteção ao meio ambiente equilibrado, bem como
a necessidade de estabelecer condições igualitárias de atuação a todos os entes da
Federação para a conservação ambiental.

Portanto, é justamente para alcançar essa igualdade que são propostas normas de
cooperação, conforme disposto no artigo 4º, os instrumentos de cooperação, dentre
os quais podemos destacar os convênios, consórcios e comissões.

Devemos nos atentar que, embora sejam delegadas as funções a cada ente federativo
(arts. 7º, 8º, 9º e 10), alguns deveres são comuns a todos, respeitadas as limitações
de atuação. Nesse aspecto, as ações relacionadas à execução da PNMA, a gestão
dos recursos naturais, a promoção da cooperação técnica, científica e financeira
para a execução da PNMA, o estímulo ao desenvolvimento de pesquisa científica e a
transparência dos resultados da gestão ambiental são exemplos de atividades comuns,
respeitados os limites de atuação de cada ente federativo.

Os artigos 7º, 8º, 9º e 10 trazem uma extensa lista de competências da União, dos
estados, do Distrito Federal e dos municípios, das quais destacaremos a seguir somente
aquelas diretamente relacionadas à gestão e proteção da fauna:
Art. 7º  São ações administrativas da União:

[...] XVI - elaborar a relação de espécies da fauna e da flora ameaçadas


de extinção e de espécies sobre-explotadas no território nacional,
mediante laudos e estudos técnico-científicos, fomentando as atividades
que conservem essas espécies in situ;

XVII - controlar a introdução no País de espécies exóticas


potencialmente invasoras que possam ameaçar os ecossistemas, habitats
e espécies nativas;

103
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

XVIII - aprovar a liberação de exemplares de espécie exótica da fauna


e da flora em ecossistemas naturais frágeis ou protegidos;

XIX - controlar a exportação de componentes da biodiversidade


brasileira na forma de espécimes silvestres da flora, micro-organismos e
da fauna, partes ou produtos deles derivados;

XX - controlar a apanha de espécimes da fauna silvestre, ovos e larvas;

XXI - proteger a fauna migratória e as espécies inseridas na relação


prevista no inciso XVI;

XXII - exercer o controle ambiental da pesca em âmbito nacional


ou regional;

XXIII - gerir o patrimônio genético e o acesso ao conhecimento tradicional


associado, respeitadas as atribuições setoriais;

[...] Art. 8º São ações administrativas dos Estados:

[...] XVII - elaborar a relação de espécies da fauna e da flora ameaçadas


de extinção no respectivo território, mediante laudos e estudos técnico-
científicos, fomentando as atividades que conservem essas espécies in situ;

XVIII - controlar a apanha de espécimes da fauna silvestre, ovos e


larvas destinadas à implantação de criadouros e à pesquisa científica,
ressalvado o disposto no inciso XX do art. 7º;

XIX - aprovar o funcionamento de criadouros da fauna silvestre;

XX - exercer o controle ambiental da pesca em âmbito estadual (grifo


nosso – BRASIL, 2011).

Além disso, os artigos 12 a 17 apresentam dispositivos para a execução dos processos


de licenciamento de empreendimentos utilizadores de recursos naturais ou que possam
causar impactos ambientais, como prazos, solicitação de manifestações técnicas de
órgãos de outros entes federativos e fiscalização ambiental.

É importante destacar que fica estabelecida a competência para fiscalização e autuação de


qualquer órgão ambiental fiscalizador, prevalecendo o auto da autoridade licenciadora.
Sendo assim, elimina a sobreposição de competências, tornando a fiscalização uma
ferramenta mais eficiente para evitar danos ao meio ambiente.

Podemos destacar como uma modificação importante para a gestão e conservação


da fauna silvestre, estabelecida a partir da publicação desta lei complementar, que o
licenciamento de estabelecimentos de criadouros de fauna silvestre passa a
ser de competência dos Estados, não mais da União.

104
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

Nesse ponto, é importante ressaltar que o IBAMA celebrou acordos de cooperação


técnica com os estados a fim de prestar apoio e repassar experiências, metodologias,
treinamentos e sistemas desenvolvidos ao longo dos anos em âmbito federal.

Assim, essas informações e os dados fornecidos auxiliam os estados na gestão, no


manejo e no controle da fauna em cativeiro, aplicando e ajustando às realidades
e necessidades de cada estado.

Dessa forma, os estados adquirem autonomia para elaborar suas próprias normas de
regulamentação, respeitando as competências de todos os entes federativos. Entretanto,
temos que levar em consideração que 26 estados compõem a República Federativa do
Brasil e, por essa razão, não será possível abordar todas as normas já aprovadas nesses
estados neste curso.

Listamos a seguir algumas normas estaduais já aprovadas, para conhecimento:

» Pernambuco → Instrução Normativa CPRH nº 7/2018, que estabelece


os critérios para procedimentos relativos ao manejo de fauna silvestre
(levantamento, resgate e afugentamento e monitoramento de fauna) em
áreas de influência de empreendimentos e atividades consideradas efetiva
ou potencialmente causadoras de impactos à fauna sujeitas ao licenciamento
ambiental.

» Maranhão → Lei Estadual nº 10.535/2016, que dispõe sobre a gestão da


fauna silvestre brasileira e exótica no âmbito do licenciamento ambiental.

» Espírito Santo → Lei Complementar nº 936/2019, que institui a Política


Estadual de Proteção à Fauna Silvestre.

» Rio de Janeiro → Lei nº 6.908/2014, que dispõe sobre procedimentos


referentes à criação amadora de passeriformes nativos.

» Amazonas → Lei nº 3.785/2012, que dispõe sobre o licenciamento ambiental.

» Santa Catarina → Lei nº 17.491/2018, que institui a política de gestão de


pássaros nativos da fauna brasileira e exótica.

105
CAPÍTULO 2
Portarias, Instruções Normativas e
outras normas de gestão da fauna
silvestre

Outras normas de proteção à fauna


Antes de tudo, precisamos lembrar que o Direito é uma ciência em constante transformação,
de modo que as normas também são atualizadas e alteradas constantemente. Por essa
razão, é fundamental que estejamos atentos à atuação dos poderes legisladores e
executores. Essa é também uma forma de exercer a cidadania em uma democracia.

No capítulo anterior, vimos algumas leis específicas para a gestão da fauna no território
brasileiro, mas devemos lembrar que estas não são as únicas. Por essa razão, podemos
ainda destacar as seguintes leis:

» Lei Federal nº 7.173/1983, que dispõe sobre o estabelecimento e funcionamento


de jardins zoológicos, dentre outras providências.

» Lei Federal nº 7.643/1987, que proíbe a pesca de cetáceos nas águas


jurisdicionais brasileiras.

» Lei Federal nº 11.794/ 2008, que estabelece procedimentos para o uso


científico de animais.

Além disso, existem outras normas que tratam especificamente sobre esse tema, em
especial as portarias e instruções normativas criadas pelo Poder Executivo, por exemplo.
Como órgãos da União responsáveis pela gestão da fauna silvestre, o Ministério do
Meio Ambiente (MMA), o IBAMA e o ICMBio podem regulamentar procedimentos
para ações já previstas em lei, respeitando sempre as competências de cada órgão.

Por essa razão, neste capítulo, nós iremos abordar outras normas que regem a gestão
da fauna silvestre no Brasil. Destacamos algumas delas:

» Instrução Normativa Interministerial MPA/MMA nº 14/2012: proíbe


a prática do finning (definida no art. 2º, inciso III, como a prática de capturar
tubarões e raias e aproveitar apenas as barbatanas, descartando o restante
do animal).

106
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

» Portaria Interministerial MPA/MMA nº 13/2015: prorroga até 2023 a


proibição do peixe mero (Epinephelus itajara) ameaçado de extinção.

» Instrução Normativa IBAMA nº 02/2001: estabelece procedimentos de


marcação de animais mantidos em determinadas categorias de cativeiro.

» Instrução Normativa IBAMA nº 31/2002: proíbe criadouros de répteis,


anfíbios e invertebrados para fins de criação de animais de estimação.

» Instrução Normativa IBAMA nº 141/2006: regulamenta o controle e o


manejo ambiental da fauna sinantrópica nociva.

» Instrução Normativa IBAMA nº 10/2011: regulamenta a criação amadora


e comercial de passeriformes nativos.

» Instrução Normativa IBAMA nº 07/2015: regulamenta as atividades de


Criadores de Fauna Silvestre.

» Instrução Normativa IBAMA nº 08/2017: estabelece os procedimentos


para a solicitação e emissão de autorização para captura, coleta e transporte
de material biológico no âmbito dos processos de licenciamento ambiental
federal.

» Portaria IBAMA nº 117/1997: estabelece procedimentos para a fiscalização


do comércio de animais vivos, abatidos, partes e produtos.

» Portaria IBAMA nº 93/1998: dispõe sobre a importação e exportação de


fauna silvestre.

» Portaria IBAMA nº 102/1998: normatiza os Criadores Comerciais de Fauna


Silvestre Exótica.

» Portarias IBAMA nº 444 e 445/2014: estabelecem as listas nacionais oficiais


de espécies ameaçadas de extinção da fauna terrestre e fauna aquática,
respectivamente.

» Resolução CONAMA nº 394/2007: estabelece critérios para a determinação


de espécies silvestres a serem criadas e comercializadas como animais de
estimação.

» Resolução CONAMA nº 457/2013: dispõe sobre o depósito e a guarda


provisórios de animais silvestre apreendidos ou resgatados.

107
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

» Resolução CONAMA nº 487/2018: dispõe sobre os padrões de marcação


de animais da fauna silvestre criados em cativeiro.

» Resolução CONAMA nº 489/2018: estabelece as categorias de


empreendimentos de uso e manejo em cativeiro da fauna silvestre e da
fauna exótica.

Diante o exposto, cabe ainda ressaltar que existem outras normas referentes
aos assuntos de manejo e gestão da fauna, bem como de atualização de normas
anteriores.

Nesse aspecto, podemos usar como exemplos as instruções normativas, ou


portarias, que estabelecem os períodos de defeso (período de reprodução de
espécies de peixes) de determinadas espécies ou bacias hidrográficas, os quais são
atualizadas constantemente, e até anualmente, com base em pesquisas científicas.

Abordaremos a seguir algumas normas que merecem destaque quando se trata de


manejo da fauna silvestre.

Resolução CONAMA nº 394/2007

Esta resolução estabelece os critérios para a formulação das listas de espécies da fauna
silvestre para criação e comercialização como animais domésticos. Além disso, são
determinados os prazos e outros procedimentos para a gestão da fauna através de
sistemas informatizados. Destacamos, portanto, o disposto no art. 3º:
Art. 3º. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA, no prazo de seis meses, a partir da data de publicação
desta Resolução, deverá publicar a lista das espécies que poderão ser
criadas e comercializadas como animais de estimação, observado o
disposto no art. 5º desta Resolução (grifo nosso – BRASIL, 2007).

Nesse sentido, podemos ainda observar os critérios recomendados a serem considerados


para a elaboração, inclusão ou exclusão de espécies da lista, conforme art. 4º:

» histórico de invasão e dispersão em ecossistemas no Brasil ou em outros


países, ou significativo potencial de invasão dos ecossistemas fora da sua
área de distribuição geográfica original;

» significativo potencial de risco à saúde humana e animal, ou ao equilíbrio


das populações naturais;

108
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

» possibilidade de introdução de agentes biológicos com significativo potencial


de causar prejuízos de qualquer natureza;

» risco de os espécimes serem abandonados ou de fuga destes;

» possibilidade de identificação individual e definitiva;

» conhecimento quanto à biologia, sistemática, taxonomia e zoogeografia da


espécie;

» condição de bem-estar e adaptabilidade da espécie para a situação de cativeiro


como animal de estimação.

Instrução Normativa IBAMA nº 10/2011

Conforme previsto na Resolução CONAMA nº 394/2007, a gestão da criação de


espécimes de passeriformes é realizada através de um sistema informatizado do IBAMA,
conhecido como SisPass, segundo as normas, conceitos e procedimentos estabelecidos
na Instrução Normativa (IN) nº 10/2011 do IBAMA.

O SisPass é um sistema informatizado para auxiliar a gestão e o controle do plantel


(conjunto de aves criadas em cativeiro) de criadores amadores de passeriformes. Esse
sistema é, portanto, uma ferramenta através da qual o órgão gestor tem acesso a todas
as etapas relativas ao processo de licenciamento e autorização para atividades como a
criação, reprodução, comercialização, manutenção, treinamento, exposição, transporte,
transferência e depósito, dentre outras atividades.

Esta IN estabelece três categorias para a criação de passeriformes: Criador Amador


de Passeriformes da Fauna Silvestre Nativa; Criador Comercial de Passeriformes da
Fauna Silvestre Nativa; e Comprador de Passeriformes da Fauna Silvestre Nativa.
Nesse aspecto, podemos destacar que ficam estabelecidos também os procedimentos
e as responsabilidades do criador em cada categoria.

Podemos observar no Anexo I dessa IN uma relação contendo 60 espécies de


passeriformes, de acordo com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos/
Sociedade Brasileira de Ornitologia.

No entanto, até o ano de elaboração desta apostila, não houve a publicação da


lista de espécies prevista na Resolução CONAMA nº 394/2007. Tal situação afeta
negativamente a gestão da fauna em cativeiro por não haver uma conformidade
quanto às espécies para criação com finalidade comercial.

109
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

Instrução Normativa IBAMA nº 7/2015

O Sistema Nacional de Gestão da Fauna Silvestre (SISFAUNA) é um sistema


eletrônico informatizado para auxiliar a gestão, o controle e o manejo da fauna
silvestre brasileira em cativeiro. Assim, esse sistema concentra as informações do
empreendimento de fauna silvestre, o empreendedor e o órgão gestor; este último
acessa a essas informações para realizar as análises do processo de licenciamento e a
fiscalização.

O SISFAUNA foi criado em âmbito federal e utilizado pelo IBAMA para a execução
do manejo e controle da fauna silvestre. Entretanto, a partir da publicação da Lei
Complementar (LC) nº 140/2011, a competência para licenciamento e gestão da fauna
silvestre passa a ser dos Estados, através do órgão ambiental estadual.

Vale ressaltar que processos iniciados antes da publicação da lei complementar continuam
sob responsabilidade do IBAMA. Somente os processos iniciados após a publicação da
LC deveriam ser direcionados ao órgão ambiental estadual.

Ainda considerando os dispositivos da LC, fica prevista a cooperação técnica de


repasse da gestão dos recursos faunísticos da esfera federal para a esfera estadual, para
a transferência mais adequada dos procedimentos.

Assim, precisamos considerar que o SISFAUNA é uma ferramenta de gestão da fauna


silvestre da União, a qual passou a ser também utilizada pelos gestores estaduais. Mas,
para tanto, foi estabelecido um acordo entre a União e os estados para a inclusão dos
servidores estaduais no sistema, bem como para o treinamento deles sobre a ferramenta.

Nesse interim, a IN IBAMA nº 7/2015 considera todo esse contexto de gestão estadual dos
recursos faunísticos e a existência do SISFAUNA. Dessa forma, apresenta dispositivos de
conceitos, normas, prazos e etapas do processo de licenciamento. Além disso, apresenta
também referências quanto aos processos anteriores e posteriores à publicação da lei
complementar.

Destacamos as categorias listadas na referida IN para a criação da fauna silvestre em


cativeiro, quais sejam:

» Centro de Triagem de Fauna Silvestre;

» Centro de Reabilitação da Fauna Silvestre Nativa;

» Comerciante de Animais Vivos da Fauna Silvestre;

110
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

» Comerciante de Partes, Produtos e Subprodutos da Fauna Silvestre;

» Criadouro Científico para Fins de Conservação;

» Criadouro Científico para Fins de Pesquisa;

» Criadouro Comercial;

» Mantenedouro da Fauna Silvestre;

» Matadouro, Abatedouro e Frigorífico; e

» Jardim Zoológico.

Outro aspecto importante desta IN são os seus anexos que tratam, entre outros termos,
das determinações para instalação e plano de manejo dos diversos grupos e espécies
permitidos nesses estabelecimentos.

Você pode complementar a sua leitura através do Diagnóstico da criação comercial


de animais silvestres no Brasil, publicado em 2019 pelo IBAMA e que apresenta
um panorama geral sobre a criação de animais no país, disponível em: https://
www.gov.br/ibama/pt-br/centrais-de-conteudo/2019-ibama-diagnostico-criacao-
animais-silvestes-brasil-pdf.

Resoluções CONAMA nº 457/2013, nº 487 e


nº 489/2018

Com a Resolução CONAMA nº 457/2013, foram definidos os procedimentos para


destinação de animais silvestres apreendidos ou resgatados pelos órgãos ambientais do
SISNAMA. Dentre estes, destacamos a definição dos seguintes documentos utilizados
para a destinação voluntária e provisória dos espécimes da fauna silvestre, antes
da destinação definitiva:

» Termo de Depósito de Animal Silvestre (TDAS): termo através do


qual o autuado assume voluntariamente o espécime e o dever de prestar os
devidos cuidados para manutenção e manejo do animal apreendido, objeto
da infração.

» Termo de Guarda de Animal Silvestre (TGAS): termo através do qual o


interessado, que não detinha o espécime, e que esteja devidamente cadastrado
no órgão ambiental competente, assume o dever de guarda do animal
resgatado, entregue espontaneamente ou apreendido.

111
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

Essa resolução trata, portanto, de normatizar a destinação provisória dos animais


silvestres, de forma que o órgão gestor pode solicitar a entrega do animal em qualquer
tempo e, excepcionalmente, o cancelamento dos termos em caso de flagrante de posse
ilegal de outro animal silvestre.

A Resolução CONAMA nº 487/2018 define os padrões de marcação de animais da


fauna silvestre, suas partes ou produtos, em razão de uso e manejo em cativeiro. Antes
de tudo, é importante destacar que marcação é definida como o procedimento de
identificação individual do espécime, utilizando métodos adequados à espécie.

Nessa resolução são estabelecidos os tipos de marcação, como: anilha aberta com
trava, anilha fechada, transponder, e lacre. Ao mesmo tempo, fica estabelecido que essas
marcações devem conter sistemas para impedir a adulteração e a falsificação, chamados
dispositivo antiadulteração e dispositivo antifalsificação, respectivamente.

Dessa forma, os espécimes criados em cativeiros passam a ter um procedimento


específico de identificação comum a todo o território nacional, sendo possível identificar
a origem, em caso de fuga, bem como rastrear as partes e os produtos, em caso de
comercialização.

A partir dessa resolução, é criada a Plataforma Nacional de Compartilhamento e


Integração de dados e informações, um sistema de gestão de uso e manejo da fauna
silvestre e exótica.

A Resolução CONAMA nº 489/2018 define as categorias de atividades ou


empreendimentos e estabelece critérios gerais para a autorização de uso e manejo em
cativeiro da fauna silvestre e da fauna exótica.

As categorias definidas, conforme art. 4º, são:

» Abatedouro Frigorífico;

» Centro de Triagem e Reabilitação;

» Criadouro Científico;

» Criadouro Comercial;

» Criadouro Conservacionista;

» Curtume;

112
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

» Empreendimento Comercial de Animais Vivos da Fauna Silvestre ou Fauna


Exótica;

» Empreendimento Comercial de Partes, Produtos e Subprodutos da Fauna


Silvestre ou Exótica;

» Mantenedouro de Fauna Silvestre ou Exótica; e

» Zoológico ou Jardim Zoológico.

No art. 2º são definidas as categorias que não se enquadram nessa resolução,


dentre as quais destacamos os empreendimentos de taxidermia, de meliponicultura,
de criação amadorista de passeriformes da fauna silvestre e empreendimentos
que utilizem, exclusivamente, espécimes dos grupos dos peixes, moluscos e
crustáceos aquáticos, excetuando aqueles classificados como jardins zoológicos.

Nesta resolução são descritos os dispositivos e procedimentos para emissão de


autorização e de apanha na natureza para formação de plantel. Portanto, as normas
descritas até aqui possibilitam que o órgão gestor tenha acesso às informações gerais
dos empreendimentos de criação da fauna silvestre e exótica em cativeiro, as quais são
fundamentais para a gestão e manejo dessa fauna.

Nesse aspecto, destacamos ainda o art. 18:


Mediante decisão fundamentada que comprove a necessidade da utilização de
indivíduo para conservação de espécie ameaçada de extinção, é facultado
ao órgão ambiental competente a sua retirada da posse do empreendimento
(grifo nosso – BRASIL, 2018).

Normas de manejo da fauna silvestre sinantrópica


e exótica
Como pudemos ver até agora, a legislação sobre a gestão da fauna no Brasil é bastante
extensa e repleta de novas atualizações, isso porque se trata de um tema também bastante
diverso e complexo. Nesse aspecto, iremos agora conhecer duas normas aplicadas em
território nacional para espécies com potencial nocivo.

113
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

Instrução Normativa IBAMA nº 141/2006

Essa IN trata sobre o controle e manejo da fauna sinantrópica nociva, mas, para
entendê-la melhor, vamos começar pelos seguintes conceitos:

» Fauna sinantrópica: populações animais de espécies silvestres nativas ou


exóticas, que utilizam recursos de áreas antrópicas, de forma transitória
em seu deslocamento, como via de passagem ou local de descanso; ou
permanente, utilizando-as como área de vida.

» Fauna sinantrópica nociva: fauna sinantrópica que interage de forma


negativa com a população humana, causando-lhe transtornos significativos
de ordem econômica ou ambiental, ou que represente riscos à saúde pública.

Fica estabelecido, portanto, a fauna que pode ser manejada por determinação dos
órgãos federais do Meio Ambiente, da Agricultura ou da Saúde: espécies de animais
como insetos hematófagos (mosquitos, p. ex.), helmintos (vermes, p. ex.), moluscos,
insetos peçonhentos, animais domésticos em situação de abandono (cães e gatos, p.
ex.), roedores (ratos) e morcegos, entre outros. O manejo desses grupos de animais
se dá diante de risco epidemiológico ou por serem considerados pragas agrícolas.

Podemos usar como exemplo o caramujo africano (Achatina fulica), natural do


continente africano e introduzido no Brasil para criação e comercialização como
escargot. No entanto, a produção foi abandonada e os animais se proliferaram em vários
estados do território nacional devido a sua rápida reprodução e ausência de predador
natural. Dessa forma, rapidamente sua população aumentou e chegou a devastar áreas
de plantações.

Por essa razão, é considerado uma praga agrícola, além de possuir potencial
epidemiológico por ser agente transmissor da meningite eosinofílica, um tipo
de meningite causada por um verme e, ainda, a carapaça descartada de forma irregular,
após a morte do animal, pode resultar em acúmulo de água e criatório de larvas do
mosquito transmissor da dengue.

114
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

Figura 39. Caramujo africano (Achatina fulica) é exemplo de fauna sinantrópica exótica, espécie que requer manejo
adequado e que causa preocupação no território brasileiro. As imagens são registros da proliferação do caramujo africano
nos estados do Maranhão (A) e São Paulo (B).

A B

Fonte: O Estado (2019) e Portal G1 (2007).

A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), no Rio de Janeiro, desenvolve pesquisas


relacionadas ao caramujo africano, bem como realiza treinamentos e cursos para
o controle e manejo adequados dessa espécie. Destacamos as seguintes notícias
publicadas pela Agência FIOCRUZ de Notícias para enriquecer seu conhecimento
sobre o tema:

» Especialista comenta os riscos que os caramujos africanos podem


representar para a população, disponível em: https://agencia.fiocruz.br/
especialista-comenta-os-riscos-que-os-caramujos-africanos-podem-
representar-para-a-popula%C3%A7%C3%A3o.

» Fiocruz capacita profissionais de saúde em malacologia médica, disponível


em: https://agencia.fiocruz.br/fiocruz-capacita-profissionais-de-saude-em-
malacologia-medica.

Instrução Normativa IBAMA nº 3/2013

Considerando o disposto na IN nº 141/2013, bem como em outras normas vigentes,


a IN nº 3/2013 estabelece a espécie exótica invasora javali-europeu (Sus scrofa)
como espécie nociva em todas as suas formas, linhagens, raças e diferentes graus de
cruzamento com o porco doméstico.

115
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

Figura 40. Javalis (Sus scrofa) vivendo livremente na natureza.

Fonte: (A) EMBRAPA (2019) e (B) Página Campeira (2020).

Esta é uma espécie onívora, ou seja, se alimenta de vegetais e animais e, ainda, é


considerada oportunista por não ter uma única preferência alimentar, mas sim podendo
se alimentar do que estiver disponível no ambiente. Além disso, é uma espécie exótica,
portanto, não é natural do Brasil e, por isso, não possui predadores naturais. Por essas
características, somado ao clima quente e à ampla disponibilidade de alimentos, essa
espécie teve condições adequadas para viver e se reproduzir em território brasileiro.

Considerada uma espécie que causa danos às lavouras e à vegetação nativa, através
do hábito de fuçar, ainda transmite doenças (leptospirose e febre aftosa), razões que a
enquadraram como espécie nociva pela IN nº 3/2013. Sendo assim, são estabelecidos
alguns critérios para o controle populacional do javali, como perseguição, abate e
captura.

Em 2017, foi publicado o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento


do Javali (Sus scrofa) no Brasil, contendo o planejamento com objetivos, ações, metas
e prazos estabelecidos para o controle de javalis. Observamos que o prazo máximo
para a conclusão de algumas ações está marcado para dezembro de 2021. Os objetivos
específicos do planejamento em questão são:

» revisar, criar e fortalecer instrumentos normativos visando o estabelecimento


de procedimentos integrados e adequados para o controle efetivo do javali;

» prevenir a expansão geográfica do javali no Brasil e a sua reinvasão em áreas


onde existe o controle da espécie;

» monitorar a abundância, distribuição e condição sanitária das populações de


javalis, seus impactos socioeconômicos e ambientais, bem como a efetividade
das atividades de prevenção e controle;

116
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

» mitigar os impactos negativos socioeconômicos e ambientais decorrentes


da invasão do javali;

» aprimorar a gestão do processo e eficácia do controle do javali;

» gerar conhecimento técnico-científico e capacitar públicos específicos sobre


o javali;

» manter a sociedade informada e sensibilizada sobre os riscos representados


pelos javalis e as ações necessárias para prevenção, controle e monitoramento.

Para suprir algumas pendências resultantes desta IN, foi publicada a IN IBAMA nº
12/2019 que, entre outras disposições, institui o sistema eletrônico específicos para o
manejo da fauna exótica intitulado Sistema Integrado de Manejo de Fauna (SIMAF).

Mais recentemente, em 2019, foi publicado um Plano de Monitoramento e Controle


de Javalis (Sus scrofa) – Floresta Nacional de Ipanema e Floresta Nacional de
Capão Bonito, voltado à aplicação nessas unidades de conservação. O documento
completo está disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cbc/images/stories/
Publica%C3%A7%C3%B5es/EEI/Plano_de_Monitoramento_Javali_2019.pdf.

Além disso, existem outros planos de controle de espécies exóticas, como os


direcionados ao coral-sol (Tubastraea coccinea e Tubastraea tagusensis) e ao
mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), elaborados e publicados pelo ICMBio e
disponíveis em: https://www.mma.gov.br/biodiversidade/conservacao-de-especies/
especies-exoticas-invasoras/planos-de-controle.html.

Projetos de alteração da Lei da Fauna


Nesse ponto, vamos refletir um pouco sobre os projetos de lei (PL) em tramitação
atualmente para a atualização da Lei da Fauna.

Para isso, precisamos considerar que até o momento se passaram 53 anos desde a
formulação da Lei da Fauna, em 1967, e que ao longo do tempo foram adicionadas
várias normas que regulamentam seus dispositivos. Ao mesmo tempo, as pesquisas
científicas e o impacto da sociedade humana sobre a biodiversidade também têm
aumentado no decorrer dos anos.

Não podemos esquecer que o Direito Ambiental está em constante evolução e, por
isso, devemos estar atentos ao exercício de nossos papeis como cidadãos e acompanhar
os projetos discutidos no Parlamento brasileiro.

117
Unidade IV | Legislação brasileira sobre fauna silvestre

Dessa forma, observamos que consta em discussão na Comissão de Meio Ambiente


e Desenvolvimento Sustentável, da Câmara dos Deputados, o PL nº 6.268/2016, que
dispõe sobre a Política Nacional de Fauna. No entanto, o projeto chama atenção porque
revoga a Lei da Fauna de 1967 em sua totalidade e revoga também o § 5º do art. 29
da Lei Federal nº 9.605/1998, que prevê o aumento da pena até o triplo, se o crime
decorre do exercício de caça profissional.

Por outro lado, estão apensos a este processo de tramitação outros dois projetos de
leis, o PL nº 7.129/2017 e o PL nº 3.276/2019. O primeiro refere-se à alteração de
termos da Lei nº 9.605/1998 e da Lei nº 9.985/2000 com o objetivo de normatizar o
abate e o controle de espécies exóticas invasoras, como forma de manejo. O segundo
refere-se à alteração da Lei nº 5.197/1967 de modo a agravar a pena sobre a violação
de alguns dispositivos desta lei.

Neste curso não temos a intenção de discutir as normas ambientais que ainda não
estão aprovadas, então não nos cabe discutir a fundo os benefícios ou prejuízos
ambientais dos projetos de lei citados. Nossa intenção é trazer informações
e conhecimento a vocês alunos e, mais uma vez, ressaltar que devemos estar
atentos às discussões como cidadãos atuantes que somos, afinal de contas, o
Direito Ambiental e, consequentemente, a proteção da biodiversidade brasileira
estão sempre em transformação.

Podemos então aproveitar e refletir individualmente: o que podemos fazer para


auxiliar na proteção à fauna silvestre?

Diante das informações obtidas até aqui, neste curso, quais atitudes podemos
tomar para melhorar a gestão da fauna no espaço em que vivemos e atuamos? E,
no papel de eleitores, vocês estão acompanhando as pautas dos representantes
eleitos?

Nesta unidade, tratamos especificamente das normas vigentes referentes à


proteção, gestão e manejo da fauna silvestre brasileira. Destacamos, portanto:

» Lei de Proteção à Fauna, instituída através da Lei Federal nº 5.197/1967;

» Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Pesca e Aquicultura,


instituída através da Lei Federal nº 11.959/2009;

» Lei de Crimes Ambientais, instituída através da Lei Federal nº 9.605/1998;

» novo ordenamento de competências dos entes federativos, Lei Complementar


nº 140/2011;

» ordenamentos jurídicos referentes aos sistemas eletrônicos de controle e


manejo de espécies criadas em cativeiro, como o SISPASS, aplicado para

118
Legislação brasileira sobre fauna silvestre | Unidade IV

espécies de aves do grupo passeriformes, e o SISFAUNA, aplicado a diversas


espécies da fauna silvestre criadas em cativeiros;

» normas e planos de manejo de espécies da fauna silvestre exóticas e


consideradas nocivas encontradas em território brasileiro, como o caramujo
africano e o javali;

» normas em discussão, projetos de lei, para alteração e atualização da Lei da


Fauna e Lei de Crimes Ambientais.

Conhecidos os principais ordenamentos de gestão da fauna silvestre, trataremos


a seguir sobre as estratégias e a aplicação de programas para a conservação de
espécies ameaçadas de extinção.

119
CONSERVAÇÃO DA
FAUNA SILVESTRE UNIDADE V

CAPÍTULO 1
Listas de espécies ameaçadas de
extinção

Listas internacionais de espécies ameaçadas


As listas de espécies ameaçadas são elaboradas e atualizadas através de parcerias entre
instituições de pesquisa e instituições gestoras. Essas listas são fundamentais para a
elaboração de normas de manejo e conservação das populações, bem como dos habitats,
de espécies ameaçadas.

A principal lista internacional de avaliação da biodiversidade ameaçada de extinção


é coordenada pela União Internacional para a Conservação da Natureza
(International Union for Conservation of Nature – IUCN), conhecida como
IUCN Red List of Threatened Species. Essa lista é produzida com a cooperação de
profissionais de diversas instituições em todo o mundo que utilizam critérios técnicos
de avaliação específicos.

Assim, são estabelecidas nove categorias de avaliação conforme a Tabela 4:

Tabela 4. Categorias de avaliação para a conservação de espécies ameaçadas de extinção.

Categoria Sigla (inglês)


Não avaliada NE
Dados insuficientes DD
Pouco preocupante LC
Quase ameaçada NT
Vulnerável VU
Em perigo EM
Criticamente ameaçada CR
Extinta na natureza EW
Extinta EX
Fonte: IUCN (2020).

120
Conservação da fauna silvestre | Unidade V

Figura 41. Ilustração de sede administrativa da IUCN.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/bonn-north-rhinewestphaliagermany-28-11-18-1416418004.

Podemos destacar ainda que essas categorias de avaliação são também conhecidas
na literatura científica como status de conservação das espécies.

As categorias consideradas ameaçadas, em risco de extinção, são: Vulnerável, Em


perigo e Criticamente ameaçada. A categoria Extinta na natureza refere-se
às espécies que não existem mais em seus ambientes naturais conhecidos, restando
apenas os animais criados em cativeiros ou, ainda, restando tão poucos indivíduos na
natureza que estes já não cumprem efetivamente o papel da espécie no ecossistema.

As espécies classificadas na categoria Dados insuficientes são aquelas sobre as quais


não existem informações técnicas e científicas adequadas para concluir a sua avaliação.
Dessa forma, não é uma categoria de risco de extinção, mas chama a atenção para que
sejam realizadas pesquisas direcionadas sobre a distribuição, o habitat e a condição das
populações dessa espécie.

Você pode saber mais da Lista de Espécies Ameaçadas da IUCN em sua página
eletrônica, bem como pode conhecer mais sobre os processos de atualização, os
componentes e como fazer parte desta rede de colaboração: https://www.iucn.org/.

Podemos destacar também a Convenção Internacional sobre o Comércio de


Espécies da Fauna e Flora Selvagens em Perigo de Extinção (Convention on
International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora – CITES), que
também é uma cooperação técnica internacional para monitorar as espécies e seus
produtos. Essa convenção também apresenta suas informações e classificação das
espécies disponíveis para acesso em sua página eletrônica: https://www.cites.org/.

121
Unidade V | Conservação da fauna silvestre

Listas nacionais de espécies ameaçadas


A mais recente lista nacional de espécies da fauna ameaçadas de extinção foi publicada
nas Portarias MMA nºs 444 e 445/2014, com mais de mil espécies descritas com algum
grau de ameaça. Mais recentemente, em 2018, foi publicado o Livro Vermelho da
Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, sob coordenação do ICMBio. Nesse livro
está descrito todo o processo de avaliação das espécies, os profissionais envolvidos e
a metodologia utilizada.

É importante ainda ressaltar que as espécies inseridas nessas listas nacionais são
consideradas protegidas, uma vez que a portaria proíbe a captura dessas espécies em
seus habitats.

A avaliação das espécies utiliza critérios internacionais, definidos pela IUCN, e também
critérios da norma nacional, conforme a Instrução Normativa ICMBio nº 34/2013.
Essa IN disciplina as diretrizes e os procedimentos para a Avaliação do Estado de
Conservação das Espécies da Fauna Brasileira, dentre outros procedimentos.

Nesse aspecto destacamos que a avaliação técnica do grau de conservação das espécies
é realizada em parceria com diversos profissionais especialistas e grupos de estudo e
pesquisa das universidades.

Fica também estabelecido o Sistema de Informação das Espécies da Fauna Brasileira


– ESPÉCIES, com o objetivo de armazenar os dados das espécies avaliadas e fornecer
informações para a gestão. Observa-se ainda que dados de localização, especialmente
das espécies ameaçadas, podem ser reservados com publicação restrita, como forma
de preservação.

Nas listas nacionais, são utilizadas as mesmas categorias adotadas pela IUCN, sendo as
inseridas nas Portarias nºs 444 e 445/2014 aquelas classificadas como Vulneráveis,
Em perigo e Criticamente ameaçadas.

Para a publicação do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção


foram avaliadas mais de 12 mil espécies dentre mamíferos, répteis, aves, anfíbios,
insetos, crustáceos, moluscos, aracnídeos, e outros grupos. Esse trabalho foi
realizado por meio de consulta a uma extensa lista de pesquisadores e especialistas
desses grupos distribuídos por todo o território nacional.

122
Conservação da fauna silvestre | Unidade V

A publicação foi dividida em sete volumes, dos quais o Volume I contém a


apresentação geral, lista de táxons avaliados, metodologia utilizada e os variados
participantes em todo o processo, e os demais volumes abordam os grandes grupos:

» Volume II – Mamíferos;

» Volume III – Aves;

» Volume IV – Répteis;

» Volume V – Anfíbios;

» Volume VI – Peixes; e

» Volumes VII – Invertebrados.

Todos estão disponíveis para acesso e download na página eletrônica do ICMBio:


https://www.icmbio.gov.br/portal/component/content/article/10187.

123
CAPÍTULO 2
Programas de Proteção à Fauna

Programa Pró-Espécies
O Programa Nacional de Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção,
conhecido como Pró-Espécies, é uma política pública, instituída pela Portaria MMA
nº 43/2014, cujo objetivo é estabelecer e adotar medidas para a prevenção, conservação,
manejo e gestão para reduzir os riscos de extinção das espécies em território nacional.

Para este planejamento também são utilizadas as classificações de ameaça de extinção


estabelecidas pela IUCN. O Programa Pró-Espécies é coordenado pelo Ministério
do Meio Ambiente em articulação com instituições de pesquisa, universidades e
os Ministérios de Ciência e Tecnologia e da Educação. A ação conjunta dos diversos
órgãos e setores da sociedade tem por objetivo o estabelecimento de parcerias para
gerar informações e implementar ações de gestão das espécies com risco de extinção.

Como acabamos de ver, a execução do Pró-Espécies é realizada por parcerias, sendo


importante destacar a participação direta do ICMBio para a execução de ações como
a avaliação e publicação da lista de espécies ameaçadas, bem como a elaboração de
Planos de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção
(PAN), sobre os quais trataremos em seguida.

Figura 42. Logo do Programa Pró-Espécies e exemplar de jandaia-amarela (Aratinga solstitialis), espécie classificada como
em perigo de extinção e contemplada no PAN Aves Amazônicas.

Fonte: (A) Pró-Espécies, https://www.funbio.org.br/wp-content/uploads/2018/04/logomarca-Pró-Espécies.png; e (B) Ministério do Meio


Ambiente, ICMBio (2016), https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-pan/pan-aves-da-amazonia/1-ciclo/pan-aves-da-amazonia-
sumario.pdf – foto de Thiago Laranjeiras.

Além disso, destacamos ainda a necessidade de captar e mobilizar recursos para a


implementação do Pró-Espécies, razão pela qual podemos destacar o Fundo Mundial
para o Meio Ambiente (Global Environmental Facility Trust Fund – GEF). O GEF-

124
Conservação da fauna silvestre | Unidade V

Pró-Espécies atualmente financia projetos conjuntos em 24 territórios de 13 estados


brasileiros, em prol da conservação de espécies em risco de extinção.

Podemos destacar as parcerias com os seguintes estados: Amazonas (AM), Pará (PA),
Tocantins (TO), Maranhão (MA), Bahia (BA), Goiás (GO), Minas Gerais (MG), São
Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Espírito Santo (ES), Santa Catarina (SC), Paraná (PR)
e Rio Grande do Sul (RS).

Com o objetivo de auxiliar na implementação do Programa Pró-Espécies, e ainda


cumprir metas internacionais de conservação, foi instituído o Projeto Estratégia
Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, que visa
priorizar ações e oportunidades para a conservação das espécies ameaçadas de extinção
até o ano de 2022, conforme Portaria MMA nº 444/2018.

Planos de Ação Nacional para a Conservação das


Espécies Ameaçadas de Extinção
Conhecidos como PAN, os Planos de Ação Nacional para a Conservação das Espécies
Ameaçadas de Extinção ou do Patrimônio Espeleológico são planejamentos para a
conservação da biodiversidade brasileira (Portaria MMA nº 43/2014). Esses planos
são elaborados com diversas parcerias institucionais que se dividem em ações e metas
para a conservação de espécies ameaçadas.

Conforme dados do Ministério do Meio Ambiente, até o ano de 2020, 884 espécies
ameaçadas de extinção estavam contempladas em um total de 48 PANs. Portanto,
esse é mais um importante plano de gestão para a conservação da biodiversidade.

Devemos destacar que, nesses programas de conservação da biodiversidade, a


realização de parceria com as diversas instituições se mostra fundamental para
a aquisição de informações e execução das atividades.

Podemos destacar especialmente as instituições que desenvolvem pesquisas


científicas, como universidades e ONGs, as quais fornecem as principais
informações para subsidiar o planejamento e, posteriormente, o monitoramento
do status de conservação das espécies e seus habitats.

Como o Pró-Espécies, os PANs são ferramentas construídas de forma participativa com


órgãos públicos, instituições de pesquisa e ONGs envolvidas com a espécie, ou com
o ecossistema, em questão. As normas para elaboração, implementação e atualização
dos PAN são estabelecidos pela Instrução Normativa ICMBio nº 21/2018. Assim, são

125
Unidade V | Conservação da fauna silvestre

definidas as etapas de todo o processo e o Grupo de Assessoramento Técnico (GAT),


que acompanha esse processo de forma contínua.

Depois de elaborados, os PANs são monitorados ao longo de cinco anos, por meio de
avaliação dos relatórios de cumprimento das ações e metas (ver Figura 43).

Figura 43. Ciclo de planejamento e monitoramento do PAN.

Fonte: Adaptado de Ministério do Meio Ambiente, ICMBio (2020), https://www.icmbio.gov.br/portal/unidadesdeconservacao/biomas-


brasileiros/marinho/unidades-de-conservacao-marinho/60-fauna-brasileira/2742-plano-de-acao-nacional-saiba-mais.

É importante ressaltar que os institutos públicos ICMBio e IBAMA são bastante ativos
na elaboração de estratégias e programas para a conservação da biodiversidade,
atuando nos mais diversos cenários para auxiliar na execução da PNMA.

Podemos ainda destacar, como estratégias para a conservação da fauna silvestre


em território brasileiro, os Planos de Redução de Impacto (PRIM) elaborados pelo
ICMBio para auxiliar na gestão, no planejamento e nos estudos de avaliação de
impactos ambientais voltados para os processos de licenciamentos ambiental.

Assim, foi publicado em 2018 o PRIM de Impactos de Infraestruturas Viárias


Terrestres sobre a Biodiversidade, com o objetivo de identificar áreas com a
biodiversidade mais sensível a esses tipos de empreendimentos.

Nesse sentido, estão no planejamento do ICMBio a publicação de outros três


planos desta série:

» Planos de Redução de Impacto de Hidrelétricas da Amazônia à Biodiversidade;

126
Conservação da fauna silvestre | Unidade V

» Planos de Redução de Impacto de Exploração de Petróleo e Gás à Biodiversidade


Marinha e Costeira;

» Planos de Redução de Impacto da Mineração à Biodiversidade.

O PRIM já publicado e o cronograma de planejamento para publicação dos demais


está disponível na página do ICMBio, em: https://www.icmbio.gov.br/portal/
faunabrasileira/planos-de-reducao-de-impacto.

Nesta unidade, abordamos os seguintes temas:

» Listas de cooperação internacional para a conservação de espécies ameaçadas


de extinção, com destaque para a IUCN e CITES.

» Categorias de ameaça utilizadas internacionalmente para a elaboração de


plano de manejo e conservação das espécies.

» O esforço para a elaboração de listas de animais silvestres ameaçados de


extinção em território brasileiro, utilizando da cooperação entre os órgãos
públicos responsáveis pela gestão da fauna e as instituições e profissionais
de ensino para o desenvolvimento de pesquisas sobre o tema.

» O Programa Pró-Espécie como uma política pública que visa promover a


gestão, o manejo e a conservação de espécies ameaçadas de extinção.

» Os Planos de Ação Nacionais direcionados a espécies ou grupos específicos


para promover o desenvolvimento de ações sobre a situação das espécies e
para promover a conservação destas.

» A criação dos Planos de Redução de Impactos como ferramentas para reduzir o


impacto resultante da instalação de empreendimentos sobre a fauna silvestre.

Diante de todos os temas abordados nesta apostila, esperamos que os alunos


tenham compreendido a importância da adoção de práticas sustentáveis com os
mínimos impactos sobre a fauna silvestre.

Esperamos ainda que o conhecimento adquirido até aqui seja um impulso para a
busca por mais informações e para o desenvolvimento de projetos que melhorem
a gestão ambiental e da fauna silvestre nos espaços de atuação de cada um dos
alunos.

127
REFERÊNCIAS

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