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2ª Aula – DIREITO PROCESSUAL PENAL – 18-09-2018 (terça-feira)

INTRODUÇÃO AO DIREITO PROCEESUAL PENAL

1. Definição e base legal (CPP 1987): o DPP como um ramo de Direito Público.
2. Caracterização e consequências da natureza pública do DPP.
3. O sistema português e o sistema anglo-americano: direcção da investigação;
negociação da culpa (plea bargaining); processo de partes; intervenção do Tribunal de
Julgamento, o papel do júri.
4. Síntese das características: legalidade, Judicialidade e interesse público.
5. Prevenção, pena e processo. As finalidades do processo penal.
6. A relação entre o Direito Penal e o Processo Penal.
7. A presunção de inocência (32º/2 CRP) e a natureza constitutiva do processo penal em
relação ao conceito de crime.
8. Pressupostos substantivos e pressupostos processuais da responsabilidade criminal: o
facto, a conexão imediata com o facto e os elementos estranhos ao facto (necessidade
de processo).
9. As garantias substantivas e processuais (arts 29º e 27º, 28º, 31º, 32º, 33º, 34º CRP)
10. A tensão e equivalência entre as garantias. A concordância prática entre interesses
conflituantes.

LEITURAS:
JFD – DPP, fasc. 1988, p.3-34
GMS – DPP, vol. I (2017, p. 13-44
MJA – DPP, 2016, p. 7-19
FCP – DPP, fasc. 1998, p. 1-27

INTRODUÇÃO

O DPP é o ramo do direito publico que organiza regras e procedimentos que se devem seguir
para ocorrer a tramitação do processo.
Regras essenciais do DPP estão reunidas no Código Processo Penal de 1987.

O Direito Processual Penal insere-se no ramo do direito público, sendo as suas regras
imperativas e seguindo a ordem do interesse público. O Direito Penal (DP) português não
possui um processo semelhante ao direito civil, ou a outros sistemas como o inglês ou norte-
americano. Em regra, o DP não é direito disponível à vontade das partes (sujeitos processuais –
nomenclatura correcta), a margem de actuação deixada aos intervenientes é limitada.

A Relevância das acusações particulares: em Portugal ninguém pode colocar outra pessoa em
tribunal no âmbito do processo, a não ser nos crimes particulares. Em regra, a acusação ou é
pública ou é controlada pelas entidades públicas, ou seja, nos crimes públicos e semi-públicos
a tramitação do processo está nas mãos de uma entidade pública.

O Processo Penal é uma regulação de direito público para prosseguir interesses públicos.
Nos sistemas anglo-americanos a investigação é feita preliminarmente e autonomamente pela
polícia, enquanto que em Portugal que investiga inicialmente é o Ministério Público.

Negociação da culpa nos sistemas anglo-americanos: polícia pode negociar com o


arguido ou o seu advogado a sua acusação ou a sua imunidade. Em Portugal isso não
acontece. Em Portugal, um acusado de crime penal (arguido), em caso de colaboração
no processo penal por parte deste, poderá dar origem a um atenuamento da
condenação, mas nunca uma situação de imunidade. Isto também pode gerar uma
desigualdade em termos económicos e sociais, pois tem mais interesse de ser dada a
oportunidade de negociar a quem pratica mais crimes e quem tem um maior estatuto
económico-social.