Você está na página 1de 76
Wilson Palhares No esforço para identificar rumos e detectar inovações está a participação crescente em eventos

Wilson Palhares

No esforço para identificar rumos e detectar inovações está a participação crescente em eventos nacionais e internacionais. Isso faz parte do empenho de fazer uma revista cada vez mais útil

Viagens que adensam a qualidade

E
E

m seus quase seis anos de atuação no

mercado (mais seis meses de planejamento que consumiu para ser lança-

da),E MBALAGEM M ARCA

acumulou respeitável ban-

co de dados. Hoje, esse da- tabase possibilita, primeiro, fundamentar com conteúdo cada vez mais denso as re- portagens e os artigos pu- blicados regularmente na revista. Em segundo, serve para ali- cerçar um trabalho que, nas edições de dezembro, se transforma em útil docu- mento de consulta. Trata-se de Tendências e Perspecti- vas, um balanço/prognósti-

co que, sem pretensão de ser professoral, busca iden- tificar rumos possíveis da economia e dos negócios, em especial os relacionados à cadeia de embalagem. Dentro do esforço para

identificar caminhos e de- tectar inovações está a par- ticipação crescente em eventos nacionais e interna- cionais. Nestas, em outu- bro, mal uma parte da equi- pe retornara da Label Expo em Chicago, outra arruma- va as malas para a Pack Expo, na mesma cidade, meio tempo em que alguém regressava da feira K, em Düsseldorf. Ainda em no- vembro, mais dois partirão

para o salão Emballage, em Paris, e em abril próximo irão à Interpack, novamente em Düsseldorf. Para alguns, essa movimen- tação pode parecer passeio, mas é trabalho em que se adensa a qualidade editori- al, se amplia o relaciona- mento e o volume de infor- mação em nível global e se alimenta a ambição de fa- zer uma publicação cada vez mais útil aos profissio- nais de embalagem. Sem o atrevimento de intitular-se “líder”, “a maior”, ou “a melhor”, EMBALAGEMMAR- CA continua se empenhando para melhorar sempre. Até dezembro.

n º 63 • novembro 2004 Reportagem de capa: 8 Cremes Dentais Diante de boas perspectivas

nº 63 novembro 2004

  • Reportagem de capa:
    8 Cremes Dentais

Diante de boas perspectivas para um mercado estagnado em inovações de embalagem, fornecedores se movimentam

  • Making Of
    16 O passo-a-passo da criação da capa desta edição, com a

integração de vários parceiros

Internacional

  • 20 Jones Soda amplia estratégia de publicarfotos dos con- sumidores a suas novas multipacks

n º 63 • novembro 2004 Reportagem de capa: 8 Cremes Dentais Diante de boas perspectivas

Cartonadas

  • 24 Tetra Pak quer difundir alternati- va de impressão mais nobre em caixinhas longa vida de leites

  • Design
    28 Na 6ª Semana Abre do Design de Embalagem, o destaque foi a força vendedora do branding

K’2004

  • 42 Na cobertura da grande feira mundial da cadeia de plásticos, a boa presença das empresas brasileiras Entrevista:

    • 50 Vice-presidente da Abief, Rogério Mani fala sobre o mer- cado de embalagens flexíveis, e a participação da entidade na K Reciclagem

    • 58 Químico cria sistema de lavagem de embalagens de lubrificantes

    • 60 Aço Indústria gaúcha reposiciona seu achocolatado através da utilização de lata com tampa prática

A capa desta edição foi impressa pela Antilhas em Papelcartão Art Premium Novo 250g/m 2 , da Ripasa, termolaminada com filme Prolam ® aplicado pela Lamimax.

3

Editorial

A essência da edição do mês, nas palavras do editor

  • 22 Internacional

 

Destaques e idéias de mercados estrangeiros

  • 64 Display

Lançamentos e novidades e seus sistemas de embalagens

  • 66 Panorama

Movimentação na indústria de embalagens e seus lançamentos

  • 70 Painel Gráfico

 

Novidades do setor, da criação ao acabamento de embalagens

  • 74 Almanaque

Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens

n º 63 • novembro 2004 Reportagem de capa: 8 Cremes Dentais Diante de boas perspectivas
  • 32 Investimentos Inaugurada no país fábrica de impressão de rótulos heat transfer

  • 34 Pirataria Selo de segurança elimina falsificações de autopeças

  • 38 Consolidação Com a compra da PP Print, Sol PP fortalece atuação em rótulos de BOPP

  • 39 Curtas Materiais, equipamentos e processos de decoração, identificação e rastreabilidade

Diretor de Redação
Diretor de Redação

Wilson Palhares

palhares@embalagemmarca.com.br

Reportagem

redacao@embalagemmarca.com.br

Flávio Palhares

flavio@embalagemmarca.com.br

Guilherme Kamio

guma@embalagemmarca.com.br

Leandro Haberli Silva

leandro@embalagemmarca.com.br

Diretor de Arte

Carlos Gustavo Curado

arte@embalagemmarca.com.br

Assistente de Arte José Hiroshi Taniguti

Administração Marcos Palhares (Diretor de Marketing) Eunice Fruet (Diretora Financeira)

Departamento Comercial

comercial@embalagemmarca.com.br

Karin Trojan Wagner Ferreira Circulação e Assinaturas

Marcella de Freitas Monteiro assinaturas@embalagemmarca.com.br Assinatura anual: R$ 90,00

Público-Alvo

EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais que ocupam cargos técnicos, de direção, gerência e supervisão em empresas fornecedoras, con- vertedoras e usuárias de embalagens para ali- mentos, bebidas, cosméticos, medicamentos, materiais de limpeza e home service, bem como prestadores de serviços relacionados com a cadeia de embalagem.

Filiada ao

Diretor de Redação Wilson Palhares palhares@embalagemmarca.com.br Reportagem redacao@embalagemmarca.com.br Flávio Palhares flavio@embalagemmarca.com.br Guilherme Kamio guma@embalagemmarca.com.br Leandro Haberli

Esta revista foi impressa em Papelcartão Art Premium Novo 250g/m 2 (capa) e papel Image Mate 90g/m 2 (miolo), fabricados pela Ripasa S/A Celulose e Papel, em harmonia com o meio ambiente.

Impressão: Congraf Tel.: (11) 5563-3466 Laminação: Lamimax Tel.: (11) 3644-4128

Filme da laminação: Prolam Tel.: (11) 3611-3400

EMBALAGEMMARCA é uma publicação mensal da Bloco de Comunicação Ltda. Rua Arcílio Martins, 53 Chácara Santo Antonio - CEP 04718-040 São Paulo, SP Tel. (11) 5181-6533 Fax (11) 5182-9463

Filiada à

Diretor de Redação Wilson Palhares palhares@embalagemmarca.com.br Reportagem redacao@embalagemmarca.com.br Flávio Palhares flavio@embalagemmarca.com.br Guilherme Kamio guma@embalagemmarca.com.br Leandro Haberli

www.embalagemmarca.com.br

O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é resguardado por direitos autorais. Não é permi- tida a reprodução de matérias editoriais publi- cadas nesta revista sem autorização da Bloco de Comunicação Ltda. Opiniões expressas em matérias assinadas não refletem necessaria- mente a opinião da revista.

FOTOS: STUDIO AG ANDRÉ GODOY

reportagem de capa >>> cremes dentais

Cenário sorridente, u

Por Guilherme Kamio

Indícios de aquecimento do mercado nacional de cremes e géis dentais movimentam fornecedores de embalagens, que esperam maiores apostas da clientela em apresentações inovadoras

8 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

R ecentemente, o ministério da Saúde divulgou um dado alarmante: 40% dos brasileiros encontram-se à mar-

FOTOS: STUDIO AG – ANDR É GODOY reportagem de capa >>> cremes dentais Cenário sorridente, u

gem do consumo de itens básicos de higiene bucal. Na ponta do lápis, esse índi- ce resulta num contingente de 72,8 milhões de indivíduos, praticamente o dobro da população da Argentina. Analisado por outra embocadu- ra, a dos negócios, o anúncio mostra o poten- cial de crescimento para as vendas de cremes e géis dentais no país. Some-se a isso a sensação de bons ventos para a economia, importante no desempenho desse segmento – no último decênio, o setor sempre deslanchou em anos de atividade aque- cida, como no 1995 de euforia do Real, com evolução de 24,5% em volume de vendas, con- forme revela um monitoramento da AC Nielsen – e o cenário à frente é sorriden- te. O ano passado já foi bom para o setor, com faturamento de 1,197 bilhão de reais, 17% a mais que em 2002, e a Abihpec – Associação Brasileira da In- dústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos espera que as vendas do produto cresçam ao menos 10% em 2004. Também concorre para a ex- pectativa de um boom dos dentifrícios o Brasil Sorridente, programa de governo que já iniciou a distribuição gratuita de escovas e cremes a 30% dos usuários do sistema públi- co de saúde bucal, cerca de 12,5 milhões de pessoas, e que pretende aumentar gradativa- mente o número de contemplados. Os fornecedores de embalagens do setor também aguardam com grande expectativa a confirmação desse cenário positivo. Mas não só pelos previsíveis maiores volumes de entre- gas decorrentes do aquecimento do consumo. Para boa parte deles, uma grande alta das ven- das pode acarretar um natural amadurecimento do mercado, desviando o foco das guerras de preços que atualmente o assolam – e que, inva- riavelmente, vêm restringindo investimentos dos fabricantes em embalagens mais práticas, convenientes e atraentes. “Infelizmente o qua- dro do mercado de creme dental vem levando à ‘commoditização’ de suas embalagens”, re-

m convite para inovações

sume Walter Schalka, diretor-executivo da Di- xie-Toga, uma das grandes fornecedoras na- cionais de tubos laminados, as bisnagas cujas paredes são formadas por camadas de polieti- leno e alumínio que acondicionam 99% dos cremes dentais do país. Ele lembra que os cre- mes nacionais, em linhas de combate com pre- ço médio na casa do 1 real, são os “mais bara- tos do mundo, sem paralelo nem em países asiáticos”.

Nem as líderes

“As marcas com maior valor agregado teriam como repassar custos incrementais decorrentes de inovações e para elas temos disponíveis uma ampla gama de materiais, terminações e tampas”, aponta Marcio Azevedo, gerente de marketing da Alcan Packaging Cebal, outra força da seara de tubos laminados e detentora da conta da Unilever, segunda maior produto- ra de creme dental do país, só atrás de outra multinacional, a Colgate-Palmolive. “Mesmo assim a demanda seria pequena, pois o consu- midor é bastante sensível às variações de preço dos cremes dentais”, ele pondera. O crescimento da concorrência, entretanto, pode vir a ser um motor de inovações. Embo- ra as três principais marcas nacionais de cre- mes dentais – Colgate, Sorriso e Close Up – detenham perto de 80% do mercado, segundo dados de 2003 da AC Nielsen, operações pe- quenas e médias de cremes dentais vêm sendo abertas no país nos últimos anos. O mesmo instituto de pesquisas calcula já existirem no Brasil, hoje, quinze fábricas, produtoras de 23 marcas e 112 versões de cremes e géis dentais, números engrossados no passado recente. “Marcas regionais e de médio porte têm surgi- do às pencas nos últimos dois anos”, confirma um profissional da área de embalagens que pede para não ser identificado. E esses médios e pequenos negócios têm vingado, querem aumentar seu quinhão de mercado e são operações atraentes. Prova disso é a recente venda, sem valores revelados, da pernambucana Bonamil, dona da marca de creme dental 100% Branco, para a gaúcha Condor, uma das cinco maiores fabricantes de

CARTEIRA – Alcan Packaging Cebal afirma fornecer tubos a cerca de 60% dos fabricantes locais de

CARTEIRA – Alcan Packaging Cebal afirma fornecer tubos a cerca de 60% dos fabricantes locais de dentifrícios

trabalhos com hot stamping, cold foil e uma série de decorações de apelo. Tais investimen- tos dependem exclusivamente dos clientes”, ressalta Schalka. Ele exemplifica com os tubos laminados do tipo stand-up, que param em pé nas gôndolas, atualmente fornecidas pela Dixie Toga para as linhas de cremes infantis de seu maior cliente blue chip da área, a Colgate-Palmolive. Por sua vez, Antônio Assis, gerente de contas da Alcan Packaging Cebal, divulga que a empresa disponibiliza tubos do tipo “non-foil”, formados por laminados com barreira interna em EVOH em vez da de alumínio, que garante as mesmas pro- priedades, porém com superfícies brancas ou translúcidas, ideais para géis dentais colori- dos, e deposita esperança nos laminados pig- mentados, chamados “designer web”. Um desenvolvimento em andamento é o Dual Tube, um tubo com outro em seu interior, destinado a produtos que exigem que duas for- mulações sejam mantidas em compartimentos separados até o momento de uso. Nos Estados Unidos já existem dentifrícios de sucesso des- se gênero, que combinam um gel de branquea- mento e outro anticárie, só “unidos” quando o tubo é apertado. “Essas e outras tecnologias inovadoras têm sido de maior interesse do mercado de cosméticos e cosmecêuticos, face ao valor agregado desses produtos em relação aos dentifrícios”, relata Azevedo.

escovas dentais do país. A compradora preten- de se valer da presença de seus produtos em 300 000 pontos-de-venda no território nacional para ampliar o negócio de creme dental e afir- ma já ter adquirido novas máquinas para au- mentar sua produção. Embora seja marca emergente, o 100% Branco é comercializado em tubos laminados da Alcan Packaging Cebal e da Dixie Toga, exatamente os mesmos das líderes de mercado. Do mesmo modo, o visual estampado em suas embalagens também é muito parecido ao dos grandes players. “É um quadro que nos leva a indagar se não pode ocorrer com os cremes dentais uma situação semelhante à deflagrada pela garrafa de PET no mercado de refrigeran- tes”, suscita Guilherme Arcuri, diretor co- mercial da Simbios-Pack, distribuidora para o Brasil de uma das principais chance- las de máquinas envasadoras para tubos de creme dental do mundo, a sueca Norden. “O pequeno e médio empresariado têm se cons- cientizado de que para brigar no mercado de creme dental é preciso investir em maquiná- rio de ponta, e nossos projetos para essa clien- tela têm aumentado nos últimos anos”, desta- ca o profissional (a propósito, ele relata se en- contrar em conversas para fornecer máquinas para um novo atuante da área de creme dental, a se instalar no Nordeste). Trata-se de mais um indicativo de que o aprimoramento das embalagens não é conse- lho fortuito às marcas líderes. “Possuímos todo o aporte tecnológico e know-how para realizar

CARTEIRA – Alcan Packaging Cebal afirma fornecer tubos a cerca de 60% dos fabricantes locais de

NICHO – Bisnaga lamina- da do tipo stand-up, da Dixie Toga, é usada pela Colgate somente em sua linha de géis para o público infantil

CARTEIRA – Alcan Packaging Cebal afirma fornecer tubos a cerca de 60% dos fabricantes locais de
CARTEIRA – Alcan Packaging Cebal afirma fornecer tubos a cerca de 60% dos fabricantes locais de

APOSTAS – Cartuchos de recentes lançamentos da Unilever exigiram da Brasilgráfica uso de hot stamping (acima) e da cor preta (abaixo)

Cartuchos mais nobres

Todavia, merece registro que, apesar de inci- pientes, inovações em embalagens de cremes dentais já estão ocorrendo – talvez até influen- ciadas pela maior presença de produtos impor- tados nas gôndolas nacionais (veja quadro so- bre Crest). Bons exemplos são os cartuchos de papel cartão de recentes lançamentos da Unile-

10 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

Líder americana volta ao Brasil

Certa de que pode cavar um bom nicho de negócios em meio ao domínio da Unilever e da Colgate em cremes den- tais, a Procter & Gamble, sem muito alarde, acaba de recolocar no varejo a Crest, marca l í der do mercado americano, onde lhe gera re- ceita anual de 1 bilhão de dó- lares. Ela passeou por aqui, via importações, em meados dos anos 90, mas a opera- çã o foi abortada com a disparada do dólar. As importa- ções recomeçaram e o produto custa em média 14 reais quase o do- bro do preço das mar- cas premium nacionais. Só que a P&G aposta num di- ferencial: os tubos de Crest contêm 175g, bem mais que

os tu- bos das concor- rentes locais. A volta da Crest está sendo viabilizada por uma parceria da P&G com a Marcas Internacio- nais, empresa que já traz os snacks Pringles para o país. Especula-se que, dependen- do do desempenho, a P&G poderá até investir na fabri- cação da Crest no Brasil.

Líder americana volta ao Brasil Certa de que pode cavar um bom nicho de neg ó

VÔO – Condor comprou a 100% Branco e planeja aumentar produção

plásticos”, ele entende, lembrando de um ser- viço dessa natureza que a Brasilgráfica fez me- ses atrás para a marca Pepsodent, também da Unilever, mas voltada à exportação. Investir em embalagem, porém, não está na ordem do dia somente nas indústrias usuárias. Ocorre que, com o histórico de concentração do mercado de dentifrícios em poucas mãos, somado à entrada de novas operações nos últi- mos anos, o mercado vem se queixando de es- cassez de tubos laminados. “Pelos meus cálcu- los, esse gap pode ser de até 30 milhões de uni- dades mensais”, diz um executivo de compras que pede para se manter no anonimato. “Os pe- quenos e médios negócios consumidores de tu- bos laminados não enfrentam hoje problemas de fornecimento, mas têm incerteza quanto à oferta dessas embalagens se turbinarem suas produções, o que vem inibindo planos de cres- cimento”, ele emenda. “Por outro lado, é preciso também ter em mente que as máquinas necessárias para a pro- dução e impressão de tubos laminados são ca- ríssimas, e não temos como investir sem ga-

À MÃO – Cartuchos importados sofisticados, como o do Aquafresh, podem ser produzidos no Brasil

ver, os cremes Close Up Eucalyptus Mint e Close Up Whitening. O primeiro se vale da cor preta, pouco usual no segmento. O segundo apresenta detalhes metálicos em hot stamping. “O hot stamping ajuda a mostrar que o produ- to tem valor agregado”, define Priya Patel, ge- rente de categorias da Unilever, apontando o papel fundamental da embalagem frente ao alto custo de se realizar permanentes ações para manter marcas na mídia e na mente dos consumidores. “O consumidor precisa saber por ela o que é novo, pois de outra maneira ele não percebe as diferenças para tomar sua deci- são na hora da compra.” Patel destaca ainda, no cartucho do Whitening, a presença de uma “escala de brancura”, que auxilia o usuário a visualizar a evolução do branqueamento de seus dentes. Célio Coelho de Magalhães, gerente de marketing da Brasilgráfica, a fornecedora ex- clusiva dos cartuchos que acondicionam os dentifrícios da multinacional anglo-holandesa, aplaude a aposta do cliente em hot stamping – “a primeira vez que isso acontece numa emba- lagem de Close Up” – e avisa que o parque gráfico nacional reúne todas as condições para implementar todos os tipos de decorações co- mumente vistas em cartuchos de cremes den- tais importados, tais como metalizações em geral, detalhes holográficos e uso de tintas rea- tivas, fluorescentes e até com odor. “Outra possibilidade de impacto é o uso de cartuchos

Líder americana volta ao Brasil Certa de que pode cavar um bom nicho de neg ó

12 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

rantias da clientela”, comenta Walter Schalka, anunciando que a Dixie Toga acaba de incor- porar uma nova, moderna e custosa impresso- ra da Ko-Pack à sua planta de tubos. Ele infor- ma que a Impressora Paranaense, braço do grupo focado na produção de cartuchos, inclu- sive os consumidos pela Colgate-Palmolive, também é constante foco de investimentos.

Nordeste será pólo

Schalka lembra também que a Dixie Toga, numa joint-venture com a finlandesa Huhta- maki, inaugurou no início do ano, em Parnami- rim (RN), a Laminor, negócio dedicado à pro- dução do laminado consumido na produção dos tubos, a qual irá substituir importações dessa matéria-prima e dará maior fôlego à pro- dução desses recipientes no país, além de gerar divisas com exportações. De início, a fábrica, que consumiu 50 milhões de reais em investi- mentos, irá produzir 30 milhões de metros quadrados desse material por ano, substituindo suas importações. É também no Nordeste, em Suape (PE), que a Alcan Packaging Cebal está construindo sua segunda planta no país, para atender a Uni- lever, que está transferindo para aquela região a produção de seus dentifrícios, bem como ou- tros clientes. Ao mesmo tempo, a Betts, gran- de nome mundial da área de tubos laminados que fincou bandeira próximo a São Paulo cer- ca de quatro anos atrás, vem continuamente declarando em comunicados oficiais o interes- se em expandir seus negócios no Brasil. Co- menta-se, ainda, que uma empresa de capital nacional estaria mapeando oportunidades para entrar no mercado de tubos laminados. “O mercado de cremes dentais brasileiro está se

rantias da clientela”, comenta Walter Schalka, anunciando que a Dixie Toga acaba de incor- porar uma

COLORIDOS – Designer Web é a linha de laminados pigmentados da Alcan Packaging Cebal

rantias da clientela”, comenta Walter Schalka, anunciando que a Dixie Toga acaba de incor- porar uma

ALTERNATIVA – Para via- bilizar a entrada de seu Gel Chocolate no mercado, Natuflora recorreu às bisnagas plásticas da C-Pack

desenvolvendo, a demanda por tubos é alta e temos projetos de instalações de novas máqui- nas em andamento. Mas não podemos revelar nomes de possíveis novos players desse mer- cado neste atual estágio”, confirma Alain Du- mani, diretor de marketing da suíça Aisa, des- tacada fabricante mundial de máquinas forma- doras de tubos laminados e com forte presença no Brasil. Sintoma da demanda reprimida de tubos laminados é que pequenos produtores, sem massa crítica para entrar na carteira das forne- cedoras dessas embalagens, vêm recorrendo a uma alternativa criativa: o uso de bisnagas plásticas. Exemplo é o da Natuflora, que em junho lançou seu Gel Dental sabor Chocolate em tubo plástico produzido pela C-Pack. “O tubo plástico oferece características técnicas similares às do laminado, mas é somente justi- ficável para cremes dentais de maior valor agregado e de produção contida, pois o tubo la- minado apresenta maior economia de escala”, admite Fábio Yassuda, diretor comercial da C- Pack. “Um cliente com produção mensal de 200 000 ou 300 000 unidades não interessa ao fornecedor de laminado, e é isso o que tem tra- zido clientes para nós”, salienta o executivo, informando existirem atualmente mais dois projetos de fornecimento em negociações no mercado de creme dental. Outra fabricante de tubos plásticos, a Globalpack, não tira pedidos na área de denti- frícios há cerca de dois anos, mas se mostra re- ceptiva a atendê-la novamente. “É algo possí- vel, até pelo fato de o mercado estar abrin- do espaço para novas marcas”, afirma o diretor comercial Fábio Fróes Marcelo, lembrando que a Globalpack inclusive for- neceu, no passado, bisnagas plásticas coextru- dadas do tipo stand-up e tampas à líder Col- gate para o mercado nacional e expor- tações. Como se vê, o crescimento do mercado, com um maior pluralismo de produtos, marcas e embalagens, só tem a contribuir para promover num número cres- cente de pessoas – e de companhias – largos sorrisos.

rantias da clientela”, comenta Walter Schalka, anunciando que a Dixie Toga acaba de incor- porar uma

Aisa

+41 (24) 4820 110

www.aisa.com

Alcan Packaging Cebal

(11) 4723-4700

www.cebalbrasil.com.br

Betts

(11) 3601-3312

www.betts-usa.com

Brasilgráfica

(11) 4133-7777

www.brasilgráfica

C-Pack

(11) 5562-8671

www.c-pack.com.br

Dixie Toga

(11) 6982-9497

www.dixietoga.com.br

Globalpack

(11) 5641-5333

www.globalpack.com.br

Laminor

(11) 5516-2000

Simbios-Pack

(11) 5687-1781

simbios-pack@simbios-

pack.com.br

14 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

making of >>> capa

Uma ação de

O passo-a-passo da criação de uma capa de revista que é uma embalagem

A capa desta edição de EMBALAGEM- MARCA, que provavelmente cha- mou a atenção pelo brilho, pela

making of >>> capa Uma ação de O passo-a-passo da criação de uma capa de revista

bela imagem digital (não, não é foto) de um creme dental com marca fictícia e pela alta qualidade de impressão, tem um objetivo maior do que apenas surpreender. Como vem ocorrendo desde maio deste ano, as capas da revista procuram demonstrar os recursos do papel cartão, dos processos, insu- mos e ferramentas que possibilitam criar embalagens capazes de causar impacto no ponto-de-venda e despertar nos consumidores o desejo de comprar. A exemplo do ocorrido em inúmeras opor- tunidades anteriores, ao transformar suas ca- pas, suas páginas internas e seus próprios invó- lucros em amostras de embalagem e de dife- rentes materiais, a revista desenvolveu a pre- sente capa integrando os parceiros fornece- dores, todos eles participantes da cadeia de embalagem. A meta principal é mostrar con- cretamente o alto nível de desenvolvimento e o potencial que o setor alcançou no Brasil. Foi uma caminhada que, como todas, co- meçou com o primeiro passo: o fornecimento do substrato. Para isso foi escolhido o Papel- cartão Art Premium Novo 250g/m 2 , da Ripa-

sa, que permite impressão também no verso,

NÃO É FOTO – Ilustração digital, impressa em Papelcartão Art Premium Novo 250g/m2, da Ripasa, termolaminado pela Lamimax com filme Prolam Prata

com excelente resultado. Isso é fundamental na medida em que nesse lado da capa são vei- culados os anúncios das chamadas segunda e terceira capas. Tanto quanto o restante da pu- blicação, eles devem apresentar qualidade in- questionável. Do lado em que foram impres- sos a capa propriamente dita e o anúncio da quarta capa, o papel cartão foi termolaminado pela Lamimax com filme Prolam Prata, da Prolam, parceira de EMBALAGEMMARCA, jun- to com a Ripasa, nas ações de capas especiais com papel cartão.

1
1
3
3
2
2
4
4

16 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

CONCEPÇÃO – A imagem de capa desta edição foi feita pela R3F Digital Design com o software Lightwave de modela- gem e animação em terceira dimensão. Ao lado, quadros mostram seqüência de criação do objeto: wireframe (imagem 1), volume (2), wireframe com volume (3) e textura aplicada (4)

Dentro da programação dessas ações es- tava pautada uma capa de papel cartão, apro- priado para embalagens, com acabamento metalizado. Quando a revista estudava qual o tema mais adequado, recebeu a visita de Flávio Eduardo Cassiano, diretor da R3F Di- gital Design, para a apresentação de um soft- ware de modelagem e animação em terceira dimensão (veja o quadro). Trata-se do Light- wave, para o qual a empresa oferece consul- toria, suporte e treinamento modular, além de um curso de design de embalagens exclu- sivo no país.

Do briefing à criação

Na demonstração ficou claro ser um progra- ma extremamente adequado para o desenvol- vimento de design de embalagem, capaz de expressar as idéias de forma eficiente e com grande impacto visual. EMBALAGEMMARCA propôs então a criação da capa desta edição, sobre cremes dentais, com a composição em que acabou sendo impressa. Foi totalmente

“MARCA PRÓPRIA” – Como no desenvolvimento de um produto verdadeiro, dife- rentes texturas foram criadas para
“MARCA PRÓPRIA” – Como
no desenvolvimento de um
produto verdadeiro, dife-
rentes texturas foram criadas
para o cartucho do creme
dental EMBALAGEMMARCA

criada nesta ferramenta, e tanto o tubo como o estojo existem apenas virtualmente. Cassiano conta que, dado o briefing para criação do creme dental com a “marca pró- pria” EMBALAGEMMARCA, ele tratou de ad- quirir no mercado vários produtos da catego- ria, para estudo de formatos e equities. “Co- meçamos a ‘brincar’ com a logomarca da revista sobre eles, melhorando a produção até o resultado final”, ele recorda. “Como a con- cepção da idéia foi bem trabalhada, finaliza-

mos rapidamente esta etapa”. No passo seguinte, mais técnico e no qual são exigidos conhecimentos de

mos rapidamente esta etapa”. No passo seguinte, mais técnico e no qual são exigidos conhecimentos de fotogra- fia, direção de arte e manejo do Lightwave, foram aplicados os mesmos princípios de captação de luz da fotografia convencional. Com ajustes de câmera (distância focal, tipo de lente e abertura de diafragma), o resulta- do foi uma imagem de extremo realismo. Na etapa seguinte, o departamento de arte de EMBALAGEMMARCA encaminhou à R3F o layout da capa para a inserção da imagem e posterior tratamento. Por se tratar de uma im- pressão especial em substrato metalizado, fo- ram separados os canais que isolariam o efei- to da capa em áreas específicas. Os designers digitais que trabalharam a imagem foram o diretor da R3F Flávio Cassiano, especialista em Lightwave, e Eduardo Baroni, publicitário

mos rapidamente esta etapa”. No passo seguinte, mais técnico e no qual são exigidos conhecimentos de

e ex-aluno da R3F. A fase de impressão da frente e do verso da capa, feita pela Antilhas pelo processo off- set, começou com uma reunião de seu pessoal técnico com os designers da R3F, na condição de fornecedora, e de E MBALAGEMMARCA como cliente. “O grande desafio do trabalho era imprimir num substrato não absorvente no sistema off-set convencional”, relata André Laguzzi, gerente de desenvolvimento da em- presa. “Em flexografia tal impressão não apresenta grandes problemas, mas em off-set a história é outra”, ele diz. “Tanto é que mesmo gráficas bem equipadas muitas vezes recusam trabalhos desse tipo, por temor de re- sultados insatisfatórios.” A partir daquela primeira reunião, os con- tatos para informação, esclarecimentos e ajustes correram entre os designers e a gráfi-

PASSO-A-PASSO – Entre a montagem digital e a saída das máquinas, avaliações de prelo e acompanhamento intensivo do resultado final. Todas essas etapas ficaram a cargo da Antilhas, responsável pela impressão da capa desta edição de

EMBALAGEMMARCA

Design de embalagem com efeitos de blockbuster

O Lightwave é uma fer- ramenta de modelagem e animação 3D popular na Europa e nos Esta- dos Unidos, usado em áreas que extrapolam em muito o segmento de embalagens. É usa- do, por exemplo, na criação de efeitos espe- ciais dos grandes block- busters de Holywood, na produção de videocli- pes, games, comerciais e animações. A infinidade de recur- sos e a sofisticada in- terface gráfica do Lightwave tornam o

software um poderoso aliado dos designers in- dustriais, inclusive aqueles dedicados ao desenvolvimento de

embalagens. A possibili- dade de fazer previews realistas de produtos e embalagens em mode- los digitais de alta qua-

REALISMO: Com Lightwave, previews fiéis de produtos e embalagens
REALISMO: Com Lightwave, previews
fiéis de produtos e embalagens

lidade, simulando inclu- sive diferentes mate- riais e texturas, facilita a visualização de resul- tados e a correção de defeitos antes mesmo da produção de um mock-up. No Brasil, a R3F Digital Design, com sede em São Paulo, é a repre- sentante homologada pela norte-americana NewTek, proprietária do software, e a única consultoria em compu- tação gráfica no país dedicada exclusivamen- te ao Lightwave.

18 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

ca. “Afinou-se então a sintonia relacionada com linguagem do software, extensão de ar- quivos, separação de

ca. “Afinou-se então a sintonia relacionada com linguagem do software, extensão de ar- quivos, separação de cores e outros pormeno- res indispensáveis”, conta Alexandre Krieck, analista de produto da Antilhas. Ficou defini- do nessas reuniões que na impressão seria uti- lizado calço de tinta branca (quinta cor) para eliminar o efeito metálico nas áreas em que não era desejado. Apresentado o layout em eps (encapsula- ted post service) pela R3F, o departamento de pré-impressão da Antilhas montou a ima- gem utilizando a plataforma Illustrator, pas- sando a fazer retoques minuciosos, destina-

Antilhas

(11) 4152-1100

www.antilhas.com.br

Congraf

(11) 5563-3466

www.congraf.com.br

Lamimax

(11) 3644-7865

lamimax@uol.com.br

Prolam

(11) 3611-3400

www.prolam.com.br

R3F Digital Design

(11 ) 6674-4073

www.r3f.com

Ripasa

(11) 3491-5010

www.ripasa.com.br

dos a adequar perfeitamente o arquivo ao processo de impressão. Feito isso, foi enca- minhada por meio eletrônico uma prova di- gital para EMBALAGEMMARCA, que a apro- vou sem restrições. Nesse meio tempo, enquanto o departa- mento de arte da revista montava sobre a ima- gem virtual o layout final da capa, na Antilhas eram realizadas pelo menos três reuniões com a área de produção, nas quais ia sendo com- plementada em pormenores a ficha técnica descritiva do produto. As chapas foram pro- duzidas, por fornecedor terceirizado, em sis- tema CtP (Computer to Plate) e serviram para imprimir as provas de prelo, utilizadas como referência de cor na impressão. Nesta, foram usadas tintas e vernizes especiais. Exceto controles mais rígidos do que em trabalhos convencionais, a impressão trans- correu sem problemas, numa Roland 706, de seis cores mais verniz em linha. Terminada a impressão, a Antilhas encaminhou as capas para a Congraf, que imprimiu o miolo e fez o acabamento da revista. Comentários serão benvindos.

ca. “Afinou-se então a sintonia relacionada com linguagem do software, extensão de ar- quivos, separação de
Ampliação nas caixas Depois da garrafa, multipack traz o clique do consumidor A estratégia de criar
Ampliação nas caixas
Depois da garrafa, multipack traz o clique do consumidor
A estratégia de criar vínculos emo-
cionais com o consumidor para
reforçar a imagem de uma marca
tem nos refrigerantes canadenses
Jones Soda um case que, embora recente,
pode ser considerado clássico. Em 1996, o
fundador e CEO da empresa, Peter van Stolk,
teve uma idéia original: usar suas garrafas
long neck como ferramenta interativa, para
gerar identificação com o público, através da
impressão de fotos enviadas pelos próprios
consumidores em seus rótulos. A iniciativa
foi um sucesso, e permitiu à empresa crescer
no mercado dos Estados Unidos, para onde
mudou sua sede pouco depois. Agora, a Jo-
nes Soda está dando um passo adiante nessa
estratégia, copiada posteriormente por diver-
sos fabricantes de bebidas. Os instantâneos
dos consumidores também poderão ser vis-
tos em suas novas multipacks.
As recém-lançadas embalagens acondi-
cionam doze garrafas dos refrigerantes da
marca, e são do tipo “fridge pack” – construí-
das com uma estrutura especial de papel car-
tão que mantém as embalagens em seu inte-
rior geladas por mais tempo e com um for-
mato que facilita o armazenamento na gela-
deira. Trata-se de uma solução de pro-
priedade da Graphic Packaging Corporation,
a companhia criada em agosto de 2003 após
a fusão entre a Graphic Packaging Internatio-
nal e a Riverwood, duas gigantes com negó-
cios em multipacks.
Seguindo a mesma mecânica aplicada ao
trabalho com os rótulos das garrafas, as mul-
tipacks irão utilizar as fotos, enviadas à gale-
ria da fabricante por correio comum ou pela
Internet, por meio de uma “presença rotati-
va”. As sete fotos presentes nas caixas serão
regularmente trocadas, para atender ao máxi-
mo as “centenas de milhares” de fotos que,
segundo a empresa, lhes são enviadas anual-
mente. “A indústria de bebidas é muito com-
petitiva, então esforçamo-nos em nos conec-
tar com nosso consumidor de um modo que
nenhuma outra companhia consegue”, afir-
ma Peter van Stolk. “Acredito que com nos-
sa embalagem única e com nossa conexão
com o público, continuamos a criar uma es-
tratégia avançada.”
Graphic Packaging Co.
+1 (770) 644-3000
www.graphicpkg.com
INSTANTÂNEOS – Acima, os
rótulos das garrafas com as
fotografias tiradas pelos con-
sumidores: sucesso consolida-
do. Novas multipacks, abaixo,
seguem a estratégia
20 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044
FO OT S :
NOJ
ES
DOS
A
OC .
Cerveja com guaraná O nome e a f ó rmula s ã o ex ó ticos:

Cerveja com guaraná

O nome e a fórmula são exóticos: a Bud- weiser B-to-the-E (BE) é a nova cerveja da Anheuser-Busch que pretende se po- sicionar como bebida de vanguarda, para um público adulto exigente. É um hí- brido de cerveja e energético: possui ca- feína, ginseng e extrato de guaraná em sua fórmula, e também teor alcoólico su- perior de 6,6%. Quanto ao sabor, a BE apresenta toques de amora, framboesa e cereja. Será comercializada em latinhas de alumínio com perfil slim de 10 onças líquidas (aproximadamente 300ml), forne- cidas pela Crown Cork & Seal.

Fenômeno “Super Size Me”?

Atendendo a um pedido do FDA americano por informações nutri- cionais mais claras e completas nas embalagens de pequenas di- mensões, a Kraft Foods está lan- çando novas etiquetas com da- dos para seus snacks e bebidas. Diz a empresa que elas irão faci- litar aos consumidores o controle de suas dietas, pois até agora as tabelas dos produtos traziam apenas a informação sobre o va- lor nutricional por porção, e não do conteúdo total da embalagem. Se o produto é para consumo in- dividual, a etiqueta irá trazer in- formações sobre o conteúdo total da embalagem. Se o produto é tipicamente consumido por mais de uma pessoa, conterá tanto a

informação sobre o valor nutricio- nal total da embalagem quanto por porção. Ademais, as embala- gens informarão, em seu frontal, quantas porções trazem.

Cerveja com guaraná O nome e a f ó rmula s ã o ex ó ticos:

Bolsa “de couro” rende prêmio

A Embalagem Cartonada do Ano na Europa acaba de ser eleita pelo prêmio Pro Car- ton/ECMA Carton Awards. É um cartucho com formato de bolsa de mão criado para o chocolate Imagine, da Kraft Foods. Quando aberto, ele se transfor- ma num conveniente prato de servir. A su- perfície da embalagem possui aparência e to- que de couro, o que foi conseguido graças a trabalhos de relevo mais a aplicação do verniz Iriodin, da Merck. O design da

embalagem é assinado pela Landor Associates, o papel car- tão utilizado é o Incada Silk, da sueca Iggesund Paperboard, e a confecção foi feita pela Mo- del PrimePac.

Cerveja com guaraná O nome e a f ó rmula s ã o ex ó ticos:

Vinhos com Romero Britto

A vinícola californiana Knightsbridge Fine Wi- nes anunciou que irá utilizar nos rótulos de alguns de seus produ- tos e em peças de mer- chandising obras do aclamado artista plásti- co brasileiro Romero

Britto. Romero trabalha consistentemente para reinterpretar o sentido da arte e seu papel na vida contemporânea, afirma Joe Shapiro, CEO da Knightsbridge. Esperamos trabalhar com ele para construir

uma experiência singu- lar para os atuais aman- tes da arte e do vinho. A vinícola já utilizara, em anos anteriores, ró- tulos com arte de outros dois consagrados artis- tas pop, Guy Buffet e Andy Warhol.

22 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

FOTOS: DIVULGAÇÃO

sistemas >>> cartonadas assépticas

Caixinha porta-retrato

Tetra Pak quer difundir processo de impressão mais nobre para leites

  • L eite é uma bebida naturalmente associada à vida. E nada mais natural que as embalagens nas quais o produto é vendido explorem essa

FOTOS: DIVULGA ÇÃ O sistemas >>> cartonadas assépticas Caixinha porta-retrato Tetra Pak quer difundir processo de

ligação, com desenhos e cores vibrantes e imagens apelativas. Um incentivo a essa noção está sendo posto em prática pela Tetra Pak, maior fornece- dora de embalagens para esse mercado. É que a mul- tinacional de origem sueca acaba de anunciar um pla- no para difundir entre sua clientela na área de leites um sistema de decoração mais burilado para suas car- tonadas assépticas: o Photo Process. “Trata-se de uma alternativa à impressão flexográ- fica tradicional que utilizamos para decorar nossas caixinhas”, explica Eduardo Eisler, diretor de desen- volvimento de negócios da Tetra Pak. Segundo ele, o Photo Process garante maior sofisticação gráfica às embalagens longa vida. Abre-se a possibilidade de se trabalhar com uma gama maior de cores, que ganham mais vida, os tons são realçados e a superfície das cai- xinhas apresenta maior brilho. Os benefícios mais vis- tosos do novo processo, porém, é que são eliminados problemas de registro de detalhes complexos, como degradês, e a reprodução de imagens passa a ter qua- lidade fotográfica. “É um implemento que tem tudo para acabar com o paradigma mercadológico de que embalagem de leite deve priorizar o branco ou cores neutras”, afirma o dirigente da Tetra Pak.

UPGRADE – Confepar aproveitou o lança- mento do Photo Process para reno- var visual de sua
UPGRADE –
Confepar
aproveitou o lança-
mento do Photo
Process para reno-
var visual de sua
linha Polly

Tecnologia brasileira de reciclagem seduz espanhóis

Anunciada em dezembro de 2003, a tecnologia de separa- ção do alumínio e do plástico das embalagens cartonadas assépti- cas por plasma, totalmente na- cional, será exportada para a Es- panha. Desenvolvida por meio de uma parceria entre a Tetra Pak, a Universidade de Campinas (Unicamp) e o Instituto de Pes- quisas Tecnológicas (IPT), ela será implantada numa fábrica na cidade de Valencia, prevista para iniciar operações em agosto de

2005. Bancada pela fabricante espanhola de papéis Nesa, ela custará 6 milhões de euros e será capaz de processar de 10 a 12 toneladas anuais de caixi- nhas. O acordo para a transfe- rência de tecnologia foi fechado pela TSL Ambiental, prestadora de serviços de engenharia am- biental e uma das parceiras da Tetra Pak na construção, em andamento, da primeira planta com tecnologia de separação por plasma do país, em Piracicaba

(SP). Outras envolvidas nesse negócio, de 10,5 milhões de reais e a ser inaugurado no iní- cio de 2005, são a Alcoa e a Klabin. O diferencial da tecnolo- gia de reciclagem por plasma é a separação efetiva do alumínio e do plástico das caixinhas longa vida para a reciclagem, o que não acontecia nos métodos ante- riormente conhecidos. Assim, é esperado que o valor de merca- do das caixinhas pós-consumo se valorize em até 30%.

24 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

O Photo Process resulta em impressões com 48 li- nhas por centímetro. De acordo com a Tetra Pak, já está em fase experimental a impressão com 54 linhas por centímetro, que tornará possível um detalhamento ainda maior das imagens nas embalagens. Para auxi- liar a impressão mais nobre, o processo também utili- za um papel diferenciado, do tipo clay coated, mais branco e uniforme que o tradicional, fornecido pela Klabin, parceira da Tetra Pak. Detalhe: as impressões com qualidade fotográfica já são utilizadas pela grande maioria dos clientes da Tetra Pak no mercado de sucos prontos. A introdução em leites se deu através de produtos especiais, de alto valor agregado, como o Shefa Premium, o Batavo Sensy e o DaMatta Zylow, entre outros. O momento, agora, é de massificação do processo, estendendo-o a todo o mercado. Eisler trabalha com a expectativa de que isso ocorra em três anos. Um dos mais recentes la- ticínios a aderir ao Photo Process é a paranaense Con- fepar, em sua linha de leites Polly, que está chegando ao mercado com visual reformulado – trabalho da Pla- no Propaganda. “As novas caixinhas têm, nitidamen- te, maior apelo vendedor”, atesta Cleverson Machado, da área de marketing da Confepar.

O Photo Process resulta em impressões com 48 li- nhas por centímetro. De acordo com a
Klabin (11) 3046-5800 www.klabin.com.br Plano Propaganda www.planopropaganda.com.br Tetra Pak (11) 5501-3200 www.tetrapak.com.br TSL Ambiental (11) 3049-4444
Klabin
(11) 3046-5800
www.klabin.com.br
Plano Propaganda
www.planopropaganda.com.br
Tetra Pak
(11) 5501-3200
www.tetrapak.com.br
TSL Ambiental
(11) 3049-4444
www.tslambiental.com.br
INÍCIO – Leites especi-
ais, como o Shefa
Premium, foram os
primeiros a receber o
Photo Process

FOTOS: DIVULGAÇÃO

design >>> semana abre

Branding: um novo desafio

Com o aumento da competitividade, nem mesmo as marcas líderes têm garantido seu lugar ao sol. Cabe à indústria de embalagens ajudar em seu reposicionamento e consolidação

Por Liliam Benzi

  • V encidas praticamente todas as bar- reiras tecnológicas, a indústria de embalagem tem à sua frente o desa-

FOTOS: DIVULGA ÇÃ O design >>> semana abre Branding : um novo desafio Com o aumento

fio de ajudar na consolidação das marcas. Esse trabalho, denominado branding, já faz parte do dia-a-dia da indústria nacional e tem se manifestado em duas situações distintas. Na primeira, empresas de médio e pequeno porte, com pouca ou praticamente nenhuma verba para publicidade, apostam na embalagem como canal de veiculação e propagação da marca. Empresas com mais recursos finan- ceiros também utilizam essa ferramenta combi- nada e inserida dentro de uma ação mais abran- gente de marketing/comunicação. O fato é que a embalagem é elemento aces- sível e relativamente barato para vencer o prin- cipal desafio do branding – criar uma alma para a marca. Como diz Luís Castellari, coordena- dor do Comitê de Design da Associação Brasi- leira de Embalagem (ABRE), trata-se de criar “uma real personalidade com a qual o consumi- dor se identifique – e isso está diretamente li- gado à emoção, à embalagem, ao design e à percepção da marca”. Pela importância do tema, a ABRE o elegeu

Semana ABRE do Design de Embalagem: casa cheia todos os dias

28 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

para direcionar as doze palestras apresentadas durante a 6ª Semana ABRE do Design de Em- balagem, realizada na Casa Rhodia, em São Paulo, nas manhãs de 26 a 29 de outubro. A re- levância do branding foi reforçada na palestra de Margareth Ikeda Utimura, do Latin Panel, que apresentou recente pesquisa sobre a reto- mada gradual no consumo de marcas líderes. A pesquisa, realizada em 6 300 domicílios brasileiros com 62 categorias de produtos, mos- tra que o mercado brasileiro mudou significati- vamente entre 1990 e 2000. Estas mudanças causaram forte impacto, principalmente, no consumo das marcas líderes, que perderam 52% de sua participação de mercado. Outro dado importante é que, em 74% das categorias de produtos pesquisadas, os três principais fa- bricantes perderam boas fatias do bolo.

Migração de classes

Por outro lado, o reaquecimento da economia tem levado a uma situação mais favorável: a re- dução das classes D e E e sua migração para a classe C. “A classe C já compra praticamente os mesmos produtos das classes A e B; o que diferencia é o volume e a freqüência das com- pras”, analisa a pesquisadora. Essa migração já apresenta sinais positivos: entre janeiro e agos- to de 2004, reverteu-se o quadro de queda de vendas de marcas líderes, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na verdade, 50% das empresas donas dessas marcas ganha- ram participação em valor. Uma das estratégias adotada pelos líderes e respaldada pela embalagem foi trabalhar com produtos premium price, cerca de 10% mais ca- ros que a média do mercado. Mesmo assim, não há garantia de lealdade. O setor com maior índice de fidelidade à marca é o de produtos de limpeza, com 43%; nas bebidas, esse índice cai para 31%, e em higiene pessoal, para 8%. Em alimentos praticamente não há lealdade.

para as embalagens

Para situações como essa, Ricardo Miglia- no, membro do conselho consultivo do POPAI Brasil, diz que o branding é importante uma vez que: assegura a independência, segura o preço, aumenta o valor, estabelece a diferença e garante o futuro do produto/negócio. “Embora as marcas sejam um capital simbólico, elas po- dem ser o maior patrimônio de uma empresa.” Ele completa dizendo que, “antes, ter uma marca forte era uma opção; hoje é uma vanta- gem competitiva”. Como exemplos de uso da embalagem na estratégia de branding, Migliano cita os cases Coca-Cola e Starbuck. No caso da Coca-Cola ele ressalta o desenvolvimento de uma embalagem para cada ocasião de consumo – garrafas plásticas e de vidro, lata e post mix. Já o Starbuck direcionou sua comunicação para além de uma loja de café. Suas embalagens tra- balham o slogan “uma experiência de café”. Esse posicionamento permite à empresa vender

um café a US$ 2,50, quando o preço de merca- do gira ao redor de US$ 0,50. O que as pesquisas não dizem é que tanto melhor será a performance do produto, e conse- qüentemente de sua embalagem, quanto mais o consumidor defender a marca e tiver um víncu- lo emocional com ela. É esse o sentido do tra- balho empreendido pela Pernod Ricard do Brasil na vodca Orloff. Segundo Thiago Ber- sou, gerente de produto da empresa, para legi- timar seu segundo lugar no mercado brasileiro de vodcas, a marca Orloff precisou ser reposi- cionada, e a sua embalagem, reformulada e ali- nhada aos valores atuais da categoria. “A saída foi encomendar uma pesquisa que ajudou a en- tender melhor o que os consumidores de vodca pensam de Orloff.” Seus resultados estão literalmente estampa- dos na nova garrafa de Orloff, cujos design e transparência valorizam os atributos do produ-

to e o põem num patamar de modernidade. A marca, que praticamente introduziu essa cate- goria de bebidas no Brasil nos anos 60 e que foi drasticamente sacudida pela invasão dos im- portados na década de 70, ganhou novo fôlego. Na indústria de alimentos, a receita para o sucesso não é muito diferente. “É preciso en- tender os anseios do consumidor e criar marcas que toquem seu coração”, sintetiza Sérgio Bianchini, da Kraft Foods. “E o significado e os benefícios dessa marca devem ser traduzidos pela embalagem, com emoção.” O dia-a-dia do trabalho de Bianchini, com marcas e embalagens, é pautado pela manuten- ção da relação marca/consumo/tradição, de modo a criar tal associação na mente e no in- consciente do consumidor. Em marcas como Club Social, Tang, Royal e Sonho de Valsa, a Kraft também se vale dos benefícios do design aliados às estratégias de comunicação.

Vínculo direto

Mas como as empresas com verba mais reduzi- da trabalham essas estratégias de branding? A resposta vem da palestra de Eduardo Rizzo, coordenador de produto da Marilan, quarto maior fabricante de biscoitos do país. “A emba- lagem é o nosso principal vínculo com o consu- midor e um dos principais elementos para a construção da marca”, ele diz. Há pouco tempo, a empresa nadava contra a maré. Enquanto 68% do mercado de biscoitos usavam embalagens de até 250 gramas, na Ma- rilan 80% delas eram tamanho família, ou seja, com mais de 250 gramas. Para aumentar sua participação nas regiões Sul e Sudeste, era pre- ciso promover um reposicionamento de preços, saindo do patamar muito popular. Com emba- lagens com valor agregado e benefícios percep- tíveis para o consumidor, a Marilan deu a volta por cima. “Procuramos sofisticar, sem elitizar para não excluir nosso consumidor fiel”, conta Rizzo. “Como dizemos no interior, criamos embalagens que provocam a salivação, que nos grandes centros chamam de appetite appeal.” Hoje a Marilan exporta para mais de cin- qüenta países e já aparece com 3% no Top of Mind. Em 1999 sequer era citada. “Não temos dúvidas de que essa ascensão se deve às novas embalagens que reposicionaram a marca Mari- lan no mercado nacional”, finaliza o coordena- dor de produto da empresa. Outro case sustentado na escassez de recur-

30 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

sos e na valorização da embalagem foi apresen- tado por Carlos Liguori, sócio diretor da Peni- na Alimentos, líder na venda de especiarias e temperos para o atacado. “Chegamos a um ponto em que precisávamos agregar valor ao produto para distribuí-lo em novos canais, como a venda direta ao consumidor final”, re- vela o empresário. A saída veio pela reformula- ção das embalagens de forma a valorizar e re- posicionar cada grupo de produtos. Outro mercado que responde bem ao uso da embalagem para reforçar a marca é o de produ- tos de limpeza doméstica e higiene pessoal. Fá- bio Avari, gerente de marketing, negócios e inovação da Bombril, provou isso ao contar o case de sua palha-de-aço. “Neste e em outros produtos procuramos, via embalagem, agregar à marca valores como proteção ao meio am- biente, inovação e tecnologia.” Segundo ele, lançar novos produtos é fácil; “o duro é lançar algo novo que agregue valor e que não fira a aura da marca”. Analisando seus consumidores, a Bombril procura entender como conciliar a sua lealdade com a elasticida- de, muitas vezes imposta por contingências econômicas. Situação semelhante é vivenciada pelo Gru- po Friboi, proprietário da marca de sabonetes Albany. Para Moacir Sanini, diretor comercial e de marketing da empresa, a continuidade es-

Na exposição, podiam ser vistos cases de 31 agências filiadas ao Comitê de Design

to e o põem num patamar de modernidade. A marca, que praticamente introduziu essa cate- goria

tratégica da marca, ao longo de extenso perío- do de tempo, contribui, e muito, para uma van- tagem competitiva sustentável, “além de criar capacitações e habilidades verdadeiramente ex- clusivas”. Sanini alerta, contudo, para o perigo de am- pliar muito a posição estratégica de uma marca, especialmente para atender às pressões em bus- ca do crescimento. Segundo ele, os esforços para crescer podem chegar a debilitar uma es- tratégia ao obscurecerem a exclusividade e criarem a necessidade de se fazer concessões. “Por incrível que pareça, as maiores barreiras à boa estratégia de marca são geralmente criadas dentro da própria corporação.”

Nacionalização e agilidade

Na empresa O Boticário, Lígia Baruque, geren- te de desenvolvimento de embalagem, diz que a importância da embalagem na consolidação da marca levou inclusive a uma mudança mais radical: um processo de nacionalização dos componentes de embalagem que permitiu ter mais agilidade nos desenvolvimentos e, conse- qüentemente, na percepção da marca. Todos os projetos têm como ponto de parti- da a missão da empresa de ser reconhecida por seus colaboradores, parceiros, clientes e merca- do onde atua como uma importante referência em beleza. “É isso tudo, além de fazer com que nossas ações para a preservação da vida estabe- leçam uma forte identificação com a socieda- de”, ela explica. “Traduzimos essa intenção nas embalagens de forma a fidelizar nossos clientes e assegurar o crescimento e a rentabilidade de nosso negócio.” A 6ª Semana ABRE do Design de Embala- gem contou ainda com a palestra de Rossana Costa, que apresentou o case da Kidspage, em- presa que iniciou a comercialização, no Brasil, de camisetas para pintar. Nesse caso as embala- gens tiveram um papel fundamental para apre- sentar a marca e o novo conceito de produto ao mercado. Além das palestras, as dezenas de profissio- nais que visitaram diariamente o evento tive- ram a oportunidade de ver a exposição monta- da com cases de 31 das 44 agências de design de embalagem filiadas ao Comitê de Design. A 6ª Semana ABRE do Design de Embalagem foi patrocinada pelas empresas Avery Dennison, Fispal, Ibratec, Indusplan, Novelprint, Rigesa, Ripasa, Sinimplast, Suzano e Tetra Pak.

tratégica da marca, ao longo de extenso perío- do de tempo, contribui, e muito, para uma

FOTOS: DIVULGAÇÃO

O pulo do heat transfer

Nova planta produtiva e rótulos mais baratos impulsionam o sistema no país

Por Leandro Haberli

FOTOS: DIVULGA ÇÃ O O pulo do heat transfer Nova planta produtiva e rótulos mais baratos

A tecnologia heat transfer de rotula- gem de embalagens ainda não deu provas definitivas de ter deslan-

chado no Brasil, mas os crescen- tes investimentos em modernização e aumento da capacidade produtiva permitem supor que o sistema con- quistará cada vez mais es- paço por aqui. Entre as estratégias que eviden- ciam as boas perspec- tivas de crescimento dessa alternativa de decoração e identifi- cação de embalagens, é muito provável que a mais expressiva já posta em prática no país tenha sido recentemente anunciada no Rio Grande do Sul, por uma empresa chama- da Technopack. Conhecida por importar e distribuir rótu- los e rotuladoras do grupo Dinacal, líder do mercado global de heat transfer, a companhia gaúcha inaugurou em outubro último o que define como a primeira fábrica brasileira de impressão de rótulos com a tecnologia heat transfer. Situada no município de Cachoeiri- nha, região metropolitana de Porto Alegre, a fábrica está em atividade desde o ano passa- do, mas só recentemente recebeu sua princi- pal máquina de impressão, elevando sua ca- pacidade produtiva para mais de 800 milhões de rótulos por ano.

Sem rugas e sem bolhas

“Até 2003, quando começamos a nacionalizar a produção dos rótulos, o mercado brasileiro de heat transfer era inteiramente abastecido por produtos importados”, diz Geraldo Nu- nes, diretor da empresa. O investimento mais recente foi de 6 milhões de reais, e faz parte de uma estratégia mais ampla. Já em 2005 a Technopack pretende ampliar novamente a fábrica, investindo mais 7 milhões de reais. O

plano é conquistar com seus heat transfers 10% do mercado de rotulagem da América do Sul. Para isso, a empresa confia em uma de suas vantagens estratégi- cas: a fábrica de Cachoeirinha si- tua-se próxima a países que são potenciais consumidores de rótulos heat transfer, como Uruguai e Argenti- na.

Baseada em rotula- doras equipadas com bobinas de papel im- presso por rotogravura e cilindros de transfe- rência que produzem calor e pressão, a tec- nologia heat transfer se caracteriza por fundir o substrato dos rótulos na superfí- cie das embalagens, de modo a transferir todo o layout para os frascos. “Além de uma deco- ração resistente e durável, esse tipo de rotula- gem garante acabamento livre de rugas e bo- lhas”, descreve o diretor da Technopack. Segundo estimativas da própria empresa, o mercado de rotulagem do Mercosul movi- menta 500 milhões de reais por ano. Desse to- tal, a tecnologia heat transfer já representaria 4%, ou 20 milhões de reais. Mas, com a inau- guração da nova fábrica, a Technopack espe- ra reduzir custos e ampliar a carteira de clien- tes no Brasil e no Mercosul. Os planos in- cluem fazer o faturamento saltar dos atuais 12 milhões de reais para 50 milhões de reais por ano. O otimismo é baseado em vantagens que vão além do acabamento livre de bolhas. Se- gundo o diretor da empresa, outras caracterís- ticas do sistema heat transfer de rotulagem são garantia de limpeza, “já que o processo não atrai sujeira do ambiente”, e facilidade de reciclagem dos frascos. Ainda de acordo com Nunes, esta última particularidade se explica porque, diferentemente de outros processos de decoração, o rótulo heat transfer não preci-

FOTOS: DIVULGA ÇÃ O O pulo do heat transfer Nova planta produtiva e rótulos mais baratos

No Brasil, os rótulos heat transfer se concentram nos lubrificantes automotivos. Mas a tecnologia também começa a ser usada em embalagens alimentícias e de cosméticos

32 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

sa ser retirado da embalagem na hora da reci- clagem. Faz parte dela, no mesmo material. Estima-se que o maior mercado consumi- dor de heat transfer no Brasil seja o de óleos automotivos, onde conhecidas marcas já mi- graram para o sistema. Mas a tecnologia tem crescido em outros setores, com destaque para o de cosméticos e alimentos. Em termos práticos, os projetos de alta produtividade quase sempre recomendam que as rotuladoras sejam integradas às linhas de produção. Entre as possibilidades de acaba- mento, vale dizer que as bobinas de papel po- dem ser impressas em até oito cores, “com qualidade fotográfica e múltiplas tonalida- des”. Também é possível explorar tintas ter- mocromáticas (que podem brilhar ou se tor- nar ocultas de acordo com a variação da tem- peratura) e fluorescentes. Além disso, os rótu- los heat transfer podem receber acabamentos holográficos, ajudando a minimizar riscos de contrafação. Por tudo isso os executivos da gaúcha Technopack acreditam que a tecnologia po-

tencialmente concorre com todos os demais sistemas de rotulagem, incluindo auto-adesi- vos, termoencolhíveis, etiquetas de papel e in-mold labels. Confiante nas vantagens do heat transfer, a empresa não está investindo apenas na impressão dos rótulos: a aposta é também na fabricação de rotuladoras e de- mais equipamentos, nacionalmente. “A pers- pectiva de crescimento também é grande por- que, fora dos Estados Unidos, existe apenas uma empresa que fabrica rótulos heat trans- fer”, informa Nunes. “Trata-se da argentina Multicolor, que tem pouca penetração no mercado brasileiro.”

sa ser retirado da embalagem na hora da reci- clagem. Faz parte dela, no mesmo material.

Technopack

www.technopack.com.br

(51) 470-6889

Instalados na fábrica de Cachoeirinha (RS), novos equipamentos elevaram a capacidade produtiva da Technopack para 8 milhões de rótulos heat transfer por ano

sa ser retirado da embalagem na hora da reci- clagem. Faz parte dela, no mesmo material.

Um freio na pirataria

Selos de segurança ajudam produtora de autopeças a combater falsificação

N os cálculos do Sindipeças (Sindi- cato Nacional das Indústrias de Componentes para Veículos Au-

Um freio na pirataria Selos de segurança ajudam produtora de autopeças a combater falsificação N os

tomotores), a indústria nacional de autopeças fechará 2004 com um fatura- mento de pouco mais de 14 bilhões de dóla- res. Quase 5% desse montante, algo próximo a 700 milhões de dólares, serão movimenta- dos pelo mercado de peças falsificadas, con- trabandeadas e recondicionadas ou remanu- faturadas sem nenhum critério. Foi com essa banda podre que a subsidiária brasileira de uma das maiores fabricantes mundiais de componentes para sistemas de freio de cami- nhões e ônibus, a WABCO, se viu envolvida em julho de 1999. A empresa começou a receber uma série de queixas de seus distri- buidores e consumidores sobre seus jogos de reparo para freios. Por meio de investiga- ções, a empresa descobriu que caíra na ma- lha da pirataria e que sua marca, utilizada in- devidamente, entrara como contribuinte de um triste índice – dos acidentes automobilís- ticos com vítimas no país, cerca de 30% são causados por sistemas de freio falsificados,

DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO

EXCLUSIVIDADE – Tecnologia dos selos de segurança com holografia e imagem retrográfica é segredo industrial da 3M

diz o Sindipeças. As saída para o problema foi encontrada por meio de um investimento em embala- gem: o uso de um sofisticado selo de segu- rança da 3M nas cartelas dos jogos de repa- ro. “Erradicamos totalmente a pirataria des- ses produtos”, diz Reynaldo Contreira, dire- tor de vendas da WABCO Freios Brasil. Agora, para ampliar sua segurança – e a dos consumidores finais também –, a empresa está expandindo a presença do selo da 3M para as embalagens de seus conjuntos de freios e válvulas.

Duas imagens

Um freio na pirataria Selos de segurança ajudam produtora de autopeças a combater falsificação N os

A solução consiste numa etiqueta auto-adesiva que “combina a beleza da ho- lografia com a segurança de imagens ocultas retro- refletivas”, como explica Eduardo Salles, executivo de vendas e marketing da Divisão de Siste- mas de Autenticidade da 3M do Brasil. Em

34 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

outras palavras, o selo recebe a impressão de um holograma com a logomarca da empresa usuária e, ao mesmo tempo, também de uni- dades refletoras, que formam uma espécie de marca d’água invisível sob condições nor- mais. Tal imagem, chamada “retrograma”, só é revelada com a aplicação de um feixe de luz especial. Qualquer tentativa de adultera- ção dos selos torna-se evidente, pois afeta a gravação em retroflexão, alterando o forma- to da imagem secreta. Uma vez removidos, eles não podem ser reutilizados, pois são propositalmente danificados. Os selos pos- suem ainda numeração controlada. A 3M é detentora exclusiva da tecnologia envolvida nos selos, protegida por segredo industrial. “É uma solução eficaz na luta contra a pirataria não só do setor de autope- ças, mas de tantos outros que amargam pre- juízos com a concorrência desleal de merca- dorias falsificadas”, classifica Eduardo Sal- les. A satisfação da WABCO é evidente. Até o fim de 2004, a empresa irá colocar em prá- tica uma terceira fase de adoção dos selos, em componentes ainda não contemplados, informa o gerente de reposição da fabrican- te, Albano Lopes. Os valores dos investi- mentos não são revelados. “Basta dizer que a compensação veio rápido, com o fim da falsificação e a garantia de segurança ao consumidor final”, conclui Lopes.

outras palavras, o selo recebe a impressão de um holograma com a logomarca da empresa usuária
outras palavras, o selo recebe a impressão de um holograma com a logomarca da empresa usuária

DUPLA – Exemplo da 3M mostra, acima, a holo- grafia na etiqueta. Abaixo, a mesma etiqueta, sob luz especial, revela a imagem retrográfica oculta

3M Sindipeças (19) 3838-6916 (11) 3848-4848 www.3m.com.br www.sindipecas.org.br
3M
Sindipeças
(19) 3838-6916
(11) 3848-4848
www.3m.com.br
www.sindipecas.org.br

Maior iBOPPe

De olho na alta do consumo dos rótulos de BOPP, Sol adquire a PP Print

R ojões espocaram em setembro na sede do Grupo Sol, em Barueri (SP). Motivo: o fechamento da

Maior iBOPPe De olho na alta do consumo dos rótulos de BOPP, Sol adquire a PP

compra da PP Print, tradicional fabricante mineira de rótulos plásticos. Com a aquisição, a Sol PP, braço do Grupo dedi- cada à conversão de rótulos, passa a contar com capacidade instalada de cerca de 500 toneladas mensais em rótulos e laminados. “O objetivo é dar continuidade ao cresci- mento na participação dos mercados de fil-

Sol PP

(11) 4441-6800

www.solpp.com.br

Polo

(11) 3706-8201

www.poloind.com.br

NO BOLSO – Engarrafadores de Coca-Cola são alguns dos principais clientes que a Sol conquista através
NO BOLSO – Engarrafadores
de Coca-Cola são alguns dos
principais clientes que a Sol
conquista através da PP Print
DIVULGAÇÃO

38 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

mes laminados e rótulos em polipropileno bi-orientado (BOPP), nos quais já atuamos desde 2002 com a Sol PP”, explica Rogério Mani, diretor do Grupo Sol, que no entanto prefere não revelar o valor do negócio. Localizada em Varginha (MG), a PP Print fica próxima a uma fábrica de filmes de BOPP da Polo, sua antiga controladora. Com a política firmada nos últimos anos de priorizar a produção de filmes, a Polo deci- diu sair do negócio de conversão. A compra da PP Print, detalha a Sol, é uma antecipação do programa de investi- mentos que estavam previstos para 2005. Na sua planta paulista não haveria espaço para suportar a estratégia de crescimento em rótu- los planejada pela empresa. Hoje, os rótulos e laminados respondem por quase 30% do faturamento da Sol, índice que deverá saltar para 50% com a incorporação da PP Print. Já para o próximo ano, assinala Mani, a inten- ção é que essa taxa sofra um incremento de 15% a 20%.

Projeto de realocação

Na planta da PP Print estão alocadas uma impressora rotográfica de oito cores e duas flexográficas, uma de quatro e outra de seis cores. A empresa tem capacidade para pro- duzir cerca de 250 toneladas mensais de ró- tulos, sendo que pouco mais da metade des- se volume destina-se à indústria de bebidas, especialmente a franqueados da Coca-Cola. De acordo com o Grupo Sol, a tendência é que no futuro as operações de rótulos se- jam totalmente alocadas na unidade recém- adquirida. Barueri ficaria encarregada so- mente da produção dos filmes consumidos pela empresa. Por ora, a planta mineira con- tinuará a operar sob o nome PP Print. “Lá, buscaremos intensificar a participação junto a clientes atuais de rótulos e ampliar a pro- dução de filmes laminados voltados para o segmento alimentício”, informa o executivo da Sol PP.

Maior iBOPPe De olho na alta do consumo dos rótulos de BOPP, Sol adquire a PP

Markem amplia famÌlia Cimjet

A Markem, fornecedora de siste- mas de codificação, ampliou a sua linha Cimjet de impressoras e apli-

cadoras de etiquetas ao lançar, nos Estados Unidos, o novo mode- lo Cimjet 200. O novo equipamento é indicado para quem não necessi- ta de todas as funcionalidades dos demais integrantes da família. A Cimjet 200 imprime códigos de barra, grafismos e dados variáveis, e está preparada para aplicar até trinta etiquetas por minuto em cai- xas e embalagens múltiplas agru- padas com filmes termoencolhí- veis. Uma vantagem desse produ-

to é a capacidade de armazena- mento de informações, o que dis- pensa o uso de um computador no chão de fábrica.

www.markem.us/cimjet200

No Brasil: 0800-132020 (11) 5641-8949

Markem amplia famÌlia Cimjet A Markem, fornecedora de siste- mas de codifica çã o, ampliou a

TermoencolhÌveis em expans„o

No último dia 28 de outubro, em São Paulo, ocorreu o 1º Workshop de Shrink Label, organizado pela conver- tedora argentina Zanniello, pela STM, fabricante brasileira de aplicadoras de rótulos e de túneis de calor, e pela Klöckner-Pentaplast, multinacional for- necedora de filmes plásticos. A iniciativa reflete a parceria das três empresas no intuito de fortalecer a participação dos rótulos termoencolhí- veis no mercado sul americano, e teve o intuito de passar a designers e usuários de embalagens informações técnicas sobre esse sistema de rotula- gem, mostrando os cuidados básicos que devem ser tomados no desenvol- vimento de projetos, como a escolha do filme adequado para cada fim e a necessidade de distor- ção da arte final para um bom resultado após o encolhimento. Além disso, foram apresentados exem- plos de produtos que utilizam esse tipo de rótulo, como forma

de mostrar o seu potencial de comuni- cação nas gôndolas. O evento, acompanhado com exclusi-

vidade por EMBALAGEMMARCA, é ape- nas mais um indício de que a presen- ça dos rótulos termoencolhíveis deve crescer no Brasil nos próximos anos. Além da forte investida que a Zanniel- lo vem fazendo sobre as empresas que tradicionalmente atendem esse mercado no país (a empresa já está fornecendo para a Danone do Brasil, e diz ter outros projetos grandes enca- minhados), há rumores de que pelo menos um grande convertedor local de rótulos auto-adesivos iniciará, em breve, uma operação com ter- moencolhíveis. www.zanniello.com.br + 54 (0) 2322-466220 www.stmachine.com.br (11) 6191-6344 www.kpafilms.com (11) 4613-9978

NO BRASIL – A Zanniello, empresa argentina, já tem grandes clientes por aqui

Markem amplia famÌlia Cimjet A Markem, fornecedora de siste- mas de codifica çã o, ampliou a

Latin American Label Summit no Brasil

Os organizadores da LabelExpo, a mais importante feira ligada à cadeia de rotulagem, que tem edições nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, estão de olho no mercado lati- no-americano. Vão organizar no Brasil a próxima edição do Latin American Label Summit, congresso dirigido a con-

vertedores da região. O evento ocor- rerá nos dias 17 e 18 de maio de 2005, em São Paulo. www.labelsummit.com

PrÍmio AutomaÁ„o EAN 2004 para RR

Em evento agendado para dia 17 de novembro, a RR Etiquetas re- cebe o Prêmio Automação EAN Brasil, na categoria suprimentos. A empresa é premiada pelo sexto ano consecutivo.

Labelí05 pıe o foco no setor de bebidas

No dia 23 de novembro, os profis- sionais ligados à cadeia de rótulos auto-adesivos têm a oportunidade de se aprofundar em questões que relacionam a sua indústria com a de bebidas. Nesse dia ocorre o 4º Fórum de Rótulos e Etiquetas Auto-Adesivas Label05, no No- votel Center Norte, em São Paulo. Com estudos de casos internacio- nais e nacionais, a idéia do evento é trazer a convertedores de rótu- los e usuários finais informações e experiências que possam orientar a indústria do auto-adesivo a apro- veitar as grandes oportunidades existentes no mercado de bebidas.

www.sala21.com.br

(11) 3032-6329

Labelí05 pıe o foco no setor de bebidas No dia 23 de novembro, os profis- sionais

feira >>> K 2004

Inovação e negócios

Empresas brasileiras marcam boa presença na feira mundial do plástico

Por Wilson Palhares, de Düsseldorf

  • D eixados de lado o ufanismo e o otimis- mo ingênuo, quem teve oportunidade de circular pelos dezoito pavilhões da

feira >>> K 2004 Inovação e negócios Empresas brasileiras marcam boa presença na feira mundial do

Feira Internacional do Plástico e da Borracha – K 2004, o grande evento mundial do setor, realizado entre 20 e 27 de outubro último em Düsseldorf, na Alemanha, pôde constatar que a cadeia do plástico no Brasil oferece boas razões para alimentar prognósticos positivos. Bastaria lembrar que durante aqueles oito dias mais de 3 000 profissionais e empresários do setor originá- rios do Brasil visitaram o evento, para pôr-se a par dos mais recentes desenvolvimentos e inovações registrados no mundo em termos de tecnologia, matérias-primas, processos, equipamentos e serviços relacionados à área. Pelo depoimento de vários deles, ouvidos por EMBALAGEMMARCA, na média a cadeia brasileira do plástico se nivela ao que há de mais avançado em países de ponta. Para reforçar o otimismo há o fato de que, apesar da pressão de preços sobre a fonte que nutre toda a cadeia – isto é, a indústria do petróleo –, o mercado é comprador. As projeções indicam que a demanda se manterá em marcha ba- tida pelo menos até 2007 e, segundo previsões di-

40 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

versas, o consumo global de produtos plásticos, que somou 221 milhões de toneladas em 2003, deverá chegar a 250 milhões de toneladas em 2010. Diferentes prognósticos apontam também para relativa segurança nesse campo para o Brasil, que está prestes a atingir a auto-suficiência no abasteci- mento. No entanto, uma solução que certamente não pode ser encontrada no evento é a da questão dos preços do insumo, que afeta negativamente todos os segmentos utilizadores de seus derivados como matéria-prima, caso das embalagens plásticas rígidas e flexíveis (ver entrevista na página 50). Para amenizar o quadro, os sinais são de que os preços do petróleo estão entrando em queda. As exportações são vistas como saída para a crise de rentabilidade que atinge aqueles dois seg- mentos, e isso explica em parte a presença de marcas brasileiras no evento que a cada três anos serve de barômetro, bússola e radar dos rumos da cadeia do plástico no mundo. Este ano, em sua 18ª edição, a K acolheu, em 151 126 metros quadra- dos de área, 2 921 empresas expositoras (51% de fora da Alemanha). Delas, excluídas associações industriais, publicações e multinacionais com subsidiárias no Brasil, doze eram brasileiras.

DIVULGAÇÃO

Das sintéticas entrevistas com represen- tantes desses expositores apresentadas logo adiante emana um sentimento de otimismo que, de resto, era tangível entre os participan- tes da feira em geral. Na verdade, todos disse- ram ter detectado entre os visitantes de seus estandes a disposição de investir, a qual se tra- duziu não só em intenções de fazer negócios, mas em vendas fechadas ainda no período de exposição. Unânime também nesses depoimen- tos é a convicção de que, seja para exportar, seja para atuar no mercado interno, é cada vez mais fundamental estar em sintonia com os avanços da tecnologia e em contato com o mundo empresarial em termos globais.

Instrumentos adequados

Para isso, na medida em que oferecem uma visão abrangente das inovações e da possibilidade de realizar negócios, os eventos internacionais são apontados como instrumentos muito adequados (não por menos o lema da K 2004 foi “Visão – Inovação – Negócios”). No caso específico da K, lembrou Werner Mathias Dornscheidt, presidente e CEO da empresa organizadora do evento, a Mes- se Düsseldorf GmbH, a composição da feira refle- te exatamente o que aconteceu no mundo nos últi- mos três anos. “Nesse período, ocorreram impor- tantes reestruturações e mudanças regionais, cujos efeitos agora se tornam visíveis”, ele disse. “Da edição anterior da feira, em 2001, para esta, o nú- mero de expositores estrangeiros cresceu em mais de 100, para 1 831, enquanto o de exibidores ale- mães caiu de 1 162 para 1 090.” Sem surpresa, o maior crescimento foi de asiáticos – de 255 para 373. São números que, por si sós, dimensionam o tamanho da concorrência em nível global e de onde ela virá com mais força. No entanto, como lembraram alguns entrevis- tados, essas oportunidades não devem induzir ao comodismo de aguardar a realização de eventos internacionais para atualizar-se. Igualmente indis- pensável é utilizar a internet e os veículos de co- municação especializados. Num mundo em que, por força da competição em velocidade eletrônica, as inovações são incorporadas imediatamente às matérias-primas, aos processos, aos equipamentos e aos serviços, o caminho para a sobrevivência pode ser sintetizado em duas necessidades: estar informado e, na medida que o capital permite, equipado com o que houver de mais avançado. É, em síntese, o que se pode depreender dos exem- plos e depoimentos a seguir.

DIVULGA ÇÃ O Das sintéticas entrevistas com represen- tantes desses expositores apresentadas logo adiante emana um
STUDIO AG – ANDRÉ GODOY
STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

Para café e granulados

Mais um material concorrente para o vidro (e para a lata de aço), este na área de alimentos. Em seu estande na K 2004, a Polibrasil Resinas S/A apresentou um desenvolvimento do ma- terial plástico que está em grande foco no momento, o polipro- pileno (PP), produzido pelo processo ISBM (Injection Stretch Blow Molding). No caso, trata-se de um PP monocamada, po- rém com bi-orientação que dá ao material alto brilho, barreira e transparência maiores do que os propiciados pelo polipropileno convencional. Direcionado ao mercado de café solúvel e a produtos granula- dos em geral, o material foi apresentado na feira já na forma de produto acabado, isto é, de pote com o produto, selado, tampado e rotulado. O desenvolvimento foi feito pela Polibrasil em conjunto com a Miliken (aditivo), a Aoki (equipamento), a Po- lipet (transformação) e a Geraldisco (lacre selante). O nome do fornecedor de café não foi revelado, pois seria uma empresa que vai adotar o pote para sua marca. Maurício B. Lucena, da área de serviços técnicos da Polibrasil, afirma que o shelf-life do pote para café solúvel já está comprovado, mas ainda não foi possível testar o limite, já que o material foi desenvolvido há muito pouco tempo. Segundo ele, a receptividade ao lançamen- to foi muito boa na feira. Tradicionalmente a Polibrasil participa da K como expositora, por ser o evento mais importante do setor em nível mundial, atendendo aos objetivos de relacionamento com clientes e de re- forço de imagem da empresa, diz Lucena. A presença da mar- ca brasileira em Düsseldorf é explicada por ele por duas razões básicas. A primeira é que, estando presentes no grande ponto de inovação, referência mundial em tudo que se relaciona a plás- ticos, conseguimos fazer as novidades apresentadas em todos os segmentos chegarem a diferentes unidades da empresa e, daí, aos clientes. Em segundo, a Polibrasil participa também para colocar-se como ponto de apoio aos clientes presentes na feira. “É uma excelente oportunidade para estabelecer contatos e trocar idéias com profissionais do mundo inteiro, considera o executivo da Polibrasil. “É nesses contatos que se identificam tendências e oportunidades.Polibrasil: (11) 3345-5960 • www.polibrasil.com.br

Venda no primeiro dia

Dado o fato de sua participação na K ter introduzido a Rulli Standard Indústria e Comércio de Máquinas, de Guarulhos (SP), nos mercados europeu, norte-ame- ricano e asiático, quinze anos atrás, a empresa nunca mais deixou de participar do evento, sendo esta a quinta oportuni- dade. Desta vez, apresentou em seu es- tande uma co-extrusora COEX-3, de três camadas, com capacidade de produção de 450 quilos de filme por hora. Graças à colocação de um anel de ar automáti- co, o equipamento, que propiciava uma variação de espessura próxima a 5% nos filmes, reduziu esse índice à metade, isto é, a 2,5%. Trata-se de um importante avanço tecnológico e um expressivo atri- buto competitivo, argumenta Luís Car- los Rulli, diretor comercial da empresa. Poucas máquinas européias, mesmo alemãs, oferecem desempenho seme- lhante ao da COEX-3, ele afirma. A má- quina é equipada com uma bobinadeira GAP de última geração, que permite em- bobinamento sem contato do filme com o tambor central. Uma das vedetes do pa- vilhão 17 da Messe Düsseldorf, a máqui- na foi vendida no primeiro dia da feira, de onde seguiria para o Canadá. Rulli Standard (11) 6486-0006 • www.rullistandard.com.br

STUDIO AG – ANDRÉ GODOY Para café e granulados Mais um material concorrente para o vidro
STUDIO AG – ANDRÉ GODOY Para café e granulados Mais um material concorrente para o vidro

42 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

Ganho de produtividade

Com forte atuação em exportações, a marca Ciola de equipamentos para a produção de filmes de poli- propileno verticais e planos esteve presente pela quinta vez consecutiva na K, em Düsseldorf. Nossas participações nesta que é a maior feira mundial do setor de plásticos trouxeram, invariavelmente, bons resultados, embora nem sempre imediatos, relata Aldo Ciola Filho, diretor da AC Mack Indústria e Co- mércio, fabricante das máquinas. Em seu amplo es- tande montado em Düsseldorf, a empresa apresen- tou em operação uma novíssima Mega 1000 Advan- ced (foto), que produz filmes de polipropileno de 600mm a 1000mm de largura. Em relação ao mo- delo anterior, a máquina apresenta significativo ga- nho de produtividade: tem capacidade de produção de 90 quilos por hora, contra 70kg/h antes. A qua- lidade do filme produzido na Mega 1000 Advanced também melhorou, já que seu índice de tolerância a variação foi reduzido a aproximadamente 8%. Na feira de Düsseldorf, a Ciola apresentou também não fisicamente, mas por meio de catálogos e fo- lhetos sua máquina plana (para cast film) Horizon, nos modelos 1000, 1200 e 1500. Segundo a em- presa, por ser um equipamento compacto o Cast- Film Horizon é simples de ser operado, ocupando pouco espaço se comparado aos equipamentos simi- lares e, em razão da disposição de seus componen- tes, é de fácil manutenção. A capacidade de produ- ção dos diferentes modelos, de filmes com largura variável de 1 000mm a 1 500mm, vai de 150kg/h a 400 kg/h.

Acreditando na possibilidade de fechar negócios ain- da na feira, Aldo Ciola Filho lembrou que os índices de visitação da K são muito altos, e o melhor é que são visitas qualificadas. Em sua opinião, quanto maior a participação de empresas brasileiras em fei- ras especializadas melhor, pois isso mostra a força do país em diferentes segmentos. “É importante lem- brar que o Brasil ocupa o sexto lugar no ranking de fabricantes mundiais de máquinas para processa- mento de plástico.AC MACK (Ciola): (11) 4591-1245 • www.ciola.com.br

IMAGENS: DIVULGAÇÃO

Wutzl, tecnologia para o Primeiro Mundo Ao final de sua primeira participação na K, em 2001,
Wutzl, tecnologia para o Primeiro Mundo
Ao final de sua primeira participação na K,
em 2001, a Wutzl Sistemas de Impressão
localizada em Guarulhos, próximo a São
Paulo, fez um balanço dos resultados do
evento que surpreenderam seus executi-
vos e os levaram a retornar este ano. Se-
gundo o engenheiro Robert Wutzl, sócio
diretor da empresa, a expectativa naquela
ocasião era estabelecer contatos visando
a exportar para países em que as exigên-
cias de tecnologia fossem menos rígidas
do que em países de economia mais de-
senvolvida. “Pensávamos em Iraque, Rús-
sia, Turquia”, ele conta. “Para nossa sur-
presa, fruto daquela participação, hoje ex-
portamos para a Holanda, para os Esta-
dos Unidos, para a Austrália e, claro, para
aqueles países também”, ele conta.
Dona de um portfólio com aproximada-
mente oitenta modelos de máquinas de
heat-transfer, hot-stamping e tampogra-
fia, a Wutzl está presente no mercado
brasileiro há mais de trinta anos, com
foco em sistemas de impressão e decora-
ção. Entre outras aplicações, esses siste-
mas abrangem embalagens de cosméticos
e tampas plásticas em geral. Em sua se-
gunda participação no evento a empresa
teve por objetivo principal encontrar re-
presentantes no exterior, a fim de ampliar
a participação das exportações no fatura-
mento, hoje em torno de 10%. “Estamos
fazendo uma seleção muito rigorosa, pois
já perdemos máquinas vendidas para ou-
tros países”, conta Robert Wutzl. Ele res-
salta que o Brasil está bem situado em
nível internacional no que se refere a tec-
nologia, destacando que, no caso específi-
co de sua empresa, é primeira no país no
ramo de equipamentos de tampografia
com certificação ISO 9001 e, “pela segun-
da vez, o único fabricante com essa condi-
ção presente na K”.
No estande da Wutzl em Düsseldorf esta-
va presente também sua coligada Rodec,
fornecedora de produtos para impressão
utilizados naqueles sistemas.
Wutzl/Rodec
(11) 6475-4243 • www.wutzl.com.br
(11) 6468-9077 • www.wutzl.com.br/rodec

Ipiranga faz três lançamentos mundiais de PEAD

Beneficiada como outras fornece- doras pelo mercado demandante, pela segunda vez consecutiva a Ipi- ranga Petroquímica participou da K, onde fez três lançamentos mun- diais de polietileno de alta densida- de para sopro: GD 5160, GD 5250 e GV 0350. A primeira, um homopolímero, foi desenvolvida para a fabricação de recipientes de pequeno volume, em processo injeção-sopro. Na área de embalagem, é indicada para tampas injetadas, bisnagas, bocais de cre- me dental, frascos para sucos, bebidas lácteas e recipientes de uso geral com capacidade de até 2 litros. A empresa destaca, entre suas características, a boa resistência a empilhamento e a impacto, além de elevada produti- vidade. A GF 5250 é um copolíme-

ro direcionado ao segmento de so- pro para embalagens de detergen- tes, tensoativos e cosméticos, além de bombonas para produtos quími- cos e agroquímicos. Características destacadas: excelente resistência ao impacto, boa rigidez e resistên- cia ao tensofissuramento. Já o GD 03250 apresenta alta massa mo- lar. Esse copolímero, que segundo o fabricante oferece excelente resis- tência química e alta resistência ao impacto, foi desenvolvido para o

segmento de alto volume, como bombonas e tambores de 100 a 240 litros e tambores elanenados de 200 litros.

Na participação anterior da Ipiran- ga na K, em 2001, o objetivo foi mostrar ao mundo a empresa, que era praticamente desconhecida, segundo relata Jayme Lucchese Moura, gerente de desenvolvimento e especialidades. Em nossa avalia- ção, o resultado foi muito além das expectativas, ele conta. Já no iní- cio da atual edição da feira, os resultados do investimento ante- rior puderam ser sentidos, com visitas em grande quantidade e de ótima qualidade, além da ex- celente receptividade aos três lançamentos. Ipiranga:

(51) 3216-4449 • www.ipq.com.br

Ipiranga faz três lançamentos mundiais de PEAD Beneficiada como outras fornece- doras pelo mercado demandante, pela

44 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

Alto brilho da Braskem

Nos dois estandes que montou na K, com um total de 510m 2 de área, a Braskem introduziu no merca- do internacional importante inovação, que permite o uso do polipropileno (PP) na produção de garrafas de alto brilho e transparência pelo processo ISBM (In- jection Stretch Blow Molding). Essa nova aplicação do PP é voltada sobretudo para bebidas não gaseifi- cadas, como sucos, isotônicos, água mineral e chás, além de produtos de higiene pessoal e limpeza, como detergentes e xampus. A tecnologia consumiu mais de um ano de pesquisas, tendo sido desenvolvida em parceria da Braskem com a Packpet (transforma- dor), a Sidel (equipamentos de sopro) e a Milliken, que entrou com o aditivo clarificante ao qual se deve a melhora do desempenho da resina, isto é seu alto brilho e sua transparência. Esse lançamento é resultado de uma estratégia adotada pela empresa de oferecer aos clientes no- vas alternativas tecnológicas e soluções diferencia- das de acordo com as suas necessidades, disse Luiz de Mendonça, vice-presidente responsável pela Uni- dade de Poliolefinas da Braskem. Já o responsável pelos negócios de polipropileno da empresa, Luís Fel- li, afirmou que todos os avanços alcançados ao lon- go desse desenvolvimento indicam que a a embala- gem de PP ISBM é muito competitiva em função de sua combinação única de propriedades. A garrafa feita com a nova resina é mais re- sistente que o PP convencional, suporta empilhamento de até 2 metros (três vezes mais que o outro) e é, segundo a Braskem, 10% mais barata que uma de mesma ca- pacidade de conteúdo produzida em vidro, material com o qual concorrerá direta- mente num primeiro momento. O embate seguinte deverá ser com as cartonadas assépticas, campo em que a vantagem de preço seria ainda maior. A receptividade do produto na feira inter- nacional do plástico foi extraordinária, se- gundo Edison Terra Filho, diretor de marke- ting corporativo poliolefinas da Braskem. Num dos dois estandes sempre lotados da empresa na Messe Düsseldorf, ele citou que essa receptividade foi compatível com o am- biente contagiante da feira. A propósito, re- gistrou ser impressionante a maneira como a indústria de transformação do plástico se inseriu e marcou presença para investir em competitividade e para manter o parque brasileiro em nível mundial. Braskem: (11) 3443-9061 • www.braskem.com.br Milliken: (11) 3043-7944 • www.milliken.com Packpet: (11) 4198-7750 Sidel: (11) 3783-8800 • www.sidel.com.br

STUDIO AG
STUDIO AG

DIVULGAÇÃO

DIVULGA ÇÃ O Um polímero amigo do ambiente A PHB Industrial S/A, de Serrana (SP), apresentou

Um polímero amigo do ambiente

A PHB Industrial S/A, de Serrana (SP), apresentou em seu estan- de na Messe Düsseldorf o Biocycle, matéria-prima para a substi- tuição de plásticos obtida a partir da cana-de-açúcar. Com a sigla PHB, de polihidroxibutirato, o Biocycle foi desenvolvido a partir de 1992 numa parceria do Centro de Tecnologia da Coopersucar com o IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Pau- lo. É produzido numa joint-venture de duas empre- sas familiares atuantes no setor sucro-alcooleiro, a Irmãos Biagi, de Serrana, e o Grupo Bal- bo, com duas usinas em Sertãozinho, tam- bém em São Paulo. Suas principais aplica- ções ocorrem na produção de plásticos de uso rá- pido, como embalagens descartáveis. O Biocycle nasce por efeito da fotossíntese da cana- de-açúcar, sintetizada a partir da transformação do gás carbônico, disponível na atmosfera, da água no solo, da energia solar e de insumos agrícolas. Depois de industrializada, a cana-de- açúcar se transforma em sacarose e fibra. A sacarose, por sua vez, é transformada em um biopolímero, o PHB. Vale dizer que é um po- límero natural obtido com uso apenas de insumos naturais. Em con- tato com um ambiente biologicamente ativo, isto é, onde ocorre pre- sença de bactérias e fungos, associado à temperatura e à umidade, é transformado novamente em gás carbônico. Daí o nome, que sig- nifica ciclo de vida e que tem extraordinário apelo em mercados for- mados por consumidores de forte consciência ambiental. Sylvio Ortega Filho, coordenador geral do projeto, destaca três de- les: a Europa Ocidental, devido à crescente movimentação em tor- no de temas ecológicos; os Estados Unidos, pela preocupação com a redução do consumo de petróleo; e o Japão, onde a falta de es- paço e o esforço para a redução do volume de lixo são cruciais. No estande da PHB Industrial na K o movimento de interessados era intenso. Trata-se de uma feira organizada, à qual as pessoas vêm de forma organizada, ressalta Ortega. Em nosso caso, ele con- ta, Uma parte expressiva dos visitantes veio programada para vi- sitar o estande. São visitas tanto de pesquisadores quanto de inte- ressados no produto, profissionais de empresas globais, de fatura- mentos enormes.Biocycle: (16) 3987-9000 • www.biocycle.com.br

Policarbonatos investe em imagem

Expor a marca e agregar para a empresa a imagem de corporação de porte mundial. Esse foi o principal objetivo da Policarbona- tos do Brasil S/A ao participar, pela quin- ta vez consecutiva, da K. Registramos re- sultados logo no início da feira, afirma Francisco M. Catalan, diretor superinten- dente da empresa, que exporta 50% de sua produção. Apesar desse expressivo ín- dice, e de ser a única produtora de resinas de policarbonato da América Latina, a pro- dução da Policarbonatos representa ape- nas 1% do total mundial. Ainda assim, di- vide mercado com os grandes fabricantes

mundiais, que são a GE e a Bayer, com os asiáticos e com a norte-americana Dow. Hoje, graças à rede de distribuição que montamos ao longo destes anos, dirigi- mos para países da Europa 80% de nos- sa produção, conta Catalan. Para ele, a K é a maior feira mundial do setor, que para a área de plásticos não tem nada igual; quem puder não deve deixar de es- tar presente. Policarbonatos do Brasil:

(71) 634-9900/9950 www.policarbonatos.com.br

Policarbonatos investe em imagem Expor a marca e agregar para a empresa a imagem de corpora
DIVULGA ÇÃ O Um polímero amigo do ambiente A PHB Industrial S/A, de Serrana (SP), apresentou
DIVULGA ÇÃ O Um polímero amigo do ambiente A PHB Industrial S/A, de Serrana (SP), apresentou

A Inbra não perde a chance de atualizar-se – e de vender

Tendo nas exportações a importan- te parcela de 15% de seu fatura- mento, a Inbra Indústrias Químicas Ltda., de São Paulo, participa como expositora da K há sete edições, mais de vinte anos. Seu principal produto oferecido ao mercado ex- terno é óleo de soja epoxidado, um

500 toneladas/mês, das quais cer- ca da metade vai para países da Eu- ropa, e o restante, para os Estados Unidos, a Ásia e os parceiros do Brasil no Mercosul. Na K, além desse produto a Inbra apresentou os estabilizantes para PVC Plastabil e Markstab e o ace-

gundo Eber Luchinio de Souza, vendedor t é cnico. Al é m dessa possibilidade, diz Eber, “é uma enorme oportunidade que se apre- senta a cada três anos de atualiza- ção em novas tecnologias, idéias e tendências. Inbra:

co-plastificante, ou plastificante se-

lerador Plastabil. O objetivo princi-

(16) 3987-9048

cundário para PVC. A empresa em-

pal da empresa na feira alemã foi

www.inbra.com.br

barca para o exterior, em média,

ampliar e acelerar as vendas, se-

www.biocycle.com.br

46 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

Carnevalli, um dos centros de atenção Pela oitava vez presente como exposito- ra na K, desta

Carnevalli, um dos centros de atenção

Pela oitava vez presente como exposito- ra na K, desta vez num estande de 354m 2 , a Carnevalli levou a Düsseldorf uma equipe de oito pessoas para apre- sentar sua linha de equipamentos de so- pro. Na feira, lançou a Polaris COEX 7 PA 1200, uma co-extrusora de sete ca- madas, com multibarreira para oxigênio. Destinada a embalagens para gêneros alimentícios, a máquina permite extensa combinação de filmes, como polietileno (PE), poliamidas (PA) e EVOH, além dos adesivos. Segundo Wilson Miguel Carne- valli, diretor da empresa, muito versá- til, esse é um equipamento de alta tec- nologia, tanto que é o único na feira com capacidade para sete camadas, enquan- to as concorrentes são de cinco. De fato, era um dos centros de atenções no pavilhão 16 do evento. Na opinião de Carnevalli, estar presen- te na K é obrigatório, pois reforça muito a imagem da empresa. Para ele, as duas feiras mais importantes do setor são a K, em nível internacional, e a Bra- silplast, em âmbito regional. Ele conside- ra também que as empresas brasileiras deveriam ter presença maior em even- tos internacionais, embora reconheça que falar é fácil, ante o elevado custo

e as dificuldades. Dentre estas destacou a falta de apoio oficial e a excessiva bu- rocracia.

Carnevalli (11) 6413-3811 • www.carnevalli.com

Masterbatch para efeito perolizado

Líder do mercado brasileiro de concentrados de cor e aditivos, a Cromex apresentou na K 2004, com forte repercussão, o masterbatch de CaCO3 e/ou Ti02, que produz efeito peroli- zado nas embalagens de poli- propileno bi-orientado (BOPP). Tal efeito é obtido por meio de tecnologia de aditivação de uma carga inorgânica com ca- racterísticas especiais somada

 

à bi-orientação do BOPP. Para demonstrar o produto, a Cro- mex levou a seu estande de

cos, por isso a Cromex não poderia ficar de fora, disse Edgard Perez Jr., gerente co-

105m 2 em Düsseldorf dez pro- fissionais da empresa. A presença da Cromex na feira alemã atende à estratégia de, sendo uma empesa regional com forte presença na Améri- ca Latina, projetar-se global- mente. Além de atender todos os países do continente, a em- presa está presente na Euro- pa, no Oriente Médio, na Ásia e na África. As exportações respondem hoje por aproxima- damente 20% da produção, de

mercial da empresa. Aliás, a participação da Cromex na feira se dá sem interrupção desde a edição de 1989, sen- do esta, portanto, a sétima vez. Sempre obtivemos bom retorno em todos as vezes que expusemos e, como em todas elas, recebemos este ano visitas e consultas de profissionais de empresas de vários países, com boas pers- pectivas de fechar negócios, relata o executivo.

7 000 toneladas/mês.

Cromex

A K é o evento mundial mais

(11) 3856-1000

importante da área de plásti-

www.cromex.com.br

Fala o setor

Desde 1970 participo de todas as edições da K, por ser a mais importan- te feira internacional para a indústria do plástico e da borracha. A feira apresen- ta tecnologia de ponta, bem como os mais recentes pro- cessos e desenvolvimentos de produtos derivados de políme- ros. Na condição de presiden- te da Abiplast e da Aliplast, sempre encorajei a presença em larga escala de empresas brasileiras em feiras desta

magnitude, especialmente porque sua import â ncia ultra- passa a mera realiza çã o de neg

magnitude, especialmente

porque sua importância ultra- passa a mera realização de negócios.Merheg Cachum, presidente da Abiplast – Associação Bra- sileira da Indústria do Plástico e da Aliplast – Associação La- tino-americana da Indústria do Plástico

48 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

entrevista >>> Rogério Mani “ As vendas cresceram, e os problemas de caixa também ” V

entrevista >>> Rogério Mani

As vendas cresceram, e os problemas de caixa também

entrevista >>> Rogério Mani “ As vendas cresceram, e os problemas de caixa também ” V
  • V ice-presidente da Associação Brasileira da In- dústria de Embalagens Plásticas Flexíveis – Abief, Rogério Mani esteve à frente da comi- tiva de setenta profissionais ligados à entidade

que visitaram, em outubro último, a Feira In- ternacional do Plástico e da Borracha – K 2004. Além de suas impressões sobre o evento alemão, considerado um dos prin- cipais pontos de encontro mundiais dos fornecedores de so- luções para a cadeia de embalagens, Mani comenta nesta en- trevista o atual cenário do mercado de embalagens flexíveis. Impossível, portanto, que o executivo não se ativesse aos su- cessivos aumentos das matérias-primas derivadas do petró- leo, que somaram 60% nos últimos nove meses, e ao proces- so de achatamento das margens de ganho que aflige o seg- mento representado pela Abief. A seguir, Mani, também di- retor do Grupo Sol, descreve os reflexos da alta dos insumos nos índices brasileiros de consumo de embalagens flexíveis, e ainda fala sobre os mecanismos e ações de que o Brasil dispõe para diminuir o ritmo dos aumentos das matérias-pri- mas derivadas do petróleo.

Se for possível sintetizar, quais as principais tendências que

o senhor observou na feira K, no que se refere a embalagens e, mais especificamente, a embalagens flexíveis?

Não restam dúvidas de que duas vertentes deverão ser segui- das pelas embalagens plásticas em geral: cor e forma. A pro- fusão de novos pigmentos que foram apresentados na edição deste ano da feira nos faz crer que a embalagem realmente virou um item de moda, acompanhando de perto as tendên- cias para as várias estações. Em termos de forma, os shapes exclusivos e diferenciados tornam-se elementos de diferen- ciação no ponto-de-venda. Especificamente no caso das embalagens plásticas flexíveis, a bola da vez são os sistemas

de automatização que contribuem para flexibilizar a produ- ção e aumentá-la. Mas, infelizmente muitos deles ainda não são acessíveis às indústrias do setor por questões de custo.

Quais as inovações mais significativas?

Não diria que existe uma inovação mais significativa, mas que os detalhes incorporados nas máquinas e equipamentos fazem a diferença. A inclusão dos robôs nas linhas de produ- ção foi sem dúvida um item que também chamou muito a atenção de quem teve a oportunidade de visitar a K neste ano.

O senhor acredita que os avanços tecnológicos incorporados aos equipamentos, na medida em que aumentam a produtivi- dade da indústria convertedora, poderão contribuir para contrabalançar as perdas causadas ao setor pelo aumento dos preços das matérias-primas derivadas do petróleo?

De certa forma sim, mas o problema é a indústria converte- dora conseguir investir nesses avanços tecnológicos. Vale lembrar que o setor de transformação de embalagens flexí- veis é composto por cerca de 700 empresas, a maioria delas de pequeno e médio porte. Muitas, portanto, acabam espre- midas entre os fornecedores de resina, que impõem aumen- tos, e seus cliente diretos, que não aceitam qualquer repasse. Essas empresas já estão fazendo um grande esforço para au- mentar a captação de capital de giro, a fim de fazer frente aos seus compromissos. Mas, infelizmente, investir em mo- dernização tornou-se algo impensável no momento.

A ABIEF levou uma comitiva de aproximadamente setenta pessoas à K. A presença de brasileiros ligados à ABIEF na feira foi maior do que em anos anteriores?

Apesar da retração financeira da maioria das empresas, a presença dos associados da ABIEF na K foi mais significa-

Rogério Mani, vice-presidente da Abief, comenta a feira alemã K e as possibilidades de o setor de embalagens flexíveis contrabalançar o aumento de preço das matérias-primas derivadas do petróleo

50 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

entrevista >>> Rogério Mani tiva do que em anos anteriores. Embora descapitalizados, os empresários brasileiros sabem

entrevista >>> Rogério Mani

tiva do que em anos anteriores. Embora descapitalizados, os empresários brasileiros sabem quanto é importante manter- se atualizado tecnologicamente, antecipando-se às várias tendências do mercado internacional. Especialmente porque muitos deles já vêm a exportação como uma saída bem viá- vel para a crise no mercado doméstico.

No total, foram à K mais de 3 000 brasileiros. Como pode ser inter- pretada essa presença?

Como disse anteriormente, o em- presário brasileiro está suficiente- mente maduro para reconhecer a importância de fazer parte de um ce- nário internacional e respirar as no- vidades tecnológicas e mercadoló- gicas. E isso não é de agora. Ano a ano a presença brasileira em even- tos como a K, a PackExpo e a Inter- pack aumentam. Só tivemos uma queda de participação nos eventos realizados logo após o 11 de setem- bro. E repito: essa participação in- ternacional só tende a se fortalecer, uma vez que o empresário quer mesmo estreitar sua relação com empresas internacionais que pos- sam ser potenciais clientes ou mesmo potenciais parceiros em suas negociações internacionais.

midor final nem de longe foi afetado por ele. Em outras pa- lavras, aumentamos nossas vendas, pois houve um reaqueci- mento do consumo, mas estamos com sérios problemas de caixa. Todo mês temos que bater na porta de nossos clientes, para negociar um possível aumento – e na maioria das vezes não somos bem sucedidos. Na velocidade em que esses au- mentos vêm ocorrendo, a situação de boa parte das empre- sas começa a dar sinais de enfermi-

dade. O capital de giro já se foi faz algum tempo.

Lá fora o processo de alta dos insu- mos tem sido igualmente negativo para o setor de embalagens flexí- veis?

Creio que o mercado internacional também está sofrendo com esses au- mentos contínuos, mas de uma for- ma mais equacionada. Até porque as petroquímicas não saem mês a mês impondo novos preços para seus produtos. A força dos converte- dores não permite tal situação. Nor- malmente, nos mercados externos, trabalha-se através de contratos, ou seja, os preços são pré-determina- dos por 120 a 180 dias, com corre- ções futuras.

Na opinião do senhor, quais os me- canismos e ações de que o Brasil dispõe para diminuir o ritmo dos

“Na velocidade em que os aumentos das matérias-primas vêm ocorrendo, a situação de boa parte das empresas do mercado de embalagens flexíveis começa a dar sinais de enfermidade. O capital de giro já desapareceu há algum tempo”

A atual taxa de ociosidade do setor de embalagens flexíveis, de 10%, revela-se baixa na compa- ração com a da indústria de plásticos em geral (25%). Essa situação se deve a eventuais dificuldades de investimentos produtivos? Ou estaria ligada ao simples aumento da de- manda por embalagens flexíveis no país?

Eu diria que está mais ligada a um aquecimento da deman- da, sentido principalmente neste segundo semestre. Mas isso não significa que o setor está financeiramente saudável. Continuamos amargando aumentos continuados no preço da matéria-prima, sem conseguir repassá-los. Também é neces- sário considerar que os volumes vendidos são cada vez maiores, mas a rentabilidade tem registrado queda constan- te. Por outro lado, o setor convive ainda com alguns equipa- mentos antigos e com baixa produtividade. Portanto, esses dois fatores somados, aquecimento e baixa produtividade, explicam a menor ociosidade.

aumentos das matérias-primas derivadas do petróleo?

Na ABIEF acreditamos que o governo poderia ter um papel importante nessas negociações. Afinal, os aumentos são de- sencadeados pela Petrobras. Por isso mesmo, estamos ten- tando mostrar às autoridades os prejuízos que o setor vem sofrendo, e como eles poderão afetar a atividade industrial e a economia como um todo. Chegamos até a cogitar algum tipo de incentivo governamental que viabilize as importa- ções de resina. Em paralelo, continuamos a promover reu- niões nas quais todos os elos da cadeia possam participar. Acreditamos que esta também é uma forma de mostrar que vai chegar um momento em que não haverá bons clientes para as petroquímicas.

Vem se observando nos últimos tempos a tendência, entre os fornecedores de resinas, de oferecer especialidades, para

Em que medida a alta das matérias-primas, que somou 60% nos últimos nove meses, tem influenciado os índices brasi- leiros de consumo de embalagens flexíveis?

Como não conseguimos repassar esses aumentos, o consu-

fugir da comoditização. De que forma isso tem afetado as margens dos convertedores?

As especialidades só ajudam os convertedores, uma vez que podemos agregar valor às nossas embalagens. O problema é que novamente as petroquímicas estão oferecendo essas es-

52 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

entrevista >>> Rogério Mani pecialidades a preços pouco competitivos, muitas vezes su- periores aos praticados no

entrevista >>> Rogério Mani

pecialidades a preços pouco competitivos, muitas vezes su- periores aos praticados no mercado internacional. Tal práti- ca inviabiliza qualquer inovação.

tipo camiseta, as sacolas plásticas convencionais e filmes stretch e shrink. Só não exportamos mais por não termos preços e custos competitivos.

Uma área onde se notam grandes avanços é a de filmes para rótulos. A gama de produtos oferecidos pelos laminadores é cada vez maior. Seria a mesma tendência de busca por es- pecialidades e agregação de valor?

Sem dúvida. Os filmes para rótulos termoencolhíveis ou auto-adesivos garantem maiores margens de ga- nho. Mas produtos assim só se tor- narão um boom no mercado nacio- nal, a exemplo do que já ocorre no exterior, quando os convertedores sentirem firmeza em investir. Para isso o setor precisa ter garantias de que o fantasma do aumento contí- nuo de preços deixará de assombrar suas planilhas de custo.

Recentemente, até por falta de in- formação adequada, a questão am- biental tem colocado a indústria do plástico numa situação complicada. Já surgiram, por exemplo, leis ata- cando o uso de sacolas plásticas nos supermercados. Quais as res- postas da indústria para esse tipo de problema?

A principal delas é a utilização de

Há notícias de que a China está investindo fortemente para tornar-se em poucos anos o principal país exportador de embalagens flexíveis. Ante a agressividade comercial que se observa nos chineses em outras

áreas, isso pode vir a ser uma ameaça para o setor que a ABIEF representa?

Certamente. E aí voltamos ao entra- ve competitivo imposto pelos cons- tantes aumentos no preço da resina. Se estamos com a nossa sobrevivên- cia ameaçada, como podemos ter fôlego para exportar? Chegamos a um ponto em que, se não houver um envolvimento efetivo de toda a cadeia petroquímica, não apenas deixaremos de nos inserir no con- texto internacional, como deixare- mos de existir no mercado domésti- co. Precisamos trabalhar com pre- ços alinhados no mercado interno e externo. Precisamos, urgentemente, desonerar as exportações.

O Brasil está preparado para en- frentar essa ameaça?

Do ponto de vista tecnológico, te-

Do ponto de vista tecnológico o Brasil está preparado para enfrentar a agressividade comercial de países como a China. Mas talvez os converte- dores e demais elos da cadeia de embalagens flexíveis não tenham estrutura financeira para superar essa ameaça

materiais de rápida degradação. Al- gumas empresas associadas à ABIEF já estão fazendo um trabalho muito sério nesse sentido, colocando no mercado produtos feitos à base de resinas biodegradáveis, que já re- ceberam o aval de marcas famosas como O Boticário, Gru- po Pão de Açúcar e Natura.

Diversas entidades de classe vêm afirmando que uma maior participação das embalagens na balança comercial brasi- leira é factível. A própria ABIEF decidiu colocar em práti- ca um programa de incentivo às exportações do segmento de embalagens flexíveis. Que resultados a entidade teve até agora e quais produtos o senhor acredita terem maior po- tencial de vendas internacionais?

mos todas as condições de competir em pé de igualdade. Mas talvez não tenhamos estrutura fi- nanceira para tal. O que consigo enxergar no momento é que, se não repassarmos os aumentos acumulados, devemos nos preparar para uma diminuição de estoques e, conseqüen- temente, de redução de produção. São medidas que definiti- vamente inviabilizariam boa parte das nossas estratégias de exportação.

Em mercados mais desenvolvidos e aquecidos que o brasi- leiro, registra-se tendência de crescimento do uso de emba- lagens flexíveis, em substituição às rígidas. Essa tendência ocorre também no Brasil?

Sim. Um bom exemplo é a aparição de embalagens stand-up

Embora não possa medir os resultados em números, sabe- mos que o VIPE ABIEF – ferramenta de incentivo às expor- tações, cujo objetivo é criar condições imediatas para a ex- portação de embalagens plásticas flexíveis através da equi- paração do preço das resinas aos níveis internacionais – está tendo impacto muito positivo no caixa das empresas que se

propuseram a exportar. Hoje os produtos brasileiros com maior penetração no mercado internacional são as sacolas

pouch em mercados que até pouco tempo eram dominados pelas embalagens rígidas. Esperamos que a indústria de fle- xíveis cresça em volume cerca de 10% este ano.

Em que categorias de produtos o senhor diria que a substi- tuição de embalagens rígidas pelas flexíveis é mais acen- tuada?

Em alimentos e bebidas de maneira geral, e em alimentos

54 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

entrevista >>> Rogério Mani prontos e semi-prontos em particular. Bom exemplo são os retortable pouches, e

entrevista >>> Rogério Mani

prontos e semi-prontos em particular. Bom exemplo são os retortable pouches, e as embalagens flexíveis para bebidas especiais, como sucos prontos para beber e isotônicos. São

segmentos em que o surgimento de novos sistemas de aber- tura/fechamento reforçam a portabilidade da embalagem e facilitam o chamado consumo nômade – em trânsito. Fora desses dois segmentos-chave, também é possível perceber algum movimento de adoção de no-

vos tipos de embalagens flexíveis pela indústria de higiene pessoal e limpeza doméstica.

Outra tendência de que se ouve fa- lar muito, esta no campo da produ- ção, seria a de aumento do uso de equipamentos de banda estreita, to- mando mercado de embalagens produzidas em máquinas de banda larga. Isso ocorreria devido à ne- cessidade de tiragens menores para atender a multiplicidade de marcas e de submarcas dos produtos, para suprir segmentos de mercado cada vez mais focados. Tal informação é verdadeira?

A especialização e o foco em tira- gens menores, em produtos com alto valor agregado, é sem dúvida uma tendência para a indústria de embalagem como um todo. Todos buscam diferenciar-se, tornando-se

O BOPP versão matte é sem dúvida um material novo, que ainda tem um longo e promissor caminho a percorrer. Ele foi introduzido no segmento de snacks e está ganhando adeptos diariamente. Se existirem inovações, elas devem concentrar- se na redução de espessura dos filmes.

Fala-se muito no potencial nacional para os retortable pou- ches, seguindo uma tendência inter-

nacional, o que abriria uma disputa

dessas embalagens flexíveis com la- tas de aço e de alumínio. Já obser- vamos um lançamento pioneiro des- sa natureza na área de pescados. Qual a sua projeção para essa questão?

Trata-se de uma embalagem que a médio e longo prazo certamente conquistará uma fatia significativa dos alimentos prontos para consu- mo. A tecnologia ainda não está a pleno vapor no Brasil, talvez por questões de custo, e pela própria in- certeza da reação do consumidor. Mas quando começar a ser reconhe- cida será uma embalagem de suces- so absoluto, a exemplo do que ocor- re no Japão e em outros países desenvolvidos há tanto tempo.

Produtos tradicionalmente vendidos em cartuchos cartonados têm mi- grado para embalagens flexíveis.

Ainda não existe o risco de haver problemas de suprimento de resinas no mercado interno. Por outro lado, muitos convertedores estão na iminência de enfrentar falta de estoque. É mais um reflexo dos contínuos aumentos das matérias-primas

mais competitivos, e não há dúvidas de que uma maneira de atingir esses objetivos é investir em extensões de linha. Nesse sentido, os equipamentos de ban- da estreita de fato têm se mostrado uma boa alternativa para a indústria de embalagens flexíveis, pois permitem o desen- volvimento de pequenas tiragens.

Poucos meses atrás, o senhor disse que poderia haver pro- blemas de suprimento de resinas no mercado interno caso as petroquímicas optassem por aproveitar o cenário de pre- ços altos no mercado internacional e exportar mais do que o excedente. Isso está ocorrendo?

Ainda não. Quem está na iminência de ter problemas de es-

toque são os convertedores. Os aumentos constantes estão tendo reflexos nos estoques, que poderão estar seriamente comprometidos em pouco tempo.

O polipropileno bi-orientado (BOPP) se tornou nos últimos anos a “bola da vez” em materiais para embalagens flexí- veis, tendo avançado significativamente em áreas como ró- tulos, embalagens de sabonetes e snacks. Quais as próximas perspectivas de expansão desse material?

Que mercados o senhor destacaria para demonstrar o inver- so desse movimento, ou seja, o assédio de outros materiais a categorias em que as flexíveis até então eram absolutas?

Felizmente não me lembro de nenhum exemplo de caminho contrário ao flexível. Na verdade, todas as estatísticas refor- çam essa tendência de migração para o flexível, apontando- o como a embalagem que terá o maior crescimento em par- ticipação, tanto por novas aplicações quanto pela substitui- ção de materiais mais tradicionais.

Em termos de sistemas de impressão, fala-se muito no Brasil sobre o avanço da flexografia. Esse movimento de expansão vem de fato ocorrendo?

Sem dúvida. A verdade é que a impressão flexográfica evo- luiu tanto que mesmo especialistas encontram dificuldade em diferenciá-la de uma impressão em rotogravura, por exemplo. Com o aumento do número de cores, esse sistema não deixa nada a desejar para outras técnicas. Além disso, a flexografia apresenta redução de custos e flexibilidade de produção. Por tudo isso, é o sistema de impressão que mais se consolidou na indústria de embalagens flexíveis.

entrevista >>> Rogério Mani prontos e semi-prontos em particular. Bom exemplo são os retortable pouches, e

56 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

reciclagem >>> lubrificantes

Lavagem ecológica

Solvente promete estimular reciclagem de embalagens de óleos lubrificantes

F
F

undamentado na ação de catadores e cooperativas, e ainda muito ca- rente de iniciativas de coleta sele-

etapa inicial da reciclagem de plásticos como o PEAD, as embalagens precisam estar lim- pas. Trata-se, no caso dos lubrificantes, de uma dificuldade extra, já que o sistema con- vencional de lavagem exige uma etapa de se- paração do óleo e da água, além de uma es- tação de tratamento de efluentes (ETE). “A lavagem à base de água e detergente não é prática, e acaba desencorajando a reci- clagem de embalagens plásticas de óleo lubrifi- cante”, avalia Fábio Ri- beiro, químico respon- sável por uma empresa especializada em reci- clagem, a FBR. Após ter participado de um seminário em São Paulo sobre as principais oportunidades do mercado brasileiro de reciclagem, Ribeiro desenvolveu um novo método de lavagem de embalagens usadas de óleos lubrificantes. Em vez de água e sabão, utiliza-se no processo um solvente chamado hexano. Trata-se, segundo o quími- co, do mesmo produto empregado na extra- ção de óleo da semente de soja. “É um sol- vente comum à indústria de óleos, mas pouco explorado para fins de reciclagem”, ele diz. Uma das vantagens do processo é a facili- dade de separar o óleo lubrificante do solven- te. Para isso, basta submeter a solução a pro- cessos de destilação, que consistem na expo- sição dos resíduos a diferentes temperaturas. De acordo com o químico criador do proces- so, essa técnica é mais simples do que a re- querida para a separação do óleo misturado à água com detergente. “Com ela, as indústrias de reciclagem não precisam investir em ETEs”, fala Ribeiro. “Além disso, tem cresci- do o número de empresas especializadas em fazer processos de destilação de óleo lubrifi- cante dissolvido em hexano.”

reciclagem >>> lubrificantes Lavagem ecológica Solvente promete estimular reciclagem de embalagens de óleos lubrificantes F undamentado

tiva, o modelo brasileiro de reci- clagem enfrenta outras dificuldades além da falta de legislação sobre descarte e destinação adequados dos resíduos. No caso específico das embalagens, um obstáculo bem menos vi- sível, mas que mal gerenciado pode se trans- formar num gargalo para os processos de re- ciclagem, é a eliminação dos restos do produ- to originalmente acondicionado. Pode parecer um mero detalhe, mas a limpeza das embala- gens usadas muitas vezes encarece a recicla- gem, podendo desesti- mular ações de rea- proveitamento. Tal situação é ve- rificada no mercado de óleo lubrificante, que consome 730 mi- lhões de embalagens por ano no Brasil. Esti- ma-se que 1 000 tonela- das de polietileno de alta densidade (PEAD) usado para a produção de embalagens plásticas desse tipo de produto acabem parando todos os anos em lixões Brasil afo- ra. Além de representar um desperdício de 1,2 mi- lhão de reais, custo aproximado de 1000 tone- ladas de PEAD no mercado brasileiro de reci- clagem, o descarte inadvertido desses produ- tos leva ao ambiente mais de 400 000 litros de óleo lubrificante por ano. Isso acontece por- que o volume residual médio do produto por embalagem é de 20ml.

Dificuldade extra

Segundo especialistas em reciclagem, uma das principais causas dessa situação de perda é a dificuldade de lavagem dos frascos usa- dos. Antes de entrar na máquina de moagem,

PERDA - Cerca de 400 000 litros de óleo residual são descartados por ano no Brasil
PERDA - Cerca de
400 000 litros de
óleo residual são
descartados por
ano no Brasil

FBR Reciclagem

(51) 649-3160

www.fbrreciclagem.com.br

58 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

achocolatados >>> aço

Espaço com aço

Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas

A gaúcha CBS Alimentos vinha en- frentando um problema com seu achocolatado Supercau, marca for-

achocolatados >>> aço Espaço com aço Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas A

te no Sul do país, onde chega a todos os 547 municípios do Rio Grande do Sul e também às praças do litoral catarinense até a fronteira com o Paraná. Segundo a em- presa, o pote plástico de 400g no qual o pro- duto fora lançado, no início de 2002, não fa- vorecia sua colocação nos melhores espaços do varejo. “Trabalhamos com gerenciamento de categoria e percebemos que, na layoutiza- ção, o varejista colocava o Supercau numa faixa inferior da prateleira”, afirma Alessan- der Bellaver, gerente de marketing da CBS. Decidiu-se, então, fazer o produto migrar para a lata de aço, mais especificamente para

a lata com fechamento plástico Ploc Off de 400g, da Brasilata – nova versão dessa emba- lagem, com diâmetro de abertura maior, de 99mm. Com a nova apresentação, o achoco- latado ganhou lacre de segurança, abertura fá- cil e, nas palavras do executivo da CBS, maior apelo visual também. “Optamos por li- tografar a lata em vez de usar rótulo de papel, pois a visibilidade na gôndola é muito supe- rior”, ele argumenta. “Ganhamos em imagem e posicionamento, pois agora o Supercau está exposto na faixa premium dos supermerca- dos.” O produto renovado foi lançado em agosto, na feira AGAS – Associação Gaúcha de Supermercados. Lá, atingiu venda de 5 000 caixas (cada uma com 24 unidades) du- rante os três dias do evento.

achocolatados >>> aço Espaço com aço Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas A
RENOVAÇÃO – Supercau ganhou abertura prática (veja seqüência de abertura ao lado) e decoração litográfica Brasilata
RENOVAÇÃO –
Supercau ganhou
abertura prática
(veja seqüência de
abertura ao lado) e
decoração litográfica
Brasilata
(11) 3611-8122
www.brasilata.com.br
FOTOS: DIVULGAÇÃO

60 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

achocolatados >>> aço Espaço com aço Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas A
achocolatados >>> aço Espaço com aço Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas A
achocolatados >>> aço Espaço com aço Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas A
achocolatados >>> aço Espaço com aço Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas A
achocolatados >>> aço Espaço com aço Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas A
achocolatados >>> aço Espaço com aço Lata versátil rende a achocolatado melhor posição nas lojas A

CONGRAF

62

CONGRAF

63

Bubbaloo tem novo sabor em flow pack

Através de pesquisas com jovens de 8 a 14 anos de idade, a Cad- bury Adams detectou que faltavam no mer-

cado de chicles os sabores ex- traídosde frutas tropicais brasi- leiras, típicas de seu cotidiano. A empresa resolveu então lançar o Bubbaloo Salada de Frutas, que já vem com os sabores mistura- dos. As novas gomas de mascar são embaladas em flow packs produzidos pela Inapel.

Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8

Assolan adota rótulos auto-adesivos

A nova linha de saponáceos cremo- sos Assolan chega ao mercado nas versões Pinho, Limão e Marine com rótulos auto-adesivos da Novelprint. O design da embalagem tem cores que facilitam a diferenciação das suas variantes na gôndola. Os rótu- los seguem o padrão gráfico de toda a linha de produtos Assolan. As co- res são as mesmas dos frascos, po- rém em tons diferentes. Os frascos e os rótulos foram criados pela agência MDesign, mantendo as característi-

cas da família de produtos e o Mas- cote Assolan.

Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8

Private labels no mercado de cachaças

O fenÙmeno das marcas prÛprias che- gou, quem diria, ao segmento de ca- chaÁas. O Bar Mercearia S„o Roque, de S„o Paulo, est· investindo num rÛ- tulo prÛprio da bebida. Para isso con- tratou uma empresa especializada em construÁ„o de marcas, a Neat, que cuidou do planejamento visual da re- cÈm-lanÁada CachaÁa Mercearia S„o Roque. Um dos destaques do produto s„o os rÛtulos, produzidos em papel

couchÈ pela Set Print. Eles s„o deco- rados com o desenho da fachada do bar, feito com aquarela e bico de pena, e tambÈm com fotos do interior do estabelecimento, de autoria da fo- tÛgrafa Sheila Farah. ìPorÈm, com o passar do tempo, a idÈia È renovar as fotos, chamando outros profissionais para o projetoî, diz Sheila, que tam- bÈm È diretora da Neat ñ ConstruÁ„o de Marcas.

Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8
Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8
Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8
Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8
Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8
Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8
Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8

64 >>>>>> EmbalagemMarca >>>>>> nnoovveemmbbrroo 22000044

Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8

Gloss para estações quentes

A Chlorophylla está lançando uma linha de gloss com as cores que prometem ser a moda na pri- mavera-verão: rosa e marrom. A embalagem primária, em poli- propileno, é fabricada pela Ipel. A caixa de papelão é da Serze- graf, com design desenvolvido pela Chlorophylla.

Bubbaloo tem novo sabor em flow pack Atrav é s de pesquisas com jovens de 8

Papelão ondulado para frutas

A Paraibuna Embalagens desenvol- veu um sistema de embalagens de papelão ondulado para atender o mercado fruticultor, composto por caixa, bobina ondulada, bandeja de polpa moldada e tampa pallet. Todo o sistema é projetado e desenvolvi- do de acordo com as necessidades de cada cliente ao embalar, paleti- zar e resistir ao empilhamento e à umidade. Segundo a empresa, as caixas ga- rantem a conservação do produto, ocupam menor área de armazena- mento, evitam disseminação de fun- gos e recebem tratamento do papel miolo e das capas interna e externa.

Turma da Mônica, frente e verso

Com o objetivo de agregar valor à marca, a Kimberly-Clark do Brasil desenvolveu novas embalagens para as linhas diurna e noturna das fraldas Turma da Mônica, que ga- nharam um padrão azul claro na for- ma de um céu suave, com nuvens que remetem à idéia de maciez. Para comunicar os novos benefícios das fraldas, é utilizado o verso das embalagens e um selo frontal, com os dizeres Toque Suave, em alu- são à nova cobertura externa do produto. Para a linha noturna, a embalagem ganhou um céu mais escuro e estrelado, e também teve

seu código de cores preservado. As embalagens de polietileno são fornecidas pela Canguru e pela Ro- taplas, com desenho da Oz Design.