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SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: Uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

[original: 1999]

Parte 2 – Capítulo 3 - “Contra a concepção técnica: os reconceptualistas”, pp. 37-44.

1. As críticas ao currículo técnico na América do Norte. (pp. 37-39)


1.1. Remeta já às reações de James McDonald e Dwayne Huebner ao modelo de Tyler.
1.2. Organizadamente, a partir de 1973: I Conferência sobre Currículo, liderada por William Pinar, Universidade
de Rochester, Nova York.
1.2.1. Influenciados pelas teorias sociais europeias (fenomenologia, hermenêutica, marxismo etc.), punham
em questão a atividade meramente administrativa do currículo.
1.2.1.1. Pela fenomenologia: as categorias de aprendizagem, objetivos, mediação, avaliação etc.
nada diziam sobre a experiência concreta da vida.
1.2.1.2. Pelo marxismo: eficiência e racionalidade administrativa eram reflexos da dominação
capitalista.
1.2.2. Como se vê, um embate que dividirá o campo dos opositores ao currículo tradicional: prioridade das
estruturas sociais ou dos significados subjetivos.
1.2.2.1. Desnaturalizar as categorias da pedagogia para dar-lhes um sentido singular ou para
romper com o senso comum alienante?
1.3. Nos ocuparemos aqui do grupo mais fenomenológico, que se dissolverá no pós-estruturalismo.

2. Crítica curricular fenomenológica. (pp. 39-44)


2.1. A tradição fenomenológica moderna surge com Husserl, e é desenvolvida por Heiddeger e Merleau-Ponty.
2.2. O método fenomenológico consiste basicamente em por em suspensão o entendimento que normalmente
temos do mundo cotidiano.
2.2.1. Entende-se que os significados que tomamos como naturais são apenas “aparências”.
2.2.2. Por isso é preciso colocá-los em causa, para atingir a sua “essência”.
2.2.3. O objetivo é chegar a uma experiência mais significativa com o “mundo da vida”.
2.2.3.1. “Significado”: algo pessoal, subjetivo; é social só se for intersubjetivo, jamais estrutural.
2.2.3.2. Ou seja: algo que, só é possível ser manifestado na linguagem, mas que escapa dela.
2.3. Aplicando isso ao currículo: Max van Mannen, Ted Aoki (Canadá) e Medeleine Grumet (EUA).
2.3.1. Talvez seja a crítica mais radical contra a epistemologia pedagógica tradicional: pouco importam as
formas e regras da compreensão.
2.3.2. As disciplinas escolares e seus currículos pertencem a um mundo de segunda ordem (o dos
conceitos), sendo que o mais importante é o mundo da experiência subjetiva.
2.3.2.1. As disciplinas e matérias escolares estão aí para serem “postas entre parênteses”.
2.3.3. O objetivo das disciplinas, portanto, seria de se apresentarem como local da experiência de refletir
sobre os significados da vida cotidiana que nos acostumamos a ver como dados naturais.
2.3.3.1. Com isso, são questionadas todas as categorias de organização do trabalho pedagógico.
2.3.3.2. E, por isso, a experiência pessoal dos estudantes é que vira alvo de investigação.
2.3.3.2.1. Desbanalizar o banal do cotidiano: a morte, a doença, o tempo, os sentimentos.
2.4. Posteriormente, ela se combina com investigações hermenêuticas e autobiográficas.
2.4.1. “Hermenêutica” (segundo Gadamer): a possibilidade de múltiplas interpretações dos textos
2.4.2. Autobiografia: serve para enfatizar os aspectos formativos do currículo.

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2.5. E combinou-se, ainda, com a psicanálise.
2.5.1. William Pinar: investigação da formação da identidade e da subjetividade.
2.5.1.1. Explora a etimologia da palavra “currículo”: currere, “correr” – é uma atividade, não uma
coisa.
2.5.1.2. Ou seja: situar o singular, o situacional, o histórico em nossa vida; desvela os momentos
formativos.
2.5.1.3. Mas também é ele mesmo um exercício formativo: conexões entre o conhecimento escolar,
a história de vida e o desenvolvimento intelectual que potencializam a transformação do eu.
2.5.1.3.1. Maior compreensão de si, maior consciência de si.
2.5.2. Como se vê, é uma afronta radical ao currículo tradicional; talvez por isso tenta se circunscrito na
prática de formação docente.
2.5.2.1. É difícil pensar em como fazer isso sistematicamente na educação infantil, talvez apenas
como um recurso entre outros.