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PARATUBERCULOSE

Doença de Johne
Prof. Dr. David Germano G. Schwarz
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
Profª Maria Aparecida S. Moreira
Universidade Federal de Viçosa - UFV
DEFINIÇÃO

• Doença infecciosa crônica, que acomete todos os ruminantes,


caracterizada por inflamação granulomatosa no intestino
(Jejuno, íleo e cólon).

• World Organization for Animal Health

• IN nº 50, 24/09/2013, MAPA - Comunicação


em 30 dias (casos confirmados)
HISTÓRICO

• 1895 – Johne e Frothingham - bovino

❖ Enterite pseudotuberculosa
➢ 1910 - isolado em meio de cultivo ➔
❖ Paratuberculose Mycobacterium enteritidis chronicae
pseudotuberculosae bovis Johne (Twort
❖ Doença de Johne e Ingram, 1912). Heinrich
Albert
➢ Mycobacterium johnei e Mycobacterium Johne
paratuberculosis.
➢ 1990 - Mycobacterium avium subsp.
paratuberculosis (Thorel et al. 1990).
HISTÓRICO

BRASIL
❑ 1915 – Octávio Dupont - 1º relato
❑ Bovino da raça holandesa, importada da Bélgica – Rj

❑ 1956 – Santos e Silva – 2º relato


❑ Bovino da raça Flamenga, importada - RJ

Doença exótica ..............não mais ➔ disseminação no país


Mycobacterium avium subsp.
ETIOLOGIA
paratuberculosis (MAP)

 Família: Mycobacteriaceae
 Gênero: Mycobacterium

COMPLEXO “Mycobacterium avium”

 Gram-positivo BAAR → Ziehl-Neelsen


 Aerófilos ou microaerófilos Coelho et al. (2008)

 Pequenos aglomerados – “Clusters”

Arquivo pessoal
Caldeira et al.,2021. Interaction of Mycobacterium avium subsp. paratuberculosis with bovine sperm, Theriogenology
EPIDEMIOLOGIA

Sohal, et al. (2015)


EPIDEMIOLOGIA
• Prevalência variável
– Dependente da metodologia utilizada.
• 20-40% EUA
• 7-55% Europa Brasil
• 9-22% Austrália •37,9% SP
•30% RJ
•60,2% GO
•45,5% MS
Whittington et al. BMC Veterinary Research (2019)
EPIDEMIOLOGIA
Diferentes cepas

• Cepa C (bovina)
• Cepa S (ovina)
• Cepa “Bison”
• Cepa intermediária (??)

www.pc.gc.ca
TRANSMISSÃO

https://www.animalhealthaustralia.com.au/what-we-do/endemic-disease/johnes-disease-in-cattle/spread-and-
prevalence/
TRANSMISSÃO
Horizontal

Vertical
Dimareli-Malli (2010)
Importância Econômica

• Manutenção do apetite.
•  da produção de leite.
•  da taxa de descarte prematuro.
•  da incidência de doenças.
•  nos custos sanitários.

• US$ 250 milhões/ano EUA.


(arquivo pessoal)
Importância em Saúde
Pública
 Doença de Crohn
▪ Enterite granulomatosa crônica em humanos.
▪ Similaridade nos sinais clínicos e achados histopatológicos.
▪ Isolamento de MAP.

Agente primário ?
secundário? presente
na microbiota?
Importância em Saúde
Pública
 Leite

➢ Cru, pasteurizado, em pó.

➢ Sobrevivência à pasteurização dependendo


da quantidade de micro-organismos viáveis.
PATOFISIOLOGIA
Ingestão Jejuno Placas Interação
de MAP e íleo de peyer células M
(integrinas) –
entre FAP-P
Inibição da Células (fibronectina)

maturação dos apresentadoras


fagossomos e de antígenos
apoptose
Formação de células gigantes e
granuloma tecidual

Multiplicação Migração para linfonodos satélites,


ducto torácico e circulação sistêmica
SINAIS CLÍNICOS

 Enterite granulomatosa → Má absorção de nutrientes

 Diarreia crônica e intermitente,


 Emagrecimento progressivo,
 Mau estado corporal,
 Diminuição da produção de leite,
 Morte eventual.
(arquivo pessoal)
SINAIS CLÍNICOS

não é comum diarreia


em pequenos ruminantes
https://www.theland.com.au/story/6115031/johnes-
case-prompts-biosecurity-reminder/
Fases da infecção e sinais

• Fase I (Estádio inicial)


• Subclínicos.
• Não excreta o agente.
• Disseminação inicial de MAP no hospedeiro.

→ NÃO HÁ SOROCONVERSÃO
Fases da infecção e sinais
• Fase II (Estádio intermediário)
• Eliminação subclínica e progressiva de MAP nas fezes.
•  da concentração da bactéria na mucosa intestinal.
• Emagrecimento progressivo.

→ BAIXA SOROCONVERSÃO

Arquivo pessoal
Fases da infecção e sinais
• Fase III (Estádio final)
• Diarreia crônica e intratável.
•  da produção leiteira
• Estado caquético

→ SOROCONVERSÃO DETECTÁVEL
*MORTE
https://www.eurekalert.org/pub_releases/2018-
04/hu-uti040218.php
LESÕES

❖PAUCIBACILAR (tuberculoide): pequenos granulomas


compostos por células epitelióides, circundados por linfócitos,
com pouca ou nenhuma micobactéria →  imunidade celular

❖MULTIBACILAR (lepromatosa): acúmulo de macrófagos


preenchidos por grande quantidade de micobactérias →
imunidade humoral
ALTERAÇÕES ANATOMO-
PATOLÓGICAS

➢ Mucosa intestinal espessada (edemaciada), irregular, com


aspecto rugoso.
➢ Enterite.
➢ Linfangite (vasos linfáticos).
➢ Linfadenite (linfonodo) granulomatosas.
NORMAL

Brito, Mota & Yamasaki (2014)


Brito, Mota & Yamasaki (2014)
Cheng et al. (2020)
Brito, Mota & Yamasaki (2014)
c

Brito et al. (2016)


HISTOPATOLOGIA
DIAGNÓSTICO
• Cultura fecal
– “padrão ouro” – Fastidioso.
– Herrol’s Egg Yolk Medium (HEYM) - Meio
seletivo.
– Mycobactina J.

Arquivo pessoal
DIAGNÓSTICO

servem/
anticorpos-e-para-que-
/a-importancia-dos-
https://mednuclear.com.br
• Testes sorológicos

AGID, ELISA.

– Sensibilidade : doença clínica


– Sensibilidade : infecção subclínica
DIAGNÓSTICO
• Provas de DNA

– PCR (IS900, ISMav2...).


–  especificidade.
– Rapidez.
– Maior custo (/animal).
– DNA estranho.
CONTROLE

❑ Não existe tratamento!!


❑ Enfermidade refratária a antimicrobianos.
❑ Somente  dos sinais clínicos.

❑ Necessária checar os animais infectados e


decidir.
CONTROLE

• 1 animal com sinais clínicos.


• 15 animais infectados subclínico.
• 9 animais eliminando MAP nas fezes.

ICEBERG
CONTROLE
• Medidas de manejo
• Higiene geral das instalações.
• Limpeza após ordenha.
• Separação dos animais por idade.

• Vacinas
• Não previne completamente a doença.
• Diminuição dos casos clínicos.
• Não permitida no Brasil ➔ Interferência em testes imunológicos
presentes no PNCEBT.
As figuras sem referencias foram retiradas do site
https://pixabay.com/pt/

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