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DOENÇA DO

REFLUXO
GASTROESOFÁGICO
Ludmila Naves Marinho
R1 – Clínica Médica 2019
Hospital Regional do Paranoá - DF
INTRODUÇÃO

■ A doença do refluxo gastroesofágico é uma


afecção crônica decorrente do fluxo
retrógrado de parte do conteúdo
gastroduodenal para o esôfago e/ou órgãos
adjacentes a ele, acarretando um espectro
variável de sinais e sintomas, tanto
esofágicos quanto extra-esofágicos.
EPIDEMIOLOGIA

■ No Brasil, caso considerem-se queixas


típicas e atípicas, cerca de 12 a 20% da
população apresenta DRGE.

Prateek Sharma, Dig Dis 2001


FISIOPATOLOGIA

■ A DRGE tem como base o retorno patológico


para o esôfago de agentes agressores
representados pelo ácido clorídrico,
pepsina, sais biliares e enzimas
pancreáticas.
BARREIRA MECANISMOS ENVOLVIDOS

Área de alta pressão - Pressão intrínseca do


encontrada junto à esfíncter inferior do
transição esofagogástrica esôfago (EIE)
- Localização intra-
abdominal do EIE
- Compressão extrínsecas
pela crura diafragmática
- Ligamento frenoesofágico,
criado um ângulo agudo na
entrada do esôfago no
estômago

Depuração esofágica - Peristalse


- Salivação e neutralização
ácida
Resistência da mucosa - Junções firmes
esofágica - Matriz intracelular
- Secreção de bicarbonato
(camada submucosa)
ALIMENTOS MEDICAMENTOS HORMÔNIOS AGENTES OUTROS
NEURONAIS

Chocolate Bloqueadores do Progesterona Betabloqueado Tabaco


canal de CA res

Gordura Meperidina Secretina Anticolinérgi Álcool


co

Café Morfina Glucagon Antagonistas


alfa-
adrenérgicos
Dopamina Somatostatin Agonistas do
a ácido nítrico

Diazepam VIP

Barbitúricos GIP

Teofilina

Prostaglandinas
E2, I2
MANIFESTAÇÕES
CLÍNICAS
TÍPICAS ATÍPICAS

Pirose PULMONARES: Asma, tosse


crônica, pigarro,
bronquite crônica,
pneumonia de repetição,
bronquiectasias

Regurgitação ácida OTORRINOLARINGOLOGIA:


Faringites, otites,
sinusites, rouquidão
Eructação ORAIS: Desgaste do
esmalte dentário, aftas,
halitoses
DIAGNÓSTICO

■ Anamnese
- Pirose em geral relatada de 30 minutos a 2
horas após as refeições, com duração
variável, podendo ser precipitada por
aumento da pressão intra-abdominal e
aliviada pelo uso de antiácidos;
- Dor torácica não cardíaca
- Antecedentes pessoais, medicamentos em uso
e antecedentes familiares
- DRGE complicada (sinais de alarme):
disfagia, odinofagia, hematêmese, melena,
anemia e emagrecimento
ATENÇÃO!

■ É importante salientar a falta de relação


entre a intensidade dos sintomas e a
gravidade da doença, havendo pacientes
bastante sintomáticos com doença leve aos
exames subsidiários e vice-versa.
DIAGNÓSTICO

■ Exame Endoscópico – Classifica a DRGE em


erosiva e não erosiva
- Classificação de Los Angeles
DIAGNÓSTICO

■ Exame radiológico – Estenose, úlceras e


retrações
■ pHmetria de 24 horas
■ Manometria - Motilidade esofágica
■ ImpedanciopHmetria esofágica – Refluxo não
ácido
■ Teste terapêutico – Para pacientes com
menos de 40 anos, portadores de
manifestações típicas de DRGE e sem sinais
de alarme
COMPLICAÇÕES

■ Esôfago de Barret – Substituição do


epitélio escamoso estratificado próprio do
esôfago por epitélio metaplásico do tipo
colunar intestinal – Adenocarcinoma de
esôfago
■ Estenose – Inflamação decorrente do refluxo
leva a uma fibrose da parede e redução da
luz esofágica – Disfagia
■ Sangramento esofágico – lento e insidioso
TRATAMENTO
TRATAMENTO

■ Inibidores da bomba de prótons


- São consideradas as drogas de primeira
escolha no tratamento da DRGE.
- OS IBP inibem a produção de ácido pelas
células parietais do estômago, reduzindo a
agressão ao esôfago, representada pelo
ácido.
- Recomenda-se o tratamento inicial deve ser
feito com IBP em dose plena por um período
de 4 a 8 semanas. Quando não se observa
resposta satisfatória deve ser considerado
o uso de dose dobrada da medicação.
TRATAMENTO

■ Bloqueadores dos receptores H2 da histamina


- Atuam bloqueando os receptores da histamina
existentes nas células parietais, sendo
eficazes como bloqueadores da secreção
ácida basal.
- Seguro e baixo custo
- Limitação: Baixa eficácia em casos mais
graves e tolerância com uso crônico
TRATAMENTO

■ Procinéticos
- Elevam a amplitude das contrações
peristálticas do corpo esofágico, aceleram
o esvaziamento gástrico e elevam a pressão
no EIE.
- Não tem influência sobre o relaxamento
transitório do EIE
TRATAMENTO

■ Antiácidos, alginatos e sucralfato


- Podem ser usados em situações especiais,
como em caso de efeitos adversos com IBP ou
ARH2, para fornecer alívio sintomático
passageiro;
- Atuam neutralizando a secreção ácida e são
eficazes para controle, em curto prazo, dos
sintomas da DRGE com propriedade curativa
bastante limitada.
TRATAMENTO

■ Cirúrgico
- Indicado em casos de esofagite complicada e
em pacientes aos quais é exigida terapia de
manutenção com IBP, especialmente os com
menos de 40 anos ou, ainda, em casos em que
está indicada a manutenção, mas esta não
pode ser seguida;
- Pacientes que não respondem ao tratamento
clínico em geral não são bons candidatos às
intervenções cirúrgicas.
TRATAMENTO

■ Cirúrgico:
- Consiste na recolocação
do esôfago na cavidade
abdominal, na aproximação
dos pilares do hilo
diafragmático
(hiatoplastia) e no
envolvimento do esôfago
distal pelo fundo
gástrico
(fundoaplicatura)
■ Os dados incluíram 18 estudos controlados
que identificaram 3.206 indivíduos
diagnosticados com fibrose pulmonar
idiopática em uma população de 9.368
pacientes que sofriam com a doença do
refluxo gastroesofágico.
■ Não foram encontradas evidências concretas
entre as duas doenças, apesar de uma
possível relação entre ambas ser indicada
nos estudos.
■ A incidência foi maior entre indivíduo
fumantes; ao ser descartado o subgrupo do
tabaco como fator de risco, não foi
identificada relação entre FPI e DRGE.
OBRIGADA!