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Poder Judiciário

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO


APELAÇÃO CÍVEL Nº 5077185-41.2014.4.04.7000/PR
RELATORA: DESEMBARGADORA FEDERAL VIVIAN JOSETE PANTALEÃO
CAMINHA
APELANTE: CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA DA 9ª REGIÃO - CRQ/PR (RÉU)
APELADO: BENEFICIADORA PARANAENSE DE PRODUTOS PLSTICOS LTDA - EPP
(AUTOR)
ADVOGADO: RICARDO KEY SAKAGUTI WATANABE
ADVOGADO: GEANDRO LUIZ SCOPEL

RELATÓRIO

Trata-se de ação ordinária ajuizada por Beneficiadora


Paranaense de Produtos Plásticos Ltda., devidamente qualificada em
inicial, em face do Conselho Regional de Química da 9ª Região -
CRQ/PR, pretendendo obter provimento jurisdicional para "1)
declarar a inexistência de obrigação da autora de: a) manter registro
perante o Conselho Regional de Química da 9ª Região; b) contratar
profissional químico registrado perante aquele Conselho; 2) declarar a
inexigibilidade de toda e qualquer multa imposta pelo Conselho
Regional de Química da 9ª Região em desfavor da autora, por força das
obrigações referidas no item '1' supra; 3) anular os lançamentos, a
constituição e a cobrança das multas já impostas no Processo
Administrativo nº 18.389/09 (R$ 4.958,90 referentes a 2011 e R$
9.917,80 referentes a 2012) e eventuais outras já lançadas e
constituídas por força das obrigações referidas no item '1' supra; 4)
condenar o réu a restituir a quantia paga pela autora a título de multa
imposta em 2011, no valor de R$ 4.958,90, devidamente corrigida
monetariamente e acrescida de juros legais de mora, desde o desmbolso
(30/08/11) até a data do efetivo pagamento".

Sentenciando, o MM. Juízo a quo proferiu a seguinte


decisão:

Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado


na inicial para reconhecer a inexigibilidade de registro da
autora no Conselho Regional de Química do Paraná, bem
como a inexigibilidade de contratação de profissional da área
química, bem como anular os lançamentos, constituição e
cobrança das multas impostas no Processo Administrativo nº
18.389/09 (R$ 4.958,90, referentes a 2011, e R$ 9.917,80,
referentes a 2012), condenando a ré à restituição da quantia
já paga pela autora a título de multa, devidamente corrigida
pela taxa SELIC, desde a data do pagamento efetivado pela
empresa requerente até a data da efetiva restituição.
Condeno o CRQ-PR ao pagamento de honorários
advocatícios, que fixo em 10% sobre o valor atualizado da
causa, corrigido pelo INPC, índice que melhor reflete o
fenômeno inflacionário.

Custas e despesas processuais ex lege.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Em suas razões recursais, o Conselho suscitando,


preliminarmente, o cerceamento de defesa em razão do indeferimento
do pedido de coleta de prova pericial requereu:

a1) Que seja decretada a invalidade da sentença, ante a infração à


ampla defesa e o devido processo legal, devendo os autos retornarem
ao juízo de primeiro grau para realização de perícia, nos termos
requeridos; a2) Caso não seja este o entendimento, considerando que
a atividade fiscalizadora comprovou a existência de reações químicas
na produção de seu objeto social, levando em consideração que o
Contrato Social não é considerado prova inequívoca capaz de afastar
a constatação técnica que se chegou mediante processo
administrativo, deve-se reformar o decisum para o fim de julgar
improcede o pedido inicial; a3) Reformar a decisão de 1º grau, de
modo a reconhecer a exigibilidade de contratação de profissional
responsável da área Química junto ao Conselho Regional de Química
da Nona Região – CRQ – IX, ante a comprovação de atividade
privativa do
profissional da química.

Com as contrarrazões, vieram os autos para julgamento.

É o relatório.

VOTO

I - Não configura cerceamento de defesa o indeferimento


da prova pericial requerida. A matéria aqui tratada é exclusivamente de
direito, há elementos suficientes para a convicção do Juiz e não depende
de prova técnica e devendo ficar adstrita à aplicação dos dispositivos
legais cabíveis na espécie.

Ademais, ao juiz cabe apreciar a questão de acordo com o


que ele entender atinente à lide, não estando obrigado a julgar a questão
posta a seu exame de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com
o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, provas, e aspectos
pertinentes ao tema, bem como da legislação que entender aplicável ao
caso, segundo o que prevê o art. 371 do CPC, in verbis:

Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos,


independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará
na decisão as razões da formação de seu convencimento.

II - No que diz respeito ao mérito, tenho que a sentença


deve ser mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, in verbis:
II - FUNDAMENTAÇÃO

Cuida-se de ação ordinária em que a parte autora pretende seja


reconhecido a inexigibilidade de a autora manter registro perante o
Conselho Regional de Química da 9ª Região, bem como a
inexigibilidade da contratação de Responsável Técnico da área da
Química, com anulação dos "lançamentos, constituição e cobrança
das multas já impostas no Processo Administrativo nº 18.389/09 (R$
4.958,90 referentes a 2011 e R$ 9.917,80 referentes a 2012)" e
condenar o "réu a restituir a quantia paga pela autora a título de
multa imposta em 2011, no valor de R$ 4.958,90, devidamente
corrigida monetariamente e acrescida de juros legais de mora, desde
o desmbolso (30/08/11) até a data do efetivo pagamento".

Aponto, primeiramente, que, no caso em tela, não há controvérsia


quanto às atividades que são desenvolvidas pela autora, nos termos
de seu próprio contrato social, e amplamente expostas nos autos,
limitando-se a controvérsia à necessidade de estar, por desenvolver
tais atividades, registrada a autora no Conselho Regional de
Química.

A Lei nº 6.839/80, aplicável à controvérsia objeto destes autos, em


seu artigo 1º, dispõe:

Art. 1º. O registro de empresas e a anotação dos profissionais


legalmente habilitados, delas encarregados, serão obrigatórios nas
entidades competentes para fiscalização do exercício das diversas
profissões, em razão da atividade básica ou em relação àquela pela
qual prestem serviços a terceiros.

Observe-se, ainda, que a Lei nº 2.800, de 18 de junho de 1956, que


criou os Conselhos Regionais e Federal de Química e disciplinou o
exercício da profissão de químico, em seu artigo 27, caput, remeteu a
definição das atividades em que a presença do químico seria
obrigatória para a CLT.

Por sua vez, o artigo 335 da CLT, ao tratar da obrigatoriedade da


admissão de químico, estipulou que:

Art. 335 - É obrigatória a admissão de químicos nos seguintes tipos


de indústria:

a) de fabricação de produtos químicos;

b) que mantenham laboratório de controle químico;

c) de fabricação de produtos industriais que são obtidos por meio de


reações químicas dirigidas, tais como cimento, açúcar e álcool, vidro,
curtume, massas plásticas artificiais, explosivos, derivados de carvão
ou de petróleo, refinação de óleos vegetais ou minerais, sabão,
celulose e derivados.

Dispõe, ainda, o artigo 20, § 2º, da Lei nº 2.800/56, acerca das


atividades de competência privativa dos profissionais da química:

"Art 20. Além dos profissionais relacionados no decreto-lei n.º 5.452,


de 1 de maio de 1943 - Consolidação das Leis do Trabalho - são
também profissionais da química os bacharéis em química e os
técnicos químicos.
(...) § 2º Aos técnicos químicos, diplomados pelos Cursos Técnicos de
Química Industrial, oficiais ou oficializados, após registro de seus
diplomas nos Conselhos Regionais de Química, fica assegurada a
competência para:

a) análises químicas aplicadas à indústria;

b) aplicação de processos de tecnologia química na fabricação de


produtos, subprodutos e derivados, observada a especialização do
respectivo diploma;

c) responsabilidade técnica, em virtude de necessidades locais e a


critérios do Conselho Regional de Química da jurisdição, de fábrica
de pequena capacidade que se enquadre dentro da respectiva
competência e especialização."

Sustenta a parte autora que a "atividade industrial realizada pela


empresa demandante não envolve processo químico, razão pela qual
não há se falar em necessidade de registro perante o CRQ nem em
obrigatoriedade de contratação de profissional químico", apontando
que não trabalha com atividade da indústria química, não prestando,
tampouco, serviços desta natureza a terceiros e que "o único processo
industrial empregado pela autora, que embasou as penalidades
impostas pelo CRQ-IX, é o de extrusão a partir da matéria prima
polipropileno, uma das etapas da fabricação do produto
comercializado pela autora ('embalagens de material plástico')", que
envolveria apenas reações físicas, de aquecimento, resfriamento e
moldagem do polipropileno por meios mecânicos, sem alteração de
composição ou estrutura química da matéria, razão pela qual não
está obrigada ao registro junto ao Conselho Regional de Química.

Examinando o contrato social da empresa (EVENTO 1,


CONTRSOCIAL4), verifica-se que o seu objeto social é "fabricação
de plásticos e comercialização para terceiros".

Requerida a prova pericial, produziu-se, no feito, Laudo Técnico


(EVENTO 105), à intenção de esclarecer se, durante o
desenvolvimento de suas atividades, a parte autora levaria a cabo
qualquer procedimento químico que justificaria a exigência de
registro perante o réu, e de contratação de responsável técnico
químico.

Em resposta ao quesito "b" da parte autora, o Sr. Perito,


primeiramente, é categórico ao afirmar que "a empresa não se
enquadra como indústria química de acordo com a classificação
internacional para indústrias químicas ISIC e na Classificação
Nacional de Atividades Econômicas segundo seu Código CNAE".

Instado a "especificar e descrever a matéria-prima empregada no


processo industrial da autora, detralhando sua procedência (quem a
produz e fornece) e se é adquirida no estado final e pronta para ser
utilizada na atividade fabril da autora" (quesito "d" da parte autora),
o Sr. Perito esclarece, ainda, que "as matérias primas empregadas no
processo industrial da autora são fornecidas em seus estado final e
prontas para serem utilizadas nos processos".

Quanto ao procedimento industrial da empresa requerente, o Sr.


Perito afirma que não ocorre, durante o processo, reação química
dirigida, sendo que "as etapas da produção consistem na
transformação/beneficiamento da matéria-prima por processos
térmicos e mecânicos, para a obtenção de produtos em formas
diversas" (em resposta ao quesito de esclarecimento da parte autora,
EVENTO 115), esclarecendo que "não há alteração substancial na
composição química da matéria prima" (quesito "f" da parte autora,
EVENTO 105), e que "não há diferença entre a composição química
da matéria prima virgem utilizada e a composição química do
produto final comercializado" (em resposta ao quesito "g" da parte
requerente, EVENTO 105).

O Laudo aponta que "o processo de produção de chapas é


basicamente uma transformação física, onde ocorrem os processos de
extrusão, corte e vinco e impressão" (em resposta ao quesito "h" da
parte autora, EVENTO 105), e que "equipamentos como extrusora,
máquina de corte e vinco, impressora e outros existentes não
necessitam ser operados por profissional químico" (quesito "i" da
parte autora, EVENTO 105).

O Sr. Perito esclarece, ainda, em resposta a quesito do Conselho réu


(quesito 18, EVENTO 105), que não há utilização de adjuvantes
(plastificantes, estabilizantes, cargas, anti-oxidantes, lubrificantes,
emulsificantes), que poderiam reagir gerando produtos tóxicos, no
processo industrial da parte autora.

Por fim, relevante passagem em que, novamente, o Sr. Perito


evidencia, em resposta a quesito da parte ré (quesito 16, de
esclarecimento, EVENTO 115), que o processo de produção da parte
requerente não corresponde a reação química dirigida, sendo que "no
referido processo produtivo não há diferença entre a composição
química da matéria básica e o produto final, o qual, na opinião deste
especialista, não resulta de reações químicas".

À toda evidência, em face do Laudo Pericial produzido no feito, a


atividade desenvolvida pela empresa requerente não se enquadra nas
disposições legais acima citadas, a ensejar a obrigatoriedade do
registro da autora junto ao CRQ.

Isso porque a atividade básica da empresa não envolve


conhecimentos técnicos específicos em química, nos termos descritos
no artigo 20, parágrafo 2º, da Lei n. 2.800/56, supra
mencionado, não se enquadrando, portanto, no disposto no artigo 1º
da Lei n° 6.839/80.

A empresa não realiza procedimentos químicos em sua linha de


produção, como deixa cristalino o Laudo em análise.

Mencione-se que, pelo referido dispositivo da Lei nº 6.839/80, acima


transcrito, conclui-se que o critério legal de obrigatoriedade de
registro no Conselho Regional de Química é determinado pela
natureza dos serviços prestados, entendimento este que já se encontra
consolidado na jurisprudência, inclusive já foi adotado pelo STJ
(REsp 380.318/SC, REsp 461.434/SC e REsp 386.608).

A prova pericial produzida nos autos, como já largamente apontado,


deixa claro a natureza não química dos procedimentos levados a
efeito pela parte autora no desenvolvimento de suas atividades.

Quadra observar que consta do artigo 2º do Decreto nº 85.877/81 a


lista de atividades privativas do químico.
Ocorre que, nesse particular, o decreto foge a sua função, uma vez
que não se observa, neste ponto, apenas a regulamentação da Lei nº
2.800/56, mas sim a enumeração de atividades privativas sem
qualquer previsão legal para tal, extrapolando uma função
meramente regulamentar, tanto mais que o que de fato aqui importa é
o particular modo em que se dá a efetiva indústria, envolvendo
reações químicas dirigidas.

Por conseguinte, referida lista não pode, per si, obrigar à inscrição,
sendo evidentemente necessário demonstrar que a atividade básica
da empresa requer profissional apto às atividades mencionadas na
Lei.

Não se pode aqui descurar que as operações e reações químicas


desenvolvidas na empresa não exigem conhecimento químico
específico, por serem operações de caráter elementar, que não
envolvem efetiva manipulação química de compostos, sendo
meramente físico-mecânicas.

Se a atividade básica da empresa não se situa na área da química,


nem presta ela serviços a terceiros no campo da química, não está ela
obrigada inscrever-se no Conselho Regional de Química, tampouco
em manter profissional da química como responsável técnico pelo seu
processo industrial quando se demonstra que a empresa já está
fiscalizada por outro Conselho Regional em razão de sua atividade
básica.

Não se pode confundir atividades básicas e principais de uma


empresa, com os meios por ela empregados para realizar seu objeto.

Assim, analisando as atividades praticadas pela autora e a prova


pericial aqui produzida, conclui-se que não existe obrigação de
registro perante o Conselho Regional de Química, considerando que
a empresa não possui operação química como atividade básica.

Nesse sentido, os recentes julgados do e. Tribunal Regional Federal


da 4ª Região:

"EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONSELHO REGIONAL DE


QUÍMICA. FABRICAÇÃO DE ARTEFATOS PLÁSTICOS. REGISTRO
E CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAL DA ÁREA QUÍMICA.
INEXIGIBILIDADE. PAGAMENTO DE ANUIDADE E TAXA DE
AFT. INDEVIDO. 1. A necessidade de registro de empresa no CRQ e
da contratação de profissional da área química é determinada
quando tiver por atividade-fim a fabricação de produtos químicos, ou
realize reações químicas que altere a matéria original para alcançar
seu produto final de sua produção. 2. A industrialização e
comercialização de produtos plásticos a partir do emprego de
plástico reciclado e de grânulos de polímeros por meio de operações
físicas de aquecimento e resfriamento e projetados por via mecânica,
em processo de extrusão sobre moldes, não desenvolve atividade
própria de químico nos termos do artigo 27 da Lei n° 2.800/56 e
artigos 334 e 335 da CLT, e não é atividade que exija o registro junto
ao Órgão de Fiscalização e pagamento de anuidades." (TRF4, AC
5009938-76.2015.404.7107, SEGUNDA TURMA, Relator OTÁVIO
ROBERTO PAMPLONA, juntado aos autos em 06/07/2016).

"ADMINISTRATIVO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE


INEXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO. CONSELHO REGIONAL DE
QUÍMICA. FABRICAÇÃO DE ARTEFATOS PLÁSTICOS.
RECICLAGEM DE POLIETILENO E POLIPROPILENO.
REGISTRO. INEXIGIBILIDADE. PAGAMENTO DE ANUIDADE.
INDEVIDA. 1. A necessidade de inscrição de empresa e de
profissional de química junto a Conselho Regional de Química é
determinada quando tiver por atividade-fim a fabricação de produtos
químicos, ou realize reações químicas que altere a matéria original
para alcançar seu produto final de sua produção. 2. A
industrialização e comercialização de produtos plásticos a partir do
emprego de plástico reciclado e de grânulos de polímeros por meio
de operações físicas de aquecimento e resfriamento e projetados por
via mecânica, em processo de extrusão sobre moldes, não desenvolve
atividade própria de químico nos termos do artigo 27 da Lei n°
2.800/56 e artigos 334 e 335 da CLT, e não é atividade que exija o
registro junto ao Órgão de Fiscalização e pagamento de anuidades.
3. Como se vê, não há reação química dirigida em nenhum dos dois
momentos. O material base da produção (aparas) passa apenas por
processos mecânicos (moagem, aquecimento, moldagem,
resfriamento e trançadeiras). Não há mudança na composição das
matérias-primas utilizadas, de modo que o processo não exige o
acompanhamento ou a consultoria de um profissional da área
química." (TRF4, AC 5003176-65.2015.404.7003, TERCEIRA
TURMA, Relator RICARDO TEIXEIRA DO VALLE PEREIRA,
juntado aos autos em 15/07/2016).

"ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.


FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE MATERIAIS PLÁSTICOS.
INSCRIÇÃO E RESPONSÁVEL TÉCNICO. NÃO NECESSIDADE. .
Inexistindo controvérsia sobre a real atividade básica exercida pela
empresa não se faz necessária a realização de prova técnica pericial.
Cerceamento do direito de defesa não configurado. Somente a
empresa cuja atividade-fim esteja vinculada à química ou a que
presta serviços químicos a terceiros é que está obrigada ao registro
no Conselho de Química. A simples existência de reações químicas no
transcurso do processo produtivo não significa que a atividade básica
da empresa seja a química. A atividade de indústria de artefatos de
material plástico em geral não necessita de registro perante o CRQ,
tampouco da contratação de químico como responsável técnico.
Precedentes deste Tribunal." (TRF4 5001066-23.2016.404.7015,
QUARTA TURMA, Relator SÉRGIO RENATO TEJADA GARCIA,
juntado aos autos em 06/02/2017).

"CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA. INDÚSTRIA DE


EMBALAGENS PLÁSTICAS. ATIVIDADE BÁSICA. MATÉRIA DE
DIREITO. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA.
DESNECESSIDADE. INSCRIÇÃO/REGISTRO E ANUIDADES.
INEXIGIBILIDADE. Inexistindo controvérsia sobre a real atividade
básica exercida pela parte autora, a questão relativa ao seu
enquadramento para fins de submissão ao Conselho de Química, por
se tratar de matéria eminentemente de direito, dispensa a realização
de prova técnica. A obrigatoriedade do registro de empresa e do
profissional de química junto ao CRQ é determinada por sua
atividade-fim. Empresa que opera no ramo de indústria de artefatos
plásticos não está obrigada a inscrever-se no Conselho Regional de
Química, e a contratar responsável técnico, pois não desenvolve
atividade típica de química. Precedentes." (TRF4 5046283-
71.2015.404.7000, QUARTA TURMA, Relatora VIVIAN JOSETE
PANTALEÃO CAMINHA, juntado aos autos em 14/06/2016).

"EXECUÇÃO FISCAL. CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA.


INDUSTRIALIZAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE EMBALAGENS
PLÁSTICAS. REGISTRO E CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAL
DA ÁREA QUÍMICA. PAGAMENTO DE ANUIDADES E TAXAS.
INEXIGIBILIDADE. 1. A necessidade de registro de empresa no CRQ
e da contratação de profissional da área química é determinada
quando tiver por atividade-fim a fabricação de produtos químicos, ou
realize reações químicas que altere a matéria original para alcançar
seu produto final de sua produção. 2. A industrialização e
comercialização de embalagens de material plástico, por não se
tratar de atividade básica de fabricação de produtos químicos, está
dispensada do registro junto ao Conselho Regional de Química,
sendo inexigíveis anuidades e taxas a esse título." (TRF4, AC
5034920-92.2012.404.7000, SEGUNDA TURMA, Relator ROBERTO
FERNANDES JÚNIOR, juntado aos autos em 08/09/2016).

"ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.


INDÚSTRIA DE ARTEFATOS PLÁSTICOS. REGISTRO E
RESPONSÁVEL TÉCNICO. NÃO NECESSIDADE. SENTENÇA DE
PROCEDÊNCIA MANTIDA. Somente a empresa cuja atividade-fim
esteja vinculada à química ou a que presta serviços químicos a
terceiros é que está obrigada ao registro no Conselho de Química. A
simples existência de reações químicas no transcurso do processo
produtivo não significa que a atividade básica da empresa seja a
química. A indústria de artefatos de material plástico não necessita
de registro perante o CRQ, tampouco da contratação de químico
como responsável técnico. Precedentes deste Tribunal." (TRF4, AC
5018642-98.2016.404.9999, QUARTA TURMA, Relator CANDIDO
ALFREDO SILVA LEAL JUNIOR, juntado aos autos em 07/10/2016).

"ADMINISTRATIVO. CRQ. REGISTRO PROFISSIONAL E


CONTRATAÇÃO DE RESPONSÁVEL TÉCNICO.
DESNECESSIDADE. ATIVIDADE BÁSICA. LEI 6.839/80. 1. Após a
entrada em vigor da Lei n.º 6.839/80, que trata do registro de
empresas nas entidades fiscalizadoras do exercício de profissões, o
critério para a exigência de inscrição no órgão de classe é a
atividade básica desenvolvida pela empresa, segundo a orientação
prevista em seu artigo 1º. 2. A simples existência de reações químicas
no transcurso do processo produtivo não significa que a atividade
básica da empresa seja a química." (TRF4, AC 5018676-
83.2015.404.7000, TERCEIRA TURMA, Relator SÉRGIO RENATO
TEJADA GARCIA, juntado aos autos em 09/11/2016).

"ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO FISCAL. CONSELHO DE


QUÍMICA. FABRICAÇÃO DE ARTEFATOS PLÁSTICOS.
INSCRIÇÃO E RESPONSÁVEL TÉCNICO. DESNECESSIDADE.
Somente a empresa cuja atividade-fim esteja vinculada à química ou
a que presta serviços químicos a terceiros é que está obrigada ao
registro no Conselho de Química. A simples existência de reações
químicas no transcurso do processo produtivo não significa que a
atividade básica da empresa seja a química. A atividade de indústria
de artefatos plásticos não necessita de registro perante o CRQ,
tampouco da contratação de químico como responsável técnico.
Precedentes deste Tribunal." (TRF4, AC 5001090-69.2016.404.7203,
QUARTA TURMA, Relator CANDIDO ALFREDO SILVA LEAL
JUNIOR, juntado aos autos em 16/12/2016).

Diante de todo o exposto, merece acolhimento o pedido da parte


autora quanto à inexigibilidade de inscrição aos quadros do CRQ,
bem como quanto à contratação de responsável técnico químico.
Por fim, cabe a procedência dos pedidos de anulação dos
lançamentos, constituição e cobrança das multas impostas no
Processo Administrativo nº 18.389/09 (R$ 4.958,90 referentes a 2011
e R$ 9.917,80 referentes a 2012) e a condenação do Conselho réu à
restituição da quantia paga pela autora a título de multa imposta em
2011, no valor de R$ 4.958,90, devidamente corrigida, pela SELIC,
da data do pagamento efetivado pela empresa requerente à data da
restituição à autora das quantias.

A respeito do tema, esta Corte é unânime no entendimento


de que as empresas que se dedicam ao ramo da industrialização e
comercialização de artefatos plásticos não se submetem à fiscalização
do Conselho de Química porque a atividade não se vincula às descritas
no art. 27 da Lei nº 2.800/1956 e arts. 334 e 335 da CLT, como no caso
em questão - "fabricação de plásticos e comercialização para terceiros"
(evento1, CONTRSOCIAL4).

Nesse sentido:

ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.


FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE MATERIAIS PLÁSTICOS.
INSCRIÇÃO E RESPONSÁVEL TÉCNICO. NÃO
NECESSIDADE. . Inexistindo controvérsia sobre a real
atividade básica exercida pela empresa não se faz necessária a
realização de prova técnica pericial. Cerceamento do direito de
defesa não configurado. . Somente a empresa cuja atividade-
fim esteja vinculada à química ou a que presta serviços
químicos a terceiros é que está obrigada ao registro no
Conselho de Química. A simples existência de reações
químicas no transcurso do processo produtivo não significa
que a atividade básica da empresa seja a química.. A atividade
de indústria de artefatos de material plástico em geral não
necessita de registro perante o CRQ, tampouco da contratação
de químico como responsável técnico. Precedentes deste
Tribunal. (AC 5001066-23.2016.4.04.7015/PR, 4ª Turma, Rel.
Juiz Federal Sérgio Renato Tejada Garcia, D.E. 01/02/2017)

DIREITO ADMINISTRATIVO. INSCRIÇÃO. ATIVIDADE


BÁSICA. CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA.
INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESPUMAS INJETADAS E
FABRICAÇÃO DE MATERIAIS PLÁSTICOS PARA USO
INDUSTRIAL. REGISTRO. NÃO-OBRIGATORIEDADE. - A
obrigatoriedade de registro de uma empresa e de um
profissional de química junto ao Conselho Regional de
Química é determinada pela atividade-básica desempenhada. -
Empresa que tem como objeto social a indústria e o comércio
de espumas injetadas e componentes mobiliários, bem como a
fabricação de artefatos de material plástico para uso industrial
não está obrigada a registrar-se no Conselho de Química, nem
a manter profissional químico como responsável técnico ou
mesmo pagar anuidades àquele órgão, uma vez que não se
enquadra dentre aquelas atividades que obtêm produtos por
meio de reações químicas ou mediante utilização dos produtos
químicos elencados no artigo 335 da CLT. Precedentes.
(APELREEX 5051731-25.2015.404.7000/PR, 3ª Turma, Rel.
Juíza Federal Maria Isabel Pezzi Klein, D.E. 24/01/2017)
ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.
MULTA. CRQ/PR. INDÚSTRIA METALÚRGICA. INSCRIÇÃO
E RESPONSÁVEL TÉCNICO. NÃO NECESSIDADE. .
Somente a empresa cuja atividade-fim esteja vinculada à
química ou a que presta serviços químicos a terceiros é que
está obrigada ao registro no Conselho de Química. A simples
existência de reações químicas no transcurso do processo
produtivo não significa que a atividade básica da empresa seja
a química.. A atividade de metalurgia não necessita de registro
perante o CRQ, tampouco da contratação de químico como
responsável técnico. Precedentes deste Tribunal. (AC 5017499-
11.2015.404.9999, 4ª Turma, Rel. Des. Federal Candido
Alfredo Silva Leal Junior, D.E. 13/04/2016)

Desta feita, a manutenção da sentença é medida que se


impõe.

Em face do disposto nas súmulas n.ºs 282 e 356 do STF e


98 do STJ, e a fim de viabilizar o acesso às instâncias superiores,
explicito que a decisão não contraria nem nega vigência às disposições
legais/constitucionais prequestionadas pelas partes.

Ante o exposto, voto por negar provimento à apelação.

Documento eletrônico assinado por VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA,


Desembargadora Federal, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de
dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência
da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico
http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código
verificador 40000370595v3 e do código CRC 27d0465d.

Informações adicionais da assinatura:


Signatário (a): VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA
Data e Hora: 20/3/2018, às 18:51:21

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