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ÍNDICE

1.Introdução ...................................................................................................................... 3
1.1.Contextualização e Problemática ............................................................................ 4
1.2.Objectivos ............................................................................................................... 4
1.2.1.Objectivo Geral ................................................................................................ 4
1.2.2.Objectivos específicos ...................................................................................... 4
2.Revisão de Literatura ..................................................................................................... 5
2.1.A noção ética moderna: a ética e a moral ............................................................... 5
2.2.Conceitos da ética profissional ............................................................................... 6
2.2.1.Vantagens da ética aplicada ao ambiente de trabalho ...................................... 7
2.3.Ética na classe profissional ..................................................................................... 8
2.4.Classes profissionais ............................................................................................... 9
2.4.1.Código de ética profissional ............................................................................. 9
2.4.2.A concepção das competências profissionais................................................. 10
2.5.A concepção das competências individuais na classe profissional ....................... 12
2.6.Importância da postura ético-profissional ............................................................. 13
2.7.Individualismo e ética profissional ....................................................................... 14
Conclusão ....................................................................................................................... 16
Bibliografias ................................................................................................................... 17

Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com / +258-846458829 Pemba - Moz


1.Introdução

O presente trabalho tem como o tema ‘’Influencias das Classes Profissionais Na Ética
Profissional’’. Na verdade, o estudo da ética profissional é muito importante, na
medida em que as atitudes e valores positivos são aplicados no ambiente de trabalho. A
ética no ambiente de trabalho é de fundamental importância para o bom funcionamento
das actividades da empresa e das relações de trabalho entre os funcionários.

Esse reconhecimento da importância de uma ética do trabalho profissional não é,


necessariamente, tributário de uma certa mística do activismo ou da concepção
calvinista da eficácia na ordem temporal; mais decisivamente, caberia afirmar que a
relevância da ética profissional deriva do facto de a profissão constituir um meio
importante para a consecução teleológica do homem: “La profesión disse José Todolí
es el núcleo en el cual el hombre fundamentalmente elabora su destino”.

Isso não equivale, porém, a apontar o trabalho como a finalidade do homem, senão que
o trabalho é um instrumento, um meio de alcançar essa finalidade; uma das grandes
tentações da vida contemporânea está posta exactamente na sobre exaltação do trabalho
em detrimento da contemplação.

Uma verdadeira autonomização da ética profissional na classe profissional e no plano


científico e, tanto quanto possível, no didáctico deve servir ao aprofundamento das
reflexões particulares, específicas, bem ao contrário, pois, de uma desvinculação com os
supostos da ética geral. Trata-se, antes, de reforçar o exame da conduta humana
profissional em ordem à observância da lei natural, e não de produzir uma separação
entre, de um lado, as acções e os fins humanos gerais e, de outro, as acções e os fins
profissionais: uma separação semelhante poderia conduzir ao activismo e à glorificação
do êxito profissional.

É importante sublinhar que a ética profissional não se cifra num capítulo da classe
profissional. É certo que, muito frequentemente, os autores estudam os deveres
profissionais como parte dos deveres sociais. Tem isso a vantagem de tornar mais
gráfica a importância social da profissão, mas é preciso não esquecer seu aspecto
individual e as exigências éticas que lhe correspondem.

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1.1.Contextualização e Problemática

O presente trabalho insere-se no contexto da relação de trabalho. Do ponto de vista dos


valores, a ética exprime a maneira como a cultura e a sociedade definem para si mesmas
o que julgam ser a violência e o crime, o mal e o vício e, como contrapartida, o que
consideram ser o bem e a virtude. Por realizar-se como relação intersubjectiva e social,
a ética não é alheia ou indiferente às condições históricas e políticas, económicas e
culturais da acção moral.

Consequentemente, embora toda ética seja universal do ponto de vista da sociedade que
a institui (universal porque seus valores são obrigatórios para todos os seus membros),
está em relação com o tempo e a História, transformando-se para responder a exigências
novas da sociedade e da Cultura, pois somos seres históricos e culturais e nossa acção se
desenrola no tempo.

Além do sujeito ou pessoa moral e dos valores ou fins morais, o campo ético é ainda
constituído por um outro elemento: os meios para que o sujeito realizem os fins.
Costuma-se dizer que os fins justificam os meios, de modo que, para alcançar um fim
legítimo, todos os meios disponíveis são válidos. No caso da ética, porém, essa
afirmação deixa de ser óbvia.

1.2.Objectivos

1.2.1.Objectivo Geral

 Compreender as influências das Classes Profissionais Na Ética Profissional.

1.2.2.Objectivos específicos

 Descrever a importância da postura ético-profissional na classe profissional em


geral;
 Identificar os problemas de natureza ética que influenciamos comportamentos
dos profissionais da classe profissional e as suas respectivas razões;
 Discutir a relação entre a ética profissional e a classe profissional.

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2.Revisão de Literatura

2.1.A noção ética moderna: a ética e a moral

Ética não se constitui em um catálogo de valores particulares e alheios à prática dos


grupos sociais, das sociedades e das áreas do saber. Para Chauí (2003), a ética moderna
trata de um determinado colectivo, como ele se desenvolveu e como age. Já, a moral um
dos objectos da ética é um conjunto de regras gerais de uma sociedade que, ao ser
introjectada pelas pessoas, torna-se uma questão de consciência individual.

Ser moral significa se adequar e viver de acordo com as normas de uma determinada
sociedade. Ser imoral significa conhecer as normas e não segui-las. O indivíduo
considerado amoral é o que não segue as normas sociais por desconhecê-las ou não
compreender os seus valores.

A ética, entretanto, está acima da moral: ela analisa e critica a moral, embora com ela se
relacione. A moral diz respeito aos conceitos abstractos de certo e errado para cada
consciência, enquanto a ética procura resolver os dilemas dos grupos por meio da
reflexão e do debate social acerca da acção concreta desta ou daquela comunidade. A
ética, portanto, relaciona-se com o Direito, com a Justiça, com a Política, com as Leis e
com as práticas científicas e profissionais (Rosas, 2002).

Ser ético significa viver coerentemente com uma linha ética, aproximando o que penso
daquilo que faço, buscando o benefício e a qualidade de vida de todos, da humanidade.
A finalidade da ética é orientar a prática (Valls, 2006)

O julgamento (razão) sobre a decisão a tomar se dá por meio de nossa consciência


moral, posta em acção pelo senso moral. O senso e a consciência moral, desta forma,
relacionam-se aos valores (justiça, integridade, generosidade; etc.), aos sentimentos
gerados pelos valores (vergonha, culpa, admiração, raiva, dúvida, etc.), bem como às
decisões tomadas (acções e suas consequências individuais e colectivas).

Portanto, o senso moral e a consciência moral não são dados pela natureza: são
indissociáveis da cultura, são escolhas das pessoas que vivem numa determinada cultura
ou grupo. Para Chauí (2003, p.9), os conteúdos dos valores podem variar, mas sempre
estão ligados a um valor mais profundo: o BEM. Por meio de nosso juízo de valor é que
definimos comportamentos como BONS ou MAUS. Nosso juízo ético de valor

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fundamenta-se em normas que determinam o que deve ser feito, quais obrigações,
intenções e acções são correctas ou incorrectas.

2.2.Conceitos da ética profissional

As lideranças sociais têm um poder e uma responsabilidade decisivos em relação à


ética. Nenhuma nação, povo, ou grupo social pode realizar seu projecto histórico sem
lideranças. A liderança social é o elemento de ligação entre os interesses do grupo social
e as oportunidades históricas disponíveis para realizá-los. A responsabilidade ética da
liderança, portanto, se pudesse ser medida, teria o tamanho e o peso dos direitos
reunidos de todos aqueles que ela representa e lidera.

A liderança social tem uma tripla responsabilidade ética: institucional, pessoal e


educacional. Institucional, porque devem cumprir fiel e estritamente os deveres que lhe
são atribuídos.

A moral disciplina o comportamento do homem consigo mesmo. Tratam dos costumes,


deveres e modo de proceder dos homens com os outros homens, segundo a justiça e a
equidade natural, ou seja, os princípios éticos e morais são na verdade os pilares da
construção de uma identidade profissional e sua moral mais do que sua representação
social contribui com a formação da consciência profissional.

Os princípios éticos e morais são, na verdade, os pilares da construção de um


profissional que representa o Direito Justo, distinguindo-se por seu talento e
principalmente por sua moral e não pela aparência.

De forma sintética, João Baptista Herkenhoff (2001) exterioriza sua concepção de ética;
o mundo ético é o mundo do “deve ser” (mundo dos juízos de valor), em contraposição
ao mundo do “ser” (mundo dos juízos de realidade). Todavia, “a moral é a parte
subjectiva da ética”.

“O homem nem sempre pode o que quer, nem quer sempre o que pode. Ademais, sua
vontade e seu poder não concordam com seu saber. Quase sempre as circunstâncias
externas determinam a sua sorte.” (D’Hondt, 1966, p. 105). A Ética Profissional e a
Filosofia do Agir Humano – O Ser Ético/Axiológico. É a vida do bem em organizações
humanas. A vida plenamente humana, “programa pedagógico esse que visa formar o
jovem Técnico em Metalurgia, que participa da cidadania, assumindo com plena

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consciência a recíproca relação entre direitos e deveres”, consiste essa mesma existência
da esfera profissional.

Esse mundo humano – ser ético/axiológico não é uma dádiva da natureza. É uma
conquista cultural. Destino das sociedades institucionalizadas, em sua dimensão ético-
profissional, a de enveredarem pelos obscuros caminhos da cidade sem lei.

A ética é aplicada no campo das actividades profissionais. Assim, a ética profissional do


estudante de Técnico de Metalurgia e demais outras profissões. A ética é ainda
indispensável ao profissional, porque na acção humana “o fazer” e “o agir” estão
interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve
possuir para exercer bem a sua profissão.

O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no


desempenho de sua profissão. O estudo e o conhecimento da Deontologia (do grego
deontos = dever e logos = tratado) se voltam para a ciência dos deveres, no âmbito de
cada profissão.

É o estudo dos direitos, emissão de juízos de valores, compreendendo a ética como


condição essencial para o exercício de qualquer profissão. A ética é indispensável ao
profissional, porque na acção humana “o fazer” e

“o agir” estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo
profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do
profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão.

2.2.1.Vantagens da ética aplicada ao ambiente de trabalho

- Maior nível de produção na empresa; - Favorecimento para a criação de um ambiente


de trabalho harmonioso, respeitoso e agradável; - Aumento no índice de confiança entre
os funcionários. Exemplos de atitudes éticas num ambiente de trabalho: - Educação e
respeito entre os funcionários; - Cooperação e atitudes que visam à ajuda aos colegas de
trabalho; - Divulgação de conhecimentos que possam melhorar o desempenho das
actividades realizadas na empresa; - Respeito à hierarquia dentro da empresa; - Busca
de crescimento profissional sem prejudicar outros colegas de trabalho;

- Acções e comportamentos que visam criar um clima agradável e positivo dentro da


empresa como, por exemplo, manter o bom humor; - Realização, em ambiente de

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trabalho, apenas de tarefas relacionadas ao trabalho; - Respeito às regras e normas da
empresa.

2.3.Ética na classe profissional

Muitos autores definem a ética profissional como sendo um conjunto de normas de


conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Seria a
acção "reguladora" da ética agindo no desempenho das profissões, fazendo com que o
profissional respeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão.

A ética profissional estudaria e regularia o relacionamento do profissional com sua


clientela, visando a dignidade humana e a construção do bem-estar no contexto
sociocultural onde exerce sua profissão. Ela atinge todas as profissões e quando falamos
de ética profissional estamos nos referindo ao carácter normativo e até jurídico que
regulamenta determinada profissão a partir de estatutos e códigos específicos. Assim
temos a ética médica, do advogado, do biólogo, etc.

Acontece que, em geral, as profissões apresentam a ética firmada em questões muito


relevantes que ultrapassam o campo profissional em si. Questões como o aborto, pena
de morte, sequestros, eutanásia, AIDS, por exemplo, são questões morais que se
apresentam como problemas éticos - porque pedem uma reflexão profunda - e, um
profissional, ao se debruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas como um
pensador, um "filósofo da ciência", ou seja, da profissão que exerce.

Desta forma, a reflexão ética entra na moralidade de qualquer actividade profissional


humana. Sendo a ética inerente à vida humana, sua importância é bastante evidenciada
na vida profissional, porque cada profissional tem responsabilidades individuais e
responsabilidades sociais, pois envolvem pessoas que dela se beneficiam.

A ética é ainda indispensável ao profissional, porque na acção humana "o fazer" e "o
agir" estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo
profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do
profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão.
A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de
todo ser humano, por isso, "o agir" da pessoa humana está condicionado a duas
premissas consideradas básicas pela Ética: "o que é" o homem e "para que vive", logo
toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios

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essenciais da Ética. (Motta, 1984, p. 69). Constata-se então o forte conteúdo ético
presente no exercício profissional e sua importância na formação de recursos humanos.

2.4.Classes profissionais

Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pela


natureza do conhecimento exigido preferencialmente para tal execução e pela identidade
de habilitação para o exercício da mesma. A classe profissional é, pois, um grupo dentro
da sociedade, específico, definido por sua especialidade de desempenho de tarefa.

A questão, pois, dos grupamentos específicos, sem dúvida, decorre de uma


especialização, motivada por selecção natural ou habilidade própria, e hoje constitui-se
em inequívoca força dentro das sociedades. A formação das classes profissionais
decorreu de forma natural, há milénios, e se dividiram cada vez mais. Historicamente,
atribui-se à Idade Média a organização das classes trabalhadoras, notadamente as de
artesãos, que se reuniram em corporações.

A divisão do trabalho é antiga, ligada que está à vocação e cada um para determinadas
tarefas e às circunstâncias que obrigam, às vezes, a assumir esse ou aquele trabalho;
ficou prático para o homem, em comunidade, transferir tarefas e executar a sua. A união
dos que realizam o mesmo trabalho foi uma evolução natural e hoje se acha não só
regulada por lei, mas consolidada em instituições fortíssimas de classe.

2.4.1.Código de ética profissional

Cabe sempre, quando se fala em virtudes profissionais, mencionarmos a existência dos


códigos de ética profissional. As relações de valor que existem entre o ideal moral
traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidos em um
instrumento regulador. É uma espécie de contrato de classe e os órgãos de fiscalização
do exercício da profissão passam a controlar a execução de tal peça magna.

Tudo deriva, pois, de critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo e o todo
social. Tem como base as virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da
profissão, abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de profissão, classe e
sociedade.

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O interesse no cumprimento do aludido código passa, entretanto a ser de todos. O
exercício de uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada profissional, como se
uma lei fosse, mas com proveito geral. Cria-se a necessidade de uma mentalidade ética e
de uma educação pertinente que conduza à vontade de agir, de acordo com o
estabelecido.

Essa disciplina da actividade é antiga, já encontrada nas provas históricas mais remotas,
e é uma tendência natural na vida das comunidades. É inequívoco que o ser tenha sua
individualidade, sua forma de realizar seu trabalho, mas também o é que uma norma
comportamental deva reger a prática profissional no que concerne a sua conduta, em
relação a seus semelhantes.

Toda comunidade possui elementos qualificados e alguns que transgridem a prática das
virtudes; seria utópico admitir uniformidade de conduta. A disciplina, entretanto,
através de um contrato de atitudes, de deveres, de estados de consciência, e que deve
formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nas classes profissionais
que são egressas de cursos universitários (contadores, médicos, advogados, etc.) Uma
ordem deve existir para que se consiga eliminar conflitos e especialmente evitar que se
macule o bom nome e o conceito social de uma categoria.

2.4.2.A concepção das competências profissionais

O actual modelo de ocupação marcado por forte segmentação do mercado de trabalho ─


descontínuo, precário, desqualificado carece de mecanismos de controlo e
regulamentação das experiências ocupacionais, de forma a favorecer a
profissionalização.

A elaboração de itinerários nos quais se consolidem competências, património


individual, de grupos, de continuidade profissional, sejam elas homogéneas e/ou
heterogéneas pela especialização disciplinar, deve ser tornada objectivamente possível.
Gallart e Jacinto (1997) observam que actualmente, em todos os debates sobre formação
para o trabalho, o termo competência aparece como uma resposta para os problemas
concernentes às mudanças tecnológicas e a globalização económica.

No interior das organizações de trabalho, a especialização flexível; o surgimento de


sector informal com suas variedades de ocupações, em alguns casos qualificados e
semiqualificados, com baixo enquadramento organizacional; a flexibilidade laboral que

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promove o desempenho alternativo de várias ocupações qualificadas e as mudanças
frequentes dos postos de trabalho; as tecnologias microeletrônicas que exigem maiores
níveis de abstracção e manejo de equipamentos mais elaborados todos estes foram
factores que convergiram para que cada vez um maior número de ocupações, e de
trajectórias ocupacionais, não se adaptassem às rigidezes do antigo sistema fordista.

A tendência à flexibilização em um contexto marcado pelas transformações


tecnológicas e organizacionais sob o efeito da reestruturação produtiva, em que
polivalência e rotatividade nos postos de trabalho são habituais, as competências
profissionais configuradas como um conjunto de saberes dos trabalhadores voltados
para resolver situações concretas de trabalho passam a ser focos de atenção no interior
das empresas, alcançando diferentes formas de recrutamento, promoção, capacitação e
remuneração.

Para Gallart e Jacinto (1997), a elaboração de competências profissionais como forma


de suporte aos processos de transição no trabalho, de oportunidades diversas de
qualificação social e profissional, de percursos possíveis de ocupação, de crescimento
contínuo do emprego, favorecerá a potencialização dos saberes.

Para esses pesquisadores podem ser distintos dois grupos de competências necessárias
para atender as exigências do mercado de trabalho: competências de empregabilidade,
adquiridas de forma sistemática e gradual, resumem-se em habilidades básicas, tais
como a capacidade de expressão oral e escrita, matemática aplicada (como capacidade
de resolução de problemas), capacidade de pensar (abstrair as características cruciais
dos problemas, decidir sobre eles e aprender com a experiência); e competências
relacionadas ao uso dos recursos materiais, humanos e financeiros para alcançar
objectivos; as competências interpessoais (trabalhar em grupo, ensinar e aprender,
liderar, negociar, atender clientes, manejar a diversidade cultural); competências de
comunicação (identificar, adquirir e avaliar informações); competências sistémicas
(aproximar a realidade em sua complexidade de relações); competências tecnológicas
(conhecimentos e utilização de tecnologias usuais).

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2.5.A concepção das competências individuais na classe profissional

Para Deluiz (1995), as competências humanas contextualizadas, historicamente


definidas, e individual e colectivamente constituídas, desenvolvem a transposição das
relações de trabalho, de modo a estabelecer, no currículo, o diálogo dos conhecimentos
já formalizados nas disciplinas e nas experiências e saberes gerados nas actividades de
trabalho: Conhecimentos, valores, histórias e saberes da experiência.

No âmbito das ciências sociais, Le Boterf (1994) assinala que a competência do


indivíduo não se reduz a um conhecimento ou know-how específico e sim à soma dos
resultados das experiências pessoais e sociais, da formação educacional e da experiência
profissional.

Competência é o conjunto de aprendizagens sociais e comunicacionais, nutridas pela


aprendizagem e pela formação e analisadas por um sistema de avaliações. Segundo Le
Boterf, competência é um saber-agir responsável e como tal, implica saber mobilizar,
integrar recursos e transferir os conhecimentos, recursos e habilidades, num contexto
profissional determinado. Refere-se, portanto, à competência de colocar conhecimentos
em prática, na acção.

Todos os dias, a experiência mostra que pessoas que possuem conhecimentos ou


capacidades não sabem mobilizá-los de modo pertinente e no momento oportuno, em
uma situação de trabalho. A actualização daquilo que se sabe em um contexto singular
(marcado por relações de trabalho, por uma cultura institucional, por eventualidades,
imposições temporais, recursos…) é reveladora da “ passagem” à competência. Esta
realiza-se na ação (Le Boterf, 1994).

Observa-se que Le Boterf (1994) trabalha com o conceito da competência individual,


buscando a sua operacionalização, avaliação e desenvolvimento no contexto
organizacional, considerando-a como conhecimentos e habilidades na acção, no
contexto organizacional e, nesse sentido, desenvolvido dentro de cada organização. As
competências individuais serão diferentes conforme a pessoa actua em uma ou noutra
organização. Neste sentido, as competências não são consideradas prévias ao exercício
profissional, pelo contrário, são emergentes aos processos de mobilização e confronto
de saberes, em contexto profissional.

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As definições de competência individual atrelada à acção, ou seja, resultando de
conhecimentos, habilidades, atitudes e outras características, que emergem diante de um
contexto dado e que será o critério de avaliação, mensuração e remuneração, não
pressupõem a existência de um critério de avaliação. Além disso, nenhum trabalho
conseguiu efectivamente descrever como seriam operacionalizadas as funções de
recrutamento, selecção, treinamento, desenvolvimento e remuneração com base em
competências individuais, sem a referência ao cargo ou a um critério-padrão.

2.6.Importância da postura ético-profissional

É de grande importância que todo profissional de enfermagem tenha uma postura ética
no exercício da sua profissão, pois o mesmo tem responsabilidades individuais e sócias,
que envolvem pessoas que dela se beneficiam (Meda, 2013)

A mesma defende que a enfermagem não se pode permitir abater pelo terramoto da
ignorância, pala avalanche da desumanização. É uma profissão tão importante quanto
outras, principalmente por ser o enfermeiro cuida do maior valor de um ser que é a vida.

A postura ética é de suma importância para a vida profissional e manter as atitudes


éticas faz com que os colaboradores alcancem a eficiência através da obediência a
legislação e directrizes da organização. Além disso, manter uma postura ética
organizacional poderá levar ajudar o profissional a ter uma vida pautada em cumprir as
regras fielmente.

O profissional ético, e naturalmente, admirado, pois o respeito pelos colegas e pelos


utentes e o que da destaque a esse colaborador.

Segundo Marques (2015) uma postura ético-profissional na prestação dos serviços


públicos seguindo de padrões e valores, tanto da sociedade, quanto da própria
organização são essências para o alcance da excelência profissional. A prestação dos
serviços públicos exige actualização a aperfeiçoamento constante, e uma postura ética
corporativo através dela ganham credibilidade e a confiança dos utentes.

O mesmo defende que é importante que os profissionais sigam os padrões éticos da


sociedade e das organizações. Um dos exemplos são as informações sigilosas, para a
preservação do próprio doente deve manter uma postura congruente com seu trabalho e
manter para sim os dados que lhe foram confiados, a fim de guarda-los.

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A ética no ambiente de trabalho proporciona ao profissional um exercício diário e
prazeroso de honestidade, comprometimento, confiabilidade, entre tantos outros, que o
conduzem tanto na tomada de decisões como no processo de adopta-las. Ao final, a
recompensa e ser reconhecido, não só pelos eu trabalho, mas também, não só pelo seu
trabalho, mas também por sua postura ética, de valores e conduta exemplar.

A imagem pessoal e profissional é tanto mais importante, quanto maior for o contacto
directo com utentes, por exemplo em actividades de atendimento ao público.
(Amendoeira, 2012)

2.7.Individualismo e ética profissional

Parece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objecto de referências de
muitos estudiosos, a de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios e, quando
esses interesses são de natureza pouco recomendável, ocorrem seríssimos problemas. O
valor ético do esforço humano é variável em função de seu alcance em face da
comunidade.

Se o trabalho executado é só para auferir renda, em geral, tem seu valor restrito. Por
outro lado, nos serviços realizados com amor, visando ao benefício de terceiros, dentro
de vasto raio de acção, com consciência do bem comum, passa a existir a expressão
social do mesmo. Aquele que só se preocupa com os lucros, geralmente, tende a ter
menor consciência de grupo. Fascinado pela preocupação monetária, a ele pouco
importa o que ocorre com a sua comunidade e muito menos.

Dizem que um sábio procurava encontrar um ser integral, em relação a seu trabalho.
Entrou, então, em uma obra e começou a indagar. Ao primeiro operário perguntou o que
fazia e este respondeu que procurava ganhar seu salário; ao segundo repetiu a pergunta e
obteve a resposta de que ele preenchia seu tempo; finalmente, sempre repetindo a
pergunta, encontrou um que lhe disse: "Estou construindo uma catedral para a minha
cidade".

A este último, o sábio teria atribuído a qualidade de ser integral em face do trabalho,
como instrumento do bem comum. Como o número dos que trabalham, todavia, visando
primordialmente ao rendimento, é grande, as classes procuram defender-se contra a
dilapidação de seus conceitos, tutelando o trabalho e zelando para que uma luta

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encarniçada não ocorra na disputa dos serviços. Isto porque ficam vulneráveis ao
individualismo.

A consciência de grupo tem surgido, então, quase sempre, mais por interesse de defesa
do que por altruísmo. Isto porque, garantida a liberdade de trabalho, se não se regular e
tutelar a conduta, o individualismo pode transformar a vida dos profissionais em
reciprocidade de agressão.

Tal luta quase sempre se processa através de aviltamento de preços, propaganda


enganosa, calúnias, difamações, tramas, tudo na ânsia de ganhar mercado e subtrair
clientela e oportunidades do colega, reduzindo a concorrência. Igualmente, para maiores
lucros, pode estar o indivíduo tentado a práticas viciosas, mas rentáveis. Em nome
dessas ambições, podem ser praticadas quebras de sigilo,

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Conclusão

O trabalho que acabou sendo abordado é uma pesquisa subordinada ao seguinte tema:
influencias das Classes Profissionais Na Ética Profissional. Com este tema pretendeu-se
mostrar que é importante reflectir a questão da postura ético-profissional na classe
profissional, visto que constitui a etapa inicial, resultante de um processo de múltiplas
facetas que se desenrolam em um contexto institucional, envolvendo profissionais.

Tendo em conta que não se pode reparar só para o profissional, mas pela humanização
na forma de agir requerem uma sensibilização moral para que possam melhorar e
solucionar as necessidades do utente e também para que se assuma acções éticas
centradas em princípios como respeito á autonomia e empatia para com os pacientes.

A assistência deve ser prestada segundo uma visão holística, na qual a solidariedade e a
benevolência para com o próximo são imprescindíveis para a valorização do ser
humano, dessa forma, uma relação de ajuda e empatia, fazendo com que a humanização
seja a base para a classe profissional.

A humanização exige uma prática da classe profissional baseada em princípios éticos. A


ética, como ciência, isto é, como forma de conhecimento que se ocupa especificamente
do agir humano, investiga o dever ser e mostra como se deve proceder para que as
práticas nos mais variados espaços de actuação sejam as mais adequadas possíveis.

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Bibliografias

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Autor: Sergio Alfredo Macore Sergio.macore@gmail.com / +258-846458829 Pemba - Moz