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Município do Salvador

Procuradoria Geral do Município

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DESEMBARGADORA RELATORA, QUINTA


CÂMARA CÍVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

Processo n. 0145859-30.2003.8.05.0001
Parte contrária: SAG DO BRASIL S/A

O MUNICÍPIO DO SALVADOR, já qualificado nos autos do processo indicado


acima, vem a Vossa Excelência, por seu procurador, opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO contra
decisão de fls. 498/499, nos termos que seguem.

I. Cabimento. Omissão (CPC, art. 1.022, inc. II)

1. O MM Juízo assim se pronunciou no r. acórdão (fl. 498/499):

Ante o exposto, DÁ-SE PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso de Apelação interposto


pelo MUNICÍPIO DO SALVADOR, reformando-se parcialmente a sentença recorrida,
tão somente, para determinar que na Ação Ordinária de Repetição de Indébito nº
0145859-30.2003.8.05.0001, havendo legislação tributária no Município do Salvador
determinando a aplicação da SELIC, a referida taxa é aplicável desde o início da vigência
da legislação extravagante. Relativamente ao período anterior, incide a taxa de 1% (um por
cento) ao mês, sendo inaplicável o art. 1º-F da Lei 9.494/1997.

2. O r. acórdão fora proferido em cumprimento ao despacho proferido pelo Min. Og


Fernandes, para que o E.TJBA adequasse o julgamento da causa ao TEMA 119 (REsp 1111189/SP) da
sistemática dos recursos repetitivos.

3. O Eg. STJ firmou o seguinte entendimento no julgado acima referido:

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TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO DE TRIBUTO


ESTADUAL. JUROS DE MORA. DEFINIÇÃO DA TAXA APLICÁVEL.

(...)

2. Relativamente a tributos estaduais ou municipais, a matéria


continua submetida ao princípio geral, adotado pelo STF e pelo STJ,
segundo o qual, em face da lacuna do art. 167, § único do CTN, a taxa
dos juros de mora na repetição de indébito deve, por analogia e
isonomia, ser igual à que incide sobre os correspondentes débitos
tributários estaduais ou municipais pagos com atraso; e a taxa de juros
incidente sobre esses débitos deve ser de 1% ao mês, a não ser que o
legislador, utilizando a reserva de competência prevista no § 1º do art.
161 do CTN, disponha de modo diverso.

3. Nessa linha de entendimento, a jurisprudência do STJ considera


incidente a taxa SELIC na repetição de indébito de tributos estaduais a
partir da data de vigência da lei estadual que prevê a incidência de tal
encargo sobre o pagamento atrasado de seus tributos. Precedentes de ambas
as Turmas da 1ª Seção.

4. No Estado de São Paulo, o art. 1º da Lei Estadual 10.175/98 prevê a


aplicação da taxa SELIC sobre impostos estaduais pagos com atraso, o que
impõe a adoção da mesma taxa na repetição do indébito.

5. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do


CPC e da Resolução STJ 08/08.

(REsp 1111189/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,


PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 25/05/2009)

4. Com efeito, conforme entendimento firmado no julgado acima, por força do


princípio da isonomia e analogia, a taxa a ser utilizada deve ser igual a que incide sobre os
correspondentes débitos tributários municipais pagos com atraso.

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5. Noutras palavras, se o Município de Salvador utiliza como índice de correção


monetária sobre seus créditos tributários pagos com atraso o IPCA-E (Lei nº 4.279/90, art. 276;
Decreto nº 15.471/2005, art. 1º; Lei nº 7.186/2006, art. 327), pelo princípio da isonomia este mesmo
índice deve ser aplicado nas ações de repetição de indébito.

6. Observa-se que a Taxa SELIC não pode ser aplicada nos indébitos tributários
contra o Município de Salvador, já que a municipalidade não se submete nem à lei federal nem à
lei estadual que atrai a incidência deste índice à União e Estado da Bahia.

7. Ademais, não há no Município de Salvador lei autorizando a incidência da


SELIC.

8. O Douto Acórdão incorreu em omissão no momento em que deixara de indicar que


i) inexiste lei municipal autorizando a aplicação da SELIC em Salvador e que b) pelo princípio da
isonomia deverá ser aplicado o índice utilizado pelo Embargante na correção de seus créditos
tributários (IPCA-E).

II. Conclusão

9. Ante o exposto, requer que sejam recebidos e processados os presentes Embargos


de Declaração, para que reforme o Douto Acórdão de fls. fl. 498/499 e firme o entendimento segundo
o qual a taxa dos juros de mora na repetição de indébito deve, por analogia e isonomia, ser igual à que
incide sobre os correspondentes débitos tributários municipais pagos com atraso.

Pede deferimento.
Cidade do Salvador/BA, 28 de novembro de 2018.

Rafael Alexandria de Oliveira


Procurador do Município – PROFI/PGMS
OAB/BA n. 18.676 | Matrícula n. 810801

Tomás de Britto Vitória


Analista Jurídico – PROFI/PGMS

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