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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR


PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por CAIO GRISANTI MARINO PASSOS, protocolado em 18/09/2019 às 16:17 , sob o número 22091900820198260000.
Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 2209190-08.2019.8.26.0000 e código E51EACD.
PAULO

URGENTE

EMBRATEL TVSAT TELECOMUNICAÇÕES LTDA, pessoa jurídica de


direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob nº 09.132.659/0001-76, com sede na Capital
do Estado do Rio de Janeiro, na Avenida Presidente Vargas nº 1012, 10º andar, Centro,
CEP 20071-910; CLARO S/A., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF
sob nº 40.432.544/0001-47, com sede nesta Capital do Estado de São Paulo na Rua Henri
Dunant, nº 780, torres A e B, Santo Amaro, CEP 04709-110 e CLARO S/A., pessoa
jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob nº 40.432.544/0157-64, estabelecida
na Avenida John Boyd Dunlop, nº 501, bairro: Vila São Bento, na Cidade de
Campinas/SP, CEP: 13.034-685 (“Agravantes”), por intermédio de seus advogados que
esta subscrevem, vêm, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento
nos artigos 1.015, p. único, e 1.019, I, do Código de Processo Civil (“CPC”), interpor o
presente

AGRAVO DE INSTRUMENTO
COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO

em face da r. decisão de fls. 555/557, proferida nos autos da Ação de Cobrança nº


1011472-88.2018.8.26.0506, em curso perante a 7ª Vara Cível do Foro da Comarca de
Ribeirão Preto-SP, ajuizada por CALL MASTER LITORAL LTDA. (“Call Master” ou
Agravada), que afastou a preliminar de incompetência do Juízo a quo arguida pelas
Agravantes na sua contestação e rejeitou a impugnação ao pedido de gratuidade
da justiça da Agravada também apresentada em contestação.

tel.: (55 11) 3038-1300 Rua Taques Alvim, 172 fax: (55 11) 3031-5529
05671-030 • São Paulo/SP
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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

Em cumprimento ao art. 1.016, IV, do CPC, os Agravantes especificam os


nomes e endereços dos patronos das partes constituídos na demanda originária:

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por CAIO GRISANTI MARINO PASSOS, protocolado em 18/09/2019 às 16:17 , sob o número 22091900820198260000.
Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 2209190-08.2019.8.26.0000 e código E51EACD.
Agravantes: OSWALDO CHADE, inscrito na OAB/SP sob o nº 10.351, e
SERGIO NASSIF NAJEM FILHO, inscrito na OAB/SP sob o nº 210.834,
ambos com escritório na Rua Taques Alvim, nº 172, Cidade Jardim, São
Paulo-SP, CEP 05671-030 (snajem@chadead.com.br e
ochade@chadead.com.br) (“cópias da procuração”);

Agravada: THIAGO MANOEL DA SILVA DOURADO, inscrito na OAB/SP


sob o nº 238.379, com endereço na Rua Altino Arantes, nº 481, Residencial
Greenville, Ribeirão Preto-SP, CEP 14098-352 (“cópias da procuração”).

Os Agravantes informam que o presente recurso é instruído com: (i) guia


de custas devidamente recolhida (“custas”); (ii) cópias das procurações outorgadas pelas
partes aos seus patronos (“procuração”); (iii) cópia da r. decisão agravada e da sua
respectiva certidão de publicação (doc. 1); e (iv) cópia integral dos autos da ação originária
nº 1011472-88.2018.8.26.0506 (fls. 1/563) (doc. 2).

Nos termos do art. 1.017, II, do Código de Processo Civil, as Agravantes


declaram a autenticidade dos documentos que instruem o presente recurso, bem como das
afirmações aqui deduzidas.

Requer-se, assim, seja o presente agravo de instrumento devidamente


recebido e processado, com a atribuição de efeito suspensivo, para que, ao final, seja
integralmente provido nos termos das razões anexas.

Termos em que,
pedem deferimento
São Paulo, 17 de setembro de 2019.

SERGIO N. NAJEM FILHO CAIO GRISANTI MARINO PASSOS


OAB/SP – 210.834 OAB/SP – 377.814

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I – TEMPESTIVIDADE

1. Conforme certidão de fls. 558, a decisão agravada foi disponibilizada no DJe

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de 27/08/2019 (terça-feira), sendo considerada publicada em 28/08/2019 (quarta-feira).

2. Assim, o prazo quinzenal para a interposição do presente agravo de


instrumento, previsto pelo artigo 1.003, §5º, do CPC, expira em 18/09/2019 (quarta-feira),
restando demonstrada a inequívoca tempestividade deste recurso.

II – CABIMENTO DO AGRAVO DE INSTRUMENTO

3. Com o advento do CPC/2015, a jurisprudência pátria passou a conviver


com grande divergência de entendimento acerca da taxatividade do rol de hipóteses de
cabimento do recurso de agravo de instrumento, constante do artigo 1.015 do diploma
legal em questão.

4. Encerrando essa controvérsia, no julgamento dos Recursos Especiais nos


1.696.396/MT e 1.704.520 MT, pela sistemática dos recursos repetitivos, o C. STJ fixou a
tese de que o rol previsto pelo artigo 1.015 do CPC é de taxatividade mitigada, sendo
admitida a interposição de agravo de instrumento em hipóteses que não sejam ali previstas
de forma expressa, quando verificada a urgência decorrente da inutilidade do julgamento
da questão apenas em sede de apelação. Verbis:

“RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.


DIREITO PROCESSUAL CIVIL. NATUREZA JURÍDICA DO ROL
DO ART. 1.015 DO CPC/2015. IMPUGNAÇÃO IMEDIATA DE
DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS NÃO PREVISTAS NOS INCISOS
DO REFERIDO DISPOSITIVO LEGAL. POSSIBILIDADE.
TAXATIVIDADE MITIGADA. EXCEPCIONALIDADE DA
IMPUGNAÇÃO FORA DAS HIPÓTESES PREVISTAS EM LEI.
REQUISITOS.
1- O propósito do presente recurso especial, processado e julgado sob o rito
dos recursos repetitivos, é definir a natureza jurídica do rol do art. 1.015 do
CPC/15 e verificar a possibilidade de sua interpretação extensiva, analógica
ou exemplificativa, a fim de admitir a interposição de agravo de instrumento
contra decisão interlocutória que verse sobre hipóteses não expressamente

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previstas nos incisos do referido dispositivo legal.


6- Assim, nos termos do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, fixa-se a
seguinte tese jurídica: O ROL DO ART. 1.015 DO CPC É DE
TAXATIVIDADE MITIGADA, POR ISSO ADMITE A INTERPOSIÇÃO DE

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AGRAVO DE INSTRUMENTO QUANDO VERIFICADA A URGÊNCIA

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DECORRENTE DA INUTILIDADE DO JULGAMENTO DA QUESTÃO NO
RECURSO DE APELAÇÃO.
7- Embora não haja risco de as partes que confiaram na absoluta
taxatividade serem surpreendidas pela tese jurídica firmada neste recurso
especial repetitivo, pois somente haverá preclusão quando o recurso
eventualmente interposto pela parte venha a ser admitido pelo Tribunal,
modulam-se os efeitos da presente decisão, a fim de que a tese jurídica
apenas seja aplicável às decisões interlocutórias proferidas após a publicação
do presente acórdão. (...)
9- Recurso especial conhecido e parcialmente provido.” (STJ, REsp nº
1.696.396/MT, Rel. Min. Nancy Andrighi, Corte Especial, j. 05/12/2018)

5. Inclusive, no que tange à decisão interlocutória que trata da definição de


competência, aquela C. Corte Superior também já decidiu que o manejo do agravo de
instrumento para a sua reforma é perfeitamente cabível, por interpretação extensiva do
inciso III do artigo 1.015 do CPC. Confira-se:

“RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. APLICAÇÃO


IMEDIATA DAS NORMAS PROCESSUAIS. TEMPUS REGIT
ACTUM. RECURSO CABÍVEL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO
N. 1 DO STJ. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA COM
FUNDAMENTO NO CPC/1973. DECISÃO SOB A ÉGIDE DO
CPC/2015. AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO CONHECIDO
PELA CORTE DE ORIGEM. DIREITO PROCESSUAL ADQUIRIDO.
RECURSO CABÍVEL. NORMA PROCESSUAL DE REGÊNCIA.
MARCO DE DEFINIÇÃO. PUBLICAÇÃO DA DECISÃO
INTERLOCUTÓRIA. RECURSO CABÍVEL. AGRAVO DE
INSTRUMENTO. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA OU
EXTENSIVA DO INCISO III DO ART. 1.015 DO CPC/2015. (...)
5. Apesar de não previsto expressamente no rol do art. 1.015 do
CPC/2015, a decisão interlocutória relacionada à definição de
competência continua desafiando recurso de agravo de instrumento,
por uma interpretação analógica ou extensiva da norma contida no
inciso III do art. 1.015 do CPC/2015, já que ambas possuem a mesma
ratio -, qual seja, afastar o juízo incompetente para a causa,
permitindo que o juízo natural e adequado julgue a demanda.
6. Recurso Especial provido.” (STJ, REsp nº 1.679.909/RS, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, Quarta Turma, j. 14/11/2017)

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6. Encampando esse entendimento do C. STJ, a mais recente jurisprudência


desse E. TJSP é pacífica ao reconhecer o cabimento do recurso de agravo de instrumento
contra decisões interlocutórias que versem sobre fixação de competência:

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“Agravo de instrumento. Indenização por danos materiais. Decisão
insurgida que deixou de analisar a preliminar de incompetência relativa
arguida pela ré considerando a matéria de mérito. Tema que não se enquadra
no rol do artigo 1015, do CPC. Possibilidade de interpretação extensiva ou
analógica do inciso III, do artigo 1.015 CPC. Tese firmada em recurso
repetitivo. REsp. 1696396/MT. Taxatividade mitigada. CABIMENTO
DO AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO
INTERLOCUTÓRIA RELACIONADA À DEFINIÇÃO DE COMPETÊNCIA.
PRECEDENTE DO STJ. Art. 64, § 2º do CPC. Lei processual estabelece
o momento para a análise da questão pelo Juízo. Validade da cláusula
de eleição de foro. Súmula 335 do STF. Inaplicabilidade do Código de
Defesa do Consumidor ao caso. Não enquadramento da ré como
hipossuficiente. Remessa determinada. Recurso provido.” (TJSP, AI nº
2243334-42.2018.8.26.0000, Rel. Kioitsi Chicuta, 32ª Câmara de Direito
Privado, j. 14/02/2019)

“AGRAVO INTERNO – Decisão monocrática que não conheceu o


Agravo de Instrumento – Inconformismo da agravante - Alegação da
existência de precedentes admitindo o recurso quando a controvérsia
envolver questões de competência – CABIMENTO DO AGRAVO DE
INSTRUMENTO EM INTERPRETAÇÃO extensiva ao artigo 1.015, inc. III,
CPC – Orientação do STJ – Recurso provido. (TJSP, Agravo Interno nº
2164393-15.2017.8.26.0000, Rel. Des. José Aparício Coelho Prado Neto, 9ª
Câmara de Direito Privado, j. 15/03/2012)

“COMPETÊNCIA – CABIMENTO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO PARA


DESAFIAR DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS QUE DECIDAM SOBRE
COMPETÊNCIA – PRECEDENTES – Servidora estatutária – Pretensão de
condenação ao pagamento de verbas previstas na legislação municipal –
Competência da Justiça Comum – Recurso não provido.” (TJSP, AI nº
2263054-92.2018.8.26.0000, Rel. Des. Luís Francisco Aguilar Cortez, 1ª
Câmara de Direito Público, j. 06/02/2019)

7. Destarte, tendo em vista a perfeita aplicação ao caso concreto da tese fixada


pelo C. STJ no julgamento dos Recursos Especiais nos 1.696.396/MT e 1.704.520 MT,
resta devidamente demonstrado o perfeito cabimento do vertente recurso.

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III – SÍNTESE DA DEMANDA DE ORIGEM E A R. DECISÃO AGRAVADA

8. Cuida-se, na origem de Ação de Cobrança na qual a parte autora, ora

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Agravada, alega fazer jus ao percebimento de R$ 144.581,10 (cento e quarenta e quatro
reais, quinhentos e oitenta e um real e dez centavos) a título de comissão e outros R$
491.238,32 (quatrocentos e noventa e um mil, duzentos e trinta e oito reais e trinta e dois
centavos), a título de bonificação, pela suposta prestação de serviços de relacionados à
intermediação de venda de assinaturas de internet, telefone fixo, TV e produtos correlatos
em favor das Agravantes.

9. Sustenta a Agravada que desempenha atividades voltadas ao segmento de


tele-atendimento e representações, tendo, em 2014, celebrado contrato de credenciamento
com “uma das Rés” (fls. 02), ocasião em que também teria se colocado à disposição para
prestar serviços às demais empresas do grupo.

10. Na condição de empresa contratada pelas Agravantes para a prestação dos


serviços acima especificados, a Agravada alega que recebia, a título de remuneração,
comissões e bonificações que variavam de acordo com cada produto vendido --- sendo
esses valores lançados no relatório de comissão que era disponibilizado no sistema das
Agravantes.

11. Esclareceu, ainda, que de acordo com o contrato celebrado entre as partes,
a Agravada recebia a comissão no momento da ativação do produto por ela vendido.
Contudo, caso houvesse o cancelamento da venda do respectivo produto no prazo de até
120 dias, o valor pago a título de comissão seria estornado dos próximos valores que a
Agravada viesse a fazer jus.

12. Além dessa remuneração, a Agravada alegou que teria direito a uma
bonificação adicional caso o cancelamento das vendas por ela realizadas não
ultrapassassem o percentual de 22% (vinte e dois por cento).

13. Pois bem.

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14. De acordo com a Agravada, simplesmente TODAS as vendas de produtos


por ela realizadas ao longo desses 3 anos teriam cumprido a permanência mínima dos 120

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dias, o que supostamente poderia ser comprovado pelos impressos anexados à exordial.

15. Nesse sentido, após imputar às ora Agravantes a prática de “expedientes de


manipulação ardilosa do sistema” (fls. 03), a Agravada aduz que lhe foram suprimidos os
valores que são objeto de cobrança na demanda de origem.

16. Afora isso, requereu a Agravada a concessão dos benefícios da gratuidade


da justiça – o que restou deferido às fls. 353 - tendo pleiteado, também, que as ora
Agravantes carreassem aos autos o instrumento contratual que regulara a relação mantida
entre as partes.

17. Às fls. 340/345, a Agravada promoveu a emenda da petição inicial com o


propósito de acrescentar aos pedidos inicialmente formulados, a condenação das ora
Agravantes ao pagamento das indenizações previstas nos artigos 27, alínea ‘j’ e 34, ambos
da Lei nº 4.886/65.

18. Em sua contestação, apresentada na data de 11/06/2019, as Agravantes


suscitaram preliminar de incompetência do Foro da Comarca de Ribeirão Preto-SP, pois
o contrato em discussão que contém cláusula de eleição de foro indicando o Foro da
Comarca de Rio de Janeiro-RJ para dirimir quaisquer controvérsias entre as partes.

19. Também em preliminar de contestação, as Agravantes apresentaram


impugnação ao pedido de gratuidade que foi deferido em favor da Agravada, tendo em
vista a inexistência de prova concreta da situação de hipossuficiência por ela alegada, a
justificar a concessão da benesse em questão.

20. No mérito, as Agravantes lograram êxito em demonstrar que a pretensão da


ora Agravada é absolutamente descabida, devendo a demanda de origem ser julgada
totalmente improcedente, pois:

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(i) durante toda a vigência da relação contratual, a Agravada jamais


manifestou qualquer tipo de insurgência contra os pagamentos realizados

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e/ou contra os estornos promovidos à luz do que dispunha o contrato
celebrado entre as partes, mesmo dispondo de mecanismos para contestar
os valores recebidos, de modo que, ao questioná-los passado mais de um
ano do encerramento do contrato por meio de uma ação judicial, caracteriza
conduta contraditória que é vedada pelo ordenamento jurídico pátrio, pois
afronta o princípio da boa-fé objetiva;
(ii) a Agravada não se desincumbiu do seu ônus de produzir as provas
constitutivas do seu direito, haja vista que não foi apresentado sequer um
único documento que apontasse para a existência de ilegalidade nos
pagamentos efetuados pelas Agravantes em favor da ora Agravada ou dos
estornos realizados;
(iii) as penalidades previstas nos artigos 27, “j” e 34 da Lei nº 4.886/65
definitivamente não se aplicam ao caso concreto, eis que aqui a rescisão foi
motivada e resultado da constatação de diversas condutas violadoras da lei
e do Contrato por parte da ora Agravada.

21. Ato contínuo, sobreveio a r. decisão agravada pela qual o MM. Juízo a quo
afastou a preliminar de incompetência do Juízo arguida pelas Agravantes, rejeitando
também a impugnação ao pedido de gratuidade da justiça da Agravada que foi apresentada
pelas ora Agravantes em contestação.

22. Quanto à preliminar de incompetência, a r. decisão agravada alegou que (i)


a competência do foro de domicílio do representante comercial seria absoluta, o que
impossibilitaria a sua alteração por convenção das partes; e (ii) embora a Agravada tenha
sede na comarca de Santos-SP, os seus sócios residem na Comarca de Ribeirão Preto-SP,
justificando-se, assim, o processamento da demanda de origem em Ribeirão Preto-SP.

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23. Já em relação à impugnação ao pedido de gratuidade da justiça, sem realizar


qualquer análise das questões suscitadas pelas Agravantes, o Il. Juiz singular entendeu que
os documentos apresentados pela Agravada na origem seriam suficientes para demonstrar

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que ela não seria capaz de suportar as despesas do processo.

24. No entanto, data maxima venia, a r. decisão em questão deve ser


imediatamente cassada, para que sejam acolhidas tanto a preliminar de incompetência
quanto a impugnação ao pedido de gratuidade da justiça da Agravada que foram suscitadas
pelas Agravantes em contestação. É o que se passará a demonstrar a seguir.

IV — DA INCOMPETÊNCIA DO MM. JUÍZO A QUO PARA O


PROCESSAMENTO DA DEMANDA DE ORIGEM

25. Como visto acima, no contrato em discussão na demanda de origem, foi


celebrada livremente entre as partes cláusula de elegendo o Foro da Comarca do Rio de
Janeiro-RJ como competente para dirimir quaisquer controvérsias advindas daquele
contrato, com a renúncia de qualquer outro, por mais privilegiado que seja, conforme
autoriza o artigo 63 do CPC.

26. Nesse sentido, confira-se o teor da cláusula 18.1. do contrato firmado entre
as partes (fls. 456/468 do doc. 2):

“18.1. Fica eleito o foro da cidade do Rio de Janeiro, com renúncia


expressa de qualquer outro, por mais privilegiado que seja, para
dirimir quaisquer dúvidas ou questões decorrentes do presente
CONTRATO”

27. Contudo, ignorando por completo a vontade externada pelas partes quando
da celebração do contrato em questão, o MM. Juízo singular rejeitou a preliminar de
incompetência arguida pelas Agravantes em contestação, sob as alegações seguintes
alegações:

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“Estabelece o artigo 39, da Lei 4886/1965: “Para julgamento das controvérsias


que surgirem entre representante e representado é competente a Justiça Comum
e o foro do domicílio do representante, aplicando-se o procedimento
sumaríssimo previsto no art. 275 do Código de Processo Civil, ressalvada a competência

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do Juizado de Pequenas Causas” (Redação dada pela Lei nº 8.420, de 8.5.1992).

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O foro de eleição não se sobrepõe à disposição legal; neste sentido já
entendeu o E.STJ: (...)
Muito embora a empresa representante tenha sede na Comarca de
Santos/SP (págs. 10/11), em emenda da inicial esclarecem que os sócios
residem nesta Comarca enfrentando dificuldades financeiras.

Assim, diante da disposição legal e da hipossuficiência alegada pela autora,


REJEITO a preliminar pretendida.” (doc. 1).

28. Nada mais equivocado, com o devido acatamento!

29. Em que pese o entendimento do Juízo de primeiro grau, a cláusula de eleição


de foro prevista no contrato celebrado entre as partes deve prevalecer, seja porque a mais
recente jurisprudência dos Tribunais Pátrios é uníssona ao reconhecer a validade a eleição
de foro em contratos de representação comercial ou porque inexiste prova nos autos
principais quanto à alegada hipossuficiência da ora Agravada.

30. Para sustentar a alegação de que, em razão do disposto no artigo 39 da Lei


4.886/1965, não seria possível a eleição de foro pelas partes em contrato de representação
comercial, a r. decisão agravada transcreve a ementa de um acórdão do C. STJ proferido
há mais de onze anos, mais especificamente em 03/03/2008, quando ainda havia certa
controvérsia acerca dessa questão.

31. Desde então, a jurisprudência pátria sedimentou o entendimento de que é


plenamente possível a eleição de foro em contratos de representação comercial, pois a
regra de competência prevista no artigo 39 da Lei nº 4.886/65 tem natureza meramente
relativa, podendo as partes livremente ajustar o foro de eleição.

32. Nessa linha, em seus mais recentes julgados, esse E. Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo tem decidido pela possibilidade e validade da cláusula de eleição de
foro em contratos como o tratado nesta demanda. Confira-se:

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“Por conseguinte, a agravante é prestadora de serviços contratados pela


agravada para a realização de atividades de representação comercial

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pré-definidas no contrato.

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À evidência, o pacto entabulado não é amparado pelo Código de Defesa do
Consumidor, pois a relação existente entre o representante e
representada é regida pela Lei nº 4.886/65, que é lei especial e deve
prevalecer.
Ademais, não se aplica ao caso em exame o disposto no art. 39 da Lei nº
4.886/65, pois a competência estabelecida neste dispositivo é de natureza
relativa, O QUE PERMITE QUE AS PARTES AJUSTEM O FORO DE ELEIÇÃO
(...)” (TJSP, Agravo de Instrumento nº 2026148-53.2019.8.26.0000, Rel.
Maia da Rocha, j. 07/05/2019).

“COMPETÊNCIA. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO


COMERCIAL. COBRANÇA DE VERBAS INDENIZATÓRIAS POR
RESCISÃO IMOTIVADA. FORO DE ELEIÇÃO. (...)
3. Como o art. 63 do CPC autoriza a derrogação das regras de
competência para prevalecimento do foro eleito e, na hipótese, não
verificamos dificultação da defesa do representante, temos por válida
a derrogação pactuada.
4. Afinal, consoante já se decidiu: “a mera desigualdade de porte econômico
entre as partes não caracteriza hipossuficiência econômica ensejadora do
afastamento do dispositivo contratual de eleição de foro” (STJ, 4ª Turma,
REsp201.904-AgRg, rel. Min. Isabel Gallotti, j. 20.5.2014).
5. Recurso provido.” (TJSP, Agravo de Instrumento nº 2022957-
34.2018.8.26.0000, Rel. Melo Colombi, 28/03/2018).

33. No âmbito do C. Superior Tribunal de Justiça, o entendimento pela validade


e necessidade de observância das previsões contidas na cláusula de eleição de foro em
contratos de representação comercial é também pacificado há vários anos, sendo inclusive
objeto do Informativo nº 235 do STJ:

COMPETÊNCIA. FORO DE ELEIÇÃO.


Na espécie, cuidou-se de uma representação comercial na qual se
tratava de contrato de adesão. O MIN. BARROS MONTEIRO ENTENDEU
QUE DEVERIA PREVALECER A CLÁUSULA ELETIVA DO FORO, como permite
o art. 111 do CPC. A competência estabelecida pelo art. 39 da Lei n.
4.886/1965, com a redação da Lei n. 8.420/1992, é de natureza relativa,
permitindo, pois, que as partes ajustem o foro de
eleição. Substancialmente, não há que se falar em hipossuficiência de uma
das partes, quando contendem duas empresas de porte razoável. REsp
579.324-SC, Rel. originário Min. Jorge Scartezzini, Rel. para acórdão Min.
Barros Monteiro, julgado em 15/2/2005.

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

34. Também a mais recente jurisprudência do C. STJ é uníssona ao reconhecer


a legalidade da cláusula de eleição de foro contida em contratos de representação

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por CAIO GRISANTI MARINO PASSOS, protocolado em 18/09/2019 às 16:17 , sob o número 22091900820198260000.
comercial:

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 2209190-08.2019.8.26.0000 e código E51EACD.
“AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE
AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO
MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO.
INSURGÊNCIA RECURSAL DA AGRAVANTE.
1. A competência prevista no art. 39 da Lei n. 4.886/1965 é relativa,
podendo ser livremente alterada pelas partes, inclusive em contrato de
adesão, desde que não caracterizada a hipossuficiência do representante
comercial e que a mudança de foro não obstaculize o acesso à Justiça.
Precedentes. 1.1. A alteração das conclusões adotadas pelo aresto a quo,
acerca da obstacularização do acesso ao Poder Judiciário pela parte agravada,
implicaria em reexame do acervo fático-probatório, providência vedada pela
Súmula 7/STJ.
2. Agravo interno desprovido.” (STJ, AgInt no REsp nº 1.742.359/CE, Rel.
Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, j. 23/10/2018)

“RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL.


IRRESIGNAÇÃO MANEJADA NA ÉGIDE DO CPC/73. EXCEÇÃO
DE INCOMPETÊNCIA. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO
COMERCIAL. CLÁUSULA DE ELEIÇÃO DE FORO. VALIDADE.
1. A competência territorial para dirimir controvérsias surgidas entre o
representante comercial e o representado fixa-se, consoante previsto no art.
39 da Lei nº 4.886/65, no foro do domicílio do representante comercial.
2. Referida competência é de ordem relativa e pode ser validamente afastada
por cláusula de eleição de foro, mesmo inserida em contrato de adesão, caso
não comprovada a hipossuficiência do representante comercial ou prejuízo
ao seu direito de ampla defesa.
3. A superioridade econômica da empresa contratante não gera, por si só, a
hipossuficiência da contratada, em especial, nos contratos de concessão
empresarial.
4. Recurso especial provido. (STJ, REsp nº 1.628.160/SC, Rel. Min. Moura
Ribeiro, Terceira Turma, j. 18/10/2016)

35. Mas não é só.

36. Ainda que parcela da jurisprudência admita o afastar a cláusula de eleição de


foro nas hipóteses em que o representante comercial seja hipossuficiente ou em que o foro
eleito inviabilize o exercício do direito de ação do representante, nenhuma dessas situações
se afigura presente no caso concreto.

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

37. Por se tratar de uma medida de caráter extremamente excepcional, o


afastamento da cláusula de eleição de foro prevista em contrato de representação comercial

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Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/pastadigital/sg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 2209190-08.2019.8.26.0000 e código E51EACD.
somente é admitido pela jurisprudência pátria quando há comprovação inequívoca da
hipossuficiência do representante ou da impossibilidade do exercício do seu direito de
ação. Nesse sentido, vejamos os mais recentes julgados desse E. TJSP sobre o tema:

“COMPETÊNCIA – Foro de eleição – Preliminar de incompetência


territorial ventilada - Ausência de nulidade da cláusula de eleição de foro
firmada em contrato de prestação de atividades de representação comercial
– Aplicação do art. 39 da Lei 4.886/65 – Inadmissibilidade - Contrato não
amparado pelas normas do CDC - CLÁUSULA DE ELEIÇÃO QUE SOMENTE
DEVE SER DESCONSTITUÍDA EM SITUAÇÕES EXCEPCIONALÍSSIMAS, EM
QUE SE VISLUMBRE QUE UMA DAS PARTES, EM CONTRATO DE ADESÃO,
PRETENDE INVIABILIZAR O EXERCÍCIO DE DIREITO DE AÇÃO OU DE
DEFESA DO OUTRO PACTUANTE, GERALMENTE CARACTERIZADO POR
SER PESSOA HIPOSSUFICIENTE – Ausência dos requisitos indispensáveis –
Decisão mantida – Recurso não provido” (TJSP, AI nº 2026148-
53.2019.8.26.0000, Rel. Des. Maia da Rocha, 21ª Câmara de Direito Privado,
j. 07/05/2019)

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE COBRANÇA C/C


INDENIZAÇÃO POR RESCISÃO CONTRATUAL – CONTRATO DE
REPRESENTAÇÃO COMERCIAL – EXCEÇÃO DE
INCOMPETÊNCIA – ART. 39, DA LEI Nº 4.886/65 –
COMPETÊNCIA RELATIVA – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
DA HIPOSSUFICIÊNCIA – VALIDADE DA CLÁUSULA DE
ELEIÇÃO DE FORO. – DECISÃO MANTIDA – RECURSO
IMPROVIDO. (...)” (TJSP, AI nº 2141379-31.2019.8.26.0000, Rel. Des.
Eduardo Siqueira, 38ª Câmara de Direito Privado, j. 13/09/2019)

38. Ao contrário do que sustenta a r. decisão agravada, não há qualquer prova


de hipossuficiência da ora Agravada que justifique o afastamento da cláusula de eleição de
foro livremente pactuada entre as partes.

39. Isso porque, conforme será melhor abordado no tópico a seguir, a análise
dos documentos contábeis e das declarações de renda juntados pela Agravada nos autos
principais para atestar a sua suposta precariedade financeira, na realidade, indicam
patrimônio líquido positivo e lucros significativos nos anos-calendário de 2016 e 2017,
bem como não apontam prejuízos, tomada de empréstimos e tampouco saldo negativo.

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

40. Ou seja, além de a Agravada não ter comprovado a sua alegada


hipossuficiência, os documentos que ela apresentou para esse fim atestam justamente o

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contrário, que a Agravante tem plenas condições de arcar com as custas do processo!

41. De mais a mais, na remotíssima hipótese se entender pelo afastamento da


cláusula de eleição de foro prevista no contrato celebrado entre as partes, a solução adotada
pelo MM. Juízo a quo de manter a demanda originária na comarca de Ribeirão Preto-SP é
completamente equivocada.

42. Conforme consta da ficha cadastral obtida na JUCESP que instruiu a petição
inicial, a Agravada tem sede na Rua Almirante Barroso, 54, bairro Campo Grande, Santos-
SP, CEP 11075-440 (fls. 10/11 do doc. 2). Portanto, a sede da Agravada não é localizada
em Ribeirão Preto-SP, mas na comarca de Santos-SP.

43. Embora os Agravantes tenham suscitado tal questão em contestação,


formulando pedido subsidiário pela redistribuição da ação principal à Comarca de Santos-
SP, a r. decisão agravada entendeu que o MM. Juízo da Comarca de Ribeirão Preto seria
competente para o seu julgamento, por se tratar da comarca onde residem os sócios da
Agravada.

44. Como se sabe, a sociedade empresária de responsabilidade limitada, por se


tratar de uma personalidade jurídica distinta, não se confunde com a pessoa dos seus
sócios, sendo dotada de direitos e obrigações próprias e independentes em relação aos seus
sócios.

45. Nesse passo, a alegação do MM. Juízo a quo de que a demanda principal
deveria ser processada em Ribeirão Preto-SP, por se tratar da comarca de domicílio dos
sócios da Agravada não possui sequer mínimo embasamento legal, constitui gravíssima
afronta à independência da Agravada em relação aos seus sócios e, obviamente, não deve
prevalecer sob nenhuma circunstância.

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

46. Destarte, em observância ao que fora expressamente previsto na Cláusula


18.1 do Contrato celebrado entre as partes e diante da inexistência de prova da alegada
insuficiência da Agravada, de rigor a reforma da r. decisão agravada, para que seja acolhida

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a preliminar de incompetência suscitada pelas Agravantes em contestação, com a
consequente remessa dos autos à comarca do Rio de Janeiro-RJ ou, subsidiariamente, à
comarca de Santos-SP, onde se localizada a sede da empresa Agravada.

V — DA IMPOSSIBILIDADE DE CONCESSÃO DOS BENEFÍCIOS DA


GRATUIDADE DA JUSTIÇA EM FAVOR DA AGRAVADA

47. Ao tratar da impugnação ao pedido de gratuidade da justiça, a r. decisão


agravada, em suma, consignou que os elementos abordados na impugnação apresentada
pelas Agravantes em contestação não evidenciariam a falta de pressupostos legais para a
concessão do benefício e que os documentos apresentados pela Agravada demonstrariam
a sua incapacidade de suportar as despesas do processo. Verbis:

“Somente poderá ser indeferido o pedido de gratuidade de justiça se houver


nos autos elementos que evidenciem a falta de pressupostos legais para sua
concessão (art. 99, §§ 2º, NCPC).

Cabe à parte contrária convencer o juízo, mediante produção de elementos


probatórios diversos, que a beneficiada não merece a gratuidade, o que não
aconteceu neste processo. (...)

Os documentos apresentados pelo polo ativo demonstram que não é capaz


de suportar as despesas do processo (págs. 330/337 e 348/352).” (doc. 1)

48. Em que pese o entendimento do Il. Juízo singular, ao se apreciar a questão


à luz dos artigos 98 e seguintes do CPC, chega-se à irrefutável conclusão de que além de
inexistirem provas de hipossuficiência alegada pela Agravada, os documentos
mencionados pela r. decisão agravada, na realidade, demonstram que ela tem plenas
condições de arcar com as despesas do processo!

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49. Com efeito, por se tratar de uma medida de caráter extremamente


excepcional, a concessão das benesses da justiça gratuita reclama a necessidade de
demonstração inequívoca dos requisitos legais previstos pelos artigos 98 e seguintes do

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CPC.

50. Nesse sentido, a jurisprudência desse E. TJSP entende, de forma


absolutamente pacífica, que a pessoa jurídica somente faz jus ao benefício da gratuidade
processual caso comprove de forma categórica a sua situação de hipossuficiência.
Confira-se:

“Agravo Interno – Indeferimento de pedido de justiça gratuita formulado


no bojo de apelação – Pleito de reforma – Inadmissibilidade – Pessoa
jurídica – Indispensabilidade da comprovação cabal da
impossibilidade de recolhimento das custas e despesas processuais
sem prejuízo da manutenção de suas atividades – Extrato
demonstrando a existência de ações ajuizadas em face da postulante que não
se revela suficiente para tal mister – Hipossuficiência não caracterizada
– Decisão mantida – Recurso improvido.” (TJSP, Agravo Interno Cível nº
1009592-56.2014.8.26.0068, Rel. Des. Claudia Grieco Tabosa Pessoa, 19ª
Câmara de Direito Privado, j. 24/06/2019)

“AGRAVO DE INSTRUMENTO – Benefício da justiça gratuita requerida


em prol da pessoa jurídica e dos seus respectivos sócios – Ausência,
entretanto, de comprovação cabal a respeito da afirmada
hipossuficiência financeira – Manutenção da r. decisão de primeiro grau
de indeferimento do pedido de concessão dos benefícios da justiça gratuita
– Recurso improvido.” (TJSP, AI nº 2129561-53.2017.8.26.0000, Rel. Des.
Lígia Araújo Bisogni, 14ª Câmara de Direito Privado, j. 25/08/2017)

51. Pois bem.

52. A descrição de receita de vendas de fls. 318 da ação principal (doc. 2), que
contempla o período de apuração entre 01/01/2015 a 31/12/2015, aponta para um
montante de R$ 212.222,60 (duzentos e doze mil, duzentos e vinte dois reais e sessenta
centavos). Esse mesmo documento indica um total do ativo de R$ 182.715,80 (cento e
oitenta e dois mil, setecentos e quinze reais e oitenta centavos) (fls. 320 do doc. 2) e lucro
líquido de R$ 174.898,54 (cento e setenta e quatro mil, oitocentos e noventa e oito reais e
cinquenta e quatro centavos) (fls. 321 do doc. 2).

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

53. Por sua vez a declaração de fls. 326 dos autos principais (doc. 2), que
abrange o período de 01/01/2017 a 31/12/2017, aponta um saldo em caixa/banco no

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final do período de R$ 311.140,00 (trezentos e onze mil, cento e quarenta reais), e indica
valores de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido em R$ 396.559,67 (trezentos e noventa e
seis mil, quinhentos e cinquenta e nove reais e sessenta e sete centavos) (fls. 334 do doc.
2).

54. No mesmo sentido, a declaração de fls. 332 de origem (doc. 2),


correspondente ao período de 01/01/2016 a 31/12/2016, indica um resultado líquido de
R$ 154.824,59 (cento e cinquenta e quatro mil, oitocentos e vinte e quatro reais e cinquenta
e noventa centavos)!

55. Ainda, pela análise dos balancetes e declarações de renda apresentados pela
Agravada (fls. 291/337), verifica-se que, no período ali descrito, (i) não houve prejuízos;
(ii) não há tomada de empréstimos; e (ii) não há saldo negativo.

56. Portanto, ao revés do que consta da r. decisão agravada, os documentos


contábeis e declarações de renda da Agravada juntados na origem são provas contundentes
a demonstrar que não há carecimento de capital.

57. Em situações como essa, na quais os relatórios fiscais e declarações de


imposto de renda não revelem categoricamente a situação de hipossuficiência de empresa,
esse E. TJSP entende pela impossibilidade de concessão do benefício perseguido. Senão,
vejamos:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO - justiça gratuita – alegação de


hipossuficiência – DOCUMENTOS NOS AUTOS, BALANÇO PATRIMONIAL
E DECLARAÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA – pessoa jurídica e pessoas
físicas – indeferimento em 1º Grau, após prazo para comprovação nos
termos do art. 99, § 2º do CPC/2015 - possibilidade – AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO CABAL DA NECESSIDADE - recurso não provido” (TJSP,
AI nº 2175453-19.2016.8.26.0000, Rel. Des. Achile Alesina, 38ª Câmara de
Direito Privado, j. 28/09/2016)

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

“AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA


SOCIEDADE EMPRESÁRIA E SÓCIO. Benefício pleiteado com
amparo em cópias de relatórios fiscais da empresa e de declaração de
imposto de renda do sócio. INSUFICIÊNCIA. Súmula 481 do STJ.

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Documentos juntados que não retratam a alegada hipossuficiência

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financeira. Determinação de recolhimento também das custas do presente
recurso, sob pena de inscrição na dívida ativa agravo desprovido, com
determinação.” (Agravo de Instrumento 2141467-06.2018.8.26.0000;
Relator CASTROFIGLIOLIA; 12ª Câmara de Direito Privado; j.
17/09/2018).

58. Destarte, por qualquer ângulo que se analise a questão, resta clara a
impossibilidade de concessão da gratuidade da justiça em favor da ora Agravada, pois,
claramente, não se trata de pessoa jurídica com insuficiência de recursos para arcar com as
custas e despesas processuais, conforme exige o artigo 98, “caput”, do CPC, sendo,
portanto, imperiosa a reforma da r. decisão agravada, para que seja acolhida a impugnação
ofertada pelas Agravantes em contestação.

VI — DA NECESSIDADE DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA


RECURSAL

59. Consoante dispõem os artigos 300, 1.019, I, e 932, II, do CPC, a concessão
de tutela antecipada em esfera recursal depende da demonstração de probabilidade de
provimento do recurso e da existência de risco de dano irreparável ou de difícil reparação
à parte.

60. No que se refere à probabilidade do direito, esta aflora evidente nos tópicos
precedentes.

61. Conforme detalhadamente exposto alhures, o racional utilizado pelo MM.


Juízo singular para afastar tanto a preliminar de incompetência quanto a impugnação ao
pedido de justiça gratuita da Agravada suscitadas pelas Agravantes em contestação é, d. m.
v., completamente equivocado.

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

62. Em que pese o entendimento da r. decisão agravada, a regra de competência


prevista pelo artigo 39 da Lei 4.886/1965 para litígios que discutam contratos de
representação comercial tem caráter meramente relativo, sendo plenamente válida e eficaz

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a cláusula de eleição de foro livremente pactuada entre as partes em contrato dessa
natureza.

63. E mesmo que parcela da jurisprudência afaste a cláusula de eleição de foro


nas hipóteses em que o representante comercial seja hipossuficiente, ao contrário do que
indica a r. decisão agravada, não há qualquer prova nos autos originários de insuficiência
da ora Agravada.

64. Além disso, a solução adotada pelo Il. Juízo singular de manter a demanda
de origem em Ribeirão Preto-SP, por se tratar da comarca de residência dos sócios da
Agravada, é completamente equivocada, pois contraria a independência da personalidade
jurídica da Agravada, que tem sede na comarca de Santos-SP, em relação aos seus sócios.

65. Já quanto a impugnação ao pedido de justiça gratuita, como também


demonstrado acima, a concessão de tal benesse em favor da Agravada é completamente
descabida na hipótese concreta, pois, além de inexistirem provas da sua alegada
hipossuficiência, os documentos mencionados pela r. decisão agravada, na realidade,
demonstram que a Agravada tem plenas condições de arcar com as despesas do processo.

66. Nesse passo, a r. decisão agravada destoa por completo da uníssona


jurisprudência desse E. TJSP no sentido de que a apresentação pela pessoa jurídica de
relatórios fiscais e declarações de imposto de renda não revelem categoricamente a situação
de hipossuficiência de empresa não constituem provas inequívocas de hipossuficiência
financeira, a justificar a concessão da excepcionalíssima medida gratuidade processual.

67. Da mesma forma, o perigo de dano irreparável ou de difícil reparação é


latente na hipótese concreta.

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

68. Como se sabe, a efetividade, a economia e a celeridade do processo,


positivadas pelo artigo 4º do CPC, são princípios norteadores do Direito Processual Civil
pátrio, devendo sempre ser observados pelo magistrado na aplicação do Direito.

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69. Na hipótese concreta, caso a r. decisão agravada permaneça produzindo
regulares efeitos até o julgamento definitivo deste recurso por esse E. Tribunal, o que pode
levar vários meses ou até mesmo alguns anos, certamente serão praticados diversos atos
processuais por Juízo incompetente, os quais, futuramente, serão declarados nulos,
causando demasiada demora na prestação jurisdicional às partes.

70. Tal conjuntura é algo que não pode ser admitido sob nenhuma hipótese pelo
Poder Judiciário!

71. Diante desse cenário, tendo em vista a inequívoca presença dos requisitos
autorizadores previstos pelos artigos 300, 1.019, I, e 932, II, do CPC, impõe-se o
deferimento da antecipação dos efeitos da tutela recursal, nos termos a seguir pretendidos.

VII — PEDIDOS

72. Diante de todo o acima exposto, as Agravantes requerem, com fundamento


nos artigos 932, II c/c 1.019, I, do CPC/15, seja deferida, nesta oportunidade, a
antecipação dos efeitos da tutela recursal, para:

(i) acolher a preliminar de incompetência arguida na sua contestação,


determinando-se, por consequência, a redistribuição da ação de origem ao
Foro da Comarca do Rio de Janeiro-RJ, nos termos da Cláusula 18.1 do
contrato celebrado entre as partes ou, subsidiariamente, a remessa dos autos
ao foro da comarca de Santos-SP, onde se situa a sede da empresa ora
Agravada; e
(ii) revogar a concessão dos benefícios da gratuidade da justiça, eis que
a Agravada não demonstrou o preenchimento dos requisitos necessários
para tanto.

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CHADE ADVOGADOS ASSOCIADOS

73. Ao final, confirmando-se a tutela antecipada em sede recursal, requer-se a


reforma da r. decisão agravada para que (i) seja acolhida a preliminar de incompetência do

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MM. Juízo a quo, determinando-se a redistribuição da ação de origem ao Foro da Comarca
do Rio de Janeiro-RJ ou, subsidiariamente, a remessa dos autos ao foro da comarca de
Santos-SP, onde se situa a sede da empresa ora Agravada; e (ii) seja a revogada a concessão
dos benefícios da gratuidade da justiça em favor da Agravada, haja visa a flagrante ausência
de preenchimento dos requisitos legais para a adoção dessa excepcionalíssima medida no
caso concreto.

74. As Agravantes manifestam, desde já, oposição ao julgamento virtual do


presente recurso.

75. Requer-se, por derradeiro, que as intimações deste processo sejam realizadas
exclusivamente em nome dos advogados OSWALDO CHADE, inscrito na OAB/SP sob o
nº 10.351, e SERGIO NASSIF NAJEM FILHO, inscrito na OAB/SP sob o nº 210.834, sob
pena de nulidade.

Termos em que,
pede deferimento.
São Paulo, 17 de setembro de 2019.

SERGIO N. NAJEM FILHO CAIO GRISANTI MARINO PASSOS


OAB/SP – 210.834 OAB/SP – 377.814

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