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DIREITO PENAL

PROF. LEDA SIQUEIRA

01 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta:

a) A Lei 11.343/06 é fonte formal do Direito Penal.


b) O art. 327 do Código Penal, que traz o conceito de funcionário público, caracteriza-se por
ser manifestação da interpretação autêntica.
c) Admite-se interpretação extensiva no Direito Penal mesmo que prejudique o réu.
d) O Princípio da Alteridade e da Lesividade são sinônimos na medida em que proíbem
incriminação de condutas que não extravasam o âmbito do próprio indivíduo.
e) Não se aplica o princípio da insignificância no caso de contrabando.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: São fontes do direito penal:

a) Fontes Materiais/ Substanciais/ de produção (órgãos encarregados de produzir


o direito penal): De acordo com a Constituição, União e Estados. O art. 22 trata de competência
privativa que pode ser delegada, para tanto é necessário lei complementar da União autorizando
e deve tratar de questão específica do Estado.

b) Fontes Formais/ cognitivas / de conhecimento:

b.1) Imediata: Lei

b.2) Mediata: costume, princípios gerais do direito, atos administrativos (complemento


normas penais em branco), doutrina, jurisprudência, tratados internacionais.

Alternativa B: A interpretação da lei penal quando ao sujeito se faz:

a) autêntica ou legislativa: é aquela realizada pelo próprio legislador. Exemplo: art.


327 do CP diz o que é funcionário público para fins penais.

b) doutrinária ou científica: é aquela feita pelos doutrinadores, os cientistas do


direito. Exemplo: exposição de motivos do CP e CPP, ela narra os motivos que levaram os juristas
a formularem os dispositivos que deram origem à lei.

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c) Judicial ou jurisprudencial: aquela feita pelos juízes. Ex: súmula.

Alternativa C: Quanto ao resultado obtido, a interpretação da lei penal pode ser


declarativa, extensiva, restritiva ou progressiva.

A interpretação extensiva ocorre quando a lei diz menos do que quer, o intérprete
amplia o alcance da lei. É possível se ter interpretação extensiva no direito penal mesmo que
seja para prejudicar o réu. Exemplo: onde se lê bigamia, entende-se poligamia.

Alternativa D: Os dois princípios não são sinônimos.

O Princípio da Alteridade visa proibir a incriminação de uma conduta que não exceda
o âmbito do próprio autor. Por ele, não há crime na conduta que prejudica somente quem a
praticou. Roxin chama isso de intersubjetividade no direito penal, no sentido de que só existe
crime quando a conduta ultrapassa a pessoa do agente.

O Princípio da Lesividade (Ofensividade) determina que só há crime quando


a conduta é capaz de lesionar ou ao menos de colocar em perigo de lesão o bem jurídico
tutelado pela lei penal. Procurou desfazer a confusão que havia entre direito e a moral. Dentre
suas funções estão: proibir a incriminação de uma atitude interna, proibir a incriminação de
simples estados ou condições existenciais, proibir a incriminação de condutas desviadas que
não afetam qualquer bem jurídico. Ele se relaciona com o Princípio da Exclusiva Proteção do
Bem Jurídico segundo o qual o direito não deve se preocupar com questões éticas, morais,
políticas, filosóficas, religiosas.

Alternativa E:

Contrabando Não se aplica o princípio da insignificância no caso de


contrabando, tendo em vista o desvalor da conduta do agente (HC
110964, Relator Min. Gilmar Mendes, 2ª Turma, julgado em 07/02/2012).

02 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) Se aplica o princípio da insignificância para o crime de porte de droga para consumo


pessoal.
b) Condenação por fato posterior ao crime em julgamento não gera reincidência, mas gera
maus antecedentes.
c) O consentimento do ofendido caracteriza-se como hipótese supralegal de exclusão da
culpabilidade.
d) O reduzido grau de reprovabilidade do comportamento é um dos requisitos para aplicação

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do Princípio da Insignificância pelo STF.
e) O Princípio da Insignificância consiste em causa supralegal de exclusão da ilicitude.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Não se aplica o princípio da insignificância para o crime de posse/


porte de droga para consumo pessoal (art. 28 da Lei 11.343/2006). STJ.
6ª Turma. RHC 35.920-DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
20/5/2014 (Info 541).

Alternativa B:

Na dosimetria da pena, as condenações por fatos posteriores ao crime


em julgamento não podem ser utilizados como fundamento para
valorar negativamente a culpabilidade, a personalidade e a conduta
social do réu. STJ. 6ª Turma. HC 189.385-RS, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 20/2/2014 (Info 535).

Alternativa C: O consentimento do ofendido consiste em hipótese supralegal de


exclusão da ilicitude e não da culpabilidade.

As excludentes da ilicitude estão previstas no art. 23 do Código Penal e são: legítima


defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento de dever legal e exercício regular de direito.

Mas há também descriminantes na parte especial do CP, como por exemplo, o aborto
permitido (art. 128 CP). Há também na legislação extravagante, a Lei dos Crimes Ambientais traz
legítima defesa, estado de necessidade. Além disso, há ainda descriminantes não previstas em
lei (supralegais) como, por exemplo, o consentimento do ofendido.

Alternativa D: O Princípio da Insignificância tem por finalidade auxiliar o intérprete


quando da análise do tipo penal, para fazer excluir do âmbito da incidência da lei aquelas
situações consideradas como de bagatela. Segundo Claus Roxin, o Direito Penal não deve
se ocupar de condutas insignificantes, que são aquelas incapazes de lesar ou pelo menos de
colocar em perigo o bem jurídico protegido pela lei penal.

Requisitos: Entendimento do STF:

1) Objetivos: dizem respeito ao fato praticado.

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• mínima ofensividade da conduta,
• ausência de periculosidade social da ação,
• reduzido grau de reprovabilidade do comportamento,
• inexpressividade da lesão jurídica.

2) Subjetivos: dizem respeito ao agente e à vítima.
• importância econômica e sentimental do bem para a vítima,
• condições do agente.

Alternativa E: O Princípio da Insignificância consiste em uma causa supralegal de


exclusão da tipicidade penal. A tipicidade penal se subdivide em tipicidade formal e material.

- Tipicidade formal: “Juízo de Adequação” entre o fato e a norma. Na tipicidade


formal se analisa se o fato praticado na vida real se ajusta ao modelo de crime descrito na lei
penal.

- Tipicidade material: caracteriza-se pela lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico.


Não basta que o fato encaixe na norma, é preciso que o fato possa lesar ou colocar em perigo o
bem jurídico.

No Princípio da Insignificância, o fato praticado pelo agente é dotado de tipicidade


formal, entretanto falta-lhe a tipicidade material.

03 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta:

a) Leis Penais Permissivas são aquelas que estabelecem a não culpabilidade do agente ou a
impunidade de certos delitos.
b) Desacato é crime.
c) O dispositivo que regula a tentativa consiste em uma normal de extensão da tipicidade.
d) O tipo penal da omissão de socorro traduz uma lei penal preceptiva.
e) Quando a confissão for utilizada para a formação do convencimento do julgador, o réu
fará jus à atenuante prevista no artigo 65, III, d, do Código Penal.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Leis Penais Permissivas veiculam causas de exclusão da ilicitude e são chamadas de

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tipos penais permissivos porque permitem a prática de determinados fatos típicos, por exemplo,
matar alguém em legítima defesa.

Leis Penais Exculpantes são aquelas que estabelecem a não culpabilidade do agente
ou a impunidade de certos delitos.

Alternativa B:

Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela


continua a ser crime, conforme previsto no art. 331 do Código Penal.
STJ. 3ª Seção. HC 379.269/MS, Rel. para acórdão Min. Antonio Saldanha
Palheiro, julgado em 24/05/2017.

Alternativa C: A adequação típica pode ser de duas espécies.

a) Imediata: o fato se encaixa diretamente no tipo penal. Não há necessidade de


utilização de nenhuma outra norma. Ex: homicídio consumado.

b) Mediata (subordinação mediata, adequação típica ampliada ou por extensão):


o fato praticado pelo agente não se encaixa diretamente no tipo penal. Há necessidade de
utilização de uma outra norma. São as chamadas norma de extensão da tipicidade.

1ª) Art. 14, II: Tentativa. É uma norma de extensão temporal da tipicidade. Temporal
porque permite a aplicação do tipo a um momento anterior a sua consumação.

2ª) Art. 29 caput: Concurso de pessoas (no tocante à participação). É uma norma de
extensão pessoal. Pois num primeiro momento o partícipe não se encaixa no tipo, mas permite
a aplicação da lei penal a pessoas diversas dos autores.

3ª) Art. 13, §2º: Omissão penalmente relevante. Norma de extensão da conduta.
Aquela conduta que só era praticada por ação, com o dever de agir, passa a ser praticada pela
omissão. Matar, em regra, é praticado por ação, mas quando se tem alguém com o dever de agir,
a conduta pode ser praticada por omissão.

Alternativa D: Leis Penais Preceptivas são aquelas normas que obrigam o agente
a agir frente determinada situação para impedir a lesão ou exposição a perigo de lesão de um
bem jurídico. Violando-se tais normas, surgem os delitos omissivos.

Alternativa E:

Súmula 545-STJ: Quando a confissão for utilizada para a formação do


convencimento do julgador, o réu fará jus à atenuante prevista no artigo

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65, III, d, do Código Penal.

04 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) Não se aplica nenhuma agravante aos crimes culposos.


b) Aquele que chama uma funcionária pública negra de “macaca fedida” incorre no crime de
injúria racial.
c) O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite máximo para
cumprimento de pena no Brasil que é de 30 anos.
d) A venda de CD’s pirata não é considerada crime em razão do Princípio da Adequação
Social.
e) O crime de roubo é qualificado quando há concurso de duas ou mais pessoas.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

As circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos crimes


culposos, com exceção da reincidência. STF. 1ª Turma. HC 120165/RS,
rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 11/2/2014 (Info 735).

Alternativa B: Correta. O aluno talvez pense que a referida conduta poderia configurar
crime de desacato.

O crime de desacato consiste em ofensa praticada contra funcionário público e em


razão do exercício de suas funções.

Nessa toada, chamar uma policial negra de “macaca fedida” não configura desacato
e sim injúria racial, pois a ofensa não está relacionada às suas funções, ao passo que chamá-la
de corrupta seria desacato.

Alternativa C:

Súmula 527-STJ: O tempo de duração da medida de segurança não deve


ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito
praticado.

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Alternativa D:

Súmula 502-STJ: Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica,


em relação ao crime previsto no artigo 184, parágrafo 2º, do Código
Penal, a conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas.

Alternativa E: No roubo, o concurso de duas ou mais pessoas acarreta em um


aumento de pena, não transformando o delito em modalidade qualificada. Diferentemente do
crime de furto, que passa a ser qualificado quando cometido mediante concurso de duas ou
mais pessoas.

Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante
grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer
meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é
cometido:
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.

05 – QUESTÃO:

Sobre os aspectos da Teoria do Crime, assinale a alternativa incorreta:

a) O conceito analítico de crime de acordo com a teoria tripartida consiste em fato típico,
ilícito e culpável.
b) A conduta é um elemento presente do fato típico.
c) Os crimes omissivos próprios não admitem tentativa.
d) Nos crimes formais, pode haver consumação ou não.
e) A coação física irresistível exclui a tipicidade.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Conceito de Crime:

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a) Critério Material: é a conduta humana ou a conduta da pessoa jurídica (crimes
ambientais) que lesa ou expõe a perigo de lesão bens jurídicos penalmente protegidos.

b) Critério Formal: crime é o que a lei classifica como tal. Enquanto crime é a espécie
de infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção isolada, alternativa
ou cumulativamente a pena de multa, a contravenção penal (crime anão, crime vagabundo,
crime liliputiano) é a espécie de infração penal que a lei comina pena de prisão simples e/ou
de multa.

c) Critério Analítico/Dogmático: leva em conta a estrutura do crime, ou seja, os


elementos estruturais do crime.

• Teoria Quadripartida: para essa teoria, o crime tem quatro elementos: fato típico,
ilicitude, culpabilidade e punibilidade.
• Teoria Tripartida: para essa teoria o crime tem três elementos: fato típico, ilicitude
e culpabilidade.
• Teoria Bipartida: para essa teoria o crime tem dois elementos: fato típico e ilicitude,
sendo que a culpabilidade é pressuposto de aplicação da pena.

Alternativa B: Requisitos ou elementos do fato típico:

1º) conduta;
2º) resultado naturalístico;
3º) relação de causalidade (nexo causal);
4º) tipicidade.

Alternativa C: Nos crimes omissivos próprios, a omissão é descrita no próprio tipo


penal (Ex: deixar de prestar socorro, abandono material, abandono intelectual, omissão de
notificação de doença, prevaricação). Esses crimes não admitem tentativa porque são crimes
unissubsistentes (a conduta é composta de um único ato suficiente para sua consumação, ou o
agente realiza a conduta ou não realiza e o crime está consumado).

Alternativa D: Nos crimes formais há consumação o que pode ou haver é resultado


naturalístico.

Nos crimes formais, o tipo penal contém conduta e resultado naturalístico, mas
dispensa este último para fins de consumação. O momento da consumação se antecipa ao
momento da prática da conduta, de forma que o resultado naturalístico pode ou não ocorrer.
A consumação é antecipada. Ex: extorsão mediante sequestro (art. 159 CP) em que a conduta
é a privação da liberdade e o resultado é o pagamento do resgate, o crime se consuma com a
mera privação da liberdade.

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Alternativa E: A coação física irresistível exclui a conduta, o fato é atípico, o coagido
não tem vontade. Já a coação moral irresistível é uma situação de inexigibilidade de conduta
diversa e exclui a culpabilidade, na qual o agente tem vontade, mas ela é viciada.

06 – QUESTÃO:

Ainda sobre a Teoria do Crime, assinale a alternativa correta:

a) O resultado naturalístico, requisito dos crimes materiais, consiste na violação da norma


penal com ofensa ao bem jurídico protegido.
b) Pela teoria dos elementos negativos do tipo, o tipo penal deve conter também as causas
excludentes de ilicitude.
c) No arrependimento eficaz, o agente tem a pena reduzida de um a dois terços.
d) O agente que age amparado por uma causa de exclusão da ilicitude responde pelo excesso
doloso, mas não pelo culposo.
e) O estado de necessidade dispensa o requisito da inevitabilidade.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Resultado é a consequência, o desdobramento da conduta. Também


chamado de evento e possui as seguintes espécies:

a) Jurídico/normativo: é a mera violação da norma penal com ofensa ao bem jurídico


protegido. Ex: resultado nos crimes de mera conduta.

b) Material/naturalístico: é a modificação do mundo exterior provocada pela


conduta do agente. Ex: resultado nos crimes materiais.

Alternativa B: A Teoria dos Elementos Negativos do Tipo, desenvolvida por Hellmuth


Von Weber, determina que as excludentes da ilicitude funcionam como elementos negativos
do tipo penal. As excludentes da ilicitude teriam que estar presentes no tipo (matar alguém,
salvo em legítima defesa, estado de necessidade ou exercício regular de um direito ou estrito
cumprimento de dever legal).

Alternativa C: Não confundir arrependimento eficaz com arrependimento posterior.


No arrependimento eficaz, o agente responde pelo ato praticado, ou seja, pelo crime menos
grave produzido. Por outro lado, no arrependimento posterior, o agente responde pelo crime
com redução de pena.

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Alternativa D:

Exclusão de ilicitude 
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de
direito.
       
Excesso punível 
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo,
responderá pelo excesso doloso ou culposo.

Alternativa E: A inevitabilidade é um dos requisitos do estado de necessidade. O único


meio para salvar direito próprio ou de terceiro é o cometimento de fato lesivo, sacrificando-se
bem jurídico alheio. No estado de necessidade, a fuga do perigo é o caminho preferido. Primeiro,
o agente deve fugir do perigo, somente se não tiver outra alternativa ele age em estado de
necessidade.

07 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) O perdão, nos crimes de ação privada, é causa extintiva da punibilidade.


b) O rol do art. 107 do Código Penal (causas extintivas da punibilidade) é taxativo.
c) Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos
outros, a agravação da pena resultante da conexão.
d) Anistia própria é aquela que ocorre após o trânsito em julgado da condenação.
e) Trata-se de efeito primário da condenação a inscrição do nome do réu no rol dos culpados.

RESPOSTA: Alternativa: C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Essa é uma pegadinha corriqueira de prova.

Nos termos do art. 107, V do Código Penal, o perdão ACEITO constitui causa que
extingue a punibilidade nos crimes de ação privada

Alternativa B: O rol do art. 107 é EXEMPLIFICATIVO. Existem causas extintivas da


punibilidade previstas fora do CP. Por exemplo, art. 312, §3º do CP que traz a reparação do dano
no peculato culposo. Art. 89 da Lei 9.099/95 (suspensão condicional do processo), ao final do

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período de prova sem revogação do beneficio, estará extinta a punibilidade.

Alternativa C:

Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto,


elemento constitutivo ou circunstância agravante de outro não se
estende a este. Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um
deles não impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante
da conexão.

Alternativa D: Anistia é a exclusão, por Lei Ordinária, de um ou mais fatos do raio de


incidência do direito penal. Essa lei ordinária tem que ser editada pelo Congresso Nacional. Em
regra, a anistia se destina aos crimes políticos. Mas, excepcionalmente, a anistia pode abranger
crimes comuns. A anistia abrange FATOS e não pessoas.

Divisão:

• Própria: é aquela que ocorre antes do trânsito em julgado da condenação.


• Imprópria: é aquela que ocorre após o trânsito em julgado da condenação.

• Incondicionada: a lei não impõe condições. A anistia incondicionada NÃO PODE


SER RECUSADA.
• Condicionada: a lei impõe condições (ex: reparar o dano). PODE SER RECUSADA.

• Total: é aquela que efetivamente extingue a punibilidade.


• Parcial: é aquela que apenas diminui ou comuta (altera) a pena.

• Comum: atinge crimes comuns.


• Especial: atinge crimes políticos.

Alternativa E: Efeitos da condenação são todas conseqüências que direta ou


indiretamente atingem a pessoa do condenado por sentença penal transitada em julgado. Esses
efeitos não se limitam ao campo penal, incidindo também em outras esferas.

1) Efeitos Penais:

a) Primário: execução forçada da pena imposta.

b) Secundário: conseqüências penais da condenação (ex: reincidência, interrupção


da prescrição, maus antecedentes, inscrição do nome do réu no rol dos culpados, etc.)

2) Extrapenais:

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a) Genéricos: são chamados dessa maneira por recaírem sobre todos os crimes. São
automáticos, não precisam ser expressamente declarados na sentença.

São eles:

• Obrigação de indenizar

• Confisco: perda de bens de natureza ilícita em favor da União (instrumento,


produto ou proveito do crime).

b) Específicos: aplicados apenas para determinados crimes. Não são automáticos,


necessitando de expressa motivação na sentença condenatória para produzirem efeitos. São
eles: perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, incapacidade para o exercício do pátrio
poder, tutela e curatela, inabilitação para dirigir veículo.

08 – QUESTÃO:

A Lei de Drogas pode ser classificada como:

a) Lei penal cujo preceito secundário é indeterminado.


b) Lei penal em branco homogênea homovitelina.
c) Lei penal em branco homogênea heterovitelina.
d) Lei penal em branco às avessas.
e) Lei penal em branco heterogênea.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A Lei 11.343/06 consiste em uma lei penal em branco cujo preceito
secundário é completo, ou seja, a pena foi devidamente cominada pelo legislador, mas o
preceito primário é incompleto, ou seja, a conduta criminosa depende de complementação.

Alternativa B: Lei penal em branco homogênea (lato sensu/imprópria) é aquela em


que o complemento é uma outra lei. É aquela em que o complemento tem a mesma origem
e a mesma natureza jurídica da lei penal a ser complementada.

Lei penal em branco homogênea homovitelina é aquela em que a lei penal e o seu
complemento estão contidos no mesmo diploma legal. Ex: peculato e conceito de funcionário
público.

Alternativa C: Lei penal em branco homogênea heterovitelina é aquela em que a lei

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penal e o seu complemento (outra lei) estão contidos em diplomas legislativos diversos. Ex: art.
236 do CP, casar sob impedimento. Os impedimentos estão previstos no CC e não no CP.

Alternativa D: Lei Penal em Branco ao Avesso (lei penal em branco inversa) é aquela
cujo preceito primário é completo, mas o preceito secundário precisa de complementação. É
um crime que está sem pena. Ex: crime de genocídio. A lei de genocídio traz o crime, mas a pena
está no CP.

Alternativa E: Lei penal em branco heterogênea (stritu sensu ou fragmentária) é


aquela cujo complemento é um ato administrativo, o complemento tem origem e natureza
jurídica diversa da lei penal a ser complementada. Ex: crimes da Lei 11.343/06. As drogas estão
arroladas em uma portaria da ANVISA.

09 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) Para o cálculo da pena de multa, o Código Penal adotou o critério trifásico.


b) De acordo com o Código Penal, a pena de multa pode ser aumentada até o quíntuplo se
o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz, embora aplicada
no máximo.
c) É inadmissível a compensação da atenuante da confissão espontânea com a agravante da
promessa de recompensa, de acordo com o STJ.
d) Diante de duas causas de aumento previstas na Parte Geral, o juiz pode aplicar apenas
uma delas na sua maior fração.
e) A confissão qualificada é aquela em que o agente agrega à confissão teses defensivas
descriminantes ou exculpantes.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

SISTEMAS DE APLICAÇÃO DA PENA

Sistema Trifásico:

1ª) Pena Base;


2ª) Atenuantes e agravantes;
3ª) Causas de diminuição e aumento da pena.

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O critério trifásico foi adotado para a pena privativa de liberdade. Todavia, para a
pena de multa foi adotado o critério bifásico (primeiro calcula-se o número de dias-multa e
depois o valor do dia-multa).

Alternativa B:

Art. 60 - Na fixação da pena de multa o juiz deve atender, principalmente,


à situação econômica do réu.
§ 1º - A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz considerar que,
em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz, embora aplicada
no máximo

Alternativa C:

É possível compensar a atenuante da confissão espontânea (art. 65,


III, «d», do CP) com a agravante da promessa de recompensa (art. 62,
IV). STJ. 5ª Turma. HC 318.594-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
16/2/2016 (Info 577).

Alternativa D:

Pluralidade de causas de aumento ou de diminuição da pena:

a) as duas causas de aumento ou diminuição estão previstas na parte geral: o juiz


deve aplicar todas;

b) duas causas de aumento: uma causa está prevista na parte geral e a outra na parte
especial: o juiz deve aplicar as duas;

c) duas causas previstas na parte especial: o juiz PODE aplicar somente uma delas;

Alternativa E: A confissão qualificada ocorre quando o réu admite a prática do fato,


no entanto, alega, em sua defesa, um motivo que excluiria o crime ou o isentaria de pena (ex: eu
matei sim, mas foi em legítima defesa).

10 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta.

a) Configura reincidência a prática de outro crime após o cumprimento ou extinção da pena


de crime anterior.
b) A prática de qualquer crime gera reincidência.

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c) No regime fechado, a pena de reclusão pode ser cumprida em estabelecimento de
segurança máxima ou média.
d) A pena poderá ser atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao
crime, desde que prevista em lei.
e) A prática de atos infracionais pelo agente pode servir para caracterizar maus antecedentes.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A reincidência é uma agravante genérica, utilizada, portanto, na 2ª


fase da dosimetria da pena.

Configura-se pela prática de um novo crime depois da condenação definitiva no


Brasil ou no exterior pela prática de um crime anterior.

Não confundir com o prazo do período depurador, que é contado (cinco anos) a partir
do cumprimento ou extinção da pena.

Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime,


depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro,
o tenha condenado por crime anterior.

Art. 64 - Para efeito de reincidência:


I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento
ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de
tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da
suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação;

Alternativa B:

Art. 64 - Para efeito de reincidência:


II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos.

Alternativa C:

Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-


aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto,
salvo necessidade de transferência a regime fechado.
§ 1º - Considera-se:
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança
máxima ou média;

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Alternativa D:

Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância


relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista
expressamente em lei.

Alternativa E:

O fato de o réu já ter praticado atos infracionais anteriormente não


pode ser considerado para fins de reincidência nem se caracteriza como
maus antecedentes. No entanto, tais atos infracionais podem servir
para justificar a decretação ou manutenção da prisão preventiva como
garantia da ordem pública. STJ. 5ª Turma. RHC 47.671-MS, Rel. Min.
Gurgel de Faria, julgado em 18/12/2014 (Info 554).

11 – QUESTÃO:

Sobre a medida de segurança, assinale a alternativa incorreta.

a) Ao fato apenado com detenção, o juiz ao aplicar a medida de segurança, deverá prescrever
tratamento ambulatorial.
b) O prazo mínimo da internação ou tratamento ambulatorial é de 1 a 3 anos.
c) A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de
ano em ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução.
d) Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do
agente, se essa providência for necessária para fins curativos.
e) O internado será recolhido a estabelecimento dotado de características hospitalares e
será submetido a tratamento.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Art. 97 - Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação.


Se, todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção,
poderá o juiz submetê-lo a tratamento ambulatorial.

Alternativa B:

Art. 97. § 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo

17
indeterminado, perdurando enquanto não for averiguada, mediante
perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo mínimo deverá
ser de 1 (um) a 3 (três) anos.

Alternativa C:

Art. 97. § 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo


fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se o
determinar o juiz da execução.

Alternativa D:

Art. 97. § 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz


determinar a internação do agente, se essa providência for necessária
para fins curativos.

Alternativa E:

Art. 99 - O internado será recolhido a estabelecimento dotado de


características hospitalares e será submetido a tratamento.

12 – QUESTÃO:

Imagine a seguinte situação hipotética: Saulo, réu primário, foi condenado a pena de
homicídio simples. Paulo, reincidente, foi condenado pela prática de estupro.

Saulo obterá a progressão de regime após o cumprimento do lapso temporal de ..... e Paulo
obterá livramento condicional após o lapso temporal de .......

a) Saulo 1/6 e Paulo não tem direito a livramento condicional.


b) Saulo 1/6 e Paulo 2/3.
c) Saulo 2/5 e Paulo 2/3.
d) Saulo 2/5 e Paulo não tem direito a livramento condicional.
e) Saulo 1/6 e Paulo 3/5.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Essa questão exige a memorização por parte do aluno dos prazos para obtenção de
progressão de regime e de livramento condicional.

18
1) Progressão de regime:

1/6 réu primário ou reincidente em crime comum;



2/5 réu primário em crime hediondo;

3/5 réu reincidente em crime hediondo (reincidente específico ou não).

2) Livramento condicional:

 1/3 réu primário;


 1/3 réu reincidente;
 2/3 réu condenado a crime hediondo, desde que não seja hediondo. O reincidente
em crime hediondo não tem direito a livramento condicional.

No caso da questão, Saulo é primário e cometeu homicídio simples (crime comum),


logo vai progredir após o cumprimento de 1/6 da pena. Já Paulo, foi condenado por estupro
(crime hediondo) e, além disso, é reincidente, logo não faz jus ao livramento condicional.

13 – QUESTÃO:

No tocante às penas restritivas de direito, assinale a alternativa correta:

a) Dentre as penas restritivas de direito previstas no Código Penal está expressamente


prevista a proibição de prestação de concurso público.
b) Excepcionalmente, o réu reincidente em crime doloso poderá sem contemplado com a
substituição de pena.
c) Não se admite a substituição ao agente que comete crime de roubo.
d) A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes
ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz,
não inferior a 10 (dez) salários mínimos nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários
mínimos.
e) A prestação pecuniária não pode consistir em prestação de outra natureza.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Art. 43. As penas restritivas de direitos são:


I - prestação pecuniária;  
II - perda de bens e valores;
III - limitação de fim de semana.

19
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas;
V - interdição temporária de direitos;
VI - limitação de fim de semana.

Alternativa B:

Requisitos para substituição (art. 44):

I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o
crime for culposo;

II - o réu não for reincidente em crime doloso;

III – circunstâncias judiciais indicarem que a substituição seja suficiente.

Excepcionalmente, há possibilidade de que o réu reincidente em crime doloso tenha


sua pena substituída por restritiva de direitos, desde que, em face de condenação anterior, a
medida seja socialmente recomendável e a reincidência não seja específica.

Alternativa C: Um dos requisitos que autorizam a substituição é a ausência de


violência ou grave ameaça à pessoa. No caso do roubo, a violência pode ser própria ou imprópria
(ex: agente dopa a vítima para lhe subtrair os bens). Neste caso último, ausente a violência
propriamente dita, admite-se a substituição de pena para o crime de roubo.

Alternativa D:

Art. 45. § 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro


à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com
destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1
(um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários
mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual
condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários.

Alternativa E:

Art. 45. § 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do


beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em prestação de
outra natureza.

20
14 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta:

a) Como regra, o Brasil adota a Teoria da Acessoriedade Limitada na punição do partícipe.


b) É admissível a coautoria em crimes omissivos.
c) Vislumbra-se a possibilidade de participação omissiva em crimes comissivos.
d) Admite-se a participação dolosa em crimes culposos.
e) É possível participação comissiva em crime omissivo.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Punição do Partícipe: Teorias da Acessoriedade

a) Mínima: para se punir o partícipe basta que o autor pratique um fato típico.

b) Limitada: a punição do partícipe é possível quando o autor pratica um fato típico


e ilícito. Essa teoria sempre foi a preferida no Brasil.

c) Máxima/Extrema: a punição do partícipe é possível quando o autor pratica um fato


típico, ilícito e culpável.

d) Hiperacessoriedade: a punição do partícipe é possível quando o autor praticou um


fato típico ilícito e culpável e ele foi efetivamente punido.

Alternativa B:

Coautoria em crimes omissivos: é possível tanto em omissivos próprios e impróprios.


Ex: médicos da mesma equipe combinam de não notificar às autoridades sobre a ocorrência de
doença de notificação compulsória. Ex: pais combinam de deixar de dar alimento ao filho bebê
até ele falecer.

Alternativa C:

Participação omissiva em crime comissivo: É admitida. Ex: empregada que deixa


a porta aberta para o ladrão entrar e furtar. Nunca haverá participação omissiva em crime
omissivo, pois do nada, nada surge.

21
Alternativa D:

Participação em crimes culposos: participação dolosa não se admite. Participação


culposa é admissível (ex: o passageiro do carro induz o motorista a imprimir alta velocidade no
carro para chegarem ao destino mais rápido, em virtude da alta velocidade, o carro atinge uma
pessoa. Ambos são punidos o motorista e o passageiro). CUIDADO: Parcela da doutrina entende
que só há concurso de crimes em crimes culposos na modalidade coautoria, não cabendo
participação. Isso porque partícipe é aquele que adere à vontade delitiva do autor e como no
crime culposo o resultado é involuntário, não tem como alguém aderir a algo que não se quer.

Alternativa E:

Participação comissiva em crime omissivo: É admitida. Ex: pessoa instiga alguém


por telefone a não prestar socorro diante de um acidente.

15 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta:

a) A legítima defesa subjetiva também é denominada de excesso acidental.


b) Estado de necessidade agressivo é aquele em que o agente pratica o fato necessitado
contra bem jurídico pertencente a terceiro inocente.
c) No crime culposo não há a previsibilidade objetiva do resultado.
d) Bons antecedentes não configuram atenuante inominada.
e) Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de
violência ou grave ameaça.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A legítima defesa subjetiva ou excessiva é aquela em que o agente,


por erro de tipo escusável, excede os limites da legítima defesa. É também denominada excesso
acidental.

Alternativa B:

Espécies de Estado de Necessidade:

I. Próprio: protege-se bem jurídico pertencente ao autor do fato necessitado.


II. De terceiro: protege-se bem jurídico pertencente a outra pessoa.
III. Agressivo: é aquele em que o agente pratica o fato necessitado contra bem

22
jurídico pertencente a terceiro inocente.
IV. Defensivo: o agente pratica o fato contra bem jurídico pertencente àquele que
provocou o perigo.
V. Real: a situação de perigo existe.
VI. Putativo: a situação não existe. Se inevitável isenta de pena. Se evitável subsiste
a responsabilidade por crime culposo.

Alternativa C:

Elementos do crime culposo:

a) conduta voluntária: a conduta é voluntária, involuntário é o resultado.

b) violação do dever objetivo de cuidado: essa violação se dá mediante imprudência,


negligência ou imperícia. Essas são modalidades de culpa.

* Imprudência: também chamada de culpa positiva ou de culpa “in agendo”.


Imprudência é fazer algo que a cautela não recomenda.
* Negligência: também chamada de culpa negativa ou culpa “in omitendo”.
Negligenciar é deixar de fazer algo que a cautela recomenda.
* Imperícia: também é chamada de culpa profissional, pois ela ocorre no exercício
de uma profissão. É uma atividade que o agente está autorizado a exercer, mas ele não reúne
conhecimentos teóricos ou práticos suficientes para tanto.

c) Resultado Naturalístico Involuntário

d) Nexo Causal

e) Previsibilidade objetiva: Deve haver previsibilidade porque se o resultado é


imprevisível não há que se falar em culpa.

f ) Ausência de Previsão do Resultado: o resultado era objetivamente previsível, mas


o agente não o previu no caso concreto. Na culpa consciente o agente prevê, mas não assume
o risco de produzir o resultado.

Alternativa D:

Não caracteriza circunstância relevante anterior ao crime (art. 66 do CP)


o fato de o condenado possuir bons antecedentes criminais. Isso porque
os antecedentes criminais são analisados na 1ª fase da dosimetria
da pena, na fixação da pena-base, considerando que se trata de uma
circunstância judicial do art. 59 do CP. STJ. 6ª Turma. REsp 1405989/

23
SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. p/ Acórdão Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 18/08/2015 (Info 569).

Alternativa E:

Súmula 582-STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da


posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda
que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente
e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e
pacífica ou desvigiada.

Referência: as questões de jurisprudência foram elaboradas a partir de conteúdo disponibilizado


no site www.dizerodireito.com.br

24
DIREITO PROCESSUAL PENAL
PROF. MARIANA RUBINI

16 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa que relaciona corretamente o crime com a modalidade de ação penal:

a) Crime de ameaça no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher - ação


penal pública incondicionada.
b) Crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções - ação
penal pública incondicionada.
c) Crime de estupro em face de vítima maior de 18 (dezoito) anos - ação penal privada.
d) Crime de estupro em face de vítima vulnerável - ação penal pública condicionada à
representação do ofendido.
e) Crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher - ação penal
pública incondicionada.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O crime de ameaça está previsto no art. 147 do Código Penal, in verbis:

Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer


outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.

Conforme podemos verificar do parágrafo único supratranscrito, o delito de ameaça


é de ação penal pública condicionada à representação do ofendido.

Esse panorama não é alterado quando estamos diante da prática de tal crime no
contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Sobre esse ponto, vide os comentários
da alternativa E.

A alternativa A, portanto, está incorreta.

Alternativa B: Incorreta. Vejamos o que dispõe a Súmula 714 do STF:

SÚMULA 714
É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do

25
Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a
ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do
exercício de suas funções.

Da leitura da súmula pode-se extrair que, nos casos de crime contra a honra de servidor
público em razão do exercício de suas funções, a ação penal é privada (“mediante queixa”) ou
pública condicionada à representação do ofendido. A súmula não traz a possibilidade de a ação
penal ser pública incondicionada.

Desse modo, a alternativa B está incorreta.

Alternativa C: O art. 225 do Código Penal estabelece a modalidade de ação penal


para os crimes contra a dignidade sexual, in verbis:

Art. 225.  Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-
se mediante ação penal pública condicionada à representação.
Parágrafo único.  Procede-se, entretanto, mediante ação penal pública
incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa
vulnerável.

Portanto, de acordo com o texto legal, a regra no que tange aos delitos sexuais é que
a ação penal seja pública condicionada à representação do ofendido. Todavia, quando a vítima
for menor de 18 anos ou pessoa vulnerável a ação penal será pública incondicionada.

Desse modo, como a alternativa trata do crime de estupro em face de vítima maior de
18 (dezoito) anos, a ação penal é pública condicionada à representação do ofendido.

Se você achou que essa alternativa estava correta, pode ser que tenha lembrado da
redação antiga dos artigos do Código Penal, anteriormente à alteração implementada pela Lei
n. 12.015/2009, os quais traziam que a ação penal era privada nas hipóteses de crimes sexuais.
Por isso, muita atenção com as mudanças legislativas!

A alternativa C, portanto, está incorreta.

Alternativa D: Novamente transcrevo o parágrafo único do art. 225 do Código Penal,


in verbis:

Art. 225 (...)


Parágrafo único.  Procede-se, entretanto, mediante ação penal pública
incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa
vulnerável.

26
Desse modo, o crime de estupro em face de vítima vulnerável é de ação penal pública
incondicionada.

A alternativa D, portanto, está incorreta.

Alternativa E: Correta. É o que prescreve a Súmula 542 do STJ:

Súmula 542-STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal


resultante de violência doméstica contra a mulher é pública
incondicionada.

Importante lembrar que, mesmo nos casos lesão corporal leve e culposa resultante
de violência doméstica contra a mulher, a ação penal é pública incondicionada.

Isso ocorre porque a Lei n. 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais), que prevê a
necessidade de representação do ofendido não se aplica às hipóteses que se enquadram na Lei
n. 11.340/2006 (Lei Maria da Penha).

Explico: o Código Penal, quando trata do delito de lesão corporal nada menciona
sobre a espécie de ação penal. Quando ele silencia, significa que a ação penal é pública
incondicionada.

Acontece que a Lei n. 9.099/95 trouxe a necessidade de representação do ofendido


nos crimes de lesão corporal leve e culposa. Vejamos o teor do art. 88 desse diploma legal, in
verbis:

Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial,


dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões
corporais leves e lesões culposas.

No entanto, a Lei Maria da Penha exclui a incidência da Lei n. 9.099/95 de maneira


expressa e inequívoca. Vide o disposto no art. 41, in verbis:

Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra
a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei
9.099, de 26 de setembro de 1995.

Portanto, nos delitos de lesão corporal resultantes de violência doméstica contra


a mulher, ainda que as lesões sejam leves e culposas, a ação penal é de natureza pública
incondicionada.

A alternativa E está correta e deve ser assinalada.

27
Por fim, preste atenção: não estamos dizendo que todos os crimes praticados no
contexto de violência doméstica contra a mulher serão de ação penal pública incondicionada.
Existem aqueles que são de ação penal pública condicionada à representação do ofendido,
desde que essa condição não esteja prevista na Lei n. 9.099/95, mas em outros diplomas (como
no próprio Código Penal, por exemplo - como é o caso do crime de ameaça, que é de ação penal
pública condicionada à representação, mesmo quando cometido no contexto de violência
doméstica contra a mulher, ante expressa previsão no art. 147, parágrafo único, do CP).

17 – QUESTÃO:

Sobre a primeira fase da persecução penal, a investigatória, assinale a alternativa correta:

a) O inquérito policial é um procedimento administrativo de natureza inquisitiva que tem


por finalidade a colheita de elementos de informação quanto à autoria e materialidade da
infração penal, devendo ser instaurado, obrigatoriamente, inclusive nos casos de infração
penal de menor potencial ofensivo.
b) É necessário que o advogado tenha procuração do investigado para ter acesso aos autos
de investigação ainda que não estejam sujeitos a sigilo.
c) A autoridade competente não pode delimitar o acesso do advogado aos elementos de
prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos,
ainda que alegue risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das
diligências.
d) O inquérito policial caracteriza-se por ser um procedimento temporário e indisponível.
e) O inquérito policial é condição de procedibilidade para o exercício da ação penal.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O início da assertiva está correto, pois, de fato, o inquérito policial é


um procedimento administrativo de natureza inquisitiva que tem por finalidade a colheita de
elementos de informação quanto à autoria e materialidade da infração penal.

O erro está na parte final, quando afirma que o inquérito policial deve ser instaurado,
obrigatoriamente, inclusive nos casos de infração penal de menor potencial ofensivo.

O art. 69 da Lei n. 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais) estabelece que será lavrado
apenas um termo circunstanciado de ocorrência (TCO), in verbis:

Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência


lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao
Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições

28
dos exames periciais necessários.

Ou seja, quando se tratar de infração penal de menor potencial ofensivo, basta que
a autoridade policial lavre o termo circunstanciado, tendo em vista que são infrações penais de
menor complexidade.

Desse modo, considerando a inexistência de obrigatoriedade em instaurar um


inquérito policial para apurar infração penal de menor potencial ofensivo, a alternativa A está
incorreta.

Alternativa B: Em regra, o advogado pode ter acesso aos autos da investigação


mesmo que não tenha procuração do investigado. Contudo, o advogado deverá apresentar
procuração se os autos estiverem sujeitos a sigilo.

É o que dispõe o art. 7º, § 10, do Estatuto da OAB, cuja redação foi alterada recentemente
pela Lei nº 13.245/2016, in verbis:

Art. 7º São direitos do advogado:


(...)
XIV - examinar,  em qualquer instituição responsável por conduzir
investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e
de  investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento,
ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar
apontamentos, em meio físico ou digital;

A alternativa B, portanto, está incorreta.

Alternativa C: Algumas vezes pode acontecer de estarem sendo realizados


determinados tipos de diligências que, se forem reveladas ao investigado, se tornarão
completamente inúteis.

Ex: o telefone do investigado, com autorização judicial, está interceptado.

Ex2: o Delegado está organizando uma busca e apreensão na casa do indiciado.

Se tais informações forem transmitidas ao advogado, a eficácia das diligências estará


frustrada, considerando que o investigado, em tese, não irá falar nada ao telefone que possa
incriminá-lo e retirará de sua casa qualquer documento que lhe seja prejudicial.

Pensando nisso, o legislador autoriza que, nestas hipóteses, a autoridade responsável


pela investigação não junte aos autos os documentos relacionados com as diligências ainda em
andamento.

29
É o que dispõe o § 11 do art. 7º do Estatuto da OAB, também acrescentado pela Lei
nº 13.245/2016:

Art. 7º (...)
§ 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá
delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova relacionados
a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos,
quando houver risco de comprometimento da eficiência, da eficácia ou
da finalidade das diligências.

Fonte: http://www.dizerodireito.com.br/2016/01/comentarios-lei-132452016-que-
assegura.html

A alternativa C, portanto, está incorreta.

Alternativa D: Correta. Realmente, o inquérito policial é temporário, ou seja, tem um


prazo para ser concluído.

O art. 10 do Código de Processo Penal prevê que, em regra, o tempo de duração do


inquérito policial é de 10 dias, se o indiciado estiver preso, ou em 30 dias, se estiver solto.

Todavia, importante lembrar que existem outras leis que disciplinam o tema para
crimes específicos, como o art. 66 da Lei n.°  5.010/66 ou o art. 51, parágrafo único, da Lei
n.°11.343/2006.

De qualquer forma, ressalvada a possibilidade de previsão em lei especial em sentido


contrário, o inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias (se o indiciado estiver preso) ou em
30 dias (se estiver solto).

Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, o Delegado de


Polícia poderá requerer a prorrogação do prazo (art. 10, caput e § 3º do CPP).

Além disso, o inquérito policial também se caracteriza por ser indisponível. Isso
ocorre porque a autoridade policial não pode determinar o arquivamento do inquérito policial,
nos termos do art. 17 do Código de Processo Penal, in verbis:

Art.  17.    A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de


inquérito.

A alternativa D, portanto, está correta e deve ser assinalada.

Alternativa E: Incorreta. Pelo contrário: o inquérito policial não é condição de

30
procedibilidade para o exercício da ação penal.

Em outras palavras, se o titular da ação penal contar com elementos informativos


fornecidos a partir de peça autônoma de investigação, poderá dispensar o inquérito policial.

Nessa linha, dispõe o art. 39, § 5º, do Código de Processo Penal, in verbis:

§  5º    O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a


representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover
a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze
dias.

Desse modo, pode-se afirmar que o inquérito policial caracteriza-se por ser
dispensável.

18 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta:

a) Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da


aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação
penal e da composição dos danos civis.
b) O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade,
informalidade, economia processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a
reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade.
c) Nos Juizados Especiais Criminais, a citação será, em regra, pessoal; mas, não sendo
encontrado o acusado, será citado por edital.
d) A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração
penal.
e) Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à
representação, o acordo homologado da composição dos danos civis acarreta a renúncia ao
direito de queixa ou representação.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Correta, pois corresponde ao disposto no art. 60 da Lei n. 9.099/95 (Lei


dos Juizados Especiais), in verbis:

Art. 60.  O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou


togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a

31
execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas
as regras de conexão e continência.
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou
o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão
e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da
composição dos danos civis.

Alternativa B: Correta. Assim estabelece o art. 62 da Lei n. 9.099/95 (Lei dos Juizados
Especiais), in verbis:

Art. 62. O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos


critérios da oralidade, informalidade, economia processual e celeridade,
objetivando, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela
vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade.

Para fins complementação, gostaria de trazer alguns comentários sobre a Justiça


Restaurativa, que ganhou força a partir do advento da Lei dos Juizados Especiais.

Com a criação do Sistema dos Juizados Especiais Criminais, estabeleceu-se um modelo


de prestação jurisdicional típica, que visa tornar efetivo o direito material, por meio da adoção
de procedimentos essencialmente orais e sumaríssimos, previstos no art. 98 da Constituição
Federal.

Ademais, orientamse os Juizados Especiais Criminais com o objetivo de assegurar a


reparação dos danos materiais e morais sofridos pela vítima, vindo, desta forma, a introduzir
“um novo paradigma na ordem jurídicopenal nacional: o da justiça consensual”(VLADIMIR
ARAS apud VARGAS, 2006, p. 106).

A Lei dos Juizados Especiais inovou na criação de uma fase penal preliminar,
descortinando um novo significado para a aplicação das sanções ao estabelecer uma justiça
consensual, com significativa finalidade de reparar os danos cíveis decorrentes do crime, sempre
privilegiando a pacificação social.

“É a Justiça do diálogo, na qual as partes envolvidas no litígio, direta ou indiretamente,


são chamadas a conversar sobre as diversas formas de resolvêlo. É a Justiça coexistencial que
torna necessário que também a Justiça Penal trabalhe com a noção de ‘conflito positivo’”, como
leciona Joaquim Domingos de Almeida Neto (2012, p. 41), sobre os Juizados Especiais Criminais.

A importância da consagração dos princípios da oralidade, simplicidade, informalidade,


economia processual e celeridade pela Lei nº 9.099/95, nos seus arts. 2º e 62, e a sua busca
constante pela resolução do conflito, por meio da composição civil ou da transação penal (art.
72), possibilitam a implantação das técnicas restaurativas como instrumentos complementares.

32
Ademais, o modelo restaurativo consagra, entre outros, os mesmos princípios e tem, além disso,
como finalidade, reparar e pacificar o conflito por meio da responsabilização.

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arquivo/2016/08/4d6370b2cd6b7ee42814ec39946f9b67.pdf

Para facilitar a compreensão, veja um quadro comparativo entre a Justiça retributiva


e a Justiça restaurativa:

Justiça retributiva
Justiça restaurativa
(ou retribucionista)
O crime é ato contra a sociedade,
representada pelo Estado. Por isso diz-se O crime é ato que afeta o autor, a vítima e a
que o Estado é sempre o sujeito passivo de sociedade.
qualquer crime.
Propõe responsabilidade social pelo
A responsabilidade do agente é individual. ocorrido (por isso chama a sociedade para
participar da solução para o crime).
O interesse na punição é público. O interesse maior é reparar o dano.
Predomina a indisponibilidade da ação
Predomina a disponibilidade da ação penal.
penal.
O foco é punir o infrator. O foco é reparar o dano.
Predominam as penas privativas de Predominam reparação do dano nas penas
liberdade. alternativas.
Quando necessárias, penas proporcionais e
Campo fértil para penas cruéis e desumanas.
humanizadas.
Pouca assistência à vítima. O espírito é assistir a vítima.
Ex:Lei n. 9.099/95, Lei n. 11.719 (possibilidade
Ex: Lei n. 8.072/90. de o juiz fixar um quantum de reparação à
vítima, antecipando um processo cível).

Alternativa C: Incorreta. Nos Juizados Especiais Criminais, a citação será pessoal e far-
se-á no próprio Juizado, sempre que possível, ou por mandado.

Se o acusado não for encontrado para ser citado, o juiz deverá remeter os autos ao
juízo comum, no qual será possível proceder à citação editalícia.

É o que prevê o art. 66 da Lei n. 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais), in verbis:

Art. 66. A citação será pessoal e far-se-á no próprio Juizado, sempre que

33
possível, ou por mandado.
Parágrafo único. Não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz
encaminhará as peças existentes ao Juízo comum para adoção do
procedimento previsto em lei.

Em suma, não se admite citação por edital no âmbito dos Juizados Especiais Criminais,
razão pela qual a alternativa C está incorreta e, portanto, deve ser assinalada.

Alternativa D: Correta, nos termos do art. 63 da Lei n. 9.099/95 (Lei dos Juizados
Especiais), in verbis:

Art. 63. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que


foi praticada a infração penal.

Alternativa E: Correta, nos termos do art. 74, parágrafo único, da Lei n. 9.099/95 (Lei
dos Juizados Especiais), in verbis:

Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e,


homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de
título a ser executado no juízo civil competente.
Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de
ação penal pública condicionada à representação, o acordo homologado
acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação.

19 – QUESTÃO:

Quem deverá dirimir conflito de atribuição entre um membro do Ministério Público de São
Paulo (MP/SP) e um Procurador da República (MPF) que oficia em São Paulo/SP?

a) o Procurador-Geral da República.
b) o Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo.
c) a Câmara de Coordenação e Revisão do MPF.
d) o Conselho Nacional do Ministério Público.
e) o Supremo Tribunal Federal.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

De início, vale ressaltar que conflito de atribuição não se confunde com conflito de
competência.

34
O conflito de competência ocorre quando dois órgãos jurisdicionais divergem sobre
quem deverá julgar uma causa. Pode acontecer de ambos entenderem serem competentes
- nesse caso, teremos um conflito de competência positivo; mas também pode acontecer
de ambos declararem-se incompetentes - nesse caso, teremos um conflito de competência
negativo.

Por outro lado, o conflito de atribuição se dá entre membros do Ministério Público, os


quais instauram investigações que tramitam no âmbito da própria instituição e que ainda não
foram encaminhados ao Poder Judiciário.

Ensina o Prof. Renato Brasileiro que:

“O conflito de atribuições não se confunde com o conflito de competência. Cuidando-


se de ato de natureza jurisdicional, o conflito será de competência; tratando-se de controvérsia
entre órgãos do Ministério Público sobre ato que caiba a um deles praticar, ter-se-á um conflito de
atribuições.” (LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. 3ª ed., Salvador: Juspodivm,
2015, p. 1113).

No caso narrado na questão, o conflito de atribuições ocorreu entre entre um membro


do Ministério Público de São Paulo (MP/SP) e um Procurador da República (MPF) que oficia em
São Paulo/SP.

Nesse caso quem deve dirimir esse conflito de atribuição é o  Procurador-Geral da


República, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.

CONSTITUCIONAL. CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES ENTRE MINISTÉRIOS


PÚBLICOS. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E MINISTÉRIO PÚBLICO
DO ESTADO DO PARANÁ. LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO
PARA PROMOVER A TUTELA COLETIVA DE DIREITOS INDIVIDUAIS
HOMOGÊNEOS DOTADOS DE RELEVÂNCIA SOCIAL. POSSIBILIDADE DE
ATUAÇÃO DO PARQUET EM FAVOR DE MUTUÁRIOS EM CONTRATOS
DE FINANCIAMENTO PELO SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO.
QUESTÃO PRELIMINAR. ALCANCE DO ARTIGO 102, INCISO I, ALÍNEA F
DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. DISPOSITIVO DIRECIONADO PARA
ATRIBUIR COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA AO STF EM CASOS DE CONFLITO
FEDERATIVO. REVISITAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA PELA
CORTE (ACO 1.109/SP E PET 3.528/BA). MERO CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES
QUANTO À ATUAÇÃO ENTRE DIFERENTES ÓRGÃOS MINISTERIAIS DA
FEDERAÇÃO. SITUAÇÃO INSTITUCIONAL E NORMATIVA INCAPAZ DE
COMPROMETER O PACTO FEDERATIVO AFASTA A REGRA QUE ATRIBUI
COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA AO STF. NÃO CONHECIMENTO DA AÇÃO
CÍVEL ORIGINÁRIA E REMESSA DOS AUTOS AO PROCURADOR-GERAL DA

35
REPÚBLICA (PGR) – (PRECEDENTE FIXADO PELA ACO 1.394/RN). 1. In casu:
(i) cuida-se de conflito negativo de atribuições entre diferentes órgãos
do ministério público para se definir a legitimidade para a instauração
de Inquérito Civil em investigação de possível superfaturamento na
construção de conjuntos habitacionais no Município de Umuarama/PR;
e (ii) há suspeita de que construtoras obtiveram, por intermédio da Caixa
Econômica Federal, verbas do Sistema Financeiro de Habitação, em valor
superior ao necessário para a construção dos conjuntos habitacionais,
excesso esse que teria sido repassado aos mutuários da CEF. 2. Em sede
preliminar, o tema enseja revisitação da jurisprudência assentada por
esta Corte (ACO 1.109/SP e, especificamente, PET 3.528/BA), para não
conhecer da presente Ação Cível Originária (ACO). Nesses precedentes,
firmou-se o entendimento no sentido de que simples existência de
conflito de atribuições entre Ministérios Públicos vinculados a entes
federativos diversos não é apta, per si, para promover a configuração de
típico conflito federativo, nos termos da alínea f do Inciso I do art. 102 da
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/1988). O
caso dos autos remete, consectariamente, a mero conflito de atribuições
entre órgãos ministeriais vinculados a diferentes entes federativos.
3. Em conclusão, essa situação institucional e normativa é incapaz de
comprometer o pacto federativo e, por essa razão, afasta a regra que, em
tese, atribui competência originária ao STF. Ademais, em consonância
com o entendimento firmado por este Tribunal no julgamento da ACO
1.394/RN, o caso é de não conhecimento da ação cível originária, com a
respectiva remessa dos autos ao Procurador-Geral da República para a
oportuna resolução do conflito de atribuições.
(ACO 924/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/05/2016).

Como se percebe da leitura da ementa supratranscrita, o STF antigamente entendia


que um conflito de atribuições dessa natureza deveria ser dirimido pelo próprio STF.

Isso porque o Ministério Público é um órgão e seus membros também são órgãos. Um
Promotor de Justiça é um órgão estadual. Um Procurador da República é um órgão da União.

Se dois Promotores de Justiça de Estados diferentes estavam divergindo sobre a


atuação em uma causa, o que nós tínhamos era uma divergência entre dois órgãos de Estados
diferentes.

Se um Promotor de Justiça e um Procurador da República discordavam sobre quem


deveria atuar no caso, o que nós tínhamos era uma dissonância entre um órgão estadual e um
órgão federal.

36
Logo, nestas duas situações, quem deveria resolver este conflito seria o STF, conforme
previsto no art. 102, I, “f”, da CF/88:

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a


guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente: (...)
f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito
Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da
administração indireta;

No entanto, o entendimento atual da Suprema Corte, repita-se, é no sentido de que


compete ao Procurador-Geral da República dirimir conflito de atribuições entre um membro de
MP estadual (ex: membro do MPSP) e um membro do MPF (ex: Procurador da República que
oficia em São Paulo/SP).

Em suma, memorize o quadro abaixo:

QUEM DECIDE O CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES


ENTRE MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO?
Procurador-Geral de Justiça do
MPE do Estado 1 x MPE do Estado 1
Estado1
MPF x MPF CCR, com recurso ao PGR
MPU (ramo 1) x MPU (ramo 2) Procurador-Geral da República
MPE x MPF Procurador-Geral da República
MPE do Estado 1 x MPE do Estado 2 Procurador-Geral da República

Fonte:http://www.dizerodireito.com.br/2016/05/conflito-de-atribuicoes-
envolvendo-mpe.html

Desse modo, a alternativa A deve ser assinalada.

20 – QUESTÃO:

Considerando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre a suspensão condicional


do processo, marque a alternativa incorreta:

a) É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência


parcial da pretensão punitiva.
b)   O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais
cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena

37
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o
limite de um (01) ano.
c)  Não é possível a revogação da suspensão condicional do processo depois de expirado
o período da suspensão do curso do processo, ainda que comprovado que houve o
descumprimento das condições impostas ou que o beneficiado passou a ser processado por
outro crime no curso do prazo da suspensão.
d) Não é possível aplicar a suspensão condicional do processo nos crimes praticados com
violência doméstica e familiar contra a mulher.
e) A suspensão condicional do processo é um poder-dever do Ministério Público, e o
magistrado, caso discorde do não oferecimento da benesse, deve aplicar, por analogia, a
norma do art. 28 do CPP e remeter os autos à Procuradoria-Geral de Justiça.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Correta, segundo o teor da Súmula 337 do STJ, in verbis:

Súmula 337 do STJ: É cabível a suspensão condicional do processo


na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão
punitiva.

Alternativa B: Correta, segundo o teor da Súmula 243 do STJ, in verbis:

Súmula 243 do STJ: O benefício da suspensão do processo não é aplicável


em relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso
formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja
pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite
de um (01) ano.

A expressão “pena mínima cominada não superior a um ano”, requisito necessário


para a concessão do sursis processual (art. 89, caput, da Lei n. 9.099/95), deve ser compreendida
de modo restrito, sendo inadmissível o favor legal na hipótese de concurso material, concurso
formal ou continuidade delitiva, em que o somatório das penas mínimas ultrapassa ao citado
limite.

Alternativa C: Incorreta. O STJ entende que é possível a revogação da suspensão


condicional do processo, ainda que expirado o período da suspensão do curso do processo,
desde que comprovado que houve o descumprimento das condições impostas ou que o
beneficiado passou a ser processado por outro crime no curso do prazo da suspensão.

Inclusive, esse tema já foi apreciado e foi firmada orientação em recurso repetitivo,

38
conforme se depreende da ementa abaixo transcrita:

RECURSO ESPECIAL. PROCESSAMENTO SOB O RITO DO ART. 543-


C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. RECURSO REPRESENTATIVO DA
CONTROVÉRSIA. AMEAÇA. LESÃO CORPORAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.
SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO. DESCUMPRIMENTO
DAS CONDIÇÕES IMPOSTAS DURANTE O PERÍODO DE PROVA. FATO
OCORRIDO DURANTE SUA VIGÊNCIA. REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO
MESMO QUE ULTRAPASSADO O PRAZO LEGAL. ESTABELECIMENTO
DE CONDIÇÕES JUDICIAIS EQUIVALENTES A SANÇÕES PENAIS.
POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO.
1. Recurso especial processado sob o regime previsto no art. 543-C, §
2º, do CPC, c/c o art. 3º do CPP, e na Resolução n. 8/2008 do STJ.
PRIMEIRA TESE: Se descumpridas as condições impostas durante o
período de prova da suspensão condicional do processo, o benefício
poderá ser revogado, mesmo se já ultrapassado o prazo legal, desde
que referente a fato ocorrido durante sua vigência.
SEGUNDA TESE: Não há óbice a que se estabeleçam, no prudente uso
da faculdade judicial disposta no art. 89, § 2º, da Lei n. 9.099/1995,
obrigações equivalentes, do ponto de vista prático, a sanções penais
(tais como a prestação de serviços comunitários ou a prestação
pecuniária), mas que, para os fins do sursis processual, se apresentam
tão somente como condições para sua incidência.
2. Da exegese do § 4º do art. 89 da Lei n. 9.099/1995 (“a suspensão
poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do
prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição
imposta), constata-se ser viável a revogação da suspensão
condicional do processo ante o descumprimento, durante o período de
prova, de condição imposta, mesmo após o fim do prazo legal.
3. A jurisprudência de ambas as Turmas do STJ e do STF é firme
em assinalar que o § 2º do art. 89 da Lei n. 9.099/1995 não veda a
imposição de outras condições, desde que adequadas ao fato e à
situação pessoal do acusado.
4. Recurso especial representativo de controvérsia provido para,
reconhecendo a violação do art. 89, §§ 1º, 2º, 4º e 5º da Lei n. 9.099/1995,
afastar a decisão de extinção da punibilidade do recorrido, com o
prosseguimento da Ação Penal n. 0037452-56.2008.8.21.0017.
REsp 1498034/RS, Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Terceira Seção,
Julgado em 25/11/2015.

A alternativa C, portanto, está incorreta e deve ser assinalada.

39
Alternativa D: Correta, segundo o teor da Súmula 536 do STJ, in verbis:

Súmula 536-STJ: A suspensão condicional do processo e a transação


penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria
da Penha.

Alternativa E: Correta. De fato, a suspensão condicional do processo é um poder-


dever do Ministério Público, e o magistrado, caso discorde do não oferecimento da benesse,
deve aplicar, por analogia, a norma do art. 28 do CPP e remeter os autos à Procuradoria-Geral
de Justiça.

Nesse sentido, vejamos ementa de julgado do STJ:

PROCESSO PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.


ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO.
REQUISITOS NÃO ADIMPLIDOS. DECISÕES MOTIVADAS. DIREITO
SUBJETIVO DO ACUSADO DESDE QUE PREENCHIDOS OS PRESSUPOSTOS
ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. MAIORES INCURSÕES
ACERCA DO TEMA QUE DEMANDARIA REVOLVIMENTO FÁTICO-
COMPROBATÓRIO. RECURSO DESPROVIDO.
1. A suspensão condicional do processo é um direito público subjetivo
do réu, cumprindo ao magistrado, desde que presentes as condições
objetivas e subjetivas, instar o representante do Ministério Público
para fazer a oferta ou aplicar, por analogia, o disposto no art. 28 do
Código de Processo Penal (Súmula 696 do STF).
2. Na hipótese em apreço, verifica-se ter sido reconhecido que o ora
recorrente não preenche os requisitos necessários para percepção da
benesse, notadamente em razão da sua culpabilidade, antecedentes,
conduta social e de sua personalidade, bem como em virtude dos
motivos e das circunstâncias do crime a ele imputado, que denotariam a
insuficiência da suspensão condicional do processo para a prevenção
e a repressão necessária ao caso concreto.
3. Conforme a literalidade do art. 89 da Lei n. 9.099/1995, a existência
de ações penais em curso contra o denunciado impede a concessão do
sursis processual, traduzindo-se em condição objetiva para a concessão
do benefício.
4. Embora tenha acostado diversas certidões aos autos, o recorrente
não logrou comprovar a inexistência de processo-crime em tramitação
em seu desfavor, nos termos do assentado nas decisões ora
impugnadas.
5. A proposta de suspensão condicional do processo é prerrogativa do
Ministério Público e, por consectário, se o Magistrado processante, nos

40
termos da manifestação ministerial, contrária ao deferimento do sursis
processual, de forma motivada, reconheceu ser incabível a concessão
do benefício, não há que se falar em flagrante ilegalidade a ser sanada
em sede de habeas corpus. Ainda, convém destacar que para infirmar
a conclusão das instâncias ordinárias, no sentido na inviabilidade da
concessão de tal benefício ao réu, seria necessário revolvimento fático-
comprobatório dos autos, o que não se admite na via eleita.
6. Recurso desprovido.
RHC 60936/RO, Rel. Min, RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, Julgado em
13/12/2016.

21 – QUESTÃO:

Sobre o tema de nulidades no processo penal, assinale a alternativa correta:

a) São válidas as provas obtidas por meio da extração de dados e de conversas privadas
registradas em correio eletrônico e redes sociais (ex: whatsapp e facebook) sem a prévia
autorização judicial.
b) A falta de comunicação ao acusado sobre o direito de permanecer em silêncio é causa de
nulidade absoluta, cujo reconhecimento independe da comprovação do prejuízo.
c) A ausência de intimação da defesa sobre a expedição de precatória para oitiva de
testemunha não é causa de nulidade.
d) As nulidades surgidas no curso da investigação preliminar atingem a ação penal dela
decorrente.
e) A decretação da nulidade de ato processual requer prova inequívoca do prejuízo suportado
pela parte, em face do princípio pas de nullité sans grief, previsto no art. 563 do Código de
Processo Penal.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Incorreta, pois para que tais provas sejam consideradas válidas há a
necessidade de prévia autorização judicial. Do contrário, essas provas devem ser consideradas
nulas.

Esse é o entendimento do STJ, conforme é possível verificar do precedente cuja


ementa abaixo se transcreve:

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EXTRAÇÃO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO


JUDICIAL DE DADOS E DE CONVERSAS REGISTRADAS NO WHATSAPP.
Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela

41
polícia por meio da extração de dados e de conversas registradas
no whatsapp presentes no celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que o
aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante. Realmente,
a CF prevê como garantias ao cidadão a inviolabilidade da intimidade,
do sigilo de correspondência, dados e comunicações telefônicas (art. 5º,
X e XII), salvo ordem judicial. No caso das comunicações telefônicas, a
Lei n. 9.294/1996 regulamentou o tema. Por sua vez, a Lei n. 9.472/1997,
ao dispor sobre a organização dos serviços de telecomunicações,
prescreveu: “Art. 3º. O usuário de serviços de telecomunicações tem
direito: (...) V - à inviolabilidade e ao segredo de sua comunicação,
salvo nas hipóteses e condições constitucional e legalmente previstas.”
Na mesma linha, a Lei n. 12.965/2014, a qual estabelece os princípios,
garantias e deveres para o uso da internet no Brasil, elucidou que: “Art.
7º. O acesso à internet é essencial ao exercício da cidadania, e ao usuário
são assegurados os seguintes direitos: I - inviolabilidade da intimidade e
da vida privada, sua proteção e indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação; II - inviolabilidade e sigilo do fluxo de suas
comunicações pela internet, salvo por ordem judicial, na forma da lei; III
- inviolabilidade e sigilo de suas comunicações privadas armazenadas,
salvo por ordem judicial.” No caso, existiu acesso, mesmo sem ordem
judicial, aos dados de celular e às conversas de whatsapp. Realmente,
essa devassa de dados particulares ocasionou violação à intimidade do
agente. Isso porque, embora possível o acesso, era necessária a prévia
autorização judicial devidamente motivada. Registre-se, na hipótese,
que nas conversas mantidas pelo programa whatsapp - que é forma de
comunicação escrita e imediata entre interlocutores - tem-se efetiva
interceptação não autorizada de comunicações. A presente situação é
similar às conversas mantidas por e-mail, cujo acesso também depende
de prévia ordem judicial (HC 315.220-RS, Sexta Turma, DJe 9/10/2015).
Atualmente, o celular deixou de ser apenas um instrumento de
conversação por voz à longa distância, permitindo, diante do avanço
tecnológico, o acesso de múltiplas funções, incluindo a verificação de
correspondência eletrônica, de mensagens e de outros aplicativos que
possibilitam a comunicação por meio de troca de dados de forma similar
à telefonia convencional. Desse modo, sem prévia autorização judicial,
é ilícita a devassa de dados e de conversas de whatsapp realizada pela
polícia em celular apreendido. 
RHC 51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/4/2016, DJe
9/5/2016 (Info 583 STJ).

A alternativa A, portanto, está incorreta.

42
Alternativa B: Incorreta, pois a falta de comunicação ao acusado sobre o direito
de permanecer em silêncio é causa de nulidade RELATIVA, cujo reconhecimento DEPENDE da
comprovação do prejuízo. Esse é, inclusive, o entendimento do STJ.

Alternativa C: Incorreta, porque a ausência de intimação da defesa sobre a expedição


de precatória para oitiva de testemunha é causa de nulidade relativa.

Esse é o entendimento dos Tribunais Superiores. Inclusive, o tema é objeto de súmula


do STF, in verbis:

Súmula 155 do STF: É relativa a nulidade do processo criminal por falta


de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunha.

Alternativa D: Incorreta, porque as nulidades surgidas no curso da investigação


preliminar NÃO atingem a ação penal dela decorrente.

Doutrina e jurisprudência são uníssonas no que tange a esse entendimento. A título


de exemplo, cita-se o seguinte precedente do STJ:

PROCESSUAL PENAL. ART. 4º, ALÍNEA B, DA LEI Nº 1.521/51, ART. 1º DA


LEI Nº 9.613/98 E ART. 288 DO CÓDIGO PENAL. PRISÃO CAUTELAR.
NULIDADE. VIOLAÇÃO AO TEOR DA SÚMULA VINCULANTE Nº 14. NÃO
OCORRÊNCIA. INQUÉRITO POLICIAL. PROCEDIMENTO INQUISITÓRIO.
CERCEAMENTO DE ACESSO AOS AUTOS NÃO EVIDENCIADO.
FUNDAMENTAÇÃO. CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL.
RESGUARDO DA ORDEM PÚBLICA. GARANTIA DE APLICAÇÃO DA LEI
PENAL. ELEMENTOS CONCRETOS. RÉ FORAGIDA. ORDEM DENEGADA.
1. A súmula vinculante nº 14 não possui o condão de alterar a natureza
do procedimento investigatório, expressando apenas o direito de
acesso pela defesa aos elementos de convicção já documentados
pelo órgão com competência de polícia e que digam respeito ao
exercício legítimo do direito de defesa.
2. Considerando a natureza do inquérito, não prospera a pretensão
anulatória sob o argumento de que a paciente não teria sido instada
a se manifestar em sede policial quanto às diligências realizadas. Da
mesma forma, não tendo o impetrante demonstrado, por intermédio
de prova pré-constituída, suposta negativa de acesso aos autos do
inquérito policial, não há se falar em infringência ao teor da súmula
vinculante nº 14.
3. Ainda que assim não fosse, “eventuais irregularidades ocorridas na
fase investigatória, dada a natureza inquisitiva do inquérito policial,
não contaminam a ação penal” (HC 232.674/SP, Rel. Min. Jorge Mussi,

43
Quinta Turma, Dje 10/4/2013).
4. A prisão é medida extrema sujeita à existência de elementos
concretos de comprovação da necessidade de proteção da ordem
pública, garantia de aplicação da lei penal e conveniência da instrução
criminal.

Alternativa E: Correta. O princípio pas de nullité sans grief  é o princípio de maior


importância quando se trata do tema «nulidades processuais». Segundo ele, não haverá nulidade
se não houver prejuízo a pelo menos uma das partes.

Nessa linha, vejamos precedente do STJ, o qual inclusive foi divulgado em Informativo:

DIREITO PROCESSUAL PENAL. NULIDADE EM AÇÃO PENAL POR FALTA


DE CITAÇÃO DO RÉU.
Ainda que o réu tenha constituído advogado antes do oferecimento
da denúncia - na data da prisão em flagrante - e o patrono tenha
atuado, por determinação do Juiz, durante toda a instrução criminal,
é nula a ação penal que tenha condenado o réu sem a sua presença, o
qual não foi citado nem compareceu pessoalmente a qualquer ato do
processo, inexistindo prova inequívoca de que tomou conhecimento da
denúncia. De início, esclareça-se que, em matéria de nulidade, orienta
o princípio pas de nullité sans grief que não há nulidade sem que o ato
tenha gerado prejuízo para a acusação ou para a defesa. Não se prestigia,
portanto, a forma pela forma, mas o fim atingido pelo ato. Por essa razão,
a desobediência às formalidades estabelecidas na legislação processual
penal só poderá acarretar o reconhecimento da invalidade do ato
quando a sua finalidade estiver comprometida, em prejuízo às partes da
relação processual. A demonstração do prejuízo - que, em alguns casos,
por ser evidente, pode decorrer de simples procedimento lógico do
julgador - é reconhecida pela jurisprudência atual como essencial tanto
para a nulidade relativa quanto para a absoluta, conforme retratado
pelo STF por ocasião do julgamento do HC 122.229-SP (Segunda Turma,
DJe 29/5/2014). (...)
REsp 1.580.435-GO, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
17/3/2016, DJe 31/3/2016 (Info 580 STJ).

A alternativa E, portanto, está correta e deve ser assinalada.

22 – QUESTÃO:

Sobre os recursos no processo penal, considere as seguintes assertivas:

44
I – Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária caberá apelação.
II - Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão que pronunciar o réu.
III - Das decisões proferidas pelo Juiz, no curso da execução penal caberá recurso de agravo,
sem efeito suspensivo.
IV - No âmbito dos Juizados Especiais Criminais, caberá recurso em sentido estrito da decisão
de rejeição da denúncia ou queixa.

a) Apenas o item I está correto.


b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Apenas os itens I e IV estão corretos.
e) Apenas os itens I, II e III estão corretos.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

O item I está correto, pois corresponde ao disposto no art. 416 do CPP, in verbis:

Art. 416.  Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária


caberá apelação.

Para facilitar a memorização, pega essa dica:

Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária caberá apelação


vogais (Impronúncia, Absolvição sumária = Apelação)

Contra decisão de pronúncia ou de desclassificação caberá recurso em sentido estrito


consoantes (Pronúncia, Desclassificação = RESE)

O item II também está correto, pois corresponde ao disposto no art. 581, IV, do CPP,
in verbis:

Art. 581.  Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou


sentença: (...)
IV – que pronunciar o réu;     

O item III está correto, pois corresponde ao disposto no art. 197 da Lei de Execução
Penal (Lei n. 7.210/84), in verbis:

Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo,
sem efeito suspensivo.

45
Por último, o item IV está incorreto. Vejamos o que prescreve o art. 82 da Lei dos
Juizados Especiais (Lei n. 9.099/95), in verbis:

Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença


caberá apelação, que poderá ser julgada por turma composta de três
Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do
Juizado.

Cuidado para não confundir: a decisão que rejeita a inicial acusatória (denúncia ou
queixa-crime) comporta recurso em sentido estrito quando estivermos no procedimento comum
(ordinário ou sumário), conforme disposto no Código de Processo Penal (art. 581, I, do CPP).
Por outro lado, quando estivermos no âmbito dos Juizados Especiais Criminais (procedimento
sumaríssimo), a decisão de rejeição da denúncia ou queixa é recorrível por apelação (art. 82, da
Lei n. 9.099/95).

23 – QUESTÃO:

Sobre o processo e julgamento dos crimes previstos na Lei de Lavagem de Capitais (Lei n.
9.613/98), assinale a alternativa incorreta:

a) O processo e o julgamento dos crimes de lavagem de capitais independem do processo e


julgamento das infrações penais antecedentes, ainda que praticados em outro país.
b) O crime de lavagem de capitais será da competência da Justiça Federal quando a infração
penal antecedente for de competência da Justiça Federal.
c) A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência da infração penal
antecedente, sendo puníveis os fatos previstos na Lei de Lavagem de Capitais, ainda que
desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade da infração penal
antecedente.
d) No processo por crime previsto na Lei de Lavagem de Capitais, se o acusado não for
encontrado para ser citado pessoalmente, será citado por edital, aplicando-se o disposto no
art. 366 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal).
e) O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação do
delegado de polícia, ouvido o Ministério Público em 24 (vinte e quatro) horas, havendo
indícios suficientes de infração penal, poderá decretar medidas assecuratórias de bens,
direitos ou valores do investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas
pessoas, que sejam instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos nesta Lei ou das
infrações penais antecedentes.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

46
Alternativa A: Correta, porquanto reproduz o disposto no art. 2º, II, da Lei de Lavagem
de Capitais (Lei n. 9.613/98), in verbis:

Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: (...)


II - independem do processo e julgamento das infrações penais
antecedentes, ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz
competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade
de processo e julgamento;  

Depreende-se da leitura do dispositivo legal supratranscrito a autonomia processual


do crime de lavagem de capitais em relação à infração penal antecedente.

Quer dizer-se, com isso, que é possível punir o crime de lavagem de capitais mesmo
que não se conheça o autor da infração penal antecedente e ele não tenha sido processado,
tampouco condenado. A lavagem independe de ter sido processado e julgado o antecedente
(art. 2º, II c/c §1º, da Lei de Lavagem), bastando provar a existência da infração antecedente.

Art. 2º (...)
§ 1º A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência
da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta
Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a
punibilidade da infração penal antecedente. 

Alternativa B: Correta, porquanto reproduz o disposto no art. 2º, III, “b”, da Lei de
Lavagem de Capitais (Lei n. 9.613/98), in verbis:

Art. 2º (...)
III - são da competência da Justiça Federal:
a) quando praticados contra o sistema financeiro e a ordem econômico-
financeira, ou em detrimento de bens, serviços ou interesses da União,
ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas;
b) quando a infração penal antecedente for de competência da Justiça
Federal. 

Alternativa C: Correta, porquanto reproduz o disposto no art. 2º, § 1º, da Lei de


Lavagem de Capitais (Lei n. 9.613/98), in verbis:

Art. 2º (...)
§ 1º A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência
da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta
Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a
punibilidade da infração penal antecedente. 

47
Alternativa D: Incorreta.

De fato, no processo por crime previsto na Lei de Lavagem de Capitais, se o acusado


não for encontrado para ser citado pessoalmente, será citado por edital.

Contudo, a Lei de Lavagem de Capitais afasta expressamente a aplicação do disposto


no art. 366 do Código de Processo Penal. Nesse sentido, estabelece o art. 2º, § 2º, da Lei n.
9.613/98, in verbis:

§ 2º No processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto


no art. 366 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de
Processo Penal), devendo o acusado que não comparecer nem constituir
advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito até o julgamento,
com a nomeação de defensor dativo.

No que tange a esse ponto, o fundamento alegado para a não aplicação do art. 366
do CPP aos processos relacionados aos crimes de lavagem de capitais seria de que o contrário
levaria à impunidade dos acusados.

Ocorre que isso não é verdade, pois o art. 366 do CPP traz a possibilidade de produção
antecipada de provas urgentes e, se for o caso, a decretação de prisão preventiva. Vejamos:

Art.  366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem


constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo
prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das
provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva,
nos termos do disposto no art. 312.

Por isso, para a doutrina, o art. 2º, § 2º, da Lei n. 9.613/98 é inconstitucional, já que
estaria inviabilizando o conhecimento da imputação pelo acusado, violando a Constituição
Federal e a Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica).

A alternativa D, portanto, está incorreta e deve ser assinalada.

Alternativa E: Correta, porquanto reproduz o disposto no art. 4º, da Lei de Lavagem


de Capitais (Lei n. 9.613/98), in verbis:

Art. 4º O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante


representação do delegado de polícia, ouvido o Ministério Público em
24 (vinte e quatro) horas, havendo indícios suficientes de infração penal,
poderá decretar medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores do
investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas pessoas,

48
que sejam instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos nesta
Lei ou das infrações penais antecedentes.

24 – QUESTÃO:

Sobre o regime disciplinar diferenciado (RDD), previsto na Lei de Execução Penal (Lei n.
7.210/84), assinale a alternativa correta:

a) A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasione
subversão da ordem ou disciplina internas, sujeita o preso provisório, ou condenado, sem
prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado.
b) O regime disciplinar diferenciado possui duração máxima de trezentos e sessenta dias,
sendo que essa sanção não pode ser repetida mesmo se praticada nova falta grave de mesma
espécie.
c) O regime disciplinar diferenciado acarreta o recolhimento em cela com outros presos que
estejam na mesma situação.
d) No regime disciplinar diferenciado, admite-se visitas semanais de três pessoas, sem contar
as crianças, com duração de quatro horas.
e) No regime disciplinar diferenciado, o preso terá direito à saída da cela por 1 hora diária
para banho de sol.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:
 
Alternativa A: Correta, nos termos do art. 52, caput, da Lei de Execução Penal (Lei n.
7.210/84), in verbis:

Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta
grave e, quando ocasione subversão da ordem ou disciplina internas,
sujeita o preso provisório, ou condenado, sem prejuízo da sanção penal,
ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes características:         

Atenção: o regime disciplinar diferenciado (RDD) pode ser aplicado tanto ao preso
provisório quanto ao condenado!

Alternativa B: Incorreta, pois é possível a repetição da sanção ante a prática de nova


falta grave da mesma espécie, respeitando-se a duração máxima de 360 dias e o limite de um
sexto da pena aplicada.

É o que dispõe o art. 52, I, da Lei de Execução Penal (Lei n. 7.210/84), in verbis:

49
Art. 52 (...)
I - duração máxima de trezentos e sessenta dias, sem prejuízo de
repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie, até o limite
de um sexto da pena aplicada;        

Alternativa C: Incorreta, pois o recolhimento será em cela individual, nos termos do


52, II, da Lei de Execução Penal (Lei n. 7.210/84), in verbis:

Art. 52 (...)
II - recolhimento em cela individual;           

Alternativa D: Incorreta, porque no regime disciplinar diferenciado (RDD) admite-se


visitas semanais de DUAS pessoas (e não três pessoas), SEM contar as crianças, com duração de
DUAS horas (e não quatro horas).

É o que prevê o art. 52, III, da Lei de Execução Penal (Lei n. 7.210/84), in verbis:

Art. 52 (...)
III - visitas semanais de duas pessoas, sem contar as crianças, com
duração de duas horas;           

Alternativa E: Incorreta, porquanto no regime disciplinar diferenciado (RDD) o preso


terá direito à saída da cela por DUAS horas diárias (e não apenas uma hora diária) para banho
de sol.

Nesse sentido, estabelece o art. 52, IV, da Lei de Execução Penal (Lei n. 7.210/84), in
verbis:

Art. 52 (...)
IV - o preso terá direito à saída da cela por 2 horas diárias para banho de
sol.

25 – QUESTÃO:

Aplica-se ao processo penal o princípio da correlação entre acusação e sentença, sob pena
de violação dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do próprio sistema acusatório.
Assinale a alternativa correta:

a) A mutatio libelli consiste na possibilidade de o juiz, sem modificar a descrição do fato contida
na denúncia ou queixa, atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em conseqüência,
tenha de aplicar pena mais grave.
b) Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica do fato, em

50
conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal
não contida na acusação, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo
de 5 (cinco) dias, se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação
pública, reduzindo-se a termo o aditamento, quando feito oralmente. Essa é a emendatio
libelli.
c) A emendatio libelli pode ser feita na segunda instância, desde que respeitado o princípio
da non reformatio in pejus.
d) A mutatio libelli pode ser feita na segunda instância, desde que respeitado o princípio da
non reformatio in pejus.
e) O Código de Processo Penal autoriza expressamente que, na hipótese de mutatio libelli,
não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento, o juiz pode fazê-lo de ofício.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

A emendatio libelli e a mutatio libelli são institutos próprios da sentença condenatória


e da decisão de pronúncia, implicando nova definição jurídica do fato. É por meio da emendatio
e da mutatio que o juiz, ao sentenciar, atribui ao fato descrito uma capitulação (artigo) distinta
daquela originariamente incorporada à denúncia ou à queixa.

Diferem-se, contudo, as duas hipóteses pelo fato de que, enquanto na emendatio


libelli esta definição jurídica diversa não decorre do reconhecimento de circunstâncias das quais
o réu não se tenha defendido, na mutatio libelli ocorre exatamente o contrário, isto é, o juiz
acrescenta ao fato descrito circunstâncias ou elementos que, por não integrarem a descrição
realizada na peça vestibular, não foram objeto de defesa no curso normal da marcha processual.

Na realidade, o estudo desses institutos está intimamente relacionado a dois


princípios básicos em matéria de sentença penal: primeiro, o princípio da consubstanciação,
segundo o qual o réu defende-se dos fatos descritos na denúncia ou na queixa-crime e não
da capitulação; e, segundo, o princípio da correlação da sentença, traduzindo-se este como a
necessidade de amoldar a sentença aos fatos descritos na inicial acusatória.

Fonte: AVENA, Norberto. Processo Penal. 9. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2017.

Alternativa A: Incorreta, pois o conceito trazido na alternativa corresponde à


emendatio libelli (e não à mutatio libelli, como afirmado).

A definição de emendatio libelli consta do art. 383, caput, do Código de Processo


Penal, in verbis:

51
Art. 383.  O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia
ou queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em
conseqüência, tenha de aplicar pena mais grave.

O instituto da emendatio libelli (modificação da definição jurídica do fato) pode ser


definido como a mera adequação feita de ofício pelo juiz dos fatos narrados na peça acusatória
à correta tipificação legal, caso o autor da ação penal tenha se equivocado nesta atividade de
tipificação.

Assim, ao verificar que o autor da ação penal cometeu erro na definição jurídica dos
fatos narrados na peça acusatória, pode o juiz, de ofício, sem necessidade de aditamento da
inicial e de oitiva da defesa, consertar tal definição.

Nessa situação, não há que se falar em cerceamento de defesa, afinal de contas o réu
se defende dos fatos narrados na peça acusatória e não da tipificação legal.

Fonte: ALVES, Leonardo Barreto Moreira. Processo Penal. Parte Especial: procedimentos,
nulidades e recursos. 7. ed. rev. e atual. Ed. Juspodivm.

Alternativa B: Incorreta, pois o conceito trazido na alternativa corresponde à mutatio


libelli (e não à emendatio libelli, como afirmado).

Por sua vez, a definição de mutatio libelli consta do art. 384, caput, do Código de
Processo Penal, in verbis:

Art. 384.  Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova


definição jurídica do fato, em conseqüência de prova existente nos
autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na
acusação, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no
prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude desta houver sido instaurado o
processo em crime de ação pública, reduzindo-se a termo o aditamento,
quando feito oralmente.

No que concerne à mutatio libelli, acontece de, no curso da instrução probatória,


surgir prova de elementar ou circunstância não contida na peça acusatória. Nesse caso, como
há uma alteração da base fática da imputação, é evidente que há necessidade de aditamento
da peça acusatória.

Ademais, imprescindível nova oitiva da defesa e renovação da instrução processual,


sob pena de se permitir que o acusado seja condenado por fato diverso daquele constante da
peça acusatória, o que violaria o princípio da correlação entre acusação e sentença.

52
Importante mencionar que as providências referidas no art. 384 do CPP supratranscrito
devem ser fielmente cumpridas, sendo irrelevante, para tanto, se a nova tipificação implica
apenamento superior, igual ou inferior ao crime originalmente descrito.

Alternativa C: Correta. De fato, a emendatio libelli pode ser feita na 2ª instância,


desde que respeitado o princípio da non reformatio in pejus (ou seja, o acusado não pode ser
prejudicado no seu recurso exclusivo).

Nesse sentido, vejamos o que dispõe o art. 617 do Código de Processo Penal, in verbis:

Art.  617.    O tribunal, câmara ou turma atenderá nas suas decisões ao


disposto nos arts. 383 (que trata EMENDATIO LIBELLI), 386 e 387, no
que for aplicável, não podendo, porém, ser agravada a pena, quando
somente o réu houver apelado da sentença (respeito ao princípio da
non reformatio in pejus).

Alternativa D: Incorreta.

O art. 617 do Código de Processo Penal, versando sobre o processo e julgamento das
apelações, e dos recursos em sentido estrito nos tribunais, estabelece que “o tribunal, câmara
ou turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. 383, 386 e 387, no que for aplicável”.
Como se verifica, não faz qualquer referência ao art. 384 do CPP (dispositivo legal que trata
da mutatio libelli).

A partir daí surgiu o entendimento consubstanciado na Súmula 453 do STF, in verbis:

Súmula 453: Não se aplicam à segunda instância o art. 384 e parágrafo


único do Código de Processo Penal, que possibilitam dar nova definição
jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não
contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa.

Alternativa E: Incorreta, pois o Código de Processo Penal não autoriza expressamente


a atuação oficiosa do magistrado em caso de inércia do Parquet quanto ao aditamento nas
hipóteses de mutatio libelli.

Pelo contrário: o art. 384 do CPP prevê que, nessa situação, deve-se aplicar o disposto
no art. 28 do mesmo diploma. Vejamos:

Art. 384 (...)


§ 1º Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento,
aplica-se o art. 28 deste Código.

53
Nota-se, portanto, que o aditamento à denúncia ou queixa é de iniciativa e
responsabilidade do Ministério Público, o que ficou ainda mais claro com o advento da Lei no
11.719/08, que alterou substancialmente a redação do art. 384 do CPP, prestigiando o princípio
da obrigatoriedade da ação penal pública.

Há debate no âmbito doutrinário sobre esse aspecto, mas em provas objetivas deve-
se atentar para o texto legal. Aliás, importante dizer que muitas vezes o candidato erra por
“excesso de conhecimento”. Isso acontece porque, ao ler a questão, recorda-se das diversas
vertentes sobre o assunto e acaba ficando em dúvida. Ou pior: lembra de algum entendimento
diferente do examinador, ou o minoritário etc.

Por isso, repito: quando estiver fazendo uma prova de primeira fase, leia atentamente
o enunciado para tentar descobrir o que o examinador quer. Na alternativa E, deixei explícito que
estava falando do texto expresso do CPP, sem abrir espaço para maiores dilações doutrinárias e/
ou jurisprudenciais (muito bem-vindas, aliás, em provas discursivas de segunda fase).

26 – QUESTÃO:

Considerando o entendimento dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa correta:

a) É relativa a nulidade do julgamento, pelo júri, por falta de quesito obrigatório, devendo
ser demonstrado o prejuízo.
b) A soberania do veredicto do Tribunal do Júri não impede a desconstituição da decisão por
meio de revisão criminal.
c) É válida a decisão que determina o desaforamento de processo da competência do júri
sem audiência da defesa.
d) O emprego de algemas deve ser medida excepcional, mas a utilização delas em plenário
de júri independe de motivada decisão judicial.
e)   Reconhecida a nulidade da pronúncia por excesso de linguagem, basta que o juiz
determine o envelopamento e desentranhamento da peça viciada.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Incorreta, pois a falta de quesito obrigatório, no júri, dá ensejo à


nulidade de natureza ABSOLUTA.

Esse é o entendimento sumulado do STF, in verbis:

Súmula 156 do STF: É absoluta a nulidade do julgamento, pelo júri, por


falta de quesito obrigatório.

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Alternativa B: Correta. Esse é o entendimento do STJ, conforme se vislumbra da
ementa abaixo colacionada:

PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO


QUALIFICADO. JÚRI. REVISÃO CRIMINAL. ABSOLVIÇÃO. POSSIBILIDADE.
PONDERAÇÃO DE PRINCÍPIOS. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.
PREVALÊNCIA SOBRE A SOBERANIA DOS VEREDITOS E COISA
JULGADA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA
EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.
1. Havendo o Tribunal de origem consignado que a solução
condenatória contrariou a evidência dos autos, inviável rever o
entendimento do Tribunal, porquanto importaria em reexame do acervo
fático-probatório dos autos, procedimento vedado em recurso
especial, por força do enunciado sumular n. 7 do Superior Tribunal de
Justiça.
2. Diante do conflito entre os princípios da soberania dos vereditos e da
dignidade da pessoa humana, ambos sujeitos à tutela constitucional,
cabe conferir prevalência a este, considerando-se a repugnância que
causa a condenação de um inocente por erro judiciário (REsp 964978/
SP).
3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não
provido.
STJ, REsp 1050816/SP, Rel. Min. ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Julgado em
01/12/2016.

Ressalto que a alternativa apenas queria saber se cabe revisão criminal em face de
decisão proferida no âmbito do Tribunal do Júri, tendo em vista o princípio da soberania dos
veredictos. Ou seja, o enunciado não entrou no debate de qual juízo (rescisório ou rescindente,
ou ambos) pode ser realizado pelo órgão revisor.

De qualquer forma, para complementar o assunto, trago as lições do doutrinador


Norberto Avena, o qual expõe todas as correntes existentes. Vejamos:

A questão pertinente ao cabimento da revisão criminal contra decisões dos jurados


no âmbito do Tribunal do Júri tem gerado controvérsias, especialmente quando se trata de
prova nova de inocência do réu. Existem três orientações:

Primeira: Descabe a revisão criminal. Para os adeptos desta linha de pensamento,


a soberania das decisões do júri impede o ingresso de ação desconstitutiva contra suas
deliberações. Trata-se de entendimento minoritário.

Segunda: É cabível a revisão criminal, devendo o colegiado do Tribunal competente

55
para seu julgamento, na hipótese de procedência, absolver o réu. Compreendem os defensores
dessa posição que a hipótese não requer novo julgamento pelo júri, bastando ao julgador da
ação revisional desconstituir a condenação injusta, absolvendo o réu.

Nesta direção vem decidindo o STJ, sinalando que o tribunal competente para
julgar a revisão criminal, ainda que contra decisões do Tribunal do Júri, pode, analisando
o feito, confirmar a condenação ou, no juízo revisional, alterar a classificação do crime,
reduzir a pena, anular o processo ou mesmo absolver o condenado, nos termos do art. 626
do CPP. Segundo esta linha, a obrigação do Poder Judiciário, em caso de erro grave, como uma
condenação que contrarie manifestamente as provas dos autos, é reparar de imediato esse erro,
razão pela qual, nesses casos, a absolvição do acusado é perfeitamente aceitável, sem que se
entenda violada, com isso, a soberania do Júri Popular.

E também é a posição do STF, para o qual “o Tribunal de segunda instância, ao


julgar a ação de revisão criminal, dispõe de competência plena para formular tanto o juízo
rescindente (“judicium rescindens”), que viabiliza a desconstituição da autoridade da coisa
julgada penal mediante invalidação da condenação criminal, quanto o juízo rescisório
(“judicium rescissorium”), que legitima o reexame do mérito da causa e autoriza, até mesmo,
quando for o caso, a prolação de provimento absolutório, ainda que se trate de decisão
emanada do júri, pois a soberania do veredicto do Conselho de Sentença, que representa
garantia fundamental do acusado, não pode, ela própria, constituir paradoxal obstáculo à
restauração da liberdade jurídica do condenado”.

Terceira: É cabível a revisão criminal, devendo o colegiado competente para seu


julgamento, na hipótese de procedência, submeter o acusado a novo júri popular. Mesmo
não ignorando a orientação atual dos Tribunais Superiores, compreendemos que esta é a
posição aceitável. Não concebemos, enfim, legitimidade aos tribunais (tribunais de justiça e
tribunais regionais federais) para, julgando procedente revisão contra decisão condenatória do
júri popular, absolver o réu, pois isto implica evidente violação à soberania constitucionalmente
estabelecida ao Tribunal do Júri. A nosso ver, o reconhecimento pelo Tribunal a quo, em sede
revisional, de que a decisão do Júri foi manifestamente contrária à prova dos autos, não basta para
transferir àquela Corte a competência meritória constitucionalmente assegurada ao Tribunal do
Júri, cabendo-lhe, portanto, tão somente a determinação de que o réu seja submetido a novo
julgamento.

Fonte: AVENA, Norberto. Processo Penal. 9. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: MÉTODO, 2017.

Alternativa C: Incorreta, porque a decisão que determina o desaforamento de


processo da competência do júri sem audiência da defesa é NULA.

O STF, inclusive, possui entendimento sumulado nesse sentido, in verbis:

56
Súmula 712 do STF: É nula a decisão que determina o desaforamento de
processo da competência do júri sem audiência da defesa.

Alternativa D: Incorreta, tendo em vista que o emprego de algemas deve ser medida
excepcional e a utilização delas em plenário de júri DEPENDE de motivada decisão judicial, sob
pena de configurar constrangimento ilegal e de anular a sessão de julgamento.

Esse entendimento encontra respaldo na Súmula Vinculante n. 11, que reza o


seguinte, in verbis:

Súmula Vinculante n. 11: Só é lícito o uso de algemas  em casos de


resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade
física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada
a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar,  civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade
da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.

No mesmo sentido, já decidiu o STJ:

PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO


DE RECURSO ESPECIAL, ORDINÁRIO OU DE REVISÃO CRIMINAL.
HOMICÍDIO QUALIFICADO. NULIDADE PELO USO DE ALGEMAS
DURANTE JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DO JÚRI. AUSÊNCIA DE
MOTIVOS CONCRETOS AUTORIZADORES DO EMPREGO DE ALGEMAS.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO.
ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. (...)
2. Configura constrangimento ilegal a determinação de uso de algemas
durante o julgamento pelo Tribunal do Júri sem a devida
fundamentação em elementos concretos que demonstrem a existência
de risco à ordem dos trabalhos, à segurança das testemunhas ou à
garantia da integridade física dos presentes na sessão de julgamento.
3. Habeas corpus não conhecido, mas concedida de ofício a ordem
para anular a sessão de julgamento do Tribunal do Júri, devendo os
pacientes serem colocados em liberdade, salvo se por outro motivo
estiverem presos, em vista do excesso de prazo da preventiva.
STJ, HC 323158/MS, Rel. Min. NEFI CORDEIRO, Julgado em 17/03/2016.

Alternativa E: Incorreta, pois, reconhecida a nulidade da pronúncia por excesso de


linguagem, o juiz deve ANULAR a decisão e os consecutivos atos processuais, determinando-
se que OUTRA seja prolatada, não sendo suficiente o envelopamento e desentranhamento da
peça viciada.

57
Nessa linha, vejamos precedente do STJ, que inclusive foi divulgado no Informativo
n. 561:

DIREITO PROCESSUAL PENAL. ANULAÇÃO DA PRONÚNCIA POR EXCESSO


DE LINGUAGEM.
Reconhecido excesso de linguagem na sentença de pronúncia ou no
acórdão confirmatório, deve-se anular a decisão e os consecutivos
atos processuais, determinando-se que outra seja prolatada, sendo
inadequado impor-se apenas o desentranhamento e envelopamento. De
início, cabe ressaltar que a jurisprudência do STJ era no sentido de que,
havendo excesso de linguagem, o desentranhamento e envelopamento
da sentença de pronúncia ou do acórdão confirmatório seria providência
adequada e suficiente para cessar a ilegalidade, uma vez que, além de
contemplar o princípio da economia processual, evita que o Conselho
de Sentença sofra influência do excesso de linguagem empregado pelo
prolator da decisão (HC 309.816-PE, Sexta Turma, DJe 11/3/2015; e
REsp 1.401.083-SP, Quinta Turma, DJe 2/4/2014). Ocorre que ambas as
Turmas do STF têm considerado inadequada a providência adotada pelo
STJ, assentando que a solução apresentada pelo STJ não só configura
constrangimento ilegal, mas também dupla afronta à soberania
dos veredictos assegurada à instituição do Júri, tanto por ofensa ao
CPP, conforme se extrai do art. 472, alterado pela Lei 11.689/2008,
quanto por contrariedade ao art. 5º, XXXVIII, “c”, da CF, uma vez que
o acesso à decisão de pronúncia constitui garantia assegurada legal
e constitucionalmente, de ordem pública e de natureza processual,
cuja disciplina é de competência privativa da União (HC 103.037-PR,
Primeira Turma, DJe 31/5/2011). Assim, concluiu o STF que a providência
adequada é a anulação da sentença e os consecutivos atos processuais
que ocorreram no processo principal. Logo, diante da evidência de que
o STF já firmou posição consolidada sobre o tema, o mais coerente é
acolher o entendimento lá pacificado, sob o risco de que, postergada
tal providência, outros julgados do STJ venham a ser cassados, gerando
efeitos maléficos na origem, sobretudo o atraso dos feitos relacionados
ao Tribunal do Júri. Assim, reconhecida a existência de excesso de
linguagem na sentença pronúncia ou no acórdão confirmatório, a
anulação da decisão é providência jurídica adequada.  AgRg no REsp
1.442.002-AL, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/4/2015,
DJe 6/5/2015.

Repare que o STJ entendia da forma como foi redigida a alternativa E. Contudo, ante
a consolidação do tema pelo STF, curvou-se ao entendimento da Suprema Corte.

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A alternativa E, portanto, está incorreta, porque não está de acordo com o
entendimento atual dos Tribunais Superiores.

27 – QUESTÃO:

De acordo com a Lei de Drogas (Lei n. 11.343/2006), considere as seguintes alternativas:

I - Tratando-se da conduta prevista no art. 28 da Lei de Drogas (posse de droga para consumo
pessoal), não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente
encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele
comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos
exames e perícias necessários.
II - O inquérito policial será concluído no prazo de 10 (dez) dias, se o indiciado estiver preso,
e de 30 (trinta) dias, quando solto, sendo que esses prazos podem ser duplicados pelo juiz,
ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária.
III - O prazo para o Ministério Público oferecer denúncia é de 5 (cinco) dias, podendo arrolar
até 8 (oito) testemunhas e requerer as demais provas que entender pertinentes.

a) Apenas o item I está correto.


b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Apenas os itens I e II estão corretos.
e) Apenas os itens II e III estão corretos.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

O item I está correto, pois está de acordo com o previsto no art. 48, §2º, da Lei de
Drogas (Lei nº 11.343/2006), in verbis:

Art. 48 (...)
§ 2º  Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se imporá
prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente
encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o
compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado
e providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários.

O item II está incorreto, pois não traz os prazos corretos para a conclusão do inquérito
policial. Vejamos o disposto no art. 51, da Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), in verbis:

Art. 51.  O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias,

59
se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto.
Parágrafo único.  Os prazos a que se refere este artigo podem ser
duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido
justificado da autoridade de polícia judiciária.

Por fim, o item III também está incorreto, porque o prazo para o Ministério Público
oferecer denúncia é de 10 (dez) dias. Além disso, poderão ser arroladas até 5 (cinco) testemunhas.

É o que reza o art. 54, da Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), in verbis:

Art. 54.  Recebidos em juízo os autos do inquérito policial, de Comissão


Parlamentar de Inquérito ou peças de informação, dar-se-á vista ao
Ministério Público para, no prazo de 10 (dez) dias, adotar uma das
seguintes providências:
I - requerer o arquivamento;
II - requisitar as diligências que entender necessárias;
III - oferecer denúncia, arrolar até 5 (cinco) testemunhas e requerer as
demais provas que entender pertinentes.

60
DIREITO CIVIL
PROF. LEDA SIQUEIRA

28 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta de acordo com a LINDB:

a) Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias
depois de oficialmente promulgada.
b) O adágio de que ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece, traduz
uma presunção absoluta.
c) Lei cogente é aquela que comporta normatização pelas partes ao passo que as leis
dispositivas não admitem pactuação pelas partes.
d) Direito adquirido é aquele cujos efeitos já se exauriram.
e) As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Art. 1o Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país
quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada.

O momento existencial da norma se dá com a sua promulgação, mas ela ainda não
foi publicada, portanto, as pessoas ainda não tomaram conhecimento dela, logo ela ainda não
tem vigência.

O art. 1º estabelece que a vigência de uma lei será determinada pela própria lei, mas
se ela nada disser, será 45 dias depois de oficialmente PUBLICADA.

No exterior, a vigência se dará após 3 meses depois da publicação.

Alternativa B: O art. 3º da LINDB estabelece que “ninguém se escusa de cumprir a lei,


alegando que não a conhece”.

Tal dispositivo traz a proibição de alegação de erro de direito. Há uma presunção que as
pessoas conhecem as normas. Ninguém pode alegar que desconhece uma lei para não cumpri-
la. Essa presunção é relativa e não absoluta. Como a presunção é relativa, o próprio sistema
jurídico permite, em determinadas hipóteses, que uma pessoa alegue o desconhecimento das

61
leis, como por exemplo, o erro de proibição que exclui a culpabilidade, o desconhecimento da
lei como atenuante no direito penal. No Código Civil, o melhor exemplo vem do art. 139, III que
trata do erro de direito como causa de anulabilidade do negócio jurídico.

Alternativa C: Toda lei é obrigatória, mas existem aquelas que são cogentes e outras
que são dispositivas. Lei cogente é aquela que não dá espaço para a autonomia privada. Lei
dispositiva é aquela que permite que as partes possam modificar a sua regra, por exemplo,
“salvo estipulação em contrário, o regime de bens será o da comunhão parcial”. Essa expressão
“salvo estipulação em contrário” dá espaço para que as partes a modifiquem.

Alternativa D: Ato jurídico perfeito é aquele cujos efeitos já se exauriram.

Direito adquirido é aquele que já se incorporou ao patrimônio do particular.

Coisa julgada é a qualidade que reveste os efeitos de uma decisão judicial contra a
qual não cabem mais recursos.

Alternativa E:

Art. 1º, § 4o As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei


nova.

Durante o período de vacatio a lei existe, mas ainda não tem vigência. Se durante
esse período de vacatio pretende-se corrigir a lei, tem que haver uma nova publicação, e o prazo
começa a correr novamente somente para as disposições que foram alteradas.

Se a lei já estiver em vigor, somente uma outra lei para modificá-la.

29 – QUESTÃO:

Isaías, por não ter herdeiros necessários, antes de falecer, deixou testamento entregando
metade de seus bens para seu sobrinho Ezequiel e a outra metade para sua cuidadora Lia.
Acontece que logo após sua morte, foi realizado um exame de investigação de paternidade
com seus restos mortais, o qual constatou que Tiago é seu filho fruto de um breve
relacionamento com Marta. Nessa hipótese o testamento outrora produzido considera-se:

a) Inválido.
b) Caduco.
c) Rompido.
d) Revogado.
e) Apto a produzir os mesmos efeitos pretendidos pelo testador.

62
RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Inválido é o testamento que contenha vícios do negócio jurídico. Por


exemplo, um testamento escrito sob coação.

Alternativa B: Caduco é o testamento cuja ineficácia se dá por fato superveniente


alheio à vontade do testador. Trata-se de acontecimento que inibe a sua produção de efeitos.
Exemplo: o único herdeiro renuncia à herança.

Alternativa C: O rompimento do testamento ocorre quando surge um herdeiro


necessário que o testador desconhecia quando testou. Presume a lei que se o testador soubesse
que tinha herdeiros necessários teria sido diferente a sua declaração de última vontade.

Alternativa D: Revogado é o testamento na situação em que testador se arrepende


e volta atrás, cancelando o testamento confeccionado. A revogação não decorre de causas
previstas em lei ou de vícios de vontade, mas exatamente da vontade do testador em alterar
seu testamento antecedente.

Alternativa E: Uma vez rompido o testamento, não há como prevalecer as disposições


deixadas pelo testador.

30 – QUESTÃO:

Lídia foi casada com Miguel durante 10 anos sob o regime de comunhão universal de bens.
Dessa união não adveio filhos. Miguel faleceu em virtude de um derrame cerebral deixando
como herdeiros necessários sua esposa e seus avós paternos. Diante dessa situação, a
partilha dos bens de Miguel será deferida na seguinte ordem:

a) ½ para Lídia e ¼ para a avó e ¼ para o avô.


b) A totalidade para Lídia.
c) Nada para Lídia e ½ para a avó e ½ para o avô.
d) 1/3 para Lídia, 1/3 para a avó e 1/3 para o avô.
e) ½ para Lídia, ½ para a avó e ½ para o avô.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Primeiramente, é salutar saber que não havendo descendentes, em qualquer regime


de bens, o cônjuge concorre com os ascendentes.

63
De acordo com o Código Civil, na falta de descendentes, são chamados à sucessão os
ascendentes, igualmente em concorrência com o cônjuge, independentemente do regime de
bens. O regime de bens só influencia na concorrência do cônjuge com os descendentes, com os
ascendentes não.

Art. 1.836. Na falta de descendentes, são chamados à sucessão os


ascendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente.

Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge


tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um
só ascendente, ou se maior for aquele grau.

No caso de um cônjuge morrer e deixar os dois genitores, vai 1/3 para a mãe, 1/3 para
o pai e 1/3 para o cônjuge.

Se o cônjuge do falecido concorrer com os ascendentes de primeiro grau lhe caberá


1/3, mas terá direito a ½ da herança se o falecido tiver deixado só um ascendente de primeiro
grau ou então se sobraram apenas ascendentes de graus mais distantes. Exemplo: o autor da
herança faleceu e deixou esposa e avós paternos vivos, a esposa ficará com ½ e os avós com
metade, ficando com ¼ cada um.

No caso da questão, Miguel faleceu deixando sua esposa e apenas e os avós paternos,
logo, Lídia receberá metade da herança e a outra metade será destinada aos seus avós, recebendo
¼ cada um.

31 – QUESTÃO:

Sobre o bem de família assinale a alternativa incorreta:

a) Jonas possui uma vaga de garagem em seu prédio residencial, a qual comprou
separadamente do apartamento possuindo matrícula autônoma. Tal vaga não constitui bem
de família.
b) Ana se separou de Daniel e na divisão de bens ficou com o apartamento que pertencia
ao casal sendo seu único bem imóvel. Em que pese ser divorciada, tal imóvel é considerado
bem de família para efeitos de impenhorabilidade.
c) Davi companheiro de Maria é pai do menor Pedro a quem deve vários anos de pensão
alimentícia. Davi adquiriu com Maria um apartamento onde residem. A parte de Davi no
imóvel não pode ser penhorada para pagar a dívida alimentícia diante da impossibilidade
de se vender apenas metade do imóvel já que a outra metade pertence à Maria que nenhum
vínculo possui com Davi.
d) Mateus mora de aluguel em Campinas e possui como único bem uma casa em Arthur
Nogueira a qual aluga para Tomé. Mateus utiliza a renda proveniente da locação para a

64
manutenção de sua família na grande cidade. Acontece que Mateus está sendo executado
por credores que poderão penhorar seu imóvel de Artur Nogueira tendo em vista que Mateus
não reside nele.
e) Jacó é fiador de Miquéias que alugou uma casa. Miquéias deixou de pagar os aluguéis
ensejando a execução de Jacó. Jacó possui apenas um apartamento onde reside com sua
esposa e filhos e pode ter seu bem de família penhorado para quitar a dívida locatícia de
Miquéias.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Súmula 449 STJ: A vaga de garagem que possui matrícula própria no


registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora.

Alternativa B:

Súmula 364 STJ: O conceito de impenhorabilidade de bem de família


abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas
e viúvas.

Alternativa C:

(...) A proteção instituída pela Lei n. 8.009/1990, quando reconhecida


sobre metade de imóvel relativa à meação, deve ser estendida à
totalidade do bem, porquanto o escopo precípuo da lei é a tutela não
apenas da pessoa do devedor, mas da entidade familiar como um
todo, de modo a impedir o seu desabrigo, ressalvada a possibilidade
de divisão do bem sem prejuízo do direito à moradia. (...)STJ. 4ª Turma.
REsp 1227366/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/10/2014.

Alternativa D:

Súmula 486 STJ: É impenhorável o único imóvel residencial do devedor


que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação
seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família.

Alternativa E:

Súmula 549 STJ: É válida a penhora de bem de família pertencente a

65
fiador de contrato de locação.

32 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) A desconsideração inversa da personalidade jurídica ocorre quando bens dos sócios ou


administradores respondem por dívidas da pessoa jurídica.
b) Para a caracterização do dano moral decorrente de ofensa à dignidade da pessoa humana,
não é necessário demonstrar dor e sofrimento.
c) Energia elétrica é considerada bem imóvel.
d) Condição é o elemento acidental do negócio jurídico que relaciona a sua eficácia a evento
futuro e certo.
e) Os prazos decadenciais não podem ser alterados pelas partes.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Modalidades de Desconsideração da Personalidade Jurídica:

a) Desconsideração direta/regular: bens dos sócios ou administradores respondem


por dívidas da pessoa jurídica (art. 50 CC e 28 CDC).

b) Desconsideração inversa: bens da pessoa jurídica respondem por dívidas dos


sócios ou administradores, não está expressa em lei, pois é criação doutrinária e jurisprudencial.

Alternativa B:

Sempre que ocorrer ofensa injusta à dignidade da pessoa humana


restará configurado o dano moral, não sendo necessária a comprovação
de dor e sofrimento. Trata-se de dano moral in re ipsa (dano moral
presumido). STJ. 3ª Turma. REsp 1.292.141-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 4/12/2012 (Info 513 STJ).

Alternativa C:

Bens imóveis são aqueles que não podem ser removidos ou transportados.

Bens móveis são aqueles que podem ser removidos ou transportados sem sofrerem

66
deterioração.

A energia elétrica é considerada um bem móvel por determinação legal.

Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais:


I - as energias que tenham valor econômico;
II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes;
III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações.

Alternativa D: A condição é o elemento acidental do negócio jurídico que relaciona


a sua eficácia a evento futuro e incerto. Já o termo, relaciona à eficácia do negócio jurídico a
evento futuro e certo.

Alternativa E: Prazos prescricionais não podem ser alterados pela vontade das partes,
os prazos decadenciais admitem alteração quando convencionais. Conclui-se, que existe
decadência legal e convencional.

Art. 209. É nula a renúncia à decadência fixada em lei.

33 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta:

a) Obrigação ambulatória é aquela que admite indeterminabilidade dos sujeitos.


b) Nas obrigações alternativas, se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem
inexeqüíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização
por perdas e danos.
c) O filho, embora já possua um pai em seu registro de nascimento, tem direito de ajuizar
ação de investigação de paternidade contra seu suposto pai biológico e ver reconhecida
uma segunda paternidade.
d) A paternidade socioafetiva pode ser reconhecida após a morte do suposto pai socioafetivo.
e) Ao sucessor universal é facultado unir sua posse à do antecessor; e o sucessor singular
continua de direito a posse do seu antecessor, para os efeitos legais.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O sistema jurídico brasileiro admite a indeterminabilidade


subjetiva, ativa ou passiva da obrigação desde que temporária. Vale dizer, cuida-se de uma
indeterminabilidade relativa do credor ou do devedor. São exemplos de indeterminabilidade
do credor: o cheque ao portador e a promessa de recompensa. No que tange ao polo passivo,

67
a obrigação propter rem, a exemplo da obrigação de pagar taxa de condomínio, consubstancia
hipótese em que há indeterminabilidade do devedor (no exemplo dado dependerá de quem
seja o dono do imóvel). A doutrina observa, que este tipo de obrigação em que os sujeitos
podem variar denomina-se obrigação ambulatória.

Alternativa B: Nas obrigações alternativas,

Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações


tornar-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir
a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por
culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis, poderá
o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização
por perdas e danos.

Alternativa C:

O filho tem direito de desconstituir a denominada “adoção à brasileira”


para fazer constar o nome de seu pai biológico em seu registro de
nascimento, ainda que preexista vínculo socioafetivo de filiação com o
pai registral. STJ. 3ª Turma. REsp 1.417.598-CE, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 17/12/2015 (Info 577).

Alternativa D:

É possível o reconhecimento da paternidade socioafetiva post mortem,


ou seja, mesmo após a morte do suposto pai socioafetivo. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.500.999-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
12/4/2016 (Info 581).

Alternativa E: De acordo com o art. 1.207 do Código Civil, o sucessor universal


(ex: herdeiro legítimo ou testamentário) continua de direito a posse do seu antecessor; e ao
sucessor singular (ex: a pessoa que compra o imóvel) é facultado unir sua posse à do antecessor,
para os efeitos legais.

No primeiro caso, temos a continuidade da posse como um dever. Entretanto, em se


tratando de sucessor singular, temos a união da posse como uma faculdade.

34 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta:

a) A viúva que foi casada com o de cujus pelo regime de comunhão universal de bens e com

68
quem teve dois filhos, possui legitimidade para se insurgir contra uma ação de investigação
de paternidade pos mortem ajuizada por um suposto filho advindo de um relacionamento
extraconjugal de seu falecido esposo.
b) Os Colaterais são considerados herdeiros facultativos.
c) A descoberta consiste em achar bem móvel que não pertence a ninguém.
d) Para a teoria concepcionista, a personalidade é adquirida com a concepção, dela
decorrendo que o nascituro tem personalidade jurídica, sendo, portanto, sujeito de direitos.
e) O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de alimentos em proveito de
criança ou adolescente, independentemente do exercício do poder familiar dos pais.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O STJ entende que, embora a viúva não ostente interesse patrimonial
eis que se casou pelo regime da comunhão universal, ela possui interesse moral que lhe confere
legitimidade para contestar tal ação nos termos do art. 1.615 do Código Civil que assim dispõe:

Art. 1.615. Qualquer pessoa, que justo interesse tenha, pode contestar a
ação de investigação de paternidade, ou maternidade.
Mesmo nas hipóteses em que não ostente a condição de herdeira, a viúva
poderá impugnar ação de investigação de paternidade post mortem,
devendo receber o processo no estado em que este se encontra. STJ. 4ª
Turma. REsp 1.466.423-GO, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em
23/2/2016 (Info 578).

Alternativa B: O herdeiro necessário é aquele que, em regra, não pode ser afastado
da sucessão. Os herdeiros necessários têm direito à legítima. São herdeiros necessários os
descendentes, os ascendentes e o cônjuge.

O herdeiro facultativo é aquele que pode ser afastado da herança. São os colaterais
até o quarto grau.

Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes


e o cônjuge.

Art. 1.846. Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, a


metade dos bens da herança, constituindo a legítima.

Art. 1.850. Para excluir da sucessão os herdeiros colaterais, basta que o


testador disponha de seu patrimônio sem os contemplar.

69
Alternativa C:

Art. 1.233. Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao
dono ou legítimo possuidor.
Parágrafo único. Não o conhecendo, o descobridor fará por encontrá-lo,
e, se não o encontrar, entregará a coisa achada à autoridade competente.

A descoberta não gera aquisição de propriedade. Isso porque a descoberta gera uma
obrigação de fazer que é entregar a coisa ao seu legítimo proprietário. Se não souber quem é o
dono, entrega para o poder público que vai diligenciar para descobrir quem é o dono.

Não se pode confundir descoberta com a ocupação. A ocupação está disciplinada


no art. 1263 e consiste em encontrar coisa móvel sem dono. E quem encontra coisa móvel sem
dono adquire a propriedade.

Alternativa D:

Teorias acerca da natureza jurídica do nascituro:

a) Natalista: a personalidade civil somente se inicia com o nascimento com vida.

b) Personalidade Jurídica Condicional: a personalidade tem início a partir da


concepção, porém ficando submetida a uma condição suspensiva (nascimento com vida),
assegurados, no entanto, desde a concepção, os direitos da personalidade, inclusive para
assegurar o nascimento (direito à vida).

c) Concepcionista: a personalidade é adquirida com a concepção, dela decorrendo


que o nascituro tem personalidade jurídica, sendo, portanto, sujeito de direitos.

Alternativa E:

O Ministério Público tem legitimidade ativa para ajuizar ação de


alimentos em proveito de criança ou adolescente, independentemente
do exercício do poder familiar dos pais, ou de o infante se encontrar
nas situações de risco descritas no art. 98 do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), ou de quaisquer outros questionamentos acerca da
existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca. STJ. 2ª Seção.
REsp 1.265.821-BA e REsp 1.327.471-MT, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgados em 14/5/2014 (recurso repetitivo) (Info 541)

70
35 – QUESTÃO:

Considere as seguintes assertivas:

I. O Código Civil veda todas as formas de testamento comum.


II. O testamento público é a única forma permitida aos cegos.
III. Para se legar móveis, roupas ou jóias, de pouco valor, basta que o autor da herança elabore
um codicilo.
IV. São especiais o testamento do marítimo, do militar e do preso.

Estão corretas as assertivas:

a) Todas estão corretas.


b) I, II e III.
c) II e IV.
d) I e III.
e) Todas estão incorretas.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Assertiva I: O testamento é um ato personalíssimo. Dessa forma, não se admite a


celebração do testamento por mais de uma pessoa. Ninguém pode testar pelo outro nem com
o outro. O Código Civil proíbe todas as formas de testamento comum/conjuntivo:

 Simultâneo: no mesmo testamento duas ou mais pessoas beneficiam uma terceira.

 Recíproco: no mesmo testamento duas ou mais pessoas de beneficiam


reciprocamente (se institui como herdeiro um do outro).

 Corespectivo: no mesmo testamento duas ou mais pessoas fazem disposições de


retribuições recíprocas.

Assertiva II: Testamento Público é aquele elaborado pelo tabelião em livro de notas
mediante escritura pública. Manifestada a vontade perante o tabelião, o mesmo deverá reproduzi-
la no instrumento que deverá ler em seguida em voz alta na presença de duas testemunhas.
Deve ser assinado imediatamente após a leitura por todos: testador, testemunhas, tabelião.

Art. 1.867. Ao cego só se permite o testamento público, que lhe será lido,
em voz alta, duas vezes, uma pelo tabelião ou por seu substituto legal, e
a outra por uma das testemunhas, designada pelo testador, fazendo-se

71
de tudo circunstanciada menção no testamento.

Assertiva III: Codicilo é a disposição testamentária de bens de pequeno valor.


Dispensa-se solenidade e presença de testemunhas.

Art. 1.881. Toda pessoa capaz de testar poderá, mediante escrito


particular seu, datado e assinado, fazer disposições especiais sobre o
seu enterro, sobre esmolas de pouca monta a certas e determinadas
pessoas, ou, indeterminadamente, aos pobres de certo lugar, assim
como legar móveis, roupas ou jóias, de pouco valor, de seu uso pessoal.

Art. 1.882. Os atos a que se refere o artigo antecedente, salvo direito de


terceiro, valerão como codicilos, deixe ou não testamento o autor.

Assertiva IV:

Art. 1.886. São testamentos especiais:


I - o marítimo;
II - o aeronáutico;
III - o militar.

Não confundir com o dispositivo que trata do domicílio necessário segundo o qual o
militar, o marítimo e preso possuem domicílio necessário.

36 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) O dever de pagar pensão alimentícia ao filho cessa automaticamente quando este


completa 18 anos.
b) O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa
impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o
atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação
fosse oportunamente desempenhada.
c) Morador inadimplente que fique impedido de usar elevador não tem direito à indenização
por danos morais.
d) A pessoa jurídica, pelo fato de não possuir honra subjetiva, pode sofrer apenas danos
patrimoniais.
e) A recusa injustificada ao exame de DNA gera uma presunção absoluta de paternidade.

RESPOSTA: Alternativa B.

72
COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

Súmula 358 STJ: O cancelamento de pensão alimentícia de filho


que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante
contraditório, ainda que nos próprios autos.

Alternativa B: Em regra, o inadimplemento absoluto fortuito da obrigação isenta o


devedor de responder pelos danos causados ao credor.

EXCEÇÃO: Se o devedor estava em mora quanto ao cumprimento da obrigação e


ocorrer o inadimplemento absoluto fortuito, ele deverá reparar os danos ao credor. O devedor
somente não terá responsabilidade se provar que o atraso no cumprimento da prestação não era
culposo ou que o dano sobreviria ao credor ainda que a obrigação tivesse sido oportunamente
cumprida.

Exemplo: o devedor vai pagar o credor e a ponte que une as duas cidades cai e ele
fica uma semana sem conseguir atravessar para a outra cidade. A sua mora não é culposa, logo
ele não responde por caso fortuito.

Ele também não responderá, se ele demora em entregar o cavalo uma semana e nesse
período acontece uma enchente que mata o animal. Nesse caso, se ele provar que a enchente
também atingiu a fazenda do credor e que se o cavalo estivesse lá, ele também teria morrido,
ele também não responde.

Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da


prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou
de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar
isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação
fosse oportunamente desempenhada.

Alternativa C:

Tem direito à indenização por danos morais a moradora que foi


impedida de usar o elevador para chegar ao seu apartamento de um
prédio residencial, por estar em atraso com as taxas do condomínio.
STJ. 3ª Turma. Resp 1.401.815-ES, Min. Rel. Nancy Andrighi, julgado em
03/12/2013 (não divulgado em Info em 2013).

Alternativa D: É bem verdade que a pessoa jurídica não tem honra subjetiva (imagem
retrato), mas possui honra objetiva (imagem reputação), o que lhe confere legitimidade para ser

73
vítima de dano moral.

Súmula 227 STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.

Alternativa E:

Súmula 301 STJ: Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a


submeter-se ao exame de DNA induz presunção «juris tantum» de
paternidade.

37 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta.

a) O espólio só terá obrigação de pagar alimentos ao filho do falecido se eles já tinham sido
fixados antes da morte por acordo ou decisão judicial.
b) A companheira sobrevivente que tenha comprado outro imóvel residencial com o dinheiro
recebido do seguro de vida do falecido companheiro, não faz jus a direito real de habitação.
c) O Código Civil admite expressamente o erro de direito.
d) É possível a fixação de astreintes para forçar a genitora que está com a guarda da criança
a respeitar o direito de visita do pai.
e) Débora possui 35 anos e casou-se com Isaque de 80. Nesse caso, Débora, em que pese não
ser herdeira do marido, é meeira.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

O espólio de genitor do autor de ação de alimentos não possui


legitimidade para figurar no polo passivo da ação na hipótese em que
inexista obrigação alimentar assumida pelo genitor por acordo ou
decisão judicial antes da sua morte. STJ. 4ª Turma. REsp 1.337.862-SP,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 11/2/2014 (Info 534).

Alternativa B:

A companheira sobrevivente faz jus ao direito real de habitação (art.


1.831 do CC) sobre o imóvel no qual convivia com o companheiro
falecido, ainda que tenha adquirido outro imóvel residencial com o
dinheiro recebido do seguro de vida do de cujus. STJ. 4ª Turma. REsp

74
1.249.227-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17/12/2013
(Info 533).

Alternativa C:

Espécies de Erro previstos no Código Civil:

a) Erro sobre o objeto: é aquele que incide nas qualidades do próprio objeto do
negócio jurídico. Exemplo: comprador que adquire de um antiquário um relógio de bolso na
convicção de que pertenceu a Dom Pedro II, quando jamais pertenceu ao imperador.

b) Erro sobre a qualidade (erro in substantia): o agente identifica corretamente a


natureza do vínculo estabelecido, bem como o objeto em função do qual se opera o negócio,
todavia, desconhece alguma qualidade ou característica essencial. Exemplo: alguém adquire
um aparelho televisor na crença de ser LCD, verificando se tratar de TV apenas de Plasma.

c) Erro sobre o negócio: é aquele que incide na própria categoria do negócio que
se realiza, imagina-se estar celebrando um negócio por outro. Exemplo: alguém imagina estar
pegando emprestado o apartamento do sogro quando na verdade trata-se de locação.

d) Erro sobre a pessoa: é aquele que incide sobre a identificação da outra parte do
negócio. Exemplo: testador que deixa benefício patrimonial para alguém imaginando ser seu
filho quando se trata de prole de outrem.

e) Erro de direito: quando a pessoa pensa que ser permitido o que é proibido. Exemplo:
alguém eventualmente celebra contrato de importação de uma determinada mercadoria, sem
saber que, recentemente, foi expedido decreto proibindo a entrada de tal produto no território
nacional.

O Código de 2002 inovou, em seu art. 139, III, ao admitir o denominado erro de direito,
isto é, aquele que incide sobre a própria ilicitude do ato. Ele é admitido desde que não traduza
intencional recusa à aplicação da lei, incidindo, por consequência, no âmbito interpretativo da
própria norma.

Alternativa D:

É válida a aplicação de astreintes quando o genitor detentor da guarda


da criança descumpre acordo homologado judicialmente sobre o regime
de visitas. A aplicação das astreintes em hipótese de descumprimento
do regime de visitas por parte do genitor, detentor da guarda da criança
se mostra como um instrumento eficiente e também, menos drástico
para a criança. STJ. 3ª Turma. REsp 1.481.531-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro,

75
julgado em 16/2/2017 (Info 599).

Alternativa E:

Na separação convencional de bens (regime pelo qual os cônjuges optaram), a esposa


é herdeira, mas não é meeira.

Na separação obrigatória ou legal de bens (regime imposto pela lei em razão da idade
de um dos consortes), a esposa não é herdeira, mas por força da súmula 377 do STF, ela é meeira.

Súmula 377 STF: No regime de separação legal de bens, comunicam-se


os adquiridos na constância do casamento.

Referência: as questões de jurisprudência foram elaboradas a partir de conteúdo disponibilizado


no site www.dizerodireito.com.br

76
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
PROF. TALLITA SAMPAIO

38 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) A incompetência, absoluta ou relativa, pode ser declarada de oficio pelo juiz.


b) A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que
atuar.
c) Os atos decisórios praticados pelo juiz em caso de incompetência absoluta serão nulos.
d) A incompetência absoluta é causa de extinção do processo sem resolução do mérito.
e) Em caso de continência, as ações serão necessariamente reunidas no juízo prevento.

RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com o art. 64, parág. Único do CPC, apenas a incompetência
absoluta pode ser declarada de oficio.

Alternativa B: Esta é a alternativa correta, nos termos do Art 65, parag único do CPC.

Alternativa C: No CPC/73, os atos praticados pelo juiz absolutamente incompetentes


eram nulos. Agora, os efeitos da decisão serão conservadas até que outra seja proferida, se for
o caso.

ART. 64, § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-


se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que
outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente.

Alternativa D: A incompetência, ainda que absoluta, não é causa de extinção do


processo. Haverá apenas o encaminhamento dos autos ao juiz competente. Entretanto, existe
uma exceção: nos juizados especiais, o reconhecimento da incompetência territorial acarreta a
extinção do processo sem resolução do mérito (art. 51, III da Lei 9099).

Alternativa E: Há continência sempre que as partes e a causa de pedir forem iguais, mas
o pedido de uma abrange o da outra. Ação continente é a que tem o pedido mais abrangente, e
ação contida é aquela cujo pedido está englobado na ação maior. Portanto, de acordo com o art.
57 do CPC, não é sempre que as ações serão necessariamente reunidas, havendo continência;
pois, se a ação continente já tiver sido proposta, a ação menor nem deverá prosseguir.

77
Art. 57.   Quando houver continência e a ação continente tiver sido
proposta anteriormente, no processo relativo à ação contida será
proferida sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações
serão necessariamente reunidas.

39 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) O Ministério Público será intimado para, no prazo de 15 (quinze) dias, intervir como fiscal
da ordem jurídica.
b) O Ministério Público intervém em todos os casos de conflito de competência.
c) O Ministério Público será intimado para, no prazo de 15 (quinze) dias, intervir como fiscal
da ordem jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Constituição Federal e, dentre outros,
nos processos que envolvam a Fazenda Pública.
d) O Ministério Público atuará como fiscal da ordem jurídica nos processos que envolvam
litígios coletivos pela posse de terra rural ou mesmo urbana.
e)  Findo o prazo para manifestação do Ministério Público sem o oferecimento de parecer, o
processo ficará suspenso.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O prazo para o Ministério Público se manifestar como fiscal da ordem


jurídica é de 30 dias.

Art. 178.  O Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta)


dias, intervir como fiscal da ordem jurídica nas hipóteses previstas em
lei ou na Constituição Federal e nos processos que envolvam:

Alternativa B: Essa foi mais uma mudança do NCPC. Antigamente, o MP era ouvido
em todos os casos de conflito de competência. Agora, apenas nos processos em que deve atuar
como fiscal da ordem jurídica.

Art. 951 do CC: O Ministério Público somente será ouvido nos conflitos
de competência relativos aos processos previstos no art. 178, mas terá
qualidade de parte nos conflitos que suscitar.

Alternativa C: Como já explicado, o prazo é de 30 dias, e não 15 dias. Ademais, o CPC


diz expressamente que a participação da Fazenda Pública não configura, por si só, hipótese de
intervenção do MP.

78
Art. 178.  O Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta)
dias, intervir como fiscal da ordem jurídica nas hipóteses previstas em
lei ou na Constituição Federal e nos processos que envolvam:
I - interesse público ou social;
II - interesse de incapaz;
III - litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.
Parágrafo único.  A participação da Fazenda Pública não configura, por
si só, hipótese de intervenção do Ministério Público.

Alternativa D: Esta é a alternativa correta. Antes, o CPC só falava em litígios coletivos


pela posse de terra rural. Agora, o art. 178 supratranscrito fala em litígio coletivo pela posse de
terra rural ou urbana.

Alternativa E: Se o Ministério Público não apresentar o parecer, o juiz deve dar


andamento ao processo.

Art. 180, parág. 1:  Findo o prazo para manifestação do Ministério


Público sem o oferecimento de parecer, o juiz requisitará os autos e dará
andamento ao processo.

40 – QUESTÃO:

De acordo com o CPC/2015:

a) Quando a matéria controvertida for unicamente de direito e no juízo já houver sido


proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos, poderá ser dispensada
a citação e proferida sentença, reproduzindo-se o teor da anteriormente prolatada.
b) A cumulação alternativa de pedidos conta com expressa previsão legal.
c) O Defensor Público, o advogado dativo e o Membro do Ministério Público estão dispensados
da regra do ônus da impugnação específica.
d) A reconvenção deve ser apresentada em peça diferente da contestação.
e) É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos, desde
que entre eles haja conexão.

RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS.

Alternativa A: Esta alternativa trata sobre a improcedência liminar do pedido.


Entretanto, a alternativa reproduz o teor do ART. 285-A DO ACPC, que não foi reproduzido no
CPC/15. Em substituição, tem-se o art. 332:

79
Art. 332.   Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz,
independentemente da citação do réu, julgará liminarmente
improcedente o pedido que contrariar:
I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior
Tribunal de Justiça;
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior
Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas
repetitivas ou de assunção de competência;
IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.

Alternativa B: A cumulação de pedidos pode ser:

a) Própria: os pedidos são feitos para que ambos sejam acolhidos. É regido pela
partícula “e”. Divide-se em: cumulação própria simples (o acolhimento de um pedido não
depende do acolhimento do outro) e sucessivo (um dos pedidos só pode ser acolhido se o outro
tiver sido acolhido – ex.: investigação de paternidade e alimentos).

b) Imprópria: os pedidos são cumulados, mas só um pode ser acolhido. É regida pela
partícula “ou”. Divide-se em cumulação imprópria subsidiária/eventual (eu formulo um pedido
prioritário, e o segundo pedido é formulado apenas para a hipótese de o primeiro não ser
acolhido) e alternativa (eu formulo vários pedidos para que apenas um seja acolhido, sem que
haja hierarquia entre eles).

CUIDADO PARA NÃO CONFUNDIR CUMULAÇÃO SUCESSIVA COM SUBSIDIÁRIA.

A cumulação alternativa não tinha previsão expressa. Mas, agora ela está presente no
Art. 326, parág único do CPC:

Art. 326.  É lícito formular mais de um pedido em ordem subsidiária, a


fim de que o juiz conheça do posterior, quando não acolher o anterior.
Parágrafo único.  É lícito formular mais de um pedido, alternativamente,
para que o juiz acolha um deles.

Alternativa C: No CPC/73, o membro do Ministério Público estava realmente


dispensado do ônus da impugnação específica. Com o NCPC, não mais. Apenas o Defensor
Público, o advogado dativo e o curador especial. Veja:

Art. 341, Parágrafo único.  O ônus da impugnação especificada dos fatos


não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador
especial.

80
Alternativa D: Esta foi uma das mudanças do NCPC. Antigamente, a reconvenção
tinha que ser proposta em uma peça em separado. Agora, ela deve ser proposta na contestação.
Vale ressaltar que, apesar dessa mudança, a natureza da reconvenção continua a mesma. Ou
seja: ela continua sendo uma nova demanda no mesmo processo.

Art. 343 do CPC:   Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção


para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com
o fundamento da defesa.

Alternativa E: Esta alternativa está incorreta, pois em desconformidade com o art.


327 do CPC:

Art. 327.  É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo


réu, de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão.

41 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) O CPC/2015 passou a prevê expressamente a validade da prova emprestada.


b) A produção antecipada de provas é cabível em caso de interrogatório da parte, inquirição
de testemunhas e prova pericial.
c) O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos
autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que
lhe formaram o convencimento.
d) A convenção feita pelas partes acerca da distribuição do ônus da prova de maneira diversa
deve ser feita antes do início do processo.
e) A confissão será divisível e revogável.

RESPOSTA: ALTERNATIVA A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Esta é a alternativa correta, pois o Art. 372 do CPC admite a prova
emprestada.

Alternativa B: A alternativa reproduz o teor do dispositivo constante no CPC/73.


Agora, com o NCPC, a produção antecipada de provas (que está disciplinada nos arts. 381
e seguintes do CPC) consiste em uma ação autônoma, para qualquer meio de prova, e sem
necessidade de urgência.

Alternativa C: O NCPC tirou a palavra livremente. Veja a sutil diferença no art. 371 do

81
CPC:

Art. 371.  O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente


do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da
formação de seu convencimento.

Alternativa D: O NCPC autoriza a modificação do ônus da prova, que pode ser feita
pelo juiz ou pelas próprias partes. De acordo com o art. 373, parág. 4 do CPC, esta convenção das
partes acerca da distribuição do ônus da prova pode ser feita até mesmo durante o processo.

Art. 373 § 4o A convenção de que trata o § 3o pode ser celebrada antes


ou durante o processo.

Alternativa E: Na verdade, a alternativa traz o teor do disposto no art. 200 do CPP. De


fato, no processo penal, a confissão é retratável. Entretanto, no Processo Civil, ela é irrevogável.
Veja:

Art. 393.  A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu


de erro de fato ou de coação.

42 – QUESTÃO:

De acordo com o cpc/2015, é correto afirmar que:

a) As partes podem convencionar a suspensão do processo pelo prazo de 1 ano.


b) Suspende-se o processo pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada
responsável pelo processo constituir a única patrona da causa.
c) Observar-se-á o procedimento sumário nas causas cujo valor não exceda a 60 vezes o
valor do salário mínimo.
d) O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos ou que apresenta
defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o
autor, no prazo de 10 (dez) dias, a emende ou a complete.
e) Os pedidos serão interpretados restritivamente.

RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com o art. 313, parág. 4 do CPC, as partes podem convencionar
a suspensão do processo pelo prazo de 6 meses.

Alternativa B: Esta alternativa está correta, nos termos do Art. 313, IX do CPC. Inclusive,

82
este inciso já foi acrescentado ao CPC/15 em 2016.

Alternativa C: Com o NCPC, não existe mais o procedimento sumário.

Alternativa D: Cuidado para não confundir. No acpc, o prazo para emenda da petição
era de 10 dias; agora, é de 15 dias (como a MAIORIA dos prazos do NCPC).

Art. 321 do NCPC: O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche
os requisitos ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de
dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de
15 (quinze) dias, a emende ou a complete.

Alternativa E: Essa era a redação do art. 293 do CPC/73. Agora, o art. 322, parág. 2 do
CPC aponta para uma interpretação completa, sistemática, e não restritiva.

§ 2o A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e


observará o princípio da boa-fé.

43 – QUESTÃO:

De acordo com o cpc/2015, é correto afirmar que:

a) O recurso adesivo será admissível na apelação, nos embargos infringentes, no recurso


especial e no recurso extraordinário.
b) Os embargos de declaração não se sujeitam ao preparo.
c) Nos Juizados Especiais, a interposição dos embargos de declaração suspendem o prazo
para a interposição dos demais recursos.
d) O ordenamento jurídico brasileiro não admite o pré-questionamento ficto.
e) Não serão admitidos novos embargos de declaração se o anterior houver sido considerado
protelatório.

RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Esse era o dispositivo do ACPC; com o NCPC, nos termos do art. 997,
parág. 2, o recurso adesivo será admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso
especial. Até porque o NCPC não prevê mais os embargos infringentes.

Alternativa B: Esta é a alternativa correta, nos termos do art. 1024 do CPC.

Alternativa C: Antigamente, você tinha que memorizar que a interposição dos

83
embargos de declaração interrompia o prazo para a interposição dos demais recursos no CPC;
mas nos juizados havia suspensão do prazo. Agora, o NCPC facilitou sua vida: Com o NCPC,
a interposição dos embargos de declaração INTERROMPEM o prazo para a interposição dos
demais recursos, inclusive nos Juizados Especiais.

Alternativa D: Um dos requisitos para o RE e RESP é o pré-questionamento: ou seja:


a exigência de que a tese jurídica defendida no recurso tenha sido referida na decisão recorrida.
Caso haja omissão do órgão jurisdicional na apreciação de determinada questão já suscitada, a
parte pode propor embargos de declaração. E, neste caso, a simples interposição dos embargos
de declaração já seria o bastante para haver o pré-questionamento (pré-questionamento ficto),
pouco importando se suprida ou não a omissão. Antigamente, havia uma certa discussão acerca
da possibilidade ou não do pré-questionamento ficto. Isso porque o STF admitia, e o STJ não
(este Tribunal, inclusive, tinha súmula inadmitindo o pré-questionamento ficto – súmula 211 do
STJ). Com o NCPC, esta controvérsia acabou.

Art. 1.025.   Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o


embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que
os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o
tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou
obscuridade.

Alternativa E: De acordo com o art. 1026, parág. 4, são necessários dois embargos de
declaração anteriores protelatórios para que os novos não sejam admitidos.

§ 4o Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois)


anteriores houverem sido considerados protelatórios.

44 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) O CPC/2015 não admite a execução provisória de título executivo extrajudicial.


b) A liquidação da sentença pode se dá por mero cálculo aritmético, por arbitramento ou por
artigos.
c) O executado poderá se opor à execução por meio de embargos, desde que esteja garantida
por penhora, depósito ou caução.
d) Os embargos serão oferecidos no prazo de 5 (cinco) dias.
e) O prazo de 15 dias para cumprimento voluntário da obrigação é contado do trânsito em
julgado da sentença.

RESPOSTA: ALTERNATIVA A.

84
COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O art. 587 do CPC/73 permitia que uma execução de título executivo
extrajudicial pudesse se dar por meio de execução provisória. O CPC/2015 não admite a execução
provisória de título executivo extrajudicial.

Alternativa B: O ACPC disciplinava a liquidação dessa forma. O ncpc, no art. 509,


preceitua que a liquidação dar-se-á por arbitramento ou pelo procedimento comum.

Alternativa C: Em se tratando de cumprimento de sentença, o executado pode se


insurgir por meio da IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. Já em se tratando de
execução, o executado apresentará EMBARGOS Á EXECUÇÃO. No CPC 73, era necessário garantir
o juízo para a impugnação ao cumprimento de sentença, mas não para os embargos. O CPC/15
manteve a desnecessidade de penhora, depósito ou caução para oposição de embargos á
execução, e inclusive a estendeu também para a impugnação ao cumprimento de sentença.
Portanto, agora, seja para os embargos, seja para a impugnação, não há necessidade de penhora,
depósito ou caução. Poder marcar a alternativa que diga isto sem medo.

Art. 914 do CPC: O executado, independentemente de penhora depósito


ou caução, poderá se opor à execução por meio de embargos.

Alternativa D: O prazo para oferecimento dos embargos é de 15 dias.

Art. 915 do CPC: Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze)


dias.

Alternativa E: O CPC/15 pôs fiz a uma antiga controvérsia acerca do início do prazo
para cumprimento voluntário da obrigação, deixando claro que o devedor deve ser intimado
para o pagamento voluntário, e só a partir daí é que se conta o prazo de 15 dias para que ele
efetue o pagamento.

Art. 523.   No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada


em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela incontroversa,
o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a requerimento do
exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo
de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver.
§ 1o Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito
será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de
advogado de dez por cento.

85
45 – QUESTÃO:

São títulos executivos extrajudiciais, exceto:

a) o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública,


pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador
credenciado por tribunal.
b) o contrato de seguro de vida em caso de morte.
c) a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque
d) o crédito do serventuário da justiça, de perito, de intérprete, ou de tradutor, quando as
custas, emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial.
e) o crédito decorrente de foro e laudêmio.

RESPOSTA: ALTERNATIVA D.

COMENTÁROS:

Art. 784.  São títulos executivos extrajudiciais:


I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o
cheque;
II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo
devedor;
III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas)
testemunhas;
IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público,
pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos
transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal;
V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito
real de garantia e aquele garantido por caução;
VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte;
VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio;
VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel
de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas
de condomínio;
IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos
inscritos na forma da lei;
X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de
condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas
em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas;
XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a
valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela

86
praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei;
XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei
atribuir força executiva.

Alternativa A: É título executivo extrajudicial.

Alternativa B: É título executivo extrajudicial. E, cuidado com este título, pois ele só é
considerado título executivo extrajudicial se for contrato de seguro de vida em caso de morte.

Alternativa C: É título executivo extrajudicial.

Alternativa D: No CPC/73, este era um título executivo extrajudicial. E, inclusive, fazia


com que muitos candidatos errassem questões sobre ele, em razão de decorrer de decisão
judicial, nos levava a crer que se tratava de título judicial. Agora, de fato, ele é um título executivo
judicial, previsto no art. 515, V do CPC.

Alternativa E: É título executivo extrajudicial.

46 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) As provas orais serão produzidas em audiência, ouvindo-se, preferencialmente, primeiro


o autor e depois o réu, e depois os peritos e os assistentes técnicos.
b) O juiz poderá dispensar a produção das provas requeridas pela parte cujo advogado
ou defensor público não tenha comparecido à audiência, aplicando-se a mesma regra ao
Ministério Público.
c) Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, o debate oral poderá
ser substituído por razões finais escritas, que serão apresentadas pelo autor e pelo réu, bem
como pelo Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, em prazo designado pelo
juiz.
d) A audiência não pode ser adiada por convenção das partes.
e) O autor pode, até o saneamento do processo, alterar o pedido e a causa de pedir,
independentemente do pedido do réu.

RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A alternativa está incorreta, em razão da ordem de oitiva em audiência.


Veja:

87
Art. 361 do CPC.   As provas orais serão produzidas em audiência,
ouvindo-se nesta ordem, preferencialmente: I - o perito e os assistentes
técnicos, que responderão aos quesitos de esclarecimentos requeridos
no prazo e na forma do art. 477, caso não respondidos anteriormente
por escrito; II - o autor e, em seguida, o réu, que prestarão depoimentos
pessoais; III - as testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu, que serão
inquiridas.

Alternativa B: Esta é a alternativa correta, pois reproduz o teor do art. 362, PARAG. 2
do CPC.

Alternativa C: Se fosse de acordo com o acpc, esta alternativa estava correta, pois, de
fato, o juiz designava o prazo para essas razões finais escritas. Agora, o código já traz o prazo,
qual seja: 15 dias.

ART 364, PARAG 2: Quando a causa apresentar questões complexas


de fato ou de direito, o debate oral poderá ser substituído por razões
finais escritas, que serão apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como
pelo Ministério Público, se for o caso de sua intervenção, em prazos
sucessivos de 15 (quinze) dias, assegurada vista dos autos.

Alternativa D: De acordo com o art. Art. 362 do CPC, a audiência poderá sim ser
adiada por convenção das partes.

Alternativa E: Não confunda o disposto no art. 329 do CPC:  

O AUTOR PODERÁ: I - ATÉ A CITAÇÃO, aditar ou alterar o pedido ou a


causa de pedir, INDEPENDENTEMENTE DE CONSENTIMENTO DO RÉU; II
- ATÉ O SANEAMENTO DO PROCESSO, aditar ou alterar o pedido e a
causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório
mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15
(quinze) dias, FACULTADO o requerimento de prova suplementar. 

47 – QUESTÃO:

Ainda de acordo com o CPC, assinale a alternativa correta:

a) Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às partes


plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às especificidades
da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e deveres processuais,
desde que antes do início do processo.
b) O juiz controlará a validade das cláusulas do negócio jurídico processual, recusando-lhes

88
aplicação em casos de nulidade ou anulabilidade.
c) Não se admite a cláusula geral de negociação processual em contrato de adesão.
d) De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário para a prática dos atos
processuais. Este calendário vincula as partes e o juiz.
e) O terceiro que demonstrar interesse jurídico pode requerer ao juiz certidão do dispositivo
da sentença, salvo nos casos de inventário e de partilha resultantes de divórcio ou separação.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS.

Alternativa A: O art. 190 do CPC consagra uma importante novidade: a negociação


processual.

Com o NCPC, ao lado da ideia de gerenciamento processual pelo juiz, aparece para
as partes uma modalidade de flexibilização do procedimento, permitindo às mesmas promover
uma negociação processual em conformidade com as disposições previstas nos arts. 190 e 191.

Esse fenômeno de contratualização das relações sociais, com efeito no campo


processual, é algo bastante recente, pois a visão predominante é de que a intervenção estatal
é mais eficiente no dimensionamento dos litígios, e, mesmo quando se fala de flexibilização
procedimental, esta ordinariamente é pensada sob a ótica solitária do magistrado.

Vale ressaltar que os acordos processuais possuem limites, devendo respeito às


garantias fundamentais do processo.

Essa cláusula de negociação se apresenta, de um lado, como um relevante


componente de discussão do papel das partes, e de outro, do gerenciamento processual no
regime do CPC/2015. O acordo processual não visa solucionar o conflito, mas regulamentar, nos
moldes desejados pelas partes, o próprio método de solução, isto é, o exercício da jurisdição.

A possibilidade de negócios processuais viabiliza o estabelecimento de uma cláusula


de acordo de procedimento por meio da qual as partes, conjuntamente com o magistrado,
poderiam estabelecer, entre outras opções, um calendário para a prática e acontecimento dos
atos processuais com abertura para uma cláusula de consensualidade no âmbito do Direito
Público.

É possível falar em quatro modelos de flexibilização no cenário processual mundial:

a) flexibilização por procedimento livre, no qual a lei confere ampla liberdade para
o estabelecimento da forma pelos sujeitos do processo, tendo como exemplos os juizados
especiais cíveis, pautados pelos princípios da simplicidade e da informalidade;

89
b) flexibilização por procedimento opcional, no qual a lei disponibiliza ao juiz mais de
uma espécie de rito para que ele indique aquele que mais bem se coaduna com o caso concreto;

c) flexibilização por procedimento em calendário, no qual o juiz, após consultar as


partes, define um calendário para a prática de atos processuais, de acordo com as necessidades
do caso, como acontece nos direitos inglês e francês;

d) flexibilização por procedimento legal adaptável, presente quando a lei estipula


o rito a ser seguido, mas permite algumas modificações no curso do processo, pelo juiz ou
pelas partes, como se entende atualmente o ordenamento brasileiro.

No CPC/73 já era possível identificar espaço para ajuste ao procedimento, como a


cláusula de eleição de foro e a suspensão do procedimento por acordo das partes. Entretanto, o
NCPC oferece uma perspectiva mais ambiciosa: a possibilidade de as partes e juiz, em clima de
cooperação, ajustar acordo de natureza exclusivamente processual a respeito da condução do
processo e do momento da prática de determinados atos processuais.

Originariamente, havia uma resistência à possibilidade de firmar negócios jurídicos


processuais, pois o pensamento dominante era no sentido de que as normas que estruturam o
Direito Processual, como espécie do gênero Direito Público, seriam normas de “ordem pública”
e, como tal, estariam presas ao princípio da legalidade. A objeção feita contra o uso e emprego
da “contratualidade” do procedimento se dá por parte daqueles que entendem que há uma
inconstitucionalidade nessa medida, por suposta ofensa ao devido processo legal e segurança
(previsibilidade) jurídica. Esse argumento se apoia na noção rígida de que apenas um sistema
de regras hermeticamente estabelecido poderia promover para os litigantes a expectativa de
segurança/previsibilidade acerca da condução do processo pelo magistrado.

Entretanto, tal leitura ignora a autonomia privada das partes. Ademais, a possibilidade
de flexibilização do procedimento é condizente com o próprio princípio democrático, uma vez
que somente consensualmente as partes podem estabelecer tais mudanças ou escolhas, o que
acabaria por reforçar o papel mais ativo destas no procedimento, bem como sinalizar para uma
necessidade de reinterpretar o conceito de contraditório. Insta salientar, ainda, que os aspectos
da segurança e previsibilidade são fortalecidos quando as partes ativamente se pautam nos
devidos ajustes que elas convencionaram. A atividade jurisdicional fica mais segura quando
as partes e o juiz têm um calendário de suas atividades. Desta forma, são constitucionais as
situações negociais do procedimento, desde que não haja explicitamente uma proibição legal.

A proposta brasileira de um acordo de procedimento, a partir da cláusula de


negociação processual do art. 190, se estabelece exatamente como contraposição a uma
corrente que defende que caberia ao magistrado exclusivamente a gestão do procedimento
(em que o juiz assume o papel de gerente do processo para organizar e conduzir a marcha
processual, mediante sua adaptação à complexidade da causa).

90
Referida cláusula geral sobre negociação processual permitiria definir situações e atos
processuais mediante a autonomia privada das partes, respeitados os limites do formalismo
democrático, requisitos legais e permitindo-se ao juiz o controle de validade das convenções,
recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato
de adesão ou em que alguma parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade.

Permitir a realização dos negócios jurídicos processuais faz com que se assegure,
para cada causa, o trâmite processual adequado, possibilitando que cada caso receba uma
estrutura processual adaptada (pois as partes adequarão o procedimento à realidade da lide),
escapando de um modelo geral e padronizado. Além disso, significam o gerenciamento judicial,
com aceleração processual e redução de custos.

É importante salientar que os negócios jurídicos processuais devem respeitar o


formalismo democrático (considerando o âmbito de proteção dos direitos fundamentais
correlatos) e os limites legais (art. 190, parág. Único do CPC). Além disso, como todo negócio
jurídico, deve-se atentar para os três planos do mundo jurídico, conforme a clássica proposta de
Pontes de Miranda: plano da existência, validade e eficácia (agente capaz; objeto lícito, forma
prescrita ou não defesa em lei, etc).

Especificamente no plano da eficácia, é importante fazer uma indagação: os negócios


jurídicos processuais estariam sujeitos a condições ou termos como se dá com os negócios de
ordem privada?

Alguns doutrinadores, como Barbosa Moreira, entendiam pela impossibilidade


de subordinar o procedimento a um estado de pendência ou mesmo a um acontecimento
futuro, pois tal situação atentaria contra a exigência da certeza e da segurança jurídica no
desenvolvimento do procedimento. Carnelutti, por sua vez, realizava uma distinção entre
condição legal e condição voluntária, e, a partir dessa premissa, acabava por aceitar tal
possibilidade às condições legais. Nesse sentido, destaca-se o Enunciado 260 do Fórum
Permanente de Processualistas Civis:

(arts. 190 e 200) A homologação, pelo juiz, da convenção processual,


quando prevista em lei, corresponde a uma condição de eficácia do
negócio.

Outros, por sua vez, entendiam que caberia aplicabilidade também para as condições
voluntárias, citando a suspensão do processo pela vontade das partes como um exemplo de
negócio processual sujeito à termo.

O CPC/15 viabiliza negócios jurídicos tópicos: calendarização (art. 191), os acordos


de saneamente (art. 357, parág. 2 e 3), a redução consensual dos prazos (art. 222, parág. 1), a
escolha convencional do perito (art. 471) e uma cláusula geral de negociação processual (art.

91
190).

Com arrimo na cláusula geral brasileira, é possível delinear hipóteses de intervenção


atípica de terceiro. Se, por exemplo, o terceiro preenche os requisitos para a intervenção típica,
deverá, nessa qualidade, ser admitido no processo. Caso, todavia, não haja a presença dos
requisitos, o terceiro poderá ser admitido como interveniente, se as partes assim concordarem,
a fim de ampliar o debate e a cooperação judicial, concretizando a ideia de participação
democrática no processo civil. Seria possível, portanto, duas modalidades de intervenção de
terceiro negociada: a negociação de intervenções atípicas e a negociação de regras previstas
para a intervenção típica. É possível admitir uma intervenção atípica, como a de um terceiro
que não tenha interesse jurídico para assistir uma das partes. Mas, também é possível negociar
regras de uma intervenção típica (como por exemplo: na assistência, seria possível negociar
a manifestação do assistente sobre atos pretéritos à sua intervenção, bem como ampliar ou
restringir ainda mais os poderes do assistente simples).

O art. 190 do CDC prevê a possibilidade de um acordo de procedimento, que se


refere apenas á escolha conjunta de quais atos serão praticados, não necessariamente com a
previsão de datas. Já o art. 191 trata do acordo de calendarização, ou seja, do estabelecimento
de uma agenda. Esse calendário é fixado em cada processo de acordo com as peculiaridades
de cada causa, levando-se em conta a natureza da lide, a urgência na solução da controvérsia,
etc. Nesse caso, para o adequado funcionamento, é imprescindível que magistrado chegue ao
acordo com as partes acerca das datas dos atos processuais, montando-se, por exemplo, um
calendário do processo, que deverá ser rigorosamente obedecido, salvo por razões de grave
justificativa. O juiz precisa fazer a análise da viabilidade da própria calendarização, eis que
o efeito da calendarização poderia gerar uma dificuldade da rotina administrativa do órgão
jurisdicional. Nesse caso, é importante o court management (gerenciamento do processo: ou
seja, a aplicação, no Poder Judiciário, de conhecimentos e técnicas de gestão – definição de
prioridades, racionalização do uso dos recursos humanos e econômicos disponíveis, etc). Caso
viável, a principal vantagem é permitir às partes uma previsão da duração do procedimento.

O próprio dispositivo legal permite que seja feita antes ou durante o processo.

Art. 190.   Versando o processo sobre direitos que admitam


autocomposição, é lícito às partes plenamente capazes estipular
mudanças no procedimento para ajustá-lo às especificidades da causa
e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e deveres
processuais, antes ou durante o processo.

Alternativa B: O CPC fala apenas em nulidade, e não nulidade e anulabilidade.

Art. 190, Parágrafo único.  De ofício ou a requerimento, o juiz controlará

92
a validade das convenções previstas neste artigo, recusando-lhes
aplicação somente nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em
contrato de adesão ou em que alguma parte se encontre em manifesta
situação de vulnerabilidade.

Alternativa C: O parág. Único do art. 190 supra transcrito não obsta a que a cláusula
de negociação processual esteja em um contrato de adesão, desde que ela não tenha sido
inserida de maneira abusiva.

Alternativa D: Esta é a alternativa correta, nos termos do art. 191 do CPC:

Art. 191.  De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário
para a prática dos atos processuais, quando for o caso.
§ 1o O calendário vincula as partes e o juiz, e os prazos nele previstos
somente serão modificados em casos excepcionais, devidamente
justificados.

Alternativa E: De acordo com o art. 189, parág. 2:

§ 2o  O terceiro que demonstrar interesse jurídico pode requerer ao


juiz certidão do dispositivo da sentença, bem como de inventário e de
partilha resultantes de divórcio ou separação.

93
DIREITO ELEITORAL
PROF. TALLITA SAMPAIO

48 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta acerca das disposições penais do Código Eleitoral:

a) Verificada a infração penal, o Ministério Público oferecerá a denúncia dentro do prazo de


10 dias.
b) Sempre que este Código não indicar o grau mínimo, entende-se que será ele de quinze
dias para a pena de detenção e de um mês para a de reclusão.
c) Quando a lei determina a agravação ou atenuação da pena sem mencionar o “quantum”,
deve o juiz fixá-lo entre um quinto e um terço, guardados os limites da pena cominada ao
crime.
d) O código eleitoral prevê como crime a conduta de o Ministério Público não apresentar, no
prazo legal, denúncia ou deixar de promover a execução de sentença condenatória.
e) A pena de multa consiste no pagamento ao Tesouro Nacional, de uma soma de dinheiro,
que é fixada em dias-multa. Seu montante é, no mínimo, 1 (um) dia-multa e, no máximo, 300
(trezentos) dias-multa.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Passamos um bom tempo para decorar que o prazo para oferecimento
da denúncia é de 5 dias, em se tratando de réu preso; e 15 dias, em se tratando de réu solto.
E aí, quando nos deparamos com uma questão como essa, somos levados a assinar a letra A
como a incorreta. Entretanto, ela está correta: o prazo para oferecimento da denúncia eleitoral
é diferente: é sim de 10 dias!

Art. 357. Verificada a infração penal, o Ministério Público oferecerá a


denúncia dentro do prazo de 10 (dez) dias.

Alternativa B: Esta alternativa está incorreta. Veja:

Art. 284. Sempre que este Código não indicar o grau mínimo, entende-
se que será ele de quinze dias para a pena de detenção e de um ano
para a de reclusão.

Alternativa C: Alternativa correta.

94
Art. 285. Quando a lei determina a agravação ou atenuação da pena
sem mencionar o “quantum”, deve o juiz fixá-lo entre um quinto e um
terço, guardados os limites da pena cominada ao crime.

Alternativa D: Alternativa correta.

Art. 342. Não apresentar o órgão do Ministério Público, no prazo legal,


denúncia ou deixar de promover a execução de sentença condenatória:
Pena - detenção até dois meses ou pagamento de 60 a 90 dias-multa.

Alternativa E: Alternativa correta.

Art. 286. A pena de multa consiste no pagamento ao Tesouro Nacional,


de uma soma de dinheiro, que é fixada em dias-multa. Seu montante é,
no mínimo, 1 (um) dia-multa e, no máximo, 300 (trezentos) dias-multa.

Esta disposição também difere do que consta no CP: lá, é de no mínimo 10, e no
máximo 360 dias-multa.

49 – QUESTÃO:

Sobre a representação proporcional, assinale a alternativa correta:

a) Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo


de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração.
b) Determina-se para cada Partido ou coligação o quociente partidário, dividindo-se pelo
quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de
legendas, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior.
c) Estarão eleitos, entre os candidatos registrados por um partido ou coligação que tenham
obtido votos em número igual ou superior a 10% (dez por cento) do quociente eleitoral,
tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que
cada um tenha recebido.  
d) Estarão eleitos tantos candidatos registrados por um Partido ou coligação quantos o
respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha
recebido.
e) O preenchimento dos lugares com que cada partido ou coligação for contemplado far-
se-á segundo a idade de cada um.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

95
Alternativa A: Essa alternativa está incorreta, pois em se tratando de quociente
eleitoral, a fração só será desprezada se for igual ou inferior a meio.

Art. 106. Determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número


de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada
circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio,
equivalente a um, se superior.

Alternativa B: Diferentemente do quociente eleitoral, no quociente partidário a


fração será sempre desprezada (não importando se é inferior ou igual a meio).

Art. 107 - Determina-se para cada Partido ou coligação o quociente


partidário, dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos
válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legendas,
desprezada a fração.         

Alternativa C: Esta é a alternativa correta, nos termos do art. 108 do Código Eleitoral.

Alternativa D: Essa era a redação antiga do art. 108 do Código eleitoral.

Alternativa E: O preenchimento dos lugares será feito segundo a ordem de votação


recebida por seus candidatos, e não segundo a idade de cada um.

Art. 109, § 1o  O preenchimento dos lugares com que cada partido
ou coligação for contemplado far-se-á segundo a ordem de votação
recebida por seus candidatos.  

50 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta acerca dos partidos políticos:

a) Só é admitido o registro do estatuto de partido político que tenha caráter nacional,


considerando-se como tal aquele que comprove, no período de dois anos, o apoiamento de
eleitores não filiados a partido político, correspondente a, pelo menos, 0,5% (cinco décimos
por cento) dos votos dados na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, não
computados os votos em branco e os nulos, distribuídos por um terço, ou mais, dos Estados,
com um mínimo de 0,1% (um décimo por cento) do eleitorado que haja votado em cada um
deles.
b) O partido político adquire personalidade jurídica após registrar seu estatuto no TSE.
c) Considera-se justa causa para a desfiliação partidária mudança de partido efetuada
durante o período de sessenta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para
concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.

96
d) Somente será admitida a fusão ou incorporação de partidos políticos que hajam obtido o
registro definitivo do Tribunal Superior Eleitoral há, pelo menos, 1 (um) ano.
e) Do total do Fundo Partidário, 10% serão destacados para entrega, em partes iguais, a
todos os partidos que atendam aos requisitos constitucionais de acesso aos recursos do
Fundo Partidário.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa correta, vez que reproduz o teor do Art. 7, parág. 1 da Lei
9096. Esse dispositivo foi alvo de alteração legislativa em 2015, oportunidade em que incluíram a
necessidade de o partido político comprovar os requisitos para que seja considerado de caráter
nacional no período de dois anos. Atente, especialmente, para este detalhe, pois é o que será
cobrado na sua prova objetiva.

Alternativa B: O partido político, para que possa registrar seu estatuto no TSE, já tem
que ter adquirido a personalidade jurídica. Por esta razão, a alternativa está incorreta:

O partido político, após adquirir personalidade jurídica na forma da lei


civil, registra seu estatuto no Tribunal Superior Eleitoral – art. 7, caput
da Lei 9096.

Alternativa C: O art. 22-A da Lei 9096 também foi incluído com a Lei 13.165/2015,
e portanto será alvo de questionamento nas provas. Referido artigo traz as hipóteses de justa
causa para desfiliação partidária, e dentre elas, elenca a mudança de partido efetuada durante
o período de trinta dias (e não sessenta dias, como disse a alternativa) que antecede o prazo
de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do
mandato vigente. Essa hipótese é chamada de “janela” para troca de partido. Vale lembrar que
a EC 91/2016 criou mais uma hipótese de “janela” para que os políticos pudessem trocar de
partido sem perder o cargo que ocupavam:

Art. 1º É facultado ao detentor de mandato eletivo desligar-se do


partido pelo qual foi eleito nos trinta dias seguintes à promulgação
desta Emenda Constitucional, sem prejuízo do mandato, não sendo
essa desfiliação considerada para fins de distribuição dos recursos do
Fundo Partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e televisão.

Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua


publicação.

A “janela” prevista na EC não se confunde com a “janela” prevista na Lei 9096, pois

97
aquela possui natureza jurídica de autorização constitucional e temporária para a desfiliação do
partido pelo qual o político foi eleito, enquanto a regra prevista na Lei 9096 é permanente e vale
para todas as eleições que vierem no futuro. Ademais, vale transcrever uma curiosidade sobre
esta EC escrita pelo Prof. Márcio, do Dizer o Direito:

Curiosidade
Como bem observado pelo amigo Nayron Toledo, a EC 91/2016 não
altera nenhum dispositivo da Constituição Federal de 1988. É uma
emenda constitucional avulsa, algo inédito e, permita-me, esdrúxulo.
Talvez, o melhor, tecnicamente, teria sido a inclusão de um artigo no
ADCT da CF/88.
Assim, a EC 91/2016 é uma norma constitucional não prevista no
texto da Constituição Federal de 1988. Integra, contudo, o bloco
de constitucionalidade. De forma bem simplificada, bloco de
constitucionalidade significa que a Constituição pode ser formada não
apenas pelos dispositivos que estão ali expressamente escritos, mas
também por outras normas não presentes no texto, como, por exemplo,
a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
(promulgada pelo Decreto 6.949/2009).

Alternativa D: Esta alternativa também cobra novidades legislativas ocorridas em


2015. De acordo com o art. 29, parág. 9 da Lei 9096:

Somente será admitida a fusão ou incorporação de partidos políticos


que hajam obtido o registro definitivo do Tribunal Superior Eleitoral há,
pelo menos, 5 (cinco) anos.

Alternativa E: Cuidado: o percentual do fundo partidário que será distribuída a


todos os partidos é de 5%. Não confunda com o percentual do tempo de propaganda eleitoral
distribuído para todos os partidos políticos (este, sim, é de 10%, de acordo com o art. 47, parág.
2 da Lei 9.504:

Art. 41 – A da Lei 9096: Do total do Fundo Partidário, 5% serão destacados


para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que atendam aos
requisitos constitucionais de acesso aos recursos do Fundo Partidário.
Art. 47, Lei 9.504: § 2o Os horários reservados à propaganda de cada
eleição, nos termos do § 1o, serão distribuídos entre todos os partidos
e coligações que tenham candidato, observados os seguintes critérios:      
I - 90% (noventa por cento) distribuídos proporcionalmente ao número
de representantes na Câmara dos Deputados, considerados, no caso de
coligação para eleições majoritárias, o resultado da soma do número de
representantes dos seis maiores partidos que a integrem e, nos casos de

98
coligações para eleições proporcionais, o resultado da soma do número
de representantes de todos os partidos que a integrem;
II - 10% (dez por cento) distribuídos igualitariamente

99
DIREITO CONSTITUCIONAL
PROF. MARIANA RUBINI

51 – QUESTÃO:

O Conselho Nacional do Ministério Público foi criado pela Emenda Constitucional n. 45/2004,
tratando-se de um órgão de controle de natureza constitucional. Considere as seguintes
assertivas:

I - O Conselho Nacional do Ministério Público compõe-se de quatorze membros nomeados


pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do
Congresso Nacional, para um mandato de dois anos, vedada recondução.
II - Integram o Conselho Nacional do Ministério Público: Procurador-Geral da República, que
o preside; quatro membros do Ministério Público da União, assegurada a representação de
cada uma de suas carreiras; três membros do Ministério Público dos Estados; dois juízes,
indicados um pelo Supremo Tribunal Federal e outro pelo Superior Tribunal de Justiça;
dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; dois
cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos
Deputados e outro pelo Senado Federal.
III - Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público rever, de ofício ou mediante
provocação, os processos disciplinares de membros do Ministério Público da União ou dos
Estados julgados há menos de dois anos.
IV - O Conselho escolherá, em votação aberta, um Corregedor nacional, dentre qualquer um
de seus membros, vedada a recondução.

a) Apenas o item I está correto.


b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Apenas os itens I e II estão corretos.
e) Nenhum dos itens está correto.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Nos termos do art. 128 da Constituição, o Ministério Público abrange o Ministério


Público da União e os Ministérios Públicos dos Estados - entidades estas que não se confundem
entre si, cada qual possuindo chefias próprias.

Como o dispositivo mencionado cogita de um Ministério Público, desdobrado no


Ministério Público da União e nos Ministérios Públicos dos Estados, é possível cogitar, em alguma

100
medida, de um caráter nacional da Instituição.

Essa índole nacional está realçada pela criação do Conselho Nacional do Ministério
Público, objeto da Emenda Constitucional n. 45/2004. Esse Conselho encontra -se delineado no
art. 130 -A da Lei Maior.

Está incumbido de aferir a atuação administrativa e financeira dos vários ramos do


Ministério Público na Federação e de monitorar o cumprimento dos deveres funcionais dos seus
membros. Cabe -lhe, igualmente, zelar pelo respeito às garantias que cercam a Instituição.

É composto por membros do Ministério Público da União e dos Estados, por membros
do Judiciário, por advogados indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados e por
cidadãos indicados pelas Casas do Legislativo Federal.

Importa notar que não há hierarquia entre Ministério Público da União e Ministério
Público dos Estados. O Procurador -Geral da República, embora presida o Conselho Nacional
do Ministério Público, é o chefe do Ministério Público da União (que engloba o Ministério
Público do Distrito Federal e Territórios), mas não o é de nenhum Ministério Público estadual.
Não obstante, havendo conflito de atribuições entre o Ministério Público Federal e Ministério
Público de Estado, o STF decidiu que cabe ao Procurador-Geral da República dirimi-lo.

Fonte: MENDES, Gilmar Ferreira. BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de direito
constitucional. – 12. ed. rev. e atual. – São Paulo : Saraiva, 2017. – (Série IDP).

O item I está incorreto, pois apesar de o CNMP ser composto por 14 membros
nomeados pelo Presidente da República, a escolha deve ser aprovada pela maioria absoluta do
Senado Federal.

O item I também apresenta outro erro: o membro do CNMP possui um mandato de


dois anos, sendo admitida - e não vedada - uma recondução.

É o que prescreve o art. 130-A da Constituição Federal, in verbis:

Art. 130-A. O Conselho Nacional do Ministério Público compõe-se de


quatorze membros nomeados pelo Presidente da República, depois de
aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, para um
mandato de dois anos, admitida uma recondução, sendo: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

O item II dispõe corretamente sobre os integrantes do CNMP. Perceba que esse


órgão possui uma formação heterogênea, a fim de prestigiar diversos setores da sociedade
(outras carreiras jurídicas, advogados, cidadãos). Isso demonstra o intuito de contribuir para

101
a diminuição de um corporativismo por vezes arraigado nas diversas carreiras. Apesar disso,
observe que mais da metade dos membros do CNMP pertence ao Ministério Público.

É de extrema importância memorizar os membros do CNMP, razão pela qual transcrevo


o dispositivo constitucional para nova leitura. Vejamos:

Art. 130-A. O Conselho Nacional do Ministério Público compõe-se de


quatorze membros nomeados pelo Presidente da República, depois de
aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, para um
mandato de dois anos, admitida uma recondução, sendo: 
I o Procurador-Geral da República, que o preside;
II quatro membros do Ministério Público da União, assegurada a
representação de cada uma de suas carreiras;
III três membros do Ministério Público dos Estados;
IV dois juízes, indicados um pelo Supremo Tribunal Federal e outro pelo
Superior Tribunal de Justiça;
V dois advogados, indicados pelo Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil;
VI dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados
um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal.

O item III está incorreto, pois ao CNMP compete o controle da atuação administrativa
e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros,
cabendo lhe rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de membros
do Ministério Público da União ou dos Estados julgados HÁ MENOS DE UM ANO (e não dois
anos).

Nesse sentido, dispõe o art. 130-A, § 2º, IV, da CF, in verbis:

Art. 130-A (...)


§ 2º Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público o controle
da atuação administrativa e financeira do Ministério Público e do
cumprimento dos deveres funcionais de seus membros, cabendo lhe:
I zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público,
podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência,
ou recomendar providências;
II zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante
provocação, a legalidade dos atos administrativos praticados por
membros ou órgãos do Ministério Público da União e dos Estados,
podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem
as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo
da competência dos Tribunais de Contas;

102
III receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos
do Ministério Público da União ou dos Estados, inclusive contra
seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência disciplinar e
correicional da instituição, podendo avocar processos disciplinares em
curso, determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria com
subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar
outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa;
IV rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares
de membros do Ministério Público da União ou dos Estados julgados há
menos de um ano;
V elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar
necessárias sobre a situação do Ministério Público no País e as atividades
do Conselho, o qual deve integrar a mensagem prevista no art. 84, XI.

Fiz questão de transcrever o artigo de forma integral porque os demais incisos


também são muito relevantes e devem ser lidos com atenção.

O item IV está incorreto. O CNMP escolherá, em votação SECRETA (e não aberta), um


Corregedor nacional. Ademais, essa escolha deve recair sobre um dos membros do Ministério
Público que integre o Conselho. Em outras palavras, não é qualquer membro do CNMP que
pode ser escolhido para ser Corregedor Nacional, mas apenas aquele oriundo do Parquet.

Art. 130-A (...)


§ 3º O Conselho escolherá, em votação secreta, um Corregedor nacional,
dentre os membros do Ministério Público que o integram, vedada
a recondução, competindo-lhe, além das atribuições que lhe forem
conferidas pela lei, as seguintes:
I receber reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas
aos membros do Ministério Público e dos seus serviços auxiliares;
II exercer funções executivas do Conselho, de inspeção e correição geral;
III requisitar e designar membros do Ministério Público, delegando-lhes
atribuições, e requisitar servidores de órgãos do Ministério Público.

52 – QUESTÃO:

Sobre a tutela do meio ambiente no texto constitucional, assinale a alternativa incorreta:

a) Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
b) Para assegurar a efetividade do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
incumbe ao Poder Público definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais

103
e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão
permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade
dos atributos que justifiquem sua proteção.
c) Para assegurar a efetividade do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
incumbe ao Poder Público proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam
os animais a crueldade. 
d) As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da
obrigação de reparar os danos causados.
e) São consideradas cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, ainda que sejam
manifestações culturais, registradas como bem de natureza imaterial integrante do
patrimônio cultural brasileiro, sendo inconstitucional eventual regulamentação por lei
específica que tenha o pretenso objetivo de assegurar o bem-estar dos animais envolvidos.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Correta, porque reproduz o previsto no art. 225, caput, da Constituição


Federal, in verbis:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente


equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.

Alternativa B: Correta, de acordo com o art. 225, §1º, III, da Constituição Federal, in
verbis:

Art. 225
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder
Público:
(...)
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e
seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração
e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer
utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem
sua proteção; 

Chamo a sua atenção para o fato de que os espaços territoriais especialmente


protegidos só podem sofrer alteração e/ou supressão através de lei (princípio da reserva de lei).

104
No entanto, podem ser criados por ato normativo diverso da lei. Essa opção do
constituinte se deu para conferir maior grau de proteção ao meio ambiente, já que somente
mediante lei é possível alterar ou suprimir um espaço territorial especialmente protegido
anteriormente criado.

Sobre esse ponto, pondera o doutrinador Frederico Amado1 que “esta disposição
busca dificultar ao máximo o retrocesso na proteção ambiental no Brasil, sendo consectário do
sistema de freios e contrapesos entre os Poderes da República”.

Alternativa C: Correta, de acordo com o art. 225, §1º, VII, da Constituição Federal, in
verbis:

Art. 225
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder
Público:
(...)
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de
espécies ou submetam os animais a crueldade. 

Alternativa D: Correta, de acordo com o art. 225, §3º, da Constituição Federal, in


verbis:

Art. 225
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados.

Portanto, percebe-se que tem berço constitucional a previsão da reparação civil


dos danos ambentais, pois “as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados”, na forma do artigo 225, § 3º,
da Constituição Federal.

Em outras palavras, significa dizer que inexiste bis in idem na aplicação das sanções
penais e administrativas juntamente com a reparação dos danos, uma vez que a regra é a
independência entre as instâncias, salvo disposição legal em sentido contrário.

Alternativa E: O § 7º do art. 225 da Constituição Federal foi recentemente incluído


1 AMADO, Frederico. Direito Ambiental.Coleção Sinopses para Concursos. 5. ed. rev., ampl. e atual. Salvador: Ed. Jus-
podivm.

105
pela EC 96/2017 e tem provocado diferentes reações na comunidade jurídica. Vejamos o que ele
prescreve, in verbis:

§ 7º Para fins do disposto na parte final do inciso VII do § 1º deste


artigo, NÃO se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem
animais, desde que sejam manifestações culturais, conforme o § 1º do
art. 215 desta Constituição Federal, registradas como bem de natureza
imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser
regulamentadas por lei específica que assegure o bem-estar dos animais
envolvidos.   (Incluído pela Emenda Constitucional nº 96, de 2017)

A Emenda Constitucional n. 96/2017 é uma clara tentativa de superação legislativa


da jurisprudência (reversão jurisprudencial), uma manifestação de ativismo congressual.

Isso porque tem por finalidade superar o entendimento do Supremo Tribunal Federal
que considerou a prática da vaquejada inconstitucional por violar o art. 225, § 1º, VII, da CF/88.

Além disso, a Emenda Constitucional n. 96/2017 é um exemplo do que a doutrina


constitucionalista denomina de “efeito backlash”. Nas didáticas palavras do Prof. Márcio André
Lopes Cavalcante2, “efeito  backlash  consiste em uma reação conservadora de parcela da
sociedade ou das forças políticas (em geral, do parlamento) diante de uma decisão liberal do
Poder Judiciário em um tema polêmico”.

Por ora, especialmente para as provas objetivas, é suficiente guardar o previsto no


dispositivo constitucional supramencionado, que NÃO considera cruéis tais práticas desportivas,
atendidos certos requisitos (como regulamentação por lei específica).

Como se trata de recente alteração na CF, deve-se ficar alerta porque tem grandes
chances de aparecer na prova! Além disso, o disposto nesse § 7º é bastante polêmico e pode
acabar confundindo o candidato mais desatento.

A alternativa E, portanto, está incorreta e deve ser assinalada.

53 – QUESTÃO:

Sobre os direitos fundamentais, assinale a alternativa correta:

a) São direitos sociais previstos expressamente na Constituição Federal, dentre outros, a


alimentação, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade
e à infância, a assistência aos desamparados.

2 <http://www.dizerodireito.com.br/2017/06/breves-comentarios-ec-962017-emenda-da_7.html>.

106
b) Nos termos da Constituição Federal, ninguém será privado de direitos por motivo de
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, ainda que as invoque para eximir-se
de obrigação legal a todos imposta e se recuse a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
c) A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento
do proprietário, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia e a noite, desde que por determinação judicial.
d) Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas
obras, mas esse direito não se transmite aos herdeiros.
e) A Constituição Federal não prevê prisão civil por dívida no Brasil.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Correta, nos termos do art. 6º, caput, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho,


a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na
forma desta Constituição.   (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 90, de 2015)

Muitas vezes o candidato recorda-se dos direitos sociais mais “batidos”, como direito
à educação e saúde, esquecendo-se de outros direitos sociais como o transporte, o lazer,
a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos
desamparados.

Alternativa B: Vejamos o disposto no artigo 5º, VIII, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 5º (...)
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa
ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-
se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação
alternativa, fixada em lei;

A alternativa B está incorreta porque se a pessoa invocar crença religiosa ou convicção


filosófica ou política para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e se recusar a cumprir
prestação alternativa, fixada em lei, poderá sim ser privada de seus direitos.

Verifica-se, assim, que a Carta Magna protege o direito à liberdade religiosa, mas ele
não tem caráter absoluto.

107
Alternativa C: Vejamos o disposto no artigo 5º, XI, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 5º (...)
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar
sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial;  

O primeiro erro encontra-se na afirmativa de quem pode autorizar a entrada na casa:


não é o proprietário, mas o morador. Portanto, em sendo a casa asilo inviolável do indivíduo,
ninguém nela pode penetrar sem o consentimento do MORADOR, excetuadas as hipóteses
expressamente elencadas no texto constitucional.

O segundo equívoco repousa nas exceções da inviolabilidade do domicílio: isso


porque apenas será possível a entrada na casa do indivíduo se houver determinação judicial e
se for durante o dia.

A alternativa C, portanto, está incorreta.

Alternativa D: Incorreta, pois não corresponde ao disposto no artigo 5º, XXVII, da


Constituição Federal, in verbis:

Art. 5º (...)
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação
ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo
que a lei fixar;

Alternativa E: A prisão civil por dívida é excepcional no Brasil, sendo que a Carta
Magna prevê duas hipóteses em que ela pode ser decretada. Vejamos:

Art. 5º (...)
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a
do depositário infiel;

Atualmente não mais se admite a prisão civil do depositário infiel, havendo inclusive
Súmula Vinculante nesse sentido, in verbis:

Súmula Vinculante 25: É ilícita a prisão civil de depositário infiel,


qualquer que seja a modalidade de depósito.

Persiste, contudo, a possibilidade de prisão civil do devedor de alimentos.

108
A alternativa E, portanto, está incorreta.

54 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) São privativas dos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta
Constituição.
b) Os Estados poderão, mediante lei ordinária específica, instituir regiões metropolitanas,
aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios
limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de
interesse comum.
c) Compete aos Municípios criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação
estadual.
d) Compete aos Estados promover, no que couber, adequado ordenamento territorial,
mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.
e) Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas à União e aos
Estados.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Incorreta, pois a competência legislativa dos Estados é residual (ou


reservada). É o que prevê o art. 25, § 1º, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 25. (...)


§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam
vedadas por esta Constituição.

Veja que o artigo supratranscrito utiliza a palavra “reservada” para tratar da


competência legislativa dos Estados. Portanto, está correto dizer que “a competência dos
Estados é reservada”, tendo em vista a redação contida no texto constitucional.

Todavia, o melhor é dizer que a competência dos Estados é residual.

Explico: a expressão “reservada” foi importada dos Estados Unidos. Acontece que
os EUA são fruto de 13 colônias da Inglaterra que ficaram independentes e formaram uma
confederação. Nesse processo, os Estados até então soberanos reservaram para si as principais
competências, deixando outras menos importantes para o ente maior.

O Brasil copiou a redação do §1º do art. 25 da CF da Constituição norteamericana.

109
Ocorre que aqui no Brasil os Estados-membros foram criados pela Constituição Federal. Como
eles ainda não existiam, não tinham qualquer competência para “reservar”.

Sendo assim, percebe-se que a cópia literal da redação foi indevida. O termo
“reservada”, portanto, não é o mais apropriado, sendo preferível dizer que a competência dos
Estados é residual.

Alternativa B: Incorreta, pois faz-se necessário lei complementar (e não lei ordinária
específica) para os Estados instituírem regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e
microrregiões.

É o que prevê o art. 25, § 3º, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 25 (...)
§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões
metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas
por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização,
o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

Alternativa C: Correta, porque reproduz o estabelecido no art. 30, IV, da Constituição


Federal, in verbis:

Art. 30. Compete aos Municípios:


(...)
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;

Alternativa D: Incorreta, porque a competência para promover o adequado


ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da
ocupação do solo urbano é dos Municípios.

Vejamos o disposto no art. 30, VIII, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 30. Compete aos Municípios:


(...)
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial,
mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da
ocupação do solo urbano;

Alternativa E: Incorreta, porque ao Distrito Federal são atribuídas as competências


legislativas reservadas aos Estados e Municípios.

Nesse sentido, o art. 32, § 1º, da Constituição Federal, in verbis:

110
Art. 32 (...)
§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas
reservadas aos Estados e Municípios.

55 – QUESTÃO:

Considerando o entendimento jurisprudencial dos Tribunais Superiores, marque a alternativa


incorreta:

a) É lícita a requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de contas de


titularidade de ente da administração pública, com o fim de proteger o patrimônio público,
não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário.
b) O Ministério Público Estadual não tem legitimidade para atuar diretamente no Superior
Tribunal de Justiça nos processos em que figure como parte, pois se trata de atribuição do
Procurador-Geral da República ou dos Subprocuradores da República.
c) Membros do Ministério Público que ingressaram após a Constituição Federal de 1988 não
podem ocupar cargos públicos fora do âmbito da instituição, salvo uma função de magistério.
d) O postulado do promotor natural, que se revela imanente ao sistema constitucional
brasileiro, repele, a partir da vedação de designações casuísticas efetuadas pela chefia da
instituição, a figura do acusador de exceção.
e) O Ministério Público, embora não detenha personalidade jurídica própria, é órgão
vocacionado à preservação dos valores constitucionais, dotado de autonomia financeira,
administrativa e institucional que lhe conferem a capacidade ativa para a tutela da sociedade
e de seus próprios interesses em juízo.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De fato, é lícita a requisição pelo Ministério Público de informações


bancárias de contas de titularidade de ente da administração pública, com o fim de proteger o
patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário.

É nesse sentido a jurisprudência dos Tribunais Superiores, sendo que colacionamos


abaixo ementa bem didática de precedente do STJ:

HABEAS CORPUS. DENÚNCIA RECEBIDA NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA


DO CEARÁ. CRIMES, EM TESE, PRATICADOS POR AGENTES PÚBLICOS
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO (QUADRILHA, LICITAÇÕES, E DECRETO
LEI N. 201/1967). ALEGAÇÃO DE ILICITUDE DA PROVA. QUEBRA DE
SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. ENTE PÚBLICO.
DESNECESSIDADE. PROTEÇÃO À INTIMIDADE/PRIVACIDADE.

111
INOCORRÊNCIA. PRINCÍPIOS DA PUBLICIDADE E DA MORALIDADE
PÚBLICA. REQUISIÇÃO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO DE MOVIMENTAÇÃO
DA CONTA-CORRENTE DO MUNICÍPIO DE POTENGI/CE. POSSIBILIDADE.
1. Encontra-se pacificada na doutrina pátria e na jurisprudência dos
Tribunais Superiores que o sigilo bancário constitui espécie do direito à
intimidade/privacidade, consagrado no art. 5º, X e XII, da Constituição
Federal. 2. No entanto, as contas públicas, ante os princípios da
publicidade e da moralidade (art. 37 da CF), não possuem, em regra,
proteção do direito à intimidade/privacidade, e, em consequência,
não são protegidas pelo sigilo bancário. Na verdade, a intimidade e
a vida privada de que trata a Lei Maior referem-se à pessoa humana,
aos indivíduos que compõem a sociedade, e às pessoas jurídicas de
Direito privado, inaplicáveis tais conceitos aos entes públicos. 3. Assim,
conta-corrente de titularidade de Prefeitura Municipal não goza de
proteção à intimidade/privacidade, tampouco do sigilo bancário,
garantia constitucional das pessoas naturais e aos entes particulares. 4.
Nessa linha de raciocínio, lícita a requisição pelo Ministério Público de
informações bancárias (emissão de cheques e movimentação financeira)
de titularidade da Prefeitura Municipal de Potengi/CE, com o fim de
proteger o patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal
de sigilo bancário. 5. “Operações financeiras que envolvam recursos
públicos não estão abrangidas pelo sigilo bancário a que alude a Lei
Complementar nº 105/2001, visto que as operações dessa espécie estão
submetidas aos princípios da administração pública insculpidos no art.
37 da Constituição Federal” (MS-33.340/STF, Relator Ministro LUIZ FUX,
1ª Turma, DJe de 3/8/2015). 6. Habeas corpus denegado.
STJ. 5ª Turma. HC 308.493-CE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 20/10/2015 (Info 572).

A alternativa A, portanto, está correta.

Alternativa B: Incorreta, pois o Ministério Público Estadual tem sim legitimidade para
atuar diretamente no STJ nos processos em que figure como parte.

Assim sendo, o Ministério Público Estadual possui legitimidade para atuar diretamente
em recurso por ele interposto e submetido a julgamento perante o STJ.

Argumentos que fundamentam a atuação do MP Estadual no STF e STJ (extraído do


Dizer o Direito3):

3 < http://www.dizerodireito.com.br/2015/04/o-ministerio-publico-estadual-tem.html>.

112
1) Inexistência de hierarquia entre MPU e MPE

A CF/88 organiza o Ministério Público brasileiro em dois segmentos:

I – o Ministério Público da União, que compreende:

a) o Ministério Público Federal;


b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;

II – os Ministérios Públicos dos Estados.

Desse modo, conclui-se que o Ministério Público é dividido em dois ramos distintos
(MPE e MPU), não havendo qualquer relação de hierarquia ou subordinação entre eles.

O chefe do Ministério Público da União é o Procurador-Geral da República (art. 128,


§ 1º da CF/88). Por sua vez, o chefe de cada Ministério Público estadual é o seu respectivo
Procurador-Geral de Justiça (art. 128, § 3º).

Logo, não há qualquer sentido em se permitir que o MPF atue diretamente nas Cortes
Superiores e negar esse poder aos Ministérios Públicos Estaduais.

2) Princípio federativo.

Viola o regime federativo impedir que o Ministério Público Estadual tenha acesso aos
Tribunais Superiores, uma vez que haveria uma diferença de tratamento em relação ao MPF, o
que mitigaria sua autonomia funcional.

3) Autonomia do MPE.

Está também relacionada com o princípio federativo, considerando que não permitir
que o Ministério Público Estadual atue, no STF e STJ, nos processos de seu interesse, significaria
tolher a autonomia e liberdade de atuação do Parquet estadual.

4) MPU e MPE não são unos entre si.

O Ministério Público, de fato, é uno (art. 127, § 1º, CF/88). No entanto, a unidade
institucional é princípio aplicável apenas no âmbito de cada Ministério Público. Não é possível
dizer, por exemplo, que entre o Ministério Público estadual e o Ministério Público federal exista
unidade.

113
Desse modo, quando houver necessidade de atuação do Ministério Público Estadual
nos processos que tramitam no STF e STJ, esta deverá ocorrer por meio do seu Procurador-Geral
de Justiça, não suprindo isso o fato de haver a intervenção do Procurador-Geral da República.

5)  Os interesses defendidos pelo MPE podem, eventualmente, ser conflitantes


com os do MPU.

Poderia acontecer de os Ministérios Públicos Estaduais deduzirem pretensão no STF


e STJ com a qual não concorde, eventualmente, a chefia do Ministério Público da União, o que
obstaria o acesso do Parquet estadual aos Tribunais Superiores (STF Rcl 7358/SP).

6) Paridade de armas.

Fazer com que o Ministério Público estadual ficasse na dependência do que viesse
a entender o Ministério Público Federal seria incompatível, dentre outros princípios, com o da
paridade de armas, considerando que, em eventual conflito entre o MPE e o MPU, o chefe do
MPU (PGR) poderia atuar diretamente no STF, mas não o MPE (STF Rcl 7358/SP).

A alternativa B, portanto, está incorreta e deve ser assinalada.

Alternativa C: Correta, de acordo com o teor do art. 128, §5º, II, «d», da Constituição
Federal, in verbis:

Art. 128 (...)


§ 5º - Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa
é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a
organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público,
observadas, relativamente a seus membros:
(...)
II - as seguintes vedações:
(...)
d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública,
salvo uma de magistério;

Membros do Ministério Público não podem ocupar cargos públicos fora do âmbito
da Instituição, salvo cargo de professor e funções de magistério.

Sendo assim, a Resolução 72/2011 do CNMP, ao permitir que membro do Parquet


exerça cargos fora do Ministério Público, é flagrantemente contrária ao dispositivo constitucional
supratranscrito.

Seguindo essa linha, decidiu o STF na ADPF n. 388 que a nomeação de membro do

114
Ministério Público para o cargo de Ministro da Justiça viola o texto constitucional. (STF. Plenário.
ADPF 388, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 09/03/2016 - Info 817).

Alternativa D: O postulado do promotor natural, que se revela imanente ao sistema


constitucional brasileiro, repele, a partir da vedação de designações casuísticas efetuadas pela
chefia da instituição, a figura do acusador de exceção.

Esse princípio consagra uma garantia de ordem jurídica, destinada tanto a proteger
o membro do Ministério Público, na medida em que lhe assegura o exercício pleno e
independente do seu ofício, quanto a tutelar a própria coletividade, a quem se reconhece o
direito de ver atuando, em quaisquer causas, apenas o promotor cuja intervenção se justifique
a partir de critérios abstratos e predeterminados, estabelecidos em lei.

A matriz constitucional desse princípio assenta-se nas cláusulas da independência


funcional e da inamovibilidade dos membros da instituição.

Fonte: HC 67.759, rel. min. Celso de Mello, j. 6-8-1992, P, DJ de 1º-7-1993.

A alternativa D, portanto, está correta.

Alternativa E: O Ministério Público, embora não detenha personalidade jurídica


própria, é órgão vocacionado à preservação dos valores constitucionais, dotado de autonomia
financeira, administrativa e institucional que lhe conferem a capacidade ativa para a tutela da
sociedade e de seus próprios interesses em juízo.

O constituinte originário reconheceu ao Ministério Público, órgão vocacionado à


preservação dos valores constitucionais, interesse público, ampla legitimidade para a tutela dos
interesses da sociedade e, por consequência, seus próprios interesses, possuindo, em razão de
sua autonomia institucional, legitimidade ativa para pleitear provimento jurisdicional de ato
administrativo que afete seus interesses.

Fonte: ACO 1.936 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 28-4-2015, 1ª T, DJE de 27-5-2015.

56 – QUESTÃO:

Considerando a disciplina constitucional brasileira, assinale a alternativa correta:

a) Os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os
requisitos estabelecidos em lei, mas não aos estrangeiros.
b) A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo indeterminado, desde que para
atender a necessidade temporária de excepcional interesse público.
c) É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver

115
compatibilidade de horários, a de dois cargos técnicos ou científicos.
d) A administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de
competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da
lei.
e) Os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo poderão ser superiores aos pagos pelos
Poderes Executivo e Judiciário.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Incorreta, pois os cargos, empregos e funções públicas, além de serem


acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, também o são aos
estrangeiros, na forma da lei.

É o que dispõe o art. 37, I, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 37 (...)
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros
que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos
estrangeiros, na forma da lei; 

Alternativa B: Incorreta, pois a contratação para atender a necessidade temporária


de excepcional interesse público é por tempo DETERMINADO.

Vejamos o disposto no art. 37, IX, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 37 (...)
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado
para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;

A regra é a admissão de servidor público mediante concurso público, de acordo com


o art. 37, II, da CF/88. As duas exceções à regra são para os cargos em comissão referidos no inciso
II do art. 37, e a contratação de pessoal por tempo determinado para atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público prevista no art. 37, IX, da CF/88.

O conteúdo jurídico do art. 37, IX, da CF pode ser resumido, ratificando-se, dessa
forma, o entendimento da Corte Suprema de que, para que se considere válida a contratação
temporária, é preciso que: a) os casos excepcionais estejam previstos em lei; b) o prazo de
contratação seja predeterminado; c) a necessidade seja temporária; d) o interesse público seja
excepcional; e) a necessidade de contratação seja indispensável, sendo vedada a contratação
para os serviços ordinários permanentes do Estado, e que devam estar sob o espectro das

116
contingências normais da administração.

Alternativa C: Vejamos as hipóteses de acumulação lícita de cargos públicos


elencadas no texto constitucional:

Art. 37 (...)
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto,
quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer
caso o disposto no inciso XI: 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde,
com profissões regulamentadas;

A alternativa C está incorreta porque não é possível cumular dois cargos técnicos ou
científicos, mas apenas um cargo técnico ou científico com um cargo de professor.

Alternativa D: Correta, nos termos do art. 37, XVIII, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 37 (...)
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro
de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais
setores administrativos, na forma da lei;

Alternativa E: Incorreta, pois o art. 37, XII, da Constituição Federal proíbe que os
vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário sejam superiores aos pagos
pelo Poder Executivo. Vejamos:

Art. 37 (...)
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário
não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;

57 – QUESTÃO:

De acordo com o disposto na Constituição Federal sobre os Deputados e Senadores, assinale


a alternativa correta:

a) Os Deputados e Senadores são invioláveis penalmente por quaisquer de suas opiniões,


palavras e votos, subsistindo, contudo, a responsabilidade civil.
b) Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser
presos, salvo em flagrante delito. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de quarenta e
oito horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre

117
a prisão.
c) As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só
podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos
casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis
com a execução da medida.
d) Os Deputados e Senadores serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas
ou prestadas em razão do exercício do mandato.
e) Os Deputados e Senadores não poderão, desde a expedição do diploma, ser titulares de
mais de um cargo ou mandato público eletivo.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Incorreta, pois a inviolabilidade (ou imunidade material) dos


Parlamentares abrange tanto a esfera penal quanto a cível.

Nesse sentido, prevê o art. 53, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente,


por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. 

Alternativa B: Incorreta, porque, desde a expedição do diploma, os membros do


Congresso Nacional não poderão ser presos, ressalvada a hipótese de prisão em flagrante
POR CRIME INAFIANÇÁVEL. Ou seja, não é qualquer flagrante que autoriza o recolhimento do
Parlamentar à prisão, mas apenas quando se tratar de flagrante de crime inafiançável.

O outro erro na assertiva é que, no caso em tela, os autos serão remetidos dentro de
VINTE E QUATRO HORAS à Casa respectiva (e não em 48 horas), para que, pelo voto da maioria
de seus membros, resolva sobre a prisão. 

Nesse sentido, dispõe o art. 53, § 2º, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 53 (...)
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional
não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse
caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa
respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva
sobre a prisão. 

Alternativa C: Correta, pois corresponde ao disposto no § 8º do art. 53 da Constituição


Federal, in verbis:

118
Art. 53 (...)
§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante
o estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois
terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados
fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a
execução da medida.

Alternativa D: Incorreta, porquanto os Deputados e Senadores NÃO serão obrigados


a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato,
nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações.

É o que estabelece o art. 53, § 6º, da Constituição Federal, in verbis:

Art. 53 (...)
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar
sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do
mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam
informações.

Alternativa E: O art. 54 da Constituição Federal traz algumas restrições constitucionais


inerentes ao exercício do mandato parlamentar, sendo o inciso I restringe a partir da expedição
do diploma, enquanto o inciso II restringe desde a posse. Vejamos:

Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:


I - desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público,
autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa
concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a
cláusulas uniformes;
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive
os de que sejam demissíveis “ad nutum”, nas entidades constantes da
alínea anterior;
II - desde a posse: (...)
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa
que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica
de direito público, ou nela exercer função remunerada;
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis “ad nutum”, nas
entidades referidas no inciso I, “a”;
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a
que se refere o inciso I, “a”;
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.

119
A alternativa E está incorreta porque os Deputados e Senadores não poderão ser
titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo DESDE A POSSE (e não desde a
expedição do diploma).

58 – QUESTÃO:

Considere as seguintes assertivas sobre estado de defesa e estado de sítio:

I – O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa


Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio para
preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública
ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por
calamidades de grandes proporções na natureza.
II - O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa
Nacional, decretar o estado de defesa nos casos de comoção grave de repercussão nacional
ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado
de sítio ou nos casos de declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada
estrangeira.
III - Na vigência do estado de defesa a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo
executor da medida, será por este comunicada imediatamente ao juiz competente, que a
relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade
policial.
IV - Na vigência do estado de defesa, admite-se a incomunicabilidade do preso.

a) Apenas o item I está correto.


b) Apenas o item III está correto.
c) Apenas os itens I e II estão corretos.
d) Apenas os itens III e IV estão corretos.
e) Nenhum dos itens está correto.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

O estado de defesa e o estado de sítio são medidas excepcionais e compõem o


chamado sistema constitucional de crises, já que são direcionamentos constitucionais a serem
observados em momentos delicados de desordem pública, instabilidades e até mesmo em caso
de guerra.

Essas medidas são informadas por dois princípios: necessidade e temporariedade.


Estes princípios devem ser estritamente respeitados, pois as medidas do sistema constitucional
de crises admitem diversas restrições aos direitos e garantias fundamentais, não podendo

120
vigorar por mais tempo do que o necessário para restabelecimento do equilíbrio.

Similaridades das medidas:

• Tanto o estado de defesa quanto as duas hipóteses do estado de sítio são


decretados pelo presidente da República.

• Em ambas as medidas, o decreto só se faz após ouvir o Conselho da República


e o Conselho de Defesa Nacional. O presidente, porém, não fica vinculado ao parecer dos
conselhos, mas precisa ouvi-los.

• Os efeitos das medidas cessam tão logo cesse o estado de defesa ou de sítio.

• O fim das medidas não interfere em uma possível responsabilidade por ilícitos dos
executores ou agentes.

• Ao término das medidas, o presidente deve de imediato relatar ao Congresso


Nacional as medidas aplicadas em sua vigência, com especificação e justificação das providências
adotadas, com relação nominal dos atingidos e indicação das restrições aplicadas.

• O Congresso Nacional deve permanecer funcionando até a medida terminar.

Diferenças entre as medidas.

• Como o estado de defesa é menos grave, o presidente decreta (após ouvir os


conselhos da república e defesa) e só depois submete o decreto ao Congresso Nacional para
este referendar. No estado de sítio, o presidente tem de pedir a autorização do Congresso
Nacional para só depois decretar. Assim, o controle político do estado de defesa é posterior, ao
passo que o do estado de sítio é anterior.

• O estado de defesa é decretado em locais restritos; o de sítio é decretado em


âmbito nacional.

• Prazo máximo de vigor:

Estado de defesa Estado de sítio 1 Estado de sítio 2


30 dias prorrogáveis por
30 dias prorrogáveis uma
várias vezes, sempre por Enquanto for necessário
única vez
30 dias

Fonte: CRUZ, Vitor. Constituição Federal anotada para concursos. 9. ed. Rio de Janeiro:

121
Ferreira, 2017.

O item I está incorreto, porque as hipóteses nele descritas dizem respeito ao estado
de DEFESA (e não ao estado de sítio). Nesse sentido, prevê o art. 136, caput, da Constituição
Federal, in verbis:

Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da


República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa
para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e
determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave
e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de
grandes proporções na natureza.

Importante lembrar que, no estado de defesa, o Presidente da República decreta e


só depois submete o decreto ao Congresso Nacional para este referendar, não precisando pedir
autorização prévia.

O item II também está incorreto, porque as hipóteses nele descritas dizem respeito
ao estado de SÍTIO (e não ao estado de defesa). Nesse sentido, prevê o art. 137, da Constituição
Federal, in verbis:

Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da


República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso
Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de:
 I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que
comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa;
II - declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada
estrangeira.

Vale destacar que, no estado de sítio, o Presidente da República precisa pedir


autorização ao Congresso Nacional para decretar essa medida. Assim, o controle político do
estado de sítio é anterior.

O item III está correto. Trata-se de hipótese excepcional em que a Carta Magna admite
prisão sem mandado judicial, tampouco havendo situação de flagrância.

Em outras palavras, recorda-se que, no sistema do direito constitucional positivo


brasileiro, os casos de privação de liberdade individual somente podem derivar de situação de
flagrância (CF, art. 5º, LXI) ou de ordem emanada de autoridade judicial competente (CF, art.
5º, LXI), ressalvada a hipótese – de evidente excepcionalidade – de prisão por crime contra o
Estado, determinada pelo executor da medida (CF, art. 136, § 3º, I), durante a vigência do estado
de defesa decretado pelo Presidente de República.

122
Tal possibilidade encontra respaldo constitucional no art. 136, § 3º, I, in verbis:

Art. 136 (...)


§ 3º Na vigência do estado de defesa:
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da
medida, será por este comunicada imediatamente ao juiz competente,
que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de
corpo de delito à autoridade policial;

O item IV está incorreto, porquanto não se admite a incomunicabilidade do preso


ainda que na vigência do estado de defesa. Essa vedação consta expressamente do art. 136, §
3º, IV, in verbis:

Art. 136 (...)


§ 3º Na vigência do estado de defesa: (...)
IV - é vedada a incomunicabilidade do preso.

59 – QUESTÃO:

Marque a alternativa correta:

a) Compete à União instituir impostos sobre: renda e proventos de qualquer natureza;


produtos industrializados; transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos.
b) Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: operações relativas
à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no
exterior; produtos industrializados.
c) Compete aos Municípios instituir impostos sobre: propriedade predial e territorial
urbana;  propriedade de veículos automotores.
d) Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:   propriedade de
veículos automotores; grandes fortunas, nos termos de lei complementar.
e) Compete à União instituir impostos sobre: importação de produtos estrangeiros;
exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; propriedade territorial
rural.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

É muito importante memorizar os impostos que são de competência de cada ente


federativo.

123
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
I - importação de produtos estrangeiros;
II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;
III - renda e proventos de qualquer natureza;
IV - produtos industrializados;
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou
valores mobiliários;
VI - propriedade territorial rural;
VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar.

Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos


sobre: 
I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; 
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de
serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação,
ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; 
III - propriedade de veículos automotores. 

Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:


I - propriedade predial e territorial urbana;
II - transmissão “inter vivos”, a qualquer título, por ato oneroso, de bens
imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis,
exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição;
III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II,
definidos em lei complementar.

Para ajudar, vejamos a tabela abaixo:

IMPOSTOS EM ESPÉCIE:

Estados e DF Municípios e DF
União (art. 153 CF)
(art. 155 CF) (art. 156 CF)
II
IE
IPI
ITCMD ITBI
IOF
ICMS ISS
IR
IPVA IPTU
ITR
IGF (não existe, se for criado
deve ser criado por LC)

124
Alternativa A: Incorreta, porque a competência para instituir imposto sobre
transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos é dos Estados e do Distrito
Federal (e não da União).

Alternativa B: Incorreta, porque a competência para instituir imposto sobre produtos


industrializados é da União (e não dos Estados e do Distrito Federal).

Alternativa C: Incorreta, porque a competência para instituir imposto sobre a


propriedade de veículos automotores é dos Estados e do Distrito Federal (e não dos Municípios).

Alternativa D: Incorreta, porque a competência para instituir imposto sobre grandes


fortunas, nos termos de lei complementar, é da União (e não dos Estados e do Distrito Federal).

Alternativa E: Correta, nos termos do art. 153, I, II e VI, da CF/88.

60 – QUESTÃO:

De acordo com a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. 8.625/93), considere as
seguintes assertivas:

I - As decisões do Ministério Público fundadas em sua autonomia funcional, administrativa e


financeira, obedecidas as formalidades legais, têm eficácia plena e executoriedade imediata,
ressalvada a competência constitucional do Poder Judiciário e do Tribunal de Contas.
II - O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos
na Lei de Diretrizes Orçamentárias, encaminhando-a diretamente ao Presidente da
Assembleia Legislativa.
III - A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Ministério
Público, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação de dotações e recursos
próprios e renúncia de receitas, será exercida pelo próprio sistema interno de controle, o
qual não será realizado pelo Poder Legislativo, sob pena de cerceamento da autonomia da
instituição.

a) Apenas o item I está correto.


b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Apenas os itens II e III estão corretos.
e) Nenhum dos itens está correto.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

125
O item I está correto, nos termos do art. 3º, da Lei Orgânica Nacional do Ministério
Público (Lei n. 8.625/93), in verbis:

Art. 3º (...)
Parágrafo único As decisões do Ministério Público fundadas em sua
autonomia funcional, administrativa e financeira, obedecidas as
formalidades legais, têm eficácia plena e executoriedade imediata,
ressalvada a competência constitucional do Poder Judiciário e do
Tribunal de Contas.

O item II está incorreto, pois a proposta orçamentária elaborada pelo Ministério


Público dentro dos limites da LDO deve ser encaminhada diretamente ao Governador do
Estado (e não ao Presidente da Assembleia Legislativa). O Governador, então, que a submeterá à
apreciação do Poder Legislativo. Nesse sentido, vejamos o art. 4º, caput, da Lei Orgânica Nacional
do Ministério Público (Lei n. 8.625/93), in verbis:

Art. 4º O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária


dentro dos limites estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias,
encaminhando-a diretamente ao Governador do Estado, que a
submeterá ao Poder Legislativo.

O item III também está incorreto, pois A FISCALIZACÃO contábil, financeira,


orçamentária, operacional e patrimonial do Ministério Público, quanto à legalidade, legitimidade,
economicidade, aplicação de dotações e recursos próprios e renúncia de receitas, SERÁ
EXERCIDA pelo PODER LEGISLATIVO, mediante controle EXTERNO e pelo sistema de controle
INTERNO estabelecido na Lei Orgânica.

É o que estabelece o art. 4º, § 2º, da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei
n. 8.625/93), in verbis:

§ 2º A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e


patrimonial do Ministério Público, quanto à legalidade, legitimidade,
economicidade, aplicação de dotações e recursos próprios e renúncia
de receitas, será exercida pelo Poder Legislativo, mediante controle
externo e pelo sistema de controle interno estabelecido na Lei Orgânica.

61 – QUESTÃO:

De acordo com a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. 8.625/93), considere as
seguintes assertivas:

I - Cabe ao Colégio de Procuradores de Justiça rever o arquivamento de inquérito civil, na

126
forma da lei.
II - Compete ao Procurador-Geral de Justiça decidir processo disciplinar contra membro do
Ministério Público, aplicando as sanções cabíveis.
III - Compete ao Conselho Superior do Ministério Público expedir recomendações, sem
caráter normativo aos órgãos do Ministério Público, para o desempenho de suas funções.
IV - Compete ao Colégio de Procuradores de Justiça eleger o Corregedor-Geral do Ministério
Público.

a) Apenas o item I está correto.


b) Apenas o item IV está correto.
c) Apenas os itens I e III estão corretos.
d) Apenas os itens II e IV estão corretos.
e) Nenhum dos itens está correto.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

O item I está incorreto, pois cabe ao Conselho Superior do Ministério Público rever o
arquivamento de inquérito civil, na forma da lei.

É o que prevê o art. 30 da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. 8.625/93),
in verbis:

Art. 30. Cabe ao Conselho Superior do Ministério Público rever o


arquivamento de inquérito civil, na forma da lei.

O item II está correto, pois, de fato, compete ao Procurador-Geral de Justiça do


Ministério Público decidir processo disciplinar contra membro do Ministério Público, aplicando
as sanções cabíveis.

É o que prevê o art. 10, XI, da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n.
8.625/93), in verbis:

Art. 10. Compete ao Procurador-Geral de Justiça: (...)


XI - decidir processo disciplinar contra membro do Ministério Público,
aplicando as sanções cabíveis;

O item III está incorreto, pois compete ao Procurador-Geral de Justiça do Ministério


Público expedir recomendações, sem caráter normativo aos órgãos do Ministério Público, para
o desempenho de suas funções;

127
É o que prevê o art. 10, XII, da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n.
8.625/93), in verbis:

Art. 10. Compete ao Procurador-Geral de Justiça: (...)


XII - expedir recomendações, sem caráter normativo aos órgãos do
Ministério Público, para o desempenho de suas funções;

O item IV está correto, pois, de fato, compete ao Colégio de Procuradores de Justiça


eleger o Corregedor-Geral do Ministério Público.

É o que prevê o art. 12, V, da Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n.
8.625/93), in verbis:

Art. 12. O Colégio de Procuradores de Justiça é composto por todos os


Procuradores de Justiça, competindo-lhe: (...)
V - eleger o Corregedor-Geral do Ministério Público;

62 – QUESTÃO:

De acordo com a Lei Orgânica do Ministério Público do Estado de São Paulo (Lei Complementar
n. 734/93), considere as seguintes assertivas:

I - O Procurador-Geral de Justiça será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo, dentre


os Procuradores de Justiça integrantes de lista sêxtupla elaborada na forma da lei
complementar, para mandato de quatro anos, permitida uma recondução, observado o
mesmo procedimento.
II - O Colégio de Procuradores de Justiça, órgão da Administração Superior e de Execução do
Ministério Público, é integrado por todos os Procuradores de Justiça em exercício e presidido
pelo Procurador-Geral de Justiça.
III - O Conselho Superior do Ministério Público é integrado pelo Procurador-Geral de Justiça,
seu Presidente, pelo Corregedor-Geral do Ministério Público, ambos membros natos, e por
mais 9 (nove) Procuradores de Justiça eleitos, por voto obrigatório, secreto e plurinominal,
sendo 3 (três) pelo Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça e 6 (seis) pelos
demais integrantes da carreira, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução
consecutiva.
IV - O Conselho Superior do Ministério Público é o Órgão da Administração Superior do
Ministério Público encarregado da orientação e fiscalização das atividades funcionais e da
conduta dos membros do Ministério Público.

a) Apenas o item I está correto.


b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas os itens II e III estão corretos.

128
d) Apenas os itens I e IV estão corretos.
e) Todos os itens estão corretos.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

O item I apresenta dois erros: o primeiro diz respeito à lista que será encaminhada
ao Chefe do Poder Executivo para nomear o Procurador-Geral de Justiça - trata-se de uma lista
TRÍPLICE (e não sêxtupla). O segundo erro encontra-se na duração do mandato, que é de DOIS
anos (e não quatro anos), sendo permitida uma recondução.

É o que prevê o art. 10, da Lei Orgânica do Ministério Público do Estado de São Paulo
(Lei Complementar n. 734/93), in verbis:

Artigo 10 -  O Procurador-Geral de Justiça será nomeado pelo Chefe


do Poder Executivo, dentre os Procuradores de Justiça integrantes
de lista tríplice elaborada na forma desta lei complementar, para
mandato de dois anos, permitida uma recondução, observado o mesmo
procedimento.

O item II está correto, nos termos do art. 21, da Lei Orgânica do Ministério Público do
Estado de São Paulo (Lei Complementar n. 734/93), in verbis:

Artigo 21 - O Colégio de Procuradores de Justiça, órgão da Administração


Superior e de Execução do Ministério Público, é integrado por todos os
Procuradores de Justiça em exercício e presidido pelo Procurador-Geral
de Justiça.

O item III também está correto, nos termos do art. 26, da Lei Orgânica do Ministério
Público do Estado de São Paulo (Lei Complementar n. 734/93), in verbis:

Artigo 26 -  O Conselho Superior do Ministério Público, Órgão da


Administração Superior e de Execução do Ministério Público, é
integrado pelo Procurador-Geral de Justiça, seu Presidente, pelo
Corregedor-Geral do Ministério Público, ambos membros natos, e por
mais 9 (nove) Procuradores de Justiça eleitos, por voto obrigatório,
secreto e plurinominal, sendo 3 (três) pelo Órgão Especial do Colégio de
Procuradores de Justiça e 6 (seis) pelos demais integrantes da carreira,
para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução consecutiva.

O item IV está incorreto, pois o órgão encarregado da orientação e fiscalização das

129
atividades funcionais e da conduta dos membros do Ministério Público é a Corregedoria-Geral
do Ministério Público.

Nesse sentido, vejamos o art. 37, da Lei Orgânica do Ministério Público do Estado de
São Paulo (Lei Complementar n. 734/93), in verbis:

Artigo 37 -  A Corregedoria-Geral do Ministério Público é o Órgão


da Administração Superior do Ministério Público encarregado da
orientação e fiscalização das atividades funcionais e da conduta dos
membros do Ministério Público.

130
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
PROF. TALLITA SAMPAIO

63 – QUESTÃO:

São medidas aplicáveis ás entidades de atendimento que descumprirem as obrigações


constantes no Estatuto da Criança e do Adolescente:

I – às entidades não-governamentais: advertência, afastamento provisório de seus dirigentes,


afastamento definitivo de seus dirigentes, e fechamento da unidade ou interdição de
programa.
II – às entidades governamentais: advertência, suspensão total ou parcial do repasse de
verbas públicas, interdição de unidades ou suspensão de programa e cassação de registro.
III – às entidades não-governamentais: advertência, afastamento provisório ou definitivo de
seus dirigentes e suspensão total ou parcial do repasse de verbas públicas.
IV – às entidades governamentais: advertência, suspensão total ou parcial do repasse de
verbas públicas e fechamento de unidade ou interdição de programa.

a) Apenas os itens I e II estão corretos.


b) Apenas os itens III e IV estão corretos.
c) Apenas os itens II e III estão corretos.
d) Apenas os itens I e IV estão corretos.
e) Todos os itens estão incorretos.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Amigos, vez ou outra as provas de concurso cobram as medidas aplicáveis às


entidades de atendimento, e claro: como as medidas são diferentes a depender da entidade ser
governamental ou não, eles trocam as medidas, para confundir o candidato. Vejam o art. 97 do
ECA:

Art. 97. São medidas aplicáveis às entidades de atendimento que


descumprirem obrigação constante do art. 94, sem prejuízo da
responsabilidade civil e criminal de seus dirigentes ou prepostos:
I - às entidades governamentais:
a) advertência;
b) afastamento provisório de seus dirigentes;
c) afastamento definitivo de seus dirigentes;
d) fechamento de unidade ou interdição de programa.

131
II - às entidades não-governamentais:
a) advertência;
b) suspensão total ou parcial do repasse de verbas públicas;
c) interdição de unidades ou suspensão de programa;
d) cassação do registro.

Vamos encontrar uma lógica para essas medidas serem diferentes. Ora, se a entidade
é governamental (ou seja, pertencente ao governo), e se for encontrada alguma irregularidade
nela, é possível aplicar o afastamento dos seus dirigentes ou até mesmo o fechamento da
unidade ou interdição de programa. Mas, se a entidade é não governamental, quer dizer que
ela é privada (e por vezes recebe repasse de verbas públicas); então, se é privada, não há como
aplicar a medida de afastamento do dirigente (imagina como seria estranho a ONG ser sua, mas
passar a ser dirigida por outra pessoa que não foi escolhida por você, apenas por imposição
judicial...); ao revés, o que pode fazer é aplicar a medida de suspensão total ou parcial do
repasse das verbas públicas (medida esta que não tem porque ser aplicada para as entidades
governamentais: pois, se estas são do governo, significa que as suas verbas são públicas, e se o
poder público deixar de repassar essas verbas, elas não terão de onde receber, razão pela qual
é melhor fechar a unidade).

Portanto, todos os itens estão incorretos, e a alternativa a ser assinalada é a letra E.

64 – QUESTÃO:

Acerca da apuração de ato infracional atribuído a adolescente, assinale a alternativa correta:

a) Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência ou grave ameaça a


pessoa, a autoridade policial deverá lavrar o boletim de ocorrência circunstanciada, ouvidos
as testemunhas e o adolescente.
b) Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o adolescente será prontamente liberado
pela autoridade policial, sob termo de compromisso e responsabilidade de sua apresentação
ao representante do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo impossível, no primeiro
dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social,
deva o adolescente permanecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal ou
manutenção da ordem pública. Em caso de não liberação, a autoridade policial encaminhará,
desde logo, o adolescente ao Juiz da Infância e Juventude.
c) Apresentado o adolescente, o representante do Ministério Público, no mesmo dia e à vista
do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados
pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá,
obrigatoriamente, à sua oitiva informal e a de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.
d) O representante do Ministério Público poderá representar à autoridade judicial para
aplicação de medida socioeducativa. Essa representação independe da prova pré-constituída
da autoria e materialidade.

132
e) A intimação da sentença que aplicar medida socioeducativa será feita ao adolescente e
ao seu defensor; ou, quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou responsável,
sem prejuízo do defensor.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com o art. 173 do ECA, se o ato infracional tiver sido cometido
mediante violência ou grave ameaça, a autoridade policial deverá lavrar um auto de apreensão;
apenas nas demais hipóteses é que esta lavratura do auto poderá ser substituída por boletim de
ocorrência circunstanciada.

Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante


violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo
do disposto nos arts. 106, parágrafo único, e 107, deverá:
I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente;
II - apreender o produto e os instrumentos da infração;
III - requisitar os exames ou perícias necessários à comprovação da
materialidade e autoria da infração.
Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do auto
poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada.

Alternativa B: O encaminhamento será feito ao Ministério Público, e não ao juiz da


infância e juventude.

Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o adolescente


será prontamente liberado pela autoridade policial, sob termo de
compromisso e responsabilidade de sua apresentação ao representante
do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo impossível, no primeiro
dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua
repercussão social, deva o adolescente permanecer sob internação para
garantia de sua segurança pessoal ou manutenção da ordem pública.
Art. 175. Em caso de não liberação, a autoridade policial encaminhará,
desde logo, o adolescente ao representante do Ministério Público,
juntamente com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência.

Alternativa C: A oitiva dos pais ou responsável e da vítima só ocorrerá se FOR


POSSÍVEL.

Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do Ministério


Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de

133
ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório
judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente,
procederá imediata e informalmente à sua oitiva e, em sendo possível,
de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.

Alternativa D: Esta é a alternativa correta.

Art. 182 § 2º A representação independe de prova pré-constituída da


autoria e materialidade.

Alternativa E: Apenas a intimação da sentença que aplicar medida de internação ou


semiliberdade é que deverá ser feita ao adolescente e ao seu defensor; ou, quando não for
encontrado o adolescente, a seus pais ou responsável, sem prejuízo do defensor. Nas demais
hipóteses de medida socioeducativa (liberdade assistida, por exemplo), a intimação far-se-á
unicamente na pessoa do defensor.

Art. 190. A intimação da sentença que aplicar medida de internação ou


regime de semi-liberdade será feita:
I - ao adolescente e ao seu defensor;
II - quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou responsável,
sem prejuízo do defensor.
§ 1º Sendo outra a medida aplicada, a intimação far-se-á unicamente na
pessoa do defensor.
§ 2º Recaindo a intimação na pessoa do adolescente, deverá este
manifestar se deseja ou não recorrer da sentença.

65 – QUESTÃO:

Ainda de acordo com o ECA, assinale a alternativa incorreta:

a) Oferecida a representação, a autoridade judiciária designará audiência de apresentação


do adolescente. Não sendo localizado o adolescente, a autoridade judiciária determinará
sua condução coercitiva.
b) Oferecida a representação, a autoridade judiciária designará audiência de apresentação
do adolescente. Se os pais ou responsável não forem localizados, a autoridade judiciária
dará curador especial ao adolescente.
c) Se o adolescente, devidamente notificado, não comparecer, injustificadamente à audiência
de apresentação, a autoridade judiciária expedirá mandado de busca e apreensão.
d) O prazo máximo e improrrogável para a conclusão do procedimento, estando o adolescente
internado provisoriamente, será de 3 meses.
e) A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de 3 meses.

134
RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Não confunda o disposto no art. 184, parág. 3 com o disposto no art.
187 do ECA:

Art. 184. Oferecida a representação, a autoridade judiciária designará


audiência de apresentação do adolescente, decidindo, desde logo,
sobre a decretação ou manutenção da internação, observado o disposto
no art. 108 e parágrafo.
§ 1º O adolescente e seus pais ou responsável serão cientificados
do teor da representação, e notificados a comparecer à audiência,
acompanhados de advogado.
§ 2º Se os pais ou responsável não forem localizados, a autoridade
judiciária dará curador especial ao adolescente.
§ 3º Não sendo localizado o adolescente, a autoridade judiciária expedirá
mandado de busca e apreensão, determinando o sobrestamento do
feito, até a efetiva apresentação.
Art. 187. Se o adolescente, devidamente notificado, não comparecer,
injustificadamente à audiência de apresentação, a autoridade judiciária
designará nova data, determinando sua condução coercitiva.

A diferença é a seguinte:

- se o adolescente em liberdade não é encontrado para citação, haverá a expedição


de mandado de busca e apreensão e sobrestamento do feito.
- agora, se o adolescente é citado, e não comparece: haverá a condução coercitiva.

Alternativa B: Esta é a alternativa correta, nos termos do art. 184, parág. 2 do ECA.

Alternativa C: Mais uma vez, lembre da diferença:

- se o adolescente em liberdade não é encontrado para citação, haverá a expedição


de mandado de busca e apreensão e sobrestamento do feito.
- agora, se o adolescente é citado, e não comparece: haverá a condução coercitiva.

Alternativa D: O prazo máximo para conclusão do procedimento, neste caso, será de


45 dias: o mesmo prazo no qual o adolescente ficará internado provisoriamente.

Art. 183. O prazo máximo e improrrogável para a conclusão do


procedimento, estando o adolescente internado provisoriamente, será

135
de quarenta e cinco dias.

Alternativa E: O prazo máximo da internação provisória é de 45 dias.

Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo


prazo máximo de quarenta e cinco dias.

Não confunda com o prazo da internação-sanção: este, sim, será de 3 meses.

Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:


I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou
violência a pessoa;
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida
anteriormente imposta.
§ 1o  O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não
poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente
após o devido processo legal.
  
66 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) Cabe a autoridade judiciária disciplinar, através de portaria, ou autorizar, mediante


alvará, a entrada e permanência de criança ou adolescente, desacompanhada dos pais ou
responsável, em estabelecimentos comerciais que explorem bilhar, sinuca ou jogos.
b) O ECA prevê com crime a conduta de servir bebida alcóolica a criança ou adolescente,
ainda que a criança ou adolescente não ingira o produto.
c) As crianças menores de doze anos somente poderão ingressar e permanecer nos locais de
apresentação ou exibição quando acompanhadas dos pais ou responsável.
d) As revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e
adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem opaca, com a advertência de seu
conteúdo.
e) As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens pornográficas ou
obscenas sejam protegidas com embalagem lacrada.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com o art. 80 do ECA, é proibida a entrada e permanência


de crianças ou adolescentes em estabelecimentos que explorem bilhar, sinuca e jogos em

136
geral. Esta proibição é absoluta: ou seja, ainda que o pai ou responsável acompanhe. Ademais,
e permanência de criança ou adolescente, desacompanhada dos pais ou responsável, em
estabelecimentos comerciais que explorem bilhar, sinuca ou jogos não está entre os assuntos
previstos no art. 149 do ECA que serão disciplinados por portaria ou autorizados por alvará pela
autoridade judiciária.

Alternativa B: O art. 243 do ECA passou a prever expressamente que é crime vender,
fornecer, servir, ministrar ou entregar bebida alcoólica a criança ou a adolescente. Trata-se de
crime formal. Portanto, independe do fato de a criança ingerir ou não o produto.

Alternativa C: De acordo com o art. 75 do ECA, a exigência de estar acompanhada


dos pais ou responsável existe apenas para crianças menores de 10 anos (e não menores de 12
anos).

Art. 75. Toda criança ou adolescente terá acesso às diversões e


espetáculos públicos classificados como adequados à sua faixa etária.
Parágrafo único. As crianças menores de dez anos somente poderão
ingressar e permanecer nos locais de apresentação ou exibição quando
acompanhadas dos pais ou responsável.

Alternativa D: Cuidado para não confundir: se o MATERIAL da revista é inadequado,


basta que a embalagem venha lacrada, para que a criança ou adolescente não tenha
conhecimento do seu conteúdo. Agora, se na própria capa tem mensagem pornográfica ou
obscena, a embalagem deve ser opaca, para que a criança ou adolescente não veja nem mesmo
a capa.

Art. 78. As revistas e publicações contendo material impróprio ou


inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em
embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo.
Parágrafo único. As editoras cuidarão para que as capas que contenham
mensagens pornográficas ou obscenas sejam protegidas com
embalagem opaca.

Alternativa E: Como explicado acima, neste caso a embalagem tem que ser opaca, e
não apenas lacrada.

67 – QUESTÃO:

De acordo com a Lei do SINASE, assinale a alternativa correta:

a) As medidas socioeducativas têm, dentre outros objetivos, a desaprovação da conduta


infracional, efetivando as disposições da sentença como parâmetro mínimo de privação de

137
liberdade ou restrição de direitos.
b) Compete aos Estados criar, desenvolver e manter programas para a execução das medidas
socioeducativas em meio aberto.
c) Àqueles que, mesmo não sendo agentes públicos, induzam ou concorram, sob qualquer
forma, direta ou indireta, para o não cumprimento desta Lei, aplicam-se, no que couber, as
penalidades dispostas na Lei de Improbidade Administrativa.
d)  Para aplicação de qualquer medida socioeducativa, será constituído processo de execução
para cada adolescente.
e) O adolescente em cumprimento de medida de internação não tem direito á visita íntima.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A:

III - a desaprovação da conduta infracional, efetivando as disposições da sentença


como parâmetro máximo de privação de liberdade ou restrição de direitos, observados os
limites previstos em lei. 

Alternativa B: De acordo com o art. 4, III da Lei, compete aos Estados criar, desenvolver
e manter programas para a execução das medidas socioeducativas de semi liberdade e
internação; as medidas socioeducativas em meio aberto são de competência dos municípios.

Alternativa C: Essa é a alternativa correta, e reproduz o teor do art. 29 da Lei do


SINASE.

Alternativa D: A alternativa está incorreta, pois o processo de execução só será


constituído para as medidas socioeducativas de prestação de serviços á comunidade, liberdade
assistida, semiliberdade ou internação (e não qualquer medida socioeducativa, como disse a
alternativa).

Art. 39.  Para aplicação das medidas socioeducativas de prestação de


serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou internação,
será constituído processo de execução para cada adolescente, respeitado
o disposto nos arts. 143 e 144 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente), e com autuação das seguintes
peças: 

Alternativa E: O adolescente casado ou que viva em união estável tem sim direito á
visita íntima.

138
Art. 68.  É assegurado ao adolescente casado ou que viva,
comprovadamente, em união estável o direito à visita íntima. 

68 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa que apresenta uma hipótese de competência exclusiva da Vara da


Infância e Juventude:

a) conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes.


b) conceder a emancipação.
c) conhecer de pedidos de guarda e tutela
d) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento
e) conhecer de ações de destituição do poder familiar.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

O caput do art. 148 do ECA traz as hipóteses de competência exclusiva da justiça da


infância e juventude, enquanto o parág. Único traz as hipóteses de competência concorrente, na
medida em que a justiça da infância e juventude só terá competência nesses casos se a criança
ou adolescente estiver em situação de risco, ou seja: se algum dos seus direitos forem violados.
Caso contrário, a competência será do juiz da vara cível, normalmente da Vara de família. E
como vocês saberão, na hora da prova, qual competência é exclusiva e qual competência é
concorrente? Vejam que as matérias que são competência exclusiva só estão delineadas no
ECA, não havendo disposições sobre elas no CC. Ao contrário, as hipóteses de competência
concorrente estão sim delineadas no CC, e no ECA. Portanto, na hora da prova, você pode
pensar: quando eu estudo adoção, estudo no ECA ou no CC? No ECA: portanto, é competência
exclusiva. Quando eu estudo guarda e tutela? Estudo no ECA e no CC. Portanto, é competência
concorrente. E por aí, vai...

Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para:


I - conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público,
para apuração de ato infracional atribuído a adolescente, aplicando as
medidas cabíveis;
II - conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do
processo;
III - conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes;
IV - conhecer de ações civis fundadas em interesses individuais, difusos
ou coletivos afetos à criança e ao adolescente, observado o disposto no
art. 209;
V - conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de

139
atendimento, aplicando as medidas cabíveis;
VI - aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra
norma de proteção à criança ou adolescente;
VII - conhecer de casos encaminhados pelo Conselho Tutelar, aplicando
as medidas cabíveis.
Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas
hipóteses do art. 98, é também competente a Justiça da Infância e da
Juventude para o fim de:
a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;
b) conhecer de ações de destituição do  pátrio poder  poder familiar,
perda ou modificação da tutela ou guarda;           (Expressão substituída
pela Lei nº 12.010, de 2009)   Vigência
c) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento;
d) conhecer de pedidos baseados em discordância paterna ou materna,
em relação ao exercício do pátrio poder poder familiar;            (Expressão
substituída pela Lei nº 12.010, de 2009)   Vigência
e) conceder a emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os
pais;
f) designar curador especial em casos de apresentação de queixa ou
representação, ou de outros procedimentos judiciais ou extrajudiciais
em que haja interesses de criança ou adolescente;
g) conhecer de ações de alimentos;
h) determinar o cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros
de nascimento e óbito.

Alternativa A: Esta é a alternativa correta.

Alternativa B: Esta competência é concorrente.

Alternativa C: Esta competência é concorrente.

Alternativa D: Esta competência é concorrente.

Alternativa E: Esta competência é concorrente.

140
DIREITO EMPRESARIAL
PROF. LEDA SIQUEIRA

69 – QUESTÃO:

Todas as alternativas constituem entendimento sumulado pelos Tribunais Superiores,


exceto:

a) É ilegítima a penhora da sede do estabelecimento comercial.


b) A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo
credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.
c) O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta-corrente,
não é título executivo.
d) O contrato de abertura de crédito em conta-corrente, acompanhado do demonstrativo de
débito, constitui documento hábil para o ajuizamento da ação monitória.
e) O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos
decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Essa questão traz as principais súmulas de direito empresarial, as quais o aluno não
pode ir para a prova sem conhecê-las.

Alternativa A:

Súmula 451 STJ: É legítima a penhora da sede do estabelecimento


comercial.

Alternativa B:

Súmula 387 STF: A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em


branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança
ou do protesto.

Alternativa C:

Súmula 233 STJ: O contrato de abertura de crédito, ainda que


acompanhado de extrato da conta-corrente, não é título executivo.

141
Alternativa D:

Súmula 247 STJ: O contrato de abertura de crédito em conta-corrente,


acompanhado do demonstrativo de débito, constitui documento hábil
para o ajuizamento da ação monitória.

ATENÇÃO! Observe que o contrato de abertura de crédito em conta-corrente,


acompanhado do demonstrativo de débito, embora não se equipare a título executivo apto a
ensejar a execução direta do título, constitui documento hábil para o ajuizamento de monitória.

Alternativa E:

Súmula 476 STJ: O endossatário de título de crédito por endosso-


mandato só responde por danos decorrentes de protesto indevido se
extrapolar os poderes de mandatário.

Não se pode olvidar também da súmula 475.

Súmula 475 STJ: Responde pelos danos decorrentes de protesto indevido


o endossatário que recebe por endosso translativo título de crédito
contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu
direito de regresso contra os endossantes e avalistas.

70 – QUESTÃO:

Considere as seguintes assertivas:

I. Sociedades de Economia Mista não se submetem à Lei 11.101/05.


II. A sociedade em comum não pode pedir falência de terceiro tampouco requerer sua própria
falência.
III. De acordo com a lei, o juízo competente para decretar a falência é o do local da sede da
sociedade empresária.
IV. Da decisão que decreta a falência cabe agravo de instrumento.

Estão corretas as seguintes assertivas.

a) I, II, III e IV.


b) I, II e IV.
c) I e IV.
d) II e IV.
e) I, III e IV.

142
RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Assertiva I: Correta. Por expressa determinação legal contida no art. 2º da Lei


11.101/05, as empresas públicas e sociedades de economia mista não se submetem à Lei de
Falências.

Nesse aspecto, é importante lembrar que a Lei 11.101/05 incide sobre a figura do
empresário individual, sobre a figura da sociedade empresária ou sobre a EIRELI. Ou seja, não
há falência de associações, fundações, partidos políticos, organizações religiosas, sociedade
simples, nem de cooperativa, mas somente sociedades empresárias, empresários individuais
ou EIRELI.

Dentro das sociedades empresárias ainda se excluem:

I – empresa pública e sociedade de economia mista;

II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio,


entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde,
sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas
às anteriores.

Assertiva II: Incorreta. Sociedade em comum é aquela que não foi devidamente
registrada. Embora ela não possa requerer a falência de terceiros, ela pode formular pedido de
autofalência. Esse entendimento encontra amparo no art. 105, IV da Lei 11.101/05.

Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira que julgue não


atender aos requisitos para pleitear sua recuperação judicial deverá
requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da impossibilidade
de prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos
seguintes documentos:
IV – prova da condição de empresário, contrato social ou estatuto em
vigor ou, se não houver, a indicação de todos os sócios, seus endereços
e a relação de seus bens pessoais;

Contata-se que se a sociedade não tem contrato nem estatuto é porque não tem
registro, logo trata-se de sociedade em comum, que é aquela que não foi levada a registro.

Assertiva III: Incorreta. Nos termos do art. 3º da Lei de Falência o juízo competente
é o do local do principal estabelecimento empresarial e se a sede for fora do Brasil, será
competente o local da filial.

143
Art. 3o É competente para homologar o plano de recuperação
extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o
juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de
empresa que tenha sede fora do Brasil.

Assertiva IV: Correta.

Art. 100. Da decisão que decreta a falência cabe agravo, e da sentença


que julga a improcedência do pedido cabe apelação.

A lógica por trás desse dispositivo é que com a decretação da falência inaugura-se
uma nova fase do processo, de modo que não há extinção do processo, logo o recurso adequado
é o agravo. Todavia, com o julgamento de improcedência do pedido de falência, se coloca um
ponto final naquele processo, cabendo contra essa decisão apelação.

71 – QUESTÃO:

Considere as seguintes assertivas:

I. O prazo da ação revocatória é de 5 anos contados do pedido de falência.


II. O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força
executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula.
III. Após a quitação da dívida, incumbe ao devedor, providenciar o cancelamento do protesto,
salvo se foi combinado o contrário entre ele e o credor.
IV. A novação da dívida ocorrida em razão da recuperação judicial do devedor extingue
todas as garantias da dívida novada, de modo que os credores não poderão se voltar contra
os antigos fiadores ou avalistas da sociedade.

Estão de acordo com entendimento do STJ as seguintes assertivas:

a) I, II, III e IV.


b) I, II e IV.
c) I, III e IV.
d) I e II.
e) II e III.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Assertiva I: Incorreta. Para se compreender ação revocatória se faz necessário


primeiro esclarecer o seu objetivo. É sabido que certos atos praticados pelo falido antes da

144
falência poderão ser desconstituídos objetivando a recomposição patrimonial do falido.

Nesse contexto, temos os casos de ineficácia objetiva, previstos no art. 129 da lei de
falência e as hipóteses de ineficácia subjetiva, previstas no art. 130.

As hipóteses do art. 129 serão declaradas objetivamente, sem se apurar a intenção do


falido em fraudar credores.

Art. 129. São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o


contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do
devedor, seja ou não intenção deste fraudar credores:

No que tange aos casos de ineficácia subjetiva, são assim denominados, pois aqui se
deve apurar a intenção.

Art. 130. São revogáveis os atos praticados com a intenção de prejudicar


credores, provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro
que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida.

Nessa hipótese em que deve haver prova do conluio fraudulento não pode haver
atuação do juiz de ofício. Aqui deve ser ajuizada uma ação própria, denominada pela doutrina
de ação revocatória.

De acordo com a legislação, o prazo da ação revocatória é de 3 anos contado da


DECRETAÇÃO DA FALÊNCIA e não 5 anos do pedido da falência.

Art. 132. A ação revocatória, de que trata o art. 130 desta Lei, deverá
ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo
Ministério Público no prazo de 3 (três) anos contado da decretação da
falência.

Assertiva II: Correta. É muito importante conhecer a súmula 503 do STJ, pois ela,
juntamente com a súmula 504, é muito recorrente em provas de concurso.

Súmula 503-STJ: O prazo para ajuizamento de ação monitória em face


do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, a contar do
dia seguinte à data de emissão estampada na cártula.
Súmula 504-STJ: O prazo para ajuizamento de ação monitória em face
do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a
contar do dia seguinte ao vencimento do título.

Não se pode confundir uma com a outra. A primeira trata do cheque, cujo prazo para

145
ajuizamento da monitória é de 5 anos contado do dia seguinte à data de emissão estampada na
folha. Já a segunda, trata da nota promissória, cujo prazo também é de 5 anos, porém contado
do dia seguinte ao vencimento do título. Infelizmente, o aluno deve memorizar esses dois casos.

Assertiva III: Correta. Imagine a situação em que um título de crédito foi protestado e
dias depois o devedor paga a dívida. Após o pagamento, de acordo com o STJ, cabe ao próprio
devedor providenciar a baixa do título com o cancelamento do protesto no cartório e não ao
credor.

Após a quitação da dívida, incumbe ao DEVEDOR, providenciar o


cancelamento do protesto, salvo se foi combinado o contrário entre
ele e o credor. STJ. 2ª Seção. REsp 1.339.436-SP, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 10/9/2014 (recurso repetitivo) (Info 548).

Assertiva IV: Incorreta. É bem verdade que a novação prevista no Código Civil, via de
regra, extingue todas as garantias da obrigação. No entanto, o STJ entende que em se tratando
de recuperação judicial, a situação é diferente. Nesse caso, embora tenha havido a novação
das dívidas do devedor em decorrência do plano de recuperação judicial, as antigas garantias
subsistem, de forma que os credores podem executá-las.

A novação prevista no Código Civil extingue os acessórios e as garantias


da dívida, sempre que não houver estipulação em contrário (art. 364).
No entanto, na novação prevista no art. 59 da Lei 11.101/2005 ocorre
justamente o contrário, ou seja, as garantias são mantidas, sobretudo
as garantias reais, as quais só serão suprimidas ou substituídas
“mediante aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia”,
por ocasião da alienação do bem gravado (art. 50, § 1º). Portanto,
muito embora o plano de recuperação judicial opere novação das
dívidas a ele submetidas, as garantias reais ou fidejussórias, de regra,
são preservadas, circunstância que possibilita ao credor exercer seus
direitos contra terceiros garantidores e impõe a manutenção das ações
e execuções aforadas em face de fiadores, avalistas ou coobrigados em
geral. STJ. 4ª Turma. REsp 1.326.888-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 8/4/2014 (Info 540).

72 – QUESTÃO:

Sobre o Direito Empresarial, assinale a alternativa correta:

a) A Lei 11.101/05 pressupõe uma falência real do empresário.


b) É vedado que o Ministério Público e a Fazenda Pública formulem pedido de falência de
determinada sociedade.

146
c) O devedor pode contestar o pedido de falência no prazo de 10 dias.
d) A sentença que decreta a falência deve fixar o termo legal que não pode ser superior a 180
dias.
e) Há previsão de crime culposo na Lei 11.101/05.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: a insolvência falimentar é a insolvência jurídica e não econômica.


Sendo assim, às vezes, o ativo do empresário é até superior ao passivo, mas se ele praticar
certos atos pode vir a ter sua falência decretada, uma vez que a lei estipula uma falência jurídica
(presumida), mas que nem sempre necessita ser real.

Hipóteses que ensejam o pedido de falência do empresário:

 Impontualidade injustificada (art. 94, I): Nessa hipótese, o empresário deixa de


pagar, no vencimento, uma obrigação líquida cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta)
salários-mínimos tornando-se, pois, impontual. Mas não basta ser impontual. É necessário deixar
de pagar sem relevante razão de direito. É necessário ainda que a dívida esteja materializada
em um título executivo, seja ele judicial ou extrajudicial, devidamente protestado

 Execução frustrada (art. 94, II): Está-se diante de uma execução em que o
empresário não efetiva o pagamento, não há depósito e não há penhora de bens suficientes
para satisfação da dívida.Nessa hipótese há uma presunção de que o empresário esteja em
um estado de insolvência, devendo ser extraídas cópias dessa execução e com base nesses
documentos pode ser ajuizado o pedido de falência. Nessa hipótese não há valor mínimo.

Atos de falência (art. 94, III): a lei expressamente prevê um rol de atos.

Alternativa B: Há doutrina que admite que o MP formule pedido de falência. É a posição


de Sergio Campinho, que alega que o MP pode pedir falência na hipótese de descumprimento
de TAC em que teve uma multa não paga.

Quanto à Fazenda Pública, restou pacífico no STJ não ser possível o pedido de falência
por parte da Fazenda Pública porque deve prevalecer o princípio da preservação da empresa
sobre o interesse arrecadatório do Estado. Além disso, retira o contraditório do devedor, pois
no processo de falência o credor não pode discutir o crédito tributário, pois é matéria de vara
especializada. Logo, a Fazenda Pública não possui legitimidade ou interesse de agir para requerer
a falência do devedor empresário.

Alternativa C: Correta.

147
Art. 98. Citado, o devedor poderá apresentar contestação no prazo de
10 (dez) dias.

Alternativa D: O juiz ao declarar a falência, deve, na sentença tomar inúmeras


providências, dentre elas fixar o termo legal.

Termo legal é o prazo em que serão verificados se os atos praticados pelos sócios
e pela sociedade durante esse lapso tiveram o objetivo de fraudar credores podendo ser
desconsiderados. A lei afirma que o termo legal não pode retrotrair mais de 90 dias. Esse prazo
é contado do pedido de falência ou de recuperação judicial ou da data do primeiro protesto.

Alternativa E: Todos os crimes previstos na lei são dolosos.

PROCEDIMENTO PENAL DA LEI 11.101/05:

• Todos crimes são dolosos e pluriofensivos;

• Todos são de ação pública incondicionada;

• Termo inicial da prescrição: o termo inicial é a decretação de falência, concessão


da recuperação judicial ou homologação da recuperação extrajudicial;

• Há um único crime que constitui infração penal de menor potencial ofensivo (art.
178 – omissão de documentos contábeis obrigatórios);

• Aos crimes previstos nesta lei se aplica o rito sumário (art. 185 da Lei 11.101/05).
Esse assunto é polêmico. Há quem entenda que deve prevalecer o CPP em que o rito é ditado
pela quantidade de pena, sendo sumaríssimo, sumário ou ordinário, pelo critério cronológico já
que essa norma só veio em 2008. Já a segunda posição, entende que deve se aplicar o princípio
da especialidade, portanto, aplica-se o rito sumário previsto no art. 185. Uma terceira posição
entende que depende do crime, se for crime de menor potencial ofensivo deve ir para o Juizado
Especial Criminal e para o restante dos crimes se aplica o rito sumário. Isso porque a Constituição
estabelece que a competência para o julgamento de infrações de menor potencial ofensivo é
dos Juizados Especiais, ou seja, é uma garantia constitucional.

Referência: as questões de jurisprudência foram elaboradas a partir de conteúdo


disponibilizado no site www.dizerodireito.com.br

148
TUTELA DOS INTERESSES DIFUSOS,
COLETIVOS E INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS
PROF. TALLITA SAMPAIO E NADIA SAAB

73 – QUESTÃO:

Em matéria de publicidade no âmbito das relações de consumo, assinale a opção correta.

a) Denomina-se publicidade institucional, o anúncio veiculado em qualquer meio de


comunicação para atrair o consumidor e aumentar a venda do bem de consumo.
b) Em decorrência do princípio da transparência, consectário lógico da boa-fé objetiva, o
Código de Defesa do Consumidor proíbe expressamente a prática de merchandising.
c) É vedada a prática de publicidade comparativa, assim denominado o anúncio de
determinado produto ou serviço ressaltando suas características em relação a outros
similares de marcas diversas.
d) A abusividade da publicidade é aferida concretamente, ou seja, a mensagem publicitária
será abusiva se resultar em violação efetiva a valores constitucionais, ambientais, éticos ou
sociais.
e) A norma que atribui ao fornecedor a responsabilidade pela veracidade e correção da
informação ou comunicação publicitária representa hipótese de inversão legal do ônus da
prova.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Em primeiro lugar, é importante estabelecer a distinção entre


publicidade e propaganda. Nesse sentido, a publicidade tem uma finalidade comercial, qual seja,
atrair o público para o ato de consumo, ao passo que a propaganda visa a um fim ideológico,
religioso, político, econômico ou social.

Quanto ao objetivo visado, a publicidade institucional não é destinada à venda de


determinado produto, mas à valorização da marca, de sorte que seus resultados são esperados
a longo prazo. Por outro lado, denomina-se publicidade promocional o anúncio veiculado
em qualquer meio de comunicação para atrair o consumidor e aumentar a venda do bem de
consumo, com efeitos imediatos.

Alternativa B: Tal como disposto no artigo 36, caput do CDC, que enuncia o princípio
da identificação, a publicidade constitui prática lícita se identificada como tal de imediato pelo
consumidor, ou seja, no momento da veiculação do anúncio publicitário. Portanto, a legislação

149
proíbe a publicidade clandestina ou subliminar.

Ao contrário, o merchandising, assim denominada a aparição de produtos em


situação normal de consumo, sem declaração ostensiva de marca, não é vedado expressamente
pelo ordenamento jurídico. Porém referida técnica deve ser empregada em consonância com
o princípio da identificação da mensagem publicitária, sob pena de configurar publicidade
clandestina e, portanto, ilícita.

Alternativa C: O princípio da lealdade publicitária, previsto no artigo 4º, inciso VI


do CDC, orienta a Política Nacional das Relações de Consumo no sentido de prevenir e punir
qualquer tipo de abuso praticado no mercado de consumo, inclusive a concorrência desleal
e a utilização indevida de inventos, criações industriais, marcas, nomes comerciais e signos
distintivos, em prejuízo dos consumidores.

Nesse contexto, destaca-se a publicidade comparativa, assim denominado o anúncio


de determinado produto ou serviço ressaltando suas características em relação a outros
similares de marcas diversas. Embora não vedada expressamente pelo CDC, referida prática deve
observar os princípios publicitários fundamentais e regras especiais, sobretudo a objetividade
da comparação.

Alternativa D: Nos termos do artigo 37 do CDC:

Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.


§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação
de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer
outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor
a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade,
propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos
e serviços.
§ 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer
natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição,
se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança,
desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua
saúde ou segurança.
 
Nesse contexto, importante destacar que a abusividade da publicidade é aferida
em abstrato, ou seja, a mensagem publicitária será abusiva quando capaz de violar valores
constitucionais, ambientais, éticos ou sociais, independentemente da ocorrência de danos
efetivos aos concumidores.

Alternativa E: No tocante ao ônus da prova em matéria de publicidade, dispõe o

150
artigo 38 do CDC:

Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou


comunicação publicitária cabe a quem as patrocina.

Com efeito, a norma que atribui ao fornecedor a responsabilidade pela veracidade e


correção da informação ou comunicação publicitária representa hipótese de inversão legal do
ônus da prova, ou seja, decorre da lei, independentemente de qualquer ato judicial.

74 – QUESTÃO:

Em matéria de práticas e cláusulas abusivas, assinale a opção correta considerando a


jurisprudência do STJ sobre o tema.

a) É válida a cláusula inserida em contrato de adesão que impõe ao consumidor em mora


a obrigação de pagar os honorários advocatícios decorrentes da cobrança extrajudicial do
débito.
b) Não é abusiva a cláusula-mandato que confere à administradora do cartão o direito de
emitir títulos de crédito em nome do consumidor em débito.
c) A instituição de compromisso arbitral no âmbito das relações de consumo constitui prática
abusiva.
d) Constitui prática comercial abusiva a utilização do sistema credit scoring para avaliação do
risco de concessão de crédito, sem o consentimento expresso do consumidor.
e) O Procon, enquanto órgão administrativo de defesa do consumidor, não tem legitimidade
para interpretar cláusulas contratuais e aplicar sanções.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com o entendimento do STJ, pautado em juízo de equidade,


os efeitos de cláusula penal instituída exclusivamente em desfavor do consumidor, são extensivos
ao fornecedor de produtos e serviços no mercado de consumo (artigo 51, incisos IX, XI e XII do
CDC e Portaria 4/98 da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça). Nesse sentido,
não é abusiva a cláusula prevista em contrato de adesão que impõe ao consumidor em mora a
obrigação de pagar os honorários advocatícios decorrentes da cobrança extrajudicial do débito,
desde que assegurado o mesmo direito ao consumidor diante de inadimplência do fornecedor
(REsp 955134).

Alternativa B: Consoante o entendimento exarado pelo STJ no julgamento do Resp


1084640, é abusiva a cláusula-mandato que confere à administradora do cartão o direito de
emitir títulos de crédito em nome do consumidor em débito, pois o coloca em situação de

151
extrema vulnerabilidade o que, inegavelmente, reduz a sua capacidade de defesa. Como é
cediço, no mandato, o representante deve atuar em nome do representado, de acordo com os
seus interesses, porém, neste caso, há nítido conflito de interesses que atenta contra a boa-fé e
a equidade (Súmula 60 do STJ e artigo 51, inciso VIII do CDC).

Alternativa C: De acordo com o disposto no artigo 4º, parágrafo 2º da Lei 9307/96,


é válida a cláusula compromissória inserida em contrato de adesão, por iniciativa do aderente
ou com a sua concordância expressa, por escrito, em documento anexo ou em negrito, com
assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. Todavia, segundo o STJ, no âmbito das
relações de consumo, referida cláusula é abusiva, pois no ato da contratação, o consumidor
carece de informações e conhecimentos técnicos suficientes para optar, de maneira livre e
consciente, pela arbitragem (artigo 51, VII do CDC). Por outro lado, o compromisso arbitral,
posterior ao litígio, não constitui prática abusiva se o consumidor concordar expressamente
com a sua instituição (REsp 1.169.841).

Alternativa D: Denomina-se credit scoring o método desenvolvido para avaliação do


risco de concessão de crédito, a partir de modelos estatísticos, considerando diversas variáveis,
com atribuição de uma pontuação ao consumidor avaliado, conforme a natureza da operação
a ser realizada.

Para o STJ, constitui prática comercial lícita (art. 5º e 7º, I da Lei 12414/2011), se
observados os limites estabelecidos pelo sistema de proteção do consumidor, no sentido da
tutela da privacidade e da máxima transparência nas relações negociais. A análise da licitude do
sistema “credit scoring” parte da premissa de que não se trata de um cadastro ou banco de dados
de consumidores, mas de uma metodologia de cálculo do risco de crédito, a partir de dados
existentes no mercado e acessíveis via internet. Portanto é desnecessário o consentimento do
consumidor, desde que assegurado o fornecimento de esclarecimentos, quando solicitados,
acerca das fontes dos dados considerados e das informações pessoais valoradas (REsp 1419697).

Alternativa E: O artigo 4º, inciso II, c do CDC legitima a presença plural do Estado
no mercado de consumo, tanto por meios de órgãos da administração pública voltados
especialmente à defesa do consumidor (ex: Procon), quanto por meio de instituições clássicas
(Defensoria Pública, Ministério Público, delegacias de polícia especializada, entre outras).

Portanto, o Procon, enquanto órgão administrativo de defesa do consumidor, tem


legitimidade para interpretar cláusulas contratuais e aplicar sanções. Isso porque, a Administração
Pública, através de órgãos de natureza administrativa, pratica controle de legalidade, o que não
se confunde com a função jurisdicional atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. A aplicação
de sanções, por sua vez, decorre do exercício do poder de polícia relacionado à transgressão dos
preceitos do Código de Defesa do Consumidor (REsp 1256998).

152
75 – QUESTÃO:

Considerando o disposto no Código de Defesa do Consumidor e a jurisprudência dominante


do STJ acerca dos bancos de dados e cadastros de consumidores, assinale a opção correta.

a) As informações negativas armazenadas em bancos de dados e cadastros de consumidores


devem ser excluídas após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de inscrição
do débito.
b) É cabível habeas data para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa
do impetrante ou para retificação de dados constantes de bancos de dados e cadastros de
consumidores.
c) A inscrição do consumidor em cadastro de proteção ao crédito pressupõe prévia
comunicação por escrito, promovida pelo credor, salvo quando consistir na reprodução de
informação negativa constante de registro público.
d) É vedada a inscrição do nome do consumidor em cadastro de proteção ao crédito por força
de débitos discutidos judicialmente, salvo mediante a obtenção de provimento liminar.
e) Não tem interesse de agir o consumidor que postula o cancelamento de múltiplas inscrições
de seu nome em cadastro negativo de proteção ao crédito, quando observado o prazo legal
ao menos em relação à uma delas.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa A: Nos termos do artigo 43, § 1º do CDC:

Art. 43. O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso
às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados
pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas
respectivas fontes.
§ 1° Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros,
verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo conter
informações negativas referentes a período superior a cinco anos.
  
É certo que os bancos de dados e cadastros de consumidores auxiliam os fornecedores
na análise do risco de concessão de crédito, porém as informações negativas armazenadas
devem ser excluídas após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados, segundo o STJ, do
vencimento da obrigação, independentemente da data de inscrição do débito (Resp 1316117).

Alternativa B: Sobre a natureza jurídica dos bancos de dados e cadastros de


consumidores, dispõe o artigo 43, § 4º do CDC:

153
Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços
de proteção ao crédito e congêneres são considerados entidades de
caráter público.
      
Portanto, tratando-se de entidades de caráter público, é cabível habeas data para
assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante ou para retificação
de dados constantes de bancos de dados e cadastros de consumidores, com fundamento na Lei
9507/97.

Alternativa C: A inscrição do consumidor em cadastro de proteção do crédito


pressupõe prévia comunicação por escrito, promovida pelo órgão mantenedor, exceto quando:
a) preexistente legítima inscrição ou; b) consistir na reprodução de informação negativa
constante de registro público. Nesse sentido, a súmula 385 do STJ:

Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe


indenização por dano moral quando preexistente legítima inscrição,
ressalvado o direito ao cancelamento”

Logo, excetuadas as hipóteses citadas, a ausência de prévia comunicação acarreta o


dever de indenizar os danos morais sofridos pelo consumidor, presumidos neste caso.

Alternativa D: É lícita a inscrição do nome do consumidor em cadastro de proteção ao


crédito em razão de débitos discutidos judicialmente, na hipótese em que os dados referentes
à disputa judicial sejam públicos. Justamente em razão da natureza pública de tais dados, as
entidades mantenedoras dos cadastros não podem ser impedidas de transferí-los a terceiros.
Nesse contexto, de acordo com o entendimento do STJ, a discussão judicial da dívida não obsta,
por si só, a negativação do nome do consumidor, salvo se obtido provimento liminar, mediante
depósito do valor incontroverso ou oferecimento de caução (AgRg no REsp 931979).

Alternativa E: Ainda consoante o entendimento do STJ, tem interesse de agir o


consumidor que postula o cancelamento de múltiplas inscrições de seu nome em cadastro
negativo de proteção ao crédito, quando somente uma ou algumas delas ultrapassam os prazos
de manutenção dos registros previstos em lei.

Isso porque, cada uma das dívidas inscritas apresenta características próprias que
gera uma obrigação distinta, passível, pois, de impugnação autônoma. Ademais, reconhecer
a unicidade dos cadastros pode resultar na perpetuidade dos registros negativos, caso o
nome do devedor seja inscrito em momentos diversos, em manifesta violação aos direitos da
personalidade do consumidor, expressões máximas da dignidade humana (REsp 1196699).

154
76 – QUESTÃO:

Acerca da defesa do consumidor em juízo, assinale a opção correta.

a) É vedada a denunciação da lide somente nas ações de responsabilidade civil do fornecedor


pelo fato do produto, por força de disposição legal expressa nesse sentido.
b) As entidades da Administração Pública, direta ou indireta, inclusive os órgãos
despersonalizados, tem legitimidade para atuar na defesa do consumidor em juízo,
dispensada a comprovação de pertinência temática.
c) O Ministério Público não tem legitimidade para atuar em juízo na defesa de interesses
individuais homogêneos de caráter patrimonial, porque disponíveis.
d) É válida cláusula de eleição de foro em contrato de adesão, a critério do fornecedor, pois
este tipo de disposição contratual facilita a defesa do consumidor em juízo.
e) Embora admitido o chamamento ao processo, é vedada a integração do contraditório pelo
Instituto de Resseguros do Brasil nas ações de responsabilidade civil do fornecedor.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O Código de Defesa do Consumidor veda expressamente a denunciação


da lide nas ações de responsabilidade civil pelo fato do produto (artigo 8º do CDC). Contudo,
neste particular, o STJ decidiu que tal vedação se aplica em qualquer ação indenizatória
decorrente da relação de consumo, pois a inclusão de nova causa de pedir com fundamento
diverso resultaria na procrastinação do feito, em prejuízo da efetiva tutela dos interesses do
consumidor (AgRg no AREsp 694.980).

Por outro lado, o artigo 101, inciso II do CDC autoriza, expressamente, o chamamento
ao processo da seguradora responsável pela reparação do dano discutido na demanda. Fosse a
matéria disciplinada pelo Código de Processo Civil, esta seria hipótese de denunciação da lide,
porquanto o chamamento ao processo pressupõe solidariedade passiva entre os obrigados à
reparação. Portanto, na sistemática do CDC, o legislador instituiu uma espécie de solidariedade
legal entre o fornecedor e a seguradora em benefício do consumidor, ampliando a garantia de
efetividade do processo e de reparação integral do dano.

Alternativa B: Consoante o disposto no artigo 82 do CDC, para fins de defesa


dos interesses dos consumidores, individualmente, ou a título coletivo, são legitimados,
concorrentemente:

I - o Ministério Público,
II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal;
III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta,

155
ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à
defesa dos interesses e direitos protegidos por este código;
IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que
incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos
protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear.

Ao contrário dos entes da Administração direta, a legitimação das autarquias,


fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista, bem como dos órgãos
despersonalizados, está condicionada à comprovação de pertinência temática, ou seja, a
adequação entre o objeto da demanda e suas finalidades institucionais. Isso porque, tais
entidades estão adstritas às finalidades para as quais foram criadas, por força do princípio da
especialidade

Alternativa C: Nos termos do artigo 127 da Constituição Federal, compete ao Ministério


Público, enquanto instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, a defesa
da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

Apesar de prescindível a comprovação de pertinência temática, é mister verificar,


em cada caso, se a defesa dos interesses discutidos na demanda é compatível com o perfil
constitucional do órgão ministerial. Nesse contexto, o Ministério Público tem legitimidade
para defender qualquer interesse difuso, pois inegável a sua relevância social. Por outro lado,
no tocante aos direitos coletivos em sentido estrito e individuais homogêneos, a atuação do
parquet está adstrita aos interesses indisponíveis ou afetos à coletividade. Ou seja, ainda que
de caráter patrimonial e, portanto, disponível, o interesse pode ser objeto de tutela pelo órgão
ministerial se comprovada a sua relevância social, seja no aspecto objetivo (decorrente da
natureza dos valores e bens em questão), seja no aspecto subjetivo (em virtude da qualidade
especial dos sujeitos ou da repercussão massificada da demanda).

Alternativa D: De acordo com o disposto no artigo 101, inciso I do Código de Defesa


do Consumidor, as ações de responsabilidade do fornecedor por fato ou vício do produto ou
serviço podem ser propostas no domicílio do autor. Trata-se de medida destinada a facilitar o
acesso do consumidor à justiça, em conformidade com o direito básico enunciado no artigo 6º,
inciso VII do CDC.

Note-se que o dispositivo legal em análise atribui uma faculdade ao consumidor, em


seu benefício, de sorte que não se trata de regra de competência absoluta. Nesse contexto,
o STJ tem reconhecido, em inúmeros julgados, a nulidade de cláusula de eleição de foro em
contrato de adesão, ao argumento de que, este tipo de disposição contratual dificulta a defesa
do consumidor em juízo (AgRg no Ag1070671). Não se trata, pois, de declaração de ofício da
incompetência relativa, mas de declaração da nulidade de cláusula abusiva (artigo 51, inciso XV
do CDC).

156
Alternativa E: Como dito, o CDC autoriza, expressamente, o chamamento ao processo
da seguradora responsável pela reparação do dano discutido na demanda. Nesse sentido o
disposto no artigo 101, inciso II:

II - o réu que houver contratado seguro de responsabilidade poderá


chamar ao processo o segurador, vedada a integração do contraditório
pelo Instituto de Resseguros do Brasil. Nesta hipótese, a sentença que
julgar procedente o pedido condenará o réu nos termos do art. 80 do
Código de Processo Civil. Se o réu houver sido declarado falido, o síndico
será intimado a informar a existência de seguro de responsabilidade,
facultando-se, em caso afirmativo, o ajuizamento de ação de
indenização diretamente contra o segurador, vedada a denunciação da
lide ao Instituto de Resseguros do Brasil e dispensado o litisconsórcio
obrigatório com este.

Portanto, apesar de ser admitido o chamamento ao processo, é vedada a integração


do contraditório pelo Instituto de Resseguros do Brasil. Ainda, se o réu for falido, o consumidor
pode ajuizar a ação indenizatória diretamente contra o segurador, vedada a denunciação da
lide ao Instituto de Resseguros do Brasil e dispensado o litisconsórcio obrigatório com este.

77 – QUESTÃO:

No tocante aos instrumentos de política urbana previstos no Estatuto das Cidades, assinale
a opção correta.

a) A transmissão do imóvel, por ato inter vivos ou causa mortis, a qualquer tempo, transfere
as obrigações de parcelamento, edificação ou utilização compulsórios ao sucessor.
b) É vedada a concessão de isenção ou anistia em relação à tributação progressiva do IPTU,
cuja alíquota não excederá o dobro do valor referente ao ano anterior, limitada a 15% (quinze
por cento).
c) Incorrerá em ato de improbidade administrativa o Prefeito Municipal que não proceder ao
adequado aproveitamento do imóvel desapropriado para fins de política urbana, no prazo
de 5 (cinco) anos, contados da expedição do decreto expropriatório.
d) Área urbana de até 250 (duzentos e cinquenta) metros quadrados, sob a posse pacífica e
ininterrupta de população de baixa renda, pelo prazo de 5 (cinco) anos, pode ser adquirida
mediante usucapião, observado o procedimento ordinário.
e) Os recursos decorrentes de operações urbanas consorciadas podem ser utilizados pelo
Município para fins de regularização fundiária, execução de programas habitacionais de
interesse social e criação de unidades de conservação ambiental.

RESPOSTAS: Alternativa B.

157
COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A regulamentação da política de desenvolvimento urbano instituída


pela Constituição Federal ocorreu com a edição da Lei 10257/01, denominada Estatuto da
Cidade, que estabelece normas de ordem pública e interesse social destinadas a disciplinar
a utilização da propriedade urbana em consonância com as exigências do bem comum e do
equilíbrio ambiental.

Dentre os instrumentos constitucionais de intervenção urbanística, destaca-se o


parcelamento, edificação ou utilização compulsórios de área urbana inutilizada incluída no
plano diretor (artigo 5º do Estatuto da Cidade). Para tanto, devem ser observados os seguintes
prazos previstos no § 4º do aludido dispositivo legal:

I - um ano, a partir da notificação, para que seja protocolado o projeto


no órgão municipal competente;
II - dois anos, a partir da aprovação do projeto, para iniciar as obras do
empreendimento.

Trata-se, pois, de obrigação propter rem, porquanto a transmissão do imóvel, por ato
inter vivos ou causa mortis, após a notificação do proprietário, transfere todos os encargos ao
sucessor, que deverá observar os prazos estabelecidos pela lei (artigo 6º do Estatuto da Cidade).

Alternativa B: Consoante o disposto no artigo 7º do Estatuto da Cidade, descumpridas


as obrigações de parcelamento, edificação ou utilização da propriedade urbana no prazo
estabelecido pelo Poder Executivo Municipal, o Município procederá à cobrança de IPTU
progressivo no tempo, pelo período de 5 (cinco) anos consecutivos. Com efeito, é vedada a
concessão de isenção ou anistia em relação à tributação progressiva do tributo, cuja alíquota
não excederá o dobro do valor referente ao ano anterior, limitada a 15% (quinze por cento).

Alternativa C: Decorridos (cinco) anos de tributação progressiva, o Município poderá


proceder à desapropriação do imóvel, mediante pagamento em títulos da dívida pública
resgatáveis em até 10 (dez) anos, que, todavia, não tem poder liberatório para o pagamento
de tributos (artigo 8º do Estatuto da Cidade). Nesse contexto, incorrerá em ato de improbidade
administrativa o Prefeito Municipal que não proceder ao adequado aproveitamento do imóvel
desapropriado para fins de política urbana, no prazo de 5 (cinco) anos, contados da incorporação
do bem ao patrimônio público (artigo 52, inciso II do Estatuto da Cidade).

Alternativa D: Além da possibilidade de usucapião individual para fins de regularização


fundiária prevista no artigo 183 da Constituição Federal, o Estatuto da Cidade disciplinou a
aquisição coletiva da propriedade urbana. Nesse sentido, dispõe o artigo 10:

Art. 10.  Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais

158
de cinco anos e cuja área total dividida pelo número de possuidores
seja inferior a duzentos e cinquenta metros quadrados por possuidor
são suscetíveis de serem usucapidos coletivamente, desde que os
possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural.    

A partir da leitura do dispositivo legal em análise, modificado recentemente pela Lei


13465/17, verifica-se que a dimensão da área a ser usucapida deve ser inferior à 250 (duzentos
e cinquenta) metros quadrados por possuidor, excluída, outrossim, a expressão “população de
baixa renda” constante da redação original. Trata-se, pois, de instituto destinado à regularização
de áreas urbanas ocupadas irregularmente, de modo a favorecer a distribuição coletiva da terra
e o direito constitucional à moradia.

Alternativa E: Nos termos do artigo 32, § 1º do Estatuto da Cidade:

Considera-se operação urbana consorciada o conjunto de intervenções e


medidas coordenadas pelo Poder Público municipal, com a participação
dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores
privados, com o objetivo de alcançar em uma área transformações
urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a valorização ambiental.

Trata-se, pois, de importante instrumento de intervenção urbanística, cujos recursos


devem ser aplicados exclusivamente na própria operação, sob pena de incorrer o Prefeito
Municipal na prática de ato de improbidade administrativa (artigo 33, § 1º c/c artigo 52, inciso
V do Estatuto da Cidade).

78 – QUESTÃO:

O Plano Diretor, instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana, não


é obrigatório para cidades:

a) Com 20.000 (vinte mil) habitantes.


b) Integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas.
c) Onde admitido o parcelamento compulsório do solo urbano ou instituído IPTU progressivo
no tempo.
d) Inseridas na área de influência de empreendimentos com significativo impacto ambiental
de âmbito regional ou nacional.
e) Localizadas em áreas suscetíveis a deslizamentos e inundações ou processos geológicos e
hidrológicos correlatos.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

159
Alternativa A: De acordo com o disposto no artigo 39 do Estatuto da Cidade:

O plano diretor, instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão


urbana, é aprovado por lei municipal, que deve ser revista a cada 10 (dez) anos, assegurada a
participação popular no processo de elaboração e implementação de suas disposições (artigo
40 do Estatuto da Cidade). Nos termos do artigo 41, inciso I do Estatuto da Cidade, o plano diretor
é obrigatório para cidades com mais de 20.000 (vinte mil) habitantes, ou seja, a contrario sensu,
é dispensável para Municípios cuja população seja igual ou inferior ao número de habitantes
citados.

Alternativa B: Consoante o disposto no artigo 41, inciso II do Estatuto da Cidade, o


plano diretor é obrigatório para cidades integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações
urbanas, assim denominadas a unidade territorial urbana constituída pelo agrupamento de
2 (dois) ou mais Municípios limítrofes, caracterizada por complementaridade funcional e
integração das dinâmicas geográficas, ambientais, políticas e socioeconômicas.

Alternativa C: Outrossim, de acordo com o disposto no artigo 41, inciso III, o


plano diretor é obrigatório nas cidades em que o Poder Público Municipal pretender utilizar
os instrumentos constitucionais de intervenção urbanística, quais sejam: parcelamento,
edificação ou utilização compulsórios do solo urbano inutilizado, IPTU progressivo no tempo e
desapropriação por interesse social (artigo 182, § 4º da CF).

Alternativa D: Ainda, nos termos do artigo 41, inciso V do Estatuto da Cidade, o plano
diretor é obrigatório para cidades inseridas na área de influência de empreendimentos com
significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional. Nesse sentido, importante
consignar que o Estudo de Impacto de Vizinhança não substitui a realização do Estudo Prévio
de Impacto Ambiental para atividades dessa natureza (artigo 38 do Estatuto da Cidade).

Alternativa E: Por fim, consoante o disposto no artigo 41, inciso VI do Estatuto da


Cidade, o plano diretor é obrigatório para cidades incluídas no cadastro Nacional de Municípios
suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações ou processos
geológicos e hidrológicos correlatos, ante a necessidade de disciplinar medidas preventivas e
os possíveis impactos de tais eventos naturais no processo de ordenação e desenvolvimento
urbano.

79 – QUESTÃO:

Considerando o disposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, assinale a opção


correta.

a) A educação básica obrigatória e gratuita compreende, além do ensino fundamental e


médio, a educação infantil em creches e pré-escolas.

160
b) O sistema municipal de ensino compreende as instituições de educação superior mantidas
pelo Município.
c) As instituições comunitárias são constituídas por grupos de pessoas físicas ou jurídicas,
inclusive cooperativas educacionais, sem fins lucrativos, para difusão de orientação
confessional e ideológica específicas.
d) Não constituem despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino a execução de
programas suplementares de alimentação, assistência médico-odontológica, farmacêutica
e psicológica.
e) É admitida, em caráter complementar, a destinação de recursos públicos às instituições
privadas de ensino, escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem finalidade
lucrativa.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A fim de regulamentar os dispositivos constitucionais pertinentes, a


Lei 9394/96 estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Nesse sentido, considerando
o mandamento inserto no artigo 208, inciso I da Constituição, nos termos do artigo 4º, inciso I
da Lei 9394/97, o dever do estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:

I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete)


anos de idade, organizada da seguinte forma:            
a) pré-escola;
b) ensino fundamental;            
c) ensino médio;

A educação infantil, por sua vez, é oferecida em creches, para crianças de até 3 (três)
anos de idade, e pré-escolas, dos 4 (quatro) aos 5 (cinco) anos (artigo 30 da Lei 9394/96). Portanto,
a educação básica obrigatória compreende, além do ensino fundamental e médio, somente a
educação infantil em pré-escolas.

Alternativa B: Consoante o disposto no artigo 18 da Lei 9394/96, os sistemas


municipais de ensino compreendem:

Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem:


I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil
mantidas pelo Poder Público municipal;
II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa
privada;
III – os órgãos municipais de educação.

161
Destarte, as instituições de educação superior mantidas pelo Município integram o
sistema de ensino dos Estados e do Distrito Federal que compreendem, outrossim, além das
instituições mantidas com recursos próprios, as instituições de ensino fundamental e médio
criadas e mantidas pela iniciativa privada (artigo 17 da lei 9394/96).

Alternativa C: A definição de instituições comunitárias, confessionais e filantrópicas


decorre do artigo 20 da Lei 9394/96:

Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes


categorias:       
I - particulares em sentido estrito, assim entendidas as que são instituídas
e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito
privado que não apresentem as características dos incisos abaixo;
II - comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por grupos
de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive
cooperativas educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua
entidade mantenedora representantes da comunidade
III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos
de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a
orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso
anterior;
IV - filantrópicas, na forma da lei.

Da leitura do dispositivo legal em alusão denota-se, ainda, que o conceito de


instituição filantrópica é residual, assim consideradas, portanto, as instituições privadas de
ensino, sem finalidade lucrativa que não se enquadram na definição de escolas comunitárias ou
confessionais.

Alternativa D: Com efeito, de acordo com o disposto no artigo 71 da Lei 9394/96, não
constituem despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino:

Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento


do ensino aquelas realizadas com:
I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de ensino, ou, quando
efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise, precipuamente, ao
aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão;
II - subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial,
desportivo ou cultural;
III - formação de quadros especiais para a administração pública, sejam
militares ou civis, inclusive diplomáticos;
IV - programas suplementares de alimentação, assistência médico-
odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência

162
social;
V - obras de infra-estrutura, ainda que realizadas para beneficiar direta
ou indiretamente a rede escolar;
VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação, quando
em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e
desenvolvimento do ensino.

Logo, além das demais hipóteses citadas, o custeio de programas suplementares de


alimentação, assistência médico-odontológica, farmacêutica e psicológica decorre de fontes
diversas dos recursos destinados à educação.

Alternativa E: Acerca da destinação de recursos públicos para a manutenção e


o desenvolvimento da educação, dispõe o artigo 77 da lei 9394/97, em consonância com o
disposto no artigo 213 da Constituição:

Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas,


podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou
filantrópicas que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados,
dividendos, bonificações, participações ou parcela de seu patrimônio
sob nenhuma forma ou pretexto;
II - apliquem seus excedentes financeiros em educação;
III - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola
comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso
de encerramento de suas atividades;
IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos.

Portanto, embora vedada a destinação de recursos públicos às instituições privadas


de ensino, as escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas poderão receber subvenções
dessa espécie, se comprovado o preenchimento dos requisitos legais citados.

80 – QUESTÃO:

Acerca da Lei do Parcelamento do Solo Urbano, assinale a alternativa correta:

a) Considera-se loteamento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com


aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na abertura de novas
vias e logradouros públicos.
b) Os lotes terão área mínima de 100 metros quadrado e frente mínima de 5 metros, salvo
quando a legislação estadual ou municipal determinar maiores exigências.
c) Após a elaboração do projeto de loteamento, o interessado deverá solicitar à Prefeitura
Municipal que defina as diretrizes para o uso do solo, traçado dos lotes, do sistema viário e

163
dos espaços livres.
d) A infra-estrutura básica dos parcelamentos é constituída pelos equipamentos urbanos de
escoamento das águas pluviais, iluminação pública, esgotamento sanitário, abastecimento
de água potável, energia elétrica pública e domiciliar e vias de circulação.
e) Admite-se, nos parcelamentos populares, a cessão da posse em que estiverem
provisoriamente imitidas a União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas entidades
delegadas, desde que por instrumento público.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Outra lei importante relacionada ao Direito Urbanístico é a Lei de Parcelamento do


Solo Urbano (Lei 6766).

Alternativa A: As questões de prova costumam inverter os conceitos de


desmembramento e loteamento, Portanto, muita atenção aos seguintes dispositivos legais:

Art. 2º. O parcelamento do solo urbano poderá ser feito mediante


loteamento ou desmembramento, observadas as disposições desta Lei
e as das legislações estaduais e municipais pertinentes.
§ 1º - Considera-se loteamento a subdivisão de gleba em lotes
destinados a edificação, com abertura de novas vias de circulação, de
logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação
das vias existentes.
§ 2º- considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes
destinados a edificação, com aproveitamento do sistema viário existente,
desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros
públicos, nem no prolongamento, modificação ou ampliação dos já
existentes.

NÃO CONFUNDA: No loteamento há abertura de novas vias de circulação, enquanto


no desmembramento não há.

Alternativa B: Conforme o art. 4, II da Lei 6766:

Art. 4, II - os lotes terão área mínima de 125m² (cento e vinte e cinco


metros quadrados) e frente mínima de 5 (cinco) metros, salvo quando
o loteamento se destinar a urbanização específica ou edificação de
conjuntos habitacionais de interesse social, previamente aprovados
pelos órgãos públicos competentes;

164
Alternativa C: Nos termos do art. 6 da Lei 6766:

Art. 6º. Antes da elaboração do projeto de loteamento, o interessado


deverá solicitar à Prefeitura Municipal, ou ao Distrito Federal quando
for o caso, que defina as diretrizes para o uso do solo, traçado dos
lotes, do sistema viário, dos espaços livres e das áreas reservadas para
equipamento urbano e comunitário, apresentando, para este fim,
requerimento e planta do imóvel.

Alternativa D: Alternativa correta, pois está em conformidade com o Art. 2, parág. 5


da Lei 6766:

Art. 2, § 5o  A infra-estrutura básica dos parcelamentos é constituída


pelos equipamentos urbanos de escoamento das águas pluviais,
iluminação pública, esgotamento sanitário, abastecimento de água
potável, energia elétrica pública e domiciliar e vias de circulação.

Alternativa E: Alternativa incorreta, nos termos do art. 26, parág. 3 da Lei 6766:

§ 3o Admite-se, nos parcelamentos populares, a cessão da posse em que


estiverem provisoriamente imitidas a União, Estados, Distrito Federal,
Municípios e suas entidades delegadas, o que poderá ocorrer por
instrumento particular, ao qual se atribui, para todos os fins de direito,
caráter de escritura pública, não se aplicando a disposição do inciso II
do art. 134 do Código Civil.

81 – QUESTÃO:

Acerca do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, assinale a alternativa correta:

a) A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com um certo grau de
ocupação humana, constituída apenas por terras públicas.
b) A Área de Proteção Ambiental deve possuir uma zona de amortecimento e, quando
conveniente, corredores ecológicos.
c) A Reserva da Biosfera é uma das Unidades de Conservação da Natureza de Uso Sustentável.
d) A Floresta Nacional é uma das Unidades de Conservação da Natureza de Uso Sustentável.
e) Considera-se recuperação a restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre
degradada o mais próximo possível da sua condição original.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

165
Alternativa A: A Área de Proteção Ambiental (APA) faz parte do grupo das Unidades
de Uso Sustentável e é constituída por terras públicas ou privadas, conforme o art. 15 da Lei do
SNUC.

Alternativa B: É extremamente importante conhecer a literalidade do art. 25 da Lei


do SNUC:

Art. 25: As unidades de conservação, exceto a Área de Proteção Ambiental


e Reserva Particular do Patrimônio Natural, devem possuir uma zona de
amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos.

Alternativa C: A reserva da biosfera é uma categoria sui generis de unidade de


conservação da natureza, não incluída pela lei do SNUC nem como Unidade de Proteção Integral
nem como Unidade de Uso Sustentável. É um modelo de gestão integrada, participativa e
sustentável dos recursos naturais, conforme o art. 41 da Lei do SNUC:

Art. 41. A Reserva da Biosfera é um modelo, adotado internacionalmente,


de gestão integrada, participativa e sustentável dos recursos naturais,
com os objetivos básicos de preservação da diversidade biológica,
o desenvolvimento de atividades de pesquisa, o monitoramento
ambiental, a educação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a
melhoria da qualidade de vida das populações.
§ 1o A Reserva da Biosfera é constituída por:
I - uma ou várias áreas-núcleo, destinadas à proteção integral da
natureza;
II - uma ou várias zonas de amortecimento, onde só são admitidas
atividades que não resultem em dano para as áreas-núcleo; e
III - uma ou várias zonas de transição, sem limites rígidos, onde o
processo de ocupação e o manejo dos recursos naturais são planejados
e conduzidos de modo participativo e em bases sustentáveis.
§ 2o A Reserva da Biosfera é constituída por áreas de domínio público
ou privado.
§ 3o A Reserva da Biosfera pode ser integrada por unidades de
conservação já criadas pelo Poder Público, respeitadas as normas legais
que disciplinam o manejo de cada categoria específica.

Alternativa D: As categorias de Unidades de Conservação que são Unidades de


Proteção Integral e as que são Unidades de Uso Sustentável são de conhecimento obrigatório do
candidato. TEM QUE MEMORIZAR TODAS! Para facilitar, como as Unidades de Proteção Integral
são em menor quantidade, aconselho que memorize-as, sendo as demais de Uso Sustentável.

Art. 8o O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas

166
seguintes categorias de unidade de conservação:
I - Estação Ecológica;
II - Reserva Biológica;
III - Parque Nacional;
IV - Monumento Natural;
V - Refúgio de Vida Silvestre.
Art. 14. Constituem o Grupo das Unidades de Uso Sustentável as
seguintes categorias de unidade de conservação:
I - Área de Proteção Ambiental;
II - Área de Relevante Interesse Ecológico;
III - Floresta Nacional;
IV - Reserva Extrativista;
V - Reserva de Fauna;
VI – Reserva de Desenvolvimento Sustentável; e
VII - Reserva Particular do Patrimônio Natural.

Alternativa E: Cuidado para não confundir os conceitos de recuperação e restauração,


previstos no art. 2 da Lei 99985.

Art. 2o Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por


XIII - recuperação: restituição de um ecossistema ou de uma população
silvestre degradada a uma condição não degradada, que pode ser
diferente de sua condição original;
XIV - restauração: restituição de um ecossistema ou de uma população
silvestre degradada o mais próximo possível da sua condição original;

82 – QUESTÃO:

Acerca do Estatuto do Idoso:

a) Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos públicos, o idoso


goza de prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria, assegurada a reserva de
pelo menos 5% (cinco por cento) das unidades habitacionais residenciais para atendimento
aos idosos.
b) Incumbe ao Poder Público fornecer aos idosos, gratuitamente, medicamentos,
especialmente os de uso continuado, assim como próteses, órteses e outros recursos relativos
ao tratamento, habilitação ou reabilitação, desde que seja de baixa renda.
c) O acolhimento de idosos em situação de risco social, por adulto ou núcleo familiar,
caracteriza a dependência econômica, para os efeitos legais.
d) Aos maiores de 60 (sessenta) anos fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos
públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados
paralelamente aos serviços regulares.

167
e) As medidas específicas de proteção ao idoso estão previstas no Estatuto do Idoso em um
rol taxativo.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Conforme art. 38 do Estatuto do Idoso:

Art. 38: Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com


recursos públicos, o idoso goza de prioridade na aquisição de imóvel
para moradia própria, assegurada a reserva de pelo menos 3% (três por
cento) das unidades habitacionais residenciais para atendimento aos
idosos.

Alternativa B: Conforme o art. 15, parág. 2 do Estatuto do Idoso:

Art. 15, parág. 2: Incumbe ao Poder Público fornecer aos idosos,


gratuitamente, medicamentos, especialmente os de uso continuado,
assim como próteses, órteses e outros recursos relativos ao tratamento,
habilitação ou reabilitação, INDEPENDENTE DA SITUAÇÃO FINANCEIRA
DO IDOSO.

Alternativa C: Alternativa correta, pois está em conformidade com o disposto no Art.


36 do Estatuto do Idoso:

Art. 36. O acolhimento de idosos em situação de risco social, por adulto


ou núcleo familiar, caracteriza a dependência econômica, para os efeitos
legais.

Alternativa D: É de extrema importância a distinção quanto à gratuidade no sistema


de transporte coletivo público e na gratuidade no sistema de transporte coletivo interestadual.
No primeiro, a idade mínima é de 65 anos. No segundo, a idade mínima é de 60 anos. Entretanto,
no primeiro, a gratuidade é para todos os idosos. Já no transporte interestadual só se garante
a gratuidade em 2 assentos por veículo; e aos demais idosos é assegurado desconto de, no
mínimo, 50%.

Art. 39. Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada


a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-
urbanos, exceto nos serviços seletivos e especiais, quando prestados
paralelamente aos serviços regulares.
§ 1o Para ter acesso à gratuidade, basta que o idoso apresente qualquer

168
documento pessoal que faça prova de sua idade.
§ 2o Nos veículos de transporte coletivo de que trata este artigo,
serão reservados 10% (dez por cento) dos assentos para os idosos,
devidamente identificados com a placa de reservado preferencialmente
para idosos.
§ 3o No caso das pessoas compreendidas na faixa etária entre 60
(sessenta) e 65 (sessenta e cinco) anos, ficará a critério da legislação
local dispor sobre as condições para exercício da gratuidade nos meios
de transporte previstos no caput deste artigo.

Art. 40. No sistema de transporte coletivo interestadual observar-se-á,


nos termos da legislação específica:      (Regulamento)     (Vide Decreto
nº 5.934, de 2006)
I – a reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para idosos com
renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos;
II – desconto de 50% (cinqüenta por cento), no mínimo, no valor das
passagens, para os idosos que excederem as vagas gratuitas, com renda
igual ou inferior a 2 (dois) salários-mínimos.
Parágrafo único. Caberá aos órgãos competentes definir os mecanismos
e os critérios para o exercício dos direitos previstos nos incisos I e II.

Art. 41. É assegurada a reserva, para os idosos, nos termos da lei local,
de 5% (cinco por cento) das vagas nos estacionamentos públicos e
privados, as quais deverão ser posicionadas de forma a garantir a
melhor comodidade ao idoso.

Alternativa E: O Estatuto do Idoso, no art. 45, apresenta, em um rol exemplificativo, e


não taxativo, as medidas de proteção que podem ser determinadas pelo Ministério Público ou
pelo Poder Judiciário, a requerimento daquele.

83 – QUESTÃO:

Sobre a instauração e tramitação do Inquérito Civil, assinale a alternativa correta:

a) O procedimento preparatório deverá ser concluído no prazo de 90 (noventa) dias,


prorrogável por igual prazo, quantas vezes necessário, em caso de motivo justificável.
b) O inquérito civil deverá ser concluído no prazo de um ano, prorrogável uma vez pelo
mesmo prazo, por decisão fundamentada de seu presidente, à vista da imprescindibilidade
da realização ou conclusão de diligências, dando-se ciência ao Conselho Superior do
Ministério Público, à Câmara de Coordenação e Revisão ou à Procuradoria Federal dos
Direitos do Cidadão.
c) Após a instauração do inquérito civil ou do procedimento preparatório, quando o membro

169
que o preside concluir ser atribuição de outro Ministério Público, este deverá submeter sua
decisão ao referendo do órgão de revisão competente, no prazo de 3 (três) dias.
d) Oficiará nos autos do inquérito civil, do procedimento preparatório ou da ação civil pública
o órgão responsável pela promoção de arquivamento não homologada pelo Conselho
Superior do Ministério Público ou pela Câmara de Coordenação e Revisão.
e) O inquérito civil, de natureza bilateral e facultativa, será instaurado para apurar fato que
possa autorizar a tutela dos interesses ou direitos a cargo do Ministério Público nos termos
da legislação aplicável, servindo como preparação para o exercício das atribuições inerentes
às suas funções institucionais.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

O candidato deve conhecer o teor da Resolução 23/07 do CNMP, que trata sobre o
Inquérito Civil Público.

Alternativa A: Nos termos do art. 2, parág 6 da Resolução 23/07 do CNMP:

Art. 2, parágrafo 6: O procedimento preparatório deverá ser concluído


no prazo de 90 (noventa) dias, prorrogável por igual prazo, UMA ÚNICA
VEZ, em caso de motivo justificável.

Alternativa B: Conforme o art 9 da Resolução 23/07 do CNMP:

Art. 9: O inquérito civil deverá ser concluído no prazo de um


ano, prorrogável pelo mesmo prazo e QUANTAS VEZES FOREM
NECESSÁRIAS, por decisão fundamentada de seu presidente, à vista
da imprescindibilidade da realização ou conclusão de diligências,
dando-se ciência ao Conselho Superior do Ministério Público, à Câmara
de Coordenação e Revisão ou à Procuradoria Federal dos Direitos do
Cidadão.

Portanto, não confunda a prorrogação do Inquérito Civil com a prorrogação do


Procedimento Preparatório: este só pode ser prorrogado uma vez, enquanto o Inquérito Civil
pode ser prorrogado quantas vezes forem necessárias.

Alternativa C: Alternativa correta, pois está em conformidade com o Art. 9-A da


Resolução 23/07 do CNMP.

Alternativa D: Conforma o art. art. 11 da Resolução 23/07 do CNMP:

170
Art. 11: Não oficiará nos autos do inquérito civil, do procedimento
preparatório ou da ação civil pública o órgão responsável pela
promoção de arquivamento não homologada pelo Conselho Superior
do Ministério Público ou pela Câmara de Coordenação e Revisão.

Alternativa E: O inquérito civil, conforme a própria Resolução do CNMP, tem natureza


unilateral, e não bilateral, como está na alternativa.

Art. 1º O inquérito civil, de natureza unilateral e facultativa, será


instaurado para apurar fato que possa autorizar a tutela dos interesses
ou direitos a cargo do Ministério Público nos termos da legislação
aplicável, servindo como preparação para o exercício das atribuições
inerentes às suas funções institucionais.

84 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta sobre a Ação Civil Pública:

a) O despacho da petição inicial prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações


posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto.
b) Os recursos nas Ações Civis Públicas terão efeito suspensivo.
c) Qualquer pessoa, assim como o servidor público, deverá provocar a iniciativa do Ministério
Público, ministrando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto de ação civil.
d) A multa cominada liminarmente só será exigível do réu após o trânsito em julgado da
decisão favorável ao autor.
e) A Lei de Ação Civil Pública qualifica a competência na ação civil pública como territorial, e
portanto, absoluta.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A Lei de Ação Civil Pública fala em propositura da petição inicial, e não
em despacho, como trouxe a alternativa.

Art. 2, parágrafo único: A propositura da petição inicial prevenirá a


jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que
possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto.

Alternativa B: Conforme o art. 14 da Lei de Ação Civil Pública, os recursos só terão


efeito suspensivo quando o juiz assim decidir:

171
Art. 14: O juiz conferirá efeito suspensivo aos recursos, para evitar dano
irreparável à parte.

Alternativa C: Nos termos do art. 6 da Lei de Ação Civil Pública:

Art. 6º Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar


a iniciativa do Ministério Público, ministrando-lhe informações sobre
fatos que constituam objeto da ação civil e indicando-lhe os elementos
de convicção.

Alternativa D: Alternativa correta, pois está em conformidade com o art. 12, parág. 2
da LACP.

Alternativa E: O art. 2 da LACP qualifica a competência na ação civil pública como


funcional:

Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde
ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e
julgar a causa.

Ela é determinada pelo local do dano, o que, normalmente, implicaria hipótese de


competência relativa. Entretanto, por ser funcional, a competência aí estabelecida é absoluta.
Sendo absoluta, pode ser declinada de ofício, pelo órgão jurisdicional, a qualquer tempo, e é
inalterável pela vontade das partes. Parte da doutrina critica a denominação legal (competência
funcional), entendendo que a competência determinada pelo local do dano não é funcional,
mas territorial, embora excepcionalmente absoluta.

85 – QUESTÃO:

Acerca da tutela jurisdicional dos interesses coletivos e difusos das pessoas portadoras de
deficiência, assinale a alternativa incorreta:

a) A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência da ação fica sujeita ao duplo
grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal.
b) O Ministério Público intervirá obrigatoriamente nas ações públicas, coletivas ou individuais,
em que se discutam interesses relacionados à deficiência das pessoas.
c) Para instruir a inicial, o interessado poderá requerer às autoridades competentes as
certidões e informações que julgar necessárias, que somente poderão ser negadas quando
o interesse público, devidamente justificado, impuser sigilo. Nesses casos, cabe ao juiz
requisita-las, ainda que se trate de razões de segurança nacional.
d) Os órgãos e entidades da Administração direta e indireta devem proporcionar a matrícula
compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas

172
portadoras de deficiência capazes de se integrarem no sistema regular de ensino.
e) As ações civis públicas destinadas à proteção de interesses coletivos ou difusos das
pessoas portadoras de deficiência poderão ser propostas pelo Ministério Público, pela
União, Estados, Municípios e Distrito Federal; por associação constituída há mais de 1 (um)
ano, nos termos da lei civil, autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade de economia
mista que inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção das pessoas portadoras de
deficiência.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa correta, conforme o art. 4, parág. 1 da Lei 7853.

Alternativa B: Alternativa correta, conforme o art. 5 da Lei 7853.

Alternativa C: Alternativa incorreta, pois está em desconformidade com art. 3, parág.


4 da Lei 7853.

Art. 3 § 4º Ocorrendo a hipótese do parágrafo anterior, a ação poderá


ser proposta desacompanhada das certidões ou informações negadas,
cabendo ao juiz, após apreciar os motivos do indeferimento, e, salvo
quando se tratar de razão de segurança nacional, requisitar umas e
outras; feita a requisição, o processo correrá em segredo de justiça, que
cessará com o trânsito em julgado da sentença.

Alternativa D: Alternativa correta, conforme o art. 2 da Lei 7853.

Art. 2º Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas


portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos,
inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à
previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros
que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar
pessoal, social e econômico.
Parágrafo único. Para o fim estabelecido no caput deste artigo, os órgãos
e entidades da administração direta e indireta devem dispensar, no
âmbito de sua competência e finalidade, aos assuntos objetos esta Lei,
tratamento prioritário e adequado, tendente a viabilizar, sem prejuízo
de outras, as seguintes medidas:
I - na área da educação:
f) a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos
públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de

173
se integrarem no sistema regular de ensino;

Alternativa E: Inicialmente, a Lei 7853, que dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras
de deficiência, não elencava a Defensoria Pública como legitimada a propor Ação Civil Pública
para defesa dos interesses dos portadores de deficiência. Entretanto, em 2015, houve uma
alteração legislativa e a Defensoria Pública também consta como legitimada para a propositura
de tais ACPs.

Art. 3º As ações civis públicas destinadas à proteção de interesses


coletivos ou difusos das pessoas portadoras de deficiência poderão ser
propostas pelo Ministério Público, pela União, Estados, Municípios e
Distrito Federal; por associação constituída há mais de 1 (um) ano, nos
termos da lei civil, autarquia, empresa pública, fundação ou sociedade
de economia mista que inclua, entre suas finalidades institucionais, a
proteção das pessoas portadoras de deficiência. 
Art. 3o  As medidas judiciais destinadas à proteção de interesses coletivos,
difusos, individuais homogêneos e individuais indisponíveis da pessoa
com deficiência poderão ser propostas pelo Ministério Público, pela
Defensoria Pública, pela União, pelos Estados, pelos Municípios, pelo
Distrito Federal, por associação constituída há mais de 1 (um) ano, nos
termos da lei civil, por autarquia, por empresa pública e por fundação
ou sociedade de economia mista que inclua, entre suas finalidades
institucionais, a proteção dos interesses e a promoção de direitos da
pessoa com deficiência. 

A alternativa E, portanto, está incorreta.

86 – QUESTÃO:

Acerca do Compromisso de Ajustamento de conduta, assinale a alternativa correta:

a) Todos aqueles legitimados para a propositura da Ação Civil Pública podem firmar
Compromisso de Ajustamento de Conduta.
b) O compromisso de ajustamento de conduta tem eficácia de título executivo judicial.
c) A falta de previsão de multa no termo de compromisso acarreta a sua nulidade.
d) O compromisso deve fixar apenas o modo, lugar e tempo no qual o dano ao interesse
transindividual deve ser reparado, não podendo abdicar do conteúdo do interesse tutelado.
e) As obrigações constantes no termo de compromisso só podem ser de fazer, de não fazer
ou de pagar, não podendo ser de entregar coisa.

RESPOSTA: Alternativa D.

174
COMENTÁRIOS:

Os acordos extrajudiciais que versem sobre interesses metaindividuais são chamados


compromissos de ajustamento de conduta. Por meio deles, os responsáveis pelo dano ou
ameaça aos direitos metaindividuais assumem o compromisso de que adequarão sua conduta
às exigências legais, reparando o dano ou afastando a pena, sob pena de cominações. Foi o ECA,
no art. 211, quem introduziu o compromisso de ajustamento de conduta em nosso ordenamento,
embora limitado ao direito das crianças e dos adolescentes. Posteriormente, o CDC acresceu o
parág. 6 ao art. 5 da LACP, disciplinando o Compromisso de Ajustamento de Conduta.

Vale ressaltar que a Lei 12.529/11 prevê uma modalidade específica de compromisso
de ajustamento de conduta, denominada: compromisso de cessação da prática sob investigação
ou dos seus efeitos lesivos”, a ser tomado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(CADE) em hipóteses de infração à ordem econômica (art. 85).

Uma questão importante diz respeito à natureza jurídica do Compromisso de


Ajustamento de conduta. Uma primeira corrente entende que referido instrumento tem
natureza de transação, embora não seja possível, por meio dele, fazer concessão quanto ao
direito material, mas tão somente dispor quanto ao modo, tempo e lugar do cumprimento da
obrigação. Uma segunda corrente entende que, conforme os arts. 840 e 841 do CC, a transação
é forma de resolução de litígios na qual há concessões mútuas, somente sendo admita em
relação a direitos patrimoniais de caráter privado. Ocorre que, no compromisso de ajustamento
de conduta, não há concessões mútuas de direito material. Aqueles que refutam a natureza de
transação do compromisso, ainda se dividem: alguns entendem que é um ato jurídico unilateral
quanto à manifestação de vontade, pois apenas o compromissário assume compromisso, e
bilateral quanto à formalização, pois nele intervém o órgão público e o compromissário; outros
entendem que possui natureza jurídica de acordo, e alguns, como o autor Hugo Nigro Mazzilli,
entendem que a natureza do compromisso de ajustamento de conduta é de ato administrativo
negocial.

A par da divergência doutrinária, o STJ, excepcionalmente, já entendeu ser possível


transação envolvendo direitos difusos, quando não for possível a recondução do meio ao status
quo ante.

Alternativa A: Apenas os órgãos públicos legitimados à propositura da Ação Civil


Pública podem firmar Compromisso de Ajustamento de Conduta, conforme o art. 5, parág. 6 da
LACP:

Art. 5, § 6° Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos


interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências
legais, mediante cominações, que terá eficácia de título executivo
extrajudicial.

175
Há uma controvérsia em relação à legitimidade das empresas públicas e sociedades
de economia mista para celebração de compromisso de ajustamento de conduta, pois apesar
de possuírem personalidade jurídica de Direito Privado, estão ligadas à Administração Pública.
Uma primeira corrente entende que eles não são legitimados, pois não possuem personalidade
jurídica de direito público; outra corrente, por sua vez, defende que se essas pessoas jurídicas se
destinam à prestação de serviços públicos, estarão legitimados; por sua vez, se têm como objeto
a exploração de atividade econômica, não serão legitimados. Não há prevalência de nenhuma
das correntes, de maneira que cabe ao candidato expor o conhecimento acerca do tema.

Ademais, há que se destacar que, se o rol dos legitimados à celebração do termo de


compromissos é restrito aos entes públicos, o mesmo não se dá em relação aos legitimados à
sua execução. Desta forma, qualquer dos colegitimados aptos a proporem a ação civil pública
em relação ao objeto do termo de compromisso poderá executá-lo, e o Ministério Público, por
força do Princípio da Obrigatoriedade, DEVERÁ executá-lo.

Alternativa B: O compromisso de ajustamento de conduta tem eficácia de título


executivo extrajudicial, conforme disposição prevista no art. 5, parág. 6 da LACP.

Alternativa C: Para compelir o compromissário a cumprir suas obrigações na forma


pactuada, o compromisso deve prever cominações. Entretanto, a falta de previsão de multa no
termo de compromisso não acarreta a sua nulidade; nesse caso, o próprio juiz poderá fixa-la.

Alternativa D: Com relação ao objeto do Compromisso de Ajustamento de Conduta,


o tomador do compromisso não é titular do interesse em questão, não podendo abdicar, ainda
que parcialmente, do seu conteúdo.

Alternativa E: As obrigações constantes do termo de compromisso podem ser de


fazer, de não fazer, de entregar coisa ou de pagar.

A alternativa E, portanto, está incorreta.

176
DIREITOS HUMANOS
PROF. TALLITA SAMPAIO

87 – QUESTÃO:

Acerca do Sistema Único de Saúde, assinale a alternativa incorreta:

a) Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir


ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio
ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde,
abrangendo o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente
com a saúde.
b) É vedada a transferência de recursos para o financiamento de ações não previstas nos
planos de saúde, exceto em situações emergenciais ou de calamidade pública, na área de
saúde.
c) Um dos princípios do SUS é o da descentralização político-administrativa, com ênfase na
descentralização dos serviços para os municípios.
d) Não será permitida a destinação de subvenções e auxílios a instituições prestadoras de
serviços de saúde com finalidade lucrativa
e) O processo de planejamento e orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) será
descendente, do nível federal até o local, ouvidos seus órgãos deliberativos, compatibilizando-
se as necessidades da política de saúde com a disponibilidade de recursos em planos de
saúde dos Municípios, dos Estados, do Distrito Federal e da União.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Alternativa correta, vez que reproduz o teor do art. 6, aprág. 1 da Lei
8080.

§ 1º Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de


eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas
sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de
bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo:
I - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se
relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos,
da produção ao consumo; e
II - o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou
indiretamente com a saúde.

177
Alternativa B: Alternativa correta, vez que reproduz o teor do art. 36, parág. 2 da Lei
do SUS.

Alternativa C: Alternativa correta, nos termos do art. 7, IX , a da Lei 8080:

Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados


contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde
(SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art.
198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios:
(...)
IX - descentralização político-administrativa, com direção única em
cada esfera de governo:
a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios;

Alternativa D: Alternativa correta, pois reproduz o teor do art. 38 da Lei do SUS.

Alternativa E. Esta é a alternativa incorreta, pois em desconformidade com o art. 36


da Lei 8080:

O processo de planejamento e orçamento do Sistema Único de Saúde


(SUS) será ascendente, do nível local até o federal, ouvidos seus órgãos
deliberativos, compatibilizando-se as necessidades da política de saúde
com a disponibilidade de recursos em planos de saúde dos Municípios,
dos Estados, do Distrito Federal e da União.

Depois de um tempo resolvendo questões sobre Lei do SUS, e lendo a Lei, aprendemos
que um dos princípios do SUS é exatamente a DESCENTRALIZAÇÃO político-administrativa,
com descentralização dos serviços PARA OS MUNICÍPIOS (art. 7, IX da Lei do SUS). Aí vem o
art. 36 da Lei e diz que o processo de planejamento e orçamento do SUS será ASCENDENTE,
do nível LOCAL para o FEDERAL – o contrário da descentralização que já tínhamos aprendido
(a ideia de descentralização denota um sentido descendente, da União para os Municípios).
Por isto, é comum errarmos uma questão como essa. Agora, não confundam: o PRINCÍPIO está
relacionado á DESCENTRALIZAÇÃO, mas o ORÇAMENTO é ascendente.

88 – QUESTÃO:

De acordo com a Lei 10.216/01, que dispõe sobre proteção e os direitos das pessoas
portadoras de transtornos mentais, assinale a alternativa incorreta:

a) A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos


extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.
b) É direito da pessoa portadora de transtorno mental ter livre acesso aos meios de

178
comunicação disponíveis.
c) É direito da pessoa portadora de transtorno mental ser tratada, obrigatoriamente, em
serviços comunitários de saúde mental.
d) É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições
com características asilares
e) O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave
dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social,
será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida, sob
responsabilidade da autoridade sanitária competente e supervisão de instância a ser definida
pelo Poder Executivo, assegurada a continuidade do tratamento, quando necessário.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

A Lei 10.216 também vem sendo muito cobrada em provas de Ministério Público.
Não tem jeito: tem que ler a letra da lei.

Alternativa A: Esta alternativa está correta, nos termos do art. 4 da Lei.

Alternativa B: Esta alternativa está correta, nos termos do art. 2, parág. Único, VI da
Lei.

Alternativa C: Esta é a alternativa incorreta. A pessoa portadora de transtornos


mentais tem o direito de PREFERENCIALMENTE, e não OBRIGATORIAMENTE, ser tratada em
serviços comunitários de saúde mental. Vejam o art. 2, parág. Único, IX da Lei:

Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:


(...)
IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde
mental.

Alternativa D: Esta alternativa está correta, nos termos do art. 3, parág. 3 da Lei.

Alternativa E: Esta alternativa está correta, nos termos do art. 5 da Lei.

89 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta, de acordo com o Estatuto da Igualdade Racial:

a) Os agentes financeiros, públicos ou privados, promoverão ações para viabilizar o acesso


da população negra aos financiamentos habitacionais.

179
b) Na produção de filmes e programas destinados à veiculação pelas emissoras de televisão e
em salas cinematográficas, deverá ser adotada a prática de conferir oportunidades de emprego
para atores, figurantes e técnicos negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de
natureza política, ideológica, étnica ou artística. Essa  exigência se aplica inclusive aos filmes
e programas que abordem especificidades de grupos étnicos determinados.
c) Sem prejuízo da destinação de recursos ordinários, poderão ser consignados nos
orçamentos fiscal e da seguridade social para financiamento das ações para promoção da
igualdade racial transferências voluntárias dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
sendo vedada doações de Estados estrangeiros para este fim.
d) As diretrizes das políticas nacional e regional de promoção da igualdade étnica serão
elaboradas por órgão colegiado do Poder Executivo Federal, sem a participação da sociedade
civil.
e) o Estatuto da Igualdade Racial adota como diretriz político-jurídica a inclusão das vítimas
de desigualdade étnico-racial, a valorização da igualdade étnica e a promoção de ajustes
normativos para aperfeiçoar o combate à discriminação étnica e às desigualdades étnicas
em todas as suas manifestações individuais, institucionais e estruturais.

RESPOSTA: ALTERNATIVA A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Essa alternativa está correta:

Art. 37.  Os agentes financeiros, públicos ou privados, promoverão


ações para viabilizar o acesso da população negra aos financiamentos
habitacionais.

Alternativa B: Alternativa incorreta, pois em desconformidade com o art. 44 da Lei.

Art. 44: Na produção de filmes e programas destinados à veiculação pelas


emissoras de televisão e em salas cinematográficas, deverá ser adotada
a prática de conferir oportunidades de emprego para atores, figurantes
e técnicos negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de
natureza política, ideológica, étnica ou artística.
Parágrafo único.  A exigência disposta no  caput  não se aplica aos
filmes e programas que abordem especificidades de grupos étnicos
determinados.

Alternativa C: O art. 57 da Lei permite sim doações de estados estrangeiros para fins
de promoção da igualdade racial.

Art. 57.  Sem prejuízo da destinação de recursos ordinários, poderão

180
ser consignados nos orçamentos fiscal e da seguridade social para
financiamento das ações de que trata o art. 56:
I - transferências voluntárias dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios;
II - doações voluntárias de particulares;
III - doações de empresas privadas e organizações não governamentais,
nacionais ou internacionais;
IV - doações voluntárias de fundos nacionais ou internacionais;
V - doações de Estados estrangeiros, por meio de convênios, tratados e
acordos internacionais.

Alternativa D: De acordo com o art. 49, parág. 3 da Lei, haverá sim participação da
sociedade civil:

§ 3o  As diretrizes das políticas nacional e regional de promoção da


igualdade étnica serão elaboradas por órgão colegiado que assegure a
participação da sociedade civil.

Alternativa E: A promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o combate à


discriminação étnica e às desigualdades étnicas em todas as suas manifestações individuais,
institucionais e estruturais não é uma diretriz.

Art. 3 Art. 3o  Além das normas constitucionais relativas aos princípios
fundamentais, aos direitos e garantias fundamentais e aos direitos
sociais, econômicos e culturais, o Estatuto da Igualdade Racial adota
como diretriz político-jurídica a inclusão das vítimas de desigualdade
étnico-racial, a valorização da igualdade étnica e o fortalecimento da
identidade nacional brasileira.

Art. 4o  A participação da população negra, em condição de igualdade


de oportunidade, na vida econômica, social, política e cultural do País
será promovida, prioritariamente, por meio de:
I - inclusão nas políticas públicas de desenvolvimento econômico e
social;
II - adoção de medidas, programas e políticas de ação afirmativa;
III - modificação das estruturas institucionais do Estado para o adequado
enfrentamento e a superação das desigualdades étnicas decorrentes do
preconceito e da discriminação étnica;
IV - promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o combate à
discriminação étnica e às desigualdades étnicas em todas as suas
manifestações individuais, institucionais e estruturais;
V - eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais e institucionais

181
que impedem a representação da diversidade étnica nas esferas pública
e privada;
VI - estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas oriundas da sociedade
civil direcionadas à promoção da igualdade de oportunidades e ao
combate às desigualdades étnicas, inclusive mediante a implementação
de incentivos e critérios de condicionamento e prioridade no acesso aos
recursos públicos;
VII - implementação de programas de ação afirmativa destinados ao
enfrentamento das desigualdades étnicas no tocante à educação,
cultura, esporte e lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, meios
de comunicação de massa, financiamentos públicos, acesso à terra, à
Justiça, e outros.

90 – QUESTÃO:

Sobre o sistema interamericano de Direitos Humanos, é incorreto afirmar que:

a) A Convenção americana instituiu o sistema de petições individuais de maneira obrigatória.


b) A Comissão interamericana de Direitos Humanos pode realizar visitas e inspeções in loco
independente da anuência do Estado Brasileiro.
c) Somente a Comissão e os Estados partes podem submeter um caso à decisão da Corte,
não se conferindo legitimidade a pessoas ou grupo de pessoas.
d) A competência da Corte é de natureza facultativa, ou seja: ela somente pode atuar em
relação aos Estados que declarem reconhecer a competência dela como obrigatória para os
casos envolvendo a aplicação do sistema interamericano.
e) A Corte tem competência para deferir medidas provisórias.

RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Esta alternativa está correta. A Convenção americana instituiu o


sistema de petições individuais de maneira obrigatória, não facultativa, e nisso se diferenciou da
maioria das convenções internacionais sobre Direitos Humanos que instituem esse mecanismo,
que costumam exigir uma declaração expressa do Estado no sentido de se submeter a essa
sistemática.

Alternativa B: Esta é a alternativa incorreta. A Comissão, ao admitir uma petição ou


comunicação sobre violação de direitos humanos, procederá ao exame do caso, podendo, se
entender necessário, promover uma investigação. O Brasil, ao depositar a Convenção, fez uma
reserva no sentido de que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos somente pode
realizar visitas e inspeções in loco mediante anuência expressa do Estado Brasileiro.

182
Alternativa C: Esta alternativa está correta. Somente a Comissão e os Estados partes
podem submeter um caso à decisão da Corte, não se conferindo legitimidade a pessoas ou
grupo de pessoas. O que estes podem fazer é acionar a Comissão, para que essa instaure um
procedimento e, se entender pertinente, submeta o caso à Corte. Ademais, há um caso em que
pessoas podem peticionar diretamente à Corte, extraída a partir do art. 63.2 da Convenção: no
casos que já estiverem submetidos à Corte, pessoas que estiverem ameaçadas de sofrer danos
irreparáveis podem pedir ao Tribunal que defira medida provisória visando evitar o dano.

Alternativa D: Alternativa correta.

Alternativa E: Alternativa correta. Vale lembrar que medidas provisórias, neste caso,
equivalem às medidas liminares.

183
DIREITO ADMINISTRATIVO
PROF. TALLITA SAMPAIO

91 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta, de acordo com a Lei de licitações:

a) Em caso de consórcios públicos, aplicar-se-á o dobro dos valores fixados na lei para definir
as modalidades de licitação, quando formado por até 3 entes da federação, e o triplo, quando
formado por maior número.
b) Em caso de consórcios públicos, aplicar-se-á o dobro dos valores fixados na lei para a
dispensa de licitação, quando formado por até 3 entes da federação, e o triplo, quando
formado por maior número.
c) Os percentuais para dispensar a licitação serão 20% para compras, obras e serviços
contratados por consórcios públicos, sociedade de economia mista, empresa pública e por
autarquia ou fundação qualificadas, na forma da lei, como agências reguladoras.
d) Em caso de consórcios públicos, sociedade de economia mista, empresa pública e por
autarquia ou fundação qualificadas, na forma da lei, como agências reguladoras, aplicar-
se-á o dobro dos valores fixados na lei para as modalidades de licitação, quando formado
por até 3 entes da federação, e o triplo, quando formado por maior número.
e) Os percentuais para dispensar a licitação serão 20% para compras, obras e serviços
contratados por consórcios públicos formados por até 3 entes; e 30%, quando formado por
maior número.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

CUIDADO PARA NÃO CONFUNDIR: EM SE TRATANTO DOS PERCENTUAIS PARA DEFINIR


AS MODALIDADES DE LICITAÇÃO, aplicar-se-á o dobro para consórcio público formado por até
3 entes, e o triplo, quando formado por maior número. (e aqui, o percentual diferenciado é
apenas para os consórcios).

Art. 23 § 8o  No caso de consórcios públicos, aplicar-se-á o dobro dos


valores mencionados no caput deste artigo quando formado por até 3
(três) entes da Federação, e o triplo, quando formado por maior número.

Já em se tratando do percentual para dispensa da licitação, este será de 20% (e não


10%, como é a regra geral), consórcios públicos, sociedade de economia mista, empresa pública
e por autarquia ou fundação qualificadas, na forma da lei, como agências executivas (e não
reguladoras).

184
Art. 24 § 1o  Os percentuais referidos nos incisos I e II do  caput  deste
artigo serão 20% (vinte por cento) para compras, obras e serviços
contratados por consórcios públicos, sociedade de economia mista,
empresa pública e por autarquia ou fundação qualificadas, na forma da
lei, como Agências Executivas.  

Alternativa A: Esta é a alternativa correta.

Alternativa B: Aplicar-se-á em dobro ou triplo o valor relacionado às modalidade de


licitação, e não para dispensa (para essa, será de 20%).

Alternativa C: O percentual de 20% para a dispensa será aplicado á agência executiva,


e não a agência reguladora.

Alternativa D: O valor para definir a modalidade de licitação será o dobro ou o triplo


apenas para os consórcios, e não para consórcios, sociedade de economia mista, empresa
pública e autarquia (estas têm apenas o benefício de 20% para a dispensa da licitação, mas não
para definir as modalidades).

Alternativa E: O percentual para dispensa da licitação será de 20% para os consórcios,


não havendo diferença se o mesmo for formado por 3 ou mais entes (essa diferença existe
quanto às modalidades de licitação).

92 – QUESTÃO:

A duração dos contratos regidos pela Lei de licitações fica adstrita à vig6encia dos respectivos
créditos orçamentários, exceto quanto aos relativos:

a) ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática, podendo a


duração estender-se pelo prazo de até 60 meses.
b) à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua
duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos, limitada a quarenta e oito meses. Em
caráter excepcional, devidamente justificado e mediante autorização da autoridade superior,
este prazo pode ser prorrogado em até 12 meses.
c) em determinados casos de contratação direta, cujos contratos poderão ter vigência por
até 180 dias.
d) ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática, podendo a
duração estender-se pelo prazo de até 48 meses. Em caráter excepcional, devidamente
justificado e mediante autorização da autoridade superior, este prazo pode ser prorrogado
em até 12 meses.
e) à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua
duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos, limitada a sessenta meses. Em caráter

185
excepcional, devidamente justificado e mediante autorização da autoridade superior, este
prazo pode ser prorrogado em até 12 meses.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Todo contrato administrativo tem prazo determinado, e via de regra é adstrito á


vigência dos respectivos créditos orçamentários, nos termos do art. 57 da Lei 8666 (ou seja: de
no máximo 12 meses). Entretanto, a própria lei traz exceções:

1) Quando o objeto estiver previsto no plano Plurianual (PPA): pode durar até 4 anos;
2) Quando for contrato de prestação contínua: de até 60 meses. Mas, em casos
excepcionais, esse prazo pode ser prorrogado por mais 12 meses.
3) Em caso de aluguel de equipamentos e programas de informática: até 48 meses.
4) Em algumas hipóteses de contratação direta: até 120 dias.

Isso está previsto no art. 57 da Lei:

Art. 57.  A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará adstrita à
vigência dos respectivos créditos orçamentários, exceto quanto aos
relativos:
I  -  aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas
estabelecidas no Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se
houver interesse da Administração e desde que isso tenha sido previsto
no ato convocatório;
II - à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que
poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos
com vistas à obtenção de preços e condições mais vantajosas para a
administração, limitada a sessenta meses;           (Redação dada pela Lei
nº 9.648, de 1998)
IV  -  ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de
informática, podendo a duração estender-se pelo prazo de até 48
(quarenta e oito) meses após o início da vigência do contrato. 
V - às hipóteses previstas nos incisos IX, XIX, XXVIII e XXXI do art. 24,
cujos contratos poderão ter vigência por até 120 (cento e vinte) meses,
caso haja interesse da administração.         
§  4o    Em caráter excepcional, devidamente justificado e mediante
autorização da autoridade superior, o prazo de que trata o inciso II do
caput deste artigo poderá ser prorrogado por até doze meses.      

Alternativa A: esta alternativa está incorreta, pois neste caso o prazo é de 48 meses.

186
Alternativa B: esta alternativa está incorreta, pois neste caso o prazo é de 60 meses
+ 12.

Alternativa C: esta alternativa está incorreta, pois neste caso o prazo é de 120 dias.

Alternativa D: esta alternativa está incorreta, pois neste caso o prazo máximo é de 48
meses e pronto. Não há a possibilidade de prorrogar por mais 12 meses, como há nos casos de
prestação continua.

Alternativa E: Esta é a alternativa correta.

93 – QUESTÃO:

Com relação aos contratos administrativos:

I – O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou


supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% do valor inicial atualizado
do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou equipamento, esses acréscimos e
supressões podem chegar até 50%;
II – Constitui motivo para rescisão do contrato a suspensão da sua execução, por prazo
superior a 90 (noventa) dias, salvo em caso de calamidade pública, grave perturbação da
ordem interna ou guerra, ou ainda por repetidas suspensões que totalizem o mesmo prazo;
III – Os contratos administrativos poderão ser alterados, por acordo das partes, para
restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado
e a retribuição da Administração para a justa remuneração da obra, quando sobrevier uma
atuação do poder público, geral e abstrata, que atinja o contrato de forma indireta e reflexa,
conhecido como fato do príncipe.

a) Apenas o item III está correto.


b) Todos os itens estão incorretos.
c) Os itens I e III estão corretos.
d) Os itens I e II estão corretos.
e) apenas o item I está correto.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

I – O regime jurídico dos contratos administrativos atribui à Administração a prerrogativa


de, no curso da execução do contrato, alterá-lo unilateralmente (independentemente da
concordância do contratado), dentro dos limites previstos na lei, com o objetivo de possibilitar
a melhor adequação ao interesse público. Em razão dessa possibilidade, nos contratos

187
administrativos não se aplica integralmente o princípio pacta sunt servanda, segundo o qual
as partes devem cumprir fielmente o que foi pactuado. De acordo com o art. 65, I da Lei 8666,
a alteração unilateral do contrato administrativo pode ocorrer: quando houver modificação do
projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos (alteração
qualitativa), ou quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de
acréscimo ou diminuição quantitativas de seu objeto, respeitados os limites legais (alteração
quantitativa).

A lei 8666, no art. 65, parág. 1, estabeleceu expressamente apenas limites para as
alterações unilaterais quantitativas, ficando silente em relação aos limites para as alterações
unilaterais qualitativas. Por isso, parte da doutrina passou a afirmar que as alterações unilaterais
qualitativas não estariam sujeitas a quaisquer limites. Outra parcela sustenta que a existência de
limites é indispensável, propondo a adoção de regras idênticas estipuladas para as alterações
quantitativas. O TCU já se filiou a esta segunda corrente, argumentando que o próprio dispositivo
que autoriza alterações unilaterais (art. 58, I da Lei 8666) exige o respeito ao contratado, não
sendo lícito exigir-lhe uma sujeição a alterações ilimitadas no contrato administrativo com
potencial prejuízo ao equilíbrio econômico – financeiro da avença.

Vale ressaltar que, embora o contratado esteja obrigado a aceitar as modificações


unilaterais impostas pela Administração, dentro dos limites legais, ele possui direito à manutenção
do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato. Desta forma, se houver acréscimo ou
supressão do objeto contratual, deverá ser feito aditivo contratual ajustando o valor do contrato
proporcionalmente aos novos encargos do contratado, evitando enriquecimento sem causa de
qualquer das partes (art. 65, parág. 6 da Lei 8666).

Nos termos do art. 65, parág. 1 da Lei 8666, o contratado fica obrigado a aceitar, nas
mesmas condições contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços
ou compras, até 25% do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de
edifício ou equipamento, apenas os acréscimos podem chegar até 50%, e não os acréscimos e
supressões, como consta no item I da questão. Por esta razão, o item I está incorreto.

§  1o  O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições


contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras,
serviços ou compras, até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial
atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou
de equipamento, até o limite de 50% (cinqüenta por cento) para os seus
acréscimos.

II – A rescisão do contrato administrativo é a extinção do vínculo obrigacional entre


a Administração e o Contratado motivada por um fato superveniente, que pode ser, de modo
geral, o descumprimento contratual por parte da própria administração ou do contratado,
razões de interesse público, ou mesmo a ocorrência de caso fortuito ou força maior que impeça

188
a execução contratual. A Lei elencou, no art. 78, as causas gerais de rescisão dos contratos
administrativos.

A rescisão contratual pode ser: amigável, judicial ou unilateral. Apenas a rescisão


unilateral se constitui em cláusula exorbitante pertinente aos contratos administrativos. As
demais (amigável e judicial) são comuns a qualquer contrato privado.

A rescisão amigável do contrato administrativo é aquela firmada por acordo entre


as partes, desde que haja conveniência para a Administração. Embora a lei não enumere os
casos de rescisão contratual amigável, ela é cabível em qualquer das hipóteses do art. 78 da
Lei 8666, desde que o acordo atenda ao interesse público e à conveniência da Administração.
Assim, mesmo nos casos em que seja possível a rescisão unilateral pela Administração, se houver
interesse do particular em rescindir amigavelmente o contrato, não há porque lhe negar tal
pleito.

A rescisão judicial normalmente decorre de requerimento do contratado, já que este


não tem a possibilidade de rescindir o contrato unilateralmente. Isso porque, se o contratado
não obtiver a rescisão amigável, não lhe restará outra alternativa para extinguir o vínculo a não
ser mediante a propositura da ação judicial com essa finalidade. Por outro lado, a princípio,
não faz sentido que a Administração recorra ao Poder Judiciário para obter a rescisão, visto
que, havendo descumprimento contratual por parte do contratado ou mesmo a presença de
interesse público, sempre haverá a prerrogativa de rescindir unilateralmente o vínculo.

A rescisão unilateral por parte da Administração é aquela que extingue a relação


contratual por manifestação de vontade exclusiva do Poder Público, o que pode ser motivado
pela inexecução total ou parcial do contrato por parte do contratado ou mesmo por razões de
interesse público.

Segundo o art. 78, XIV da Lei 8666:

Constitui motivo para rescisão do contrato a suspensão da sua


execução, por prazo superior a 120 (cento e vinte) dias, salvo em caso
de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra,
ou ainda por repetidas suspensões que totalizem o mesmo prazo;

O item II, portanto, está incorreto.

III – A mutabilidade é uma das características dos contratos administrativos e pode


decorrer das cláusulas exorbitantes, que permitem a sua alteração ou rescisão unilateral por
interesse público antes do prazo estabelecido, ou de acontecimentos que dificultam ou retardam
a execução do contrato, tornando-o mais oneroso, ou mesmo impedindo o seu prosseguimento.

189
As formas de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos são classificadas pela
doutrina como reajuste e revisão. O reajuste é uma fórmula prevista no contrato e utilizada
para proteger os contratados dos efeitos inflacionários. A Lei 8666/93, no art. 55, III, prevê como
cláusula necessária em todo contrato a que estabeleça o preço e as condições de pagamento,
os critérios, data-base e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios de atualização
monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento. Já a revisão,
embora também objetive o reequilíbrio contratual, decorre de um fato superveniente (por
exemplo, a necessidade de substituição de insumos importados usados na obra contratada, em
virtude da criação de cotas de importação pelo Brasil) ou de fatos já existentes no momento da
celebração do contrato, mas que eram desconhecidos pelas partes contratantes (por exemplo,
a descoberta de que o terreno pelo qual passará uma linha de metrô é rochoso, e não arenoso,
como inicialmente previsto). A revisão dos valores contratados tanto pode implicar o seu
aumento quanto a sua diminuição; o que importa é o restabelecimento do equilíbrio entre os
encargos impostos ao particular e a remuneração correspondente.

Mesmo em situações de emergência ou calamidade pública, a Administração não


pode frustrar a necessidade de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Assim, sobrevindo eventos extraordinários, imprevistos ou imprevisíveis, que onerem, retardem
ou impeçam a execução do contrato, a parte atingida fica liberada do encargo original, devendo
o pacto ser revisto, em virtude da aplicação da cláusula rebus sic stantibus (“enquanto as coisas
assim estão).

O particular, ao contratar com a Administração, enfrenta, dentre outros, os riscos


decorrentes da possibilidade de um comportamento atribuído à Administração alterar as
condições iniciais de execução do contrato. Estes podem ser:
a) alteração unilateral: hipóteses em que a Administração pode promover alterações
unilaterais no contrato (quantitativas ou qualitativas), para atendimento do interesse público.
Nesses casos, a Administração está obrigada a restabelecer o equilíbrio rompido.

b) fato do príncipe: trata-se de um ato da Administração não relacionado diretamente


ao contrato, mas que indiretamente provoca desequilíbrio econômico-financeiro, em prejuízo
do contratado. É o caso, por exemplo, da alteração da alíquota de um imposto. Nesses casos, a
Administração também responde pelo restabelecimento do equilíbrio contratual.

c) fato da administração: segundo Hely Lopes Meireles:

“é toda ação ou omissão do Poder Público que, incidindo direta e


especificamente sobre o contrato, retarda, agrava ou impede a sua
execução.”

O item III da questão está em conformidade com o art. 65, II, “d” da Lei 8666, e portanto
está correto.

190
d)  para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente
entre os encargos do contratado e a retribuição da administração para
a justa remuneração da obra, serviço ou fornecimento, objetivando a
manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato, na
hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de
conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução
do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do
príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual.  

94 – QUESTÃO:

Em 2016, foi incluída uma nova modalidade de improbidade administrativa, qual seja: Dos
Atos de Improbidade Administrativa Decorrentes de Concessão ou Aplicação Indevida de
Benefício Financeiro ou Tributário. Para esta hipótese, é prevista a seguinte sanção:

a) perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento
de multa civil de até três vezes o valor o valor do benefício financeiro ou tributário concedido
e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou
creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual
seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos.
b) perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento
de multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público
ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que
por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos.
c) perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento
de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição
de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios,
direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio
majoritário, pelo prazo de três anos.
d) perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos e multa civil
de até três vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido.
e) perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento
de multa civil de até duas vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

As penas aplicáveis aos respectivos atos de IA são sempre cobrados. Vamos encontrar
uma forma de memorizar as 3 antigas, e depois aprender a nova hipótese:

Enriquecimento ilícito:

191
- suspensão dos direitos políticos: 8 a 10.
- Multa: 3x
- Proibição de contratar: 10.

Prejuízo ao erário:

- suspensão dos direitos políticos: 5 a 8.


- Multa: 2x
- Proibição de contratar: 5.

Atentam contra os princípios:

- suspensão dos direitos políticos: 3 a 5.


- Multa: 100x
- Proibição de contratar: 3.

Vocês já devem ter memorizado a ordem que a lei traz as 3 hipóteses de IA: seguindo
essa mesma ordem, as sanções ficarão mais brandas. Para a suspensão dos direitos políticos, o
intervalo é sempre de 3 (10 a 8 – 8 a 5 – 5 a 3); e a proibição de contratar é pelo menor prazo da
suspensão, com exceção do primeiro, que é o prazo máximo: (10 – 5 – 3).

Realmente, é difícil memorizar cada uma de forma autônoma. É melhor memorizar


as 3, relacionando a cada hipótese, e na hora da prova, lembrar das 3 e ver qual alternativa está
correta.

Agora vamos para a novidade legislativa de 2016:

Dos Atos de Improbidade Administrativa Decorrentes de Concessão ou


Aplicação Indevida de Benefício Financeiro ou Tributário
Art. 10-A.  Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação
ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou
tributário contrário ao que dispõem o  caput  e o  § 1º do art. 8º-A da
Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003.    (Incluído pela Lei
Complementar nº 157, de 2016)  (Produção de efeito)
IV - na hipótese prevista no art. 10-A, perda da função pública, suspensão
dos direitos políticos de 5 (cinco) a 8 (oito) anos e multa civil de até 3 (três)
vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido. (Incluído
pela Lei Complementar nº 157, de 2016)

Perceba, portanto, que a nova sanção mesclou outras duas: o prazo de suspensão
dos direitos políticos é o mesmo para a hipótese de prejuízo ao erário, e a multa é a mesma do

192
enriquecimento ilícito. E não há a proibição de contratar com o poder público.

Alternativa A: A alternativa está incorreta, pois a perda da função pública será pelo
prazo de 5 a 8 anos, e a multa de 3x; e não há proibição de contratar com o poder público.

Alternativa B: A alternativa está incorreta, pois a multa será de 3x; e não há proibição
de contratar com o poder público.

Alternativa C: A alternativa está incorreta, pois a perda da função pública será pelo
prazo de 5 a 8 anos, e a multa de 3x; e não há proibição de contratar com o poder público.

Alternativa D: esta é a alternativa correta.

Alternativa E: A alternativa está incorreta, pois a multa é de 3x; e não há proibição de


contratar com o poder público.

95 – QUESTÃO:

Com relação à intervenção do Estado na Propriedade:

a) A indenização em razão da desapropriação deve compreender também os juros moratórios,


de 12% ao ano.
b) O tombamento, como regra, gera dever de indenizar.
c) A servidão administrativa é uma forma de intervenção do Estado na propriedade imposta
por normas gerais e abstratas, que atingem proprietários indeterminados.
d) A requisição pode incidir sobre bens móveis, imóveis ou serviços.
e) As margens dos rios navegáveis podem ser objeto de desapropriação, pois, em regra,
qualquer bem dotado de valoração patrimonial pode ser desapropriado.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A desapropriação é uma forma originária de aquisição da propriedade.


Disto decorrem alguns efeitos: a impossibilidade de eventuais credores do proprietário anterior
reivindicarem o bem desapropriado; a extinção de eventuais direitos reais de terceiros sobre a
coisa e a sub-rogação no preço da indenização de quaisquer ônus ou direitos que recaiam sobre
o bem expropriado.

A competência para legislar sobre desapropriação é privativa da União, nos termos


do art. 22, II da CF/88. A competência declaratória, por sua vez (competência para declarar a
utilidade pública ou o interesse social de determinado bem, manifestando a intenção futura de

193
desapropriá-lo), pode ser realizada por meio de decreto do Chefe do Poder Executivo (Presidente
da República, Governador ou Prefeito), ou por meio de lei de efeitos concretos aprovada pelo
Poder Legislativo de qualquer dos entes da Federação. Em regra, portanto, a competência
declaratória é comum à União, aos Estados, ao DF e Municípios. Tal regra, entretanto, comporta
algumas exceções. Isso porque existem algumas hipóteses em que a competência declaratória é
exclusiva de um determinado entre político, a exemplo: a competência para declarar o interesse
social para o fim específico de promover a reforma agrária é exclusiva da União (art. 184 da CF);
a competência declaratória visando à realização da desapropriação confiscatória é exclusiva
da União (art. 243 da CF); a competência para declarar a utilidade pública de imóveis para fins
urbanísticos é exclusiva do Município (art. 182, parág. 4).

Já a competência executória (competência para promover todas as medidas


necessárias à efetivação da desapropriação, o que inclui desde a negociação com o proprietário
até o ajuizamento da ação judicial, caso necessário), tanto pode ser exercida pelos entes federados
como pelas pessoas da Administração Indireta (autarquias, fundações públicas, empresas
públicas e sociedades de economia mista), e ainda pelas empresas que executam serviços
públicos por meio de concessão ou permissão. Nesses casos, a competência é condicionada à
existência de autorização expressa em lei ou contrato. Nesse sentido, o art. 31, VI da Lei 8987
prevê que: constituiu encargo do concessionário promover as desapropriações AUTORIZADAS
pelo poder concedente, conforme previsto no edital e no contrato.

A ação de desapropriação é o processo judicial que tem por objetivo solucionar


o conflito de interesses entre o expropriante e o proprietário expropriado. O sujeito ativo
dessa ação é sempre o Poder Público ou a pessoa que exerça função pública delegada, e o
sujeito passivo será o proprietário do bem a ser expropriado. Por força de lei, na contestação
apresentada na ação expropriatória, só é permitido discutir o preço ou alegar vícios processuais
(tais como: ilegitimidade da parte, ausência de interesse de agir, inépcia da inicial, etc). Se o
proprietário expropriado deseja levar ao conhecimento do Poder Judiciário questões diversas,
que não seja o valor indenizatório, tais como o desvio de finalidade ou ausência de motivação
para a realização da desapropriação, deverá ingressar com outra ação (que a lei chamou de ação
direta). A legislação sobre desapropriação prevê a imissão provisória na posse, situação jurídica
que permite ao expropriante obter a posse do bem antes de finalizado o processo expropriatório.
Para que seja concedida a imissão provisória na posse, é preciso que o expropriante adote
as seguintes providências: declarar a urgência quanto à imissão na posse; requerer ao juízo
competente a imissão provisória na posse e efetuar o depósito judicial da quantia arbitrada
pelo juiz. A declaração de urgência é ato privativo do expropriante: ele é quem a competência
para avaliar se há essa necessidade.

A indenização na desapropriação deve conter os juros moratórios e compensatórios.


Juros compensatórios são aqueles que visam a compensar o expropriado pela ocorrência da
imissão antecipada na posse do bem por parte do expropriante. A taxa é de 12% ao ano. Com
relação à base de cálculo, a MP 1.577 previa que a base de cálculo dos juros compensatórios

194
na desapropriação direta seria a diferença entre o valor ofertado em juízo e o valor fixado na
sentença. O STF, sob o argumento de que o expropriado só podia levantar de imediato 80% do
valor depositado, interpretou o dispositivo conforma à Constituição e passou a considerar que
a base de cálculo dos juros compensatórios deveria ser a diferença entre 80% do valor ofertado
e o valor fixado na sentença.

No caso da desapropriação indireta, diferentemente do que ocorre na desapropriação


direta, a base de cálculo dos juros compensatórios é o valor da indenização, corrigido
monetariamente, conforme a súmula 114 do STJ:

Os juros compensatórios, na desapropriação indireta, incidem a partir


da ocupação, calculados sobre o valor da indenização, corrigido
monetariamente.

Os juros moratórios, por sua vez, são aqueles devidos em razão da demora no
pagamento da indenização, tendo como objetivo punir o expropriante e remunerar o
expropriado em virtude do atraso no efetivo pagamento da indenização fixada na decisão final
de mérito. A taxa é de 6% ao ano.

É importante salientar que, embora no Brasil não se admita a contagem de juros sobre
juros (anatocismo), em matéria de desapropriação, por terem fundamentos jurídicos distintos,
é permitida a incidência de juros moratórios sobre os compensatórios, nos termos da súmula
102 do STJ:

A incidência dos juros moratórios sobre os compensatórios, nas ações


expropriatórias, não constitui anatocismo vedado em lei.

É muito comum que o candidato confunda os percentuais dos juros moratórios e


compensatórios. Para ajudar na memorização, você pode pensar da seguinte forma: os juros
compensatórios incidem antes (já na imissão provisória), e o percentual é maior; os juros
compensatórios incidem já no final, e portanto o percentual é menor. (OBS.: ESSE NÃO É UM
RACIOCÍNIO JURÍDICO, É APENAS PARA FACILITAR A MEMORIZAÇÃO).

Alternativa B: A intervenção do Estado na Propriedade pode se dá de maneira restritiva


(sem retirar a propriedade) ou supressiva (na qual o Estado adquire o bem). O tombamento é uma
intervenção restritiva do Estado na Propriedade, que atinge o caráter absoluto da propriedade.
Pode ter como objeto bens móveis ou imóveis, públicos ou privados. Em regra, o tombamento
não gera dever de indenizar. Contudo, em algumas situações excepcionais, caso o tombamento
importe em esvaziamento econômico do bem tombado, admite-se indenização.

O tombamento é formalizado por ato administrativo típico, de atribuição do Poder


Executivo. Desta forma, o STF já decidiu, majoritariamente, que não se admite que o tombamento

195
seja feito por meio de LEI, e sim por ato administrativo. Vale ressaltar apenas a hipótese de
tombamento que existe na própria CF/88:

Art. 216, §  1º  O poder público, com a colaboração da comunidade,


promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de
inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de
outras formas de acautelamento e preservação.

Há que se destacar também que a competência legislativa sobre tombamento


é concorrente (art. 24, VII da CF). NÃO CONFUNDIR com a competência legislativa sobre
desapropriação, pois neste caso a competência é privativa da União (art. 22, II da CF).

Alternativa C: A limitação administrativa é uma forma de intervenção do Estado na


propriedade imposta por normas gerais e abstratas, que atingem proprietários indeterminados;
já a servidão administrativa é o meio de intervenção estatal na propriedade mediante o qual é
estabelecido um direito real de uso sobre a propriedade alheia, em favor do Poder Público ou de
seus delegatários, de modo a garantir a execução de um serviço público ou de obras e serviços
de interesse coletivo. A servidão atinge proprietários determinados, a exemplo do que acontece
com a obrigação de um determinado proprietário consentir a passagem de fios elétricos ou
telefônicos por sua propriedade.

Alternativa D: A requisição, que conta com previsão expressa na CF (art. 5, XXV), é


modalidade de intervenção estatal na propriedade mediante a qual o Poder Público, por ato
unilateral e autoexecutório, utiliza bens móveis, imóveis e serviços de particulares para enfrentar
situações transitórias de perigo público iminente, sendo assegurada ao proprietário indenização
posterior, se houver dano.

A alternativa D, portanto, está correta.

Alternativa E: De fato, em regra, qualquer bem dotado de valoração patrimonial


pode ser desapropriado, seja móvel ou imóvel, corpóreo ou incorpóreo. Entretanto, existem
impossibilidade jurídicas e materiais à desapropriação. As impossibilidades jurídicas são
proibições legais ou constitucionais à desapropriação de determinado bem, a exemplo da
pequena e média propriedade rural, que não pode ser objeto de desapropriação para reforma
agrária, desde que seu proprietário não possua outra (art. 185, I da CF), e ainda a impossibilidade
de desapropriação para reforma agrária da propriedade produtiva (art. 185, II da CF/88). Já as
impossibilidades materiais são aquelas decorrentes da própria natureza do bem, a exemplo da
moeda corrente, dos direitos personalíssimos, e das margens dos rios navegáveis, que por
serem bens de domínio público, são insuscetíveis de desapropriação, conforme a súmula
479 do STF:

As margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis

196
de expropriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização

96 – QUESTÃO:

Sobre serviços públicos:

a) Concessão de serviço público é a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente,
mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa física ou jurídica que demonstre
capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado.
b) Permissão de serviço público é a delegação, a título precário, mediante licitação, na
modalidade concorrência, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à
pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e
risco.
c) Concessão de serviço público é a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente,
mediante licitação, na modalidade de concorrência ou leilão, à pessoa jurídica ou consórcio
de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por
prazo determinado.
d) Permissão de serviço público é a delegação, a título precário, mediante licitação, da
prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que
demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco.
e) A cobrança do pedágio somente pode ser realizada caso haja uma via alternativa sem
pedágio franqueada ao particular.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A delegação de serviços públicos é feita mediante concessão,


autorização ou permissão. As concessões de serviços públicos podem ser concessões comuns
(disciplinadas pela Lei 8987), e concessões especiais (conhecidas como parcerias público-
privadas (previstas na Lei 11.079).

De fato, a concessão é uma espécie de contrato administrativo pelo qual a


Administração Pública delega a execução de determinado serviço público de sua titularidade.
Entretanto, esta alternativa está incorreta, pois a concessão de serviço público é feita apenas
à PJ ou consórcio de empresas – PF, não. Não confunda com a permissão de serviço público,
pois esta sim pode ser feita à pessoa física (em compensação, não pode ser feita à consórcio de
empresas).

Alternativa B: A permissão de serviço público é uma forma de delegação de serviços


públicos que deve ser precedida de licitação (por qualquer modalidade de licitação - e não apenas
na modalidade concorrência, como disse a alternativa), formalizada por meio de um contrato

197
de adesão, de natureza precária, pois a lei prevê que pode ser revogado de maneira unilateral
pelo poder concedente (ao contrário das concessões de serviços públicos, que não possuem
natureza precária). Os permissionários podem ser pessoas físicas ou jurídicas (diferencia-se das
concessões de serviço público, pois nestas os concessionários só podem ser pessoa jurídica ou
consórcio de empresa).

Alternativa C: Diferentemente da permissão de serviço público (que, como dito


acima, pode ser feita por qualquer modalidade de licitação), a concessão de serviço público é
feita mediante concorrência (e não mediante concorrência ou leilão, como disse a alternativa).

Alternativa D: Esta alternativa está correta, pois traz o conceito de permissão de


serviço público.

Alternativa E: A tarifa paga pelo usuário e que serve para remunerar a concessionária
pela prestação do serviço público deve ser fixada inicialmente de acordo com o preço estabelecido
na proposta vencedora da licitação. De acordo com o art. 9, parág. 1 da Lei 8987, somente nos
casos expressamente previstos em lei a cobrança da tarifa poderá ser condicionada à existência
de serviço público alternativo e gratuito para o usuário. Em razão disso, o STJ decidiu que não
mais subsiste a tese segundo a qual a cobrança do pedágio somente pode ser realizada caso
haja uma via alternativa sem pedágio franqueada ao particular.

97 – QUESTÃO:

Acerca dos Poderes da Administração Pública e atos administrativos, assinale a alternativa


correta:

a) O poder de polícia é, em regra, discricionário.


b) A exigibilidade é um dos atributos do poder de polícia consistente em meio de coerção
direto.
c) Todo ato administrativo é dotado de autoexecutoriedade.
d) Os atos administrativos discricionários não podem sofrer controle por parte do Poder
Judiciário.
e) Os meios de atuação do poder de polícia compreendem atos administrativos e operações
materiais de aplicação das normas criadas aos casos verificados no caso concreto, não
compreendendo edição de atos normativos gerais e abstratos.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Poder de polícia consiste na faculdade conferida ao Estado de


estabelecer regras restritivas e condicionadoras do exercício de direitos e garantias individuais,

198
tendo em vista o interesse público. O exercício regular do Poder de Polícia pode dar ensejo à
cobrança de taxas, mas não pode servir para cobrança de tarifas, que é adequada para remunerar
serviços públicos em sentido estrito (energia, transporte etc), e não para custear o exercício do
Poder de Polícia.

O Poder de polícia, em regra, é discricionário. Mas será vinculado se a norma legal


que o rege estabelecer o modo e a forma de sua manifestação.

O Poder de polícia é empregado, por exemplo: na apreensão de mercadoria estragada


em depósito alimentício; na suspensão de atividades lesivas ao meio ambiente; na fiscalização
exercida sobre pessoas físicas ou jurídicas pelos conselhos de fiscalização profissional; na
apreensão de mercadoria ilegal na alfândega; na demolição de edifício particular que ameaçava
ruir.

Alternativa B: A autoexecutoriedade é um dos atributos do Poder de Polícia


consistente na faculdade de a Administração decidir e executar diretamente sua decisão por seus
próprios meios, sem intervenção do Poder Judiciário. A autoexecutoriedade só existe quando
estiver prevista expressamente em lei, ou, mesmo não estando expressamente prevista em lei,
se houver situação de urgência que demanda a execução direta da medida. Portanto, existem
atos de polícia que não possuem autoexecutoriedade, a exemplo da aplicação de multa (neste
caso, se o poder público pretender cobrar o referido valor, não poderá fazê-lo diretamente,
precisando promover a execução judicial da dívida).

A autoexecutoriedade se subdivide em: exigibilidade (meio de coerção indireto) e


executoriedade (meio de coerção direto, consistente na faculdade de a Administração executar
suas decisões sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário). A alternativa B, portanto,
está incorreta, ao dizer que a exigibilidade é meio de coerção direto.

A exigibilidade está presente em todas as medidas de polícia, enquanto a


executoriedade somente se apresenta nas hipóteses previstas em lei ou em situações de
urgência.

Alternativa C: Nem todo ato administrativo é autoexecutável. Isso porque a


executoriedade (que faz parte da autoexecutoriedade) só está presente nas situações autorizadas
por lei e nas situações urgentes. Ex.: sanção pecuniária – multa não é autoexecutável.

Alternativa D: Esta alternativa está incorreta. No ato administrativo discricionário,


a Administração possui certa margem de liberdade para valoração dos motivos e/ou para a
escolha do objeto da medida a ser adotada, segundo critérios de conveniência e oportunidade.
Referidos atos podem sofrer controle por parte do Poder Judiciário no que tange à legalidade.

Alternativa E: Ricardo Alexandre, em seu livro Direito Administrativo Esquematizado,

199
diz que o Poder de polícia abrange tanto atividades do Poder Legislativo quanto do Executivo.
Portanto, os meios de atuação do poder de polícia compreendem a edição de atos normativos
gerais e abstratos, estabelecendo restrições ao exercício de atividades, à utilização de bens, ao
exercício de direitos e garantias e, também, aos atos administrativos e operações materiais de
aplicação das normas criadas aos casos verificados no mundo concreto.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro também diz que os meios de atuação do poder
de polícia são: atos normativos em geral (pois, por meio da edição de leis, o Legislativo cria
limitações administrativas ao exercício de direitos individuais; e o Executivo pode disciplinar a
aplicação das leis ao caso concreto, por meio de decretos e resoluções) e atos administrativos
e operações materiais de aplicação da lei ao caso concreto, consistentes na adoção de medidas
preventivas para evitar que o indivíduo descumpra a lei (como fiscalização, vistoria e concessão
de autorização ou licença), e medidas repressivas, que objetivam obrigar o infrator a descumprir
a lei, a exemplo da interdição de estabelecimentos comerciais, apreensão de mercadorias
estragadas, etc.

98 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) O Estado pode instituir uma fundação, que pode ser de direito público ou de direito
privado.
b) Consórcios públicos são entidades da administração indireta, formadas por entes
Federativos e particulares, cujo objeto é realizar serviços públicos em determinado área
geográfica.
c) Convênios administrativos são acordos firmados exclusivamente por entidades públicas
para a realização de objetivos de interesse comum.
d) Para a formalização do convênio administrativo é obrigatória a realização de licitação na
modalidade concorrência.
e) Os consórcios públicos têm personalidade jurídica de direito público.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Esta é a alternativa correta. As fundações públicas são pessoas jurídicas


que integram a Administração Indireta do entes federativos, criadas mediante a vinculação de
uma parcela do patrimônio público ao exercício, de forma descentralizada, de atividades sociais
sem finalidades lucrativas, e podem ser constituídas sob o regime de Direito Público ou de
Direito Privado. Quando se enquadram como pessoas jurídicas de Direito Público, as fundações
públicas são consideradas como espécie do gênero autarquia, razão pela qual é também
chamada de “fundação autárquica”. Portanto, tal como as autarquias, as fundações públicas de

200
direito público são criadas diretamente por lei. Diversamente, no caso das fundações públicas
de direito privado, a lei apenas autoriza a sua instituição.

Alternativa B: Esta alternativa está incorreta, pois os consórcios públicos só podem


ser integrados por entes federados (União, Estados, DF e Municípios). Após a Lei 11.107,
os consórcios públicos deixaram de ser meros acordos de vontade para se constituírem em
verdadeiras pessoas jurídicas criadas pelos entes consorciados, responsáveis por exercer de
forma descentralizada objetivos comuns das pessoas federativas consorciadas.

Alternativa C: Esta alternativa também está incorreta, pois os convênios são ajustes
entre o Poder Público e entidades públicas OU PRIVADAS (e não apenas por entidades públicas,
como disse a alternativa), em que se estabelecem a previsão de colaboração mútua, visando à
realização de interesse comum.

Alternativa D: Não há necessidade de licitação para a formalização do convênio, pois


não há competição entre aqueles que querem participar do convênio, uma vez que possuem
interesses comuns, e portanto, eles negociam entre si os termos de cooperação.

Alternativa E: A própria Lei estabelece que os consórcios públicos podem ser de


Direito Público (quando se constituir sob a forma de associação pública – espécie de autarquia)
ou de direito privado (quando constituído de acordo com a legislação civil).

O art. 6, parág. 1 da Lei 11.107 preceitua que os consórcios públicos de direito público
integram a Administração indireta de todos os entes da federação consorciados. A lei, por sua
vez, nada disse quanto aos consórcios públicos de direito privado. Ricardo Alexandre, por sua vez,
defende que os consórcios públicos de direito privado também devem integrar a administração
indireta dos entes consorciados, desta feita equiparados às empresas públicas.

99 - QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre


nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público,
aplica-se o regime próprio de previdência social.
b) É vedada a percepção de mais de uma aposentadoria.
c) O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários
Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela
única.
d) Os servidores titulares de cargo efetivo serão aposentados por invalidez permanente,
sendo os proventos integrais.
e) A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira deverá ser fixada por

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subsídio em parcela única.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Para eles, será aplicado o regime geral de previdência social (RGPS), e
não o regime próprio.

Art. 40, § 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em


comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como
de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime
geral de previdência social.

Alternativa B: De fato, a regra é a vedação de recebimento de mais de uma


aposentadoria. Entretanto, esta é possível nos casos de cargos acumuláveis.

Art. 40, § 6º - Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos


acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a percepção de
mais de uma aposentadoria à conta do regime de previdência previsto
neste artigo. 

Alternativa C: Esta é a alternativa correta: e memorizem quem deverá receber por


subsídio: membro de poder, detentor de mandato eletivo, ministro de Estado e secretário
estadual e municipal.

§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros


de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados
exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o
acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de
representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer
caso, o disposto no art. 37, X e XI

Alternativa D: Em se tratando de invalidez permanente, eles serão aposentados com


os proventos PROPORCIONAIS (e não integrais), salvo se decorrente de acidente em serviço,
moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável.

Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e
fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo
e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos
servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios

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que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste
artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata
este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos
valores fixados na forma dos §§ 3º e 17: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 41, 19.12.2003)
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao
tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço,
moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na
forma da lei; 

Alternativa E: Na verdade, a remuneração PODERÁ, e não DEVERÁ ser fixada em


subsídio.

Art. 39 § 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em


carreira poderá ser fixada nos termos do § 4º.

100 – QUESTÃO:

Nos termos da Lei 9784:

a) O processo administrativo só pode iniciar-se a pedido do interessado.


b) Não podem ser objeto de delegação a edição de atos de caráter normativo.
c) Um órgão administrativo e seu titular poderão delegar parte da sua competência a outros
órgãos ou titulares, desde que estes lhe sejam hierarquicamente subordinados.
d) O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de recurso, com efeito
suspensivo.
e) Os atos do processo administrativo dependem de forma determinada.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com o art. 5 da Lei 9784, O processo administrativo pode


iniciar-se de ofício ou a pedido de interessado.

Alternativa B: Esta é a alternativa correta. Esse art. 13 sempre cai em prova:

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:


 I - a edição de atos de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.

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Alternativa C: De acordo com o art. 12 da Lei;

Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver


impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros
órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente
subordinados.

Alternativa D: De acordo com o art. 21 da Lei:

O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de recurso,


sem efeito suspensivo.

Inclusive, a regra no processo administrativo é os recursos não terem efeito suspensivo


(art. 61 da Lei).

Alternativa E: De acordo com o art. 22 da Lei:

Os atos do processo administrativo não dependem de forma


determinada senão quando a lei expressamente a exigir.

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