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Direito do Trabalho II Aula 06

Profa. Veronica Azevedo Wander Bastos

Aula 06 - AVISO PRÉVIO

É o ato que deve ser praticado pela parte que deseja rescindir o vínculo
contratual, tendo por finalidade impedir que a outra parte seja colhida
de surpresa, possibilitando ao empregado arrumar outro emprego e ao
empregador contratar outro profissional no lugar daquele que pretende
se desligar da empresa.
Como se pode notar, o aviso prévio pode ser concedido tanto pelo
empregador como também pelo empregado, dependendo de quem está
tomando a decisão de fazer cessar o vínculo de emprego
(reciprocidade).

O prazo do aviso prévio, como se verifica na CF/88, é de no mínimo 30


(trinta) dias, como confirma o art. 487, inciso II, da CLT. Já a
proporcionalidade do aviso prévio, em consonância com o tempo de
serviço, foi regulada Lei 12.506, de 11 de outubro de 2011.
A referida Lei passou a estabelecer que o aviso prévio deve ser
concedido na proporção de 30 (trinta) dias aos empregados que contem
até 1 (um) ano de serviço na mesma empresa (art. 1°, caput). Ao aviso
prévio assim previsto devem ser acrescidos 3 (três) dias por ano de
serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta)
dias, perfazendo um total de até 90 (noventa) dias. (parágrafo único).
Logo, os empregados com mais de 12 meses de serviço prestado na
mesma empresa passam a ter direito ao acréscimo no aviso prévio, na
proporção de três dias por ano de serviço prestado na mesma empresa.
Os empregados com 11 meses de serviço têm direito ao aviso prévio de
30 dias, por estar inserido na hipótese de até um ano de serviço.

O aviso prévio só é cabível na hipótese de contrato de trabalho que seja


por prazo indeterminado (art. 487, caput, parte inicial, da CLT).
Havendo prazo estipulado para a terminação do vínculo de emprego,
não há que cogitar de aviso prévio para a sua cessação, exceto na
hipótese do art. 481 da CLT e da Súmula 163 do TST. Pelo mesmo
motivo, também não se aplica o aviso prévio no trabalho temporário,
regido pela Lei 6.019/1974.

As consequências que decorrem da inobservância do dever de pré-avisar


a outra parte, quanto ao intuito de pôr fim ao contrato de trabalho,
dependem de saber se este dever era do empregador ou do empregado.
A falta de aviso prévio for parte do empregado dá ao empregador o
direito de descontar os salários correspondentes ao prazo respectivo (§
2° do art. 487 da CLT). O desconto pode ser feito quando da quitação
das verbas rescisórias, conforme art. 477, § 5°, da CLT.

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A falta de aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o


direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida
sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (§ 1° do
art. 487 da CLT). Como se observa, se o empregador tinha o dever de
conceder o aviso prévio, mas não o observa, o empregado passa a ter
direito de receber, de forma indenizada, os salários correspondentes ao
prazo do aviso. É o chamado aviso prévio indenizado.

O prazo para pagamento do aviso prévio indenizado ou cumprido em


casa é de dez dias da rescisão contratual, conforme OJ 14 da SBDI-I do
TST.
A Súmula 182 do TST assim prevê: Aviso prévio. Indenização
compensatória. Lei 6.708, de 30/10/1979. O tempo do aviso prévio,
mesmo indenizado, conta-se para efeito da indenização adicional
prevista no art. 9° da Lei 6.708, de 30.10.1979. Confirmado pela
Orientação Jurisprudencial 82 da SBDI-I do TST: Aviso prévio. Baixa na
CTPS. A data de saída a ser anotada na CTPS deve corresponder à do
término do prazo do aviso prévio, ainda que indenizado.

No aviso prévio concedido pelo empregador, o art. 488, caput, da CLT


assegura que o horário normal de trabalho do empregado, durante o
prazo do aviso, será reduzido de 2 (duas) horas diárias, sem prejuízo do
salário integral, ou de sete dias corridos, sendo uma faculdade do
empregado. Nesse último caso, o mais comum é que fiquem para o
período final do contrato de trabalho.

O aviso prévio trata-se de direito irrenunciável, conforme Súmula 276


do TST: O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado. O
pedido de dispensa de cumprimento não exime o empregador de pagar
o respectivo valor, salvo comprovação de haver o prestador dos serviços
obtido novo emprego.

Durante o período do aviso prévio, mesmo que concedido pelo


empregador, se o trabalhador falta ao serviço, sem apresentar
justificativa, também deixa de fazer jus ao respectivo salário. Apenas
não incide em abandono de emprego, conforme ressalva feita pela
Súmula 73 do TST, pois a ausência pode ocorrer justamente de ter o
empregado que iniciar o serviço no novo trabalho encontrado.
No aviso prévio concedido pelo empregado, tendo em vista o seu pedido
de demissão, o empregador pode liberar aquele do comparecimento ao
trabalho, desde que o empregado não tenha mais interesse em prestar
serviços no período do aviso.

Durante o aviso prévio trabalhado, por se tratar de tempo de serviço, é

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possível que o empregado, ou mesmo o empregador, pratique alguma


justa causa, conforme disposto no art. 491 da CLT:O empregado que,
durante o prazo do aviso prévio, cometer qualquer das faltas
consideradas pela lei como justas para a rescisão, perde o direito ao
restante do respectivo prazo.
Cabe lembrar que a Súmula 73 do TST dispõe: A ocorrência de justa
causa, salvo a de abandono de emprego, no decurso do aviso prévio
dado pelo empregador, retira do empregado qualquer direito às verbas
rescisórias de natureza indenizatória.
No caso de falta grave patronal, no curso do aviso prévio, o art. 490 da
CLT assim dispõe: O empregador que, durante o prazo do aviso prévio
dado ao empregado, praticar ato que justifique a rescisão imediata do
contrato, sujeita-se ao pagamento da remuneração correspondente ao
prazo do referido aviso, sem prejuízo da indenização que for devida.

É possível que, depois de concedido o aviso prévio por uma das partes,
ele seja reconsiderado. Mesmo havendo a reconsideração quanto à
concessão do aviso prévio, o que deve ocorrer antes do término de seu
prazo, a outra parte tem a faculdade de aceitar, ou não, a mencionada
reconsideração (art. 489 da CLT). Assim, caso seja aceita a
reconsideração, o contrato continuará a vigorar, como se o aviso prévio
não tivesse sido dado (parágrafo único do art. 489 da CLT).