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DEFEITOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS

São causas de anulabilidade do negócio jurídico: Erro ou ignorância, Dolo,


Coação, Estado de perigo, Lesão e Fraude contra credores.

Em todos eles com exceção da Fraude contra Credores, é


Vício de
vício de consentimento, ou seja, a vontade que a parte
Consentimento
apresenta está viciada.
Na Fraude contra credores, não é considerada um vício
de consentimento, pois, quando se comete uma fraude
contra credores, as partes que cometem essa fraude
Vício Social
estão cientes e bem esclarecidas do que vão fazer, mas
fazem para prejudicar uma terceira pessoa, então há
nesse caso um vício social.

O Erro ou Ignorância estará ligado a quase os demais vícios:

Dolo: É a indução em erro → Erro


Coação: É forçar uma pessoa a manifestar sua vontade de forma equivocada ou
errada coagindo-a → Erro
Estado de Perigo: É se aproveitar de uma situação que a pessoa se encontra de
risco e forçá-la a errar → Erro
Lesão: A pessoa erra por inexperiência ou por premente necessidade.

Erro ou Ignorância - Art. 138 e seguintes CC.

O erro é vício de consentimento em que o indivíduo representa a mal a realidade


que lhe é apresentada e, por conta disso, declara uma vontade diversa daquela
que declararia se tivesse compreendido de maneira correta.

No erro, o indivíduo equivoca-se, por si só, isto é, não é induzido a erro por
terceiro. Caso fosse enganado por este, tratar-se-ia de hipótese de dolo.
É a falsa noção sobre alguma coisa. Errar é saber mal, e ignorar é não saber.

EX: Cara achando entender de mateis preciosos, e compra um relógio achando


que é de ouro, mas que na verdade não é de ouro. (ele se enganou, errou). Se ele
foi enganada, aí teremos um outro vício, mas que acaba neste também.

Erro Substancial - O erro que pode levar a comprometer o negócio jurídico é o


erro substancial ou essencial, isto é, deve dizer respeito à essencialidade do
negócio jurídico. Por outro lado, o erro acidental não enseja à sua anulação, visto
que está ligado a circunstância secundária, que não impediria o indivíduo de
contratar. O erro acidental só permite o pedido de perdas e danos.
O erro substancial é aquele erro que se tu soubesse que estava errado, não teria
manifestado a tua vontade naquele sentido.

Ex.: Vou comprar uma obra de arte que eu achando que é verdadeira original,
mas não é, onde eu posso ter sido enganado, sendo erro de dolo, pois se
soubesse que não era verdadeiro não teria comprado como verdadeiro.

Art. 138. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade


emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência
normal, em face das circunstâncias do negócio.

A anulação com fundamento no erro exige, ainda, que este seja escusável,
tolerável, isto é, o ser humano médio se equivocaria naquelas circunstâncias.
Portanto, a análise do erro passa pela análise do grau de instrução do indivíduo
que o alega.

O potencial conhecimento da outra parte pressupõe que a parte que agiu de


boa-fé não sofrerá com a anulação do negócio, ficando, assim, o negócio
mantido.

Art. 139. O erro é substancial quando:

I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a


alguma das qualidades a ele essenciais;

II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a


declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante;

III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo
único ou principal do negócio jurídico.

Art. 139 → O erro pode decorrer dos seguintes tipos de erro negocial:
• Da natureza do negócio jurídico
Ocorre quando a pessoa que pratica determinado negócio interpreta mal a
realidade e acaba praticando outro tipo de negócio.
EX.: Eu entrego um lápis a uma pessoa, e uma semana depois perguntou
cade o meu dinheiro, e a pessoa entende que eu doei o lápis.

• Do objeto principal
Ocorre quando atingir o objeto principal da declaração em sua identidade,
isso é, o objeto não é o pretendido pelo agente.
EX: Se um contratante supõe estar adquirindo um lote de terreno de
excelente localização, quando na verdade está comprando um situado em
péssimo local. Vou comprar um terreno na avenida paulista por 50 mil.
Depois de efetuar o negócio tu descobre que trata-se de um terreno na
avenida paulista no estado do Acre, em cidade do interior, que não tem
uma avenida, mas se chama avenida.

• Qualidade do objeto
Ocorrerá este erro substancial quando a declaração enganosa de vontade
recair sobre a qualidade essencial do objeto.
EX: Eu queria comprar um relógio de ouro, então comprei um relógio
dourado achando que era de ouro, não há erro com relação ao objeto, pois
se trata de um relógio, porém há erro em relação a qualidade do objeto,
pois não é de ouro, e comprei ele porque achei que era de ouro.

• Erro de identidade ou da qualidade da pessoa.


É aquele que incide sobre a identidade ou as características da pessoa.
EX: Fui atropelado, e ainda tonto lembro de uma pessoa que me salvou.
Uma pessoa parecida vai me visitar no hospital, então eu digo: Você me
salvou, toma aqui um cheque de 5 mil pra você por ter me salvado. Então
fiz um negócio jurídico com a uma pessoa errada, achei que era a pessoa,
quando na verdade não era.(Erro de identidade).
EX: Bate a minha porta um alemão de 2 metros dizendo ser meu filho, faço
algumas perguntas e me convenço de que realmente é, pois tem até meu
nome, portanto dou um apartamento p ele. Depois de tempo decido fazer
o DNA. Descubro que realmente tem o meu nome mas não é meu filho.
(Erro com relação a qualidade)

• Erro de direito
Ocorre quando o agente emite uma declaração de vontade no pressuposto
falso de que procede conforme a lei.(Faço um negócio jurídico achando que
a lei se apresenta de um jeito que ela não se apresenta, ou achando que ela
tem validade, sendo que ela não tem mais validade).
EX: Há um tempo era obrigado usar o kit primeiro socorro nos carros. Teno
um caminhão de kit e digo: Fulano tenho um caminhão cheio de kit, compra
e usa na frota da tua empresa senão tu vais levar multa. Ele compra, e por
isso há um erro de direito.

Erro do fim colimado ou falso motivo


Art. 140 → A finalidade do negócio jurídico precisa estar expresso para que se
torna passível de vício de declaração de vontade, quando esta não for cumprida
conforme expresso. Casa não esteja expressa ou não esteja determinada no
negócio jurídico não haverá vício.
Ex: Vou doar mil reais para uma turma de alunos que estão arrecadando um valor
para compra de aparelhos respiratórios. Mas os alunos vão lá e dão uma festa
com esse dinheiro. O negócio jurídico só poderá ser anulado se no contrato
estiver determinado para qual será a finalidade do dinheiro doado.

Erro na transmissão de vontade por meios interpostos


Art. 141 → Se você manifestar tua vontade equivocadamente, por meios
interpostos (por intermediário), é anulável nos mesmos casos que as declarações
diretas. Não importará se a manifestação da vontade foi direta ou por meio
interposto.
EX: Alguém recorre a rádio, televisão, telefone etc. para transmitir uma declaração
de vontade, e o veículo utilizado, devido a interrupção ou deturpação sonora, o
faz com incorreções, acarretando desconformidade entre a vontade declarada e a
interna.

Erro Acidental
Art. 142 → Diz respeito às qualidades secundárias ou acessórias da pessoa (ex.: se
é casada ou solteira) ou do objeto (ex.: comprar o lote n. 27 e receber o de n. 72
por erro de digitação). Tal erro não induz a anulação do ato negocial por não
incidir sobre a declaração de vontade, caso seja possível, por seu contexto e pelas
circunstâncias, identificar a pessoa ou a coisa.
EX: Tenho um apartamento e o número é 103, chamo o comprador pra ver e ok.
Na confecção do contrato eu redigo ao invés de 103.

Erro de Cálculo (Erro acidental também)


Art. 143 → É um erro acidental (não anula o ato negocial) que recai sobre dados
aritméticos de uma conta. Tal erro não causa a anulabilidade do negócio jurídico,
pois pode ser corrigido.

Convalescimento do Erro
Art. 144 → O erro pode ser convalidado ou aceito pelo declarante (comprador), se
o declaratário em tempo hábil atender ao pedido de declarante, que foi induzido
em erro por erro do declaratário (vendedor).
EX: Se o indivíduo (comprador) pensar que comprou o lote nº 4 da quadra X,
quando, na verdade, adquiriu o lote nº 4 da quadra Y, ter-se-á erro substancial,
que não invalidará o ato negocial se o vendedor vier a entregar-lhe o lote nº 4 da
quadra X, visto que não houve nenhum prejuízo ao indivíduo (comprador), diante
da execução do negócio de conformidade com a sua vontade real.

Dolo - Art. 145 a 150 CC.

Quando alguem induz outra pessoa num erro substancial. Quando alguém
engana pra obter vantagem na negociação.

Conceito: é o artifício empregado conscientemente para enganar alguém


induzindo-o em erro substancial.

Tipos de dolo:

Art. 145 - Dolo principal: a enganação é o motivo determinante da realização do


negócio jurídico, ou seja, só fiz o negócio jurídico porque fui induzido em erro, e
esse dolo causa a possibilidade de anulabilidade.

Art. 146 - Dolo acidental: ainda que eu soubesse que não era bem aquilo que eu
estava pensando eu ainda teria feito o negócio jurídico.
EX: Comprei um carro verde musgo. Chegando em casa minha mãe disse que
azul bonito. Teimei que era verde, então peguei o documento e vi estava como
cor azul. Mas como gostei muito da cor eu não deixaria de fazer o negocio
jurídico por isto. Na venda o vendedor sabia que era azul, mas chegando pra ver
o carro eu disse que verde lindo, e o vendedor disse: sim que verde bonito né, ou
seja, teve o dolo do vendedor.

Dolo Unilateral: Vem de apenas de uma das partes negociantes, somente uma
parte está tentando enganar a outra. (Neste caso tem anulabilidade, pois tem
defeito).
EX: Meu amigo me vendeu um relógio falando que era de ouro, porém não era.
Fui induzido em erro.

Art. 150 - Dolo Bilateral: Vem das duas partes negociantes, as duas partes estão
tentando se enganar. (Neste caso, tem defeito, mas não é capaz de levar a
anulação do negocio jurídico, pois ninguém pode alegar em sua defesa a própria
torpeza, ou fui tentar enganar ele e ele acabou me enganando).
EX: Uma quadrilha de falsificadores de dólares comprou um milhão de reais de
diamantes, de uma quadrilha de falsificadores de diamantes.
Art. 150 - Dolo de Terceiro: O dolo de terceiro é aquele oriundo de uma terceira
pessoa que não é parte no negócio jurídico. Só será causa de anulabilidade do
negócio jurídico quando a parte beneficiada souber ou tiver a possibilidade de
saber sobre a sua existência, tal como no caso de terceiro que utiliza o artifício a
mando de um dos contratantes. Ou seja, a anulação decorrente de dolo de
terceiro depende do conhecimento da parte beneficiada. Art. 148
EX: A compra um quadro de B, pelo fato de C afirmar para A de se tratar de uma
obra de arte, quando não é.

149 - Dolo de Representante: Entende-se que o dolo utilizado pelo representante


convencional (responsabilidade solidária com o representante por perdas e danos)
é mais grave que o utilizado pelo representante legal (responsabilidade limitada
ao proveito obtido com o dolo). Tal fato ocorre em razão da escolha do
representante. No caso do representante legal (pai, mãe, tutor, curador), o
representando não manifesta sua vontade, pois a pessoa é indicada por lei;
entretanto, na escolha do representante convencional (mandatário ou
procurador), a escolha decorre da manifestação de vontade acarretando uma
maior responsabilidade na hipótese de haver dolo por parte do representante.

Representado não Representante faz


tem escolha. negócio jurídico
Responsabilidade em nome da
LEGAL
do representado pessoa enganando
Ex.: pais, tutores,
limitada ao alguém, desfaz-se
curadores etc
proveito obtido o negócio e o
com o dolo. representado não
paga nada.
DOLO DO Representado tem Representante faz
REPRESENTANTE escolha. negócio jurídico
Responsabilidade em nome da
CONVENCIONAL solidária entre o pessoa enganando
Ex.: procuradores, representante e o alguém, desfaz-se
gestores de representado nas o negócio e
negócios etc. perdas e danos. representado para
junto com o
representante por
perdas e danos.

147 - Dolo por omissão: é aquele resultante de uma omissão intencional para
induzir um dos contratantes (conduta negativa). Pode acarretar a anulação
do ato negocial se for o motivo determinante (dolo principal). Se for acidental,
enseja, apenas, perdas e danos.
EX: Fui comprar um quadro, chegando na loja disse: quero comprar esse quadro
do willy zumblick. O vendedor sabendo que não era do willy zumblick, me vendeu
sem falar nada.

Coação - Art. 151 a 155 CC.

A coação é uma pressão física ou moral exercida sobre alguém para induzi-lo à
prática de um determinado negócio jurídico. Trata-se de violência ou ameaça que
infringe a liberdade de decisão do coagido, tornando-se mais grave que o dolo,
pois este afeta apenas a inteligência da vítima. Pode ser física ou moral, mas o CC
só trata da coação moral.

Coação física (vis absoluta): ocorre quando a vontade do coagido é


completamente eliminada. Ou seja, o constrangimento corporal faz com que a
capacidade de querer de uma das partes seja totalmente eliminada. Segundo a
Prof.ª Maria Helena Diniz, é uma causa de nulidade absoluta do negócio jurídico,
mas há quem caracterize como uma causa de inexistência do negócio jurídico.
Quando a violência é física eu não tenho manifestação de vontade, não existindo
o negócio jurídico, pois falta o requisito de existência da manifestação de vontade.
A coação física ou absoluta, retira toda a capacidade de querer, implicando em
total ausência de consentimento, ou seja, total ausência de manifestação de
vontade. Desse modo a coação física acarreta a nulidade absoluta do ato não se
tratando de vício de consentimento, sendo que o ato não é valido, pois ele é nulo.
Ex.: Se alguém segurar a mão da vítima, apontando-lhe uma arma e forçando-a a
assinar um determinado documento.

Coação moral (vis compulsiva): ocorre quando a vítima sofre uma grave ameaça,
indutiva da prática do negócio jurídico, podendo, porém, optar entre o ato e o
dano, com que é ameaçada. Ou seja, não obstante a chantagem do autor, a
vítima conserva relativamente a sua vontade. É a coação tratada no art. 151 do CC
e que pode ser causa de anulabilidade (nulidade relativa) do negócio jurídico.
A coação moral ou relativa atua sobre a vontade da vítima, no entanto, esta
continua com relativa possibilidade de escolha, razão pela qual trata-se e vício de
consentimento.
Coação Moral = Violência Moral.

Ainda sobre a coação moral irresistível, no decorrer da coação deve-se levar em


conta as características do coator, do coagido e da situação (art. 152 do CC). Por
isso, não se caracteriza a coação moral se uma idosa de 92 anos, com 1,50 m de
altura e 41 kg ameaçar bater em Janjão Brutamontes, 29 anos, lutador de “Vale- -
Tudo”, com 2,12 m e 135 kg.
Excludentes da coação
Situações que ainda que se sinta ameaçado não pode ser usado a seu favor,
quando ocorrer uma dessas situações não há em que se falar em coação moral:
temos o exercício normal de um direito e o simples temor reverencial, citados no
art. 153 do CC, que não caracterizam a coação moral.

Ameaça do exercício regular de direito


Ex.: Se o credor de uma dívida vencida e não paga ameaçar o devedor de
protestar o título e requerer falência, não se configurará coação, por ser ameaça
justa que se prende ao exercício normal de um direito. Logo, o devedor não
poderá reclamar a anulação do protesto.

Temor Reverencial
Ex.: É o receio de desgostar ascendente (pai, mãe, tio etc.) ou pessoa a quem se
deve obediência e respeito. Desde que não haja ameaças ou violências
irresistíveis, o ato negocial não pode ser anulado.

Excludentes de Ilicitude

Coação de terceiro – Art. 154 e 155


Trata-se da coação oriunda de uma terceira pessoa que não é parte no negócio
jurídico. Só será causa de anulabilidade do negócio jurídico quando a parte
beneficiada souber ou tiver a possibilidade de saber sobre a sua existência.
Ex.: Músico A vê guitarra do músico B e pergunta se ele quer vendê-la, e ele diz
que não. Porém o diretor do fã clube ouve a conversa e depois coage músico B
para lhe entregar a guitarra se não mataria sua esposa. Musico B entrega guitarra
para diretor, que a leva de presenta ao músico A e diz que comprou para ele,
seno que A não sabe que o diretor coagiu músico B para obter a guitarra. Neste
caso de anulabilidade, o músico devolve a guitarra, e o diretor arcará sozinho
com as consequências. Porém se o músico souber que o diretor agiu com coação
e este não faz nada, consentindo a mesma, se desfaz o negócio jurídico e o
músico banca junto com o diretor.

Estado de Perigo - Art. 156 CC.

Não confundir estado de perigo com coação.

Diferença: No estado de perigo somente se aproveita da situação, na coação há a


ameaça.
No estado de perigo a pessoa se colocou numa situação de risco ou de
integridade física (o risco é só pessoal, ou a pessoa da família ou pessoa próxima),
mas a pessoa não está sendo ameaçada.
Ex: Estou preso na areia movediça e passa uma pessoa e pergunta se eu quero
ajuda, mas ele diz que só me ajudará se eu der meu relógio de ouro que estou
usando que custa 100 mil. Logo entrego o relógio.
Ex: Meu filho foi sequestrado e para pagar o resgate coloco a venda meu
apartamento que vale 200 mil, e explico que preciso pagar o resgate, o
comprador diz paga apenas 100 mil, se aproveitando da situação em que me
encontro. No desespero eu vendo o apartamento por 100 mil.

Requisitos necessários para configurar o estado de perigo:


• Perigo (Risco de vida ou integridade física, da própria pessoa, ou de pessoa
da família, ou ainda pessoa próxima)
• Desproporção (Entre a prestação e a contraprestação, desproporção do
valor da coisa negociada e o pagamento por ela oferecido)
• Conhecimento (Ciência por parte de quem se beneficia com o negócio)

Lesão - Art. 157 CC.

Diferença:
Estado de perigo – decorre do risco de dano a uma pessoa.
Lesão – decorre do risco de dano ao patrimônio.

A lesão é um vício de consentimento decorrente do abuso praticado em situação


de desigualdade de um dos contratantes, por estar sob premente necessidade, ou
por inexperiência, com o objetivo de protegê-lo diante do prejuízo sofrido na
conclusão de um negócio jurídico em decorrência da desproporção existente
entre as prestações das duas partes. Trata-se de um dano patrimonial.

Requisitos:
• Desproporção (Entre prestação e contraprestação)
Ex: Peço o carro emprestado para um amigo para ir até outra cidade fazer
uma entrevista. Ele empresta porém ele quer que entregue o carro com
tanque cheio, 4 pneus novos e um som dentro. Para não perder a chance
do emprego, assino o combinado.(Desproporção + Premente necessidade).
Ex:
• Inexperiência () ou premente necessidade ()
É a necessidade de obter recursos, não sendo necessário que o contratante
tenha induzido a vítima a celebrar o negócio, nem mesmo que saiba sobre a
inexperiência ou o estado de necessidade do outro contratante, pois neste
caso ele apenas tira proveito da situação, chamado pela doutrina de dolo de
aproveitamento, demonstrando que a lesão está ligada à boa-fé objetiva
dos contratantes, exigida como cláusula geral em todos os negócios
jurídicos.

Fraude contra Credores - Art. 158 a 165 CC.

É vício social
Na fraude contra credores, se tem um negociante fazendo negócios com outro
negociante para prejudicar uma terceira pessoa, por isso é tido como vício social.

Conceito: É o ato praticado pelo devedor insolvente ou na iminência de sê-lo(que


é levado à insolvência), que desfalca seu patrimônio, onerando ou alienando seus
bens de forma a subtraí-los(retirá-los) à garantia comum dos credores.

É o cara que sabe que deve e começa a se desfazer de seus bens para quando for
acionado ele não ter mais bens para pagar a dívida.

Insolvente: o cara que tem mais dívida do que patrimônio.

Requisitos:

Se o negócio jurídico efetivado que levou à insolvência foi gratuito ou benéfico:


nesses casos, os credores não precisam provar o consilium fraudis, pois a lei
presume o propósito de fraude. A remissão (perdão) de dívida também constitui
uma liberalidade, que reduz o patrimônio do devedor;
• Insolvência: O cara não tem mais patrimônio capaz de pagar o que ele deve.
• Anterioridade: A dívida é anterior ao ato considerado fraudulento. Ex: Eu
devo para Zeca e não quero ter meus bens atingidos, então eu doou para o
João o meu bem, ficando sem patrimônio para pagar Zeca.

Se o negócio jurídico efetivado que levou à insolvência foi oneroso: para anulá-las,
os credores terão de provar o eventus damni (que a alienação reduziu o devedor
à insolvência) e o consilium fraudis (a má-fé do terceiro adquirente);
• Insolvência: O cara não tem mais patrimônio capaz de pagar o que ele deve.
• Anterioridade: A dívida é anterior ao ato considerado fraudulento. Ex: Eu
devo para Zeca e não quero ter meus bens atingidos, então eu doou para o
João o meu bem, ficando sem patrimônio para pagar Zeca.
• Conluio fraudulento(o conhecido “migué”, ou “esquema”): Ex: Tenho um
bem capaz de pagar o Zeca, mas não quero pagar o zeca, mas digo para
João que estou devendo para zeca e para não pagar para ele eu quero te
vender esse bem, e João sabendo que eu devo para Zeca ele compra o
bem.
Credores quirografários: são aqueles “boca aberta”, “tansos”. Que não tem
nenhuma garantia real do pagamento da dívida.

Art. 158, § 1º – Se o que ele tem como garantia não é mais capaz de garantir a
dívida, ele também tem o direito de alegar a fraude contra credores, desde que
haja insolvência, seja anterior, e se for negócio jurídico oneroso, que também haja
o conluio fraudulento.

Não confundir com fraude à execução.

Art. 160 – Ex.: Comprei um bem de alguém que foi levado a insolvência por causa
disso, ou que já estava em insolvente e não vai poder pagar a outra pessoa, e eu
ainda não paguei, então em vez de pagar ao cara de quem eu comprei, eu pago
em juízo o valor aproximado de mercado, citando todos os credores que foram
prejudicados pela aquela venda.

Art. 160, § 1º – Ex.:Se comprou um bem com valor muito inferior ao valor de
mercado, paga-se em processo a diferença do valor para completar o preço de
mercado.

Art. 161 - A quem se propõe ação anulatória de ato jurídico fundada em fraude
contra credores ?
Será contra a pessoa que recebeu gratuitamente o bem, por que ela não
desprendeu nada do seu patrimônio, pois ela somente recebeu um bem, e aquilo
está prejudicando um terceiro.
Se o negócio jurídico foi oneroso precisa comprovar o conluio fraudulento, aí
pode se anular o negócio jurídico, mas sempre contra todas aquelas pessoas que
fizeram o negócio.

Art. 162 – Quando alguém é credor junto com outras pessoas e acaba recebendo
o bem pra quitar a sua dívida em prejuízo dos outros.
Ex.: Tenho como credor Zeca, Pedro e Manoel. A dívida que devo a Manoel ainda
não venceu, mas eu pago (entrego um bem em pagamento) Manoel para não
pagar os demais.

Por via de regra, presume sempre a boa-fé na formação e interpretação dos


contratos, mas há exceções:
Art. 163 – Dar em garantia um bem que tenha, devendo para outra pessoa,
presumem-se fraudatórios (de má fé). PRESUME-SE.
Ex: Sou devedor de Zeca, e para não pagar Zeca dou o meu bem em garantia de
outra dívida no banco.

Art. 164 – Trata de boa-fé mas para caso específico. PRESUME-SE.


Ex.: Um dono de supermercado me deve, então vou até lá e digo para tudo, isso
é fraude contra credores, você me deve e fica aí vendendo produto. Porém é
disso que ele vive, presume-se de boa-fé.

Ex.: Um dono de revenda de automóvel me deve, mas ainda não me pagou,


porém ele continua vendendo carros em sua revenda, presume-se de boa-fé. Mas
se provar que ele está fazendo isso pra prejudicar, a história é outra.

Art. 165 – Desfeito o negócio de uma fraude contra credores, volta para o
patrimônio do devedor aquele bem, para que o mesmo seja atingido pelos seus
credores.

Art. 165, § único – Eu devo para Zeca e dei meu patrimônio para o banco, anulou-
se essa garantia. Não precisa devolver nada para o patrimônio de Zeca, pois não
saiu do patrimônio do Zeca. A única coisa a ser feita é anular aquela garantia.