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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ÍVEL DE BELO HORIZONTGE

(MG)

Intermediado por seu mandatário ao final firmado -- instrumento


procuratório acostado -- causídico inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Minas
Gerais, sob o nº. 112233, com seu endereço profissional consignado no timbre desta, onde, em
atendimento à diretriz do art. 39, inciso I, da Legislação Instrumental Civil, indica-o para as
intimações necessárias, comparece, com o devido respeito à presença de Vossa Excelência,
PAULO DAS QUANTAS, brasileiro, casado, maior, empresário, inscrito no CPF(MF) sob o nº.
555.666.777-88, residente e domiciliado na Rua Xista, nº. 0000, em Belo Horizonte (MG), para
ajuizar, com fulcro nos arts. 186, 927e 944, todos do Código Civil Brasileiro c/c Art. 14 do Código
de Defesa do Consumidor, a presente

AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS,

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contra COMPANHIA AÉREA XISTA S/A, inscrita no CNPJ(MF) nº. 11.222.333/0001-44,
estabelecida na Av. Zeta, nº. 000, Belo Horizonte(MG), em razão das justificativas de ordem
fática e de direito, abaixo delineadas.

CONSIDERAÇÕES FÁTICAS

O Autor contratou a Ré para transporte aéreo no trecho Belo


Horizonte/Miami(EUA) e Miami(EUA)/Belo Horizonte(MG), saindo de Belo Horizonte para São
Paulo no vôo nº 3344 às 18:45h do dia 33/22/0000, e seguindo no para Miami(EUA) no vôo, às
22:00h do mesmo dia. O retorno era previsto para o Brasil em 22/00/3333, no vôo 4455, às
21:45h, com destino a São Paulo. Finalmente pegando o vôo 2277 com destino a Belo
Horizonte, às 11:15h do dia 33/22/0000, conforme se denota dos bilhetes ora acostados( docs.
01/03).

Em que pese ter o mesmo embarcado para São Paulo no horário


previsto, tivera de dormir na cidade paulista para embarcar para Miami(EUA) somente às 07:20h
do dia seguinte, conforme cartões de embarque anexados. ( docs. 04/05)

Já no trecho de retorno houve atraso no início da viagem, vez que o


Autor em vôo somente às 22:15h, muito diverso daquele contratado, retornando a Belo Horizonte
também em vôo diverso do contratado, embarcando em São Paulo somente às 13:20h do dia
22/33/5555, o que se constata pelos documentos carreados. ( docs. 06/07)

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Diante do quadro fático ora narrado, destaca-se que os préstimos
ofertados pela Ré foram extremamente deficitários, ocasionando, sem sombra de dúvidas, danos
ao Autor, porquanto gerou sentimentos de desconforto, constrangimento, aborrecimento e
humilhação decorrentes dos atrasos nos vôos.

A RELAÇÃO ENTABULADA ENTRE AS PARTES É DE CONSUMO

A presente relação é claramente de consumo e, nestas


circunstâncias, a responsabilidade dos fornecedores, em decorrência de vício na prestação do
serviço, é objetiva, nos exatos termos do art. 14 do CDC que assim dispõe:

“Art. 14 – O fornecedor de serviços responde, independente da existência da culpa, pela


reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação de
serviços, bem como informações insuficientes ou inadequadas sobre sua função e riscos.
§ 1º - O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele
pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes entre as quais:
I – o modo de seu fornecimento;
II – o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III – a época que foi fornecido; ( . . . )

A corroborar o texto da Lei acima descrita, insta transcrever as lições


de Fábio Henrique Podestá:

“Aos sujeitos que pertencerem à categoria de prestadores de serviço, que nã o


sejam pessoas físicas, imputa-se uma responsabilidade objetiva por defeitos de
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segurança do serviço prestado, sendo intuitivo que tal responsabilidade é fundada
no risco criado e no lucro que é extraído da atividade. “(PODESTÁ , Fá bio; MORAIS,
Ezequiel; CARAZAI, Marcos Marins. Código de Defesa do Consumidor Comentado.
Comentado.
Sã o Paulo: RT, 2010. Pá g. 147)

Existiu, em verdade, defeito na prestação de serviços , o que importa


na responsabilização objetiva do fornecedor, ora Promovida.

JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. PROCESSO CIVIL. EFEITO SUSPENSIVO. NÃO


CABIMENTO. CONSUMIDOR. INCLUSÃO INDEVIDA DO NOME EM CADASTROS DE
INADIMPLENTES. DANO MORAL CONFIGURADO. ASTREINTES. PREVISÃO LEGAL.
VALOR RAZOÁVEL E PROPORCIONAL. RECURSO NÃO PROVIDO. SENTENÇA MANTIDA
POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
1. Não demonstrados os riscos de dano irreparável, incabível a atribuição de efeito
suspensivo ao recurso (artigo 43, Lei n. 9.099/95)
2. O fato alegado pelo recorrido - inscrição indevida junto aos órgãos de proteção ao
crédito - restou incontroverso.
3. O artigo 14 e seu §1º da Lei n. 8078/90 atribui ao fornecedor responsabilidade
objetiva pelos danos que causar, oriundos da prestação defeituosa dos seus serviços. A
indevida inscrição do nome em órgãos de proteção ao crédito caracteriza prestação
defeituosa do serviço disponibilizado no mercado de consumo, viola direito da
personalidade, dispensa a prova do prejuízo, que se presume, e deve ser indenizado.
Sendo incontroversa a inexistência do débito que gerou a inscrição do nome do

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consumidor em órgãos de proteção ao crédito, cumpre à empresa fornecedora
indenizar os danos morais decorrentes.
4. A multa processual prevista no artigo 461, § 4º do CPC tem por objeto garantir a
efetividade da tutela jurisdicional, sendo cabível sua fixação nas condenações em
obrigação de fazer.
5. O valor das astreintes foi fixado pelo magistrado em consonância com a obrigação
principal e em montante suficiente para assegurar o cumprimento da obrigação de
fazer, concernente na retirada no nome do recorrido do cadastro de inadimplentes e,
portanto, razoável e proporcional.
6. Recurso conhecido e não provido. Sentença mantida por seus próprios
fundamentos, com Súmula de julgamento servindo de acórdão, na forma do artigo 46,
Lei nº 9099/95. Custas e honorários pelo recorrente vencido, estes fixados em 10%
(dez por cento) sobre o valor da condenação, artigo 55, da Lei n. 9.099/95. ( TJDF - Rec
2012.06.1.006550-0; Ac. 647.988; Primeira Turma Recursal dos Juizados Especiais do
Distrito Federal; Relª Juíza Wilde Maria Silva Justiniano Ribeiro; DJDFTE 25/01/2013;
Pág. 410)

Ainda o mesmo Código prevê expressamente no artigo 23 que “ a


ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços
não o exime da responsabilidade. “

A Ré comprometeu-se a transportar o Autor nas horas marcadas,


nos dias estabelecidos e até o lugar indicado, sendo certo que sua obrigação não se limita
apenas ao vôo, incluindo-se na prestação de serviços o que pelo cliente.
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A negligência da Promovida no atendimento ao Autor, sobretudo no
repasse de informações desencontradas e horários divergentes do contratado, caracteriza falha
na prestação de serviços, gerando, conseqüentemente, o dever de indenizar. Incumbia à Ré
viabilizar alternativas que assegurassem a segurança e o conforto dos seus passageiros.

Com efeito, a situação de espera indeterminada, em condições


desconfortáveis, causou ao Autor abalo interno, sujeitando-o à forte apreensão, sensação de
abandono e desprezo.

Não se diga, mais, que haja aplicação do Pacto de Varsóvia ao caso


em questão, nem mesmo tocantemente à Lei 7.565/86 (Código Brasileiro de Aeronáutica).

Como dito em passagem anterior deste arrazoado, não há dúvida de


que a relação existente entre o passageiro e a empresa de transporte aéreo encontra-se
albergada na Lei 8.078/90, recebendo agasalho de suas normas e de seus princípios, inclusive
com observância obrigatória, pois o interesse tutelado é sempre de ordem pública e não o
meramente individual.

De outra banda, visto que equacionada a questão à relação de


consumo, importante que afastemos possível conflito entre a aplicabilidade do Código de Defesa
do Consumidor em face da Convenção de Varsóvia para aplicação de possível indenização.

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A esse respeito, prevalece em nosso sistema jurídico o entendimento
de que os tratados ou convenções internacionais não se sobrepõem à legislação federal, já que
ao serem referendados pelo Congresso passam a ter a mesma força da legislação ordinária.

Convém ressaltar o magistério de Cláudia Lima Marques:

“O contrato de transporte de passageiros é um contrato de prestaçã o de serviços,


uma obrigaçã o de resultado. Nesse caso, a caracterizaçã o do profissional
transportador como fornecedor nã o é difícil, nem a do usuá rio do serviço, seja qual
for o fim que este pretende com o deslocamento, como consumidor A relaçã o de
transporte é de consumo e deverá ser regulada pelo CDC em diá logo com o
CC/2002 sempre que estejam presentes consumidor e fornecedor naquela relaçã o.
“ (MARQUES, Clá udia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor: o novo
regime das relações contratuais.
contratuais. 6ª Ed. Sã o Paulo: RT, 2011, p. 473)

Não há, dessarte, sobreposição de normais internacionais às leis que


integram o direito positivo brasileiro que lhes sejam contrárias e supervenientes.

Nesse sentido:

APELAÇÃO CÍVEL. DOIS RECURSOS. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E


MORAIS. CONTRATO DE TRANSPORTE. EXTRAVIO DE BAGAGEM. VOO
INTERNACIONAL. INDENIZAÇÃO TARIFADA. CONVENÇÃO INTERNACIONAL.
INTERNACIONAL.
INAPLICABILIDADE.
INAPLICABILIDADE. RESPONSABILIDA DE OBJETIVA DA COMPAINHA AÉREA. DANOS
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MATERIAIS. COMPROVAÇÃO. INDENIZAÇÃO DEVID A. DANOS MORAIS. QUANTUM.
RAZOABILIDA DE E PROPORCIONALIDADE. MAJORAÇÃO. HONORÁRIOS.
MANUTENÇÃO. RECURSO DA RÉ IMPROVIDO. RECURSO DOS AUTORES
PARCIALMENTE PROVIDO.
A responsabilidade do transportador advém da sua condição de fornecedor de
serviços, decorrendo daí que responde objetivamente pelos prejuízos causados em
caso de não cumprimento de seu dever de transportar o passageiro e a sua bagagem
incólumes até o destino final. Não se exime a empresa aérea do dever de indenizar o
passageiro pelo extravio de bagagem sob o singelo argumento de que não teve
conhecimento de seu conteúdo, haja vista que a responsabilidade de colher a
declaração descritiva dos pertences que transporta é sua. A jurisprudência dominante
se orienta no sentido de prevalência das normas do CDC, em detrimento de
convenções internacionais, em casos de extravio de bagagem, em transporte aéreo
internacional, não se aplicando a indenização tarifada.
tarifada. Via de regra, a reparação de
danos materiais depende da efetiva comprovação dos prejuízos sofridos pelo lesado.
Todavia, em caso de extravio de bagagem, tal orientação deve ser atenuada,
considerando-se as peculiaridades relativas ao contrato de transporte e a
impossibilidade material de exigir-se dos passageiros que possuam as notas fiscais de
todos os objetos pessoais que transportem nas malas. Em tema de indenização por
dano moral, deve o julgador estipular um valor proporcional à lesão experimentada
pela vítima, calcado na moderação e razoabilidade, valendo-se de sua experiência e do
bom senso, sempre atento a realidade dos fatos e as peculiaridades de cada caso,
evitando o enriquecimento sem causa. Mantêm-se os honorários advocatícios fixados
na sentença quando forem arbitrados consoante apreciação equitativa do magistrado,
e desde que atendidas as regras das alíneas”a”, “b”e”c”, do§3º, do art. 20, do código
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de processo civil. (TJMS
(TJMS - APL 0043898-07.2010.8.12.0001; Campo Grande; Quarta
Câmara Cível; Rel. Des. Paschoal Carmello Leandro; DJMS 09/01/2013)

APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO. EXTRAVIO DE BAGAGEM. APLICAÇÃO DO CDC.


Responsabilidade objetiva da empresa de transporte aéreo, nos termos do art. 14 do
CDC e art. 734 do CC. Falha na prestação do serviço.
Após o advento do Código de Defesa do Consumidor, a tarifação por extravio de
bagagem prevista na convenção de varsóvia não prevalece, podendo a indenização
ser estabelecida em valor maior ou menor, consoante a apreciação do judiciário em
relação aos fatos acontecidos.
acontecidos.
II. De acordo com o art. 14 do CODEX em evidência, é objetiva a responsabilidade da
ré, como fornecedora, pelos danos causados aos seus clientes/passageiros, isto é,
independentemente da existência de culpa, por defeitos relativos à prestação do
serviço, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição.
Tal responsabilidade somente é afastada se: (1) prestado o serviço, restar comprovado
que o defeito inexiste, ou se (2) comprovada a culpa exclusiva do consumidor ou de
terceiro, não é o caso. II. O extravio de bagagem, cuja entrega é confiada à empresa
transportadora, gera a reparação por dano moral, na medida em que tal situação traz
ao passageiro um abalo psíquico e intenso desconforto.
III. Não há falar em redução do quantum estabelecido na sentença eis que arbitrado
em observância aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em
consideração a situação econômica de quem vai pagar e a posição social do
beneficiário. Apelo conhecido e desprovido. (TJGO
(TJGO - AC 12959-72.2010.8.09.0051;
Goiânia; Rel. Des. Walter Carlos Lemes; DJGO 27/11/2012; Pág. 149)
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Desta maneira, a promulgação de lei posterior que contenha
divergência coma Convenção Internacional, acaba por modificar o regulamento da matéria em
comum, pelo menos na questão em que haja incompatibilidade. Assim, devem predominar as
disposições do Código de Defesa do Consumidor quando estejam em conflito com a Convenção
de Varsóvia, sobretudo quando constata-se que aquela lei federal é posterior à entrada desta
normatização no sistema jurídico pátrio (Decreto nº. 20.784/31), bem como das modificações
que lhes seguiram.

Portanto, possível é ao Autor receber indenização com base na Lei


nº. 8078/90 (Código de Defesa do Consumidor) , tendo esta posição sido objeto de manifestação
do Superior Tribunal de Justiça:

AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. INDENIZAÇÃO. TRANSPORTE


AÉREO. CANCELAMENTO DE VÔO. APLICAÇÃO DO CDC. PRECEDENTES DO STJ.
RESPONSABILIDADE. VERBETES NS. 7 E 83 DO STJ. INCIDÊNCIA. DANOS MORAIS E
MATERIAIS. VALOR ARBITRADO PELA INSTÂNCIA ORDINÁRIA. REVISÃO. DISSÍDIO
JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO.
1. "Após
"Após o advento do Código de Defesa do Consumidor, a responsabilidade civil do
transportador aéreo pelo extravio de mercadoria subordina-se ao princípio da ampla
reparação, afastando-se a indenização tarifada prevista na Convenção de Varsóvia "
(AGRG no AG 1230663/RJ, relator Min. João Otávio de Noronha, DJe 3/9/2010).
2. A desconstituição das premissas fáticas lançadas pelo Tribunal de origem, na forma
pretendida, demandaria a incursão no acervo fático, procedimento que encontra óbice
no verbete nº 7/STJ.
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3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite, excepcionalmente, em sede
especial, o reexame do valor fixado a título de danos morais, quando ínfimo ou
exagerado. Hipótese, todavia, em que a verba indenizatória, consideradas as
circunstâncias de fato da causa, foi estabelecida pela instância ordinária em
conformidade com os princípios da proporcionalidade e razoabilidade.
4. Dissídio jurisprudencial que não se reconhece, seja pela ausência de semelhança
fática entre as hipóteses confrontadas, ou pela falta de atendimento aos regramentos
legais e regimentais da espécie.
5. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ
(STJ - AgRg-Ag 1.341.046; Proc.
2010/0150249-9; RJ; Quarta Turma; Relª Minª Isabel Gallotti; Julg. 07/08/2012; DJE
13/08/2012)

DOS DANOS

Diante do foi exposto, não resta dúvida que o atraso no vôo gera o
dever de indenizar, senão vejamos os seguintes julgados:

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ATRASO DE VÔO COM DIVERSOS


INCONVENIENTES AO PASSAGEIRO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA PARCIAL.
CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL.
COMPENSAÇÃO E PUNIÇÃO. HONORÁRIOS DE ADVOGADO. FIXAÇÃO EM SINTONIA
COM O ART. 20, §3º, DO CPC. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.
1 - Atraso de vôo por mais de oito horas, não justificado pela companhia aérea,
importa em dano moral para o consumidor-usuário. 2. - O valor do dano moral deve
ser fixado com base nos critérios de compensação e punição, pautando-se o julgador
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nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 3. - De acordo com
precedentes do Superior Tribunal de Justiça, é razoável a fixação da indenização pelo
dano moral, em decorrência de longo atraso de vôo, em R$5.000,00 (cinco mil reais).
AGRG no AREsp 145.989/RJ, Rel. Ministro RAUL Araújo, QUARTA TURMA, julgado em
15-05-2012, DJe 13-06-2012. 4. - Razoável o arbitramento da indenização por dano
moral em R$3.000,00 (três mil reais) em favor de passageiro de menor idade, se em
razão do mesmo fato fixou-se indenização em favor do pai em R$10.000,00 (dez mil
reais). 5. - Nas ações condenatórias os honorários de advogado devem ser fixados com
base nos critérios definidos no art. 20, §3º do Código de Processo Civil. 6. - Recurso
conhecido e parcialmente provido. (TJES
(TJES - AC 0901538-75.2012.8.08.0000; Terceira
Câmara Cível; Rel. Des. Dair José Bregunce de Oliveira; Julg. 27/11/2012; DJES
07/12/2012)

DIREITO DO CONSUMIDOR. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA AFASTADA.


TRANSPORTE AÉREO. ATRASO DO VOO. PERDA DA CONEXÃO. DANO MORAL
CONFIGURADO.
1 - Acórdão elaborado em conformidade com o disposto nos arts. 46 da Lei nº
9.099/1995, 12, inciso XI, 98 e 99 do regimento interno das turmas recursais. Recurso
próprio, regular e tempestivo. 2 - Preliminar de ilegitimidade passiva. No âmbito dos
juizados especiais cíveis deve ser prestigiada a teoria da asserção, segundo a qual, o
exame das condições da ação deve ser feito com abstração dos fatos demonstrados no
processo, evitando-se, assim, o inconveniente de se extinguir o processo sem
apreciação do mérito. Precedentes no STJ (RESP 879188 Recurso Especial
2006/0186323-6 - Relator(a) ministro Humberto Martins) e também no TJDFT (2006 01
1 047168-6 APC - 0000976-28.2006.807.0001 (Res. 65 - CNJ) relator. Angelo passareli).
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Preliminar que se rejeita. 3 - Titularidade da obrigação de indenizar. Ainda que tenham
personalidades jurídicas distintas, as empresas do mesmo grupo econômico são
solidariamente responsáveis pelos atos uma das outras, especialmente porque os
documentos demonstram que ambas atuaram em fases da prestação dos serviços.
Precedentes na turma (acórdão n. 528874, 20110110037948acj, relator diva lucy de
faria Pereira, 1ª turma recursal dos juizados especiais do Distrito Federal, julgado em
16/08/2011, DJ 19/08/2011 p. 200) 4 - No contrato de transporte aéreo de
passageiros, "o transportador está sujeito aos horários e itinerários previstos, sob pena
de responder por perdas e danos, salvo motivo de força maior", conforme definido no
art. 737 do Código Civil. A vinculação do transportador aos horários e itinerários
refere-se ao destino. Precedentes nesta turma (acórdão n. 595381,
20110111312027acj, relator aiston Henrique de Sousa, 2ª turma recursal dos juizados
especiais do Distrito Federal, julgado em 22/05/2012, DJ 15/06/2012 p. 257). Assim, o
atraso no embarque que resulta na perda da conexão à cidade de destino, obrigando a
consumidora a aguardar mais de seis horas para embarcar em outro vôo, representa
descumprimento do contrato. Não tendo, a companhia, demonstrado que o atraso
decorreu de caso fortuito ou de força maior, responde pelos danos decorrentes da
demora. 5 - O atraso no vôo gera direito a indenização por danos morais. Não deve ser
reduzido o valor da indenização de R$ 3.000,00, se esta foi fixada em conformidade
com a gravidade da violação e com a necessidade de prevenção. Sentença que se
mantém pelos seus próprios fundamentos. 6 - Recurso conhecido, mas não provido.
Custas processuais e honorários, no valor de R$ 450,00, pelo recorrente. (TJDF
(TJDF - Rec
2012.07.1.004048-0; Ac. 621.573; Segunda Turma Recursal dos Juizados Especiais do
Distrito Federal; Rel. Juiz Aiston Henrique de Sousa; DJDFTE 26/09/2012; Pág. 247)

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RESPONSABILIDADE CIVIL. PACOTE DE TURISMO. TRANSPORTE AÉREO. ATRASO NO
VÔO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. QUANTUM. CRITÉRIOS.
JUROS DE MORA. PERCENTUAL DE 1% AO MÊS APÓS A ENTRADA EM VIGOR DO
CÓDIGO CIVIL DE 2002. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. RESPONSABILIDADE
CONTRATUAL. CITAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CRITÉRIOS DE FIXAÇÃO.
Deve-se fixar o valor da reparação por dano moral, com cautela e prudência,
atendendo às peculiaridades próprias ao caso concreto, de modo que o valor arbitrado
não seja elevado a ponto de culminar aumento patrimonial indevido ao lesado, nem
demasiadamente inexpressivo, por desservir ao seu fim pedagógico, advindo do
ordenamento jurídico atinente à espécie. Com a entrada em vigor do Código Civil de
2002 (11 de janeiro de 2003), a cobrança dos juros legais ganhou nova disciplina,
limitando sua incidência a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de
impostos devidos à Fazenda Nacional, nos termos do artigo 406 do Código Civil. Em
caso de responsabilidade contratual, os juros moratórios incidem a contar da citação.
Nas ações condenatórias, os honorários de sucumbência devem ser fixados na forma
do § 3º do art. 20 do CPC. (TJMG
(TJMG - APCV 2661118-73.2009.8.13.0701; Rel. Des. Pedro
Bernardes; Julg. 14/08/2012; DJEMG 27/08/2012)

RECURSO INOMINADO. TRANSPORTE AÉREO. ATRASO DE VÔO. RESPONSABILIDADE


OBJETIVA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. NEGLIGÊNCIA DA EMPRESA DE AVIAÇÃO.
DANO MORAL CONFIGURADO. INDENIZAÇÃO FIXADA NOS PARÂMETROS DA
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. RECURSO IMPROVIDO.
1. O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor atribui ao fornecedor de serviços a
responsabilidade objetiva quanto aos danos causados ao consumidor. 2. A empresa
aérea que causa considerável atraso na chegada no destino, em razão de inserir o
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passageiro em outro vôo, age negligentemente e gera a obrigação de indenizar a título
de dano moral. 3. Mantém-se o valor da indenização a título de dano moral se fixado
nos parâmetros da razoabilidade e proporcionalidade. (TJMT
(TJMT - RC-Inom 2143/2012;
Rel. Des. Valmir Alaércio dos Santos; Julg. 02/10/2012; DJMT 11/10/2012; Pág. 66)

Nessa mesma esteira de entendimento são as lições de Yussef Said


Cahali:

“Em funçã o de o transportador nã o cumprir de forma satisfató ria a obrigaçã o que


agora a lei expressamente lhe impõ e (ou se deixar de cumpri-la integralmente),
eventuais danos morais causados ao passageiro frustrado, em razã o de
desconforto, desatençã o, intranquilidade, poderã o sujeitá -lo à responsabilidade
indenizató ria. “(CAHALI, Yussef Said. Dano Moral.
Moral. 4ª Ed. Sã o Paulo: RT, 2011, p.
490)

Dessarte, cabível a condenação da Ré ao pagamento de indenização por


dano moral, mormente com o objetivo de dissuadi-la da prática ilícita perpetrada e, ao mesmo, tempo,
indenizar o Autor do constrangimento que tivera de suportar.

EM CONCLUSÃO

Em arremate, requer o Promovente que Vossa Excelência se


digne de tomar as seguintes providências:

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a) Determinar a citação da Requerida, por carta, com AR, para, querendo,
contestar aos termos da presente;

b) pede, mais, sejam JULGADOS PROCEDENTES OS PEDIDOS formulados na


presente ação, condenando o Réu a pagar a quantia de 100(cem) vezes o valor
das passagens aéreas, acrescida de correção monetária, além de juros
moratórios, à razão de 1%(um por cento) ao mês, a partir do evento danoso;

Súmula 43 do STJ – Incide correção monetária sobre dívida por ato


ilícito a partir da data do efetivo prejuízo.

Súmula 54 do STJ – Os juros moratórios fluem a partir do evento


danoso, em caso de responsabilidade extracontratual.

c) seja o Requerido condenado ao pagamento de honorários de 20%(vinte por


cento) sobre o valor da condenação, mormente levando-se em conta o trabalho
profissional desenvolvido pelo patrono do Autor, além do pagamento de custas e
despesas, tudo também devidamente corrigido;

d) provará o alegado por todos os meios de prova em direitos admitidos, por mais
especiais que sejam, sobretudo por prova pericial, se necessário for, oitiva de
testemunhas, depoimento pessoal do Réu, o que desde já requer, sob pena de
confesso.
17
Concede-se à causa o valor de R$ 00.000,00 ( .x.x.x. ).

Respeitosamente, pede deferimento.

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